EntreContos

Detox Literário.

A Incrível História do Morto que Estava Vivo (M. A. Thompson)

Aposentado, já havia perdido a mulher e os filhos para a vida. Os próprios pais foram bem antes, quando ele estava com 86 anos. E agora, quarenta anos depois, sem sentir sequer uma dorzinha de cabeça, decidiu procurar um médico:

—O senhor está morto.

—Morto? Como assim?

—O senhor está morto. Fiz todos os exames e o resultado é que o senhor está morto.

—Estou andando, comendo, bebendo, só o sono que não tenho mais. Como posso estar morto?

—Não é muito comum, mas o senhor está morto. Não há dúvida quanto a isso. Já vou assinar o óbito.

—E o que vou fazer agora que estou morto?

—O senhor tem família?

—Não. Todos já morreram. 

—E quem vai cuidar do seu enterro?

—Enterro?

—Sim. O senhor está morto. Precisa ser enterrado, descansar em paz.

Na funerária, enquanto olhava alguns modelos o vendedor se aproximou:

—Posso ajudar?

— Sim. Estou procurando um caixão de no máximo mil e quinhentos reais.

—É para a sua esposa?

—Não. É para eu mesmo.

—Como assim? O senhor está com alguma doença terminal? Prestes a morrer?

—Não. Segundo o médico eu já morri. Tenho atestado de óbito e tudo. Veja.

—É mesmo. Nossa, que legal. Poder cuidar do próprio velório, escolher o próprio caixão.

—É verdade. E esse aqui? Quanto custa?

—Este é mil e oitocentos reais e só não dá para parcelar porque o senhor não vai estar aqui para honrar o compromisso, não é mesmo?

—Estou querendo pagar à vista. Vivi com o nome limpo e não é agora depois que estou morto que vou sujar meu nome. Mas quero o serviço completo: remoção, velório, corbélia, velas em castiçais.

—A remoção podemos fazer por seiscentos reais, mas por que o senhor não chega no cemitério de Uber para economizar? Podemos deixar o ataúde já na porta e o senhor desce, acerta a corrida e assume seu lugar no caixão. O que acha?

 

—Nada disso. Não vai pegar bem. Quero fazer como todo morto faz: entrar no cemitério dentro do caixão.

—Não tem problema. O senhor é quem manda.

No dia do velório, dos poucos amigos que ainda estavam vivos um número ainda menor compareceu. Porém, a capela estava cheia de curiosos que queriam ver e conversar com o “morto”, saber por ele mesmo como e porque morreu.

Até a emissora de TV local compareceu e anunciou o que seria a primeira cobertura de um velório em que seria possível falar com o defunto.

Para não descaracterizar a cerimônia ele preferiu permanecer deitado e no caixão, mantendo o algodão no nariz. Só o da boca ele acabou tirando, porque atrapalhava ele falar:

—Quando o senhor percebeu que estava morto?

—Faz mais ou menos uns quarenta anos, as fortes dores que eu sentia sumiram e desde então não dormi mais. Até suspeitei de ser algo ruim, só não sabia que estava morto.

—E o que pretende fazer após ser enterrado?

—Descansar em paz. É só o que me resta, não é?

Às 17h50, faltando dez minutos para o fechamento dos portões, os funcionários sinalizaram que iriam fechar o caixão.

Muito emocionado, abraçou os mais próximos, agradeceu acenando para a multidão e foi aplaudido exaustivamente até que, com um sutil gesto de cabeça, autorizou a descida do caixão.

Enquanto ainda era possível ouvir os fogos e o som da terra cobrindo-o de vez, fez um retrospecto da própria vida.

Após alguns minutos em completa escuridão e sem ouvir nenhum outro som, pensou que talvez tivesse sido melhor consultar outro médico, pedir uma segunda opinião. Um pensamento que não durou muito, pois foi invadido por uma profunda calma até não conseguir respirar mais, após quarenta anos vivendo como se estivesse vivo.

22 comentários em “A Incrível História do Morto que Estava Vivo (M. A. Thompson)

  1. Eneida Ferrari
    11 de abril de 2020

    1) A Incrível história do morto que estava vivo
    RESUMO: Aposentado de 86 anos foi ao médico. O médico diagnosticou que ele já estava morto. O aposentado comprou o caixão e acertou os detalhes do enterro. Ao ser enterrado, na escuridão, pensou: eu deveria ter consultado outro médico para ter uma segunda opinião.
    ANÁLISE: Excelente texto em todos os aspectos. Muito bem escrito, de fácil leitura, criatividade nota 10. Final muito bom e bem inesperado. Parabéns ao escritor!

  2. Sérgio António Mendes Paixão Sola
    11 de abril de 2020

    1. A incrível história do morto que estava vivo (Corono Vérius)

    O morto que não sabia que estava morto e, quando soube, até tratou do seu próprio funeral…

    Um pouco confuso de início, com a idade do protagonista em relação aos seus familiares… Depois entrou na cadência da comédia e nesta fase, sobressai a boa escrita, com bom ritmo, faltando talvez uma identificação dos diálogos. Mas uma avaliação positiva…

    Pontuação 2,5

  3. Luciana Merley
    11 de abril de 2020

    Olá, gostei demais. Completamente inusitado e muito bem escrito. Parabéns.

  4. Claudinei Maximiliano
    10 de abril de 2020

    Resumo: Um idoso foi ao médico e o diagnóstico do profissional foi que ele já estava morto. Diante do parecer médico, o senhor foi até a funerária e comprou o próprio caixão, pagando a vista.
    No dia do velório, despediu-se das pessoas e, ao som de palmas e fogos, foi enterrado.
    Por uns instante pensou sobre a própria vida, mas então, sufocado dentro do caixão, não conseguiu mais respirar.

    Comentários: Conto bem escrito, com leitura fluida e sem floreios desnecessário. No entanto, não vi o elemento envelhecer. Vi apenas um velho com atitudes estranhas.

  5. Pedro Paulo
    9 de abril de 2020

    Um conto bem-humorado e de tom anedótico. A escrita é ágil, em que diálogos esclarecem a situação e dão a tônica surreal da situação, fazendo o leitor aceitar mais facilmente tudo que se passa como, por exemplo, o fato de um indivíduo estar carregando seu próprio documento de óbito e estar acessando a uma funerária para um serviço imediato, como se estivesse a agendar uma lavagem de carro.

    O enterro como evento televisivo foi uma boa escolha e acredito que poderia ter sido melhor desenvolvido, especialmente no que diz respeito ao momento em que explica esperar descansar em paz. Não ficamos sabendo muito sobre a vida pregressa ou, melhor, a morte pregressa da personagem, de modo que, para um indivíduo como ele, “descansar em paz” deve significar algo diferente do que é para uma pessoa comum. Mas, como o conto é um conto divertido e redondo, ao mesmo tempo que havia essa possibilidade, o autor pôde muito bem optar por encerrá-lo logo. Na verdade, se cheguei a pensar sobre isso, talvez deva ser mérito do conto ao me convidar à reflexão.

    Credito o autor pelo último parágrafo, pois ali é um momento decisivo em que o personagem pensa duas vezes pela primeira vez. Arrepender-se-ia? Não. Abraçou sua decisão, deixou-se levar por aquela paz supracitada.

    Muito bem!

  6. Jorge Santos
    8 de abril de 2020

    Poucos são os contos cujo título sintetiza tão bem a sua história como o do presente conto. Nele, um homem é convencido por um médico de que realmente está morto e trata do seu próprio funeral. Só debaixo de terra se lembra de que deveria ter pedido uma segunda opinião.

    O conto está bem escrito, com uma linguagem simples e fluída. O bom humor inteligente está patente em todos os pormenores, alguns deles insignificantes. O desfecho é brutal e algo inesperado. Faz-nos reflectir na nossa própria existência, o que é sintomático (se é que esta palavra ainda pode ser usado em clima de pandemia) de um bom conto. Não acrescentaria nada ao conto, nem retiraria nada. Está tudo pela medida certa, o que indica a maturidade literária do(a) autor(a).

    Parabéns.

  7. Bia Machado
    8 de abril de 2020

    Resumo: Homem descobre finalmente, ao ir ao médico, que está morto e começa os preparativos para seu próprio velório e enterro.

    Desenvolvimento do Enredo Gostei do desenvolvimento, em forma de crônica, até me lembrei de quando lia as do Verissimo. Na minha opinião, o autor deu o tom certo, a situação passa uma falta de emotividade de todas as personagens, um humor que me remeteu aos filmes de Peter Sellers, por exemplo. A leitura fluiu bem, li em um bom ritmo. Há algumas coisas a arrumar: “É para MIM mesmo” (depois do “para” e não havendo verbo depois, coloca-se “MIM”), “saber por ele mesmo como e POR QUE morreu” (quando a palavra “razão” fica implícita após, usa-se POR QUE: por que *razão* morreu). São apenas alguns toques, nada que tenha prejudicado minha leitura.

    Composição das personagens: Uma boa composição, como disse, dentro do “tom certo” do texto, em minha opinião.

    Parágrafo inicial: Bom, me despertou a atenção, justamente o estranhamento causado pelos pais morrerem quando ele tinha 86 anos, mas eu achei estranho: quando ele tinha essa idade, com quantos anos estavam os pais, 104, 106?

    Finalização: A finalização foi sem grandes surpresas, mas foi adequado ao enredo e manteve o ritmo da narrativa. Acho que o conto poderia ter até sido terminado após “talvez tivesse sido melhor consultar outro médico, pedir uma segunda opinião.” O que veio depois me pareceu um pouco explicativo…

    Trabalho muito bom.

  8. Paula Giannini
    6 de abril de 2020

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Resumo – Diagnosticado como morto, homem vive os ritos de sua morte, do médico ao caixão.

    Com ares de crônica, o conto propõe uma visão bem-humorada da morte, ao partir de uma premissa que, se por um lado nada tem de inédita, por outro, é ainda capaz de criar estranheza e conflito. O texto é leve e traz o tema partindo da premissa que é o inevitável fim de cada um de nós: a morte.

    Aqui, porém, vemos a morte consciente, em um tipo de constatação da inevitabilidade do fato e consequente resignação com o destino. Este homem se descobre morto e, ao invés de tentar driblar a própria sina de morto-vivo, já que, ainda que sem pulso, vivia até então na inocência da vida, segue seu caminho resignadamente ao descanso final.

    Essa morte em vida (ou vice-versa), talvez, possa funcionar como uma metáfora em alusão aos que vivem sem “realmente o fazer”, o que, aliás, não é um “privilégio” dos idosos, – tema do certame -. Assim como o zumbi que já é, o homem entrega-se, até com certa alegria, ao caixão.

    Parabéns por escrever.

    Beijos

    Paula Giannini

  9. Rafael Penha
    6 de abril de 2020

    Um conto interessante, jocoso e divertido. A narrativa é bem feita, o personagem é carismático, mais por sua situação inusitada do que por personalidade.

    Entretanto, o conto termina abruptamente. A história parece interessante, mas não há conflito para movê-la, o que a deixa sem maiores atrativos.

    Restam as mensagens, que são bem fortes e reflexivas.

    Grande abraço!

  10. Paulo Luís
    5 de abril de 2020

    Resumo: Indivíduo, ainda vivo, é surpreendido com o diagnóstico do médico de que já estava morto. Ele aceita a circunstância e passa a tratar de seu próprio funeral, depois de sepultado, já sob a terra se apercebe que não atentou a possibilidade de consultar outro médico para confirmar se realmente estava morto, mas já era tarde demais, pois a morte chegou de fato.

    Gramática: Nada que desabone. Uma narrativa fluente sem problemas aparente.

    Avaliação: Que belo conto esse que abre o desafio do grupo 2. Engraçado, e de um humor simples e muito inteligente. Numa linguagem prazerosa de se ler. O enredo flui numa lógica simples, mas tudo muito bem colocado. Gostei do conto, sobretudo do final. Só achei que por ser de um achado tão bom, poderia explorar mais um pouco, dando um pouco mais de volume ao conto, para ele ficar “redondo”, mas é só um achismo mesmo.

  11. Ana Carolina Machado
    5 de abril de 2020

    Oiiii. Um conto sobre um idoso que vive quase normalmente,com exceção de não sentir dor ou dormir, mesmo estando medicamente morto. Ele descobre isso após ir ao médico e após a chocante descoberta cuida do velório, da compra do caixão e preparativos em geral para o enterro e para que possa como dizem descansar em paz. A cerimônia fúnebre atrai muitos curiosos e a imprensa e no fim quando ele é finalmente enterrado parece que ele alcança a calma de seguir o curso natural das coisas. Achei a narrativa muito boa e surreal. Ela é conduzida de forma natural desde o momento que ele descobre a sua condição até quando é enterrado. É interessante que quando está perto do fim ele pensa sobre uma segunda opinião, como se desejasse que tivesse um outro caminha a ter sido seguido. Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  12. cgls9
    3 de abril de 2020

    O aposentado, decide ir ao médico e recebe o terrível diagnóstico: está morto. O ho9mem ainda tenta um debate, ele come, bebe, anda… só o sono que não tem mais, porém o médico é categórico, o doutor não tem dúvida e reafirma: O senhor está morto. E, precisa ser enterrado.
    O homem então, começa os preparativos para o seu enterro, cuida de todos os detalhes e cumpre todo o ritual. Seu enterro é uma acontecimento social, poucos amigos comparecem, a maioria já havia partido. No caixão, receou não ter procurado uma segunda opinião. Era tarde.

    Considerações:
    Um conto que ganha dez pela originalidade. Gosto da prosa, da condução da histórias, a comédia, (sera´divina?), pontuando a história. Não achei, porque também, nem procurei, erros ortográficos e ou gramaticais; eu valorizo, sobretudo, a história, a invenção do autor. E a sua história é muito boa. Parabéns! Quantas pessoas que se dizem vivas, nesse momento, estão mortas? O seu conto traz essa inquietação. Boa sorte!

  13. Fernando Cyrino.
    1 de abril de 2020

    Ei, Corono Vérius, caramba, o seu nome é um verdadeiro achado. Acho que é isto que eles chamam de marketing de oportunidade, né? Cara, gostei muito da sua narrativa. Ela tem uma pegada bem legal, prendeu a minh atenção e foi me carregando até o final com leveza. Você sabe contar a história, tem um domínio grande da nossa língua. Um texto de muito humor e até a morbidez do tema é tratada com leveza e maestria. Aquele tirar o algodão da boca para poder falar foi impagável. Ri demais aqui. Realmente, uma história bastante criativa e com um fechamento que também ficou bacana com o descansar em paz e o fato de, pouco antes, ter até avaliado que valeria a pena ter buscado uma segunda opinião. Há um “porque” no seu texto que me deixou com a pulga atrás da orelha, eis que está inserido numa frase de sentido mais interrogativo (saber por ele mesmo como e porque morreu). A verdade, amigo é que estou encantado aqui com o seu conto, parabéns, grande Corono.

  14. Catarina Cunha
    27 de março de 2020

    Resumo — Homem morto há 40 anos decide ir ao médico para constatar o óbvio e descansar em paz.

    Técnica — Enxuta e objetiva. O uso do tempo presente e a impossibilidade de interpretações viajantes deu a crueza necessária ao humor.

    Trama — A morte só existe se anunciada e assumida, vejo isso subtendido de forma brilhante. O auge do conto é ele todo, como um organismo vivo (ou morto).

    Impacto — “ Vivi com o nome limpo e não é agora depois que estou morto que vou sujar meu nome.” Um nome a zelar, na vida e na morte.

  15. Inês Montenegro
    26 de março de 2020

    Após uma consulta onde o médico passa um atestado de óbito ao protagonista por verificar que o dito se encontra morto – apesar de ter continuado a levar a vida nas últimas quatro décadas –, o defunto tem a possibilidade de planear o próprio enterro, o qual gera curiosidade por ser o primeiro onde é possível falar com o morto.
    O conto é curto, mas bem desenvolvido e conduzido. O carácter “absurdo” do enredo, diálogos, e dos eventos atribuem-lhe um humor que mantém a atenção e o gosto na leitura, mas o final retira-lhe qualquer superficialidade que se poderia considerar, permitindo diversas considerações, conforme a interpretação que cada leitor retire. A narrativa tem um carácter de descontracção que naturalmente leva a uma leitura descontraída: mas não se confunda descontracção com relaxamento.

  16. Rafael Carvalho
    26 de março de 2020

    Em primeiro lugar parabéns pelo conto, a leitura é bem fluida e gostei bastante da estrutura do texto, quanto a questões de gramatica e pontuação, não vi nenhum erro, mas assumo que esse não é nem de perto meu forte! 😛

    Referente ao enredo do tema, achei criativo e gostoso de ler, trás uma metáfora bem interessante do que é estar vivo, ou morto, nesse caso! hehe
    A forma como todos agem com naturalidade ao homem morto, que vive como um vivo, trás um ar curioso e atrativo para o texto.
    O seu é o primeiro conto que leio, espero que os demais sigam tão agradáveis de ler como o seu, mais uma vez parabéns!

  17. Fabio D'Oliveira
    24 de março de 2020

    Resumo – Acompanhamos um homem que descobre estar morto há mais de 40 anos, mas desconhecia desse fato e vivia normalmente. Decidido a honrar o destino, ele organiza seu próprio funeral e descansa em paz.

    Olá, Corono!

    Vou ser bem sincero: gostei do conto, mas senti que você poderia entregar algo muito melhor.

    Primeiramente, gostaria de elogiar a forma como você inseriu o Realismo Fantástico na história. É sutil e tão bem construído que faz todo o sentido do mundo. Para aquele, claro. Gosto dessa habilidade. Você conseguiu deixar tudo muito natural.

    A leitura foi prazerosa: você vai direto ao ponto, sem enrolação, apesar de sentir uma leve artificialidade nos diálogos, sem tanta naturalidade quando você quer inserir alguma informação. Posso destacar o diálogo entre o morto e o vendedor da funerária. O ritmo da narrativa é bom, não tropecei em nenhum momento e tudo fluiu muito bem.

    Agora, a escrita em si é muito boa, simples e concisa, mas precisa se focar na lapidação final. Tirar algumas coisas, inserir outras, mudar ali, ajeitar aqui. Olha esse trecho, por exemplo:

    “Vivi com o nome limpo e não é agora depois que estou morto que vou sujar meu nome.”

    Numa enxugada, poderia ficar dessa forma:

    “Vivi com o nome limpo e não é agora depois DE morto que vou sujar meu nome.”

    Detalhe simples, mas que pode deixar a leitura mais lisa e, inclusive, o texto mais bonito.

    E, finalmente, irei entrar no mérito do enredo. Costumo analisar o tema e como ele foi inserido no conto com certa rigidez. O foco dessa história é: morte. Isso é óbvio. O protagonista já está morto. Não acompanhamos seu envelhecimento. E tampouco tratamos do assunto de outra forma. O texto acabou destoando do tema, por causa disso. Ao meu ver, claro.

    Outra coisa que me incomodou foi, infelizmente, a forma como você desperdiçou a premissa. Sério, uma analogia sobre a morte interna, sobre a forma como lidamos com algumas perdas ou fracassos, encaixaria-se muito bem nesse cenário construído. Mas isso é uma coisa que EU gostaria de ver no conto. Entendo que, talvez, você não queria escrever algo dessa natureza. Queria algo divertido e simples. E respeito isso, claro! Não é algo que levarei em consideração na avaliação, mas que achei importante ressaltar, pois senti um grande potencial no conto e na sua forma de escrever.

    Parabéns pelo conto! E espero que conquiste tudo que deseja de coração.

  18. Rubem Cabral
    23 de março de 2020

    Olá, Corono Vérius.

    Resumo da história: homem de 126 anos vai ao médico e descobre que está morto há pelo menos 40 anos. Seguindo o conselho do doutor, encomenda caixão e funeral e prepara tudo para deixar o mundo. Dá entrevistas e conversa com os amigos durante o velório e depois de enterrado enfim descansa em paz.

    Bom conto! Divertida a história com pézinho no realismo fantástico, onde coisas invulgares acontecem e os personagens tratam como coisa usual. O texto é ágil, tem algumas boas tiradas e é até doce ao tratar do assunto tão grave. O conto está bem escrito e os diálogos soam naturais.

    Boa sorte no desafio!

  19. Cicero G Lopes
    23 de março de 2020

    A Incrível História do Morto que Estava Vivo – Corono Vérius
    O aposentado, decide ir ao médico e recebe o terrível diagnóstico: está morto. O homem ainda tenta um debate; afinal, ele come, bebe, anda… só o sono que não tem mais, porém o médico é categórico, o doutor não tem dúvida e reafirma: O senhor está morto. E, precisa ser enterrado.
    O homem então, começa os preparativos para o seu enterro, cuida de todos os detalhes e cumpre todo o ritual. Seu enterro é uma acontecimento social, poucos amigos comparecem, a maioria já havia partido. No caixão, receou não ter procurado uma segunda opinião. Era tarde.
    Considerações:
    Um conto que ganha dez pela originalidade. Gosto da prosa, da condução da histórias, a comédia, (sera´divina?), pontuando a história. Não achei, porque também, nem procurei, erros ortográficos e ou gramaticais; eu valorizo, sobretudo, a história, a invenção do autor. E a sua história é muito boa. Parabéns! Quantas pessoas que se dizem vivas, nesse momento, estão mortas? O seu conto traz essa inquietação. Boa sorte!

  20. angst447
    23 de março de 2020

    RESUMO:

    Aposentado com mais de 100 anos (se estivesse ainda vivo) descobre por meio de uma consulta médica que está de fato morto há cerca de 40 anos. Depois de receber a inusitada notícia, passa a providenciar o devido sepultamento. Para isso, procura pelo melhor caixão que esteja dentro do seu orçamento, pois não quer deixar o nome sujo nem mesmo morto. Acertar todos os detalhes do seu velório e enterro, despedindo-se de alguns poucos conhecidos ainda vivos.Enfim, deita no caixão e é enterrado, descansando em paz.

    __________________________________________________________________

    F  Falhas de revisão  Esta é a parte que menos importa na minha avaliação. Só para constar mesmo.
    – pagar à vista > pagar A vista (assim como é pagar A prazo)
    – como e porque morreu > como e POR QUE morreu (por qual razão morreu)
    Há alguma divergência quanto ao uso da pontuação, mas sem grande importância.

    I  Impacto do título O título entrega a essência do conto, o que prejudica um pouco o impacto da narrativa.

    C  Conteúdo da história  O enredo desenvolve-se bem, seguindo a linha de comédia a que se propôs. Pelo tamanho do conto e a presença de diálogo, a leitura corre fluida. Não há nada em excesso que prejudique o ritmo da narrativa.

    A  Adequação ao tema  Tema abordado com sucesso. O sujeito envelheceu bastante, até morreu, só se esqueceu de deixar de “viver como se estivesse vivo”.

    ——————

    E  Erros de continuação  Não sei se chega a ser uma falha, mas confesso que me causou estranhamento = “Os próprios pais foram bem antes, quando ele estava com 86 anos. E agora, quarenta anos depois…” Então, calculando… ele teria agora perto de 126 anos. Até aí, tudo bem. Mas e os pais, quantos anos tinham quando ele estava com 86 anos? Talvez 106 anos, se tivessem sido pais jovens. É plausível? Até é, mas mesmo assim, dei uma travada aí. Talvez porque os filhos também tivessem falecido, e aí por contraste, eu não digeri bem a ideia. Implicância minha? Muito provável.

    M  Marcas deixadas  Tom leve e divertido da narrativa torna a leitura muito agradável. Deixou um sorriso nos lábios e um frescor no humor.

    ———————-

    C  Conclusão da trama  O final da trama levanta uma dúvida – estaria ele realmente morto? “pensou que talvez tivesse sido melhor consultar outro médico, pedir uma segunda opinião.” Se estava morto antes, talvez… Mas que acabou morto, isso com certeza. Bom final!

    A  Aspectos quanto à originalidade do conto  Achei o conto bem criativo e gostoso de ler. A ideia foi interessante e se não tao original, foi muito bem utilizada.

    S  Sugestões  Tirando os acertos de revisão e a questão da morte dos pais, achei que o conto está bem trabalhado.

    A  Avaliação final  Parabéns, autor(a) pela sua participação neste desafio. Obrigada por me divertir com um tema que aparentemente poderia ser muito pesado. Bom trabalho!

  21. Fheluany Nogueira
    22 de março de 2020

    Idoso vive por quarenta anos sem dores e ao procurar um médico descobre que está morto. Sem família e amigos para o enterrar, ele mesmo providencia tudo. Só pensa em procurar outro médico quando em total escuridão, mas logo encontra a paz.

    É um conto com premissa original. Não sei se o texto é comédia ou drama, de tão absurdo o conflito criado. O texto, em si, é bem humorado, com cenas estranhas, bem construídas. Fiquei só visualizando esta: “Para não descaracterizar a cerimônia ele preferiu permanecer deitado e no caixão, mantendo o algodão no nariz. Só o da boca ele acabou tirando, porque atrapalhava ele falar”.

    A temática, na verdade, traz uma utopia — vida longa, sem dores e com disposição para iniciativas é uma situação que fascina. Lembrou-me, às avessas, a série “Altered Carbon”, em que a morte do corpo é abolida. De outro lado o texto é macabro ao trazer à mente os rituais e estereótipos do enterro e da ausência de família.

    Mas, no final das contas, foi uma leitura leve e divertida, despretensiosa (um sorriso discreto) e o desfecho acabou sendo uma surpresa. Personagem bem construído, a linguagem é informal, e os diálogos deram agilidade à trama.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte. Abraço.

  22. Cilas Medi
    22 de março de 2020

    Uma estranha situação de um homem que é considerado morto estando vivo. Diálogos com uma única direção, o fato de serem totalmente fora de senso e, nesse caso, um pouco ridículos. Não gostei, ainda mais que, como quase sempre acontece nos desafios, o assunto morte aparece como ator principal.

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Publicado às 22 de março de 2020 por em Envelhecer, Envelhecer - Grupo 2 e marcado .