EntreContos

Detox Literário.

Penumbra (Fabio D’Oliveira)

 

Esse odor acre…

Essa penumbra…

Esse silêncio mórbido…

Paredes com infiltração, antigas, tão antigas. Móveis frágeis, aos pedaços. Velas de santos, com supostos poderes divinos, distribuídas estrategicamente pelo ambiente. Crucifixos, imagens de Jesus e Virgem Maria, pinturas com representações bíblicas. Um homem, sentado à mesa, bamba e torta, em posição de reza.

Eu amo tudo isso!

Aproximo-me, devagar, e sussurro em seus ouvidos.

“Está na hora…”

Vejo os contornos da ansiedade em seu rosto. Sinto sua excitação na respiração ofegante. Esse momento é especial, ah, sim, muito especial. Ele prepara a corda de sisal: firme e grossa, sua fiel escudeira. Previne-se: pistola e canivete. Está certo, está certo. Tudo pronto.

Costumo ficar no banco traseiro, bem atrás dele, com meus longos dedos sobre seus ombros. Ajudo a escolher. Às vezes, ficamos horas rodando pelas estradas, numa espécie de transe, apenas esperando a oportunidade certa. Ah, quanto tempo já perdemos nessa caçada… Nessa busca pela felicidade… Dois meses esperando. Mas hoje, nessa noite fria de verão, tenho certeza que teremos sorte.

“Vamos para aquele bairro pobre…”

Vivemos isolados, numa casa que, antigamente, foi a base de uma grande fazenda. Uma herança carregada de lembranças de outroras. Sofrimento. Os ecos do passado vivem forte nesse ambiente. Ele sabe disso. É apegado. Escuto as orações de sua mãe, as punições pelos pecados cometidos, os choros compulsórios. A depressão. A ausência do pai. A raiva, que cresceu, cresceu, cresceu, até explodir e libertá-lo da forma mais bela possível.

Ela mereceu.

Estrada de terra batida, quinze minutos. Intermunicipal, finalmente, certa leveza na direção. Sinto algo, longe, mas algo.

“Para!”

Sim, sim…

Festa, sete quilômetros, saindo da cidade. Chácara. Bebida. Drogas. Jovens, muitos jovens. Mulheres! Sussurro minha descoberta, como sempre, e fazemos o retorno. Paramos no acostamento, perto da entrada do sítio.

Esperamos…

Esperamos…

Esperamos…

Duas horas se passam. E ela surge. Morena, corpo magro, extremamente maquiada e levemente bêbada. Bonita. Está sozinha. Assusta-se quando percebe a presença do carro, acelerando o passo e abraçando a bolsa.

Tola!

— Ei, moça! — chama, abrindo a porta num convite irrecusável. — Que tal uma carona? Estou indo pra cidade.

Olhou desconfiada, analisou aquela lata-velha e meu amigo.

— Não precisa… Estou esperando um homem, sabe, namorado… — vacila.

Seus olhos levemente arregalados, seu coração acelerado e seu sorriso forçado. Nossa, como adoro essa cena, esse medo, o alerta do perigo.

“Ela sabe! Ela sabe! Ela sabe!”

Ele saca a arma.

— Entra! Agora! — berra.

Pânico! A mulher sai correndo, tentando voltar para a chácara e pedindo socorro. Socos, fortes socos no volante.

“Ela viu seu rosto. Pegue-a!”

De ré, alcançamos a coitada, atropelando-a de leve. Ele sai do carro, rápido, e antes que pudesse se levantar, pega a mulher pelos cabelos.

É nossa! É nossa!

Ah, a noite é bela, é criança de pais amorosos e caridosos! Obrigado!

Amamos o retorno pra casa. Gostamos de criar esperanças, pois os frustrados sofrem mais na hora de confrontar a realidade.

— Não se preocupe, só vou fazer uma coisa… Não vou te matar… — promete ele, respondendo às súplicas da garota.

O alívio em seu rosto se dissipa rapidamente quando entramos na estrada de terra. Mas fica em silêncio. No fundo, sinto, espera a salvação…

Vadia…

Essas mulheres, principalmente jovens, aproveitam-se de seus atributos naturais. São manipuladoras. Choram para conquistar o que desejam. Chantageiam. Enganam. Traem…

Ela merece isso. Todas, na verdade.

Chegamos!

Chorosa, encolhida no canto daquele quarto fétido e escuro, confusa e trêmula. Observo. Ele também. A contemplação é importante, liberta e cria valores para aquilo que deve ser apreciado.

— Sabe… — ele diz, começando o clássico discurso que leva consigo para justificar sua carnificina. — Você é impura. Mas não é culpa sua. Esse mundo… Ele está doente. Não se preocupe. Vou te salvar.

HA! HA! HA! HA! HA!

Estúpido!

“Purifique-a…”

Com a corda de sisal, segurando bem firme, começa a chicoteá-la. Ela grita, ah, como grita. “Socorro”, “perdão”, “por favor”, “faço o que quiser”, “não me mata”; os cinco apelos mais ditos nesse momento.

Seu rosto se contorce num misto de raiva e alegria. Sente prazer. Gosta da violência. E bate cada vez mais forte. Depois do espancamento, jogando a corda de lado, pega o punhal “santificado”. Ele adora esse lixo… Adornos de terceira categoria e encardida de sangue.

É agora!

Esse olhar… A destruição completa da esperança. A luz dos olhos finda antes mesmo da alma. Esse solene momento, sinceramente, é o magnus opus da humanidade. Uma obra de arte única, incomparável.

A primeira punhalada é sempre impactante. Para ela, para ele, para mim. Ele mirava no pescoço, sempre, e depois no rosto.

Um!

O chão de concreto é tingido de vermelho. As paredes também.

Dois!

Ela tenta afastá-lo. Em vão.

Três!

Respiração ofegante e um leve sorriso no rosto.

Quatro!

O som dela se afogando no próprio sangue.

Cinco!

Aceita seu destino, para de resistir, fica deitada numa agoniante espera.

Seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze, quatorze, quinze, dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove, vinte, vinte e um, vinte e dois, vinte e três, vinte e quatro, vinte e cinco, vinte e seis, vinte e sete, vinte e oito, vinte e nove, trinta, trinta e um, trinta e dois, trinta e três.

Morta. Aproximo-me. Que visão estonteante… Que beleza…

“Ela é toda sua…”

Nudez sem pudor. Sangue quente. Sexo selvagem. Esse é o momento dele… Quando pode se libertar, ser quem verdadeiramente é, deixando seu lado animal no controle. Sem culpa, tratando aquele pedaço de carne como uma recompensa por tê-la “salvado” deste mundo impuro.

HA! HA! HA! HA! HA!

Como eu amo estar aqui, presente na vida desse homem. Pobre alma, pobre ser. Não sou hipócrita. Sei muito bem quem sou. Não minto para mim.

“Parabéns… Você salvou mais uma alma. Alegre-se, pois, de fato, sua vida tem um propósito.”

O desenho de seu rosto, quando digo tais palavras, é de realização. Engano, sim, mas é por um bom motivo. Sou a liberdade que ele precisa. Sou a segurança que ele precisa. Em contrapartida, ele me presenteia com essas magníficas apresentações.

Ele vai embora e fecha a porta do “aposento de purificação”. Através das frestas, um pouco da luz das velas penetra com incrível determinação. Fico na penumbra. No canto do quarto, junto ao cadáver, está a silhueta de uma mulher, encolhida, abraçando suas pernas, confusa e perdida.

Regozijo! Pois, agora, sim, começa minha noite.

Meu momento…

Minha alegria…

24 comentários em “Penumbra (Fabio D’Oliveira)

  1. neusafontolan
    20 de junho de 2019

    Não sou boa nisso, mas vou tentar.

    Espero que isso aqui esclareça os que não entenderam o conto.

    Penumbra.

    Ele cresceu sem o pai e vítima de uma mãe fanática por religião, onde tudo era pecado. Tornou-se um homem doente acreditando no que a mãe pregava. Os choros o levou a depressão e esta a raiva. Raiva que cresceu a tal ponto que matou a mãe.
    Uma entidade, maligna, precisava de vítimas para suas atrocidades, sem poder ela mesma caçá-las, por estar em outro plano. Uma mente sadia seria difícil induzir, mas uma mente doente é um achado e tanto. É fácil induzir alguém que já tem tudo lá. Salvação, purificação, arrancar os pecados do mundo, ou da vítima escolhida, através da dor. Com surras e castigos da mesma maneira que ele sofreu em sua vida. A purificação tem que ser alcançada de qualquer jeito. Um punhal, supostamente santificado, é a melhor maneira. Fácil para a entidade induzir isso na mente doente do homem.
    O homem, supondo que salvou mais uma alma perdida, dá-se por satisfeito assim que ela morre. Agora ele pode deixar o seu lado animal aparecer e a necrofilia é praticada, para seu prazer.
    A alma da vítima, arrancada tão brutalmente do corpo, fica perdida, sem saber o que acontece. É hora da entidade aparecer, já tem sua alma para atormentar e maltratar.

  2. Gustavo Azure
    15 de junho de 2019

    RESUMO Um ser estimula um homem a buscar mulheres para passarem por um ritual de purificação, que consiste em matá-las. No fim, o homem que acha estar fazendo algo bom, deixa o corpo da mulher para que o ser possa ter seu momento.
    CONSIDERAÇÕES O estilo da escrita é interessante, rápido e preciso, deixando alguns elementos para serem desvendados pelo leitor. Entretanto, a trama em si é clichê, apenas se diferenciando pela perspectiva da história, já que o narrador é algum tipo de ser maligno.
    NOTA 3,6

  3. Cirineu Pereira
    15 de junho de 2019

    Resumo
    Assassino serial com motivação religiosa (não ficou totalmente claro), guiado por uma voz ou entidade maligna que age como espécie de mentor, sai a noite em busca de nova vítima a ser executado em sítio ermo.

    Aplicação do idioma
    Linguagem relativamente culta, porém sem naturalidade, com uso excessivo de reticências, algumas aplicações questionáveis, clichês e aparentemente sem erros gramaticais.

    Técnica
    O texto denota esforço do autor em edificar estilo, ainda que os artifícios utilizados remetam a outros autores e, principalmente, personagens narradores. De forma geral, a escrita se apresenta ainda um tanto caótica (para além do aparentemente proposital). Nota para o excesso prejudicial no uso das reticências

    Título
    Hermético e pouco incitante.

    Introdução
    Aqui o autor já mostra a que veio. A abertura é hermética, reticente, porém salva pela declaração “Eu amo tudo isso!”, a qual incita a leitura.

    Enredo
    Enredo interessante, apesar do hermetismo e superficialidade da trama.

    Conflito
    Conflito pobre, já que o protagonista não tem maiores dificuldades em alcançar seu intento.

    Ritmo
    Ritmo relativamente bom, não obstante a pobreza da trama. Morosidade adequada na introdução e relativo dinamismo no desenvolvimento, retomando para a narrativa mais contemplativa e reflexiva na conclusão.

    Clímax
    Mal narrado e descrito, se considerarmos o impacto que supostamente deveria causar ao leitor.

    Personagens
    O perfil dos personagens, salvo a vítima, é diluído no hermetismo do texto. Li e reli sem concluir sobre a natureza do personagem narrador e mesmo a caracterização do protagonista é bastante limitada.

    Tempo
    Bem marcado. O verão, os meses de preparação, a espera durante a busca do assassino pela próxima vítima. Não há menções ao passado, os eventos da narrativa aparentemente decorrem em uma só noite.

    Espaço
    Percebe-se a valorização benéfica dos cenários, o conto é bem contextualizado no que tange à descrição do espaço.

    Valor agregado
    O caráter hermético do conto fomenta a curiosidade para, ao final, deixar o leitor sem respostas ou mesmo um rol limitado de possibilidades. Há referências éticas, religiosas, psicológicas e sociais, mas sem um embasamento que incite a reflexão. Também não se enxerga grande valor artístico na narrativa, não obstante o aparente esforço do autor em atribuir essa característica a sua obra.

    Adequação ao Tema
    Eficiência à parte, é claramente um conto de horror.

  4. Ana Carolina Machado
    15 de junho de 2019

    Oiiii. Um conto sobre um psicopata que é guiado por um tipo de entidade que narra a história. Eles vão até perto de uma festa em uma chácara e aguardam a vítima se aproximar. Uma moça sozinha que ele com uma arma a obriga a entrar no carro. Depois, já no quarto da “purificação” ele a chicoteia com uma corda e depois a acerta com um punhal 33 vezes e usa seu corpo morto. E no fim fala que o momento de alegria da entidade narradora chegou; pelo que entendi um tortura o corpo e o outro tortura a alma que aparece perto do corpo da mulher morta. A narrativa e bem conduzida e o final em aberto deixa no ar o suspense sobre o que iria acontecer depois daquele momento que seria o momento mais esperado pela entidade e o que ou quem seria esse narrador que acompanha tudo desde o começo. Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  5. Gustavo Azure
    15 de junho de 2019

    RESUMO A noite da (suposta) purificação de uma mulher.
    CONSIDERAÇÕES O estilo da escrita é interessante, rápido e preciso, deixando alguns elementos para serem desvendados pelo leitor. Entretanto, a trama em si é clichê, apenas se diferenciando pela perspectiva da história, já que o narrador é algum tipo de ser maligno.
    NOTA 3,6

  6. Estela Goulart
    15 de junho de 2019

    Resumo: Não entendi muito bem. Aparentemente, tem um homem que “purifica” as pessoas. Ele sai um busca da sua vítima a encontra em uma chácara onde estava acontecendo uma festa. A mulher saía do local levemente bêbada e se assusta quando percebe o carro. Tenta pedir ajuda, mas acaba sendo pega pelo cara, ele então decide purifica-la. Depois de a machucar mais uma alma foi “salva”.

    Um conto muito confuso, as sucessões da narrativa realmente me deixaram perdida. A escrita está leve, no entanto, deixando fácil de ler, gosto disso. Mas não sei ao certo qual foi sua ideia, isso deve pesar na avaliação dos outros leitores. Tente organizar melhor suas ideias no próximo certame.

  7. Priscila Pereira
    14 de junho de 2019

    Penumbra (Ancilla)

    Resumo: O conto é narrado por uma entidade que controla um homem e o leva a raptar, torturar e matar mulheres para purificá-las. A entidade só usa o homem para conseguir o que quer, a alma das pessoas.

    Olá, Autor(a), eu não gosto nadinha de contos de terror, nenhum. Então vou analisar apenas tecnicamente. O conto é interessante, li rapidamente sem vontade de parar e fazer outras coisas, não notei erros, e possui uma boa técnica, direta mas com um toque poético. Dosou bem os elementos do terror, não abusou só para chocar. É um bom conto. Parabéns! Desejo boa sorte!

  8. Sarah
    14 de junho de 2019

    Um assassino rapta uma mulher e a leva para casa. Ele tem por companhia um ser macabro que o insentiva, auxilia e compartilha do prazer em matar e torturar pessoas.
    O homem espanca a moça, apunhala mais de trinta vezes, viola o corpo da jovem e a deixa para que o ser sobrenatural faça o trabalho dele com a alma dela.

    Todo o conto é construído em um clima sinistro, desde a descrição da casa até as instruções desse ser que narra a história. O que assusta é a repetição, percebemos que isso é algo que eles fazem com frequência, que apreciam e que vão continuar.
    Após chegarem na casa com a jovem sequestrada, cada cena de horror é contada de forma que sentimos aflição, agonia, nojo, medo.
    O fato de não termos descrição ou nome dos personagens, passa a ideia de que esse homem perturbado e perigoso poderia ser qualquer um.
    Fiquei espantada com a quantidade de punhaladas que ele desfere na moça e o fato de violar o corpo após essa atrocidade, é realmente assustador. Não entendi o que exatamente a criatura sobrenatural faria com a alma da moça, mas deduzi que seria alguma crueldade como a que o homem fez.
    Um conto muito bem escrito, parabéns.

  9. Antonio Stegues Batista
    12 de junho de 2019

    O conto tem uma boa estrutura, frases e parágrafos curtos e tal, escrita e enredo bons, mas achei a história do psicopata bem fraca. Faltou descrever o perfil social e metal dele. E o narrador não deu para saber quem é, talvez outro psicopata. Achei uma frase bem polêmica, mas não vou entrar na questão porque cada um escreve o que quer. Boa sorte.

  10. Luis Guilherme Banzi Florido
    8 de junho de 2019

    Bom diaaa! Tudo bem?

    Resumo: homem, guiado/enganado por espécie de espírito ou demônio, extravasa seu ódio e rancor cometendo assassinatos a jovens, num processo em que ele acredita estar purificando e salvado a vítima.

    Comentário:

    Cara, que conto pesado. A crueza das cenas é impactante, causando um pouco de repulsa durante a leitura. isso não é uma crítica negativa, afinal, acredito que sua intenção tenha sido justamente essa. Então, teve sucesso no intento. As descrições são boas e fortes, me dando ai impressão, como leitor, de testemunhar a situação. Tenso!

    Apesar de não ter nada muito novo no enredo, gostei da forma como ele é contado, tendo o espírito como narrador, e mostrando a relação entre ele e o homem. Achei boa sua técnica. Diria mesmo que é o ponto forte do conto.

    Não notei problemas sérios com a gramática ou estrutura. Me lembro apenas de um erro de concordância, provavelmente erro de revisão: ” Os ecos do passado vivem forte nesse ambiente.”

    Claro que isso não tem importância alguma, só tô pontuando pq vc pode querer corrigir.

    Devo dizer, porém, que não entendi muito bem o final. Mesmo relendo, não consegui entender quem era a mulher sentada no chão. Algo me diz que tem relação com a história familiar dele. Talvez a mãe, por quem ele parece nutrir muito rancor, e provavelmente de onde vem o desejo assassino pelas mulheres.

    A conclusão mais plausível que cheguei é que ele mantem a mãe em cárcere, obrigando-a a testemunhar a barbárie. É uma ideia bem perturbadora, aliás.

    Enfim, um conto tenso, denso e que causa uma certa repugnância, atingindo o objetivo do autor. Parabéns e boa sorte!

  11. Davenir Viganon
    3 de junho de 2019

    Assassino e sua voz saem em busca de uma nova vitima. Encontra uma mulher e a persegue, captura e a esfaqueia até a morte, depois transa com o corpo.
    Terror de assassino (sem crianças dessa vez!) que mata sem escrúpulos. O atrativo do conto é a narração em segunda pessoa em que o assassino parece ter uma outra personalidade e está narra os acontecimentos. Conto bem feito na forma mais que na história que é bastante simples. Bom conto!

  12. Shay Soares
    2 de junho de 2019

    Duas pessoas procuram alguma mulher impura para assassiná-la como forma de purificação.

    Eu não tenho certeza se entendi o conto, a voz que ele ouve eu imagino que não seja de uma pessoa real, mas a aparição da mulher no final da hostória me causou dúvida.

    Parece que o texto deixou de estar em primeira pessoa quando fala da mulher abraçando as pernas lá no fim, aí eu já comecei a pensar que talvez fosse essa a mulher que acompanhava o cara. Aí eu achei que não fazia muito sentido e terminei achando que é alguém em cativeiro e a voz é uma criatura que se alimenta de horror rsrs enfim, fiquei na dúvida. Mas poderia muito bem ser a morena, ainda viva, ao lado de um outro corpo até então não citado e ainda haver a criatura. Bem, como pode ver, não tenho certeza.

    Particularmente eu não sou muito fã de reticências, a introdução, para mim, acabou ficando muito forçada da maneira que o quarto foi descrito, uma escrita mais fluída talvez tivesse ajudado a visualizar melhor o cenário.

    Achei muito legal a ideia de o cara ser apegado aos ecos que vivem na casa, trouxe muito valor a passagem. O enredo foi interessante, mas maçante em alguns pontos, pelo menos eu não tenho paciência para ler do seis ao trinta e três, além das constantes reticências.

    Uma cena mais longa sobre o rapto da mulher poderia ter sido bem interessante também, para dar uma apavorada ali também rsrs

  13. Paulo Luís
    2 de junho de 2019

    Olá, Ancilla, boa sorte no desafio. Eis minhas impressões sobre seu conto.

    Resumo: Dois Homens vivem numa casa isolada. O ambiente é lúgubre, um deles reza, enquanto aguarda o momento para saírem em caçada de vítimas para certo ritual de sexo e morte, com os devidos requintes de sado-masoquismo, com as “divinas” pretensões de salvar almas impuras.

    Gramática: Pelo menos, quanto à gramática não percebi nada que desabone.

    Tema/Enredo: Dois integrantes de uma seita, ou coisa que o valha, saem em busca de almas “impuras” para as castigarem, e ao mesmo tempo se limparem de suas “mazelas” pecadoras através do sado-masoquismo, a nefasta algolagnia. Mas é um enredo que trata do tema terror pela superficialidade, onde a trama se impõe no terror pelo terror, não fundamentando muito bem a trama. Embora eu tenha gostado muito da ambientação. Mas não deixa de ser um conto com pretensões enigmáticas que, provavelmente, seja melhor apreciado para os especialistas no tema terror, — que não é o meu caso — porém para mim o conto prima por dificultar a compreensão.

  14. Evandro Furtado
    30 de maio de 2019

    Um conto sobre um serial-killer. Narra um de seus crimes desde o sequestro até a morte da vítima.

    Achei bem interessante esse narrador. Me parece ser uma voz na cabeça do assassino, o que confere à trama uma densidade diferente. A narrativa também é bem precisa e traz um tom realista. O final, no entanto, me pareceu um pouco confuso. Não consegui tirar dele muito.

  15. Sidney Muniz (@SidneyMuniz_)
    24 de maio de 2019

    Resumo: Penumbra (Ancilla)

    Um conto muito bom, tem uma estrutura diferente, algo bem dinâmico. Nesse conto a narrativa vem da namorada ou esposa, que acompanha o seu parceiro em caçadas pelas ruas, capturando vítimas, um desejo assassino, um mal que habita nele e o deixa feliz e ela tão vil quanto ele o quer assim, sente-se atraída por esse mal nele, no fim ele mata a vítima em uma um local da casa, com violência, com chicotadas, punhaladas e a sua amante gosta.
    Avaliação: (Para os contos da Série A-B não considerarei o título, as notas serão divididas por 5 para encontrarmos a média. Porém teremos uma ordem de peso para avaliação caso tenha empates… Categoria/ Enredo / Narrativa / Personagens / Gramática.

    Terror: de 1 a 5 – Nota: 4,5 (Não é de assustar, mas é muito bom)

    Gramática – de 1 a 5 – Nota 5,0 (Sem erros encontrados)

    Narrativa – de 1 a 5 – Nota 5,0 (Não que seja a melhor narrativa, mas a estrutura que foi feita é totalmente certeira e convincente, boa proposta)

    Enredo – de 1 a 5 – Nota 5 (Simples e direto, um texto objetivo, talvez um serial killer clichê, mas tem um bom fechamento, uma excelente abertura, tudo muito certo.)

    Personagens – de 1 a 5 – Nota 5 (Bons personagens, transparecem a violência que o autor propõe em suas palavras, as cenas também são bem transportadas para a mente do leitor nesse recurso narrativo que descreve pouco, mas conta muito)

    Total: 24,5 / 5 = 4,9

  16. Sidney Muniz (@SidneyMuniz_)
    23 de maio de 2019

    Resumo: Penumbra (Ancilla)

    Um conto interessante de um casal de seriais killers que ataca a noite, levam uma moça e a assassinam. O mais bacana nisso tudo é a estrutura do texto que é trabalhado de forma diferente com uma ideia muito certeira e original. Gostei bastante!

    Avaliação: (Para os contos da Série A-B não considerarei o título, as notas serão divididas por 5 para encontrarmos a média. Porém teremos uma ordem de peso para avaliação caso tenha empates… Categoria/ Enredo / Narrativa / Personagens /
    Gramática.

    Terror/infanto juvenil: de 1 a 5 – Nota 4 (Um conto que tem uma boa dose de terror, mas não assusta)

    Gramática – de 1 a 5 – Nota 5 (Sem problemas)

    Narrativa – de 1 a 5 – Nota 5 (Diferente e bem executada)

    Enredo – de 1 a 5 – Nota 5 (Muito bom)

    Personagens – de 1 a 5 – Nota 4 (Gostei bastante)

    Total: 15,0 / 5 = 4,6

  17. angst447
    21 de maio de 2019

    RESUMO:
    Espírito obsessor ou o próprio demônio influenciam um sujeito doente, isolado em sua fazenda. O homem induzido por uma voz (pode até ser da mente dele) persegue uma moça e a traz para um esconderijo, onde após torturá-la, a mata com facadas, muitas facadas. A presença maligna tudo vê e se regojiza com a crueldade, com o sangue, com a selvageria despertada naquele indivíduo obsediado. Uma mulher observa tudo, confusa, na penumbra. Quem seria? A mãe dele? Ou o espírito da mulher assassinada?

    AVALIAÇÃO:
    Conto de terror que começa com tom de suspense. A perseguição da mulher que culmina em seu assassinato revela um ritmo narrativo que desperta e prende a atenção.
    As frases curtas, precisas, soam como estocadas que fazem o texto sangrar. Fui lendo como se ouvisse uma voz grave, baixa, vinda da penumbra.
    Não encontrei falhas de revisão. O texto é bastante claro, sem recursos desnecessários que atrapalhem a fluidez da narrativa. Aqui, provou-se que menos é mais.
    O desfecho da trama é bem costurado, deixando um mistério no ar, uma cena impactante, descrita sem uma palavra a mais.
    Boa sorte no desafio!

  18. Elisa Ribeiro
    18 de maio de 2019

    Um narrador maligno (a criada, segundo o que o pseudônimo sugere) conta o episódio da caçada e assassinato de uma mulher por um sujeito que pratica tal tipo de perversidade repetidamente.

    O destaque aqui é a estratégia narrativa escolhida pelo autor. Um narrador testemunha, manipulador e perverso, que conta apenas parte da história.

    Esperava um episódio de canibalismo, mas me satisfaço em imaginar que ele ocorrerá após o ponto final do texto.

    Senti falta, de saber mais sobre essa estranha família, sobre os personagens. O conto aguçou minha curiosidade e me deixou um pouco frustrada, nesse sentido.
    Parte da perversidade do autor? É uma possibilidade.

    Achei o conto muito bom. Pela atmosfera habilmente criada, o melhor terror que li até o momento.

    Parabéns pelo trabalho e sucesso! Um abraço.

  19. Fernanda Caleffi Barbetta
    16 de maio de 2019

    Resumo
    A história é narrada pelo que entendo ser uma espécie de demônio (espécie não, o coisa ruim mesmo). Um homem vive em uma antiga casa de fazenda acompanhado do demônio, que o influencia a realizar atos de crueldade. O homem realiza constantemente um ritual de purificação que consiste em matar pessoas de forma desumana para livrá-las de seus pecados. Numa noite, eles saem à caça de uma nova vitima e voltam para casa com uma moça, que é assassinada brutalmente. Ambos sentem prazer naquele ato. Quando a moça morre, o homem sai do quarto e é a vez do diabo se divertir com a vítima já morta.

    Comentário
    Gostei muito deste conto. Além de muito bem escrito, a forma como foi conduzido, a fluidez, me agradaram e me envolveram. Gostei principalmente das entradas do demônio, suas falas, muito bom. Só achei um pouco previsível, sem muitas surpresas. O final foi a parte mais inesperada, mais surpreendente. Parabéns.

    Poucas constatações de erros gramaticais:
    lembranças de outroras (outrora)
    o punhal “santificado”. Ele adora esse lixo… Adornos de terceira categoria e encardida (encardido) de sangue
    Não entendi pq essa frase ficou no passado: Olhou desconfiada, analisou aquela lata-velha e meu amigo.

  20. George Armado
    15 de maio de 2019

    Sinopse: com uma narrativa nervosa e estonteante, vemos um caso de um serial killer agindo na penumbra. É em noites comuns que pessoas desprotegidas são coagidas a sofrerem a violência gratuita de mentes perigosas. Pessoas que seguem uma lógica própria e desumana, pessoas que podem aparecer em qualquer hora e lugar oferecendo uma carona.

    Comentário: a história tem um pé no realismo mágico, limitando bastante a fronteira entre real e fantasioso. A narrativa lembra muito as prosas poéticas da vanguarda, talvez funcione melhor assim que como conto de terror.

    A Árvore que Divide o Mundo – NOTA: 1,0
    Amarga Travessia – NOTA: 5,0
    Aquilo – NOTA: 4,5
    Capitão Ventania – NOTA: 4,0
    Demasiado Humano – NOTA: 4,5
    Lobo Mau, A Garota da Capa Vermelha e os 3 Malvados – NOTA: 1,9
    Magnum Opus – NOTA: 4,0
    O Fim de Miss Bathory – NOTA: 5,0
    O Jardim da Infância – NOTA: 5,0
    O Ônibus, a Estrada e o Menino – NOTA: 3,5
    O Parque – NOTA: 1,0
    Penumbra – NOTA: 1,5
    Prisão de Carne – NOTA: 3,5
    Rato Rei – NOTA: 3,0
    Seus olhos – NOTA: 4,0
    Troca-troca Estelar – NOTA: 5,0
    Variante Amarela – NOTA: 1,0
    Vim, Vi e Perdi – NOTA: 1,0
    ——————————–
    Melhor técnica: Aquilo
    Conto mais criativo: Amarga Travessia
    Conto mais impactante: O Jardim da Infância
    Melhor conto: Troca-Troca Estelar
    ——————————–

  21. C. G. Lopes
    14 de maio de 2019

    RESUMO:
    Narra uma caçada noite adentro, a captura e o assassinato macabro de uma mulher. Pronto acabou o conto. Um homem guiado por uma voz interior é um caçador que deixa a sede da fazenda arruinada, corre uma estradinha vicinal e na pele de um predador aguarda uma vítima incauta. Sem muita cerimônia, ele as captura e com a desculpa de purificação de seus pecados, ele as apunhala e depois…

    CONSIDERAÇÕES
    Uma boa construção para o velho tema do serial killer esquizofrênico e psicopata, embora esse argumento seja muito visitado, aqui o autor imprimiu sua visão particular com um texto enxuto, irônico, cruel e de uma agilidade cinematográfica. É chover no molhado falar bem da escrita, todos aqui tem uma qualidade invejável. Mas, deixe-me ser chato, acho que tanta maestria podia servir uma história mais impactante.

  22. Fheluany Nogueira
    13 de maio de 2019

    A caçada, o encontro de uma vítima possível, o assassinato, a necrofilia e, sobretudo, as emoções e sensações de um psicopata travestido de homem de família e religioso. O personagem-narrador não é identificado, aparece como o instrutor, orientador do criminoso e vive intensamente todos os momentos ao lado dele. Fiquei meio embaralhada: “Fico na penumbra. No canto do quarto, junto ao cadáver, está a silhueta de uma mulher, encolhida, abraçando suas pernas, confusa e perdida.” – acreditava que o personagem-testemunha fosse a personificação da morte; mas o trecho criou a possibilidade de uma voyeur, cúmplice.

    Estilo dinâmico, com construções estrutural e frasal, em parágrafos e frases curtas e reiterativos, em ritmo ágil e prazeroso. Escrita competente, texto bem planejado, com estratégia que propicia ao leitor descortinar uma percepção de mundo que se forma nos interstícios, fora do alcance dos olhos comuns. A trama chega a ser um estereótipo, mas o ponto alto do texto está na técnica que o enriquece e lhe dá boa dose de originalidade.

    Dica: o verbo “precisar, no caso de o complemento ser um substantivo ou pronome, o correto é usar a preposição (ele se classifica como transitivo indireto) — “Sou a liberdade (DE) que ele precisa. Sou a segurança (DE) que ele precisa”.

    No todo é um trabalho muito bom. Parabéns! Abraço.

  23. neusafontolan
    7 de maio de 2019

    Eita! Que entidade mais aterrorizante!
    coitadas de todas as que foram mortas, sofrem em vida e sofrem na morte.
    Parabéns
    ótimo conto.

  24. Emanuel Maurin
    6 de maio de 2019

    Ancilla, paz e bem.

    O conto fala de um doente mental, idolatra que mora num sítio afastado e que para aliviar a sua dor e traumas sai a caça de suas presas.
    No decorrer da noite consegue capturar uma mulher vinda de um baile com ajuda de um amigo também doente mental, colocam-na dentro do carro ameaçando-a com uma arma. A levam para casa com intenção de “purifica-la”, depois a torturam e a matam.

    Bem, seu conto é bem elaborado e o texto flui bem. Não encontrei nenhum erro de gramática, mas de um modo geral você se saiu bem.

    Boa sorte!

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Informação

Publicado às 1 de maio de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 2, Série A e marcado .