EntreContos

Detox Literário.

Uma História Verídica (Emerson)

 

Revista Bem Mais , número 65, Minas gerais, outubro de 1996.

 

E se não estivermos sozinhos?

 

 

Confira a entrevista com o doutor R* F*, uma das testemunhas do caso mais misterioso do Brasil, o qual até hoje está sem solução, além de ser negado pelas autoridades.

 

Bem+ Estamos aqui com o doutor R* para tratar de um caso bem polêmico, não é doutor?  Boa tarde.

Doutor R* Boa tarde, é um prazer participar da entrevista.

Bem + O senhor é um médico muito conceituado, formado na Universidade de São Paulo em 1965,  com mestrado na Universidade de Roma na Itália, especializando-se em técnica de Necropsia e Anatomia. Poderia falar para a Bem + algo sobre sua trajetória?

Doutor R* Bom, eu sempre sonhei em fazer medicina, então aos dezoito anos passei no vestibular e me coloquei a trabalhar. Eu tinha uma pegada de humanas, achava maneiro ler história, filosofia, psicanálise, que na época tava em alta, aí tive contato com uns estudos do professor N* sobre os trabalhos de Da Vinci. Travando contato com a História, achei impressionante que na Idade Média ainda não se sabia que o sangue era um líquido fluido que circula pelo corpo. Ignorava-se tudo sobre o corpo humano até que os homens mais ousados decidiram abri-lo para ver o que tem dentro, tirando daí conceitos mais próximos do real. Foi o momento em que a ciência se fez ouvir sobre o conhecimento do corpo, até então coisa exclusiva da igreja – corpore peccatum– e com a ciência a observação foi inserida nesse processo, o que desmitificou o corpo, tirando-o da aura de pecado que a igreja trazia.  Foi aí que acabei entrando no mundo da autopsia, que aliás, tem uma etimologia que significa “ver mais de perto”, ou então “ver a si mesmo”. Posso dizer que desde então tenho visto as coisas mais de perto e tenho me compreendido melhor (risos).

Bem + E sobre um assunto delicado que o envolveu há alguns anos… Desde a reabertura política o senhor é criticado por ter sido um colaborador do regime, fazendo, inclusive, vários serviços clandestinos. Essa informação procede?

Doutor R* Não, não procede, nunca trabalhei para o governo. E ademais, o que significa trabalho clandestino? Não falamos há pouco de cientistas que roubavam cadáveres do cemitério para estuda-los? Estamos em outra época, porque não deixamos o passado para trás? Vivemos novos ares. Como eu disse, só gosto de abrir corpos e cheirar formol. Tudo dentro da lei, claro. Nada mais fiz do que trabalhar em minha clínica como tenho feito desde há trinta anos.

Bem + Mas o senhor não foi chamado para trabalhar com eles?

Doutor R* Não, não fui chamado.

Bem + E se fosse?

Doutor R* (risos) se fosse… essa é boa. Bom, se fosse, eu serviria ao meu país. Aliás, tenho servido ao meu pais desde que me conheço por gente.

Bem + O que o senhor acha do atual momento político?

Doutor R* Eu não me interesso muito por política (nesse momento o entrevistado acende um cigarro e, constrangido pelo silêncio, continua seu relato). Não gosto do governo que ta aí, mas não me incomoda muito. Enquanto houver doentes, tenho emprego (risos).

Bem + Bom, feitas as preliminares, vamos ao que interessa. O senhor está preparado?

Doutor R* Sempre estive, minha cara.

Bem + O que aconteceu no dia 20 de janeiro de 1996?

Doutor R* Direta essa hein? Sai do trabalho a tarde, estava já em casa quando recebo um telefonema. Era um caso urgente que requeria meu trabalho…

Bem + Desculpe a interrupção, mas quem ligou para o senhor?

Doutor R* Não posso revelar nomes.

Bem + Mas foi alguma autoridade?

Doutor R* Evidentemente.

Bem + E o que aconteceu então?

Doutor R* Mandaram-me buscar num carro oficial, fui acompanhado por pessoas do exército e da polícia militar, ninguém havia me falado absolutamente nada, só diziam que era um serviço de urgência. E me fizeram assinar um documento de sigilo…

Bem + Eles então conheciam o senhor?

Doutor R* [o entrevistado ignora nossa questão]… foi então que me levaram para o quartel. Atravessamos o muro ao longo da rodovia e chegamos num casarão. Chegando Havia uma sala onde me esperavam algumas pessoas, que depois descobri serem grandes nomes. Além disso, militares em todas todas as partes. Chamou a atenção o fato de que me examinaram e fizeram alguns testes que não pude identificar para que serviam.  

Bem + Havia algum político nesse momento?

Doutor R* Não, não vi nenhum político em todo o processo.

Bem + Mas o senhor diz no jornal D* ter encontrado lá o J* S*…

Doutor R* Deve ter sido uma confusão do jornal.

Bem + Reconheceu algum dos militares presentes? O senhor L*?

Doutor R* Sim, reconheci e essa informação passei para os escritores que descreveram o caso.

Bem + O que ele te disse?

Doutor R*   Ele não dizia nada, ficava em silêncio o tempo todo, apenas nos observando de uma sala separada por um vidro em que ele podia verificar a comissão médica.

Bem + Foi nesse momento que o senhor teve contato com ela? Quero dizer, que o senhor teve contato com aquilo que os militares haviam capturado?

Doutor R* O contato se deu um pouco depois. Até então a única coisa que eu sabia era que eu deveria fazer uma autopsia. Achei estranho todo aquele aparato e imaginei que alguém muito importante havia morrido, sei lá, havia sido envenenado, ou coisa do tipo. Quando vi que os demais médicos cercavam a maca, estando ao lado de gente de alta patente, comecei a desconfiar. Tomei um susto ao verificar um corpo infantil. Pensei: deve ser uma criança. Será o filho de algum político? Alguma autoridade? Ou alguém que havia contraído alguma doença muito grave?

Ao me aproximar, foi que vi alguém levantando o lençol e aí pude ver uma coisa estranha. Era uma visão não muito agradável, devo dizer.

Bem + Como ele ou ela era?

Doutor R* A formação física era a de uma criança. Não me lembro muito da medição, mas acho que tinha um metro e dez, pesava apenas trinta quilos, talvez não se alimentasse há dias e parecia ter sintomas de desnutrição. Os braços eram longos ao ponto de quase alcançarem as pernas. Tinha uma cara achatada, desprovida de nariz, com dois grandes olhos ornando uma cabeça bem maior do que o corpo. Chamou a atenção a magreza, a pele marcada de encontro à caixa craniana e os olhos enormes, todo pretos, como se desprovidos de córnea e íris. Fiquei olhando para a boca, tão pequena que  mal dava para entrar um dedo. Lembro-me de que fiquei curioso para saber como aquilo se alimentava. Na verdade, a primeira impressão que havia me dado é que eu estava diante de um chimpanzé a quem tivessem ateado fogo.

Bem + Os relatos de outras pessoas não batem muito com a sua…

Doutor R* É que essas pessoas o viram de longe. Eu o vi de perto, já disse que tenho essa mania.  

Bem + Era masculino ou feminino?

Doutor R*   não sei se caberia uma classificação desse tipo, mas encontramos uma protuberância parecida com um órgão sexual masculino.

Bem + E estava vivo, doutor?

Doutor R*   Eles não haviam sequer tocado no corpo, apenas para carregá-lo. Deixaram para que eu e a equipe médica o fizéssemos, de modo que, por respirar bem lentamente, de maneira quase imperceptível, pensavam que estava morto. Mas quando o auscultei, certifiquei-me de que estava vivo e que havia batimento cardíaco.

Bem + E mesmo assim fizeram uma exumação? Com ele vivo? Havia um objetivo em fazer isso, doutor R*?

Doutor R* Ainda Respirava quando o auscultamos. Então eu disse a B*, que estava comandando toda a operação: Isto está vivo. Toda a equipe médica tomou atitudes para reanimá-lo, mas não houve jeito, dentro em pouco o coração havia parado e as respirações sessaram. Só então pudemos fazer um trabalho de autopsia. Abrimos o bicho, pegamos os órgãos e os guardamos… foram levados e nunca mais tivemos notícias.

Bem +  Do que ele morreu?

Doutor R* Para ser sincero não conseguimos identificar. Não nos foi possível saber a causa mortis, mas desconfio que morreu de insuficiência pulmonar. Fiquei sabendo pelos jornais que outros haviam sido encontrados, mas todos mortos, o único vivo era aquele de que tratamos. Seja o que for, morreu na mesa de operação. Passamos a trabalhar, fizemos as incisões e descrições das disposições dos órgãos, constituição do tecido, vimos a maquinaria interna daquele ser…

Bem +  Daquele ser? Não era um ser humano portanto….

Doutor R* Não gosto de enrolação e falo o que me vem em mente: aquilo podia ter órgãos de um ser humano, sangue de um ser humano, mas no fundo aquilo não era humano, mesmo que a constituição do seu corpo, os tecidos, os traços, os órgãos, até mesmo sangue, tudo era biologicamente de um ser humano, havia algo alí que absolutamente me faz pensar que humano não era. Não sei se me faço compreender. Enquanto respirava dificultosamente pelo pequeno orifício que estamos nomeando de boca, mesmo que aquela mancha úmide que estamos chamando de olhos me fitasse como se expressasse medo ou dor, ainda assim havia algo naquela criatura marrom, pegajosa, ossuda, algo de repulsivo como uma barata, algo que absolutamente passa longe de uma configuração humana.

Bem + Tentava se comunicar?

Doutor R* Não fazia sequer um som, não se mexia, não fazia nada. Mas os que o capturaram, levados pelas meninas que o haviam visto num terreno baldio, esses dizem que ele emitia sons o tempo todo, não sei se articulados, isso elas é que podem dizer.

Bem + Depois de alguns dias, um dos policiais que tiveram contato direto com a criatura acabou falecendo. A causa poderia ter sido do contato, ela teria passado alguma doença para nós desconhecida?

Doutor R* Não estou a par do diagnóstico do policial, mas me estranha que todos os outros que tiveram contato não tenham apresentado até agora nenhum sintoma, inclusive eu. Não fiquei doente, não tive nenhum problema, para mim foi como se eu estivesse cuidando de um cão (risos). Então não posso responder a sua pergunta.

Agora… não sei qual foi o contato dele com a criatura. Mas eu tive o maior contato com certeza. Enquanto eu seguia no procedimento, distrai-me com uma enfermeira que deixou cair algum objeto. Senti algo frio e pegajoso na minha mão. Aquela mão alongada, fina, com ossos protuberantes tocou a minha mão. O toque era o toque de uma pessoa, de uma criança que estivesse com a mão gelada, sabe, uma pele úmida, um toque como quem diz: olhe para mim. E foi o que fiz, olhei para a criatura e seus olhos continuavam vítreos, baços, olhando fixamente para o teto, duas coisas pretas e sem profundidade, com a boquinha se abrindo e se fechando. Nesse momento senti pena dele, é como se estivesse sentindo muita dor, ou se necessitasse de alguma proteção; afinal, eu pensei, a dor é universal, não importa onde estejamos e de que espécie sejamos; e ela, a dor, é algo que só captamos no momento em que sentimos empatia.  Senti pena, muita pena e fiquei impotente diante do seu pedido de ajuda. Consegui sentir empatia por ele, isto é, consegui entender o tamanho da sua dor, de seu medo e de sua mais profunda e incomunicável solidão, e fiz de tudo para reanimá-lo. Entende o que estou falando? Entendi a dor de coisa que nem sabemos o que é.

Bem + E o senhor acha que existe um motivo pelo qual esse ser foi parar justo numa pequena cidade brasileira? De tantos lugares, foi parar justo lá? Por qual motivo?

Doutor R* O que eu acho ou não sobre o assunto pouco interessa, só posso narrar os fatos que presenciei.

Bem + Feito o trabalho, onde foram parar os órgãos, porque se faz tanto mistério a seu respeito?

Doutor R* Não tenho a menor ideia. Depois de a abrirmos, termos visto sua estrutura, feito a descrição das partes constituintes, analisado tecido, sangue, pegado amostras celulares, tivemos que nos apartar, saindo da sala, e desde então nunca mais soube nada a respeito. Porque sou um dos poucos a meter as caras e contar o que vi? Porque me perguntaram, tenho fidelidade comigo mesmo de tal maneira que não minto e tenho fidelidade com que vejo de tal maneira que não me faço de cego; não à toa sou necropsista.

Bem + Uma última pergunta, doutor: o senhor é a pessoa que mais se expôs a contar o que viu. Algumas pessoas comuns, cujas vozes acabam sendo abafadas, relatam ter recebido propostas em dinheiro para não falarem nada. O senhor recebeu algo do tipo?

Doutor R* Não, nunca. A única coisa que recebo até hoje são ligações estranhas que me pedem para calar a boca. De resto nunca mais recebi nada.

Bem + Ainda mais uma dúvida: o senhor disse ter reconhecido alguns cientista importante. Porque se calaram?

Doutor R* Talvez você ou os leitores dessa revista não compreendam o que vou dizer, mas vou dizer: acredito que se calaram porque no final das contas não viram o que eu vi. E se todos se pusessem a falar o que viram, alarmaríamos o mundo todo com uma verdade incômoda para uma espécie tão eremita como a nossa: não estamos sozinhos e vamos ter que dividir o quintal. E acho, inclusive, que esse fato nos obrigaria a retomar a noção do humano. O que é ser humano afinal de contas? E o que não é humano, o que fazer com ele? Pior ainda, esse fato nos obrigaria a nos tornarmos humanos, aí é que está o problema.

Bem +  Doutor, muito obrigado por nos ter concedido seu tempo e sua disposição.

Doutor R* Eu é que agradeço a oportunidade.

 

Revista Bem Mais,  Minas gerais, 27 de outubro de 1996

 

Nota: Para preservar os nomes citados, resolvemos utilizar os asteriscos mesmo que a revista seja de circulação aberta, ainda que de edição rara. Processos posteriores  à publicação da entrevista impedem que os nomes sejam citados e relacionados com o caso em questão.

Anúncios

Sobre Fabio Baptista

24 comentários em “Uma História Verídica (Emerson)

  1. Victor O. de Faria
    20 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: Um enredo apegado à uma forma criativa, fazendo referências ao conhecido caso de Varginha. Consegue prender pelo suspense, mas achei o doutor muito inconsistente em sua personalidade. Algumas vezes era informal demais, malandro, e em outras voltava ao “padrão advogado”. O formato relato ajuda, mas esperava que a tensão crescente terminasse em algo à mais, ou alguma revelação inesperada. A história é boa, mas não recompensa. Fiquei com a sensação de ler apenas uma revista comum numa sala de espera – se essa era a intenção, atingiu com louvor. Nem toda a história precisa explodir cabeças, mas faltou um elemento surpresa.
    T: Tirando algumas pontuações e acentuações, a escrita flui bem e a entrevistadora convence.

  2. Miquéias Dell'Orti
    15 de setembro de 2018

    Saudações, Emerson.

    Trabalho interessante, com uma estrutura de entrevista que fugiu do comum. Gostei.

    Gostei do personagem, o Dr. R., com sua personalidade peculiar. Gostei também da descrição que ele fez do alienígena, um típico alien clássico, pequeno, boca minúscula, olhos negros e sem pálpebras, mas de aspecto humanoide… bem legal.

    Senti um lapso de congruência com a história em uma parte específica. Antes de iniciar a autopsia, o doutor cita que a criatura estava viva e que, porém, a tentativa de reanimá-la não surtiu efeito e ela se foi, quando finalmente eles começaram a autopsia. Mas depois disso, o próprio doutor diz que o alien pegou em sua mão, que ele sentiu um pedido de socorro e tentou de tudo para reanimá-lo. Achei essa sequencia estranha porque logo antes ele havia tirado os órgãos da coisa e iniciado a autopsia. Pra mim isso não ficou com muito sentido.

    Também fiquei com a impressão de que a informação sobre o policial que fora morto não acrescentou em anda na narrativa, já que o Dr. só se resume a dizer que ele não teve nenhum problema com o contato. Por que o policial morreu então?

    Acho que é isso. Parabéns pelo trabalho!

  3. Fheluany Nogueira
    11 de setembro de 2018

    O formato do seu trabalho ficou diferenciado, conferiu verossimilhança e credibilidade ao texto. Portanto, o título caiu muito bem. É fácil de ler, interessante e traz um relato de um possível contato com alienígenas, bem próximo dos casos de Varginha ou Roswell.

    Entrevista é uma conversa entre duas ou mais pessoas em que se busca informação ou que relatem situações vividas por personagens. Conto é uma narrativa curta, que cria um universo de seres, de fantasia ou acontecimentos. Deve apresentar um narrador, personagens, ponto de vista e enredo e um clímax, no qual a tensão da história atinge o auge. Não sei se a forma ficou adequada para o Desafio, faltou conflito, faltou emoção. Há muita informação desnecessária para o enredo, até com conotação política. A linguagem também está muito informal em relação ao nível de instrução do entrevistado e o nível de intimidade entre os participantes da entrevista. Há ainda deslizes de ortografia e de significação de palavras.

    Mesmo assim é um bom trabalho. Parabéns pela participação. Abraço.

  4. iolandinhapinheiro
    9 de setembro de 2018

    Olá, autor! Achei bem bacana o formato que vc resolveu adotar para trazer o seu texto. A escolha do conto ser o de uma entrevista, deu muito impressão de veracidade à história do encontro entre a criatura e o médico.

    O conto é gostoso de ler, interessante e traz um relato aproximado com outras coisas que lemos como entrevistas e relatos verdadeiros feitas envolvendo cientistas, investigadores e pessoas comuns que afirmaram ter contato com alguma espécie alienígena.

    Vi um “sessaram” que deveria ser “cessaram” e a palavra “exumação” no lugar de “vivissecção”, fora isso nada mais me incomodou ( exumaçao é desenterrar algo ou alguém e vivissecção é operar alguém vivo com o objetivo de experimentação ou estudos).

    É um conto que fica na cabeça da gente por ser original e o tema ser interessante. Desejo boa sorte no desafio. Abraços!

  5. Caio Freitas
    7 de setembro de 2018

    Olá, Emerson. Sua história é boa, mas não prendeu muito a minha atenção, talvez por eu não gostar muito de entrevistas. também achei o final meio morno, sem graça. No mais, bom trabalho e boa sorte.

  6. Ana Maria Monteiro
    6 de setembro de 2018

    O alerta para a polémica a decorrer entre o/a autor/a e Higor Benizio, trouxe-me a ler este conto (ainda vou a meio, mas mo final não me recordaria de tudo e assim vou escrevendo); já vi o “maneiro” e tinha a ideia que, inter pares, a linguagem deste tipo seria mais comum entre doutores em artes que em medicina, ainda assim, não teria tropeçado nem estranhado a expressão. As pessoas, particularmente quando atingem certa notoriedade, permitem-se licenças, não poéticas como as dos escritores mas de expressão pública. Achei normalíssimo. Tropecei mais (e mesmo assim porque estava muito atenta) no “Não gosto do governo que ta aí, mas não me incomoda muito. Enquanto houver doentes, tenho emprego (risos).”, esta última parte toda não é muito condizente com alguém que terminou o curso em 1965, serias mais próprio de quem o terminou nos últimos vinte anos.
    Aqui, notei essa falha na digitação: ” Chegando Havia”
    E aqui, “Bem + O que ele te disse?”, achei que, mesmo sabendo que no Brasil se mistura o tratamento por tu com o vocè na mesma frase, não me parece que isso seja próprio numa entrevista, que estaá a ser gravada, entre um mero entrevistador e um médico reputado.
    Notei algumas sem importância, mas esta tem alguma: “tocado no corpo, apenas para carregá-lo”; tocado não concorda com carregá-lo, mas sim com carregado.
    A última coisa que eu queria ao comentar este conto era ser chata, mas você, DR. R., naquele momento, não exumou, autopsiou. E o verbo sessar não existo (sessado), é cessar. Desculpe, porque li a conversa toda e estou mais do seu lado que do lado do Higor, mas vi co muito mais apuro, por isso mesmo.
    E penso que seria mais mais apropriado dizer: do relatório da autópsia que escrever: “do diagnóstico do policial”.
    E por fim, esta: “ter que dividir o quintal”, parece-me bem mais estranha que a outra que o colega referiu a nível de linguagem casual.
    Isto é o que se me apresenta responder à vossa retórica.
    Outra coisa é o conto.
    Não me propus vir comentá-lo, apenas lê-lo, mas depois comecei a escrever e sinto que deveria comentar também. Mas, repare, pela primeira vez não estou a participar do desafio e não sei quem é você, autor/a. Como teria coisa muito boas para lhe dizer e outras que para mim seriam críticas construtivas, mas talvez você ficasse aborrecido, vou aproveitar esta minha não participação para escapar a comentários cuja interpretação positiva ou negativa, depende apenas do autor, uma vez que a intenção é positiva, compreende?
    Um abraço eboa sorte no desafio.

    PS: Independentemente de tudo, o conto está bem imaginativo e é bastante bom.

  7. Evandro Furtado
    5 de setembro de 2018

    Pontos Negativos

    – Nada aparente;

    Pontos Positivos

    – A estrutura de entrevista é espetacular, tornando o conto completamente diferente dos outros do certame. Também ao díalogo, em alguns momentos, é concedido um tom meio Kafkaniano;
    – Gosto da ideia de que o autor, em nenhum momento, cita diretamente o evento ao qual o conto é baseado, assim como os nomes envolvidos. Ainda assim, é claro ao leitor sobre o que está falando.

    Balanço Final: Very Good

  8. Higor Benízio
    4 de setembro de 2018

    O conto está bem escrito, e soa mesmo como uma entrevista possível, o que é um mérito. Mas nada além disso. Alguns pontos me incomodaram, como quando o Doutor R diz coisas como “uma pegada de humanas” e “maneiro”, isso não condiz com alguém que se formou em 1965, muito menos com o resto das falas do Doutor R. Outro ponto, é sobre essa “aura de pecado” que a Igreja supostamente trazia, ou “O conhecimento do corpo era coisa exclusiva da Igreja”, essas falas não tem o menor fundamento ou função na narrativa que não a propagação de senso comum e reflexo condicionado, o que empobrece demais o texto, além de colocar em dúvida a inteligência e a formação intelectual do entrevistado – no caso, Doutor R. No mais, “Espécie eremita” foi demais… Se a intenção foi de mostrar o Doutor R como um completo estúpido, tudo bem, senão, melhor revisar.

    • Doutor R*
      5 de setembro de 2018

      Olá, embora eu pudesse me ofender com o tom nada educado da sua parte a meu respeito, a quem você deve consideração por eu ser um médico reputado e que carrega consigo segredos de Estado; ainda que tenham debochado de meu português descontraído e de meus escapes linguísticos nos momentos de descontração da entrevista – oscilação linguística que acompanha a oscilação emocional numa entrevista tão tensa e sensacionalista, diga-se de passagem – mesmo que o senhor tenha se voltado com raiva no que diz respeito ao fato de que somos uma espécie eremita, a qual não admite o fato inconteste de que há vida fora da terra.. enfim, mesmo com tudo isso, tentarei ser cordato com você, que pelo visto também não admite, como o fazem meus detratores, a veracidade do meu relato. O que te incomodou, acredito, no fundo foi a crítica a sua fé. Mas não leve a mal, ela foi feita para que eu pudesse gerar um “ethos” a meu respeito, numa tentativa de mostrar que possuo um domínio científico a respeito do corpo – afinal, é do corpo que trato na minha entrevista quando narro o etezinho; veja que repeti a ideia da autopsia várias vezes, porque a ideia é mostrar que eu vejo melhor do que os outros. Finalmente, tais gírias eram muito típicas na época em que dei entrevistas, lá pelos idos dos anos 90 – digo isso porque tenho uma quedinha por linguistica. E saiba que os doutores formados na USP – eu que os conheci – sobretudo os que querem parecer jovens ou os que estão se recordando de um passado querido, costumam usar gírias maneiras de vez em quando, assim como todo mundo. fazer o que? São deslizes na conversação informal. Se eu fosse um personagem, acredito que meu autor me defenderia, dizendo que toda a ambiguidade do personagem, inclusive ambiguidade linguística, existe premeditadamente para que seu relato do narrador recaia na suspeita, na contradição, de modo a não confiarmos no que ele está falando. Às vezes, para criar um personagem, é preciso que ele seja várias coisas para seu leitores, inclusive até mesmo estúpido. De modo que, à guisa de encerramento, eu diria que meus defeitos como ser humano fazem as minhas qualidade de personagem – se eu fosse algum.

      • Doutor R*
        5 de setembro de 2018

        *O relato do narrardor

      • Higor Benízio
        5 de setembro de 2018

        Ah, agradeço a atenção do Doutor, obrigado – fui o único dos comentaristas que recebeu atenção, devo me sentir honrado?. De nada por ter lido sua entrevista, e indicado pontos que achei falhos. No mais, devo dizer que esclareceu absolutamente nada, ambiguidade é diferente de incoerência (coisa que a própria resposta pomposa comprova); e não é uma questão de afetação quanto a crenças, mas pura constatação de ignorância sobre o assunto. Caso não tenha sido abduzido, vale tentar voltar para a terra.

    • Doutor R*
      6 de setembro de 2018

      Não comentei os demais colegas, porque o que escreveram – muito educadamente, aliás – foram coisas interessantes e inteligentes, dignas de serem levadas em consideração. Anotei cada uma das lições e só parei ao me deparar com o crítico literário e Nobel de literatura com quem tenho agora o prazer de conversar e que me propicia uma oportunidade de diversão. Incoerência é algo que de fato se encontra nas entrevistas. Devo lembrá-lo de que quem aqui fala não é o autor, é o doutor; e o senhor tem incorrido no erro de direcionar suas palavras para a pessoa errada. No mais, como médico experiente que sou, recomendo que o senhor faça uma consulta para avaliar sua bílis, ela tem afetado seu caráter e até mesmo seu estilo, tomou seu cérebro ao ponto de fazê-lo inocentemente crer que o senhor é um especialista em literatura e teologia.

      • Higor Benízio
        6 de setembro de 2018

        Não sei se é a primeira vez aqui no EntreContos. Mas enfim, aqui, normalmente, se procura aceitar bem as críticas, e estar aberto ao debate sobre o que foi colocado. Caso tudo que tenha para entregar seja deboche, temo estar no lugar errado. Caso queira discutir as questões que coloquei, estou aberto a discuti-las. Sobre a questão da linguagem do Doutor R não condizer com o resto da entrevista, isso acontece muito, e diminui o personagens, não adianta disfarçar o erro atrás de floreios. Caso notássemos mais deslizes equivalentes durante a entrevista, ok, do contrário, não faz sentido pois nem um vicio de linguagem chega a ser. O homem não é uma espécie “eremita”, e aqui não precisamos ir muito longe para perceber. Tudo que concerne ao homem (e o faz diferente de um animal, para além de conceitos biológicos), no que satisfaz sua inteligência, se dá no outro (homem). Realização, amor, amizade, responsabilidade, respeito, esperança etc. Essa ideia de “eremita”, em parte romantizada pelo niilismo, e que se contradiz nele próprio (ler O Saber dos Antigos – Terapia para os Tempos Atuais de Giovanni Reale), não tem raízes na realidade das coisas (ler artigo Da Contemplação amorosa, Link: http://www.olavodecarvalho.org/da-contemplacao-amorosa/ de Olavo de Carvalho). Sobre as passagens tratando da relação da Igreja com o corpo humano, gostaria que me expusesse (e é claro, como inspiração para as falas do personagem), qual foi o evocativo dessas premissas. Onde viu? E qual é a intenção da fala do Doutor ao fazer referência a isto?

  9. Alessandro Diniz
    30 de agosto de 2018

    Oi, Emerson! Seu conto é interessante. O formato é diferente e para mim é mesmo uma entrevista apenas. Digo isso apenas sobre o formato, pois todo o resto é criação imaginativa sua e ficou legal. Gosto muito do assunto e até mesmo identifiquei umas partes que me lembraram do real caso de Varginha, sua base para o texto. Isso é bom, ajuda a dar realismo ao texto. A entrevista corre coesa, até certo ponto. Mas uma parte ficou estranha. Quando a entrevistadora pergunta: “Bem + Daquele ser? Não era um ser humano portanto…”. Ele afirma que não, mas o jeito como vc colocou ficou estranho. Pois por fora definitivamente ele não era humano. Aqui: “E mesmo assim fizeram uma exumação?” Vc confundiu exumação com dissecação. Exumar é desenterrar. Aqui vc utilizou um adjetivo em discordância: “para uma espécie tão eremita como a nossa”. Eremitas vivem sós e humanos, normalmente, vivem em sociedades. Suponho que vc se referia ao fato de muitos acharem que os humanos são os únicos seres inteligentes no Uiverso e aí entra o isolamento que vc quis dizer com eremita. Seu português é bom, no geral. Quando vc tiver dúvidas sobre um significado, é melhor checar antes de escrever. Boa sorte!

  10. Evelyn Postali
    29 de agosto de 2018

    Escrever uma história em forma de entrevista é uma maneira muito bacana. Acho que esse é o ponto alto desse conto com relação ao aspecto formal. Eu não me detive em erros de escrita ou na construção dos parágrafos porque a leitura fluiu muito bem a ponto de eu não sentir isso. E se não senti, então, está ok para mim. Talvez outros leitores apontem, mas da minha parte está bem mesmo.
    Seu texto está bem próximo de uma entrevista. Gostei da maneira como as perguntas foram se encaixando e como o entrevistado foi amarrando tudo ao longo de suas respostas. Acho que a relação entrevistado, entrevistador funcionou bem. Talvez devesse ter um plus, aí, algo a mais, uma finalização que desse para a entrevista um up no final. Não sei também. Enfim…
    Boa sorte no desafio. Abraços!

  11. Bruna Francielle
    29 de agosto de 2018

    TEMA: Sim

    INTERESSE PELA HISTÓRIA Médio

    PONTOS POSITIVOS: Criativa a forma como a história foi contada. Em forma de entrevista para uma Revista.
    Verossimilância: pude imaginar a revista e a entrevista como sendo equivalente as existentes no mundo real. Lembro vivamente de que antigamente revistas assim eram comuns.
    , O Doutor R foi embutido de uma personalidade. A entrevista se deu em tom de “bate-papo descontraído”, e não em tom científico, o que facilitou a leitura. Se eu estivesse lendo essa entrevista numa revista, iria automaticamente achar que era falsa por causa do tom descontraído. (Isso não é um ponto negativo) O título também dá a entender que a história na revista seria falsa, pelo menos de acordo com minha percepção, atuando como “psicologia reversa”.
    Particularmente, fiquei satisfeita com a forma como o conto se encerrou: Começando e terminando como uma reportagem. Uma mistureba de formatos narrativos teria desfigurado o todo.

    PONTOS NEGATIVOS: Diversos erros de digitação. Infelizmente, quando eles aparecem, a atenção muda da história para o erro.
    Uma das primeiras respostas do Doutor R – a que ele falava sobre como gostava de história, filosofia – me pareceu sem sentido em vista do restante do conto. Não se encaixaram no enredo. Mas podem ter servido para constituir a personalidade do Doutor R. e habituar o leitor a essa personalidade.

  12. Wilson Barros
    27 de agosto de 2018

    Achei muito engraçado, um doutor com mestrado, tudo mais, falar desse jeito, “maneira”, “pegada”, etc. A entrevista está muito boa, bem no estilo jornalístico, com detalhes completos, o que torna o texto muito interessante, muito verossímil. Forma preservados os nomes de José Serra, do Tenente-Coronel Lúcio Pereira e do policial Marco Chereze. Um conto agradável, para ler em pé, sem erros gramaticais de importância.

    Como sugestão, uma ideia: após a entrevista, poderia surgir algum detalhe que confirmasse a história, tipo um militar lendo e comentando, ou um e.t. pousando a revista na mesa de uma nave espacial, ou o médico perguntando para o chefe dos e.ts se ele estava satisfeito, alguma coisa engraçada assim…

  13. Rafael Penha
    27 de agosto de 2018

    Olá, Emerson

    De fato, uma história verídica, baseada no famoso caso do ET de Varginha. Acho que perde um pouco de originalidade nesse ponto, visto que já vi histporias como essa sobre o caso, mas a narrativa é muito boa, verossimil e instigante no início.

    PONTOS POSITIVOS:
    A narrativa é simples e fluída, sem malabares gramaticais, como um médico faria, o que aumenta a verossimilhanca do conto. A história progride bem no inicio e meio. O tom dado à empatia do médico é muito interessante, demonstrando haver sentimentos sob uma casca tão grossa e amarga que ele demonstra.

    PONTOS NEGATIVOS:
    Por mais que seja um relato, não senti a história fluindo para um final digno ao inicio. O protagonista também parece totalmente alheio à maior descoberta de todos os tempos e fala daquele ser de outro mundo como se falasse de um cão. Por mais que ele tentasse parecer cético ou conformista, acho que algum maravilhamento, indignação ou qualquer sentimento deveria ser expresso por alguem que viu o inacreditavel. O final é anti-climático ao extremo, tornando o início, a melhor parte do conto.

    Um conto verídico, como o nome propôs, mas, na minha opinião, talvez por isso, carente do elemento narrativo da crescente que leva a um desfecho recompensador.

    Grande abraço.

  14. Pedro Paulo
    27 de agosto de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados.

    O formato dá originalidade e influi no próprio “charme” do conto, uma vez que a entrevista dá a voz de narrador personagem ao entrevistado. Não só isso, mas se torna importante que o depoente não seja inteiramente confiável, deliberadamente escolhendo as perguntas que responde e se vai ou não citar nomes. Também prefere ser dúbio em mais de um momento, não dando certeza de sua participação no que fica evidente ser o regime da Ditadura Militar. Com essa opção do autor, o enredo, que remonta a uma premissa muito simples de descoberta e experimentação de um corpo alienígena, torna-se interessantíssimo pelas camadas que vão lentamente se retirando do mistério. Não é só na própria incerteza que permeia a narração, mas é também no momento em que situa o início da história, quando foi chamado pelos militares (e aí omitiu se já era conhecido, claro). Com esse começo, vamos pouco a pouco tomando um entendimento da situação, levando algum tempo para entendermos cada aspecto da descoberta e do ser alienígena que parecia morrer na mesa. Alguns consideraram o final anticlimático, mas eu já tenho outra opinião, pois tomo que o grande mérito do conto foi justamente delimitar as informações às quais temos acesso, deixando um aspecto sinistro na história, uma vez que não se sabe de onde veio e para onde foi, mas sabe-se que existe. Com isso, o que o médico encerra dizendo sobre o “ser humano” finaliza muito bem o conto, não nos solucionando as questões abertas, mas explicitando a mensagem que a história carrega. O conto merecia uma revisão mais esforçada, dado que sobraram alguns erros notáveis. Muitos já foram citados e complemento com um que ainda não vi ter sido coberto (e li apenas de relance): no fim, escreveu “Minas gerais” no lugar de “Minas Gerais”. Boa sorte!

  15. Antonio Stegues Batista
    26 de agosto de 2018

    O conto é parecido com Caso Varginha, sobre a aparição de um extraterrestre relatado por 3 meninas. Naquele caso ele tinha olhos vermelhos. Não sei se a referencia é a mesma, em todo caso, achei legal a estrutura do texto, a entrevista de um médico que examinou um alien. Gostei dos diálogos e do ponto de vista do médico que dá bastante valor à narrativa. Alem dos erros apontados tem um na palavra “sessaram”. De resto é um bom conto. Boa sorte.

  16. Anderson Roberto do Rosario
    26 de agosto de 2018

    Emerson. Seu conto nos traz um narrador (entrevistado) com bala na agulha, nem articulado e que sabe o que fala. Eu acho delicado criticar a igreja da forma como foi feito no seu conto. Sabemos que a igreja tinha seus dogmas e que sua perseguição aos cientistas e gênios da época muito atrasaram o desenvolvimento humano em várias áreas. Mas não podemos esquecer que a mesma igreja patrocinava cientistas como o próprio Galileu, sem falar que Mendel, pai da genética, era padre. Mas não irei me alongar muito nesta parte, porque a própria igreja se contradiz em muitos pontos e minha intenção não é em hipótese alguma defendê-la ou isenta-la de culpa. Seu texto possui erros quanto ao gênero e os tempos verbais contidos numa mesma frase. Mas não vou me ater a isso. Quando citou Da Vinci, tive a esperança de alguma exploração mais profunda quanto mitologia que cerca este gênio quanto a sua relação com extraterrestres, mas isso não aconteceu. Não me decepcionou no entanto. As breves referências tornam o texto mais gostoso de ler e mostram um conhecimento amplo do escritor. Parabéns e boa sorte no desafio!

  17. Sarah Nascimento
    25 de agosto de 2018

    Olá! Gostei do seu conto ser uma entrevista com um médico. Achei bem interessante a primeira observação dele sobre o que as pessoas da Idade Média pensavam do sangue. Só achei um pouco estranho o jeito do médico falar, parece um jovem, pois ele diz umas palavras que não condizem muito com a idade que a gente deduz. Bom, mas ele pode ser um médico que curte ser mais moderno também, é claro.
    As reflexões que ele faz mais para o fim da entrevista ficaram maravilhosas. Gostei muito da frase: “não estamos sozinhos e vamos ter que dividir o quintal. E acho, inclusive, que esse fato nos obrigaria a retomar a noção do humano. O que é ser humano afinal de contas? E o que não é humano,”. Bem interessante todo esse clima de mistério e as reflexões que ele faz.
    Eu confesso que esperava um final mais surpreendente, o médico revelando algo, deixando escapar uma informação sem querer, mas mesmo assim é uma entrevista legal. A descrição que ele faz da criatura ficou excelente pra imaginarmos ela, mas o médico nunca parecia desconfortável contando a história. Nem citou estar assim no episódio descrito.
    Deve ser por isso que suspeitei tanto dele, ou que algo ainda ia acontecer.
    Para um próximo texto escrito neste estilo de entrevista, eu sugeriria você fazer do ponto de vista do entrevistado ou do entrevistador, acho que fica melhor pra inserir informações e impressões deles, o que não dá pra fazer tão bem no formato de entrevista pronta.
    Mesmo assim, o texto está interessante e muito legal a sua ideia de pegar algo que aconteceu no nosso país.
    Parabéns pela história!

  18. André Lima
    25 de agosto de 2018

    Seu conto me despertou um interesse muito grande pela forma original que foi apresentado. A maneira como você escreveu também me fisgou. O ponto alto do conto é esse: sua estrutura, sua estética e a técnica do autor. Tudo extremamente moderno. Por isso lamento os momentos de oscilação. Ora o Doutor R é muito informal, ora muito formal. Uma uniformidade seria mais bem-vinda, ao meu entender. Aliás, a força dessa estética não seria a informalidade?

    Quanto a narrativa, ela se inicia melhor do que termina. Termina quase num anti-clímax proposital que, ao meu ver, funciona, mas muito pouco. Pode dar um ar de veracidade ao conto, o aproximando mesmo de uma entrevista numa revista real, mas o afasta de estrutura de uma boa história. Vendeu-se muito a ideia e fechou com um final que a própria ideia não merecia, ao meu ver.

    Alguns errinhos de revisão foram encontrados, como a repetição da palavra “todas” na frase: “Além disso, militares em todas todas as partes”, e o uso incorreto do “por que”, em dois momentos: “Porque sou um dos poucos a meter as caras e contar o que vi?” e “Porque se calaram?”. No quinto parágrafo, há uma repetição exaustiva das palavras “corpo”, “pecado” e “igreja”. Algo que pode ser revisto pelo autor.

    Como conclusão, eu boto minha mão no fogo para dizer que você é um ótimo escritor e tem habilidade. Achei um conto “ok” demais para o potencial que você demonstra. O conto merece mais atenção e revisão. É isso. Parabéns pelo trabalho e pela excelente forma criativa de amarrar o leitor ao texto.

    • Emerson
      25 de agosto de 2018

      André, sua análise é perfeita. Tirando os erros de ortografia, tudo o que você indicou eu havia mantido para justamente dar veracidade ao texto, incluindo-se o anti-clímax e mesmo as repetições. Lendo sua análise, vc me convenceu de mexer em alguns trechos, concordo totalmente com vc. Obrigado!

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Informação

Publicado em 24 de agosto de 2018 por em Alienígenas.