EntreContos

Detox Literário.

Radik e o Povo Lutrik (Félix Hilton)

Lutrik é um povo diferente:

“A todo o momento, se cuidado não tomar, uma pessoa amada pode se ausentar”.               

E o segredo para que esta volte é descobrir o que foi imposto, e assim realizar o desejo para que dela receba o perdão, que só será aceito se realmente for de coração.

Assim começo este livro, tão cheio de mistérios, que nos ajudará a questionar nossos sentimentos para que no futuro evitemos lamentos.

Em um planeta mui distante, longe, muito longe, há homens, mulheres e crianças, cavalos, cães, dragões, peixes que voam como pássaros, alguns deles até penas têm, há animais, aqui não conhecidos e flores jamais vistas; o sol se chama Zuk, e o povo fala Tropé, homens não se chamam homens, nem tampouco mulheres são chamadas assim; Prit e Nit, assim são chamados, filhos são Fint, mas o leitor não precisa se estafar, darei o nome a eles, o mesmo de nosso lugar.

Temos então muito a aprender, pois se o que acontece aqui, lá acontecesse, todos desapareceriam, se ficassem poucos seriam.

Antes de escrever o que aprendi com Radik, na única linguagem do povo Lutrik, nome dado ao planeta em que vive, este com quem me encontrei, e por pouco tempo fiquei, resolvi meditar, meu modo de agir mudar, para hoje poder lhes ensinar.

Ele era bem mais alto do que eu, mas se achava mui pequeno, calculo então, que na terra dele eu não passaria de um anão.

Questionei se com ele poderia ir, mas, com um toque suave em mim, ele viu: tristeza, dor, mágoa, angústia, sentimentos que na terra dele são como a peste para nós, de início não entendi, mas com o tempo compreendi, em sua terra , quando alguém com outro se entristece, aquele que se sente ofendido desaparece, não se sabe aonde vão, lá neste lugar consciência eles têm, mas ao voltar tudo esquecem, conclui-se que seja para o próprio bem, e, para que voltem, há um segredo, que, se não for descoberto a ausência permanece: os filhos choram, as flores murcham, o cãozinho uiva , os vizinhos rejeitam, são todos suspeitos, aqueles que são mais chegados vêm para consolar, e procuram descobrir, o que ela veio a pedir, o tal segredo, para que aquele que se ausentou volte ao seu lugar.

Olha que loucura! Mas, a vida que parece dura, na verdade é mui tranquila, eles passeiam pelos bosques e jardins, a comida flutua, todos a pegam, não há fome, comércio: mui pouco, as roupas poucas são, aliás muito poucas, pois a temperatura é sempre agradável. O mundo deles é redondo, mas parece ser quadrado, é pequeno, grande não é, ou o sol é tão grande que o mundo deles parece pequeno. Radik não sabia me dizer, aliás, certamente que me disse, mas nada entendi, não deu tempo, tantas perguntas que fiz, tudo que me lembro aqui escrevo, o restante, lamento, pois eu queria também saber, de repente ele teve de ir, disse algo como um tchau, só não sei se voltará. Será que o insultei?  Se assim for, como o segredo descobrirei?

O certo é que aqui estou, escrevendo o que compreendi, quem sabe ao escrever, se existir um segredo eu venha a entender e o meu bom amigo volte a ter comigo. Tenho ainda tantas perguntas, mas também resposta tem; depois que com ele me encontrei, com ninguém mais eu briguei. Para quem torto eu olhava, hoje sorrio, suas palavras tocaram tanto meu coração que hoje me sinto pequeno diante daquele meu irmão.

Como questionar o outro, se certezas minhas não tenho? Nosso mundo é tão diversificado, que às vezes é bom ficar calado, no entanto por dentro me transformei , cada letra que escrevo, compreendo melhor a Radik e a mim mesmo. Ele achava-me fraco e inseguro.

Queria o seu povo nos ajudar, pelo que entendi, já estiveram aqui, mas sempre acaba indo, pelo jeito, nosso modo de ser os faz desaparecer, falou de uma tal vacina, contra a tristeza, a melancolia, a depressão, uma tríplice que muita coisa resolveria, mas concluiu que no corpo não há semente, há algo dentro da gente, que não conseguia entender.

Hoje, penso: É nossa alma, será que eles não têm? Sua idade não cheguei a perguntar, nem sei se entenderia o que ele me falaria. Pouco tempo, foram dias, semanas, de duas não passou, pois o tempo era meu amigo, por Radik estar comigo.

Eu vivia só, todos tinham ido. Eram, então, somente eu, minhas vacas e bois, meus cães, pássaros, porcos, galinha, galos, patos e aqueles que me visitavam, não pessoas, mas sim borboletas, anus, tucanos, papagaios. Pensava: “vivo só, mas, bem acompanhado”; não tenho calendário. Televisão? Para quê? Rádio! Nem pensar, queria do mundo me isolar, aliás, eu o fiz, e pensava ser feliz. O som, só da vitrola, discos antigos, vozes que fizeram o mundo chorar e se alegrar.  

Radik deve ter vindo a mim para me consolar, de certo eu parecia um de seus, atacado pela praga que faz com que desapareçam , lembro-me que estava preocupado, na certa uma epidemia seu planeta invadia.

Voltemos à história que ele me contou, com certeza é verdade, depois de ouvirmos, ficaremos com saudades, quem sabe um dia ainda volte, para a nossa sorte.

 

Capítulo II

 

O SUMIÇO E A PIPOCA

O senhor Vald estava arrasado, sua mulher havia evaporado, muitos casos aconteciam, podem ser dias, semanas, meses de ausência, teria que descobrir o segredo ou viver com o medo de jamais voltar a vê-la.

Seus amigos o questionavam: por que ela se entristeceu? Se és tão bom amigo, a ponto de virmos ter contigo? Onde foi que erraste para que ela se enfadasse?

Eu e ela estamos juntos, tantos anos se passaram, talvez o cansaço, não sei. Passeamos, brincamos sempre alegre a via estar, mas algo nela brotou, ou em mim que a magoou.

Planejamos ir a um jogo, torço pelo Mallie, ingressos comprei, cadeiras reservei.

Ao que me perguntaram, se a ela questionara por qual time ela aclamava.

Disse-lhes: eu não sei! Nunca lhe perguntei.

Só pode estar aí, falaram os visitantes, na certa ela não tem a mesma opinião de alguém, e este és tu meu camarada.

Vá ao jogo, e sente-se na arquibancada do time de predileção que ela tem no coração. Realize o desejo dela. Certamente voltará e ao seu lado se assentará.

Disse-lhes: é coisa tão pequena, dói assim o coração?

Sem pensar, corri à bilheteria onde converteria aos ingressos que minha amada queria. Corri tanto que para o meu espanto mais jovem me senti, meu coração batia como naquele dia que eu a conheci.

O jogo estava marcado, três dias sem poder estar ao seu lado, a vontade que eu sentia, é que fosse no mesmo dia em que o segredo fora desvendado.

Três dias se passaram, eu consolava meus filhos e eles me consolavam, o uivar dos cães à noite e as flores a murchar nos lembravam a todo instante, como é tão bom amar.

Jogo inicia as quatro, às três horas já estávamos ali. Eu, a jovem Laures e o menino Maltians, loucos para reencontrar aquela a quem iam sempre amar.

Sentados na arquibancada, cadeira vazia entre eu e a filha, sorriso largo, torcida a nos olhar, queriam todos vê-la voltar.

O apito dá início ao jogo.

O meu rosto entristecido olhava a cadeira ainda vazia, ela não tinha aparecido. Entrei em pânico então, lágrimas caíram ao chão.

O que aconteceu? Perguntava eu.

Mas para quebrar o meu pranto, Laures gritou com euforia: “Mamãe nunca a um jogo assistiria, sem a pipoca que a divertia!”.

“As pipocas não são como aqui, pulam ao calor das mãos e fazem uma confusão, algumas ela abocanhava, outras caíam ao chão, pegavam, então, eu e meu irmão”.

Gritei auto ao pipoqueiro, que ao pegar o dinheiro viu ali aparecer minha mulher que me olhava a sorrir.

Todos aplaudiram, pensaram até que era um gol, até mesmo o juiz para mim olhou.

Foram beijos e abraços, alegria que contagia, família entre tantas outras que ali se divertia.

Onde estava não se lembrava, mas agora ela sabia, três dias se passaram e ela nem percebeu, juntinho assistiam ao jogo; sabia não ser culpada, eram regras do povo Lutrik, alguns diziam ser Deus, que brigar não permitia, discussão era resolvida antes de findar o dia.

                            

                            

 

Capítulo III

Cadê nosso herói?

 

Temos um caso ainda não resolvido, por isso conto-lhe meu amigo, quem sabe podes me ajudar.

Toda nossa sociedade está preocupada, as Olimpíadas estão à porta, e Tinit, o campeão estadual de nosso esporte nacional (Rndie) sumira de repente, a sensibilidade ao chip aumentava a cada dia, e cada vez mais gente sumia.

Como descobrir o que a Tinit veio a afligir, ele é muito amado por todos que estão ao seu lado, mas algo o entristeceu, por isso desapareceu.

Primeiros dias se passaram e a nenhuma conclusão chegaram, amigos não haviam brigado, nem a companheira que está sempre ao seu lado.

Pai diz: Não fui eu, em casa nada demais aconteceu.

Mãe tão carinhosa, sem chance exclamava uma multidão, muitos a consolavam, e ela a si mesma se perguntava: Por que isto aconteceu, com este filho meu?

João interrompeu, fazendo uma pergunta que o surpreendeu:

Em sequestro, não se pensou?

Radik não entendendo, perguntou ao amigo:

O que é isto meu camarada?

Explica-me e quem sabe outro caminho a investigação pode tomar, pois o caso está ainda para nosso povo solucionar.

Ao explicar ao visitante, este disse que nem sabia da existência deste modo de agir, que apesar de entender, se negou a aceitar que um dia isto vá ao seu povo chegar, não tem lógica trocar vida por uma coisa qualquer, cada vida tem infinito valor, impossível pagar a qualquer infrator , mundo estranho esse seu mundo concluiu Radik que com esta história muito se entristeceu.                                

 

Capítulo IV

 

Meu nome ainda não disse, pois me parece tolice, mas agora vou me apresentar, para podermos dialogar, não sei como os chamarei, mas a cada leitor falarei, com todos quero ideias trocar. Meu nome é simples em nossa terra, muitas coisas ele encerra, não é Adão, nem mesmo Moisés, nem tampouco Abraão, lembra, no entanto a solidão, simplesmente chamam-me João, nada a ver com tão grande personagem, sou mais simples, vivo hoje o pouco que aprendi, já não sou tão jovem, mas sai da solidão, meus filhos aqui voltaram, a mulher jura me amar, os pássaros sorriem, os cães voltam a se alegrar, as flores voltam a mostrar seu brilho, a alegria da natureza trás de volta com certeza à vida a este lar, muito, graças a Radik que me ensinou o que nunca aprendi, para mim era um anjo, mas não me enganaria, na certa falava a verdade quando de outro planeta se dizia.

As primeiras histórias que contei, únicas não são, vou sentar-me ao redor da fogueira e contar a noite inteira, ou até adormecer minha bela companheira, o seu nome é Larissa, mas vou chamá-la de Issa, pense não que é por preguiça, é uma forma carinhosa de chamar minha dengosa

Vou iniciar a história a partir de quando conheci Radik que chegou à minha pousada numa noite enluarada sem o som da molecada, que com a mãe havia debandado por eu deles não ter cuidado, só pensava em trabalhar.

Nada de histórias ou brincadeiras, no cavalo já não subia, doía assim o coração daqueles que um dia eu festejara a companhia, a mulher eu já não respeitava, nada eu fazia daquilo que ela me pedia, suas neuras não entendia, enfim, passam noites, passam dias, disse adeus, foi à casa de um tio seu, mas jurava que ainda me amava.

Quando Radik chegou, por pouco não me assustou, eu olhava para a fogueira, com a qual trocava assunto, às vezes a noite inteira, era minha companhia, minha nova companheira.

Achei que era o vizinho que vinha bater um papinho, logo pedi para sentar, a fim de um café tomar, ele chegou calado e sentou-se ao meu lado, para o copo ele olhava, mas nada ele falava, quando disse não entendi, foi então que compreendi, era um estrangeiro perdido a procura de um abrigo.

Estranhei sua presença, ficava ele a gesticular, parecia querer algo me ensinar para poder se comunicar, e dai ficamos a noite inteira, pois gostei da brincadeira, o dia a amanhecer e eu já conseguia lhe entender.

Que língua era aquela, de tão fácil compreensão? Inglês? Francês? Alemão? Nenhuma delas parecia, e o nosso amigo me dizia: preciso contigo “falar”!

E as horas se passaram, olhava ele para o alto, algo ele procurava, mesmo quando amanheceu nada ele comeu, por mais que eu insistisse, algo como um não ele me disse.

Assei carne, salada fiz, enquanto ele me ensinava o pouco que hoje sei, não são poucas palavras, nem tampouco muitas são, mas já dava para entender, que comer não ia não, sua boca tinha dentes parecidos com os meus, boca larga, sorridente, mesmo assim, nada comeu.

Ele olhava para o alto, por que, fome tinha, em sua terra, em seu planeta a comida flutuava sobre quem comer queria, horas se passaram, foi dai que descobri, só queria gelatina que por sorte tinha ali, quando viu o brilho dela, avançou e devorou com graça e alegria, algo como um obrigado ele me dizia.

Força restabelecida, um desenho ele fez, que mostrava claramente que daqui não era não, mas sim de longe, muito longe, bem mais longe que Plutão, nosso pequeno planeta anão. O céu eu não conhecia, mas seu desenho me dizia que aqui só chegaria numa nave espacial, mas, barulho não escutei, e sobre isso nada disse, portanto eu nada sei.

Tudo ele olhava e com palavras soltas me perguntava, nosso idioma pouco conhecia, mas apenas palavras soltas; frases não fazia, havia estudado para estar ali ao meu lado, o difícil para ele era entender o que as palavras queriam dizer, em cada situação temos termos que modificam o sentido da oração, entender não entendia, e apenas conhecer as palavras de nada adiantaria, pois, nada a ver tinha com sua vida, com seu dia a dia, parece ter decorado um de nossos dicionários, que se transformaria em vida no tempo que conosco permaneceria.

A cada frase, por mim elaborada, ele repetia, e, logo guardava o som que muito o divertia, mal sabia ele que por dentro eu também ria, pois sua voz meio cantada, apesar de afinada trazia-me muita alegria.

Para minha sorte, aprender a língua Tropé, muito fácil é, como que por encanto eu decorava as palavras, como se parte de minha vida fizesse. Nunca entendi o que acontecia ali, sei que cada dia que se passava, nosso poder de comunicação aumentava.

Quando o dia se acabou, muitas coisas aprendi, até coisas que eu deveria já saber por aqui.

Com minha vida interagia, aonde eu ia ele ia; gostava de ficar com os animais com os quais sentia paz, e, eles dele gostavam, ao seu toque se alegravam, pareciam entendê-lo bem melhor do que eu. A tardezinha cavalgava demonstrando alegria terminava assim aquele belo dia.

Já no terceiro dia, muita coisa eu entendia, difícil era acreditar que existia aquele lugar.

Doença ali não tem, trabalhar, pouco por dia, eram poucas, muito poucas as coisas que se fazia, sinceridade e honestidade evitavam a burocracia, para a administração era pequeno o batalhão.

Ao avistar meu violão, pegou-o na mão, e fez logo a afinação; dele tirou melodia que não esqueço hoje em dia, momentos de tanta beleza; tantas canções ele tocou e com sua voz acompanhou, que as horas se passaram com tanta alegria até o raiar do dia quando os sons se calaram.

O dia amanheceu, quarto dia creio eu, levou-me para o bosque, tinha algo a me ensinar, ou quem sabe a me perguntar?

Sei que quando lá chegamos, toda árvore tocamos. No íntimo ele se perguntava:

“Por que tão quietas elas estavam? Não saíam do lugar?”

Foi então que entendi, no planeta de Lutrik, não sei por que razão, diferente era a vegetação, quando pequenas, andavam, quando mais velhas fixavam-se ao chão, ali ela cresceria e frutos daria

Radik me questionou:

Por que eram tão estranhas? Tanta sujeira impregnada? Por dentro ele se desesperava. Quando então eu lhe contei sobre o desmatamento, fogo que consumia muita árvore todo dia, desespero em seu olhar havia.

Aquelas palavras a Radik entristeceu, daí entendeu, por que outros que aqui vieram, ficar não conseguiram, mas, ele se esforçaria, e sua missão cumpriria, no entanto seu semblante não foi o mesmo depois daquele dia, as músicas que nos alegravam, cantar já não conseguia.

Outro dia amanheceu, quinto dia creio eu, uma ideia veio a mim para à tristeza de Radik por um fim. Cuidar do bosque, do mesmo modo que em seu planeta, quem sabe ele sorri, ao ver que é possível também por aqui.

Às vezes corrigir, por pouco que façamos, faz com que todo o mundo corrijamos, se cada um fizer a parte que lhe couber.

Quando a ideia lhe passei, um sorriso eu ganhei, escovas e baldes pegamos, e quando lá chegamos, bom dia a todas falamos, lavamos tronco a tronco, deixando tudo bem limpo, suas feridas curamos, tirando lagartas e bichos, fungos, orelhas de pau; só não conseguimos fazê-las andar, mais isto ele pode aceitar.

Dois dias se passaram, tudo tão limpo e vistoso, além do cheiro gostoso da mata que estava no ar. Olhava para o bosque com tanto carinho, que pegou o violão rapidinho e pôs-se a cantar. Certeza ele não tinha não, mas ao ouvirem a história da boca de João, ficariam todos com a opção:

Da mata cuidar, e a todos proclamar:

‘Minha parte eu já fiz, e por isso estou feliz, quem ler esta história e ver o meu feito e se possível for, trate da natureza com muito amor’.

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Sobre Fabio Baptista

18 comentários em “Radik e o Povo Lutrik (Félix Hilton)

  1. Victor O. de Faria
    19 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: Um texto com ar infantil permeando todo o contexto. Analisei ele com base nesse clima de conto de fadas. É bonitinho, suave e melancólico. Tem críticas bem embutidas espalhadas pela sonoridade, e não soaram gratuitas. É simples, mas dá a entender que o narrador está se esmerando em transmitir uma mensagem “ruim” e outra “boa” de uma forma que crianças entendam, como uma professora contando estórias aos pequenos, com uma mensagem ao fim. Infelizmente, tem partes bastante cansativas. Alguns cortes tornariam o texto mais ágil.
    T: Duas palavras: vírgulas e rimas! A primeira travou bastante a leitura, já a segunda deu um ar lúdico muito bom. O problema é conciliar as duas coisas sem que os olhos não cansem. A história flui, mas é difícil juntar as ideias com tantas pausas. Sei que é uma “maneira” de falar, demonstrando que o personagem de fato aprendeu o que foi ensinado, mas, quase, tive, um, treco, tentando, ler, tudo, com, calma, até, o, final, desse, jeito. Percebe?

  2. Miquéias Dell'Orti
    13 de setembro de 2018

    Olá.

    Que maravilha seria nosso mundo se as pessoas tivessem o mesmo olhar que o povo Lutrik e valorizassem a vida dessa forma, não é?

    Achei seu texto de uma sensibilidade enorme. Gostei da forma como você estruturou tudo, com os pequenos relatos do Radik. A escrita é boa, mas as rimas não me agradaram.

    Vi uma falha que você pode corrigir numa possível revisão: No capítulo IV, o narrador inicia comentando que não disse seu nome, o que nos leva a crer que seu nome não foi citado antes em nenhum momento do texto, mas pouco antes do final do capítulo anterior temos essa frase: “João interrompeu, fazendo uma pergunta que o surpreendeu:”

    Além de já citar o nome do João antes, essa frase ficou meio deslocada pra mim porque ao meu ver o João era o narrador e não fazia sentido ele falar se si próprio em terceira pessoa.

    É isso ae. Boa sorte no desafio!

  3. iolandinhapinheiro
    9 de setembro de 2018

    Olá, autor! Adorei seu conto, ou, pelo menos, 83% dele… A linguagem me pareceu uma mistura do estilo das histórias do Dr. Seuss (Theodor Seuss Geisel) com a forma de falar do Mestre Yoda, rs. Achei seu conto criativo, cativante, e adorei as histórias do planeta de Radik, queria, inclusive, saber mais. O problema foi o último capítulo que serviria para mostrar o momento em que João e o alien se conheceram, mas que o autor optou por fazer uma preleção sobre ecologia, relações interpessoais, etc que roubou a graça da história. Uma pena, até encaminhar o conto para este lado, ele estava sendo o meu preferido.

    Existe um livro chamado Tia Julia e o Escrevinhador, cuja maior qualidade são pequenas histórias permeando o romance que eram escritas por um personagem que escreve novelas de rádio, essas pequenas histórias são muito mais interessantes do que o resto do livro, que trata de um período da juventude do autor (Mario Vargas Llosa) e seu envolvimento amoroso com uma tia sua, a tia Julia do título. Assim como vc, o Mario poderia ter optado por investir mais naquilo que seduzia o leitor, no seu caso, as histórias maravilhosas que aconteciam no planeta do alien.

    De qualquer maneira foi uma deliciosa leitura na maior parte do tempo. Vc é um ótimo escritor e quero ler mais coisas suas.

    Não vi problemas gramaticais, a fluidez esteve presente em todo o conto, seus personagens são muito ótimos e eu desejo boa sorte no desafio.

  4. Caio Freitas
    5 de setembro de 2018

    Pensei que era coisa minha, ter achado o texto cansativo por causa das rimas, mas vendo alguns outros ocmentários vi que não estou sozinho. O texto traz algumas reflexões interessantes, mas não tem muita linearidade. De qualquer maneira, parabéns, deve ser difícil colocar todas essas rimas e ainda fazer o texto ter sentido. Boa sorte.

  5. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    4 de setembro de 2018

    Se a história se limitasse ao capítulo II seria interessante. Piegas, mas interessante. Pega essa parte da história e dá carne, vai ficar bom.

    Agora o resto, ainda mais com esse vício da rima espontânea, me fez sofrer para ler. Deve ser o pior do desafio (ainda não li todos).

  6. Higor Benízio
    3 de setembro de 2018

    E qual o segredo, no fim das contas? Se no conto conta, me conta. Se não conta, patota pronta. Aonde o texto vai chegar, se não vai a nenhum lugar? Um texto sem final, não serve para tal. O alienígena nada faz de diferença, por que o apresenta? O resultado final só podia ser assim, se não tinha fim, não escrevesse enfim. E, ah! Cansativo? Pode crer que sim!

  7. Evandro Furtado
    3 de setembro de 2018

    Pontos Negativos

    – Eu removeria o capítulo IV por inteiro, achei desnecessário. A história, até então, estava muito bem contada, mas esse final apenas repetiu informações já dadas e depois partiu pra um lado que ficou meio cafona, com uma lição de moral que não se enquadra muito bem num texto de tão alta qualidade;

    Pontos Positivos

    – Amei a ambientação que tem uma mistura FC/Aventura Vitoriana;
    – As rimas, ainda que me incomodassem em alguns pontos, acabaram por criar um estilo de escrita único que contribuiu bastante para o texto;
    – A história do povo Lutrik é fascinante. Amei a ideia de que as pessoas desaparecem quando há conflito e só voltam quando seus desejos são realizados. Não é tão diferente como aqui.

    Balanço Final: Very Good

  8. Fheluany Nogueira
    2 de setembro de 2018

    Um texto criativo, tanto de conteúdo quanto de forma; lembrou-me as cantigas medievais ou a literatura de cordel por causa das rimas e histórias infantis por causa da trama : o tom didático e divertido na retratação do ambiente, a lição para o cuidado maior com a natureza, a convivência e os sentimentos de personagens simpáticos.

    A leitura não fluiu muito bem, o texto carece de uma revisão, mesmo assim gostei dessas crônicas de um povo alienígena, apesar da pouca ação na trama. A estrutura em capítulos ajudou.

    Parabéns pelo trabalho. Abraço. 😊

  9. Alessandro Diniz
    30 de agosto de 2018

    Oi, Félix! Bom, seu conto se parece mais com poesia. (A propósito, eu escrevo poesia.) Me fez lembrar uns trechos de uma análise que eu tinha lido sobre Fausto, de Goethe. Mas eu acabei o lendo como se fosse um pouco cantado, não sei explicar. Me pareceu uma estória para crianças, com análises filosóficas e uma lição de moral no fim. Seu português é bom. Só a pontuação é que precisa melhorar. Ficou um pouco confusa e dificultou um pouco a leitura. Abraço! E bia sorte!

  10. Ana Maria Monteiro
    28 de agosto de 2018

    Li este conto faz uns dias e pensei comentá-lo, é o que faço agora. Por não ser o meu primeiro contacto com esta forma de narrativa, já não sou tomada pela maravilha da descoberta de algo diferente. Fica o conto, a história – e sem esse “confetti”, deixa mais a nu algumas cedências necessárias às rimas, alguns descuidos na hora da revisão, coisas dessas.
    Mas acima de tudo, senti-me a ler uma história infantil. Li-a quase entoando mentalmente uma cantilena, como se estivesse sentada de lado na cama da minha filha (quando era pequenina) e lhe contava histórias.
    Li o seu conto nesse registo (escrevemos a palavra sem “r”) e gostei.
    Se tivesse de o classificar, seria nessa categoria. Mas isso é muito relativo, não é? quando mete alienígenas, acredito que tudo é possível.
    De qualquer forma, este foi o único conto que li, nem sei porquê. Talvez leia mais alguns.
    Boa sorte no desafio.

  11. Evelyn Postali
    27 de agosto de 2018

    Senti dificuldade em ler pela rima. No começo até fluiu, mas depois, voltei parágrafos para pegar o fio da meada, como dizem. Precisa de uma pequena revisão. Essas coisas que travam a leitura, mesmo na construção rimada.
    É uma proposta diferente, mas talvez se estruturasse de outro jeito, funcionaria melhor. Bem… Talvez, então, não seria conto, não é? Porque a questão da estrutura é que define o conto.
    Deixando a rima de lado, a trama se desenvolve bem, apesar de longa. Tem reflexões que bastam por si mesmas. As questões envolvendo a relação dos personagens, os sentimentos, nosso modo de vida. Tudo foi apontado para que se possa fazer uma análise, até com relação a um mundo perfeito. Não sei se vou parecer pessimista, mas a humanidade não se enquadra em mundos perfeitos. O ser humano tem a tendência da insatisfação. Ela é o motivo de tanta mudança. Além da insatisfação, tem essa coisa de sermos muito autodestrutivos e pouco solidários. Um mundo perfeito não é para o ser humano.
    Enfim… Boa sorte no desafio. Abraços!

  12. Rafael Penha
    26 de agosto de 2018

    Ola, Felix

    Um conto complexo na forma, mas simples e bonito na mensagem.

    PONTOS POSITIVOS:
    A forma jocosa e brincalhona em que o conto foi narrado é gostosa de se acompanhar. O mundo extraterrestre mostrado também é uma idéia fantasiosa, mas única e original, com suas regras bem estabelecidas e personagens carismáticos.

    PONTOS NEGATIVOS:
    Acredito que a pontuação, um pouco confusa, a meu sentir, tornou mais trabalhosa a leitura do conto. Talvez, ler o conto em voz alta seja uma boa forma de minimizar os problemas desse naipe. Também me senti numa verdadeiro furação de histórias e pontos de vista. Achei dificil me situar e saber quem estava narrando o quê. Ademais, achei o conto longo para a história em desenvolvimento, entendo o propósito do autor de deixar bem estabelecido o mundo de Lutrik, mas creio que poderia ser feito em menos palavras, pois me senti meio cansado ao final.

    Enfim, uma idéia muito original, tanto de universo quanto de estilo de narrativa, uma revisão mais atenta pode melhorar bastante o já interessante conto.

  13. Pedro Paulo
    25 de agosto de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados.

    Não é novidade a essência autodestrutiva que se interioriza na humanidade. Julgo que este é o tema explorado neste conto, articulando a premissa alienígena justamente ao confrontar a perspectiva de vida de um extraterrestre com os piores aspectos da personalidade humana, entendidos pelo alienígena como uma doença em seu planeta, com efeitos que ele mesmo desconhece, mas regulam a sociedade numa espécie de utopia. Fez bem em preferir o confronto de perspectivas a um aprofundamento neste mundo paradisíaco. Desse modo, acredito que tenha deixado o conto mais identificável aos leitores, parecido com aquilo que se lê em “O Pequeno Príncipe”, como foi apontado em outro comentário (e eu concordo).

    O estilo rimado dá uma musicalidade agradável à história, mas que depois se torna um pouco cansativa e, ultimamente, prova-se desnecessária, apesar de casar bem com a “doçura” que a história promove. A opção pelo estilo, porém, apresenta um autor com habilidade, que soube medir as palavras e sustentar a poética até o final. Apesar disso, o enredo não me entusiasmou muito, mesmo com a premissa interessante. Tomei como se o primeiro e principal problema da trama fosse o sumiço de Radik (que para mim espelhou, de certa maneira, o afastamento da família de João). Inverso a realmente abordar esse sumiço (ainda que mencionado algumas vezes), o conto prosseguiu trazendo as experiências que os dois, humano e extraterrestre, partilharam. Apesar de evidenciar muito bem o quanto a convivência serviu a João, penso que o conto deveria ter tratado mais de como Radik seria trazido de volta ou, desenvolvendo mais o protagonista, como ele reconquistaria a família, agora que aprendeu um novo modo de viver. Não digo que o enredo deveria ter trazido Radik ou a família de volta, em algum tipo de final feliz, mas penso que foram dois “conflitos” que findaram irresolutos e o que escreveu em seu lugar não satisfez o interesse que o conto me motivara. De todo modo, está muito bem escrito e a premissa é boa. Boa sorte!

  14. Wilson Barros
    22 de agosto de 2018

    Bacana o começo, como uma balada medieval com o tema “amor cortês”, tipo Lancelote, ou o livro de Tristão e Isolda: “Quereis ouvir, senhores, um belo conto de amor e morte?”. Ou melhor, o “Romance da Rosa”, de Guilherme de Lorris (1200 d.c.), em versos:

    “Eu tive um sonho agradável,
    Eu o que eu sonhei realizou-se.
    Agora desejo contá-lo em versos
    Para alegrar vossos corações,
    Assim ordena o Amor.”

    Aqui tem versos que vou me apropriar para meu cotidiano.

    “O senhor Vald estava arrasado, sua mulher havia evaporado”
    “O mundo deles é redondo mas parece ser quadrado”
    “Como questionar o outro, se certezas não tenho?”
    “vacina, contra a tristeza, a melancolia, a depressão, uma tríplice que muita coisa resolveria”

    “o uivar dos cães à noite
    e as flores a murchar
    nos lembravam a todo instante,
    como é tão bom amar.

    “lembra, no entanto a solidão, simplesmente chamam-me João”

    A ideia é muito criativa, um planeta onde sentimentos negativos são doença, literalmente, e provocam sumiços. A moldura é muito bela, plantas andando e comida flutuando. Acho interessante quando alguém escreve sobre uma utopia alienígena, sem crimes, fome, burocracia. É possível que isso dê certo para outras raças, seja de alienígenas ou formigas. Não tomo, infelizmente, como lição, pois a experiência mostra que tais harmonias não estão ao alcance do homem.

    Sugiro apenas que os versos sejam colocados um em cada linha.

    Uma balada futurística. São magníficas as crônicas do povo Lutrik.

  15. Thiago Lopes
    22 de agosto de 2018

    Antes de mais nada, pra não perecer que não gostei do conto, foi um dos favoritos até agora. O conto é bom sim, mas achei muito exagerada a comparação que fizeram com “O pequeno príncipe” e, diferente dos comentários dos colegas, vi as rimas mais como um defeito do que como qualidade. Talvez o autor tenha desejado dar um ar de repente, ou literatura de cordel como assinalaram, mas mesmo assim incomodou muito, porque confere um ar de dificuldade técnica quando na verdade é uma coisa fácil de fazer, ainda mais porque são rimas muito simples, ficando também meio sem propósito. Ou então há um propósito: seria um repentista que está narrando o que visualizou ou inventou? De resto, é o mais competitivo até agora, a história é boa e o autor mostra boa capacidade de narração e descrição.

  16. Sarah Nascimento
    21 de agosto de 2018

    Olá! Nossa, sua história é muito bonita! Parabéns! Me fez lembrar do pequeno príncipe. O jeito de escrever rimando ficou muito interessante e diferente.
    Gostei de como explica um pouco sobre os costumes do povo Lutrik e achei ótimo você contar uma história para explicar como os habitantes de lá desapareciam. Ficou bem mais fácil de compreender.
    Original essa sua forma de dividir em capítulos como se fosse um livro. Gostei muito da parte em que o Radic canta, quando eles cuidam das árvores no bosque e como a vinda dele mudou algo na vida do personagem principal.
    Sua história foi muito criativa!
    Só um detalhe que está diferente em duas partes da história. Radic diz, ou o narrador diz que a comida no planeta dele aparece flutuando quando o ser está com fome. Mas na história da mulher que desapareceu, eles compram pipoca com um pipoqueiro e tudo. Por que eles tinham de comprar se ela podia só pensar na pipoca para ela aparecer?
    Eu sei que na parte citada a mulher tinha desaparecido, então ela mesma não podia pensar na pipoca, mas enfim, para que ter alguém vendendo pipoca no lugar onde iam realizar o jogo, entende?
    Fiquei com muita vontade de conhecer o Radik!

  17. Antonio Stegues Batista
    21 de agosto de 2018

    O conto, com narrativa rimada, me pareceu literatura de cordel, tem até um segredo para ser desvendado.Na verdade é uma mensagem de incentivo para preservação da natureza e uma análise de nossos sentimentos e costumes. Gostei. A escrita é boa embora tem alguns errinhos de digitação. Sem dúvida está dentro do tema. O nome Radik me fez lembrar de Riddick, um herói galático meio humano meio alíenigena. Boa sorte no desafio.

  18. Anderson Roberto do Rosario
    21 de agosto de 2018

    Nossa, Félix. Imagino o quanto seja difícil descorrer um conto inteiro nesta poética maravilhosa, obedecendo as rimas e tudo o mais. Aplausos por isso! Entendo que o conto tenha este lado crítico aos seres humanos, mostrando o ponto de vista de um extraterrestre e a forma como ele nos vê, isso até tem seu valor. Porém o que senti falta foi de mais aventuras, sabe? Momentos engraçados ou mesmo coisas inusitadas, normais de quem está conhecendo o nosso planeta, do mesmo modo do humano com relação ao extraterrestre. São essas coisas que tenho para considerar, de positivo e negativo. Parabéns pela poesia fantástica. É de uma beleza que serviu ao propósito de descrever a criatura. Um ser evoluído, porém ingênuo com relação aos humanos e a sacada dos humanos que somem quando tristes adorei, mas senti que faltou ser melhor explorada também, criar tensão, suspense! Parabéns e boa sorte no desafio!

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Informação

Publicado em 21 de agosto de 2018 por em Alienígenas.