EntreContos

Detox Literário.

Rumo ao Estrelato (Tamisa)

Olhos sinistros. Eu gosto de olhos. Já a névoa, não, acho tosco, pouco poético. Mas partes mutiladas me fascinam, assim como um ambiente hospitalar (que por vezes enojam muita gente, e isso me inclui um pouco).

Sigo achando que pode haver algo de especial em mim. Mas depois de tanto tempo que perdi, acho que serei apenas “mais um na prateleira”.

Sabe, veja bem minha situação, ainda que me esforce, para terminar a obra (que para mim, por vezes é tão boa a ponto de se fazer um filme Hollywoodiano), sei que alguns nem seriam capazes de terminá-la, de entendê-la, de sentirem-na como eu sinto. Falta atenção adequada, a mim e ao meu personagem principal, aqui, de quem já tirei quase todo o potencial (mãos, pés, um braço… os olhos). E mesmo que eu esteja sorrindo, contente com o resultado, estou triste. Estou sempre triste por dentro. Ainda que o resultado seja magnífico.

Dentro do que chamo de ser, vive um outro. É um monstro lindo, poderoso, que sabe voar e dar vida ao que quiser. O problema dele, é que nunca está satisfeito. Afinal, é justo dizer, que se parece muito com o ser humano, sonha demais e nunca se satisfaz.

O sangue, representa o brilho, e eu o quero para mim, então passo-o no rosto, apossando-me, do brilhar. Quero sempre ser esse sorriso contagiante – quase contagioso.

Mas assim como o resto da minha vida, sempre vem algo que me leva de volta à lucidez de ser apenas mais um, preso em uma vidinha simples e comum. O que me lembra que nem o meu personagem principal, aqui (essa minha estrela), não é grande coisa. Ninguém é. São as pessoas, os outros, que nos olham e decidem que estão apaixonados por nós, tornando-nos quase deuses. Memoráveis e poderosos.

No rosto, desse meu querido personagem, um filete de lágrima, jaz, me mostrando o quanto fui importante para ele. Fui sim, especial para alguém.

Agora, tranquilo, me deito ao lado de meu cadáver estrela, onde ficamos esperando, minha obra e eu, até os que se importam, venham por nós. Rumo ao estrelato.

36 comentários em “Rumo ao Estrelato (Tamisa)

  1. Fabio D'Oliveira
    26 de novembro de 2020

    Buenas!
    Tamisa, vou direto ao ponto: você é talentosa. Mas é uma joia bruta, ainda. Precisa de lapidação. A parte técnica do conto, se estivesse perfeita, seria uma leitura memorável, mas o mau uso da pontuação atrapalhou muito. Algumas coisas poderiam ser ajustadas, também, para deixar o conto mais liso. Olhe essa parte:
    “O sangue, representa o brilho, e eu o quero para mim, então passo-o no rosto, apossando-me, do brilhar. Quero sempre ser esse sorriso contagiante – quase contagioso.”
    O excesso de vírgula quebra o ritmo da leitura. Essa parte é poética, lê-la com continuidade deixaria ela mais apreciável, sem falar que, esteticamente, essa quantidade de vírgulas acaba enfeiando o texto. Olhe como poderia ficar:
    “O sangue representa o brilho. Que brilho? Da majestade. E eu o quero pra mim. Então, como a bailarina que calça sua sapatilha antes do espetáculo, passo-o no rosto, apossando-me do brilho. Quero sempre ser esse sorriso cativante – quase contagioso.”
    A repetição do contagiante-contagioso, apesar de parecer proposital, parece (e friso essa palavra, parece, não quer dizer que é) empobrecer o texto, pela similaridade, então troquei pelo cativante, que expressa quase a mesma ideia.
    O tom poético do seu conto é lindo, Tamisa. Você retrata um assassino, com narração focado no eu-ordinário dele, de forma até criativa. Ele está montando uma obra de arte, com restos de suas vítimas, um verdadeiro frankenstein moderno. Ele se rende ao monstro, não resiste, e não gosta muito de ser normal. Ele queria ser especial. A loucura, apesar de não estar completamente explícita, está nessa situação, não apenas nos assassinatos que o narrador possa ter cometido. Gostei muito, também, da comparação do lado monstruoso com a humanidade, mostrando que assassinos não são tão diferentes das pessoas em geral. Só tem um vício louco, diferente da maioria, que também possuem vícios, mas, muitas vezes, focados em autodestruição.
    Outro ponto que gostei foi o formato do conto, que acaba saindo do padrão tradicional, que geralmente inclui uma linha narrativa linear, personagens que interagem entre si, aquelas lições de moral (mesmo que sejam disfarçadas, haha), sem muita pretensão.
    Gostei mesmo do conto, sabe? Tem talento, se aprimorar mais a técnica, pensando em facilitar a vida para o leitor, vai escrever coisas maravilhosas. Sei que parece tentador ser diferente até na escrita, mas temos que ter um pezinho no chão. Escrevemos para sermos lidos, não é?

  2. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá Tamisa. Este foi o conto de que mais gostei até agora.
    Vamos por partes: este conto parece mais um conto que sobrou do desafio passado, do fanfic, se bem que a loucura, na sua forma mais macabra, esteja bem presente. Lembrou-me Dexter, uma série na qual um psicopata se torna polícia, especialista em perseguir outros psicopatas. Se não conhece, recomendo vivamente. Vai ver que se enquadra na perfeição, quer pelo cenário, quer pela motivação. Em Dexter, ele é acolhido ainda adolescente por um polícia que conhece a sua verdadeira natureza. Ensina-o a matar apenas quem merece ser morto por ter cometido, eles próprios, crimes macabros.
    Este conto narra a história de uma psicopata que mutila a sua vítima, sentindo prazer nisso, deitando-se ao lado dela à espera que as autoridades venham apreciar a sua obra.
    É um conto curto, que se lê com um prazer quase sádico (ainda está por explicar o nosso apetite pela leitura deste tipo de histórias – devemos ter um lado negro que deve ser alimentado antes que nos devore). É fluído, centrando-se mais no retrato psicológico e, por isso mesmo, torna-se real, permitindo colocar-nos na pele do “monstro”. Notei apenas alguns problemas mínimos de pontuação que atrapalham a leitura, mas nada que prejudique a qualidade do conto que é, volto a dizer, o melhor que li neste desafio.

  3. Amana
    19 de novembro de 2020

    Obs.: A nota final não se dará simplesmente pela soma da pontuação dos critérios estabelecidos aqui.
    Resumo: O autor e sua obra, em uma relação louca, como talvez sejam quase todas as existentes entre obra e autor.
    Parágrafo inicial (2/2): Achei bom, porque me despertou a curiosidade. Afinal, do que se tratava aquela loucura? O que significava tudo aquilo?
    Desenvolvimento (1/2): Poderia ser melhor, com um ritmo mais moderado e com mais detalhes. Achei que a narrativa acontece de forma muito rápida, sem necessidade.
    Personagens (1/2): Poderiam ser mais desenvolvidos, mais detalhados, não me cativaram o suficiente. Não queria as minúcias, claro, mas um desenvolvimento maior sobre quem são eles, na verdade.
    Revisão (0,5/1): Faltou revisar e havia tempo para isso. A pontuação inadequada em vários trechos tirou o meu ritmo de leitura.
    Gosto (1,5/3): Foi uma leitura ok, mas que pra mim deixou um pouco a desejar, pela falta de desenvolvimento. No entanto, acredito que é desafiante a ação de revisar agora, com mais calma, trabalhando no conto de forma a deixá-lo mais completo, mais interessante.

  4. jowilton
    16 de novembro de 2020

    O conto narra a história de um psicopata/escritor que explana sobre seu ofício de matar/escrever.
    É um bom conto. A dualidade que o texto traz é interessante, ficamos na dúvida se o personagem fala sobre matar ou sobre escrever. No entanto, o impacto em mim não foi suficiente para achar o conto muito bom ou excelente. Acho que contos curtos têm que impactar bastante,.o que não foi acaso neste aqui. Boa sorte no desafio.

  5. Rubem Cabral
    13 de novembro de 2020

    Olá, Tâmisa.

    Resumo do conto: acompanhamos os devaneios de uma personalidade cruel que habita o mesmo corpo de alguém “normal”. Não sabemos, já que o narrador é não confiável, se os fatos relatados sobre mutilações e sangue são reais ou apenas imaginação do “perverso”.

    Análise do conto: eu gosto de narradores não confiáveis, contudo, achei o texto pouco desenvolvido, não chega a criar um enredo; é mais um fluxo de pensamentos. A escrita não é má, fora alguns errinhos de pontuação.

    Boa sorte no desafio & abraços.

  6. Marco Aurélio Saraiva
    12 de novembro de 2020

    Resumo: os devaneios de um escritor sobre sua obra e o estrelato sonhado.

    O texto não me parece um conto; está mais para uma prosa quase poética que discursa sobre o processo criativo literário, a conexão do autor com seus personagens e o sonho quase inútil do estrelato incerto. A loucura vem de duas formas: deste personagem que vive dentro do autor (e que acho que todos nós temos um pouco disto), meio louco e muito criativo; e no próprio uso das palavras, em uma forma de “metaloucura”, onde o texto em si é meio insano na leitura.
    Gostei de como o autor descreve o próprio processo de escrita, “envolvendo-se no sangue”, descrevendo como que uma cena de êxtase enquanto escreve… apenas para acordar no dia seguinte e se ver de volta à vida comum de sempre, o livro pela metade, e um sonho pelo estrelato.

    Sua escrita dá um pouco de nervoso na leitura por que tem vírgulas demais. Caramba, é muita vírgula mesmo!

    “O sangue, representa o brilho, e eu o quero para mim, então passo-o no rosto, apossando-me, do brilhar” >> poderia ser simplesmente “O sangue representa o brilho e eu o quero para mim, então passo-o no rosto, apossando-me do brilhar”

    “Sabe, veja bem minha situação, ainda que me esforce, para terminar a obra…” >> poderia ser simplesmente “Sabe, veja bem minha situação: ainda que me esforce para terminar a obra…”

    Enfim: um conto que não é bem um conto, mas que com certeza toca no tema da loucura.

  7. Andre Brizola
    9 de novembro de 2020

    Olá, Tamisa.

    Conto sobre a relação entre artista e sua arte, ainda não terminada. Um passeio pelas frustrações e pelos poucos sucessos alcançados, mesmo sendo apenas conquistas solitárias. O artista também comenta sobre um outro dentro de si, capaz de concluir aquilo que ele mesmo não consegue, e de como sua própria existência é significante para suas próprias criações.

    A relação entre a arte e a loucura é uma linha legal de trabalho. E acho que a intenção do conto é justamente mostrar que a busca pelo sucesso (veja, aqui trato do sucesso ao alcançar a busca pela arte, e não o sucesso midiático, a fama) pode levar à loucura. Uma busca intensa, sem alcançar o objetivo com a arte, esse ser estranho e indomável, em algum momento pode, realmente, perturbar o artista, de tal maneira que a insanidade se infiltra.

    O texto é cheio de comparações e paralelos que enriquecem a narrativa. Gosto disso, de fato. Mesmo que eles dificultem o entendimento da ideia principal por acrescentarem camadas sobre ela. Por outro lado, a opção por um texto tão curto deixou algumas coisas sem resposta. Quando começamos a ver desenvolvimento, o conto termina. Mas acredito que você conseguiu atender ao tema do desafio.

    A minha opinião é a de que seu conto merece uma revisão. Nada muito drástico, entretanto. Ele é interessante, merece um tratamento mais amplo, talvez. Queremos saber sobre o outro, o monstro lindo. Queremos saber sobre o personagem-personagem que, triste, falece na aparente inabilidade do personagem-autor em leva-lo ao estrelato. Devo dizer que gostei do conto da forma como está. Só acho que ele poderia ser mais!

    É isso. Boa sorte no desafio!

  8. Anna
    8 de novembro de 2020

    Resumo : O conto retrata a ânsia que uma escritora tem de ser reconhecida por sua arte. Retrata o processo da escrita de maneira macabra, como se fosse um assassinato de ideias.
    Comentário : O conto é maravilhoso. Creio que todos os apaixonados pela arte de escrever sintam necessidade de serem reconhecidos e no fundo esperam que o mundo os leia. Gostei da reflexão de que todos somos humanos tendo sucesso ou não.

  9. Ana Maria Monteiro
    7 de novembro de 2020

    Resumo: um escritor perfecionista e, como tal, eternamente insatisfeito, traça a analogia entre a construção/desconstrução da sua obra e, como todos que escrevemos, acaba por ficar à espera de que talvez um dia possa ser reconhecido e rumar ao estrelato.
    Comentário: Olá, Tamisa. O seu conto, possível de interpretações diversas da que lhe dei, revela-se, sob a perspetiva em que o li, perfeitamente genial. Você retrata todo o processo criativo e o necessário exercício de cortar, recortar, emendar, remendar, sempre sentindo que tem algo digno de Hollywood, mas a que não consegue transmitir a glória que o alimenta. Gostei muito, a ideia está fantasticamente bem elaborada e não encontrei observações a fazer.
    Por outro lado, não encontrei relação com o tema proposto, a “bebedeira” de inspiração caótica que nos assalta, não tem esse denominador. Claro está que o conto tem outras leituras possíveis, mas a minha favorita foi a que percebi enquanto lia e fico com ela. E porque “de médico e louco, todos temos um pouco”, não será por esse pequeno desvio em relação à loucura, que a avaliação sairá prejudicada. Nada disso, gostei do conto, é bom, está bem feito, primoroso mesmo – é o principal.

  10. Gabriela
    6 de novembro de 2020

    Resumo: é uma história fluida, traz sentimentos e nos coloca próximos ao personagem. A autora mostra personalidade e registra sua identidade na história, poucos conseguem fazer isso. Gostei do lado “sombrio” e fiquei com vontade de ler mais textos da autora. Parabéns!

  11. Paula Giannini
    4 de novembro de 2020

    Olá, Contista,

    Tudo bem?

    Resumo: Reflexão de escritor com sua criação, suas frustrações diante da obra e sua aceitação em uma metáfora com o assassinato e a crueldade.

    Minhas impressões:

    O conto possui uma premissa muito boa, a arte é associada à loucura desde tempos remotos, o que também ocorre com o artista criador. Criar dói, causa conflito e desperta em nós, não raro, a dissonância criador x criatura.

    Interessante notar que, do modo como seu texto está arranjado, o leitor poderá lê-lo com duas possíveis interpretações: a do escritor dissecando seu personagem, bem como a de um assassino fazendo o mesmo com suas vítima. Tento mais para a primeira devido às pistas deixadas pelo(a) autor(a) como poeira, ou mesmo ser esquecido em prateleiras… No entanto, o morto também termina nelas, nas prateleiras, não é?

    Desejo sorte no desafio e peço que desconsidere minhas impressões caso tenha errado o alvo. Aqui, todos estamos para aprender.

    Beijos
    Paula Giannini

  12. Leandro Rodrigues dos Santos
    3 de novembro de 2020

    Uma relação de escritor com o escrito, ambos tomando forma e não gostando do que vê, pois no fundo se vê igual ao que não quer se ver. Cuidado com o que olha, vê, enxerga [dentro e afora].
    Há clara inspiração em outras autoras, há excesso de repetição das mesmas palavras, o que fere, pois se trata de um conto curto (interessante o uso de sinônimos, ou ilustrações poéticas), há erro no uso da colocação pronominal e vírgulas.

  13. Lara
    3 de novembro de 2020

    Resumo : O protagonista me pareceu um escritor perturbado, com um gosto esquisito por esquartejamento. Me pareceu egocêntrico e ao mesmo tempo depressivo.
    Comentário : O conto me levou a pensar no egocentrismo humano, no qual o outro é considerado apenas um objeto para nos admirar e realizarmos nossas fantasias. Gostei do fato do conto ser curto, tenho predileção por leituras rápidas. O conto se encaixa bem na frase “menos é mais” e apresenta muito conteúdo em poucas palavras.

  14. Rafael Penha
    2 de novembro de 2020

    Olá, autor,

    RESUMO: Monólogo de um homem sobre seus dois “eus”: o homem normal e o psicopata mutilador que vive dentro dele. Ao morrer, espera para ver se há quem vá chorar por ele.

    COMENTÁRIO: O conto não é fácil de se entender apesar da bela simplicidade das palavras. Há muito mais significado do que parece e o autor foi certeiro ao discernir bem a pessoa comum do monstro psicopata que habitam a mesma pele.

    Gostei da forma como retratou o mutilador como um ser de ânsia insasiável e de suas vítimas como peças de arte para ele. Acredito ter fisgado com perfeição o pensamento e sentimento dos psicopatas homicidas que existem por aí.

    A loucura aqui é naturalizada na mente dúbia onde duas personalidades parecem viver em harmonia. Ou apenas uma que se traveste de pessoa normal apenas para esconder seus impulsos torturadores e homicidas.

    O conto termina rápido, o que deixa um gostinho de quero mais, mas por outro lado, é honesto ao mostrar que não há mais que dizer, só sentir. Gostei bastante.

    Um grande abraço!

  15. Elisa Ribeiro
    31 de outubro de 2020

    O conto soou-me como a reflexão de um psicopata (do tipo que esquarteja suas vítimas) vaidoso de seus assassinatos executados com capricho de artista.

    Sua premissa é interessante, mas o texto me pareceu irregular, alternando imagens excelentes com outras nem tanto. Também me pareceu curto, insuficiente para uma imersão consistente do leitor na mente do personagem.

    O que não gostei: o texto prometia, mas acabou muito rápido.

    O que gostei: da premissa e de algumas imagens (por exemplo: “cadáver estrela”; a lágrima da vítima dando a sensação de ser especial ao assassino, etc).

    Parabéns pela participação. Abraço.

  16. Bianca Cidreira Cammarota
    28 de outubro de 2020

    Olá, Tamisa!

    O conto é um relato intimista no gênero terror e surrealista. Disserta sobre uma divisão da psiquê do personagem, talvez uma esquizofrênia ou personalidade múltipla, onde uma delas tem a voz e fala da outra como outro indivíduo, bem como sua relação binária. Leva a crer que a voz ativa é o ser humano falando de seu monstro, ao mesmo tempo que também a primeira persona seja igualmente monstruosa.

    Confesso que está difícil eu descrever exatamente o teor do texto e escrevi o que pude entender.

    Tamisa, eu gosto de gênero horror e de quebra de personalidade. Gosto muito mesmo! Quando comecei a ler seu conto, pensei: será bem dark, oba! Mas acredito, me perdoe, que você acabou se perdendo um pouco em descrever as duas personalidades separadas – pareciam a mesma pessoa. Em uma dissociação psíquica, há a identificação das personas distintas.

    Quando você relatou, ou melhor, descreveu seu personagem duplo e pensei: agora vamos ver o que irá acontecer. E seu conto… terminou subitamente.

    Sinto que sua ideia é muito boa que talvez tenha faltado um pouco de paciência sua para desenvolver melhor sua história. Se gosta desse gênero, além de sentir profundamente suas personagens, deve também conseguir fazê-las legíveis para a gente. Não se preocupe, isso acontece e a prática leva nos desenvolve. Siga em frente! Peça sempre para alguém ler o que você escreve para ter a visão do leitor e aí você ter a visão dos “dois lados do balcão”, digamos assim.

    Também preste atenção um pouco nas vírgulas, tá?
    (obs: adorei sua capa! )

    Abraços!

  17. cicerochristino
    27 de outubro de 2020

    Resumo:
    O eu lírico exposto no texto demonstra, poeticamente, angústias suas e seres que habitam em si e ao seu redor.

    Comentário:
    O texto lembra uma escrita surrealista, tanto que dificulta a tarefa de resumi-lo. Tem problemas de pontuação, principalmente vírgulas, o que torna a leitura forçosa além do normal. Apesar disso, é um texto muito lírico, que soa como uma poesia em prosa. A loucura está presente, entretanto, não me parece muito com um conto.
    Achei muito poético. É bonito. Leria páginas e mais páginas com essas figuras de linguagem estelares.
    Parabéns e boa sorte!

  18. Fil Felix
    26 de outubro de 2020

    Boa noite!

    O conto traz um relato intimista entre criador e criatura, entre autor e obra, da vida para a morte, esperando que seja o meio para alcançar o estrelato.

    Esse estilo de conto me conquista bastante, principalmente pelo estilo narrativo. Trabalha com metáforas, numa prosa poética e quase com linguagem visual, trabalhando as entrelinhas e deixando o leitor a cabo de interpretar conforme sua consciência manda. Nesse ponto, o conto é bastante feliz. Vi que rendeu boas interpretações pelo que pude ler em alguns comentários, como o médico e o monstro, o criador e sua personagem. Tem quase um tom macabro e às avessas de um A Hora da Estrela.

    Entretanto, acho que foi muito precoce, muito rápido. Pela escrita do autor e teor do conto, acredito que merecia um trabalho um pouco mais esmiuçado. Não que necessite, por exemplo, das 3 mil palavras, mas um pouco mais de “corpo” para dar uma melhor identidade e formato ao texto, deixá-lo mais encorpado. Principalmente por tratar da loucura, seria uma passagem só de ida para mergulhar no psicológico dessa personagem e sua relação com seu trabalho, seus anseios, frustrações e desejos (que, invariavelmente, vai respingar em muitos dos leitores).

  19. Alexandre Coslei (@Alex_Coslei)
    24 de outubro de 2020

    A abertura do conto me pegou. Abertura de conto é como a abertura de ópera, tem que nos embalar. Aqui, neste texto, desde a primeira linha a minha curiosidade foi fisgada. Conto curto e intenso sobre a mente de um psicopata sem culpa e dado ao exibicionismo, como são todos os bons psicopatas.

    Li em algum comentário uma forte censura ao uso dos adjetivos. Sou daquela corrente da crítica que não vê pecado nos adjetivos, pelo contrário. Adjetivos podem funcionar com a cor e a alma do texto. Imagine um Nelson Rodrigues, uma Clarice Lispector, um Eça de Queiroz destituídos dos adjetivos. A censura aos adjetivos é uma prática antiga, anacrônica, que não corresponde aos melhores pensamentos da crítica contemporânea. O conto exposto é mais um exemplo do bom uso dos adjetivos e da potência que eles podem conferir ao texto.

    Um conto curto, realizado com extrema qualidade, demonstrando que temos aqui uma escritora que nos dará belas obras pela frente.

    Estará no pódio. Sucesso.

  20. Regina Ruth Rincon Caires
    23 de outubro de 2020

    Rumo ao Estrelato (Tamisa)

    Resumo:

    Relato de um psicopata após matar e esquartejar uma vítima. Suas alegrias e dores, o ser e o monstro.

    Comentário:

    Texto extremamente denso, aterrorizante. Um contar “natural” da atrocidade. O autor tem completo domínio em lidar com a escrita “mansa e cruel” utilizada na narrativa. Tudo vai num crescendo suave, se é que há alguma suavidade aqui. O início do texto tem algo de poético, o trem engana.

    Um autor precisa ter talento para, num texto tão enxuto, transmitir tanto conteúdo. Não é fácil, exige técnica. Tamisa, você mostrou talento.

    A crueza da história soa como um lamento. O monstro incontrolável, que faz morada no ser, traz prazer e dor. Não há escolha. A razão é refém do monstro. Ingovernável.

    Há deslizes, vírgulas bailarinas, pronomes perdidos, mas isso é “facinho” de arrumar. O conteúdo é muito bom, o conto é muito bom.

    Parabéns, Tamisa!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  21. opedropaulo
    23 de outubro de 2020

    RESUMO: Um assassino se deita ao lado de sua vítima-obra, refletindo sobre os seus lugares no mundo, sobre o que poderiam ser se dada a chance.

    COMENTÁRIO: Ótimo uso do recurso da primeira pessoa, nos fazendo enxergar pelo ponto de vista perverso e distorcido do assassino. Não só isso como não vai ao lugar comum de que se trata apenas de um “desejo de morte”. Faz perceber como é m uma forma de se projetar na sociedade, de ser mais do que é, de enganar a tristeza dentro de si e a insatisfação do monstro. Há um desconto a ser dado para os problemas de vírgula. Sendo um conto curto, é mais fácil apontá-los:

    “O problema dele, é que nunca está satisfeito” (elimina-se a vírgula entre “dele” e “é”)

    “O sangue, representa o brilho” (elimina-se a vírgula entre “sangue” e “representa”)

    “No rosto, desse meu querido personagem, um filete de lágrima, jaz, me mostrando o quanto fui importante para ele. Fui sim, especial para alguém.” (a frase está construída de forma estranha, além de vírgulas mal colocadas. Talvez fosse melhor “No rosto desse meu querido personagem, jaz um filete de lágrima me mostrando o quanto fui importante para ele. Fui, sim, especial para alguém”)

    Considerando que erros desse tipo quebram o ritmo da leitura, devo discordar do Fábio ao dizer que seu conto é perfeito. Não é. Mas é um bom conto.

    Boa sorte!

  22. antoniosbatista
    23 de outubro de 2020

    Resumo: Assassino em série, considerando-se um artista na “arte” de matar, faz da cena de seus crimes um arranjo que ele considera obra de arte.

    Comentário: Já li muitos contos de Terror como esse. O argumento não é novo, há filmes também desse tipo de personagem. Mas o conto é bom, tem uma boa estrutura, descrições razoáveis. Digo razoável porque algumas frases poderiam ter sido melhor trabalhadas, tanto nas descrições do ambiente quanto nas reflexões do personagem. Acho que você se precipitou. Poderia ter lido e relido o texto e melhorado algumas partes. De qualquer forma, é um bom conto com o tema Loucura e merece uma boa pontuação. Boa sorte.

  23. jeff. (@JeeffLemos)
    23 de outubro de 2020

    Resumo: Um escritor que escreve sobre seu monstro e vive sobre sua alcunha, esperando o dia em que será reconhecido pelos amigos contistas no desafio em que se apresenta.

    Olá, caro autor.

    Gostei dessa relação entre personagem e autor e essa construção que remete ao real, talvez algo que o próprio autor sinta, transpassado às páginas através de seu monstro. O medo e a insegurança, a vontade do poder do estrelato. O conto é bem curto, mas denso. Apesar de bem escrito, senti que faltou alguma coisa. Talvez um pouco mais de palavras, desenvolvimento para a história além de um fragmento, tivesse me feito sentir uma conexão maior. Não acho que a questão seja a quantidade de palavras em si, e sim a história que é contada nessas palavras. É preciso um pouco mais de loucura, de forma bruta ou velada. Achei que a trama aqui pedia um pouco mais de desenvolvimento. O autor escreve bem.
    Que sua obra alcance o estrelato, meu caro.
    Parabéns e boa sorte no desafio!

  24. Fabio Monteiro
    23 de outubro de 2020

    Resumo: De maneira bem simples, pensei estar lendo um poema, frases líricas de um elemento que busca reconhecimento pelos seus atos insanos.

    Como diria Jack Estripador: Vamos por partes.

    Magnifico.
    Poético em toda sua forma.
    Me fez lembrar de documentários sobre assassinos em serie que tentavam sobrepujar outros, fosse na forma de matar, fosse na forma deixar uma marca em seus crimes.

    Desconsidere qualquer comentário negativo sobre seu conto (como pude notar nos anteriores). Até o mais sábio dos comentaristas já cometeu erros banais de escrita ou no desenvolvimento do enredo. Deve ser apenas dor de cotovelo por que seu conto é perfeito.

  25. Priscila Pereira
    22 de outubro de 2020

    Resumo: Acompanhamos o que se passa na cabeça de alguém que acabou de desmembrar uma pessoa e espera ser notado e reconhecido.

    Olá, Tamisa!
    Não tentarei entender todo o enredo porque pode ter inúmeras interpretações além do óbito, mas eu gostei da forma como foi escrita, bem louca, kkkk, vc usou o recurso da escrita para mostrar a mente de um psicopata, uma mente louca requerer uma escrita louca, o texto é quase poético e se lapidado pode ser aínda melhor. As imagens que o conto evoca são todas marcantes e bem visuais, gostei especialmente da cena com o sangue e as lágrimas. Para o bem do protagonista será um show e tanto para quem encontrar a cena. Parabéns! Boa sorte!
    Até mais!

  26. Luciana Merley
    22 de outubro de 2020

    RUMO AO ESTRELATO

    Olá, autor.
    Farei um resumo e em seguida deixarei minhas impressões conforme os critérios CRI (Coesão, Ritmo e Impacto). O impacto é, na maioria das vezes, o critério definidor da nota final.

    Um psicopata apreciando e refletindo sobre a sua “obra” de arte cadavérica enquanto espera o reconhecimento pelo que fez.

    Impressões iniciais – Um conto curto e muito interessante. Linguagem bastante densa, mas bem escrita. Fiquei tentando decifrar a imagem e o pseudônimo e pensei ser uma mulher narradora (Tamisa é um nome de anticoncepcional), mas logo ficou claro que trata-se de um homem. Sim, a ideia da Cláudia sobre ser um texto faz sentido, mas prefiro avaliar como se fosse mesmo um cadáver para não gerar conceitos dúbios.

    Coesão – O conto vai direto ao ponto e não faz divagações além daquelas que costumam fazer os psicopatas para engrandecer e justificar os seus feitos, logo, bastante coeso.

    Ritmo – Pesado e denso como é o assunto e o pensamento de um psicopata típico.

    Impacto – Sou suspeita, sou fascinada por histórias de serial killers e pelo fluxo de pensamento deles. O seu texto consegue mostrar os limites da natureza humana quando na ausência do seu principal freio – a consciência do outro. Então, o texto é muito bom porque aborda de forma convincente as 3 principais manifestações da mente psicopata: o egocentrismo extremo, a ausência do remorso e a vaidade por sua inteligência acima do normal.

    Parabéns, ótimo conto.

  27. Fheluany Nogueira
    22 de outubro de 2020

    Um psicopata, sem remorsos, esquarteja a vítima e pareceu-me feliz, enquanto espera aplausos pela sua obra. Senti o protagonista seguro de si, dominador e em busca de fama.

    Um miniconto que retrata um relance de loucura. Um surto. Uma distorção de valores. Conteúdo e estilo se completam: não há motivação, não há detalhes, apenas uma cena nua e crua. Linguagem sintética, direta e objetiva. O título já prenuncia este espírito. Lembrou-me o seriado DEXTER.

    Boa sorte no desafio. Abraço.

  28. angst447
    22 de outubro de 2020

    RESUMO:
    O narrador considera-se um artista mal compreendido, e segue lapidando a sua obra, esculpindo um cadáver ao retirar suas partes. Arte macabra, coisa de gente maluca mesmo. Assassino, doido, psicopata. Por fim, aguarda ser resgatado do anonimato e alçado ao estrelato.

    AVALIAÇÃO:
    Conto bem curto, mas nem por isso simples de ler. Tentar entender a linha de raciocínio de um louco não é das tarefas mais simples.
    Aproveite as dicas de escrita e revisão dadas aqui. Sempre são válidas.
    A linguagem empregada e a forma de construção das frases trazem densidade ao texto. Isso é bom, pois agrega um tom de mistério e desconexão que combinam com o tema proposto. Por outro lado, o leitor pode se cansar facilmente após mergulhar repetidas vezes em buscas de um melhor entendimento. Ou ficar insatisfeito devido À falta de um esclarecimento maior.
    Uma outra interpretação que me ocorreu do seu conto foi – o narrador é um escritor e a obra a que se refere é o seu texto, o cadáver seria uma personagem a quem ele foi retirando excessos, cortando e lapidando, até poder enfim descansar ao seu lado. E assim, o autor espera que alguém repare na sua obra e o leve ao estrelato da literatura. Enfim, pode ser tudo maluquice mesmo da minha cabeça.
    Boa sorte e parabéns pela coragem de submeter o seu conto ao crivo de todos nós.

  29. Leda Spenassatto
    22 de outubro de 2020

    Oiê, Tamisa!
    Um pessoa insatisfeita com o cotidiano da vida, sofre com a baixa estima, e a sua ansiedade levá-a a ter pensamentos incomuns que se alternam entre o “certo ou errado”.
    A sua paixão se alterna em sentir o perigo, em se arriscar no proibido.

    Eu gostei do seu texto, vi pressente nele uma personagem portadora de TOC.
    Com pensamentos acelerados está além do pressente, além da paixão , além do curriqueirame “normal”.

  30. Thiago de Castro
    22 de outubro de 2020

    Resumo:
    Um assassino compartilha seus anseios e percepções do mundo enquanto disseca uma de suas vítimas. Seu maior desejo é ser reconhecido diante da impotência de ser famoso.

    Comentário:

    Achei a premissa interessante, de colocar em primeira pessoa as justificativas do assassino e seu desejo por reconhecimento, evidenciando a maneira torpe como enxerga o mundo e a necessidade de ser reconhecido e aceito. Gosto muito de histórias mais enxutas e episódicas, que é o caso desse texto. Porém, acho que caberia alongar mais a profundidade do personagem, que já está dada logo nas primeiras linhas. Além disso, essa dubiedade entre loucura e sanidade, nojo e conforto, seria um ponto bacana de ser explorado, como fica evidenciado nos seguintes trechos:

    “Mas partes mutiladas me fascinam, assim como um ambiente hospitalar (que por vezes enojam muita gente, e isso me inclui um pouco).” – Por que ele fica “enojado” um pouco?

    “Sigo achando que pode haver algo de especial em mim. Mas depois de tanto tempo que perdi, acho que serei apenas “mais um na prateleira”.”

    “ E mesmo que eu esteja sorrindo, contente com o resultado, estou triste. Estou sempre triste por dentro. Ainda que o resultado seja magnífico.”

    Concluindo, achei um texto seguro, com pouca margem para erro, mas confortável por não ir além na discussão. O final é contínuo e nos dá o entendimento que a história seguirá depois do ponto final, o que, para mim, caracteriza um bom conto: o movimento.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte!

  31. Fernanda Caleffi Barbetta
    22 de outubro de 2020

    Resumo

    Protagonista mata uma pessoa e a mutila, o que considera ser sua obra-prima. Conversa consigo mesmo enquanto deitado ao lado do corpo aguardando a chegada da polícia (talvez) para que ele chegue ao estrelato.

    Comentário

    Oi, Tamisa, seu conto se encaixa no tema loucura muito bem, com um protagonista que se mostra insano desde o início, apesar de estar ciente de seu estado e de reconhecer que em alguns momentos ele está lúcido.
    Achei bem legal a sua ideia de colocar o protagonista preocupado em atingir o estrelato mesmo que fosse por conta de um ato terrível como o que ele cometeu. O finalzinho, onde ele aguarda que venham até ele prevendo o estrelato foi uma ótima sacada, até porque tem tudo a ver com a estrela que você cita várias vezes no conto.
    Gostei também da ideia de o filete de lágrima do homem mutilado parecer a ele, em sua loucura, uma prova de que foi amado por alguém. Ai mostra um pouco da característica solitária do personagem, de sua distorção da realidade.
    Bom, mas nem tudo são flores. Vamos ao que eu não gostei. Uma coisa que me incomodou foi o fato de ser um texto curto com informações demais, todas pouco trabalhadas. Você levanta muitos temas e passa por eles muito rapidamente.
    (que para mim, por vezes é tão boa a ponto de se fazer um filme Hollywoodiano) – achei esta frase mal construida.
    Como diga, não é um erro, eu não revelaria tanto logo no terceiro parágrafo: “Falta atenção adequada, a mim e ao meu personagem principal, aqui, de quem já tirei quase todo o potencial (mãos, pés, um braço… os olhos).” Talvez fosse mais interessante deixar esta informação da mutilação mais para o final.
    Talvez se tivesse optado por um conto um pouco mais longo poderia ter desenvolvido melhor o personagem principal, nos feito entender um pouco mais suas razões (Por mais que não concordássemos com elas)

    Quanto à gramática, alguns deslizes:
    Já a névoa, não, acho tosco (tosca), pouco poético (poética)
    Percebi uma dificuldade com o uso das vírgulas. Alguns exemplos:
    ainda que me esforce, (tirar a vírgula) para terminar a obra
    O problema dele, (tirar a vírgula) é que nunca está satisfeito
    apossando-me, (tirar vírgula) do brilhar
    até (que) os que se importam, (tirar vírgula) venham por nós.

  32. Giselle F. Bohn
    22 de outubro de 2020

    Achei difícil resumir este conto, mas tentando: homem aparentemente bem doido fala sobre seu personagem em uma obra que ele acredita não ser muito compreensível aos outros. Mais ou menos como o próprio conto, então esse foi um elemento metalinguístico legal aqui! 🙂
    Eu amo contos curtos, amo a concisão, amo a capacidade de dizer muito com poucas palavras. Mas tenho que admitir que aqui faltou um elemento chave do conto: o conflito único. Essa é uma característica do bom conto. Aqui ficou tudo tão vago que o leitor não se sente arrebatado. Pelo menos eu não me senti. Mas admito que pode ter sido uma falha minha.
    Quanto à escrita em si, o uso da vírgula foi muito problemático. Aqui, por exemplo, “No rosto, desse meu querido personagem, um filete de lágrima, jaz, me mostrando o quanto fui importante para ele. Fui sim, especial para alguém.”, a vírgula foi uma loucura, pra fazer um trocadilho bem ruim! 🙂
    Mas no geral o conto foi gostoso de ler, e bem fiel ao tema! Parabéns e boa sorte! 🙂

  33. Angelo Rodrigues
    22 de outubro de 2020

    Resumo:
    Alguém relata a sua própria disfunção psicológica, imagino. Alguém que se compraz com a morte de outro, que a despedaça e dorme ao lado dela e, confusamente feliz, aguarda ser reconhecido por sua obra.

    Comentários:
    Conto curto, quase mínimo. Relata a disfunção de alguém não identificado que se compraz com alguma forma de dano que pode causar ao outro.
    Não há a humanização do texto. Não nos é permitido saber circunstâncias, motivos, consequências do relato. Algo cru, onde o desejo do escritor foi definir a capacidade de dano do protagonista, que se regozija com a possibilidade de se tornar / tornar grandioso o seu feito.

    Bem, acho que contos curtos – curtos como o que foi apresentado -, têm o fado da desgraça ou do mérito estético. O nível de concisão pretendido pelo autor que o escreve deve buscar o perfeito equilíbrio entre a exiguidade e a ferocidade da proposta. Algo de samurai.

    Contos longos dão ao autor a possibilidade de fartos passeios, explicações, profundidade psicológica dos personagens, das tramas, aguçamento do enredo.
    No caso presente, creio, tal ferocidade narrativa ficou a dever. O conto, sem profundidade psicológica, tratou fortemente o choque narrativo, mostrando a capacidade de causar danos e estranhamentos do personagem, sem, no entanto, localizá-lo no mundo, mandá-lo ao encontro de suas contradições, ao jogo de forças que nos toma a todos, dos sãos – se existem -, aos doidos, dado que esse é o tema do certame.

    O conto amarra-se a três sentimentos básicos de narrar: a vontade do dano, a sua consecução, a expectativa do reconhecimento funcionando como consequência psicológica do sujeito em questão.
    Resumindo, creio que a narrativa apresentada, sob certo aspecto já bastante explorada, não ganhou o salto necessário que a diferenciasse de tantas outras, e, sendo curta ao extremo, não cumpriu seu papel samurai de chegar das sombras e nos assombrar com um corte na jugular.

    Bem, ou é isso ou não entendi nada, uma vez que o texto mostrou-se bastante tangente, fugidio.

    Boa sorte no desafio.

    • Tamisa
      22 de outubro de 2020

      Uma pena que não tenha gostado. Quem sabe uma próxima. Sou fã de contos mínimos, e apesar de não concordar que precisam ser cortantes como o corte de um samurai (pelo menos nem sempre), entendo o que quer dizer. Quis trazer apenas confusão a quem lesse, vendo a cabeça de uma pessoa que não passa bem, que tem uma distorsão sobre o certo e errado, e da própria realidade em si (por isso, ainda acredito que se enquadra ao tema).

      Agradeço o comentário. É sempre bom ter outras visões para repensar o que foi escrito e os próximos.

      Boa sorte.

  34. Anderson Do Prado Silva
    22 de outubro de 2020

    Resumo:

    Criador e criatura se confundem, sem deixarem saber quem seria o louco. Escritor se ressente da incompreensão de que seu personagem é vítima. Esse conto faz pensar um pouco em “Frankenstein”, de Mary Sheley, mas, aqui, o criador ama sua criatura e se ressente pela incompreensão de que ela é vítima.

    Comentário:

    Continho responsa!

    Tamisa, sou leitor de romances e novelas. Antes de começar a escrever, havia lido poucos contos. Assim, minha predileção recai sobre textos longos, que permitam maior imersão. Então, foi com toda má vontade que peguei seu conto para ler. No primeiro desafio de que participei, sugeri à administração eliminar um conto porque, principalmente, era curto demais. Minha má vontade com o seu conto só não foi maior porque pensei: “ah, sendo curto, facilita o meu trabalho e, se for ruim, livro-me disse logo”. Enfim, fechei os olhos e mandei a enfermeira aplicar logo a injeção.

    Mas, véi, na boa, seu conto é muito responsa! Ele é metalinguístico! Quem é o louco? A criatura ou o criador? O próprio narrador-em-primeira-pessoa-personagem ou o personagem que aquele sujeito cria? A escrita pode ser considerada um gesto louco. Criar é um gesto louco. Parir criaturas, algumas insanas, pode ser louco, pode dar vasão ao que há de louco em nós, pode ser uma escapatória, uma fuga!

    O casamento entre o seu título e o destino do seu personagem, e o destino também desse seu próprio continho aqui, ficou muito bem casado!

    Sucesso na empreitada! Espero que vá “Rumo o estrelato”!

    (Posso lhe dar uma dica de escrita? Tome mais cuidado com o uso da vírgula na separação do sujeito do verbo/predicado! De regra, em frases simples, esse uso da vírgula estará errado! Não se separa sujeito do verbo com uma vírgula! Perceba que você fez isso duas vezes em um texto bem curto: “O problema dele, é que nunca está satisfeito.” e “O sangue, representa o brilho”).

    • Tamisa
      22 de outubro de 2020

      Ótima dica esta sobre o uso das vírgulas. Fico feliz, que tenha lido e por fim gostado.

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Informação

Publicado em 22 de outubro de 2020 por em Loucura.