EntreContos

Detox Literário.

Eles Pousaram (Angelus Augustus)

O operador do sistema de rastreamento espacial observou o monitor à sua frente. O objeto observado prosseguia seu rumo pré-programado em direção ao nosso planeta. Como a nave já se encontrava relativamente perto, era possível ver o pontinho brilhante se mover tranquilamente na tela, prestes a alcançar uma órbita específica chamada Hohnm, o que daria início ao seu processo de pouso. Distraído, o soldado não viu um de seus superiores se aproximar.

– Boa noite, oficial! – cumprimentou.

– Boa noite, senhor! – ele ergueu-se da cadeira e bateu continência.

– E os nossos visitantes? – quis saber o superior. – O pessoal do alto escalão quer um relatório.

– Continuam a caminho. Como previsto, senhor.

Fazia quase sete meses que a AME, a Agência de Monitoramento Espacial, acompanhava a viagem dos corajosos cosmonautas.

– Vou enviar os relatórios, senhor!

O superior fitou o pequeno ponto luminoso se movendo discretamente na tela. Por alguns instantes, pareceu ao oficial de segurança que sua mente divagava. Depois, como que voltando a si, ele agradeceu e saiu.

O oficial acomodou-se novamente na cadeira. Enviou alguns comandos vocais para o computador à sua frente através da interface de acesso disposta no lado esquerdo de sua cabeça e observou-os aparecerem no prompt de comando, imediatamente seguidos da confirmação: ENVIO BEM-SUCEDIDO.

– Ok! – disse para si mesmo.

Configurou o sistema para enviar-lhe um alerta, caso a espaçonave se desviasse do curso. Colocou seu capacete militar, que possuía um sistema de comunicação móvel, ativou o visor do dispositivo, que deslizou suavemente sobre seus olhos e se dirigiu até a máquina de bebidas alimentares no fim corredor.

Lá fora no espaço, no interior da nave, o tripulante 7 se concentrava em conferir os vetores recebidos para dar início à sua entrada na atmosfera, dentro de poucas horas. Tudo precisaria ser checado cuidadosamente. Não poderia haver erros.

– Vetores checados. Saímos um pouco da rota. Solicitamos correção de curso, base.

Era a voz do comandante chegando aos ouvidos de um dos oficiais da empresa aeroespacial em seu planeta natal. A mensagem levara vinte minutos para chegar aos satélites de comunicação e serem retransmitidos para a base, depois de viajar mais de cinquenta milhões de quilômetros pelo espaço.

– Senhor, a M1 fez contato. – disse o oficial de comunicação. – Eles confirmam o desvio e solicitam novos parâmetros para o cálculo de correção do curso.

– Ok! Confirme o recebimento.

O gerente de comunicação olhou para os engenheiros que trabalhavam para corrigir o curso da nave. As mentes mais brilhantes do planeta estavam naquela sala, frente a um dos sistemas computacionais mais poderosos que existiam. Levaria alguns minutos para que o computador recalculasse a rota de entrada.

– Está feito. – afirmou o analista de dados. – O novo curso já está a caminho.

– Oficial, confirme o envio.

– Confirmado, senhor.

Essa era a última checagem de correção de trajetória antes do início do programa para o pouso. A partir daquele momento, não havia mais nada que pudesse ser feito. A ansiedade era grande na sala de controle.

Distante dali, frente ao painel de controle da espaçonave, o tripulante 7 ficou imaginando como seria tudo aquilo. Era a maior experiência já realizada por sua raça, estabelecer uma colônia permanente naquele planeta hostil.  Estava ansioso. Todos estavam. A preocupação com o pouso era grande. Se algo desse errado, o veículo poderia se espatifar no solo. Neste caso, a morte seria instantânea. Mas havia ainda o risco da espaçonave atravessar a atmosfera, caso a entrada se desse em uma órbita muito rasa, e ser jogada para longe no espaço. Mas com toda a alta tecnologia disponível naquela nave, as probabilidades de que ocorresse um erro tão grande eram mínimas. Contudo, se alguma falha no sistema elétrico ou no computador de bordo ocorresse e a nave passasse direto pela atmosfera, seria impossível uma segunda tentativa de entrada. Seus tripulantes estariam condenados a esperar pela morte, vagando sem rumo pelo espaço infinito.

Um dos outros tripulantes olhou pela minúscula janela circular lateral. Estavam agora a cerca de vinte mil quilômetros do destino e já era possível ver com nitidez o planeta que seria o novo lar daqueles intrépidos desbravadores. Observando suas cores desérticas, o cosmonauta nunca poderia imaginar que há milhares de anos atrás aquele planeta estava no auge de seu esplendor e fervilhava com a vida. Vastos oceanos de água líquida cobriam sua superfície, não havia deserto em parte alguma, enormes cidades verticais podiam ser vistas por toda parte e sua população era numerosa. Porém, a ganância e a fome de poder dos governantes de algumas daquelas cidades-estado acabou desencadeando sua terceira guerra global, culminando com a sua destruição por armas nucleares.

O oficial mal tinha terminado de beber quando ouviu o sinal sonoro de alarme emitido pelo sistema de monitoramento. A lente de seu visor começou a emitir uma luz vermelha que piscava a cada segundo.

– A nave saiu do rumo. – pensou.

Ele correu pelo corredor e entrou na sala. De volta a seu posto, frente ao monitor, ele pode constatar que se tratava apenas de uma correção de curso. Deu alguns comandos ao sistema para que recalculasse o local aproximado do pouso. Em poucos segundos um novo relatório foi apresentado na tela. Ativou seu comunicador de voz e se conectou com seu superior.

– Senhor, enviei um novo relatório. Eles estão a caminho.

O sistema de navegação da espaçonave emitiu um aviso de mensagem. Era a confirmação da atualização do sistema.

– Tripulação, preparar para o início do programa de pouso. – alertou o comandante.

Já devidamente vestidos com os trajes espaciais, os tripulantes se dirigiram para seus assentos, afivelaram seus cintos de segurança, prendendo-se firmemente a eles. Em seguida, checaram todos os procedimentos para o pouso.

– Ok para a fase final! – confirmaram todos.

O computador iniciou a execução do programa de entrada. A espaçonave adentrou a atmosfera do planeta vermelho. Em pouco tempo o atrito com o ar foi se tornando maior e o veículo espacial começou a trepidar violentamente. Estavam a mais de vinte mil quilômetros por hora. A temperatura do lado de fora chegava próxima a oito mil graus centígrados, devido à fricção com o ar atmosférico. A inclinação de entrada tinha sido perfeita e a nave começava a desacelerar rapidamente. Em pouco mais de três minutos, sua velocidade caiu para aproximadamente mil e setecentos quilômetros por hora. O computador alterou seu curso e ela começou a traçar um caminho em forma de “S” no céu vermelho. O enorme paraquedas supersônico se abriu e os tripulantes puderam sentir a desaceleração abrupta. Apenas um solavanco. Alguns segundos depois, a espaçonave começou sua descida vertical rumo ao solo. Os poderosos retrofoguetes da M-1 foram acionados, sua velocidade diminuiu ainda mais e ela descia agora a aproximados trezentos quilômetros por hora. Os retrofoguetes atingiram sua potência máxima. Quando atingiu a altitude adequada, os amortecedores de impacto foram ativados, colocando-se na posição para realizar o pouso.

 

– Entramos na fase final para pousar. – informou o comandante, através do intercomunicador em seu capacete.

A forte trepidação na cabine se tornara quase um leve sacolejar. Faltavam poucos metros para que a M-1 tocasse o solo. O paraquedas foi ejetado e agora a nave descia apenas com o auxilio dos retrofoguetes. A velocidade de queda se acelerou um pouco.

– Desaceleração ok. – os tripulantes ouviram o comandante dizer.

A apreensão ainda era grande e a curta frase soara em seus ouvidos como um agradável acalanto.

Em frente ao monitor de rastreamento na base militar científica da grande cidade subterrânea, o oficial de monitoramento acompanhava com interesse o pouso da M-1. Ele chamou seu superior pelo intercomunicador.

– Senhor, eles pousaram. Os alienígenas pousaram.

– Confirme o pouso, oficial.

– Afirmativo. Eles pousaram, senhor.

– Ok! Iniciar imediatamente o programa de vigilância avançado. Quero vigilância ininterrupta sobre os visitantes.

O oficial de monitoramento iniciou o sistema de vigilância de solo. Os monitores da parede à sua frente se acenderam e em poucos segundos imagens da M-1 apareceram, mostradas de vários ângulos.

Seu substituto acabara de chegar e o cumprimentou.

– Eles conseguiram mesmo chegar. – disse ele, ainda um pouco incrédulo com a coragem dos cosmonautas.

– Se fôssemos nós no planeta deles, já estaríamos cercados e rendidos. – respondeu o outro.

– Eles morrerão lá fora. É impossível viver em condições tão extremas.

O substituto concordou.

– Bem, agora é com você. – disse o oficial.

Ele levantou-se de sua cadeira e entregou o posto ao colega.

Na Marte-1, os cosmonautas comemoravam efusivamente o pouso perfeito no planeta vermelho. Na Terra, a euforia era a mesma. Em todos os países as pessoas acompanhavam atônitas as últimas notícias sobre a Missão Marte. Logo começaram a chegar as primeiras imagens dos oito corajosos tripulantes, quatro homens e quatro mulheres, que partiram para nunca mais voltar. Desde que haviam partido, suas vidas tinham se tornado um espetáculo público, o maior show de todos os tempos.

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Sobre Fabio Baptista

38 comentários em “Eles Pousaram (Angelus Augustus)

  1. Fabio Baptista
    20 de setembro de 2018

    Prezado participante, favor conferir seu e-mail.

    Obrigado.

  2. Victor O. de Faria
    20 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: Ok. Havia humanos monitorando humanos ou marcianos monitorando a chegada de humanos? Isso ficou um tanto confuso. Se a intenção era a segunda opção, não ficou muito claro; e teria gostado mais neste caso – só que a sociedade deles não seria tão parecida com a nossa. O texto tem seus méritos, como o suspense e a apreensão da falha da missão, mas a troca de “local” ficaria melhor se dividida em capítulos, ou com alguma outra forma de divisão. A localização terra-nave-marte se mesclam às vezes.
    T: Bem revisado, sem grandes floreios, mas prático e eficiente em transmitir as emoções.

    • Angelus Augustus
      20 de setembro de 2018

      Oi, Victor! Havia humanos monitorando humanos e também marcianos monitorando humanos, estes últimos sendo os aliens. A confusão foi premeditada, achei que poderia haver. Mas só você a mencionou. Sim, a sociedade marciana não só poderia ser parecidíssima com a nossa, como a fiz parecer. Eu quis que em partes do texto as pessoas pensassem que eu estava falando da Terra no futuro, talvez. A transição entre os textos poderia ser melhor. Pensei nisso enquanto escrevia, mas achei que fosse irrelevante. Teve mais escritor que apontou isso. Se eu não fosse o autor, provavelmente eu faria uma análise do meu texto desta forma: “T: Bem revisado, sem grandes floreios, mas prático e eficiente em transmitir as emoções.”. Pois eu achei que a incerteza dos acontecimentos e o enfrentamento do desconhecido fariam as pessoas sentirem algum tipo de emoção. Mesmo que ansiedade, inquietação.Fico feliz que tenha mencionado emoção, pois o meu maior medo era que fosse um texto que não conseguisse transmitir alguma. Muito obrigado!

  3. Miquéias Dell'Orti
    17 de setembro de 2018

    Olá,

    Um bom conto! A narrativa é competente. Muito competente. Gostei, particularmente, da cena do pouso. A forma como você detalhou tudo ficou ótima!

    Minha única ressalva, e decerto é mais chatice minha do que qualquer outra coisa, é quanto ao final “tranquilo” da história. Claro que há a expectativa no pouso e a detalhada descrição da nave entrando na atmosfera marciana, além da conversa final entre os oficiais, que nos dá um desfecho satisfatório ao conto, mas fiquei aguardando uma reviravolta o tempo todo e como isso não aconteceu me frustrei um pouco.

    Depois de terminar fiquei pensando nessa necessidade incessante que temos. Acho que a gente está tão no automático esperando um conflito na história que quando isso não acontece ficamos com uma espécie de desapontamento estranho, com se houvesse uma regra para ditar como as histórias devem acabar.

    O que posso dizer além disso é que esse fato em si não faz com que seu conto seja ruim, muito pelo contrário, é um bom trabalho. Aliás, a falta de conflito pode, inclusive, ser uma desconstrução proposital do formato padrão a que estamos acostumados e não há qualquer problema nisso.

    Parabéns!

    • Angelus Augustus
      20 de setembro de 2018

      Oi, Miqueias! Obrigado pela análise! Bom, o final foi planejado daquele jeito mesmo, não era para haver reviravolta. Achei que seria surpresa suficiente os humanos serem os aliens chegando a Marte. Entendo o que vc falou sobre os finais esperados. Mas é do jeito que vc disse mesmo, a falta de conflito é proposital. Não no sentido de ir contra o comum e esperado, mas no sentido de saber que há formatos diferente. Abraço!

  4. Fheluany Nogueira
    13 de setembro de 2018

    A NASA divulgou seu plano de levar humanos para o planeta vermelho no evento Humans to Mars 2017. Há previsão de chegar à superfície de Marte na década de 2030. O interesse pela colonização fora do nosso planeta sempre foi alto. O conto captou bem este clima. O foco está nos detalhes técnicos, no sucesso do pouso (previsto pelo título), na surpresa de que os alienígenas eram terráqueos e que os marcianos fossem um povo mais antigo e evoluído, vivendo em subterrâneos por causa de uma guerra nuclear.

    Trabalho bom, domínio total da Língua, descrições interessantes, porém faltou tensão, faltou protagonismo; sem isso temos um relato e não um conto, propriamente dito.

    Parabéns pela participação. Abraço.

    • Angelus Augustus
      13 de setembro de 2018

      Olá, Fheluane! Obrigado pela análise! É sim, faltou isso que você citou. Mas achei que fosse impossível criar isso sem revelar que os aliens na verdade eram humanos. Acho que me empolguei com a ideia e acabei tornando o conto simplório.

  5. Higor Benízio
    12 de setembro de 2018

    Não se “bate” continência, se “presta”. E soldado não é oficial, oficial é apenas de Tenente em diante, sendo Capitão, Major, Coronel e General oficiais superiores. 8 mil graus… Como a nave pode estar mais quente que o interior da terra, ou que a superfície do Sol? Complicado. O tema não tem protagonismo também, nada demais na narrativa. Um texto ok.

  6. iolandinhapinheiro
    10 de setembro de 2018

    Olá, autor!

    Imagino que vc tenha pesquisado bastante para criar um conto com tamanho apuro quanto aos detalhes técnicos colocados no texto. Também está de parabéns quanto ao domínio do idioma pátrio, não consegui detectar erro algum.

    Durante a leitura fiquei esperando que algo acontecesse com os tripulantes ou com o povo que os havia mandado para a missão, mas percebi que a história era justamente sobre esta trajetória vitoriosa até outro planeta. A beleza da trama não está no destino, mas nos eventos que se sucedem durante o caminho. Acho que nós do EntreContos já estamos habituados a uma fórmula onde há sempre um final inesperado e acabamos não compreendendo que as emoções tão buscadas poderiam estar na chance dos problemas que poderiam ocorrer na nave, em uma viagem arriscada. Acho que se conhecêssemos mais a vida dos tripulantes, houvesse uma maior empatia entre o leitor e seus personagens, mas entendo que foi uma escolha sua não entrar nestes pormenores que nem mesmo caberiam na quantidade de palavras proposta pelo desafio. Para isso também teria que reduzir bastante os detalhes técnicos que foram colocados no texto para criar uma primorosa ambientação. Afinal, nem todo mundo precisa usar o mesmo modelo para escrever.

    Vou ficando por aqui e desejando uma boa sorte no desafio. Abraços.

    • Angelus Augustus
      11 de setembro de 2018

      Olá, Iolandinha! Obrigado pela avaliação! Sim, eu pesquisei um pouco. Queria dar máxima verossimilhança à estória. Eu gosto do tema, mas não queria cair nos clichês sobre o mesmo. E a princípio a ideia me pareceu boa. Eu quis focar na simplicidade, com uma surpresa no final: os humanos sendo os alienígenas. Eu não poderia me estender sobre os personagens, como você bem mencionou. Afinal, havia limite e também eu não podia revelar que os tripulantes eram humanos. E também não queria um conto muito longo. Só escrevi porque queria participar. É minha primeira participação e eu não tinha pretensão com primeiros lugares. Grande abraço!

      • iolandinhapinheiro
        11 de setembro de 2018

        Bem-vindo e boa sorte, amigo. Felicidades! Obrigada pelo feed back ao meu comentário!

  7. Evandro Furtado
    8 de setembro de 2018

    Pontos Negativos

    – A história parece não ter nenhuma reviravolta ou coisa que dê a ela algum significado. O final é flat, e não entrega algo para tornar o conto memorável.

    Pontos Positivos

    – Não é o pior conto do mundo, não tem muitos erros, mas também não oferece muita coisa a mais.

    Balanço Final: Average

    • Angelus Augustus
      8 de setembro de 2018

      Hahahahahahahaha! Eu percebi que o pessoal aqui é vidrado em reviravoltas. A ideia não era escrever um conto memorável, seria pretensioso demais na minha concepção. Não tem muitos erros? Acho que você não leu o conto. Não tem nenhum erro de português e acredito que nem mesmo de digitação. Gostei do average. rsrs. Obrigado, de qualquer forma.

      • Evandro Furtado
        9 de setembro de 2018

        Olá, Angelus. Peço desculpas se o meu comentário te ofendeu de alguma maneira, não foi minha intenção. Em relação à palavra erros, não necessariamente isso está ligado a questões de ortografia, pode ser em relação à pontuação, à estrutura da sentença, ao paralelismo, enfim. E discordo de você em uma questão: acho que tudo que escrevemos deve buscar ser memorável, mesmo que não o seja no final. Abraços, e espero ler mais textos seus.

      • Angelus Augustus
        9 de setembro de 2018

        Não me ofendeu, Evandro. Só achei a sua avaliação sem nenhum conteúdo e sem fundamento. Eu conheço os pontos fracos do texto, fui eu quem escreveu. E reafirmo: não há erros de pontuação, de concordância e nem mesmo de digitação. Não há nenhum erro em hipótese alguma no que se refere à Língua Portuguesa.O que eu penso é que você não leu realmente o texto. Outra coisa, um conto não requer necessariamente pontos altos e baixos. Há contos ótimos publicados aqui e eles não têm reviravoltas mirabolantes.

  8. Caio Freitas
    7 de setembro de 2018

    Olá. Seu conto é bacana e tranquilo. Minha parte preferida foi o final, quando é revelado que são humanos fazendo a viagem espacial. Teria gostado mais ainda se o texto falasse da viagem e da relação entre os tripulantes do que dos possíveis percalços da aterrisagem. Mas parabéns mesmo assim. Bom trabalho e boa sorte.

  9. Evelyn Postali
    2 de setembro de 2018

    Eles pousaram. Confesso que esperava mais no final, uma surpresa, alguma coisa interrompendo essa trajetória espacial. Alguns percalços maiores, algo que me tirasse do conforto da leitura, porque, sim, foi uma leitura bastante tranquila, sem percalços e sem altos e baixos, o que, para alguns, pode denotar marasmo. Gosto de textos sem erros, mas também gosto de emoção e sua história, apesar de estar muito bem escrita, não me trouxe emoção, ou algum momento diferente. Isso não é ruim, não me entenda a mais, apenas eu, como leitora, esperava sentir algo diferente.
    De toda forma, é um conto bem escrito e está perfeitamente enquadrado dentro do tema. Boa sorte no desafio. Abraços!

    • Angelus Augustus
      3 de setembro de 2018

      Olá, Evelyn! Claro que não levarei a mal. Aqui somos escritores falando para escritores. Por isso, todos os comentários servem para nos aprimorar. Apenas uma pessoa que não escreve leu este conto. E ela achou ótimo. Disse que é até melhor que um outro que escrevi, que eu gosto muito mais. Por isso a opinião de quem escreve é mais exigente. Obrigado!

      • Evelyn Postali
        10 de setembro de 2018

        Sabe quando você precisa de algo a mais para sentir que um texto lhe agrada, ou lhe provoca reflexão ou desperta sentimento? Então, é isso. Não é uma questão de ter ou não reviravoltas. Porque nem todas as boas histórias possuem grandes guinadas, ou se parecem com montanhas-russas. O que ressaltei foi que não me despertou algo maior. Isso não desmerece e nem tira pontos, porque considero a escrita como um todo. Na minha avaliação, essa questão de agradar ou não tem peso, sim, mas não está acima de outras. Sobre ter esperado um final diferente foi porque, na minha imaginação, fiquei imaginando coisas além. Fico feliz que entenda o meu ponto de vista. Obrigada pelo retorno!

  10. Alessandro Diniz
    29 de agosto de 2018

    Gostei do conto. É bastante simples, do título até o final. Talvez vc devesse ter dado um pouco mais de detalhes em umas partes como a da cidade subterrânea. O português é ótimo e é o texto, do ponto de vista técnico é bastante bom. Talvez vc pudesse ter deixado mais claro o que iria acontecer com os humanos. Parabéns!

    • Angelus Augustus
      29 de agosto de 2018

      Obrigado pela avaliação. A simplicidade foi mesmo o foco. Achei que detalhar aquelas coisas que você mencionou não tivesse muita relevância para o que eu imaginei. Até pensei em fazer, mas desisti por achar irrelevante.

  11. Wilson Barros
    29 de agosto de 2018

    Muito importante que no começo o conto tenha sido bem detalhado, mostrando exatamente como é o ambiente militar de controle de voos. Chamo atenção para isso, que dá verossimilhança, causa interesse e constrói os personagens. Outra coisa que causa um grande impacto no conto é a dualidade da história que se transforma em uma. Muito interessante sobre isso o texto de Ricardo Piglia:
    “Teses sobre o conto

    Num de seus cadernos de notas, Tchekhov registra esta anedota: “Um homem em Montecarlo vai ao cassino, ganha um milhão, volta para casa, suicida-se.” A forma clássica do conto está condensada no núcleo desse relato futuro e não escrito.

    Contra o previsível e o convencional (jogar-perder-suicidar-se), a intriga se oferece como um paradoxo. A anedota tende a desvincular a história do jogo e a história do suicídio. Essa cisão é a chave para definir o caráter duplo da forma do conto.

    Primeira tese: um conto sempre conta duas histórias.

    O conto clássico (Poe, Quiroga) narra em primeiro plano a história 1 (o relato do jogo) e constrói em segredo a história 2 (o relato do suicídio). A arte do contista consiste em saber cifrar a história 2 nos interstícios da história 1. Um relato visível esconde um relato secreto, narrado de um modo elíptico e fragmentário.

    O efeito de surpresa se produz quando o final da história secreta aparece na superfície.”

    No conto “Eles Pousaram” a segunda história aparece na superfície da primeira, literalmente.

    Além disso, a ideia de um voo pioneiro, uma civilização subterrânea em Marte, tudo isso empolgou meu coração. Um conto realmente de primeira.

    • Angelus Augustus
      29 de agosto de 2018

      Uau! Muito obrigado pela avaliação, Wilson! Que bom que você curtiu bastante. Abraço, cara!

  12. angst447
    29 de agosto de 2018

    Olá, autor, tudo bem?
    O conto baseia-se na expectativa de pouso de uma nave. O próprio título já esclarece isso e mais, conta-nos que eles enfim pousaram. Eles quem? Aí está a surpresa da narrativa. Isso funcionou bem.
    O tema do desafio não é algo que eu domine bem ou que me interesse, mas acho interessante perceber as várias vertentes escolhidas pelos colegas.
    Sua escrita é limpa, precisa, com atenção aos detalhes técnicos. Neste ponto, confesso que a leitura chegou a me cansar um pouco, mas é uma questão pessoal mesmo.
    No geral, considero um bom trabalho, sem muito altos ou baixos.
    Boa sorte!

    • Angelus Augustus
      29 de agosto de 2018

      Olá, angst447! Tudo bem! Obrigado pela análise! Sim, não era para ter altos e baixos mesmo. Planejei um conto focado na simplicidade, com uma surpresa no final. Fico feliz que tenha funcionado com você. Algumas pessoas disseram que houve muitos detalhes técnicos mesmo. Mas é como você disse, é algo pessoal. Muitos leitores não se importariam e veriam aquilo como uma parte normal. Mas suavizarei em um próximo trabalho!

  13. Antonio Stegues Batista
    28 de agosto de 2018

    Olá! O conto é bom, tem um bom enredo, mas faltou uma revelação mais forte do que a que foi apresentada. Existem muitas histórias e filmes sobre marte e seus possíveis habitantes. Histórias impactantes, como as Crônicas de Marte de Ray Bradbury, é um exemplo. Achei o enredo regular. Estranhei que a nave foi dirigida pelo controle da Terra, já que ela, a nave, possuía uma alta tecnologia. No caso deveria os próprios astronautas fazerem a correção de entrada na atmosfera e pouso. Curioso é que os marcianos tiveram uma terceira guerra nuclear (?) , e os sobreviventes foram morar no sub solo. Faltou um melhor desenvolvimento nessa parte, também. Você poderia reescrever o conto tornando-o mais longo, com mais elementos, com mais ação, inclusive o encontro das duas raças e os conflitos daí gerados. Seria o ideal, mas com o limite de 3000 palavras não foi possível. A técnica de aterrissagem ficou perfeita. Boa sorte.

    • Angelus Augustus
      28 de agosto de 2018

      Obrigado pela avaliação, Antonio! Eu apostei na simplicidade. Quis focar no pouso e achei que seria surpresa que os alienígenas fossem os humanos pousando em Marte. Também achei que todos saberiam, quando eu mencionasse a Marte-1, que se tratava do programa Mars One, de colonização humana em Marte. Me empolguei com a ideia quando pensei nela. Para mim pareceu bastante atual e nova, no momento. Nunca li e nem assisti nada sobre humanos pousando em Marte. Apesar de ter visto um filme nas minhas buscas no Youtube, não me ocorreu que isso já tivesse sido utilizado repetidamente. Não me lembrei. Eu iria explicar melhor a parte sobre os marcianos passarem a viver no subsolo, mas acabei desistindo. Na verdade, eu iria colocá-los no subterrâneo ainda durante a guerra. ou antes mesmo. Só que achei que fosse irrelevante. Quanto a isso: “Estranhei que a nave foi dirigida pelo controle da Terra, já que ela, a nave, possuía uma alta tecnologia.”. Os controladores na Terra tomam conta dessas coisas o tempo todo. É algo meio clichê até. Usei para dar uma ligação com o planeta natal, achei mais interessante que o comandante apertar apenas um botão e o computador recalcular a rota. O final eu deixei para que os leitores imaginassem. É possível perceber que os marcianos iriam apenas observá-los e até mesmo mostraram alguma preocupação com os terráqueos. Ou seja, fica implícito que ele não iriam lutar. Afinal, os marcianos são um povo mais antigo e mais evoluído. E a tecnologia humana também é atrasada em relação à deles. Evitei muitas coisas para não usar muitos clichês. O lance da terceira guerra era para confundir mesmo. Eu queria que o leitor pensasse que fosse a Terra no futuro.

  14. Pedro Paulo
    27 de agosto de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados. Vamos lá!

    O conflito presente no conto é a dúvida sobre o sucesso do pouso da nave. Uma boa escolha criativa foi ter colocado a missão em duas perspectivas, ambas que esperam o pouso: os terráqueos e os marcianos. Muito bem, tendo denotado esses dois pontos cruciais para a originalidade do enredo, inicio minha crítica, pois são opções de trama que são transmitidas ao leitor por meio da própria narração, sem personagens cujas perspectivas valham de algo mais do que meros espectadores. A escrita foi excelente em descrever os aspectos técnicos da nave, da missão e da tecnologia utilizada para tudo isso, mas a leitura se tornou cansativa e não houve uma verdadeira expectativa quanto ao pouso, pois afinal por que nos importaríamos se eles ficassem perdidos no espaço? Temeríamos por algum dos tripulantes, sendo que não conhecemos nenhum? Ou afetaria a Terra ou Marte de alguma maneira, dado que a necessidade da missão não foi esclarecida? A própria descrição do pouso foi feita com precisão, imbuindo tensão pelas possíveis coisas que poderiam dar errado (e mais de uma havia sido citada antes dali), mas e se desse errado, qual seria o grande vilão? Uma falha elétrica? Não é dizer que precisamos de um antagonista definido, pois jamais estabeleceria um modelo específico para encaixar o enredo e tampouco minha crítica segue para recomendar um antagonista, foi só um exemplo. O meu ponto é que, no final das contas, o que estava em jogo era a mera funcionalidade das máquinas engenhosamente descritas, sem muito mais a se imaginar do que isso.

    • Angelo Augustus
      29 de agosto de 2018

      Obrigado pela avaliação, Pedro! Na verdade, eu não pensei em criar conflitos. O meu foco era o final, com a surpresa dos alienígenas serem humanos. Mas eu não pensei que fosse uma coisa muito comum. Eu nunca vi nem li nada assim. Só com Marcianos chegando na Terra. Quanto a isso: “não houve uma verdadeira expectativa quanto ao pouso, pois afinal por que nos importaríamos se eles ficassem perdidos no espaço?”. Não era para haver suspense sobre o pouso. Não com premeditação, apenas eu pensei que poderia acontecer. O relato sobre os riscos eram parte do cotidiano deles, parte do trabalho. Quanto ao fato do leitor se importar ou não com o que fosse acontecer aos tripulantes, isso dependeria de como ele visse a cena. Quando eu escrevi, eu estava dentro da nave com os tripulantes, vi a visão deles, as preocupações normais de alguém que sabe dos riscos do pouso. A missão havia sido esclarecida, era estabelecer uma colônia em um outro planeta e sim, afetaria seus semelhantes em seu planeta natal. Eu só não havia explicitado qual seria o planeta. Também não era para haver vilão, ou reviravolta. Eles iriam pousar, o próprio título já deixava claro. (Foi sem quer isso do título. rsrs). O relato sobre as falhas é parte do cenário, como se você entrasse em um avião pensando que ele pode cair. O que eu quis mesmo passar era um ambiente comum de trabalho, tanto na nave, como nos outros cenários. E uma surpresa no final, com os humanos sendo os aliens.

  15. Priscila Pereira
    27 de agosto de 2018

    Olá Angelus, eu gostei muito do seu conto! É muito interessante, a leitura prende a atenção, não é cansativa. Está muito verossímil, impecável na escrita, com um enredo inteligente e bem desenvolvido. Você tem muito talento! Parabéns!! Só uma coisinha tirou o impacto… Você entregou o maior suspense da história no título.
    Boa sorte pra você 😉

    • Angelo Augustus
      28 de agosto de 2018

      Oi, Priscila! Muito obrigado pela avaliação! É verdade quanto ao título. Se o título fosse diferente poderia causar um suspense a mais. Mas no momento que comecei a escrever, não dei a importância devida, porque eu tinha o foco na surpresa que acreditava que seria o pouso dos terráqueos alienígenas em Marte.

  16. Anderson Roberto do Rosario
    27 de agosto de 2018

    Olá, Angelus. Seu conto no que diz respeito às verosimilhança está bastante crível, coerente. Percebesse que tudo foi pensado, estudado, antes de ser colocado no papel. Parabéns. No ponto de vista literário, como obra de entretenimento por exemplo, perde um pouco o interesse do leitor. Pois desfiam-se muitos detalhes técnicos que a meu ver poderiam ser suprimidos em prol de uma melhor dinâmica, mais ação, descrição de eventos, ambientação e mesmo personagens (principalmente personagens, diria). Um exemplo disso é Júlio Verne que nos vimlumbrou mundos desconhecidos, exploração espacial, subaquática, sem prejudicar a leitura de suas maravilhosas histórias. O seu conto possui muitos méritos quanto a escrita, riqueza de detalhes técnicos, embora possa haver certo exagero, ao meu ver um dos melhores contos que li até aqui. Parabéns e boa sorte no desafio!

    • Angelo Augustus
      29 de agosto de 2018

      Olá, Anderson! Obrigado pela análise! Sim, eu realmente dei uma pesquisada. Queria que fossem bem verdadeiras algumas coisas. Eu apostei na simplicidade, pois o foco principal era criar um clima corriqueiro e surpreender com humanos pousando em Marte serem os alienígenas. Mas… Quanto aos personagens, planejei daquele jeito mesmo. Mas acho que acabei exagerando e deixando muito simplório.

  17. Nilza Amaral
    27 de agosto de 2018

    Conto tecnicamente perfeito com informações importantes.Linguagem clara, dominio da lingua.Apesar da descrição para gerar tensão, faltou expectativa.A s passagens não demonstrataram auapense.Acho que faltou um pouco de misterio.

    • Angelo Augustus
      28 de agosto de 2018

      Obrigado pela análise, Nilza! Eu apostei na simplicidade ao escrever. Talvez tenha exagerado e acabado por deixar simplório. Na verdade eu não desejei criar um suspense especial, só uma atmosfera casual, corriqueira para os personagens. Todos eram profissionais. Então aquilo, apesar de ser uma aventura, tinha ares de trabalho diário. Achei que a surpresa dos alienígenas serem humanos daria conta.

  18. Sarah Nascimento
    27 de agosto de 2018

    Olá! Sua história é emocionante, ficou ótima essa tensão sem saber se o pouso vai dar certo ou não, a correção no curso de nave e todos os preparativos mostrados.
    Outro detalhe que achei legal foi a descrição dos equipamentos usados pelo oficial.
    A descrição que você fez ali sobre mares e cidades verticais era na Terra ou em Marte? Fiquei em dúvida sobre isso.
    Eu sugeriria que colocasse mais claramente a troca de uma cena para outra, teve um trecho que já era fora da nave onde estavam os tripulantes, mas eu pensava que ainda eram eles que estavam falando
    Algo que eu queria ressaltar também é que sua ideia de colocar alienígenas por serem de planetas próximos como Terra e Marte ficou excelente! Muito criativo!
    Sempre pensamos em alienígenas vindo de outra galáxia a milhares de anos luz de distância, quando poderia ser de um planeta para o outro, parabéns pela ótima ideia e o ótimo conto!

    • Angelo Augustus
      28 de agosto de 2018

      Olá, Sarah! Muito obrigado pela avaliação! A tensão sobre o sucesso do pouso não foi intencional, apesar de consciente. Foi mais para criar um cenário alternativo. Era como se eu estivesse na mente dos tripulantes. Como entrar em avião e lembrar que ele pode cair lá de cima. A descrição das cidades era em Marte, mas eu queria que você pensasse que fosse na Terra do futuro. Espero que tenha funcionado. Sobre isso: “Eu sugeriria que colocasse mais claramente a troca de uma cena para outra, teve um trecho que já era fora da nave onde estavam os tripulantes, mas eu pensava que ainda eram eles que estavam falando.”, eu receei quando estava escrevendo. Mas reli e achei que fosse irrelevante.

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Informação

Publicado em 27 de agosto de 2018 por em Alienígenas.