EntreContos

Detox Literário.

Perto do Fim (Fabio D’Oliveira)

 

Ela me encara por longos segundos e repete a pergunta:

— Tem certeza? Vai ficar para trás?

Seu cabelo balança violentamente por causa da ventania, que uiva e preenche cada pedaço daquela maldita fazenda.

— Não vai junto? — insiste.

Vejo meus sobrinhos me olhando por detrás da janela. E meu cunhado se mantém firme no volante, olhando pra frente, indiferente, ansioso para ir embora. Ele me odeia. Acho que sempre odiou.

— Não, vou ficar.

Minha irmã solta um longo suspiro e abaixa a cabeça. Seus lábios tremem, cerra os punhos e apoia a cabeça em meu peito. Chora.

— Por favor… Eu te amo…

Abraço-a.

— Vai, agora — digo, soltando-a e fazendo um rápido cafuné. — Está quase na hora

Ela seca as lágrimas, olha demorada e atentamente para mim — talvez tentando memorizar cada pedaço do meu rosto. Ela ri, mais para ela do que para mim, e vai embora. Permaneço imóvel até o veículo sumir na escuridão da estrada. Alguns minutos se passam. Percebo, por fim, que minha pequena realmente foi embora. Aquela menina inocente e doce que me seguia para tudo que é lugar. Todos crescem, algum dia.

Nove e meia da noite. E o céu está relativamente claro. Sem estrelas. Olho para meu carrasco, tão grande, tão perto, tão imponente. Engraçado… No início, fiquei com medo. O fim. Mas fui me acostumando com a ideia. Não, na verdade, comecei a gostar da situação. De certa forma, eu sempre ansiei pela morte. Nesse momento, sinto paz. Esse asteróide pode descer e destruir tudo. Não me importo.

Cresci nessa fazenda, com minha irmã. E ele. Meu pai… Entro na casa, caminho pelos cômodos, olhando cada ambiente, capturando cada detalhe, tentando reviver todas as lembranças boas. Mas tudo o que lembro é dele, de suas bebidas, de seus abusos, de suas surras. E de minha covardia. Olhando meu quarto, pela janela, visualizo-me jovem, correndo, com uma mochila nas costas. Deixando tudo pra trás, inclusive a coisa mais preciosa da minha vida. Aqueles olhos amendoados, aquele sorriso lindo e aquela ternura quase materna… Não mereço nada disso. Deixei-a sozinha com um monstro.

Que besteira… Não adianta mais pensar nisso. Quando fecho a porta, quando atravesso a cancela de madeira, quando sigo para a cidade; sinto que finalmente estou deixando o passado para trás. Sigo pela longa estrada, para a cidade, para o palco do fim.

É tudo muito estranho, ainda. Um dia, do nada, eles chegaram com suas naves triangulares e brilhantes. Lembro-me bem. Era noite. Estava frio. Comia um cachorro-quente na rua. Uma luz. Duas luzes. Três luzes. Se não fosse pelo tamanho, dava para confundi-las com as estrelas. E assim foram aparecendo, gradualmente. Não foi igual aos filmes. Não atacamos. Não atacaram. Ficou assim por dias, até que, por fim, uma das naves desceu e eles surgiram. Humanóides. Altíssimos, de pele alva e cabelos dourados. Vinham das Plêiades. E traziam notícias ruins. Aparentemente, um asteróide havia se desviado de seu curso natural e estava em rota de colisão com a Terra. Era o nosso fim.

Caos. Essa é a palavra que define aquele período. Não preciso descrever o que aconteceu. Nem quero. Aí, sim, foi parecido com os filmes. Tudo piorou quando o asteróide apareceu no céu, pequeno, entretanto, poderoso.

Mas tudo se acalmou. Por quê? Um anúncio ecoou pelo planeta. Nas mais diversas línguas, porém, sempre na mesma conotação: esperança. Também me lembro muito bem desse dia. Ela estava lá, sorrindo e chorando, abraçando seus filhos, tentando me puxar pra me juntar ao abraço — que escapei com sucesso. A Terra iria ser destruída, no entanto, a humanidade sobreviveria. Iríamos embora com os pleiadianos.

Foi naquele momento que percebi uma coisa muito importante de mim: que só destruo. Senti, sinceramente, que deveria ficar pra trás. Em minha mente, em suas profundezas, o desejo pela morte sempre existiu. Aquele seria o recomeço ideal para ela e sua nova família. Eu não podia fazer parte daquilo. Iria destruir tudo, uma hora ou outra.

Mergulhado em pensamentos, chego na cidade. Não sou o único que ficou para trás… Há outros. Os solitários, os pessimistas, os viciados, os velhos tolos e apaixonados e os filósofos. Todas as almas que desejam a morte. Estranhamente, sinto-me bem caminhando por essas ruas quase desertas, cumprimentando uma pessoa aqui e acolá. Parece que os covardes, egoístas e cruéis foram embora. A velha frieza que sentia não parece existir mais. Existe, agora, uma espécie de companheirismo no ar.

Ah, tantas noites caminhei por estradas parecidas, em plena solidão, atrás de falsas felicidades. Quando sai de casa, mergulhei no mundo dos vícios. Sexo, bebida e drogas. Minha vida era só isso. E foi isso por muitos anos. Até minha pequena me encontrar. Quantas vezes me acolheu em sua casa e virei-lhe as costas? Quantas vezes roubei seu dinheiro? Quantas vezes tomei-a de sua família? Perdi as contas… Não importa, não mesmo. Ela foi embora. Assim será melhor.

Um homem acena pra mim, sorrindo, e corre na minha direção.

— É um dos espertos?

— Como assim?

— Você percebeu, não é? O escárnio em suas palavras bondosas, o deboche em seus sorrisos perfeitos, a malícia em seus olhos azuis.

Sim, esqueci deles, dos malucos, aqueles que mergulham fundo naquelas teorias infundadas que soltam na mídia e Internet.

— Só quero morrer.

— Que pena.

Afasta-se, sorrindo, e corre rua abaixo, talvez em busca de alguém disposto a escutar suas loucuras.

Chego no meu destino: o mirante da cidade. Observo o grande vale. Milhares de pessoas se apertam, esperando por eles. Ouço-as. Suas vozes se misturam até chegar em mim, entretanto, sei o que falam: sobre si mesmas. No passado, cheguei a odiar esse egoísmo, essa indiferença. Acho que mudei, pois não sinto mais raiva. Sinto tristeza. É estranho. É como entender que nosso mundo poderia ser muito melhor, mas saber que não é, mesmo sendo uma possibilidade tão próxima. E, também, no fundo, sei que não sou tão diferente de todos.

Decido me sentar e silenciar meus pensamentos. Ficar em paz. E quando as naves aparecem no céu… E quando as pessoas gritam de alegria… E quando uma luz forte me cega… E quando vejo o vale vazio… É quando sinto que algo muito importante foi embora. É quando, por fim, depois de anos sem derramar uma lágrima, choro um pouco.

As horas vão se passando. Permaneço no mesmo lugar, sentindo um misto de sofrimento e alívio. Falta pouco, muito pouco…

Olho para o céu, para encarar meu algoz uma última vez, e perco o ar. Nada. Apenas um vasto manto negro com pontinhos brilhantes aqui e acolá. Como assim…? Cadê o asteróide? O que está acontecendo?

Levanto-me, assustado, sentindo meu coração palpitar sem parar. Corro para a cidade. Todos estavam confusos. Não era um sonho. Ouço, ao longe, uma pessoa gritar:

— Eu avisei! Era tudo mentira! Estava certo! Estava certo!

Tenho que voltar para casa… Nada daquilo fazia sentido. E quando foi que algo realmente fez sentido nessa vida? Um pai deveria proteger seus filhos. Uma mãe não deveria abandonar seus filhos. Um irmão deveria amar sua irmã… Ah, sim… A única coisa que fazia sentido era ela.

A fazenda. Bem na minha frente. Falta pouco. Nenhum sinal do carro dela. A esperança vai morrendo a cada passo que dou. Passo pela cancela de madeira. Chamo-a. Uma vez. Duas vezes. Três vezes. Sem resposta. E, pela segunda vez naquela noite, choro. Parece que, ironicamente, mais uma vez, virei as costas pra ela.

Como sou tolo…

E deitado no chão, com o rosto úmido e soluçando, mergulho numa das minhas verdades: quanto mais desejo e busco a morte, mais a vida é empurrada para mim.

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Sobre Fabio Baptista

67 comentários em “Perto do Fim (Fabio D’Oliveira)

  1. Daniel Reis
    12 de outubro de 2018

    Prezado Autor: inicialmente, esclareço que, neste Desafio, dividi a análise em duas etapas – primeira e segunda (ou até terceira e quarta) leitura, com um certo espaçamento. Vamos às impressões:

    PRIMEIRA LEITURA: senti uma tristeza imensa do protagonista, a escrita firme e a condução do autor à trama ajudaram bastante. Um dos contos que tive a melhor impressão.

    LEITURAS ADICIONAIS: Feita a releitura, vejo que continuo gostando da história, ainda que perceba um ritmo melancólico e lento demais no desenvolvimento. Parece um capítulo como “Baleia”, do “Vidas Secas”, que poderia fazer parte de uma obra maior. Parabéns!

    Desejo a você, e a todos os participantes, sucesso no desafio e em seus futuros projetos literários!

    • Finis
      13 de outubro de 2018

      Às vezes é bom desacelerar um pouco. A vida já é corrida demais na maior parte do dia.

  2. Bruna Francielle
    11 de outubro de 2018

    O forte do seu conto é o realismo que você conseguiu transmitir com a narrativa.
    Possivelmente, o fato do conto ser em primeira pessoa ajudou (bastante) nesse quesito, aliado a escolha pelo Drama como gênero.
    Apesar de eu ter aprovado o tamanho do conto com receio de que algo muito grande pudesse se tornar cansativo pelo tom de monólogo, não gostei muito de ser deixada sem nem ao menos uma mísera ideia de pra onde o povo foi ou o que aconteceu com ele.
    Poderia ter deixado pelo menos uma dica em algum lugar, algo subtendido. Do jeito que está, ficou incompleto (para meu completo desagrado).
    Gostei do encontro dele com o cara aleatório no meio da história.
    “— É um dos espertos?”
    “Sim, esqueci deles, dos malucos”
    Enquanto um acha que o outro é “burro” (por não ser “esperto”), o outro considera o que se acha esperto um maluco.
    Outro ponto positivo foi a fluidez.

    • Finis
      12 de outubro de 2018

      A intenção foi essa mesmo: não revelar o destino do que foram embora. Até porque, de fato, o irmão não sabe o destino da irmã. Fica, então, a mesma agonia e ansiedade que ele sente.

  3. Amanda Gomez
    11 de outubro de 2018

    Olá,

    Você teve uma ótima ideia nesse conto… foi tipo um arrebatamento em forma mas humana.. um sequestro rs. Fiquei pensando no que estaria por vir. O fato do conto se passar através dos olhos do personagem não impede que enxerguemos o plano de fundo, a grandeza do que estava acontecendo, eu particularmente me apeguei mais nisso. Será que eles vão usar essas pessoas como escravos? vão distribuir em vários outros planetas? ou queriam só limpar a terra pra virem pra cá depois?

    Gostei da questão de ficarem apenas os sem esperanças, os mortos em vidas, os sem fé. Fica uma questão bem forte, a ” escória” herdará a terra, como eles seguirão e frente?

    Acho que seu conto tem um ótimo potencial para um romance, tem mutas lacunas, duas perspectivas muito atraentes, o destino dos que se foram e dos que ficaram.

    Parabéns!

    • Finis
      12 de outubro de 2018

      Um romance intimista, contando a história de dois irmãos, um que fica, uma que vai. Bom, isso.

  4. Miquéias Dell'Orti
    11 de outubro de 2018

    Olá,

    Adorei a narrativa no presente. Deu velocidade ao conto e eu li num estalar de dedos. O fato dela estar em primeira pessoa também ajudou, eliminando descrições que seriam desnecessárias para a mensagem que você passou.

    Tive uma ideia do que iria acontecer quando o “maluco”, mas isso não tirou o poder do plot.

    Achei incrível a forma como você condensou tanta coisa em um conto tão curtinho. Deu pra perceber todas as falhas, desejos e aflições do protagonista, além das suas relações de proximidade (ou falta dela) com a família e sua depressão latente, aquele desespero confuso que sentimos quando nos damos conta de que há algo erado (com o mundo e com nós mesmos).

    Foi um texto que me fez refletir, e isso ao meu ver, pode ser considerado o mérito máximo do autor. Ficou demais!

    Parabéns pelo ótimo trabalho!

    • Finis
      12 de outubro de 2018

      Despertar a reflexão num leitor é mais importante do que ganhar, para mim. Obrigado pelas palavras.

  5. Pedro Paulo
    9 de outubro de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados. Vamos lá!

    É um conto melancólico, em que o trágico é muito bem entregue e o desalento envolve cada momento da leitura, iniciando-se com a despedida, em que ficamos logo sabendo de duas coisas fundamentais: da importância da irmã para o protagonista e da ameaça que em breve destruirá a Terra. Com a irmã deixando a trama e o protagonista sozinho, o restante do conto cuida de desenvolver esses dois aspectos, nos fazendo saber do histórico do protagonista com a família e o que o asteroide realmente significara e para onde ela estava indo: para a salvação. Com isso, refletindo sobre o personagem podemos também refletir sobre todos aqueles que ficaram para trás, tentando entender o que isso significa para eles como parte da humanidade, bem à maneira de The Leftovers (série da HBO, que se traduz literalmente como “Os Restantes”). Lembro que parei a série no começo, mas achei semelhante ao seu conto e pode ser até que tenha se inspirado nela. De toda maneira, a revelação final, não é só chocante como é trágica, pois o personagem não só perde a irmã (com quem o autor cuidadosamente, desde o começo, estabeleceu um elo emocional), ele se condenou a estar sozinho. E isso parece até pior.

    Apesar de estarem diretamente envolvidos com a trama, senti falta de uma participação mais efetiva dos alienígenas, que ficam relegados ao plano de fundo para dar espaço às andanças solitárias do protagonista. Isso que não afetou a qualidade do conto em si, só o destoou um pouco dentro da proposta do desafio. De toda maneira, parabéns!

    • Finis
      12 de outubro de 2018

      É uma pena, mesmo, que não tenha conseguido fazer isso. O tempo não permitiu e a ideia de tudo surgiu de forma bem tardia. Mas depois irei inserir os alienígenas com mais força, incluindo contato com o protagonista.

  6. Sarah Nascimento
    9 de outubro de 2018

    Olá! Legal ver esse momento do personagem com a irmã. A importância que ela tem pra ele causa um impacto maior quando vemos que ela e a família vão embora de vez do planeta. Achei interessante também as duas comparações citadas, quando diz que um momento o que acontecia não era igual aos filmes e depois era igual, gostei desse trecho.
    Uma frase do texto me fez pensar se foi um erro ou era para ficar assim mesmo, quando ele diz que os covardes, egoístas e cruéis tinham ido embora, isso significa que ele estava chamando a própria irmã de covarde, egoísta e cruel? Suponho que não, mas o próprio personagem afirma isso nessa frase e como a irmã dele é uma das pessoas que se foram, enfim, é isso que a gente entende.
    Gostei também da reflexão que o personagem faz quando chega no mirante, sobre o mundo ter uma possibilidade de ser melhor e a possibilidade disso estar tão perto. Faz a gente pensar, então por que não é melhor?
    O final me surpreendeu! Esperava um fim catastrófico com o asteroide! Parabéns, ficou um conto muito bom.
    Fiquei com pena do personagem principal, ainda mais com a última frase do conto. O fato dele ter ficado para trás e depois saber que não havia perigo de verdade, deixa a gente aflito e abalado, assim como ele fica.
    O que será que ia acontecer com os humanos capturados?
    Uma sugestão quanto a parte da escrita, cuidado com as frases curtas para descrever momentos. O lado bom é que são frases curtas, fica uma coisa rápida, só que o lado ruim é que tem momentos que é necessário detalhar mais e não dá pra fazer isso escrevendo assim. Seu texto tem dois trechos com frases assim e só um deles passou meio rápido para mim.
    Citei esse ponto porque eu faço isso muitas vezes nos meus textos e não é bom para quem está lendo.
    Para finalizar, foi excelente colocar alguns pensamentos e lembranças do personagem principal ao longo do texto. Como já mencionei, isso faz com que nós possamos sentir a impotência e tristeza dele no final do conto.

    • Finis
      12 de outubro de 2018

      Às vezes, mesmo amando uma pessoa, ainda achamos coisas negativas delas. Talvez ele ache a irmã uma covarde. Até egoísta.

  7. Evandro Furtado
    8 de outubro de 2018

    Pontos Negativos

    – Nada aparente;

    Pontos Positivos

    – A narrativa em primeira pessoa é muito interessante porque entrega um sentimento de solidão. Ao olhar a histório através dos olhos do protagonista, nos é negado o acesso a muitas informações, mas isso, de forma alguma, atrapalha o conto, pelo contrário, enriquece-o. O final é vazio, mas é um vazio catártico, que faz o leitor sentir falta de algo. É uma falta existencial.

    Balanço Final: Very Good.

    • Finis
      8 de outubro de 2018

      Alguns finais são assim mesmo. Fico me perguntando se o momento da nossa morte seria assim, apenas um sentimento de vazio, como você falou bem.

  8. Rafael Penha
    8 de outubro de 2018

    Olá, Finis,

    Um conto com um certo clichê, mas com mensagens mais importantes no fundo.

    PONTOS POSITIVOS: A trama e o plot são batidos, mas interessantes e, se entrelaçam bem com o drama familiar. Nenhum erro gramatical me incomodou.

    PONTOS NEGATIVOS: Acheu a leitura um pouco maçante. O enredo não empolga e os personagens não são bem explorados, fazendo com que eu não me importe com eles. Acho que o drama familiar acabou tirando o foco do enredo e o plot twist final acabou sendo ofuscado.

    O conto tem uma boa intenção e uma ótima discussão, mas ela tomou todo o foco do tema do desafio que, parece ter sido colocado ali mais por obrigação do que por ter alguma importancia para a história.

    Grande abraço!

    • Finis
      8 de outubro de 2018

      Quando olhamos muito para o corpo, perdemos a oportunidade de conhecer a alma. Talvez a pressa ajude nisso, nesse tempo onde todos correm e nem sabem o porquê disso.

  9. Dônovan Ferreira Rodrigues
    5 de outubro de 2018

    “Ela me encara por longos segundos e repete a pergunta:
    — Tem certeza? Vai ficar para trás?”. Dizem que o início é a coisa mais importante e eu curti muito esse início. Nada de clichê, nada de firula demais, apenas um momento que prende na imaginação. Duas pessoas se encaram, o vento e uma pergunta: não vai? Pra onde? Por que?
    O resto do texto se desenvolve de maneira fluída, bem feita, cuidadosa. Também senti, como um colega acima, que a narrativa em primeira pessoa ia quebrar minhas suspensão de descrença, mas não. Deu certo. Enfim, parabéns.
    No entanto… o conto ficou legal, bem feito, mas é isso. Não foi além com o plot e não voltou atrás com as memórias. O twist do final também não causa grande surpresa, pois, imagino, se ele fica e não temos toda uma construção pra cuidar do grande momento que vai ser a morte desse personagem, não esperamos que morra… e ele não morre mesmo.
    Bom… então… ficou um conto legal, mas só. O que me faz pensar “que uma pessoa com essa habilidade” poderia fazer se tirasse um pouco mais de tempo pra esquadrinhar para nós, os pormenores de sua arte?
    Enfim (novamente) obrigado e espero ter sido de algum auxílio.

    • Finis
      8 de outubro de 2018

      Um corpo que merece mais aprofundamento. Sim…

  10. Fabio Baptista
    3 de outubro de 2018

    Gostei do conto. A narrativa em primeira pessoa no presente sempre me faz torcer o nariz (em geral fica horrível), mas aqui ficou legal, o(a) autor(a) teve habilidade para não pesar a mão e conseguiu conduzir bem a história, entrelaçando os acontecimentos atuais com memórias, sem causar confusão.

    O plot principal é bastante simples: aliens contaram uma boa lorota, os humanos acreditaram e agora pensam estar indo para a salvação, quando, na verdade, estão indo como gado para o abatedouro (para serem escravizados, talvez?). Mas isso é só um pano de fundo para falar sobre relações familiares complicadas, o amor dos irmãos e a sensação de não pertencimento, o desejo de morrer que seria satisfeito por um meteoro que não virá. São nessas ramificações que está a força do conto e também sua fraqueza.

    Ao mesmo passo em que o(a) autor(a) mostra perícia em transmitir emoções (a cena inicial da despedida é muito boa, por exemplo) acaba querendo abordar muita coisa em um curto espaço, e o conto acaba ficando superficial em alguns momentos. Sim, é possível entender tudo perfeitamente, mas eu gostaria de ter sentido mais. Isso só seria possível com mais texto: um falshback descrevendo as atrocidades do pai, uma lembrança de atrito com o cunhado, etc.

    De todo modo, mesmo com essa dinâmica mais enxuta, mais contada que mostrada, foi um bom conto.

    Abraço!

    • Finis
      3 de outubro de 2018

      Também achei que algumas partes ficaram superficiais, corridas, etc. Vale melhorar, mesmo, isso.

  11. Jorge Santos
    3 de outubro de 2018

    Estou perto do fim deste desafio, pelo que achei interessante o título deste conto. Pensei ser mais um conto sobre desastre e o fim do mundo. Até os alienígenas aparecem aqui na perspectiva de salvadores. A reviravolta é sinistra. Um planeta onde só os frustrados e depressivos ficassem seria um planeta estranho, e um bom tema para um conto. Deixo aqui o desafio, o da continuação deste texto.

    • Finis
      3 de outubro de 2018

      Seria interessante, mesmo.

  12. Delane Leonardo
    29 de setembro de 2018

    Oi, Finis! Gostei do seu conto por causa do tom intimista que apresentou um protagonista cheio de conflitos internos e revelações sobre si mesmo e seu papel no mundo. Gostei também da estratégia dos aliens para abduzir a galera. Como sugestão, talvez você pudesse explorar um pouco mais duas questões: o que levou alguns a partirem e outros a ficarem. Mas é só uma sugestão. A leitura fluida que seu texto me proporcionou é outro ponto a se destacar.

    • Finis
      1 de outubro de 2018

      Seria bom, sim, mais encontros e diálogos enquanto caminha pela cidade. Queria ter tido essa ideia mais cedo pra desenvolver isso melhor…

  13. Priscila Pereira
    28 de setembro de 2018

    Olá Finis, que ideia boa você teve!! Daria um ótimo filme, muito interessante e inteligente. A melhor parte foi a engenhosidade dos alienígenas para conseguir uma abdução em massa, sem nenhuma intervenção, nenhuma oposição. Como já disse, muito inteligente. Parabéns!!
    Eu gostei muito do conto. Simples, bem escrito, com profundidade de sentimentos e pensamentos. Nos mostra a agonia de uma alma que foi tapeada pela morte que tanto desejava e mais uma vez, não conseguiu proteger a irmã, ao contrário, a incentivou a ir em direção ao desconhecido. Que, aliás, é outra coisa boa do seu conto. Imaginar o que acontecerá com os abduzidos…
    Ótimo conto!
    Boa sorte!
    Até mais.

    • Finis
      1 de outubro de 2018

      Quando a ideia surgiu, o mistério da abdução também me capturou. Preferi nem pensar mais nisso, pra ficar esse gostinho delicioso de suspense na minha mente.

  14. angst447
    28 de setembro de 2018

    Olá, autor, tudo bem?
    O conto apresenta um tom melancólico de confidência, um arrastar de reflexões e penitência. Tudo combina muito bem com a narrativa realizada. O narrador diz que quer morrer, que a morte não mais o assusta, que até mesmo a deseja. Talvez, ele se sinta tão familiarizado com a ideia de fim de mundo porque já possui o caos em si. O mundo já havia acabado para ele, portanto só esperava a oficialização do fato.
    Gosto das frases curtas, pois tornam as imagens criadas mais impactantes. Embora, deva-se ter cuidado para não exagerar na dose e tornar o texto telegráfico.É um estilo que agrada alguns e desagrada outros.
    A leitura transcorreu fácil, fluída e sem entraves. O tamanho do conto também facilitou a absorção do conteúdo que embora pesado, possui uma aura poética.
    Boa sorte!

    • Finis
      1 de outubro de 2018

      Realmente, frases curtas em demasia seria um defeito para alguns leitores. Um ponto de equilíbrio seria bom, como na questão das repetições. Por isso há quem prefira arriscar na técnica banal.

  15. Marco Aurélio Saraiva
    27 de setembro de 2018

    Triste. Um conto que é tão triste, na verdade, que me parece vir de dentro da sua alma. Você passa um sentimento que é difícil passar de forma superficial. Durante todo o texto o leitor acompanha o drama mental do narrador, suas angústias, sofrimentos, arrependimentos e ânsias. É interessante a forma que você conduz tanto o leitor pela mão que, no fim, eu estava até torcendo para acabar logo; para o personagem finalmente encontrar o fim que ele tanto queria. E daí, quando ele não vem, a frustração que se abate no leitor é muito parecida com a sensação que se abate sobre o personagem.

    Sua técnica é boa. Na verdade, é daquelas que com um pouquinho de lapidação ficaria excelente. O que mais incomoda na sua forma de escrever são as repetições:

    “Uma luz. Duas luzes. Três luzes.” ~[Luz, luz, luz]

    “…de suas bebidas, de seus abusos, de suas surras…” ~ [de, de, de]

    “E quando as naves aparecem no céu… E quando as pessoas gritam de alegria… E quando uma luz forte me cega… E quando vejo o vale vazio… É quando sinto que algo muito importante foi embora. É quando, por fim,…” ~ [E quando, E quando, E quando, É quando, É quando]

    Este tipo de repetição exige uma sensibilidade muito grande do autor para ser usada no momento certo, e definitivamente não tanto quanto você usou no conto. Acaba travando bastante a leitura. De resto, porém, um texto muito bem escrito e que passa real sentimento.

    O enredo é curto e simples mas eficiente. Na verdade o conto é mais sobre a psique do personagem principal do que, de fato, uma história mirabolante sobre alienígenas. O fato de haver uma reviravolta no final foi um bônus bem vindo, mas não é, definitivamente, o objetivo principal deste conto. Foi uma pena você ter telegrafado essa reviravolta antes, quando o narrador encontra o “louco” na rua com as suas “teorias malucas”. Ficou meio óbvio que era isso que iria acontecer.

    Além da exploração bem feita do pensamento do narrador (sua vontade de morrer, o arrependimento de ter dado tanto trabalho para a sua irmã, etc), gostaria de comentar um paralelo interessante do seu conto com o mito do arrebatamento cristão. Seu conto me lembra muito ele. É como se todos os que foram “levados pelos alienígenas” fossem, na verdade, os mais fiéis, aqueles com muita fé em deus ( o que faz sentido com o perfil da irmã dele, já que ela sempre o ajudava, mesmo que ele a maltratasse). Ele, por sua vez, era um homem sem fé. Ateus e céticos costumam ser mais críticos de si mesmos. Alguns deles acabam enveredando pelo caminho do niilismo, que é muito parecido com os pensamentos do narrador. O fato de no final ele descobrir que o meteoro era uma farsa deixou um gosto ruim na boca do leitor; um que se assemelharia ao sentimento de alguém que foi ateu a vida inteira para, só no final, descobrir que estava errado o tempo todo.

    Enfim, apesar da técnica carente de um pouco de aprimoramento e um enredo simples e previsível, seu conto brilha pela exploração do personagem, pelas emoções que desperta e pelo paralelo religioso.

    • Finis
      28 de setembro de 2018

      Difícil encontrar alguém que não possui uma técnica que merece um aprimoramento. É a vida, um eterno aprendizado. Talvez, as repetições dependam também da sensibilidade do leitor e do seu estado de espírito.

  16. Fheluany Nogueira
    27 de setembro de 2018

    A sondagem psicológica explorou com propriedade as emoções e os sentimentos dos personagens. Gostei, em especial do “doido”. Gostei, também do tom poético e das frases de bom efeito, sobretudo no parágrafo que fecha o texto.

    Um apocalipse com ares melancólicos, que não veio (e desejado pelo protagonista). Aliens burladores… Por quê? Questão pessoal, mas acredito que esse foco seria mais interessante, com maior participação dos alienígenas.

    A leitura é fluente e agradável, os diálogos são críveis e bem construídos. Os excessos ficam por conta das explicações, trechos reflexivos sobre os valores da vida — faltou ação, faltou tensão. No conjunto, um trabalho bom e bem executado.

    Parabéns pela participação. Abraço.

    • Finis
      28 de setembro de 2018

      Para alguns, o mistério é algo intrigante e delicioso. Para outros, é algo agoniante.

  17. Fabio D'Oliveira
    27 de setembro de 2018

    Acho justo esclarecer como avalio cada texto. Eu tento enxergar a essência do escritor e de sua escrita. Eu tento sentir o que o escritor sentia ao escrever. Eu tento entender a mensagem do conto. Eu tento mergulhar naquela história que o autor quis passar. Apenas ler o que está ali, apreciar o que foi oferecido, procurar entrar na história. Assim como todo bom leitor. Mas mantenho a atenção e meu sentido crítico. Então, já peço desculpas por qualquer coisa que fale que te cause alguma dor. Um texto que criamos é como um filho.

    – O que vi: Uma escrita simples e limpa, com um leve toque de poesia, sem muitas falhas. A narrativa é intimista. E permanece assim o conto inteiro. O início é a melhor parte, sendo que depois passamos para a parte descritiva e informativa do texto, que não é tão bom quanto o começo. O final, porém, comparou-se com o início.

    – O que senti: Tristeza, na maior parte. Também consegui ver a beleza na tragédia do protagonista sem nome. Mas senti falta de uma presença marcante de alienígenas. Eles estão lá, mas bem ao fundo, e o assunto principal é a relação do rapaz com sua irmã. Não que isso seja uma falha em si, mas acho que poderia encontrar um bom ponto de equilíbrio.

    – O que entendi: O fim do mundo foi anunciado. Era algo certo. E alienígenas trouxeram esperança, prometendo levar toda a humanidade para um lugar seguro. Recomeçar tudo. Acompanhamos, então, o protagonista em sua crise existencial, experimentando um pouco de suas angústias. Mas era tudo uma enganação. Não existia ameaça. Tudo o que os extraterrestres queriam eram os humanos. O motivo? Um mistério. Essa foi a parte que mais gostei da história. O suspense e o final aberto. Acredito que essa história merece uma alongada.

    • Finis
      28 de setembro de 2018

      É mesmo, merece uma alongada e os alienígenas merecem também uma aparição mais marcante.

  18. Paula Giannini
    25 de setembro de 2018

    Olá, Autor(a)

    Tudo bem?

    Seu conto aposta em uma trama bem construída, estruturada quase como na “jornada do herói”, porém com a frustração final do personagem protagonista, ao descobrir que tudo aquilo em que ele acreditava era, na verdade, um grande equívoco.

    O texto é cheio de reflexões e, para mim, funciona como uma metáfora para a depressão, a fuga da vida, ou melhor, o medo dela. É interessante notar que, embora o neto fiquei ao lado da avó, em um determinado momento, ele a mata, subvertendo, mesmo que com certa coerência por parte do(a) escritor(a), o modo como o personagem vinha se comportando até então. Certamente somos todos dúbios e o desespero nos leva a caminhos desconhecidos e talvez isso é o que torne o protagonista tão crível.

    O clima distópico é o ponto alto do texto para mim. Dá para ver o cara em um apartamento, olhando pela janela e esperando a morte chegar.

    Parabéns por escrever.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

    • Finis
      27 de setembro de 2018

      Acho que houve uma pequena confusão aqui. Não existe neto. Não existe avó. Apenas um irmão na miséria e uma irmã na escuridão.

      • Paula Giannini
        30 de setembro de 2018

        Oi, Fínis,

        rsrsrs

        Perdão.

        Acontece que fiz todos os comentários em um documento de word (e não só do desafio, mas de outros contos que estou comentando em outros lugares) e fui viajar.

        Na volta fui colando e colei aqui um comentário que não era o seu. Um milhão de desculpas. Lá vai o correto.

        Beijos
        Paula Giannini

        Olá, Autor(a)

        Tudo bem?

        Seu conto aposta na premissa do conquistador. Os alienígenas, assim como os conquistadores na época das caravelas e dos grandes descobrimentos, prometem um mundo de eldorados, com seus presentes e promessas (espelhinhos para os índios – um mundo melhor e vivo para os personagens de seu conto).

        É interessante notar que, em contraponto aos conquistadores com péssima intenção, há a construção desse protagonista deprimido e completamente desgostoso com a vida, com seu passado, suas escolhas e, consequentemente, incapaz de acreditar na mão que se estende a ele com tanta “benevolência”.

        Como leitora, para mim, o ponto alto da trama é o fato de o autor deixar aberta a interpretação para as verdadeiras intenções dos seres nos pontos de luz. Seriam devoradores de humanos? Escravizadores? Cientistas? O leitor é quem escolherá.

        O certo é que, na terra, ao que parece, só sobraram os desiludidos, os doentes, fracos, enfim. Qual será o futuro do planeta, já não destruído por asteroides?

        Parabéns por escrever.

        Desejo-lhe sorte no desafio.

        Beijos

        Paula Giannini

        😉

  19. Victor O. de Faria
    24 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: A ideia é interessante, pena que foi subaproveitada. Teria um mérito maior de apostasse apenas no “depois”, mas o leitor é jogado para dentro de problemas de família não muito claros. O tom intimista convence, mas o restante poderia permanecer de forma sutil, coesa, ou ter apostado mais no mistério, não revelando como eles eram, ou como a terra seria destruída. Acho que nesse caso, a inversão final teria mais impacto. Teve um pequeno excesso de informações. Mas há um potencial enorme se apostar menos na digressão e mais no suspense.
    T: O texto é praticamente uma narrativa em diálogo, então não encontrei problemas na escrita. Flui muito bem.

    • Finis
      27 de setembro de 2018

      Acho que um texto maior e com essas informações mais dispersas e inseridas em situações e diálogos poderia resolver isso.

  20. Mariana
    17 de setembro de 2018

    É difícil tirar beleza da miséria, parabéns para o autor. O personagem me lembrou quase uma construção de Dostoievski, martirizando-se por seus erros e pecados.Não sabemos do seu nome, mas sim das suas dores… A atmosfera de apocalipse também está ótima. Acredito que seria isso mesmo, não as pirotecnias de Hollywood. Gostei muito do conto,mesmo ele sendo bastante aberto. Acredito que, nesse caso, informações sobre passado e afins apenas pesariam no texto. Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Finis
      27 de setembro de 2018

      “Não sabemos do seu nome, mas sim das suas dores…”

      Amei essa frase. E quando você entende um pouco de miséria, não acaba sendo tão difícil tirar beleza dela. Se é difícil pra você, fique tranquila! É mais feliz do que eu, certamente.

  21. Fil Felix
    17 de setembro de 2018

    Boa noite! Adorei esse trecho: ” Os solitários, os pessimistas, os viciados, os velhos tolos e apaixonados e os filósofos. Todas as almas que desejam a morte.”

    Eu sou uma dessas almas e, talvez por isso, me identifiquei bastante tanto com a história quanto com a narrativa. Gosto desse estilo com frases curtas e descritivas, evocando a psique das personagens. Também gosto da questão da morte, do fim, de como lidamos com a solidão (algo que quase sempre trago nos meus contos, também). Acabei curtindo muito, é algo que eu gostaria de ter escrito.

    O tema “alienígena” traz, consigo, muitas coisas que é um tanto difícil de fugir ao escrever algo sobre, que sempre vai lembrar esse ou aquele filme, esse ou aquele livro. A Chegada, Guerra dos Mundos… mas aqui há um plot twist, forçando o leitor a interpretar a mancha negra e a partida dos humanos a partir de várias perspectivas, e é sempre bom quando o texto se abre dessa maneira. Um golpe? Para onde levaram as pessoas? O que a Terra se tornará? Sem contar que o final traz também essa questão, de sobreviver a todos, mesmo quando queria morrer. Parabéns.

    • Finis
      27 de setembro de 2018

      Então somos irmãos!

  22. Caio Freitas
    13 de setembro de 2018

    Excelente. Quase consigo tocar a miséria do personagem. O conto é tão bom que faz com que nos aproximemos dos personagens mesmo sem nenhum flashback, apenas o cara falando de coisas que ele fez. Só senti falta de algo que realmente mostrasse que o louco estava certo. Do jeito que foi dito, pareceu para mim que o asteroide poderia ter apenas se atrasado. Mas, resumindo, um conto fenomenal, entregando muito com pouco. Parabéns.

    • Finis
      27 de setembro de 2018

      Também senti isso. Falhamos e percebemos apenas depois muitas vezes, né?

  23. iolandinhapinheiro
    12 de setembro de 2018

    Olá, autor!

    Gostei muito do seu conto.

    Vc construiu muito bem a trama cedendo aos leitores as revelações em doses homeopáticas, misturando-as com a espera (melancólica mas conformada) do protagonista pela hora da morte.

    O personagem era perseguido pela culpa de ter deixado a sua irmã em casa com um pai violento, de ter reaparecido e criado muitos problemas para ela, de não ter conseguido protegê-la quando enfim descobre que o resgate dos pleiadianos era uma fraude, um engodo para capturar os humanos e usá-los de alguma forma que vc deixou por conta de leitor imaginar.

    O relato é intimista, tocante, a gente espera com o narrador pelo fim que nunca vem, e entende o desalento dele por não ter conseguido o alívio que só a morte lhe traria. Gostei muito da sensibilidade do seu texto que me fez lembrar um pouco do filme Melancolia.

    Não encontrei erros, mas, também se houvesse algum eu estava tão envolvida na sua história que nem percebi. Parabéns pelo lindo conto e boa sorte no desafio.

    • Finis
      27 de setembro de 2018

      Queria ter a capacidade e competência de criar algo como Melancolia. Há tanta beleza naquela tragédia…

  24. Evelyn Postali
    10 de setembro de 2018

    É um conto sensível e para refletir, embora curto. Não sei se culparia tanto o protagonista por ter vivido o que foi de sua escolha. Acho que as pessoas tendem a apontar erros e acertos nos outros sem viver na real ou conhecer a extensão de tudo. No caso, o personagem se culpa, mas é porque a sociedade o culparia de qualquer jeito. Pessoas tendem a culpar-se por escolhas porque tem aquela noção de que o outro vai sempre tocar na ferida. Enfim…
    Não vi erros de escrita. A leitura é agradável, apesar de tensa e triste, porque é o conteúdo, aqui, quem dita o ritmo. Me parece mais um relato do que um conto, se pesar a primeira pessoa e o roteiro em si. Mas é um bom conto.
    Boa sorte no desafio. Abraços!

    • Finis
      27 de setembro de 2018

      Acho que ele é egoísta demais para se culpar por causa dos outros. Mas não deixa de estar certa. Talvez ele não devesse se culpar demais. Assim, quem sabe, poderia se perdoar e ser um irmão melhor.

      Mas parece que isso nunca acontecerá. Ficará sempre a mágoa e o arrependimento.

  25. Alessandro Diniz
    8 de setembro de 2018

    Ah, Finis, outra coisa! A abordagem do tema foi bem diferente. No início achei que fosse verdade, que os aliens fossem salvar a humanidade. Mas o fim foi surpreendente. Suas observações sobre o ser humano também são ótimas! Sensacional!

  26. Alessandro Diniz
    8 de setembro de 2018

    Oi, Finis! Eu estou com o coração apertado aqui, ao comentar. Seu conto é emocionante! Me tocou de verdade. Vc conseguiu dar sentimento ao texto, criou um protagonista com uma profundidade realística. Esplêndido trabalho! E tudo com uma escrita simples, corriqueira. O texto flui deliciosamente. Seu português é perfeito. Não há erros de digitação. A atmosfera é a mesma do início ao fim e é totalmente cativante. Parabéns! Um trabalho espetacular! Boa sorte!

    • Finis
      27 de setembro de 2018

      Não preciso de mais nada como escritor. Ganhei o que tinha que ganhar com seu comentário.

      Muito obrigado por isso.

  27. Antonio Stegues Batista
    7 de setembro de 2018

    O conto é a historia de um homem amargurado que, segundo ele, abandonou a família e viveu por um tempo no mundo dos vícios. Os alienígenas mentem que o mundo vai acabar e levam algumas pessoas para algum lugar. O motivo é obscuro. Quem fica quer morrer, no entanto o mundo não acaba e eles, o protagonista e os outros desajustados permanecem com seu inferno interior. Não sei, me pareceu que faltou um impacto maior, uma revelação que não veio. Escrever o conto em tempo verbal presente, não á fácil. Acho chato. O protagonista está legal, bem construído, mas achei o argumento fraco. Boa sorte.

    • Finis
      7 de setembro de 2018

      Existem histórias que precisam ser lidas com o coração. E outras que precisam ser lidas com a mente. A apreciação vai depender muito disso.

  28. Nilza Amaral
    5 de setembro de 2018

    Noto a repetição da mesma ideia em todos os contos:a falência da raça humana.Esse não foi diferente, na verdade o autor trabalha com o fluxo de consciência para se descrever.A impressão que me deixou, e que a terra deve ser destruída seja por alienígena ou por uma catastróficas nuclear. Gostei como leitura leve que não deixa sequelas.

    • Finis
      7 de setembro de 2018

      Sempre existiu, na humanidade, esse leve sentimento que busca o fim. Vemos isso no cotidiano e na arte.

  29. Emanuel Maurin
    4 de setembro de 2018

    Lembranças de um passado sofrido e violento tornou o personagem num filosofo triste e desiludido com a vida. Ele também suspira na vontade de morrer ao imaginar que um asteroide poderia causar um acidente espacial. Muita gente morreria junto, mas ele não pensou na destruição dos outros, só na dele, é de refletir.
    Achei o conto curto e deprimente, mas gostei, principalmente da última frase filosófica

    • Finis
      7 de setembro de 2018

      Você captou bem o personagem. De fato, estava muito mais preocupado consigo mesmo do que com qualquer um. Uma coisa muito comum no ser humano.

  30. Ricardo Gnecco Falco
    3 de setembro de 2018

    Olá, Finis! Li seu conto de uma só vez. Fiquei curioso para saber se haveria alguma reviravolta no final, mas a dica do “louco” já tinha sussurrado a ‘surpresa’ derradeira. Eu gostei da história. O drama do irmão mais velho que, carcomido pelo remorso/culpa por não ter sido mais enérgico com relação ao seu passado familiar adverso, escondeu-se na vida loca para tentar silenciar as acusações que se auto-infligia. O conto tem essa áurea triste e acaba elevando a mesma para o nível hard, acrescentando ao final (com a revelação da ‘trapaça’ alienígena) todo um sentimento loser de ser. Pergunta: Seriam os alienígenas políticos interplanetários?
    Enfim… Foi legal imaginar e ler essa história! Obrigado por compartilhar sua imaginação. Boa sorte no Desafio!
    Paz e Bem!

    • Finis
      7 de setembro de 2018

      Fico feliz, principalmente por ter lido tudo de uma vez. Esse é o mínimo que podemos almejar: uma leitura limpa e agradável.

  31. Anderson Roberto do Rosario
    3 de setembro de 2018

    Olá, Finis. Desculpe, mas sua história não me fisgou. São muitas divagações, uma crise existencial, filosófica e tudo mais. Não sei, mas senti que faltou algo. Mais ação, diálogos. Uma estrutura mais bem definida, enredo convincente. Enfim, desejo-lhe sorte no desafio. Abraço!

    • Finis
      7 de setembro de 2018

      E isso é motivo pra pedir desculpas? Cada pessoa é única e aprecia coisas diferentes. Isso não é nenhum pecado.

      • Anderson Roberto do Rosario
        8 de setembro de 2018

        Que generosidade a sua. Pena que nem todos aceitam críticas dessa forma. Mas nunca devemos ler um texto apenas uma vez, seria um descaso com quem o escreveu. Voltarei à ele, quem sabe tenha passado algo despercebido. Como você mesmo falou, em outro comentário, existem histórias que precisam ser lidas com o coração. Um abraço!

  32. Wilson Barros
    3 de setembro de 2018

    O conto é curto, o estilo simples. Achei interessante o louco correndo pelo caminho, o louco que não era tão louco. Dá um toque de uma mistura de “bobo da corte” com os personagens de Alice. A ação lembra o filme baseado no conto “Os Assassinos” de Hemingway, que eu assisti na versão com Ronald Reagan, em que um pugilista é assassinado sem esboçar nenhuma reação. Porque não se interessava mais pela vida é demonstrado no filem, exatamente como aqui.
    O conto aqui, como os de Hemingway, parece ocultar mais que mostrar. Um detalhe importante é que a estrutura é maravilhosamente circular, uma cena comovente logo no começo, fechada por uma frase final esplêndida, “quanto mais desejo e busco a morte, mais a vida é empurrada para mim.” Como sugestão, apenas adaptar-se à nova ortografia: asteroide. E no começo, eu entendi que a moça queria perguntar se ele na vinha junto, mas talvez eu esteja errado. Parabéns, muito bem trabalhado, gostei muito.

    • Finis
      7 de setembro de 2018

      Escrever o final também foi esplêndido, para mim. Acho interessante como algumas coisas são empurradas para nós, durante a vida, e como somos tão impotentes quando isso acontece.

  33. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    2 de setembro de 2018

    Mais um texto interessante que eu leio, quarto de hoje. Achei que faltou um pouco mais de ação na história, que ela foi pequena demais para um argumento tão bom. Com apenas 1266 palavras, é claro que haveria espaço para um melhor desenvolvimento da trama. A conversa com os céticos, por exemplo, merecia ser melhor desenvolvida, construir melhor o personagem. Talvez até introduzir o movimento cético desde o começo, fazer essa gente falar. Esse é um texto que tinha tudo para causar grande polêmica, ao levantar o tema de gente que acredita facilmente, mas fiquei com a sensação de que o/a autor/a teve medo de enfiar o dedo nessa ferida.

    • Finis
      3 de setembro de 2018

      E somos cheios de sensações, mesmo! O que faltou, no desenvolvimento do texto, foi, de fato, tempo. 21:30 de sábado, a ideia brotou. Fui correndo escrever e precisava de um foco. Como todo sentimental, optei pelo relacionamento dos protagonista com sua irmã. Mas esse conto irá se tornar algo maior, sim, com certeza. Até o desejo de inserir um contato maior com os pleiadianos existe.

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Informação

Publicado em 2 de setembro de 2018 por em Alienígenas.