EntreContos

Detox Literário.

Luz dos Olhos (Higor Benízio)

1

— Quantos anos ela tem? — a secretária preenchia a ficha com ares de quem não aguenta mais repetir o ato.

 — Dezessete — respondeu Adriana, um pouco incomodada. — Helena faz dezoito este ano.

 — Entendo.

 

2

O apito cortava a noite, lembrando João de que ainda teria muito trabalho pela frente.

 A estação estava silenciosa, cálida; nenhuma alma viva havia resolvido viajar. Um gato se espreguiçava junto a um dos cantos do pátio deserto, ronronando alto e com prazer. Depois esticou suas patas e ergueu o corpo grande e peludo. Desfilou mexendo os quadris e a cauda com sensualidade quase arrogante, como um rei gordo e soberbo. Num pulo, e com um esgar agudo e repentino, o animal saiu correndo assustado. Era a locomotiva freando suas rodas de aço sobre os trilhos, enchendo a estação quase morta de vida assustadoramente barulhenta.

 O vapor se erguia no ar, espantando insetos e aumentando um pouco mais a neblina. De repente, um homem pequeno e bigodudo desceu a escadinha que saltava de um dos vagões. Seu semblante era tão solene quanto o do gato, talvez mais um pouco. Bateu com força os sapatos de salto no paralelepípedo varrido do lugar, como quem quer chamar a atenção para si, o que conseguiu com algum êxito.

 João veio correndo num passo destrambelhado, levantando as calças largas que insistiam em escapar da sua cintura. Foi ajeitando o chapeuzinho como podia, nervoso. Aquele trem não estava relatado na sua folhinha de horários, e ele sabia, e muito bem, que todos deveriam estar lá, todos, sem exceção, porque ele é um trabalhador exemplar, um nobre e respeitado servente da estação, um funcionário perfeito. As calças arriadas e a cara de sono eram meros erros de percurso, que seriam rapidamente corrigidos, alinhando sua fama à própria figura.

 O bigodudo levou a mão até o bolso da camisa, tirando de lá um maço de cigarros. Logo acendeu um deles, fazendo biquinho por debaixo do bigode.

 — Muito boa noite, senhor — disse João, ainda com o chapeuzinho desalinhado.

 — Onde estou? Faça-me o favor de dizer — reclamou o bigodudo.

 João o encarou embasbacado.

 — Em Tutulia, onde mais?

 — “Tu-tu-lia”?

 — Sim, e essa locomotiv…

 O bigodudo interrompeu João, erguendo os ombros.

 — Não diga mais nada, João, você ainda está dormindo!

 Intrigado e sem saber como reagir, João resolveu mudar as diretrizes da sua abordagem, levantando as sobrancelhas como quem quer dar uma bronca.

 — Como sabe meu nome? E que locomotiva é esta que não está na minha planilha?

 — Boa pergunta — disse o gato, lambendo a patinha.

 João deu um pulo para trás, assustado.

 — O que está acontecendo aqui?

 — Eu disse para esperar ele pegar pesado no sono — o gato para bigodudo, e continuou. — Não disse?

 — É claro, senhora, desculpe minha ansiedade.

 João desmaiou no meio do pátio.

 

3

— Alguma passagem anterior? Receitas? — a mulher acendeu um cigarro fino, e colocou na boca com ar de desdém.

 — Não, nenhum. Nunca achei que isto seria necessário, mas meu marido insistiu. Ela já é uma mulher formada… a senhora entende, não é?

 — Entendo.

 

4

“O que poderia fazer uma senhorinha de oitenta anos acompanhada de um garotinho de nove? ”

 Foi o que pensou Beti, ao parar sobre uma pedra no canto da estrada para descansar um pouco. As costas já não trabalhavam tão bem, e suas juntas rangiam ao mínimo esboçar de movimento. Estava velhinha, muito velhinha mesmo. O cabelo cinza, quase branco, ficava escondido por uma flanela vermelha com bolinhas amarelas amarrada na altura da nuca. Os óculos redondos, bem na ponta do narigão, davam um ar muito gentil àquela senhorinha, que usava um vestido azul debaixo do casaquinho de tricô.

 A floresta tinha sumido há algum tempo, e diante dela estendia-se um descampado interrompido aqui e ali por pastos e pequenos pedaços de terra arada. Mais ao fundo, as montanhas que foram deixadas para trás com muito esforço.

 Olhou para Daniel, pequeno e franzino, quase tão magro quanto seu pai foi um dia, correndo de um lado para o outro, cheio de energia. Cabelos pretos, quase azuis, um suéter verde e as bochechas mais fofas do mundo (apenas nove anos). O garotinho não via a hora de continuar andando e ela sabia muito bem disso, mas estava tão cansada…

 “Céus, o que vou fazer agora? ”

 — Vai arrumar uma bengala, horas!

 — Quem disse isso? — perguntou Beti, assustada.

 — Disse o quê? — Daniel parecia meio confuso.

 — Não ouviu nada?

 O menino replicou prontamente:

 — Não ouvi não!

 — Não? Será que sua avó está ficando doida?

 — Não sei, vovó. Papai sempre chamava a senhora de “velha maluca”. Mas nunca concordei com ele — deu uma piscadinha.

 Beti riu um pouquinho.

 — Seu pai falava isso, é?

 — Uma vez ou outra.

 — Talvez ele tenha razão, mas tenho certeza que ouvi…

 Uma borboleta lilás chamou a atenção de Daniel. Voava em círculos ao redor de um ramo de capim. Suas asas, enormes, subiam e desciam vagarosamente enquanto cantava uma música difícil de decifrar.

 — Vovó, a borboleta está cantando!

 Secando a testa com um paninho, a velhinha suspirou aliviada.

 — Eu não disse?

 

5

— Ela é assim desde que nasceu?

 — Sim, desde que nasceu.

 — Entendo.

 

6

As escamas de Bruma pareciam uma projeção do céu, imitando suas nuances de azul com perfeição e requinte.

 O dragão abriu um dos olhos para espiar o porto, e continuou sua encenação assim que avistou o Capitão Barbas e sua pequena tripulação. Fingir que estava dormindo pouparia um pouco de trabalho, visto que Barbas, caso estivesse de bom humor, poderia atrasar um pouco a partida, o que lhe daria mais uma horinha de sono. Mas ele logo percebeu a fraude, batendo com o bico da bota no focinho do dragão.

 — Sem preguiça, senhorita — disse ele para o réptil que poderia engoli-lo com uma bocada só. — Temos uma morte lenta para alcançar.

 Bruma resmungou alguma coisa incompreensível, e bufou sem cerimônia; fazendo toda a estrutura precária do cais tremer em cada centímetro de madeira velha, em cada prego enferrujado.

 — Nem um: “Que seja belo, nobre dragão” — Bruma ergueu-se sobre as patas traseiras, ultrapassando com facilidade a altura de todas as construções ao redor. — Escondeu sua educação em alguma ilha, Capitão? Posso improvisar um mapa, se quiser.

 Barbas sorriu, sem tirar os olhos do chão.

 — “Que seja belo, nobre dragão” — disse ele, como um garotinho que é obrigado a pedir desculpas aos coleguinhas.

 — O nosso dia, Capitão! — respondeu Bruma, sacudindo o pescoço.

 Não demorou muito e uma acumulação de crianças encheu o lugar para ver o dragão que acabara de acordar. Entre suspiros de admiração e gritinhos abafados de medo, ecoou o pedido de um menininho de olhos dourados e cabelos que não viam água há um bom tempo.

 — Ruja, dragão! Ruja pela fartura da nossa colheita! Ruja por nosso milho, e por nossa cana-de-açúcar!

 Bruma encarou o menino com satisfação, e inflou o peito escamado o máximo que conseguia. Barbas logo correu para se proteger, tapando os ouvidos com as mãos.

 GRRAURRRRRRRRRRRRR!!!!

 Telhas voaram para todos os lados.

 Quatro crianças foram arremessadas para o alto, junto com dois idosos distraídos. Betina, que começara suas “relações matinais”, digamos assim, com um vagabundo qualquer dentro da cabine de um barquinho, cruzou os céus com seus biquinhos de fora, arrancando sorrisos daqueles que conseguiram se manter de pé. A jovem caiu no mar logo em seguida, acompanhada do namoradinho que bateu na água salgada sem tirar as mãos das suas pequenezas.

 — QUE O FOGO OS ILUMINE!  — gritou Bruma, orgulhosa. — E AZOTH ABENÇOE A COLHEITA DESTE ANO, E DOS PRÓXIMOS SETE!

 Mesmo com ossos quebrados, casas sem teto e banhos inesperados, o povo não deixou de aplaudir. Ora, recebemos a benção de um dragão!, disse o velho Índio, que foi parar dentro da pia de Dona Marlene — as mãos da mulher já estavam na cintura, e os pezinhos batiam no chão do  barraco num frenesi irritante. Betina também aplaudiu, tomando cuidado para não expor suas provisões outra vez, enquanto movia as pernas gorduchas para não afundar. Apertando os olhinhos negros, pensava se seria possível terminar o trabalho que começara, dessa vez sob um lençol frio e salgado.

 — Abençoou mesmo estes pobres coitados? — perguntou Barbas, esticando as costas e dando pancadinhas na cabeça. — Não precisa responder se não quiser.

 Bruma encarou as pessoas aplaudindo e agradecendo aos céus, algumas até choravam.

 — Não sou um Dragão Dourado, mas eles não precisam saber disso — respondeu ela.

 Barbas sorriu por um momento, fingindo entender o que ela queria dizer. Mas não entendia  nada.

 — Certo, para sua rédea então, estamos atrasados.

 Bruma procurou pelo garotinho que havia lhe pedido a benção no meio da multidão. Ele agora dava saltinhos de alegria, e parecia estar muito satisfeito com a decisão que tomara. Me perdoe, criança. Me perdoe. Movendo os quadris colossais, ela preparou-se para mergulhar na direção do galeão.

 

7

O telefone soltou o alerta agudo que ele sempre esquecia de trocar.

 — Helena, quatro e quarenta — veio a voz rabugenta do outro lado da linha, outra coisa que precisava substituir.

 — Pode entrar com ela.

 A porta abriu devagar, revelando a magreza da secretária; trazia a jovem pelo braço com menos cuidado do que deveria.

 Rodolfo levantou-se imediatamente.

 — Boa tarde, Helena — disse ele, balançando a cabeça para a secretária como quem diz: “Está tudo bem, eu levo ela daqui”. — Segura minha mão, querida.

 — Boa tarde, senhor Rodolfo — respondeu Helena, tateando o ar enquanto a outra batia a porta.

 Rodolfo guiou a jovem devagar, desviando da mesinha no meio da sala, pedindo para ela ter cuidado com o tapete. Uma luz modesta entrava pela janela; o clima estava agradável, como sempre.

 Chegando próximo ao divã, ele a pegou pelas duas mãos, e a encaminhou com cuidado.

 — Pronto — virou-a cento e oitenta graus. — Pode se deitar, querida.

 — Obrigada!

 Helena jogou os cabelos lisos para frente, e inclinou-se devagar, até se sentir segura o suficiente para sentar; em seguida, deitou-se tateando o estofado, aconchegando-se. Empurrou então as sapatilhas com os pés, e encolheu os joelhos.

 — Tudo bem com o senhor?

 — Estou bem, obrigado por perguntar — Rodolfo preparou o bloco de anotações, e sentou-se na poltrona ao lado do divã. — E a senhorita, como está?

 — Estou bem também. Acho que vir aqui acalma um pouco os meus pais, e isso me deixa feliz, entende?

 — Entendo, querida.

 — Parece que as coisas finalmente estão tomando uma direção.

 Rodolfo coçou os olhos, e anotou algumas linhas na folha em branco.

 — Isso é muito bom, querida. Como foi sua semana? E seu irmãozinho, dando muito trabalho?

 Helena ficou um momento em silêncio, fazendo dobras na camiseta com as mãos. De repente começou a falar.

 Rodoldo se aprumou na poltrona.

 — Na terça-feira, meu pai disse que devíamos caminhar um pouco, para eu esticar as pernas — Helena abriu um sorriso largo, mirando em algum ponto da sala que só ela conhecia. — Ou melhor…

 

8

— Recolham as velas, Bruma precisa esticar um pouco suas asas!

 A ordem não precisava ser dada duas vezes, Pietra e Sagi logo trataram de obedecer.

 De velas recolhidas, o Libra parecia um grande inseto flutuando no meio de uma lagoa. O galeão começou a ser puxado por correntes que afundavam na água em quatro pontos, e que coincidiam em algum lugar no fundo do mar.

 — Podemos subir, Capitão! — gritou Pietra, deslizando por uma das cordas do mastro dianteiro. — Para o alto!

 — Aye! — gritaram Sagi e Barbas de volta. — Para o alto!

 Uma cascata prateada elevou-se no meio do oceano, revelando aos poucos o azul de Bruma, que puxou o galeão para cima, batendo as asas com força, e apertando as rédeas entre os dentes. Por um momento, as correntes pareciam castigar o casco com trancos grosseiros e desajeitados, mas logo se esticaram, fazendo toda a estrutura decolar suavemente junto com o dragão.

 Barbas girou o leme e Bruma obedeceu instantaneamente ao movimento, virando toda a sua trajetória para a esquerda, adentrando numa grande nuvem.

 — O que está fazendo, Capitão? — gritou Sagi.  

 — Vamos subir mais — respondeu Barbas, inclinado ainda mais o Libra. — Baltazar pode nos ver se voarmos abaixo das nuvens.

 Sagi arregalou os olhos e ficou um momento sem saber o fazer com as mãos. Tentou dizer alguma coisa duas vezes, mas não emitiu som algum.

 — Eu sei — disse Barbas. — Ele não está morto, como prevíamos… Nabela ouviu rumores na taberna, parece que uma fragata foi derrubada perto da ilha. Fogo de dragão, pelo que relataram.

 — É suicídio! — protestou Pietra, ao ouvir a última parte da conversa. — Bruma não pode dar conta dele, sabe disso!

 Barbas encarrou Sagi, congelado no meio da umidade da nuvem.

 — Vai ter que dar — sussurrou o Capitão. — Vai ter que dar…

 Ultrapassando as nuvens, o Libra seguiu sua trajetória tranquila, logo atrás de Bruma, que batia as asas devagar e mantinha a cabeça erguida sobre o tapete branco.

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13 comentários em “Luz dos Olhos (Higor Benízio)

  1. Luis Guilherme Banzi Florido
    22 de março de 2019

    Boa tarrrde. Tudo bem por aí?

    Para o desafio, não preciso ler os contos da série C, mas me ofereci pra ler alguns a mais, por sugestão do Leo Jardim.

    Vamos lá.

    Cara, você parece profissional escrevendo. Durante todo o conto, eu fiquei impressionado com a qualidade da escrita e do conto em geral, e fiquei me perguntando como um conto tão bom não passara de fase.

    Ao fim, fiquei com um gosto amargo na boca. Por mais esforço que tenha feito, não entendi a história, sinto muito.

    A única ideia que tive foi repetida por alguém no grupo: a menina era cega, e tudo não passava da imaginação dela. É uma ótima ideia, mas achei que ficou tão no ar, que ficou muito difícil de captar.

    Acredito que tenha sido por isso que não classificou, o que foi uma pena, pois tem muita qualidade.

    Talvez deixar pistas mais claras com as quais as pessoas pudessem fazer as conexões necessárias, ajudasse um pouco.

    Enfim, muito bom trabalho, de qualquer forma. Parabéns!

  2. Mc
    10 de março de 2019

    Um conto subvdividido entre outros e alguns alternando as passagens, como um dragao que arremessa com seu grito crianças e pessoas pelos ares.
    Interessante embora confuso!

  3. Elisabeth Lorena Alves
    10 de março de 2019

    Luz dos Olhos
    Professor Kirke

    Resumo
    Uma consulta. Uma secretária grosseira. Um gato falante. Uma borboleta falante. Um dragão que não é não pode abençoar a colheita.

    Comentário
    Textos bem escrito. Digo textos, pois foi difícil associar a uma única narrativa. Provavelmente eu não possua leitura fantástica suficiente. Separando-os posso classificar que o encontro na estação é muito bem feito. O narrador inicia já personificando a gata ao falar de seu andar sensual, entretanto, não é suficiente para entregar o segredo final, de que ela pode falar e o faz para reprimir as ações do maquinista inesperado.
    No texto do dragão também há uma bela construção, porém, deixa em aberto a questão do morto que não é morto. Não consigo pegar a liga entre a consulta da jovem cega e os demais personagens, para mim todos são personagens de sua divagação, embora eu não encontre o momento em que ela se inicia.

  4. anasophyalinares
    8 de março de 2019

    São várias histórias, algumas interligadas. Um homem preso num sonho, um dragão que abençoa terrenos, etc.
    Adequação ao tema: Está bom, ao de fantasia.
    Aplicação de idioma: Está muito bom.
    Técnica: Muito boa, se bem que, nas historias não interligadas, confusa.
    Trama: Gostei.
    Impacto: bastante bom.
    nota 4

  5. LUCIANO
    7 de março de 2019

    RESUMO:
    Parte 1, 3 , 5, 7 Helena no divã. (Curioso, um ar de mistério e qualquer coisa sem solução)
    Parte 2 João e a locomotiva fantasma, um gato falante e seu misterioso passageiro (hilário e misterioso)
    Parte 4 Beti, Daniel e a borboleta falante. Lilás. (O texto traz um tom alegre e menciona o sobrenatural)
    Parte 8 Bruma, o dragão (ou “dragoa”) abençoador. (Um texto com comédia e aventura, vivo.)

    CONSIDERAÇÕES:
    Identifiquei quatro contos que, apesar de muito bem escritos, gostosos mesmo de ler, não consegui ver uma ligação que formasse um conjunto, ou que montasse uma só história, apesar de estarem entrelaçados nas numerações em que foram divididos.

  6. Fabio Monteiro
    3 de março de 2019

    Narrativa conta a historia de uma garota passando em uma consulta…aparentemente oftalmológica.
    Um conjunto de historias fantasiosas fazem parte do contexto.
    O mundo visto através da luz de seus olhos.
    O ocorrido na estação, com o Dragão. Cenas que deviam se projetar além da sua imaginação. Uma consulta que deu lugar a muita imaginação.

    Considerações: O tema é fantástico. Confuso. Não segue uma cronologia nos atos. Demorei um pouco a entender se Helena é cega ou realmente vê o que esta acontecendo.

  7. Cirineu Pereira
    3 de março de 2019

    Resumo
    O conto alterna quatro narrativas com contextos, personagens e cenários distintos. Na primeira delas, Helena, uma jovem com deficiência visual, é acompanhada a um consultório médico, possivelmente de um psicólogo. Na segunda, um trem imprevisto chega a uma estação em que trabalha João. O evento é aparentemente um sonho de João. Na segunda narrativa, Beti, uma idosa, e Daniel, um garoto, começam a ouvir vozes no campo. Na terceira, um galeão e sua tripulação “voam”, conduzidos pelo dragão Bruma, para um confronto com outro dragão. As narrativas secundárias seriam, supostamente, fantasias da moça Helena.

    1. Aplicação do idioma
    Sem erros perceptíveis. Bom domínio do idioma, diálogos bem construídos, descrições bem inseridas, uso comedido de adjetivos.

    2. Técnica
    Boa técnica narrativa, alterna de forma eficaz diálogos, descrições e ações, sem enfastiar o leitor, porém prejudicada pela falta de correção clara entre as diversas histórias.

    3. Título
    Hermético, de pertinência difícil de atinar.

    4. Introdução
    Inicia com um diálogo formal e quebra para outro cenário, instigando o leitor a dar continuidade à leitura a fim de atinar com a correlação.

    5. Enredo
    Complexo, com diversas alternâncias de cenários, contextos e personagens, porém prejudicado por uma parente falta de correlação entre os diversos contextos.

    6. Conflito
    A falta de correlação clara entre as várias histórias narradas no mesmo conto dificulta a identificação de um conflito comum.

    7. Ritmo
    O conto é composto por várias histórias curtas e aparentemente sem correlação, prejudicando o ritmo narrativo do todo.

    8. Clímax
    A aparente falta de um conflito central implica na aparente ausência de um clímax maior.

    9. Personagens
    Personagens bem edificados, ou seja, tanto quanto a brevidade de cada história permite.

    10. Tempo
    As histórias alternam sem aparente posicionamento no tempo ou na realidade de Helena, a suposta protagonista.

    11. Espaço
    O espaço é relativamente bem delimitado dentro de cada história secundária, ainda que o autor pareça ter poupado descrições.

    12. Valor agregado
    Todos os aspectos do conto parecem prejudicados pela segmentação sem aparente correlação, apesar de haver referência à deficiência visual, não há crítica implícita, tão pouco estímulo à reflexão.

    13. Adequação ao Tema
    Dentre os diversos contextos, pelo menos dois adequam-se claramente ao gênero fantástico, no entanto assim não o seria se confirmado que as histórias secundárias pertencem ao imaginário psicologicamente debilitado da protagonista.

  8. Roque Aloisio Weschenfelder
    1 de março de 2019

    1.Helena no colégio; 2. João na estação de trem trabalhando; 3. Receita; 4. Beti fala com Daniel; 5. Sem nomes de personagens; 6. Bruma, o dragão e sua peripécias; 7. Helena e Rodolfo – hospital; 8. Bruma, Sagi, Barbas, Capitão etc.

    O texto é tudo menos um conto. Sequer nexo e interligação com os conflitos, muitas personagens, pouca definição do mote central.

    • Caliel Alves
      31 de março de 2019

      Um pessoa de bom senso.

  9. Vera Marta Reis.
    28 de fevereiro de 2019

    Luz dos olhos. Professor kirki.

    Na estação, estão só nenhuma alma viva. Um homem pequeno e bigodudo e João, servente de estação. Ao indagar sobre locomotiva fora da planilha é censurado, afirmam que está dormindo.
    Quando o Gato fala que deveriam esperar que dormisse pesado, João desmaia.
    O garoto em descampado que já foi floresta, diz que borboleta está cantando, a velhinha confirma.
    Um barco que sai do lago puchado por dragão e flutua nas nuvens.

    Considerações.
    Achei bem elaborado, o gato falante,
    a borboleta cantora e dragão salvando o barco com os amigos e o mergulho nas nuvens.
    Uma narrativa bastante divertida, fantasia cativante e os personagens muito interessantes.

  10. Virgílio Gabriel
    24 de fevereiro de 2019

    Várias pequenas histórias, que se tinham algum nexo, eu deixei passar. Tem um gato que fala na estação de trem, um dragão que dá um rugido que faz todo mundo voar, tem uma borboleta que canta para uma senhora de 80 anos e um menino de nove, e entre essas histórias, uma garota está passando por uma espécie de psicólogo. Seria esses seres frutos da imaginação dela? Não sei, e acho que só o autor deve saber.

    Conto bastante confuso, e pouco consegui entender. Breves histórias sem ligações aparentes umas com as outras. O texto é bem escrito, apesar de algumas repetições de palavras. Não gostei de como usou o pano de fundo (garota no psicólogo), se tudo é parte da mente dela, poderia ter deixado isso um pouco mais claro.

    Em síntese, vejo pequenos textos, bem escritos, mas que para mim, soaram completamente desconexos.

  11. Felipe Takashi
    20 de fevereiro de 2019

    Sinopse: O conto tem uma estrutura em que diversas historietas são contadas, indo do suspense ao realismo mágico.

    Considerações: O autor escreveu diversas histórias em um mesmo conto e não conseguiu desenvolver nenhum? O desafio é de contos, não de romances fix-ups ou coletâneas. Acho que um conto não cabe tudo isso que o autor quis e como nenhum foi escritor para ficar na mente do leitor, se tornou uma leitura insossa. Se atente a revisão da próxima vez. Não entendi a conexão entre os contos, nem o porquê da escolha do título. Foi uma coleção de coisas aleatórias.

    Nota: 1

  12. Felipe Takashi
    20 de fevereiro de 2019

    Sinopse: Lúcia é uma mulher que criou uma obsessão verbal com a palavra “coisa”, inclusive catalogando-a em diversas situações. Um dia ela encontra um ser que pode responder algumas das suas indagações sobre coisas.

    Considerações: não se começa diálogos com underline e sim com travessão. A obsessão de Lúcia com a palavra parecia ser mais interessante do que o resultado final. Achei o conto muito pouco dinâmico, quando até os personagens hesitam em promover ações dentro da história veja… é o tipo de fantasia que me empolga muito pouco.

    Nota: 2

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Informação

Publicado às 17 de fevereiro de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 1, Série C2 e marcado .