EntreContos

Detox Literário.

Trilátero Ourífero (Luciana Merley)

Os olhos dela esperavam, noite a noite, a rouquidão do último apito longo. Só anoiteciam de vez lá pelas onze e quinze. Uma última olhada pela greta da veneziana que era limpa por dentro e cinza por fora. O feixe de luz vindo da locomotiva parada lá atrás, decadente, esticava, esticava (…) até não poder mais, e morria, todo dia, de frente à casa amarela, nos últimos ferros do trilho interrompido. O que ansiava mesmo, e há tempos não fazia, era ouvir o assovio longo e floreado. Aquele que os maquinistas folgazões produziam pra mandar embora seus amores e amargurar ainda mais os corações. Corações de todo dia, abanando as mãos tristonhas com seus sapatos gastos sobre o piso caracachento da estação. Distintos, todavia, os corações de hoje dos do dia predecessor, cada qual com seu próprio dissabor. Só que desistiram dos trilhos! Bem ali, de frente da casa que já foi amarela e viva. “Dali em diante era amorroado demais pra subir trilho de trem”, dizia já pra mais de 40 anos o encarregado pançudo dos bigodes que cobriam a boca. Mais proveitoso seria buscar gente de manhã, deixar de noite, e dar a volta pelo outro lado do morro, no rumo do Carmo, onde as curvas da estrada baixa acompanhavam as poucas águas do corregozinho resiliente. 

O velho pai maquinista. O chegar a cada cinco dias com um bolso empanzinado de pequeninas rochas negras brilhantes. No outro balas de goma. Uma amarela, uma azul, uma verde, outra amarela, enroladas no saquinho plástico retorcido nas duas pontas. No rosto, o riso estalado cortando a face cinza das trilhas quando via na janela os olhos em júbilo da menina Prado.

Uma pedrinha negra é deslocada. Rola, trisca, bate, cai desde a beira do velho trilho até parar no cimento embaixo da janela. O vento. Só o vento. Ela senta-se na cama e escora as costas curvadas na cabeceira. É quinta. Dia de quarto, do mistério da transfiguração. Segura firme em cada conta pra força da mão não deixar abotoar os olhos.

 

——————————————-´´———————————————

 

― Ei! Abre aqui. Menina Prado, abre essa janela ― escutou segredar a voz apressado-entrecortada do Carlos.

― Que foi? Tá fazendo o que aqui a essas horas? E menina…ai Carlos, só você mesmo pra me chamar desse jeito antigo. Tô mais corocada do que esses trilhos sem utilidade aí atrás.

― Autocomiseração minha cara. Pura autocomiseração. Mas…aqui! É sobre essa trilhaiada velha mesmo que vim conversar. Tá mais que na hora de arrancar esse encosto onde não passa nada e fazer essa casa amarela tremer de novo.

― Não me diga meu amigo! Acabou por se cansar da minha vida besta também? Achou leve carregar o mundo nos ombros e agora quer remover trilho? Sua despreocupação com a vida me diverte muito, sabia? ― respondeu num riso relaxado levando pra trás o cabelo lisíssimo de douradas mechas brancas. 

― Despreocupado, eu? Eu que vivo num assoberbamento danado naquela repartição. Abre caixa, fecha caixa, digita papel, apaga papel, copia papel, num aguento mais ver papel. Queria mesmo era escrever na nuvem e deixar por lá. Quem quiser ver que suba! Pois bem, menina Prado, quero te dizer que nós vamos finalizar com esses trilhos que deixaram aqui estorvando a sua vista. Pelo menos vai passar trem. Bem sei eu que você vive sonhando em acenar dessa persiana esquecida. Vai acabar morrendo e aí já viu né? Morte é um trem danado de categórico, dos mais que existem. E subitâneo! Você bem sabe.

― Uai Carlos! Agorinha mesmo eu era menina, agora já tô na beiradinha? Você além de despreocupado, tá ficando impreciso.

― Já falei que era pura comiseração, já falei. E olha, veste aí uma roupa mais abrigada e vem pra fora porque os homens já se acercam e nós só temos essa fração de noite.

Foi quando os olhos dela, já pelos anos inconfiantes, avistaram fileiras de homens nos rumos da estradinha que dava na beira do Itapecerica. Estrada estreita, esquecida como o velho trilho de trem, e ela. Vinham armados de escavadeira de mão, enxadões, cigarros fumegantes e chapéus de abas curtas como não se usam mais. À frente, um gigante de branco, de moldes bem cortados, conduzidos por uma borboleta negra acertadamente posta.

― E vê se não é o Rosa? ― embasbacou-se de vez na visão da noite.

― Não prescindiria eu de tão grandiloquente oportunidade pois minha cara Madame Prado ― e tocando-lhe o dorso direito da mão com o calor do lábio recém-fumegado.

― Pois, Rosa confessou-me que chegou de rodear o mundo com a cabeça empesteada de ideias e acabou por introduzir-me nessa empreitada ― disse Carlos enquanto tirava da pasta com dizeres de governo um rolo de planilhas e mapas de engenharia.

― Decerto ― continuou Rosa. ― Faremos uma linha predisposta.

― A quê? ― indagou a menina madame.

― Ao céu, pois que não!

― Minha virgem santíssima! Ou eu tô doida ou tô no quarto sono, quarto mistério (…) ah nem sei mais. Preciso de um belisco com máxima ligeireza.

― Não! Que sua pele não tá mais pra isso ― acudiu Carlos ― te aquiete porque Rosa é assim mesmo. Ele vem de dez em dez e chega ocupando a era todinha.

― Ah, meu afamado Carlos. Logo tu, o que subverte montanhas e mares sem amover-se do desconfortável assento reparticionário. Sei bem que de pedras entendes a contento. Pois, vamo-nos a elas ― e voltando-se aos homens que aguardavam suas primeiras ordens. ― Levante homens de muita fé! Alteiem mais essa base porque os trilhos têm que sobrelevar ― dizia e indicava com as mãos a altura final daqueles trechos inconcebíveis.

― Mas, Rosa! Com minhas mais respeitosas escusas, sou filha de maquinista, neta de maquinista, irmã de quem morreu remendando engrenagem de trem. O bicho não sobe morro, meu caro! Só se lá pelo mundo pra onde tens ido, e que de igual maneira, mantenho minha dúvida, ou de outro modo não chamá-lo-iam trem, mas por aqui não, nunca meus olhos viram.

― Não se apoquente menina Prado ― interferiu Carlos. ― Lembre-se de que Rosa tem comichões pela imaginatividade. Sabes que o trivial dá-lhe nos nervos e tira-lhe o pulso. E eu não caí em presepada alguma, porque nessas não caio mais. Já sou velho demais pra supetões. Mantive, como costume adquirido pelo avançar da maturidade, esses planos numa gaveta por meses, pra dar tempo do que é fogo se esfriar e da loucura tomar assento. Pois então garanto que é plenamente fazível. Pra nós é, pra outros, sei lá, ninguém sabe, quem sabe? Eu não sei ― e acabando-se em risos ao lado do gigante Rosa que mantinha um branco impenetrável àquela cinza em derredor.

Bate pedra, arranca trilho, remove terra, aterra fio. Num exceder de sons e vozes, os trilhos velhos saíram à força das madeiras podres, e no lugar, novos em folha e em ferro, num brilho dourado como as das mechas da madame.

 

Nas Minas de ferro, dos trilhos, do trem.

Das faces cinzas, das viagens, nas trilhas.

Se quebra pedra, desprende o ouro, debate o vento,

Dispersa o vento, o ouro, que o trem carrega, naquelas pedras.

….cantarolava Carlos enquanto ligava os pontos na sua planilha já rabiscada.

― Cantem meus obreiros dos trilhos, pois é cantando que o sobejar do suor molha mais doce a terra ― repetia ele em meio aos homens aos quais a menina madame não reconhecia rosto.

 

Nas Minas de ferro, dos trilhos, do trem.

Bate na pedra que o ouro já vem.

Bate na pedra, bate na pedra,

Bate na pedra que ouro já vem.

 

… cantavam aqueles homens em uníssono, enquanto a menina Prado via subir. Sobre uma armação de madeira fina, subia peça por peça de um dourado que espalhava uma luminosidade calma por toda a vizinhança dormida. O pó dourado plainava sob o bater ritmado dos homens sem rosto. O de Rosa, nevoado pela fumaça de fumo constante, fitava a menina de longe, com vezes de contentamento. 

Carlos corria e indicava, falava e corrigia, media e apressava.

― Vamo que já é quase hora. O fim da noite é como o fim da vida. Não espera hora e o que mais que seja.

A menina madame viu desenhar-se o mais ultrajante espetáculo em desfavor da normalidade que todas as Minas já viram e veriam por muitos tempos. Do estrepitoso mover no meio de uma vizinhança em silêncio e esquecida, trilhos dourados subiam a uma estação final última e improvável, mas que ela desconfiou existir. Um outro gigante de apito alegre surgiu vindo da estação velha, instalada há poucos metros da casa, da qual nunca vira trespassar trem algum. A locomotiva era negra com fiapos dourados que circundavam aquelas formas alterosas. E vinha aos olhos de todos.

Viu então quando Rosa embarcou primeiro. Curvou-se a meio corpo no cumprimento dos eruditos. 67 era o número pintado em cor de ouro naquela portinhola. Dois vagões depois foi a vez de Carlos. Passou as mãos pela careca quase completa, abriu os braços como quem abraça todas as Minas e confidenciou por último:

 

Ah! Quanta inveja tens tu Horizonte? Que vês ao redor, do alto,

Do cume dos teus montes, o trem e a brisa, que circundam,

E vez e outra te passam e te douram, te encantam e partem.

Olhou-a com olhos de afeto. Acenaram. Ela acenou. Não havia mais homem, chapéu algum. Ouviu então o ressoar do apito alegre, banqueteador, vindo do mover das mãos de um homem que tinha os bolsos empanzinados e o riso estalado, para os olhos jubilosos dela, cortando o pó dourado do rosto.

———————´´————————-

Notou que o som festeiro desconfigurava na medida que adentrava-lhe um outro, seco e rouco, enquanto ela remexia o corpo pra ajeitar a coluna doída e o pescoço endurecido por horas de sono mal-ajeitada. Os primeiros raios entravam, não convidados, carregando o brilho da poeira cinza de todo dia. O trem chegou na estação. O velho. Na velha. Foi até a persiana de greta aberta e reviu. O interrompido. Negro, mais pra cinza, mais pra velho, mais pra nada serve. O cotidiano. Ele. Lá.

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Tudo nesse conto é imaginação do autor. Quaisquer semelhanças com pessoas, lugares, mundos, gênios e anjos, não passam de puro exercício da mais arrebatemática admiração

36 comentários em “Trilátero Ourífero (Luciana Merley)

  1. fabiodoliveirato
    15 de dezembro de 2019

    Quando a imaginação sai do controle…

    Resumo: Menina Prado presencia, no meio da noite, a construção fantástica de trilhos, sendo de família de maquinistas.

    Querido autor, que dicionário rico você possui! Riquíssimo!

    O problema é que o conto é pesado demais. Não há um resquício qualquer de simplicidade, algo que admiro muito. Por causa disso, não consegui aproveitar a leitura. Foi cansativo. Denso. Tive que ler duas vezes para capturar o que estava acontecendo. E, admito, deixei o celular cair na minha cara um vez durante a leitura. Dormi um pouco.

    Como a narrativa não me agradou tanto, acho que não captei a essência da historia. Talvez leia mais uma vez antes de votar. Mas adianto: sua escrita é impecável.

    Às vezes, se for mais simples, poderá capturar mais leitores, pois a forma como narra e sabe criar diálogos é incrível.

    • Luciana Merley
      17 de dezembro de 2019

      Obrigada meu caro por sua leitura e pelas dicas. Um abraço.

  2. Leo Jardim
    15 de dezembro de 2019

    🗒 Resumo: mulher idosa vive à beira de uma ferrovia interrompida sonhando com o dia que um trem passaria ali. Um dia, velhos conhecidos surgem e constroem a ferrovia com trilhos de ouro em uma noite e um trem preto e dourado a atravessa. No dia seguinte, apenas a velha ferrovia e o velho trem estavam lá.

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): entendi que o objetivo do conto é falar sobre envelhecimento e sonhos de uma vida, mas confesso que não gostei muito da execução da parte do “sonho”. Primeiro que os diálogos me incomodaram por seu excesso de lirismo misturado com regionalismo. Um não combina com o outro. Seria melhor escolher um só. Segundo pela inverosimilhança da construção. De cara já dava pra ver que não era de verdade. Ninguém constrói uma ferrovia em tão pouco tempo, feita de ouro e ainda coloca um trem pra andar antes do sol nascer. Tava meio na cara que era um sonho e esse artifício sempre incomoda qdo é usado.

    Apesar disso, consegui absorver coisas boas na trama, principalmente sobre abandono e envelhecer.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): a técnica precisa de uns ajustes, mas é bastante boa. Acontece que algumas escolhas técnicas (o diálogo principalmente) acabou prejudicando a leitura. E isso deve sempre ser evitado ao máximo. A técnica deve ajudar ou não atrapalhar, pelo menos.

    Anotei, também, alguns problemas recorrentes de pontuação:

    ▪ Autocomiseração *vírgula* minha cara

    ▪ Não me diga *vírgula* meu amigo

    ▪ e aí já viu *vírgula* né?

    ▪ Uai *vírgula* Carlos

    ▪ Não prescindiria eu de tão grandiloquente oportunidade *vírgula* pois *vírgula* minha cara Madame Prado

    ▪ Não se apoquente *vírgula* menina Prado

    🎯 Tema (🆓️): envelhecimento 👵🚂

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): na média.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): o texto infelizmente não me agradou muito. Isso é uma pena porque, no início, acreditei que seria um dos meus favoritos. Mas aí veio o momento surreal, aliado aos diálogos já citados e me desconectei. O fim “foi só um sonho” acabou piorando ainda mais o impacto.

    🔗 Links úteis:

    ▪ Vírgula isolando o aposto: https://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint22.php

    • Luciana Merley
      17 de dezembro de 2019

      Obrigada pelas dicas meu caro. Com relação à mistura de lirismo e regionalismo, você esqueceu de citar o “rebuscado”. Estão assim de propósito porque remetem a ícones desses tipos de linguagem na literatura brasileira e que são representados no texto. Com relação às vírgulas, é um texto com sonoridade, logo sinto-me livre para usar do que chamamos de “licença poética”. Obrigada por sua leitura atenciosa e pelo link do dicionário de vírgulas. Um abraço.

  3. rsollberg
    15 de dezembro de 2019

    Trilátero Ourífero (Itabirano Cunha)

    Antes de começar preciso dizer que essa é a melhor imagem do desafio.

    Resumo: A história de menina madame Prado que espera o seu sonho concretizar.

    Então, com relação ao estilo e a escrita não há nada que possa recomendar. Ela é segura, competente, é absolutamente perceptível quo o autor tem o domínio completo do que está fazendo. Essa frase que destaco é um exemplo disto ““Morte é um trem danado de categórico, dos mais que existem. E subitâneo! Você bem sabe.”

    No que diz respeito a história, essa não conseguiu despertar minha atenção. A linguagem hermética deixou o texto ainda mais distante para mim. Ao final do conto, fiquei com a sensação de ter perdido completamente a intenção do autor ou quase. Uma casa amarela literalmente no fim dos trilhos, um tom saudosista, uma alegoria sobre a passagem para o outro mundo, um último trem. Enfim, confesso que não me apaixonei por esse conto. De qualquer modo, reconheço obviamente a capacidade do autor na elaboração deste conto, bem como sua composição.

    • Luciana Merley
      17 de dezembro de 2019

      Obrigada por sua leitura. Considerarei a não compreensão como uma falha minha de demonstração. Um abraço.

  4. Fabio Baptista
    15 de dezembro de 2019

    RESUMO:
    Então… a verdade é que li duas vezes o conto e não sei o que colocar no resumo. Tenho impressão de que mais leituras só trariam outras interpretações e as mesmas dúvidas.
    A sensação que tive foi de uma grande passagem de tempo entre quando a ferrovia funcionava a pleno vapor (literalmente) e quando caiu em desuso, passando por uma reforma. Uma senhora volta então aos tempos de menina e faz uma viagem meio fantástica, meio onírica.

    COMENTÁRIO:
    Utilizarei aqui o mesmo critério de “A hora da louca” – a maior parte da nota fica por conta da técnica, capaz de criar frases belas e narrar de um jeito pouco comum, pelo menos aqui no EC.
    Da história, porém, eu não gostei… tenho muita dificuldade em gostar do que não consigo entender direito, apenas aproveitar a viagem (aqui literalmente, mais uma vez) e tal.

    NOTA: 3,5

    • Luciana Merley
      17 de dezembro de 2019

      Obrigada por sua leitura e pela valorização da técnica. E considerarei a não compreensão como minha falha em não saber demonstrar. Um abraço chefe.

  5. Catarina Cunha
    14 de dezembro de 2019

    O que entendi: Um velho maquinista, de uma ferrovia morta, leva para uma criança pedras negras e balas. Neste momento o fantástico invade o consciente e, através da mente em devaneios da menina velha, a ferrovia é reformada e revivida. Li três vezes e a cada leitura uma interpretação diferente, logo não devo ter entendido como desejava o (a) autor (a). Então adorei.
    Técnica: De um domínio magnífico. O (a) autor (a) manipula nossos sentidos com maestria.
    Criatividade: Aqui temos um exemplo perfeito de que palavras bem manuseadas são capazes de, por si só, gerarem uma grande trama subtendida.
    Impacto: Fiquei tontinha. Sem dúvida arrebatador.
    Destaque: “O feixe de luz vindo da locomotiva parada lá atrás, decadente, esticava, esticava (…) até não poder mais, e morria, todo dia, de frente à casa amarela, nos últimos ferros do trilho interrompido. – A arte de descrever ambientes com sentimento.
    Sugestão: Perdoar meus comentários medíocres.

    • Luciana Merley
      17 de dezembro de 2019

      Seus comentários me emocionaram muito querida Catarina. Obrigada de verdade.

  6. Daniel Reis
    14 de dezembro de 2019

    Resumo: um diálogo onírico entre Drummond, Adélia e Rosa, em que elementos dos seus discursos e modos de pensar são amalgamados numa conversa fantástica, que pelos trilhos da história vai se revelar como um sonho de um viajante.

    Método de avaliação: “Análise Jacquiana”
    Receita: um conto quase farsesco, com suas mineirices e encontros de personagens famosos da literatura, como CDA, Adélia Prado e Guimarães Rosa, a partir do trem, elemento central das idas e vindas. Culinária mineira, com certeza.

    Ingredientes: tudo junto, misturado. Tem elementos conhecidos, mas a ordem de preparo e a forma como foram colocados na história a deixa muito confusa.

    Preparo: o autor soube fazer um conto que brilha como os minérios, mas que em alguns pontos força palavras e construções de raciocínio que nem sempre ficam muito autênticos com os personagens. Por exemplo, o CDA que eu conheço, é pelo diário revisto e publicado, portanto na maioria das vezes a voz que ouço na história não é a dele.

    Sabor: meio pesado, lento como o trem e barroco-rococó como igrejas mineiras.

    Frases motivacionais (quase aleatórias) do Eric Jacquin (ou coisas ele possivelmente diria) :“Se eu quisesse caviar, ia pra Rússia.”

    • Luciana Merley
      17 de dezembro de 2019

      Fico feliz que tenha identificado os personagens e agradeço pelas considerações, sem dúvida muito pertinentes. O CDA desse conto é o CDA das entrevistas, da voz quase sem fôlego e das mineirices certeiras. Obrigada

  7. Fernando Amâncio (@fernandoamancio)
    12 de dezembro de 2019

    Prado tem memórias e saudades dos tempos em que os trilhos em frente à sua casa levava trens e alegria pelo interior do estado. Em uma noite, Carlos aparece e a convida para substituírem os velhos trilhos por novos. Ela vê muitos outros homens trabalhando na obra e dentre eles encontra Rosa. Os três amigos conversam, até que Prado acorda, como corpo dolorido do longo sono, ouvindo o som do velho trem, melancólico, chegando à estação.

    Itabirano Cunha, seu texto é uma bela e merecida homenagem a esses três escritores mineiros, dos quais apenas Adélia Prado segue viva – se bem que não existe morte para autores que efetivamente alcançam a imortalidade com suas obras. O conto possui escrita impecável, assumindo o estilo dos autores em suas falas. Não é algo fácil de se fazer, ou ao menos não é fácil fazê-lo de uma forma convincente. Você consegue, a redação é bonita e poética, como uma homenagem a esses gigantes não poderia deixar de ser.

    Sou mineiro e, embora meu nascimento seja posterior ao apogeu do transporte ferroviário, é possível sentir no estado como é forte o saudosismo em relação aos trens. Também tenho maquinistas na família, brincava em uma linha ferroviária e, esporadicamente, via alguns vagões esqueléticos passarem por lá. Seu texto presta um belo tributo não só aos escritores, mas também ao espírito que cerca as saudades daqueles tempos.

    Enquanto narrativa, seu texto opta por pouca ação. Exala poesia e caminha em ritmo moroso, sobretudo nos diálogos, pois no esforço de adaptar a linguagem dos autores, interessa muito mais como se diz do que aquilo que é dito. É uma escolha, o estilo de texto que você desenvolveu. Não é um defeito, mas é uma opção que afasta um perfil de leitores, você bem deve saber.

    Boa sorte no desafio!

    • Luciana Merley
      17 de dezembro de 2019

      Obrigada por sua leitura meu caro. Fico feliz em encontrar alguém que tenha também essas saudades.

  8. Luis Guilherme Banzi Florido
    12 de dezembro de 2019

    Bom dia/tarde/noite, amigo (a). Tudo bem por ai?
    Pra começar, devo dizer que estou lendo todos os contos, em ordem, sem saber a qual série pertence. Assim, todos meus comentários vão seguir um padrão.
    Também, como padrão, parabenizo pelo esforço e desafio!

    Vamos lá:

    Tema identificado: poesia, drama

    Resumo: não tenho certeza, mas vou tentar. Mulher vive meio abandonada e infeliz à beira de um trilho de trem que nunca foi terminado, e sonha com aquele trilho sendo finalizado e iluminando de alegria sua vida.

    Comentário:

    Cara, sendo bastante sincero, não tenho certeza de ter entendido o conto ,mesmo lendo e relendo, mas vamos lá.

    Pelo que parece, a mulher estava sonhando com um brilho de vida que tinha perdido há muito tempo. A família toda sendo maquinista, a mulher parece ter perdido a cor da vida ao perder todos eles. Por isso, as lembranças continuam torturando ela, que fica encalhada naquele quarto ao lado dos trilhos abandonados.

    O conto, que conta com uma linguagem poética e com um ritmo de certa forma até musical (digo poético pois, mesmo antes dos trechos cantados e poéticos propriamente ditos, a linguagem toda é permeada de poesia e som). Além disso, a história me parece uma grande metáfora sobre perda. incapaz de superar as perdas, a mulher adormece todo dia no horário do último apito, e sonha com uma vida que nunca teve,. dourada e brilhante.

    Apesar de (se eu não tiver viajado totalmente na minha interpretação) ser uma ideia profundo e uma boa metáfora, não posso dizer que gostei de ler o conto. A linguagem é muito confusa, me obrigando a reler várias vezes cada trecho, de forma que a leitura não fluiu e eu comecei a cansar de ler.

    Mas isso não é culpa sua, é questão de gosto individual.

    Naquilo que importa minha análise, acredito que o ponto forte do conto é a poesia e metáfora fortes. O ponto fraco é a linguagem um pouco truncada e de difícil compreensão.

    Quanto à gramática, ainda que a alteração estrutural de algumas palavras tenha sido usada como recurso literário, acho que o conto merece uma revisão mais apurada, principalmente nas vírgulas.

    Destaco, especialmente, a falta de vírgula antes dos vocativos, como em:

    – Auto comiseração minha cara – faltou vírgula antes de minha
    – Não me diga meu amigo – vírgula antes de meu

    Entre outros. Não costumo (e acho bem chato, aliás), ficar listando erro gramatical. Fiz isso só pq percebi que em todos vocativos do conto faltou a vírgula, então achei útil alertar.

    De todo modo, apesar de alguns erros assim, a gramática e estrutura do conto estão boas.

    Parabéns e boa sorte!

    • Luciana Merley
      17 de dezembro de 2019

      Obrigada por sua leitura atenciosa e suas dicas.

  9. Priscila Pereira
    11 de dezembro de 2019

    Resumo: Então… não entendi direito do que se trata o conto… Li e reli e não cheguei a conclusão se eu não tenho capacidade pra entender ou se o autor não conseguiu passar a mensagem… Mas… Sei que tem alguma coisa a ver com uma senhora que vê alguns homem tirando os trilhos antigos de frente da sua casa e colocando novos e depois passa um trem, não sei ela está sonhando, delirando ou morrendo…

    Olá, autor!
    Como já disse no resumo, não entendi direito… A menina Prado está delirando? pq não me pareceu uma narrativa clara… o conto é meio fantasioso e escrito de uma forma não linear… não entendi o titulo, nem o que tem a ver com a história…
    Bem, minha versão do conto é que a Menina Prado é uma velhinha solteirona que o pai foi maquinista, ela teve um grande amor, possivelmente outro maquinista, que não se concretizou, ela relembra o passado enquanto sonha ou delira com o amigo Carlos e um tal de rosa, que não sei se é humano ou não, que constroem uma estrada brilhante para um novo trem, que no final passa e os leva… e depois ela acorda e vê que tudo está igual, como sempre… é isso??
    Não tenho muita base para dizer o que achei do conto, mas pra mim a escrita está muito confusa, o que atrapalhou muito a compreensão. Espero que só eu tenha tido essa dificuldade. Parabéns pela ousadia de mandar um conto assim e boa sorte!!

    • Luciana Merley
      17 de dezembro de 2019

      Não é bem isso, mas agradeço pela sua leitura e sinceridade. Um abraço.

  10. Carolina Pires
    11 de dezembro de 2019

    Resumo: A história se passa nos trilhos de um trem. Enquanto menina Padro olhava pela persiana da janela amarela é convidada por Carlos para participar do trem com uma fila de passageiros, dentre estes está Rosa com sua imaginação contagiante. Tudo parece ter sido um sonho de Prado, mas o trem estava lá. “O cotidiano. Ele. Lá.”.

    Um conto de uma beleza única. Uma verdadeira singularidade que me aproximou de Carlos, me fez tocar o ombro de Rosa, e o que falar de Prado. Ah, Prado, tão linda com seus cabelos brancos, tão simples, tão forte, tão mulher, tão ela. Quanta honra você me presenteou! Foi um presente de Natal, suponho (rsrsrs). Parabéns ao autor pela admirável sensibilidade e técnica, e trabalho, e tempo, e tudo. Um dos contos mais bonitos que já li. Ah, se a Prado pudesse lê-lo (rsrsrs).

    • Luciana Merley
      17 de dezembro de 2019

      Fico feliz demais por sua compreensão do texto e sensibilidade no comentário. Que bom que percebeu nossos gênios aí. Obrigada de verdade. “Ah, se ela pudesse lê-lo…”

  11. Gustavo Araujo
    10 de dezembro de 2019

    Resumo: mulher recorda o tempo em que era menina, quando ficava esperando a volta do pai, um maquinista de trem.

    Impressões: gostei muito deste conto. É dessas leituras que exigem um mergulho profundo por parte do leitor. No começo, há um estranhamento porque o estilo — embora seguro — não se assemelha a outros que se veem por aqui. Mas logo se acostuma a essa sensação e, a partir, o envolvimento cativante. Não falo isso apenas porque me apetece muito esse universo e as metáforas que o mundo ferrocarril proporciona, mas pela maneira como é contada a vida da Menina Prado. Nós a vemos garotinha ainda, aguardando a chegada do pai com ansiedade, pelas frestas de sua veneziana; depois seguimos com seus devaneios quando, já adulta, à beira da velhice, vê-se assaltada e supresa com a modernidade que a atropela, o que é demonstrado pela presença de Carlos e de Rosa. Para então, já no ocaso de sua própria existência, ver-se novamente presa à mesmice cinza, das velhas locomotivas.

    Interessante como esses pensamentos nos tragam para a mente da Menina Prado, como ela se deixa seduzir pela mudança de cenário e pela música — ah, a música — dos operários. Cheguei a pensar, devido à letra, que eles buscavam ouro, uma confusão mental que talvez case bem com a perturbação onírica que acomete nossa protagonista.

    A isso somem-se os neologismos, as palavras especialmente concebidas para este conto — o próprio título, aliás, carrega essa ousadia. No início cheguei a imaginar que se tratava de erros do autor, mas logo percebi que foram intencionais as tantas expressões construídas para se colocar na boca dos personagens que se comportam como adoráveis matutos, gente simples, mas muito eloquente.

    Por fim, a cadência, própria de uma velha Maria Fumaça, que vai, aos poucos, perdendo o fòlego. Até. Chegar. Na. Estação. Exausta. Como a própria Menina Prado parece estar.

    Parabenizo o autor e desejo boa sorte no desafio.

    • Luciana Merley
      17 de dezembro de 2019

      Obrigada meu caro e mais uma vez, uma honra seu comentário tão meticuloso e gentil.

  12. Fil Felix
    6 de dezembro de 2019

    Resumo: depois de anos, uma equipe chega pra renovar os antigos trilhos de uma locomotiva, mexendo com o imaginário da vizinha, agora uma senhora, que passa a recordar das coisas.

    O conto segue uma narrativa mais poética e onírica, que funciona muito bem por um lado, por deixar as coisas mais bonitas e subjetivas, mas por outro fica um tanto confuso também. A ideia da troca do trem fica bem nítido, mas outras coisas confesso que não peguei assim tão bem (eu acho). Alguns trechos dão a entender que a história ocorre no interior, com pessoas simples, em outros trechos há um uso bem rebuscado de palavras e deixa meio estranho. Como autocomiseração e arrebatemática, que saltam aos olhos e parece não combinar. Tudo ocorre numa noite e fica meio num sonho, usando de frases curtas, música e poema, reforça o tom onírico e até psicodélico da trama, mais ainda meio confuso.

    • Luciana Merley
      17 de dezembro de 2019

      Obrigada, meu caro. Sinto não ter proporcionado uma leitura mais agradável.

  13. Evandro Furtado
    6 de dezembro de 2019

    Car(x) autor(x)

    Estou aproveitando esse desafio para desenvolver um sistema de avaliação um pouco mais técnico (mas não menos subjetivo). No geral, ele constitui nas três categorias propostas no tópico de avaliação: técnica, criatividade e impacto. A primeira refere-se à forma, à maneira com a qual x autor(x) escreve, desde o uso de pontuação, passando por ortografia e mesmo escolhas de estruturação. A segunda refere-se ao conteúdo, ou seja, a que o conto remete e quais as reflexões que podem ser levantadas a partir disso. Por fim, a terceira refere-se ao estilo, quais as imagens construídas e as emoções que elas evocam. Gostaria de pontuar, também, que, muitas vezes, esses critérios têm pontos de intercessão entre si, sendo que uma simples palavra pode afetar dois ou mesmo três deles. A pontuação final é dada, portanto, pela média dos três critérios, sendo que uma nota elevada em um deles pode elevar a nota final. Dito isso, prossigamos à avaliação.

    Resumo: A história de uma mulher e de um trem que representa a vida, a existência, a morte. São construídos trilhos até o paraíso (?!). Tudo parece não passar de um sonho.

    Técnica: Sem dúvidas x autor(x) tem um estilo muito próprio que às vezes funciona, às vezes não. O conto navega entre a beleza poética e o tédio, e cruza essa linha tênue muitas vezes de um lado para outro, meio que não se estabelecendo em nenhum deles. Além disso, os dois parágrafos finais são desnecessários e impactam negativamente o conto.

    Criatividade: A trama é um pouco confusa, mas isso se justifica pelo caráter etéreo. Realmente, há uma dimensão de sonho envolvida. No entanto, trazer a ideia ao final, de que, de fato, foi sonho, diminui um pouco esse aspecto interessante. A sutilidade, às vezes, é um elemento extremamente útil.

    Impacto: O conto é cheio de imagens muito interessantes, sobretudo o das pessoas entrando no trem. Isso, no entanto, é impactado negativamente diante dos aspectos já supracitados.

    • Luciana Merley
      17 de dezembro de 2019

      Ok obrigada pela sua avaliação criteriosa do meu conto. Considerarei todas elas para me aprimorar.

  14. angst447
    30 de novembro de 2019

    RESUMO: Menina Prado, uma idosa, filha de maquinista dos tempos áureos, sente saudades de ouvir o apito do trem e de ver ativa a velha locomotiva. Ao se preparar para rezar o terço, ela percebe que é Dia de quarto, do mistério da transfiguração. E assim, vê a sua realidade transformar-se nas brumas de um sonho. O amigo Carlos a chama para ver finalizar com os trilhos que haviam sido deixados ali . Avistam fileiras de homens, tendo À frente, um gigante de branco, o Rosa. Menina Prado diz que trem não sobe morro, e que a tarefa de finalizar os trilhos é inútil. Mas os trabalhadores seguem com o projeto antes da noite acabar. Surge a locomotiva, preta com detalhes dourados, e quem nela sobe primeiro é o Rosa (alegoria da partida da vida? Que deve ter partido em 1967),depois foi a vez de Carlos que também se foi. Ouve então o apito alegre, vindo do mover das mãos de um homem que tinha os bolsos cheios de balas e de pedrinhas. O seu pai um dia viria lhe buscar? Ela acorda do sonho, de um sono mal-ajeitado. O trem velho do cotidiano chega na estação, como a vida e os sonhos interrompidos.

    AVALIAÇÃO:
    Conto que mescla uma aura de sonho com nostalgia dos tempos idos. O tom empregado é poético, com imagens cheias de significados implícitos. Foi preciso reler várias passagens para perceber por inteiro do que se tratava a trama.
    O ritmo do conto é lento, o que é condizente com o tema abordado. Não poderia mesmo ser uma narrativa acelerada, mas com os passos lentos de um sonho, o claudicar de uma idosa.
    Pequenas falhas de revisão:
    ai Carlos > ai, Carlos – o vocativo deve sempre vir separado por vírgula
    douradas mechas brancas. > mechas brancas lembram mais o prateado do que o dourado (que lembra mais as mechas loiras)
    Autocomiseração minha cara> autocomiseração, minha cara
    Uai Carlos! > Uai, Carlos!
    Não se apoquente menina Prado > Não se apoquente, menina Prado.
    A leitura não é exatamente fluida, pois para mergulhar no sonho da Menina Prado, o leitor precisa se besuntar de poesia. Não é uma escrita comum, ou previsível, mas traz um quentinho ao peito, mesmo que o final pareça mais seco e triste.
    Gostei bastante das metáforas empregadas para se falar dos que já haviam morrido, ou seja, haviam partido no trem do passado.

    Parabéns pela participação na última rodada da Liga 2019. Um Feliz Natal e que 2020 traga muita inspiração e realizações para a sua vida. 🙂

    • Luciana Merley
      17 de dezembro de 2019

      Muito obrigada por sua avaliação tão cuidadosa do meu conto. Feliz que tenha percebido nuances como o “claudicar” e o ano da partida do grande Guimarães Rosa. Grande abraço.

  15. Leila carmelita
    27 de novembro de 2019

    Sinopse
    Tarde da noite, em seu quarto, numa cidade do interior, uma senhora idosa espera o sono que não vem. É graças à luz do trem refletido no teto e nas paredes que sonhos e lembranças se misturam.

    Comentário
    Esse é um daqueles contos que dão dor de cabeça pra entender, mas isso no bom sentido. Darei minha interpretação, totalmente baseada na minha subjetividade, e que por sua vez, pode estar bem errônea. A menina Prado já é uma senhora idosa, mas que porta memórias afetivas em relação a uma ferrovia que não se concretizou. Dos dois um: ela imagina ver e ouvir o trem se aproximando, pois, a ferrovia está incompleta; ou suas memórias, somados a sua idade senil lhe permitem ver o trem. É na noite em que é acordada as tantas que vê operários querendo fazer o trem chegar ao céu, prenúncio de sua própria morte? Especulação minha. É um conto rico em metáforas, numa linguagem mineira que diverte. Pude ouvir os diálogos cheio de sotaque dentro da minha cabeça. Linguagem muito poética. Parabéns, caro entrecontista.

    Notas de Leila Carmelita
    – A Gata de Luvas – 4,0
    – A Hora da Louca – 4,5
    – A Onça do Sertão – 3,6
    – A Pecadora – 5,0
    – App Driver – 1,0
    – Estantes – 5,0
    – Famaliá – 3,5
    – Festa de Santa Luzia: Crônica de uma Tragédia Anunciada – 5,0
    – Lágrimas e Arroz – 1,0
    – Muito Mais que Palavras – 1,5
    – Na casa da mamãe – 3,5
    – O Legado da Medusa – 4,5
    – O que o Tempo Leva – 1,8
    – O Regresso de Aquiles – 4,0
    – O Vírus – 2,5
    – Suplica do Sertão – 5,0
    – Trilátero Ourífero – 4,5
    – Uma História de Amor Caipira – 1,0

    Contos favoritos:
    Melhor técnica – Estantes
    Mais criativo – Festa de Santa Luzia: Crônica de uma Tragédia Anunciada
    Mais impactante – A Pecadora
    Melhor conto – Suplica do Sertão

    • Luciana Merley
      17 de dezembro de 2019

      Obrigada, minha cara. Pelo comentário e pela boa nota.

  16. Fernanda Caleffi Barbetta
    26 de novembro de 2019

    Resumo
    Menina Prado era filha e neta de maquinista, tendo morado toda a sua vida justamente no ponto onde o trem fazia sua última parada, onde os trilhos acabavam porque a partir dali havia um morro. Durante toda a sua vida desejou que aquele trem pudesse avançar além de sua casa. Já idosa, recebe a visita do amigo de infância Carlos que conta que irão retomar o antigo trem, que já não mais operava, e iriam dar continuidade à linha passando sobre o morro. Com a ajuda de uma gigante chamada Rosa, eles realmente realizam o feito. No dia seguinte, a Menina acorda e nada havia acontecido e ela volta à sua vida normal.

    Comentário
    O texto é bom, bem escrito, com poucas considerações gramaticais.
    No início do conto fiquei me perguntando o que estaria acontecendo, se seria um conto de fantasia, uma metáfora para o momento em que a personagem, já idosa, morreria e seria levada ao céu ou não passaria de um sonho. Confesso que acabei me decepcionando um pouco por ter sido feita a escolha mais simples e desinteressante, na minha opinião, claro. Se é que entendi direito.
    Gostei do aviso que veio além do final, bem criativo.
    Com relação ao título, não acho que represente muito bem o conto ou talvez eu não tenha entendido a relação.

    “Ele vem de dez em dez e chega ocupando a era todinha” – não entendi essa frase.
    Pois, vamo-nos a elas (ponto) ― e (E) voltando-se aos homens
    Levante (levantem) homens de muita fé!
    mãos a (à) altura final
    meu caro! (minha cara, pois está falando com Rosa)
    Eu não sei (ponto) ― e (E) acabando-se em risos ao lado
    as Minas (minas)

    • Luciana Merley
      17 de dezembro de 2019

      kkk Fê vc achou que Rosa era a Rosa….obrigada querida.

  17. Regina Ruth Rincon Caires
    18 de novembro de 2019

    Trilátero Ourífero (Itabirano Cunha)

    Resumo:

    A história da Menina Prado/Madame Prado e seu pai, Carlos (amigo e engenheiro???), e o Rosa (responsável a serviço do governo???). A protagonista, agora anciã, relembra os tempos de criança, quando o pai maquinista chegava do trabalho. E sonha.

    Comentário:

    É uma narrativa bem bonita, relata as recordações de uma senhora, e, ao mesmo tempo, conta a satisfação de um desejo, em sonho. Um texto calmo, bem escrito, linguagem lusitana, permeado de versos. Bonita homenagem através do pseudônimo – Itabirano, Drummond deve ter ficado feliz. Lindo o desfecho em que o sonho traz a visão do pai, e a anciã acorda com os raios de sol (não convidados) entrando pelas frestas da persiana. As frases finais do texto formam poesia pura: “Os primeiros raios entravam, não convidados, carregando o brilho da poeira cinza de todo dia. O trem chegou na estação. O velho. Na velha. Foi até a persiana de greta aberta e reviu. O interrompido. Negro, mais pra cinza, mais pra velho, mais pra nada serve. O cotidiano. Ele. Lá.”.
    Final poético e triste. Emocionalmente, o fim. Não há muitos deslizes de escrita, e encontrei muitos termos novos (para mim). Palavras como: amorroado, ourífero, subitâneo, caracachento, inconfiante, grandiloquente, arrebatemática, fazível. E há expressões lindas: “não deixar abotoar os olhos”, “morte é um trem danado de categórico, dos mais que existem”, “ele vem de dez em dez e chega ocupando a era todinha”, “pois é cantando que o sobejar do suor molha mais doce a terra”, “por toda a vizinhança dormida”, “o fim da noite é como o fim da vida. Não espera hora e o que mais seja”. Enfim, um conto muito delicado, leitura calma, um texto que cativa.

    Parabéns, Itabirano Cunha!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

    • Luciana Merley
      17 de dezembro de 2019

      Obrigada querida por sua leitura tão singela.

  18. Angelo Rodrigues
    9 de novembro de 2019

    Trilátero Ourífero
    Resumo:
    Uma mulher de cabelos brancos de viés dourado. Homens que são fantasias. Constroem sobre uma linha férrea desgastada uma outra. Por lá passa um trem, um novo e brilhante trem que segue levando aqueles homens. Mais que isso seria puro e novo devaneio.

    Comentários:
    Caro Itabirano Cunha,
    Conto fantasia. Não me pareceu que o autor tenha buscado uma lógica, algo cartesiano no dizer e no contar. Optou por algo onírico, como se tudo fosse visto por uma fresta de luz, olhado por entre a bruma da noite úmida.
    Um conto legal de ler, salvo pelo uso de palavras empoladas além da conta, com momentos de mesóclises inoportunas num texto que se deseja fluido.
    As figuras são arquetípicas e pouco se definem, embora, sabido ou não, a dona Prado, quando chamada de menina-dama, estava também sendo chamada de prostituta, pois é esse o tipo de linguagem usada em relação às mulheres jovens que levam à vida dos homens arreliados alguma felicidade fortuita e passageira, coisa de dez minutos.
    Não vi nada na linguagem que seriamente precisasse de revisão.
    Recomendaria rebaixar a linguagem de modo a facilitar a leitura, que tem muretas sobre as quais o leitor precisa saltar para continuar a leitura.
    Boa sorte no desafio.

    • Luciana Merley
      17 de dezembro de 2019

      Obrigada pela análise, meu caro. Engraçada essa interpretação sobre “a menina-madame” (kkk). Adélia Prado não concordaria muito. Obrigada.

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Informação

Publicado às 1 de novembro de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 4, R4 - Série B e marcado .