EntreContos

Detox Literário.

Sob um Céu de Vigilância (Priscila Pereira)

Logo iria escurecer, Layla apertou o passo afastando galhos e folhas que, se por um lado atrapalhavam de ir mais rápido, por outro serviam de camuflagem. Não via um drone desde que saíra do perímetro urbano, mas precaução nunca era demais. As palavras de sua companheira de república ainda martelavam em sua mente: 

“Não vai fazer o procedimento? Hoje é o último dia, pelo amor de Deus… já estão perguntando se conhecemos alguém que ainda não fez.”

“Vou fazer, só estou sem tempo…”

“Tem um posto na sua faculdade!  Se não fizer hoje, não volte pra cá, vai colocar todas nós em perigo.”

Não conseguiu. Passou pelo posto, estava vazio, aparentemente todo mundo já havia feito, menos ela… No céu, os drones projetavam avisos luminosos sobre todas as vantagens de se colocar o chip. Tinha que admitir, o marketing deles era impressionante: documentação, cartões bancários, histórico médico, GPS e muito mais, tudo no maravilhoso chip. Depois dos anúncios, vinham as ameaças. Os rostos dos pendentes eram passados repetidamente nos telões. Layla baixou a cabeça quando sua foto apareceu. Saiu da faculdade com a mochila que preparou minuciosamente para emergências.  À medida que saía da cidade, viu vários agentes do governo, em sua imensa estrutura metálica, olhos vermelhos e mãos que se transformariam em armas caso necessário, fazendo a ronda pelas ruas, ainda pacíficos, ainda solícitos.

Estava acontecendo, no outro dia não seria mais uma cidadã, seria uma ameaça, sumariamente executada se fosse pega. Tudo isso por quê? As palavras de sua mãe não saiam de seus pensamentos, mesmo que não houvesse acreditado nelas quando foram ditas. Não, não podia se render a eles.

Suas pernas estavam inchadas e a dor já atrapalhava a caminhada, o ar queimava em seus pulmões. Ouviu um latido ao longe. Onde havia cachorro, havia gente. Se esconder ou verificar? Logo não poderia continuar, precisava encontrar um abrigo. Seguiu os latidos.

Avistou de longe uma casa pequena, no meio das árvores, cerca de bambu e arame farpado, chegando mais perto e viu alguns animais, uma horta, e o cachorro que latia sem parar. Escutou um clique atrás de si e, virando-se, encarou uma espingarda a poucos centímetros de seu rosto. Quem a segurava era um senhor, de jaqueta jeans e boné. 

− Mostre as mãos. −Ordenou.

Sem chances de defesa, obedeceu.

− Interessante… − Baixou a arma − quer entrar? 

Notando a hesitação da moça ele tirou o boné e mostrou as costas das mãos que, como as dela, não possuíam a marca da inserção do chip − Entra logo, um drone pode passar por aqui a qualquer momento.

A casa era simples, nenhuma tecnologia, apenas um rádio antigo funcionando perfeitamente.

−É meu único contato com o mundo. −Disse percebendo o olhar de Layla. −Trouxe celular? 

− Faz algum tempo que me livrei dele e de todos os rastros virtuais. Sou um fantasma. 

Livrou-se do peso da mochila e sentou no sofá puído. Encostou a cabeça e fechou os olhos. Abriu logo em seguida, com medo de adormecer.

Jantaram ouvindo pelo rádio a transmissão do governo, ao vivo, traduzida para todas as línguas. Era oficial: aqueles que resistiram ao procedimento eram agora inimigos do governo. Seriam encontrados e executados por traição. Cada palavra era engolida junto com o frango, as batatas e a rúcula. Olhos baixos, testas franzidas, mãos trêmulas. Tinham muito em comum.

−Não sei o seu nome… 

−Custódio. 

−Sou Layla. Por que…  não colocou? – Tomou um gole de água.

−Nunca gostei da tecnologia, vigilância, ser identificado, rastreado, programado como esses robôs de merda. − Respirou fundo −E você? É nova demais pra essas ideias, já devia estar doutrinada…

−Minha mãe e meu irmão estão entre os desaparecidos −fez uma pausa −ela me contava histórias sobre como seria o mundo depois do arrebatamento, era como ela chamava. Simplesmente não consegui…

−Entendi…  seria melhor ter ido com sua família. 

−Eu não acreditava, na época. Agora é tarde demais. 

−Acha mesmo que foi Deus quem levou todos eles, não parece ingênuo demais acreditar nisso? −Pegou duas laranjas e estendeu uma para ela.

−O senhor crê em quê então, na versão do governo sobre abdução em massa? Me desculpe, mas parece muito pior. −Disse pegando a laranja e sustentando o olhar dele.

Ele soltou uma risada forçada.

 − Não sei o que aconteceu com eles e na verdade nem quero saber. Vou arrumar um colchão pra você na sala. − Levantou da mesa, tirou os pratos e saiu, seus passos gritando no silêncio.

Apesar de cansada, demorou a adormecer. 

Corria, o facho de luz alcançando-a onde quer que se escondesse, a voz metálica gritando mais alto que as sirenes: “suspeita sentenciada à morte apreendida”.  Era inútil fugir, mas continuava, o agente agarrou seu braço com um aperto de morte. Com um único golpe separou sua cabeça do pescoço. Acordou gritando, suas roupas grudadas no corpo, Custódio chegou correndo com a espingarda na mão.

−O que foi? Viu alguma coisa? − Dizia enquanto verificava as janelas.

−Não, foi só um sonho… Eles, eles arrancaram minha cabeça. −Disse passando as mãos no pescoço e rosto.

−Tente não gritar tão alto na próxima vez.

Ouviam o rádio noite e dia. Havia execuções em massa onde antes era os EUA, na antiga Europa ouvia-se os rumores de resistências se formando, aqui onde foi o Brasil, tudo estava calmo demais, se havia execuções tudo estava sendo abafado.

Tudo começou com o desaparecimento de milhares de pessoas, as crianças sumiram, junto com homens e mulheres independente de idade e nacionalidade. Em um piscar de olhos, deixaram de existir nesse mundo. Depois disso o caos se instaurou, e com isso a necessidade de um governante capaz de restaurar a ordem e a paz se fez necessária. Assim que as negociações foram feitas e o governo mundial foi estabelecido, de forma lenta e constante a ordem voltou, a fome foi erradicada, todos tinham acesso à educação, à diversão e à arte. A vida era boa, até que a implantação do chip passou a ser obrigatória e a vigilância e o controle passaram a ser, para o bem dos cidadãos, extremamente rigorosos, destruindo a privacidade e o direito à liberdade individual. 

Layla observava o céu, antes tão amado, agora cada dia mais vigilante. O cinza metálico dos malditos drones se sobressaindo, maculando o azul celeste.  Cada vez mais drones sobrevoavam a casa de Custódio, deixando-os apreensivos e irritados. Os dois pouco conversavam, dividiam as tarefas domésticas e o cuidado com os animais, preparavam as refeições e comiam juntos, o tempo todo ligados no rádio. 

−Já tentou outras sintonias? Pode ter alguém tentando se comunicar. −Disse Layla enquanto enxugava os pratos.

Na mesma hora, Custódio foi sintonizar as frequências no rádio. 

Entre muitas tentativas e erros, um som diferente emergiu da estática, o aparelho reproduziu uma música suave que Layla achou familiar, o mesmo canto que ouvira na voz de sua mãe tantas e tantas vezes.

−Espera! Eu conheço essa música. Deixa aí.

Custódio acertou a sintonia e a canção veio forte e nítida, quando acabou, uma mulher começou a falar.

A voz convocava a todos que não haviam se submetido à opressão do governo a uma nova vida em comunidade, não uma resistência, mas um lugar de abrigo e companheirismo.

−É uma armadilha. −Disse Custódio, notando a agitação de Layla.

−Como pode ter certeza?

−É uma estratégia para capturar ingênuos como você! Não percebe?

−Não podemos ficar aqui esperando eles chegarem, não posso mais viver assim, eu preciso fazer alguma coisa antes que enlouqueça! Se for uma armadilha, pelo menos minha angústia terminará logo.

−Vamos ouvir por mais alguns dias, só para ter certeza… 

Alternando a sintonia do rádio entre a comunidade e o governo, descobriram que o sinal era itinerante e de curto alcance, cada dia chamando quem se interessasse para um local diferente. Layla já estava decidida e tentava, em vão, convencer Custódio a ir junto. Ela planejava sair em um dia que a reunião fosse perto de onde estavam, mas não teve essa chance.

−Layla,vamos embora daqui agora! −Gritou Custódio, quando voltava de uma ronda.

− O que aconteceu? −Disse Layla, correndo pra pegar a mochila.

−Nos encontraram, já estão chegando. 

Correram. A realidade era muito mais aterrorizante do que seus pesadelos. Custódio não conseguia seguir o ritmo de Layla, muitos anos mais nova. O local do encontro estava a quilômetros de distância, na zona rural do outro lado da cidade.

Péssimo dia para fugir.

Pararam para recuperar o fôlego. A luz do dia estava quase se extinguindo, teriam que alcançar o local ainda naquela noite, no dia seguinte, as coordenadas seriam outras e, sem acesso ao rádio, não teriam como descobrir. Evitaram entrar na cidade, mesmo levando mais tempo, havia drones e agentes por todos os lados. 

Caminhavam de cabeça baixa, bonés escondendo o rosto, mochila nas costas e ritmo apressado. Sempre atentos, prontos para correr a qualquer sinal de perigo. 

−Parados! Levantem a cabeça e mostrem as mãos. −Foram pegos de surpresa, a voz metálica fazendo o coração pular algumas batidas.

Pararam, olharam um para o outro e se viraram lentamente. Dos olhos do robô saíram luzes vermelhas que agiam como scanner. 

−Corre! −  Gritou Custódio,  sacando a espingarda  e atirando entre os olhos do robô.

Layla ficou parada alguns segundos, mas logo suas pernas obedeceram ao comando, mesmo que sua mente ainda não tivesse entendido. Uma sirene absurdamente alta começou a soar. 

“Alerta! Suspeitos em fuga!”

Olhou para trás e viu o agente danificado emitindo o alerta, com luzes que piscavam sem parar, quase alcançando Custódio. Não daria tempo, logo dezenas deles surgiriam para persegui-los, mas o instinto de preservação falava mais alto.

O sol se escondeu totalmente e a lua, surgiu no horizonte. Layla perdia as esperanças a cada passo que obrigava seu corpo a dar, as luzes, a sirene, a falta de ar, tudo embaralhava seus sentidos, mas o medo a impulsionava. 

−Continua correndo e não olha para trás. −Ouviu Custódio berrar em  sua direção. 

Correu cegamente, sem saber para onde estava indo.

Ouviu um grito.

“Suspeito capturado!”

−Não! −  Gritou, olhando para trás enquanto corria. 

Tropeçou e caiu no meio do capim alto, bem a tempo de vê-los ao redor de Custódio, que mesmo caído atirava cegamente até não sobrar mais projéteis. Foi facilmente imobilizado, arrancaram a arma de suas mãos e o forçaram a se ajoelhar. Layla tentava recuperar o fôlego e assistir a cena em meio às lágrimas que embaçavam seus olhos. Um dos agentes projetou um holograma no céu transmitindo em tempo real o que estava acontecendo. 

“De acordo com a lei, o suspeito que se recusou a fazer parte do progresso será executado imediatamente.”

Layla desviou os olhos da cena original, mas não conseguiu desviá-los da projeção. Com um único golpe, o agente separou a cabeça do corpo de Custódio, levantou-a como um troféu para que todos pudessem ver, o corpo caiu enquanto o sangue jorrava, tingindo o capim de vermelho escuro e viscoso. Layla abafou os gritos com as mãos, tentando se controlar.  Ainda agachada, coberta pelo capim, saiu de lá o mais rápido e discretamente possível. 

Só pensava em uma coisa, precisava chegar ao lugar do encontro e rezava para que não fosse uma armadilha. A imagem de Custódio decapitado, seu corpo tombando na terra…  Não acreditava no que ele havia feito sem nem mesmo crer que a comunidade fosse real… Lágrimas escorriam por suas faces e eram secadas rapidamente com as costas da mão. “Tenho que conseguir, por mim e por ele.”

Correu até que seus pulmões quase explodissem, tentando despistar os agentes. A lua já estava alta quando finalmente chegou o lugar do encontro. Ainda em estado de choque, parou e sentou em uma pedra, tirou uma garrafa de água da mochila e bebeu até que sua garganta seca parasse de doer. Aparentemente não havia ninguém por perto. Seu coração batia tão rápido que chegava a doer. Queria que tudo acabasse logo. Deveria ter se entregado também…

“Pai nosso que estás nos céus…”

O vento gelado da noite trazia sons assustadores, Layla não podia chamar alguém, sinalizar sua presença, não sabia como encontrar o grupo ou fazer com que fosse encontrada. A espera era ainda mais angustiante do que a corrida.

“… santificado seja o teu nome.”

Escutou passos vindo em sua direção e avistou luzes baixas, brancas, não vermelhas como as dos agentes. Levantou-se e ficou alerta. Seu destino estaria selado naquele momento.

“Venha a nós o teu reino…”

Prendeu a respiração quando distinguiu quatro silhuetas entre as árvores. Colocou a mão sobre os olhos se protegendo das luzes das lanternas que foram apontadas para ela. 

−Mostre as mãos! −Uma voz disse ainda de longe.

“… seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.”

Ela estendeu as mãos. As pessoas se aproximaram. 

−Está sozinha? O homem executado mais cedo estava com você?

−Sim…

Desligaram as lanternas e se apresentaram. Cada um falou o nome e mostrou as mãos. Dois homens e duas mulheres. Eles, assim como ela, haviam ousado contrariar o sistema. Estava salva!

“O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.”

Caminharam ainda por um bom tempo antes de chegarem ao seu destino. Aos pés de uma montanha, escondida por galhos, folhas e pedras, havia a entrada de uma gruta. Um por um foram desaparecendo pela abertura. Layla atravessou e se viu no interior de uma caverna, a luz das lanternas iluminando o caminho que os levava cada vez mais para dentro da montanha.

“Perdoa as nossas ofensas assim como temos perdoado a quem nos tem ofendido…”

O caminho estreito e abafado deu lugar a um espaço enorme cheio de pessoas que conversavam e riam, todos olharam para os recém-chegados e os cumprimentaram por conseguirem salvar mais uma vida. Abraçaram Layla como se fosse alguém da família. 

−Que lugar é esse? Como conseguiram fazer isso? − Perguntou para a moça que estava ao seu lado.

−Algumas pessoas se juntaram logo que houveram  os desaparecimentos e projetaram esse lugar, já imaginando o que estava por vir. Temos muita comida e água estocada. Venha ver tudo. 

“… e não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal.”

Ainda não acreditava que estava segura. Não importava até quando. Não estaria sozinha, se e quando, o pior acontecesse. Pensou em Custódio, faria de sua vida uma homenagem a dele.

“Amém.”

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20 comentários em “Sob um Céu de Vigilância (Priscila Pereira)

  1. Renan de Carvalho
    15 de setembro de 2019

    Após o desaparecimento de várias pessoas ao redor do mundo, governantes sugerem que a paz seja restabelecida e uma das apostas é colocando chips nas mãos das pessoas, no entanto aqueles que se negam a entrar no sistema são aos poucos tratados como inimigos do estado, que no fim acaba por caçá-los e tratá-los como rebeldes, sendo Layla uma desses rebeldes fugitivos, buscando incansavelmente por outros como ela.

    Conto bom. Bem escrito. Levado pela dualidade entre fé x tecnologia. Gostei do encaminhamento para o final e da contextualização no meio do texto. Um abraço.

  2. tikkunolam90
    15 de setembro de 2019

    Resumo: Layla rejeitou o novo sistema depois do arrebatamento, tornando-se numa criminosa e fugitiva. Conhece Custódio, um homem mais velho que vivia isolado na floresta, e passa um tempo em sua casa. Mas o conhecimento de uma comunidade que resistia ao novo sistema a encanta. Será um lugar seguro?

    É um conto que precisa de um corpo maior e melhor para funcionar.

    O enredo é corrido demais, com argumentos fracos, como o motivo da Layla rejeitar a implantação do chip — esqueceu-se realmente ou não quis por acreditar na divindade cristã? Os dois personagens possuem um desenvolvimento bem fraco. Não consegui identificar nenhuma característica sólida da protagonista. Quem é ela? O quer gosta de fazer? É uma pessoa temperamental ou racional? Não sei… Assim como não sei quem Custódio é.

    Sua técnica também tem vários deslizes. Narrativa sem brilho, sem carisma, com frases banais e com pouca beleza. Não teve um momento sequer que me senti encantado. Essa falta de brilho é comum nos estilos medíocres ou nos autores que ainda estão em formação. Acredito que o seu caso se encaixe na segunda opção.

    O conto não terrível, ilegível, não leve minhas duras palavras para o pessoal, é só que, como leitor, tenho que mostrar minhas impressões, e tento fazer isso bem depois da leitura. Pois, de fato, é o momento que comentarei com mais precisão o que realmente senti quando li. E seu texto, infelizmente, foi um dos piores que li nesse certame. Escrita imatura, simples, distante.

    Um conselho: estude a técnica do “Mostrar X Contar”. Pode te ajudar muito. E leia, muito mesmo, mas leia coisa de qualidade. Nada de Divergente ou Jogos Vorazes. São distrações que não ajudam na formação de um escritor. Atrapalham, se não tomar cuidado. Leia autores universais, como Borges, Garcia, Bukowski, Hemingway, Poe, Tolkien etc. Eles ajudam muito na formação de um escritor que almeja viver disso. Claro, se for apenas hobby, pode continuar assim, mas sempre receberá críticas minhas, hahaha.

    Enfim, continue escrevendo, sempre. Parabéns por isso e vamos crescer juntos!

  3. Thiago Barba
    15 de setembro de 2019

    Num futuro, pessoas são marcadas pelo governo, aquelas que não se prontificam a serem marcadas, vivem sendo caçadas. Layla vive assim até encontrar um lugar onde pode viver com mais segurança.

    A linguagem simples não vem muito ao meu agrado, a história, a jornada do herói, também é um tanto clichê e não vejo algo que me soa muito de interessante. Ao ler, parecia que podia prever os próximos passos da protagonista, não havia muita surpresa. Tirando o universo criado, ser interessante, me ganha um tanto no quesito “criativo”, não vejo muitos atrativos neste conto.
    Acredito que poderia melhorar na criação dos personagens, criar um melhor momento entre Layla e Custódio, para mim, os momentos deles juntos, é o melhor para ser explorado no texto. Esta interação ajudaria a nos identificarmos mais com eles, fazendo o texto ser mais agradável ao leitor.

  4. Leo Jardim
    15 de setembro de 2019

    🗒 Resumo: num futuro distópico pós-arrebatamento, um governo totalitário e autoritário obriga a população a instalar um chip de controle, sentenciando quem se negar à morte. Layla é uma das que se negou e, junto com Custódio, tentam sobreviver. Este último acaba capturado e morto, mas ela consegue encontrar uma comunidade de resistência.

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): a ambientação, embora não seja uma grande novidade, funcionou muito bem. Gostei da opção de não explicar o arrebatamento: fica no ar se foi a questão bíblica ou não (embora o autor demonstra preferência pela primeira opção).

    A questão da resistência, porém, ficou meio perdida e de solução muito simples. Quem são eles? Como eles vivem? O governo também não ouvia o rádio?

    Não entendi, também, os reais motivos dela optar por não colocar o chip. Ela fala que a mãe acreditava no arrebatamento, mas o que isso tem a ver com a resistência? Fiquei meio perdido nessa.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): descreve bem as cenas e constrói bons personagens, mas precisa trabalhar um pouquinho melhor a pontuação. Algumas frases ficaram confusas, com excesso de informação. Nesse caso é melhor separar em mais de uma frase, para ficar mais fácil a leitura.

    ▪ Notando a hesitação da moça *vírgula* ele tirou o boné

    ▪ Havia execuções em massa onde antes era os EUA *ponto* Na antiga Europa *vírgula* ouvia-se os rumores de resistências se formando *ponto* Aqui onde foi o Brasil, tudo estava calmo demais

    ▪ teriam que alcançar o local ainda naquela noite *ponto* No dia seguinte, as coordenadas seriam outras

    ▪ quando finalmente chegou *ao* lugar do encontro

    ▪ uma homenagem *à* (vida) dele

    🎯 Tema (⭐⭐): FC [✔]

    💡 Criatividade (⭐▫▫): fora a boa ambientação e construção de personagens, a trama em si acabou sendo o clichê de fuga do governo opressor. Faltou algo para fazer sair do lugar comum.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): apesar da análise excessivamente crítica, gostei do conto. É ágil, com boas cenas de ação e um final feliz. Um texto, mesmo que não seja daqueles de explodir cabeças ou de nos fazer pensar por dias, agradável de ler.

  5. Amanda Gomez
    14 de setembro de 2019

    Resumo 📝 Algo sem explicação abala a humanidade. Arrebatamento? interferência alienígena? genocídio? Não se sabe, vemos o texto pelos olhos de Layla que está fugindo para um lugar onde não precise se submeter a nova ordem mundial que caça as pessoas. Na fuga ela conhece um senhor e juntos vão em busca de uma comunidade. Ela consegue, ele morre no caminho. Apegada a sua fé e nos ensinamentos da mãe, Layla deixa-se guiar por ela e consegue, pelo menos por hora, conforto e paz.

    Enredo🧐 Uma história interessante, com elementos já bem gastos, mas que consegue ter seu toque de originalidade. Layla é uma personagem interessante e foi bem apresentada ao leitor, suas escolhas e convicções deixam ela real. A figura de custódio também é bem vinda, os diálogos são naturais. Temos aqui um autor que sabe muito bem escrever uma boa ambientação, deixar o leitor a vontade para prestar atenção em cada detalhe de maneira natural. Acho que faltou um direcionamento maior do que é esse mundo. A morte do custódio já estava clara pro leitor algumas outras coisas que deixa o leitor ciente que não haverá uma reviravolta.

    Gostei 😁👍 O ponto forte é a escrita, a ambientação, os diálogos.

    Não gostei🙄👎 Da previsibilidade em alguns pontos, de soar muito como as teorias de conspirações que rodam o mundo desde sempre. Pelo menos a mim, que já li várias coisas do tipo.

    Impacto (😕😐😯😲🤩) 😯 Tem pontos interessantes, a morte de custódio apesar de clara foi bem narrada e carregou um peso considerável de emoção, assim como o final regado a oração do pai nosso, podia ser piegas ou algo do tipo, mas eu curti.

    Tema (🤦🤷🙋)🙋Timidamente adequado ao tema. Acho que faltou mais elementos sci-fi está mais dentro de uma distopia que de questões científica.

    Destaque📌 “Layla desviou os olhos da cena original, mas não conseguiu desviá-los da projeção. Com um único golpe, o agente separou a cabeça do corpo de Custódio, levantou-a como um troféu para que todos pudessem ver, o corpo caiu enquanto o sangue jorrava, tingindo o capim de vermelho escuro e viscoso.”

    Conclusão ( 😒🤔🙂😃😍) = 😃 Um texto gostoso de ler, causa identificação, ótima ambientação e um final diferente.

  6. Gustavo Azure
    14 de setembro de 2019

    RESUMO
    Após as pessoas sumirem sem motivo aparente, um governo mundial é instaurado que obriga as pessoas a usarem um chip que tornará a vida mais fácil. Quem não usar o chip, será inimigo da sociedade e Layla se torna um. Então passa a buscar a sobrevivência.

    CONSIDERAÇÕES
    Layla é uma típica heroína de acordo com a Jornada do Herói, os outros personagens aparecem como um apoio à sua estrada para chegar a um lugar segura em que possa viver. Os demais participantes da narrativa cumprem seus respectivos papéis de forma satisfatória.
    A construção da distopia em cima de uma história bem conhecida (que a marca da besta será um chip implantado nas mãos para facilitar a vida do usuário) foi interessante. O uso da tecnologia e dos drones, as pessoas pressionando Layla a aderir ao processo.
    A narrativa em si, porém, não apresenta elementos que sejam além do que já se sabe sobre essa história da marca da besta. A ambientação foi sim um ponto importante e a narrativa é satisfatória, mas pareceu que ficou faltando alguma coisa.
    O ritmo da história é bom.
    NOTA 4,1

  7. Elisabeth Lorena
    12 de setembro de 2019

    Sob um Céu de Vigilância (João de Patmos)
    Conto Ficção Científica
    Escatológico (Éskhatos)
    Resumo
    O conto apresenta de forma fechada a fuga pós Apocalipse de uma jovem universitária que acaba colocando a vida de um homem simples em perigo. Descobertos, por não desejarem ter em si um chip de vigilância, eles, que iam em busca de um refúgio, são perseguidos. Para salvar a vida da jovem, o senhor a incentiva a fugir, mesmo depois de capturado. E ela encontra o novo esconderijo, que estava sendo anunciado no rádio da casa do velho Custódio. Salva enfim, por enquanto…

    Comentário
    Tempo e espaço bem marcados. Narrativa fechada, com todos os elementos postos. A história corre em uma cidade tomada pelos parceiros do anticristo, que estão terminando a colocação de chip para controle da população. obviamente com um Marketing de facilidade do cidadão. A jovem estudante, que teve sua família desaparecida na grande abdução/arrebatamento vai passar por dificuldades até chegar ao porto seguro.

    O Texto é extenso, mas não profundo. A oração do Pai nosso ficou parecendo um enxerto que não deu certo. Uma pena, porque se o texto que antecede as estrofes da oração fosse mais “carregado” a prece daria maior profundidade ao medo da personagem e poderíamos acompanhar sua angústia, sua surpresa e sua vitória.
    A narrativa é rápida, as informações parecem que são colocadas praticamente para justificar esse ponto-falta-falha. E isso atrapalha a fluidez do Conto.
    O problema com o Conto ou qualquer outro tipo de literatura de natureza Escatológica feito a partir de um texto conhecido é justamente a comparação com outras obras que também tiveram a mesma inspiração. Sob um Céu de vigilância ressuscita muitas obras apocalípticas e fica parecendo um apanhado geral de “Deixados para trás”, “Um Ladrão na Noite” e algumas pregações do Youtube. Talvez se o autor tivesse trabalhado melhor nos pormenores narrativos as coincidências se perderiam. Não há um embate interno que justifique, por exemplo, o texto ter iniciado um dia antes do “Alerta de Inimigos do sistema”, a partida da família já cristalizou a escolha dela: “Eu não acreditava, na época. Agora é tarde demais.” A fuga do perímetro urbano é rápida, sem suspense, mesmo o desespero inicial é muito fraco. O autor teve oportunidade de trabalhar bem isso, usou muitos espaços de trânsito: apartamento; faculdade; perímetro urbano, distância entre a cidade e a casa de Custódio, porém preferiu não estabelecer elo leitor-personagem. Era possível trabalhar o pavor da fuga e com isso fazer o legente sofrer junto com Layla … Quando se tem medo, mesmo no sol quente é possível pressentir o inimigo, imaginá-lo nas sombras e nos sons distantes. Um pássaro a fazer sombra inesperada no caminho seria um provável drone, por exemplo.
    A Linguagem não ajuda. Não criou um ambiente de significados apropriado para a fuga e para os elementos tecnológicos do texto, o que também impede a identificação de quem lê.
    A Introdução está lá, seca sim, como eu apontei, mas aparece: a fuga; a camuflagem; os drones; o aviso da colega de república e o motivo da retirada.
    O Desenvolvimento está posto. Sem grandes novidades, com uma Linguagem arrastada, cansativa, porém completo. O Conflito está posto desde o início, porém a morte de Custódio, que poderia ser o Clímax, enfraquece a narrativa. O desfecho é também o final do Conto: a descoberta feliz da real existência de abrigo.
    O momento de mudança da narrativa está também ali, quando encontra Custódio, que espero seja um acerto proposital do autor ao eleger um nome gritantemente significativo: o guardião. Custódio cumpre bem o seu papel, mesmo aí também prevalecendo a narrativa corrida.
    Uma pena que o autor escolhe que seja Layla a sugerir a mudança de estação radiofônica… Aqui o diálogo não é convincente.
    Pontos positivos: Estrutura. Personagem Custódio. Fato gerador da fuga. A rejeição do chip por parte de Custódio.
    A Estrutura, ainda que com problemas já elencados está bem marcada. Conflito está presente, o Enredo mesmo sincopado, acontece – sem convencer, mas está posto. O Custódio é a personagem mais convincente, sua recusa ao chip, levando em consideração a faixa etária sugerida, faz sentido, isso se o leitor aproximar o tempo ao nosso, já que daqui vinte anos os velhos não terão nenhum problema com a tecnologia…
    Na verdade, tive medo de enviar essa análise, mas acho que tendo escolhido um tema que gerava muito mais, o autor boicotou um pouco a leitura, então, assumi minha pouca coragem e se você está lendo, é porque enviei.
    Boa sorte.

  8. Carolina Pires
    12 de setembro de 2019

    Resumo: Layla se recusa a deixar implantar um chip no seu corpo e foge das forças do governo, encontrando abrigo e apoio de Custódio, outro que se recusou a fazer parte da nova forma de viver imposta pelas autoridades. Na tentativa de fugir dos agentes depois de terem sido descobertos, Custódio é assassinado e Layla consegue escapar com a ajuda de algumas pessoas que fazem parte de uma sociedade secreta de resistência.

    Gostei muito da experiência da leitura. Seu conto traz um “quê” de fim do mundo devido às referências ao arrebatamento, implantação de chip, perseguições etc. Para começar pelo pseudônimo utilizado: João de Patmos (rsrs). Bem interessante. Como eu já li o livro do Apocalipse, consegui me situar bem no enredo do seu conto. Também consegui observar referências (inconscientes ou não) com o filme Bird Box, principalmente no que diz respeito ao final.

    Senti falta de um detalhamento maior dos personagens, como também um aprofundamento da sociedade secreta, fiquei bem curiosa. Mas compreendo que temos limite de palavras e você quis dar foco aos eventos, ações.

    De qualquer forma, parabéns! Bom trabalho!

  9. Luis Guilherme Banzi Florido
    11 de setembro de 2019

    Boa tarde, amigo. Tudo bem?

    Conto número 53 (estou lendo em ordem de postagem)
    Pra começar, devo dizer que não sei ainda quais contos devo ler, mas como quer ler todos, dessa vez, vou comentar todos do mesmo modo, como se fossem do meu grupo de leitura.

    Vamos lá:

    Resumo: num mundo pós apocaliptico em que as pessoas são obrigadas a receber um chip de identificação/rastreamento, os que se negam a aceitar são executados. Mulher tenta escapar, encontra homem, e juntos tentam sobreviver. No fim, são encontrados, o homem é morto na fuga, e a mulher encontra um grupo de resistencia que vive numa caverna.

    Comentário:

    Pra começar o comentário, devo dizer que não sou cristão. Isso me faz desgostar do conto? De modo algum. Então pq comecei o comentário dizendo isso? Pra dizer que posso ter deixado escapar referências importantes. Mas vamos lá.

    Gostei! Apesar de achar que foi um conto mais pra pós apocaliptico, que FC em si (não vou ficar importunando com isso, não é mto minha praia), gostei muito da história, de como ela foi conduzida, e do desfecho, apesar de previsível. Vamos por partes.

    A história me atinge em cheio, pq adoro pós apocalipse, resistência e luta pela sobrevivência. Tudo isso num mesmo conto me agrada muito. Gostei de como a história foi conduzida. Às vezes, o autor pode ter dificuldades em contextualizar o mundo, num conto desse estilo. Como se trata de um mundo totalmente diferente, é difícil contextualizar sem virar um tipo de documentário hahjajaj. Mas não foi seu caso. Toda a situação (com causas e efeitos), foi transmitida naturalmente.

    Gostei do mistério em torno dos desaparecimentos, também.

    E lá vai o mais interessante: mesmo gostando do conto, conforme lia, estava preocupado que o final fosse previsível demais. E realmente foi o que eu previa, mas por incrível que pareça (incrível pq, como disse, não sou cristão, então não recebo o apelo filosófico que um conto do tipo poderia exigir), o que deixou o final do conto muito bom foi a pegada religiosa!

    Tipo, eu já imaginava que ela encontraria o grupo e se salvaria, e (desculpa a sinceridade), mas tava muito na cara que o Custódio morreria. Isso foi um ponto baixo do conto, pra mim. Seria muito mais surpreendente se ele sobrevivesse, se ela morresse, se ele traísse ela, algo assim.

    Enfim, voltando ao assunto. Eu já previa mais ou menos o fim. Porém, a pegada religiosa deu um tempero a mais. E, aí sim, se construiu um desfecho com uma dúvida: ela vai ser salva por Deus? Arrebatada, ou algo do tipo? Essa dúvida, esse novo mistério, oxigenou o desfecho.

    Enfim, gostei mesmo. É um conto sem grandes twists, de certa forma previsível, mas que me agradou na forma de ser contado.

    Ah, uma outra observação: não conheço profundamente as escrituras sagradas,mas tenho a impressão de já ter lido sobre uma passagem da bíblia que expõe que uma das características do apocalipse seria a instalação de “chips” de controle, nas pessoas. Não sei se to viajando.

    Senti, baseado nisso, que o conto meio que retrata isso. Talvez uma crítica sobre como o mundo se conduz, algo como o mundo rumando rapidamente para o apocalipse, e a necessidade de se salvar por meio da fé. Viajei demais?

    Ah, tem uma subversão no título que me agradou bastante. A princípio, parecia que a vigilância nos céus se referia aos drones que “vigiavam” as pessoas. Mas, ao fim, fica claro que a verdadeira vigilância era a divina, que protegia e cuidava dos fiéis. Acertei?

    Parabéns e boa sorte!

  10. Estela Goulart
    11 de setembro de 2019

    Layla é uma fugitiva do sistema social do novo governo. Não querendo implantar seu chip, foge pelas ruas da cidade até encontrar com um senhor que a ajuda. Eles buscam um refúgio com outros rebeldes e somente ela encontra o local.

    Eu esperava mais do conto, apesar de parabenizar você pela ideia genial. Ainda assim, você podia ter aprofundado mais a questão da motivação social deles. A parte da mãe dela ficou solta e não convence o leitor. Sabe, falta aquela vontade de continuar lendo, falta o seu coração e seu sentimento. Pareciam rebeldes simplesmente porque eram, mas cadê o resto? A oração no conto também foi um pouco desnecessária. Não associamos à parte anterior, nem mesmo com o conto em nenhum momento. Ah, um outro quesito importante é que sugiro uma revisão no próximo desafio.

  11. Fernando Cyrino.
    9 de setembro de 2019

    Um tempo distópico à nossa frente. Uma sociedade plena e totalmente controlada por um governo autoritário e que tem as pessoas, literalmente, em suas mãos a partir dos chips nelas inseridos. Um mundo povoado pelos drones cinza metálicos a poluírem um céu até então limpo e azul. E então temos aqui os resistentes. No nosso caso a moça que foge e busca companheiros. A mulher que termina por encontrar, lá no meio do mato o barraco de um outro, que tal como ela, também havia decidido lutar, não ceder jamais. E na busca de salvação, a cada dia mais cercados, mais oprimidos, eles descobrem, pelas ondas do rádio, que não estão sós. Sim, que há gente como eles. Desconfiados de que tudo não passava de uma armadilha, eles partem em busca dos seus iguais. Custódio, o parceiro, é morto pelo caminho. Ela consegue atingir o seu objetivo. Interessante, João de Patmos, você ter usado a religião, a partir da oração, como tábua de salvação contra a ditadura opressora. Fez-me recordar dos anos de chumbo no Brasil e da resistência democrática de muitos na Igreja, como Evaristo Arns, Helder Câmara, Jaime Wright. Sem dúvidas que o seu apelido, João de Patmos, tem tudo a ver com essa maneira que encontrou de me contar a história. João, chamou-me a atenção também a forma brutal como a opressão eliminava a resistência: cortando a cabeça. Legal como fez dessa cena brutal a mostra da sutileza: Na cabeça está a crítica, o pensamento, a reflexão, a resistência enfim. Gostei muito do seu conto. Você fez realmente algo muito legal. Meu abraço fraterno de parabéns, Fernando.

  12. Evandro Furtado
    7 de setembro de 2019

    Um cenário pós-apocalíptico que carrega vários paralelos com o livro da Revelação. A trama gira em torno de Layla, uma garota que se recusou a implantar um chip em si própria e, logo, é perseguida pelo governo. Ela encontra um outro fugitivo chamado Custódio. Ambos vão em busca de uma comunidade de fugitivos, mas Custódio é encontrado e executado.

    A ambientação é muito bem feita e os personagens desenvolvidos a ponto de que tudo passa a fazer sentido. A história é muito bem conduzida durante dois terços do conto, no entanto, o final perde um pouco a mão. A partir da morte de Custódio, a trama perde substância. Não parece haver nada ali que confira consistência, e um conto muito bom acaba terminando sem um final satisfatório.

  13. Paulo Luís
    4 de setembro de 2019

    Olá, João de Patmos, boa sorte no desafio. Eis minhas impressões sobre seu conto.

    Resumo: O mundo vive um sistema totalitário, onde o povo é vigiado ostensivamente por drones. Uma jovem foge, para não se submeter ao aplique de um chip identificador. Na fuga encontra um homem que vive recluso numa cabana, em um provável bosque aquém da cidade. Ao se sentirem acuado, resolvem fugir, quando são capturados. O homem é decapitado e a jovem recolhida por uma comunidade alternativa que vive em cavernas.

    Gramática: A leitura flui bem sem problemas de gramática.

    Comentário crítico: Um enredo ficcional. O conto trata de hipotético?, futuro onde um sistema de opressão totalitária sobre o povo, resulta em diversas formas de rebeldia. É um conto dinâmico, com um enredo não muito original, pois é um tema corriqueiro para este tipo de enredo ficcional, mas muito bem estruturado e convincente.

  14. Fernanda Caleffi Barbetta
    23 de agosto de 2019

    Muito bom, gostei do conto. Não sou religiosa, mas devo confessar que os parágrafos entremeados pelo Pai Nosso me deram arrepio. Ótima ideia. O final ficou meio “Caixa de Pássaros”, o que acho que de certa forma é meio inverossímil, mas é só a minha opinião. Muito bem escrito.Parabéns.

  15. Antonio Stegues Batista
    20 de agosto de 2019

    SOB UM CÉU DE VIGILÂNCIA

    Resumo:

    Num futuro não muito distante, pessoas desaparecem. Após o caos, o governo decide colocar chip de identificação em todo mundo. Quem se negar será executado. Layla se recusa a colocar e se torna um inimigo de Estado. Ela foge e acaba numa caverna onde se refugiam os que são contra a colocação de chip e controle das pessoas.

    Comentário:

    Achei o enredo bem fraco. A parte em que as pessoas desaparecem, ou sendo abduzidas, rebatadas, como diz a Bíblia, ficou inconclusiva, sem explicação convincente e sem conexão com a implantação de chip nas pessoas, como se isso impedisse os desaparecimentos, ou tivesse algo importante no caso. A parte do governo colocar chip de identificação em todo mundo é verossímil, isso realmente vai acontecer no futuro. A parte em que as pessoas se refugiam numa caverna, ficou inconclusiva, porque não diz o que elas farão. Talvez num texto maior, eles pegariam em armas para lutar contra o sistema, cada um com seus dramas pessoais. Acho que o autor queria escrever algo sobre a ideia de que, o chip seria o número da Besta, do qual a Bíblia fala referente ao fim dos tempos. Acho uma interpretação absurda como a das pessoas acreditarem que a Terra é plana, etc, mas como ficção, fica valendo. O conto é bem escrito, boa narração, ambientação e é só.

  16. Sob um céu de vigilância

    Após o desaparecimento de milhares de pessoas, fato sem explicação, é criado um governo mundial. Após a comoção e a carência da população por ser protegida, o governa passa a tomar atitudes autoritárias. Uma delas é a imposição de que as pessoas insiram um chip, que promoveria facilidades como substituir documentos, cartões bancários, GPS, dentre outros. Por outro lado, a medida sepultaria a privacidade e aumentaria o controle imposto às pessoas. Layla se nega a colocar o chip e passa a ser uma foragida, uma inimiga da pátria. Ela foge, tentando se esconder de drones e robôs que possuem permissão para executá-la. Na fuga, ela encontra Custódio, homem mais velho que não possui o chip e também se nega a ser vigiado. Os dois ficam reclusos por alguns dias, temendo serem descobertos, até ouvirem uma transmissão no rádio convocando os rebelados a se unirem. Custódio teme ser uma armadilha, Layla quer arriscar. Um dia, com a aproximação dos vigilantes, eles partem para o local anunciado como abrigo para os que não possuem chip. Custódio é morto no caminho, mas Layla se salva e é resgatada pela comunidade rebelde.

    Texto bem escrito, com exceção de algumas vírgulas deslocadas – algo de pouca relevância, mas faço a ressalva pois os textos estão impecáveis nesse aspecto. A narrativa é bem conduzida, prende bem a atenção do leitor e desenvolve o climax de forma eficaz. Particularmente, achei desnecessário, no final, os trechos da oração intercalada com os eventos finais. A questão da religiosidade poderia ser melhor desenvolvida, é mencionada a ideia de “arrebatamento” como explicação para os desaparecidos, mas a ideia não é bem aproveitada.

    Todos os contos de ficção científica da Série A, se não me falha a memória, tiveram uma visão pessimista do futuro. Nos outros contos há uma humanidade que perde o foco entre real e virtual. Aqui, estamos diante de um futuro de repressão, controle e fim de liberdades individuais em razão de uma comoção. Visões muito válidas e que mostram um certo receio sobre os rumos que nossa sociedade toma. Boa ficção científica é isso, uma elaboração ficcional que serve de alerta e que fala do futuro pensando as escolhas do presente. Faltou, talvez, contos abordando a questão ambiental, que, apesar dos negacionismos, é muito grave.

    Em relação ao texto do João de Patmos, é uma boa FC, de leitura prazerosa e com conteúdo. Acredito que o conto terá boas pontuações.

    Originalidade: 5
    Domínio da escrita: 4
    Adequação ao tema: 5
    Narrativa: 5
    Desenvolvimento de personagens: 4
    Enredo: 4

    Total: 4,5

  17. Gustavo Araujo
    17 de agosto de 2019

    Resumo: Após o desaparecimento misterioso de milhões de pessoas, uma nova ordem mundial se instala por meio de um governo despótico. Pessoas são obrigadas a se apresentar para cadastramento, sob pena de morte. Layla se recusa e, ao final do prazo, foge, acreditando que pode ser resgatada por uma comunidade rebelde, escondida em algum lugar. No caminho refugia-se na fazenda de Custódio, outro que se recusa a atender o chamado do governo. Com a proximidade das forças legalistas, eles se embrenham nas florestas, onde Custódio é preso e morto. Layla, depois de muito correr, acaba resgata pela tal comunidade, por um triz.

    Impressões: um conto ágil que opta pela ação em detrimento do mergulho psicológico. Uma opção que se deve respeitar, mas que a mim, pelo menos, não costuma cativar. Não obstante, reconheço a qualidade do conto, especialmente porque se trata de uma história interessante — não exatamente original, é verdade — e que entretém. Tramas em realidades pós-apocalípticas ou distópicas, como é o caso aqui, rendem um bom suspense e nesse aspecto, o(a) autor(a) conseguiu fisgar o leitor. Dá para sentir a urgência e o desamparo de Layla, embora não fique claro por que ela se recusa a ser cadastrada pelo governo. O que se sabe é que ela tenta, de todo jeito, encontrar a tal comunidade que lhe dará abrigo — um roteiro que repete, não intencionalmente ao que me parece, o filme “Birdbox”, da Sandra Bullock. Tanto num como noutro a busca funciona apesar das dificuldades e das mortes dos entes queridos no caminho.

    O final feliz tem lugar, encerrando a angústia e acalmando os nervos. Não curti muito o lance da oração entremeada com o resgate final. Achei cansativa essa opção porque dá para perceber que as descrições se arrastam para que os versos do Pai Nosso possam se encaixar. Creio que um ou outro trecho, talvez de diferentes orações, cumprissem bem esse papel de revelar o desespero da protagonista ao buscar o amparo do sobrenatural.

    Acho que este conto teria boa receptividade entre leitores adolescentes, que tendem a preferir temas do gênero, especialmente aqueles que, como aqui, optam pela descrição de cenas de ação típicas do cinema atual, sem ceder lugar a digressões filosóficas ou psicológicas. Personagens rasos, é verdade, mas que servem como vetores de cenas de suspense que terminam por fisgar quem lê. Como eu disse, opção que não me agrada, mas que tem seus méritos.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  18. Pedro Paulo
    16 de agosto de 2019

    RESUMO: Após uma espécie de “arrebatamento” em que milhares de pessoas desapareceram da face da Terra, um período de prosperidade veio acompanhado de um invasivo e fatal domínio tecnológico. Nesse mundo tenebroso, vive Layla, uma das que rejeitou a instalação do chip e, portanto, vive às escondidas até se encontrar com Custódio, outro que negou o chip. Depois de descobrirem a possibilidade de um refúgio, são descobertos e forçados a fugir, ocasião em que morre Custódio. Layla escapa e encontra um abrigo.

    COMENTÁRIO: Trata-se de uma distopia e o tema aqui abordado não é nada que outras obras do tipo já não tenham se dedicado, especialmente no século XX, como por exemplo em “1984” que, embora eu não tenha lido, conheço o enredo. Desse modo, o conto nos leva a um contexto muito familiar em que, com duas personagens centrais sem muita profundidade, resta saber para onde o enredo nos levará, passando pelos mesmos lugares comuns dessas histórias: ela encontra uma pessoa com quem pode viver; a situação fica cada vez mais arriscada; a esperança é um grupo secreto que pode ou não pode existir. Tudo vai sendo cumprido em uma narrativa linear, de modo que as expectativas nunca se elevam e prevalecem os clichês, o que prejudica a qualidade do conto. Enfim, a escrita também não é elaborada e não existem recursos que façam da leitura mais interessante, de modo que se mantém a descrição das ações e diálogos das personagens, culminando numa leitura insossa.

    Boa sorte!

  19. Contra-analógico
    13 de agosto de 2019

    Sinopse: Layla é uma estudante universitária, órfã. Ela decide se voltar contra o sistema que institui a chipagem dos cidadãos. O governo mundial tenta a todo custo eliminar quaisquer sinais de individualidade. Mantendo com isso o máximo de controle biopolíticos sobre os indivíduos. Layla consegue fugir de toda essa loucura e passa a viver com um rebelde, assim como ela. Alternando entre as notícias do regime ditatorial e a possível comunidade rebelde, Layla e Custódio se questionam sobre seu futuro.

    Comentário: Toda distopia exige um gatilho. O arrebatamento provocado na história promove uma coalizão mundial, que visa igualizar as pessoas a força, sublimando a individualidade e as liberdades individuais através da chipagem. Uma pequena comunidade sobrevive a muitas custas nesse processo. Esse tipo de história merece mais páginas. A morte de Custódio causou pouco impacto e foi até esperada por mim. Me lembrou os regimes nazifascistas da Europa.

    Notas de Contra-analógico:
    – A Bruxa: 1,0
    – A Hora Certa de Dizer “Eu te Amo”: 4,5
    – A Obradora e a Onça: 3,5
    – Às Cegas: 3,8
    – As Lobas do Homem: 3,0
    – De Forma Natural: 2,0
    – Espectros da Salvação: 3,5
    – Folhas de Outono: 2,0
    – Humanidade: 4,0
    – Love in the Afternoon: 3,0
    – Neo: 2,5
    – O Buquê Jamais Recebido: 2,5
    – O Dia Em Que a Terra Não Parou: 1,0
    – O Touro Mecânico: 2,0
    – Poá: 2,0
    – Rosas Roubadas: 1,5
    – Show Time: 5,0
    – Sob um Céu de Vigilância: 4,0

    Contos Favoritos
    Melhor técnica: A Hora Certa de Dizer “Eu te Amo”
    Mais criativo: Show Time
    Mais impactante: Show Time
    Melhor conto: Show Time

  20. Higor Benízio
    8 de agosto de 2019

    Layla está em fuga, por se recusar a implantar um chip que aparentemente é um nova imposição do governo. Ao final, consegue encontrar uma colonia de refugiados e se salva.

    Achei legal abordar essa ideia que tem circulado pela internet, inclusive citando alguns termos bens comuns dessas teorias como “arrebatamento”, “Nova ordem mundial”, etc. Gostei também da forma como a oração agiu ao final do conto.

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Informação

Publicado às 1 de agosto de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 3, R3 - Série A e marcado .