EntreContos

Detox Literário.

A Cidade Debaixo D’água, a Porta Trovadora e o Homem que Roubou o Luar (Fabio D’Oliveira)

 

Seu nome era Trinus. E desde que se entendia por gente, vivia naquela casa com sua querida avó. Não era muito grande, mas servia para eles. Dois quartos, uma sala, uma cozinha, um banheiro e uma boa varanda. Tinha tudo o que precisava: televisão, comida, bebida, produtos de limpeza e higiene. Só tinha um detalhe: a moradia ficava debaixo d’água. Tudo o que tinha, de fato, aparecia do nada.

— Esse é um lugar mágico, onde podemos viver em paz — explicava a anciã.

Era feliz. Então por qual motivo sentia certa inquietação? Era um mistério, tão grande quanto a vida em si.

Seu local favorito era a sacada, um perfeito retângulo de vidro firme. Vivia numa cidade submersa. Seu quarteirão era belo, com algas tão grandes que poderiam simular uma verdadeira árvore. Gostava de observar as outras casas e seus moradores, tão alheios ao mundo exterior. Achava engraçado como cada pessoa tinha suas particularidades e manias. Quando ficava muito entediado, brincava de contar os peixes. Sempre se perdia no cálculo, pois era muito distraído, mas o que importava era a brincadeira em si, não os resultados. Às vezes, perdia-se olhando para cima, para a superfície, que ficava relativamente perto. Era tão atraente…

— Você conhece o mundo, vovó? — perguntava com frequência.

— Querido, não pense muito nisso — aconselhava ela, fazendo um leve cafuné. — A vida é muito mais fácil aqui.

Não podia negar: tinha tranquilidade naquela cidade. Por muito tempo, os dias foram passando, vagarosos, levemente entediantes, mas pacíficos. Passava o dia inteiro na varanda. E, de noite, assistia seus programas favoritos, pois era quase impossível enxergar algo do lado de fora.

Talvez, se aquele visitante inesperado não tivesse aparecido, Trinus teria passado a vida inteira naquela casa. Tinha acabado de acordar e estava comendo uma torrada com geléia de morango — seu favorito!

 

Toc, Toc!

 

Continuou a mastigar. Sua imaginação era bem fértil, então resolveu ignorar.

 

Toc, Toc!

 

Parou de moer o pão e prendeu a respiração.

 

Toc, Toc!

 

Largou tudo e correu até a sala. Alguém estava batendo na porta! Isso era uma novidade.

— Vovó! Tem alguém batendo na porta! — gritou enquanto corria até seu quarto e se armava com um bastão.

— Ah, bobinho, guarde isso, não tem perigo. Deixa eu atender.

Em passos lentos, a anciã se aproximou da porta e a abriu. A água não invadiu a residência, manteve-se do lado de fora, e um homem, vestindo um enorme sobretudo negro com capuz, entrou.

— Oh, Deus, quem diria… — sussurrou ela, levando as mãos à boca. — Querido, vá para seu quarto, preciso conversar sozinha com nosso visitante.

Fechou a cara. Não gostava de ser excluído de nada. Tentou escutar por detrás da porta, mas não ouviu uma palavra sequer, apenas o barulho de armários e gavetas se abrindo e fechando.

— Trinus, venha pra sala! — chamou sua avó após alguns minutos. E continuou ao vê-lo sair de seu aposento e andar aborrecido em sua direção. — Meu amor, preciso ir embora. Mas não se preocupe, vou para um lugar melhor e nos encontraremos no futuro. Você é grande e forte, já. E, vivendo aqui, não precisa se preocupar com nada.

O menino não conseguiu falar nada. Preso numa tormenta de emoções, correu até seu quarto, bateu a porta com força e chorou — por muito tempo. Mais tarde, além da saudade, formou-se o arrependimento, pois uma despedida inevitável que poderia ser bela, tornou-se feia.

A vida continuou. A ferida cicatrizou. Parou de doer. E aquela antiga inquietação, tão íntima, cresceu com o passar dos dias. Observar a vizinhança era entediante. A televisão se tornou obsoleta. Ficava andando pelos cômodos, dando voltas e voltas, sentindo-se vazio e incompleto. Aquela casa se tornara pequena demais para ele.

Não tinha outra solução: precisava abraçar o desconhecido! Armou-se com o que era necessário. Mochila impermeável, roupa de mergulho, snorkel e pé-de-pato. E, claro, um gordo pacote de torradas e sachês de geléia de morango! Passeou vagarosamente por cada aposento da casa. Reviveu, em mente, cada momento de alegria que teve naquele lugar. Suspirou.

— Adeus, meu lar…

Abriu a porta, hesitante. Achou engraçado como a água reagia ao seu toque: parecia uma gelatina, sabor tutti-frutti, azul e ondulante. Mergulhou, numa larga passada, sentiu frio e calor, numa mistura de tristeza e alegria. Nadou, para cima, nadou, batendo os braços como aprendeu na televisão, nadou, rumo ao novo, nadou, sem parar.

Num ponto, lembrou-se de olhar para trás. A cidade era pequena, sim, mas bela. Sentiu um brusco aperto no coração. Estava deixando para trás tudo que conhecia. A partir daquele momento, estava sozinho. O conforto tinha sumido. O forte impulso de voltar quase o dominou, mas continuou nadando em direção à superfície. Mesmo que se arrependesse, precisava fazer aquilo.

Nadou tão rápido, tão forte, que sentiu uma intensa tontura quando alcançou o desconhecido. E viu o mundo girar. Ofegante, boiou a esmo, pois estava mui cansado. Alcançou a margem, sem querer, e arrastou-se até solo seguro. Sentiu a textura da terra pela primeira vez. Abraçou-a. E quando se recuperou, levantando com certa dificuldade, teve o vislumbre do misterioso mundo! Montanhas e mais montanhas. Verde, tão vivaz. E um lago, onde os contornos de um cidade desenhavam seu fundo. Nada impressionante, sentiu até uma pontada de decepção, mas logo percebeu a verdadeira beleza de tudo aquilo. O som da natureza, a água se mexendo delicadamente, o vento acariciando seu rosto molhado. Tinha tomado a decisão certa.

Trocou de roupa, encontrou um caminho e pôs-se a segui-lo. Era uma trilha bem delineada, com placas de sinalização e postes de iluminação. Não muito longe do lago, encontrou uma pousada. Entrou com certa hesitação.

— Boa tarde! — cumprimentou a mulher na recepção, largando um caderno e focando-se no visitante.

— Boa tarde… — devolveu Trinus, tímido. — Bem, eu…

Engasgou-se nas palavras. Ela riu. Analisou-o. Notou que estava molhado e cansado. E gargalhou.

— Já sei, já sei! Você acabou de sair da cidade do lago, né?

— Ah, sim. Como sabe? — perguntou ele, curioso.

— É meio óbvio. Você não é o primeiro… Acabei me acostumando com o vai e vem de pessoas, algumas querendo entrar, outras sair.

— Sério? Nunca vi ninguém novo por lá.

— Você acredita apenas naquilo que consegue ver? — questionou ela. — Bem, não se preocupe. Explico como o mundo funciona, então passe a noite aqui. Mas te aviso, vai precisar trabalhar pela sua estadia. Essa é um detalhes da realidade: nada é de graça. Precisa de dinheiro para tudo. Pode me chamar de Melody!

Trinus aceitou aquela oferta de bom grado. Naquele dia, em especial, lavou a louça e varreu a casa. Aquilo bastou para a mulher, que, desinibida, convidou o rapaz para uma longa conversa na varanda enquanto observavam o fim da tarde. Descobriu que o mundo passava por uma intensa crise: a luz da Lua havia sido roubada e as noites se tornaram mais escuras ainda. Os demônios, que viviam nas trevas, estavam se aproveitando daquela situação.

— Nunca saia de noite. Ou você conhecerá o inferno.

Aquilo entristeceu o menino. Trancaram tudo no crepúsculo. Não viu quando o véu da noite engoliu a estalagem. Sentiu, porém, quando aconteceu. Escutava, ao longe, risadas guturais. Viu, por um momento, alguns olhinhos vermelhos o observando pelas frestas da janela. Tinha uma sensação ruim: parecia estar em perigo. Mas o pior de tudo era aquele choro, tão pesaroso, que ecoava pelas montanhas. Tentou dormir, mas não conseguiu. Agoniado, ele subiu até o sótão. Abriu a pequena janela e olhou ao redor. Nenhuma imagem assombrosa por perto.

— Psiu… É você que está chorando, Lua?

O lamento cessou por alguns instantes. E então uma forte ventania se formou. A Lua apareceu acima da pensão, com seus grandes olhos bem delineados e boca carnuda. Estava com a maquiagem borrada.

— Sim, pequeno humano. Sou eu.

— Por que chora tanto?

— Não é óbvio? Fui roubada! Tomaram o bem mais precioso que tinha, que usava para iluminar tudo e trazer segurança para todos.

— E você sabe quem te roubou?

— Claramente. Foi um homem, sim, um tanto egoísta: insistia em me chamar pra perto, todas as noites, exigindo que ficasse apenas na sua região. Há algumas semanas, infelizmente, atendi seu chamado mais uma vez e fui pega desprevenida. Ele capturou minha luz num frasco especial e escondeu-se numa casa não muito longe daqui.

— E por que ninguém te ajuda?

— Ah, pequeno humano, todos estão com medo. O lugar é isolado. Aqui, que é perto, já demora meio dia de viagem. E os demônios são cruéis. Ninguém quer se arriscar…

— Hum…

Trinus pensou por alguns minutos. Sentia-se mal pela Lua. Estava com medo, mas decidiu que precisava mudar. Tinha que ser mais forte.

— Lua… Eu vou recuperar sua luz.

— Não brinque comigo, já estou fragilizada com tudo que aconteceu.

— Nunca faria isso. Diga-me, como chego no esconderijo do ladrão?

— É fácil. Se sair no amanhecer do dia e seguir a Trilha das Montanhas, chegará perto do anoitecer. Terá que ser rápido e cuidadoso, pois a casa é amaldiçoada. O pior é a porta: ela só abre para quem conhece seu segredo. E ela é chata. Acha que é poeta.

Despediu-se, dando um pouco mais de segurança pra Lua, e desceu. Acordou Melody, que não gostou muito da novidade, mas o instruiu da melhor forma possível. Assim, com mochila nas costas — e suas adoradas torradas com geléia de morango —, Trinus partiu na alvorada do dia.

A estrada ficava perto do caminho principal que ligava o lago com a pousada. Era larga e bem segura. Cruzou por algumas casas, com tímidos moradores, mas o maior atrativo da viagem foi a natureza em si. As montanhas, apesar de não parecer, tinham várias facetas. Animais de todos os tipos, plantas exóticas e sons variados o entreteram na longa caminhada. O fim da Trilha das Montanhas o levava até um vale.  E no seu centro, de forma bem destacada, estava uma velha casa. Seu destino. Nessa última parcela do caminho, notou figuras estranhas o espreitando pelas sombras. Trocavam risadinhas e sussurros maliciosos. Apertou o passo. Anoitecia quando alcançou o alpendre da vivenda.  

Estudou o portal de madeira. Não tinha maçaneta. Não tinha campainha. Bateu nela.

 

“Oh, que dor terrível,

Não sinto mais nada

Há tempos e tempos,

Retornei dos mortos!”

 

Dois olhos se formaram, junto com uma boca, um pouco antes de tais palavras serem ditas pela própria porta. O tom era grave e cantante.

— Oi… Preciso entrar nessa casa, rápido, antes de anoitecer.

 

“Entrar nessa casa

Improvável é,

Sendo necessário

Grande epifania.”

 

— Você está fazendo poesia, não é? — questionou Trinus.

 

“Minha natureza

É da trova, sim,

Beleza, pureza,

É tudo que busco.”

 

— Trova? Hum… Estranho…

 

“De certeza, é,

A forma da vida

Sempre foi envolvida

Em fartos mistérios!”

 

— A vida é misteriosa, mesmo… Mais estranho ainda é você afirmar que é um trovador quando suas poesias são de redondilha menor, não maior.

O rústico portal ia falar algo, mas acabou se engasgando.

D-desculpe, entendi errado… — gaguejou.

— Trovas são feitas com sete sílabas poéticas, não cinco… E mesmo assim, parece ser poesia livre, com pouco ritmo e ordem.

Parecia um gemido de dor, mas era, de fato, o rangido da porta se abrindo. Trinus havia descoberto, meio que sem querer, o segredo da porta. Ele não era trovador, mas um poeta livre. Envergonhada, ela se abriu e mergulhou no silêncio. Seu azar foi que o menino sempre gostou de ler, escrever e, principalmente, estudar.

Assim que entrou, pedindo licença, sentiu o ar pesado. Escutou, então, um intenso burburinho, mesmo não vendo vivalma. Tremeu. Penetrou o denso recinto. De aposento em aposento, procurou pelo rapinante. O assoalho gemia a cada passo. Percebeu, então, uma forte luz prateada vinda do porão. Abriu a porta. Desceu as escadas com cuidado. E encontrou um homem, alto e magro, segurando firmemente o frasco que prendia o luar.

— Quem é você? Como entrou aqui? — perguntou ele, agitado.

— Estou atrás da luz da Lua.

— Sabia! Você quer me roubar! — acusou.

— Não, quero devolvê-la para sua dona.

— Ela é minha. Eu sou o dono, agora.

— O mundo precisa dessa luz, senhor — argumentou Trinus. — Sem ela, não teremos paz de noite.

— Não, não… Eu preciso dela. Mais que todos… Sabe, tenho medo de tudo? Sempre tive… E essa luz, ah, ela me deixa calmo, consigo viver em paz. Eu preciso dela…

— Isso não é verdade…

— Como assim?

— Se ela te faz melhor, por que está vivendo escondido numa casa amaldiçoada?

Aquelas palavras mexeram com o ladrão. Ele arregalou os olhos. Tremeu loucamente. E largou o frasco. Quando se quebrou, a luz brilhou mais forte ainda. Expandiu-se, até sumir por completo. Tinha fugido.

— Ah, não! — gritou ele. — O que faço agora? Como irei viver!?

— Calma, senhor… Eu acho que conheço um bom lugar pra você. Tranquilo e seguro.

— Está me enganando! Não existe tal lugar…

— Existe, sim. E vou te mostrar.

O homem decidiu confiar em Trinus. Era jovem e tinha encarado aquela vivenda amaldiçoada sozinho. Nunca tinha visto tanta coragem numa única pessoa. Saíram juntos daquele lugar mórbido. Era noite. A Lua estava acima do vale, esperando por eles.

— Ah, pequeno humano, você realmente cumpriu sua promessa! Minha gratidão será eterna! E você, rato imundo, prepare-se…

— Calma, Lua! Não faça nada! — pediu Trinus. — Conversei com ele. E encontrei uma solução. Essa pessoa não irá te incomodar mais!

O belo astro avaliou a situação. Suspirou.

— Tudo bem, tudo bem. Perdoarei esse humano. Mas apenas dessa vez. E só porque você pediu.

— Obrigado!

Montaram um pequeno acampamento. Jantaram e dormiram, envolvidos pelo luar.

A viagem de volta foi um tanto desafiadora: o menino precisava tomar conta do medroso, que gritava e corria sem parar, assustando-se com qualquer coisa. Chegou no lago no crepúsculo.

— Está vendo aquela cidade submersa?

— Sim.

— Eu vivia lá embaixo. Não precisava me preocupar, tinha tudo que precisava. Não tem insetos, não tem barulho. É tudo muito pacífico.

— Verdade? — perguntou ele.

— Verdade verdadeira! — brincou. — Pode ficar com minha casa. Ela fica no centro. É amarela. Número 17!

— Ah, obrigado, muito obrigado!

O covarde, pela primeira vez, parecia ter ganhado um pouco de coragem. Pulou na água sem pestanejar. Trinus observou sua silhueta diminuir até sumir. Sentou na beira do lago e observou a Lua aparecer — dando uma piscadela em sua direção. Contemplou as estrelas. Sentiu a brisa noturna.

O mundo era tão vasto… E as pessoas eram tão diversas… Era tudo tão misterioso ainda. Naquele momento, entendia apenas uma coisa: sentia-se realizado.

45 comentários em “A Cidade Debaixo D’água, a Porta Trovadora e o Homem que Roubou o Luar (Fabio D’Oliveira)

  1. Cirineu Pereira
    8 de abril de 2019

    Resumo:
    Recém chegado de uma pacífica cidade submersa, o garoto Trinus descobre que o mundo vive meio período de trevas profundas, uma vez que a luz da Lua foi roubada. Resolve então recuperar a luz da lamuriosa Lua e para tal precisa superar uma porta poetisa.

    Aplicação do idioma
    Bom domínio do idioma, com vocabulário simples e adequado ao que parece ser um conto infantil, porém com alguns erros de concordância.

    Técnica
    Narrativa linear, porém fluída, com boa construção e distribuição de diálogos

    Título
    Instigante, ainda que um tanto longo

    Introdução
    Apropriada ao público infantil, o nome do personagem é particularmente simpático adequado

    Enredo
    Extremamente criativo e pertinente ao gênero fantasia, porém peca ao deixar o leitor sem maiores explicações sobre o que teria acontecido a avó e por não trazer sequer a memória dela ao final do conto.

    Conflito
    Bons conflitos, ainda que o “vazio interior” que motivou a viagem do protagonista não seja tão claro para o público infantil e merecesse uma abordagem diferenciada, o roubo da luz da lua é uma ideia excelente.

    Ritmo
    A narrativa é bastante fluída e o desenvolvimento da trama é rápido e direto, porém talvez o autor pudesse ter sido mais eficaz em pintar o “terror” vivido pelos personagens durante a noite sem luar. De qualquer forma, o ritmo também é bastante linear e o autor peca em gerar apreensão no leitor.

    Clímax
    Ainda que se trate de um conto infantil, e talvez até por isso, o clímax é fraco, com pouca ação e dramaticidade, excessivamente infantil. Ademais, o desfecho pede a volta da avó, ainda que apenas na memória do protagonista

    Personagens
    Os personagens são, considerada a natureza infantil do conto, psicologicamente bem delineados, mas falta a todos as mínimas referências plásticas, tão caras para as crianças.

    Tempo
    O tempo é mal explorado, excessivamente instantânea e linear, aparentemente a aventura é vivida em 24 horas.

    Espaço
    Há boas descrições de cenários, ainda que não haja praticamente nenhuma descrição física dos personagens.

    Valor agregado
    Um conto para crianças há de ser necessariamente didático (?) e este traz conceitos básicos de ética, porém introduz também questões psicológicas e existências, caso do vazio sentido por Trinus, bem como o “abandono” da avó. Fato é que essas últimas são inadequadamente apresentadas ao leitor supostamente infantil.

    Adequação ao Tema
    Totalmente adequado ao gênero fantasia

    • Fabio "Tikkun" D'Oliveira
      10 de abril de 2019

      Sabe qual a beleza de alegorias e histórias infantis recheadas delas? Nem os adultos conseguem capturar todas as nuances. É como em “Onde Vivem os Monstros”, de Maurice Sendak, que captura a atenção das crianças e adultos, tanto pela aventura inocentemente apresentada, quanto pela profundidade da representação de toda ela. Longe de mim comparar meu conto mequetrefe com essa obra-prima, mas ela é um dos magnus opus da literatura infantil.

  2. Fil Felix
    30 de março de 2019

    Resumo: o habitante de uma cidade submersa se cansa da rotina do lugar e nada para a superfície, descobrindo que a luz da lua foi roubada. Resolve ajudá-la, indo ao local onde o ladrão mora, recuperando a luz e ainda entregando sua casa ao ex-ladrão, que é só um medroso.

    Considerações: é o penúltimo conto que leio, mas provavelmente é o mais fantástico do desafio (nessa série, pelo menos), no sentido fantasioso da coisa. Tudo é bastante irreal e chega até a ser nonsense, nos lembrando de histórias como Alice no País das Maravilhas. Inclusive foi impossível não lembrar da porta que fala e muda de tamanho de Alice. Eu adorei. Como há o limite de palavras, algumas partes que poderiam ser maiores (como o diálogo com a porta ou a contextualização desse mundo mágico) acabaram sendo condensadas, mas não perderam seu brilho. Gostei bastante, achei tudo bem redondinho (só a ida da vó, que não peguei direito), é o tipo de conto mais onírico e onde tudo pode acontecer e as vezes não faz sentido que eu gostaria de ter escrito.

    • Fabio "Tikkun" D'Oliveira
      31 de março de 2019

      Eu adoro o onírico. Então, querendo ou não, dificilmente consigo escapar do desejo de escrever esses absurdos, hahaha. Acho que um dos maiores confortos que encontro nessa vida estão nos momentos que estou sonhando, dormindo ou acordado.

  3. Wender Lemes
    30 de março de 2019

    Resumo: um conto que funciona como metáfora da vida e de seus infortúnios. A cidade debaixo d’água representa um mundo fabuloso de inocência, onde as pessoas podem ter tudo que almejam, mas ao custo de permanecerem presas a ele. Percebo o homem de sobretudo preto como uma analogia à morte, que leva a avó de Trinus. Nesse sentido, a perda da avó funciona como um empurrão para que ele possa experimentar a realidade e seus demônios, para que possa finalmente deixar seu mundinho e abrir os olhos para o desconhecido. O homem que rouba a luz da lua caminha em um sentido oposto ao de Trinus. Enquanto o garoto sustenta-se na coragem para viver a realidade, o homem entrega-se ao medo e foge para a fantasia do mundo ideal.

    Técnica: alguns deslizes como “Essa é um detalhes da realidade” passaram despercebidos na revisão – tenho certeza de que a autora, ou autor, percebeu isso assim que postou, como ocorre com todos nós. No mais, a narrativa corre de maneira agradável, coerente.

    Conjunto da obra: o entendimento desse conto é bastante subjetivo, o que o enriquece. Posso dizer que ele traz uma fantasia bem própria e surpreende muito positivamente por isso.

    Parabéns, bom trabalho!

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      Gosto muito da subjetividade em fantasias mais surreais e livres. Cada um enxerga uma coisa diferente. E você pega um pouco da personalidade do leitor. Existem aqueles que se entregam para a leitura e mundo apresentado, enquanto outros esperam uma explicação racional pra tudo. Acho lindo presenciar isso.

  4. Marco Aurélio Saraiva
    30 de março de 2019

    Trinus é um menino comportado e sonhador que vive debaixo da água em uma cidade no lago e, diante da perda da avó, resolve explorar o mundo sobre a superfície. Suas aventurais iniciais incluem recuperar a luz que foi roubada da lua, colocar uma porta poeta em seu devido lugar e ainda dar um lar a um ladrão medroso. Imagina o que ele não fará nos próximos anos!

    O conto é gosto de ler, cada linha sempre permeada com essa aura mágica e sonhadora que você consegue passar com as suas palavras. No início, fiz uma comparação óbvia com a infância de Trinus e o fato dele ter que se tornar adulto quando perdeu sua avó na morte. Afinal, as coisas “simplesmente apareciam” para ele e, quando a avó morreu e ele teve que encarar “o mundo real”, descobriu que tinha que trabalhar, por exemplo. Mas acho que as comparações terminam aí: o ladrão da luz da lua, a porta trovadora e a própria lua podem ter muitos significados, mas realmente não acho que você queria passar algo além das aventuras deste personagem tão doce (o que não é demérito algum). E a minha comparação com o fim da infância de Trinus meio que vai “por água abaixO” (gostou do trocadilho? rs) já que o ladrão volta à cidade onde ele morava, e não vejo como fazer uma metáfora a um adulto voltando à infância… não dessa forma, ao menos.

    Sua escrita é boa. Simples, sim, mas me parece ser proposital já que o texto tem ares de história infantil. Há algumas falhas de digitação, mas nada muio ruim. Foi uma leitura agradável. Parabéns!

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      Adorei o trocadilho, HAHAHAHAHA! E a escrita é simples mesmo, não planejei muito, só escrevi. Acho que por ser um bom apreciador da simplicidade acabo aplicando-a em quase tudo que faço.

  5. rsollberg
    28 de março de 2019

    Resumo:A odisseia de Trinus num mundo mágica, sua aventura na terra e sua missão heroica. A solução feliz, graças a sua astucia e coragem.

    Fala, autor.

    Antes de tudo, gostei muito do título apesar de bastante revelador. Para o estilo de conto podemos dizer que não revela qualquer supressa grande, pois não é o foco. Lógico que o primeiro paragrafo onde a casa é descrita, para depois recebermos a informação de que se situa no fundo do mar, fica um pouco prejudicado.

    É um conto de uma criatividade ímpar. Personagens distintos, jornadas insólitas e ambientes que flertam muito bem com o nonsense. O ritmo da jornada é alucinante, às vezes até apressado em razão do limite, (Aliás penso que com uma bela esticada o conto ganharia força, ficaria ainda mais divertido. Um peça com um grande potencial) Aporta poeta é genial, bem como a lua chorona. O covarde que precisava da luz foi a cereja do bolo, a singeleza de sua história mostra justamente como é importante uma perspectiva diversa para arrancar leite da pedra. Algumas frases e cenas são ótimas, destaque para essa “A Lua apareceu acima da pensão, com seus grandes olhos bem delineados e boca carnuda. Estava com a maquiagem borrada.” e também para essa outra, a qual ri bastante ” “O pior é a porta: ela só abre para quem conhece seu segredo. E ela é chata. Acha que é poeta.”. A dica tá ai, “acha que é poeta”.
    No fim das contas, uma fábula muito bem pensada e elaborada.

    Meus porém´s:

    1 – Muitas frases começando com “E”.

    2 – “Essa é um detalhes” – concordância

    Meu veredito é que é um ótimo conto que mistura fantasia e comédia. Ótimas tiradas em um universo fantástico com personagens peculiares e inspirados.

    Parabéns

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      Mania de linguagem, creio. Ando fazendo isso até na escrita formal. Preciso ter mais cuidado com esse tipo de coisa. É uma das coisas que critico, mas também faço, aí não tenho moral, né? Hahahaha.

  6. Daniel Reis
    26 de março de 2019

    REVE RESUMO: Trinus vivia no fundo do mar, com sua avó. Não se explica por que eles viviam lá, mas ele queria conhecer o mundo, e a vó o dissuadia. Porém, um visitante inesperado surgiu, um visitante misterioso, que levou sua avó embora. Sozinho, ele decidiu subir à superfície. Chegou à terra firme e se encantou. Encontrou uma pousada, onde estavam acostumados com visitantes do fundo do mar, e é avisado para não sair à noite. Descobriu demônios à espreita, e conversou com a lua, que teve seu brilho roubado. Decidiu recuperá-la, e para isso enfrentou uma porta falante poética, e dentro da casa encontrou o homem que roubou a luz da lua. Ele derrubou o frasco e liberou a luz. A lua o perdoou, e ganhou também a casa submersa de Trinus. E ele ficou ali, no vasto mundo.
    PREMISSA: o heroi deixa seu mundo em busca da aventura, enfrenta um desafio, conquista a vitória mas não volta.
    TÉCNICA: o texto é apenas correto, enquanto o enredo é muito complexo para caber num conto. Senti falta de uma explicação melhor para a ausência da avó e razão para ele dar a casa para o covarde.
    EFEITO: sinceramente, não me cativou. Boa sorte no desafio!

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      O resumo foi maior que suas observações sobre o conto, deu pra perceber que não te cativou, HAHAHAHAHAHA. Sobre a ausência da avó, simplesmente preferi não entregar de mão beijada para o leitor. Pensei em fazer a morte com a foice, mas ia tirar parte da diversão. Sobre o medroso, bem, ele é uma alegoria sobre o adulto que não quer crescer, que evita, a todo custo, o mundo das responsabilidades. Tudo o assusta e por isso procura por uma zona de segurança. A intenção não foi ser claro, mesmo!

  7. Fernando Cyrino
    4 de março de 2019

    Olá, Pulchra, cá estou eu curtindo a sua história de fantasia. Quanta criatividade. Um belo conto você me apresenta. E,saiba, Pulsvha, que curti principalmente o título que deu para acusa narrativa. Se pudesse lhe dar uma dica, diria para avaliar essa distância entre a pousada e a casa amaldiçoada. É que num primeiro momento a lua me diz que se encontra perto e que meio dia de caminhada seriam suficientes. Só que mais além a informação é revista e a jornada até tal destino passa a durar o dia todo. Avalie se valerá a pena uma revisão nesse ponto. Receba o meu abraço de parabéns, Fernando.

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      É um bom apontamento. É uma informação objetiva. Se ficou ambíguo para ti, então errei em algum ponto. O meio dia é levando em consideração o dia inteiro, as 24 horas, digamos. Então ele precisaria sair bem cedo, no nascer do Sol, pra chegar lá no pôr do Sol. Vou verificar uma forma de melhorar isso.

  8. Gustavo Araujo
    1 de março de 2019

    Resumo: Trinus vive com a avó numa cidade submersa. Ela vai embora e ele, apesar de ter tudo ali, se cansa e resolve ir à superfície. Uma vez lá, ele descobre a que a lua está se lamentando por conta do roubo de seu brilho. Trinus resolve ajudá-la e encontra o ladrão. Em vez de vingança, ele conduz o ladrão até a cidade submersa, deixando-o lá, seguro. No fim, está feliz por ter cumprido essa missão.

    Impressões: O conto me parece uma alegoria. Parece brincar com a ideia de segurança que temos em casa e que, muitas vezes, acaba nos prendendo. Aqui, Trinus, num impulso de coragem, resolve enfrentar o desconhecido, sentindo-se realizado por conta disso, um ato que conduz leitor à ideia de que aquilo que não se pode ver pode ser muito melhor do que aquilo que realmente se vê.

    Não sei se estou enxergando chifre em cabeça de cavalo, mas a indicação de Trinus ao ladrão arrependido, de que sua casa é a amarela nº 17, me pareceu uma crítica ao governo atual, algo como um nem-tudo-é-o-que-parece ou ainda um cuidado-com-as-aparências. Enfim, se foi isso mesmo, me pareceu desnecessário.

    A escrita aparentemente simples e fluida, dá a ideia de que o texto tem um significado oculto, mordaz. Não sei se gosto disso porque de todo modo, a história, ao menos o que está na superfície (sem trocadilho), soa simplório demais, automático demais. Se há realmente uma crítica social embutida aí, dá para dizer que ela flerta com o maniqueísmo barato. Por outro lado, se eu estiver viajando na maionese, tem-se, no fim, uma historinha simplória, ainda que escrita de forma suficientemente inteligível e isenta de erros. Em qualquer dos casos, o resultado fica longe do encantamento.

    De todo modo, creio que é válido experimentar, é válido arriscar. Parece ter sido o caso aqui. Só me resta cumprimentar o autor pela coragem nesse sentido.

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      Relaxa, Gustavo, é só uma história simples sem impacto ou graça, HAHAHAHA. Não tem cunho político nenhum e as alegorias foram as mesmas já utilizadas ao cansaço. Nada demais, mesmo.

      • Gustavo Araujo
        31 de março de 2019

        Acho que fiquei muito influenciado por essa polêmica do 31 de março kkk

  9. jowilton
    25 de fevereiro de 2019

    Conto infantil de fantasia que narra a história de Trinus, um menino que morava numa cidade submersa e que vai para a superfície e acaba descobrindo que a luz da lua foi roubada.

    Achei o conto médio. Está bem escrito, tem uma certa fluência, mas a trama não me agradou por ser bastante simples, infantil mesmo. A narrativa tem pouco brilho. As coisas acontecem muito rapidamente, sem mistério ou tensão. Não ficamos sabendo porque existe essa cidade submersa, que lugar era aquele em que uma criança vivia sem poder sair,, sem poder brincar, sem amigos. Ele foi castigado? Foi enfeitiçado? E como a luz da lua foi roubada? O ladrão era um feiticeiro? Fiquei com muitas perguntas sem reapostas. E a avó dele, do menino Trinus, simplesmente foi embora com um homem misterioso e depois não sabemos nada sobre onde foram parar e porque ela foi embora. Ou foi uma falha no enredo ou então ela morreu. A pessoa que foi buscá-la era a morte? Foi isso? Achei a criatividade média, o impacto foi baixo. Boa sorte no desafio.

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      Você precisa relaxar, Jowilton! Nem tudo precisa ser explicado de forma direta, algumas coisas na vida sempre estarão nas entrelinhas. É como entender a mulher que amamos: o não pode ser um sim ou um simples não. Só observando com calma e com o coração pra descobrir a verdade.

  10. Fabio Baptista (@Reflexesdo719R)
    23 de fevereiro de 2019

    ———————–
    RESUMO
    ———————–
    Rapaz vive com a vó em cidade submarina. Ao se aventurar na superfície, descobre a roubaram a luz da lua e decide ajudá-la.
    Vai à casa do ladrão, resolve o enigma da porta e recupera a luz.

    ———————–
    ANOTAÇÕES AUXILIARES DO RESUMO DURANTE A LEITURA:
    ———————–
    Trinus morava embaixo dágua com a vó.
    Começou a sentir vontade de conhecer o mundo.
    Chega um visitante inesperado (jornada do herói se desenhando)
    Plot twist: quem sai de casa é a vó!
    Depois de ficar um pouco sozinho, Trinus decide ir à superfície.
    Entra numa pousada onde conhece Melody, que se propõe a explicar as coisas do mundo pra ele.
    Plot twist: a Lua foi roubada e os demônios dominam a noite
    Na verdade, roubaram a luz da lua e ela (Lua), apagada, conta a Trinus quem foi o ladrão.
    A lua diz onde é e conta também que a porta do local tem um segredo.
    Trinus vai até lá e corrige a métrica da poesia da porta, que se dizia trovadora. Esse era o segredo.
    Trinus confronta o ladrão e lhe diz palavras sábias.
    O ladrão deixa a luz escapar. Trinus lhe promete levar a um lugar seguro (provavelmente sua casa no mar).
    Sim, era a casa.

    ———————–
    SOBRE A TÉCNICA:
    ———————–
    Simples e objetiva, cumpriu muito bem o papel de narrar uma história com pegada infantojuvenil. Poucos escorregões, muito bom.

    – estava comendo uma torrada com geléia de morango — seu favorito!
    >>> sua favorita

    – Passeou vagarosamente *por cada* aposento
    >>> cacofonia

    – Essa é um detalhes da realidade
    >>> Esse é um dos…

    ———————–
    SOBRE A TRAMA
    ———————–
    Uma aventura bem infantojuvenil, saindo de um mundo meio Bob Esponja para um mistério de roubo da luz da lua.
    Honestamente, achei que algumas pontas ficaram meio soltas, tipo a vó ir embora (foi uma analogia para a morte?). Pensei que ela retornaria em algum momento, mas aparentemente essa saída foi apenas preparando o terreno para deixar a casa vazia e o protagonista poder “barganha-la” com o ladrão no final.
    Também tive a sensação que fico a ler as histórias do Neil Gaiman, onde a qualquer momento pode brotar alguma coisa do nada e mudar os rumos da história. É criativo de certa forma, mas não me agrada muito.

    ———————–
    CONSIDERAÇÕES FINAIS
    ———————–
    Um conto bem executado dentro de sua proposta. Não me agradou em cheio, mas foi uma leitura gostosa.

    NOTA: 4

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      Se a leitura foi agradável, então tá tranquilo. Vou tomar cuidado com o que você apontou. E sim, a despedida da avó foi uma alegoria para a morte!

  11. Rubem Cabral
    23 de fevereiro de 2019

    Olá, Pulchra.

    Resumo da história: Trinus é um rapaz que vive com a avó numa cidade mágica submersa num lago. Certo dia, recebe o chamado da aventura e conhece o mundo exterior, onde descobre que a luz da lua foi roubada e que demônios estão de aproveitando da escuridão. Enfim, recupera a luz da lua e provê um novo destino ao ladrão da luz, que passa a viver em sua antiga morada.

    Prós: é um conto de fantasia de temática criativa, não se utilizando de mitos já conhecidos. A escrita é leve e o mundo criado namora com literatura infanto-juvenil.

    Contras: a história é linear, sem muitos percalços, tudo se resolve sem muita dificuldade, não há grandes dilemas ou emoção. A construção de personagens tbm fica a dever: Trinus é um bom rapaz, sem muitas nuances, idem para os personagens secundários: a avó, o homem que roubou a luz, a lua, etc.

    Nota: 3,5

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      A ideia foi essa mesma: ser simples em tudo e deixar a situação encaminhada para Trinus chegar ao destino sem grandes desafios. Por quê? O limite me fez corta quase mil palavras, hahaha.

  12. Catarina Cunha
    22 de fevereiro de 2019

    O que entendi: Um menino inquieto abandona a segurança de seu lar, dentro de um lago, após a morte da avó. Descobre sua missão, salvar a luz do luar roubada por um ladrão covarde, mancomunado com uma porta poeta. O cara salva todo mundo: a lua, a porta e o ladrão.

    Técnica: A linguagem direta e cheia de estilo marca terreno. Linguagem perfeita para a literatura infantil. A delicadeza com que a morte da avó é tratada demonstra técnica apurada.
    Cabe uma revisãozinha, mas isso é bobagem.

    Criatividade: Muito boa! Este conto prova que é possível ser muito criativo com simplicidade. Trama profunda e abarrotada de mensagens de bondade e coragem.

    Impacto: O enternecimento que o conto provoca, aparentemente despretensioso, gera empatia instantânea.

    Destaque: “Terá que ser rápido e cuidadoso, pois a casa é amaldiçoada. O pior é a porta: ela só abre para quem conhece seu segredo. E ela é chata. Acha que é poeta.”

    Sugestão: No último parágrafo, na expressão “O mundo era tão vasto… E as pessoas eram tão diversas… Era tudo tão misterioso ainda.” Vemos a felicidade de Trinus diante do mundo de realizações e mistérios a desvendar que teria pela frente. Mas em seguida, vem a última frase desconstruir com um fechamento desnecessário: “Naquele momento, entendia apenas uma coisa: sentia-se realizado.” Quem está realizado não tem mais nada a realizar. Sugiro reavaliar a manutenção dessa frase. No mais, ótimo conto!

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      Um apontamento perspicaz, como sempre. Tenho que tomar cuidado com esses detalhes. São meus maiores inimigos numa escrita. Ainda estou melhorando essa perícia.

  13. Evandro Furtado
    21 de fevereiro de 2019

    A história de um garoto que sai de uma cidade submersa depois da partida da avó para ir para um mundo onde demônios andam por aí e a lua teve sua luz roubada.

    Achei o conto extremamente teatral, com imagens muito belas. Acho que, por sua natureza, funcionaria melhor em um meio áudio-visual, já que tal permitiria a exploração de tais imagens. Enquanto conto, limita suas possibilidades talvez pelo fato de que o autor não tenha utilizado uma técnica de escrita que pudesse remeter à tal teatralidade.

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      Não sei o que realmente penso sobre isso. Amo o áudio-visual. Algumas coisas funcionam MUITO bem nesse tipo de arte. Mas não sei se o problema de não percebemos uma história mais surreal seria a questão de não vermos ou não a imaginarmos de verdade. Não sei. Só sei que realmente poderia ser melhor.

  14. Paula Giannini
    20 de fevereiro de 2019

    Olá, Autor(a),
    Tudo bem?

    Resumo:

    Após viver seus primeiros anos de vida em uma cidade submersa, o menino deixa seu modo de vida e se depara com um novo mundo, onde salva, em um só feito, a luz do luar e seu ladrão, conduzindo-o a sua cidade tranquila.

    Meu ponto de Vista:

    Em uma espécie de fábula, o(a) autor(a) nos mostra, de modo muito agradável, a jornada de um menino, desde a época em que ainda vive submerso, com a avó, até o momento em que emerge das águas e, em uma espécie de prova, vence obstáculos e ainda prova seu caráter.

    Para mim, o conto funciona como uma espécie de metáfora do crescimento e do amadurecimento do menino. Ele vive seguro com sua avó, até que esta parte para a morte, então, a criança se vê só, e emerge para um mundo desconhecido e hostil, onde se trabalha e onde há medo. Ao libertar o adulto do medo, após passar por um portal (a porta poetisa – uma espécie de rito de passagem), enviando-o para sua antiga morada, o menino se torna homem, um homem corajoso, generoso e sensível, pronto para enfrentar as coisas da vida adulta.

    Parabéns por escrever.
    Desejo sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      Você é realmente uma artista, sabia?

      • Paula Giannini
        4 de abril de 2019

        Oi, Fábio, obrigada por seu carinho. 😉 rsrsrs
        Beijos
        Paula Giannini

  15. Victor O. de Faria
    20 de fevereiro de 2019

    RATO (Resumo, Adequação, Texto, Ordenação)
    R: Singelo. Uma aura infantil percorre todo o texto. Duas figuras vivem debaixo d’água. A vó morre e o menino vê-se livre para empreender uma jornada de contemplação. A moça da pousada lá fora já sabe que alguns conseguem “fugir” e não se surpreende com o protagonista. Na primeira noite no novo mundo, a Lua pede ajuda. O personagem, sem hesitação (o que achei um pouco estranho) aceita a empreitada e acaba pensando numa ótima solução tanto para o seu problema, quanto para o da lua e do ladrão. No meio temos uma explicação didática (e deslocada) sobre o que faz uma poesia ser poética.
    A: Tem uma camada fantástica que quase desaparece no desenvolvimento. Mas quando o protagonista se vê diante da morte e depois da lua, a fantasia se faz presente. Contudo, o enredo tem um ar muito mais de conto infantil. Não que isso tire o mérito, mas apesar de gostar da reviravolta bem planejada, acho que o texto soou açucarado demais para meu gosto (nem as sombras produziram tanto perigo assim). – 4,0
    T: Bem construído, mas com partes excessivamente aceleradas. Aqui faltou um foco bem definido. Temos três lugares específicos, mas pouco trabalhados. Teria me agradado mais se a história se desenvolvesse apenas embaixo d’água. Em algumas frases a vírgula sobrou. É um tanto melancólico e faz piada dentro de um contexto dramático, o que soou estranho. A explicação da poesia, apesar de fazer parte da comicidade, me tirou totalmente do contexto. Numa futura revisão, deixe mais suave esta explicação. – 3,0
    O: Como um todo, o texto me agradou. Esperava mais, embora a suavidade geralmente venha atrelada a textos assim. Acho que se encaixaria melhor na temática infantil, mas tem seus méritos, como as imagens mentais proporcionadas (quem é mais velho vai se lembrar da TV Glub Glub). – 3,0
    [3,3]

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      Eu juro que não tentei ser dramático, hahahaha. Pra mim, tava bem leve, até demais! E lembro da TV Glub Glub, hahaha, boas lembranças daquela época!

  16. angst447
    20 de fevereiro de 2019

    RESUMO: Trinus mora com a avó em uma cidade submersa, tranquila e segura. A avó recebe uma visita e diz que precisa ir embora. Trinus fica sozinho e começa a se entendiar com a sua vida. Resolve explorar o mundo fora d’água e assim conhece a Lua que chora desesperada pois alguém havia roubado o seu luar. O menino promete ir atrás do ladrão e resgatar o luar. E assim o faz, devolvendo a luz da lua e convencendo o homem a morar na cidade submersa.

    AVALIAÇÃO: Conto lindamente bordado com linhas de fantasia. O enredo lembra muito os contos de fadas, uma história feita para encantar crianças (de todas as idades). Muito bem escrito, tem um tom de poesia entremeado à prosa. Não encontrei erros que justificassem apontamento. A única coisa que me incomodou foi a facilidade com que o homem medroso mergulhou na água atrás do seu novo lar. Se ele tinha medo de tudo, iria mergulhar assim sozinho? De resto, achei tudo muito lindinho, uma leitura que flui sem problemas.
    Te vejo na segunda rodada. Boa sorte!

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      O medo dele estava relacionado com o que ele desconhecia, por isso ele queria a Lua perto o tempo inteiro, pra criar uma zona de segurança. Mas, apesar desse medo todo, teve coragem o suficiente para roubar a Lua. Por quê? Ela tinha algo que representava a segurança que tanto queria pra sua vida. Mas não podia tê-la o tempo inteiro. Então não teve medo de roubá-la, pois o fazendo, teria sua segurança. O mesmo se encaixaria no momento do mergulho: tendo em vista a segurança adiante, o medo foi embora. Algo do tipo, hahaha. Mas não foi tudo feito pra ficar claro, deixei as coisas nas entrelinhas mesmo.

  17. Leo Jardim
    20 de fevereiro de 2019

    🗒 Resumo: um rapaz, que cresceu numa cidade submersa, resolve desbravar o mundo. Acaba descobrindo que a luz da lua fora roubada e, depois de ensinar poesia para uma porta, consegue libertar a luz e colocar o ladrão, que tinha roubado por medo, para morar em sua casa submersa e ultrasegura.

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): achei a trama bem bonitinha e redondinha, com gostinho de fábula. Essas são suas qualidades, mas também acabam sendo seus defeitos. É tudo muito redondo, tudo acontece rápido demais e tudo dá muito certo. Acabou sendo muito fácil recuperar a luz da lua. A solução final, colocar o homem medroso na cidade submersa, foi bem óbvia também, nada surpreendente. Algumas pontas ficam: o destino da vó dele e o homem de capuz acabaram ficando sem solução. Costuma se dizer que se uma escopeta é colocada num conto, ela deve atirar. O homem de capuz, nesse caso, é uma escopeta sem munição. Enfim, é uma história boa, gostosa de ler, mas que, talvez pelo pequeno espaço, acabou sendo muito simples.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): o texto corre com facilidade, as imagens construídas são muito vívidas e os diálogos, mesmo sendo um pouco teatrais, funcionaram bem. O autor tem bastante ferramentas e parece ser experiente. Uma técnica gostosa de ler.

    ▪ onde os contornos de *um* (uma) cidade 

    🎯 Tema (⭐⭐): uma fábula fantástica [✔]

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): o texto é criativo, por criar elementos interessantes como a cidade submersa, mas esses pontos acabam não tendo o foco necessário para brilharem.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): como já disse, é um texto gostoso e fácil de ler, mas acaba não tendo muito impacto por apresentar soluções apressadas e um final previsível. Apesar disso, repito, gostei bastante da leitura.

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      Aí está uma pessoa que gosta de altas emoções, hahaha. Aliás, seu conto foi maravilhoso. Foi bem redondo, sem ponta solta, e por achei que tinha chances de ganhar. Mas ficou bem posicionado, pelo menos. Espero que eu consiga escrever algo que lhe proporcione uma leitura memorável para agradecer o que você me proporcionou.

      • Leo Jardim
        31 de março de 2019

        Muito obrigado, Fabio. Sua leitura, seu comentário e sua torcida já me proporcionaram uma alegria enorme. Daquelas que servem de combustível para a vontade de escrever. São leituras como a sua que me mantém escrevendo, mesmo com todas as dificuldades. Obrigado.

  18. Felipe Rodrigies
    19 de fevereiro de 2019

    Inclusive me lembrei de um livro “O Menino das Águas”, que você pode se interessar _Sinopse – No fundo de um lago, moravam o homem das águas, sua mulher e o filhinho deles. Era um menino alegre e brincalhão. Na companhia do pai, explorava o mundo dos peixes, caracóis e moluscos. Ao pôr o nariz para fora da água, descobriu o que era sol, capim, barco, gente, cavalo. Quando teve permissão para sair sozinho, passou a inventar brincadeiras e viver aventuras divertidas e, às vezes, arriscadas. Mas uma velha carpa a vigiava de longe para evitar que algo de ruim lhe acontesesse.

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      Muito interessante, vou procurar esse livro!

  19. Felipe Rodrigues
    19 de fevereiro de 2019

    O garotinho Trinus abandona seu lar na vila submersa para conhecer o mundo. Acaba descobrindo que um larápio havia roubado a luz da lua e decide ajudar a estrela. Após enfrentar a porta poeta livre, recupera a luz da lua e leva o homem que a roubara para viver em seu primeiro habitáculo.

    Um conto que utiliza os elementos da natureza com grande mérito, a água, a luz, as montanhas, tudo nesse cenário parece muito vivo e a cada passo de Trinus torna-se mais exuberante. É uma pequena jornada, de início aconchegante e uterino – quem não se lembra de ter passado dias tediosos e ao mesmo tempo muito gostosos na casa de uma avó quando pequeno? – expande-se para outro núcleo onde é revelada a dureza do dinheiro, a maldade, a tristeza, entre outras tantas coisas que formam a pessoa, que são ritos fortes de passagem de uma idade para a outra. A coragem, aqui atrelada à ingenuidade infantil, leva o pequeno a travar batalha com a porta poeta, um personagem construído de forma muito feliz, e que liberta a passagem ao ser confrontado, aliás, liberta por talvez ter sido obrigado a relutar com sua própria natureza que, ao receber o conhecimento externo, em vez de refutá-lo como a maioria, deixa com que entre, o menino como parábola de conhecimento e coragem. Adiante o ladrão mostra-se também um ingênuo que, dominado pelo próprio medo, precisa do brilho do mundo todo para se salvar, e após perder o brilho por descuido, retorna com Trinus ao ponto inicial da história. Um conto muito, muito bom. Parabéns ao autor.

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      Dias maravilhosos, né? A segurança da infância é algo que muita gente sente falta. O mundo dos adultos é muito tumultuado. Mas tem suas vantagens! Nada supera a liberdade que sinto hoje.

  20. Ricardo Gnecco Falco
    19 de fevereiro de 2019

    Olá Pulchra; tudo bem? 😉

    O seu conto é o segundo trabalho que eu estou lendo e avaliando. Gostei da história; um conto bem singelo e dotado de uma aura de inocência, chegando quase a poder ser classificado como literatura infantojuvenil. Não percebi nada que me travasse a leitura e nem incoerências que denegrissem a narrativa. Bem e Mal estão bem demarcados, no entanto a inocência mostra-se vital para permitir que tais linhas sejam corajosamente ultrapassadas, sem estereotipar nenhum dos dois lados. Parabéns pelo trabalho! E boa sorte no Desafio!

    Bem, pra finalizar, as regras exigem que eu faça um resuminho da história lida, para comprovar minha leitura. Então vamos lá:

    ————————————-
    RESUMO DA HISTÓRIA:
    ————————————-

    Inocente morador de uma cidade subaquática, onde tudo é tranquilo e seguro, resolve partir rumo à superfície, em busca de aventuras e emoções. Saindo de sua zona de conforto, protagonista acaba salvando o mundo “real” da escuridão, ao empreender, com êxito, missão de resgatar a luz da Lua, que havia sido roubado por humano medroso. Ao final, o herói-protagonista ainda ajuda o infrator, oferecendo sua antiga casa, onde tudo é seguro e calmo.

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      A inocência é algo que admiro muito. E, você, sinceramente, sempre me passou a imagem de ser uma pessoa bem pura. Posso estar enganado, mas você passa uma sensação que é uma pessoa maravilhosa!

  21. Davenir Viganon
    19 de fevereiro de 2019

    A Cidade Debaixo D’água, a Porta Trovadora e o Homem que Roubou o Luar (Pulchra Phantasia):
    – Trinus vive com sua avó até o dia em que um homem misterioso o leva para fora da cidade do lago. No seu novo lar, Trinus descobre que a luz da lua foi roubada e incumbe-se de procurá-la. Passa pela porta cantante, e salva a luz da lua do ladrão que era apenas uma pessoa apavorada com medo do escuro e queria a luz apenas para si.
    – O conto bem resolvido dentro da Fantasia. Embarca no mundo infantil e parece ser dirigido para o publico infantil. Talvez pela completa ausência de violência, o que acho um ponto forte do conto, pois foge da curva da Fantasia que parece ter tanta dificuldade para não parecer Tolkien. Apelou para emoção sem usar violência. Revestiu a morte da avó com muita sutileza também e a escrita é muito boa. Gostei!

    • Fabio D'Oliveira
      31 de março de 2019

      Bem, sobre a violência, não posso falar muito: adoro histórias violentas. Mas acho que algumas não precisam disso. Já li histórias infantis que tratam a morte de forma bem crua. Minha irmã, quando tinha seis anos, leu um daqueles livros parcialmente ilustrado e terminou com os olhos arregalados e boca aberta, HAHAHAHAHAHA. Pra que isso, minha gente?

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Publicado às 17 de fevereiro de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 1, Série B e marcado .