EntreContos

Detox Literário.

O Que Você Quer Ser Para Crescer? (Paulo Luís Ferreira)

Sente-se enfadada de tudo e de todos? Já não mais suporta tantas cobranças e leviandades entabulando regras e presunções? Você acha que suas causas e anseios estão caindo no vão dos abismos? Ou se acha perdida no mundo e tem receio de não mais se encontrar? E que, por tudo isso, está em busca de sua independência? Pois então, façamos uma brincadeira tipo: o que você quer ser para crescer.

Suponhamos que você queira, hoje, realizar um sonho nunca dantes imaginado. Tendo em vista que o enredo da vida não é destino, mas circunstâncias, que sonho seria esse? Não, não aquele sonho de quando dormimos, mas daqueles quando sentados no banco da praça; seja “ruandando” por uma cidade vazia de um domingo à tarde, ou até mesmo, quando, na cama, esperamos o sono chegar; visto ser nessas horas que construímos as histórias, as vontades mais inimagináveis; os arbítrios mais estrambóticos, porém todos perfeitamente realizáveis, pois somos nós mesmos quem nos damos todas as regras e os desfechos possíveis! Prepare-se, pois ao contrário dos concursos de miss mundo, você vai desfilar sua beleza interior. E dessa maneira passe a executar não um sonho nem um simples desejo, mas todos os propósitos. Vamos juntos cinzelar sua história, o desejo e o sonho em si mesmo. Sendo Você.  Digo: “vamos juntos”, porque sinto em mim ser eu mesmo você também, portanto não se assuste; eu sou aquele que te tem apreço.

Comecemos por forjar sua saída do trabalho pelo meio da tarde, um pouco antes do cafezinho. Faça-se de louca. Largue tudo o que estava fazendo. Fique quieta. Não se bula. Acalme os arrebatamentos, aguce o silêncio e os sentidos. Passe a esculpir em você mesma uma cara de louca “inencontrável” em qualquer parte do mundo. Construa com minúcias uma aparência descompromissada. Faça um silêncio cavo, pois foi sobre este mesmo silêncio que alguém já disse que a palavra mais precisa ou a que mais se precisa dizer só fica pronta depois de muito, muito silêncio. Aliás, sobre o silêncio, até podemos dizer, ser ele, um idioma diabólico, visto ser esta a única linguagem que o diabo respeita. Consequentemente tome cuidados para que nem mesmo os olhos façam barulho ao se mexer. Tente passar essa ideia com um olhar de brilho porcelâmico e a maciez do algodão. Deixe-os imersos na dúvida e sujeitos a todos os malefícios do silêncio. Perceba que todos estão entre preocupados e penalizados por você. Acham que você está surtando, contudo, e em verdade, essas pessoas lúcidas, são completamente loucas. Mas não se afobe, a coisa vai ficar pior. Ninguém vai sair agora. Lá fora uma tempestade inunda as ruas. O tempo está muito ruim para quem não gosta de cachorro molhado e lama. Os esgotos estão transbordando em profusão. O fedor é de merda pura.

Todavia deixe bem claro suas intenções. Mostre para eles num simples pestanejar de olhos que a publicidade e o marketing são um imbróglio que só servem para alimentar os imbecis; que a felicidade não se compra em suaves prestações. Faça-os entender que é na escuridão, longe das luzes de neon, que se enxerga melhor. E diga sem muitas pretensões que você faz parte do grupo das mulheres lindas e loucas e nunca ridículas. Finalize dizendo numa frase lapidar que, devido a isso, suas cinzas da pós morte será poeira com gosto e cheiro de mulher que foi bem amada. E diga-lhes também que sua causa mortis já está prescrita e tecida como num poema; “Feneceu numa madrugada de festa por excesso de amor, após três fervorosos arrulhos de ais.” E não deixe de manter o halo de mistério que você emana. E que, em virtude dessa gloriosa morte, você não está preocupada com as insignificâncias da vida e, muito menos, com as triviais coisas do dia-a-dia, e menos ainda com as picuinhas do escritório. Demonstre com toda sua impetuosidade que a alegria que você manifesta é a legítima compunção fingida da máscara da morte.

Passe a arrumar seus badulaques que estão sobre a mesa, de tal forma meticulosa, que nada fique fora de lugar. Arrume tudo o que havia desarrumado durante o dia em sua lida diária. Cale aqueles que estão em volta, abafe os comentários frívolos e idiotas com uma atitude viril. Seja drástica: faça uma fogueira para queimar os espíritos corrompidos e por fim transforme sua substância incorpórea em pó. — embora não seja a maneira própria de se portar de uma moça tão decente como você, (mas…) — Arreganhe os dentes transformando seu rosto numa caricatura infernal. Divirta-se e não se acabrunhe. É estupidez pedir aos deuses aquilo que você pode conseguir sozinha. Bafore um pouco do seu hálito pelo ambiente. Mostre sua exoticidade no tratamento com as coisas banais. Procure denotar com um movimento sutil dos lábios que acabou de saborear um delicioso molho tártaro sobre um filé de rabo de jacaré grelhado na brasa. Em seguida desfile pela sala como se estivesse no Deserto do Saara. Experimente observar um camelo olhando fixamente na cara de um dos espectadores. Neste mesmo olhar ostente seus conhecimentos empíricos. Você não assistiu ao 2001, uma odisséia no espaço? Então… É isso! Faça-os compreender o elo existente entre você e o macaco; a transposição macaco/homem/anjo, o osso e a espaçonave; e assim falou Zaratrusta, o Danúbio Azul e a cor da Terra! Mas não se esqueça de manter sempre a cara de louca descomprometida e ao mesmo tempo afogueada. Lembre-se! Você está prestes a se emancipar do mundo.

Nesse momento comece a preparar sua saída triunfal. Saque seu arco e flecha do armário e aponte para o relógio. Espere o cuco aparecer e mire em sua fronte. Atire. Pare o tempo.

Agora vista seu blazer, tranquila, bem de mansinho; arrume a lapela, acerte o broche; saia sem se despedir de quem quer que seja. Se você der uma leve ressabiada com o olhar vai perceber que todos estão incrédulos naquilo que estão assistindo. Não se preocupe.  Comporte-se como o espelho: reflita só o que você vê. Não dê bolas. Saia como se para você acabara o expediente. Mas não demonstre nenhuma empatia com a assistência. Aja como se fosse a Lady Macbeth. Sem remorsos, sem delongas.

Mantenha-se altiva. Impoluta. Não se amedronte, eu estarei consigo. Nada de grave está acontecendo com você. Na saída bata a porta com vigor. Mas antes demonstre ternura, passe um olhar cândido no ambiente incluindo as pessoas que estiverem pela frente. Caminhe impávida. Transpareça denodo. Não se apresse. Nada de grandes passadas, ande passo a passo, — aliás, venhamos e convenhamos à senhorita é um deslumbre em seus saltos altos, uma beldade de elegância! — Com esta atitude estarás informando para eles que não és dada as coisas que não te fazem feliz.

Do meio do corredor você volta. Não denote, apenas conote estar sofrendo momentaneamente de desarranjo intestinal. Ao chegar a sua escrivaninha comece a se despir. Fique apenas de calcinha. Retire da gaveta uma toalha e cubra um dos seios, o outro deixe à mostra, para que acentue sua beleza. Pegue da gaveta o sabonete, vai aproveitar o ensejo para tomar um refrescante banho. Caminhe para o banheiro. Cantarole uma melodia qualquer, de preferência aquela que fala: “Eu fui ao Tororó beber água não achei… Encontrei belo moreno que no Tororó deixei…” Volte do banheiro se secando na toalha. Com toda essa cena você acabou de provar que a vida é bem diferente daquilo que acontece no cinema.

Aliviada do transtorno causado pela soltura intestinal você está levemente atormentada pelos enigmas desse mundo em que você não enxerga nada. Esse mundo invisível onde só se vê o sobrenatural, que também é invisível. Entretanto desanuvie essas coisas da mente.  Você não tem esse hábito de pensar no existencial, nesses ocos da vida. Vista-se galhardamente sinta-se elegante. Force sua aparência. Confronte-se com o espelho e deixe-o que a contemple em suas incógnitas. Mire-se nele. Passe os dedos por entre os cabelos, afofe-os com as mãos, balance a cabeça desmanchando o que havia feito. Você é uma grande atriz, mas seja sutil demonstre sua virtuose interpretativa. Passe a impressão de que escuta uma melodia angustiada numa noite de luar diáfano à boca da clareira de uma floresta, cujos animais bravios lhe espreitam. Aproveite a atenção deles e formule uma pergunta em gestos mímicos sobre geometria: “Quanto terá de comprimento uma casca de laranja de 25 centímetros de diâmetro cortada em finas tiras de 6mm de espessura? Não, não espere resposta eles não vão responder nada, porque nada sabem.

E não se abespinhe! O que você tinha que fazer você já fez. E está fazendo. E está mais do que bom.  Essa gente merece o governo que tem que teve e que vai continuar tendo por muito tempo. Eu sei que você almeja a autogestão da vida cotidiana e a real sociedade. Tudo isso é muito bom, muito bonito, entretanto nós sabemos o quão difícil é construir isso, mas sossegue você está no caminho certo. Lembra daquela antiga frase que escreveram em um muro de Paris, “A humanidade só será feliz quando o último capitalista for enforcado com as tripas do último esquerdista?” Pois então, é isso.  De que valem os sentimentos contra os canhões e a bestialidade! De qualquer forma dê a entender para eles que a sua vontade mesmo é de ir a Brasília, matar todos os ratos, com hidroquinone, metabissulfito, sulfureto, esporão de lacraia e caranguejeira preta.

Volte ao seu natural. Espreguice-se como se acabasse de sair de um grande transe hipnótico. Imite os gatos: estique os braços, as pernas, contorça o pescoço sobre os ombros, como se um arco fosse. Massageie as mãos. Não se esqueça dos exercícios faciais, faça biquinho e estique os lábios. Boceje com gosto e vontade.  Cause uma boa impressão. Esfregue o rosto com sofreguidão, dê-lhe algumas palmadas. Torne-se impassível. Sossegue. Não se preocupe, eles estão acuados. Quer dizer, estão com os cus premidos na parede. Estão assustados.

Do lado de fora a tormenta continua. Os monumentos tombaram, as ruas e as praças são fossas a céu aberto. A cidade é uma catástrofe apocalíptica. Pelo lado de dentro, você os obrigou a repensar conceitos antigos.  

Volte à atitude da Lady inglesa, dê a entender que está completamente nua montada em seu cavalo branco desfilando levemente. Passe pela porta indiferente a tudo e a todos. Amanhã será um novo dia. Despeça-se como se fosse uma bela canção a borboletear pelo ar. Sinta-se como se estivesse em um vale de lágrimas colhendo lírios em um vasto jardim, desfile pelo cenário passe os lírios em seus narizes para que eles também sintam o aroma que você está sentindo. Prove para eles, assim como a própria flor, o sentido da pureza. Demonstre exuberância nesse gesto, faça-os sentir a delícia de ser o que você é, pois é a confiança em si que forma a diferença, o limite entre o fazer e o não fazer, o sucesso e o fracasso. Seja magnânima, desfrute os olhares atentos e alheios da assistência. Faça-os pressentir que o amor que fica é o sentido absoluto da palavra saudade, e isso eles vão sentir bastante de você. Ah! Deixe um convite sobre sua mesa de trabalho para o seu velório, mas com a data em aberto, pois ninguém sabe quando se vai morrer, e não deixe de informar que não vai haver choro nem vela, mas muita música e dança, que o funeral vai ser um verdadeiro baile do Bal Masqué… Ué, eu tinha uma coisa a mais para te dizer, mas não sei o quê!… deixa pra lá outro dia eu conto…  Ham, lembrei… Não se preocupe com o tempo, o tempo liga tudo; o tempo tem voltas e revoltas; o tempo é o propósito e o despropósito de tudo…  Pronto; vá para casa tranquila a cidade voltou à calmaria; o pântano está manso, suave, como o rock da guitarra de David Bowie…  Mas não olhe para trás, quem olha prá trás vira sal, dizem. Descanse bem. Boa noite!

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20 comentários em “O Que Você Quer Ser Para Crescer? (Paulo Luís Ferreira)

  1. Cirineu Pereira
    22 de dezembro de 2018

    Síntese

    No conto, o narrador, um alter ego (talvez um amante), propõe à personagem um ato de insanidade que se resumiria a chocar os colegas de trabalho abandonando o local no meio da tarde, despindo-se e tomando um banho em.público e, por fim, indo para casa.

    Análise

    Um conto em que nada realmente acontece, ou aconteceu (e afinal, todo conto não é assim, uma vez que é ficção?), mas que se limita às proposições e suposições do narrador, o qual, durante toda a “história” se dirige diretamente à personagem, ou seja, o tempo verbal reinante é o imperativo afirmativo, recurso particularmente interessante à medida que ajuda o leitor (leitora) a colocar-se na posição da personagem e sentir-se inserido na história proposta.

    Arrisco-me a dizer que narrativas assim (que a propósito não são inéditas) exigem uma retórica excelente, uma vez que de fato nada realmente acontece e o texto é (muito mais que em narrativas convencionais) uma tentativa de “aliciamento” do leitor.

    Nesse caso, no entanto, o que se observa é uma aparente inaptidão do autor. Apesar do claro esforço por envolver o leitor, ao menos aqui, o domínio da língua não faz jus às necessidades do estilo narrativo. Muitas das frases são mal construídas, permitindo-se o narrador inclusive ao uso de uma gíria (Façamos uma brincadeira “tipo”…), enquanto que o discurso, em geral, fuja do coloquial e se proponha a ser relativamente erudito (ao meu ver, um tanto empolado). As metáforas e figuras de linguagem em geral me soam pouco eficazes. Enfim, um conto sem trama, ao meu ver, precisa encantar o leitor pela eficiência do estilo, o que definitivamente não acontece em O que você quer ser para não crescer.

  2. Wilson Barros
    22 de dezembro de 2018

    Um conto estilo crônica, conselhos de uma mulher para as jovens modernas.
    O estilo é de propaganda, quase que uma “autoajuda”. O conto é rico em palavras bem escolhidas, como uma peça de Shakespeare, tipo “inunda”, “acabrunha”, “porcelâmico”, “denodo”, “abespinhe”, etc, que tornam o conto belo como pérolas cultivadas. Há frases ótimas, carregadas de significado, como “não denote, conote”, “o tempo é o propósito e o despropósito”, “atitude viril”, “aguce o silêncio” ou “Lady Macbeth”, que denota a influência do bardo imortal. Há aqui um toque “Hemingwayano”. O conto pareceu-me a “História Natural dos Mortos”, de Hemingway, e se tivesse aquela ação no final seria perfeito. A rebeldia sem causa lembrou-me o estilo do Sidney. A revista Nova pagaria muito por isso. Só encontrei dois erros:
    Zaratrusta>> Zaratustra, ou Zoroastro
    Dada as coisas>>às coisas
    Excelente, parabéns

  3. Fabio D'Oliveira
    21 de dezembro de 2018

    O Que Você Quer Ser Para Crescer? – Lady Godiva

    Nesse desafio, irei avaliar cada texto de forma cruel, expondo os defeitos sem pudor. Mas não se preocupe: serei completamente justo na hora de decidir o vencedor do embate. Meu gosto pessoal? Jogarei fora neste certame.

    – Resumo: O narrador, que é basicamente um personagem, pega o leitor pelas mãos e mergulha com tudo em seus devaneios. Cheio de si e dono de toda a verdade do mundo, mostra como viver de verdade, desafiando os paradigmas e tabus da sociedade, sendo, simplesmente, você mesmo. Mas esquece-se da outra pessoa, do leitor, no caso, e parece discutir apenas aquilo que gostaria de fazer ou já fez. Mergulhado nesses devaneios, abre diversas reflexões válidas sobre nossa sociedade. É um conto diferente, sem início, meio e fim, não da forma tradicional, pelo menos. Sem estrutura sólida, o narrador nos leva até onde quer e vai embora quando quer. Esse é o fim.

    É um conto díficil. De ler, de avaliar, de gostar.

    A narrativa é muito densa, tornando a leitura pouco fluída, mas ela revela um dicionário rico e um dom poético lindo e valoroso. Tem que ler devagar, degustando cada frase e refletindo sobre as ideias levantadas. Para o leitor mais simples, que deseja a leveza e o fácil caminhar da história, esse conto deve ser um tormento. Para alguns, a leitura é uma válvula de escape ou um descarrego de estresse. Esse conto não ajuda nisso.

    Muitos irão confundir o que foi escrito, o que foi debatido, e até questionarão se é realmente um conto, mas isso é normal: tudo aquilo que é complexo sempre foi alvo de grande debate. Com isso, levanto apenas uma questão: você está ciente que seu público é limitado? E se importa com isso? Se não, tudo bem, toca o foda-se e seja feliz com sua arte. Mas se você se importa, talvez seja a hora de parar e reavaliar os caminhos da sua escrita. Encontrar um ponto de equilíbrio, sabe?

    Eu, pessoalmente, não gostei muito do texto. Pareceu-me algo muito pessoal, da autora, escrito para ela mesma. Quando se levanta a questão do que você quer ser para crescer, mas guia o leitor por um único caminho, ainda mais tratando-o como alguém do gênero feminino, unicamente, parece-me algo limitado. Para alguém que se identifique com a situação, talvez, o conto seja uma maravilha. Para mim, infelizmente, foi chato. Mas isso pouco importa: quis apenas levantar a questão de que o conto irá sofrer bastante por causa disso, por ser pequeno quando se trata de cativar a maioria do público.

    A parte técnica, bem, está de parabéns. Uma das melhores narrativas deste certame. Difícil, mas inegavelmente belo e poderoso.

  4. Pedro Paulo
    16 de dezembro de 2018

    RESUMO: Trata-se de uma série de recomendações destinadas a uma leitora, encaminhando-a a uma espécie de superação de sua condição “típica” para se tornar uma pessoa arrebatadora, uma transformação que a colocaria diante de uma série de etapas e posições surreais que misturam cenários mais íntimos como o banheiro como outros mais colossais, apocalíticos. O discurso se encerra abruptamente, como se o remetente tivesse se esquecido do que mais poderia dizer.

    O CONTO: No início, pensei em arriscar para atestar que não se trata de um conto, por supostamente carecer de um enredo bem delimitado, com início, meio e fim. Veja, isso não quer dizer que necessariamente precisa de uma narrativa tradicional, mas eu acredito que um conto precise de uma história sendo contada, o que não para mim não ficou claro aqui. Ainda assim, uma das coisas que a leitura me produziu foi um estado de perdição, acho que algo pretendido pela autora, de modo que na série de cenários e posturas contidas na leitura, possa haver alguma história que deixei passar.

    O imperativo persevera durante toda a leitura, de modo que o que se vê é uma série de cenas surreais sendo sugeridas a quem lê, sinalizando para uma transformação que por mais de uma vez indica superar ou chocar a sociedade. Isto entremeado com proposições filosóficas a respeito do tempo, do diabo, e trazendo também figuras literárias para demarcar mais ou menos que postura o leitor deveria seguir dentro dessa transformação. Bom, isso tudo é um tanto cansativo, pois não se sabe exatamente aonde se quer chegar e muitas vezes nem se sabe de onde estamos partindo e, enfim, parece que não se chega a lugar nenhum.

    Boa sorte!

    A DISPUTA: é uma disputa difícil e todas as outras foram, mas esta traz uma singularidade de ambos os contos terem me surpreendido por se trazerem em formatos que não parecem condizentes com o que um conto seria.

    Em “Crescer”, vê-se uma espécie de monólogo motivacional de caráter absurdo, enquanto em “Teatro” temos o que parece ser um poema descritivo do caos da sociedade. Em ambos os casos, não existe uma trama bem definida, pela qual se possa orientar a leitura em avaliação das decisões do autor quanto à narrativa. Existe, mais do que isso, um bom emprego da escrita, no que terei que fazer consistir a minha avaliação. Ambos os contos imergem o leitor e o obrigam a prestar muita atenção, pois há um esforço para justamente desorientar quem lê. De toda maneira, com base nisso, acredito que aquele que tem mais linearidade e, doravante, passa uma mensagem mais clara, é “O Que Você Quer Ser Para Crescer”, o qual nesta rodada favorecerei com o meu voto.

    Desejo muita boa sorte aos participantes para os confrontos que virão!

  5. Sidney Muniz
    15 de dezembro de 2018

    Bem… Precisei reler o conto, pois me senti mal em não compreender a ideia do autor(a), não sei se a culpa é minha, não sei, mas sabe, lendo novamente senti uma tensão maior desta vez, ainda que o texto “como conto” continue me desagradando bastante, mas… Olhando com outros olhos, vendo no texto uma crítica mais mordaz ao sistema capitalista, as decisões que temos que tomar, ao fato de uma hora ou outra termos que tomar partido, escolher um lado da moeda…

    Para mim o texto tem interessantes passagens, é filosófico, é inteligente, mas não consigo apreciá-lo como um conto, pois não o enxergo como um.

    Mas.. . contudo, porém, todavia… risos, é um texto forte, para um leitor que precise, e muitos precisam desse direcionamento.

    Com todo meu respeito, parabéns pela ousadia!

  6. Givago Domingues Thimoti
    11 de dezembro de 2018

    O Que Você Quer Ser Para Crescer?

    Caro(a) autor(a),
    Desejo, primeiramente, uma boa Copa Entrecontos a você! Acredito que ao participar de um desafio como esse, é necessária muita coragem, já que receberá alguns tapas ardidos. Por isso, meus parabéns!
    Meu objetivo ao fazer o comentário de teu conto é fundamentar minha escolha, além de apontar pontos nos quais precisam ser trabalhados, para melhorar sua escrita. Por isso, tentarei ser o mais claro possível.
    Obviamente, peço desculpas antecipadamente por quaisquer criticas que pareçam exageradas ou descabidas de fundamento. Nessa avaliação, expresso somente minha opinião de um leitor/escritor
    PS: Meus apontamentos no quesito gramática podem estar errados, considerando que também não sou um expert na área.

    RESUMO: O conto aborda os sentimentos angustiantes de uma mulher contemporânea, na qual precisa corresponder com as obrigações na qual a sociedade impõe. Com uma participação especial de Lady Godiva, que me parece ser uma manifestação da psiquê da personagem.

    IMPRESSÃO PESSOAL: Dos contos que li, esse é um dos melhores. Primeiro, porque me parece uma digressão psicológica e, quando bem feitas, são histórias na qual, embora não façam muito sentido, são as que mais encantam os leitores. Senti até um ar de Clarice Lispector no conto.
    Além disso, acredito que a temática foi muito bem escolhida. Uma realidade opressora adicionada à Lady Godiva, e sua sugestão no que tange em como lidar com tal conjuntura.

    ENREDO: O enredo é bastante interessante, pois mostra Lady Godiva tentando encorajar a personagem da história a tomar a mesma atitude que a mulher no século XIII, num ato de liberdade e rebeldia contra o sistema vigente. (Quer dizer, é apenas o que entendi)

    GRAMÁTICA: O conto sofre com alguns erros gramaticais, tais como erros na pontuação, os quais, com uma revisão mais profunda e cuidadosa, esses deslizes não passariam. Ainda assim, não é um fator que prejudica a narrativa.

    PONTOS POSITIVOS:
    • Frases muito fortes e cheias de significado, tais como “Mostre para eles num simples pestanejar de olhos que a publicidade e o marketing são um imbróglio que só servem para alimentar os imbecis “ e “Aliás, sobre o silêncio, até podemos dizer, ser ele, um idioma diabólico, visto ser esta a única linguagem que o diabo respeita.“;
    • Ótima escolha de temática. Quanto mais se pensa nesse conto, mais profundo ele fica!

    PONTOS NEGATIVOS:
    • Sinceramente, não encontrei um ponto negativo que valha a pena ser mencionado. Talvez esse conto seja um dos injustiçados do Desafio!

  7. Leandro Soares Barreiros
    8 de dezembro de 2018

    Bem, vamos lá.

    Acredito que a história se trate de um embate moral do subconsciente de uma personagem que se encontra descontente com o espaço que ocupa no mundo, e com o próprio mundo em si.

    Diante da aflição, o subconsciente propõe uma brincadeira que deveria representar os desejos mais ocultos da personagem que, por sua vez, teria como vontade mais profunda a independência do meio social que lhe cerca, junto com a hipocrisia das outras pessoas.

    Assim, toda a história trata do subconsciente transmitindo uma vontade e o conto, por si (aqui posso estar errado… aliás posso estar errado deste antes, mas aqui é mais importante) tem como proposta a importância da coragem para ser quem você é, independente da vontade dos outros.

    Meu problema com a história, então, foi o conflito do que ela propôs enquanto moral com aquilo que acabou escrevendo. Se tomar minha premissa como mais ou menos correta, a história em si não funciona, porque o que a personagem busca, na verdade, é aceitação camuflada de independência.

    O texto é muito bem escrito, com belas frases e uma narrativa criativa, mas esse impasse entre proposta e execução acaba fragilizando demais a leitura. Veja bem, quero deixar claro, não é que eu não tenha gostado por não aceitar a mensagem/moral da história, isso não é importante. O problema é que sinto que o que foi tentado se expor entra em conflito com o texto em si, e acho que isso não foi intencional.

    Precisei ler duas vezes para entender (ou não entender) a trama. Fui fazendo algumas anotações para conseguir acompanhar melhor, coloco-as abaixo (estão um pouco brutas, pois fui escrevendo conforme lendo), pois podem ajudar a visualizar o que está (ou não está, depende muito de eu ter ou não entendido a mensagem) contraditório.

    “1Propõe a brincadeira do que você quer ser para crescer para quem está insatisfeito com o mundo (para uma mulher)

    2Questiona que sonho se gostaria de realizar e afirma que o sonho não tem a ver com destino. O sonho seria a definição do que cada um é, pois é o sonho o desejo mais íntimo e independente dos juízos sociais. Narrador diz que sente ser você mesmo, talvez uma consciência. Ou, talvez, uma manifestação de que todos temos sonhos.

    3Inicia uma sugestão. Então, não é o que de fato acontece, mas um desejo de acontecer. Aqui algo estranho. A proposta é forjar a saída do trabalho de modo que essa saída choque os indivíduos que cercam a personagem. Estranho o sonho em si mesmo ser a busca do choque. Não faz sentido. Me parece, então, que a busca não é exatamente pelo choque, mas pelo esforço em garantir a própria identidade pessoal, buscando isso através de uma oposição entre a personagem e o resto do mundo.

    4 “E diga sem muitas pretensões que você faz parte do grupo das mulheres lindas e loucas e nunca ridículas. Finalize dizendo numa frase lapidar que, devido a isso, suas cinzas da pós morte será poeira com gosto e cheiro de mulher que foi bem amada.”

    Parece-me, aqui, que a busca por afirmação da própria identidade (provavelmente inventada, creio) diante do mundo ganha força. A personagem quer ser conhecida como aquela que faz parte de um grupo seleto de pessoas. Veja, não basta ser, necessita ser reconhecida. De fato, grande parte da nossa identidade é construída com o olhar do outro sobre nós mesmos, ou, ainda, com o olhar que achamos que os outros têm sobre nós. Este mesmo parágrafo reforça a preocupação com o pensamento do outro: “ E não deixe de manter o halo de mistério que você emana. “ Sinto que isso entra em conflito com o que achei ser a proposta original do texto.
    5º O restante da narrativa segue essa direção, embora eu não acredite que seja bem o interesse do autor. A personagem, ainda buscando sua independência da sociedade, mergulha cada vez mais profundamente na necessidade de ser reconhecida pelo mundo:

    “FAÇA-OS COMPREENDER o elo existente entre você e o macaco; a transposição macaco/homem/anjo, o osso e a espaçonave; e assim falou Zaratrusta, o Danúbio Azul e a cor da Terra! Mas não se esqueça de manter sempre a cara de louca descomprometida e ao mesmo tempo afogueada. Lembre-se! Você está prestes a se emancipar do mundo … Nesse momento COMECE A PREPARAR SUA SAÍDA TRIUNFAL.

    Reforço, posso ter entendido tudo errado. Corremos esse risco principalmente quando decidimos inovar em forma. Faz parte do jogo. Mas se entendi certo, vale a pena talvez modificar a moral da história.

    De todo modo, parabéns pela coragem e pela iniciativa de tentar algo novo.

  8. Regina Ruth Rincon Caires
    6 de dezembro de 2018

    Resumo/Comentário: O Que Você Quer Ser Para Crescer? (Lady Godiva)

    Confesso que acho difícil fazer um resumo do “conto”. Encontrei um texto reflexivo, uma conversa confidencial, daquelas que travamos com o ego em busca daqueles acertos desejados nessa jornada fantástica que é a vida. É uma narrativa que não deixa uma “história” que pode ser compilada, é uma abstração, uma concepção, um elaborado raciocínio de atitudes que deveriam ser seguidas, descrição impalpável.

    Um roteiro para se fortalecer a estima, o respeito que cada qual tem por si mesmo.

    Parece um dos muitos “balanços” que são feitos da vida, uma justificativa, um “desfile de beleza interior”.
    “Digo: “vamos juntos”, porque sinto em mim ser eu mesmo você também, portanto não se assuste; eu sou aquele que te tem apreço.”
    “Não se amedronte, eu estarei consigo.”
    “somos nós mesmos que nos damos todas as regras e desfechos possíveis” (será ????)

    O pseudônimo, que nos remete à feminilidade altiva (da lenda), traduz uma “desnudez” reivindicativa. Não desnudez do corpo, mas da alma. Retrata a força, a resistência. Em Portugal, citação sobre Lady Godiva é recorrente, atual.

    Texto lindíssimo, escrito com o encanto de nuances lusitanas:
    “arrulhos de ais” – “silêncio cavo” – “no vão dos abismos” – “nunca dantes imaginado” – “estrambóticos” – “cinzelar” – “não se bula” – “tome cuidados” – “porcelâmico” – “denodo” – “não se abespinhe” – “luar diáfano”…
    (interessante a cantiga bem brasileira enfronhada no texto: “Eu fui ao Tororó beber água não achei… Encontrei belo moreno que no Tororó deixei…”

    O autor lança mão de “neologismos” cabíveis, interessantes (ruandando – inencontrável).

    No texto, não encontrei os elementos de um conto. É uma narrativa linear, de teor fantástico, rico, de sensibilidade extrema, uma reflexão magnificamente retratada da força que mora em cada um de nós.

    Bela escrita, diria que o autor deve ser atuante na área de psicologia. Há muita profundeza em suas citações. Gostei muito, a leitura foi prazerosa.

    Se falhei na compreensão do texto, por favor, me desculpe… Foi isso que assimilei.

    Portanto, diante da decisão que me cabe, tendo no páreo: “OBANAM” (Balzac) e “O QUE VOCÊ QUER SER PARA CRESCER?” (Lady Godiva), o meu voto vai para “OBANAM” (Balzac).

    Boa sorte!

    Abraços…

  9. Fheluany Nogueira
    5 de dezembro de 2018

    O título do texto o resume. O primeiro parágrafo traz uma sequência de interrogações em que se inclui a do título. O restante do texto traz respostas para as perguntas, em orientações para o comportamento, como uma provocação, de uma interlocutora ausente ou das leitoras, em geral ou, ainda, da própria autora do texto (“porque sinto em mim ser eu mesmo você também”) — na minha opinião, sempre do universo feminino, buscando uma grande reação emocional, uma catarse.

    Esses conselhos variam desde como “realizar um sonho”, “cinzelar sua história”, comportar-se nos afazeres corriqueiros e orientar-se filosófica e politicamente. Parece-me uma forte crítica social, em certo tom de revolta e indignação, sobretudo, nas expressões do tipo: “mostre para eles, diga-lhes, eles não vão responder nada, porque nada sabem”.

    Um conto é uma narrativa que cria um universo de seres, de fantasia ou acontecimentos. Como todos os textos de ficção, o conto apresenta um narrador, personagens, ponto de vista e enredo. Necessita de tensão, ritmo, o imprevisto, unidade, compactação, concisão, conflito, início, meio e fim. Assim, não há aqui um conto no sentido tradicional, não há conflito, aproximando-se da crônica.

    A técnica na construção do texto é a conversa direta com “você que quer crescer”; predomina a função conativa ou apelativa de linguagem, com foco nos efeitos que se quer produzir no interlocutor. Prevalece, assim, o modo imperativo na ação verbal. O texto é pretensioso, no bom sentido, com linguagem que se mescla do popular, do clichê, de metáforas, referências simbólicas, citações, trechos de poemas.

    Texto bem escrito, com pequenos deslizes que não trazem nenhum prejuízo (mescla de pessoas gramaticais, uso dos pronomes, pontuação). Gostei muito da mixórdia de elementos que foram se agregando. Ritmo bom, leitura prazerosa.

    Parabéns pelo trabalho. Abraço.

  10. Ana Maria Monteiro
    5 de dezembro de 2018

    Observações: não podendo ser considerado um conto, no sentido formal, não deixa de ser uma leitura interessantíssima e de grande qualidade.
    Prémio “Até dá vontade de seguir o passo-a-passo para ver o que acontece”

  11. Virgílio Gabriel
    1 de dezembro de 2018

    Não entendi bem se isto foi um conto, mas vamos lá:

    Alguém está aconselhando uma mulher a mudar os seus hábitos. Esse conselheiro usa inúmeras metáforas, e se atenta a pequenos detalhes. A mulher, aparentemente, seguiu todos eles; e do mesmo modo, dá a entender que isso fez bem para ela.

    Fiquei me perguntando: Quem estaria conversando com a personagem? Seria uma crítica aos hábitos tradicionais das pessoas modernas? Seria uma espécie de auto-ajuda shakespeariana?

    Independente do que seja, é cansativo. Parágrafos grandes que repetem a mesma coisa de maneiras diferentes. O(A) autor(a) parece se preocupar mais em expor conhecimentos próprios, que entreter. Ora, apesar de ser importante a construção de críticas sociais, seria este o lugar adequado para expô-las? Bom espero não estar sendo injusto, pois aparentemente deve ter dado certo trabalho para escrever.

    Infelizmente não gostei. Esse estilo não me apetece, e sequer o considero como um conto. Porém valorizo a boa escrita e o trabalho árduo para desenvolver a obra.

  12. Júlia Alexim
    28 de novembro de 2018

    O texto começa com uma provocação é dirigido para mulheres enfadadas com as regras e convenções e com seu cotidiano. Provoca-as a pensar o que elas querem ser para crescer. Sugere quebrar as convenções, ficar só de calcinha, cobrir apenas um seio, agir sem remorsos, provocar uma transformação social e se fazer de indiferente. Depois disso, ela não deve se arrepender, olhar para trás, deve seguir em frente. O texto não tem uma história é um misto de prosa poética com texto político, tem um início instigante e bonitas imagens.

  13. Sidney Muniz
    26 de novembro de 2018

    Resumo: Isso não é um conto!

    Tá bom, agora vamos novamente:

    Resumo: Blá blá blá… esse é um conto que eu achei que não é um conto, mas vamos dizer do que ele fala… bem, na verdade este é um texto que às vezes lembra um bíblia maluca ensinando algo maluco, são tantas lições que a pobre da moça vai ficar perdida sem saber o que fazer… Em um ponto fala de política, mas qual será o foco? A mulher? Não entendi muito bem, e sinceramente até o resumo está difícil de fazer, li mas não engoli.

    Estou dando nota para o conto sem o pedido prévio de análise, caso venha a ser solicitado haverá o confronto das notas finais dos dois contos para escolha do vencedor do embate.

    Critério nota de “1” a 5″

    Título: 1 – Achei bem ruim.

    Construção dos Personagens: 1 – Seria interessante, mas até mesmo a pessoa que está dando as dicas não me convenceu, a ajuda aqui me afundou e eu me afoguei.

    Narrativa: 5 – A narrativa é muito boa, estou dizendo a forma como a narradora se expressa em palavras, deixando o texto fluir muito bem.

    Gramática: 5 – Muito boa, sem nenhum erro.

    Originalidade: 1 – Para mim o autor(a) não teceu um conto, então não consigo ver originalidade no texto, algo novo que me surpreenda como um conto, e não como os 1000 passos para crescer. Desculpe.

    História: 1 – Que história? Sinceramente não houve história. Realmente queria ver mais do autor, pois na gramática e na narrativa tem bastante potencial, mas a ideia, em minha opinião, foi desastrosa, mas eu sou chato demais, e muito franco às vezes e por isso já peço perdão se estou a ofender.

    Torço para ler novos trabalhos pois vi muita habilidade na escrita, realmente foi um bom escritor ou escritora que não teve uma boa ideia e execução!

    Total de pontos: 14 pts de 30

    Boa sorte no desafio!

    • Paulo Luís
      25 de dezembro de 2018

      Quem não sabe de nada não tem direito de expressar opinião, oras! Deixa isso para quem tem pelo menos alguma noção das coisas. Seja ao menos um alfabetizado funcional.

      • Fabio D'Oliveira
        25 de dezembro de 2018

        Ah, o ímpeto agressivo que nasce do ego ferido. Lindo e aterrador, ao mesmo tempo, hahaha.

      • Paulo Luís
        25 de dezembro de 2018

        hahaha. Digo eu.

  14. iolandinhapinheiro
    26 de novembro de 2018

    Bom dia, Lady Godiva, vamos ao resumo. A história basicamente é uma série de conselhos que alguém que quer que vc cresça dá durante o texto inteiro. Fim do resumo.

    Acho que está mais para uma crônica do que para um conto o que li. Não há propriamente uma história, mas indicações de coisas para uma mulher fazer e chocar as pessoas ao seu redor (digo mulher porque tem calcinha e seios na história, mas bem que pode ser a Daisy Dulce, que também é mulher mas com um detalhe). A escrita é muito boa, não encontrei nenhum problema gramatical, há trechos divertidos, a autora escolheu muito bem as palavras, tem um domínio excelente do idioma, o único problema do texto é que ele se torna chato, com tantos conselhos assim. Tudo está no imperativo: faça, ande, pense, cruze as pernas, levante, tome banho, olhe, ria, fique séria, etc. Não existe uma história aqui, mas um texto de autoajuda que ensina alguém a se libertar e perder o emprego por justa causa na sequência. Ninguém pode dizer que vc não seja uma pessoa corajosa, né? Palmas por isso. Mas criando este texto vc se expôs ao risco de não agradar às pessoas de mente menos aberta. Já li seu concorrente e agora eu vou refletir sobre a minha decisão. Uma abraço e boa sorte.

  15. Nathiely Feitosa
    24 de novembro de 2018

    Olá, Lady!
    Antes de começar os comentários, gostaria de dizer que não é fácil comentar e pontuar o texto do outro. Mas vamos lá.

    A primeira impressão que tive ao iniciar o texto foi a de que se trataria de uma temática essencialmente feminista. As referências lançadas ao longo do texto foram escolhas muito boas e condizem com o contexto daquela passagem específica. O conto é um pouco confuso, mas com um potencial fantástico. Houve uma confusão, na minha leitura, do ambiente da personagem. Achei que ela estivera fora do escritório em “Comecemos por forjar sua saída do trabalho pelo meio da tarde, um pouco antes do cafezinho. Faça-se de louca. Largue tudo o que estava fazendo.” e, logo em seguida, descobri que ambientei as cenas erroneamente. Mas a confusão também tem uma parcela de culpa minha e outra dessa instabilidade do seu texto – o que não é ruim, de forma alguma. Desconfio até que esse estado de palavras seja proposital para transpor uma ansiedade, caos e uma ausência de linearidade na história.
    Só não entendi a conexão entre título e texto. Ficou muito espaço entre os dois e eu não pude identificar alguma referência no texto inteiro à ideia que passa o título.

    É isso. Parabéns pelo conto! Abraços.

  16. Gilson Raimundo
    24 de novembro de 2018

    Monologo dirigido a uma interlocutora em potencial, onde o autor a incentiva a romper com a normalidade diária usando perguntas que muita vezes ele mesmo responde não dando tempo para que esta interlocutora se manifeste. Ele ´pede que ela deixe seu trabalho pela metade, saia sem dar satisfações e sem temer o que vão dizer, que ela viva a vida sem reprimendas pois esta é curta e deve ser aproveitada.

    As perguntas sendo respondidas pelo próprio interlocutor faz com que o leitor apenas compare suas opiniões, não permite um pensamento livre pois o texto se torna um pouco corrido. O grande número de referência ou citações deixaram o texto muito carregado, não percebi um clímax ou desfecho apesar do entusiasmo do narrador.

  17. Gustavo Araujo
    21 de novembro de 2018

    Resumo: uma espécie de manual de conquista da própria independência dedicado às mulheres em geral.

    Impressões: Muito bem escrito, este texto consiste num libelo a favor do feminismo – o que leva minha simpatia logo de cara. São parágrafos e mais parágrafos de recomendações para que as mulheres conquistem a liberdade que lhes é de direito, adotando atitudes, gestos e posições para marcarem sua presença. Embutidas estão também recomendações para que o público a que se destina o texto também se liberte das amarras convencionais impostas pela sociedade, assumindo posturas que, no fim, tendem a construir pessoas mais felizes com seus eus-verdadeiros, abandonando máscaras e personagens montados para satisfazer os outros.

    Embora eu concorde com cada linha do que foi escrito, devo dizer que, como conto, o texto não me agradou. Achei que ficou repetitiva, enfadonha até, essa sucessão de sugestões que, em certos momentos, aproximaram-se perigosamente da auto-ajuda barata. Seu propósito está ligado à sociedade em que vivemos, à maneira como vivemos, sendo por isso válido. Não obstante, assemelha-se a um panfleto, sendo inexistente uma história, um conflito. Por difuso que é, abre mão de personagens específicos, apostando num direcionamento genérico. Uma manobra arriscada e que, talvez, funcione a depender de quem lê. Não foi meu caso, infelizmente, ainda que eu reconheça a perícia com que foi escrito.

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Informação

Publicado às 20 de novembro de 2018 por em Copa Entrecontos e marcado .