EntreContos

Detox Literário.

A Penúltima Ceia (Rafael Sollberg)

Se o cenário fosse retratado em um famoso quadro, nem o artista mais talentoso conseguiria reproduzir a mancha incômoda – formada pelo cheiro doce e enjoativo de vinho novo – que pairava no ar da humilde taberna.  A prece, as lições e, obviamente, a cantoria desafinada, já haviam sido ultrapassadas seguindo a liturgia habitual. O resto do cozido tombado no canto da mesa acompanhava o silêncio momentâneo, tal qual Bartolomeu e seu olhar pastoso de quem exagerara mais uma vez. Mas a realidade é que a rara fartura cobrava seu preço de forma tão implacável como um publicano de Roma. Naquela extensa mesa de jantar, o grupo normalmente podia ser dividido entre glutões e beberrões, não raro essas espécies habitassem vez por outra um mesmo hospedeiro. Porém, diante das circunstâncias do momento, a azia aplacada ou potencializada pelos efeitos da bebida era a sensação universal experimentada por todo o grupo. Os laços de solidariedade e camaradagem reforçados pelos prazeres e pecados mundanos.  Tudo convergindo para o fim, ou um novo recomeço.

– Você conhece Jesus Cristo? – Pedro perguntou, sério como um soldado romano diligente.

– Já ouvi falar… – respondeu o líder, virando o último gole de vinho quente na garganta.

– Você conhece Jesus Cristo?

–  Só de vista! – retrucou de pronto, arrancando uma estrondosa gargalhada dos amigos que ainda estavam acordados.

– Você conhece Jesus Cristo?

– Muito mais do que você imagina – o sujeito retrucou com fanfarra para o deleite de sua confraria.

– Por favor, pessoal. Isso é sério.

– Não vai dar certo, Pedro.

– Já foi decidido, Jesus.

– Vocês todos concordaram com isso? – Jesus perguntou encarando todos os seus seguidores, mesmo os que sequer demonstravam prova de vida.

– Sim, nós votamos, foi unanime… – Pedro explicou revirando os olhos.

– Unânime, está em ata – Simão balbuciou de forma decorada.

– Eu não participei… – Cristo resmungou amuado.

– Nós já conhecíamos o seu voto! Mas tudo bem, fica registrado, 13 votos a favor, 1 contra. Simão, por obséquio, tome nota.

– 13 a favor, 1 contra! – repetiu o secretário.

– 13?

– Madalena também votou.

– Não acredito que vocês a envolveram… Ela concordou com essa sandice!?

– Claro que sim. Sem ela não há a menor chance de dar certo.

Jesus meneou a cabeça, visivelmente contrariado. Fechou os olhos demoradamente e esfregou a testa com a palma da mão ainda incólume. O álcool – laico por excelência – não respeitava nem mesmo um corpo santo. Com propriedades desmistificadoras, revelava sem dó a nudez de qualquer alma, iluminada ou não.  Cristo sabia bem disso, mas mesmo assim não conseguiu se conter. De impulso, acabou tripudiando da força tão singular daquele liquido. As ideias misturadas na cabeça sempre tão ordenada.

Encarou mais uma vez a caneca, agarrada a sua mão como um prego destemido, e pensou novamente no tal plano.  Naquele momento tudo parecia demasiadamente simples, aliás, de uma simplicidade quase pueril. A ausência de complexidade, que poderia ser algo reconfortante para um sujeito que costumava abraçar a singeleza, era motivo de dúvida jamais experimentada. Não eram mais garotos correndo sem rumo pelo deserto, enganando mercadores relapsos e apresentando novos truques nos acampamentos. Agora eram uma trupe com propósito, incumbidos de uma missão de grande responsabilidade política, moral e espiritual. Uma nova ordem que prometia abalar o mundo

– Portanto, se te perguntarem, qualquer coisa, você, vai negar. Não, é, difícil. – Pedro explicou, pronunciando pausadamente as palavras e aplicando vírgulas desnecessárias na frase.

– 13 a favor, 1 contra – Simão vociferou entre soluços.

– E quem será “eu”? – Jesus perguntou de forma debochada.

– Tiago.

– Ele é mais baixo, mais novo.

– O povo só te conhece de nome, Jesus. Se chegar um cara magro em uma túnica acinzentada, cabeludo e de barba, sentado num burrinho velho, ninguém vai ficar criando caso.

Cristo sabia que isso fazia sentido. A palavra era a pedra base de sua reputação e precedia qualquer predicado físico. Não raro eram os episódios em que chegavam nos vilarejos e o povo corria para cercar João ou Tiago, esperando uma lição do tal Salvador. Ele, por sua vez, divertia-se com o embaraço de seus companheiros e até estimulava esse protagonismo. Oportunidade de lembrá-los que eram um só corpo.

Uma coruja sobrevoou o recinto – um pouco acima das cabeças resistentes – interrompendo os devaneios e fazendo-se de presságio de ampla interpretação.  Jesus mordeu o polegar, enquanto encarava o horizonte duplicado. “Onde estariam os reis magos e seus presentes?”. Tudo parecia tão distante, a longa jornada resumida num estalar de dedos.    

Percebendo o semblante entristecido do Messias, Felipe levantou-se cambaleante, bateu com força na roupa para espantar os farelos salpicados por todo o colo e desafiou Cristo com um olhar brioso. Ato contínuo, em uma cena emudecida pelas ações, abraçou seu guia de forma efusiva e descansou sua cabeça no ombro escolhido.  Ternura etílica de fazer corar até o que não era bochecha. Pedro ergueu os braços, acarinhou com um gesto distante todos os amigos e disse:

– Tá todo mundo se arriscando aqui, Jesus. Não só Tiago. Iscariotes mesmo está colocando toda a reputação em risco para que o plano dê certo.

– Tiago, tá sabendo da parte que vai ser torturado? – Ele perguntou de forma quase retórica para o sujeito que roncava sobre uma poça de baba e sob um ninho de cachos. A verdade é que essa inconsciência oportuna era a resposta instintiva do discípulo. A perspectiva da Via Crucis havia aumentado drasticamente sua sede. Lógico que tinha muita convicção no projeto idealizado por Pedro, mas o receio, tão humano, ricocheteava em forma de perguntas nas paredes de suas entranhas. “E se Jesus não conseguir me reerguer? Ou pior, me ressuscitar como um novo homem, abstêmio?“. Com novas corujas voando dentro dos seus sonhos, Tiago ajeitou suas zigomas no tampo de madeira macia travestido de travesseiro e suspirou alto, assoprando ar pelos lábios macilentos e encharcados.

– De qualquer modo, Mestre, eu pensei nisso! Lembra na Galiléia quando ele tomou aquele chá e ficou três dias em estado catatônico?  

– Meu Deus, Pedro!

– Nosso!

– 13 a favor, 1 contra!

– É lógico que você tem que fazer a sua parte, aquele esquema de ressuscitação – Pedro disse, ignorando Simão e seu interminável papel de secretário.

– Não é assim que funciona, irmão!

– Tem que funcionar! Até porque são dois, Iscariotes também vai entrar nessa.

– Crucificado?  – Jesus perguntou de chofre, elevando o tom de voz.

– Nada disso! Ele vai se enforcar, pra fingir que se arrependeu, compreende?

– Não!

– Olha a mensagem por trás disso, Cristo! “Não aguentou o peso da traição, da consciência carregada, e preferiu tirar a própria vida.” É o tipo de coisa que entra pra história.  

– Vocês são loucos!

– Ou gênios?

– 1 contra…

– O que meu pai vai pensar disso?

– Que o livre arbítrio dos homens salvou o seu filho e, ainda assim, deu seu recado para a humanidade.

– Tu sabes que ele odeia ser contrariado!

– Mas ai, conversa com ele. Diz que a gente resolve tudo sem sangue, sem dilúvio, praga e o escambau.  

– Não sei não…

– A gente foca mais na trama, nos personagens. Pra ficar mais crível. Vamos deixar a natureza ser natureza, espectadora, um lance mais de paisagem mesmo.

– E depois?

– Continuamos espalhando a palavra. Você, Maria, eu, nós.

– Não parece certo.

– O mundo é muito grande, Jesus.

– Não duvido.

– Seremos quatorze discípulos e uma só mensagem.

– 13 a favor, 1 contra! – Simão calculou em voz alta.

– Preciso pensar.

Jesus penteou um fio de cabelo que havia se enroscado na sobrancelha e guardou um fio de esperança que despontava em seus olhos. Entabulou uma conversa consigo e com seus outros dois. A trindade dialogando sem plateia. Sem dúvida, a eloquência e persuasão do seu grande amigo ainda ecoava na sua imensa confusão de espírito e matéria. O absurdo de tão ordinário não parecia mais improvável. Precisava admitir uma crescente admiração pela engenhosidade daquele seleto grupo de pescadores. Orgulho transcendental, que deixou fluir por todo o seu corpo em um abraço demorado nos seus irmãos de causa. Um por um, alternando alegria e tristeza, expectativa e consternação, dúvida e cruel certeza. Mas a realidade é que – como todo homem de grande insanidade – Ele possuía o insólito dom da premonição A loucura encapsulada na mente antecipando os eventos que mais ninguém conseguia pressentir. O sofrimento lancinante da pré-catástrofe. Calcanhares desprotegidos pelo acaso por ordem do destino. Embora tudo muito pequeno perto da imensa dádiva da existência. Impávido, deu uma mordida no resto de pão rançoso e um trago no vinho inebriante. Sentiu o sangue ferver e o estômago reclamar em uma verdadeira consubstanciação. Sentença proferida.

Enfim, quando Pedro apertou sua mão, visando selar o pacto e, por intermédio de um olhar anuviado de melancolia, perguntou sobre a decisão final, Jesus Cristo apenas sorriu em silêncio, iluminando a taberna e antecipando a alvorada do novo mundo.

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19 comentários em “A Penúltima Ceia (Rafael Sollberg)

  1. Pedro Paulo
    23 de dezembro de 2018

    RESUMO: O conto se passa em uma reunião entre Jesus e os seus apóstolos, na qual o Messias relutantemente concorda com o plano elaborado pelos seus seguidores para fazer pensar que o crucificado seria Jesus, quando na verdade seria Tiago se passando por ele, empreitada que envolveria até o Judas na farsa. A conversa é feita entremeio a álcool e muitos dos apóstolos já tinham apagado, Jesus e Pedro sendo os principais a discutirem essa decisão e os seus impactos, inclusive sobre o que Deus acharia quilo, enfim concluindo por seguir com o plano.

    O CONTO: Gostei bastante deste conto. Revê a clássica pintura de Da Vinci ao imbuir um propósito (não totalmente sagrado) à reunião. Com isso, o autor soube incluir a banalidade em um grau acertado, pintando sobre aquela reunião o cenário de uma conversa de bar em que os rumos da Criação estariam sendo decididos num plano meia-boca que obviamente inspira dúvida. Muito bem, é uma boa premissa e o conto não teria sido tão bom se o autor não tivesse sabido desenvolvê-la, no que abaixo explicitarei alguns pontos específicos.

    Em primeiro lugar, as comparações e metáforas são todas bem acertadas, evocando o plano de fundo romano do tempo em que viveu Jesus. Depois, temos as referências religiosas que deixam a leitura com uma identidade própria, satírica, mas ainda dentro do contexto. “Meu Deus, Pedro”, “Nosso!”. Deixa a leitura bem-humorada. O papel de Simão como secretário, pontuando a conversa com a contagem dos votos, também é muito engraçado e contribui com a “banalidade” que o conto deixa característica do grupo, deixando-o mais burocrático e menos “divino”, como deveria ser. Muito bom! Parabéns!

    A DISPUTA: Como em todo confronto, devo deixar claro que ao votar, sempre tomo que cada conto traz a sua própria proposta, especialmente em um certame de tema livre. Dessa maneira, começo a minha decisão exaltando a alta qualidade de ambos os contos, a “Ceia” com o seu teor bem-humorado e o suspense do “Cheiro Vermelho”. Nesse sentido, resta avaliar a execução, em que ambos também se sucederam muito bem. O autor da “Ceia” soube se aproveitar do contexto para escrever algo bem engraçado e em “Cheiro Vermelho”, o modo como soube dar as informações contribuiu para deixar o leitor desprevenido para o que viria. Sendo assim, há duas formas diferentes de astúcia, cada uma presente em cada conto, fazendo dessa uma escolha particularmente difícil em que tenho que apelar para a subjetividade. Neste confronto, meu voto favorece “O Cheiro Vermelho de Tinta”, somente por achar uma tarefa mais desafiadora escrever em termos de suscitar suspense. Como esta deverá ser a última rodada, aproveito para parabeniza-los pela participação, como votantes e como contistas. Até mais!

  2. Paulo Luís
    21 de dezembro de 2018

    Olá, Simão, o Canafeu, boa sorte no desafio. Eis minhas Considerações sobre seu texto.

    Enredo: A seita dos apóstolos, após uma comilança acompanhada de uma bebedeira, discute-se, com certa zoação, a votação da reunião antecedente, sobre certa decisão.

    Gramática: Sem entraves, com a narrativa fluindo perfeitamente. Apenas esse traço não deveria existir, pois não se trata de uma fala, mas de uma constatação. “– Pedro disse, ignorando Simão e seu interminável papel de secretário.” Aliás, os diálogos devem ser sinalizados com travessão, e não com traço.

    Tema: Logo no primeiro parágrafo, a narrativa já surpreende pela qualidade da construção do texto. Em seguida o irreverente humor contagia com tiradas hilárias. E fina ironia. A trama em si, simples registro de uma cena que, se não existe nos anais bíblicos, mas nos apócrifos, com certeza. Um humor refinado e inteligente, o que leva a brincar com o texto com maestria. Para seguir a mesma temática do conto, minha avaliação, portanto, é de que acabei de me deslumbrar com um trabalho divino!

  3. Gilson Raimundo
    21 de dezembro de 2018

    Jesus se encontra em uma taberna, rodeado por seus discípulos que bolaram um plano para substitui-lo no ato da crucificação, como ele tinha o poder de ressucitar os mortos, Deus mandaria seu recado e ninguém morreria. Tudo foi debatido e aprovado em assembleia apesar de Jesus não ter gostado do resultado. 13 a favor e um contra.

    Uma releitura criativa de uma passagem bíblica com pitadas de humor durante um assunto sério, lembra muito o humor do grupo Mont Python. O autor soube manter a atenção e expectativas do leitor em relação ao resultado do plano, fica a dúvida. Foi executado ou não o artifício? Cada leitor, certamente terá seu palpite. Boa sorte no desafio.

  4. Fil Felix
    16 de dezembro de 2018

    Boa tarde! Uma versão dos apóstolos e Jesus, conversando como irão levar a palavra adiante, porém sem a parte mística e sim mais realista, como uma trupe de circo, indo de cidade em cidade pra instalar o cristianismo.

    Um conto muito interessante, uma releitura de algumas passagens da Bíblia. Num desafio eu fiz algo semelhante, recontando o Gênesis. Mas de maneira mais discreta. Aqui o autor utiliza do sarcasmo, da ironia, pra colocar por terra tudo que o pessoal acredita, mostrando apóstolos que sabem o que estão fazendo, planejam as ações e vão, de ponto em ponto, criando uma trama e uma lenda, a de Jesus. Achei arriscado (tendo em vista leitores que possam se incomodar), bem contado e trazendo uma nova visão dos fatos.

  5. Miquéias Dell'Orti
    16 de dezembro de 2018

    RESUMO

    Em uma versão bem humorada da Santa Ceia, os discípulos de Jesus confabulam um plano para salvá-lo da crucificação, fazendo com que Tiago, um dos discípulos, tome seu lugar na história.

    MINHA OPINIÃO

    É um ótimo conto. Eu simplesmente adorei a forma epistolar com que você inseriu Jesus e os discípulos nessa palestra durante a ceia.

    Criativo o bastante para nos fazer pensar que poderia mesmo ter acontecido dessa forma, afinal, a reverência e a bondade dos discípulos de Jesus poderiam muito bem fazer com que eles tentassem salvá-lo da crucificação de alguma forma.

    O final foi bem bonito. Ficou aquela impressão de que Jesus decidiu realmente se sacrificar, por conta, inclusive, do amor que seus discípulos expressavam por ele.

    Um ótimo trabalho.

    Parabéns.

  6. Ana Carolina Machado
    13 de dezembro de 2018

    Olá autor, tudo bem? Um conto que reinventa um trecho bíblico e o coloca em uma outra pesperctiva e narrativa, mostrando um tipo de reunião entre Jesus e os discipulos que começam falando sobre uma decisão que foi tomada por votação com placar unanime, placar que muda para 13×1 depois. Logo após é explicado que eles decidem que Tiago vai se passar por Jesus e que Judas vai fingir se enforcar devido ao plano deles. Depois de alguns momentos é tomada a decisão final e encerra falando de uma alvorada que indicaria uma mudança a frente. O conto tem o estilo de obras como “O código Da Vinci” e uma do José Saramago que não lembro o nome exato agora e acho que o conto poderá causar uma certa polêmica como as obras citadas devido a ter na narrativa elementos que vão meio que contra as coisas citadas na Bíblia Sagrada. Boa sorte no desafio.

  7. Amanda Gomez
    9 de dezembro de 2018

    Uma história inusitada, da penúltima ceia antes da crucificação de jesus, onde Pedro e os outros apóstolos armam um plano engenhoso para impedir que isso aconteça. Jesus não está à vontade com isso, o decorrer do texto fala como eles farão isso sem dar muitos detalhes ao leitor. Haverá sacrifícios, mas jesus no alto de sua sabedoria profética saber como terminará essa história, e a unica coisa que parece lhe importar é passar mais algum tempo com seus fieis amigos antes do fim.

    _______________

    Olá, Simão! Tudo bem?

    Seu texto é bem inusitado, confesso que o li duas vezes para tentar pegar a sua real intenção ao escrevê-lo, confesso tbm que talvez tenha falhado um pouco. Gostei da história, foi interessante acompanhar essa nova visão de como as coisas poderiam ter acontecido, oras, de certo houve muitas mentes querendo evitar a todo custo o que aconteceu, mas tinha que ser. Gostei dos diálogos e dos personagens o autor escreve muito bem. Gostei do final, soou melancólico. O paragrafo antes, com os pensamentos de jesus, é muito bonito.

    Parabéns!

  8. JULIA ALEXIM NUNES DA SILVA
    9 de dezembro de 2018

    O conto relata uma pré última ceia em uma taverna, com muito vinho, em que os apóstolos, votam todos a favor de um plano: que Tiago tomasse o lugar de Jesus na via crucis e, depois, fosse ressuscitado por este. Jesus é o único voto vencido. No final, um diálogo não escrito de Jesus com os outros membros da santíssima trindade e um sorriso enigmático deixam dúvida se o plano vai ou não se concretizar. A ideia do conto é ousada, criativa e instigante, a condução é boa. Na forma, o conto mostra talento e domínio da linguagem, só é um pouco árido e acadêmico, os travessões quebram um pouco o texto. Um dos contos mais originais dentre os que li, tem algo de único no texto.

  9. Marco Aurélio Saraiva
    7 de dezembro de 2018

    É um conto muito bem escrito e muito inteligente e criativo. A caracterização de cada personagem foi muito interessante, especialmente o Jesus humanizado, bêbado e preocupado com os seus amigos “loucos”. Foi uma imagem divertida e ao mesmo tempo muito interessante de ver!

    Você é excelente com palavras, mas às vezes acho que tece sentenças tão complexas que tornam a leitura um pouco lenta e travada. Nada muito preocupante, já que não é assim durante TODO o conto (apenas algumas partes) mas, mesmo assim, algo que às vezes incomoda. Além disso minha outra crítica ao conto é o final, que é muito “aberto”. O conto não tem clímax; apesar da ideia excelente e uma execução incrível, não há conclusão.

    No mais, foi uma leitura prazerosa e divertida, e que dá o que pensar!

  10. Fabi
    2 de dezembro de 2018

    Adorei esse conto. Muuuuiiiito ousado!!! Uma nova versão da Santa Ceia Bíblica com a inserção de uma 13o “apostóla”, mas que na história real Jesus Cristo gostou muito da sinceridade dessa mulher. Essa versão da Santa Ceia me pareceu de uma trama mafiosa. Parabéns ao autor.

  11. Fabi
    2 de dezembro de 2018

    Adorei esse conto. Muuuuiiiito ousado!!! Um nova versão da Santa Ceia Bíblica. Parabéns ao autor.

  12. Matheus Pacheco
    29 de novembro de 2018

    Resumo: O conto conta uma história paralela a da última ceia de Cristo, como descrito no título a penúltima ceia que Jesus teve com seus discípulos antes do Calvário, mostrando um plano engenhoso, bolado por Pedro, para tentar salvar a vida de Cristo.
    Comentário: Um lapso de heresia misturado com esperança, mostrando uma discussão totalmente válida dos aprendizes fazendo o possivel para salvar seu mestre. Infelizmente todos sabemos o final da história, mas não deixa de mostrar os “E se…” da história.
    Um abraço e um ótimo conto.

  13. Ana Maria Monteiro
    29 de novembro de 2018

    Conselho: não tenho, até por que o assunto em questão é-me pouco familiar e esta está muito bem montada, quanto à escrita no seu todo, está bem.
    Prémio “Teoria da conspiração”

  14. Jorge Santos
    23 de novembro de 2018

    Primeiro texto que leio neste desafio. Na penúltima ceia, os discípulos decidem que Tiago irá tomar o lugar de Jesus e ser crucificado em seu lugar. A trama é diabólica, passe a expressão. O texto cuidado, sem falhas e revela um escritor com experiência. Os diálogos são incisivos e com um humor negro muito bem explorado, lembrando alguns sketchs dos Monty Python. Não vejo qualquer problema com a temática, se bem que pode chocar algumas mentes mais puritanas e conservadoras. Da minha parte, convivo bem com estas viagens – caso contrário não teria feito também um texto que se cruzava com a história de Jesus ou eventualmente Tiago, o final do seu conto não é totalmente revelador neste aspecto.

  15. Sidney Muniz
    21 de novembro de 2018

    Estou dando nota para o conto sem o pedido prévio de análise, caso venha a ser solicitado haverá o confronto das notas finais dos dois contos para escolha do vencedor do embate.

    Resumo: Este conto trata de uma realidade “histórica” alternativa onde a crucificação de Jesus foi de certa forma forjada, sendo que Jesus de fato não foi crucificado, e tampouco Judas foi seu traidor, na verdade trocaram Jesus de lugar com outro dos apóstolos e concatenaram a maior farsa de toda a história, Judas teria sacrificado a própria via em amor ao Cristo que antes de concordar com a trama era o único a votar contra a ideia, mas ao final concordou.

    Um contaço na minha opinião!

    Critério nota de “1” a 5″

    Título: 5 – O título é perfeito.

    Construção dos Personagens: 4 – como aqui os personagens já existiam e já temos uma ideia deles o autor precisou apenas maquiá-los de acordo com suas necessidades. Isso foi bem feito, mas achei que essa foi a parte mais simples mesmo respeitando o mérito.

    Narrativa: 5 – Uma narrativa perfeita e com técnicas excelentes para dar suspense e tensão do início ao final.

    Gramática: 5 – Sem nenhum problema visto por mim.

    Originalidade: 4 – Ideia muito boa, apenas por se tratar de uma releitura vai perder um pouco da originalidade por apenas recriar uma teoria. Mas entendo que a ideia é ótima mesmo!

    História: 5 – Mesmo não te dando nota máxima pela originalidade te dou nota máxima pela história pois da forma que foi contada me agradou completamente!

    Total de pontos: 28 pts de 30

    Boa sorte no desafio!

  16. Givago Domingues Thimoti
    21 de novembro de 2018

    Caro(a) autor(a),

    Desejo, primeiramente, uma boa Copa Entrecontos a você! Acredito que ao participar de um desafio como esse, é necessária muita coragem, já que receberá alguns tapas ardidos. Por isso, meus parabéns!

    Meu objetivo ao fazer o comentário de teu conto é fundamentar minha escolha, além de apontar pontos nos quais precisam ser trabalhados, para melhorar sua escrita. Por isso, tentarei ser o mais claro possível.

    Obviamente, peço desculpas antecipadamente por quaisquer criticas que pareçam exageradas ou descabidas de fundamento. Nessa avaliação, expresso somente minha opinião de um leitor/escritor

    PS: Meus apontamentos no quesito gramática podem estar errados, considerando que também não sou um expert na área.

    Resumo: A reunião de Jesus e seus 12 apóstolos. Aparentemente, ocorreu uma votação para evitar o final trágico de Cristo que todos nós conhecemos. No final, fiquei em dúvida se Jesus Cristo realmente acatou a decisão dos colegas e da Madalena

    Impressão pessoal: Bom, embora eu tenha sido batizado na Igreja Católica, confesso que não sou um grande religioso. Por isso, talvez, eu não tenha entendido muito bem o que aconteceu nesse conto. Reli o conto três vezes para checar se não perdi alguma informação. Sei que senti falta do Judas.

    Enredo: O enredo é bom. Tem algumas leituras novas, tais como Jesus Cristo sentir o efeito do vinho, ou apóstolos beberrões e glutões, contrastando com a ideia sacra da versão bíblica (eu não li a Bíblia, mas acho difícil que isso tenha aparecido). Achei a leitura fluida, embora em certos pontos trave um pouco. A linguagem empregada também sofre com essa alternância; ora culta, ora coloquial.

    Gramática: Acho que faltou um acento circunflexo em unânime, mas talvez seja um artifício do autor. Fora isso, talvez uma virgula ou um ponto ali ou acolá.

    Pontos positivos:
    • Gostei do final um tanto aberto do conto;
    • O(a) autor(a) demonstra talento em trabalhar com as palavras. Gostei bastante de algumas construções, tal como “O álcool – laico por excelência – não respeitava nem mesmo um corpo santo. Com propriedades desmistificadoras, revelava sem dó a nudez de qualquer alma, iluminada ou não. “
    • A releitura (não sei se dá para chamar de releitura, mas tudo bem) foi uma ideia bastante criativa

    Pontos negativos:
    • Fiquei com a sensação que perdi algo, mesmo com três leituras;
    • Consegui perceber o talento do(a) autor(a), porém, não sei ao certo se ele(a) teve sucesso em potencializar para o conto como um todo essa habilidade com as palavras.

  17. Leandro Barreiros
    21 de novembro de 2018

    O conto propõe um episódio anterior à Santa Ceia que serviria como uma explicação para os acontecimentos bíblicos que se desenrolaram desde a traição de Judas. A história aqui, que serve como uma espécie de prequela para os “fatos” conhecidos, sugere que a narrativa bíblica seria um engodo. Um dos discípulos seria oferecido como sósia de Jesus, provavelmente morto, então ressuscitado pelo profeta. Judas tomaria parte no plano, acusando o discípulo Tiago e depois se enforcando para fingir arrependimento. Posteriormente todos seriam revividos e espalhariam o evangelho de Cristo sem tanta preocupação (pelo menos na teoria), já que o líder estaria morto.

    Achei a história bastante interessante, na medida em que não se trata de puro criticismo histórico/religioso, nem se perde nos esforços excessivamente laicos de garantir uma explicação científica para histórias fantasiosas. O autor, independente de sua crença, admite a história como tradicionalmente proposta, e, dentro das próprias regras da mitologia cristã, brinca com as possibilidades e tenta eliminar os “furos” bíblicos. Mistura religião, mágica, história e astúcia de forma bastante convincente e mesmo divertida, com as recorrentes interdições de Simão.

    Nesse sentido o texto é bastante feliz. Claro, questões sobre as ações de Cristo, o limite de sua pureza, a mentira como ferramenta cristã, o fim pelos meios etc, podem surgir, mas não acredito que marquem o texto de maneira negativa.

    A escrita é leve, direta e sem muitos floreios. Me entreteve.

    Parabens ao autor.

  18. Sidney Muniz
    20 de novembro de 2018

    Muito interessante essa releitura.

    Gostei muito da maquinação da história, da realidade “histórica” alternativa e de como os floreios no conto trazem nuances interessantes como o “álcool” não perdoar nem mesmo o corpo santo… risos, e o fato de Madalena ter participado da votação, isso de fato foi interessante, e me levou a imaginar a polêmica tese de Maria Madalena e Jesus terem sido casados.

    A escrita é muito boa, realmente o autor(a) mostra muita habilidade nesse quesito e demonstra domínio da língua pátria, tem a capacidade de manter uma linha de narrativa, não cansa, usa bem as palavras e pesquisou o suficiente para construir uma boa trama alinhada com a imagem escolhida para representar o conto.

    Adorei a trama e a negociação, certamente um conto aspirante aos primeiros lugares, a depender dos pareamentos, claro, pois mesmo sendo o segundo que li, terceiro com o meu, acho que esse já ganha do meu… mas o meu ganha de quem?

    Sério, voltando a normalidade, vou ler e comentar todos os contos, decidi isso quando me inscrevi e a medida que forem vindo as solicitações para minhas leituras e votação, vou relendo e fazendo conforme solicitado.

    Neste trabalho vi um artista maduro o bastante, como tem tantos assim por aqui, para mim que estou meio afastado é difícil adivinhar quem escreveu, mas penso em alguns possíveis candidatos.

    Parabéns!

  19. Julia Mascaro Julia Mascaro Alvim
    20 de novembro de 2018

    me fez concluir coisas transcedentais. bonito.

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Publicado às 20 de novembro de 2018 por em Copa Entrecontos e marcado .