EntreContos

Detox Literário.

A Freira e o Perueiro da Periferia (Paulo Luis Ferreira)

Do noticiário 

Filha de lavradores, nascida na pequena São Gabriel da Palha. A freira Luzia Benedita Fortes, 38, veio para São Paulo em 1985 para se dedicar à carreira religiosa. Conheceu Zé da Perua no começo do ano 2000. Ele, motorista de uma perua Kombi, fazia lotação na comunidade de Heliópolis. Ela passageira. Hoje, missionária na favela, também, de Heliópolis (zona sul de São Paulo). Estava desaparecida desde 21 de maio.

Mas anteontem, teve desfecho surpreendente: grávida de sete meses do conhecido perueiro da comunidade Heliópolis. Deu à luz em um hospital e abandonou o filho em uma igreja no centro da cidade. Tida como sequestrada, embora tenha sido ela, Irmã Benedita, quem simulou o próprio sequestro. 

A freira foi encontrada na estação Itaquera do metrô, zona leste de SP, por volta das 19h por dois investigadores do 95º DP, Cohab Heliópolis. Estava quase em pânico, segundo os policiais.

Eles chegaram até ela após terem sido informados por outras religiosas de que a irmã Benedita havia telefonado para a casa das religiosas, onde morava, às 18h30, dizendo que seria libertada pelos sequestradores nas proximidades da estação.

 

Mas a história é outra 

Sair com Luzia era o sonho de consumo de Zé da Perua. Ele insistia, ela negava. 

— Hoje não dá… Não posso!… Amanhã também não, vamos vê… Se eu puder!… Não sei… Não sei!… Quem sabe, talvez… 

Zé da Perua sabia. Ele conhecia aquele jeito maroto das mulheres, principalmente das suas passageiras da comunidade de Heliópolis. Ele não era trouxa nem nada. Só se joga pedra em fruta madura. Ele sacava muito bem esse tipo de mulher.  Diz que não quer, mas quer. “A gente só tem é que arrochar pelos lados. Ir com jeito que um dia a casa cai… E pimba!… Ripa na chulipa da gorduchinha! Porque se não dá, desce… É só ir com manha.” Pensava Zé com seus botões antes de se encontrar com a Luzia, no fim de tarde, quando ela tomava seu lotação. 

— E aí meu bem! Quando é que agente vai fazer uma amizade legal, pra valer? Você sabe né, cozinhar o galo n`água fria, molhar o biscoito. 

— Não fale assim comigo não, viu!… Já disse que não posso. Dou aula para as crianças da comunidade… 

— Eu sei fofura… I love you pra chuchu!… Benzinho. Mas bem que podemos ir a um baile no fim de semana… 

— Não, que horror! Não danço, nem sei, nem quero. 

— Tá bom, vá ensinar aos seus pirralhos quando terminar me encontre no ponto final do lotação que eu vou pensar numa coisa legal para a gente fazer no fim de semana.

Não foi. Era sempre assim, muita tentativa e pouco resultado. Porém, Luzia saia daquelas fortuitas conversas com Zé da Perua, queimando, ardendo às entranhas. As palavras de Zé eram como ferro em brasa a serpentear seus sentidos, despertando-lhe a libido há tanto adormecido. O suor lhe gelava as faces. Uma tremedeira e uns arrepios excitavam-lhe o corpo. A garganta apertava-lhe como alicates. O corpo excitado. À noite, na cama, era um tormento. Ela o tinha em todo o seu ser. E imaginava-o burilando todo seu corpo. Quando o via sendo mestre e músico a manipular, mais que a seu instrumento, mas o virtuoso da sua loucura. Embora soubesse que toda essa lascívia que a aflorava, aquele líquido quente que fluía de seu âmago só podia ser obra do satanás. Pois, ela muito bem sabia que aos olhos de Deus aquilo era artimanha do capiroto para desvirtuá-la dos votos e sua dedicada obediência à Santa Madre Igreja. Não! Sua alma não iria se macular. Porque assim ela o sabia, seu branco corpo alfenim, puro e alvo como pérola era o invólucro da irmã em Cristo. E para tanto, estava pronta para penitência celeste. Com os olhos marejados em lágrimas de submissão e sujeição, Luzia sentia em si o perdão de Cristo por seu arrependimento aos pensamentos imperfeitos e tresloucados.

 

Na delegacia, diante a acareação 

Na delegacia, que já apurava o desaparecimento da freira, Luzia tentou manter a versão do sequestro, dizendo que havia sido rendida por um homem na saída da igreja onde faz trabalhos comunitários, em Heliópolis. Mas, os investigadores encontraram, entre seus pertences, um exame de gravidez em seu nome e o resultado do teste do pezinho, habitualmente feito em recém nascidos. Foi, após, mostrar estas provas irrefutáveis que, chorando, segundo a polícia, Benedita decidiu, então, falar a verdade. Ela fora estuprada!

 Zé da Perua, como assim é por todos conhecido, acusado de estupro, apresentou-se ontem à polícia para acareação frente à vítima. Delegado diz que alegação de Zé contradiz às da vítima, Irmã Luzia. Disse ele que manteve relações sexuais, sim! Mas foi com o consentimento dela. Já a freira desmente, dizendo que foi coagida pelo dito cujo. E explica: quando ao tentar desembarcar da perua, no ponto final, na comunidade de Heliópolis, a maçaneta da porta estava travada impedindo-a de descer. Zé da Perua rebate, argumentando que se ela quisesse, de fato descer, teria descido, pois a porta da frente estava totalmente escancarada. Não desceu por que não quis. Eu apenas joguei uma conversa mole de lero-lero. Ela fraquejou, eu investi. Ela só choramingou… “Jesus, perdoai-o ele não sabe o que faz!…” Aí eu… Pimba na gorduchinha!… “Ochente! Eu bem sei esse jeitinho manhoso das mulheres… Confessou Zé. Após a audiência, irmã Luzia confessou à parte, que o choro que o Zé declarou ter ouvido dela, foi devido ao burilamento atrevido que ele, o Zé, lhe surrupiou enquanto ela estava distraída tentando escapar pelo teto solar… “Perdoa-me Deus meu!… Perdoa-me meu Deus!… Porque eu já não sei o que faço!…” Estas foram suas últimas súplicas. E que depois não se lembra de mais nada. Declarou para os repórteres presentes, o delegado Afrânio Peixoto.

 Para Zé da Perua, tudo balela. Que não houve sequestro nem estupro coisa nenhuma. Embora tenha confirmado as declarações da freira de que realmente era o pai da criança, mas negou saber se ela era freira, pois a Luzia tinha dito para ele que era estudante universitária e que dava cursos para crianças na igreja da comunidade. – na congregação de Benedita, o hábito é opcional. – E que todos os dias ela tomava sua lotação. E por muitas vezes ele havia percebido ela não tomar o lotação da frente, só para pegar a dele. E que ela sempre dava mole essa era a verdade! E, segundo os investigadores, Zé da Perua acrescentou: Aquele olhar lambido, aquele brilho embaçado nos olhos da Luzia era puro tesão. Por fim, certo dia, boquinha da noite num ato de meio doidura e desvario, ele não deixou Luzia descer da Kombi. E, num gesto insano, de pronto, na base do acuamento, raptou Irmã Luzia direto para detrás do muro do cemitério. Então, em bom tom e voz forte, porém demonstrando uma pequena centelha de paixão disse: 

— Olhe aqui Luzia, se decida!… Você me quer ou não me quer? Heim!… Vai me dá essa micharia, ou não vai? Heim!

Com essas palavras ásperas, porém carregadas de significados incompressíveis, para Luzia, foi à gota d’água que faltava para destruir todo o alicerce que até então houvera construído para que chegasse aos castelos dos reinos do céu. Embora o espírito seja armadura e carapaça da consciência casta, não há como negar aos encantos da orgia da carne em dia de festa. Então, enquanto seu corpo era-lhe surrupiado de suas posses, de suas vontades inconcebíveis, devido o burilamento atrevido de Zé da Perua, Luzia explodia em êxtase… Gritando palavras ora incompreensíveis, ora em devaneios alucinados. Você está violando minha santa castidade…suplicava a irmã.Mas a imaginação permitia que Zé lhe burilasse com mais e mais ousadia. Quando começou a sentir o afloramento do corpo, o líquido quente fluindo, gritou  quase inconsciente:

         — Perdoa-me Deus meu!… Perdoa-me meu Deus! Porque eu já não sei o que faço!… Perdoa esta que te profana… Recolhei os cacos desta que te traiu… Porque, jeito não tem mais, os tesos nervos me penetram às profundezas das entranhas… Só me resta expelir fora o sêmen que embriaga e me envenena… Perdoa-me, Oh Grande Deus!… Mas agora sou do mundo… — e gritou em plenos pulmões para o centro do universo: — Oh!… Que são esses encontros soturnos! Se não o manto do profano e o acalanto da luxúria?… Bálsamo para o espírito, consolo e regalo da triste carne!…  

E assim se sucedeu, no banco, entre o dianteiro e o traseiro, no banco do meio para ser mais fiel, Irmã Luzia foi fecundada.

 

Nove meses depois não deu outra

Foi encontrado ontem, Dia de Reis, na manjedoura do presépio de natal, representado no altar-mor da Igreja Santa Ifigênia, centro de São Paulo, bebê recém-nascido. A assistência de devotos comentava emocionada que a criança parecia o próprio cristinho, com os bracinhos abertos, como se crucificado fosse. Não há suspeitos de quem lá o deixou. Desconfia-se de um indivíduo reconhecido como perueiro que faz ponto ao lado da igreja. O qual foi visto entrando com um embrulho e saído sem ele. A criança foi levada para a Santa Casa de Misericórdia para possível adoção. Deu nos jornais e nas notícias radiofônicas.

17 comentários em “A Freira e o Perueiro da Periferia (Paulo Luis Ferreira)

  1. Karen Salazar Cardoso
    12 de setembro de 2020

    O caso noticiado nos jornais de uma freira que tenta acobertar o encontro com o motorista de uma kombi que lhe despertava vontades carnais e que acabará por lhe gerar um filho, de todas as formas possíveis, inclusive acusando-lhe de estupro, e fingindo um sequestro.

    possui uma estrutura boa, bem organizada e o fluxo da história é bem contado, deixando os fatos do ocorrido claros para o leitor, apesar de pouco explorado e simplório.

  2. Leo Jardim
    11 de setembro de 2020

    🗒 Resumo: freira é assediada diariamente pelo motorista da Kombi, até que um dia acaba sucumbindo aos desejos. Arrependida, ela acusa o cara de estupro e o caso vai parar na polícia. Grávida, ela resolveu dar a criança para adoção na igreja.

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): ela é até interessante, mas o problema é que não foge muito do que a notícia disse.

    Quando entendi que o texto iria desenvolver melhor a história por trás da notícia, fiquei esperando que algo diferente do escrito fosse entregue, mas no fim a história acabou bem parecida, quase igual ao da notícia, somente com mais conteúdo. Só colocou mais recheio.

    Por isso, não houve nenhuma surpresa. Tudo aconteceu conforme descrito nos primeiros parágrafos.

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫): achei um pouco crua demais, sem grandes cuidados com a pontuação, com alguns erros gramaticais e tempo verbal vacilante. Nada muito grave, mas que exige um melhor cuidado na revisão do próximo texto.

    ▪ E aí *vírgula* meu bem

    ▪ Eu sei *vírgula* fofura

    ▪ vá ensinar aos seus pirralhos *ponto* Quando terminar me encontre no ponto final do lotação que eu vou pensar numa coisa legal para a gente fazer no fim de semana.

    ▪ saia daquelas fortuitas conversas com Zé da Perua *sem vírgula* queimando

    ▪ despertando-lhe a libido há tanto *adormecido* (adormecida)

    ▪ Luzia *saia* (saía) daquelas fortuitas conversas

    ▪ Delegado *diz* (disse, já que foi ontem) que alegação de Zé *contradiz* (contradisse) às da vítima

    ▪ Já a freira *desmente* (desmentiu ou desmentia)

    ▪ E *explica* (explicava ou explicou)

    ▪ (o texto daqui pra frente fica no presente e deveria continuar no passado)

    ▪ Jesus, perdoai-o *ponto* Ele não sabe o que faz

    ▪ E que ela sempre dava mole *ponto ou virgula* essa era a verdade!

    ▪ Perdoa-me *vírgula* Deus meu!

    ▪ Perdoa-me *vírgula* meu Deus!

    🎯 Tema (⭐▫): entendi que era uma fanfic sobre a notícia real, mas como não chegou a mudar nada, acabou não sendo totalmente aderente ao tema.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): não fugiu muito dos clichês do gênero.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): o final acabou frustrante. O último trecho não acrescentou nada, só disse o que já sabíamos. Ficou uma sensação de que o texto poderia ir para a comédia e terminar irônico, mas acabou não mergulhando muito nesse ponto.

    🔗 Links úteis:

    ▪ Vírgula isolando o aposto: https://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint22.php

    • Paulo Luís Paulo Luís Ferreira
      20 de setembro de 2020

      Grato pelos comentários e as dicas de português. Sem querer me desculpar, mas me desculpando. O fato é que este conto realmente foi construído as pressas. E realmente ficou carente de uma revisão mais apurada.

  3. Fernando Amâncio (@fernandoamancio)
    11 de setembro de 2020

    A partir da manchete “Grávida, freira some e simula sequestro”, Malaquias destrincha o jogo de sedução entre a freira Luzia e o popular Zé da Perua. Das investidas do homem, repelidas sem tanta covicção pela religiosa, até o encontro que consuma o ato sexual. Há um conflito entre as versões dos envolvidos. A freira engravida e abandona o recém-nascido em um presépio.

    Malaquias, seu texto é um bom desafogo dentre essas FanFics de certa forma tradicionais. Porque não seria uma FanFic o desenvolvimento de uma notícia de jornal? Não vejo problema, achei seu conto muito original.

    Há algumas questões gramaticais no seu texto que não bateram tanto com minha abordagem da escrita, mas acho que é coisa de estilo. Não se tratam de erros ortográficos ou algo assim.

    O que eu de fato não gostei foi das escolhas narrativas. Ora parece que estamos lendo um texto jornalístico, ora a abordagem literária prevalece. Se a ideia é que o texto soasse como um extrato de um jornal, não é verossímil (talvez não seja o caso). Não vejo problemas na convivência dos estilos, mas acredito que isso poderia ter sido mais evidenciado.

    A história é construída em um certo clichê (a religiosa que perde a batalha para reprimir sua libido, o personagem machista sedutor). Tudo bem, clichês são a base universal de nossas construção literária. Mas como, desde a manchete do jornal, já temos uma noção do sentido para o qual a história vai, a previsibilidade domina a história. Nem todo conto deve surpreender, eu sei, mas falta um pouco de conflito aí.

    Ainda assim, posso dizer que achei a leitura muito agradável. O texto de Malaquias é muito bem construído. Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio!

  4. Fernando Dias Cyrino
    10 de setembro de 2020

    Um motorista de kombi que diariamente levava seus passageiros para Heliópolis, Zona Zul de São Paulo, tinha sempre no seu veículo uma freira, chamada Luzia, que dava aulas na escola da Igreja da comunidade. O perueiro, de tanto se insinuar, terminou por conseguir seduzir a freira que engravidou simulando haver sido sequestrada. Abandonado o fruto daquele relacionamento numa Igreja, a freira foi acareada com o motorista da lotação e aí contou toda a verdade. Uma história à Nelson Rodrigues, você está me trazendo. Um relato muito bem narrado a partir de uma notícia de jornal, como o grande Nelson sempre fazia. Você escreve muito bem, narra com humor a tragicômica história. Com certeza, um bom conto. Meu abraço.

  5. Ana Maria Monteiro
    9 de setembro de 2020

    O conto narra as três versões de uma mesma história: da gravidez de uma freira, Irmã Luzia, com quem Zé da Perua teve relações, consentidas ou não, e de que nasceu um bebé que terá sido levado e abandonado pelo pai junto ao presépio no Dia de Reis. Não se chega a saber qual o papel que Irmã Luzia terá tido em toda esta história, desde a relação sexual ao abandono do filho.

    Olá, Malaquias. O seu conto é baseado em um facto que realmente sucedeu e, sendo simples de ler e acompanhar, só lhe altera um pouco o final e, talvez, inclui descrições dos devaneios da freira e da forma como poderão ter decorrido as relações entre eles. Precisa de uma boa revisão, sobretudo a nível de pontuação. A ideia de dar três versões está engraçada, mas em minha opinião, falta um pouco mais de criatividade. Obrigada por participar e boa sorte no desafio.

  6. jowilton
    8 de setembro de 2020

    O conto narra a história da freira Luiza, que inventou seu próprio sequestro porque estava grávida do perueiro.

    Achei um bom conto, curioso e original. A narrativa é bem peculiar, meio, travada com o uso de várias vírgulas em alguns momentos. Acho que eu um traço de estilo do escritor. Fiquei um pouco incomodado com isso. O texto pode deixar alguns leitores desconfortáveis pelo uso de um humor machista, que desmerece as mulheres, ainda mais uma freira. Confesso que fiquei um pouco, ainda mais que fiquei um pouco na dúvida se foi estupro ou não. Tá mais para ter sido do que não ter sido. Principalmente por conta dos tipos de “cantadas” dada pelo perueiro. Enfim, um bom conto polêmico, ao meu ver. Boa sorte no desafio.

  7. Marco Aurélio Saraiva
    6 de setembro de 2020

    Irmã Luzia, freira, sempre foi paquerada ( de forma um pouco afrontosa demais, digamos ) por Zé da Perua, o dono da Kombi pela qual ela voltava para casa. Ela, sem querer confessar, resistia, mas certo dia cedeu e do “pecado” nasceu um filho cujo casal abandonou na igreja.

    Não entendi de onde vem a Fanfic, então não tenho como julgar esta parte. A história é boa, tem início, meio e fim, o que é sempre bom em contos (há a tendência de fazer contos “pela metade”, em uma tentativa de contar mais do que deveria, especialmente com os limites de palavras do Entre Contos). Para mim não foi particularmente chamativa, mas entendi a questão religiosa, a problemática de se tratar de sexo como pecado mortal, a dissecação da mente fanática e sua queda em um espiral de “pecados” e “tentações”. Sempre gostei de temáticas assim e seu conto, unido a uma escrita clara e até muito bonita e autoral, explora a questão muito bem. Inclusive tratando de tabus atuais como o problema do estupro, da acusação sem provas, do “homem que insiste por quê sabe que a mulher ‘tá querendo'”. Sua falta de medo em explorar estes temas e também a maneira como o fez, sem ser panfletária mas, antes, um tanto artística e que atiça questionamentos e indagações, é o que precisamos nos dias de hoje.

    Gostei bastante da sua forma de escrever, mas achei que às vezes você exagera no uso de vírgulas. Olha essa frase:

    “Foi, após, mostrar estas provas irrefutáveis que, chorando, segundo a polícia, Benedita decidiu, então, falar a verdade. ”

    Olha como ela fica 100% menos travada assim:

    “Foi após mostrar estas provas irrefutáveis que, chorando, Benedita decidiu então falar a verdade.” (nem precisa deste ‘segundo a polícia’ aí, faz parecer que é relato jornalístico).

    Outra parte que me incomodou também foi quando você misturou narrativa com fala de diálogo em um parágrafo só. Travou a leitura, tive que voltar pra entrar de novo no clima:

    “Zé da Perua rebate, argumentando que se ela quisesse, de fato descer, teria descido, pois a porta da frente estava totalmente escancarada. Não desceu por que não quis. Eu apenas joguei uma conversa mole de lero-lero. Ela fraquejou, eu investi.”

    Por fim, ficou a dúvida: o ato aconteceu atrás do muro do cemitério ou dentro da kombi? Em uma parte do conto você fala que o Zé da Perua impediu ela de descer da kombi mas, na outra, diz que ele a cercou atrás do cemitério. Fiquei confuso, rs.

    Mas, mesmo com estas notas, achei o conto muito bom!

  8. antoniosbatista
    31 de agosto de 2020

    Resumo de A Freira e o Perueiro da Periferia- perueiro apaixonado por uma freira a seduz com palavras melosas e mantém relação com ela. Nove meses depois nasce uma criança que a mãe (a freira) rejeita e o pai (o perueiro) a abandona numa igreja.

    Comentário- Não entendi muito bem a referência ficcional desse conto. Me parece que se baseia num fato real noticiado pela mídia, de uma freira que deu à luz a uma criança na Itália. O conto está bem escrito é bem-humorado, porém o argumento não combinou com a FanFic. Pelo menos é o que eu acho. O ideal seria uma versão de uma história de ficção já existente. Fã de ficção, FanFic, ou personagem de ficção notadamente famoso, tanto de livros quanto de filmes. Boa sorte.

  9. pedropaulosd
    29 de agosto de 2020

    RESUMO: Homem e mulher disputam pela versão da estória em que estão envolvidos.

    COMENTÁRIO: O conto se compromissa com a ambiguidade e a opção por uma estrutura que divide em seções, cada qual possibilitando uma perspectiva diferente, foi uma escolha inteligente para enredar o leitor naquilo que é, não é e que pode ser. Um dos benefícios dessa opção apareceu logo no início, quando vemos uma breve versão do fato e, achando que sabemos do necessário, somos avisados que, não, há mais para se averiguar. A atenção é apreendida desde o início e daí conhecemos os dois personagens, um motorista predatório, convicto de ser um sabedor da natureza feminina – apesar da objetificação e machismo claros – e uma freira conflitada entre a religião e o desejo. Se posso delinear as personagens em frases curtas é porque os construiu bem, enriquecendo-os ao nos dar seus posicionamentos diante da situação passada – o encontro na van – e futura, os depoimentos na delegacia. Essas personalidades apenas reforçam as ambiguidades do conto seccionado, dado que, sim, o motorista seria obtuso o suficiente para estuprar alguém como se fosse “justo” e, por outro lado, o depoimento da freira não é de todo claro e abre a possibilidade para que ela não aceitasse um encontro sexual com o homem que a atormentava, mas que, pelo visto, também a seduzia, o que a induziu a simular o sequestro e tudo mais. Ou seja, o conto se encerra sem respostas claras e, por isso, cumprindo o seu objetivo.

  10. Gustavo Araujo
    29 de agosto de 2020

    Resumo: a história da freira que foi seduzida por um perueiro, engravidou e depois deu o filho à adoção.

    Impressões: o conto parte de um fato verídico, noticiado em 2001, para imaginar como teria sido o ato de sedução da freira pelo perueiro. A trama é divertida, mas cai no clichê ao usar a vekha fórmula do malandro cheio de lábia que conquista a moça casta que, ao final, entrega-se aos prazeres da carne, pedindo perdão e gozando como nunca. A execução é competente, mas a falta de ousadia me fez torcer o nariz um tanto, já que teria sido mais interessante subverter o lugar comum em vez de apenas dar forma a fatos já conhecidos. De todo modo foi uma leitura agradável. Parabenizo o autor e desejo boa sorte no desafio.

    Nota: 3,0

  11. Maria Edneuda Oliveira Pinto ; Claraliz Almadova
    28 de agosto de 2020

    A FREIRA E O PERUEIRO DA PERIFERIA.

    Um conto com características modernas , enxuto, quase beirando o humor , porém sendo este atrapalhado pelo vocabulário utilizado pelo autor. O enredo apresenta truncamentos que nos deixam em dúvida em relação a sequência narrativa com falta de fluidez que envolve a vida de Luzia. Nota 30

  12. Bianca Cidreira Cammarota
    27 de agosto de 2020

    O presente conto versa sobre o (des)aparecimento da irmã Benedita, sumida há meses e que foi encontrada com sete meses de gravidez. Nascido o filho, foi dado para adoção. O foco da história é sobre a natureza da relação sexual entre a freira e o perueiro, se havia sido com permissão ou estupro. Mostra o lado da notícia, o lado da religiosa e do perueiro, revelando, ao longo dos parágrafos que o ato foi consensual e que a freira entrou em desespero com o interlúdio sexual, não apenas pelo ato em si e sim pela culpa que carrega.

    Não consegui identificar qual a referência de obra no qual o conto se baseou. No entanto, no estilo proposto, o conto foi escrito muito bem, à lá Nelson Rodrigues. ( o autor se baseou em alguma obra de Nelson Rodrigues?)

    O tom é ácido, irreverente e provocativo. Muito embora não seja o estilo que eu aprecie, reconheço que este conto é ótimo e dou os parabéns ao autor!

  13. britoroque
    25 de agosto de 2020

    Isso é fanfic? O sujeito é fan de Jesus?

  14. Anderson Do Prado Silva
    24 de agosto de 2020

    Resumo:

    Após se envolver com um motorista de kombi, freira abandona o hábito e o filho.

    Avaliação:

    Autor, não leia o presente comentário como crítica literária, pois se trata apenas de uma justificativa para a nota que irei atribuir ao texto.

    O conto é muito divertido! Dei muitas gargalhadas! No entanto, possui muitas pequenas deficiências.

    A linguagem não me pareceu muito fiel ao jornalismo. (A título de comparação, remeto ao conto “BR-230”, do Daniel Reis, disponível em https://wp.me/p2QU7I-57P, e que possui linguagem jornalística impecável!)

    O texto beira o vulgar em alguns momentos, o que pode ofender alguns leitores. Mas isso é mais problema dos leitores do que do autor. Não é mesmo? Porém, o emprego de certos detalhes vulgares torna ainda mais inverossímil se tratar de um jornal!

    O autor deve tomar cuidado com a escolha do tempo narrativo, pois ora o texto é narrado no passado, ora no presente. Sugiro optar sempre pelo passado, que oferece mais opções (pretérito imperfeito, pretérito perfeito, pretérito-mais-que-perfeito).

    O texto possui muitos erros de revisão. Sugiro ao autor entregar seu texto a um revisor ou leitor beta competente.

    No contexto do desafio, não me ficou claro de qual ficção (“fic”) o autor seria fã (“fan”), de modo a justificar sua “fanfic”.

    Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio!

  15. Giselle F. Bohn
    24 de agosto de 2020

    O conto descreve o “romance”, se é que podemos chamar assim, entre uma freira e um motorista de van em São Paulo, com suas consequências.
    O tema é interessante, mas na minha opinião não foi bem desenvolvida. Ficou confusa, por exemplo, a descrição dos fatos: ela abandonou o bebê no hospital, ou o perueiro o deixou na igreja? Soou-me um pouco forçado também o “monólogo” da freira na hora do sexo. Tecnicamente não é um texto ruim, apesar de alguns errinhos de ortografia, como “micharia”, e a falta de vírgula nos vocativos. Mas no geral foi uma leitura agradável. Parabéns!

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Publicado às 24 de agosto de 2020 por em FanFic, FanFic - Grupo 2 e marcado .