EntreContos

Detox Literário.

Espada na Escuridão (Pedro Paulo)

O medo pertence ao inverno, quando o sol esconde o rosto durante anos e os Outros se movem pelos bosques. Eles eram coisas frias que odiavam o ferro, o fogo, o toque do sol e todas as criaturas com sangue quente nas veias.

 

O barulho do vento lembrava a lamúria de uma criança e, enquanto se aventurava pelo branco onipresente da nevasca, Nymeron pôde jurar que não se tratava de mera impressão e que alguma criança jazia a chorar por perto. Era bem possível. Entre os ventos do inverno, seria difícil haver uma criança que estivesse viva e não chorasse. Para ver suas lágrimas congelarem ainda nas bochechas. Quando avistou a cabana arruinada, já estava a poucos metros dela. A neve como caía não permitia horizontes. Pouco antes dali havia tropeçado em um cadáver meio soterrado, o que o fez acelerar o passo. Tudo acontece de repente. Com isso em mente e uma mão em torno do punho da espada, adentrou.

A mulher encolhida contra o canto oposto da entrada se virou de sobressalto. Apontava-lhe um punhal. Nymeron nem sequer insinuou puxar a espada. Livrou a mão da arma e sentou numa bancada próxima à entrada, preservando a mesma distância entre os dois. Entre os três. O monte de mantos de peles que cobria a mulher se mexeu e daquela bagunça brotou uma cabeça tomada por cachos castanhos salpicados de neve. O garoto se virou em sua direção, mostrando um rosto magro, com dois grandes olhos que piscaram várias vezes ao verem-no. O sorriso de Nymeron era invisível por conta do cachecol levantado até o nariz, mas o menino percebeu e sorriu também. A mulher atrás dele não abaixou o punhal.

─ Baixe isso! Não vê o manto dele? É preto! Ele é um patrulheiro, um irmão da Patrulha da Noite, da Muralha! 

A mulher não cedeu. O sorriso nos lábios de Nymeron morreu, não por ela, mas pelo que tinha escutado. O garoto não desanimou.

─ Diga a ela, sor, diga que vem do Norte, que vem da Muralha e está aqui para nos proteger!

Não sabia se o rapaz já havia visto outro irmão da Patrulha ou se apenas tivera a sorte de escutar o que ainda se falava de bom daqueles que vestiam o preto e serviam o restante de suas vidas na Muralha. Fosse como fosse, a esperança nos olhos da criança era genuína. Não sem meditar por um instante, Nymeron concluiu que era uma inocência sem lugar sob as neves que caíam.

─ Sim, rapaz. Eu era um irmão juramentado da Patrulha da Noite, mas a Patrulha acabou… e a Muralha caiu.

A mulher enfim abaixou o punhal, num movimento lento, quase como se o braço estivesse adormecendo. Ela também tinha esperança? Notou, agora podendo enxerga-la por detrás da arma que antes apontava em sua direção, que era uma mulher, mas uma mulher recente. Não devia ter mais do que quinze anos. O que achou ser o irmãozinho dela o contemplava com um sorriso constrangido e um olhar confuso. Nymeron baixou o cachecol. Não se ofendeu pela surpresa dos irmãos. Era um roinar e todos os seus traços eram evidência disso: lábios grossos e escuros, pele negra e cabelos pretos e volumosos, estes ainda ocultos pelo capuz. A argola dourada que usava no lóbulo esquerdo também devia ser novidade para os dois. Sorriu.

─ Vocês nortenhos não têm muito estilo, é bem verdade. Quando cheguei na Muralha, em pouco tempo peguei um apelido: Dornense. Não tinha nem mencionado que vinha de Dorne. Nasci em Sangueverde, tão ao sul de Westeros como pode ser… mas não é da minha vida que querem saber, não é?

Certamente ouviriam, caso contasse. O garoto não piscara uma única vez desde que começara a falar, numa espécie de curiosidade devota. Já a irmã mirava algum ponto no chão. Depois de um longo suspiro, que formou uma nuvem translúcida à frente da sua boca, Nymeron contou-lhes tudo o que havia acontecido na última semana. Contou-lhes como a Muralha, um extenso muro de gelo maciço, em duzentos metros de altura e quilômetros de largura, o limite entre a civilização dos Sete Reinos e a selvageria do extremo norte, caiu. E, junto com ela, a Patrulha da Noite.

─ A primeira coisa que precisam saber é que na Patrulha os berrantes trazem mensagens. Um toque longo significa patrulheiros à vista. Dois toques, selvagens. E três… os Outros

O garoto se retraiu e Nymeron hesitou. Mas agora a irmã o escutava e se por algum milagre dos deuses – fossem os dos rios, os sete ou os antigos – eles sobrevivessem, seria por causa dela. Agora ela estava ouvindo. Ele continuou.

─ Alguns dias depois do assassinato do Senhor Comandante da Patrulha, Jon Snow, ouvimos toques de berrante. Três nossos… mas então um quarto, longo e fechado, como um lamento no meio da escuridão. Ueeeeeeeeaaaaaaaunnnn. A situação na Muralha não era nem um pouco boa quando isso aconteceu. Eu conhecia Jon Snow. Lutamos contra os thenn em Castelo Negro e, depois, quando seguramos a Muralha contra Mance Rayder e seus milhares de selvagens e os gigantes! Sim, menino, existem gigantes e eles são tão assustadores como dizem… e são piores agora, que todos morreram.

“Votei em Snow para Senhor Comandante e comemorei sua eleição. Torci o nariz quando ele decidiu deixar os selvagens passarem pela Muralha depois que os derrotamos com ajuda de Stannis Baratheon. Ele dizia que tínhamos um inimigo em comum. Eu não podia imaginar nada pior do que os gigantes e seus mamutes, mas eu conhecia as histórias e acreditava no que ele dizia. Além do mais, entre várias canecas de cerveja os selvagens se tornavam boa companhia como qualquer outra e, pelos deuses, tinham mulheres… mas não foram todos que pensaram assim. Quando o Senhor Comandante decidiu resgatar selvagens em Durolar, provocou insatisfação e a palavra que corria entre os irmãos era de insubordinação. O próprio Jon comandaria a patrulha e eu estava entre os voluntários para segui-lo, mas ele nos convocou todos no Salão dos Escudos e anunciou a mudança de planos. Anunciou que abandonaria a Patrulha e chamou quem quisesse acompanha-lo para lutar em Winterfell, onde tinha crescido. Não apoiei. Assim como ele, eu havia feito votos, e nos deixar sem comando em uma hora dessas… Bowen Marsh e seu grupo de traidores esfaquearam o Senhor Comandante e o deixaram para morrer.”

Quando a traição ocorreu, Nymeron se lembrava de um gigante que havia assassinado um homem da patrulha. No alvoroço, quase não notaram o corpo de Jon Snow caído na neve. Ele já estava sem vida quando o acharam e não foi difícil descobrir quem havia feito, já que o próprio Bowen Marsh se proclamou Comandante por enquanto que uma nova eleição não fosse feita. A bruxa vermelha, Melisandre, queria o corpo de Snow, mas assim que foi solto, o lobo gigante que o acompanhava para cima e para baixo se pôs em guarda ao lado do cadáver e não deixou que ninguém se aproximasse. Jon chamava o lobo de Fantasma. Nymeron continuou.

─ Os patrulheiros ficaram divididos entre si. Já não bastasse, havia selvagens e a guarnição da rainha… só vencemos os selvagens com ajuda de Stannis, mas este um foi guerrear em Winterfell para submeter quem não se ajoelhava perante ele e para trás deixou sua filha doente e a esposa bigoduda, que se chamava de rainha e andava colada no traseiro de sua bruxa vermelha… quando Jon Snow morreu, todos começaram a brigar, eu saquei minha espada e a apontei contra meus próprios irmãos. Um dos traidores de Marsh tinha roubado a espada do Senhor Comandante. Era uma espada para lordes, de aço valiriano e com o botão esculpido em formato da cabeça de um lobo branco. Chamava-se Garralonga… sim, é esta espada que carrego comigo, às vezes esqueço que a tenho. Eu a tirei daquele garoto, pois o certo era que Snow fosse queimado com a própria espada, mas então…

Após o quarto e inesperado toque de berrante, seguiu-se primeiro uma quietude. Os homens, que antes gritavam e se amaldiçoavam, brandindo suas armas e preparados para tirarem sangue uns dos outros, calaram-se e tudo que se pôde ouvir foi o sopro agourento do vento. O primeiro estalo soou alto, como o puxar de uma corda. Os beligerantes olharam uns para os outros, ao redor, para o chão e, por último, para o alto. Então repararam na longa rachadura que marcava a Muralha de baixo à cima. Ouviram-se novos estalidos na medida em que novas ramificações se desenhavam ao longo da superfície azulada da Muralha. Alguém gritou que ia cair. Profecia. A enormes pedaços, a Muralha ruiu. Nymeron fez como todos os outros e correu. Olhou para o lado e constatou que até onde seus olhos enxergavam, a Muralha estava caindo. Quando os primeiros blocos alcançaram o chão, a neve se levantou e tomou o rumo do vento, escondendo todo o caos numa neblina branca e fina.

─ Fui tomado pela neve e pude ouvir apenas o alvoroço de gritos, relinchos e o estrondo da queda… em algum momento eu caí. Demorei a me levantar, mas quando eu me pus de pé, segui tateando e achei um irmão que por um milagre conseguiu juntar cavalos. Montei em um deles, formamos um grupo, queríamos procurar os outros, organizar… mas a Muralha não caiu, ela foi derrubada. Do silêncio que se seguiu à queda, ouvíamos um ou outro ferido gritar. Os gritos ficaram cada vez mais frequentes até que todos os homens estivessem gritando. Éramos quatro e quatro fugimos. Olhei para trás enquanto cavalgava e vi… vi, entre a neblina enevoada, o brilho dos olhos azuis. Os Outros e seu exército de mortos, onde quer que eu olhasse, aquelas silhuetas se levantavam… e eu sabia que viriam por nós.

“Cavalgamos até o amanhecer e depois cavalgamos mais, até alcançarmos Winterfell. Procurávamos Stannis, os Bolton e os lordes nortenhos, quem quer que pudesse nos ajudar. Encontramos apenas cadáveres enterrados na neve e um castelo fechado. Não sei o que aconteceu em Winterfell e não desejo saber. Pegamos o que por algum milagre sobrou de comida no acampamento de Stannis e cavalgamos para o Sul. Um de nós ficou para trás, implorando para que o deixassem entrar no castelo. Um morreu para o frio e eu e o outro decidimos nos separar. Ele tinha família nas Vilas Acidentadas ou algo assim. Em nenhum momento dessa jornada eu cavalguei sem estar acompanhado de nevasca e do frio ou podendo enxergar mais do que alguns palmos à minha frente… meu cavalo quebrou uma pata e eu o deixei para os lobos. Comecei a andar.”

Não era toda a verdade. Depois do fiasco em Winterfell, Nymeron acordou para o som do que parecia ser uma discussão e se levantou de vez ao ouvir o grito. Os dois irmãos que o acompanhavam estavam engalfinhados. Um caiu no chão, ferido, e o outro levantou as mãos quando Nymeron apontou-lhe a espada de Jon Snow. Esse outro tinha um punhal ensanguentado numa das mãos, seu cavalo estava solto e a bolsa onde reuniram a comida estava na sela. Quando ele atacou, Nymeron evitou seu golpe e, contra-atacando de mal jeito, por pouco não decapitou o rapaz, que só terminou de morrer no chão. Ao que tinha sido apunhalado, fez o favor de esperar ao seu lado enquanto morria… e depois os dois mortos levantaram, seus olhos brilharam azuis e Nymeron fugiu. Agora que terminara de contar, sua mente voltava àquele rapaz que ficara para trás, defronte aos portões de Winterfell. Ele argumentara que os senhores daquele castelo eram protetores do Norte.

─ Nós somos o escudo dos reinos dos homens…

Os Stark protegiam o Norte. Nymeron havia pensado. Mas estão todos mortos e Jon Snow foi o último deles. Não deu esses detalhes aos dois irmãos.

O que antes era uma curiosidade admirada agora se transformara em horror no rosto do menino. A irmã se limitou a apertar o irmão contra o peito. Quanto eu devo ter andado? Se alcançara os pântanos, já estava bem a sul de Winterfell. Mesmo aqui, a neve cega, enterra e sufoca. Por um tempo, preferiu o silêncio que sucedeu sua narração, mas quando o cinza no céu deu lugar à escuridão estrelada, disse algo.

─ Durmam, mas não se acostumem. Amanhã partiremos por caminhos diferentes e vocês precisam saber que, caso ladrões ou o frio não te matem, a noite matará. Pois é à noite que os Outros atacam. Farei vigília esta noite.

A irmã falou. A voz ainda é de menina.

─ Para onde você vai?

─ Para casa… para o Sul. Quanto mais para o Sul eu puder.

Aproveitou o sono dos irmãos para examinar a construção precária que os abrigavam. Ficava à beira da estrada e a olhando constatou que estava perigosamente coberta de neve. Deixou suas coisas na parte da bancada longe dos dois jovens adormecidos. Suas tentativas de retirar a neve do topo da cabana foram todas frustradas. Um frio mais duro do que podia tolerar o convenceu a entrar e estava para alcançar a entrada da cabana quando distinguiu o que achou ser uma silhueta no meio da nevasca. A sombra poderia ser um truque da escuridão, mas não os dois brilhos azuis. Eu tropecei num cadáver antes de chegar aqui

Descoberto, o morto não se moveu de onde estava. Nymeron começou a caminhar para trás, olhos fixos nos olhos mortos que o vigiavam da escuridão. Sua primeira intenção era alcançar a espada, mas se lembrou dos irmãos. O menino despertara. Seus grandes olhos estavam bem abertos enquanto ele assistia à morte da irmã. O antigo patrulheiro gritou. 

O que escutara como lendas, Nymeron veio a conhecer de perto no Norte. Gigantes, os Outros… diziam eles por vezes montavam em cavalos cadavéricos, mas que também chegavam montados em aranhas do tamanho de lobos gigantes, de corpo esbranquiçado como se fossem feitas de cristal. Uma dessas, até aquele preciso momento lendárias, tinha as oito patas articuladas num abraço mortal em torno da mulher. O traseiro volumoso, translúcido, apontava para cima enquanto afundava suas presas na ferida aberta que era o abdômen da garota. Para seu horror, Nymeron percebeu que a menina também estava acordada. Seus olhos úmidos tremiam, mas ela não aparentava dor. Ao invés de gritar, os lábios se moviam para pronunciar algo, sem emitir: fuja. Levantou-se, içou a bolsa no ombro, pegou Garralonga com uma mão e com a outra apanhou o menino. Ele era leve, mas estava rijo como pedra e só conseguiu leva-lo com uma corridinha desajeitada. Foi fora da cabana que o garoto começou a se debater, repetindo aos gritos o que Nymeron achou ser o nome da irmã. 

O menino escapuliu, Nymeron se desiquilibrou e caiu. Viu o rapazinho se levantar e empacar. Certamente correria de volta para a irmã, mas entre ele e a cabana, uma dúzia de vultos o encaravam com brilhantes olhos azuis. Estavam próximos o suficiente para deixarem de ser possíveis truques da escuridão; o que Nymeron e o garoto viam à frente deles era uma fileira de cadáveres, parados e de pé. Todos usavam traje de malha, alguns ainda envoltos em mantos com estandartes. Eis o desfecho de Winterfell. Os olhos de Nymeron se detiveram no monstro que centralizava a fileira. Era branco da cor de gelo, na pele e nos cabelos, com fantasmagóricos olhos azuis bruxuleando nas órbitas. O rosto enrugado estava repuxado por um sorriso sutil, mas horroroso. Uma armadura cristalina protegia seu corpo esguio e uma espada de gelo, de lâmina fina e translúcida, ocupava uma de suas mãos. Os olhos da criatura se detiveram no menino e foi na direção dele que o Outro começou a caminhar.

Nymeron pôs-se de pé para fugir. Deu mesmo os primeiros passos para trás, mas sem conseguir tirar os olhos do menino, ali petrificado, enquanto um monstro invernal vinha ao seu alcance. O que adianta se eu me pôr entre os dois, só para me tornar mais um de seus soldados mortos? Lembrou-se do garoto que esperou à porta de Winterfell. O próximo passo de Nymeron foi em frente.

─ Sou o fogo que arde contra o frio ─ não foi mais que um sussurro, mas o Outro escutou e aquilo o deteve ─ a luz que traz consigo a alvorada.

O peso e o tamanho da espada de Jon Snow não eram uns aos quais Nymeron estava acostumado e suas mãos estavam dormentes, então puxou a espada desajeitadamente. O garoto estava entre os dois, o irmão juramentado andou para a esquerda e, para sua surpresa, como seria em um duelo, o Outro o acompanhou. Atrás dos combatentes, os mortos não se moveram ou fizeram qualquer barulho. O que se podia ouvir era o sibilo do vento. A neve caía suave, mas incessante, ondulando ao redor do vivo e do monstro.

─ Sou o escudo que defende os reinos dos homens. Dou a minha vida e a minha honra à Patrulha da Noite, por esta noite e por todas. ─ O patrulheiro se posicionou. ─ Eu sou a espada na escuridão.

O Outro, graças aos deuses, deixou de sorrir. Ele atacou, aço e gelo se chocaram. Antes que pudesse afasta-lo, o Outro se recolheu e veio pela sua garganta. O patrulheiro deteve esse golpe também, mas a custo do próprio equilíbrio. Recuou alguns passos atrapalhados com o seu oponente o perseguindo. O Outro saltou e antes que seus pés tocassem o chão, baixou a lâmina em sua direção. Nymeron, que mal estava de pé, ainda conseguiu levar sua espada de encontro ao ataque. A criatura pousou de um lado e o patrulheiro caiu do outro.

Ainda se levantando, teve que desviar de um novo golpe. A lâmina de gelo tirou sangue de sua coxa esquerda e, em seguida, fez um corte superficial na região das costelas. O Outro girou em torno de si próprio e acertou seu rosto com o punho da espada de gelo. Nymeron caiu de joelhos, mais consciente do sangue que amargava sua língua do que do golpe que caía sobre si. Foi por instinto que levantou Garralonga, evitando que a espada daquela coisa encontrasse o topo de sua cabeça. O Outro se afastou com passos graciosos, Nymeron se obrigou a ficar de pé.

Sentia-se cansado, sua respiração pesada se congelava diante dos seus olhos e o frio parecia encontrar caminho pelas suas feridas para correr em sua carne, em seus ossos. O máximo que fez contra o novo golpe foi manter sua espada entre os dois. Os mortos vigiavam, não via sinal do garoto. Ele fugiu…

Caiu sobre um joelho, mantendo a espada do Senhor Comandante levantada o suficiente para que não tocasse o chão. Salvei o garoto. Acima de si, brilhavam olhos azuis, o pouco de luz oferecida pela noite resplandeceu na lâmina frígida do Outro. O rosto da criatura embranqueceu por completo e ela deu dois passos para trás, com sua espada de gelo mais para trás do que para cima. Num salto desajeitado e desesperado, Nymeron se levantou com a espada em riste, até passar um terço da lâmina pelo pescoço da criatura.

O Outro abriu a boca para gritar, mas sua garganta se fora. No lugar disso, Nymeron escutou algo quebrar e se espantou ao ver a pele da criatura rachar e se liquefazer numa substância leitosa. Sua espada ficou gelada o suficiente para que pudesse sentir por através das luvas e uma gosma azul escorria pela lâmina. Pele, carne e ossos, tudo branco como gelo e agora como leite. Nymeron achou o garoto atrás de si, na mesma posição em que havia atirado a bola de neve. Colocou-o sobre o ombro e correu. Permitiu-se olhar para trás e avistou a mesma fileira de olhos azuis. Os mortos não se moveram, exceto por um deles, que só então acresceu a fila. Tinha saído da cabana.

Evitou a estrada e tomou o caminho da mata. Correu até avistar o céu mais cinza do que negro. Deixou-se cair sobre uma árvore e o menino escorregou por entre as suas pernas. Olharam-se. O menino tinha lágrimas congeladas abaixo dos olhos, não disse palavra alguma. Aconselhou que ele dormisse e em pouco tempo o garoto de fato adormeceu. Cobriu o corpo dele com seu manto negro. Nymeron recostou o corpo sobre o tronco da árvore e então se permitiu chorar. Assim como as do garoto, suas lágrimas tornaram-se cristais sob as bochechas. Pensou em Dorne, lembrou do sol e do calor, algo tão longínquo que pareceu irreal. Com todo o frio que sentia, a própria ideia de calor pareceu mentira. Olhou para o menino adormecido sobre o seu peito.

─ O escudo dos reinos dos homens…

Foi pensando nos rios de sua infância que Nymeron adormeceu. Entretanto, de todas as lendas obscuras que aprendera e que agora tentavam mata-lo, sonhou com outras histórias que se contavam em Dorne. Enquanto dormia, Nymeron sonhou com dragões.

32 comentários em “Espada na Escuridão (Pedro Paulo)

  1. pedropaulosd
    20 de setembro de 2020

    Pessoal, só um adendo sobre um detalhe que ficou me incomodando durante todo o desafio. Quase desisti ao perceber.

    As palavras da epígrafe pertencem à mente criativa de George R. R. Martin, e nos livros aparecem pelo menos algumas vezes. Se não me engano, a primeira aparição é no quarto capítulo do “Bran” do livro 1, “A Guerra dos Tronos”, que foi de onde eu as tirei.

    Originalmente eu ia incluir uma nota chamando atenção para isso, mas entre as várias versões do conto, acabei esquecendo. Que fique registrado!

  2. pedropaulosd
    20 de setembro de 2020

    Obrigado, Bianca!

    Uma preocupação ao escrever o conto foi justamente conseguir situar quem está lendo dentro do contexto caótico por onde anda Nymeron, mas sem necessariamente me deter em explicações amplas e maçantes. Pelo visto, a taxa de sucesso foi mediana, pois alguns me elogiaram pelo cuidado e outros apontaram justamente essa contextualização como um obstáculo na leitura.

    Fico feliz que tenha feito parte do primeiro grupo. Aliás, citou o meu conto na publicação de citações e me elogiou também pela sensibilidade.

    Então muito obrigado!

  3. Marcelo Milani
    12 de setembro de 2020

    Conto: Espada na Escuridão
    O conto falda de Nymeron, um membro da patrulha da noite que ao fugir par ao Sul se encontrou com duas crianças no caminho.

    O texto se inicia cheio de tenção. A destruição da muralha e o avanço dos vagantes brancos é de deixar de cabelo em pé. As emoções do personagem são profundas e carregar a lendária espada de Jon Snow é fantástico. Não existe erros gramaticais e a forma como o personagem fala do frio, vindo de terras quentes, deixa mais intrigante a história. O ápice da batalha é entre um dos vagantes brancos chefes, mas o que marca no conto mesmo, são as sensações do personagem. Sua jornada segue com seus sonhos e com certeza existe mais batalha pela frente…

    • pedropaulosd
      20 de setembro de 2020

      Oi, Marcelo!

      Fico feliz que tenha apreciado os detalhes, como a espada de Jon Snow e os pensamentos de um patrulheiro vencido e cansado. Pelo que me lembro, você compartilhou meu conto no grupo do Facebook, linkando uma música atmosférica baseada em GoT como recomendação. Depois a publicação foi deletada, se não por você mesmo, pela administração. Nos comentários, não entenderam o propósito do post e até pensaram que se tratava de uma revelação da própria autoria. De fato, não é comum falar tão diretamente de um conto específico no grupo do Facebook, quanto mais compartilha-lo lá, acho que para evitar que torcidas se formem em torno de contos. Mesmo assim, confesso que fiquei alegre, pois uma das minhas preocupações enquanto escrevia o conto foi a de capturar o tom das Crônicas de Gelo e Fogo, bem como a sua atmosfera. Ao te ver recomendando uma música para acompanhar o conto, concluí que pelo menos aos seus olhos consegui atingir esse objetivo. Não pude comentar nada na hora, é claro, pois correria o risco de revelar a minha autoria. Então registro aqui um agradecimento.

  4. Karen Salazar Cardoso
    12 de setembro de 2020

    Ao notar o desequilíbrio do planeta Jor-el e sua esposa planejam o envio do filho a um planeta distante onde ele possa ter alguma chance de sobreviver, porém após a repercussão de um programa para revelar os fatos científicos sobre a situação do problema o envio da criança é adiado e somente ocorre quando já adulto. Os fatos são revelados e Kal-el e ele se prepara para sua jornada levando consigo uma memória de seus pais para que nunca se esqueça de quem ele realmente é.

    A retrospectiva foi um pouco exagerada aqui. ficou muito confuso a passagem de tempo entre o que era passado e o que era presente. assim como os acontecimentos do passados também estarem um pouco embolados. a ideia é boa, é interessante saber o que houve no passado e toda a história de um herói, mas pecou em organizar os fatos.

    • pedropaulosd
      20 de setembro de 2020

      Concordo contigo quanto ao excesso de retrospectiva no conto mencionado. Comentei o mesmo lá, mas a senhora trocou os comentários! Depois irei lá ver se tem alguma impressão deixada para o meu conto.

  5. Leo Jardim
    11 de setembro de 2020

    🗒 Resumo: após a queda da Muralha de Westeros e da Batalha de Winterfell, um membro da Patrulha da Noite tenta sobreviver ao ataque dos Outros. Consegue vencer uma dela com ajuda da espada de Jon Snow, mas não sabemos por quanto tempo.

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): sou fã das Crônicas de Gelo e Fogo (li todos os livros e mais os extras) e curti a história que foi contada nesse conto. Acredito, porém, que este é mais um pedaço de uma história maior que um conto que se sustenta por si só. Considero um bom primeiro capítulo de um conto, novela ou mesmo um romance. Só que, para ser considerada uma história fechada, faltou um arco maior dos personagens.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): é uma boa técnica. Um texto fácil de ler e cuja narração nos descreve bem as cenas e situações, quase como num filme. Encontrei apenas uns pequenos problemas:

    ▪ jazia a chorar (jazer significa ação de estar completamente imóvel, deitado; se estiver chorando, a criança não estaria jazendo, ou seja, é uma expressão inconsistente)

    ▪ Antes que pudesse *afasta-lo* (afastá-lo)

    ▪ que agora tentavam *mata-lo* (matá-lo)

    🎯 Tema (⭐⭐): fanfic de Game of Thrones.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): o texto possui todos os elementos do mundo de George R. R. Martin e respeita bastante o universo. Isso não é um defeito, mas também não possui nada de novo que expanda o universo. Isso vale duas de três estrelas no quesito “criatividade”.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫): como eu disse, gostei do texto. Senti o clima frio de Westeros novamente e curti ver mais histórias nesse universo (que não fossem aquelas mal contadas na última temporada da série). Como o velhinho não tá afim de terminar, seu conto foi um alento. Para ficar muito bom mesmo, faltou apenas um arco maior da trama ou dos personagens, como disse acima.

    • pedropaulosd
      20 de setembro de 2020

      Opa, então dessa vez é uma resposta de fã para fã, Leo. Ótimo! Estou um pouco abaixo de você nas leituras, pois li apenas os cinco da saga principal e os contos do Cavaleiro dos Sete Reinos. Nunca economizei para poder ler O Mundo de Gelo e Fogo e o mais recente “Fogo & Sangue” (se bem que esse último está em uma aba aberta da Amazon neste preciso momento, me seduzindo).

      Eu já estou quase resignado quanto a receber comentários apontando que o conto tem a característica de um capítulo. Tentei evitar isso ao construir um arco de “reposicionamento” de Nymeron. Isto é, ele ainda veste o preto ou é só mais um homem tentando sobreviver? No final das contas, apenas os olhos esperançosos de uma criança o convenceram a continuar a atuar como o escudo dos reinos dos homens. No geral, acho que os comentaristas aceitaram esse arco, mas entendo que não tenha passado pelo seu crivo. Aliás, enquanto relia para este conto, li os prólogos dos livros 1, 3 e 5 (esse último prólogo sendo um dos meus preferidos da saga), então talvez essa natureza de capítulo inicial tenha infiltrado no conto.

      De todo modo, ler que o conto te levou de volta ao frio westerosi me enche os olhos. Obrigado pelo comentário!

      • Leo Jardim
        20 de setembro de 2020

        Valeu, Pedro. Espero que tenha ficado claro que curti bastante o conto e dei nota 4 pra ele (só dei uma nota 5, pro conto do Rafael). O resto é a chatice do crítico que às vezes toma conta de mim (no EC 100% do tempo).

  6. Fernando Amâncio (@fernandoamancio)
    10 de setembro de 2020

    O guerreiro Nymeron, da Patrulha da Noite, após a queda da Muralha, peregrina para o Sul. No caminho, encontra dois irmãos, acuados no forte inverno. Ele se junta aos dois, mas é atacado pelos Outros, cadáveres de olhos azuis. Empunhando a espada Garra Longa, ele consegue salvar a si e ao garoto mais jovem. A irmã mais velha é atacada por um dos mortos vivos.

    Jorge Ribeiro, nunca li os livros ou assisti a série Guerra dos Tronos. Isso, evidentemente, não influenciará minha avaliação. Mesmo sem conhecer a história, consigo ver sua história como uma FanFic de qualidade, quase um filler da história original. Sua narrativa é muito adequada ao gênero épico. Gosto das descrições e do ritmo.

    Achei um pouco longa a parte em que Nymeron narra os eventos da Queda da Muralha. Sei que são informações importantes, mas acredito que há uma quebra de ritmo. Em audiovisual, uma digressão dessas não prejudica. Com o texto escrito, porém, há de se tomar muito cuidado para a lembrança não desorientar o leitor.

    O uso de vírgulas em alguns trechos me pareceu equivocado. Mas acredito que isso seja mais uma questão de estilo. De um modo geral, achei seu texto bem competente, você entendeu bem a ideia das FanFics. Parabéns e boa sorte no desafio!

    • pedropaulosd
      20 de setembro de 2020

      Fernando, antes do conto em si, agradeço muitíssimo por ter se eximido o conto a partir de sua obra homenageada, fazendo sua crítica a partir do próprio conto. Procedi da mesma maneira nas poucas ocasiões que não distingui a origem do conto e acho que é a mais justa.

      Dito isso, agora posso agradecer pelo comentário sobre o conto. De fato, eu tive muita dificuldade para condensar a recapitulação do que havia ocorrido. Até experimentei reescrever o conto partindo da queda da Muralha ao invés de voltar a ela por através de uma narração do personagem, mas depois preferi a versão com a narração. Preferi correr o risco de um início de ritmo lento mesmo.

      Obrigado!

  7. Fernando Dias Cyrino
    10 de setembro de 2020

    Caramba, um conto épico que, conforme busquei as referências no oráculo Google, baseado no seriado e/ou no livro Game of Thrones. Um conto fantástico com mortos vivos, monstros gigantes, num ambiente de ultra violência. Um guerreiro, após ser derrotado com seus companheiros na defesa da Muralha, sai acompanhado e no final fica sozinho, quando encontra uma garota e seu irmão menor numa cabana em ruinas e perigosamente coberta de neve. Ao estar com eles são atacados por um exército, pelo que entendi, de zumbis recém falecidos nas batalhas anteriores. A menina é morta e ele tenta fugir com o garoto, que não quer partir, mas permanecer com a mana morta, ou algo assim. Não captei bem essa parte, apesar de ter voltado a ela várias vezes. Ao final da escapada dormem e ele sonha tempos bons (?) com dragões. Jorge, senti muita dificuldade de entendimento com a sua história. Sim, trata-se de uma praia (gelada) que jamais havia frequentado. Bem, com isto quero lhe dizer que a dificuldade do entendimento é muito mais minha do que da sua narrativa. Você escreve de maneira competente, tem facilidade com as palavras e praticamente não notei nada que necessitasse de correção na esfera gramatical. Já quanto ao enredo, pelo menos para mim, eu achei que precisava ter investido em mais umas quinhentas palavras. Meu abraço.

    • pedropaulosd
      20 de setembro de 2020

      Olá, Cyrino!

      Vou te contar, eu reescrevi esse conto algumas vezes, uma das quais tentei juntar duas versões que o deixaram meio retalhado e, pior, com 4.200 e caracteres. Num esforço que fiz principalmente por meio de um massacre de locuções verbais e preposições, consegui deixa-lo no limite, mas aquele aspecto de Frankstein me convenceu a continuar com a primeira versão mesmo.

      Quanto ao desentendimento, é um pouco frustrante, pois eu me esforcei para escrever um conto que apenas a sua leitura bastasse para o seu pleno entendimento, apesar de citar várias coisas dos livros originários. De todo modo agradeço e me desculpo pela confusão.

  8. Ana Maria Monteiro
    9 de setembro de 2020

    O conto narra a história da fuga de Nymeron após a queda da Muralha, derrubada pelos Outros, criaturas que depois de mortas continuam vivas e têm brilhantes olhos azuis e cujo objetivo é matar sobreviventes. Na sua fuga, Nymeron entra numa cabana onde encontra dois irmãos a quem conta toda a história e foge com o menino pretendendo salvar a sua vida após a morte da irmã.

    Olá Jorge, o seu conto é inspirado em “Game of Thrones”, sei disso porque pesquisei na internet por Roinares, doutra forma nunca chegaria lá, pois nunca vi um episódio que fosse dessa série. O conto, também por não conhecer nada da história, está um pouco confuso. Por exemplo não percebi como é que um dos Outros entrou na cabana e matou a irmã do menino. Além disso precisa de uma pequena revisão para evitar casos como “desiquilibrou”, por exemplo. Nada demais. O que me atrapalhou mais foi a quantidade de nomes de personagens que desconheço e a morte da irmã. Imagino que a espada tenha um significado, mas desconheço. O conto quase se aguenta sozinho, mas falta um pouco mais. Obrigada por participar e boa sorte no desafio.

    • pedropaulosd
      20 de setembro de 2020

      Oi, Ana!

      “Desiquilibrou” é dose, obrigado por ter chamado a atenção para o erro.

      Quanto às confusões, o que descrevi ter entrado na cabana foi uma aranha de gelo, que segundo as lendas westerosi, serviam de montarias para os Outros. Ela entrou na cabana enquanto Nymeron investigava uma forma de tirar a neve acumulada no telhado. Quanto à espada, em si ela não tem um grande significado, mas ela cumpre alguns objetivos do conto. Acaba sendo uma relíquia da obra original, pois pertence a um de seus personagens mais cativantes e, por outro lado, e essa informação eu confesso não saber se é realmente confirmada nos livros ou se foi a série que a transformou em verdade, a espada Garralonga é um trabalho em aço valiriano, único metal capaz de matar os Outros, coisa que Nymeron não saberia e que, portanto, deixei sem explicar. Quem é fã vai sacar, mas quem não é, verá o mesmo que Nymeron: a espada matou a criatura. Achei que isso basta.

      Obrigado pelo comentário!

  9. Gustavo Araujo
    6 de setembro de 2020

    Resumo: Nymeron, o guardião derrotado da Muralha chega a uma cabana onde dois irmãos se escondem. Relembrando tudo o que se passara até ali, ele se prepara para o confronto com os Outros, que como uma maré, vêm varrendo tudo e todos da existência.

    Impressões: Um conto muito bom mesmo para aqueles, como eu, pouco familiarizados com o universo de Game of Thrones. O texto tem duas metades bem definidas, com a preparação e a contextualização ganhando força na primeira, e com a ação se desenrolando na segunda. As memórias do guerreiro ferido, os pecados por ele confessados, bem como suas frustrações, constroem bem a atmosfera gélida que permeia aquele mundo. Dá para perceber o esmero do autor em aludir às referências sem parecer didático demais, como se Jon Snow e tudo mais fossem apenas detalhes de uma história que, na verdade, pertence a Nymeron e a ninguém mais. Gostei dessa construção, embora admita que esteve a um passo da demasia. Por sorte, o suspense que vem num crescendo, aliado à ação que se desenrola em seguida, deram fôlego à história, conferindo a dramaticidade necessária para prender o leitor, cujo ápice se denota na morte da garota.

    Enfim, é um bom conto, bem escrito, bem montado, e que certamente funcionará legal para os fãs de GoT. Parabéns ao autor e boa sorte no desafio.

    Nota: 4,0

    • pedropaulosd
      20 de setembro de 2020

      A um passo da demasia, não é? Os comentários comprovam sua impressão, pois realmente tive quem reclamou da contextualização e quem conseguiu assimilar o conto mesmo sem ser familiarizado com a saga.

      Agradeço muitíssimo por ter reconhecido o cuidado com o qual construí o conto, pois entre reler e reescrever, fui medindo o que valia a pena citar, explicar e não explicar. Também há trechos que, embora não sejam tanto parte da estória de Nymeron, tentam estabelecer uma conexão mais forte com as obras de Martin e o futuro ainda aberto dos livros, rastro a ser seguido por quem já leu, mas que também tenta não desvirtuar a jornada de Nymeron. É o que me alegra mais, que eu tenha conseguido dar um drama singular desse personagem.

      Obrigado pelo comentário!

  10. Marco Aurélio Saraiva
    5 de setembro de 2020

    Nymeron foi um sobrevivente da Patrulha da Noite que passou a vagar como um desertor (de uma patrulha destruída). Encontrou duas crianças que tentavam sobreviver e tentou ajudá-las mas, cercados pelos Outros, fugiram. A irmã morreu. Após uma batalha épica contra um Caminhante Branco, eles e o menino conseguem sobreviver.

    O conto tem estrutura bem montada. O início é para situar o leitor no ponto da história das Crônicas de Gelo e Fogo, e também para construir o personagem de Nymeron. Da metade para o final, a história em si acontece, mostrando os pesadelos que passaram a acontecer no Norte após a derrocada da muralha e como Nymeron luta para sobreviver. Ele tem até mesmo um arco: se antes fugiria pela própria vida, desta vez abraçou seu juramento e lutou pela criança que mal conhecia. Por estes e outros motivos, gostei bastante da história.

    A escrita é muitíssimo boa. A única coisa que me confundiu foi a narrativa de Nymeron, que às vezes era diálogo, às vezes eram memórias. Ele se lembrava de coisas e depois suas falam iam a partir dali, como se ele estivesse narrando a própria memória para as crianças… mas depois ele lembra de coisas que não contou, e sua fala segue a partir dali de qualquer jeito, o que me confundiu bastante. De qualquer forma, isso é eclipsado pelo uso maravilhoso das palavras, com frases de efeito, descrições incríveis e com toda a tensão que você conseguiu criar. Fazia tempos que não lia uma cena de batalha assim – fiquei lendo na ponta da cadeira!

    • Marco Aurélio Saraiva
      5 de setembro de 2020

      Ah, e excelente Pseudônimo!!! rs rs rs

    • pedropaulosd
      20 de setembro de 2020

      Termino de ler seu comentário com um suspiro satisfeito. Fico feliz que tenha distinguido o arco de Nymeron. Se fosse extrair do próprio conto, quando ele se confronta com o perigo dá dois passos para trás, mas então olha pro garoto e dá um passo à frente. É sobre esses passos, os que recuam e os que avançam, que o conto trata.

      Agora Marcos, tenho ouvido o Esculachos Cacofônicos e se não me engano, para o descontentamento do Solberg você é o fã e escritor de fantasia, não é? Se for este o caso, me alegra ainda mais o seu comentário, sobretudo sua impressão quanto à minha narração do embate entre homem e criatura. Eu sei bem pouco sobre combates no geral, já vi um vídeo de um espadachim avaliando cenas de luta de espadas e o que ficou na minha cabeça é que “a espada tem que ficar na frente do corpo, entre você e o inimigo”. Mas a minha fonte de inspiração mesmo foi, por incrível que pareça, a coreografia entre Heitor e Aquiles no filme “Tróia”, com Brad Pitt. O Outro saltando para um golpe foi praticamente uma mimese das investidas que Aquiles dava com pulos. Não acho que seja apropriado para um embate com espadas, do que talvez você saiba falar melhor, mas para uma criatura mística de gelo e terror que estava dominando seu oponente, achei bem legal.

      Enfim, obrigado! (inclusive pelo pseudônimo!)

  11. jowilton
    1 de setembro de 2020

    O conto narra a trajetória de Nymeron, um irmão da Patrulha da Noite, protetor da Muralha, que está tentando retornar a sua casa no Sul. Durante a caminhada ele luta com uma criatura chamada de Outro.

    Achei o conto bem bom. A ambientação e a narrativa são os pontos fortes. No início, na parte mais explicativa, apesar da boa narração, acabei me desconectando várias vezes da história, possivelmente por conta das descrições de lugares e personagens que eu não conhecia direito. Só assisti a primeira temporada de GOT e só li o primeiro livro também. Quando os Outros apareceram na história e a ação começou de fato, consegui me religar a trama. Boa sorte no desafio.

    • pedropaulosd
      20 de setembro de 2020

      Sim, Jowilton, como escrevi em um outro comentário, experimentei reescrever sem toda a recapitulação, partindo da queda da Muralha, mas o conto ficou enorme e eu não quis deixar de fora o encontro do patrulheiro com os dois irmãos. Aí preferi correr o risco de um ritmo mais lento no início, voltado à contextualização, para depois deixar a ação se desenrolar na segunda parte do conto. Que bom que ao menos a parte mais agitada puxou sua atenção. Obrigado pelo comentário!

  12. antoniosbatista
    31 de agosto de 2020

    Resumo de Espada na Escuridão – é a história de Nymeron, sobrevivente da destruição da Muralha e da Patrulha da Noite. Com a morte do comandante, ele foge e na fuga encontra duas crianças que ele tenta proteger dos monstros.

    Comentário – O autor nos apresenta Nymeron, soldado da Patrulha da Noite perseguido pelas criaturas de gelo. São citados vários personagens que compõe a saga de R.R. Martin, adaptada para a televisão como, Game off Thrones.
    Achei que a ideia da morte de John Snow e a destruição da Muralha de gelo ficou legal, porém a descrições das ações ficaram meio confusas no tempo e espaço, principalmente as lutas de Nymeron e até ficou estranho a criatura sendo um ser horrível, fazer um movimento “gracioso”. Esse gracioso não combinou com a cena violenta e tensa. Acho que tudo foi descrito com muita pressa e algumas partes ficaram embaralhadas. De qualquer maneira, parabéns pelo esforço de tentar escrever a serie toda em poucas palavras. Boa sorte.

    • pedropaulosd
      20 de setembro de 2020

      Então, Antônio, aí que está: o próprio Martin as descreveu como graciosas!

      Na saga são poucas as vezes em que Os Outros são descritos em detalhes, uma das vezes sendo logo nas primeiras páginas do livro 1, quando são descritos como criaturas frígidas e pálidas cuja língua que falam soa como gelo quebrando. Apesar disso, nessa mesma cena são mostradas rindo e, quando o combate se inicia, seus movimentos são descritos como graciosos, quase como se dançassem entre os golpes. Importei esse traço contrastante para cá, pois é bastante curioso.

      E concordo com o que apontou da pressa. Em certo momento da revisão precisei deixar os trechos mais concisos, então acabou acelerando o ritmo quase em contraste ao que veio antes, principalmente mais para o final.

      Agradeço pelo comentário!

  13. Maria Edneuda Oliveira Pinto: Claraliz Almadova
    27 de agosto de 2020

    Conto sulreal e fantástico que aborda que fala de uma batalha enter dois personagens guerreiros de outros mundos. Nymeron é o patrulheiro que protege a noite dos homens dos perigos que a circundam a noite dos homens, pois essa é a missão dos patrulheiros negros de argola no lóbulo. Entre cadáveres e outros restos mortais, o patrulheiro encontra dois irmãos acuados dentro de uma cabana, em que um deles ameaça matar o guerreiro herói com um punhal, mas logo o mais novo percebe que se trata de um protetor o qual tenta salvá -los, mas apenas um escapa da morte . Um que se destina ao público infanto juvenil em especial,, mas não perde a sua magia de encantamento também para os adultos amantes desse tipo de ficção. O patrulheiro acorda , lembrando -se ainda dos rios e das lendas do tempo de sua infância e sonha mais ainda com dragões e dias ensolarados impossíveis, pois ali, só gelo e mais gelo. Um conto bem discorrido em seu enredo de narração, porém em uma narrativa muito lenta que se demora ao clímax e ao desfecho. Nota 40,

    • pedropaulosd
      20 de setembro de 2020

      Agradeço pela leitura e pelo comentário, Maria!

      Deixarei contigo a mesma explicação que dei às outras críticas parecidas sobre o ritmo do conto. De fato, eu preferi manter o conto com uma primeira parte definida pelo patrulheiro explicando aos irmãos de onde veio e o que está acontecendo e a segunda situada na escolha dele sobre seguir os seus votos ou se concentrar em simplesmente sobreviver.

      Eu até tentei escrever uma versão que iniciasse da queda da Muralha, mas depois preferi a versão inicial, com o personagem narrando sua jornada mesmo.

  14. Anderson Do Prado Silva
    26 de agosto de 2020

    Resumo:

    O ex-guarda de uma muralha se depara com uma cabana onde dois irmãos vivem. Depois, uma horda de invasores chega ao local, e o ex-guarda tem a oportunidade de salvar um dos irmãos.

    Avaliação:

    (Autor, não leia o presente comentário como crítica literária, pois se trata apenas de uma justificativa para a nota que irei atribuir ao texto.)

    O autor possui bom domínio da língua e das técnicas de narração. É um escritor “pronto”.

    Não identifiquei erros graves de revisão.

    O autor é tão competente que poderia ter empregado suas qualidades para transitar fora do universo da cultura de entretenimento. Poderia ter enveredado pela alta cultura e, talvez, faturado uma nota máxima.

    Pra mim, tem sido surpreendente encontrar escritores tão competentes se dedicando à ficção científica, fantasia, quadrinhos e outros gêneros que não consumo.

    A profusão de referências a locais e personagens fantasiosos tornou o texto um pouco difícil para mim. A primeira metade do texto é um pouco cansativa, por causa do extenso relato do ex-guarda da muralha. Esse ambiente de muitas guerras e lutas é para quem gosta desse tipo de ficção. Como eu não gostei do enredo nem do gênero, a nota irá refletir a competência do autor como escritor, tão somente.

    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio!

    • pedropaulosd
      20 de setembro de 2020

      Olá, Anderson, meu amigo!

      Lá no grupo brincou de estar com medo do meu comentário, mas pode sossegar que eu não seria capaz de assustar ninguém. Não posso discutir quanto aos seus gostos pessoais, mas acho que posso puxar a tal “alta cultura” para uma discussão, bem como a sua surpresa com as aparições de ficção científica, fantasia e quadrinhos.

      A começar por “alta cultura”, partirei de uma interrogação. O que é? Coincide de ser o tema do último episódio dos Esculachos Cacofônicos e aproveitando a coincidência, um dos podcasters do grupo mencionou que a qualidade de uma obra está em “faz dormir ou faz querer ler”. Enquanto isso vale para uma impressão subjetiva, já não vale tanto para classificar o que é e o que deixa de ser clássico e nisso eu estaria restringindo a “alta literatura”, e não ao mais amplo “alta cultura”. Acho que conceber um clássico remete a uma História da Literatura, uma em que ainda me encontro perdido, paulatinamente tentando me situar. Acho (e achar é tudo que me atrevo a fazer nessa discussão) que uma obra se eleva a clássico quando consegue se destacar na estética, na narrativa e/ou mesmo em sua proeminência em determinado contexto sociopolítico. Este é um tipo valor que é indiscutível. Mas aí venho para este desafio.

      Tenho partido do ponto de vista de que seria injusto ao entrecontista que eu o cobrasse pelo meu reconhecimento da obra homenageada. Pode ser que eu não tenha nenhum contato com a obra original, ou que eu até reconheça, mas não consiga dialogar totalmente com os elementos da obra homenageada que estão presentes no conto… De todo modo, se eu não consigo captar a homenagem, não acho que o entrecontista tem a obrigação de me informar qual é. Isto é, ele tem mesmo é que escrever um bom conto e é aí que reside a maior parte da avaliação para mim. É o único desafio em que a adequação ao tema não concentra uma grande parcela da nota que eu atribuo. E, dito isso, se eu não cobro de saber da obra homenageada, como poderia cobrar qual obra ele homenageia?

      Em “Paredão” vi uma linda homenagem a Guimarães Rosa, na forma de uma ideia parecida com o que eu mesmo tinha pensado em fazer. Mas do que adiantaria se eu escrevesse sem atingir a originalidade de linguagem presente em Grande Sertão? É claro que o conto dele me impactou por conhecer a homenagem, mas, principalmente, foi um bom conto. E boas estórias são possíveis em completamente todas as dimensões. Acredito que há alguns temas universais que podem ser resgatados em todas as estórias, e, paradoxalmente, podem aparecer de formas bastante peculiares e singulares também. Uma vez uma amiga minha chamou atenção para um diálogo do filme “Ó paí, ó”, em que dois protagonistas conversam no mais original baianês, mas as palavras do diálogo são as mesmas usadas por Shakespeare em Hamlet, se não me engano.

      E disso posso puxar para outra conversa. Se ficção científica, fantasia e quadrinhos chamaram a atenção de escritores competentes, por que a surpresa? É um formato e são dois gêneros em que muitos trabalhos excelentes já foram produzidos como, por exemplo, “Watchmen”, um dos melhores quadrinhos que existem e que já foi adaptado em filme e recebeu uma sequência em série, ambos fantásticos, em estilo, narrativa e temas. Cada gênero e mídia traz uma gama de elementos comuns que uma abordagem competente trabalhará a uma excelência tanta quanto a dos clássicos. E daí acho que “alta cultura” abrange todas essas formas de arte, não só a literatura, que é sobre o que mais falamos aqui no nosso grupo.

      Enfim, sobre o meu conto. Embora muitos tenham apontado que é uma fanfic de “Game of Thrones”, eu fiz questão de escrever uma estória que partisse de onde os livros pararam (e, portanto, de onde a série mais passou a divergir da obra original). Chamo atenção para isso porque “As Crônicas de Gelo e Fogo” é uma obra (ainda incompleta) que ganhou uma popularidade global e que é mesmo uma leitura cativante. Da mesma forma que há clássicos de toda a literatura, há os clássicos da fantasia. Eu não me considero um ávido leitor do gênero fantástico, então de modo algum saberia dizer qual é o lugar que as Crônicas ocupam no cânone da fantasia. Por outro lado, também não diria, de modo algum, que essa obra pode ser levada somente à parte da literatura como um todo. É literatura.

      É isso, meu caro. Muito pano pra manga, como dizem. Agradeço muitíssimo pelo seu comentário e aproveito para registrar mais uma vez meus parabéns pela vitória!

  15. Giselle F. Bohn
    25 de agosto de 2020

    Homem chega a cabana onde há duas crianças e conta sobre suas batalhas. Em seguida eles são atacados e trava-se uma luta.
    Conto inspirado pelo universo de Game of Thrones. Para quem não conhece nada a respeito da história original, como eu, ficou confuso e desinteressante, por mencionar vários personagens e locais sobre os quais não tenho a menor ideia. Mas tecnicamente o texto é muito bem escrito, apesar de algumas poucas falhas de acentuação e ortografia, e o autor mostra grande habilidade em descrever as cenas. Um bom texto, certamente muito melhor apreciado por fãs do gênero e da história em que se baseia. Parabéns!

    • pedropaulosd
      20 de setembro de 2020

      Oi, Gisele!

      Não é a primeira ocasião em que chamam atenção para a profusão de nomes e lugares no conto. Apesar disso, como você atribuiu a avaliação do conto como “confuso e desinteressante” ao não reconhecimento do que foi citado no conto, devo discordar disso.

      Acho que se você não soubesse que se trata de um conto homenageando Game of Thrones, o sentido do conto em si, isto é, da jornada de Nymeron, não ficaria prejudicado pelo que é citado ao longo do conto. Afinal, tudo aparece às margens, apenas como detalhes que compõem o plano de fundo por onde o personagem caminha. Se falo de Stannis, falo dele como um rei autoproclamado que foi o único a ajudar os patrulheiros contra os selvagens. Citando Winterfell, coloquei um patrulheiro mencionando que seus senhores deveriam proteger o Norte… então eu acho que todo nome é acompanhado de uma explicação (essas explicações, e isso já é outro aspecto a ser observado, tentei fazer sem didatismo excessivo e sem lotar o conto. Tentei ser sutil e deixei as informações mais dispersas). E são explicações que compõem a rota pela qual Nymeron passa, então não é como se fossem irrelevantes, importam para o conto.

      Então eu acho que é um pouco injusto ler o conto somente a partir do desconhecimento da obra original. Mesmo sendo uma fanfic, o conto deveria ser avaliado primeiro como uma estória em si mesma, pois seria uma grande fraqueza se o conto pedisse uma pesquisa no Google ou, pior, a leitura da obra original. Se eu consegui fazer isso ou não é o que senti falta de ter sido levado em conta neste comentário. Achei que foi sumário.

      Agradeço pelo comentário!

  16. Bianca Cidreira Cammarota
    25 de agosto de 2020

    O conto é um recorte depois da queda da Muralha em Game of Thrones. Nymeron, que já fez parte da Patrulha da Noite, está a vagar, quando encontra dois irmãos perdidos, para os quais acaba relatando parte da história da queda da muralha. Após, eles são atacados por monstros, que acredito serem os Outros e a menina morre. O menino e Nymeron conseguem fugir e sobreviver.

    Não conheço muito Game of Thrones, mas o suficiente para reconhecer o mesmo tom da série: muita ação dramática, mítica e sombriamente bela. Justamente por não ser uma fã incondicional e não conhecer a fundo essa série, foi-me possível vislumbrar a história através desse conto, ou seja, a fanfic me inseriu no universo no qual não conheço. Isso é muito bom! Óbvio, que, quem é fá de carteirinha do Game of Thrones deve ter usufruído bem mais do conto, pois há detalhes que os fãs curtem muito. Isso faz, também, uma boa fanfic: apresentar o contorno do universo ficcional para quem não conhece bem e dar subsídios para os fãs curtirem.

    Bem escrito o conto. Parabéns ao autor! Só – é uma questão de estilo, veja bem – o primeiro parágrafo poderia ser dividido, para que, tanto visualmente e quanto na história, pudessem realçar mais algumas informações.

    Parabéns ao autor!! Deu para sentir o quanto você está submerso na obra original e pôde extrair dela este belo recorte!

    Nota 4.

    • pedropaulosd
      20 de setembro de 2020

      Eita, acabei comentando errado e o seu comentário está lá em cima! Perdão.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado às 24 de agosto de 2020 por em FanFic, FanFic - Grupo 2 e marcado .