EntreContos

Detox Literário.

Convite (Feto)

 

AVISO DA MODERAÇÃO: A pedido do autor, esse conto não está mais participando do certame. Assim, sua leitura não é mais obrigatória.

 

Tudo estava estranhamente calmo naquela noite. Eu ponderava incessantemente as questões que você levantara durante a manhã, por essa razão, eu caminhava na orla da praia concentrado em pensamentos. Acendi um cigarro e constatei: a lua estava maior que o natural durante aquela semana. Eu lembro que soltei minha maleta no chão e um punhado de areia voou; eu sentia as partículas dela com meus pés descalços. Eu estava ali, contemplando a grande massa azul escura, imponente, titânica. Eu esperava que o mar me explicasse o universo. As águas tentaram, sutilmente, me narrar os pilares estruturais do cosmos, entre sussurros e quebrar de ondas, no entanto tudo ressoava tão baixo, tão silencioso, que voltei a mim antes de compreender.

Eu caminhava solitário; já havia me habituado a isso. Somos todos solitários por essência e caminhamos tortos em avenidas retas, sem saber aonde tudo isso vai dar. As luzes do Rio de Janeiro estavam curiosamente radiantes. E aquela cidade estava fria, com uma chuva fina… Era um Rio melancólico e muito mais convidativo, onde o ar beijava gelado, os lábios rachavam e o cinza contrastava com as luzes.

— Quem deve estar chegando? – eu ouvi a voz de minha mãe em outro cômodo.

Os corredores da casa me dobraram até o quarto e, com muito pesar, eu me preparava espiritualmente para o que estava prestes a ver. Eu nunca me acostumaria, eu nunca sequer aceitaria.

— Está vendo? É meu irmão. – disse a outra mulher em pé ao lado da cama.

E parado embaixo da moldura da porta, eu a vi. Jacente no leito como Eva, o emaranhado dos lençóis eram seus cipós e a nudez que se fazia era sagrada, como se fosse a lei daquela terra. A ouvi sussurrar:

— Quem é esse?

Minha irmã se virou para mim. Eu percebi o cansaço e a renúncia.

— É seu filho, lembra? Seu primeiro filho. – Apontou.

Mas ela não respondeu. Apenas se mergulhou em mim, enquanto eu estava ali, estático, embaixo da moldura da porta, em contraluz. Eu não pude ler suas expressões. Elas não eram vazias, como se poderia se supor; ao contrário, eram um inextricável de galáxias e elétrons, algum reflexo da desordem espontânea que existe no universo.

Esse foi meu Big Bang, o fato que me fez virar a chave, que me fez conceber que minha própria existência não era problema suficiente; o meu relacionamento contigo também não seria.

Com isso fui me deitar e obviamente não dormi. Eu tentava captar em minha memória alguma resolução para todos os conflitos. Mas me perdi quando me veio uma lembrança que, provavelmente, nunca te contei. Será que você sabe? Será que sabe do dia em que minha mãe foi me buscar na escola? Eu devia ter sete anos. No pátio, em meio a todas as crianças que transladavam em volta de mim, minha mãe se abaixou e me perguntou, baixinho:

— Quem é ela?

Era nítida a expressão de excitação em desvendar o próprio filhote. O sorriso era tão característico. E eu timidamente apontei para você. A menina que rotacionava com os braços abertos, o cabelo nebulava ao redor de sua cabeça, fazendo seu próprio anel de asteroides. Eu podia recordar claramente e ali, deitado na cama, senti novamente os braços de minha mãe me erguendo para pôr-me em colo. Ela me beijou a têmpora e me disse:

— Ela é linda!

E eu me orgulhei por me satelitear em você. Hoje, ela não te reconheceria. Não é mesmo a vida uma loucura?

Esses pensamentos se estenderam durante a semana. Eram sempre as mesmas noites que eu revivia; as mesmas lembranças, os mesmos pensamentos, as mesmas questões. Eu refletia e refletia acerca do que você me dissera, mas se sucediam apenas lamúrias. Até que minhas aflições se interromperam quando eles vieram.

Eu não me recordo do dia, mas sei que era madrugada. Eu acordei suavemente e pude observar as formas que se mantinham em pé pelo meu quarto. Uma luz intensa e violeta invadia a janela e iluminava parte do local. Eu constatei todas as presenças, sem medo, mas com uma tensão única que antecede a libertação. Um deles caminhou ao meu encontro e disse, com sua voz aguda e gutural em diferentes camadas, com estalidos e pigarros:

— Venha conosco.

Não eram ameaçadores. Até se parecem com vocês, embora tenham os braços ligeiramente maiores e os olhos esticados e fundos. Eu levantei da cama devagar e transacionei pelo quarto. Aceitei o convite de bom grado. A experiência de nascer de novo nos dá uma nova perspectiva sobre a vida. Percebemos que há muito em comum entre o grito do nascimento e o silêncio da morte. Eu simplesmente percebi quando cheguei à janela e contemplei a grande astronave que flutuava à minha frente. Era a mesma carruagem de fogo que levara o profeta Elias no passado. E com nosso próprio rodamoinho, subimos à nave como arrebatados.

Quando a astronave me inseriu no cosmos, eles me revelaram meu passado. Sou um tipo de híbrido da espécie humana com a espécie dos tripulantes; há muitos de nós por aí. Eles colheram meu sangue e me fizeram passar por procedimentos antes desconhecidos por mim. Eles estavam satisfeitos com o que encontraram. De alguma forma, a missão havia obtido sucesso. Eles me disseram que eu, finalmente, conheceria o lar de meus antepassados; e foi aí que a nave trepidou e passamos por um processo que eu poderia chamar de forma-dimensionação, assim que adentramos em um buraco de minhoca. O procedimento era necessário, pois todo elemento material, desde a nave até as bactérias de meu corpo, estava agora em uma outra dimensão.

Tudo era muito confuso no início, essencialmente quando eu me aventurava a utilizar o dimensioscópio para te observar. É uma experiência única, comparada a um desenho de um ser bidimensional em uma folha de papel. Esse ser desenhado é limitado por aquele espaço em branco e jamais poderá observar o desenhista tridimensional, pois só conhece os sentidos e direções que a folha lhe permite, enquanto o desenhista, por sua vez, pode observar cada milímetro daquele espaço. É assim para mim. Consigo ver-te por todos os cantos e estaria presente, tocando-te o pé do ouvido com meus lábios se não fosse uma imensidão universal que nos separam. Mas eu escrevo essa carta enquanto recito aos seus ouvidos, na esperança de, caso eu volte à Terra um dia, você possa lê-la e tomar as decisões que tanto te inquietam. Tudo é novo para mim, tudo é tão radiante e sonoro… As novas regras do meu atual contexto me fazem perceber que enfim saí da Caverna de Platão. O tempo aqui é diferente também. Fazem apenas alguns segundos que Jesus ascendeu aos céus em sua própria espaçonave, mas em minutos serei tão velho quanto a mais antiga das estrelas, serei fraco, obsoleto, gigantesco e pesado.

Não temo mais a vida, a morte ou o tempo. Entendo como tudo funciona, pois vi a face de Deus no reflexo de um rio. Eu vi o modus operandi, a força motriz e a razão de tudo. E descobri que, ao contrário do que normalmente pensamos, não somos insignificantes por conta do nosso tamanho microscópico em relação ao gigantismo do universo; somos porque tudo é, desde a maior das estrelas até a maior mancha galáctica universal. Tudo concorre para caminhos retos, em marcha através do acaso, com um destino que se desmanchará em frente dos últimos olhos.

Ah, como eu desejo que um dia você possa ver as maravilhas e os fenômenos que vejo. Certamente, à essa altura, tudo haveria de mudar em seu interior. Aqui, minha querida, há cores tão cintilantes, há tons tão absurdos que seriam impossíveis de se reproduzirem na Terra. Aqui, as manhãs são tão graciosas que somos nós que cantamos aos pássaros. Os sons, por vezes, se tornam elevados demais, onipresentes e impróprios para o ouvido humano comum, mas estou aos poucos me acostumando. E descobri, como quem se contempla em um espelho, que não existe vazio, não existe vácuo, não existe o silêncio… O universo geme, baixo, gutural, a todo instante, e, quando nos calamos, deveríamos escutá-lo, mas somos tão egocêntricos que acreditamos que o universo nos imita e nada se ouve.

Agora, quando me deito na praia, sou admirado pelas estrelas; o mar não mais sussurra verdades pra mim, mas me pergunta em súplica. E eu tenho as respostas, até mesmo as respostas que você tanto procura. É bem verdade que há coisas que você nunca encontrará, nem no mais remoto ponto do cosmos, embora haja questões tão óbvias que você se sentirá uma reles criança apalpando o mundo. Eu gostaria tanto de mostrar… Não mais por mim, mas para te poupar da busca incessante, das angústias que os planetas, os buracos negros e os asteroides percorrendo o espaço causam.

Hoje, eu sei que não sinto mais falta de nenhum elemento da Terra. Nem mesmo de você. Tudo se tornou miseravelmente distante. Até aquela nossa noite de sexo no carro, outrora tão fatídica, se tornou irrelevante. Porque de fato o é. Mas há uma exceção que ainda me angustia suavemente… Eu sinto falta de minha mãe, ah, minha mãe… Eu sinto falta de seu útero, de seus fluidos, de nosso cordão umbilical. Sinto falta do toque, dos beijos na têmpora, da conexão única e da justificativa… Tudo é justo e justificável quando filhote e mãe se encaram, e de repente todo líquido se torna amniótico e todo toque é reconfortante e intrauterino. Daí minha revolta em vê-la não sendo mais, não estando mais, perdendo seu ego a cada dia que se passa.

Mas entendo que até isso tem de ser. Afinal, as águas se movem, os planetas também, o universo gira e se expande e meus gritos seriam meros instrumentos de uma imensa sinfonia. É nítido para mim: é preciso contemplar muito mais do que viver.

E se você visse o que eu vi? Eu a convido, despretensiosamente, a não buscar, mas sim a ser buscada. Quem sabe não te encontram? Quem sabe assim, suas concepções não sofram mutações e você finalmente reconheça as respostas que procura? Quem sabe assim, não possa contemplar o violeta no espaço ou subir no topo da Estrela? Sinta a gravidade. E ouça, o universo geme… Eu sei que você um dia saberá, minha querida…

… o universo geme.

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Sobre Fabio Baptista

12 comentários em “Convite (Feto)

  1. Bruna Francielle
    29 de agosto de 2018

    TEMA: Sim

    INTERESSE PELA HISTÓRIA Médio

    PONTOS POSITIVOS: Usar termos da astronomia e ciência oficiais em descrições de cenas casuais. Ex.: “transladar pelo quarto”. Achei essa ação criativa.
    Achei interessante também, apesar de não entender direito, a mistura entre “feto” e “Universo”. Confesso que percebi isso apenas depois de ler o texto, quando reparei no nickname escolhido pelo autor (Feto), o que me fez questionar o conto inteiro, sobre do que realmente se tratava. Será que ele se passou dentro da barriga da mãe?

    PONTOS NEGATIVOS: Frases sem sentido (pelo menos, relendo, não vi nenhum sentido). Ex.: “Não mais por mim, mas para te poupar da busca incessante, das angústias que os planetas, os buracos negros e os asteroides percorrendo o espaço causam.”
    Até agora não sei quem foram as mulheres citadas no começo do conto. Ficou bastante confuso a primeira parte, pois não houve esclarecimentos para o leitor do que estava acontecendo, de quem tava falando, e tal. Talvez a parte inicial tivesse ficado melhor no final do conto, pois poderíamos entender melhor após ter tido algum tipo de explicação.
    Infelizmente, se alguém me pedir pra explicar este conto, eu não iria saber.

  2. angst447
    29 de agosto de 2018

    Olá, autor, tudo bem? Se conto apresenta um tom poético que embeleza toda a narrativa. Há também uma aura nostálgica, melancólica que permeia a trama. Isso me agrada.
    Decidi que neste certame não realizarei comentários quanto à revisão, tampouco relacionarei minha avaliação a possíveis falhas ortográficas ( a menos que seja algo gritante). No entanto, devo dizer que o uso excessivo do pronome EU incomodou-me um pouco. Basta retirá-lo de algumas frases e a fluidez será maior.
    A narrativa em primeira pessoa, em forma de mensagem, uma carta talvez, prende a atenção, pois desperta o interesse sobre o destino do narrador. Apesar de lançar mão de alguns recursos um pouco batidos como o protagonista ser examinado pelos alienígenas, considero que o conto traz uma forma inovadora de explorar o tema. Boa sorte!

  3. Alessandro Diniz
    29 de agosto de 2018

    Cara, eu achei bem legal o conto. è bastante poético, tem umas viagens filosóficas. Pelo clima saudosista que vc criou, fiquei achando que o cara sabia que iria embora e estava meio que se despedindo das coisas terrenas. inclusive das tristezas. vc não descreveu os personagens, a não ser a menina e os alies, mas conseguiu dar personalidade através da atmosfera que vc usou p cerca-los. achei legais as várias referencias, e suas comparações, só achei que vc exagerou na transcendência de terráqueo para ser espacial. Vc utilizou três parágrafos sobre isso. Sei q vc quis enfatizar, mas acabou dizendo a mesma coisa muitas vezes, só de maneiras diferentes. Gostei do cara ser um híbrido e apesar de exame alien ser um clichê, não ficou ruim, vc soube limitar o assunto nesse caso. Vc consegue passar com facilidade o que vc deseja. Seu estilo é bem diverso. Seu português não é ruim, apenas alguns deslizes, como em “não fosse uma imensidão universal que nos separam.”. O verbo não bate com o sujeito, quem separa os dois é singular. E aqui vc usou a conjunção duas vezes: “como se poderia se supor”. Essa parte tbm soou estranho, parece que as cores vão se reproduzir como animais ou células: “há tons tão absurdos que seriam impossíveis de se reproduzirem na Terra”. soa melhor assim: há tons tão absurdos que seriam impossíveis de serem reproduzidos na Terra ou há tons tão absurdos que seriam impossíveis de se reproduzir na Terra. Esses foram os mais observáveis acho.

  4. Wilson Barros
    28 de agosto de 2018

    O estilo é romântico, poético e a poesia é bem construída, através de frases filosóficas e intimistas, como s letras de Renato Russo. Aliás o início me parece um “Vento no Litoral”, só que mais profundo e literário. A história dos híbridos dá um aspecto científico à história de Percy Jackson, o que prova que a ideia do Rick Riordan não é de todo inverossímil. A alegoria de Platão me pareceu bem pertinente aqui.
    A técnica é muito boa e envolvente, pois o autor remete continuamente sobre o leitor cenas e ideias bem interessantes, como o “dimensioscópio”, “Caverna de Platão”, “espaçonave do Elias, Jesus Cristo”, etc. A “Teoria de Tudo” aqui apresentada é bem fascinante. E bem interessante ele querer contar tudo para a ex. Não acredito, claro que ele não estava mais a fim. Todos nós sempre dizemos isso, e se ainda nos importamos com ela, nunca é verdade.
    Tenho algumas sugestões talvez possam ajudá-lo ajudá-lo no futuro:
    1) Na frase “Eu ponderava incessantemente as questões que você levantara durante a manhã, por essa razão, eu caminhava na orla da praia concentrado em pensamentos” cabe o uso da elipse. Ou seja, o segundo “eu” deve ser suprimido, para maior harmonia da frase. O mesmo se aplica a todos os outros “Eus” do parágrafo inteiro e do seguinte, e praticamento quase todos até o final do texto.
    2) Uma revisão talvez possa ajudá-lo a encontrar palavras mais adequadas às ideias, como a na frase “enquanto eu estava ali, estático”, onde acredito que o sentido fica mais claro se for usado o verbo “permanecer” no lugar de “estar”.
    3) O Verbo fazer não varia quando se refere a tempo, no sentido de “haver”: ‘Faz apenas alguns segundos que Jesus ascendeu aos céus em sua própria espaçonave”
    4) Em “há tons tão absurdos que seriam impossíveis de se reproduzirem na Terra”, creio que o caso em que o infinitivo impessoal (“reproduzir”) fica mais eufônico.

    No mais, parabéns por um conto magnífico, uma reflexão muito profunda sobre o propósito do Universo.

  5. Feto
    28 de agosto de 2018

    Pessoal, eu realmente não gostaria de comentar sobre isso, afinal sempre espero o certame acabar, mas como há o espaço e reli o estatuto (Não estou ferindo), lá vai:

    Algumas pessoas estão comentando sobre falta de “enredo” no conto. Isso é totalmente proposital. O conto é um convite para que se não se olhe com uma perspectiva TRADICIONAL de narrativa. Não há um enredo mirabolante porque não é o objetivo do conto. Como já foi comentado, o conto é intimista, quase que num monólogo. É uma CARTA que o sujeito está escrevendo. Ele não está preocupado em estrutura narrativa para se formular uma história clássica (Clímax, personagens, arcos, três atos, etc).

    Não é questão de estar faltando algo ao conto, pois essa lacuna é totalmente necessária para se atingir seu objetivo.

  6. Rafael Penha
    27 de agosto de 2018

    Olá, Feto

    Um conto intimista ao extremo. Uma verdadeira viagem à autopercepção e à onisciência universal.

    PONTOS POSITIVOS:
    A linguagem poética utilizada engrandece o tom de intimista e até psicodélico. A gramática está excelente, sem qualquer erro que me chamasse atenção. A narativa do autor é vívida e descritiva, pude ver até as cores que o autor desenhava, e formar claramente imagens na mente.

    PONTOS NEGATIVOS:
    O tom intimista que é o ponto forte, acaba por sabotar o tema do certame, visto que a inserção de alienígenas parece ser feita mais para atender à exigencia do concurso do que por ser algo relevante à história. Nada é desenvolvido nesse tema. Todas as revelações do protagonista poderiam ser alcançadas com experiências, traumas, estudo, ou uma boa dose de alucinógeno.

    Um conto belo, técnicamente, mas a meu ver, carente de enredo.

    Grande abraço.

  7. Pedro Paulo
    27 de agosto de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados.

    Narrado pelo próprio protagonista, o conto nos convida (aí em sintonia com seu título) a acompanha-lo no redimensionamento de sua perspectiva, agora alinhada ao cosmos e à magnitude do universo. Portanto, parabenizo pelas várias analogias que nos permitem acessar o modo que o personagem enxerga tudo. Escreveu tudo muito bem. Destaco os momentos em que nos diz sobre o gemido do universo, sobre o aspecto bidimensional com o qual observa a amada e, especialmente, sobre a natureza da relação entre mãe e filho. Isso não compete só a uma excelente descrição, mas também ao desenvolvimento do protagonista, dado que mesmo imerso no macrocosmo, escreve uma carta para a amada e lamenta pela mãe. Pois se é meio alienígena e meio humano, fica claro que é a humanidade dele a responsável pela carta e pelas lembranças. É interessante perceber que sua elevação também o reduz, pois passa a ter a memória materna tocada por sentimentos “fetais”, aos quais se referiu com “amniótico” e “intrauterino”, emprestando uma sensação clara do que a personagem sentia ao se lembrar da mãe. Um colega disse que o conto carece de ação, mas eu discordo. Para mim, ele relata uma transformação e essa pode ser vista a todo momento, no constante alternar entre lembranças do passado terráqueo e de novas percepções no presente macrocósmico. Parabéns e boa sorte!

  8. Antonio Stegues Batista
    26 de agosto de 2018

    O enredo é a história de um ser hibrido metade humano metade alien, que nasceu na Terra, parte de um experimento, e volta para algum lugar no cosmo. A narrativa aborda a poesia, a filosofia e a ciência, com frases rebuscadas, traçando imagens muito bonitas, mas a história é bem simples. Gostei do tom poético, mas pra mim faltou uma história mais contundente e visceral. Boa sorte.

  9. Anderson Roberto do Rosario
    26 de agosto de 2018

    A miscelânea de referências mitológicas judaico-cristas, gregas, servem para tentar nos aproximar da sensação que o ser abduzido híbrido de humano e alienígena tem desse novo mundo. Uma forma satisfatória para relatar coisas de outra forma impossíveis de descrever. Achei a metáfora do desenho bidimensional no papel muito boa para descrever isso. A referência a Elias no entanto me pareceu forçada, embora exista essa teoria embasada em apócrifos e escritos antigos para se confirmar, como os zigurates, os 7 céus, os planetas visitados por Elias, eu ainda assim não usaria nada descrito na bíblia para confirmar a existência de alienígenas. Sabemos que o Deus de Israel é zeloso, ciumento e várias vezes nos confirma ser a única inteligência sobrenatural criadora das coisas. Achei genial a referência a teoria de Platão sobre os 3 na caverna e a criatura como sendo o homem que saiu da caverna. Isso confirma que tudo é uma questão de perspectiva.
    Achei sua história muito embasada em filosofias e impressões do ser, comparações entre o mundo como via agora e o mundo como os seres humanos limitados conhecem. Isso fez a história perder muito em ação e faltou essa quebra entre o que acontece com ele, e os monólogos intermináveis. Ficaram só os monólogos, não vemos um desenvolvimento da trama.
    Essas são as questões que tenho para relatar sobre seu conto. Um bom conto, aliás. Parabéns e boa sorte no desafio!

  10. Sarah Nascimento
    25 de agosto de 2018

    Olá! Você faz um jogo de palavras que ficou muito interessante para a história, como pisar na areia e dizer “partículas”.
    Eu fiquei com uma dúvida: a primeira cena onde o personagem está andando na praia é antes ou depois dele ser levado pelos aliens? Parece que é antes, só que em um momento mais perto do fim da história ele cita o mar outra vez, então não tenho certeza.
    Algo que me incomodou um pouco foi o fato do começo da história ter um sentimento de tristeza, angústia e esse sentimento não passou. Acho que foi tão forte essa primeira sensação, que quando o personagem é “liberto” pelos aliens e tudo começa a fazer sentido, isso não bastou para me sentir feliz por ele ou aliviada.
    O que eu achei interessante também foram as lembranças que você citou, principalmente aquela em que o cara era garoto e estava na escola. Ele mostrando quem era a garota foi bem bonitinho.
    Eu só iria sugerir que você mostrasse os acontecimentos de forma que desse pra entender o que aconteceu primeiro e o que é lembrança, em algumas partes o texto fica confuso.
    Mas parabéns pelo texto, bem criativo. Outro ponto que achei maravilhoso foi o modo como ele descreve o jeito de ver a moça, ele como o desenhista, e ela um desenho em uma folha de papel, ficou genial!
    E só uma dúvida: se ele realmente não se importava com as coisas ou pessoas, por que estava escrevendo a carta para a amada? Ele diz que só sente falta de verdade é da mãe dele. Enfim, novamente parabéns pela história!

    • Feto
      25 de agosto de 2018

      Olá, Sarah! O texto segue uma ordem cronológica tradicional. O primeiro fato narrado na praia ocorre antes. No último parágrafo, ele cita novamente a praia, dizendo “o mar não mais sussurra verdades pra mim”. Ou seja, não mais, porque outrora sussurrava.

      Quanto à pergunta, ela é respondida na frase: “Eu gostaria tanto de mostrar… Não mais por mim, mas para te poupar da busca incessante, das angústias que os planetas, os buracos negros e os asteroides percorrendo o espaço causam.”.

      Ele disse que não sentia falta dela, não que não se importava, pois ainda nutria algum sentimento altruísta de mostrar a verdade para que ela se libertasse também.

      Agradeço demais pelas palavras e por teres gostado tanto do conto! Espero que eu tenha conseguido esclarecer suas dúvidas.

      • Sarah Nascimento
        26 de agosto de 2018

        Olá! Conseguiu sim, obrigada por responder!

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Informação

Publicado em 24 de agosto de 2018 por em Contos Off-Desafio.