EntreContos

Detox Literário.

Conexões Intermitentes (Fabio d’Oliveira)

“E então eu soube: pertencer é viver.”
Clarice Lispector

 

Se existia algo melhor do que passear floresta adentro, a jovem Anahí desconhecia. 

Sentia o cheiro da terra molhada, enxergava a copa das árvores com a ajuda do luar, ouvia o rio distante. Mesmo depois da tempestade da noite anterior, o caminho estava relativamente tranquilo. Gostava da sinfonia noturna. O pio sequencial do caburé-da-amazônia, o chamado matrimonial dos insetos, o vento uivante nas folhagens.

Sentou-se, por fim, acomodando as costas numa grande Samaúma.

Havia algo de especial naquele lugar. Mesmo com tantas diferenças, com certo caos, no final das contas, tudo funcionava numa espécie de harmonia. Que contradição, né? Mas era aquele tipo de incoerência que transbordava beleza. Anahí amava aquela floresta. 

Verdadeiramente, profundamente, inexoravelmente.

Apenas uma coisa a deixava desconfortável: uma insistente coceira na cabeça, principalmente na têmpora esquerda. No crepúsculo, quando deixou a tribo, era algo insignificante, mas com o tempo tornou-se insuportável. 

Naquele momento, dentro da floresta, externa e internamente, Anahí sentiu o corpo ficar pesado e, sem qualquer resistência, desfaleceu.

 

ههههه

“Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água.”
Thomas Fuller

 

Leroy acordou assustado.

— Puta merda! — exclamou ele.

Levantou-se num salto e correu atrás de Patinhas, que saiu em disparada pela sala, carregando consigo o aparelho de simulação neural.

— Gato desgraçado, deveria ter deixado você na rua — xingou enquanto agarrava o bichano pelo rabo. — Seu gordo inútil… 

Era sempre assim: Patinhas aprontava, ele corria atrás, brigando e xingando, mas depois se rendia aos encantos do felino. Lutou um pouco para soltar a tiara das garras dele, fez um cafuné e sentou-se na cama depois de libertá-lo. Aquele aparelho era caro demais, não podia perdê-lo de forma alguma. Precisava pensar numa estratégia melhor para evitar essas traquinagens

Deixou um demorado suspiro escapar. Estava na melhor parte da história de Anahí. Poderia retornar depois, claro, mas era frustrante mesmo assim.

— Foda-se — rendeu-se.

Guardou o simulador neural no armário, coçando a testa em seguida, e saiu de casa. Era noite, mas Nova Manaus nunca dormia. Fumava compulsivamente enquanto desfilava pelas ruas bem iluminadas, costurando a movimentação boêmia. Vivia no Centro, claro, pois era um homem de ação. Tinha tudo que precisava por lá: bares, boates, prostíbulos, pontos de droga, cinemas pornográficos. 

— Fala, Leroy! Senta aí — convidou Hugo quando viu o amigo entrar no bar.

Acomodou-se na cadeira de plástico e levantou o dedo: sinal pro Dieguinho trazer a cachaça de sempre.

— Qual é a boa de hoje? — perguntou Leroy.

— Nada, nadica de nada, porra nenhuma — declarou Lou. — Essa noite está chata pra cacete. 

— Vamos beber, então.

Sorveu o aguardente num gole, acendeu outro cigarro e deixou-se hipnotizar pelo letreiro do outro lado da rua. Leroy não abominava aquele estilo de vida, mas sentia uma inquietação profunda.

— Anda usando aquela merda de novo, cara? — questionou Hugo.

— Não enche.

— Já te falei, essa merda vai acabar contigo, vai cheirar aquele pó de qualidade, comer alguma vagabunda, mas não usa aquele simulador fodido — aconselhou.

Leroy se inclinou pra frente, apoiando os cotovelos na mesa e pediu mais uma dose.

— Não adianta, Hugo. Não consigo. Aquilo tudo é real. E bom demais. Melhor que sexo. — e completou diante as risadas de deboche. — Estou falando sério, olha onde vivemos, é uma verdadeira selva de concreto. Olho por olho, sabe? Só tem sofrimento nessa bosta. Eu não consigo viver sem minha cachaça. Você consegue? Mas quando estou na pele daquelas pessoas, caminhando pela floresta, uma de verdade, sinto algo diferente. Algo parecido com pertencimento, sei lá. Tudo faz sentido.

Um longo silêncio se seguiu.

— Caralho, larga essa merda — comentou Lou.

Leroy riu, de si mesmo e dos outros. Por que insistia naquilo? Eles não entenderiam. Nunca sentiram o cheiro de uma floresta de verdade. Nunca sentiram essa conexão profunda.

Coçou fortemente a têmpora esquerda.

— Essa porra tá me incomodando demais…

— É aquele simulador, certeza — provocou Hugo.

Não conseguiu responder. Sua visão nublou, sentiu um nó na garganta e, antes que pudesse se segurar em algo, caiu no chão. Queria ter tomado mais uma dose antes de desmaiar.

 

ههههه

“A esperança é o sonho do homem acordado.”
Aristóteles

 

Mu estava no mesmo lugar: deitado sob uma pedra, numa espécie de leito que o protegia do sol do deserto, com o aparelho eletrônico que acabara de consertar ainda na cabeça.

O adolescente se levantou e, com leves batidas, tirou o excesso de areia das roupas. Observou atentamente a tiara. O que foi aquilo? Tinha sido levado para outros mundos, tinha vivido na pele de outras pessoas. Estava morrendo de fome e sede, sentia-se cansado e enfraquecido. Quanto tempo ficou desacordado? Tentou ligar o aparelho, porém, uma luz avermelhada, centralizada na semi-coroa, denunciou o problema. Precisava recarregar a bateria.

Com a mochila arrumada, Mu continuou sua jornada. A cidade mais próxima ficava ao norte e exigia duas luas de caminhada. Talvez encontrasse alguma forma de reviver o aparelho. Era órfão, conhecia as Dunas Amazônicas como ninguém; mas não sabia que, no passado, aquilo tudo foi uma grande floresta e, ainda mais, uma metrópole que não dormia. Podia confiar naquilo? Tinha encontrado aquela tiara num depósito abandonado em Tupi. Aquilo podia ser apenas um jogo antigo. 

Tinha que descobrir o que era aquilo.

Usou como esconderijo uma toca abandonada. “Minhoca Arenosa, certeza”, pensou ele, avaliando o ambiente. Foi difícil dormir naquela noite. Quando se deitou no fundo do buraco, sentiu uma forte dor de cabeça seguida duma insistente coceira na testa. Algum efeito colateral da tiara, talvez? Apesar dessa eventualidade, Mu teve uma grande sorte no dia seguinte: deparou-se com um Cervo das Areias assim que atravessou a primeira duna. Não perdeu tempo, armou seu arco e, com uma flecha certeira, abateu o animal.

Às vezes, mesmo sendo um miserável, a vida lhe sorria. Carneou o cervo, reservou algumas partes com sal e continuou a viagem. Seguiu uma rota conhecida. Havia um oásis relativamente seguro naquela região. Como estava quase sem água, precisaria se arriscar.

Enquanto Mu enchia o cantil, percebeu que outro viajante se aproximava. Ficou atento.

 — Bom dia, companheiro — cumprimentou o homem.

O jovem meneou a cabeça, ainda analisando o recém-chegado, e sentou-se um pouco afastado.

— Indo pro norte ou sul?

— Norte — respondeu Mu.

— Cuidado, a cidade de Januário está escravizando itinerantes.

— Não eram apenas rumores?

— Não, não. Eu presenciei um ataque. Estava numa caravana, escapei por pouco, mas meu parceiro foi capturado, pobre coitado. Parece que estão construíndo uma espécie de arca para fugir do planeta. 

Mu permaneceu em silêncio. Aquele era seu destino.

— A cidade está fechada? — perguntou o adolescente.

— Não sei. Por quê? Está pensando em visitar Januário? Não é uma boa ideia. O novo líder é maluco: está obcecado com essa história que o mundo está morrendo.

— Eu preciso ir — afirmou o jovem, colocando a mão dentro da mochila e acariciando a tiara. 

— A vida é sua, rapaz.

Despediu-se do viajante. Iria para Januário, porém, mudou a rota, aprofundando-se ainda mais no deserto.

Com o passar das horas, conforme o sol deslizava pelo céu, a coceira da noite anterior retornou, no entanto, muito pior. Era resistente, estava bem alimentado e descansado, então não entendeu quando uma forte tontura o dominou. Quando caiu rolando pelas dunas, tentou proteger, com afinco, sua mochila. Era a única coisa que, em toda sua vida, parecia fazer sentido.

 

ههههه

“O passado não reconhece seu lugar: está sempre presente…”
Mario Quintana

 

Kai retirou a Coroa Neural, encaixou-a no estande de carregamento e saiu da Sala de Simulação. 

— Demorou dessa vez, menina — comentou Leonel. 

Seu parceiro de vida, cuja união foi determinada desde seu nascimento, sempre esperava do lado de fora.

— Eu sei. É tudo tão profundo, tão real, sabe?

— São lembranças, Kai. Nada mais.

— Eu sei, Leo, não sou idiota — reprovou ela. — Não acha importante nos lembrarmos do passado?

— Sei lá, o passado é passado, pra mim. Vivemos no presente. Ponto final.

A jovem revirou os olhos. Por causa das atitudes de seus antepassados, ela vivia sem qualquer perspectiva sobre o futuro. Seu destino era claro: iria se reproduzir, manter a linhagem pura e trabalhar na manutenção da arca espacial. Não tinha liberdade. Não podia sonhar.

— Você sabia que a Terceira Guerra Mundial poderia ter sido evitada com um pedido de desculpas? — questionou Kai.

— Não, não existe qualquer menção sobre isso na Odisseia da Terra.

— Claro que não. Estamos tão focados no futuro, Leo, que chegaremos em Gliese cometendo os mesmos erros do passado. Há muitas coisas que ignoramos.

— Você não sabe disso — desafiou ele. — Você precisa se focar mais no presente, querida. Para com essas teorias.

Mais tarde, em seu quarto, Kai sentou perto da janela. Reconhecia-se naquela vastidão negra.

— Um dia, menina, você não retornará dessas simulações — avisou Leonel, antes de voltar a atenção para seu projeto mecânico.

“Que tolice”, pensou ela enquanto coçava a cabeça. Isso já havia acontecido há muito tempo.

37 comentários em “Conexões Intermitentes (Fabio d’Oliveira)

  1. fabiolaterrabaccega
    3 de julho de 2020

    Três personagens se revezam ao longo do conto, em viagens no tempo, assumindo diferentes identidades.
    Amazônia atual, aparentemente uma Amazônia que já é deserto e um futuro pós guerra mundial.
    Tudo isso acontece pelo uso de um dispositivo eletrônico.

    No início achei que o primeiro personagem estava escrevendo um conto sobre Anahi. A descrição inicial é muito bonita.
    Na sequência, as viagens no tempo e espaço por 3 pessoas diferentes, para mim, fica um pouco menos interessante na leitura, porém bastante criativo.
    Achei que conduziu bem um roteiro difícil.

  2. Daniel Reis
    3 de julho de 2020

    Conexões Intermitentes (Apoema)
    Resumo: em quatro situações do espaço/tempo, pessoas experimentam a simulações do que seria estar na Amazônia em diferentes distopias – com a floresta intocada, numa Manaus decadente, numa Amazônia transformada em deserto e vivendo no espaço após a terceira guerra mundial.
    Quanto à PREMISSA, a ideia de múltiplas realidades (que não entendi se consecutivas ou paralelas) numa destruição de ficção científica saiu bastante do convencional. O cerne da ideia é a tecnologia da simulação/retrocognição, e a Amazônia passa a ser um detalhe simulado. Uma escolha ousada do autor, sem dúvida.
    A TÉCNICA é boa, ainda que as epígrafes nos capítulos mais distraiam do que expliquem, e que em alguns diálogos a busca da naturalidade acabe justamente por tornar as falas padronizadas. Também a necessidade de explicar as coisas que ocorreram em cada realidade torna-se um pouco cansativa.
    Ao final, o EFEITO NO LEITOR foi de uma história com uma premissa muito boa, mas que não necessariamente versa sobre a Amazônia em si.

  3. angst447
    28 de junho de 2020

    RESUMO:

    Um simulador de realidade virtual é utilizado por personagens (Leroy, Mu e Kai) , em cenários distintos (selva, deserto e espaçonave) e tempos também diferentes, vivenciando uma realidade da índia Anahí que havia deixado a sua tribo. Todos experimentam a sensação de ter existido uma Amazônia muito diferente, viva, mas que algo deu muito errado e a Terra não é mais habitável.

    ……………………………
    AVALIAÇÃO:

    * T – Título: Achei elegante, só sugerindo as conexões da narrativa.
    * A – Adequação ao Tema: O conto aborda o tema proposto pelo desafio, mesmo que de maneira bem particular.
    …………………………….

    * F – Falhas de revisão: Não encontrei nada de relevante. Somente trocaria o tempo verbal em “quando deixou a tribo” para “quando deixara/havia deixado a tribo”.
    * O – Observações; O conto é divido em capítulos como se fossem micro contos dentro de uma narrativa só. O formato funciona muito bem para passar a ideia das conexões entre os personagens vivendo realidades descontinuadas. A linguagem empregada revela-se clara e contribui para a construção de uma narrativa que flui naturalmente. A trama FC prende o interesse, apesar de não ser o tipo de literatura que me atraia, por isso o conto me surpreendeu positivamente.
    * G – Gerador (ou não) de impacto: A ideia de extinção da vida na Terra, da total devastação da natureza, sobretudo da Amazônia, transformando uma floresta em deserto , é no mínimo assustadora. Impactante!
    * O – Outros Pontos a Considerar: fiquei curiosa quanto À dor que os personagens sentiam, na têmpora esquerda, até chegarem a desfalecer. Causada pelo uso do simulador? Mas e a índia Anahí ? Era a representação da morte da Amazônia? Talvez eu tenha falhado ao tentar interpretar o enredo apresentado. De qualquer forma, foi uma leitura agradável e revelou um autor muito bem preparado para lidar com as palavras e criar imagens muito boas.

    Parabéns pela sua participação!

  4. soniazaghetto
    27 de junho de 2020

    Resumo: Anahí, Leroy, Mu e Kai usam um aparelho de simulação neural. enquanto transitam em realidades diversas.

    Impressões: É um conto distópico, bem escrito, um belo voo de imaginação. Talvez pelo limite de tamanho imposto pelo concurso, não foi possível aprimorar o fio condutor e dar um fechamento. É uma história que merece fechamento e seguimento. Sugiro ao autor que o faça. Do contrário, ficará a impressão de que é apenas um recorte no tempo – o que não invalida a proposta, mas acaba por ser um desperdício de um texto bastante promissor.
    Há uma diferença entre um conto que parece necessitar de um fechamento mais objetivo e a técnica masterizada por Hemingway de apenas insinuar situações e deixar à imaginação do leitor preencher lacunas.
    Observo que, pelas epígrafes, o autor lê bastante, o que é confirmado pela sua bela escrita. Notei isso também nas mudanças propositais de linguagem ao abordar a história de cada personagem.
    Senti falta de mais Amazônia no texto. E é o tema principal. Talvez ela pudesse ser usada como ponto de ligação entre os personagens. Sinto que há uma intenção a esse respeito, mas muito mais próxima à questão meio ambiente global x oportunidades perdidas de preservar a vida no planeta.
    Distopias exigem muito de um autor. Por isso louvo quem o faz com perícia. Parabéns pela criatividade e ousadia.
    Boa sorte.

  5. Gustavo Araujo
    24 de junho de 2020

    Resumo: quatro realidades conectadas por um aparelho de simulação neural. Anahí, Leroy, Mu e Kai, um vivendo a vida do outro em realidades distintas, ora distópicas, ora alternativas, numa Terra que parece morrer.

    Impressões: o conto chama a atenção pela criatividade e pela linguagem fácil sem parecer simplória. A prosa é simples e convidativa, revelando um autor em fase avançada de desenvolvimento, alguém que já sabe como entreter o leitor. Gostei da maneira como as quatro narrativas se conectam, com os protagonistas se sucedendo, emulando a realidade imediatamente anterior, avatares de si mesmos até o fim, ao menos momentâneo, com Kai. Bacana ver como essas realidades alternativas foram construídas e bem descritas, especialmente num limite de palavras que, para elas, me parece bastante restrito. Ponto para o autor, portanto, que soube aproveitar o espaço sem desperdícios.

    Senti falta, porém, de algo mais objetivo, de um liame mais denso, que desse um sentido maior à história. O aparelho neural é uma ideia muito bacana, mas não vemos os protagonistas de cada capítulo interconectados por um desejo comum a todos eles. Talvez, aproveitando o mote do desafio — a Amazônia — poderia haver aí a inserção de uma preocupação ecológica, não sei… Mas é fato que as realidades apresentadas ficaram um tanto soltas, fazendo o texto perder força no conjunto.

    Outro ponto que deixou a desejar foi a temática do desafio. Apesar de bem escrito e até certo ponto ambientado em terras amazônicas, inclusive em efeito distópico, o conto passou muito longe do que seria o ideal para a proposta do certame.

    De todo modo, apreciei a leitura. Parabéns ao autor e boa sorte no nosso certame.

  6. Gustavo Aquino Dos Reis
    22 de junho de 2020

    Resumo:

    Quatro histórias distintas que partem do uso de um simulador neural que faz com que os seus usuários tenham uma experiência vivida do futuro.

    Impressões:

    Um conto que prima pela excelência. Usou a ficção científica para dar o tom da narrativa e cumpriu com muita segurança o prometido. Nota-se um(a) autor(a) acostumado(a) com a lida.

    No entanto, confesso que achei a história um pouco clichê. A ideia da simulação é algo que sempre aparece nesse espaço e penso que isso faz com que – no meu caso – o impacto de contos tão bem escritos como o seu não saltem aos olhos.
    Porém, a qualidade desse trabalho é definitivamente um ponto de destaque e merece aplausos de pé.

  7. Ana Carolina Machado
    20 de junho de 2020

    Oiiiii. Um conto divido em quatro partes que fala sobre o passado e o futuro da Amazônia . Na primeira parte vemos a jovem Anahí andando pela floresta e se deixando envolver pelo ambiente até que no fim ela desmaia. Na segunda parte vemos uma Manaus agitada e descobrimos que Leroy por meio de uma simulação estava meio que vivenciando a história da Anahí e ele estava preferindo a simulação que a realidade. No fim ele desmaia também. Na terceira parte descobrimos que a Amazônia virou as Dunas Amazônicas e conhecemos o jovem Mu que luta para sobreviver nesse ambiente hostil. Ele assim como os dois anteriores desmaia. Na quarta e última parte conhecemos a jovem Kai e vemos um futuro não muito animador. No fim a Kai sente uma coceira na cabeça o que pode indicar que brevemente ela tenha o mesmo destino que os três anteriores.
    O conto faz uma reflexão interessante sobre como ações no presente podem decidir todo um futuro, principalmente nessa questão envolvendo a natureza e a floresta Amazônica, pois foram ações nos cenários anteriores ao último que levaram aquele futuro. Achei muito assustador o momento que diz que a floresta virou as Dunas. Por causa dessa reflexão a nossa presente geração tem que cuidar da floresta, para que a futura geração conheça a floresta de verdade e não apenas uma simulação.Parabéns e boa sorte no desafio.

  8. Luciana Merley
    15 de junho de 2020

    Olá, autor
    Um texto composto de 4 histórias independentes e que remetem à ideia de uma evolução mega apocalíptica da Floresta Amazônica. O eixo conector na história acontece quando os personagens em tempos muitos distintos, fazem uso de um aparelho neural que os transporta ao passado.
    Eu tenho dificuldade em gostar de textos nesse estilo, com peças desconectadas, mas reconheço que é uma maneira interessante de construir uma narrativa.
    Farei minha avaliação conforme os seguintes critérios: Técnica + CRI (Coesão, ritmo e impacto).
    Técnica – A opção por histórias separadas em tempos muito distintos serviu bem ao aparente propósito do autor de mostrar a evolução da floresta amazônica e chama a atenção para a questão ambiental. O primeiro texto me pareceu numa linguagem bem mais simples (quase que pobre até) em relação aos demais. Mas entendi que é para diferenciar mesmo dos outros textos. No geral a linguagem é fluida e bem trabalhada. A compreensão vem só depois e isso parece ser proposital. Não é texto para leitores preguiçosos ou desinteressados em aprender. A maioria largaria na primeira transição de histórias. Só que estamos no EC e aqui não é lugar para preguiçosos, não é mesmo?
    CRI – A coesão não é aparente tendo em vista a fórmula do texto, mas é percebida quando se alcança o fio conector da história. O ritmo é próprio de cada história e para um texto mega curto ficou confortável. O impacto depende, também, das preferências do leitor. Como afirmei lá em cima, não é meu estilo favorito de texto. Fico um pouco cansada de ler e ficar juntando peças, mas acho interessante, fora da curva da maioria.
    No geral considerei um ótimo texto, inovador e receberá uma excelente nota minha. Parabéns.

  9. Thiago de Melo
    14 de junho de 2020

    Resumo:
    O texto narra uma sucessão de pequenas histórias, com personagens, cenários e tempos diferentes, mas que se conectam e produzem uma narrativa que leva o leitor atravéz de uma possível (ou provável) evolução da floresta amazônica e do planeta Terra, terminando com a humanidade deixando o planeta e vagando pelo espaço, quando a floresta amazônica será apenas uma lembrança distante.
    Avaliação
    Gostei bastante da história. Os saltos no tempo me pegaram meio de surpresa mas rapidamente consegui me localizar no enredo e perceber aonde o autor estava querendo chegar. Achei que essas mudanças, sempre levando para a evolução da história, deram dinamismo à leitura e me mantiveram engajado e interessado.
    Um ponto que me chama a atenção é que não podemos dizer que essa história tem um personagem principal, que é acompanhado ao longo do desenrolar da ação. Talvez o personagem principal é a tiara de estímulos neurais, que está presente em quase todos os momentos. O conto todo é como um conjunto de microcontos interligados que mostram algum ponto de sobreposição para dar continuidade à história. Só fiquei com um pouco de dúvida no final, quando a última personagem começa a coçar a cabeça. Será que teríamos mais uma interação neural e um salto para o futuro? Achei interessante essa possibilidade, mas não tenho certeza se foi essa a intenção do autor.
    Um bom texto, muito bem escrito.
    Parabéns!

  10. Renata Rothstein
    14 de junho de 2020

    Olá, Apoema,
    Primeiramente, meus parabéns pelo seu tão belo, forte e criativo conto.
    Conexões é uma FC que nos fala de um futuro pós-apocalíptico (pelo que se vê, realmente culminando com o término do planeta Terra), onde uma mulher viajante de uma arca – nave espacial utiliza um simulador neural que a leva para outros tempos e espaços, passeando pelas consciências de outras pessoas, em suas diferentes realidades.
    A jovem Anahí, vivendo pela floresta em seus primórdios, a vida realmente selvagem e amazônica – aqui faço uma observação: cara, como você descreveu maravilhosamente o ambiente da jovem índia, me vi lá. // Aplausos 🙂
    Continuando, temos Leroy e sua vida urbana em Nova Manaus, uma vida que em muito se equipara aos tempos atuais (fica o alerta?), em que a busca pelo prazer imediato domina a quase todos.
    Leroy busca um sentido maior para sua existência e sente-se diferente daqueles que não compartilham de seu sentimento, de sua busca por um sentido maior para a existência.
    Em seguida conhecemos uma Amazônia desértica – OMG – com um clima de guerra e pessoas sendo escravizadas. Outro ponto em que me vi no ambiente, cheguei a me emocionar.
    E por fim, temos Kai, a mulher astronauta que deverá cumprir seu destino, perpetuar a espécie, e que sonha com um passado, um passado que pode conhecer através de seu equipamento neural.
    Kai, de formas diferentes, mas em comum com os outros personagens, conta com a não compreensão de seu companheiro, que alega que a vida que realmente conta é a do momento presente.
    Só fiquei com uma dúvida, mas é coisa minha mesmo. Entendi sobre a viagem no tempo, mas queria saber mais como Kai inseria o aparelho nos outros personagens, ou como eles faziam isso, o caso de Leroy, por exemplo.
    Como disse, só um detalhe, mesmo.
    Reflexões sobre o quanto tudo é interligado, sempre, e como as ações de hoje refletirão nos futuros, próximos e distantes.
    Escrita : impecável.
    Excelente conto.
    Parabéns, Apoema, boa sorte no desafio!

  11. Jorge Santos
    12 de junho de 2020

    Conto bem escrito sobre um encadeamento de várias realidades, cada uma delas sendo uma virtualização da anterior. É uma dissertação interessantes sobre o que é a realidade e o que pode ser um futuro onde apenas existam lembranças virtuais. Temos de lutar para que esse futuro nunca chegue. Chega de realidades virtuais. Nada supera o sentimento de estar no meio da natureza ou a beber uma cerveja na companhia de bons amigos.

    Gostei da forma como o conto está estruturado. É uma abordagem relativamente comum nestes desafios, mas no geral o autor opta por misturar as várias linhas narrativas de uma forma que causa confusão ao leitor – isso não aconteceu no seu conto, pelo que está de parabéns.

    Só a adequação ao tema poderia estar mais vincada, na minha opinião.

  12. Vanessa Honorato
    11 de junho de 2020

    Um simulador de realidade que causa dependência, quando mais a pessoa usa, mais “viciada” ela fica, o que tem consequências, levando a uma coceira na fronte e posteriormente desmaios. Seria desmaio ou morte? Na realidade ou na viagem virtual? Não sou acostumada com este tipo de leitura, o que me deixou um pouco confusa, mas o texto é bem escrito e de fácil leitura, mesmo que não de fácil compreensão. Gostaria realmente de uma continuação. Saber quem é Anahí, se é a mesma mulher do final, entender que nave é esta e se habitarão outro planeta, ou só estão perdidos em realidades paralelas.
    Abraços ❤

  13. Luiz
    11 de junho de 2020

    O conto se passa, muito provavelmente, em uma Amazônia futura e pós-apocalíptica, com personagens que se utilizam de um equipamento para viagens no tempo. A história é muito interessante, a linguagem é bastante rica, sobretudo na primeira cena, o desenvolvimento da história é bem fluida. O final não surpreende, não existe um clímax, mas nada que diminua os méritos do texto. Muito bom, parabéns!

  14. Paula
    9 de junho de 2020

    O conto, muito bem estruturado, retrata, em fases, um futuro distópico, em que a região amazônica se torna um deserto e, ao invés de repensar suas atitudes, homens escravizam outros homens para construir uma arca espacial e escapar do planeta. Toda esse quadro é montado a partir da esperiência de três indivíduos que usam um dispositivo que permite uma “simulação neural”, o que me lembra um episódio de Black Miror. Gosto de como o autor brinca com o que é real e o que é simulação, deixando, ao final, a dúvida se a pretensa realidade não é também uma simulação. Parabéns! As tramas distintas interconectadas pelo uso da tiara de simulação conduzem o leitor pelo cenário distópico que se quer mostrar.

    • Apoema
      10 de junho de 2020

      Essa brincadeira é atraente, né?

      Nderoryete!

  15. Priscila Pereira
    9 de junho de 2020

    Resumo: Quatro histórias diferentes sobre o uso de um simulador neural. Todas tendo como plano de fundo a Amazônia, ou o que sobrou dela.

    Olá, Apoema!
    Tenho a leve impressão de já te conhecer, sua escrita não me é estranha… bem, eu gostei bastante do seu conto, rápido, dinâmico, retratando várias faces e fases da Amazônia e o que ela pode se tornar no futuro, o que a Terra pode se tornar no futuro. Não sei se todos que encontravam o simulador viviam a história de Anahí, ou por que todos desmaiavam (morriam?), exatamente como ela. Ela era real? Os outros eram reais? Esse é um tipo de texto que exige quase que o leitor termine de escrever. Na medida certa eu gosto disso, e você acertou em cheio, informação na medida certa pra instigar o leitor. Ahh e o conto ainda tem uma lição muito importante! Parabéns e boa sorte!

    • Apoema
      9 de junho de 2020

      Será? São tantos “serás” nessa vida.

      Nderoryete!

  16. Angelo Rodrigues
    9 de junho de 2020

    Conexões Intermitentes (Apoema)

    Resumo:
    Conto que narra a história de um simulador de realidade que liga três tempos distintos tangenciando a floresta amazônica.

    Comentários:
    Conto fácil de ler, embora com dificuldades de assimilação. Possivelmente não seja este fato um problema do autor, mas da forma estrutural assumida pelo texto. Dificilmente um texto que muda personagens, ambientes, tempos e objetivos narrativos se torna de fácil assimilação. Creio que este texto assuma essa deficiência quando transita por tempos, ambientes e personagens distintos, exigindo do leitor uma montagem, como um puzzle, em sua cabeça.
    Bem narrado (com o óbice relatado) o texto está bem estruturado. Os personagens são corretos, a ambientação e os diálogos são verossímeis.
    Em um conto curto como este, não vejo como problema a utilização de clichês, tal como a marcação derradeira de uma terceira guerra mundial e um objeto que atravessa mundos e/ou gerações.
    Passa, ao final, uma mensagem legal.
    Boa sorte no desafio.

    • Apoema
      9 de junho de 2020

      Seria mesmo uma deficiência? Realmente fiquei em dúvida…

      Nderoryete!

      • Angelo Rodrigues
        10 de junho de 2020

        Caro, Nderoryete, quando digo da deficiência, entenda, não falo de algo que pertença ao autor, longe disso. Falo da da típica estrutura de contos-sanfona, que vão e voltam no tempo, espaço, personagens e tal.
        Digo deficiência me referindo ao modelo estrutural da narrativa e, sendo assim, acho que você foi muito bem na utilização desse modelo que, para mim, é árduo para o escritor mergulhar nele e desenvolver a sua ideia, passando-a límpida ao leitor.
        Abraços.

      • Apoema
        10 de junho de 2020

        Não se preocupe, querido Angelo, estava refletindo mesmo sobre essa estrutura, se esse vai-e-vem é uma deficiência inerente. É uma arquitetura de difícil assimilação, mesmo com uma escrita fácil. Ignore meus devaneios, são tolos!

  17. brunafrancielle
    9 de junho de 2020

    Resumo: Um aparelho de simulação que supostamente contem experiências reais vividas por outras pessoas (apesar de ñ haver explicação de como isso seria possível sem cÂmeras e sem citação de que o aparelho gravava os acontecimentos) é passado de e geração em geração, mostrando como a Terra fora devastada e destruída.
    Estarei analisando os aspectos que EU considero mais importante, baseado nas minhas participações anteriores no certame. Sinta-se a vontade para descartar minha singela opinião se achá-la irrelevante.
    ENTRETENIMENTO (foi um conto chato de ler? Maçante? Legal?) : Razoável. Consegui ler sem problemas, e sem me desfocar muito para outras coisas. Possuir uma diversidade de personagens, cada qual com uma história curta, porém interligadas por um artefato em comum ajudou a tornar a história não cansativa e dinâmica.
    COMPREENSIBILIDADE (levando em consideração a formulação de orações e a história em si. Há diálogos confusos e etc?): O ponto que levantei no resumo, sobre a falta de explicação do funcionamento do aparelho, é um furo na história. A não ser que não fossem experiências reais sendo passadas pra frente. Caso seja essa alternativa, também faltou deixar isso compreensível.
    CRIATIVIDADE/ORIGINALIDADE (eu gosto de ler histórias de coisas que não vi ou não pensei antes. Ideias óbvias não se sairão bem neste quesito.): Parece um conto baseado no “Aquecimento global”. Não é uma ideia original, e eu já esperava encontrar algo do tipo no certame. A parte da realidade virtual mesclada ao tema foi interessante, mas o tema não perdeu sua característica de obviedade.

    • Apoema
      9 de junho de 2020

      Ah, Bruna, sua opinião nunca será irrelevante. Mas o que busca entender realmente não existe, o silêncio foi proposital. Talvez o mundo nem tenha se acabado, a arca espacial pode estar perdida por causa de um louco tirano do deserto, sabe? Ou o mundo acabou mesmo. Deixarei pra sua imaginação desenhar como o simulador neural funciona e qual o destino da Terra!

      Nderoryete!

  18. cgls9
    9 de junho de 2020

    Um artefato de realidade virtual, faz a ligação das três histórias, dos três cenários (selva, deserto e espaçonave), dos três protagonistas: Leroy/Anahí; Mu e Kai. Na primeira, conhecemos um sujeito com vícios para administrar numa Manaus futurista, na segunda, não captei as motivações da personagem, já terceira protagonista está visivelmente frustrada com seu destino já escrito.

    É um texto que não se encerra nele mesmo; tem espaço para muito mais… Espaço para que os leitores construam a história, formem conjecturas e reviravoltas. Eu por exemplo, já imaginei um encontro dos protagonistas. Outra característica muito positiva é que o autor consegue, sem muita firula, colocar o leitor dentro da história. Ele tem essa capacidade de nos fazer ver o mundo proposto e naturalmente preencher os espaços vazios. Não é algo fácil. A prosa é cheia de poesia, sem ser tediosa. E por fim, o assunto do conto é uma alerta do que pode acontecer com a floresta. Parabéns e boa sorte.

    • Apoema
      9 de junho de 2020

      Fico realizado que a leitura não tenha sido tediosa, CGLS. Acho que não há nada pior para o escritor saber que seu trabalho trouxe tédio para o leitor, haha.

      Nderoryete!

  19. Alexandre Coslei
    8 de junho de 2020

    O conto se fragmenta em três partes cuja ideia central é a degradação e a devastação do planeta. Cada fragmento possui seu protagonista e uma ligação em comum: o aparelho de simulação neural.
    Partir o conto em três narrativas conectadas por dois elementos (a destruição como realidade e o simulador como fuga) funcionou bem, foi um gatilho eficiente para o desenvolvimento do enredo.
    Ao olharmos o texto de um ângulo panorâmico, poderíamos dizer que também se encaixa numa proposta infantojuvenil, se não houvesse a alusão aos narcóticos e ao sexo em um dos diálogos iniciais. Mesmo assim, é um texto que está mais próximo a uma narrativa jovem do que a um conteúdo adulto. Há uma consciência ecológica que permeia o seu conceito principal.
    Não costumo me ater aos aspectos gramaticais do texto, a não ser que evidenciem erros escandalosos. Acredito que o autor tem o direito de criar livremente e se isso requer alguma subversão acidental ou proposital da língua, ele assume os riscos pela compreensão da própria obra. No caso deste conto, não observei nada que me incomodasse gramaticalmente.
    O conto é interessante, a narrativa consegue dispor da nossa atenção até o fim. A crítica que faço é pontual. Devido às conexões mínimas entre as partes do texto, ele pode confundir a interpretação do leitor. Apesar da linha temporal, que encontra a conclusão na destruição da Terra, algo me pareceu confuso nos encaixes do autor. Talvez, seja uma impressão minha que não corresponda a outras leituras. Acredito que faltou enriquecer mais as conexões entre os fragmentos, clarear mais a origem do simulador neural, estender as cenas virtuais para fortalecer o motivo da preferência dos personagens pelas abstrações do simulador. Enfim, é a opinião de um leitor.
    Foi uma leitura agradável. Boa sorte.

    • Apoema
      9 de junho de 2020

      Achei interessante o que falou, Coslei, da liberdade do autor, mas também de sua responsabilidade na questão da linguística. Tentei ser sucinto para não cansar, deixar alguns mistérios no ar, mas talvez alguns leitores procurem mais esclarecimentos. O ser humano é tão plural, né? Desculpe não ter atendido seus anseios.
      Nderoryete!

  20. Fheluany Nogueira
    8 de junho de 2020

    A transformação da floresta Amazônica (Anahí) em deserto (boêmio em Manaus futurista e adolescente nas dunas) e depois o planeta destruído (casal em uma arca espacial) são cenas apresentadas através de um simulador neural.

    Titulo, pseudônimo (aquele que enxerga longe) e trama, tudo muito bem amarrado em conexões que cessam e recomeçam por intervalos passam uma mensagem social — preservem Amazônia ou terão o planeta destruído.

    O texto é profundo, reflexivo e foi enriquecido por citações poético-filosóficas que se encaixam bem na narrativa. Linguagem bem trabalhada e caracterizada conforme o assunto de cada parte; leitura ficou fluida e prazerosa, apesar de exigir bastante atenção.

    Parabéns pela ideia e execução inovadoras. O(a) autor(a) mostra experiência. Abraços.

    • Apoema
      9 de junho de 2020

      Se a leitura foi prazerosa, alcancei meu objetivo aqui.

      Nderoryete!

  21. Felipe Rodrigues Araujo
    8 de junho de 2020

    O conto divide-se entre três simulações de memória que, ao final, revelam-se uma maneira de entretenimento de um casal que discute a relevância daquele processo.
    Iniciando o texto dentro da floresta e evidenciando uma narrativa que gradualmente vai apresentando a modificação do cenários inicial até que se chegue na presença de dunas – dunas! – o texto bem organizado traz ao leitor uma infinidade de interpretações ao respeito do que poderia ter acontecido com a humanidade, seu maior mérito é esse, e isso passa pela falta de didatismo oportuna a qual muitos ficcionistas por vezes se deixam fisgar. Tudo neste texto extrapola limites, universos pequenos são criados no início para depois serem cauterizados pelo casal que, ao fim, utilizando-os como memórias esclarecedoras (não seria isso a própria literatura?), mostrando-se ainda aptos a julgar a eficácia ou irrelevância do invento em questão.

    • Apoema
      9 de junho de 2020

      Dunas! A imaginação é algo incrível, né? Eu prefiro deixar muitas coisas para o leitor, o jogo da interpretação e reflexão é um dos maiores prazeres que um leitor pode ter.
      Nderoryete!

  22. Regina Ruth Rincon Caires
    7 de junho de 2020

    Conexões Intermitentes (Apoema)
    Resumo:
    Uma narrativa dividida em “capítulos”, que fala de um tempo futuro, fim dos tempos na Terra . As histórias, puxadas por citação poética ou assertiva/filosófica, trazem alertas aos leitores/cidadãos de hoje. Na dureza da vida futura (que será), os personagens conseguem regressar ao mundo antigo, através de uma tiara eletrônica. Doloroso para o corpo, mas o prazer era maior que o risco.
    Comentário:
    Um texto FC que mostra quatro narrativas ligadas a um mesmo cordão umbilical. Em todas elas, a sirene vermelha fica alerta para que cada um de nós, leitores e não leitores, verdes, amarelos, azuis, brancos, pretos, roxos, vermelhos, furta-cor, arco-íris, TODOS adiram aos cuidados que, INFELIZMENTE, estão sendo deixados de lado com o “passar da boiada”. Clarice Lispector, Thomas Fuller, Aristóteles e o doce Mario Quintana, uma bancada de peso que dá o pontapé inicial para o autor discorrer sobre o tema: o homem precisa cuidar da floresta, cuidar dos mananciais, cuidar das águas, cuidar do ar, cuidar do calor, cuidar da VIDA. Pertencer. Valorizar. Ser responsável.
    A escrita é de excelência, pouquíssimos deslizes. O autor usa linguagem totalmente eclética. Além da linguagem poética, o leitor encontra diálogos coloquiais, o recurso “boca suja”, descrições que provocam reflexão, e isso mostra o domínio do autor sobre o que faz. Trabalho bem cuidado, a leitura flui prazerosamente, sem qualquer embaraço.
    O título é totalmente pertinente ao teor das narrativas (volta temporária), e o pseudônimo “APOEMA”, nome de origem tupi e que significa “aquele que enxerga longe¨, deve ser homenagem ao índio das “antigas” florestas.
    Parabéns, Apoema!
    Boa sorte no desafio!
    Abraços…

    • Apoema
      9 de junho de 2020

      Ah, Doce Regina Ruth, caminhamos para um fim triste. Não iremos colher os frutos disso, não nessa vida, ao menos, mas outros irão. Precisamos enxergar mais longe.

      Nderoryete!

  23. pedropaulosd
    7 de junho de 2020

    RESUMO: Um simulador neural se torna o ponto de conexão entre várias pessoas que viveram em períodos diferentes, cada trecho do conto ilustrando uma fase de canário cada vez mais apocalítico que assume a Terra e para além dela. Vemos uma mulher admirando a floresta que é seu lar, um boêmio numa Manaus futurista, um jovem num deserto infinito e, por fim, uma menina em uma arca espacial, cada qual rememorando o anterior, atribuindo sua importância ao passado.
    COMENTÁRIO: Excelente conto, com uma ideia original – embora eu deva admitir que é apenas a minha segunda leitura e não sei o que me espera nos trinca e quatro textos que me aguardam – que desenvolve ideias bem expressas nas epígrafes escolhidas para cada seção do texto. Pertencimento; ignorância; esperança e o passado.
    Do ponto de vista técnico, é impecável. Não encontrei erros ortográficos e a escrita desenrola descrições com agilidade, nos dizendo quem são os personagens e onde estão sem muita demora. Só dessa forma se deu um conto completo em que temos quatro ‘onde-e-quandos” diferentes. Em poucas linhas se absorve completamente cada um desses espaços: a grande e diversa floresta; a Manaus cyberpunk; o deserto apocalítico e a arca sideral. Do mesmo modo, as personagens e seus anseios se apresentam claros e exclusivos, embora todas ligadas pela tiara. Só uma escrita de qualidade poderia articular bem todos esses elementos e a autora conseguiu.
    Mas este texto não depende apenas de sua escrita, pois a narrativa também é envolvente. Assim que se percebe que lemos realidades simuladas, lemos uma já pensando qual será a próxima e onde vamos enfim parar. O conto acaba sendo uma trajetória em camadas na direção do fim do mundo. A Amazônia está presente, mas em formas cada vez mais diferentes, a princípio como um lar, depois como uma lembrança saudosa e, enfim, de forma apenas nominal, delimitando as dunas ao noroeste da América do Sul. Enquanto redigia este comentário, refleti se estaria adequado ao tema, mas decidi que deixarei essa conclusão (a ser refletida na nota) para depois, quando terminar de ler os demais contos. No momento, acho que se adequa na forma de um aviso: estamos acabando com a Amazônia e com o planeta e, se continuarmos como estamos, não teremos um final distinto do que esse texto nos apresenta.
    Muito bom. Boa sorte!

    • Apoema
      9 de junho de 2020

      Consumimos sem parar, grande Pedro, sem qualquer sustentabilidade. Todos temos um pouco do Leroy dentro de nós. E Anahí também.

      Nderoryete!

  24. Anderson Do Prado Silva
    7 de junho de 2020

    Entre Contos – Avaliação – Conexões Intermitentes

    Resumo: Conexões intermitentes fala de sucessivos futuros possíveis, focando na questão ambiental e nos possíveis conflitos bélicos daí decorrentes. Os personagens de diferentes momentos históricos se conectam através da utilização de um recurso (aparelho) tecnológico.

    Abertura:

    ( x ) surpreende: A primeira frase é curta. Gosto de frases ou curtas ou longas para iniciar um texto. Acho que ambas são atraentes. Não gosto de frases de tamanho intermediário (que só me despertam a atenção se forem muito bem escritas). O segundo parágrafo é muito bonito, muito bem escrito, com muita poesia. Aliás, todo o primeiro capítulo é muito poético. O uso de Clarice Lispetor na epígrafe também é atraente.
    ( ) não surpreende

    Desenvolvimento (fluidez narrativa):

    ( x ) texto fluido: Tudo se conecta.
    ( ) poderia ser melhor

    Encerramento:

    ( x ) surpreende: O texto vai numa permanente crescente no que toca ao enredo. O final de cada capítulo se conecta com o anterior. O final do conto também surpreende, pois nos deixa com aquela angústia e incerteza com o destino da última protagonista.
    ( ) não surpreende

    Gramática:

    ( x ) não identifiquei erros dignos de nota: texto muito bem revisado. Em “deveria ter deixado você na rua”, fiquei na dúvida se o correto não seria trocar o futuro do pretérito pelo pretérito imperfeito. Já em “está obcecado com essa história [de] que o mundo está morrendo”, fiquei na dúvida se o correto não seria inserir o “de” que coloquei entre colchetes.
    ( ) possíveis erros gramaticais

    Enredo:

    ( x ) surpreende: enredo fantástico. Não esperava que o tema Amazônia pudesse permitir essa viagem “interestelar”, repleta de simulacro e simulação.
    ( ) não surpreende

    Linguagem:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: o primeiro capítulo possui uma linguagem poética muito bonita. Já o segundo capítulo possui uma linguagem de uma crueza e um realismo aquilatado. No entanto, os dois últimos capítulos possuem uma linguagem demasiadamente comum, não surpreendente. Parece que, no uso da linguagem, houve uma perda gradual de fôlego. Apoema deveria ter insistido mais, ao longo do texto, na linguagem poética e bela que ilustra o primeiro capítulo.

    Estrutura:

    ( x ) surpreende: gosto de contos divididos em capítulos. O uso de epígrafes ao início de cada capítulo também ficou muito bom e instigante.
    ( ) não surpreende

    Estilo:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: o estilo me surpreendeu apenas no primeiro capítulo (linguagem poética) e, um pouco, no segundo (linguagem crua, com uso do chulo e do calão). No entanto, os dois últimos capítulos soaram comuns.

    Excertos dignos de nota:

    ( x ) sim: “Gostava da sinfonia noturna. O pio sequencial do caburé-da-amazônia, o chamado matrimonial dos insetos, o vento uivante nas folhagens.” O texto possui outros bons excertos, mas esse se destacou.
    ( ) não

    Inteligência:

    ( x ) desafia a inteligência: o enredo, as epígrafes plenamente ligadas ao conteúdo dos capítulos, a viagem no tempo e a crítica muito sutil à maneira como os homens cuidam de seu planeta desafiam a inteligência do leitor.
    ( ) não desafia a inteligência

    Avaliação final: Apoema, você obteve avaliação positiva em oito itens e avaliação negativa em dois itens. Você pratica MUITO boa literatura. Parabéns!

    Anderson do Prado Silva

    • Apoema
      9 de junho de 2020

      Mba’éichapa, caro Anderson?

      Fico lisonjeado que acredite que faço muito boa literatura. É um carinho no Ego e um incentivo para continuar crescendo.

      Nderoryete!

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Informação

Publicado às 7 de junho de 2020 por em Amazônia, Amazônia - Grupo 2, Amazonia-Finalistas e marcado .