EntreContos

Detox Literário.

Obanam (Fabio D’oliveira)

 

1717

No interior da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro

 

Eles dançavam, incessantemente, por entre aquelas árvores, sob o luar forte, num ritmo alucinante. O som dos tambores penetrava em suas almas, determinando seus passos, seus abraços, seus sorrisos, seus olhares. Tudo.

— Obanam! Obanam! Obanam! — gritavam em uníssono.

Uma mulher, parda — como os dançarinos —, estava no centro de todos, amarrada numa árvore. Chorava, quase desesperadamente.

O ritmo da música aumentou. Suor. Pés machucados. Gritos cansados. Surgiu, então, um homem vestindo longas vestes, coloridas, com inúmeros braceletes, anéis e cordões.

Obanam olha para ti com desprezo. Obanam enxerga seu pecado. Obanam sabe que matou irmã de sangue por inveja de sua beleza. Obanam demanda seu sacrifício — falou, empunhando uma adaga de pedra.

Enquanto todos dançavam, cada vez mais rápido, o homem cortava a mulher. Devagar, profundamente, com perícia para machucar de verdade. Os gritos dela ecoavam pela floresta. Nenhum animal ousava se aproximar daquele local.

Ele sorria enquanto se banhava no sangue da mulher. Ela tinha que sofrer, mais e mais, somente assim Obanam poderia levá-la. Ajeitou-se para desferir um novo golpe, mas um som muito alto, mais alto que os tambores, assustou-o. Viu um dos dançarinos caído no chão. Silhuetas se aproximavam. Apontavam alguma coisa em sua direção. E, num instante, depois de vários estampidos ensurdecedores, também caiu, sentindo uma intensa dor no peito. Morreu sem ver seu algoz.

Um homem alto e sujo, mas forte, surgiu da escuridão. Olhou ao redor e, quando viu a mulher, sentiu uma intensa náusea. Era impossível reconhecê-la como um ser humano. Nunca havia visto algo tão abominável em todas as suas viagens pelo Novo Mundo. Revoltou-se.

— Animais! Vão, atrás deles, peguem todos! — bradou, balançando sua arma no alto.

— Tem certeza? Temos ordens para não interferirmos na vida dos selvagens dessa região — questionou um de seus homens.

— Calado! Não enxerga o que fizeram com essa pobre mulher?

— Mas…

— Anda!

Seguindo a ordem de seu líder, os desbravadores adentraram ainda mais na floresta, sem perceber que uma densa neblina surgia, envolvendo todos. Para sempre.

 

1997

Trecho de uma notícia do jornal estadual de Minas Gerais

 

“Ninguém sabe ao certo como o fogo começou. Alguns sobreviventes relataram que pessoas encapuzadas foram as responsáveis pelo início do incêndio, ateando fogo em diversos pontos da cidade e da floresta. Essa história confere com o primeiro laudo dos bombeiros. Sabe-se, apenas, que centenas de vidas foram perdidas. E que, agora, Vale do Silêncio, uma cidade que viveu da mineração por muito tempo, tendo um grande passado e importante valor histórico, está completamente destruído.”

 

2006

Numa lanchonete de Vale do Silêncio

 

Elaine tentou, inúmeras vezes, fazer seu estabelecimento crescer e ser um tremendo sucesso. Bar temático, danceteria, tentou um pouco de tudo. Mas sempre voltava a ser uma lanchonete medíocre, servindo café e omelete para os sonhadores e solitários.

Ela suspirou, ajeitou seus cabelos brancos para dentro da touca e olhou para o relógio da parede. Nove horas da manhã.

“Está atrasada… Como sempre”, pensou, um pouco irritada.

Contou o número de clientes. Três. Tião, que sempre pedia café preto sem açúcar. Jonas, que gostava de variar no cardápio, mas sempre pedia uma cachaça pra acompanhar. E Luís, que, em geral, não pedia nada e ficava sentado num canto, olhando para fora com os olhos perdidos naquela neblina sem fim. Todos estavam cabisbaixos, quietos, mas notava-se certa ansiedade: olhavam para o relógio e para a porta, toda hora.

“Estão esperando ela… Como sempre”, pensou Elaine, ficando mais irritada.

Poucos clientes, pouco dinheiro. Tinha sua reserva, num cofre nos fundos da lanchonete, apenas para emergências, mas ainda queria ter a chance de aproveitar mais a vida. Nunca tinha saído daquela cidade. Vivia nessa situação há anos. Tudo piorou depois daquele incêndio. E, principalmente, depois da chegada do nevoeiro interminável.

O sino da porta chamou sua atenção. Era Catarina.

— Bom dia! — a jovem exclamou, abrindo um largo sorriso.

No exato instante que ela sorriu, o rosto daqueles três homens se iluminaram. Elaine já sabia disso. Aquela menina, desde que chegou — há quatro meses, do nada, surgindo das brumas —, trouxe algo consigo que iluminou aquela lanchonete pobre e desleixada. Era impossível odiá-la. Mas sabia, também, que por detrás daquela linda luz, havia uma grande escuridão. Talvez, por isso, não conseguia amá-la.

Catarina era puro mistério.

 

1995

Nos arredores de Vale do Silêncio

 

Horas de espera.

— Que merda, você não falou que ele voltaria mais cedo hoje? — reclamou, olhando furiosamente para seu parceiro de tocaia.

— Foi o que ele falou. Mas acho que não dá mesmo pra confiar num bêbado — respondeu com tom apático.

Aquilo tudo a irritava muito. Ficar dentro do mato, com pouco espaço. Podia ser prazeroso para ele, talvez, brincar de caçador, mas isso a incomodava muito. Não costumava reprimir suas emoções e ia reclamar mais uma vez, porém, certa movimentação na estrada chamou a atenção de ambos.

— Mas assim, oh… *hic*

Um homem baixo, magro e de meia idade apareceu, andando em ziguezague. Falava sozinho. E estava, claramente, embriagado. Não conteve o sorriso. Era ele.

— Isso… — sussurrou seu parceiro de tocaia.

Esperaram mais um pouco e assim que passou na frente do esconderijo deles, saltaram em sua direção. Ele gritou, falou alguma coisa impossível de decifrar e tentou correr. Não precisaram fazer nada, pois caiu sozinho. Pela primeira vez naquele dia, seu colega sorriu. Não foi difícil dominá-lo.

— Vamos, já estamos atrasados — declarou seu companheiro, mostrando sua inata frieza socando forte na cabeça do homem para desmaiá-lo e carregá-lo com mais facilidade.

Seguiram pela estrada por um tempo, em pleno silêncio, e adentraram o matagal através de uma pequena trilha. Ela gostava dessa parte. A calma, a paz, a certeza de seu dever. Estava contribuindo para a construção de um mundo melhor.

Chegaram numa clareira. Dezenas de pessoas, todas com grandes mantos e capuzes, tudo da cor vermelha, concentravam-se no centro. Foram recebidos calorosamente. Enquanto observava seu parceiro levar o homem até o altar onde iria acontecer o ritual, o líder se aproximou. Sempre se impressionava com sua beleza.

— Pensamos que algo tinha acontecido.

— Não. Foi apenas um imprevisto. Parece que resolveu ir para o bar antes de voltar pra casa.

— Entendi… — falou ele, observando o homem sendo amarrado no pilar improvisado no pequeno palanque. — Precisamos tomar mais cuidado. Obanam não permite erros. Ele perdoa, mas seu perdão tem limite. Está cada vez mais difícil encontrar candidatos. A cidade está morrendo. Não podemos deixar nenhum escapar.

— Sim… Eu sei. Tomaremos mais cuidado da próxima vez.

O líder sorriu, dando um tapinha em suas costas, e foi de encontro com seu dever. Todos se alinharam diante o altar. Jogaram água no homem, que acordou confuso e relativamente sóbrio.

— Que porra é essa? — perguntou, atordoado.

— Sua penitência, Haroldo.

Ficou quieto, correu os olhos pela clareira e, quando percebeu que estava preso, começou a se debater, gritar e xingar. Todos permaneceram imóveis e sérios.

— Você é um pecador. Você torturou, você abusou, você matou. Sua própria esposa, a mulher que prometeu amar e cuidar.

Haroldo se calou por instante e arregalou os olhos.

— O que você sabe sobre Marlene? O que você sabe sobre mim? Não sabe nada! — esbravejou.

— Sabemos o suficiente — afirmou o líder, agarrando um belo chicote. — O suficiente para te entregarmos para nosso mestre fazer justiça.

— Justiça? Que tipo de justiça é essa? Até a polícia me inocentou.

— Sangue se paga com sangue.

E, assim, começou o ritual. Violência. Dor. Tambores. Dança — frenética e sensual. Somente quando o homem parou de gritar, quase desfalecido, que o silêncio e a inércia reinaram novamente. Uma densa névoa entrou na clareira, bem devagar, engolindo tudo. Ela esperou, quieta, sentindo com prazer aquela poderosa presença, que vibrava no fundo de sua alma. Quando sumiu, no mesmo ritmo que apareceu, Haroldo também tinha desaparecido. O líder ergueu as mãos ensanguentadas e todos berraram em uníssono.

— Obanam! Obanam! Obanam!

 

2007

Num apartamento na região metropolitana de Vale do Silêncio

 

Catarina deixou o corpo cair na cama. Estava cansada de tudo aquilo. Do trabalho, de Elaine, das atuações. Precisava sair de lá, rápido, ou iria surtar. Odiava profundamente tudo e todos daquele lugar. Sentou-se e soltou o cabelo.

— Não preciso passar por isso… Não mesmo…

Iria seguir com o plano. Elaine era velha e não precisava daquele dinheiro todo, não mesmo. Tinha casa própria, tinha um negócio. Oras, era egoísmo por parte dela acumular tanto dinheiro. Com aquilo, poderia ir para uma cidade melhor, realmente recomeçar.

Levantou-se, decidida a tomar banho, mas alguém bateu na porta. Nunca recebia visitas. Atendeu, hesitante, deparando-se com um homem alto e  extremamente bonito, entretanto, assustador — não tinha vida em seu olhar.

— Catarina?

— Sim…

Ele apenas sorriu e foi embora. Catarina ficou parada na porta, observando-o por instantes, assustada com a estranheza daquilo tudo. Fechou a porta, trancou-a e respirou aliviada.

“Eu realmente tenho que ir embora…”, pensou.

Uma densa neblina começou a invadir sua casa, por debaixo da porta.

— Que isso…

Foi tudo muito rápido. Tentou recuar, mas foi envolvida pela névoa. E, sem ver nada, caiu num abismo.

 

1997

Carta que queimou no grande incêndio de Vale do Silêncio

 

“Ele está morrendo. Obanam, nosso senhor. Precisamos colocar esse ritual em prática. O mundo é injusto e precisa da justiça dele. Muitos inocentes morrerão, mas não temos outra opção. Com o fogo, sua influência irá crescer e ele não precisará mais de intermediários. E finalmente poderemos conhecê-lo, viver ao seu lado! Junte-se a nós nessa união! O encontro será no mesmo lugar de sempre, quando a grande lua estiver cheia e no centro do céu. Que nosso mestre olhe por ti e seus amores!”

 

2007

Num outro mundo

 

Caiu por muito tempo. Não gritava mais, apenas esperava. Até que, por fim, a neblina a envolveu com certa delicadeza, diminuindo a velocidade da queda. Terra firme, finalmente. Levantou-se, atordoada e chorosa. A névoa foi embora, revelando uma estranha floresta. Árvores com folhas rosadas. Terra úmida e cor de barro. Pequenas poças avermelhadas, em todo lugar. Ventava, sem parar. Um cheiro forte de podridão. E um pequeno carvalho morto no meio de tudo isso, envolvido com fitas de seda rubra.

Catarina se desesperou. Que lugar era aquele? Como aquilo era possível? As pernas bambearam e ajoelhou-se no chão, deixando as lágrimas enfeitarem seu rosto.

Muitas pessoas começaram a aparecer, de todos os lados. Homens, mulheres; brancos, negros, pardos; de todas as idades. E, nisso tudo, o homem que havia batido em sua porta se aproximou, agachando-se para olhá-la nos olhos.

— Você é uma pecadora, Catarina. Você matou seus progenitores por causa de dinheiro e bens materiais. E quando tudo deu errado, fugiu para longe ao invés de assumir suas responsabilidades, assumindo uma nova vida. Mas se alegre… — disse enquanto se levantava. — Essa é sua penitência e rendição. Com essa união, será pura novamente.

Ela tentou falar algo, gaguejando, mas não conseguiu. Recebeu uma pancada muito forte na cabeça. Caiu com o rosto na terra úmida, sentiu o sabor de sangue e uma intensa dor irradiar pelo corpo. Mais golpes, facadas, chicotadas; tudo ao mesmo tempo. Não conseguia nem gritar, pois se engasgava no próprio sangue. Não lutou. Por incrível que pareça, seu sangue começou a evaporar, indo além das folhagens. Segundos depois, começou a chover. Vermelho. Antes de perder a visão e os sentidos, viu o carvalho se contorcer, euforicamente, e todos gritavam alguma coisa.

Ficou na escuridão por muito tempo, sem estar verdadeiramente consciente disso. Quando despertou dessa inércia mental, estava numa sala de estar, diantes duas pessoas sorridentes. Um cheiro delicioso preenchia o lugar. Conhecia bem aquilo tudo. Sentiu uma intensa dor no peito. E uma alegria indescritível.

Era permitido viver e ser feliz novamente?

21 comentários em “Obanam (Fabio D’oliveira)

  1. Anorkinda Neide
    23 de dezembro de 2018

    Nossa, Fabio.. que show!! Eu li este conto, e me impactou bastante!! Gostei muitíssimo!
    Parabéns,

    • Fabio D'Oliveira
      23 de dezembro de 2018

      O que me impacta é essa sua doçura intrínseca. Volta pra EC novamente, Kinda! Saudades dos seus contos lindos e fofos, hahaha.

  2. Fabio D'Oliveira
    23 de dezembro de 2018

    Para todos, um grande obrigado, por lerem meu conto, um tanto medíocre, hahaha. Faz-se necessário um pouco mais de atenção da minha parte, pois uma das minhas paixões está sendo deixada de lado pela grande vastidão da vida. Percebo que faz mais de dois anos que não escrevo direito. E hoje sou um leitor melhor que escritor. Os toques de todos são especiais, desde os mais interessados e ternos, até os mais distantes e apáticos, dolorosos ou não. Uma das motivações do escritor é seu leitor. Devo, então, melhorar, para que minhas escritas sejam prazerosas, não um tormento. Até o próximo desafio!

  3. jowilton
    23 de dezembro de 2018

    O conto narra a estória de uma seita sinistra que tem como pilar espiritual e carrasco a figura de Obanam.

    Achei o conto médio. A primeira parte é bem boa, tem um bom ritmo, mas depois que o conto começa a mudar a cronologia deu uma embolada, a meu ver. O grande pecado é tentar fazer uma estrutura de romance em um conto, ainda mais com o limite de duas mil palavras. Ficou tudo muito corrido e pouco desenvolvido, em alguns momentos, até mesmo confuso. Mas a estória é boa e ficaria ainda melhor num texto bem mais longo. Pelo que entendi, Obanam mesmo sendo sádico dava uma outra oportunidade as suas vítimas fazendo com que elas voltem no tempo. É isso mesmo? Boa sorte no desafio.

  4. Givago Domingues Thimoti
    22 de dezembro de 2018

    Olá!

    Tudo bem?

    Obanam é um conto organizado. A leitura é fluída, o desenrolar do conto é natural, ou seja, não corre para fechar as 2000 palavras. Prende a atenção do leitor, tem poucos erros gramáticos.

    A única coisa que pontua negativamente contra a narrativa seja a previsibilidade do conto. Claro que varia de caso em caso, mas estava bem claro que Catarina morreria. Acho que seria mais surpreendente colocar Catarina como aquela a receber o espírito de Obanam.

    Conclusão final: é um bom conto que poderia ser um pouco melhor.

    PS: Gostei também do culto. Sempre bom ver uma coisa diferente

  5. Gilson Raimundo
    19 de dezembro de 2018

    No séc XVIII, numa cerimonia pagã, uma mulher seria sacrificada por seus supostos crimes a Obanam quando um grupo de homens mata o xamã que efetuaria o sacrifício. Nos dias atuais, após alguns misteriosos incêndios no Vale do Silêncio, Haroldo é pego pelos discípulos de Obanam e também é sacrificado por supostamente ter matado a esposa, enquanto isso, na lanchonete, Catarina que se escondia da policia por ter matado os próprios pais tenciona roubar as economias de Elaine, porém ela também é abduzida e morta pela estranha seita, renascendo para uma vida sem pecados.

    Uma história com grande potencial de se tornar uma bela lenda regional, porém comete alguns pecados, (cuidado com Obanam e por favor não dê a ele meu endereço)

    1)A fragmentação da história tem o fio condutor que é o perseguidor de pecados, mas a junção se faz aleatória, desnecessária a passagem sobre Haroldo, melhor seria focar nos crimes de Catarina e que a carta queimada desse mais detalhes sobre o ressurgimento e manutenção da seita;

    2)O cenário proposto inicialmente interiorano brasileiro se perde ao apresentar uma lanchonete tipicamente country americana servindo omelete e com sininho na porta, mesmo que se desejasse ser temática, melhor seria o bom e velho pastel paulista ou pão de queijo mineiro; o estigma americano esta profundamente enraizado nos contos brasileiros.

    3)A forma de punição desigual entre Haroldo e Catarina quebra a sequência plausível do conto, um é sequestrado por dois homens e levado para um altar improvisado, a outra é transportada magicamente pela neblina até uma dimensão fantástica, possivelmente o purgatório para ser morta. Para que fazer os pobres coitados carregarem peso se a neblina faria o serviço?

    4)Adentrar – é um verbo não usual na moderna literatura mundial, na maioria das vezes usado para enfatizar uma importância desnecessária, é mais um jargão policial. Harry Potter não adentra numa loja de varinhas. Tarzan nunca adentrou na selva, os personagens de Jorge Amado jamais adentrariam num bordel. Agora, o meliante adentrou o estabelecimento com intenção de praticar o ilícito. Após o suspeito evadir-se do local e adentrar na mata, foi alvejado vindo a óbito.

    Gostei muito da ideia. Boa sorte no desafio.

  6. Das Nuvens
    18 de dezembro de 2018

    Caro Balzac

    Resumo: história misteriosa. Passada em diversas épocas, um culto perpassa a vida de pessoas no Vale do Silêncio. Um deus punitivo parece fazer justiça por meio do povo daquele lugar. Uma mulher, Catarina, experimenta poder nos relatar o destino daqueles que são absorvidos pela névoa que toma a cidade. Caída num abismo como Alice na toca do coelho, Catarina é violentamente espancada para pegar seus pecados por haver matado os pais e se mandado para bem longe, levando outra vida. Lá, do outro lado, no fundo da toca, ela experimenta o que parece ser uma segunda chance de sua vida (ou de outra).

    Comentários: um conto bem escrito, sem grandes tropeços, embora, ao contrário de outros que li, que tinham vírgulas de menos, este tem vírgulas demais, talvez onde não se mostresse necessário.
    A história construída em diversas épocas, numa mesma região de Minas Gerais, parece caminhar na direção do inusitado, do sombrio, do medo punitivo. Ao final, entretanto, a coisa parece não caminhar bem, transformando o conto em algo talvez… doce… onde os pecadores têm suas chances de viver bem e placidamente recompostas em um outro plano qualquer.
    Acho que essa pegada final não casou completamente com o processo construtivo do texto, onde se caminhava meio que na direção da Bolha Assassina, Eclipse Total, A Bruma Assassina, A Neblina… e a direção final me pareceu meio que… tá bom, você terá outra chance… recomponha-se…
    Notei alguns problemas que passo a relatar:
    — “… e foi de encontro com seu dever…”, creio que seria mais apropriado “…e foi ao encontro do seu dever…”;
    — “… por incrível que pareça, seu sangue começou a evaporar…”. Acho que num texto literário, o escritor não deve nunca colocar ao leitor uma dúvida que quebre a verossimilhança textual. Se algo pode parecer incrível de acontecer, então não está firme o suficiente para ser relatado. Creio que seria mais apropriado, dentro da imposição de verossimilhança, dizer apenas “… e seu sangue começou a evaporar…”. Foi isso que aconteceu, o sangue evaporou. Não coloque em dúvida aquilo que você relata. Foi assim e pronto. Ponto final, o texto é um mundo onde você transita e faz as coisas acontecerem, você manda e desmanda;
    — “… estava numa sala de estar, diante duas pessoas sorridentes…”. Aqui, pareceu-me uma construção-enigma. Seria mais apropriado dizer “… estava numa sala de estar, diante dela, duas pessoas sorriam…”, ou variações disso;
    — “Era permitido viver e ser feliz novamente?” Essa parece ser uma pergunta que se faz a protagonista, Catarina. Achei que esse arremate não foi bom para o texto, pois deixou o leitor sem saber que direção o escritor queria dar à sua narrativa. Talvez fosse mais apropriado que o texto terminasse no parágrafo anterior, sem esse arremate final, que mais compromete que ajuda a estrutura fabular do conto.
    A história contada está bem estruturada e é de fácil leitura, embora essa passagem-sanfona dos relatos atrapalhe um pouco, ainda que não comprometa.

    Acredito que o cuidado com a escrita na narrativa deva ser fundamental para construção do texto, dando a ele fluência, não permitindo ao leitor ser tirado de sua concentração para observar detalhes vocabulares ou construtivo. Nisso a simplicidade ajuda, e bastante. Minhas observações são nesse sentido, onde menos é mais, onde a simplificação é tudo.

    Boa sorte no campeonato.

  7. Paulo Luís
    14 de dezembro de 2018

    Olá, Balzac, boa sorte no desafio. Eis minhas Considerações sobre seu texto.

    Enredo: Uma seita com pretensas atitudes justiceiras atravessa épocas cometendo os mesmos rituais e crimes.

    Gramática: É de uma leitura fluente, não percebi nada que desabone.

    Tema: Conto desenvolvido por períodos. Tribo em ritual sacrifica uma mulher quando são surpreendidos e atacados por “desbrava-dores”, e ou, Bandeirantes? Grupo de pessoas, tipo seita? Põe fogo numa cidade, outrora mineradora e comete uma matança; anos de-pois na mesma cidade, proprietária de um bar lanchonete, lamenta seu infortúnio nos negócios enquanto uma misteriosa jovem adentra o ambiente; dois anos antes do incêndio na cidade do silêncio, um casal de tocaia ataca um homem embriagado para sacrificá-lo em nome da justiça da seita; um ano depois na mesma cidade de Silêncio a jovem misteriosa em um apartamento recebe um homem estranho. Um roteiro complicado, tenta engendrar uma trama um tanto pretensiosa, mas que fica apenas nas pretensões mesmo, não se firmando. Tanto quanto a nuvem que brota do nada e nada diz. Infelizmente, um conto que tropeça em suas próprias pernas, ou melhor, em sua própria trama.

  8. Priscila Pereira
    12 de dezembro de 2018

    Os rituais de justiça e purificação das almas de um povo antigo resistem ao tempo e através do assassinato violento de suas vítimas, que são todas criminosas e homicidas, dá uma segunda chance para elas. O conto se passa no Vale do Silêncio e gira em torno de Catarina, uma moça que matou seus pais por dinheiro e estava prestes a roubar as economias de sua patroa. Os adeptos dessa “seita” a torturam e matam e ela tem uma nova chance de recomeçar.

    Conto muito bom, com um enredo original e uma trama que foge do clichê, tem personagens bem desenvolvidos, saltos temporais bem realizados, uma estória intrigante e interessante, tem um ritmo muito bom e uma fluidez ótima. Só no final que para mim ficou um pouco confuso o que aconteceu com a nova Catarina… ela voltou já adulta, ou renasceu? Se puder explicar, seria ótimo.
    Gostei bastante! Parabéns ao autor(a) e boa sorte!

  9. Jorge Santos
    10 de dezembro de 2018

    Olá Balzac. Fiquei seriamente confundido com o seu conto, que narra uma série de ocorrências sobrenaturais nas quais uma seita vinga actos de violência em nome de uma divindade, Obanam, que consegue que as vítimas, por meio deste acto de vingança, regressem à vida. Este foi o meu entendimento, que reconheço possa ter falhas. Num texto complexo como é o caso, convém ser dadas pistas ao leitor que permitam o posicionamento dentro da narrativa. Não é problemático que o texto fique em aberto em um ou outro ponto, mas não pode ser tão vago como no presente caso. Quando terminei o conto, fiquei com uma vaga ideia do que o autor pretendia, mas não tinha certeza sobre nada. Foi quase como se o autor atirasse factos díspares e deixasse ao leitor a tarefa de juntar as peças. Em termos de linguagem, parece-me correcta.

  10. Leandro Soares Barreiros
    6 de dezembro de 2018

    O conto trata de um ritual de vida ou morte realizado por ocultistas em uma cidade de Minas Gerais. Trata-se de adoração a uma figura mística chamada de Obanam que representa a justiça. Há certa influência de Obanam ou do ritual no mundo material, embora não fique muito claro até onde essa influencia vai. A história apresenta sacrifícios que datam do período colonial até o século XXI, com fragmentos que representam as consequências de Obanam e de seu culto para o mundo. Foca, especialmente, no Vale do silêncio.

    Oi, Balzac. Sendo sincero logo no início, não entendi muito bem o final. Catarina retornou para o tempo em que seus avós estavam vivos para não cometer os mesmos erros? O ritual consistiria em possibilitar uma segunda chance para os sacrificados? fiquei um pouco confuso.

    De todo modo, a trama ritualística me lembrou um pouco algumas passagens do chamado de Cthulhu e uma outra história que estou lendo agora, chamada “The Tower from Yuggoth”, de Ramsey Campbell. Se quiser dar uma olhada, talvez sirva como um bom modelo arquétipo para esse tipo de conto.

    Teve duas questões que acabaram me afastando um pouco da trama (e que acho que você pode facilmente resolver, se concordar com minhas impressões).

    Primeiro, não achei a atmosfera condizente com os terrores que o ocultismo geralmente propõe. Acho que é necessário mostrar o clima de tensão e medo que a ambientação promove nos personagens, assim, as cenas ritualísticas funcionariam em um estado de clímax mais gratificante para o leitor.

    Segundo, a rotação rápida de personagens dificulta a criação de empatia com eles. Em síntese, não nos importamos (ou eu não me importei) muito com os problemas que o ritual acarreta para essas pessoas.

    E sobre o final que não entendi, o fato de eu não ter entendido não quer dizer que ele esteja ruim, ou que eu ache que você precise trabalhar mais nele. Via de regra, é legal confiar que os leitores conseguirão entender a mensagem. A falha aqui deve ser mais minha mesmo hehe

  11. Fheluany Nogueira
    6 de dezembro de 2018

    O plot da história é bem simples: ocorrem rituais que parecem castigar pessoas más, em nome de Obanam, uma entidade justiceira. Ao final, a tortura das vítimas era uma “penitência e rendição”, pois permitia-lhes voltar para um tempo anterior ao crime e “viver e ser feliz novamente”. Um nevoeiro marca, em cena, a presença do sobrenatural e faz lembrar a série O Nevoeiro (The Mist), inspirada no conto de Stephen King.

    Trata-se de uma narrativa de terror? Pode ser, com final feliz e motivação do bem. São muitos os elementos do gênero que aparecem: torturas, mortes, crimes, o sobrenatural, incêndio misterioso, quedas em abismo, a fragilidade humana, o medo, que prendem a atenção e despertam a tensão nas mais diferentes formas. Por exemplo, no epílogo, onde se explica a situação toda, há um “pequeno carvalho morto” que ganha vida com o sangue da personagem. Essa árvore é símbolo de força e resistência, pois é imponente e de grande longevidade, portanto presença bastante sugestiva.

    O texto se divide em sete partes, marcadas por datas e subtítulos, uma variação de histórias paralelas, contadas consecutivamente, tecidas para a frente e para trás em uma espécie de estrutura “trançada” em eixos temporais. A narrativa com flash backs e flash forwards (idas e vindas) prejudica um pouco a percepção do todo. A evolução da história salta de anos em anos sem fazer uma transição fácil de acompanhar. Perguntei-me se não teria feito mais sentido colocar esses momentos na ordem cronológica, mas então percebi que isso estragaria o mistério que acompanha a trama.

    Outra questão são os personagens. Em cada parte, em meio ao ritual ou na preparação dele, há uma “mulher bonita”, que apenas em três momentos é denominada — Catarina. Trata-se sempre da mesma reencarnação? E a “Elaine”, dona da lanchonete em 2006, é a mesma velha de 2007, no apartamento? Fiquei confusa.

    No geral, posso dizer que os prós superam os contras, e apesar de não ter me impressionado muito, ainda considero o texto sólido.

    Parabéns pelo trabalho! Abraço.

  12. Regina Ruth Rincon Caires
    6 de dezembro de 2018

    Resumo do Conto: OBANAM (Balzac)

    1717 – ainda na Capitania de São Paulo – um ritual noturno em adoração a Obanam – a mulher cortada, os gritos – uma reunião de selvagens – “salvadores” chegaram, os selvagens que não morreram, fugiram e foram engolidos pela densa neblina que cobria a floresta. Morreram.

    1997 – noticiado em um jornal que Vale do Silêncio (cidade/floresta) foi totalmente dizimada pelo incêndio provocado por pessoas encapuzadas.

    2006 – Cidade em reconstrução, Elaine, proprietária, procura ter sucesso com a lanchonete medíocre. Sempre os mesmos clientes, nada mudava depois que a cidade herdara aquele nevoeiro interminável, trazido pelo incêndio. A nova empregada, Catarina, prendia a atenção dos poucos clientes. Chegara havia quatro meses. A moça era puro mistério.

    1995 – Portanto, antes do incêndio – nos arredores de Vale do Silêncio, uma tocaia estava montada. A vítima estava embriagada. Um homem. Presa fácil, junto com os algozes, foi carregada para o matagal. Na clareira, uma multidão aguardava o ritual macabro. A vítima acorda, apavorada, seria sacrificada. Ouviu a sentença como resultado do ato infame de ter torturado, abusado e matado a própria esposa (Marlene). O grito de guerra da multidão era o mesmo: Obanam!

    2007 – Num apartamento de Vale do Silêncio, exausta, Catarina queria sair dali, queria sair do controle de Elaine (patroa). Planejava um golpe. Alguém bate em sua porta, atende, era um homem charmoso, perguntou se ela era Catarina. Depois de confirmado, deu um sorriso e saiu. Catarina ficou assustada e decidiu que sairia dali rapidamente, Fechou a porta, mas uma neblina densa passou a invadir o apartamento. Ela caiu num abismo…

    1997 – No grande incêndio, uma carta foi queimada. Era um alerta, um súplica: Obanam está morrendo!!!
    “Ele está morrendo. Obanam, nosso senhor. Precisamos colocar esse ritual em prática. O mundo é injusto e precisa da justiça dele. Muitos inocentes morrerão, mas não temos outra opção. Com o fogo, sua influência irá crescer e ele não precisará mais de intermediários. E finalmente poderemos conhecê-lo, viver ao seu lado! Junte-se a nós nessa união! O encontro será no mesmo lugar de sempre, quando a grande lua estiver cheia e no centro do céu. Que nosso mestre olhe por ti e seus amores!”

    2007 – Catarina despencou no abismo e chegou num outro mundo. Mundo feio. Entre as pessoas que ali estavam, viu o homem charmoso. Ele a acusou de pecadora. Antes de retrucar, recebe um golpe na cabeça. Espancada, esfaqueada, chicoteada até perder a visão e os sentidos. Acordou num ambiente agradável…

    Comentário/Avaliação do Conto: OBANAM (Balzac)

    Texto complexo para ser lido. Interessante o jogo que o autor faz com a cronologia alternada. Tempo que vem e que vai, acontecimentos que precisam ser compreendidos na sequência temporal (de 1717 a 2007). Requer atenção aguçada.

    Muito bem escrito, mesmo com as alternâncias de tempo, há um enredo coeso, personagens que se explicam. Percebe-se que o autor tem tempo de estrada.

    O desfecho dá asas à imaginação. Em que lugar Catarina teria despertado?!
    “Sentiu uma intensa dor no peito. E uma alegria indescritível.
    Era permitido viver e ser feliz novamente?”

    O pseudônimo (Balzac), eu não entendi de outra forma, deve ser pelas descrições minuciosas de tudo, da narrativa cheia de detalhes, descrições nuas e cruas. O autor trabalha muito o realismo literário. Talvez eu tenha “viajado”…

    Belíssima e coerente a imagem que acompanha o texto. Catarina, quando caiu no abismo, chegou ali. Perfeito!

    Será que perdi alguma ponta da fiação?! Se perdi, me desculpe, por favor…

    Portanto, diante da decisão que me cabe, tendo no páreo: “OBANAM” (Balzac) e “O QUE VOCÊ QUER SER PARA CRESCER?” (Lady Godiva), o meu voto vai para “OBANAM” (Balzac).

    Boa sorte!

    Abraços…

  13. Ana Maria Monteiro
    5 de dezembro de 2018

    Observações: um final surpreendente em um conto cujo género não aprecio muito, mas que está bem escrito. Em todo o caso, acho que um conto tem pouco espaço para dar asas a uma história que avança e recua no tempo.
    Prémio “Misterioso misticismo”

  14. Daniel Reis
    2 de dezembro de 2018

    Sinopse: Uma cerimônia macabra de julgamento e adoração a Obanam acontece desde os tempos do Brasil Colônia, numa região conhecida como Vale do Silêncio. A execução de um culpado se torna sempre o ritual para acalmar ou reviver o deus, desde a chegada dos bandeirantes, incluindo um incêndio e o retorno dos sacrifícios. Paralelamente, entre idas e vindas no tempo, surge a história da Catarina e Elaine, e de Haroldo.

    Comentários: é um conto de mistério, sem dúvida, mas tão misterioso que o leitor fica sem as respostas. As idas e vindas no tempo também prejudicam formar uma sequencia lógica e causal dos fatos. É um texto bem escrito, sem dúvida, com destaque para as descrições dos rituais e diálogos. Porém, a essência da história me parecer perdida na neblina, também. Boa sorte no desafio!

  15. Fernando Cyrino.
    1 de dezembro de 2018

    Meu caro Balzac,
    Cá estou eu às voltas com o seu conto. Você me traz uma história de vingadores. Um braço da justiça que devolve a Obanam aqueles que anteriormente tenham causado dores e sangue. Um conto no qual se quer limpar do mal o Vale do Silêncio (coberto “sempre” pela bruma) e, para isto, até se chega a usar de um grande incêndio. Reparo que, ao contrário das milícias que buscam limpar as cidades, fazendo justiça com as próprias mãos e que fazem isto pelo poder e prazer da vingança, na sua história me passa uma certa motivação religiosa para tal ação tão brutal. Um conto que caminha no tempo, desde 1717 até os dias atuais.
    Balzac, achei seu conto um tanto confuso, aberto demais. Passou-me a impressão (quisera fazer as contas das palavras) que você extrapolou no número das palavras possíveis e depois teve que ir cortando. Daí que, quem sabe, terminou por deixar fora pontos interessantes que ajudariam na amarração da história. O recurso de caminhar no tempo de forma mais aleatória, no caso do seu conto, eu não senti que tenha funcionado muito bem. Ao ler pela terceira vez seu Obanam, fiz questão de ordená-lo e nessa hora avaliei que não ajudou na minha compreensão. O seu manejo, ao contrário, gerou-me mais dúvidas que clarezas. Um argumento que achei bacana. A vingança de um grupo de vermelho, adeptos de Obanam, matando gente má através dos tempos. Algo que costumamos ver por aí, vira e mexe, não é mesmo? Acho que tinha em mãos um bom argumento. A minha dificuldade foi com a maneira como o botou no “papel” (na tela ficaria mais apropriado, né) como o relatou para mim. Mas, releve, bem poderá ser que se trate aqui de limitação minha.
    Além do que escrevi acima, na minha opinião, algumas questões de somenos, relativas a gramática e uso de palavras, poderiam ser melhor trabalhadas, como por exemplo: você escreve “ Obanam olha para ti com desprezo”. Como em seguida usa mais de uma vez a terceira pessoa do singular, achei que ficaria melhor aqui também a terceira pessoa e não a segunda, como está no conto. Você usa “sempre pedia” duas vezes, logo abaixo me aparece mais um “pedia”, acho que deveria evitar repetições. Em um ponto diz que as três pessoas estão de cabeça baixa e em seguida diz que um olhava para fora. Achei meio estranho. Repetição de “suficiente”. Uso da palavra “diantes”. Bem, Balzac, tratam-se aqui das minhas observações. Receba o meu abraço fraterno.

  16. Paula Giannini
    28 de novembro de 2018

    Olá, autor(a),
    Tudo bem?

    Resumo
    Uma entidade terrível e que se assemelha à consciência de uma pessoa, é evocada através de rituais de tortura, para conduzir pecadores à chance de uma nova vida.

    Meu ponto de vista
    O conto é dividido em épocas e diferentes pontos de vista. Para mim, o ponto forte é o final, quando a alusão à nova vida, faz o leitor questionar se a entidade seria uma metáfora para a consciência que nos persegue e tortura, quando sabemos de nossos erros. Ao menos, esta foi a impressão que ficou para mim.

    A imagética é forte e o autor cria cenas bem ao estilo cinematográfico.

    Parabéns.
    Desejo sorte no campeonato.
    Beijos
    Paula Giannini

  17. Sidney Muniz
    28 de novembro de 2018

    Resumo:

    Conto fala de uma entidade que puni e purifica as pessoas através da dor… A personagem principal foi punida por essa entidade-espírito e acorda ao final do conto como se saísse do sofrimento pronta para recomeçar novamente ou tomar desta vez as escolhas certas. O conto é narrado em capítulos que revelam a trama aos poucos, é um estilo que geralmente me agrada bastante!

    Estou dando nota para o conto sem o pedido prévio de análise, caso venha a ser solicitado haverá o confronto das notas finais dos dois contos para escolha do vencedor do embate.

    Critério nota de “1” a 5″

    Título: 5 – Um bom título, pesquisei para ver se era baseado em algo, mas parece ter surgido de fato da originalidade do autor. Parabéns!

    Construção dos Personagens: 3 – Queria conhecer um pouco mais da personagem principal e da própria entidade. Achei que algumas coisas ficaram superficiais, principalmente por alguns personagens aparecerem e serem descartados. Senti que nesse ponto alguns talvez nem fossem necessários.

    Narrativa: 5 – A narrativa é muito muito boa, o autor(a) sabe o que faz!

    Gramática: 5 – Não encontrei nada prejudicial, apenas uma vírgula faltando se eu tiver certo.

    Originalidade: 3 – É um conto muito bom, mas ao mesmo tempo não é nada extremamente novo, é mais um demônio que leva a pessoa para uma espécie de purgatório onde ela paga por seus pecados…

    História: 4 – A história é muito bem conduzida, em alguns trechos me senti um pouco confuso, mas principalmente porque em minha opinião há coisas que são desnecessárias, mas isso é apenas minha opinião mesmo.

    Total de pontos: 25 pts de 30

    Boa sorte no desafio!

  18. Amanda Gomez
    21 de novembro de 2018

    Uma história toda atrelada a uma linha cronológica. Fala inicialmente de uma tribo…ceita, não sei o nome correto, que existiu a séculos atrás. Eles adoravam um ”Deus” que se alimentava dos pecadores chamado de Abanam. Em seu nome foram feitos vários sacrifícios até que uma grupo de desbravadores os atacaram.

    Temos depois esse mesmo local, agora uma cidade, foi tomado por um fogo que vez diversas vitimas. Isso foi feito por fieis a Obanam que acreditaram que ele estivesse morrendo e precisava de mais…err… almas.

    Ao que tudo indica, o nome, o mito a figura de Obanam continuou existindo os anos seguintes, várias pessoas eram convidadas para participar, o principal objectivo era limpar o mundo dos pecadores, e esses deles próprios. Somos apresentados a alguns personagens em diferentes tempos. Entre eles Elaine e catarina. Não se sabe o destino da primeira, mas Catarina trabalhava na lanchonete de Elaine para fugir do seu passado ( assassinou os pais) até que ele bate à sua porta. É envolvida por uma névoa e se vê caindo em uma abismo… é atacada, torturada e morta.

    E então volta a vida, aparentemente purificada. O final é aberto.

    ________________

    Olá,

    Nossa, que resumão eu fiz, não consegui simplificar. Seu conto é bom, me vi entretida nele, mas é confuso, tem que ficar voltando as datas para montar a ordem cronológica. Uma vez que se consiga isso o resto flui bem. Fiquei sem saber o final…se de fato Catarina voltou, ou foi para uma espécie de purgatório… Um boa escrita, um enredo bem trabalhado, faltou um foco maior nos personagens a participação de Elaine não se justifica.

    Parabéns!

  19. Matheus Pacheco
    21 de novembro de 2018

    RESUMO: A história gira em torno de acontecimentos distintos mas ainda assim relacionados, tudo em voltado a um culto Pagão a um deus chamado OBANAM que purificava, por meio da dor, todos que julgava pecador com seu secto regional.
    COMENTÁRIO: Há uma inspiração muito grande de SILLENT HILL, H.P LOVECRAFT e talvez um trabalho de JUNJI ITO, onde tudo se trata de uma enorme referencia, desde a névoa, ao culto alienígena e ao terror visceral e “gore”.
    ótimo conto, Um abraço.

  20. Evandro Furtado
    21 de novembro de 2018

    A história é construída de forma não linear, com os eventos sendo desenrolados e apresentados através de flashbacks e saltos temporais. De forma geral, a trama gira em torno de um culto direcionado a uma entidade chamada Obanam que se utiliza de sacrifícios humanos para se alimentar. Essa entidade perde força ante a chegada de forasteiros. Mais tarde, o culto é trazido de volta por grupos que, de alguma forma, descobrem sobre a entidade.

    Creio que o que falta à história é um pouco mais de complexidade na explicação do mito. Não sabemos quem é esse grupo que trouxe Obanam de volta ou o porquê. Também falta saber se havia alguma intenção de construir-se uma atmosfera de terror por aqui, algo que, infelizmente, não aconteceu. O final também ficou devendo, sem um fechamento adequado e um pouco confuso.

Deixe uma resposta para Priscila Pereira Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado às 20 de novembro de 2018 por em Copa Entrecontos e marcado .