EntreContos

Detox Literário.

Lúcia no Mundo das Coisas (Shay Soares)

Lúcia tinha uma grande admiração pela palavra coisa, ela via nesse agregado de letras a possibilidade de ser tudo e nada ao mesmo tempo, não possuía nenhum significado concreto e ainda assim tinha o poder de ser compreendida numa infinidade de situações.

Uma pessoa, um alimento, um objeto, uma peça musical, aos olhos de Lúcia aquilo era incrível! Podia até ser um xingamento numa frase bem construída: saia daqui, sua coisa! Não havia limites para as possibilidades, ou, ao menos, Lúcia tentava comprovar isso. Há algum tempo já ela havia se proposto um desafio:

Pedir temas para terceiros e estruturar frases ou situações onde a palavra coisa se encaixe como substituta do objeto sem causar qualquer estranhamento.

Isso havia se tornado uma coleção que já contava com três volumes. Não havia nenhum grande objetivo com toda essa dedicação. Era um passatempo, uma admiração. Lúcia estava desapontada hoje, havia pedido um assunto para três pessoas e tudo o que conseguiu foram temas repetidos ou sem graça.

_Roupas – ela disse para si mesma revirando os olhos – o que há de desafiador em roupas? Tira essa coisa de cima da cama! – ela continuou resmungando – Você vai vestindo essa coisa? Que coisa estranha de se vestir!

Chutou uma espiga de milho para fora da calçada. Ainda estava cabisbaixa quando quase esbarrou numa senhora. A mulher era muito alta e magra, com os ossos saltados e bem definidos nas bochechas. Por um momento, Lúcia teve a impressão que a senhora havia ficado desapontada com a falta do impacto.

_Me desculpe! – disse já dando um passo para o lado, mas a senhora agarrou gentilmente o braço de Lúcia.

_Você é uma coisa muito preciosa – declarou e soltou a garota, continuando seu caminho normalmente.

Lúcia observou a figura dobrar a esquina. Sem notar, colocou a mão onde a senhora a havia agarrado e segurou. Os dias que se seguiram foram recheados de outros acontecimentos igualmente incomuns, outras pessoas falando gratuitamente com ela, dizendo coisas estranhas.

Um velhinho no semáforo: que coisa mais bonita de se ver, disse fazendo referência aos sapatos dela. Uma moça sorridente no mercado: cada coisa no seu lugar, falou enquanto organizava os produtos no carrinho. Embora não tivesse certeza, podia apostar que o cachorro no colo de um senhor havia dito: coisa linda.

Em duas semanas, foram uns dez momentos levemente desconcertantes que aconteceram. A garota resolveu, sem muito dar importância às razões daquilo tudo, usar as situações atípicas como temas para o seu quarto volume sobre as coisas:

A mulher notou que alguma coisa estranha perturbava os pensamentos da garota que vinha distraidamente em sua direção, ela torcia pela colisão entre ambas. No entanto, alguma coisa retirou a garota de seus próprios pensamentos e a fez interromper o seu caminho.”

Lúcia avaliou o que havia produzido e decidiu que era um começo promissor considerando que era a primeira vez que escrevia com esse mote. Ouviu sua mãe chamando para o jantar: torta de espinafre com ricota.

_Mãe, eu agradeço muito pelo seu esforço em acrescentar espinafre na minha dieta, mas eu DE-TES-TO espinafre! Que tal arroz e feijão na próxima?

A mãe nem se deu ao trabalho de responder ao protesto. Ao invés, disse:

_Hoje aconteceu uma coisa muito estranha. – Lúcia se divertiu com o coisa e ficou ansiosa pela continuação da fala – Um completo estranho me deu o lugar no ônibus e disse que haviam coisas mais importantes além de nós.

_Hm – resmungou a menina com o olhar curioso – e o que você respondeu?

_Nada. Sabe quando uma coisa muito inesperada acontece e você fica com cara de tonta encarando o ar? – Lúcia riu – Então: fui eu.

A garota decidiu não comentar nada sobre suas próprias experiências, esses assuntos tinham o hábito de se tornarem maçantes quando conversados com a mãe.

_Onde está o seu irmão? – Lúcia deu ombros – Vocês não voltaram juntos da escola hoje?

_Nossa mãe, faz três anos que a gente não volta junto…

_Eu não acredito que você está catando as folhas de espinafre! Não dá nem pra sentir o gosto! – disse a mãe em tom fervoroso.

_Se não dá pra sentir o gosto, pra que colocar?

Emburrada, Lúcia se levantou e levou o prato para a cozinha. Na volta, passou reto pela sala e subiu para o quarto. Estava deitada no chão, repassando a briga com a mãe, quando ouviu um barulho na janela: eram pedrinhas batendo contra o vidro.

A senhora esguia e magra encarava Lúcia com suas bochechas ossudas, seu olhar claramente era um chamado. A garota considerou estar no segundo andar uma forma de proteção, era uma velhinha afinal de contas, então abriu a janela:

_Eu preciso te mostrar uma coisa importante – disse a mulher se adiantando.

Ali estava, novamente, a palavra coisa. Foi quando Lúcia se deu conta que todos os estranhos acontecimentos das últimas semanas envolviam a palavra coisa. Com mais curiosidade do que juízo, respondeu:

_Já vou!

A senhora não revelou muito enquanto as duas caminhavam. Lúcia estava calada de medo, pensando que aquela não havia sido uma decisão tão sábia. Embora soubesse que poderia sair correndo, alguma coisa a obrigava a continuar acompanhando a mulher. Entraram em uma rua sem saída, sem casas e sem postes. Lúcia nem conseguia lembrar o caminho que haviam feito para chegar ali. A senhora diminuiu o caminhar e se virou:

_Pronto, agora é só esperar. Eu já vou indo, nos vemos depois, coisinha linda.

Por algum tempo, Lúcia acreditou estar sozinha ali naquela rua, até o momento que percebeu que havia alguma coisa na escuridão. Ela poderia ter se apavorado, mas, quando conseguiu reconhecer a coisa em si, só sentiu perplexidade.

Não havia como descrever o que estava vendo. A coisa caminhava em sua direção, mesmo que visivelmente não possuísse pernas ou pés e, ainda assim, parecia nem estar saindo do lugar. Quando Lúcia tentou entender do que a coisa era feita, pele ou pelo, se deu conta que poderia ser de qualquer coisa: tecido, plástico, capim, chiclete ou madeira, não havia como dizer. Da mesma maneira, seu rosto era indecifrável, podia ser um peixe, um lobo, um humano, todos juntos ou nenhum desses.

_Olá, Lúcia – a criatura soou de maneira incômoda, como se o ar não fosse o suficiente para abrigar aquele som.

_Olá – respondeu a menina descrente que houvesse sido ela mesma quem havia respondido.

_Meu nome é … – e Lúcia não conseguiu entender o que a coisa disse – Eu sou a essência de tudo.

_A essência de tudo?

_Tudo que existe no seu mundo é parte de mim. Sou os pássaros, as baleias, os seus pensamentos e tudo mais que existe aqui. O seu mundo é uma desconstrução de quem eu sou.

A garota não conseguiu pensar numa resposta para aquilo, então não disse nada.

_Por muito tempo, eu não consegui entender quem eu sou, e a verdade é que eu ainda não entendo realmente. Então, comecei a separar as coisas, até que um dia aconteceu algo inédito. Cada vez que eu pensava em algo para tentar classificar, se materializava na minha frente. De repente eu estava cercado de coisas que me construíam e resolvi criar um espaço para guardar essas coisas, que é o seu mundo.

A menina assentiu.

_Quando eu trouxe os humanos, vocês me ajudaram a entender muito mais além do que eu sabia que existia em mim. É meio confuso, por exemplo, embora a tecnologia seja uma criação de vocês, de certa maneira ela ainda é criação minha. Porque eu sou todos vocês. Faz sentido? – a coisa não esperou por resposta – Você também sou eu, por isso eu sei que você aceitará o pedido que eu vim fazer: eu preciso que você me acompanhe numa aventura.

Lúcia pensou haver um certo divertimento na fala da coisa, mas não conseguiu ter certeza. Ela não sabia se realmente tinha uma escolha ali, pensou em falar sobre a preocupação que o seu sumiço causaria, mas a coisa se adiantou:

_Oras, eu sou o tempo também.

_Se é assim… – disse Lúcia dando ombros, sentindo-se encurralada.

A menina ficou esperando alguma reação da coisa, mas nada aconteceu, passaram minutos e a coisa continuava imóvel sem dizer nada. Já não havia nem mais frio na barriga. Incomodada, Lúcia deu um passo para o lado e precisou fechar os olhos com a claridade que os invadiu. Na medida que foi se acostumando com a luz, se deu conta que estavam em um grande salão branco, vazio e claro. Não haviam janelas, nem luzes, nem paredes, ele simplesmente era iluminado, chão e teto brancos, sem fim.

_O que é isso?

_Hm – respondeu a coisa – eu suponho que seria a minha casa.

_E por que nós estamos aqui?

_Porque é assim que vamos chegar ao lugar que estamos indo, a minha casa também é o meu meio de transporte, acho que vocês chamam isso de motorhome, não?

Lúcia viu que literalmente aquilo se aplicava, embora não estivesse completamente convencida do uso nesse caso.

_Falta muito?

_Nós chegamos já faz um tempo, eu só estou esperando por você.

Quando Lúcia deu um passo para ver se havia algo atrás dela se viu no meio de uma multidão de coisas. Um pequeno pânico se acomodou atrás das costelas de baixo da menina, mas ela se conteve. Ficou observando as coisas ao seu redor e percebeu que, embora visivelmente fossem todas coisas, elas não eram tão indefinidas quanto a coisa que a havia trazido até aqui.

Algumas das coisas tinham cores, outras tinham cheiros, texturas, rostos e Lúcia desconfiou que até sabores elas poderiam ter.

_O que é esse lugar?

_É o centro de uma das maiores cidades do mundo.

A sensação que Lúcia tinha era que a cada nova coisa que ela via e entendia, aparecia uma outra para ela absorver. Não só as criaturas, mas também edifícios, cores, ruas, árvores, caixinhas de correio e outras mais. Quase como um quebra cabeça onde você primeiro resolve uma peça para depois analisar a outra.

_Tem coisas aqui que são muito parecidas com as de lá. Se não fosse você e essas outras coisas, eu poderia achar que estava andando numa cidade comum.

_Claro – respondeu a coisa – essa cidade faz parte de mim, da minha vivência. É natural pensar que ela serviria de referência para minha consciência (no caso, vocês, humanos). Mas muito do que foi criado lá, não existe aqui.

Aquilo fez sentido para Lúcia.

_Onde estamos indo? O que nós vamos fazer?

Lúcia sabia a resposta, então deu um passo para o lado e estavam dentro um teatro.

_É um concurso – a coisa disse risonha (ou foi o que Lúcia achou) – A tarefa é trazer algo criado por nós.

Aquilo era empolgante.

_Uau! E o que você trouxe? Eu preciso te ajudar a montar? Por isso estou aqui?

A coisa não respondeu, apenas escolheu um lugar para sentar e sinalizou que Lúcia sentasse ao lado. O concurso já estava em andamento e no palco havia uma chuva de um doce estranho, essa foi uma das coisas mais interessantes que ela viu por algum tempo. Depois disso, apareceu um travesseiro, seguido por uma piada, uma valsa, um pulverizador, um jogo de tabuleiro, um aplicativo e umas quinze coisas que Lúcia não conseguiu entender ou ver.

Não havia uma regra muito bem elaborada, e pelo que Lúcia entendeu, o concurso vinha acontecendo há dias. Ela acabou ficando bem frustrada, achou que aquilo fosse ser muito mais incrível do que estava sendo.

Foi quando uma das coisas subiu ao palco com um pedaço de tecido, o apresentou e, de repente, jogou o pano por cima de si, vestindo-o como uma capa. Lúcia quase morreu do coração, de um segundo para o outro o auditório delirou, assovios, pios, urros, palavras, vários sons indecifráveis. Por um certo tempo, Lúcia tentou entender o que havia de tão especial na capa. Então, notou ser a primeira vez que as coisas interpretavam o tecido como uma peça de roupa, Lúcia ficou atônita com a constatação. A coisa que estava no palco podia ser descrita como um peixe com penas gelatinosas e estava nitidamente contente com a aprovação da plateia. A coisa peixe agradeceu e desceu do palco para um mar de aplausos borbulhantes.

_É quase a nossa hora – disse a coisa para Lúcia – já podemos ir para o palco.

_O que você trouxe está lá embaixo? – perguntou se levantando e seguindo a coisa.

_Ainda não, mas vai chegar logo, logo.

Conforme caminhavam, Lúcia percebeu que ela estava recebendo muitos olhares curiosos das outras coisas, como se fosse um extraterrestre. Foi então que se deu conta: ela era a coisa que a sua coisa havia trazido para o concurso. Aquele pensamento a divertiu, ela era uma coisa no mundo das coisas. Sentimento que foi logo suprimido pelo pânico:

_ O que eu tenho que fazer? Cantar? Dançar? Tocar algum instrumento? Eu sou péssima em público! – pensou desesperada.

Quando se deu conta, já estava no palco. O salão estava mudo e ela, suando frio. Uma das juradas falou algo que Lúcia não conseguiu entender, era o nome da sua coisa, e completou a fala:

_ O que é isso?

_Bom, essa é Lúcia e ela é um pedaço da minha consciência.

Um murmúrio percorreu o auditório, morrendo quando chegou ao fundo.

_Como vocês podem perceber, eu ainda não sou definido – disse a coisa apontando para si – e, por muito tempo, eu venho tentando me entender para me definir. Nessas tentativas, um dia eu simplesmente consegui começar a separar e exteriorizar o que havia dentro de mim – a coisa fez uma breve pausa – Quando me dei conta, já existia um mundo inteiro. A Lúcia é uma das criaturas que representa a minha consciência, mas como ela existem muitos. Todas as vezes que eles aprendem, eu aprendo, quando eles descobrem, eu descubro, quando debatem uma ideia eu formo meus argumentos e assim por diante. É como se eu pudesse assistir tudo o que se passa dentro da minha cabeça. Uma TV do meu próprio cérebro.

Pediram para Lúcia contar sobre o seu mundo e ela contou, respondeu, fundamentou. A plateia tinha muitas perguntas também e Lúcia lidou muito bem com todas elas.  O ganhador do concurso foi, obviamente, a roupa. A coisa, no entanto, não estava chateada (ou pelo menos Lúcia achou que não). A impressão que ficou foi que ganhar nunca havia sido o objetivo. O que a coisa realmente queria era colocar o assunto em debate e isso ela conquistou com mérito. De tudo o que Lúcia vivenciou naqueles dias, apenas uma coisa realmente ainda precisava entender:

_Por que eu?

A coisa pareceu achar graça, ou pelo menos foi isso que Lúcia achou.

_Oras, porque de todos os pedaços de consciência que existem, você foi o único que pensou em mim.

20 comentários em “Lúcia no Mundo das Coisas (Shay Soares)

  1. Gustavo Araujo
    28 de março de 2019

    Resumo: garota que tem uma relação pessoal, quase obsessiva, com a palavra coisa, um dia vai parar numa espécie de reino paralelo onde a própria coisa ganha vida, e faz dela, a garota, sua própria coisa.

    Impressões: um conto com forte pegada infanto juvenil que brinca com nossas manias. Neste caso, com a palavra coisa e suas múltiplas funções. Seria mais ou menos como se o Carlos Moreno fosse parar no mundo do Bom-Bril e virasse ele mesmo uma palha de aço nas mãos de um Bom Bril gigante. Não deixa de ser um exercício bacana de imaginação. Essa criatividade, aliás, é o que torna o conto diferente entre os demais, já que não apela ao enredo surrado das batalhas e dos seres mitológicos. Não obstante, achei a narrativa um tanto longa para o universo a que se destina. Creio que se fosse cortada não se perderia a essência, reforçando-se, ao contrário, o recado de suas várias possibilidades de interpretação. De todo modo, parabenizo o(a) autor(a) pela mente fértil. Boa sorte no desafio.

  2. Ana Carolina Machado
    28 de março de 2019

    Oiiii. Um conto sobre várias coisas(tendo até a essência de todas as coisas) e uma menina chamada Lúcia que tem uma fixação pela palavra coisa, querendo a usar em todos os tipos de frases em que dê para a usar como substituta de outra palavra. Devido a fixação dela pela palavra coisa ela acaba conhecendo o ser que é a essência das coisas e é levada para um concurso em que tem a chance de falar sobre o mundo dela. No fim a criatura explica que escolheu a garota porque ela de todos os outros era a única que pensava nele, isso faz voltar a frase daquela senhora que diz que ela era uma coisa muito preciosa. Achei o conto bem legal, mas acho que poderia ter colocado algumas perguntas que as criaturas do concurso fizeram para a Lúcia e a reação as respostas dela. Acho que seria interessante para entender melhor o mundo deles e a fazer um paralelo entre os mundos. Achei o enredo bem criativo. Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  3. Estela Goulart
    25 de março de 2019

    Resumo: Lúcia é uma menina que tenta descobrir a essência da palavra “coisa”. Depois que alguns acontecimentos estranhos lhe encontram, uma senhora a leva para conhecer a “Coisa”, a essência de tudo. Com uma viagem, entram no mundo das coisas (uma cidade diferente) e em um auditório maluco, onde um espetáculo de absolutamente tudo acontece. Lúcia responde às perguntas da platéia com o seu amigo “coisa”, e explica sobre o seu mundo. Ela foi a única a pensar na coisa.

    Comentários da história: no início, achei curiosa. E ao longo da progressão me vi em dúvida sobre a palavra coisa. É muito indefinido para que eu pudesse definir alguma situação, mas acho que foi essa a sua intenção. Foi uma história bem formada, simples, sem muitos acontecimentos extravagantes e linear. Uma boa história.

    Comentários da narrativa: fluiu bem, você foi sucinto e bem específico, na medida do possível se tratando da palavra “coisa”.

    Comentarios da gramática: nada a interferir na história. Bem revisado.

  4. Gustavo Azure
    25 de março de 2019

    RESUMO: Lúcia é obcecada em como a palavra “coisa” pode se enquadrar em várias, senão todos, contextos, até que um dia a própria coisa chega a ela.

    CONSIDERAÇÕES: Interessante e inesperado. A descrição da coisa, seja no momento filosófico ou físico (que acaba por ser quase uma “não-descrição”), desconstrói a ideia do exagero das formas das divindades, apesar de a incompreensão ser uma característica comum a elas.

  5. Elisa Ribeiro
    24 de março de 2019

    Lucia é uma garota obcecada pela palavra “coisa” por sua aplicabilidade a múltiplos contextos e coleciona exemplos dessa aplicabilidade em três volumes que logo se tornam quatro. Após um encontro com uma misteriosa senhora, coisas estranhas começam a acontecer com Lúcia. Certo dia essa mulher a leva ao encontro de um ser estranho que leva Lucia a um concurso de criações produzidas por outros seres, tal como ele, estranhos. Lucia é apresentada como uma criação do ser estranho e se sai bem no concurso, embora não seja a vencedora.

    Trata-se de um conto de fantasia. Gostei da ideia da garota obcecada por uma palavra e também do momento em que começam a acontecer as coincidências, mas confesso que não consegui captar o que seria o tal “coiso” que ela encontra, tampouco o sentido do tal concurso, ou a conexão do “coiso” com o resto do mundo. Resumindo, gostei bastante do começo do conto até o aparecimento do coiso, a parti desse ponto me desengajei, infelizmente, da história.

    Sua narrativa é consistente e não observei problemas com a linguagem.

    Boa sorte e sucesso! Um abraço.

  6. Paulo Luís
    22 de março de 2019

    Olá, B. Corina, boa sorte no desafio. Eis minhas impressões sobre seu conto.

    Resumo: Uma jovem é aficionada pela palavra “Coisa”. O que a leva a uma quase obsessão (Aficionado: Indivíduo que gosta em excesso de alguma coisa). O que a faz colecionar uma infinidade de frases, onde a palavra coisa substitui, se adequando sem prejuízo de entendimento. E como pesquisa, para descobrir novos termos, passa a criar situações no dia a dia com as pessoas. Até que um dia encontra uma certa “coisa” misteriosa e muda o sentido das “Coisas”. Tornando-se o Eu (o espírito) da gramática?

    Gramática: Uma leitura que flui muito bem. Percebi apenas alguns probleminhas de descuido de digitação. Nada que uma revisão mais atenciosa não resolva.
    Tema/Enredo: Muito bom essa brincadeira com a gramática. Quando bem trabalhado sempre rende bons resultados, como é o caso deste maravilhoso conto, onde a autora (Corina), o faz com muita competência e muita graça. O desenvolvimento da trama é conduzido com firmeza. Cujas situações muito bem arquitetadas, são o ponto forte na construção do enredo. Pelo jeito quem vai ver a “coisa” preta são os concorrentes.
    (Também já fiz um texto com essa ideia de brincar com a gramática, “Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo feminino muito bem definido, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal…”

  7. Cicero Gilmar lopes
    21 de março de 2019

    Alguns contos são bem difíceis de resumir , este por exemplo, explora a obsessão de Lúcia pela palavra COISA, tão forte que a COISA se materializa, primeiro através do encontro com a mulher das faces ossudas, depois com a própria. Elas viajam para uma realidade paralela ou o mundo das COISAS e participa de um concurso para apresentações de COISAS e Lúcia descobre que também é uma COISA.

    Considerações: O mundo exige definições, que se estabeleçam conceitos, que tenhamos uma opinião formada sobre tudo. Mas no final somos todos metamorfoses ambulantes( thanks Raul!), assim, creio que a contradição entre o que o mundo exige e o que somos, seja o assunto do conto. Se minha percepção não falha é o primeiro que traz uma mensagem por trás da narrativa. Gostei.

  8. Fernanda Caleffi Barbetta
    20 de março de 2019

    Resumo
    Lúcia era uma menina que gostava de pensar sobre o vasto uso da palavra coisa em seu cotidiano. Já havia preenchido 3 livros com exemplos deste uso e sempre pedia aos amigos que sugerissem temas para que ela pudesse imaginar situações em que a palavra coisa fosse capaz de substituir o objeto sem causar estranhamento. Um dia, ela quase esbarra em uma senhora que pega em seu braço e diz que ela é uma coisa muito especial. Logo em seguida, outras pessoas se dirigem a ela de maneira estranha. Então, a senhora reaparece e a leva ao encontro de uma criatura que disse ser a essência de tudo o que havia no mundo de Lúcia, a união de todas as coisas que ela podia imaginar, a consciência do mundo. Esta criatura leva Lucia a uma espécie de teatro, onde outras criaturas participam de um concurso para apresentar coisas à plateia e aos jurados. Lucia enfim descobre que é a coisa a ser apresentada pela essência do mundo. Lúcia fala sobre seu mundo e ganha a atenção de todos, apesar de perder o concurso. Ao questionar sobre a escolha dela dentre tantas outras pessoas, a Coisa diz que ela havia sido a única que havia pensado nela.

    Comentário
    Gostei da ideia do texto.
    Usar travessão no lugar de underline nos diálogos.
    Me incomodou o uso da palavra admiração neste trecho: “Era um passatempo, uma admiração.”
    Achei um pouco contraditório o uso de agarrou gentilmente: “mas a senhora agarrou gentilmente o braço de Lúcia.”
    A pontuação neste trecho deixou a compreensão um pouco prejudicada: “_Nada. Sabe quando uma coisa muito inesperada acontece e você fica com cara de tonta encarando o ar? – Lúcia riu – Então: fui eu.”
    Este trecho também ficou confuso: “A coisa caminhava em sua direção, mesmo que visivelmente não possuísse pernas ou pés e, ainda assim, parecia nem estar saindo do lugar.”
    Aqui, o uso incorreto da conjugação também atrapalha a leitura: “respondeu a menina descrente que houvesse sido ela mesma quem havia (houvesse) respondido.
    Em vários momentos, senti falta da preposição: “até o momento (em) que percebeu”. “dando (de) ombros”. “Na medida (em) que foi se acostumando”. “se deu conta (de) que estavam”. “chegar ao lugar (em) que estamos indo”. A sensação que Lúcia tinha era (de) que a cada nova”. “estavam dentro (de) um teatro”. A impressão que ficou foi (de) que ganhar.”
    Este trecho também acredito que ficou confuso: “a coisa que a havia trazido até aqui. (levado até lá)
    Não haviam (havia) janelas
    A explicação entre parênteses deixou o texto sem sentido “É natural pensar que ela serviria de referência para minha consciência (no caso, vocês, humanos).

  9. Felipe Takashi
    18 de março de 2019

    Sinopse: Lúcia é uma jovem com uma estranha tendência: catalogar coisas, chegando ao cúmulo de ter verdadeiras enciclopédias onde registra desde nome de pessoas e objetos, ações humanas e fenômenos da natureza. Em um momento, Lúcia se depara com a coisa mais esquisita da sua vida, ela acabará lhe revelando ainda mais coisas.

    Comentário: A autora começou brincando com a obsessão da personagem, mas depois enveredou pela fantasia. Eu acho que foi uma perda, pois nesse momento a história se tornou estática, até mesmo os personagens não só falam isso, como demonstram. Apesar do conto ser curto, foi arrastado do meio pro fim.

    Lista de contos Felipe Takashi

    1º – A Dama Rubra
    2º- O Dia Em Que Acordei Morto
    3º – Betiron, um Reino
    4º- Os Dois Lados da Penteadeira
    5º- Dezembro
    6º – Sensitu
    7º- Uma Canção Para Nara
    8º – O Animalismo
    9º- Lúcia no Mundo das Coisas
    10º- Passageiro 3J
    11º- Apenas Um Dia Comum

  10. Michele barão crot
    10 de março de 2019

    A personagem usa a palavra coisa em toda a sua extensao, de forma simples e criativa.

    Leitura muito atraente. Eu trocaria o nome do conto.

  11. Elisabeth Lorena Alves
    10 de março de 2019

    Para mim, que tenho fixação com palavras, é um texto divertido!

  12. Elisabeth Lorena Alves
    10 de março de 2019

    Lucia no mundo das coisas
    Resumo – Uma mulher intrigada com a palavra coisa, desperta um ser amorfo que a leva para outra dimensão, para participar de um concurso de pertences inovadores (coisas) e acaba descobrindo que ali a coisa é ela, que na verdade é gerada por esse ser criador de todas as coisas, que se ressignifica à partir do conhecimento das coisas-pessoas que ele criou e do que se materializa à partir de suas próprias descobertas.
    Interessante é que por esse Conto entende-se que ser Coisa depende muito do ponto de vista do outro.
    Comentário.
    Texto bom, grande, não cansativo. Seguiu bem a ideia do objeto a que se propôs, a ideia de coisa.

  13. Vera Marta Reis
    9 de março de 2019

    Resumo:
    Lúcia no mundo das coisas. (Bom. Corina)
    Admira a palavra coisa que se aplica a infinidade de situações.
    Pessoa, alimentos, objeto, peça musical, xingamento.
    Coisa estranha acontece, uma pedrinha jogada no vidro, mulher enigmática,
    Caminha ela.chama coisinha linda, coisa importante.
    O coisa: parte de mim , desconstrução do que sou, essência de tudo. Multidão de coisas, indefinidas, sons,cheiro,textura, sabor
    Lúcia, pedaço de consciência que pensou nele.

  14. anasophyalinares
    8 de março de 2019

    Uma moça tenta encontrar uma definição certa para coisa, sem entender que ela própria é uma coisa criação de outra coisa, tipo Deus, que criou tudo o que há no mundo.
    Adequação ao tema: Está bom, no campo da fantasia. muito original. diria, até, que neste momento me encontro dividida sobre qual tema deve ser, para mim, o numero um.
    Aplicação do idioma: Muito bom.
    Técnica: Muito bem construído, a definição de coisa, desconstrói-se e envolve-nos.
    Trama: Muito boa, amei.
    Impacto: Muito bom.
    nota 5.

  15. LUCIANO
    7 de março de 2019

    RESUMO:
    Uma menina intrigada com a versatilidade da palavra “coisa”. Descreve alguns destas suas percepções no uso desta palavra.
    Depois parte para uma aventura mística que beira a ficção.
    Recebe um chamado de uma velhinha, ao que parece, apenas uma informante. Parte rumo a um evento que no final ela descobre ser um objeto do concurso. Num misto de Deus e Cosmos, um ser indecifrável lhe aparece e revela um novo universo, que ao que parece, tem ele como origem.

    CONSIDERAÇÕES:
    A trama é interessante, apesar de causar uma confusão, misturando o mundo de Lúcia e um outro mundo do qual o ser que originou o mundo de Lúcia é mais um participante apenas.
    Porém neste mundo existem interferências de objetos do mundo de Lúcia. A coisa é confusa.

  16. Fabio Monteiro
    3 de março de 2019

    Resumo: Lucia…uma garota com verdadeira fixação pela palavra coisa.
    Movida e motivada pela palavra, ela foi percebendo que tudo a ligava a coisa. Percebeu que era uma destas coisas quando participou de um concurso com nada menos que varias coisas.
    De todas as coisas de seu texto a que ganhou uma definição própria fora a capa que usara no concurso projetado pela sua consciência.

    Comentários: Nunca, jamais em minha vida pensei em usar a palavra coisa como objeto central de uma narrativa.
    Eram tantas coisas que ficou cansativo.

  17. Cirineu Pereira
    3 de março de 2019

    Resumo
    Lúcia é obcecada pela palavra “coisa” e suas infinitas possibilidades enquanto sinônimo de tantos outros substantivos, até que começa observar estranhos incidentes em que a palavra é mencionada por terceiros em seu dia, nos contextos mais peculiares, aparentando ser mais que uma mera coincidência. Certa noite uma senhora chama Lúcia da janela do quarto da menina e a conduz ao “mundo das coisas”, no qual um estranho concurso se desenrola.

    1. Aplicação do idioma
    Domínio pleno do idioma, vocabulário preciso, eficaz, sem excessos, mas menções especiais de estilo ou figuras de linguagem.

    2. Técnica
    Escrita fluída e fácil, ainda que sem um traço de estilo destacável, incapaz de incitar o leitor por virtudes particulares da verve narrativa. Em suma, uma escrita eficaz, mas econômica em recursos literários.

    3. Título
    Adequado.

    4. Introdução
    Eficaz, a particularidade do uso da palavra “coisa”, usada em substituição a outras palavras, quando estas fogem da memória, é comum à maioria dos leitores e basta para que nos identifiquemos imediatamente com a protagonista.

    5. Enredo
    Criativo e adequado, apesar de remeter a histórias consagradas de crianças em mundos de criaturas exóticas.

    6. Conflito
    Pouco eficaz, apesar de ser levada para um mundo estranho, a personagem não esboça medo, desejo ou ansiedade sobre o retorno para o seu lar.

    7. Ritmo
    A dinâmica inicial é boa, porém a trama demora a deslanchar, fazendo-se por vezes morosa demais. Há uma relativa frustração face à pobreza do clímax e mesmo em relação ao arremate.

    8. Clímax
    A pobreza do clímax é inerente à natureza superficial do conflito, a protagonista não vivencia propriamente um problema a ser resolvido.

    9. Personagens
    Tem-se a sensação de alternância, ou ao menos perda de valor, dos protagonistas. Na segunda parte do conto, Lúcia e a “coisa” praticamente se equivalem em importância no conto. Há pouca valorização da individualidade da protagonista, cuja individualidade fica praticamente relegada a um segundo plano com o desenvolvimento do enredo. Lúcia logo perde o carisma que começa a despontar quando dos diálogos com a mãe. Ao meu ver, o autor falha ao dar pouco ênfase ao perfil psicológico da protagonista e demais personagens.

    10. Tempo
    Não há delimitação útil do tempo.

    11. Espaço
    Há uma razoável delimitação dos cenários, porém o texto não é o bastante rico em descrições de forma a transportar o leitor para as cenas.

    12. Valor agregado
    Não há crítica social implícita, talvez uma menção ao caráter pessoal dos concursos decididos por juri ou platéia. Um conto um tanto infantil e que não incita maiores reflexões.

    13. Adequação ao Tema
    Totalmente adequado ao tema Fantasia.

  18. Roque Aloisio Weschenfelder
    1 de março de 2019

    Lúcia tem um caso com a palavra coisa. Por isso, ela passa pela peripécia de discutir com a mãe, com as pessoas, com as coisas do seu pensamento.

    O texto é um conto interessante, pois o conflito é de Lúcia com ela mesma para resolver o problema da coisa das coisas, a vida amimada, ou não, de tudo que é coisa. O(a) autor(a) apenas comete um equívoco usando o traço de sublinhar _ em vez do – ou do — no início e final dos diálogos. Há outros pequenos quês estilísticos, mas nada que compromete. Gostei do conto.

  19. Virgílio Gabriel
    23 de fevereiro de 2019

    Lúcia é uma garota fascinada pela palavra “coisa”, e tenta aplicá-la em qualquer situação. Porém, o mundo começa a ficar estranho quando pessoas conhecidas, e até desconhecidas, começam a usar a palavra diretamente para ela. Em certo momento, uma velhinha a leva até uma espécie de monstro, que é a Coisa que gera todas as coisas. Ele a leva para um mundo de outros monstros, ou seja, outras Coisas. Incrivelmente, tudo que Lúcia conhece de mundo, e tudo mais, vem da mente dessa coisa (monstro). Nesse mundo das Coisas, está havendo uma competição, onde elas apresentam coisas que possam surpreender as Coisas. Lúcia é a coisa do seu monstro (Coisa). Infelizmente, eles perdem a competição para um monstro que apresentou uma capa, e que causou euforia, já que aquelas Coisas não sabiam que era possível se vestirem. No fim, Lúcia mata a sua curiosidade em saber do porque fora escolhida para ser a coisa da sua Coisa. É que ela foi a única a pensar nele, na Coisa.

    Melhor conto que li até o momento. Usou do tema fantasia de maneira inteligente e criativa. Não há erros perceptíveis de gramática. Deve ter sido bem difícil escrever tantas vezes a palavra “coisa”, sem deixar o conto confuso. O texto flui bem, é gostoso de ler. Dá vontade até de saber mais sobre esse mundo das Coisas.

    Parabéns, espero que passe para a outra fase.

  20. Felipe Takashi
    20 de fevereiro de 2019

    Sinopse: Lúcia é uma mulher que criou uma obsessão verbal com a palavra “coisa”, inclusive catalogando-a em diversas situações. Um dia ela encontra um ser que pode responder algumas das suas indagações sobre coisas.

    Considerações: não se começa diálogos com underline e sim com travessão. A obsessão de Lúcia com a palavra parecia ser mais interessante do que o resultado final. Achei o conto muito pouco dinâmico, quando até os personagens hesitam em promover ações dentro da história veja… é o tipo de fantasia que me empolga muito pouco.

    Nota: 2

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Informação

Publicado às 17 de fevereiro de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 1, Série C-Final, Série C2 e marcado .