EntreContos

Detox Literário.

Minha Família Querida (Paulo Luis Ferreira)

“A vida é boa de se viver, a gente é que não presta”.                                                                        (Dito popular)

Penso de quantas maneiras eu poderia apresentar e, consequentemente, dizer a respeito desta situação. Dada à sua vileza, sinto que seja necessário pormenorizar o caso. Porque, no que vale a conjuntura dos fatos, e para tanto, permito-me como envolvido que estou discutir o discutível. Que é por assim dizer, e dessa forma, o que nos é possível contemporizar em busca de alguma verdade, da forma como persiste, seus extremos, dentro de nós.

Nisso creio, porém, não poder salientar, ou antever, inúmeros outros enfoques que se colocaram em perfeita sintonia com o empenho com que descrevo, mesmo que resumido. Digo isto, por ser este assunto, muito delicado. Confesso estar forçando a gramática, principalmente a pontuação, a adjetivação e a adverborização, pelo fato e ato de escrever tão rebuscado, à moda dos grandes escritores, como Suassuna ou até mesmo ao mestre Machado. – que eles não me ouçam – Sem que, com isso, os prezados senhores e queridíssimas damas, não cogitem a mínima intenção. Nem é de meu feitio sair por aí fazendo plágios, pois nem mesmo sou escritor. A custo um reles subliterato beletrista. E deles, sou, somente e somente só, um honrado e saudoso epígono. No que diz respeito à virgulação é apenas e, simplesmente, por certo engasgo momentâneo, em virtude da gravidade do problema. De modo que, e por assim sendo, estar tão nervoso, suando frio, e com uma tremedeira danada nas mãos, ao tentar explicar o inexplicável e, certamente absurdo. Peço mil vênias, mas vamos ao cerne da questão.

Pois bem, vou tentar colocar este dilema como algo extraordinário que me força, pois alguns esclarecimentos se impõem; sem os quais será difícil acompanhar a sucessão dos fatos e entender o enredo em que me meti, embora comedido no vitupério e sóbrio nos elogios. Pois que, elogiar, elogiarei se necessário for. 

A verdade é que estou atolado em dívidas, estou até o pescoço de problemas. E para piorar o achincalhe sobre a minha pessoa acabei de ser flagrado pela minha mulher com um cartão de visitas de uma loja na mão, quando estava prestes discando. Nele estava escrito em letras bem grandes “COMPRA E VENDA DE ORGÃOS”, então ela disse cheia de desdém e malquerença com sua fala viperina: “Estás comprando um piano, Carlos Augusto?!… Eu não sabia que o senhor era músico!…” Imagine só o estado em que me encontro ouvir uma zombaria desta é de arrebentar qualquer um. Com toda sinceridade, jamais me passou pelo juízo que eu fosse precisar deste recurso. Porém, estou no meu limite. A decisão é extrema, eu sei, mas necessária. Fechei negócio com a tal loja, com a qual minha mulher me surpreendeu ao telefone. É isso, está tudo combinado, acertado e consubstanciado pela parte deles e, decidido, consolidado e confirmado no que depende de mim. Vendi meu rim. Vou fazer o transplante amanhã ao meio-dia.                                                        

*****

Cego que não sabe se benzer quebra o nariz, diz o dito. Eu não, eu sei me virar. Hei-me aqui convalescente numa cama de hospital, paralisado, mas feliz. A família numa alegria só. Largos sorrisos no rosto de todos. Minha mulher, então, nem se fala de tanto contentamento. Problema resolvido, dívidas sanadas, agora é só pensar o futuro.

Há oito dias que estou internado, mas em plena recuperação. Os médicos me fazem muitos elogios; dizem eu ser muito forte, de uma saúde rara. Minha mulher e meus filhos mostram-se muito envaidecidos com isto. É flagrante em seus semblantes a felicidade estampada no brilho dos olhos, por terem um pai, um esposo, com tanto vigor. Principalmente minha mulher que, também, achou muito louvável minha atitude, meu desprendimento. Salientou até que atos de coragem como demonstrei, poucos têm hoje em dia. Até fico meio encabulado com tantos afagos e gestos de carinho. E confesso estar todo prosa. Sinto-me orgulhoso e garboso com a família que tenho. 

           Noto também que eles estão mais unidos agora. É fácil vê-los pelos corredores, pelos cantos do hospital, confabulando ideias, estratagemas. Muitas vezes escapa algumas palavras, então percebo que é sobre mim que falam. Outro dia ouvi minha mulher cogitando a ideia de no ano que vem comprar um carrinho para a família. Para tanto, estavam estudando qual órgão é o mais valioso, para assim, fazer negócio. E já estavam vendo preço de mercado. Mercado particular ela quis dizer, porque na lista oficial não se aceita venda e compra. É por lista de espera e não se ganha nada por isso. Visto ser, de certa forma, uma ação clandestina. De tal modo que, melhor seria procurar o mercado paralelo devido a esse imbróglio, digamos assim, alfandegário e monetário. Em vista de tal dificuldade, estão tratando o assunto de forma cautelosa. À vista disso deduzi, do que ouvi de um dos meus filhos, quando disse ter posto anúncio camuflado em códigos num jornal, já estavam obtendo boas propostas com ofertas ótimas. Desse modo, se Deus quisesse, e Ele tinha que querer. Eles iriam fazer um bom negócio. Foi sem querer, mas eles deixaram escapar entre cochichos estarem cogitando em vender a córnea de um dos meus olhos. 

            Antes de ontem, quando já eram mais da meia-noite, eu ouvi uma conversa entre os médicos do plantão que minha mulher já estava estudando a possibilidade de, junto ao hospital de fraturas, negociarem minha perna direita e o braço esquerdo. Porque este tipo de operação já é muito bem sucedida, desde que seja implantada com urgência naquele a quem teve o membro decepado e que o doador esteja a disposição para qualquer emergência. Mas para tanto, paga-se muito bem, dizem. Eu me sinto tão bem com a felicidade de minha família que passei uma procuração, aqui mesmo no hospital, para que eles possam fazer um leilão do meu coração, – desde que com ele não leve meus segredos, rs… rs… rs… – para que tenham após minha morte, claro, uma espécie de seguro de vida para a manutenção de seu conforto. 

            Mas mudemos de assunto. Eu fiquei emocionado mesmo foi com o ato de solidariedade de minha filha mais velha, a Vanessinha. Essa menina não me dá trabalho. Logo cedo entrou para a História, na USP quero dizer, e já está fazendo mestrado. Maravilhosa essa minha menina, só me dá orgulho. Outro dia ela me disse cheia de indignação: “O que estão fazendo com o senhor é uma degradação, um aviltamento a um ser humano ainda em vida. Pois, quando eu morresse de fato, não iria sobrar nada para ser sepultado. E que, conforme disse o Guimarães Rosa, em seu Grande Sertão: Veredas, “As pessoas ainda não foram terminadas… Mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam”. Mas, no meu caso, eu estava sendo desterminado. Que isso era uma barbárie de uma sociedade mergulhada no capitalismo selvagem.” – disse ela, censurando-me. – Sinceramente, fiquei comovido com seu senso de humanismo. Mas o fato é que ela só pensou em mim, não lembrou de seus irmãos nem de sua mãe. Já, a Maria, essa é uma mercenariazinha, por ela já deveriam de ter trocado até de apartamento, por um maior, com um quarto só pra ela. E a Michelli, a mais nova, é uma gracinha, pra ela tudo está bom: “Desde que não afete a saúde funcional do papai,” – disse, outro dia, para sua mãe. ‘– Havemos de ponderar, são puros arroubos, coisas da juventude. 

             Também não quero esquecer o esforço descomunal do irmão de minha mulher, o Alberto, e o pulha do pai, seu Hildebrando. Veem de tudo, desde uma ambulância, preço do Dólar, do Euro, na possibilidade de fazer negócio com o exterior, onde sempre rende mais. São pau-pra-toda-obra. Ah!… O que esses dois não fazem para ver aquela filha e irmã sorrindo. Tudo isso sobre a batuta do meu primogênito, o Vinícius. Um gerente nato. Este sim sabe pôr os pontos nos is, nos epsílones e os dáblios no lugar e na hora certa. Além do mais e acima de tudo, filósofo! Lembro-me emocionado de como ele me sensibilizou na quarta-feira passada, logo que acordei da anestesia, quando me disse umas frases maravilhosas. Ele falou quase ao meu ouvido: 

           — Papai, diga-me do fundo do seu coração, qual a questão? Ser ou não ser? 

E eu, meio constrangido, sem saber se ia errar ou acertar, respondi titubeante: 

         — Ser!… – então ele confirmou: 

         — Isso papai!… Ser é a questão. Não será um rim, um olho, uma perna ou um braço que haverá de lhe fazer falta. E isto, é sinal de que o senhor ainda está pensando. E se pensa, logo existe!… Foi o Descartes quem falou isso. 

         Disse ele cheio de pompa e orgulho por seus conhecimentos intelectuais e filosóficos. E por fim, ainda falou uma frase do Nietzsche que bateu no fundo da minha alma; com as mãos acariciando-me os ralos cabelos prateados, suspirou fundo e completou: 

          — E não se esqueça papai, que ninguém, ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para atravessar o rio da vida, ninguém exceto tu, só tu. E não se martirize, pois que, dificuldades e obstáculos são fontes valiosas de saúde e força para qualquer homem.

A despeito disso tenho algumas mágoas de minha mulher. Por que, no passado, sempre que podia ela arrumava um jeito para me humilhar. Antes de minha heróica decisão, do transplante do rim, certa ocasião saímos; fomos jogar pôquer na casa de uns amigos nossos. Aí ela disse, na frente de todos, com toda a malevolência e a empáfia que Deus lhe deu, me deixando vermelho de vergonha. Só por que eu falei que andava pensando sobre certa coisa… Então, ela prontamente repeliu: 

            — Como!?… Você!… Andar e pensar ao mesmo tempo? Rá… Rráa!… Jamais!… – então todos deram um estardalhaço de gargalhada.  

             A considerar o estado macabro em que vou ficar após todos estes transplantes que estão programando para mim, eu convido os prosaicos senhores e as amabilíssimas senhoras, com a devida acuidade, a não ser que vá acontecer algo desagradável àqueles que temem entediar-se com uma situação, em que digamos assim, um tanto insólita, e que paulatinamente serão cúmplices da desintegração de um homem. Não o homem, mas o físico do homem. Pois sim, que minha moral e espírito de altivez encontram-se em elevadíssimo grau de consciência e alto estima. Eu estou bem e muito bem. Especialmente eu peço a atenção dos senhores médicos, porque estes sim podem tirar proveitos experimentais muito úteis desses transplantes.

Agora falemos um pouco de mim. Com exceção de agora, eu nunca que houvera obtido sucesso em nada. Fiquei não digo velho, insensato, mas um homem maduro e tonto. Aqui estou eu, prostrado neste leito de hospital. Tenho o aspecto de uma pessoa saudável e alegre, entretanto, na realidade estou sentindo vontade de dar um urro com toda a força dos meus pulmões. Arrancar todos estes tubos de hemoglobinas, soro, sangue e jogar pela janela, pular da cama e socar o primeiro que topar pelo corredor. Mas deixemos isto pra lá. Nada disso importa. O que vale é o bem estar de minha família querida. Vamos dá continuidade ao assunto.

Minha mulher, a Ângela… Ops, que lapso!… Ia me esquecendo de dizer o nome dela para os senhores, mas é este o seu nome, Ângela. Ela não sabe, mas meus filhos estão querendo fazer-lhes uma surpresa, para antes da compra do carro. Eles ouviram falar que estão comprando pele para operações plásticas em queimados, e até mesmo para aqueles que não se sentem muito bem com a beleza que tem. Então eles já estão vendo as condições para, no natal, presentearem a mãe com uma viagem a Bariloche, Pois este é seu sonho de criança: fazer um boneco de neve. Então eu falei para eles não deixassem sua mãe privada desta vontade. Agora eles estão se empenhando em achar comprador para o couro da minha bunda.

28 comentários em “Minha Família Querida (Paulo Luis Ferreira)

  1. Paulo Luís
    20 de abril de 2020

    Olá, dona Ruth, grato pelo comentário tão gracioso e cheio de deferências. Tomarei nota de suas anotações que me foram muito valiosas, e delas tirarei proveitos. Grato!

  2. M. A. Thompson
    11 de abril de 2020

    Olá autor(a)!

    Antes de expor minha opinião acerca da sua obra gostaria de esclarecer qual critério utilizo, que vale para todos.

    Os contos começam com 5 (nota máxima) e de acordo com os critérios abaixo vão perdendo 1 ponto:

    1) Implicarei com a gramática se houver erros gritantes, não vou implicar com vírgulas ou mínimos erros de digitação.

    2) Após uma primeira leitura procuro ver se o conto faz sentido. Se for exageradamente onírico ou surrealista, sem pé nem cabeça, lamento, mas este ponto você não vai levar.

    3) Em seguida me pergunto se o conto foi capaz de despertar alguma emoção, qualquer que seja ela. Mesmo os “reprovados” no critério anterior podem faturar 1 ponto aqui, por ter causado alguma emoção.

    4) Na sequência analisarei o conjunto da obra nos quesitos criatividade, fluidez narrativa, pontos positivos e negativos, etc.

    5) Finalmente o ponto da excepcionalidade, que só darei para aqueles que realmente me surpreenderem. Aqui, haverá fração.

    Dito isso vamos ao comentário:

    TÍTULO/AUTOR: 12. MInha Família Querida (Estorvo)

    RESUMO: A bizarra história de um homem que está sendo vendido em partes para satisfazer os caprichos da família.

    CONSIDERAÇÕES: Um conto de humor negro que começa chato pela linguagem prolixa do personagem, mas em pouco tempo nos cativa a continuar lendo para saber onde vai parar essa história, que outros órgão serão vendidos.
    O personagem-doador reveza suas emoções entre a raiva e a complacência enquanto a família confabula sobre o que fazer com o dinheiros dos órgãos, quem paga mais e a filha convencendo o pai de que nada do que for doado lhe fará falta.

    NOTA: 5.0

    Independentemente da avaliação aproveito para parabenizar-lhe pela obra e desejo sucesso na classificação.

    Boa Sorte!

  3. Jorge Miranda
    11 de abril de 2020

    O conto narra as desditas de um homem (Carlos Augusto) com a sua família. temos aqui um conto com uma pegada de fina ironia. Uma narrativa longa mas que em nenhuma momento se torna cansativa. Acompanhamos a vida de um personagem que tem uma família que não demonstra nenhum afeto por ele. O texto expressa, muitas vezes, passagens irônicas e até engraçadas. Gostei bastante do texto mas fiquei com aquela sensação de que faltou uma definição maior da questão do envelhecimento.
    Parabéns pelo seu conto interessante. Dou-lhe a nota 3,5.

  4. Valéria Vianna
    10 de abril de 2020

    Narra a história de um senhor que resolve vender os rins para pagar as dívidas e isso alegra tanto a família, que sua esposa e filhos decidem vender outros órgãos e partes do seu corpo para irem ajeitando a vida. Incluindo a pele da bunda.

    Nota: 4,5

    Definitivamente, não se trata de um conto sobre envelhecimento. Mas sobre inutilidade x utilidade de um homem. Seu valor como coisa. E, nesse aspecto de crítica social, é um bom conto. Sobre o afeto interesseiro, afeto toma lá da cá, “você sempre me dá, eu sempre recebo”. O tom irônico sobre o sonho do boneco de neve em Bariloche, e o que ele vai dar desta vez para concretizá-lo é hilário. Muito bom.

  5. Daniel Reis
    10 de abril de 2020

    12. MInha Família Querida (Estorvo)
    Tema: ficção macabra.
    Resumo: o sujeito está endividado e descobre que pode vender um rim para conseguir levantar fundos. Com o sucesso da operação, sua família fica animada com os negócios de órgãos e, cada um com seu interesse, buscam otimizar as “doações”. Até a bunda ele deu… a pele, quero dizer.
    Técnica: o narrador é prolixo na estrutura e narrativa, e algumas vezes cansativo até. As referências são várias, não só literárias, mas filosóficas e de costumes.
    Emoção: o texto marcou mais pelo linguajar “odoriquês” do que realmente pelo drama ou desdobramentos da situação. Excesso de personagens também dificultam o aprofundamento do leitor.

  6. Priscila Pereira
    10 de abril de 2020

    Resumo: Um homem vende um rim para pagar dívidas e a família começa a fazer planos de ir vendendo tudo o que puderem dele para melhorar de vida!

    Olá, Estorvo!

    Nossa, esse começo quase me fez desistir da leitura, muitíssimo chato…rsrsrs, mas… prossegui e descobri que o conto possui um humor negro e ácido que particularmente não me agrada, mas que tem o seu valor!
    Que família horrível, heim… fiquei com dó do senhorzinho que demonstrou fraqueza de caráter em ser um bom provedor para a casa e ser só um meio de conseguir dinheiro… no fim se conformando em deixar a família fazer o que quiser com ele só para agradá-los, ao menos uma vez na vida…
    Notei também uma metáfora com a situação de muitos idosos em nossa geração, que só são bem tratados enquanto dão algum lucro para as famílias…
    Bem, um texto pesado e que faz pensar, embora não agradável de ler.
    Parabéns e boa sorte!

  7. Fernanda Caleffi Barbetta
    9 de abril de 2020

    Resumo
    Homem vende rim para pagar dívidas, o que faz com que sua família passe a pensar na possibilidade de vender outros órgãos dele para receberem dinheiro para uma vida mais confortável. A percebe a intenção da esposa e filhos, o homem assina uma declaração oferecendo seu coração pelo conforto e felicidade da família

    Comentário
    O texto é bom, a ideia é boa, há trechos bastante engraçados.
    A primeira parte do conto, quando escreve de forma muito floreada, tentando imitar escritores e pensadores, achei um pouco cansativa e perdeu a coesão com o restante do texto.
    No final, não sei houve um equívoco ou foi proposital, mas no Natal, Bariloche está no verão, não teria neve para fazer o boneco.
    Não consegui identificar claramente o tema envelhecer.

    Alguns erros gramaticais que escaparam na revisão
    Dada à (a) sua vileza
    Digo isto, por ser este assunto, muito delicado
    Ficou confuso estre trecho: “Imagine só o estado em que me encontro ouvir uma zombaria desta é de arrebentar qualquer um.”
    esteja a (à) disposição
    eram (era) mais da meia-noite
    Já, (tirar vírgula) a Maria,
    Por que (Porque), no passado,
    Só por que (porque)
    Vamos dá (dar) continuidade ao assunto.
    fazer-lhes (lhe)

    Uso exagerado de reticências

  8. Amanda Gomez
    9 de abril de 2020

    Olá,

    Resumo 📝 A história de um homem que decide vender seu rim para sustentar a família. As coisas parecem dar certo a família com seu aval começa a negociar todos os seus órgãos no mercado negro.

    Gostei 😁👍 A primeira vez que tentei começar esse conto fracassei e detestei o início. Acho que tudo depende da disposição para ler, pq agora o faço e gostei do texto. O autor foi esperto deixando claro, que a escrita prolixa é proposital e escrever assim combina totalmente o personagem que se mostra um sádico, sem personalidade e meio louco. Achei isso ótimo. Ele foi bem construído, o texto é nonsense, a referência a família addams onde esse tipo de coisa realmente seria louvável foi certeira também. O conjunto, título, imagem, pseudônimo e texto casaram bem. Textos com escrita assim é até divertido ler em voz alta.

    Não gostei🙄👎 A gente se acostuma com a estranheza na história a acaba ficando na expectativa por algo…maior, inesperado. Infelizmente não veio, achei que o conto foi perdendo a força conforme caminhava para a conclusão. Como se o autor não soubesse até onde poderia ir com a ‘’ bizarrice”.

    Destaque📌 “É isso, está tudo combinado, acertado e consubstanciado pela parte deles e, decidido, consolidado e confirmado no que depende de mim. Vendi meu rim. Vou fazer o transplante amanhã ao meio-dia.”

    Conclusão = 😅 Um texto inteligente, não sei se hábito do autor escrever dessa forma, mas deve ter dado trabalho. Um personagem curioso. O nonsense funciona até certo ponto, final abaixo das expectativas.

  9. Fabio
    7 de abril de 2020

    MINHA FAMÍLIA QUERIDA (ESTORVO)

    Resumo: Um homem está num leito de um hospital vendo sua família cuidar dos seus interesses. Obviamente os interesses pessoais de cada um para quando este vier a morrer.

    Comentário: Muito boa a ideia de explorar o cenário da venda de órgãos e os interesses dos familiares no que conseguirão com essas vendas. Retratou uma realidade que vemos mesmo nos interesses mais sórdidos existentes.

    Boa sorte no desafio.

  10. Luciana Merley
    7 de abril de 2020

    Olá. autor.
    A tragicômica história de uma família que ninguém merece ter. O patriarca vendido aos pedaços, de modo programado, para satisfazer a ambição que chega ao paroxismo. Tudo isso, não numa narrativa de terror, mas com trechos que nos levam às gargalhadas.

    AVALIAÇÃO: Utilizo os seguintes critérios: Técnica + CRI (Coesão, Ritmo e Impacto) sendo que, desses, o impacto é subjetivo e é geralmente o que definirá se o conto me conquistou ou não.

    Técnica – Veja! Até o meio da terceira linha senti que lia um aprendiz de Machado de Assis, numa elegância ímpar no trato com a linguagem. Já no restante do parágrafo, parecia que escutava Caetano Veloso (quando não está cantando). E o segundo parágrafo inteiro me lembrou aqueles escritores da língua portuguesa extremamente rebuscados e que afastam o leitor logo de cara. Por sorte nossa, o texto faz um retorno à linguagem elegante, mas acessível em todo o seu restante. E aí sim, mostra a que veio. Num fluxo impecável de ideias, o vocabulário rico passa deslizante pela sua incrível capacidade de escrita. A partir do terceiro parágrafo, a leitura corre solta, sem nenhum impecílio sintático que penumbre a sua história. Acredito, a não ser que você tenha razões muito fortes e por mim não captadas. que essa parte inicial (explicando a complexidade da linguagem) seja desnecessária ao enredo.

    CRI – Apesar de não perceber uma ligação com o tema “envelhecer”, o texto é coeso ao tratar do assunto proposto . O ritmo, a partir do terceiro parágrafo é excelente (corre solto). O impacto, apesar das minhas considerações iniciais, foi muito bacana. Uma tragicomédia muito bem pensada e com um iceberg inteiro de trama invisível pra gente pensar. Gosto muito de textos que expõem a crueza da natureza humana como faz o seu. Com um pouco de comédia então, fica melhor ainda.

    Parabéns.

    • Paulo Luís
      18 de abril de 2020

      Oh, Luciana, que comentário primoroso e refinada compreensão. Estou muito grato e envaidecido.
      Abraços, Paulo

  11. Marco Aurélio Saraiva
    7 de abril de 2020

    O narrador é um homem que, já cheio de filhos e uma mulher ingrata, resolve vender o rim para pagar as dívidas da família. Logo a família nota a oportunidade na decisão e passar a vender seus olhos, braços, pernas e até pele. Uma única filha acha isso um absurdo, mas nem ele, agora deitado em um leito de hospital, entende a fúria da filha solitária: apesar de ter momentos de raiva, ele só quer o bem da família.

    O conto é MUITO bom no sentido de que ele fala em metáforas sobre esse aspecto tenebroso da velhice de alguns: os filhos e a família explorando um senhor de idade, dando tudo de si para deixá-los feliz e recebendo em troca apenas a mutilação do corpo – o tempo, eu diria, se esvaindo entre seus dedos para realizar os desejos de outros. É a situação triste de muitos idosos, ainda trabalhadores ou simplesmente detentores de fortunas que fizeram durante a vida de trabalho árduo, apenas para verem filhas e filhos e parentes interessados apenas no seu dinheiro e não na sua pessoa. Muitíssimo interessante e bem explorado.

    Agora, pelo amor de tudo o que mais sagrado, pelas barbas do profeta, por todos os santos… RETIRE AQUELES PARÁGRAFOS INICIAIS. Deus me livre e guarde ( e olha que sou ateu): que coisa ruim e difícil de ler! Não é nem engraçado, nem bom. Eu pensei em desistir de ler o conto e deixar pro final por que DEU UMA PREGUIÇA INCRÍVEL. Felizmente, ou você se cansou de tentar escrever daquela forma tosca, ou decidiu escrever de forma mais legível depois (arriscando até uns “rs rs rs” mais pro final) e daí o conto fluiu!
    Não sou contra escrita rebuscada mas aquilo estava ruim demais. E você até meio que fez troça da própria escrita, pedindo desculpas, mas sinceramente, não foi bom. Tira aquilo lá, refaz, por que a ideia e o conto são EXCELENTES.

    • Paulo Luís
      18 de abril de 2020

      Olá, Marco, grato pelo ponderado comentário e a perspicaz interpretação ao tema. Quanto a modificar os parágrafos citados por você, estou me sentindo “entre a cruz e a espada” , como diz o dito, porque uns, assim como você, não gostam, mas outros tantos gostam. Inclusive eu. Então a tarefa fica difícil. Entretanto, sem tirar o valor da sua sugestão, não deixa de ser um caso a se pensar com cautela. Grato mesmo. Abraços, paulo

  12. Gustavo Araujo (@Gus_Writer)
    6 de abril de 2020

    Resumo: homem vende o rim para pagar dívidas e logo a família encontra nesse tipo de comércio a saída para todos os seus desejos consumistas.

    Impressões: conto de humor negro narrado propositalmente de forma empolada. Acredito que os muito erros de gramática tiveram a intenção de transperecer uma primeira pessoa de narração sem muita instrução, alguém que vê como normal essa dissecação em tempo real de si mesmo. Talvez haja aí uma espécie figurativa e transfigurada de antropofagia, ao menos sob o aspecto metafórico, na medida em que o narrador protagonista se doa, literalmente, para que seus parentes tenham uma vida melhor. Apesar da ideia interessante e original, devo dizer que o texto não funcionou comigo. Não é o tipo de comédia que me atrai, infelizmente. Ainda que eu reconheça a criatividade não posso dizer que me agradou enquanto leitor. De todo modo, é um trabalho razoável e que poderá cativar leitores que apreciam esse tipo de narrativa.

    Nota: 3,0

  13. Cilas Medi
    6 de abril de 2020

    Olá Estorvo.
    Um estilo “aristocrático”, pomposo, linear, meticuloso e assombroso de um homem que será esquartejado, após operação da retirada de um rim para saldar dívidas da família, isso feito de maneira afirmativa, própria, com todos os ditames e aceitando a situação.
    Após, no mesmo modo jocoso e peculiar, a continuidade do procedimento de venda dos outros órgãos, até braço e perna, sabe-se lá, alguém vai aproveitar bem essa situação.
    Trata-se de um conto sobre a miséria humana, não sobre a velhice, apesar de se encontrar no meio esse entendimento, ela não foi definida como atriz principal.
    Um ou outro sorriso valeu a leitura.
    Sorte no desafio.

  14. Elisa Ribeiro
    5 de abril de 2020

    Homem endividado decide vender o rim para saldar os débitos. Durante sua recuperação, após a cirurgia de remoção do rim, a família se empolga e planeja melhorar de vida com a venda de outros órgãos do homem.

    Um conto interessante que mistura em um enredo irônico e absurdo, humor negro, relações familiares sórdidas e um narrador antiquado e beletrista. Eu gostei, me diverti.

    Os primeiros parágrafos podem afastar leitores mais impacientes. Para mim, a redação exageradamente prolixa e a sintaxe tortuosa funcionaram bem em introduzir as peculiaridades do narrador e a atmosfera do conto.

    Essa linguagem, irônica e armada, a la Machado em Brás Cubas, eu diria, não apenas no início mas ao longo de todo o texto, é um dos ponto alto da narrativa. Integra-se ao enredo alegórico e crítico potencializando o efeito de comicidade amarga, valorizando o trabalho.

    Observei alguns lapsos na revisão, nada porém que tenha atrapalhado a fruição da leitura. Não há nada de moralismo nisso, mas achei meio de mau gosto a referência à bunda do protagonista. Um rebaixamento desnecessário além de que, na voz desse seu narrador, “nádegas” soaria à minha leitura bem mais adequado e factível.

    Parabéns pelo trabalho. Desejo sucesso no desafio e em tudo mais. Grande abraço.

    • Paulo Luís
      18 de abril de 2020

      Muito agradecido, Elisa, por seu valoroso comentário, ponderado e franco. Quanto a prolixidade do personagem faz parte de sua compleição de caráter. O fato é que o numero de palavras impede que se construa melhor o personagem, Por isso, talvez, não tenha ficado tão perceptível sua índole, ao usar a palavra “bunda”, porque, apesar de toda sua subserviência, ele, de certa forma, é de um temperamento debochado. Mas sua observação foi por demais valiosa para mim. Grato mesmo.
      Abraços, Paulo

  15. Fernando Cyrino
    4 de abril de 2020

    Puxa, e acabei me esquecendo de falar da imagem que escolheu para ilustrar seu conto. A Família Adams tem tudo a ver com o que nos narra. Um conto de humor aterrorizante. Outro abraço, Fernando.

  16. Fernando Cyrino
    4 de abril de 2020

    ei, Estorvo, bravo, cara, estou aqui rindo demais. É que você escreveu uma história excelente. Ficou bacana mesmo esse seu conto. Criativo e me fez dar umas boas risadas.É, meu amigo, você acertou a mão, desde o apelido que encontrou e passando, é claro, também pelo nome do conto. Cá com meus botões, Estorvo, fiquei pensando que a primeira parte poderia ter sido mais breve. Teria ficado mais leve a narrativa. Sim, eu senti que ela ficou um pouco pesada, Fez mesmo com que a história se arrastasse e ela, a história do nosso pobre herói, é que é muito legal..Pudesse lhe dar umas dicas, diria mesmo para investir mais nessa segunda parte, quando conta verdadeiramente a sua (triste) saga. Também, na minha opinião, seria legal, Estorvo, dar uma última olhadinha no texto. Alguns detalhes ficaram pedindo um acerto. Meu abraço de parabéns. Você escreveu um conto muito legal mesmo.

    • Paulo Luís
      18 de abril de 2020

      Olá, Fernando, poxa cara! Comentário como estes nos deixa mais que envaidecido. Agente se sente mesmo é meio abobalhado! Nem sei o quanto devo agradecer tamanho é o contentamento. Grato mesmo! abraços Paulo

  17. Pedro Paulo
    1 de abril de 2020

    Este é um conto cômico, em que até a forma de escrita é mobilizada para dar o tom da estória, o excesso vocabular e os incontáveis poréns do narrador personagem servindo para dar uma cadência específica, de alguém que não quer dizer o que tem que dizer. É também chocante, pois traz um indivíduo claramente abalado pela própria situação, mas que finge estar perfeitamente bem e, não só isso, muito feliz em estar sendo de valor para a família. O contraste das circunstâncias com o estado de espírito de personagem, bem como a ação predatória de sua família, não tardam a assombrar. Em pouco tempo ficamos querendo que alguém o tire da situação e vemos na família verdadeiros monstros. Isso tudo brincando com a ideia de “compra de órgãos”. Um pretenso economista nosso recentemente sugeriu em seu twitter que fosse uma questão a ser normalizada. Nesse sentido, seu conto faz um bom serviço em extremá-la… para que sirva de lição. Outra coisa que me lembra é o curta “O Desaparecimento de Willie Bigham”, que traz um contexto parecido.

    Mas veja, acima avaliei o seu conto. Se eu o avaliasse para o certame, o reprovaria em razão de não estar de acordo com o tema. o “Envelhecer” enquanto verbo não aparece em nenhum momento, seja na forma de personagens ou no contexto do enredo. Há menção a cabelos brancos, mas, como tenho sustentado noutros comentários. A presença de personagens idosos não equivale ao envelhecer que demanda o desafio. Além disso, há de se criticar o início que, embora sirva para dar o tom da narração, também dá um início truncado à leitura, que de início parece despropositado e, por isso, desmotiva quem l^ê.

    Boa sorte!

  18. Felipe Rodrigues
    31 de março de 2020

    Perfeito. Vou ler e reler mais uma vez.

    Enfim. Homem narra como a sua família vai destroçando seu corpo e vendendo em troca do bem-estar e sem nenhum escrúpulo. Alguns percebem e tentam tecer crítica, mas estes são mais hipócritas do que bons samaritanos.

    O texto concatenado, rico em ideias, verborragico, mas sempre direto ao ponto, não ficou ruim de ler e com isso o autor teve ganho em seu objetivo, creio eu, de parecer acadêmico sem parecer chato, apresentando na construção pausada, estruturada, um levante de bom humor. Segue a história. É tudo. É alegoria. Extremados os fatos, sobra uma crônica realista sobre o quanto nos desintegramos nessa vida, seja no trabalho, na vida em família. Como diria o Rubem Cabral, é o “ódio cheio de amor”.É. Mostra-se aí também um sistema em equívoco, ordinário, e me parece que não há muita salvação. Parabéns pelo trabalho lindo.

  19. antoniosbatista
    30 de março de 2020

    Resumo: O personagem/narrador, decide vender um rim no mercado negro. A partir daí, a família se empolga e começa a vender partes do corpo dele, inclusive o couro da bunda (é o que está escrito).

    Comentário: O preâmbulo é enfadonho. Até o terceiro parágrafo o narrador fala muito e não diz nada importante. As frases elaboradas falharam na sua seriedade e essência, isto é, se tornaram forçadas demais para serem consideradas importantes na elaboração do texto, e houve um ou dois erros que passaram despercebidos na revisão. Foi muita explicação e pouca ação. Da metade para o final, a história se torna interessante e ainda mais cômica, fugindo totalmente do tema. Para uma história de terror, até que o argumento é bom, mas deveria excluir as frases elaboradas e se preocupar mais com as descrições dos atos macabros. Boa sorte.

  20. Julia Mascaro Alvim
    30 de março de 2020

    Abarrotado em dívidas e problemas decidi vender meu rim para melhorar de situação. A família reagiu com alegria devido ao livramento. Após a operação estou bem. A família está mais unida e tramam lucrar desse modo. Ouvi que tentam vender minha córnea, membros e até o coração. Mesmo assim sinto-me em alto grau de consciência e auto-estima. Os filhos estão propondo também vender parte da pele útil em operações plásticas para queimados.
    O autor começa o texto usando palavras difíceis e exagera no estilo . Isso torna a dissertação mais difícil que o normal. De uma situação trágica ele exprime um humor sarcástico e nos faz seguir dessa forma. nota 02.

  21. Angelo Rodrigues
    28 de março de 2020

    Minha Família Querida (Estorvo)

    Resumo: Homem endividado resolve doar seus órgãos para arrumar dinheiro para satisfazer as necessidades (nem tão necessárias assim) da família.

    Comentários: Conto escrito como paródia, que busca a graça através dos desacertos da vida de um homem endividado que encontra solução vendendo seus órgãos clandestinamente a terceiros.
    Fiquei esperando que em algum ponto o tema viesse a tona, que tratasse efetivamente do tema envelhecer, mas isso não aconteceu, ou aconteceu em um raro momento quando o protagonista nos avisa que se trata de um homem que envelheceu.
    Bem, estar velho não se enquadra no tema envelhecer, dado que faltam os fatos do envelhecimento, quando no conto-paródia o mote é apenas a graça decorrente das dívidas que o coitado contraiu.
    Os três primeiros parágrafos são escritos sem que a trama avance. Diz-nos, o autor, que há algo adiante, mas sem dizer o quê. Três longos parágrafos que não fazem a trama andar.
    O uso de palavras pouco comuns não ajudam no processo de leitura, embora o texto esteja escrito com correção, com poucos degraus de dificuldade.
    Não percebi o conto como estando dentro do objetivo do desafio, que seria tratar o tema do envelhecimento, de gente, de cachorro, de gato etc., mas que falasse do processo de envelhecimento, das alegrias, das dificuldades, de algo que estivesse absolutamente focado no processo do tempo agindo sobre, digamos, algo, humano ou não.
    Vi no conto-paródia um mundo de possibilidades, mas, fora do escopo.
    Boa sorte no desafio.

  22. Regina Ruth Rincon Caires
    28 de março de 2020

    Minha Família Querida (Estorvo)

    Resumo:

    A história de Carlos Augusto (homem endividado), Ângela (esposa), Vinicius, Vanessinha, Maria e Michelli (filhos), Alberto (cunhado) e Hildebrando (sogro). Carlos resolve vender o rim para conseguir dinheiro, o negócio foi bem sucedido e, daí em diante, a família de lançou na venda de outras partes do corpo do coitado.

    Comentário:

    Interessante o início deste conto. A escrita caprichada dá a impressão de que houve uma quantidade enorme de revisão para que nada escapasse e pudesse ser motivo de questionamento do leitor. O próprio personagem relata isso:

    “Confesso estar forçando a gramática, principalmente a pontuação, a adjetivação e a adverborização, pelo fato e ato de escrever tão rebuscado, à moda dos grandes escritores, como Suassuna ou até mesmo ao mestre Machado…”.

    A narrativa discorre com palavreado rebuscado (subliterato beletrista, epígono, vitupério, vênias, viperina…), confesso que pesquisei. Gosto disso, eu gosto de aprender.

    “Cego que não sabe se benzer quebra o nariz.” – dito popular que não conhecia. Muito legal!

    A partir de determinado ponto, há um afrouxamento no cuidado com a escrita, e deslizes sucessivos truncam a leitura.

    “Hei-me aqui”

    “dizem eu ser muito forte”

    “escapa algumas palavras”

    “Antes de ontem, quando já eram mais da meia-noite”

    “alto estima”

    “Vamos dá continuidade ao assunto.”

    Uso de porque (por que).

    “Ela não sabe, mas meus filhos estão querendo fazer-lhes uma surpresa…”

    “e até mesmo para aqueles que não se sentem muito bem com a beleza que tem.”

    “Então eu falei para eles não deixassem sua mãe privada desta vontade.”

    Achei muito interessante o emprego da citação de Guimarães Rosa:
    “Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam”.

    Enfim, é um conto que “debocha” da insignificância de valores instalada numa família. Tema interessante, bem pensado, sarcástico. O autor trabalhou muito bem na descrição dos personagens. O leitor sabe exatamente como é cada filho de Carlos. Acho que conheci, de muito tempo, a esposa, o cunhado, o sogro… A frase final do texto traz a impressão de que o autor “lavou as mãos”, deixou pra lá, “parei aqui e pronto”. Fiquei com essa sensação.

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

    • Paulo Luís
      20 de abril de 2020

      Olá, dona Ruth, grato pelo comentário tão gracioso e cheio de deferências. Tomarei nota de suas anotações que me foram muito valiosas, e delas tirarei proveitos. Grato!

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Informação

Publicado às 22 de março de 2020 por em Envelhecer, Envelhecer - Grupo 1 e marcado .