EntreContos

Detox Literário.

Oliver (João Lessa)

A sopa de creme de cebola e salsa, fumegava em suspiros encaracolados de fumaça cheirosa. Mas nem olfato ou apetite pareciam festejar os privilégios da boa culinária popular.

A mãe, Adelaide, a filha mais velha Alice e a mais nova Ariadne, ocupavam metade da mesa redonda, num semicírculo conflituoso, onde olhares desconfiados se cruzavam eventualmente, como se se esbarrassem indolentes e sem pedir desculpas.

-Passe o sal, -disse Alice, enfim quebrando o silêncio.

-Você precisa cuidar com o sal, mocinha. Já sabe! Ou vai acabar como seu primo Jorge, -alertou a mãe, sensivelmente alterada.

-O Jorge, mamãe? Não me compare a este jeca. Tenho a infelicidade de ser sua parente, não quer dizer que compartilhe qualquer coisa com este analfabeto, além de genes.

Alice riu com deboche. Depois virou-se para a irmã mais nova, Ariadne, e piscou. A irmã era sua cúmplice em tudo. As duas juntas guardavam segredos que nem Adelaide, nem ninguém conhecia. Segredos que se revelados certamente colocariam em dúvida tudo aquilo que conhecemos deste mundo e de outros.

A situação complicada que foi se arrastando e se agravou muito até aquele jantar constrangedor, não poderia ser outra além do tio Olegário, morto há dois dias de um ataque do coração. O velório, feito às pressas na sala da casa delas, deu-se da forma mais tragicômica, e por isso a mãe no jantar mal suportava as fitar de frente. Como poderia concordar com o que fizeram aquelas duas destrambelhadas?

Na manhã seguinte Alice era empurrada por Ariadne no balanço e as duas já concatenavam planos mirabolantes.

-O que você sabe dele? Conversaram sozinhos?

-Não poderia, ele só aparece quando estamos juntas. Nós duas o encontramos e sempre foi assim que combinamos, não é? -Relatou a obediente Ariadne. Temia tanto essa irmã, que não poderia aperceber-se do menor desvio de caráter ou do menor deslize, sem que se penitencia-se por isso, a noite, em suas orações.

-Hoje às 17h, o encontraremos no oco do salgueiro, onde cresceram as madressilvas. Prometemos brincar com ele e não podemos deixá-lo sozinho, até que consiga encontrar sua família.

-Sim, irmãzinha. Você tem razão. Se os homens maus o pegam ele está encrencado e nós também. Como vamos nos safar? O que diremos? Não podemos dizer a verdade. A forma como o encontramos. Imagina, não é possível. Não permitiremos.

Os dias passavam rápido naquele verão calorento de 1874 e as irmãs corriam e pulavam entre os montes, em meio às plantações de café. Mexendo com os escravos e fazendo a alegria de todos. Cícero, um negrinho que já nascera liberto, corria atrás delas pra brincar. Mas elas sempre fugiam dele. Embora sua família fosse abolicionista e nem elas concordassem com as torturas aplicadas aos negros, não pretendiam segregá-lo ou descrimina-lo, só se divertiam ao ver o negrinho correndo pra lá e pra cá, sendo feito de bobo.

O que nem elas, nem ninguém esperava, foi o que aconteceu naquela noite chuvosa de abril. Na casa grande o silêncio era absoluto, mas na senzala a agitação prenunciava algo ruim. Murilo, o capataz, logo afivelou o cinto e calçou as botas de montaria. O chapéu mesmo que não fosse necessário, o deixava em alerta e a tocha que queimava altaneira, inflamava seu espírito de valentia e heroísmo.

O chicote pendurado no cinto era um adorno, mas em caso de fuga, claro, teria de usá-lo. Nunca foi um bom capataz, por isso ousava em sê-lo ali, na fazenda dos Ferraz, onde não precisaria impor-se pela violência. Abandonou a vida de caixeiro viajante quando conheceu o Senhor Camilo, dono de todas aquelas terras que seus olhos de uma vez não podiam alcançar. Era um homem honrado e justo. Na senzala os escravos dormiam tranquilos. Nenhum faltando, os luzeiros queimando em seus lugares, a palha estalando, os grilos cricrilando lá fora. De repente o barulho. O mesmo barulho de antes, só que mais forte. Um som estrondoso, ameaçador, como um cachorro bravo, de grande porte. O rugido aumentou, agora o ouvia do seu lado. Ao se virar não viu nada. Então correu. Correu, correu, até chegar no poço, que estava no outro extremo, junto à cerca, nos limites da propriedade.

Quando ainda sem fôlego se recuperava, Murilo ouviu um coche se aproximar rapidamente. Não era o coche do seu senhor, nem nenhum que conhecesse. Diferente de todos os coches que já vira. Todo negro com detalhes adornados em ouro. Pensou que fosse o coche da morte. Mas seu cocheiro não era a morte e nem tinha este veículo um cocheiro. Eram cavalos desembestados que galopavam fogosamente como selvagens.

-Sinhô? Quem tá aí, é quem? O moço tá na propriedade dos Ferraz. Desculpe, mas vou ter que pedir…

-Pedir o que, meu rapaz? Como ousa deferir palavras ameaçadoras para mim? Sabe com quem está falando, meu jovem?

Ao ver a figura descortinada pelo brilho da lua cheia, Murilo caiu no chão. Ajoelhado e com as mãos juntas ele rezava e se atrapalhava em palavras confusas, misto de medo e desespero.

-Sim, eu sei com quem tô falando, sim sinhô. É um fantasma, que por Deus o Sinhô Inácio já deixou esse mundo tem mais de 30 anos. Eu era um rapazola que mijava nas calças quando vosmecê morreu.

-Ora seu tonto. Pareço morto? Anda, toca minhas roupas, aqui, meu corpo. Esse braço parece morto e este tapa, sentiu? Toma, capataz inútil!

-Arrê égua, que eu não volto aqui nunca mais. Que tenho mais medo de assombração que de qualquer outra coisa.

Depois disso o capataz nunca mais foi visto na região. O Senhor Ferraz ainda fazia buscas pelas cidades vizinhas. Era um bom servo, perda lastimável.

No dia 21 de setembro, primeiro dia de primavera daquele ano, as irmãzinhas brincavam nos fundos da casa grande. Por ali os escravos se escondiam quando queriam descansar, pra não deixar o patrão injuriado e as mucamas e lavadeiras se reuniam pra fofocar, geralmente falar dos brancos ou dos seus senhores. Assim não podiam se divertir com seu amigo, então correram para além. Lá onde não tinha mais lavoura, nem plantação. Onde a floresta assustadora salpicava suas ainda tenras garras.

-Pare, eu preciso descansar. Sou menor, deve me acompanhar, não correr mais que eu! Credo!

-Ah, sua chorona. Falta pouco. Podemos ir andando, é ali na frente, vamos.

Quando pararam frente ao salgueiro, parte da árvore se partiu. Era o oco, revestido por dentro de serragem e coberto por fora de cascas de árvores, que serviam como camuflagem. De dentro saiu um anão, um serzinho diminuto, com menos de um metro de altura. Tinha os olhos grandes e saltados, a cabeça saliente e pontiaguda, também um queixo proeminente, pernas curtas e bracinhos finos e alongados. Em comportamento e tamanho era uma criança, brincava com as irmãs e ria pra elas e delas. Saltava nas árvores, comia as frutas e fazia mil estripulias.

Quando as irmãs a viram pela primeira vez, a criatura não falava, mas depois de uma semana pareceu acumular e aprender seu idioma, tão rapidamente, que em menos de um mês já sabia falar tudo, até de trás para frente.

Foi quando Pepe, o gato de estimação delas morreu, que elas tiveram medo de Oliver pela primeira vez; assim batizaram o bicho saltitante e inquieto. Oliver Twist era a história predileta das irmãs, que judiavam a preta Ana todas as noites, fazendo-a ler repetidamente trechos do longo romance. A curiosidade macabra a respeito do gato foi a seguinte. Quando morreu foi encontrado caído ao lado de um formigueiro, de onde as formigas já faziam carreiras para devorar sua carne morta. As irmãs, que brincavam sempre por ali, foram as primeiras a ver o bichano morto. O choro das pequenas acordou Oliver, que se livrou da porta improvisada do oco do salgueiro e correu pra consolá-las.

-Não chorem, meninas. A natureza sempre se renova. Eu vou mostrar uma coisa! Disse isso e começou a mover os braços e o quadril numa cadência oscilatória que lembrava as danças tribais africanas e depois de um tempo o gato morto foi se movendo, até se levantar, encarar as irmãs com desdém, se sentar e se lamber. Com o esforço Oliver se sentiu exaurido, aquilo parecia lhe fatigar sobremaneira e então caiu desmaiado. Imediatamente o gato voltou a tombar, tão morto quanto antes.

A graça do episódio do tio Olegário, no velório, que não teve o mesmo impacto nos demais convidados que para as meninas, estava em Alice esconder debaixo da saia o serelepe Oliver, que ressuscitava o morto, o deixando cada vez com a cara mais atônita e hilária, enquanto todos se distraiam na cozinha com conversas, comes e bebes. A repreensão que sofreram as garotas não foi outra senão as galhofas e risadas escandalosas, em pleno velório.

Já o episódio vivido pelo Capataz Murilo não pôde ser esclarecido. Mas não deve haver suposição diferente de tudo que já foi contato.

O jovem Oliver votou várias vezes para nos visitar. Existem tantas histórias sobre ele que não caberiam aqui. Sua raça, tinha esse dom, que estavam aprendendo a desenvolver com os humanos. Sua composição química irradiava vida e poder de cura e podia transformar e animar mesmo a matéria morta. Eles se regeneravam e se curavam. Mas entre eles isso era normal e foi só quando puderam entender que os humanos não eram dotados dos mesmos talentos naturais é que passaram a se aproveitar de sua condição superior, mas não com a intenção de fazer o mal, apenas se divertir. Porque não?

Eles se conectavam com a natureza de forma a se completarem e se comunicarem, mas com o tempo aprenderam a respeitar algumas condições limitadas em que se encontravam os seres humanos, os animais e o ecossistema do planeta terra e deixaram de interferir contra as consequências inerentes dos perecíveis e frágeis seres.

Os pais de Oliver voltaram para buscá-lo e foi assim desde quando o fogo projetava sombras estranhas pelas paredes das cavernas e o medo assolava as mentes e os corações dos primeiros homo sapiens.

Hoje nossos vizinhos cósmicos estão cada vez mais expostos. Mesmo assim seu segredo continua bem guardado, apesar de alguns arranhões em sua imagem. De todas as nações e raças de alienígenas que existem, a que Oliver pertence é só mais uma. Tanto há que se contar dos nossos amigos perdidos no vasto universo e ignorá-los é o mesmo que mergulhar até a metade mais profunda do oceano e dizer que nada existe da metade pra baixo, sem ter descido até lá pra saber.

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Sobre Fabio Baptista

21 comentários em “Oliver (João Lessa)

  1. Victor O. de Faria
    19 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: Um alienígena duende, por que não? O texto todo tem um ar de prosa infantil, leve e descontraído. O autor parece conhecer bem de “história”, e algumas palavras soaram estranhas aos meus ouvidos mentais, talvez pela linguagem arcaica em certas partes ou por ter toques lusitanos. Um conto curto, sem muito objetivo, focando mais na passagem das assombrações pela fazenda. A parte intimista cativa, mas a despretensão tirou um pouco o foco. Contudo, gosto de textos mais cotidianos.
    T: Apesar de algumas partes truncadas, é de fácil leitura, sem grandes problemas. Realmente tem cara de história de conto de fadas para dormir.

  2. Fabio Baptista
    15 de setembro de 2018

    Minhas anotações durante a leitura:

    – Passe o sal, -disse Alice
    – Ou vai acabar como seu primo Jorge, -alertou a mãe
    >>> sem essa vírgula

    – Segredos que se revelados certamente colocariam em dúvida tudo aquilo que conhecemos deste mundo e de outros.
    – Como poderia concordar com o que fizeram aquelas duas destrambelhadas
    >>> Acho legal quando se puxa um gancho para despertar a curiosidade, embora prefira uma abordagem mais sútil do que foi feito no primeiro exemplo. Mas ficar jogando muitas coisas para serem reveladas no futuro pode acabar confundindo e dispersando a atenção do leitor.

    – sem que se penitencia-se por isso
    >>> sem que se penitenciasse por isso

    – descrimina-lo
    >>> discriminá-lo

    – Mas seu cocheiro não era a morte e nem tinha este veículo um cocheiro
    >>> Tipo de frase que a gente até entende, mas que poderia ser melhor elaborada

    – -Ora seu tonto
    >>> – Ora, seu tonto

    – O jovem Oliver votou várias vezes
    >>> voltou

    ———————–

    Impessões finais:

    É um texto bem inocente, no bom e no mau sentido da palavra. A parte técnica, além de carecer de uma boa revisão, não oferece muitos atrativos que poderiam somar ao texto, como uma melhor ambientação, por exemplo. A história se passa na época da escravidão, mas em nenhum momento nós “sentimos” que estamos lá. Com exceção ao alienígena serelepe, que tem lá certo carisma, os personagens acabaram ficando sem muitos atrativos.
    Talvez um pouco mais de regionalismo pudesse contribuir para dar brilho à narrativa.

    Na trama, a inocência acabou jogando a favor quando o texto vai correndo de modo linear, sem entraves para dificultar a leitura, mas acaba prejudicando quando percebemos que praticamente toda a história se resume ao encontro com a criatura e sua demonstração de poderes com o gato e depois no velório. Faltou algo para deixar a coisa mais intrigante.

    Abraço!

  3. Miquéias Dell'Orti
    10 de setembro de 2018

    Fala, João. Tudo bem?

    Escrever sobre os “Alienígenas do Passado” foi uma ótima ideia. A ambientação da história ficou ótima. O clima, digamos, bucólico que você fez transparecer no conto me lembrou Minas Gerais, sei lá por quê. Se bem que pelo ano pode ser São Paulo também, Taubaté quem sabe. Enfim… gostei disso.

    Gostei dos personagens também. Eles têm certa “singeleza” (esse raio de palavra existe mesmo?) que os torna muito charmosos.

    Como pontos de atenção, vi algumas vírgulas a mais e, infelizmente, achei um “sem que se penitencia-se” que quebrou o ritmo com que eu levava a história ali no começo 😦

    Mas nada que uma boa revisão não resolva 🙂

    Ah, e a parte de Murilo veio desnecessária ao meu ver, faltaram mais elementos para que pudéssemos aceitar a volta do Sinhô Inácio (que ocorreu com a ajuda de Oliver, claro).

    No mais, um trabalho bacana! Parabéns!

  4. Emanuel Maurin
    8 de setembro de 2018

    A história se passa numa fazenda na época da escravatura, achei bacana a descrição da senzala e a forma bem estruturada que descreve o conto. O Anão extraterrestre parecia que estava brincando com a Narizinho do Sitio do Pica Pau Amarelo. Teve até ressurreição de gato, achei engraçada essa parte. No final me parece que o tempo é atual, ao se referir a hoje, no meu ver a história deu um salto no tempo. Mas gostei da forma que escreve, foi uma leitura agradável e bem-humorada.

  5. iolandinhapinheiro
    6 de setembro de 2018

    Olá, João!

    Primeiro quero ressalta que a sua escrita neste conto ficou bastante sedutora, as descrições são feitas de modo quase poético, e o enredo é muito criativo, parabéns por fugir do comum.

    Seu personagem tem um comportamento brincalhão e sem limites, o que me lembrou muito o personagem do nosso folclore – Saci Pererê. Aí me veio a suposição de que o Saci (todos os sacis, na verdade) seria um alienígena, assim como a Cuca, a Mula sem Cabeça, etc. Nem sei se vc pensou nisso, mas se tiver pensado eu achei genial.

    A história é interessante e o conto tem potencial, mas faltou mais investimento nela, e o final me deixou um pouco frustrada. Sugiro que no fim do desafio vc volte à história e a desenvolva mais. Um abraço e sorte no desafio.

    • iolandinhapinheiro
      6 de setembro de 2018

      “quero ressaltar”

  6. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    3 de setembro de 2018

    Só para você ter uma ideia, não há, na narrativa mesma, nenhuma explicação para o coche fantasma. De que maneira e por que motivo o serzinho se incomodaria de ressuscitar um cadáver há muito sepultado e fazê-lo vir do cemitério em um coche funerário? Nesse ponto a suspensão de descrença era aceitável apenas se se tratasse de algum tipo de fantasmagoria ou se o defunto tivesse sido originalmente raptado pelos aliens e estivesse de volta.

    A impressão que dá é que essa história era sobre algum tipo de criaturinha sobrenatural (um saci?) e que é parte de uma história maior. Os aliens foram enxertados nela para entrar no desafio.

  7. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    3 de setembro de 2018

    Comentando agora, sem ter lido os demais comentários.

    Achei o conto fraco porque não tem realmente uma estrutura. O/a Autora/a simplesmente resolveu abandonar a história em certo ponto, e deixou de narrá-la para simplesmente partir para uma espécie de reminiscência distante. Isso quebrou o ritmo da narrativa e comprometeu todo o conto.

  8. Fheluany Nogueira
    2 de setembro de 2018

    Gosto de contos com tomada histórica e este traz embutida uma boa crítica social quanto ao trabalho no Brasil, desde a época da abolição.

    Personagens e ambiente bem construídos, premissa criativa, bom uso da Língua (alguns deslizes de ortografia), leitura mais ou menos fluida, leve, porém faltou foco na trama, faltou uma trama mais consistente, ficaram pontas soltas (o capataz, por exemplo) e o epílogo não trouxe impacto. E, alienígenas que parecem assombrações divertiram bastante, mas estão mais para o desafio de superpoderes. No conjunto, bom trabalho.

    Parabéns pela participação. Abraço.😊

  9. Antonio Stegues Batista
    30 de agosto de 2018

    Achei o conto bem escrito, muito bom o vocabulário, as personagens, a ambientação, mas o enredo não é tão bom quanto deveria ser. Alienígena que ressuscita animais não é novidade, já vi num filme, mas isso não quer dizer que prejudica o conto, é claro. Poderia ter deixado de lado alguns trechos e explorado mais a ressuscitação do tio Olegário, e as consequências do fato. Boa sorte.

  10. Evandro Furtado
    30 de agosto de 2018

    Pontos Negativos:

    – O final não entrega um desfecho, uma conclusão que a história tanto pede;

    Pontos Positivos:

    – A linguagem utilizada é muito agradável, tornando a leitura prazeirosa;
    – Os personagens são bastante interessantes, muito bem inseridos na ambientação que, por sua vez, também foi muito bem trabalhada, deixando gostinho de quero mais.

    Balanço Final: Good

  11. Evelyn Postali
    26 de agosto de 2018

    Essa leitura, começou leve e foi prendendo, mas lá pelo meio, travou um pouco e, a seguir, voltou a ter uma leveza. Por um instante, o conto pareceu ingênuo – não em mau sentido – ,mas algo que me remeteu a essa coisa lúdica, das crianças. Também porque você usou a relação do extraterrestre com as irmãs no começo e isso prendeu a minha atenção.
    Eu não prestei atenção em erros de escrita ou estrutura de parágrafos. Para mim, isso pode ser um ponto para uma releitura antes do final do desafio.
    Aquele capataz, lá no meio, fugiu do meu entendimento. Não sei o motivo de ele estar lá, naquele lugar exato. Era para chamar a atenção de algo? Você desenvolveria alguma informação importante?
    Enfim… Boa sorte no desafio. Abraços!

  12. Caio Freitas
    26 de agosto de 2018

    Olá, João. Seu conto é bom. Não é cansativo mas também não prende tanto a atenção. Também achei a aprte do capataz meio solta. Gostaria que tivesse usado esse espaço para explorar melhor a relação do Oliver com as garotas. Parabéns e boa sorte.

  13. Higor Benízio
    25 de agosto de 2018

    No que diz respeito a narrativa, foi o melhor até agora. O primeiro parágrafo é muito bom, queria ter visto mais construções assim durante o texto. Acho que o conto ficaria melhor se tivesse focado na relação do alienígena com as crianças, sem essa coisa do capataz etc. Acho que esse “super poder” da criatura também não caiu muito bem. Uma dica de leitura, trocando o alienigena por um robô, é o conto Robbie, de Isaac Asimov .

  14. Pedro Paulo
    22 de agosto de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados.

    Este é um conto leve e agradável de se ler, pois nos conta uma história diferente das que já foram vistas. Além de se passar no século XIX, denotando aspectos que dão verossimilhança à ambientação, também nos traz um contato alienígena que elimina logo de cara a incógnita, a frequente pergunta de “por que eles estão aqui?”. Segue outro caminho e logo nos esclarece a espécie da qual Oliver é pertencente, seus poderes e suas motivações. Contudo, isso se torna problemático porque o enredo se perde, sem ter um segmento claro. Conhecemos as irmãs e sua relação (que poderia ser mais explorada, explicando e demonstrando o temor da mais nova pela mais velha, por exemplo), depois lemos sobre o capataz e enfim voltamos à explanação da origem de Oliver. Com isso, embora entendamos o que se passa, ficamos um pouco desconexos das personagens apresentadas, que acabam ficando somente apresentadas, sem serem parte de nenhuma trama que realmente envolva o leitor. Há originalidade na premissa, mas faltou uma melhor execução. Além do mais, posso denotar alguns poucos erros que uma revisão mais atenciosa teria achado, como quando escreveu “penitencia-se” no lugar de “penitenciasse”. Boa sorte!

  15. Thiago Lopes
    22 de agosto de 2018

    Um colega falou que seu conto é despretensioso. Concordo com ele. E isso foi bom, porque me desarmou e pude ler o conto com mais prazer, porque se uma pessoa paga de pretensiosa, precisa, no mínimo, dar conta do recado, e a maioria não consegue. Se nem mesmo Hemingway era pretensioso, que dizer então de nós, iniciantes! Com sua escrita sem firulas – sem tentativas de manejos técnicos, sem ficar derramando suas projeções pessoais ou problemas psicológicos, você escreveu um texto muito criativo e leve. A colega Bruna Francielle resumiu bem os pontos que também me chamaram a atenção, inclusive concordo que há algumas cosias soltas na narrativa, mas, no final das contas, quem disse que tudo deve estar amarrado, não é verdade? Parabéns ao autor!

  16. Bruna Francielle
    22 de agosto de 2018

    TEMA: Sim

    CRIATIVIDADE: Sim. Imaginar a conhecida figura de um anão como sendo um alíen foi muito criativo, assim como os poderes atribuídos a este ser. A ambientação na época da escravidão também foi original. Posso dizer que nunca li nada do tipo.

    INTERESSE PELA HISTÓRIA Alto

    PONTOS POSITIVOS: A criatividade, como disse acima, tanto da criação do alien quanto do período onde a história se passa.
    Cenas simples, mas bem narradas.

    PONTOS NEGATIVOS: Toda a parte do capataz Murilo pareceu disconectada do resto do conto. Foi a parte que mais gerou curiosidade, porém foi deixada sem respostas (se houve alguma resposta, não notei).
    A parte das irmãs começou como sendo o foco principal do conto, mas depois foi deixado de lado e os parágrafos finais não incluíram mais elas. Faltou propósito.

    FRASE DE DESTAQUE: “Disse isso e começou a mover os braços e o quadril numa cadência oscilatória que lembrava as danças tribais africanas e depois de um tempo o gato morto foi se movendo, até se levantar, encarar as irmãs com desdém, se sentar e se lamber.”

  17. Anderson Roberto do Rosario
    21 de agosto de 2018

    Oi, João.

    Um conto inusitado, diferente, por se passar numa época distante, onde o escravagismo no Brasil ainda imperava. Geralmente os autores preferem ambientar contos com esta temática no presente ou mesmo num futuro distópico. Por isso aqui vai uma salva de palmas pela premissa, muito bem pensado e original. O que tenho a apontar de negativo talvez seja o fato de ser pouca a interação que o extraterrestre tem no conto. São aventuras citadas de forma apenas de relatar. Gostei do mistério que se fez no caso do capataz Murilo, porque embora não cite sabemos o que aconteceu, ou não, né? Valeu João, foi um bom conto e me prendeu do início ao final. Parabéns e boa sorte no desafio.

  18. Sarah Nascimento
    21 de agosto de 2018

    Olá! Seu conto está muito bem escrito, você usa palavras bem cultas. Achei bem original e interessante a escolha do tempo onde se passa a história, o lugar e os personagens.
    Legal também o jeito que você mostra os poderes do Oliver com o episódio do gato e do velório do tio das meninas. Que audaciosas essas duas, levando a criatura escondida junto com elas. rs.
    Eu demorei um pouco para perceber que as garotas eram crianças. Acho que alguns detalhes no início do conto poderiam já ter mostrado isso, mas não é um grande problema.
    Conto muito bom.

  19. Rafael Penha
    20 de agosto de 2018

    Olá João,

    Um conto de leitura gostosa, mas despretensioso.

    PONTOS POSITIVOS:
    A ambientação do conto com alienígenas num passado escravagista é bastante original e foi bem trabalhada e exibida no contexto de histórias infantis.

    PONTOS NEGATIVOS:
    O conto não parece uma estória com um enredo, se limitando apenas a falar das travessuras do ET e de que um dia ele se foi da mesma maneira que veio. Despretensioso, mas em excesso na minha opinião.

    Grande abraço!

  20. Wilson Barros
    20 de agosto de 2018

    O começo é bastante peculiar, lembra aquelas reuniões de bruxas de Macbeth, adaptada aos tempos.
    ” Em um caldeirão, as irmãs preparam uma poção com curiosos ingredientes: olhos de lagartixa, dedos de rã, língua de cão, perna de lagarto, ferrão de escorpião, asa de coruja, escama de dragão, dedo de nenê estrangulado no parto, raiz de cicuta, nariz de turco, fígado de judeu blasfemo, vísceras de um tigre, múmia de bruxa, pelo de morcego, dente de lobo, e muitos outros. Juntas, as três bruxas cantam a receita em andamento; o seguinte trecho de sua canção chegou a ser trilha em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban:
    “Double, double, toil and trouble / Fire burn and cauldron bubble / Double, double, toil and trouble / Something wicked this way comes!”
    * Dúvida, dúvida, trabalho e inquietação / O fogo queima e borbulha o caldeirão / Dúvida, dúvida, trabalho e inquietação / Algo maligno vem por aí!”
    Depois aparece um fantasma do pai de Hamlet. Bom, as histórias dos alienígenas que ressuscitam seres através da dança é muito interessante, e poderia ser a base para um livro de aventuras, como o Oliver Twist. Aqui foi escrito no estilo das “crônicas estadunidenses”, como o livro “Crônicas da Fundação”, que narra aventuras. Os minicontos que formam o conto são bem agaradáveis de ler, conferindo uma consistência ao todo. Junto aos pequenos detalhes literários formou uma boa história.
    P.S. Muito interessante sua menção à “Lei do Ventre Livre”, que libertava todos os filhos dos escravos nascidos a partir de sua promulgação, mas determinava que eles trabalhassem de graça aos seus senhores desde oito (!!!!!!) aos vinte e um anos. Não é de hoje que as conquistas dos brasileiros são surreais.

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Informação

Publicado em 19 de agosto de 2018 por em Alienígenas.