EntreContos

Detox Literário.

Diálogos entre os donos do mundo (Ouvinte)

― Olá, dona inútil. Já pensou no seu último pedido? Pois é! Sabe aquele ditado? Que um dia tudo vira pó? Então, meu enxadão já tá a postos. Hoje a senhorita vira adubo. Pelo menos vai servir pra alguma coisa nesse quintal.

― Diga-me, por qual cruenta razão julgas ser inútil a minha tão bela criatura?

― Oi? Quem tá falando?

― O dono.

― Dono? Dono de que, cara? Quem tá falando?

― O dono dessa esplêndida pequena árvore que você deseja eliminar do meu quintal.

― Seu quintal? Cara, não viaja, esse aqui é o meu quintal. E que voz é essa?  Diacho! Ei, ow, aparece logo. 

― Por qual razão deveria eu aparecer?

― Como assim? Pra eu ver com quem tô falando, ora! Que loucura é essa? 

― Disseste loucura? Então a razão de tamanho entusiasmo em arrancá-la é porque és um louco?

― Claro que não! Você que é um louco. Eu hein!

― Mas loucos não seriam aqueles, segundo tenho escutado de muitos como você, que costumam falar com quem não veem?

― O quê? Olha cara, cansei. Isso só pode ser coisa do palhaço do Marquinho naquelas gerigonças dele. Cai fora. Não vou mais responder nessa brincadeira idiota.

― Mais? Você não respondeu a nenhuma das minhas questões. Não disse por que a minha criatura é inútil e muito menos sobre o louco.

― Meu deus! O quê que é isso! Será que dei pra ouvir vozes agora?

― Será? Explique-me melhor. Você responde à minha voz, mas não sabe se a ouve? Que espécime você se tornou?

― Espéci…o quê? Cara, não sei do que você tá falando. Aliás, nem sei se tem alguém aí de verdade.

― Não sabe o que é um espécime, mas diz que uma delas é inútil. Faria a gentileza de definir o que seria algo útil?

― Ah! Sei lá, só sei que essa planta é inútil, um estorvo no meu quintal.

― Então não sabe o que é ser útil, mas consegue saber que algo é inútil. Interessante! Diga-me, o que seria isso, um estorvo?

― Cara, você gosta de um papo né? Estorvo? Putz! Estorvo é como um poste, um negócio que não serve pra nada e fica incomodando a gente. Tipo vozes do além que não se apresentam, se é que me entende.

― Quase compreendi! Mas um poste não tem nenhuma função?

― Como assim, você nunca viu um poste? 

― Sim, eu vejo todos eles.

― Ahhhh! rrárrárrá. Acho que não vê não. Só um cego idiota não sabe pra que serve um poste.

― Então ele serve? Fale-me sobre ele.

― Poste é pra conectar cabo de energia, internet, telefone, tv a cabo, esse tipo de coisa.

― Então por que seria ele um estorvo?

― Sei lá! Você já tá me confundindo, nem sei mais do que estamos falando.

― Calma, eu reavivo a sua memória. Estamos falando dos seus estorvos sem nenhuma utilidade e que, segundo você, tem uma função tão clara que só um cego idiota não vê para que servem.

― O quê? Deus do céu! Ou não acordei ainda ou tô enlouquecendo de vez. Vai ver que aquela encrenqueira colocou alguma coisa no suco. Será que um louco sabe quando tá ficando louco?

― Percebo que você gostaria de voltar à questão do louco.

― Claro que não. Quero saber com quem estou falando.

― Eu já respondi, mas posso repetir para o seu ouvido meio vivido: você está falando com o dono da planta que estaria te atrapalhando no quintal que não é seu.

― Como assim não é meu? Caraca! Pra seu governo eu trabalhei muito duro pra comprar essa casa. Onde cê tava na hora da dureza pra vir agora dizer que alguma coisa aqui é sua?

― Eu? Eu estou. E tu, criatura ensoberbecida, onde estavas quando eu coloquei as conchas no mar e contei-as na palma de uma das mãos?

― Concha? Que papo doido de concha? Tô falando de coisa real, cara! De acordar de madrugada, pegar buzão lotado, ano atrás de ano pra conseguir construir isso aqui. Tudo custou muito dinheiro suado.

― Ah! Sim. A casa e o dinheiro. Eles também não são seus, mas não vamos falar dessas pequenices por agora. Quero falar sobre a magnífica criatura dos nossos dizeres iniciais.

― Quem? A planta? Que importância tem essa planta?

― Ora, toda nossa conversa começou por causa dela, não foi mesmo?

― Nem sei, cara. Aliás, não sei de mais nada. Não sei nem se ainda tô aqui.

― Parece-me que seus sentidos estão por demais afetados nessa tarde, mas posso localizá-lo se preferir. Você está no meu quintal, ao lado da minha pequena árvore com um dos meus enxadões na mão. Então diga-me, por que deseja arrancá-la?

― Porque ela não serve pra nada. Não dá nenhuma fruta, não faz sombra, nem bonita ela é! Tá só ocupando espaço por aqui. Além disso, quero construir no lugar um fairêpite, aquela lareira a céu aberto, sabe?

― Hun! É melhor irmos por partes. Diga-me, para que serviria a fruta, a sombra e a beleza?

― Como assim? Pra comer, pra esconder do sol, pra usufruir dessas coisas que as árvores dão pra gente, ora!

― Então só existem você e a planta no meu quintal?

― Claro que não. Tem muito mais coisas.

― O que exatamente?

― Sei lá, outras plantas, grama, pé de manga, rama de chuchu, terra, passarinho, pedra, carrapicho…isso aí.

― Tem alguma criatura embaixo da minha “horrível” planta?

― Tem, claro! Grama, flor pequena, formiga, até um calanguinho fica por aqui de vez em quando.

― E a minha ilustre moradora não tem sequer folhas?

― Claro que sim. Um monte, aliás, que fica caindo e sujando o meu quintal. Além disso, solta umas sementinhas que saem voando por aí com a ventania. Minha esposa já tá pra me matar por causa da sujeira desse quintal entrando dentro de casa.

― E você se alimenta dessas folhas e sementes?

― Claro que não, tá louco?

― Mas, folhas e sementes não são alimentos?

― Não essas. Outras, como alface, couve, chia, granola…

― Bom, você me falou de tantas criaturas além de você nesse quintal. Será que todas as criaturas do mundo comem alface, couve, chia e granola?

― Claro que não. Ow, você tem uns pensamentos muito esquisitos.

― E a beleza? O que você faria com ela?

― Sei lá! O quê que a gente faz com beleza? Olha, aprecia, tira fotos, acho que é isso.

― Então, diga-me, quão belo te parece aquele carrapicho?

― (rrárrárrá). Cê tá brincando né? O carrapicho? Belo? (rrárrárrá).

― Veja! Afaste-se! Um dos meus coloridos cantantes quer pousar na razão da nossa conversa. Estou a pensar, por que será que ele não preferiu pousar no carrapicho?

 

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― Olá, onde está minha não tão horrível planta?

― Aiai, de novo? Pensei que tinha sido um pesadelo, putz! Não, calma, respira…vai passar.

― O que vai passar? A vergonha por ter arrancado minha criatura? Diga-me, como será essa casa de fogo que você construirá sobre as terras do meu quintal? 

― Casa de fogo? Não, será uma fairêpite, uma lareira aberta pra gente se sentar em volta e aquecer nas noites frias. As crianças se amarram em dourar marshméllows na fogueira.

― Hun! Os marshmallows são mesmo ótimos. Você me recordou o quão acertei ao permitir que algo se tornasse quente e firme ao ponto da crocância, e ao mesmo tempo fluido e temperadamente confortável à boca. Realmente um primor. Agora diga-me, por que você precisa se sentar ao lado da casa de fogo?

― Pra me aquecer nas noites frias, como eu disse.

― Mas para isso você precisa se expor ao frio na parte externa da casa, certo?

― Sim, claro. Nós saímos e sentamos em volta da lareira. Tem dias que fico com as crianças até de madrugada contando as histórias antigas.

― Permita-me compreendê-lo. As casas não são abrigos para o frio da noite? Por que então alguém sairia da casa para sentir frio?

― Ahh! Lá vem você com suas questões de novo. Não sei, só sei que é bom sair e ficar em volta da lareira. 

― Insisto, diga-me. Se aquecer do frio que se sente é melhor do que não senti-lo?

― É, pode ser. O bom de aquecer é quando estamos com muito frio. Do mesmo jeito que o bom de comer é quando estamos com fome. Entendeu?

― Mas a fome não é falta e o frio uma incapacidade em se aquecer? Como a falta e a incapacidade podem ser coisas boas?

― Não sei, só sei que é assim. Se eu não souber como é o frio, como vou saber que o quente é melhor?

― Entendo! Mas você já experimentou o muitíssimo frio alguma vez, não é verdade?

― Claro que sim. Quando morei em Santa Maria quase morri de frio. Ô lugarzinho doído. Dava pra desenhar com o bafo de tão esfumaçado. Até a respiração congelava.

― Então já sabe como é ruim sentir muito frio e já sabe como é bom estar aquecido. Por que deseja experimentar novamente o que o seu frágil corpo não é capaz de suportar?

― Porque não teria graça viver só aquecido, acho. Talvez seja um problema de memória do meu frágil corpo, como você disse.

― É! Talvez.

― Agora preciso construir a casa pro “seu” fogo no “seu” quintal. É melhor você sair daqui. Meus filhos estão chegando da escola. Não quero que pensem que o pai deles tá louco. Ah! Se resolver vir no dia da lareira, vê se consegue ficar calado. Minha família pode ficar assustada.

― Não se preocupe. O silêncio também me pertence.

 

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― Hei! Shô.Psit.Shô.Hei! Cai fora daí passarinho idiota. Tá atrapalhando minha concentração. Quer levar um tiro no bico, é? Óia, óia, óia, aí tá você sua bichona. Bunita. Vai mais devagarzinho, vai! Isso, espera um pouquinho, passa primeiro atrás da folha que eu te vejo melhor. Bichona das grande! Essa sim. Vem pro papai, vem gostosa. Tá olhando o quê? Cê tá me vendo aqui, é? E por quê que não corre, sua danadinha? Assim paradinha não tem graça. Vai, anda, vai. Ôw, psite. Tá me achando bonito, é? Ou cê é do tipo corajosa que olha seu caçador no olho, hein? Bunitona. Vai, vai…Ah! Quer saber, cê merece mais uns dias. Dá sorte que hoje eu tô bem filosófico, hein? Vai, vive mais um cadiquim. Vai bunitona. Semana que vem te vejo de novo.

― Percebo que gostas de pensar que é o dono do mundo, estou enganado?

― Affff. Tava bom demais… Então esse filhote que tá me atrapalhando desde cedo é ninguém menos do que o Sr. invisível. Quem diria que aquele vozerão assustador sai desse peitiquinho de nada, hein?

― O que tem meu peito?

― Ué! É de nada. Nem chega ser como de pombo. Pelo menos não sai por aí fazendo sujeira. E, oh! Vêsefalabaixinhoporquebichodomatoescutacomoodiabo.

― Evocêachaqueodiaboiagostardaminhavoz?

― Sei não. Creindeuspai, misericórdia! Ou então quem sabe não é ele mesmo em pessoa, né não? Que tá aqui?

― Guarda, Louco! Pois esta noite te pedirei a tua alma.

― Alma? Que conversa é essa? Eu hein! E vai fazer o que com alma? Vai botar aonde? Aí nesse peito pequeno de nada? E por falar em peito, não sai nada bonito desse seu não? 

― Pois é claro! Preferes que te faça uma sequência triste ou só um pouco menos de alegria? Já sei! Pagliacci. Isso. Pagliacci cairia muito bem. Preferes as notas iniciais ou as finais? Percebo que as cinco finais combinam mais com um louco em seu dia de amargor.

― Hun? (rrárrárrárrárrá) Sério? (rrárrárrárrá) Palha o quê? Você é doido demais. Canta qualquer coisa, vai! Já perdi meu dia aqui nesse mato mesmo. E aquela miserável. Descarada, Desavergonhada. Mas eu não vou deixar os meninos com ela. Ah! Isso de jeito nenhum. Vou lutar até o último fio de cabelo na justiça, mas com ela meus filhos não vão ficar. E ainda vem se fazer de arrependida, com cara de choro. É porque sabe que eu não vou deixar ela levas as crianças, isso ela sabe. “Perdão”, que perdão que nada. Não sabe nem onde passou essas coisas.

― Foi exatamente isso o que concedi.

― O quê? Perdão? Pra quem?

― A ela.

― Tá brincando? Pois não sabe o que aquela sem vergonha fez comigo? Aliás, deve saber até melhor do que eu, né não?

― Pois, escute! Se tu, com tua tão ínfima compreensão das coisas, fostes capaz de deixar ir aquela capivara que apenas criei sem nenhum sopro a mais, que vive sem saber se vive ou porque, apenas anda por aí, come, bebe e morre, por qual razão eu não deixaria ir a criatura para a qual uni osso a osso, juntei carne a carne e soprei e dei-lhe de mim mesmo?

 

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― É! Até que você canta bonito. Costuma vir nesse parque todo dia?

― Sim. Todo dia, a toda hora, em toda a estação.

― E não se cansa de cantar pra essa gente? Essas crianças não tão nem aí. Ninguém olha pra passarinho hoje em dia. Eles preferem mais se ver com cara de bicho no aplicativo do celular. Rsrsrss. Mundo doido esse. Não se ofenda, mas a maioria já cansou, já nem te dão ouvidos.

― Sim, você tem um pouco de razão. Ouvidos. Eles já existem em pequeníssima quantidade. Contudo, diga-me, e se eu não estiver mais aqui quando um ouvido passar?

39 comentários em “Diálogos entre os donos do mundo (Ouvinte)

  1. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá, autor. Este é o primeiro texto que eu comento neste desafio e se os outros forem do mesmo calibre vou precisar de ajuda psiquiátrica.
    Vamos por partes. Daquilo que percebi, trata-se do diálogo entre duas entidades. Uma identifica-se como uma árvore. A segunda só é identificada no final do texto, e é o pássaro que a habita. O texto tem a estrutura de um diálogo (uma das propostas recusadas de tema) e tem uma óbvia preocupação ambiental. No fundo, são duas criaturas da natureza cujo real valor é descurado. É fácil ver aqui um grito de revolta pelos recentes atentados ambientais na região Amazónica e no Pantanal. O autor fez, de uma forma inteligente, a opção de não referir isso: mas depreende-se do texto.
    Gostei da abordagem em forma de diálogo. Aumenta a criatividade do conto. No entanto, a linguagem é excessivamente coloquial. Por outro lado, não há pontos que esclareçam a trama, que fica demasiado em aberto e dá azo a grandes confusões. Fiquei sem certeza de nada e presumi o que coloquei no resumo. À falta de mais informação concreta, isto é que acontece – a imaginação do leitor prevalece sobre a intenção do autor, que permanece, em textos como este, obscura.
    Em termos de linguagem, fora o problema do coloquialismo do discurso (e que outra coisa se esperaria de duas entidades como um pássaro e uma árvore, que não são conhecidos pela sua sabedoria), não encontrei grandes problemas.

  2. Amana
    19 de novembro de 2020

    Obs.: A nota final não se dará simplesmente pela soma da pontuação dos critérios estabelecidos aqui.
    Resumo: Diálogo entre homem e uma criatura que surge do nada quando o primeiro vai cortar uma árvore e depois surge em outras situações.
    Parágrafo inicial (1,5/2): Gosto de textos que começam com diálogos e no caso desse, claro, como é um conto construído em diálogos, óbvio que seria esse o começo. E eu achei adequado por criar uma expectativa, embora eu não tenha gostado muito do tom empregado. Mas foi instigante.
    Desenvolvimento (1,5/2): Peço que o autor/a autora me perdoe, mas achei o desenvolvimento com um ritmo meio cansativo. O conto é bem filosófico, levanta questões interessantes, e para mim foi um tanto cansativo, talvez por não haver o narrador para dar uma “quebra”, mas gostei do desenvolvimento no geral. Achei que as “cenas” escolhidas para os diálogos foram bem interessantes.
    Personagens (1/2): Algo que me incomodou foi que os personagens são muito parecidos. E se na verdade eles são a mesma pessoa, ou seja, um deles é a loucura do outro, esse outro, o onipresente, deveria criticar tanto assim aquele que o criou? Foi só um momento filosófico, não se incomode com isso.
    Revisão (0,5/1):Faltou um pouco, alguma coisa na pontuação, no caso. Por ter sido o primeiro, a pressa certamente pode ter sido a culpada.
    Gosto (2/3): Gostei, apesar de não ter sido um texto que me impactou, mas foi uma leitura interessante.

  3. Fil Felix
    16 de novembro de 2020

    Um homem, que estava prestes a derrubar uma árvore, acaba escutando uma voz “divina” e passa a discutir com a voz em situações diferentes.

    Eu gostei do começo do conto, traz um quê de Alice conversando com os personagens do País das Maravilhas, onde todos são loucos (já que estão lá). Mas aos poucos o texto começa a ficar meio cansativo e repetitivo. O tema abordado (da consciência humana, não necessariamente o da loucura) é bastante válido nos dias de hoje, então temos este Deus que conversa com o homem tentando levantar uma lição de moral e ambiental, explicando o ciclo da vida e o da cadeia alimentar (que o homem não está no topo). Porém, a sua contraparte, a do humano, acaba ficando numa posição muito passiva, sem trazer um contraponto interessante ou fazendo o leitor pensar e refletir em cima do tema. Isso acaba gerando um conto que traz uma lição de moral, em vez de uma reflexão mais profunda. Até porque o humano se demonstra bastante ignorante em vários assuntos.

    A escolha por diálogos é uma moeda de dois lados. É interessante por gerar uma identidade própria ao conto, dando força nesse quesito e sendo mais memorável. Também torna a leitura bastante fluida e rápida, focando no que realmente interessa (a conversa), sem perder tempo com qualquer outra coisa. Mesmo assim, você conseguiu criar um cenário. Entretanto, quando alongada em torno de um mesmo assunto, pode ficar cansativa e perder o leitor.

  4. Amanda Gomez
    12 de novembro de 2020

    Resumo📝 Um homem prestes a derrubar uma árvore no quintal de casa escuta uma voz e com ela acaba tendo uma longa e estranha conversa.

    Gostei 😃👍 Foi interessante pensar em como seria um desafio com contos só através de diálogos. O texto é ambíguo, você não tem certeza com quem o homem fala, e isso eu considerei bacana. Vou na direção que se trata de fato de um passarinho, ainda que a voz seja apenas dentro da mente do sujeito. Deus, penso eu, não seria tão chato assim haha.

    Gostei bastante do título e achei curioso a imagem que você escolheu ser um spoiler do texto, mas como é revelado o dono dá voz apenas no final, não interfere e fica uma sensação legal. Mas, vamos ao conto. Eu gostei da introdução dos personagens, achei os diálogos bem feitos e espirituosos, mostrou bem a personalidade do homem e uma breve menção de como é a vida dele mais pro final. Fez pensar bastante com as indagações da voz sobre o lugar de tudo e todos no mundo. Uma escrita agradável, fluida. Apesar da incerteza se realmente o passarinho fala ou é só coisa da cabeça do homem. Com o passarinho fica claro o pq dele falar sempre que é minha, árvore, minhas plantas, meu quintal – ele morava lá. Achei uma boa sacada. Se for algo único da cabeça do homem mostra uma certa autocrítica das próprias escolhas das quais ele não tem muito controle. Acho que o final fecha bem, demonstrando de certa forma, a solidão e a insignificância de ambos diantes do mundo.

    É um bom conto.

    Não gostei 😐👎 O que achei interessante, também acaba se tornando algo negativo, entendi uma coisa : diálogos cansam, obrigam o leitor a interpretar o tempo todo, a buscar nuances naquelas palavras, não dá um descanso. O texto se estendeu muito na minha opinião,( Enfim, a hipocrisia) poderia ter se encerrado bem antes sem perder a qualidade pretendida. Ambos os personagens não possuem muito carisma, então meio que a voz, o homem e a árvore quase possuem os mesmos papéis nesse quesito. Os artifícios de risadas também incomodou, mas entendi que nessa forma de texto foi necessário. Senti também que a voz do homem mudava, não sei se isso foi um descuido ou intencional para demonstrar mais uma característica ‘’ louca ‘’ dele. O tema também está muito subjetivo, sutil…sutil demais.

    Destaque 📌” Então não sabe o que é ser útil, mas consegue saber que algo é inútil. Interessante!”

    O conto em um emoji : 🤔

  5. Marco Aurélio Saraiva
    11 de novembro de 2020

    Resumo: uma conversa entre homem e deus, onde o homem ainda tenta entender seu lugar no mundo e a importância de tudo ao seu redor.

    O tema do conto está longe de ser loucura mas, de certa forma, dá para esticar a abordagem (beeeem esticada) para ver um cadinho de loucura no protagonista homem, que de certa forma está “falando sozinho”.

    Os assuntos abordados são os que estão em alta. No lugar de enredo há reflexões sobre o lugar do ser humano no planeta, e da importância das outras vidas, vegetais ou animais. Neste sentido o conto faz seu papel, mostra os pontos de vista e serve como uma grande lição e uma espécie de lembrete ao leitor (proteja o planeta, dê valor à vida animal, etc).
    O conto é só diálogos e não achei muito agradáveis. O homem é um bronco de raciocínio lento, e deus é insuportável (eu odiaria ter uma conversa com este deus aí). No fim, acho que a escolha de usar apenas diálogos ficou um pouco enfadonha, forçando o escritor a usar artefatos como “rsrsrs” e “rárárá”, por exemplo.

  6. Josemar Ferreira
    10 de novembro de 2020

    Boa tarde, Ouvinte. Sua proposta é desafiadora para o leitor seguir uma linha de compreensão, talvez isso esteja atribuído à ideia de loucura. Gostei da ousadia em construir uma narrativa através de diálogos, possibilitando um mosaico de informações para que se visualize alguma proposta das que o conto oferece. Eu visualizei um homem que dialoga com algumas vozes, que ora parecem sair de si mesmo, ora parecem vir de fora. No final, as vozes se convertem na figura de um passarinho, ou o passarinho vem representar a voz que está fora da mente do homem, ou seria a sua própria mente a fonte geradora dessa voz? Gostei da questão levantada, principalmente no final, de estarmos coisificando a vida.
    Parabéns pelo trabalho, sigamos aprendendo.

  7. Fabio D'Oliveira
    9 de novembro de 2020

    Buenas!

    Não sei, não sei, o narrador-humano parece, até certo ponto, saudável mentalmente, apesar de soar mui ignorante; enquanto o narrador-passarinho é um tanto arrogante e com certeza tem alguma síndrome de superioridade. Achei interessante esse jogo: quem conduz toda a narrativa é o pássaro. É como se fosse um deus, provocando o humano através dum animal. O conto é dividido em quatro atos e gira em torno desses breves encontros.

    Preciso confessar uma coisa, Ouvinte. Achei a parte inicial muito cansativa. O fluxo de ideias constante não o problema, não mesmo, mas sim a insistência em falar sobre a utilidade e inutilidade das coisas. A repetição de ideias, nesse trecho, me cansou muito. Para piorar, você insiste em mostrar como o narrador-humano é ordinário, meio ignorante, aquele tipo de pessoa que não pensa nas coisas.

    Senti-me um pouco subestimado como leitor.

    O conto melhora depois da segunda parte, que é exatamente quando você começa a economizar. Você fica mais cauteloso com as reflexões, o humor soa mais inteligente e permanece num ritmo agradável até o final do texto. Foi um alívio, hahaha, de verdade. Isso acabou salvando a leitura.

    Sobre a narrativa, achei um problema que pode explicar porque alguns pontos, além das repetições, me cansaram muito: a artificialidade do diálogo entre os dois personagens. Com o passarinho como condutor-central do texto, o homem apenas reage aos seus estímulos. Animal pergunta A, humano responde A. Animal puxa a pergunta B, humano responde B. Uns comentários. Animal faz nova pergunta, agora C. E humano reage, irritado pela décima vez, mas responde C. O ato final, felizmente, teve uma breve inversão desse papel, onde o homem tem um encontro mais casual com o passarinho e faz o papel de questionador, para, em seguida, ser invertida mais uma vez. Se o conto tivesse um tom mais natural, da forma como essa última parte teve, com certeza agradaria mais pessoas. O problema em escrever diálogos longos é exatamente esse, sabe? Precisamos estar atentos à naturalidade deles.

    Tem que ter química, Ouvinte!

    Eu não sei bem se encaixa no tema, sendo sincero. Não consigo imaginar o passarinho como parte do alter ego do humano, pois esse, certamente, é bem burrinho em comparação com o animal. Não é coerente. Então, prefiro acreditar que você tentou retratar a loucura duma forma diferente. Entender o mundo, em si, é uma loucura. Pensar sobre as coisas é loucura. Quem pensa nelas? O mundo é louco, em si, muitas vezes sem sentido, né? Mas, sinceramente, essa abordagem me parece um pouco subjetiva demais. O tema parece ter escapado dos meus olhos. Fiquei um tempinho refletindo e, realmente, não faz sentido. Seria essa a loucura?

    É um bom texto. É bem inteligente e tem muitos méritos. É difícil escrever somente com diálogos. Não sei como ficará no certame. O povo daqui gosta de coisas mais tradicionais. Acho que o ser humano gosta disso, né. Mas, às vezes, algo diferente se sobressai.

    Parabéns pela iniciativa! Foi bom acompanhar sua história e espero vê-lo mais vezes por aqui!

  8. Andre Brizola
    9 de novembro de 2020

    Olá, Ouvinte.

    Conto construído em forma de diálogos que trata das conversas entre um homem e uma voz, em diversos momentos da vida do homem. O homem, no decorrer do conto, se separa e briga pela guarda dos filhos. No final, os personagens se encontram casualmente em um parque, como se fossem velhos amigos.

    Li o conto assim que foi publicado. Na ocasião já comecei a esboçar esse comentário, mas as rotinas diárias me afastaram das leituras, e ele ficou inacabado. Hoje, relendo o texto, pude encontrar alguns detalhes que me passaram batido na primeira leitura. Devo dizer que, naquela primeira ocasião, não havia captado a essência do conto. Hoje posso dizer que avancei alguns passos nesse sentido.
    Os diálogos entre o homem e o pássaro, dono da voz, formam um embate filosófico entre uma postura terrena e uma mais divina, digamos. O pássaro, questionador, assemelha-se a um deus conversando com sua criação, ajudando-o na descoberta de sentidos além dos práticos e superficiais. Uma espécie de guia.

    Embora o homem converse com um pássaro, não encontrei lá muita aderência ao tema do desafio. Claro, conversar com um pássaro pode ser encarado como loucura. Entretanto, estamos no campo da arte, da fantasia, da ficção, o que habilita a possibilidade de um pássaro conversar normalmente. Não encontrei no desenvolvimento do personagem homem algo que o caracterizasse como louco de fato e acho que esse foi o único detalhe que me desagradou. A presença de um terceiro personagem, observador dos diálogos, e que não ouvisse o pássaro falando, já resolveria essa questão (mas entendo que isso não se encaixaria muito bem na proposta de manter apenas diálogos entre os dois personagens).

    Trata-se de um conto interessante pela forma como foi composto. Todos os questionamentos, críticas e juízos de valores, em um texto mais convencional, o deixariam assemelhado a uma crônica ou artigo. Aqui ele assume forma de conto e cumpre o seu papel.

    É isso, boa sorte no desafio!

  9. Jowilton Amaral da Costa
    9 de novembro de 2020

    O conto narra os diálogos de um homem com Deus.

    É um bom conto e está muito bem escrito, percebi apenas um s no lugar de um r em alguma parte da história. Fazer um conto só com diálogos é bem difícil e a execução foi bem feita. Não achei a premissa criativa, Contos em que alguém fala com um ser invisível, onde o leitor pode supor que é com Deus que o personagem está falando é uma ideia comum. Achei que a voz do autor se sobressaiu a voz do personagem. Foi quase impossível para mim ler o conto e não imaginar o autor pensando durante a escrita o quanto ele era foda! kkkkkkkkk Mas isso é só mesmo uma impressão minha, não tirará pontos da nota. No mais, achei um tantinho cansativo e o Deus que você criou aí é bem chato, me incomodou um pouco, o que é bom, quer dizer que o texto mexeu comigo de alguma forma. Boa sorte no desafio.

  10. Anna
    8 de novembro de 2020

    Resumo : Homem decide cortar uma árvore, que julga ser inútil. Começa a escutar uma voz vinda da árvore que só no final do conto se revela um pássaro.
    Comentário : O conto é maravilhoso, nos leva a refletir sobre vários assuntos. Algo inútil para nós pode ser útil para outros seres vivos, quantos animais já devem ter perdido seus lares por causa do ser humano ? O pássaro se revela em algumas passagens um ser de natureza superior, o que me leva a crer que o próprio Deus assumiu a figura do pássaro.

  11. Ana Maria Monteiro
    7 de novembro de 2020

    Resumo: o diálogo aparentemente (mas só aparentemente) desconexo, entre um homem dono do seu mundo e uma voz que se assume dona do mundo como um todo, levando o leitor a pensar que se trata de deus e que, a final se revelará na forma de um passarinho.

    Comentário: Olá, Ouvinte. Em primeiro lugar, parabéns pela coragem de avançar e lançar o primeiro conto. Você revelou coragem.

    Minhas impressões: é um conto que se lê muito bem e com prazer; o diálogo é permeado de momentos de humor, sempre agradáveis, enquanto vai “desbobinando” toda uma série de pequenas contradições. O homem vacila nas respostas, a lógica do interlocutor é simples e direta como a de uma criança. Na minha interpretação, o passarinho é mesmo deus quem assume a forma de um passarinho. Por que decidiu apresentar-se assim? Porque pode, é simples.

    Gostei muito de algumas frases, particularmente a última e “o silêncio também me pertence”, foi esta aliás que não me permitiu pensar que o passarinho fosse apenas um passarinho; todos podemos usar o silêncio, mas apenas uma entidade divina poderia reclamar a sua propriedade.

    Este conto, apesar de ser o primeiro, foi trabalhoso, nota-se bem o cuidado que teve em criar esse diálogo, mantendo o ritmo e coerência incoerente. Você poderia ter explorado mais essa diferença de pontos de vista entre o egoísmo humano e o olhar de quem, estando por cima de tudo, não vê diferença alguma entre espécies.
    Gostei. Mas se o tivesse feito, correria o risco de alguns leitores acharem enfadonho, ou complicado, ou cansativo. Esteve na medida certa.
    O tema loucura não está muito presente, mas não será a própria tentativa de compreensão do mundo, um exercício de loucura?

    Não me prendo muito à gramática e ortografia, mas notei um erro de digitação, perto do final, quando li “levas” onde deveria ser “levar”. Também não consegui engolir muito bem a ortografia de “Bunita”, ou seria um nome que decidiu dar, em lugar do adjetivo?
    Sem outros reparos, parabéns e boa sorte no desafio.

  12. Ana Maria Monteiro
    7 de novembro de 2020

    Resumo: o diálogo aparentemente (mas só aparentemente) desconexo, entre um homem dono do seu mundo e uma voz que se assume dona do mundo como um todo, levando o leitor a pensar que se trata de deus e que, a final, assume a forma de um passarinho.

    Olá, Ouvinte.

    Em primeiro lugar, parabéns pela coragem de avançar e lançar o primeiro conto. Você revelou coragem.
    Minhas impressões: é um conto que se lê muito bem e com prazer; o diálogo é permeado de momentos de humor, sempre agradáveis, enquanto vai “desbobinando” toda uma série de pequenas contradições. O homem vacila nas respostas, a lógica do interlocutor é simples e direta como a de uma criança. Na minha interpretação, o passarinho é mesmo deus quem assume a forma de passarinho. Porque decidiu apresentar-se assim? porque pode, é simples.
    Gostei muito de algumas frases, particularmente a última e “o silêncio também me pertence”, foi esta aliás que não me permitiu pensar que o passarinho fosse apenas um passarinho; todos podemos usar o silêncio, mas apenas uma entidade divina poderia reclamar a sua propriedade.
    Este conto, apesar de ser o primeiro, foi trabalhoso, nota-se bem o cuidado que teve em criar esse diálogo, mantendo o ritmo e coerência incoerente. Você poderia ter explorado mais essa diferença de pontos de vista entre o egoísmo humano e o olhar de quem, estando por cima de tudo, não vê diferença alguma entre espécies. Gostei. Mas se o tivesse feito, correria o risco de alguns leitores acharem enfadonho, ou complicado, ou cansativo. Esteve na medida certa.
    O tema loucura não está muito presente, mas não será a própria tentativa de compreensão do mundo, um exercício de loucura?

    Não me prendo muito â gramática e ortografia, mas notei um erro de digitação, perto do final, quando li “levas” onde deveria ser “levar”. Também não consegui engolir muito bem a ortografia de “Bunita”, ou seria um nome que decidiu dar, em lugar do adjetivo?

    Sem outros reparos, parabéns e boa sorte no desafio.

  13. Gabriela
    6 de novembro de 2020

    Resumo: é um conto muito criativo e bem pensado, porém, cansativo e com muitas repetições de palavras e sentidos de frases. Poderia ter sido escrito de forma mais sucinta, fora isso, a criatividade me impressionou. Sucesso!

  14. Leandro Rodrigues dos Santos
    5 de novembro de 2020

    Uma conversa entre um padrão normal contra um pouco mais reflexivo.

    Muitas repetições em especial do uso do ‘que’ como conectivo, tente substituí-lo por vírgulas, gerúndios, e criatividade. Erros no uso pronominal, e de conjugação [principalmente com o uso da segunda pessoa].
    Sobre a ideia, me perdoe, não me trouxe nada. Entendo que o personagem ‘homem’ foi até bem construído, mas o ‘sábio’ faltou profundeza.

  15. Paula Giannini
    3 de novembro de 2020

    Olá Contista,

    Boa noite.

    Tudo bem?

    Resumo – Um diálogo filosófico entre um ser-humano e uma entidade divina (Deus?) que se revela um pássaro.

    Minhas Impressões:

    Pessoalmente gosto muito de textos dramáticos, os diálogos me remetem ao teatro, mas, não é só isso. Creio que através do dito o autor tem um imenso universo do “não ditos” e de entrelinhas a serem explorados.

    No diálogo aqui criado, o autor busca a reflexão filosófica, o que de fato ocorre em vários sentidos. Percebemos a loucura como crítica à sociedade contemporânea como um todo, a loucura na camada cômica do “protagonista que a olhos desavisados falaria sozinho” e mesmo na brincadeira de que todo louco (ou muitos deles) diz ser Deus. Assim, o autor explora o tema a partir de vários pontos de vista, o que é bem interessante.

    A leitura é agradável e até divertida.

    Um ponto interessante a se notar são os travessões dividindo as cenas, dando em alguns momento a impressão de assistirmos a um filme. A cena se fecha e abre em outro capítulo, outro momento dos personagens, sem que com isso o(a) autor(a) lance mão de descrições.

    Se eu puder fazer uma ressalva seria sobre o sotaque do personagem ser-humano. Quando se comunica com Deus ele parece empregar uma fala mais próxima à norma culta, ao passo que, quando se dirige aos animais ele lança mão de uma carregada fala regional. Esta diferença comportamental dá ao leitor a sensação de incoerência na construção do personagem. Nada, porém, que não possa ser corrigido em uma revisão, caso o(a) autor(a) assim o queira.

    Lembrando que aqui estamos todos para aprender mais e mais, peço que desconsidere minhas opiniões, caso ache que errei no alvo. 😉

    Beijos e boa sorte no desafio.

    Paula GIannini

  16. Ana Cláudia Barros Fontenele
    3 de novembro de 2020

    Resumo: Um homem e um passarinho debatem metafísica.

    Acredito que construir uma narrativa inteira apenas com diálogos já é uma conquista e você fez isso maravilhosamente bem. Me divertir muito com a disputa entre a lógica prática do homem em contraste com a sensibilidade do passarinho. No início, pensei que a voz fosse Deus ou outra entidade criadora, não esperava que fosse um passarinho, mas gostei da quebra de expectativa e o contexto do conto permite diversas possibilidades de interpretação para a natureza dessa conversa. O homem era um delirante que conversava com pássaros? Uma entidade criadora assumiu a forma de um pássaro e começou a observar os homens de perto? Tudo é possível.
    E eu adorei isso. Parabéns.

  17. Lara
    3 de novembro de 2020

    Resumo : Um homem deseja derrubar uma árvore e começa a ouvir uma voz, no final o dono da voz é um pássaro.
    Comentário : Na minha opinião esse pássaro representa Deus. É possível perceber isso em várias passagens.

  18. Elisa Ribeiro
    31 de outubro de 2020

    Diálogo entre um homem que pretende derrubar uma árvore e uma voz invisível que ao final se revela um pássaro(?).

    O tema da loucura aparece aqui como uma crítica a crenças e comportamentos contemporâneos. Uma abordagem interessante embora, para essa leitora aqui, não tenha se mostrado tão bem aproveitada em face da expectativa gerada.

    Seu texto todo escrito em diálogos funcionou razoavelmente bem comigo, minha única ressalva seria certa irregularidade no dialeto do sujeito, que em alguns momentos soa caipira demais comparado à maior parte de suas falas.

    O que gostei: do conto ter sido todo construído em diálogos. Deixou a leitura leve. Grata por isso, parceiro/a.

    O que não gostei: penso que você poderia ter dado seu recado com bem menos palavras. Para o meu gosto, seu texto sobrou um pouquinho.

    Parabéns pela participação. Grande abraço.

  19. Fabio Monteiro
    29 de outubro de 2020

    Resumo: Dois personagens. O real e o imaginário. No final o imaginário se revela um pássaro (se assim entendi bem).

    Texto interessante e muito rico em detalhes. O dialogo se estende de maneira bem fluida, mas acaba cansativo em alguns pontos.
    Confesso que não vi muito a necessidade de explicar as funções de um poste.

    Para o desafio todo detalhe é importante. Ainda mais quando se trata de justificar o tema (loucura).

    O que me chama a atenção é que o autor trabalhou o dialogo de forma muito concisa. Não se perdeu deixando pontas soltas. Ponto positivo. A construção de diálogos quase sempre nos leva a fatídica sensação de que não conseguimos explicar algo ao leitor.

    Boa sorte! De maneira geral tem minha apreciação.

  20. Bianca Cidreira Cammarota
    28 de outubro de 2020

    Olá, Ouvinte, pessoa corajosa que em ser o primeiro(a) a enviar o conto!

    O conto trava, na maior parte do texto, na conversa de um homem simples e do interior e uma entidade invisível, que dá a entender que é Deus. Nas últimas partes, esse ser superior se mostra em um pássaro. O diálogo procura esclarecer o homem interiorano e de mente tacanha sobre a vida em geral e até particular, de seu casamento e guarda de filhos, através de um diálogo estilo socrático.

    Creio ter compreendido a intenção, a motivação e finalização do texto, bem como a utilização exclusiva para compor a obra. Percebi o trabalho árduo na construção dos diálogos, a fim de que eles fossem em um arco ascendente.

    Adoro textos filosóficos. Faz parte de mim. No entanto, a técnica do conto construído apenas com diálogos é muito sensível. Creio que, para o tamanho do texto, acabou por ficar cansativo no meio do caminho, não pelo assunto tratado, que é primoroso, mas justamente porque, nessa extensão do conto, parágrafos descritivos alternados com os diálogos daria um contraponto de descanso e fôlego, como paradas em uma longa viagem de carro.

    Admiro sua visão de mundo, a intenção de passá-la para os outros. Porém, reafirmo a necessidade ou de parágrafos descritivos entremeando os diálogos ou o conto só com diálogos, porém mais curto em sua extensão.

    Gosto da caracterização dos personagens com seus trejeitos na linguagem. No entanto, na minha opinião, você pesou um pouco a mão nessa questão.

    Agradeço a construção do conto e a oportunidade de lê-lo!

    Abraços!

  21. Rubem Cabral
    28 de outubro de 2020

    Olá, Ouvinte.

    Resumo da história: acompanhamos vários diálogos entre um homem e alguém, que depois se revela um pássaro.

    Análise do conto: é sempre corajoso criar-se um conto somente com diálogos, mas aqui incomodou-me o uso de recursos típicos de chat, feito o “rsrsrs”, por exemplo. O texto aborda o tema da loucura de forma interessante, levanta questões sobre a utilidade das coisas, ecologia, etc., mas resultou um tanto longo demais em função do formato preso somente a diálogos.

    Boa sorte no desafio!

    Abraços.

  22. Alexandre Coslei (@Alex_Coslei)
    26 de outubro de 2020

    Ao executar uma tarefa em seu quintal, um homem inicia uma discussão dialética com uma voz que o contesta.

    A configuração da forma narrativa do conto foi um salto corajoso realizado pelo autor. Num processo quase dialético, a narrativa se desenrola através de um diálogo insólito e inteligente, conduzido com segurança por quem escreve, demonstrando que guardava uma ideia nítida sobre o enredo que compôs.

    O problema de uma narrativa desenrolada em diálogos com poucos personagens é o tempo de sustentação, por quantos parágrafos a ideia central do texto vai conseguir sustentar o diálogo. No caso deste conto, a ideia teve menos fôlego do que o tamanho do texto. Em um determinado ponto ficou cansativa porque tudo já havia sido dito e não havia espaço para expansão do assunto.

    Fique tranquilo, autor. Apesar da minha crítica pontual, gostei demais do texto, da ideia e do desenvolvimento dela. Com certeza, não deve ter sido fácil tocar a empreitada e a proposta ousada que ela contém. É um texto que agrega uma dupla originalidade: ideia e fôlego.

    Sorte e sucesso.

  23. José Leonardo
    24 de outubro de 2020

    Olá, autor.

    RESUMO: um homem pouco sensato ou de pouco tato que se prepara para abaular uma árvore e acaba tendo uma aula chata e necessária de dendrosofia com uma Ent tolkiana que deve ter nascido na Academia platônica e se teletransportado para o quintal desse grande gajo. Após o gajo demonstrar sua estupefação e tentar argumentar com a árvore, no seu quase caiporismo que na verdade é de todos nós, ambos, dendrosófica e humano, chegam pelo menos a uma grande conclusão.

    COMENTÁRIO: a disposição do enredo em diálogos foi uma ótima sacada, a meu ver. Às vezes, leitores como eu ficaram perdidinhos, como perdida é a Loucura, mas no meu caso foi passar rápido demais nesses trechos. E nada melhor que retroceder e ler melhor, tentar casar a sua loucura com a do autor e vislumbrar, no espaço entre a página cibernética e meus olhos, nascer uma criança chamada Entendi o Texto.

    E ela nasceu.

    O bom do texto disposto em diálogos é não entregar fácil a rapadura, pois o bendito narrador onisciente de terceira pessoa, por mais habilidoso que seja, pode dizer mais do que aquilo que deveria e desviar nosso foco do qudrilátero de palavras somente dispostas nos diálogos.

    Quanto à adequação ao tema do desafio, creio que foi divertido lê-lo, pois não é um texto sutil e nem loucuresco, pynchonesco, tampouco ecoterrorístico, daqueles que não deixam a loucura demasiado escondida, mas também não cagam rodando.

    Imaginei logo um épico, tipo O Sétimo Selo, onde o personagem de Max Von Sydow é interpretado por Mazzaropi, sem tabuleiro de xadrez, mas com um RPG acerca de uma árvore-deus filosófica. Mas não se preocupe, pois estou tirando (bastante) o filme do contexto dele. Apenas me veio à memória isso.

    O desfecho só mostra como podemos ser obliterados pelos outros humanos ou mesmos Ents que arrastam suas raízes diante de nossas vidas, não tendo as Parcas tesoura de poda, infelizmente.

    Boa sorte no desafio.

  24. Regina Ruth Rincon Caires
    23 de outubro de 2020

    Diálogos entre os donos do mundo (Ouvinte)

    Resumo:

    Acredito que a história verse sobre o diálogo entre homem e divindade (donos do mundo). Tudo tem início na intenção do corte de uma árvore, e, na sequência, é estabelecido um diálogo englobando valores, utilidades e pequenas “loucuras” da consciência (ou da falta dela).

    Comentário:

    Ainda que mais nada se avalie, o texto vale pela reflexão que traz no seu parágrafo final, na “fala” do passarinho:
    “― Sim, você tem um pouco de razão. Ouvidos. Eles já existem em pequeníssima quantidade. Contudo, diga-me, e se eu não estiver mais aqui quando um ouvido passar?”

    Feito em diálogos, percebe-se que o conto exigiu muito cuidado, um trabalho meticuloso. Acredito que o texto tenha sido fatiado para mostrar os tempos diversos. Bem criativo. Achei interessante a fluidez da prosa, fica explícita a sagacidade do autor quando faz a ligação rápida das conversas (aparentemente) desconexas. Isso não é fácil de ser colocado no papel.

    Mesmo percebendo a intenção direta do autor de mostrar uma conversa informal entre os personagens, usando linguagem popular, acredito que ocorreram deslizes e vícios de escrita que, sistematicamente, empobrecem o trabalho. Nada tão grave que uma minuciosa revisão não dê jeito. Falo de registros como: “gerigonças”, “buzão/busão”, “entrando dentro de casa”, “preferem mais”, “a maioria já cansou, já nem te dão ouvidos”.

    O título é bem criativo, o pseudônimo identifica um personagem.

    Resumidamente, foi uma leitura prazerosa.

    Parabéns, Ouvinte!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  25. Rafael Penha
    22 de outubro de 2020

    RESUMO: Um homem discute com uma voz estranha sobre assuntos práticos da vida, demonstrando pontos de vista lúcidos e loucos. Fica a dúvida se o pássaro realmente fala ou se era apenas uma voz na mente do homem.

    COMENTÁRIO: O conto é bem escrito, um prato cheio para os amantes dos diálogos perspicazes. Os personagens tem voz interessante e estão sempre debatendo, o que prende a atenção. Não vi qualquer problema de gramática que tenha me incomodado.

    O problema é que, na minha opinião, leitores como eu ficam um pouco “suspensos” em narrativas como esta. Por mais que a conversa seja interessante, a falta e uma contextualização mais profunda ou de descrições ilustrando sentimentos, coisas e locais acaba por me tirar um pouco da narrativa e as vezes, até fazê-la enfadonha. Principalmente em se tratando de Loucura, coisa que acho que também é muito explicitada no conto.

    Quando temos o tema “loucura” envolvido, meu gosto pessoal é de que palavras como “loucura, louco, doido, maluco” não sejam ditas. A loucura é mais interessante quando é sentida do que quando é definida.

    Por fim, entendo ser uma deficiência de minha parte não apreciar textos com longos diálogos e, no caso, apesar de ter lido, pelo fato desse tipo não me pescar muito, me fica a impressão de ter perdido metáforas e subtextos que enriquecem muito a obra.

    Um grande abraço e boa sorte!

  26. Jefferson Lemos
    22 de outubro de 2020

    Resumo: Um homem conversa com uma voz sem remetente. Ambos questionam a praticidade das coisas simples e navegam entre episódios que vão da lucidez à aparente loucura no fim da trama. Afinal, de quem era a voz?

    Olá, caro autor.
    O seu conto inicialmente me causou estranhamento, e percebi que isso permaneceria até o fim do texto quando conclui que ele se passava inteiramente em diálogos. Eu não sou muito fã desse tipo de escrita, talvez por ser muito visual e no seu conto eu senti falta de um ancoradouro para me situar. Entendo a situação, entendo o local de conversa, mas ainda assim tudo parece muito vago. Sei que devemos deixar que a imaginação do autor corra solta, mas acredito que é necessário pelo menos uma ambientação melhor.
    Sem contar que o diálogo com essas figuras desconexas, sem essência, acabaram me deixando num estado de leitura suspensa, como se eu estivesse vendo apenar uma superfície fina e impedido de mergulhar na história.
    A trama em si é bem interessante porque trás diálogos sobre coisas importantes e simples, que muitas das vezes não damos a devida importância, mas acho que esse objetivo vai se perdendo no decorrer da história e eu confesso que fiquei meio perdido nos saltos temporais No fim eu tenho a impressão de que muita coisa foi dita e eu não consegui absorver os propósitos de nenhuma delas. Sei que o desafio é sobre loucura (ou excesso de razão?), mas é preciso de um cuidado maior quando nos propomos á mostrar nosso papel de louco, e ainda sermos entendidos na nossa proposta literária.
    De qualquer forma, foi um conto bem ousado e que mostrou uma qualidade muito boa do autor na confecção de diálogos. As falas da “coisa” não me agradaram muito por conta do tom rebuscado, mas pelas falas deu a entender que existia algum misticismo e ancestralidade nessa figura.
    Enfim, parabéns pelo conto e boa sorte no desafio!

  27. Luciana Merley
    22 de outubro de 2020

    DIÁLOGOS ENTRE OS DONOS DO MUNDO

    Olá, autor.
    Farei um resumo e em seguida deixarei minhas impressões conforme os critérios CRI (Coesão, Ritmo e Impacto). O impacto é, na maioria das vezes, o critério definidor da nota final.

    Um homem que começa a ouvir uma voz de alguém invisível (aparentemente um ser divino) enquanto se prepara para cortar uma planta inconveniente no seu quintal. A partir daí, o diálogo ganha um tom de embate e a conversa ganha rumos mais reflexivos acerca da utilidade e posse das coisas no mundo.

    Impressão inicial – Por ter sido construído todo em forma de diálogos, o conto causa um estranhamento, mas o torna também mais desafiador. Precisei reler algumas vezes pra conseguir me acomodar.

    Coesão – O fato de o conto ter sido apresentado em partes separadas tirou um pouco da unidade da leitura. Por vezes sentimos que são histórias completamente diferentes e isso não é muito recomendável para um texto tradicional. Nesse caso, o ponto de coesão não parece ser o formato do texto, mas o embate em torno das questões mais existenciais como a utilidade e a posse das coisas.

    Ritmo – Como disse anteriormente, a forma do texto quebra o ritmo, o que acontece também quando temos que virar a chave para ler a fala mais rebuscada. A enorme diferença entre os estilos das falas dos personagens provoca uma quebra brusca e desnecessária, já que não seria indispensável para marcar a diferença entre os personagens. Isso causa uma sensação de incômodo. Entretanto, o fato de os diálogos serem dotados de alguma ironia, provoca uma sensação de leveza também.

    Impacto – Foi bom, apesar das quebras no texto e de alguns erros gramaticais. É o tipo de conto em que a mensagem não está na superfície, mas que abre margem para muitas divagações. E concordo com comentários anteriores de que ficou um pouco pedante e forçado em alguns pontos. O tema da loucura não me pareceu ter sido abordado no aspecto psiquiátrico do personagem, já que ele não demonstrou nenhuma ideia ou comportamento incomum, mas no sentido da loucura humana de cada dia. Com relação à voz, a referência explícita a trechos bíblicos conhecidos deixou-me a impressão de se tratar do Deus bíblico.
    Ah! E gostei das frases sem vírgula. Lidas em voz alta parecem mesmo sussurros.

    Parabéns pela ousadia e boa sorte no desafio.

  28. antoniosbatista
    22 de outubro de 2020

    Resumo: dono de um quintal vai arrancar uma árvore quando uma voz o intimida. Os dois personagens têm um diálogo sobre a utilidade das coisas, depois confabulam sobre a construção de uma lareira e por fim, se descobre que são um homem e um passarinho. Os dois acabam filosofando sobre a vida em sociedade.

    Comentário: O conto só com diálogos me agradou, não achei nada errado, apenas ficou meio artificial os diálogos com muita gíria, que acabaram interrompendo a fluidez da leitura e a atmosfera de ternura que o texto impõe. É surreal no início quando não se sabe quem é quem nas falas. Ao final, sobrou filosofia, fantasia e faltou loucura no verdadeiro sentido da palavra. Boa sorte.

  29. Priscila Pereira
    22 de outubro de 2020

    Resumo: Um homem conversa com uma voz que ele não vê e que supostamente criou todas as coisas e no final de revela na forma de passarinho.

    Olá, Ouvinte! Foi corajosa sua escolha de um texto só em diálogo, eu não gosto, nem saberia fazer, mas você conseguiu. Não entendi muito bem todo o contexto do conto, ficou meio jogado aleatoriamente momentos da vida de um homem, senti falta de um fio que juntasse tudo, que realmente contasse a história desse cara. Não vi a loucura só uma tentativa de filosofia. Porque falar sozinho não é prerrogativa de loucura, até que a pessoa seja um risco para si mesma ou para os outros. Em todo caso é um conto bom. Parabéns! Boa sorte!
    Até mais!

  30. cicerochristino
    21 de outubro de 2020

    Resumo:
    Na oportunidade em que um homem alerta a uma árvore, existente em seu quintal, que irá cortá-la, começa a ouvir uma voz, com a qual dialoga, discutindo sobre pontos que abrangem, inicialmente, um juízo de valor acerca do ato que estava prestes a perfectibilizar. Em um ponto seguinte, o protagonista torna a escutar a referida voz e debate desde questões familiares até críticas referentes a práticas culturais vigentes.

    Comentário:
    O fato de a questão ser trabalhada inteiramente em diálogo, se este não for muito bem lapidado, pode tornar o texto cansativo. Isto ocorre em alguns momentos, principalmente após a transição do primeiro para o segundo momento. Outro ponto que causou certo incômodo, é que, se tratando a abordagem do tema proposto para o concurso, me parece que a distância das formas de tratamento utilizadas por ambas as personagens dificultam a verossimilhança (p.e.: o protagonista não compreendia, inicialmente, alguns termos empregados pela voz que seria uma alucinação. Ou seja, o delírio tinha um vocabulário mais amplo que o delirante).
    Entretanto, com o passar dos momentos descritos no conto, a questão da “loucura” vai se acentuando, evidenciando o desequilíbrio do protagonista, o que torna a narrativa muito interessante. A forma como a voz vai se demonstrando como oriunda de um pássaro é bem ilustrada nas passagens em que isso vem à tona, o que traz, já na etapa final do conto, uma sensação muito agradável. Retornando à questão do diálogo, apesar dos detalhes mencionados acima, não deixa de ser um recurso que dá fluência ao texto.
    Parabéns pela narrativa e boa sorte no desafio!

  31. Carolina
    21 de outubro de 2020

    Resumo: Alguém vai ao seu quintal para cortar uma árvore que o incomoda. Ao tentar fazê-lo, é surpreendido por uma voz que o acompanha e o questiona sobre muitos aspectos de sua vida, alegando ser o dono de tudo (incluindo a árvore e o quintal).

    Comentários: O texto é ousado, pois usa somente diálogos em sua totalidade. A primeira parte, está bem construída, deixando o texto conciso dentro de sua ideia, e trazendo até um certo humor, no decorrer da conversa entre um homem e uma voz. Por vezes, há a impressão de que a voz, pode ser algo divino (inclusive, causou mais este sentimento, do que a loucura em si). A terceira divisão dos diálogos (que em sua totalidade, demonstram passagem de tempo), trazem mais a sensação de loucura, pois o homem não está vivendo seus melhores momentos. Ainda que aqui, devo ressaltar, senti uma mudança muito brusca da maneira em que falava o protagonista que ouve vozes. O final deixa algumas dúvidas em aberto, o que arremete mais ainda a uma situação de pura loucura.

    Em todo o caso, o conto é interessante e consegue trazer dúvida sobre se houve, de fato, a loucura ou uma conversa com o divino, atendendo a expectativa sobre o tema. Foi um bom texto.

  32. angst447
    21 de outubro de 2020

    RESUMO:
    Homem disposto a cortar uma árvore em seu quintal é confrontado por uma voz que o impede de ir adiante com o seu intento. Começa um estranho diálogo entre o “dono do quintal” e o “dono do universo”. Cada um expõe o seu ponto de vista, a sua visão de mundo.

    AVALIAÇÃO:
    O título revela a dimensão do diálogo que se desenvolve ao longo da trama. O ser humano questionando a voz superior – Deus – ou qualquer divindade, até mesmo uma voz interna que se apropria do título de deus.
    Achei interessante a abordagem do tema proposto por meio de diálogo. As separações feitas em nada me incomodaram. Entendi que era para marcar momentos específicos e dar ideia de passagem de tempo.
    O enredo, muito bem construído, também dá margem a algumas interpretações – alguns podem concluir que o homem falava com Deus, outros dirão que ele falava consigo mesmo e flertava com a loucura. Ou até mesmo que falava com um pássaro. O cético dirá que o problema não é falar com plantas e bichos, mas eles responderem. A diferença de nível de linguagem entre os personagens me pareceu desnecessária. Não é preciso marcar um e outro para distingui-lo no texto. Além disso há o risco do diálogo se tornar um tanto pedante.
    A estrutura do diálogo construída apenas por diálogos dá muito agilidade À narrativa, proporcionando um ritmo muito confortável e tornando a leitura ligeira e prazerosa. Bom recurso!
    O(A) autor(a) possui domínio da escrita e sabe cativar o interesse do leitor. Desejo-lhe sorte no desafio. Parabéns pela ousadia e presteza em enviar o conto.

  33. Fheluany Nogueira
    21 de outubro de 2020

    Personagens mantêm conversação, que se inicia quando um deles quer cortar uma árvore no quintal e se desdobra sobre diversas questões.

    O texto, todo construído em diálogo, de certa forma apontando para situações absurdas, cria um clima de loucura bem adequado. Se não fosse a grande disparidade entre os níveis de linguagem dos falantes, o protagonista poderia ser diagnosticado com dupla personalidade ou esquizofrenia.

    O título foi muito bem colocado e auxilia na compreensão total do enredo, conduzindo para um debate filosófico. A divisão em partes dá um descanso ao leitor em meio a um diálogo tão delongado. No geral, achei o conto interessante e até experimental.

    Boa sorte no desafio. Abraço.

  34. Thiago de Castro
    21 de outubro de 2020

    Resumo:

    Um homem se depara com uma voz misteriosa quando vai cortar uma árvore incômoda no quintal. Ambos estabelecem um diálogo que, no decorrer do texto, se desdobra em revelações sobre a vida familiar do protagonista.

    Comentário:

    Acho sempre difícil escrever um texto só com diálogos, pois é necessário criar um bom ritmo de leitura ao mesmo tempo que contextualiza o leitor. Achei que você conseguiu fazer isso em boa parte do conto, principalmente na primeira divisão, mas me incomodei com algumas coisas que compartilho aqui: o fato da voz ser toda empolada, culta e coloquial em contradição ao protagonista, que possui marcas fortes na maneira de falar e de pensar a realidade, até revelando certa ignorância em alguns momentos. Não achei muito crível que esse antagonismo tão grande pudesse ser elaborado pela mesma cabeça, ainda que prejudicada pela loucura. O segundo ponto foi o excesso de perguntas e respostas, que deixa o diálogo numa sucessão de escadas, deixando um pouco previsível que a voz fará divagações sobre qualquer coisa que o personagem afirmar.

    Por outro lado, o antagonismo deixa o texto bastante humorado e eu como o leitor me vi como o protagonista, impaciente com essa voz do desassosego. Além disso, no meio da verborragia do personagem principal e do enfado da voz, tem passagens bem contemplativas que dão profundidade ao texto, principalmente no final de cada divisão: a voz é um passarinho, é a natureza, Deus, o Diabo? Talvez a loucura do personagem esteja na desatenção aos detalhes, nesses pequenos sinais que a própria loucura, na figura da voz, lhe tenta revelar.

    No geral, o tema do desafio foi contemplado, não vi nada gramaticalmente gritante, pois os erros e junções de palavras se enquadram na construção do protagonista.

    Parabéns pelo texto! Boa sorte!

  35. Angelo Rodrigues
    21 de outubro de 2020

    Resumo:
    Homem, ao avisar que cortaria uma árvore em seu quintal, estabelece um diálogo com “alguém” que não conhece. A partir desse ponto, ambos, o sujeito e a voz, estabelecem um diálogo intelectual sobre o valor das coisas com base no utilitarismo. Num dado ponto o diálogo toma o rumo do criacionismo teológico.

    Comentários:
    Conto interessante, embora não incomum.
    O autor conduz a história por meio de um longo diálogo. Imaginei, em princípio, que se tratava de um diálogo interno do personagem, mas não, o conto, em determinado momento, assumiu um caráter teológico, talvez teleológico. Uma conversa “real” entre um simples e um ser, digamos, superior, provavelmente um deus criador, ou um Deus criador, a depender do leitor/escritor.
    Achei um pouco desigual, assimétrica a relação entre os dois que dialogam. Aquele que tudo sabe e, um pouco blasé, desafia o simples em suas contradições. Optaria por algo mais desafiador, com o “simples” desafiando esse Deus/deus que tudo sabe, criando alguma tensão no texto. Assim não sendo, os diálogos ficaram desiguais, com o simples defendendo seus pontos de vista sem mostrar que poderia perceber contradições, inconsistências, contradições, com aquele com quem ele dialoga.
    No quesito loucura, acho que o conto foi bastante tangente ao tema pretendido. Há, digamos, pouca ou nenhuma loucura, embora verbalizada durante a transcrição. O que o homem simples faz, e sempre fez, é a sua própria apoteose destrutiva. Seria essa a loucura, o lugar comum do que somos através dos milênios seria a loucura do conto?
    Fica a sugestão: desafie, confronte, desconstrua esse diálogo assimétrico de valores.
    De qualquer forma, o conto tem leveza e boa simplicidade. Interessante.

    Boa sorte no desafio.

  36. opedropaulo
    21 de outubro de 2020

    RESUMO: Um homem dialoga com uma voz sem dono que se diz dona, tratando da natureza das coisas, como a árvore, a sombra, a beleza, os frutos, as plantas comestíveis e o perdão. Ao final, já mais conciliados, homem e voz ponderam acerca da utilidade de uma voz quando sobraram poucos ouvidos e de ouvidos quando não há voz alguma.

    COMENTÁRIO: Comentarei primeiro a forma, depois a trama. Com isso, inicio o meu comentário pelo recurso de escrever um conto apenas com diálogos. Acho que foi uma ousadia e tanto e que sucedeu em dois pontos cruciais: nos indicar espaço, situação e o passar de tempo e situações; fazer da dinâmica do diálogo algo intrigante de se acompanhar. No primeiro ponto, pudemos saber o contexto do conflito entre homem e voz e, depois, da família do homem e do que sucedeu com a sua esposa. No segundo, já não digo que a condução foi tão boa, pois a curiosidade ingênua e onisciente da voz logo pareceu cansativa e irritante, como foi para o próprio personagem. Certamente algo interessante de se acompanhar, mas em um conto consistindo só nas palavras da conversa, cansativo. Outro recurso é a oralidade, já que acompanhamos apenas o que os personagens falam entre si. Gostei da regionalização da fala do protagonista, achei orgânico, apesar de faltarem algumas vírgulas.

    Sobre a trama, falarei da estória contada e da abordagem do tema. Acho que o enredo não tem muito a ser explorado na avaliação, exceto pela situação familiar do protagonista e sua relação com a voz, ambas sofrendo alterações ao longo do conto. Ele se separa da esposa e dos filhos e sua relação com a voz passa a ser mais amistosa. Apesar disso, a constância do vai-e-volta da conversa acabou distraindo dessas estórias, fazendo com que perdessem importância e impacto. A premissa acaba sendo o mais interessante do texto, o que por si só não faz o conto. Sobre o tema, achei que a abordagem está de acordo com a proposta do desafio, mas sem um desenvolvimento para além do motivo por detrás da trama.

    Boa sorte!

  37. Anderson Do Prado Silva
    21 de outubro de 2020

    Resumo:

    Homem decide cortar uma árvore, mas “vozes” pretendem lhe impedir ou, pelo menos, questionar. Estaria o homem louco ou seria a voz de uma divindade?

    Comentário:

    Ouvinte, sei quem é você! O uso do regionalismo, o personagem provinciano, o elemento religioso e a frase final entregaram a autoria!

    Gostei do conto! Parabéns! Confesso que o uso exclusivo de diálogos sempre me cansou um pouco, sendo esse o motivo por eu não ter lido na íntegra ainda “A república”, de Platão. Mas, superado esse obstáculo, gostei do texto.

    Já tive a oportunidade de pensar e escrever sobre o que diriam dos personagens bíblicos (para ficar apenas no cristianismo) se os vissem hoje, pleno Século XXI, falando com divindades. Escrevi: “Foi-se o tempo dos homens que, sós no deserto ou nos cumes dos morros, viam, ouviam e, quando contavam, as multidões acreditavam. Esses homens diziam: ‘Se me apareceu’ e em terra os joelhos do povo caíam. Hoje, daqueles homens, diriam: ‘É louco’.” Como se vê, acho interessantíssima essa ideia do diálogo com o divino!

    Adorei seu título “Diálogos entre os donos do mundo”! E as questões: quem seria o real dono do mundo?; do que cada um de nós é realmente dono? etc.

    Achei corajoso o uso exclusivo de diálogos e extremamente corajoso ser o primeiro a se inscrever no desafio.

    O texto está bem escrito e bem revisado. Tem apenas um “s” no lugar de um “r” em “deixar ela levas as crianças”.

    Sucesso no certame!

  38. Giselle F. Bohn
    21 de outubro de 2020

    Homem dialoga com uma voz que, a princípio, ele não consegue identificar de onde vem. Seria sua consciência? Deus? O Diabo?
    Texto interessante, que parte de uma premissa muito boa: quem é o dono do mundo e de tudo que existe nele? Por ser todo construído – muito ousadamente! – em forma de diálogo, torna a leitura rápida e agradável. Porém, na minha opinião, a forma não compensou as falhas no conteúdo. Eu adoro inovações linguísticas (palavras escritas juntas, pontuação irregular, onomatopeias, oralidade, neologismos etc), mas preciso ver uma justificativa pra isso, o que não senti que foi o caso aqui. A opção por tu e você na mesma oração também me incomodou (“Percebo que gostas de pensar que é o dono do mundo, estou enganado?”). A construção dividida em partes também não me agradou; senti uma quebra de ritmo que, a meu ver, em nada colaborou.
    Enfim, achei o texto legal, mas acredito que poderia ser melhor trabalhado. O ponto de partida com certeza é muito criativo e permite que ele se torne um grande conto! Parabéns!

  39. Fernanda Caleffi Barbetta
    21 de outubro de 2020

    Resumo
    Homem ouve vozes e conversa com um ser que ele não consegue ver. Ambos discutem sobre a importância das coisas simples e sobre quem seria dono do que. Homem descobre no final que a voz vem de um passarinho.

    Comentário
    Gostei de sua opção por escrever um conto inteiro em diálogos, ousado e interessante. O texto, talvez justamente por esta sua escolha, foi gostoso de ler. O conto é bem escrito e divertido. Gostei de ter abordado o tema loucura chamando a atenção para a importância que damos às coisas, ao fato de nos acharmos donos de tudo. Muito boa ideia.
    Apesar de ser um texto fluido, não gostei muito da forma como dividiu a história, em blocos, pois houve uma quebra abrupta entre cada um deles, interrompendo a leitura e o envolvimento.
    O que mais me incomodou no seu conto foi a alternância na forma de tratamento da voz quando falava com o homem. Por vezes usava o tu, por vezes o você. Às vezes os dois na mesma frase, como no exemplo: “estaria te atrapalhando no quintal que não é seu.
    Ao usar palavras inventadas, escritas de forma errada, como Fairêpite, seria melhor usar aspas ou itálico para mostrar isso.
    A inclusão de temas como a esposa e as guarda dos filhos e, no final, a questão da self, achei meio forçado, poderia ter mantido apenas o tema central.
    “― Sim, claro. Nós saímos e sentamos em volta da lareira. Tem dias que fico com as crianças até de madrugada contando as histórias antigas.” – neste trecho não entendi, pois ele ainda iria construir a lareira…
    Achei o terceiro trecho um pouco mais forçado no sotaque do protagonista, como por exemplo quando usou a palavra bunita. O uso das palavras todas juntas, muitas Ao longo do texto são poucas as palavras com sotaque, o que acredito que enfraqueceu um pouco a caracterização do personagem. Confesso que este terceiro trecho pareceu tão descolado dos demais que passa até a impressão de ter sido escrito em outro momento, por outra pessoa (não estou dizendo que foi, estou dizendo que soou assim).
    Gostei bastante do final. A última frase foi bem perspicaz.

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Informação

Publicado em 21 de outubro de 2020 por em Loucura.