EntreContos

Detox Literário.

O Dia Em Que Acordei Morto (Paulo Luis Ferreira)

Riam! Podem rir à vontade! Pois eu também ri muito na manhã daquele dia. Quero dizer pensei em rir, mas não pude, pois não conseguia nem me mexer. Achava-me atado. Sentia-me como se estivesse embalsamado. Envolto em flores, cravos, incenso e velas. Este cenário eu vi, quando após muito esforço abri uma frestinha de uma das pálpebras para encarar a cruel realidade. Paralisei por completo. Sem antes não me apavorar com a situação. Inacreditável! Vivo e acordado, porém morto. Você deve estar se perguntando: como veio isso acontecer, acordar morto!?… Mas foi isso o que aconteceu. Acordei mortinho da silva.

Por muito tempo relutei em contar este sucedido. Pois como é sabido defunto não tem memória e muito menos escreve. Com exceção de alguns espectros miraculosos a serviço de charlatães. — que não é o meu caso. — No entanto, estou eu aqui narrando esta atípica história que, por mais inverossímil que pareça, acredite! É verdadeira. Pois, como bem disse Machado de Assis, eu também esclareço: a franqueza é a primeira virtude de um defunto. E os fatos estão descritos conforme o acontecido e sentido no dia em que acordei morto.

E como bem dedicou o mestre em suas memórias póstumas, eu também dedico este relato àquele que primeiro empunhar a alça do meu caixão; o que provavelmente já deverá estar com a fértil imaginação a deslumbrar os vermes a passear sobre e por entre meu cadáver. Contudo, deixarei uma luz às evidências; avisando que usei do mesmo recurso do qual recorreu o Machado, para expor no papel suas memórias. Entretanto, como ele, também me recuso a dar maiores esclarecimentos. Quem quiser saber minudências a respeito de tão refinada técnica: escrever após a morte, que o faça como fiz eu e o Assis. Morra e decifre o enigma. Mas isso fica por conta de vocês. Não serei eu a dar luz a tão primoroso e excepcional recurso.

Mas, enfim, como diz o dito: “Não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe”, agora o que importa mesmo é que eu não tenho mais credores. Que maravilha! Que beleza!… Não devo mais pensão alimentícia… E o melhor: adeus dívidas com cartão de créditos! Tchau amantes exploradoras dos bens alheios! Pois, como bem diz aquela velha piada: Mulher é como furacão: quando chega é molhada, selvagem e devastadora. E quando se vão levam tudo o que é seu: casa, carro, livros, discos, cuecas!” Mas agora, de corpo novo, espírito leve, sem o cansaço das homéricas ressacas, poderia começar tudo de novo. Finalmente, zerado! — comemorava eu.

Entretanto uma coisa ainda me incomodava. Eram os resquícios do velório. O forte cheiro de flores e cravos murchos, restos de incenso queimado, tocos de velas nos castiçais ainda acesos. O ataúde apertado me estorvava o corpo. Estaria eu inchado? Resolvi me levantar, sair do ataúde. Antes, porém, alarguei um pouco mais a fresta das pálpebras e olhei dissimuladamente em volta, e o sobressalto: dei com a fatídica figura da morte e sua afiada foice, aos meus pés, na ponta do caixão com um sorrisinho safado. Não tive a divina coragem de me mexer, muito menos de me levantar. Procurei me tranquilizar. De repente um tremorzinho:

O véu que cobria o meu rosto fazia uma cócega irritante nas ventas. Arrisquei fazer um biquinho, forçando um soprinho para afastar uma mosca que acabara de pousar em cima do lábio superior. A sensação de inércia no corpo era assustadora. Muito embora eu não estivesse com medo! Pois, como diz o provérbio: Quem não morre não vê Deus!” Logo eu que enfrentei a ditadura nos anos de chumbo de poesia na cabeça e papeiro na mão, não seria uma desconfiançazinha de que estava morto que iria me borrar as calças. Até já imaginava o epitáfio na lápide do meu túmulo: “Minha vida não passou de um reles plágio de outras tantas e iguais vidas anódinas que pululam esse mar de mediocridades chamado de humanos”.

Naquele instante o que me contentava era a perspectiva de uma vida nova que despontava. Mas também me apavorava a ideia de ter morrido realmente. Logo agora que as coisas estavam dando certo pra mim. Depois de três anos, acabara de escrever meu novo livro de contos. Finalmente foi publicado. Deleitava-me com minha namorada nova. Havia aprendido a beber cerveja, pois a ressaca era menor que a do velho whisky e da vodka de segunda categoria, as coisas iam de vento em popa, tudo caminhando bem, supimpa!

Mas no momento, o que irritava mesmo era aquela posição incômoda de paralisia. Sentia a bunda achatada, dormente, os dedos duros e frios como os de estátuas de cemitério. — perdão pela redundante gracinha — E aquela mosca cada vez mais azucrinando, pois descobriu que não despertava reação em mim, então usou e abusou de seus voos e zumbidos, ziguezagueando dos olhos para o nariz, do nariz para as orelhas. Ameaçou olhar até dentro do ouvido, e circundou com aquele som horroroso zuim, zuim… Filha de uma… Quando comecei achar meio estranho: onde estavam as pessoas? Já havia acabado o velório? Há quanto tempo eu estava morto? A que horas iria ser o enterro? E se eu começasse a feder a ponto de eu mesmo não me aguentar?, não suportar o odor da minha própria podridão? Não, não pode ser, esse tipo de controle sobre a vida de ontem e a morte de hoje… Como escritor, sim, poderia manipular a personagem. Porém, tratava-se de minha própria vida, ou como queiram, de minha morte. — já dizia Heráclito de Éfeso, há quinhentos anos antes de Cristo. — “A verdadeira constituição das coisas gosta de ocultar-se”, quem sou eu então para duvidar da experiência de morto/vivo que experimentava naquela oportunidade que a existência me proporcionava! Mamãe disse certa vez quando pilava café: “Bom dia pilão!” e o pilão respondeu: “Bom dia dona Maria!” A partir daí, claro, eu acredito em tudo.

Dei mais uma espiada com a frincha dos olhos, a coisa já não estava mais me espreitando. Então sem delonga, sem mais especulações sobre as circunstâncias, e com o espírito leve, quase flutuando, saí do ataúde e caminhei claudicante, escorando-me pelos móveis, assustado e curioso. Quando ouvi um sonoro: “Aonde vais tu oh garboso infante?” Era a cretina dona morte com seu sorrisinho cínico. E num estardalhaço de rá, rá, rá, sumiu num tufo de fumaça. Ah, ah, ah, digo eu sua idiota! — disse eu sem nem um tico de medo. — E não lhe dei mais trela. Então resolvi tirar uma com a cara dela, brincando de fantasminha. Atravessei a parede do quarto; subi para o teto do corredor e andei de ponta cabeça até chegar à sala. Quando meu olfato foi aguçado.

Era o aroma inebriante do charuto de papai. Era mais que reconhecível aquele cheiro/sabor de Havana. Papai datilografava em sua velha Remington. Num ímpeto de emocionante alegria eu gritei: “Pai!… Papai!” O vulto não respondeu. Aproximei-me e vejo que escreve alguma coisa.  Pois como eu, papai também fora escritor. Melhor dizendo, como papai, eu também sou escritor. Com a diferença que papai era cronista dos bons. Não eu, um reles narrador de historietas inverossímeis. Um beletrista escrevinhador. Adiantei-me um pouco e li no alto da página o título da crônica que escrevia: “O DIA EM QUE MEU FILHO ACORDOU MORTO. Tentei apoiar minha mão em seu ombro para indagar o que se sucedia; debalde. Só encontrei o vazio da incorpórea matéria. Era apenas um espectro no espaço vazio.

Perscrutei a ampla sala com minuciosa atenção. Clara, muito clara a luz que invadia pela janela aberta. Luminosa luz branca. Olho lá fora, mas nada vejo. É tudo tão branco. Estou cego?… O que vejo, porém, não é a negritude da cegueira; é um branco leite… Não! Isso é pura influência do Saramago, no tratado sobre a cegueira, que acabara de ler recentemente.

Apavorado volto o olhar para dentro da casa. Agora vejo o corredor, que bom!… A morte é familiar; a casa de infância, meu pai, minha mãe, o delicioso cheiro do café, os passarinhos cantando no quintal; o Romeu, nosso velho e estimado gato lambendo os beiços do leite bebido; Xuxa, nossa cadela querida, roendo seu osso na entrada do canil; o longo corredor. Lá no fundo uma luz. Imagino que seja a velha cozinha. Sinto o gosto no cheiro do café da mamãe. Vou lá, vou assustar a mamãe. Vou dizer: “Mamãe voltei!… Veja, olhe!… Sou eu, seu filho!…”

Emocionado e feliz da vida, segui pelo corredor rumo ao delicioso sabor cheiroso do café passando pelo coador. A decepção foi instantânea. No fim do corredor não havia cozinha, não havia café nem mamãe. Era só um vazio. Quimeras. Atordoado, na volta da cozinha tropecei em algo. Eram livros espalhados pelo chão, caídos ao pé da estante. Agachei-me e peguei o primeiro que me veio à mão. Rá… Rá… Era exatamente meu último livro de contos. Abri e li a dedicatória: “Este é para ti Laura Maria de quem espera a leveza do teu ser…” Era o exemplar que ia dar a minha nova namorada… Que alegria senti… Arrumei os outros na prateleira.

Foi então que as coisas voltaram ao normal. Os móveis na ordem, em seus lugares como dantes. Teria sido um pesadelo? Meu pai já não escrevia à máquina. A sala mergulhada numa tênue penumbra, a janela fechara-se. Abri-a, olhei a rua e senti o burburinho. A realidade, a vida de volta. Lógico, nada daquilo tinha o menor sentido, só poderia ter sido um sonho! Afrânio Barbalho, morrer aos trinta e nove anos! Não, isto não tinha cabimento mesmo. Isso era totalmente fora de propósito. Tanta vida para viver, tantas ilusões, tantas visagens a serem decifradas. Seria melhor assim. Continuar vivo mesmo devendo o cartão de crédito, a pensão, enfrentar as críticas sobre o livro.

Fui ao banheiro. Lavei o rosto. Escovei os dentes. Voltei ao quarto para trocar de roupa. Precisava sair, pois ainda continuava assustado, era preciso dar uma desanuviada no espírito. Tudo fora um pesadelo, e me deixara extenuado. Ao entrar no quarto, o inopinado; deparei-me com o mesmo caixão onde estivera deitado antes, quando pensava estar morto. O soalho, alastrado de flores pisoteadas, estrias de cera escorria dos castiçais. Com cautela me aproximei do esquife, e estupefato constatei que era nada mais, nada menos, do que eu mesmo.

Sim! Era eu, o próprio, que continuava morto. Mortinho dentro do ataúde. Espichado. Toquei o dedo em uma das mãos. Dura como pão esquecido na farinha. Tantas flores; jasmim, cravos despetalados, espalhados pelo chão. O quarto exalava um odor cada vez mais repugnante. Teria havido ali uma turbamulta? Aterrorizado voltei para a sala. Outra vez tudo ficara vazio. Sem móveis, sem nada. Um mundo oco. Corri para a garagem em desespero. Liguei o contato do carro, quis sair imediatamente dali.

         Enquanto esquentava o motor liguei o rádio. No primeiro dial, a notícia: “Morreu hoje em decorrência de falência dos órgãos devido uma crônica cirrose hepática, o escritor, contista e poeta, Afrânio Barbalho. Tido pelos críticos como maldito e eminência parda, por ele mesmo intitulado…” Alguém dedicou ao meu desaparecimento precoce à música, Hallelujah. Eu ouvia o rádio com os olhos vítreos, esbugalhados; deitei a cabeça no encosto do banco. Em devaneio quase adormeci. Voltei-me, olhei no espelho do quebra-luz e, pasmem!… Meu reflexo sumira! Empalideci, tremi. Estava amarelado como um pedaço de jornal velho. Ao término da música, entre confuso e atônito ouvi a conclusão da notícia: “A família ainda não definiu o local do velório nem o cemitério onde se dará o sepultamento. Entretanto, os amigos e acadêmicos estão organizando um sarau para hoje às 17h00, no Boteco da Graça, onde serão lidos em homenagem, seus últimos escritos em forma de poesias, contos e crônicas.”

Meu ar de estupefação ia do assombro ao medonho. A realidade da morte começou a entrar-me pelas entranhas e pelos sentidos. Outra vez encostei a cabeça no banco e me pus a pensar. E subitamente, senti uma geleira percorrer meu espinhaço. Algo acorreu clareando. O que me acudiu tirando-me da obscuridade e do mistério. Um presságio esquentou o suor que brotava frio dos meus poros.

Num sobressalto a clarividência: claro, o enigma estava resolvido. Alvíssaras! Tudo não passava de uma brincadeira extravagante daqueles perdulários amigos meus, que gostavam de pregar peças como estas.  Era o lançamento do meu livro de contos. Os amigos queriam fazer uma troça comigo. Um auê!… Daí o anúncio pago no rádio, claro. Era só para chamar a atenção da imprensa. Estava evidente! Era isso. E desta vez eles estavam ajudando. Que bacana! Eu tinha mais era que agradecer. É, agradecer!… Mas eu vou agradecer do meu modo. Vou dar o troco com a mesma moeda, ou melhor, eles me deram em prata, vou devolver em ouro.

Contratarei um grupo de atores, outro tanto de figurantes. Farei uma cópia de mim mesmo em cera, do meu tamanho, da minha largura. Deixe estar! Na hora do sarau mandarei o préstito em meu funéreo cortejo para o Boteco da Graça com todas as pompas e circunstâncias que um defunto do meu quilate merece! Com a instrução de lá se fazer o velório, pois foi o desejo expresso pelo falecido, — no caso eu —, em seu último estertor moribundo na vida e gemido de morte, perante o testemunho dos familiares. O funeral deveria de ser no Boteco da Graça.

Decidido, abri a porta do carro já na intenção de dar execução ao plano. Um ar fuliginoso escapava pelo escape do carro em profusão. Tudo se tornara escuro e fumarento dentro da garagem. Já não se definia mais nada. Quando respirei fundo para reerguer o corpo, não consegui: foi meu último suspiro. Sufoquei-me no terrificante e venenoso gás carbônico do escape. Caí em colapso. E não mais acordei. Nem vivo nem morto.

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34 comentários em “O Dia Em Que Acordei Morto (Paulo Luis Ferreira)

  1. Paulo Luís
    31 de março de 2019

    Olá, Felipe, muito agradecido com suas apreciações elogiosas e tanto entusiasmo.

  2. Ana Carolina Machado
    28 de março de 2019

    Oiiii. Um conto sobre um escritor que um dia acorda morto e começa a falar sobre o ocorrido em um tipo de conversa com o leitor. Ele se usa de referência ao texto de Machado de Assis e várias citações(sendo piada, proverbio e a frase de um pensador de Éfeso). Ao longo da narrativa acompanhamos o esforço dele primeiro para abrir os olhos e espiar ao redor, os vislumbres da morte e a visão que ele pensa ter visto do pai dele escrevendo uma crônica sobre ele. No fim quando está no carro começa a pensar se tudo não seria uma brincadeira dos amigos. Mas sendo brincadeira ou não no fim ele morre de verdade, ou pela segunda vez. É interessante a narrativa que foi usada, como disse anteriormente de usar citações e falar tudo em primeira pessoa.Aquele momento em que ele ver o pai escrevendo deixa a questão no ar que talvez tudo que ocorreu com ele fizesse parte daquela crônica que era escrita. Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  3. Shay Soares
    27 de março de 2019

    O Dia em que Acordei Morto – tal o título, este conto traz a história de um homem que acordou morto e morreu novamente.

    Serve muito bem para uma comédia também. O final, particularmente, foi uma boa surpresa.

    Fiquei na dúvida se o texto poderia ser sobre um personagem que passa a existir quando alguém o cria, seja num conto, desenho ou música e não sobre o cara que acordou morto.

    Será que ele realmente consegue ligar o carro? Ou ele só acredita que ligou e imagina que a garagem está cheia de gás carbônico? Morre por sua própria imaginação ou morre porque seu pai o matou em “O dia em que meu filho acordou morto”?

    As numerosas citações se acomodaram muito bem no texto 🙂

    Obrigada pelo conto!

  4. Estela Goulart
    25 de março de 2019

    Resumo: relato de Alfredo Barbalho após falecer. Após percorrer a casa de dois andares, percebe que está sonhando e fica confuso com isso. O peso da realidade e o medo começam a dominar Alfredo. Referência à Machado de Assis.

    Comentários da história: as referências com José Machado de Assis são bem evidentes, além da ideias da história. Mas foi interessante, bem criativa. É uma boa narração de fluxo de mente do homem.

    Comentários da narrativa: progrediu bem, apesar da linguagem meio rebuscada. Houve uma dificuldade para continuar a leitura, devido aos termos, mas bem escrita.

    Comentários da gramática: muito bem escrita.

  5. Estela Goulart
    25 de março de 2019

    O dia

    Resumo: relato de Alfredo Barbalho após falecer. Após percorrer a casa de dois andares, percebe que está sonhando e fica confuso com isso. O peso da realidade e o medo começam a dominar Alfredo.

    Comentários da história: as referências com José Machado de Assis são bem evidentes, além da ideias da história. Mas foi interessante, bem criativa. É uma boa narração de fluxo de mente do homem.

    Comentários da narrativa: progrediu bem, apesar da linguagem meio rebuscada. Houve uma dificuldade para continuar a leitura, devido aos termos, mas bem escrita.

    Comentários da gramática: muito bem escrita.

  6. Estela Goulart
    25 de março de 2019

    Resumo: relato de Alfredo Barbalho após falecer. Após percorrer a casa de dois andares, percebe que está sonhando e fica confuso com isso. O peso da realidade e o medo começam a dominar Alfredo.

    Comentários da história: as referências com José Machado de Assis são bem evidentes, além da ideias da história. Mas foi interessante, bem criativa. É uma boa narração de fluxo de mente do homem.

    Comentários da narrativa: progrediu bem, apesar da linguagem meio rebuscada. Houve uma dificuldade para continuar a leitura, devido aos termos, mas bem escrita.

    Comentários da gramática: muito bem escrita.

  7. Gustavo Araujo
    25 de março de 2019

    Resumo: como Brás Cubas, homem acorda morto e revê sua vida, ora acreditando em seu estado, ora o negando.

    Impressões: o conto é muito bem escrito, fruto de uma mente inteligente, que sabe aonde quer chegar. Dá gosto perceber esse virtuosismo, esse trato com as palavras, com o idioma; o desenvolvimento das ideias, do ponto de vista sarcástico, as ironias… Isso sem falar no tom levemente melancólico, típico de quem está insatisfeito com o modo como tudo terminou. De fato, como a obra em que se inspira, este conto convida à reflexão. Longe de ser um plágio, é muito mais uma homenagem ao velho Machadão, com as devidas adaptações às idiossincrasias da vida moderna. Confesso que antevi o final, quando nosso protagonista liga o carro, mas isso de maneira alguma alterou minha percepção quanto à qualidade do texto. Gostei bastante do estilo e espero, sinceramente, que o autor continue entre nós. Em todos os sentidos da expressão.

    • Paulo Luís
      31 de março de 2019

      Olá, Gustavo, como é bom ver uma análise bem fundamentada; o esmero da decifração da ideia e o auto grau de sinceridade. Por aquele que de fato sabe do que, e o porquê, está se falando. É isso que nos faz continuar com a certeza de que um dia chegaremos lá, Não sei onde, mas chegaremos. Grato pelas palavras de lisonja ao trabalho.

  8. Gustavo Azure
    25 de março de 2019

    RESUMO: Um conto póstumo inspirado em um romance póstumo, que preserva o mistério de como se tornar um autor póstumo.

    CONSIDERAÇÕES: Primeira vez que leio um conto que usa-se de forma direta uma referência explícita. Achei interessante como as coisas são conduzidas, embora eu não tenha lido Memória Póstumas de Brás Cubas (o que me fazia questionar o que no texto era referência e o que era particular do contista póstumo).

  9. Elisa Ribeiro
    24 de março de 2019

    Defunto desperta durante seu velório e, tal como o Brás Cubas de Machado, relata a experiência em meio a digressões sobre a vida e a morte. Abandona seu ataúde e após deparar-se com a Morte, com o espectro de seu pai e percorrer os corredores da casa de sua infância, volta à sua própria casa e supõe por um instante tratar-se a sua morte de um pesadelo. Novas evidências entretanto acabam por confirmar que ele de fato está morto e, em desespero, o defunto acaba provocando a morte do seu próprio cadáver.

    O conto combinou fantasia e comédia, os temas do desafio, de maneira muito feliz. Enganos, reviravoltas e referências literárias, além do estilo do autor tornaram a leitura divertida e agradável. A linguagem um pouco afetada combina com a proposta do autor de dialogar com o romance machadiano e, pelo menos na minha leitura, produziu um efeito satisfatório. Diria inclusive que esse foi o ponto alto do conto.

    Um bom conto. Boa sorte!

    • Paulo Luís
      31 de março de 2019

      Olá, Elisa, grato pela boa leitura que você teve do meu trabalho, enxergando os altos e baixos do texto.

  10. Cicero Gilmar lopes
    21 de março de 2019

    O sujeito “acorda” morto. Lembra Machado e confirma coincidências. Sofre com os incômodos do cheiro das flores e do incenso; das cócegas provocadas pelo fino véu que lhe cobre a cara; do caixão apertado; da mosca irritante… Lamenta a partida num momento de plena realização e satisfação pessoal. Foge do esquife e encontra o fantasma do pai a escrevinhar suas recentes desventuras no mundo dos mortos. Passeia entre sensações, ilusões e memórias. Volt ao caixão se acreditando vivo e se descobre morto mais uma vez. Se agarra a possibilidade de tudo se resumir a uma chacota dos amigos, faz planos de vingança contra os “engraçadinhos”, não tem tempo para realizar seu plano , nem para mais nada; morre de novo! Morre sufocado pelo gás carbônico do carro.

    Considerações: “Minha vida não passou de um reles plágio de outras tantas e iguais vidas anódinas que pululam esse mar de mediocridades chamado de humanos”. Só por essa frase merecia a melhor nota entre todo os que li. Parabéns pela construção, escrita segura, domínio da narrativa… E fica a questão batendo no meu juízo, quantas vezes eu já morri e fui obrigado a renascer e morrer e renascer no intervalo desses anos em que habito essa casca? És meu campeão!

    • Paulo Luís
      31 de março de 2019

      Olá, Cicero, muito boa sua indagação sobre as tantas vezes que morremos a cada dia, assim como matar um leão pela sobrevivência. Grato pelas boas considerações.

  11. Fernanda Caleffi Barbetta
    20 de março de 2019

    Resumo
    O protagonista acorda dentro de um caixão, em seu próprio velório. Enquanto observa as pessoas e se irrita com uma mosca que o perturba, ele fica pensando sobre os benefícios de estar morto e o medo daquela constatação. A morte aparece duas vezes mas nunca se dirige a ele. Quando percebe que não há mais pessoas no local, resolve sair do caixão e passear pela casa, atravessando paredes. Até que sente o cheiro do charuto de seu pai e o vê escrevendo um texto intitulado O Dia em que meu Filho Acordou Morto. Sem conseguir se comunicar com seu pai, ele sai andando pela casa e vê cenas de sua infância, sua casa, seu cachorro, seu gato. Quando vê alguns livros no chão e encontra seu ultimo livro de contos, tudo volta ao normal. Ele pensa estar vivo. Mas, quando chega ao seu quarto, revê o caixão com ele dentro. Vai até o carro para fugir dali, mas ouve pelo rádio que ele está morto. Acha que é uma brincadeira dos amigos e resolve fazer uma brincadeira com eles, enviando um boneco de cera em seu lugar ao velório. Naquele instante, o gás carbônico do carro na garagem fechada o mata. E ele não acorda mais.

    Comentário
    O texto flui bem, achei a ideia interessante. Gostei do uso de citações ao longo do texto. Só acredito que tenha ficado um pouco perdido o momento em que ele escreve aquela história, já que no final do texto fica claro que ele morre e não acorda nem vivo nem morto.
    Outra coisa que me incomodou é que logo no início, ele deixa claro que riu muito de sua descoberta em um caixão, mas quando contou o que aconteceu, não me pareceu achar graça daquela experiência.
    O uso de pontuações ficou um pouco confuso e excessivo em alguns parágrafos, com exclamações, reticências, ponto e vírgula, aspas e travessões mal empregados. Exemplo: Mas, enfim, como diz o dito: “Não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe”, agora o que importa mesmo é que eu não tenho mais credores. Que maravilha! Que beleza!… Não devo mais pensão alimentícia… E o melhor: adeus dívidas com cartão de créditos! Tchau amantes exploradoras dos bens alheios! Pois, como bem diz aquela velha piada: “Mulher é como furacão: quando chega é molhada, selvagem e devastadora. E quando se vão levam tudo o que é seu: casa, carro, livros, discos, cuecas!” Mas agora, de corpo novo, espírito leve, sem o cansaço das homéricas ressacas, poderia começar tudo de novo. Finalmente, zerado! — comemorava eu. Neste mesmo parágrafo, você termina com comemorava eu, mas a pontuação não havia deixado claro que era uma fala do personagem.
    Achei essa frase solta: Alguém dedicou ao meu desaparecimento precoce à música, Hallelujah.
    Tempo verbal equivocado: Aproximei-me e vejo (vi) que escreve (escrevia) alguma coisa.
    O texto muda para o futuro sem sinalizar que era um pensamento ou uma fala do personagem. “Contratarei um grupo de atores, outro tanto de figurantes. Farei uma cópia de mim mesmo em cera, do meu tamanho, da minha largura. Deixe estar!

    • Paulo Luís
      31 de março de 2019

      Olá, Fernanda, o conto é uma clara paródia sobre a morte, e uma expressiva homenagem ao Machado de Assis. Em verdade não há nada que se possa levar a sério em todo seu contexto. Até mesmo sua morte de fato ao se envenenar no gás carbônico. Apenas atendi ao tema do desafio “Comédia”. Sem pretensões de dar um sentido lógico para a trama. Entretanto, lhe sou muito grato pelas pertinentes considerações quanto a pontuação, garanto-lhe que farei uso de todas suas informações de dedicado esmero de onde tirarei muitos proveitos.

  12. Felipe Takashi
    18 de março de 2019

    Sinopse: Uma engraçada releitura de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Mais uma vez revisitamos o conceito de defunto autor, ou seja, alguém escrevendo a história após a morte. Entretanto, o personagem viverá a experiência a sua própria maneira.

    Comentários: O autor não decepcionou, embora faça referência explicita a obra (pseudônimo inclusive). Foi divertido em todos os sentidos.

    Lista de contos Felipe Takashi

    1º – A Dama Rubra
    2º- O Dia Em Que Acordei Morto
    3º – Betiron, um Reino
    4º- Os Dois Lados da Penteadeira
    5º- Dezembro
    6º – Sensitu
    7º- Uma Canção Para Nara
    8º – O Animalismo
    9º- Lúcia no Mundo das Coisas
    10º- Passageiro 3J
    11º- Apenas Um Dia Comum

    • Paulo Luís
      31 de março de 2019

      Olá, Felipe, olá pela leitura de meu texto, e pela apreciação que fez.

  13. Anônimo
    13 de março de 2019

    Adorei!, é este sentido de humor que me faz ir protelando o ” ver Deus”
    António Correia

    • Paulo Luís
      31 de março de 2019

      Olá, Anônimo, está vendo como meu conto serviu para alguma coisa, Agora todas às vezes que você perceber que ela se aproxima core e dá mais uma lidinha.

  14. Mc
    10 de março de 2019

    Um personagem que se vê no próprio velório manobrado por colegas e com triste final.

    Gostei! Cômico e de leitura atraente

  15. Elisabeth Lorena Alves
    10 de março de 2019

    O dia em que acordei morto

    Resumo.
    Conta a história de um escritor que amanheceu morto. Suas ideias sobre a Morte e suas observações sobre sua própria morbidade.
    Comentário
    Um texto interessantíssimo.
    Bem construído, com aplicação de intertextualidade entre sugestiva e clara. Narrativa contínua de situações cíclicas que enganam o personagem e o leitor. O fim é legal, exatamente por essa construção repetitiva que se encerra com a percepção do personagem ter morrido de verdade, como se antes não estivera morto e, de novo, nos engana, ao afirmar: “Caí em colapso. E não mais acordei. Nem vivo nem morto.” Se não despertou, como escreveu o final da história, se já mostrou sua descrença em espiritualistas que ele denomina charlatões.
    Texto excelente.

    • Paulo Luís
      31 de março de 2019

      Olá, Elisabeth, grato pelas lisonjas ao conto e a apurada leitura, e suas apreciações, Inclusive as feitas lá no grupo. Quanto, ao como o autor escreveu depois de morto, eu deixo bem explicadinho logo no fim do terceiro parágrafo do texto “Quem quiser saber minudências a respeito de tão refinada técnica: escrever após a morte, que o faça como fiz eu e o Assis. Morra e decifre o enigma. Mas isso fica por conta de vocês. Não serei eu a dar luz a tão primoroso e excepcional recurso.” Lembra? Ha, ha, ha… Grato de coração.

  16. Fabio Monteiro
    10 de março de 2019

    Resumo: Personagem descreve sua paródia tragedica do dia que acordou morto. No começo acreditou estar sonhando, ou, que tudo não passava de uma brincadeira. De fato, uma brincadeira que acabou mal para Afranio Barbalho. Um misto de lembranças do que nis prende a este mundo corre o texto. A alusão de um escritor que segue os trabalhos do pai. Final infeliz para o personagem ao tentar transformar os atos cenicos em uma verdade abstrata.

    Comentarios: Excelente texto. Comparações com uma das melhores obras que ja li até hoje. Palavras bem colocadas e pouco repetitivas. Fez comparações de verdades ocorridas em um funeral. Algumas, bem tristes para uma comédia.
    É de longe uma das melhores obras que li neste desafio. Confesso que esperei que tudo pudesse ser apenas um sonho ruim, mas, acabou tendo um desfecho entristecedor para o personagem que cativou com sua escrita.

    • Paulo Luís
      31 de março de 2019

      Olá, Fábio, obrigado pela boa apreciação sobre meu conto, e a lisonja em considerá-lo um dos melhores do desafio. Grato

  17. anasophyalinares
    8 de março de 2019

    Um homem acorda morto. Mortinho da silva. Seguindo os seus rituais do dia, sem entender bem se estava vivo ou morto mesmo, pois há pistas que apontam tanto numa como noutra direcção.
    Adequação ao tema: Ao de fantasia, está bastante bom.
    Aplicação de idioma: Bastante bom.
    Técnica: Boa, gostei.
    Trama: Envolvente.
    Impacto: Bom

    nota 5

  18. Luciano
    7 de março de 2019

    RESUMO:
    O texto começa explicando o feito, e faz alusão a Machado de Assis em alguns pontos, referenciando propositadamente e afirmando que tomou e tomará algumas ações baseado no mesmo comportamento “machadiano”, em sua obra Memórias Póstumas, e daí deve ter saído o pseudônimo.
    Comemora a liberdade de tudo que a morte lhe ofertou neste momento, dívidas e exploradores, diz ele.
    Segue com a estranheza de ver-se deitado num caixão e tenta bisbilhotar os arredores
    Vê o seu pai que escreve sobre este conto. Tem uma repentina sensação de cegueira e cita Saramago, por conta da claridade que lhe ofusca a vista.
    Percebe, subitamente que fora um pesadelo, e com a mesma velocidade descobre que não. No rádio ouve a notícia de sua morte, com dedicatórias e oferecimentos de música.
    Parte rumo ao próprio velório suspeitando que tudo não passava de uma pegadinha de seus amigo malandros, e prontifica-se em uma vingança.
    Bola o plano em sua mente e supõe o local do funeral, utilizaria um boneco de cera com suas medidas para dar o troco aos amigos sacanas.
    Curiosamente, estando morto, morre asfixiado na garagem com o gás carbônico emitido pelo escapamento do carro.

    CONSIDERAÇÕES:
    O texto é bem explicado. Porém utiliza várias palavras rebuscadas que passam a impressão de ter sido escrito no século passado, eu arriscaria dizer que, por um contemporâneo de Assis. Seria essa a ideia?

    • Paulo Luís
      31 de março de 2019

      Olá, Luciano, não entendi e que você diz ser rebuscado. Pra mim está tão bem explicadinho, com uma linguagem bem próxima do coloquial. Essa é a primeira vez que recebo essa crítica a esse meu texto. Mas é assim mesmo, é vivendo e aprendendo. Grato pelo alerta!

  19. Cirineu Pereira
    3 de março de 2019

    Resumo
    Narra a história de Afrânio Barbalho, escritor e poeta que, certa manhã, acorda morto num caixão. Inicialmente o protagonista narrador acredita estar morto, vaga pela própria casa onde o pai, também escritor, escreve a história do filho que acorda morto. A seguir, Afrânio conclui tratar-se de um pesadelo. Por fim, convence-se de que tudo se trata de uma peça aplicada pelos amigos, por ocasião do lançamento de seu novo livro. Planeja fingir realmente estar morto, revertendo assim a brincadeira dos camaradas, no entanto, antes morre realmente asfixiado pelos gases do escape do carro, na própria garagem.

    1. Aplicação do idioma
    Bom domínio do idioma, porém de estilo, talvez propositadamente, empolado.

    2. Técnica
    A história flui bem, apesar da narrativa arrastada e do estilo empolado. Pouco ou nenhum destaque para recursos literários mais complexos, a história é linear. O autor superestima a retórica e deprecia os fatos. O ponto alto é o paradoxo trazido pelo arremate, afinal era uma brincadeira de amigos, até que o protagonista realmente morre em sua garagem.

    3. Título
    A história é um tanto clichê e o próprio autor acaba por admiti-lo ao fazer referência à obra de Machado de Assis. Infelizmente o título antecipa esse clichê.

    4. Introdução
    A abertura parece um tanto incoerente, afinal a morte é o fim comum de nós todos, de que se riria?

    5. Enredo
    Falta originalidade e mesmo criatividade (esta ratificada pelo desenvolvimento moroso da história). O enredo em si é raso, preenchido por conjecturas prolixas e supérfluas e salvo apenas pelo arremate.

    6. Conflito
    O narrador protagonista aborda a história com aparente divertimento, fracassando (ou sem intenção de) em incutir dramaticidade à situação.

    7. Ritmo
    O uso de um estilo específico para compor um protagonista narrador prolixo e pedante, fez com que a história se iniciasse morosa e acabou por jogar contra o próprio autor. Apenas na segunda metade a narrativa desanda e, sem maiores pausas, parte logo para o arremate.

    8. Clímax
    Bastante válido e até surpreendente justificar tudo como uma peça de amigos.

    9. Personagens
    O narrador protagonista demonstra certo estrelismo é tudo sobre ele. O pai, a namorada e os amigos têm pouco destaque na história, são apenas rascunhados. Afrânio Barbalho é um escritor (provavelmente ruim) e como tal, soa pedante e abusa do discurso, o que acaba por ganhar a antipatia do leitor, porém o próprio estilo narrativo age como elemento de composição do personagem.

    10. Tempo
    Mal aplicado, não fica claro o período de duração dos eventos e da história como um todo. Principalmente, a partir do clímax essas referências parecem totalmente ignoradas.

    11. Espaço
    As mudanças de cenário são bem identificadas, porém com poucas referências descritivas. Não facilita a inserção do leitor no contexto.

    12. Valor agregado
    Não se encontra crítica implícita, senão à ironia em relação à morte.

    13. Adequação ao Tema
    Apesar das implicações fantasiosas dos eventos póstumos, o estilo tente ao cômico, ainda que sua eficácia seja questionável.

  20. Roque Aloisio Weschenfelder
    1 de março de 2019

    Personagem acorda morta. Narra problemas que isso lhe causa. Conta o que fez e não fez como morto e, no final, conta como morreu.

    Bem, poderia ser um belo conto, mas é uma releitura, em forma de crônica, de capítulos de “Memórias Póstumas de Brás Cubas. Parabéns pela belíssima crônica.

    • Paulo Luís
      31 de março de 2019

      Olá, Roque, me parece que você não leu “Memórias Póstumas” ou não leu meu texto, pois este meu conto, apenas alude ao Machado de Assis, apenas como uma sincera homenagem, mas o conto em si não tem nada a ver com o livro dele. Não passa de uma paródia da morte.

  21. Vera Marta Reis.
    28 de fevereiro de 2019

    O dia em que acordei morto. Brás Cuba.

    Resumo.
    Estava vivo e acordado, porém morto. Ele diz.
    Se levanta e vê a morte, em sua forma física.
    Se vê em casa com o pai, o gato, sente cheiro de café.
    Pensa ser uma brincadeira dos amigos, para chamar a atenção da imprensa.
    E dia de lançamento de seu livro. Porém no espelho não vê seu reflexo.
    Vai para o caro, abre a porta, ar fuliginoso, escuro. não consegue respirar.
    Não acordou nem vivo nem morto.
    Considerações.
    Achei bom, uma trama diferente e assustadora.
    Está de acordo com o tema. Gostei de como conduziu a narrativa e as observações que faz de autores consagrados.E o desfecho inesperado.

  22. Virgílio Gabriel
    24 de fevereiro de 2019

    Afrânio Barbalho é um escritor que muitas vezes acorda e vive como se estivesse morto. Ocorre que dessa vez, após acordar, aparentemente ainda continuava morto. Foi para o carro dentro da garagem, e o rádio confirmou a sua morte. Inclusive nem reflexo tinha mais. Após refletir muito, deduziu que tudo aquilo era brincadeira dos seus amigos. Porém antes que pudesse sair do carro, foi intoxicado pela fumaça do gás carbônico e morreu.

    Bom conto. Há alguns errinhos básicos, como falta de vírgulas em vocativos, misturados com uma qualidade acima da média na escrita. Vejo aqui um escritor em clara ascensão.

    O conto, em seu início parece não caminhar, tudo é previsível. Mas da metade para o fim, daí sim ele embala e pega um ritmo bacana. Algumas coisas ficaram sem explicação, como a Morte (personagem) no caixão. Seria a Morte, mesmo? Pelo que entendi, sim. Ele realmente morria enquanto dormia, não era uma doença, alucinação ou algo do tipo. Só que no fim morreu de verdade. É assim que entendi, mas também se não for dessa forma, não tem problema. É legal isso de deixar o leitor pensativo criando teorias.

    Parabéns! Se depender de mim, está na segunda fase.

    • Paulo Luís
      31 de março de 2019

      Olá, Virgílio, gostei muito de seu comentário crítico e ao mesmo tempo elogioso. Em verdade eu me concentrei na ideia como comédia mesmo, sem me preocupar com a lógica da trama. Apenas o final que dramatizei um pouco, sem entretanto, esquecer de era uma paródia da morte, e mais para justificar o fato de se escrever enquanto morto, e instigar o leitor a rever o que foi dito lá no começo, que para se descobrir este método de escrever após a morte é preciso fazer como eu e o Assis; morrer e cada um ter sua experiência própria. Grato pelo esmero da análise.

  23. Felipe Takashi
    20 de fevereiro de 2019

    Sinopse: Uma intrigante e cômica releitura de Memórias Póstumas de Brás Cubas nos dias atuais.

    Considerações: esse foi o melhor conto em todos os sentidos. Desde a narração até o argumento. O autor embora não trabalhe com algo novo, conseguiu trazê-lo a sua maneira. Machado de Assis contribuiu bastante como referência.

    Melhor conto

    Melhor técnica

    Nota: 4

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Informação

Publicado às 17 de fevereiro de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 1, Série C-Final, Série C2 e marcado .