EntreContos

Detox Literário.

Angelical (Estevão Kinnek)

Deadwood compareceu em peso ao funeral e enterro de Peggy Irons. A mãe de Anne ficou com receio de levar a filha para se despedir da colega de sala, mas as duas estudavam juntas desde o jardim de infância, como negar isso a ela?

Quando voltaram para casa, Anne tomou um banho morno, bebeu leite e comeu alguns biscoitos, mais a pedido da mãe do que por vontade própria e foi para a cama se deitar, ainda que fosse dia.

― Tudo bem, querida? ― A filha apenas fez que sim com a cabeça. ―  Durma um pouco, então. Eu te amo.

― Também te amo, mãe.

A frase saiu mais mecânica do que o habitual, sem qualquer sentimento ao proferir as palavras. Nunca ia se deitar àquela hora, mas não era um dia comum, por causa de Peggy. Na verdade, se a garota de treze anos pudesse voltar no tempo, nunca teria feito aquele pedido a Angelica. Porque sabia, no fundo, no fundo, que Angel faria qualquer coisa por ela. Eram mais que amigas. Eram irmãs de sangue. De espetarem seus dedos, encostando-os, bem forte, para que seus sangues se misturassem, a ponto de não saberem a quem pertenciam as gotas que acabaram manchando a folha do caderno que Anne usava como diário.

Dormiu por algum tempo e já era noite quando despertou com um barulho na janela. Como se uma criatura arranhasse o vidro com as unhas de suas duas mãos… insistente. Ao olhar para a parede, jurava que a luz da lua projetava ali a silhueta demoníaca de quem produzia aquele som infernal.

Estendeu a mão para acender o abajur, quando alguém a segurou, abafando o grito da garota.

― Não acenda, não precisa ― pediu Angelica, sussurrando no ouvido de Anne e deitando-se ao lado dela na cama. ― Está tudo bem?

Anne ia perguntar se ela não estava ouvindo o arranhar no vidro da janela, quando de repente o ruído cessou e a sombra não estava mais lá.

Devia ser o cansaço.

― Sim, está. Estou confusa, Angel ― a garota não se incomodou quando a amiga, a única verdadeira, começou a brincar com os cachos negros de seu cabelo. ― Tá, ela vivia me enchendo a paciência, sendo muitas vezes má comigo, mas…

― Era para dar um susto nela, não era? Sabemos que era alérgica a corante, tudo o que pensei foi em causar nela uma baita alergia! Merecido, não foi?

― Sim, mas… Não foi de alergia que ela morreu. Ninguém sabe, aliás, foi tudo… muito… esquisito…Foi horrível, na verdade…

Anne podia se lembrar da expressão de Peggy. Em um instante ria, sendo o centro da atenção de todos, como sempre era, ainda que estivessem no refeitório, lanchando… E em outro momento estava se contorcendo no chão, o sangue saindo pelos poros, uma poça formada com os jatos do líquido que também saía pela boca, causando pânico em todos que observavam a horrenda cena. Ali, caída no chão, o rosto disforme, a expressão de horror, era mesmo Peggy Irons, a linda garota loira de cabelos sedosos, compridos, sempre presos em um rabo de cavalo?

― Esquisito e engraçado, não foi? Ah, claro que foi! Parecia uma marionete, uma boneca desregulada, um brinquedo que de repente dá pane e fica descontrolado, fazendo tudo que é movimento, até a pilha gastar ― Angelica abafou sua risada. ― Te perguntei se ela mereceu e você não disse nada.

― Co… como você fez aquilo? ― Anne não queria admitir, mas algo dentro dela queria dizer que sim, que a colega tinha merecido. Anos e anos de brincadeiras muito cruéis. Na verdade, não dava para chamar de brincadeira quando a garota quase tinha quebrado uma perna por causa de um empurrão de Peggy, ou quando tentara afogá-la no rio, no acampamento de verão. E outras tantas vezes, que a isolara das atividades, do contato com outros colegas. Por causa de tudo isso, Anne não tinha amigos. A não ser Angelica, que ignorava os colegas esnobes, principalmente Peggy.

― Juro que não era pra ela morrer. Juro, Anne ― a garota ouviu o som do beijo que Angelica deu nos dedos cruzados, para confirmar o juramento. ― Mas aconteceu. Talvez ela merecesse mais do que uma intoxicaçãozinha alimentar, não acha? Eu não acredito em maldições, castigo divino, essas coisas… Não fique se culpando, está bem?

― Tá.

― Posso ficar só mais um pouco aqui hoje? Papai está em casa. Está bêbado, que novidade!

Pela primeira vez, não consentiu de imediato. A amiga dormira muitas vezes ali, fugindo do pai que descontava tudo nela e muitas vezes ia além dos castigos. Talvez Angel fosse adulta demais para os seus treze anos por causa disso. O pai a tratava de forma errada, como um pai jamais deveria tratar uma filha. Angelica contava a Anne toda vez que carinhos estranhos aconteciam. Anne não sabia o que dizer, seu pai morrera quando tinha apenas seis anos, acidente trágico, no qual ela quase perdera a vida também. De alguma forma, apagara da mente aquele momento, não conseguia se lembrar do rosto do pai. Ao olhar fotografias dele, escondida da mãe, era como ver a imagem de um total desconhecido.

 

“Apenas me ouça, Anne”, pedia a garota.

― Angelica, não fique brava… Acho melhor não ficar aqui hoje. Mamãe pode vir mais vezes ao quarto pra me ver… Eu dormi muito cedo…

Angelica acendeu o abajur e Anne pôde ver todo o descontentamento da amiga, a expressão de orgulho ferido.

― Eu acho que entendo. De verdade, sabe o que acho? Que não gostou do que eu fiz. E sabe por quê?

― Por que está morrendo de inveja de mim. Porque eu fiz algo que gostaria de ter feito. Sua fraca, inútil, garota imbecil. Filhinha da mamãe. Bem que queria ser forte como eu. Bonita como eu, mas é só uma merdinha, bem insignificante. Queria ter um pai como o meu, ainda que fosse um bêbado sacana, não é verdade?

― Angelica…

Sentiu a mão da garota apertando seu pescoço, uma leve pressão, o bastante apenas para assustá-la. E estava conseguindo. Anne sentia o coração querendo saltar pela boca.

― Escuta aqui, sua pirralha! Estou cheia dessa cidade, sabe por que vim aqui? Pra te chamar pra ir embora. Sei quem pode me abrigar e queria te levar, mas eu é que não vou querer uma imbecil, uma fracote como você perto de mim. Tchauzinho, Anne.

Angelica beijou Anne de forma a pressionar com raiva seus lábios, com tanta força que chegou a sentir dor e um gostinho de sangue em sua boca. Depois não teve coragem de dizer mais nada e nem de pedir para que Angelica não fosse embora. Desistiu de sair da cama e não soube quanto tempo ficou na posição fetal, até adormecer de novo.

Acordou com barulho de pedrinhas batendo em vidro. Desta vez, nada de unhas arranhando o vidro e nem sombra demoníaca… Pela janela, viu a amiga do outro lado da rua. Trocaram um breve olhar, antes que Angelica ajeitasse sua mochila nas costas e fosse embora, sem virar para trás.

 

***

 

― Oi, mãe. Desculpa não ligar. É, já faz semanas, eu sei. Não, eu saí de lá. Vim pra Nova York, por causa do novo emprego. Ah, saí do outro… O mesmo motivo de sempre… Inveja, mãe, tinha um cara lá que fez de tudo pra me prejudicar. Me sabotou legal. Melhor sair antes que fizesse coisa pior… Oi? Ah, achei um apartamento pequeno aqui no Brooklyn, não precisa se preocupar… Tá, se eu precisar de dinheiro, eu digo. Mãe? A senhora teve notícias daquela garota que eu falei? Nada, só queria notícias… Já faz muito tempo. É, Angel, Angelica Clarke… Na escola, mãe, ela estudou lá até o ano em que a Peggy morreu… Lá devem saber de algo… Não, não sei onde morava. Nunca quis me dizer… Então, por favor, se souber de algo, me liga… Tá bom, mãe, tchau. Também te amo, beijo.

 

Anne gostava de trabalhar na Berger & Scott Association, uma grande companhia financeira. Não havia mistério no cargo de analista de crédito, desempenhava tudo da forma como esperavam que fizesse e não havia o que reclamar a seu respeito. A não ser que era antissocial. Não queria saber de amizades. Eram todos falsos, sempre acabava magoada. Daquela vez, seria diferente. Não se envolveria com amizades fúteis no trabalho. Em todos os outros empregos precisou sair, depois de ver seu nome envolvido em comentários maldosos e mentiras, atribuindo a ela ações que jamais fizera. “É melhor pedir demissão, Anne, é isso ou teremos que comunicar o fato às autoridades”. Não adiantava dizer que não tinha culpa pelos erros em contratos, por vazamento de informações sigilosas, em um até fora acusada de assédio moral, em outro de envolvimento amoroso com um dos sócios quando, na verdade, ela é quem tinha sido assediada.

Como se não bastasse, depois de cada demissão, recebia uma ligação anônima em seu celular. O número era diferente a cada vez, mas a risada era a mesma. Uma gargalhada de mulher. E algo lhe dizia que era o riso de Angelica, o tom de voz agora adulto, mas o mesmo jeito de rir, fazendo pequenas pausas, como se quisesse prolongar a sensação de prazer que sentia ao ouvir a voz de Anne, aflita, perguntando: “É você? Onde você está? Por que não me responde?”

Não, ali tinha que dar certo. Mais um pouco e precisaria mudar de nome para conseguir trabalho, ou desistir de cargos em grandes escritórios. Às vezes sentia vontade de ir embora do país. Para um lugar onde não fosse possível topar com Angelica no meio da rua, por mais que o motivo de escolher Nova York escondesse a vontade que ia bem no seu íntimo. Uma vontade de encontrar a garota, hoje adulta, ao menos mais uma vez, saber como estava. E para que a “amiga” visse que ela não era nada daquilo que dissera a seu respeito antes de partir de Deadwood. Quando meninas, faziam listas de cidades para onde gostariam de ir quando conseguissem sair da cidadezinha, uma entre tantas de Dakota do Sul.

***

Meses mais tarde, congelou os passos no saguão do edifício onde trabalhava ao ver um rosto conhecido no elevador, antes que as portas se fechassem. Não sabia como, mas tinha certeza de que era Angelica. Só podia ser. Pensou que, se Peggy chegasse à idade adulta, poderia se passar por irmã de Angel. As duas eram muito parecidas, afinal. Belas, cabelos loiros, quase sempre presos em um rabo de cavalo, olhos expressivos. Tão diferentes de Anne…

 

Em sua mesa, um recado: “Anne Collins, procurar por Angelica Cooper na sala 4, no Recursos Humanos”.

Angelica Cooper, não era possível. Podia ser ela, com outro sobrenome. Foi à tal sala o mais rápido que pôde e, ao entrar, se deparou com a mulher atrás da mesa de reuniões, a mesma do elevador. Sim, era ela, não havia dúvida.

― Não posso acreditar que é você.

― Por que não? Você me chamou tantas vezes, procurou por mim tanto tempo… Finalmente, aqui estou.

― Co… co-mo podia sa… saber que eu… ― Anne recriminou-se por gaguejar, demonstrando toda a sua insegurança. Tinha que parecer segura, ao menos uma vez, diante de Angelica. Não era possível que, enfim, a amiga de infância tivesse razão: talvez ela fosse uma pirralha, uma imbecil, uma fracote. Uma merdinha. Lembrava-se das palavras como se as tivesse escutado na noite anterior.

― Sei tudo sobre você, Anne, querida. Onde trabalhou, onde morou, como chegou até aqui. Sei de tudo o que fez. Sei até das mortes que provocou. Você está tendo sorte, muita sorte.

― Não estou entendendo… o que quer dizer com isso? Como pode me culpar de algo tão horrível? Eu não matei ninguém!

― Sei porque estava lá, todas as vezes.

― Todas as vezes?

― É, todas as vezes, sua fracote. Desde a morte de Peggy Irons. Desde quando você a matou.

― Está louca? Voltou para me dizer essas bobagens? Posso processar você, chega dessa conversa!

Angelica gargalhou, o mesmo riso cadenciado ouvido pela outra ao longo daqueles anos, do outro lado do celular. Levantou-se da mesa,  aproximando-se de Anne com toda a calma que só alguém como ela era capaz de sentir, diante da respiração descontrolada da amiga.

― Não pode fazer isso, eu estou dentro de você. Eu sou você, Anne. Foi você quem matou Peggy, fez com que ela se intoxicasse com um corante que não podia comer…

― Não, a morte de Peggy foi horrível, eu vi, eu estava lá, foi você, você me disse depois… Aquele sangue todo lavando o chão…

― …Eu sou o ódio. Dentro de você. Agora estou aqui, para que finalmente se liberte disso. Estou cansada de viver presa dentro de você. Vamos, faça o que deve ser feito, agora. Sou toda sua, querida Anne.

 

― Não!!!

Foi como se atendesse a um pedido de uma amiga de infância. Tirou do bolso uma pequena faca que escondera na gaveta de sua mesa há alguns dias, bem afiada, e acertou Angelica onde foi possível. Aos poucos viu, diante de si, um rosto dilacerado, não satisfeita acertou o globo ocular, pressionando para que entrasse bem fundo, o mais fundo possível. Quando arrancou a faca da massa que se tornara o olho esquerdo de Angel, passou a cortar os pulsos, duas, três, vinte vezes, até que, por fim, enfiou o objeto cortante em sua barriga, em um corte abaixo do umbigo, sufocando um grito que agora sabia, vinha de dentro de si. Angel apenas a olhava, com o único olho inteiro. E sorria, como se aprovasse aquele descontrole todo.

― Faça alguma coisa! Grite! Tome a faca de mim, me esfaqueie! Você era melhor do que eu, sempre foi, não foi? Foi você que se deitou com todos os homens que se envolveram comigo, eu sei que foi! Por isso eu não senti nada, nada, nada! Você me roubou tudo, tudo! Você conheceu meu pai, eu não, por isso nunca me lembrei dele!!! Por que, Angelica, por quê?

Vinte e uma, vinte e duas…

Trinta, trinta e uma…

Perdeu a conta.

Ao forçarem a porta, encontraram Anne caída em uma poça de sangue, o corpo esfaqueado, o rosto com dezenas de cortes, um dos globos oculares esmagado. Fizeram grande esforço para tentar compreender o que ela balbuciava, seria “Angel”?

Quando encontraram seu celular para entrar em contato com algum parente e informar sua trágica morte, viram as ligações não atendidas, o mesmo número. Nas mensagens de texto, três recém enviadas:

Filha, por que não atende?

Tem certeza que era Angelica Clarke? Não encontrei ninguém com esse nome na escola.

Não encontrei nem naquele ano em que a Peggy morreu, nem em qualquer outro ano. Me ligue, está tudo bem? Te amo, filha, beijos.

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25 comentários em “Angelical (Estevão Kinnek)

  1. Estevão Kinnek
    16 de junho de 2019

    Pessoal, agradeço pela leitura de vocês e pelos comentários. Foi o primeiro conto de terror (ou a primeira tentativa) que escrevi, gosto do gênero, mas nunca pensei em escrever algo do tipo. Suspense, vá lá… Mas como eu sabia que não ia rolar infantil, o jeito foi encarar o desafio e nem doeu. Pelas posições do meu conto, bem provável eu ter ficado em último kkkkkkk, mas os comentários de quem se dispôs a dar algum toque a respeito do que pode ser melhorado no conto valeu a pena. O saldo foi positivo. Espero conseguir escrever no próximo…

  2. gabrieldemoraes1
    15 de junho de 2019

    RESUMO:
    O conto relata a história de uma garota com um pai abusivo e sua jornada desde a adolescência, quando sua amiga da escola morreu, até a sua vida adulta, quando acaba morrendo e descobrindo que Angel era apenas uma versão de si mesma.
    CONSIDERAÇÕES:
    A ideia é boa, contudo tenho que ressaltar problemas de ritmo nas narrativas. Não existiu um bom uso do terror e do horror, apesar do conceito da história ser envolvente. Senti que alguns elementos podiam ter sido detalhados de uma forma mais profunda, tornando o horror mais visível.

  3. Elisabeth Lorena Alves
    15 de junho de 2019

    3- Angelical
    Resumo
    Angélica, sua verdadeira amiga, que em uma travessura adolescente mais pesada acaba por matar a agressora, facilitando à ela uma substância alérgena. No dia do funeral de Peggy, Anne fica assustada com a ação da amiga e a afasta.Os anos passam e Anne sofre alguns contratempos, enquanto acredita estar buscando a antiga amiga. No novo emprego, depois de pedir ajuda para a mãe para encontrar Angélica, encontra-a como colega de trabalho e acaba morta.

    Comentário
    Terror psicológico, abordando a dissociação de personalidade. Anne, devido traumas interpessoais sofridos na primeira infância não consegue, em idade escolar, defender-se dos novos obstáculos e por não ter conseguido assimilar os diversos de sua personalidade acaba assimilando outra identidade para defender-se.
    As personagens são muito bem demarcadas, Anne e Angélica são um todo separado, dois polos de personalidade insegura. Anne sabe o que Angélica fez e demonstra não aceitar, a outra sente a reprovação até antes de ser impedida de dormir na casa da amiguinha e percebe que esse incômodo está relacionado mais à própria Anne que a ela.
    O Espaço físico é bem marcado como realidade, os distanciamentos entre ambas muito bem construído pelo narrador.
    O ponto de Equilíbrio é marcado exatamente no momento em que se declara o receio da mãe em permitir a ida da filha ao enterro da coleguinha.
    O verdadeiro conflito acontece logo depois de estabelecido o ponto de equilíbrio da narrativa, entretanto essa nascente de caramuça ocorre com o ato de repelir Angélica por seu ato. E essa atitude é muito mais adulta do que deveria ser as amigas, adolescentes com idades aproximadas. Veja, não houve um rompimento claro até o momento em que Angélica informa que pensava em fugir. E esse fugir, que Anne até presencia de forma real-visual nada mais é que a rejeição consciente de sua outra personalidade, que não deixa de existir ou de agir, mas que à partir daí, deixa de ser percebida-sentida por Anne.
    A situação parece se normalizar, tanto que a vida segue, sem notícias e sem que saibamos que Anne pensa em Angélica ou a procura. Falar dela não fala, essa informação percebemos porque ao final a mãe de Anne dá mostras de desconhecer a existência da amiga e faz a busca, que obviamente não leva a ninguém. Para um observador menos atento, o conflito surge quando a retomada da narrativa aponta a mudança de tempo e a tomada de percepção de Anne sobre a necessidade de reencontrar Angélica, o que não é, ele só se cristaliza aí. Talvez seja essa uma segunda qualidade louvável do texto, a primeira, obviamente é a construção do perfil psicológico de Anne e a consequente mostra da outra personalidade (Angélica).
    Quanto aos desenvolvimento psicológico há a percepção dos problemas de Anne/Angélica: desdobramento sem comutação (sem ausência da personalidade original): “Angélica acendeu o abajur e Anne pôde ver todo o descontentamento da amiga, a expressão de orgulho ferido.” “Angelica beijou Anne…”
    Há ao longo do texto episódios de Transferência de responsabilidade, já que as dificuldades atribuídas aos outros são de responsabilidade da própria Anne: Ainda há a apresentação da Auto-sabotagem, auto-perseguição e violência autoinfligida.
    É um texto denso, marcado pela construção psicológica da personalidade Anne: atitudes mecânicas desprovidas de sentimento; ausência de perpetuação de hábitos facilmente justificada por acontecimentos externos; arrependimento tardio por medo de ser descoberta e não pelo resultado obtido com a intoxicação e morte de Peggy:”Não fique se culpando, está bem?”. Percepção negativa de si mesmo: “… fraca, inútil, garota imbecil. Filhinha da mamãe. (…) uma merdinha, bem insignificante.” A agressão auto infligida: “Sentiu a mão da garota apertando seu pescoço, uma leve pressão, o bastante apenas para assustá-la.”
    Ao final do conto, quando as personalidades se confrontam, há uma mostra da percepção enlouquecida de Anne refletida em Angélica: “Eu sou o ódio. Dentro de você.”
    O Conto é bom, mas acho que o fato de desconstruir Anne me incomodou. A fusão delas foi muito bem feita, mas o momento em que se fundem se perde no processo narrativo e não é a questão de “presença-ausência (CASTRO, Manuel Antonio de). Acredito que por ter sido muito perto do início onde deveria estar o equilíbrio. O conflito real acaba por ser transmutado no ponto de equilíbrio, ou seja, no momento em que a narrativa deveria mostrar seu ponto de apoio, para dar a grandeza do Conto. É uma promessa que não se cumpre e, talvez esteja aí o ‘pulo do gato’…

    • Estevão Kinnek
      16 de junho de 2019

      Oi, obrigado pela análise tão profunda e detalhada. Ajudou muito, certeza.

      • Elisabeth Lorena Alves
        17 de junho de 2019

        Kkkkkkk

  4. Amanda Gomez
    15 de junho de 2019

    Olá,

    Garota com transtorno bipolar ( ou algo mais sobrenatural) vê sua vida mudar quando sua colega de escola morre. Com o tempo fica claro que ela foi a responsável, mas sua mente perturbada não assimila isso, até está frente a frente com o seu outro eu. Acaba se suicidando da maneira mais bizarra possível.

    Olá,

    Um conto instigante, acho que o autor conseguiu esconder bem as entrelinhas, quem era Angélica e a personalidade perturbada de Anne. Fiquei confusa com a ambientação, não entendi muito bem onde se passava a história, se são brasileiros ou americanos, os nomes gringos não acrescentaram. Dá pra perceber que é um esforço pra criar aquela atmosfera escolar de literatura juvenil estrangeira, identifiquei vários pontos assim, confesso que não curto muito.

    O confronto entre Anne e Angélica ficou bom, mas apressado, acredito que seja por causa do limite, ficou abrupto, ainda assim interessante. A cena final ficou difícil de visualizar, uma pessoa se auto mutilando sempre é rs. O texto tem cenas especificas que caracterizam sim o terror.

    No geral é um bom conto, valeu a leitura. Boa sorte!

  5. Benjamim Nkadi
    15 de junho de 2019

    Anne e Angelica (suposta amiga) passam a ter diversas intrigas depois da morte de Peggy. Certa vez, anos mais tarde, ambas discutindo sobre quem matou Peggy e provocara todas as outras mortes, terminara a cena em tragédia. Anne saiu esfaqueada.

    Acho que faltou mais coerência ao texto. Durante a leitura, me senti confuso em algumas partes se o autor(a) tratava de Anne ou de Angelica, se é que ambas não estavam embutidas numa só personalidade, numa só pessoa, porém vivendo vidas distintas, tal como o final acabou por desvendar. Mas, no que se refere a outros aspectos, o texto ficou ótimo. Abraços.

  6. Renan de Carvalho
    12 de junho de 2019

    Durante anos, uma garota é assombrada pela amiga de infância, sua cúmplice no assassinato acidental de uma colega de turma. Perdas de emprego, difamações, telefonemas não identificados, tudo culmina no encontro e no confrontamento final das duas.

    Bom conto. Bem escrito e sucinto. Agradável.

  7. gabriela
    8 de junho de 2019

    Gostei

  8. Thiago Barba
    5 de junho de 2019

    Anne, na época da escola, acaba matando uma garota fazendo um trote. Sua melhor amiga é testemunha. Quando adulta, descobrimos que sua melhor amiga, é na verdade, fruto da sua mente e ela acaba se matando ao tentar matá-la.
    A maioria dos textos desse certame parecem ser filmes americanos. Este conto não esconde nem um pouco esse vício dos nossos autores em sermos colônia dos norte-americanos, tanto que o conto se passa nos EUA. Eu vejo isso um problema (não apenas desse conto) pois poderíamos falar da nossa terra, ter nossa identidade, até peço desculpas se o autor mora nos EUA, isso não muda muito minha avaliação em relação a este conto, pois quase todos tem esse “problema”, falo pela reflexão mesmo, se precisamos ser iguais aos produtos deles, visto também um mercado já saturado deste produto.
    Falando em saturado, não vejo novidades nele, ele não me ganha pela autenticidade, ou pela história, nem pela linguagem. Ele não me ganha nem no suspense, não fico querendo descobrir a história dessa garota morta, pois é apresentada de forma pouco atrativa. Os acontecimentos do texto são narrados, ficamos sabendo da história do pai da garota, não acompanhamos a história, narração deste tipo nos afasta do conto e assim me senti o tempo inteiro, afastado do conto. Não digo que as coisas necessitam ser mostradas em tempo real e que não possam ser narradas, mas se a opção é narrar, acredito que precisa de maior cuidado com a narração. Numa técnica ou num ritmo que torne interessante ao leitor.

    • Estevão Kinnek
      16 de junho de 2019

      Olá, olha, eu não vejo problema em ambientar em outros lugares. Malba Tahan que o diga! Eu não escrevo contos ambientados só nos EUA. Eu sou brasileiro, mas vivo há um bom tempo na Europa, entre uma cidade e outra, um país e outro, trabalhando pra onde a empresa me manda. Já escrevi conto ambientado na Itália, na Inglaterra, na Bélgica, no Japão (onde nunca pisei meus pés) e no Brasil. Fora os contos ambientados em outros mundos, outras realidades. Outros tempos. Não posso, então, escrever um conto na Alemanha da Segunda Guerra? Na Inglaterra de Joana D’Arc? Nos tempos de Jesus? Cara, se a ideia me surgiu assim, por que sou obrigado a adaptar para o ambiente do Brasil? Só isso que gostaria de justificar mesmo, porque do restante do seu comentário, eu me abstenho de qualquer réplica, já que minha escrita, meu estilo, meu tom narrativo fizeram com que a história criada por mim para esse desafio e nada foram a mesma coisa. Agradeço pela leitura, por mais que tenha sido enfadonha pra você. Passar bem.

  9. André Felipe
    25 de maio de 2019

    Uma menina sabe que a melhor amiga matou uma colega que lhe fazia mal. As duas brigam e a bj outra foge. Já adultas elas se encontram e a protagonista descobre que as duas são uma só e se suicida.
    ***
    Mais um conto sombrio, mas não tem cena significativa de puro terror. Infelizmente isso tira algum ponto no final. Acho que também é o caso de uma história que precisaria de mais espaço para passar a emoção que deveria. É dito que a vida da menina vira um inferno quando adulta, mas isso é passado muito rápido. Como leitor não consegui sentir por ela. Seria interessante tentar uma narrativa maior fora do certame. Isto posto, acho que não tenha problemas com a língua, nem estrutura. É uma boa história. Boa sorte.

  10. jetonon
    25 de maio de 2019

    ANGELICAL
    RESUMO
    Anne e a amiga Angélica, se sentem culpadas, em parte, pela morte de Peggy; depois de uma discussão a amiga Angélica se muda da cidade onde viviam; Anne tem dentro de si as palavras ditas pela amiga antes de partir, de ser uma pessoa sem sucesso; Inconscientemente Anne tem Angélica como uma rival de si mesma, ambas são as mesmas, porém com índoles diferentes; Anne é morta por Angélica, apesar dela ser a verdadeira assassina. Enfim, é uma imaginação cabulosa e doentia que de tão excepcional chega a ser real
    COMENTÁRIOS
    O conto é bastante intrigante, no conhecimento da parapsicologia esse fato é comumente conhecido.
    O leitor tem que prestar muita atenção no enredo. É bem escrito.

  11. Adauri Jose Santos Santos
    25 de maio de 2019

    Resumo: Garota tem uma melhor amiga que causa a morte de uma outra amiga, a qual passara anos fazendo brincadeiras cruéis com a garota. Triste com o acontecido, a garota discute com a melhor amiga que vai embora da cidade. Anos depois, a garota reencontra a melhor amiga, as duas brigam de novo e a garota é encontrada morta.

    Considerações: Gostei da história no geral, é interessante e bem construída. A escrita é boa, mas tem alguns problemas de revisão. O final é bem legal, só não curti muito a parte do bilhete (quem escreve o bilhete? Se a melhor amiga é imaginária?), no mais, tem terror e atende bem ao que foi proposto. Parabéns!

  12. Tiago Volpato
    23 de maio de 2019

    Resumo:
    Duas bffs conversam no quarto depois da morte de uma amiga, uma delas fica p da vida e vai embora da cidade.
    Anos se passam, a primeira amiga procura a segunda por todo o lugar que vai, por todo o grande país que é os Estados Unidos da América, até que um belo dia, ela finalmente a encontra. As duas conversam, a amiga descobre que a outra é a versão Tyler Durden dela e se mata.

    Originalidade:
    Achei a história pouco original, não previ o final, mas a revelação não me empolgou muito

    História:
    A história é boa, mas achei que não aconteceram muitas coisas, tem lá a menção que a menina matou uma penca de gente, mas é só em uma frase. Ainda assim ela é bem agradável de ler e tem um ritmo bom.

    Manja das letras:
    Sim, você escreve muito bem, o enredo é muito bem construído e apresenta um ritmo bom. Os personagens são bem desenvolvidos e interessantes. O texto está muito bem escrito.

    Bateu o cagaço:
    Não bateu. Achei mais uma história de suspense do que terror, no final tem a revelação de que ela é uma assassina e seu suicidio, mas a história não chega a dar medo.

    Veredito final:
    É um ótimo texto, ele foi bem construído até chegar ao final, ainda assim achei que ele se enquandra mais na temática de suspense do que horror, talvez maior detalhamento nos assassinatos passados levando para o lado gore ajudasse o clima, por outro lado prejudicaria a revelação do final. Acho que você foi prejudicado pelo limite de palavras, se tivesse mais tamanho você desenvolveria o enredo melhor.

  13. Tiago Volpato
    23 de maio de 2019

    Resumo:
    Duas bffs conversam no quarto depois da morte de uma amiga, uma delas fica p da vida e vai embora da cidade.
    Anos se passam, a primeira amiga procura a segunda por todo o magnifico país que é os Estados Unidos da América, até que um belo dia, ela finalmente a encontra. As duas conversas, a amiga descobre que a outra é ela mesmo, uma sanguinária assassina, e se mata.

    Originalidade:
    Achei a história pouco original, não previ o final, mas a revelação não me empolgou muito.

    História:
    A história é boa, mas achei que não acontecem muitas coisas, tem lá a menção que a menina matou uma penca de gente, mas é só em uma frase. Mas a história chega a ser interessante

    Manja das letras:
    Sim, você escreve muito bem, o enredo é muito bem construído e apresenta um ritmo bom. Os personagens são bem desenvolvidos e interessantes. O texto está muito bem escrito.

    Bateu o cagaço:
    Não bateu. Achei mais uma história de suspense do que terror, claro, no final de o assassinato, e a revelação de que ela é uma assassina, mas a história não chega a dar medo.

    Veredito final:
    É um ótimo texto, ele foi bem construído até chegar ao final, ainda assim achei que ele se enquandra mais na temática de suspense do que horror, talvez maior detalhamento nos assassinatos passados da principal levando para o lado gore ajudasse o clima, mas prejudicaria a revelação final.

    • Tiago Volpato
      23 de maio de 2019

      Perdoe pelo comentário duplo, me enrolei em minhas anotações e acabei repetindo.

  14. Carolina Pires
    22 de maio de 2019

    RESUMO: Anne e sua mãe chegam do velório de uma colega da escola. Anne vai logo para seu quarto e é despertada de madrugada por um barulho na janela. Ela vê uma silhueta “demoníaca” e é acalmada pela amiga Angelica, a qual confessa que não tinha a intenção de matar a colega Peggy Irons, mas apenas de assustá-la. Depois de um desentendimento entre as duas, Angelica vai embora, não sem antes xingar Anne e de chamá-la de fraca. Anos se passaram. Anne atende a ligação da mãe, informando que mudou de cidade e de emprego, devido a perseguições de colegas na antiga empresa. Anne sempre passava por problemas daquele tipo e toda vez que isso acontecia recebia ligações de uma voz feminina que ria muito do outro lado da linha. Desconfiada de ser Angelica, sua velha amiga desaparecida, Anne pede à mãe para pesquisar sobre esta menina. Angelica aparece no RH da empresa de Anne e a chama para uma conversa, dizendo ser a própria Anne. Anne a esfaqueia de várias formas e não vê a mensagem de sua mãe dizendo que nunca existiu nenhuma Angelica Cooper na sala dela. As pessoas chegam na sala e veem o corpo de Anne no chão, ensanguentado e deformado com as feridas que ela mesma causou.

    CONSIDERAÇÕES: Achei a linguagem simples, por este motivo a leitura ocorreu sem travas. O conto tem uma atmosfera macabra no início e que só retorna no final com o reaparecimento da Angelica. Já estava meio que previsível que a mãe não ia encontrar nenhuma Angelica no colégio. Mas achei interessante a figura da Angelica não se tratar de um espírito no limbo ou coisa do gênero. Descobrir que foi uma personalidade secreta da Anne devido ao trauma dos maus tratos recebidos na infância foi bem interessante, embora eu esperasse da personagem alguma superação ou um final mais aberto, com toques de suspense e indecisão. A morte trágica foi um ponto final, eu acharia mais interessante se tivesse terminado com “reticências”.

    Boa sorte na competição! 🙂

  15. Antonio Stegues Batista
    18 de maio de 2019

    O conto é de terror, porém, um terror psicológico sutil. Achei algumas partes da narração bem chatas, com muita fala e pouco conteúdo, principalmente os diálogos. Acho que o autor (a) ainda não encontrou seu próprio estilo de escrever. Ambientar história em outros países não é errado, muitos escritores fazem, ou fizeram isso, Àghata Christie, Dan Brown e muitos outros, porém, é necessário um motivo e esse conto não tem, parece apenas um conto estadunidense.
    Aconselho o autor (a) se desafiar a ambientar um conto em algum lugar do Brasil, destacando a nossa cultura, o regionalismo, escreva como nossos escritores pátrios, José de Alencar, Jorge Amado, Guimarães Rosa, e deixe o estrangeirismo de lado, principalmente personagens com nome americano.
    Apenas um conselho de alguém que começou a escrever (lá pelos anos 60) do mesmo jeito. Mudei bastante, para melhor. é claro.
    Boa sorte no próximo tema.

  16. Higor Benizio
    14 de maio de 2019

    Resumo: Anne tem dupla personalidade, ela também é Angelica, a quem atribui todos os problemas de sua vida e o assassinato que cometeu na infância. No fim do conto, Anne se mata.

    Sobre o conto: depois de Clube da Luta, fica complicado. Mas está bem escrito, e tem boas passagens.
    Bom desafio 🙂

  17. Sidney Muniz
    9 de maio de 2019

    Resumo: Angelical (Nick Tartini)

    Um conto muito interessante, há sim o clichê dessa espécie de esquizofrenia, uma pessoa dividida em duas, pelo que entendi, anjo e demônio em um só ser, aos poucos o conto se releva e o personagem vai descobrindo quem ele realmente é, até o fim onde ele próprio, ou melhor; a metade ruim e a boa se confrontam, Clichê sim, ruim, nem tanto!

    O que gostei foi da escrita em si, é boa. A história não é tão original como eu queria, mas dentro da proposta do autor(a) agrada bastante e isso é válido.

    Avaliação:

    Terror: de 1 a 5 – Nota 3 (Vi mais suspense que terror, na verdade. Não senti medo, e sim expectativa, mas isso é válido, afinal até aqui nada me surpreendeu o bastante nesse sentido.)

    Gramática – de 1 a 5 – Nota 5 (Sem nenhuma queixa)

    Narrativa – de 1 a 5 – Nota 3,5 (Apenas por gosto pessoal senti falta de uma melhor ambientação, e a narrativa é onde escolhemos se teremos isso ou não, aqui senti mais preocupação nos personagens)

    Enredo – de 1 a 5 – Nota 3,5 (Achei bastante clichê, ainda assim é bem feito)

    Personagens – de 1 a 5 – Nota 3,5 (Não achei que foram tão marcantes quando poderiam essas duas personalidades, mas num geral é um conto que tem seu carisma, assim como seus personas).

    Título – de 1 a 5 – Nota: 3 – Um título que não é extraordinário, mas também não é ruim.

    Total: 21,5 pts de 30 pts

  18. Tom Lima
    7 de maio de 2019

    Resumo:
    Uma pré-adolescente, Anne, lida com uma espécie de entidade chamada Angélica, que faz os seus desejos se tornarem reais, mesmo que ela não saiba que deseja. Já adulta, Anne reencontra essa entidade e na tentativa de destruí-la acaba por se destruir.

    Comentários:
    Primeiro, por que a história se passa nos estados unidos? Meu eu anticolonialista ficou gritando aqui o tempo todo. Não consegui pensar num bom motivo pra história se passar lá e não em Belo Horizonte, São Paulo, Buenos Aires, Cuiabá, Belém… Enfim. Isso é o tipo de coisa pessoal que impede de gostar mais de uma história, ainda mais que presumo que a pessoa que escreveu é brasileira e mora no Brasil (e existem muitas possibilidades pra eu estar errado aqui). Vamos pra técnica.
    É uma escrita bem gostosa, faz a leitura fluir e consegui me manter querendo saber. Tem uma parte que é pra mim didática demais, quando Angel explica o que é. Esse trecho me incomodou. Mas há um outro trecho, uma fala de Anne no telefone que achei magistral. É uma fala que conta muita coisa, que faz avançar a história e que mostra a dúvida da personagem principal sobre Angel.
    Gosto muito do inicio in medias res, já cria um ar de mistério, já exige um esforço do leitor pra acompanhar a história que já está rolando. Só não sei quanto ao desfecho. Quando Angel fala que é o ódio e tudo mais, achei que ela estaria esfaqueando alguém vendo Angel. Pareceu fazer mais sentido do que se atacar, apesar da explicação de antes corroborar o auto ataque (eu estou dentro de você, ou algo do tipo, diz Angel). Além disso, a certeza do que é Angel é algo que não gosto no gênero, prefiro a abertura. Pra mim, o conto melhoraria bastante só cortando a parte onde Angel explica o que é. Essa dúvida, essa incerteza adicionariam qualidade para o meu gosto.

    Conclusão:
    Conto muito bem escrito. Bom de ler. Com uma história interessante, mas que não me convence sobre a escolha de cenário. Não há grandes novidades aqui, mas é o uso de um clichê (nem sei se posso chamar de clichê), a saber, um sentimento, ou a condensação de sentimentos sendo personificada em um outro que leva o individuo a cometer absurdos, muito bem feito. O fato de existirem várias histórias parecidas não incomoda, nem se lembra disso enquanto lê. Um conto leve, de boa leitura.

  19. Em uma pequena cidade de Dakota do Sul, Peggy Irons, colega de escola de Anne e Angelica, morre ao ingerir uma substância de que era alérgica. Anne se sente culpada, não gostava de Peggy e havia pedido para Angelica dar um susto nela. Mas o susto havia se tornado uma tragédia. Angelica e Anne discutem por causa do episódio e, depois de muitos insultos, Angelica parte da cidade. Anne cresce, constrói uma carreira irregular como consultora financeira e leva consigo a sensação de que Angelica está seguindo-a.

    História muito bem construída. Consegue se adequar bem ao gênero do desafio – o terror. O texto está bem redigido e equilibrado – os fatos vão desencadeando harmonicamente até o desfecho.
    Como ponto negativo, eu diria que, embora não seja um grande entendedor do gênero, não tive dificuldades de, logo no início da história, imaginar qual seria a grande revelação sobre a identidade de Angelica. Ou seja, talvez a ideia não seja tão original. Ainda assim, não deixei de ler o texto até o final, sinal de que a história foi bem contada.

  20. neusafontolan
    5 de maio de 2019

    Resumo = Uma garota morre por conta de ser alérgica a corante. Este foi colocado em seu lanche por outras duas: Anne e Angélica. Angélica fica com raiva de Anne e some por anos. Anne cresce, sai da cidade mas muitos acontecimentos não a seguram no emprego, apesar de se achar inocente. Recebe ligações no celular depois de cada demissão, ouve apenas uma gargalhada de Angélica. No novo emprego é chamada por Angélica e vai ao seu encontro decidida a matá-la. E o faz desferindo inúmeras facadas. Quando a porta da sala é aberta o que encontram é o corpo de Anne deformado com as facadas.

    Comentário = Um caso de Esquizofrenia sem dúvida. Na maioria das vezes o esquizofrênico não oferece perigo, nem para si e nem aos outros. Mas por ser difícil de diagnosticar, um doente grave, e sem receber tratamento, pode resultar no que este conto relata. Infelizmente este é um drama bem real.

  21. Pedro Teixeira
    4 de maio de 2019

    Olá, autor(a)! Resumo: uma menina chamada Anne se sente culpada quando Peggy Irons, sua colega de classe, acaba sendo morta em decorrência de uma tentativa da amiga Angélica de lhe dar um susto, para se vingar de brincadeiras cruéis que Peggy fazia com Anne. Elas acabam brigando e se separando e, já adulta, Anne sente que Angélica continua por perto, sabotando sua vida. No fim, acaba descobrindo que tem dupla personalidade: ela é Angélica.
    Bom conto, bem escrito, bem revisado, com um ritmo adequado, diálogos críveis e boa construção de personagens. Não posso dizer que o final me surpreendeu: ali pela metade comecei a desconfiar, lembrei de Clube da Luta e percebi qual seria o caminho seguido pela trama, de modo que não chega a ser uma estória muito original. De qualquer modo, uma boa leitura, num trabalho acima da média.
    Parabéns e boa sorte no desafio!

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Informação

Publicado às 1 de maio de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 2, Série C - Final, Série C1 e marcado .