EntreContos

Detox Literário.

Casa de Contrição (Luciana Merley)

O terreiro amarelo e bem varrido parecia-me agigantado assim como são todas as coisas na infância. Poeira que subia nas tardes de todo dia, nas peladas com menino homem, de pé no chão, habilidosíssima, para contrariedade do meu pai e da natureza de menina moça. Ela, entre o vai lá, vem cá das panelas, do alho que sempre feria-lhe o dedo, do pilão à espera das mãos acostumadas (…) procurava-me com os olhos e velava-me, entre um chute e outro, um grito e outro, nas nossas tardes de meninice e pouco banho.

Cheguei por último, aos quarenta e três do nono tempo, quando nossa mãe, já velha para as dádivas maternas, não esperava por mais ninguém. Embaraçada, amenizava o algum constrangimento abstendo-se das novenas, das muitas missas e dos convites para a merenda. Mais coisa dela do que dos outros, pois amaram-me como a um último florescer da roseira num tempo em que as folhas já ousavam arriscar-se para longe do caule. 

Da altura de criança, vi os cabelos que branqueavam, as pintas do tempo trabalhadas no dorso das mãos, o curvar das costas, o andar mais demoroso e o queixar-se cada dia mais ausente. Acompanhei o formar das veias que saltavam, azuladas, a cada subida na trilha apertada e pedregulhenta que levava à lavoura de café. Subia cansada, suportando meus muitos reclames de preguiçosa. Apressada, pra não deixar esfriar a marmita com os pedaços de frango contados, tal pra qual, cujo pé que é sem carne e ela jurava preferir, mas que sabíamos, até eu, na minha túrbida percepção das coisas, que era pra conta do frango ficar igual.  

A comidinha, carinhosamente guardada sobre a trempe, na tigelinha de alumínio batido, para o chegar faminto da escola. Por vezes sem carne, razão dos meus desprezos e desaforos. Sinto. Ainda hoje. Na comidinha ficava o gosto da tigela. O gosto. 

Via, com a compreensão faltante de quem vivera uma década, o despencar do rosto dela no fim das férias dos netos da minha idade. O sofrer calado de quem, por designação originária, fora ensinada a suportar o mundo inteiro. 

Dos tempos dispensáveis da juventude, a adolescência é mesmo a maior patetice que nossas vistas já viram. Pois que nada senti, lembro-me bem, além da repulsa por um choro que não era meu e por uma porta trancada, em que esbofeteei sem qualquer respeito, a procura de uma peça de roupa qualquer. Num daqueles dias que a casa não esquece, nos foi entregue a notícia. Após sepultamento já feito, soubemos da tia Joana, a última irmã perdida, a derradeira do seu sangue, que não via pra mais de trinta anos esquecida pelas bandas do norte do país. Desolação lançada na mesa da cozinha, sem tato, como quem joga uma chave qualquer.

Com a enfermidade da irmã já por todos sabida, minha mãe foi proibida de fazer a viagem, ainda que as condições de dinheiro lhe fossem favoráveis. Meu pai, homem de incontestável honestidade e cotidiana rudeza, nunca fora dado a sentimentos fraternais. Restou-lhe um lamuriar sufocado, coibido pelas nossas necessidades infindas. O almoço por fazer, a roupa limpa para o trabalho dos filhos, meus arroubos mimados de caçula protegida. “Chega, mãe! Morreu, morreu…fazer o quê.” Lembro-me de ter dito, sob o silêncio de todos, enquanto assistia na TV as mesmas idiotices de sempre.

Nosso pai costumava nos ensinar sobre o comportamento dos animais do pasto. De como reuniam-se em torno da morte. “Parece que até sai lágrima…” dizia ele muito interessado. A ela, a afasia do silêncio.

O muito jovem mais parece bicho tolo destinado ao arrependimento. Na última vez em que ela pode avistar-me, pouco depois de os meus braços mal tocarem seus ombros, veio até a porteira, na entrada do terreiro amarelo, a fitar-me com olhos repletos, sem deixar escorrer, enquanto o carro abarrotado de malas partia para o meu primeiro trabalho e muitos meses de ausência. Não era olhar que eu conhecesse. Era olhar como quem soubesse. Ela sabia. Olhos de quem pedia pra voltar, o tempo, um minuto, um abraço que fosse o maior de quem o desse. 

Descobri, por ocasião dessa minha sempre lembrança dela aos pés da porteira, que os olhos não falam. Ao menos não gritam o suficiente. 

Meus filhos brincam no terreiro. Parece-me tão pequeno e coberto por uma detestável grama verde que deixaram esconder o amarelo da minha infância. O primogênito Arthur num esforço diligente, desajeitado, em aprender a empinar pipa com o tio Sérgio. Minha pequena Laura, pouco afeita a bonecas, desenha estradas com os pés, cuidadosa para não sujar em demasia as mãos, enquanto brinca, para desassossego do pai, com os carrinhos e tratores que encontrou na maleta do irmão. Eu a busco de longe, com os olhos entre os vãos da antiga varanda, enquanto nós, tal qual folhas caídas, reunidas pelo tempo aos pés da roseira, preparamos o almoço a muitas mãos.

41 comentários em “Casa de Contrição (Luciana Merley)

  1. Gustavo Araujo (@Gus_Writer)
    18 de abril de 2020

    Bem, a esta altura do campeonato, a leitura se dá muito mais por prazer do que por qualquer outro motivo. Mas isso a gente só faz quando sabe que o estilo do autor ou da autora nos satisfaz, sendo este o seu caso. O conto é curto, mas profundo, como parece ser sua especialidade. Temos uma história simples, de uma mulher que recorda a infância e a própria mãe, os tempos há muito idos de filha temporona, e a maneira como tudo isso parece se repetir numa idade em que a vemos amadurecida. O diferencial é maneira de narrar. Ao leitor é oferecido um moedor de carne para o coração na medida em que a trama se desdobra. A saudade, a nostalgia e a dor se sucedem mas, ao mesmo tempo há candura, há amor. Se sentimos isso é porque tudo valeu a pena. O que é bom fica. Felizes de nós, que podemos lembrar daquilo que passou, com os olhos de criança. Obrigado pelo conto.

  2. same alves oliveira
    17 de abril de 2020

    Me emocionou! Me senti dentro da história como fazendo parte do elenco. O desenvolvimento, a escrita, a emoção expressa em palavras, tudo perfeito. Parabéns Luciana! Vc é minha escritora preferida!

  3. sergiomendessola
    11 de abril de 2020

    14. Casa de Contrição (Arthur Laura)

    Um trecho da vida de um familiar, contado por outro… um pequeno trecho que refere muito…

    Um conto que deixa água na boca, bem escrito, mas que deixa o querer mais, o sentir que falta mais desenvolvimento.

    Pontuação: 4

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Obrigada Sérgio por sua contribuição. Quem sabe não desenvolvo mais posteriormente. Um abraço.

  4. Rafael Carvalho
    11 de abril de 2020

    Um bom conto, uma visão diferente da maioria dos contos que li aqui, a visão que a garota faz da mãe, de um tempo onde o peso do mundo lhe caia aos ombros duplamente por ser mulher e ter um universo inteiro para cuidar sem reclamar.

    Achei o texto bem escrito, teria cortado algumas linhas aqui, outras ali, para deixar mais enxuto e dinâmico, mas é apenas um opinião pessoal, o formato original não tira em nada o brilho da obra.

    Não considerei um conto marcante ou inovador na minha vivência de leitura do mesmo, mas é um bom conto, simples e honesto que entrega de forma coerente o que se propõe.

    Parabéns pela escrita, boa sorte.

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Obrigada por sua contribuição.

  5. Eneida Ferrari
    11 de abril de 2020

    14) Casa de contrição
    Ação ocorre em terreiro. Mãe sofrida pelo trabalho dá a luz a seu nono filho. Mais tarde há o choque da notícia de falecimento de irmã doente que residia muito longe há 30 anos. O personagem relembra fatos de quando ela despediu-se. O tempo passa. Depois os filhos brincavam no terreiro.
    ANÁLISE: Bom português. Narrativa confusa. História em si com pouco conteúdo, embora com descrição dos fatos de maneira a buscar uma elaboração literária.

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Obrigada por sua leitura.

  6. Pedro Paulo
    11 de abril de 2020

    Um belo conto, de escrita que demanda atenção do leitor, cada parágrafo nos fazendo avançar no tempo, selecionando memórias específicas suja descrição é sucinta, mas significativa de mudança, de uma nova nuance para a relação entre uma mãe e sua caçula. É tal qual ler pedaços de memória remendados numa narrativa que a princípio pode parecer caótica, mas finda sendo perfeitamente coesa… precisa. Entendemos tudo o que aconteceu e tudo que poderia ter acontecido ou, melhor dizendo, tudo que a protagonista gostaria que tivesse ocorrido. O final fecha o círculo, faz da memória o presente.

    Muito bom!

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Grata Pedro por sua gentileza e atenção ao meu texto.

  7. Rubem Cabral
    11 de abril de 2020

    Olá, Arthur Laura.

    Resumo da história: senhora se recorda da infância e juventude, recorda-se de seus comportamentos vistos como pouco femininos, da morte de uma tia, da rudeza carinhosa do pai, do trabalho conjunto nos almoços. Hoje, já adulta, ela observa os filhos brincando e o comportamento da filha, Laura, muito semelhante ao dela mesma quando pequena. Ela observa a casa antiga e tem saudades daqueles tempos.

    É um conto muito sinestésico. A narradora é muito observadora aos detalhes, dos cheiros e texturas, das impressões sentimentais. A escrita é muito segura e, por vezes, poética.

    Boa sorte no desafio!

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Obrigada, meu caro.A sinestesia era mesmo o intuito.

  8. Claudinei Maximiliano
    10 de abril de 2020

    Resumo: Uma garota do interior, diferente das demais garotas de sua idade, relata sobre a vida de sua mãe, sobre a falecimento de uma tia, sua última tia materna, e ao fim do conto, já adulta, conta um pouco sobre seus filhos.

    Comentário: Conto bastante linear, sem muitas surpresas e induzindo o leitor a imaginar como seria o fim. Entretanto a escolha das palavras e figuras de linguagem são fantásticas. “… pois amaram-me como a um último florescer da roseira num tempo em que as folhas já ousavam arriscar-se para longe do caule.” Esse trecho do conto é simplesmente sensacional! Uma figura de linguagem deliciosa.

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Obrigada por sua leitura tão sensível. Coisa de quem vez ou outra se arrisca na poesia.

  9. Bia Machado
    9 de abril de 2020

    Resumo: Mulher narra lembranças de família, mas principalmente da mãe. Ela, mais velha e também mãe, agora compreende coisas que não compreendia antes.

    Desenvolvimento do Enredo: Gostei demais, demais do seu texto. Um texto de memórias, quase como se a narradora fosse alguém real (e será que não é?), levando a narrativa de uma forma que nos emociona, nos faz imaginar tudo o que é narrado, a ponto até de nos tornar cúmplice de tudo aquilo.

    Composição das personagens: É um texto relativamente curto, então não temos como criar uma imagem dessas personagens, a não ser o que nos é contado. Mas o autor/a autora foi feliz na técnica, fazendo com que essas personagens se tornem próximas de nós, mesmo com “pouco espaço”.

    Parágrafo inicial: A sensação que tive ao começar a ler esse parágrafo inicial foi um pouco de sufocamento. Não é um parágrafo fácil. Acho que invertendo o primeiro com o segundo o texto ganharia mais leveza no início e criaria uma expectativa maior, mas é só uma sugestão.

    Finalização: Pra mim esse final ficou com cara de cereja de bolo, está perfeito, um fechamento terno, ela se mostrando mãe, cuidando da filha… Eu gostei muito. Parabéns.

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Obrigada pela leitura e pela dica, Bia. Irei observar o texto novamente.

  10. Fabio D'Oliveira
    9 de abril de 2020

    Resumo: Quando retorna para a casa onde cresceu, uma mulher recorda da mãe e de sua infância, e como tudo envelheceu.

    Olá, AL!

    Que conto sensacional. É o primeiro que conquista a nota mais alta, sim, falarei sem pudor, pois você merece todo o louvor. A técnica da narrativa, seu dicionário riquíssimo, a sensibilidade da história: está tudo perfeito, para mim.

    A riqueza do conto não está na originalidade ou trama complexa, está na poesia que vive nele.

    Foi o texto, até esse momento, que melhor abordou o tema, foi apresenta inúmeras nuances do envelhecimento. E você constrói tudo de forma tão natural que é necessário refletir para perceber essas nuances. Fala sobre os ciclos, sobre a morte, sobre o desgaste dos nossos corpos, sobre o envelhecimento da mente, do cansaço que isso gera, etc.

    Continue escrevendo, AL. E, por favor, não se vá sem antes deixar uma contribuição significativa para nossa literatura. Ela merece alguém como você.

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Estou muito lisonjeada e envaidecida. Obrigada por seu carinho na leitura do meu texto.

  11. Catarina Cunha
    9 de abril de 2020

    Resumo — Menina temporã cresce em casa onde a mãe idosa lhe parece distante. Só depois de adulta vem o arrependimento por não terem sido mais próximas. Será que entendi?

    Técnica — Um texto elegante, poético até, e de muitos significados entre as expressões.

    Trama — A história é simples, mas foi tão bem executada que se aprofunda em uma complexidade subjetiva instigante.

    Impacto — “O sofrer calado de quem, por designação originária, fora ensinada a suportar o mundo inteiro.” Aqui senti a dor da contrição.

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Obrigada, Catarina. Bom que você tenha conseguido sentir o que o texto desejava mostrar. Um abraço

  12. Jorge Santos
    8 de abril de 2020

    Este é um conto simples, que se descreve em poucas palavras: mulher fala das recordações que tem da mãe, dona de casa, que viveu para a família, e da relação com o pai, um homem austero que a impediu de ajudar a irmã doente. Ela carregou essa mágoa a vida toda. Pelo menos, foi essa a leitura que fiz do conto. A linguagem é algo confusa. O diálogo, que se pretende intimista, perde-se num emaranhado de sentidos onde se perdem detalhes essenciais para se compreender completamente a história. Sabemos o sentimento que está por trás: todos tivemos mãe, o laço é de uma força imensa, fica para a vida e sobrevive para lá do momento em que a perdemos – pelo que vejo, porque a minha mãe ainda é viva e isso vale, para mim, mais do que qualquer tesouro material.

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Olá, Jorge. Sinto que não tenha conseguido compreender a história eficazmente. Narração de memórias não costumam mesmo ser lineares. Obrigada.

  13. Ana Carolina Machado
    8 de abril de 2020

    Oiiiii. Um conto sobre uma moça que foi a filha caçula de uma família do interior. Ela nasceu quando a mãe já estava com uma certa idade. A mãe fazia de tudo por ela, mas a moça teve momentos de ingratidão e quando a irmã da mãe morreu não soube respeitar o luto e chegou a dizer uma frase insensível sobre a morte, dizendo que ela tinha morrido e que não podiam fazer nada. No fim pelo que entendi a mãe se fou e os filhos da moça brincavam no terreiro que um dia ela brincou, mostrando o passar das gerações. Foi uma narrativa bem sentimental em que sentimos o arrependimento da personagem devido às atitudes que teve com a mãe. Acho que o título é casa de contrição porque contrição quer dizer um tipo de arrependimento e acho que toda vez que ela ia na casa o sentimento vinha. É uma reflexão sobre como com o passar da idade as ações feitas na adolescência, principalmente com as pessoas que amamos, começam a pesar na consciência. Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Obrigada, minha cara.

  14. Paula Giannini
    7 de abril de 2020

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Resumo: A filha temporã narra sua vida com a mãe, em sua maternidade tardia e cheia de amor.

    Em primeira pessoa, a narradora, personagem muito bem construída, observa a mãe e a passagem do tempo em seu semblante, em sua vida, ao passo que também vive, e sente, e ama, e torna-se tão tangível, chegando quase a ser real. A empatia é certeira e o lirismo do conto se constrói em uma atmosfera criada com imagens que evocam a simplicidade e a beleza que há no lapso que é a existência de todo ser-humano.

    O(a) leitor(a) conhece o coração dessa mãe, sua luta, bem como a aura de amor que envolve a família da protagonista, muito pelo que é contado, mas, mais que isso, e também, por aquilo que se lê nos sub-textos, nas camadas presentes nesta trama.

    Tão simples e tão belo, reafirmo…

    Um conto pleno da literaridade capaz de causar no(a) leitor(a), o prazer de deparar-se com uma obra de arte.

    Parabéns por seu trabalho.

    Beijos
    Paula Giannini

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Muito honrada com sua avaliação. Ir além do simples ato de escrever uma história é o que todos nós buscamos. Estou feliz que tenha passado ao menos perto disso. um grande abraço.

      • Paula Giannini
        14 de abril de 2020

        Conto incrível, Luciana.

  15. angst447
    7 de abril de 2020

    RESUMO:

    Mulher, já adulta e com filhos, relembra os tempos em que convivia com a mãe amorosa e simples. Caçula temporã, nasceu quando a mãe já estava com 43 anos, e percebeu os sacrifícios maternos. Também notou os sinais do seu envelhecimento sem cuidados. Recorda-se também do seu egoísmo de caçula protegida, que não soube compreender a dor de sua mãe, e nem suportar seu choro sentido pela perda da irmã. Volta com a família à antiga moradia, onde já não há mais a presença da mãe, nem o “terreiro amarelo e bem varrido” da sua infância.
    _____________________________________

    F  Falhas de revisão  Esta é a parte que menos importa na minha avaliação. Só para constar mesmo. Não percebi nada de errado.
    I  Impacto do título Título forte, que estimula a curiosidade, sem entregar o enredo.
    C  Conteúdo da história A narrativa em primeira pessoa traz o tom íntimo de um momento nostálgico, cheio de imagens fortes e cruas, mas com uma camada extra de poesia. A leitura flui muito fácil, pelo ritmo cadenciado das palavras escolhidas com esmero. O envelhecer é visto como algo natural, mas nem assim menos difícil de ver naqueles que amamos. Não há uma idealização da maturidade, mas sim a confissão de não ter sido generosa o bastante para acolher a figura materna no declive de suas forças. Dá o que pensar e refletir sobre as relações familiares, como as vivenciamos durante a juventude e como as enxergamos quando nos tornamos adultos.
    A  Adequação ao tema  Tema abordado com sucesso.
    _______________________________________

    E  Erros de continuação  Não percebi pontas soltas.
    M  Marcas deixadas  Uma pontinha de inveja pela lindeza da sua escrita. E também uma lasca de tristeza pelas lembranças da narradora.
    ___________________________________

    C  Conclusão da trama  A narradora tenta se fixar no que vê no presente – seus filhos brincando e a família preparando o almoço. No entanto, é evidente o vazio que sente por não mais ter a presença materna por perto e por não poder voltar à infância e dar o amor e atenção que a mãe merecia.
    A  Aspectos quanto à originalidade do conto  Não chega a ser original, mas muito tocante.
    S  Sugestões  Nada a sugerir, mas poderia me emprestar um pouco do seu talento?
    A  Avaliação final Conto excelente para os meus padrões! Parabéns!

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Honrada e emocionada com sua avaliação. A propósito, muitíssimo detalhada, cuidadosa e respeitosa com os escritores. Receber uma boa avaliação de quem entende de escrita é um grande prazer. Senso de realização. Um beijo.

  16. Paulo Luís
    5 de abril de 2020

    Resumo: Reminiscências de infância de quando jogava bola, de menina entre meninos, garota caçula de uma família da roça. Os afazeres domésticos e da roça, da velha mãe já muito cansada. Até sua vida adulta ao fazer analogias da sua infância com a de seus filhos criados na cidade.

    Gramática: Numa prosa poética fica difícil apontar problemas gramaticais, mesmo que os haja. Portanto só se pode confirmar que tudo bem, nada a contestar. Aliás, contesto esta sentença, (Cheguei por último, aos quarenta e três do nono tempo) que não sei exatamente o que o autor(a) quis dizer com isso.

    Avaliação: Uma prosa poética que, no meu entender, nem foi bem uma prosa, nem muito uma narrativa poética, visto que, um enredo não há, nem estrofes definidas, relatos de lembranças e comparações. Contudo uma belíssima narrativa.

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Obrigada, meu caro por sua cuidadosa e gentil leitura.

  17. cgls9
    3 de abril de 2020

    O narrador começa seu rosário de memórias revelando ter sido a nona filha tardia e aos poucos, por essas reminiscências repletas de tristeza e culpa, vamos conhecendo essa mãe que a pariu; menina que jogava bola, trabalhadora incansável na roça e na casa. Uma mulher resignada com o que a dura vida lhe oferecia de prazer e dor. Também há espaço para um pai, apagado e no limite da sua personalidade ignorante e bruta. De volta ao presente, o terreiro amarelo ainda é o mesmo, mas os filhos agora são da narradora e permanece o vazio de uma convivência que não se permitiu ser plena.

    Considerações:
    As construções e as imagens que o (a) autor(a) nos traz são de uma riqueza raramente vista. São daqueles escritos em que o leitor precisa usar um marcador de texto para sublinhar as tantas composições e frases tocantes, profundas, maravilhosas… parabéns e boa sorte.

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Que alegria, muito obrigada.

  18. Fernando Cyrino
    1 de abril de 2020

    Ei, Arthur Laura, os nomes das duas crianças, você me traz – e me encanta – pela voz da filha caçula nascida quando ela já tinha seus 43 anos, a história da mãe que na peleja diária vai envelhecendo. As renúncias, do tipo dizer gostar de pé de frango, a pouca retribuição a tudo que oferece à família. E aí vem o ciclo da vida. Depois da vida continuar é a narradora filha quem observa os dois filhos, como se fora a mãe e é com a lembrança dela, viva, que irá, cozinhar o almoço. Que conto mais lindo, que boniteza a sua história. Estou aqui, repito, encantado com a sua narrativa. Resumindo dizendo que emoção é o sentimento que o seu texto me provoca. Um conto que, definitivamente, vai para as cabeças nesse desafio. Bravo, bravíssima! Parabéns. “

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Obrigada demais, meu caro. Muito feliz com sua avaliação.

  19. Cilas Medi
    28 de março de 2020

    Olá Arthur Laura.
    Primeiramente, ou seja, na primeira leitura, descrevi o que consegui entender… pois é, fiquei confuso e vou ler novamente, como um desafio para entender o desabafo (coisa ruim em conto) de uma mulher sabe-se lá o que.
    Vejamos o segundo tempo:
    “Mais coisa dela do que dos outros, pois amaram-me como a um último florescer da roseira num tempo em que as folhas já ousavam arriscar-se para longe do caule”, bonito, até simpático, mas o que dizer é metáfora, é arriscar a verborragia, é querer encontrar palavras e sentidos para atingir a meta sugerida e aprovada?! Ah sim, no fim entendi, fique tranquilo.
    Em finais do conto, precisamente por haver tido uma segunda leitura, compreendi em todo o que a menina, mimada, superficial, arrependida de como tratou a mãe e os detalhes entre abraçar e desejar ao longe, sem um respeito para um último halo de bondade e atenção.
    Conto de detalhes sombrios, nefastos, grandiloquente (sim, ele o é na minha opinião, sem desculpas, porque é uma opinião somente) e cheios de intrincados modos de pensar e escrever.
    Sinto muito.
    Boa sorte no desafio.

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Que pena, caro Cilas, que meu texto lhe pareceu tão incógnito. E olha que nem estamos falando de política, hein? Obrigada. Cada leitor tem seu jeito de enxergar um texto e se você não alcançou, certamente por incompetência minha. Um abraço.

  20. Inês Montenegro
    26 de março de 2020

    Nascida quando os pais esperavam já netos e não filhos, a narradora recorda os pais e em particular a sua relação com a mãe, naquela que foi a casa onde cresceu. O conto é uma janela para a vida familiar, sendo uma leitura calma, sem grandes reviravoltas. Tem o seu quê de reflexivo, mas chama mais à memória. É aprazível em termos narrativos, mas sem grande destaque.

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Obrigada, minha cara.

  21. Fheluany Nogueira
    25 de março de 2020

    Caçula, em reunião de família, lamenta a ausência da mãe falecida, em tom de prece para expressar o arrependimento de, talvez, não ter convivido mais e melhor com ela. A última frase resume o texto: “Eu a busco de longe, com os olhos entre os vãos da antiga varanda, enquanto nós, tal qual folhas caídas, reunidas pelo tempo aos pés da roseira, preparamos o almoço a muitas mãos”.

    Em linguagem poética, a trama apresenta o protagonista desde a gestação até o momento atual. Uma reflexão sobre a maternidade, sobre o distanciamento, e sobre seguir o próprio caminho. Leitura fluida, agradável. Parabéns pelo trabalho e boa sorte. Abraço.

    • Luciana Merley
      14 de abril de 2020

      Grata por sua atenção e gentileza.

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Publicado às 22 de março de 2020 por em Envelhecer, Envelhecer - Grupo 2 e marcado .