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Detox Literário.

A Guerra Ultraalienígena (Alienistgena)

Antes do ataque começar, muitos pensaram que eles viriam de cima, alguns que a coisa eclodiria de baixo, mas pessoa alguma, excetuando uns míseros conspiradores, pensava que eles viriam de dentro.

Os “ultraterrestres”, como foram nomeados pelos autoproclamados “especialistas”, eram algo entre um fungo e uma cianobactéria que infectava hospedeiros aparentemente saudáveis, todavia que só se desenvolvia se os hospedeiros conseguissem alimentá-los satisfatoriamente. O mais curioso desses seres é que diferente dos seres que necessitavam de reações físicas ou químicas para se desenvolver estes necessitavam fundamentalmente de reações afetivas perversas para o desenvolvimento, quer dizer, não é que não necessitassem das tradicionais leis de causa e efeito, o negócio é que além disso eles necessitavam do absurdo da contradição para existir, ou seja, precisavam dessa coisa humana de amar e odiar ao mesmo tempo, de confundir sentimentos e de se acovardar ante a felicidade, de querer e não querer, de sentir repulsa por si e descontar isso em outrem, de dizer sem dizer e querer dizer algo além do que se diz e ainda esperar que se seja compreendido. O universo que criou buracos negros e ao mesmo tempo a vida e o sublime convertido em arte, não criaria, em formato de perversão, parasitas emocionais? Criou. Eles vieram dos confins da coexistência, silenciosos e sutis e infectavam não aqueles que intoxicavam os outros, mas aqueles que não davam conta de viver em meio ao veneno.

Do momento em que o hospedeiro era infectado até o momento em que era dominado por completo uma luta visceral acontecia de maneira silenciosa para as pessoas que estivessem de fora, mas estrondosa para as que estivessem sofrendo de dentro. Dentre os efeitos do processo algumas características eram comuns a todos os infectados. As pessoas infectadas apresentavam por sintomas uma certa aversão à cultura humana tradicional, sentimentos de não pertencimento, estranhamento e exclusão, além de uma confusão vacilante acerca de sua própria existência. A necessidade de carinho se tornava carência, a empatia se tornava flagelo, o corpo pedia incessantemente clemência. Geralmente aqueles que assim se sentiam se refugiavam meio à margem da sociedade, ainda que alguns, em compensação, fossem relativamente sociáveis. Entretanto, tanto aqueles que viviam à luz quanto aqueles que às sombras podiam ser facilmente reconhecidos por um sintoma em específico: um sentimento intenso de um rasgar metafísico dentro do peito, como se algo precisasse explodir, mas que não o faria sem antes trucidar cada parte da alma do portador para só então destruir a carne. O que acontece é que apesar de o parasita se instalar no cérebro, suas crias se moviam para outras partes do corpo, sendo o coração o lugar preferido.

Em meados de 2018, quando as coisas caminhavam mais uma vez para a suposta normalidade, o tal fascismo disfarçado e a tipicidade burocrática perversa que permite o atroz fazer parte dos cálculos, mas não das resoluções, ocorreu o evento que mudaria o rumo da história e, por mais incrível que pareça, isto já havia sido previsto por um grupo de místicos milhares de anos antes, porém que foram quase que esquecidos por não reunirem os pré requisitos modais da época contemporânea e por consequência não puderam ser de valia alguma. Eram, em seu momento histórico, filhos de aristocratas, homens, heteronormativos e brancos de olhos e cabelos claros. Além disso, os poucos que os levavam em consideração eram também rechaçados, pois, por algum motivo obscuro, possuíam, para além de todas as suas características, uma timidez incurável e, por esse motivo, não conseguiam expressar o que sabiam e dar possibilidade para a humanidade se preparar. Às vezes o acaso é meramente curioso, outras tendencioso, tendo em vista que aqueles que sabiam o sabiam por terem sidos contatados por antigos mestres da seita a partir de um aplicativo de relacionamentos que além de todas as suas funcionalidades, possuía um espaço específico para tímidos. Os mestres tinham seus motivos, mas convenhamos que fora uma tremenda imbecilidade escolher justamente essas pessoas, não é? Bom, não que alguém fosse realmente dar-lhes ouvidos, mas ainda assim por conta de sua covardia acabamos não tendo uma chance mais concreta meio a guerra. Coisa de algoritmos e ritmos.

A previsão dizia que quando o eclipse total da lua vermelha acontecesse depois da 3ª vez que Marte passasse pelo ciclo de 5 luas cheias a partir da observação em meio à Sibéria em pleno inverno aqueles que estavam contidos iriam se libertar. Não deu outra. Quando o fatídico dia aconteceu, todas as dúvidas e crenças se tornaram vãs, pois quando o ataque começou nada mais interessava do que ele mesmo. As primeiras pessoas perseguidas foram aquelas que tinham faces e trejeitos de boas pessoas, mas que na verdade escondiam uma indiferença excruciante. Aqueles que diziam lutar pelas minorias, que cumprimentavam as mazelas apenas quando tinha gente olhando e que eram tidos como pessoas de digníssima distinção por suas atitudes aparentemente gentis e generosas, mas que na realidade só o faziam para poderem garantir suas posições de poder e suas sutis opressões. Agora coisa de cheiro e trejeitos. As universidades foram as primeiras a serem dizimadas, seguidas de todas as outras instituições de poder e alienação.

O ataque era simples, todavia cruel. Os ultraterrestres observavam os hábitos e expressões alheios e atacavam, psicologicamente, seus antagonistas. Descobriam através de artifícios e percepção o que seus antagonistas escondiam de mais perverso sobre si e traziam à tona da forma como melhor conviesse, fosse a partir de um comentário sutil ao pé do ouvido, uma humilhação pública ou qualquer tipo de terrorismo velado. Os afetados comumente se suicidavam ou eram levados a cometer atrocidades até serem assassinados por outras pessoas de maneira não menos atroz. Os ultraterrestres em si não matavam pessoas, ao menos não com suas mãos, só traziam à tona toda a decadência e apreciavam o declínio e o inferno que disso repercutisse.

Foi tudo tão cruel… Até hoje eu digo que entendo e compreendo, que posso explicar e explanar, mas ainda assim… Ainda assim…

Pouco a pouco a população humana foi diminuindo e o mundo se transformando. Quando os humanos perceberam o que acontecia já era tarde demais. Para a surpresa de todos, mas principalmente para os ultraalienígenas, alguns dentre eles próprios eram contra tudo aquilo e buscaram uma reconciliação, talvez por alguns viverem o aspecto humano que torna toda a humanidade um argumento inválido: o amor.

Nem todas as pessoas infectadas foram completamente dominadas, pois a relação que possuíam com outros humanos ainda assim os faziam crer que valia a pena tudo o que passavam. Assim, mesmo em meio a todo o caos existiu uma esperança. Alguns ultraterrestres foram mortos no processo. Nada que revertesse a coisa, pois a discórdia se alastrava mais rápida do que a vingança e ainda mais do que o amor, mesmo que ele ainda existisse. Assim algumas baixas se deram até que enfim tudo terminasse. Depois de um certo tempo, mesmo após violenta perseguição de ambos os lados, os ultraterrestres e humanos que haviam se unido foram deixados em paz. Conseguiram criar vilas autossuficientes, afastadas de tudo e viveram as vidas que lhes couberam. Como a grande maioria da humanidade havia sido dizimada, poucos seres humanos “puros” viviam nestes espaços, mas existiam, e lentamente híbridos foram surgindo, criando uma nossa espécie. Ao fim, os antigos humanos restantes refugiavam-se em covis e eram caçados, os ultraterrestres dominaram o planeta e iniciaram um processo de cura do mesmo e aqueles que, como eu, conseguiram sobreviver, viveram suas pacatas vidas cada um a sua maneira, fosse fazendo bolos, criando obras artísticas, jogando videogames ou apenas escrevendo contos.

 

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Sobre Fabio Baptista

13 comentários em “A Guerra Ultraalienígena (Alienistgena)

  1. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    21 de setembro de 2018

    Este foi um texto que me desagradou. Ele não contém uma narrativa real. Se um bom texto ficcional deve se ancorar em mostrar mais do que contar, a fim de permitir que o leitor entre na história, neste caso o que vemos é a total ausência do mostrar, sendo o texto tomado integralmente pelo contar.

    Isso torna o texto cansativo de ler e é a causa de seu maior problema: não tem personagens, portanto não tem por quem nos sintamos atraídos ou repelidos.

    Ficou, portanto, um texto ficcional sem narrativa, e portanto muito ruim.

  2. Victor O. de Faria
    21 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: Um texto com uma história interessantíssima e criativa, mas arruinado em partes pela falta de sutileza no campo político. Teve outro por aqui que fez o mesmo, usou o texto para expor críticas pessoais. Isso pode ser feito sem problemas, mas nas entrelinhas ficaria muito melhor, pois retira o leitor da imersão. Um inimigo interno é criativo e o suspense, apesar de estar em forma de relato, prende. O uso de um interlocutor invisível funciona.
    T: Alguns parágrafos poderiam ser enxugados, mas no geral, está bem escrito, com uma ideia coesa e funcional. Só exigia um pouquinho mais de cuidado. Pode não parecer, mas a raiva transborda e fica bem visível no contexto. Uma pena, pois realmente gostei do plot.

  3. Rafael Penha
    20 de setembro de 2018

    Olá, autor

    PONTOS POSITIVOS: O enredo é criativo e original. Seres parasitas que se alimentam de emoções, gerando uma guerra na propria raça. O leitor domina bem a gramática, sem grabdes erros.

    PONTOS NEGATIVOS: Apesar de boa a idéia, achei que o enredo não se desenvolve o suficiente. O texto é extenso, mas vejo pouca história sendo de fato narrada. Os parágrafos me pareceram muito extensos e as frases em muitos pontos dispersas. O leitor termina o parágrafo sems aber mais como ele começou.

    Um história com potencial, mas precisa dar mais enredo e enxugar o texto.

    Grande abraço!

  4. Evandro Furtado
    18 de setembro de 2018

    Pontos Negativos

    – Em alguns pontos, a trama ficou muito cheesy, faltou um pouco mais de sutilidade por parte do autor;

    Pontos Positivos

    – A escrita é muito bem estruturada, sem erros gramaticais ou ortográficos notáveis.

    Balanço Final: Average

  5. Mariana
    17 de setembro de 2018

    A ideia do conto é muito interessante e , em certa medida, aterrorizante. Seres que se alimentam das emoções, daquilo que não conseguimos nos livrar… Acredito que essa original ideia deve ser trabalhada sem um limite de palavras e com todo o cuidado que ela merece, cabe desenvolvimento. Outra sugestão, trabalhar de forma tão clara com mensagens acaba em um didatismo que não é legal. Focar mais na trama, essa é promissora, e as pessoas fixarão as mensagens do texto. Parabéns e boa sorte no desafio.

  6. Antonio Stegues Batista
    13 de setembro de 2018

    Bem original a história de parasitas alienígenas que penetram no corpo humano e se alimentam de emoções, despojando-o de seus bons sentimentos, mas conservando os maus sentimentos. Mas, atacando apenas um certo aspecto físico, como Hitler fez na segunda guerra mundial, com o fim de tornar uma raça pura(?)

    “Assim, mesmo em meio a todo caos existiu uma esperança”. É o narrador/personagem afirmando que havia caos e é realmente um caos de ideias o ponto central do conto. Confesso que não me agradou. Sobreviveram os híbridos, uma nova espécie humana que, no fim e ao final, não fizeram diferença alguma no mundo. Um argumento um tanto quanto duvidoso. Boa sorte.

  7. iolandinhapinheiro
    11 de setembro de 2018

    Olá, autor!

    Muita criatividade com seus aliens que buscavam um tipo específico de vítima. Mais uma distopia que, na minha análise, trazem uma correlação com a realidade sócio-política atual. Não vi nenhum erro de portugas mas também não vi nada que me emocionasse ou gerasse empatia, até porque o texto se manteve sempre olhando para a sociedade e não para um personagem específico: um Zé, um João, alguém que nos fizesse torcer por ele.

    Entendi que o texto tem uma crítica ao padrão normatizador da humanidade que coloca no topo aquele indivíduo heterossexual, branco, rico, de direita, com pretensões de fazer com que o resto das pessoas siga o que ele determina como certo, e, embora esta crítica se coadune com aquilo que eu penso, nunca gosto de encontrar, como conto, textos com esta natureza panfletária.

    Algumas construções diminuíram a fluidez da leitura, e embora muito correto dentro de sua proposta, o seu texto não me conquistou.

    Deixo aqui meus parabéns e desejo sorte para vc no desafio.

    ,

  8. Pedro Paulo
    8 de setembro de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados. Vamos lá!

    A premissa é original, introduzida logo nas primeiras palavras do conto e em seguida desenvolvida, a própria condição e complexidade se fazendo conhecer por uma boa abordagem do autor. Ao escrever que “precisavam dessa coisa humana de amar e odiar ao mesmo tempo”, nos dá uma noção da natureza dessas criaturas, mas ainda sem esclarecer totalmente, deixando ambíguo como é comum quando se trata de moralidade, esta o tema central do enredo.

    Apesar de abordar o tema de forma inovadora, acredito que o conto teria um “alcance” maior, a narrativa se limitando a um relato panorâmico de um sobrevivente, em que ficamos sabendo como se deu a quase extinção da humanidade a partir dos parasitas emocionais. Dessa maneira, o que realmente entretém na leitura é a surpresa que esse “tipo” de extraterrestre promove por conta da sua natureza.

    Claro que, para além disso, o autor encaixou uma crítica, quando escreveu que alguns homens teriam previsto a situação, mas não atendiam aos “pré-requisitos modais da época contemporânea”, estes “filhos de aristocratas, homens heteronormativos e brancos de olhos e cabelos claros”. Pouco depois, nos informa que os Ultraaligenígenas teriam dizimado as universidades, “seguidas de todas as outras instituições de poder e alienação”. Pois bem, considerando que a trama pressupôe um alcance global, compreendi que o autor entende haver uma alienação a nível mundial, uma visão pessimista da humanidade. Acredito que, embora válida, é uma crítica que se perdeu no enredo panorâmico. Considerando as condições que determinam a “vitória” alienígena, entendê-las num contexto mundial pareceu um tanto ingênuo. Penso que seria mais plausível explorar essa natureza interna do parasita em um recorte menor, num grupo de universitários ou qualquer grupo alienado, a fim de possibilitar um maior entendimento das manifestações do alienígena. De toda maneira, não deixa de ser um conto original e bem escrito.

  9. Sarah Nascimento
    8 de setembro de 2018

    Olá! Bem original e única a sua ideia de onde surgiram os alienígenas. Parabéns pela criatividade.
    Alguns trechos do texto são repletos de informações juntas que deixam tudo um pouco confuso, por exemplo, “A previsão dizia que quando o eclipse total da lua vermelha acontecesse depois da 3ª vez que Marte passasse pelo ciclo de 5 luas cheias a partir da observação em meio à Sibéria em pleno inverno…”, isso foi intencional? Deixa o texto com um tom engraçado até, pelo tanto de eventos incomuns que teriam de acontecer.
    Também seria bom verificar melhor a pontuação do texto.
    Novamente acho que ficou muito interessante a sua colocação sobre a origem dos ultraalienígenas e as consequências da dominação deles. Muito legal isso deles atacarem psicologicamente.
    Uma pena que tenham vencido no final das contas, mas nem tudo são flores não é? Afinal, era uma guerra.
    Ótima ideia essa dos alienígenas terem sido criados por nós mesmos. Novamente parabéns pelo conto.

  10. Caio Freitas
    8 de setembro de 2018

    Legal a parte em que os ultraterrestres precisam das emoções dos humanos para viver. Traz um debate interessante sobre a condição humana. Geralmente, os contos de aliens que abordam isso mostram uma visão externa. Você conseguiu fazer isso de dentro. Parabéns e boa sorte.

  11. Ricardo Gnecco Falco
    7 de setembro de 2018

    Olá, Alienistgena! Acabei de ler o seu conto e gostei da criatividade do enredo. Um tipo de ‘vírus’ emocional foi bem bacana de conhecer. A história vai se passando e, numa mistura de realismo com fantástico, vamos sendo levados pelo enredo. Mais um bom trabalho que questiona o poder (e a importância) do amor. Amor este que vem parecendo não ser assim tão ‘universal’ como imaginamos. Resistência, resiliência, renovação… Um conto menos físico e mais filosófico; importante nos dias de hoje. Obrigado por compartilhar sua história com a gente! Boa sorte no Desafio! Saudações resistentes,
    Paz e Bem!

  12. Wilson Barros
    3 de setembro de 2018

    As ideias aqui são bastante criativas. Gostei da ideia de parasitas emocionais, o efeito dos vírus nas emoções e fiquei muito grato por não encontrar erros de português ou de estilo que atrapalhassem a leitura. Aliás o autor aqui domina plenamente a linguagem (acho que sei quem é). Temos aqui é o caso típico do “show, don’t tell”. Ficou faltando um pouco de ação, para variar das explicações. Claro que um conto pode ser escrito assim, como o autor fez. Basta ler “A Biblioteca de Babel” para se convencer disso. No entanto, são necessários outros recursos, muita invenção e detalhes realmente incríveis como no conto de Jorge Luís Borges. Na “Biblioteca”, Borges cria toda uma filosofia, e usa uma linguagem belíssima, fruto da sua categoria como poeta. Se alguém ler “A Biblioteca de Babel”, de Jorge Luís Borges, vai entender plenamente o que eu quis dizer. Creio que é preferível não arriscar e escrever o conto com ação e diálogos. Ainda que o conto do autor não tenha ficado mau, sei que muitos vão sentir falta do costumeiro. Na minha opinião o conto está no rumo, mas faltou o uso de alguns recursos literários. Recomendo que o autor leia o conto que eu citei de Borges, para maiores detalhes do que eu disse, já que gosta desse estilo descritivo. Por exemplo:
    “O UNIVERSO (que outros chamam a Biblioteca) compõe-se de um número indefinido, e talvez infinito, de galerias hexagonais, com vastos poços de ventilação no centro, cercados por balaustradas baixíssimas. De qualquer hexágono, vêem-se os andares inferiores e superiores: interminavelmente.
    A distribuição das galerias é invariável. Vinte prateleiras, em cinco longas estantes de cada lado, cobrem todos os lados menos dois; sua altura, que é a dos andares, excede apenas a de um bibliotecário normal.
    Uma das faces livres dá para um estreito vestíbulo, que desemboca em outra galeria, idêntica à primeira e a todas. À esquerda e à direita do vestíbulo, há dois sanitários minúsculos. Um permite dormir em pé; outro, satisfazer as necessidades físicas. Por aí passa a escada espiral, que se abisma e se eleva ao infinito.
    No vestíbulo ha um espelho, que fielmente duplica as aparências. Os homens costumam inferir desse espelho que a Biblioteca não é infinita (se o fosse realmente, para quê essa duplicação ilusória?); eu prefiro sonhar que as superfícies polidas representam e prometem o infinito…”
    (Borges, “La Biblioteca de Babel”)

  13. Emanuel Maurin
    1 de setembro de 2018

    Um mundo visto a partir de sua subjetividade, a cura da humanidade através de um vírus, pois ´pelo que entendi o mundo melhora com a chegada desse vírus. Um arrebatamento de almas degeneradas ao contrario. O intra terrestre, “justiceiro”, gostei, achei a história e engraçada.

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Publicado em 1 de setembro de 2018 por em Alienígenas.