EntreContos

Detox Literário.

O Último de Nós (Saprófita)

As coisas nem sempre foram assim. Antes que o maldito fungo Ophiocordyceps unilateralis fosse modificado, passando de infectar apenas formigas para controlar cérebro humanos, as coisas eram mais tranquilas. Quer dizer, quase. Não que não existissem parasitas que nos destruíssem antes, mas isso é realmente diferente. Afinal, o que é mesmo um parasita? É um ser vivo que amaldiçoa a vida de outra vida, se alimenta de suas entranhas, controla suas ações, se apossa de tudo que ela tem até sugar seu último instante de vida. Alguns diriam que o antigo sistema social era recheado de parasitismo. O capitalismo, o socialismo, a política, a religião, o futebol, as antigas redes sociais e até o tão sonhado casamento. Sempre teve um parasita nos sugando algo, se alimentando, nos degenerando. Tenho saudade dos tempos antigos é claro, mas agora com os infectados lá fora, o planeta Terra todo em colapso, a vida se tornou totalmente instintiva. Brincamos de Deus e Deus não estava lá para nos repreender. Os cavaleiros do apocalipse não vieram. Na verdade, penso que eles já existiam entre nós com tanta fome, miséria, doença, tanta depravação e morte gratuita, que o fim do mundo veio pela natureza que se rebelou ao seu hospedeiro. Os vulcões, terremotos, tsunamis e fogo do céu não nos dizimaram, mas esse fungo, esse pequeno ser vivo que crescia e zumbificava formigas, agora está dentro de nós. Se formos mordidos por um infectado, um único descuido, tão mortal como a Síndrome da imune deficiência adquirida, os esporos nos dominam e então já era. Ainda penso, o que restará do último de nós para ser contado?

 

 

– Pai, estas ruas parecem não ter fim! Para onde elas levam? A pequena mão do menino de olhos grandes aperta a minha com carinho e determinação.

– Bom filho, as ruas são interligadas por esquinas que ligam outras ruas e que nos levam aos lugares onde queremos ir. Se queremos ir para a escola, para o trabalho ou para qualquer outro lugar, as ruas se conectam e nos levam para onde queremos.

– Hum pai! Então essas são as estradas da vida? Seu olhar meigo e curioso encontra o meu. Sua doçura me encanta e me alegra.

– Sim filho, estas são as estradas da vida…

 

 A noite caiu como um sono profundo. Pesada e lentamente. A noite gelada no alto de Cambará do Sul demostrava que, indiferente dos infectados lá fora, a hipotermia e a noite sem fogo, seria tão mortal quantos os malditos estaladores. Os infectados zumbis que se movimentavam e estalavam como biscoitos salgados na boca, poderiam aparecer, mas qualquer alma vivente que não encontrar fogo no crepúsculo dessa noite de julho encontrará a morte com certeza. Mesmo com trinta e oito anos de idade, e não me achando velho para meus parâmetros sociais, admito que odeio frio. Odeio sentir os joelhos baterem e rangerem como se fossem parar por falta de circulação. Os dedos da mão, do pé, as orelhas e o nariz ardem e doem com o vento gelado do frio da serra. Os agasalhos parecem não esquentar o corpo que fazem com que a cabeça doa de frio. É como tomar sorvete gelado a todo instante e sentir aquela dor insana bem no meio da cabeça. Sempre odiei o frio mesmo morando no Sul do país. Por isso, ao ver a luz do fogo no cume do Cânion Fortaleza, entendo que aquele lugar seria um ótimo refúgio para mais um dia em um mundo que deixou para traz os resquícios de um lugar habitável.

Minhas botas de couro estão sujas de barro por atravessar o rio entre as pedras molhadas e lisas que corta a serra. Procurei atravessar o rio com os últimos raios de sol, pulando de pedra em pedra para não cair na água. Imaginou cair na água e não ter onde se secar? Onde se aquecer? Naquele frio? Dizem que a morte por hipotermia é como dormir e nunca mais acordar. Mesmo assim, consegui atravessa-lo com alguma dificuldade. Devo estar cada vez mais perto do fogo, porém outro calor me espera lá dentro. Um calor que jamais deveria estar dentro do coração humano.

 

 

– Pai, como se chamam animais que não pensam? Não raciocinam? (mensagem no display do WhatsApp)

– Animais Irracionais filho (resposta no display do WhatsApp)

– Obrigado Pai! (figurinha de risada)

– De nada amor! (figurinha de coração)

 

A porta da cabana abriu abruptamente. A lufada de ar alcançou o fogo de chão feito no meio da cabana. A cabana, um chalé de campo no alto do Cânion Fortaleza era antigamente o ponto de encontro para amantes do Trekking, do ciclismo e do turismo natural, mas agora, um refúgio seguro num mundo de zumbis estaladores. Porém, existem criaturas mais apavorantes do que mortos vivos sem noção.

– Mandíbula, achamos esse maldito subindo pelo rio! Ele acertou o crânio da Maria e do Roberson com um machado. Fui empurrado porta a dentro pelas mãos de três homens truculentos. Eles haviam me interceptado e depois de uma surra, tive as mãos amarradas. Seus casacos sujos e seu fedor diziam que a muito tempo não tomavam banho. Particularmente, eu também não. Dentro da cabana havia antigos móveis de campanha. Rústico como deveria ser, um fogão de barro com uma chapa quente aquecia uma chaleira que chiava soltando seu vapor de água como um trem com sua chaminé. O homem chamado de Mandíbula se virou rapidamente para me olhar. Ele estava terminando de amarrar um alce abatido. Bem em cima do fogo do chã e pela luz do fogo central, percebi o por que o chamavam de mandíbula. Seu queixo proeminente se desalinhava da cara como uma ponte avançando mar a dentro. Seus destes ficavam semi a mostra, o que me lembrou a criatura idealizada pelo doutor Victor Frankstein.

– Como esse maldito chegou aqui? Uma mulher de cabelo loiro apareceu de um dos quartos dos fundos vestindo as calças rapidamente. Isso deixou obvio que o Mandíbula estava fazendo outra coisa antes de colocar a janta no fogo com aquela mulher. 

– Seu maldito você matou minha irmã! A mulher correu em minha direção e me desferiu um tapa no rosto.

– Calma! Se acalme! Mandíbula era forte. Segurou a mulher que se debatia com os olhos lacrimejantes. Todos estavam tensos. Os três homens me chutavam no chão enquanto a mulher se debatia nos braços do tal Mandíbula.

– E agora Mandíbula, o que faremos com esse verme? O homem de boné da Nike e com uma barba farta e grisalha era o mais velho do bando. Senti seu hálito infernal quando se aproximou de mim puxando meu cabelo para trás, para ver meu rosto e cuspir na minha cara. 

– Vocês viram se tem mais alguém com ele? Perguntou Mandíbula ao três enquanto a mulher se desmanchava em lágrimas em seu peito.

– Acho que não, quer dizer, não procuramos? Respondeu um jovem rapaz franzino e de olhos azuis bem vivos.

– Seus idiotas! Ele não deve estar sozinho! Ele não poderia abater Rob e Maria tão facilmente. Não se pega um militar como o Rob assim desprevenido. Peguem as lamparinas e vão ver se tem mais alguém. Este é um dos últimos refúgios da região sem ter sido tocado pelos infectados. Não podemos perder esse lugar por nada!

–  Mas Mandíbula! Tá muito frio lá fora e… antes de terminar, João barba de boné da Nike deu um tapa na nuca do gordo de camisa xadrez. O gordo no início não queria me bater. Mas ao ser convencido pelos outros na hora da minha captura se sentiu estimulado, contra vontade. Mais por medo da represália do que pela apreciação de me espancar, sinto que o gordo tinha um certo remorso naquilo tudo.

 

– Vamos gordo inútil! Você tem muita banha pra te esquentar. Pegue as lamparinas, rápido! E com mais um tapa na nuca do gordo, o homem saiu em direção as lamparinas para a caça noturna.

– Onde estão seus amigos maldito assassino! A mulher se recobrara do choque da notícia de sua irmã. Seu rosto mostrava a maturidade de uma mulher de meia idade, com algumas marcas de expressão e muito ódio no olhar.

– Eu perguntei onde estão seus comparsas! Ela vociferou comigo e me deu mais um tapa no rosto.

– É melhor você responder meu camarada! Mandíbula esquentava uma faca de pesca no fogo. Notei na hora o intuito daquela ação que no caso, era para mim abrir a boca caso eu não respondesse a mulher.

–  Você é Jana Alves! Doutora do centro de ciências da PUC? A mulher se espantou de imediato e se afastou.

– Como você sabe meu verdadeiro nome?

– Eu sei de muitas coisas doutora. Sei de coisas que o mundo científico deveria saber, mas você escondeu da humanidade.

– Do que você está falando?

– Sei que você coordenou a busca por crianças imediações do centro de Porto Alegre para fazer seus malditos testes. Sei que você é uma agente dos Vaga-Lumes e que está aqui para refazer o experimento.

A mulher olhou para Mandíbula. Eles se entre olharam e uma apreensão atenuou o rosto de ambos.

– Ele sabe de tudo Mandíbula!

– Só pode ser um agente FGS! Resmungou Mandíbula mirando meus olhos.

– A Federação Gaúcha de Sobrevivência nos encontrou? Mas como poderiam ter nos encontrado aqui no fim do mundo? Sem mais a declarar, ela tomou a faca quente do amante e determinou meu destino naquele momento.

– Amarre ele ao alto!  Mandíbula me esticou como a caça abatida a lado da fogueira. Notei que os outros estavam um ao lado do outro com as lamparinas ligadas a espera da minha confissão.

– Quantos mais estão com você estranho! A mulher ergueu meu casaco e com sua lâmina me marcou as costelas. Que dor lancinante. Que dor sem fim! A dor é uma lembrança difícil de esquecer…

 

 

– Papaaaaai! O pó do tombo da bicicleta se elevou ao ar na estrada de chão. O tombo foi feio. A correia caiu trancando os pneus e a bicicleta girou para frente derrubando meu filho, que bateu a cabeça e que logo se encharcou de sangue vivo.

 – Meu filho! Corri como um louco em sua direção. Quando o tomei nos braços ele parecia branco. Tinha muito sangue escorrendo tapando seu olho. Como aquilo foi apavorante.

– Papai, eu não quero morrer! Eu não quero morrer! E ele chorava, tremia e logo desmaiou.

– Fale comigo filho! Acorde, não me deixe! Que agonia. Gritei por socorro o mais forte que pude. Meus vizinhos com o alarme me socorreram e de carro fomos para o hospital. Os minutos pareciam consumir minha vida e a do meu garotinho. Algum tempo depois, chegamos ao hospital

– Não se preocupe papai, seu menino vai ficar bem. Ele bateu a cabeça e cortou profundamente a testa. Fizemos alguns pontos, mas ele vai ficar bem, apenas precisa de um boa noite de repouso pois o induzimos ao sono por causa da dor. Descanse um pouco.

– Tudo bem, que boa notícia! Posso ver meu filho doutora ham… como é seu nome mesmo?

– Margarete, Margarete Mendes! E não, ainda não pode vê-lo pai. Ele precisa de repouso, mas em breve eu te chamo e você poderá vê-lo.

– Tem certeza? Ele pode querer me ver.

– Tenho sim pai, esse é o protocolo, acalme-se! Está tudo bem, em breve as enfermeiras vão te chamar.

– Tudo bem então. Logo após ver a doutora se perder nos corredores do hospital, sentei-me na escadaria do lado de fora. Que terror ver meu filho daquele jeito todo ensanguentado. Nada me impediria de abraçar meu filho, afinal, que pai desampararia seu filho? Eu nasci para ser pai. Amo você filho e tudo o que quero é te proteger. Sentado na escadaria, chorei como criança desamparada ao lembrar do meu menino de olhos arregalados…

 

A noite gélida era aterradora. As frestas da cabana deixavam pelo esteio do lugar o vento passar. O fogo crepitava e a caça assava lentamente. A faca havia marcado minhas costelas e o grito de dor foi lancinante. Os homens daquele grupo estavam mais do que atentos agora. Sabiam que eu não era uma pessoa comum e que eu tinha informações privilegiadas sobre seu paradeiro. Minha eliminação era apenas uma questão de tempo.

– Sim eu sou uma Vaga-Lume! Como você sabe sobre mim! Fale antes que eu arranque seu olho verme maldito.

– Verme? eu? Antes que a noite termine minha obra estará terminada. Nenhum de vocês estará vivo para contar a história dessa noite.

– Do que você está falando seu maldito? Os olhos de Mandíbula se estreitaram. Ele ponderou por um momento minha fala e minha atual situação e não conseguiu ver uma lógica naquilo. – Você está pendurado que nem o alce que caçamos. Você não está em condição para nos ameaçar.

A chaleira chiava mais alto. Ela havia sido deixada de lado por minha visita inesperada e a água estava quase que totalmente evaporada. A mulher intrigada se aproximou do meu ouvido e sussurrou baixinho – “Sou eu que vou matar você por ter matado minha irmã seu maldito!”

– Diga seu verme, quem mais está com você pois vamos dar um presentinho a eles! João barba engatilhou a espingarda. Seus amigos se organizaram com revolveres, facões e mochilas. Eles ergueram as lamparinas pois sabiam que estavam perdendo tempo.

– Vão, olhe ao redor! Todos de prontidão esta noite! Vamos precisar recolher as amostras e mudar de esconderijo. Determinou Mandíbula.

– Ele está blefando, ele veio sozinho por um motivo! Não é mesmo, senhor… e a mulher me observou como se estive me reconhecendo de algum lugar.

– Antônio doutora. Pai de um garoto desaparecido, pai de um garoto vítima de suas experiências malditas, pai de um menino sem vida e nesta noite terei a minha vingança.

– Sim, você é o pai de um dos garotos que raptamos para fazer as experiências. – A mulher deu de costas e remexeu sua memória. – Uma semana depois, a cidade toda se infectou. Usamos seu filho como cobaia pois ele tinha um sangue raro. Agora lembro de você, o garoto com o corte na testa não é mesmo?

– Olhe para mim sua vaca! Você matou meu menino e eu vou matar você! Naquele momento, não lembro por quantos segundo fiquei desacordado. O soco do Mandíbula provavelmente quebrou meu nariz. Eu desacordei e acordei com o impacto em relances que mal me lembro, o mundo girava ao meu redor.

– E como você pretende fazer isso? Não desmaie de novo. Vou esfaquear você e deixa-lo sangrar aqui mesmo. 

– Desculpe doutora, mas eu não estou sozinho. Eu trouxe suas crias comigo e eles estão por toda parte. Aqui no alto da Serra só existe uma saída. Voltar pela ponte, atravessar o rio gelado ou saltar os novecentos metros de altura do Cânion. Os homens se olharam sem acreditar e gargalharam. Mas tão repentino como uma tempestade de verão, um grunhido alto e longe, que logo foi se aproximando como um grito do além foi escutado.

– O que foi isso? Questionou o jovem franzino.

– Não pode ser. Será que… João barba ajeitou seu boné.

– Você está mentindo! Vai lá fora dar uma olhada! E João barba empurrou o gordo quase que porta a fora. 

Ao abrir a porta o vento gelado inundou o lugar novamente. Com a luz do fogo de chão iluminando o ambiente, o medo estampado no rosto do gordo foi visível. Ele segurou o lampião e engoliu em seco. Sacou de seu facão e saiu porta afora. Assim que a porta se fechou, os grunhidos começaram a aumentar. Eles me olharam e eu sorri com o canto da boca.

– O que você está aprontando maldito! A mulher pegou a faca e veio em minha direção para colocar a lâmina bem rente ao meu olho esquerdo. Senti seu calor queimando minha retina.

– “Eu vim vingar meu filho!” – E desta vez foi minha vez de sussurrar para ela. Um grito de terror foi escutado. A voz do gordo foi se elevando como se o sobrenatural tivesse o encontrado até silenciar. E todos descobriram naquele momento que os estaladores estavam realmente lá fora!

– Maldito! Ele matou Roberson e Maria para atrair os infectados pela ponte! – O rapaz magrinho sacou de seu revólver e abriu a porta para olhar para fora. O vento gelado mais uma vez fez crepitar o fogo de chão. Quatro braços amaldiçoados o puxaram para fora. Antes de gritar por socorro, ele sentiu garras o espremerem por completo rasgando a carne. Como cão vorazes, suas entranhas foram sendo abertas. Esquartejado como um animal, o rapaz foi despedaçado na frente de todos. O conseguiu responder diante de tal terror. Com sua espingarda, atirou nas criaturas as derrubando enquanto Mandíbula correu para fechar a porta!

– Estão aqui! Ele disse a verdade! Mandíbula encerrou a porta e notou passos pelo arredor da cabana. Os grunhidos foram aumentando e as mãos e garras foram sendo escutadas nas paredes, portas e janelas. Eram criatura do além a procura de saciar sua fome.

– Precisamos fugir pelos fundos. Peguem as anotações rápido! – A mulher pegou sua mochila, provavelmente com as anotações da experiência. O velho barbudo correu em direção até a porta dos fundos. Ao destravar da tranca rústica, uma armadilha de madeira veio ao seu encontro. Eu sabia o que viria a seguir. Eu coloquei a armadilha ali a bem pouco tempo. Tempo que levei para montar, voltar, atravessar o rio, matar a dupla na ponte e se deixar ser aprisionado. A madeira com cravos lhe perfurou o crânio e travou a porta deixando-a aberta. As criaturas eram as dezenas, centenas talvez. Demorei dias inteiros para captura-los e coloca-los serra acima metodicamente. As cabeça das pessoas infectadas eram abertas e necrosadas como que se os esporos do fungo as eclodissem. A fome destas criaturas por carne humana é sem precedentes. Como elas sentem o cheiro? Ninguém sabe. Mas com a porta aberta, eles vão invadir o local e devorar a todos.

– Inferno! Você nos condenou aqui nesta cabana! Os olhos da doutora esbugalharam como se tivessem visto o próprio Lúcifer vindo das profundezas. Mandíbula descarregou a espingarda. Abateu as criaturas que começavam a invadir a cabana. Desvairado, com um machado começou a decepar os estaladores. 

– Mandíbula, não me deixe! – E a doutora sentiu um frio na espinha.

– Cada um por si agora meu bem! Mandíbula lutou ferozmente pela vida e abriu caminho por estre as criaturas como um louco desaparecendo na escuridão. Ela fora abandonada, se virou ao meu encontro enquanto os infectados adentravam na cabana.

– Me ajude! Eu acabei de descobrir a cura para isso tudo! Você não sabe o que eu posso fazer para salvar o mundo? Salve minha vida, eu faço o que você quiser! – Ela me soltou das cordas com a faca como último recurso desesperado. Naquele instante, um dos estaladores a puxou pelo pé. Ela chutou a criatura que cambaleou, mas logo outra veio para lhe comer a carne. Ela os esfaqueou, mas mais deles vinham ao seu encontro

– Socorro! Eu posso salvar a humanidade! – Quando a doutora se virou para me ver outra vez eu já havia destrancada a porta da frente. Outros estaladores entraram na cabana e lhe morderam direto na garganta. Ela foi devorada alia na minha frente como uma caça saciando leões vorazes grotescos. Eu acabara de concluir a minha vingança e nada preencheu o vazio que havia dentro de mim. Não esparva que acontece na verdade.

As criaturas não me atacavam. Passavam ao meu lado como se eu não existisse. Descobri que a maldita doutora, descobrira no sangue do meu filho uma forma de antídoto para as empresas farmacêuticas. Ao raptar meu filho de mim para o tráfico de crianças internacional, intencionava alguma coisa com os figurões e usar meu filho como moeda de salvação. O sangue do meu filho é precioso eles o tomaram de mim. Eles só não contavam com minha paternidade equivalente e que eu desceria o inferno para resgatá-lo. Mas eles o tiraram de mim, meu menino. O que há de bom neste mundo já não existe mais.

Antes de morrer entre as criaturas, a doutora disse que poderia salvar a humanidade. Sinceramente, a humanidade está perdida a muito tempo. O que nos resta é saber verdadeiramente, qual será o último de nós?

 

– Pai, o pai do Pedro virou estrelinha, você sabia?

Momento de licencio segurando a mão do meu filho.

– É filho, mas ele está vendo a gente lá de cima.

– Pai, você me promete uma coisa?

– O que amor? Fala?

– Promete que você não vai morrer?

Nós na garganta e um memento eterno de silêncio.

– Claro filho, eu sempre estarei com você…

E Então? O que achou?

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Informação

Publicado em 24 de agosto de 2020 por em FanFic, FanFic - Grupo 1.