EntreContos

Detox Literário.

Entrevista 42 (Elemento xxxxxxx)

Eu sempre odiei extraterrestres, já que o meu pai os amava como nunca me amou. O Joãozinho dos Ets, como chamavam os vizinhos… O velho colecionava tudo o que conseguia a respeito de aliens. Ia em convenções, assistia vídeos intermináveis sobre o assunto, estudava as teorias da conspiração que caíam no seu colo. Era horrível quando perguntavam se ele já tinha sido abduzido ou visto uma nave espacial. As respostas dele me envergonhavam, as exaltações e baboseiras sobre como os seres de outras galáxias eram mais avançados do que nós. Crianças devem ter orgulho dos seus pais, não aquilo que eu sentia. Os constrangimentos que passei me envenenaram, arruinaram algo em mim que é difícil de explicar.

Sei que estou divagando, mas os senhores não afirmaram querer também as minhas considerações pessoais? Pois então, nós morávamos na casa velha da família pelo fato de que o pai não parava em emprego nenhum. Quando fiquei maior já sabia que, se voltasse da escola, e o encontrasse ouvindo música, encararíamos um longo período de miséria pela frente. Macarrão com salsicha por uma eternidade, com sorte regado por um ki-suco de morango. O que era confortável para o seu João. Nessa situação, ninguém poderia acusá-lo de não me alimentar e sobrava tempo para ficar cultivando a sua obsessão. Ás vezes me pego pensando, teria sido melhor se a mãe não tivesse morrido?

Lembro da tarde que ele comprou a réplica de um suposto habitante de Júpiter. O filho com um só tênis, furado, e o cara gastando uma quantia considerável com aquele rascunho de bicho. A coisa era perturbadora, com a cabeça gigantesca e as pernas finas. O pior é que eu não tinha nem como fugir da bizarrice, que foi acomodada confortavelmente no sofá da sala. Por que o meu pai gostava tanto daquela anormalidade? Por quê? Enfim, o intruso viveu conosco por exatos quatro meses, até o incidente que nos separou.

Era madrugada e eu tinha levantado para tomar água, quando flagrei o alien de pé na sala. Sim, tenho consciência de que soa absurdo e que ninguém acredita. Mas aquilo estava lá, parado, e, não entendo a razão, tinha colocado uma toalha de banho na cabeça. Foi o impulso, sabe? Eu a destruí sem pensar. O barulho acordou o velho que, transtornado, fez o que nunca tinha se dignado a fazer. Um murro no meu queixo, com uma força surpreendente. Nem me importei com a porrada. O que machucou mesmo foi que, sem me olhar para ver o estrago que causou, ele se ajoelhou ao lado dos cacos e chorou como uma criança. Reunia os pedaços e apertava-os contra o peito, numa tentativa patética de consertar o que não tinha mais jeito.

Amanheceu e decidi ligar para o irmão da minha mãe e pedir abrigo. Ele, surpreso, aceitou a proposta com a exigência de que eu estudasse e trabalhasse. Faltavam poucos meses para os meus quatorze anos, mas queria mudar de vida e essa era a única alternativa no horizonte. Fui embora e o meu pai não me abraçou. Acho que, na verdade, o velho nem percebeu a minha saída. Como um par de meias baratas que somem e o dono não se dá conta.

Estudava de manhã e cumpria expediente durante a tarde, o serviço na oficina do tio Raul era pesado. Desde o começo entendi a minha condição de agregado, de peça solta na dinâmica do lar que me acolheu. Porém, gostava do respeito com o qual me tratavam e, com o salário que recebia, podia comprar coisas. Época agradável, quase feliz. Cresci e, no meu aniversário de dezoito anos, optei por seguir a carreira militar. Recebi o apoio do tio, que exaltou a inteligência e honradez da minha decisão. Foi emocionante, no dia da minha mudança para o quartel, ganhar o abraço dele. O seu sobrinho havia se tornado um homem.

Na caserna era tratado com camaradagem, ali ninguém me chamava de esquisito ou de “moleque do Joãozinho”. O meu pai? Evitava pensar nele, a figura não valia o tormento. Escrevia para o tio e, se tinha de sofrer, chorava pelas namoradas que me abandonavam. Por gentileza, me conseguiriam um copo de água? Estou com a garganta seca. Obrigado. Bem, admito que, no fundo, uma parte minha até agradecia os términos. Facilitavam-me economizar, alcançar o sonho de comprar um apartamento. Aliás, visitava uma imobiliária quando atendi o telefonema que desencadeou o fato que tanto lhes interessa.

A voz da assistente social do outro lado da linha era aveludada. Foi agradável escutar ela comunicando sobre o lastimável quadro do meu pai e a função da família no seu resgate, a casa que não nos pertencia mais, impostos atrasados, papeladas a serem assinadas etc. A sereia que não vislumbrei a beleza me encantou e eu fui, autorização nas mãos e angústia no peito. Decidido a cumprir com as minhas obrigações filiais, na vã esperança de liquidar as questões mal resolvidas da infância e seguir em frente. Que tolo, não? Seria possível também um intervalo? Desculpem-me, não queria causar problemas. Continuarei o relato, sem ocultações ou pausas.

É só verificarem o meu telefone, o trajeto que fiz pode ser confirmado pelo aplicativo de viagens… Voltando, o terreno da nossa antiga residência parecia ter acumulado toneladas de lixo durante a minha ausência. Bati palmas e esperei, enojado com as pilhas de revistas, jornais e sacolas transbordando conteúdos mal cheirosos. Nervoso, me questionava: como tinha ido parar naquele inferno de novo? Ele demorou para surgir. Curvado e sujo de um jeito esquisito, como se coberto de poeira luminosa. Meu pai, um viajante estelar que trajava moletom e tênis.

O reencontro passou longe da catarse que eu almejava. João custou para reconhecer o meu rosto, mas, quando lembrou, abriu o portão e fez sinal para que lhe seguisse. Agradeci a sala não estar tão suja. No entanto, as paredes haviam sido cobertas com frases sem sentido, o que dava uma atmosfera incômoda para a peça. Sequer trocamos um aperto de mãos. Um dos culpados pela minha vida na Terra, sem rodeios, afirmou:

– Felipe, sabia que, cedo ou tarde, você viria. Não pretendo sair daqui, morar com você ou qualquer coisa que o valha. Se quiser, pode passar a noite. Tem um colchão.

E seguiu fazendo as suas tarefas, como se não tivesse mais ninguém ali. Frustrado, ainda tentei:

– O senhor não vai perguntar o que fiz durante todos esses anos?

Ele respondeu, sem olhar para mim:

– Ah sim, vai falando que eu escuto.

Desisti do diálogo e fui passear pela vizinhança, na esperança de encontrar conhecidos. Se alguém lembrou de mim, pensou que não valia a pena se manifestar. Porém, decidi ficar, mais por autossabotagem do que qualquer outro motivo. Queria testar o quanto suportaria, provar que aquilo não fazia mais parte da minha vida. Que iria embora pela manhã, fortalecido e com a consciência limpa. Por isso, passei no mercado e comprei comida para dois.

Provavelmente o velho se alimentava mal fazia semanas, ele comeu cinco coxas de galinha sozinho. Mastigava em silêncio, nenhuma manifestação de amor ou de ódio. Se ele ainda tivesse me xingado… Nem isso. Apenas disse que entre nós não cabia cerimônia, por isso eu que arrumasse minha cama.

Devia ter escapado durante a madrugada. Idiota, fiquei rolando no colchão. Conferindo o celular, tanto que o último horário que me lembro eram três e quatro da manhã. Acho que foi minutos antes do surgimento da luz. Ela era como um holofote potente, capaz de cegar. Simultaneamente, a temperatura baixou. Fiquei com frio e me encolhi, mas não gritei, a minha boca estava entupida de estática. Os relógios pararam e as portas começaram a bater, perdi a noção de quanto tempo aquilo levou para me caçar. Uma espécie de triângulo de luz esverdeado, sem corpo distinguível. A única coisa que imediatamente entendi é que aquela presença era má.

Tentei resistir, o que obviamente foi inútil. Ela entrou através dos meus poros, dominou o meu corpo e grande parte da minha mente. Era como se tivesse sido expulso da minha consciência, sobrando apenas assistir as ações por um buraco de fechadura. Meu corpo não me obedecia, como se expropriado de mim. Eu juro, não fui eu que arranquei os olhos do meu pai. Foi aquilo, ele sabia demais…

Senhores, eis a verdade
A sala 49 de novo não, eu imploro
Senhores….
Senhores….
Não!

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Sobre Fabio Baptista

25 comentários em “Entrevista 42 (Elemento xxxxxxx)

  1. Victor O. de Faria
    19 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: Bastante subjetivo e profundo, com toques de Noir, mas com os pés no chão. Bem dramático. O uso da metalinguagem espontânea caiu bem, assim como o suspense. Fiquei com a vaga impressão de ter “sido enganado” ao final, mas nada impede de que tudo tenha ocorrido daquele jeito mesmo e o personagem esteja sendo interrogado por autoridades conspiratórias. Talvez a dúvida tenha sido a melhor escolha. Curto e objetivo.
    T: Bem escrito e cadenciado, com uma ou outra aceleração repentina, mas sem perder o rumo. No geral, gostei.

  2. Fabio Baptista
    17 de setembro de 2018

    Observações durante a leitura:

    – Eu sempre odiei extraterrestres, já que o meu pai os amava como nunca me amou
    >>> ótima frase de abertura. A mais forte até agora.

    – Ás vezes
    >>> Às vezes

    ——————————

    Impressões finais:

    Um conto realmente muito bom. Fiquei tão entretido na leitura que nem parei para fazer as observações. Obviamente a correção gramatical e excelente nível de escrita contribuíram bastante para isso.

    Eu não senti muito o clima de “entrevista” ou interrogatório… talvez isso desse ao conto um diferencial a mais. De todo modo, a narrativa me agradou bastante, esse ponto de vista um tanto melancólico do garoto desprezado. O lado psicológico foi muito bem construído, embora algumas passagens tenham ficado corridas, como a convivência com o tio e o exército. Claro que uma abordagem completa pediria muito mais palavras.

    A reviravolta final foi boa, mas ocorreu de modo tão abrupto que deixou o gosto de “putz… acabou?”. Sim, acabou, e foi um bom final, do tipo inconclusivo de um jeito bom – loucura ou “abdução”? Eu aposto em loucura, mas a outra possibilidade enquadra o conto no tema de qualquer forma.

    Abraço!

  3. Miquéias Dell'Orti
    10 de setembro de 2018

    Olá!

    Adorei seu conto. A relação entre o narrador e o pai, que é ausente e obsessivo, ficou ótima, inclusive a suspensão gradual da visão do próprio narrador com a figura do pai, chamando-o pelo nome próprio em alguns momentos.

    Há algo de obsessivo também nesse narrador (que curiosamente não tem nome). Uma certa obsessão velada pela aceitação do pai, foi o que me pareceu, e esses dois elementos foram o gancho que me fizeram gostar tanto da história e mergulhar nela.

    O final é surpreendente, com a abdução (ou não) do narrador pelo “triângulo de luz”. Deixa na gente aquela dúvida: será que ele era louco mesmo? Muito bom de verdade.

    Parabéns!

    Observação Inútil:
    Mano (ou mina), tenho que quebrar o protocolo aqui e te perguntar sobre essa imagem. O que ela é? Eu ampliei ela aqui no pc e fiquei tentando entender o que significa (loucura total, eu sei). Parece um tipo de líquido, como leite, misturado com uns amendoins e um Negresco grudado lá no fundo. Mas pode ser qualquer outra coisa também. Explica aê pra gente.

    • elemento
      11 de setembro de 2018

      Twin peaks, terceira temporada

  4. Emanuel Maurin
    9 de setembro de 2018

    Logo no começo seu personagem mostra o estrago que uma pessoa sem profissão definida e com sonhos impossíveis faz a uma família. Também mostra a vida difícil de um jovem que trabalha e estuda, parece-me um conto confessional. Bem estruturado e gostoso de ler.

  5. André Felipe
    7 de setembro de 2018

    O nome dele é Felipe? Ave! Acabei por gostar do texto. Bem escrito e estruturado. Só teve uma parte que não entendi, quando ele quebra o “ET”, não sei se ele pensou que a estátua tinha se mexido ou só teve raiva mesmo. A parte que mostra a vida dele com tio nao achei interessante, mas entendi o propósito de mostrar que ele estava conseguindo ter uma vida “normal”. O final foi feliz em deixar tudo em aberto. Que diabos há na sala 49? Boa sorte.

  6. iolandinhapinheiro
    7 de setembro de 2018

    Olá, autor

    O principal deste conto nem é o conto, mas o escritor. Vc escreve muitíssimo bem, tem a capacidade de envolver o leitor invejável, e este texto em primeira pessoa deslizou lindamente para dentro da minha cabeça, através de suas frases muito bem elaboradas, sedutoras, diria.

    Vc faz a gente querer saber mais sobre tudo. A loucura do pai, a frustração do filho, o tio suprindo o lado paternal, a frustração do protagonista com a falta de interesse do pai por ele.

    Mas o conto abre outras possibilidades: como se trata de um interrogatório, tudo o que está sendo dito pode ser verdade, ou não. Ninguém sabe o que de fato aconteceu e para quem ele está fazendo o relato, afinal se fosse um hospital psiquiátrico ele não seria levado para uma sala de tortura. Mesmo que estivesse mentindo ele não parecia perturbado a ponto de precisar de tratamento de eletrochoque ou qualquer outro que lhe causasse sofrimento.

    Também não achei que ele estivesse sendo interrogado na polícia. O local onde o interrogatório aconteceu, só o autor saberá.

    Ainda estou me decidindo se gostei ou não do final, pois ele me deixou com uma sensação de corte abrupto da narrativa. De toda sorte parabéns pela criatividade e pela fluidez absoluta que conseguiu empregar no conto. Um abraço

    • iolandinhapinheiro
      7 de setembro de 2018

      ” Tem a capacidade invejável de envolver o leitor”

  7. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    3 de setembro de 2018

    Não consegui gostar desse texto tanto quando outros que o leram (eu dei uma olhada de relance pelos comentários). Achei-o bem estruturado, pelo menos até o momento em que o rapaz retorna à casa paterna. Poderia ter havido um pouco mais de desenvolvimento no relacionamento dele com o tio e, talvez, mais um episódio para construir a personalidade estranha do rapaz, mas isso não comprometeu, não foi isso. O que eu achei que comprometeu foi o tom de anticlímax que encontramos no desfecho da narrativa. Eu tenho percebido que narrativas lineares costumam ter esse problema e tenho evitado narrar em ordem direta. Poderia, e deveria, ter havido uma melhor construção do suspense na cena e o conto não precisava terminar no hospício, mas com o rapaz se dando conta de seu crime. O autor parece ter competência para fazer muito mais do que isso.

  8. Fheluany Nogueira
    2 de setembro de 2018

    O recurso da entrevista ficou muito bom. Ficou instigante descobrir, no final, que o protagonista está explicando como, porque matou o pai, estando encarcerado, certamente em um hospital psiquiátrico — humor negro. Ele considerava o pai doido, mas o doido era ele mesmo. Um senão é que o alienígena está mais de papel de parede na trama, cuja ideia central seria o relacionamento de pai e filho.

    O foco de primeira pessoa de, além do tom intimista, traz maior credibilidade ao texto. Ritmo bom, leitura prazerosa, a dica vai para a revisão de pontuação e algumas construções gramaticais.

    No geral, gostei muito. Vai para a lista de favoritos. Parabéns! Abraço. 😊👏👏

  9. Alessandro Diniz
    1 de setembro de 2018

    Elemento x, seu conto é interessante. O texto flui bem, é bem coeso e fácil de ler. A atmosfera melancólica q vc criou para o Felipe ficou ótima. Vc conseguiu dar
    profundidade aos personagens. A personagem do pai ficou muito boa tbm. Vc escreve bem, apenas com poucas confusões de pontuação e divisão das frases em uma ou outra parte. Aquelas pausas no meio do texto, achei desnecessárias. Cortaram o embalo gostoso da narrativa. E no fim do texto, fica evidente o que vc quis passar com elas, que o garoto estava narrando a estória naquele momento para seus interrogadores. O final foi interessante. Escrita simples, bom português. Ritmo constante. Um bom conto. Boa sorte!

  10. Evandro Furtado
    31 de agosto de 2018

    Pontos Negativos

    – Não consegui identificar nenhum

    Pontos Positivos

    – A narrativa em primeira pessoa contribui muito para a trama, deixando ambiguidades a serem resolvidas;
    – A opção por adotar uma linguagem específica, que concede ao conto um caráter um pouco intimista, muito contribui para a ambientação, que causa certo incômodo de forma positiva;
    – O desenvolvimento da história se dá de forma perfeita, com os fatos sendo revelados pouco a pouco, combinando muito bem com a ideia de entrevista já que o leitor, por sua vez, assim como os entrevistadores, chega sem saber o que acontece e sai com uma boa idea.

    Balanço Final: Good

  11. Antonio Stegues Batista
    29 de agosto de 2018

    Então, o alienígena é aquele que menos se espera! No final, me pareceu que o personagem/narrador, pedindo para não ser preso em certa sala, está numa clínica para loucos. Me faz crer que ele matou o pai e colocou a culpa num alienígena. Porém, o final fica em aberto. Teria ele matado o pai, pela mágoa de ser ignorado e não receber o carinho paternal, ou o tal triângulo de luz esverdeada foi real? Acredito na primeira hipótese, que ele herdou do pai algum distúrbio mental e acabou matando o velho. No fim e ao final, acredito também que o conto está no tema,e é um bom texto apesar dos errinhos apontados e outros não. Boa sorte.

  12. Higor Benízio
    28 de agosto de 2018

    Bom conto. A escrita tem uma escapulida aqui e ali na revisão, mas nada demais. O final foi muito bom, mas poderia ser melhor se tivesse desenvolvido ele mais um pouco. Talvez descrever a sala do interrogatório, colocar as falas do interrogador com enfase, enfim, aumentado um pouco a atmosfera.

  13. Anderson Roberto do Rosario
    26 de agosto de 2018

    Olá, Elemento (xxx…). Seu conto,narrado em 1ª pessoa, por meio de uma entrevista (interrogatório), de um narrador muito suspeito, nos deixa a beira de um precipício sem que possamos vislumbrar se o que ele diz é verdade ou não. Primeiro porque sua relação com o pai nunca foi boa e sabemos só a versão dele de o porquê essa relação era assim. Uma suposta predileção do maluco do pai pelos seres alienígenas e uma irrefreada obseção pela chegada ou volta desses seres para levá-lo. Bem, o assassinato do pai cuminando na aparição dos alienígenas para o incrédulo também pareceu muito pertinente, pra não dizer favorável. Acho que faltou a versão do pai na história. Alguma coisa que sugerisse que não foi nem assim, algo que quebrasse essa visão unilateral que temos só dele, algo que colocasse me dúvida o que ele diz, sem que ele já não faça isso sozinho. Algumas divagações interiores, algo que fosse (extra-entrevista) para que de alguma forma o conhecêssemos melhor como pessoa, conhecêssemos sua psique, também seria interessante para que pudéssemos basear nossa opinião sobre o personagem, que pareceu vago, não sei se de propósito ou não. Parabéns e boa sorte no desafio.

    • elemento
      27 de agosto de 2018

      Olá, amigo! A estrutura do conto é a minha tentativa torta de Capitu traiu Bentinho… Se um dia desenvolver esse conto, darei outras perspectivas. No entanto, gosto da ideia do pai inatingível pelo leitor… Conhecer apenas o que é dito sobre ele. Abraço

  14. Caio Freitas
    26 de agosto de 2018

    Cara, seu conto é excelente. Não tenho como não citar a forma genial como você apresentou a história. Por se tratar de um relato do próprio protagonista fica clara a relação (ou falta dela) dele com o pai, que para mim foi o melhor da história. Parabéns, de verdade. Você merece.

  15. André Lima
    25 de agosto de 2018

    No início da leitura, pensei que encontraria pela frente a premissa de “Big Fish”, de Tim Burton. O pai contador de histórias e o filho que odiava este fato, mas que no final, quando o pai morreu, entendeu e passou a sentir falta. Por isso, o meio e o fim de seu conto foram surpresas muito positivas. Aliás, um final arrebatador!

    O que mais gostei no conto foi a contradição forçada. A narrativa é leve, quase que doce, nos fazendo ansiar por um final acolhedor, onde filho e pai se entendem e tudo faz sentido, mas somos jogados na contradição! A loucura do filho, o final trágico, o arrancar dos olhos… Muito inteligente a forma como expôs o texto.

    A ideia é boa, a pegada informal é boa também e o texto tem originalidade. Temos aí elementos claros de um bom conto.

    Eu gostei. Parabéns pelo trabalho!

  16. Evelyn Postali
    24 de agosto de 2018

    Gostei demais do seu texto! A narrativa é clara. Detalhada, mas não cansativa. Isso foi um primor. Eu me senti presa à história até o final. Um texto não precisa ser longo para ser perfeito. Se sua história tem três mil palavras, não senti nadica de nada. Ela tem ritmo, movimento, unidade, equilíbrio e harmonia. E tem essa coisa de estar dentro do tema sem que o tema enjoe. Eu entendo sua história como uma história dentro de outra história. Ao mesmo tempo em que você deu voz para o seu personagem, também fez o pai desse personagem existir de uma maneira diferente. No meu entendimento, você tem dois finais de igual força. O surgimento do alien no final foi o primeiro fechamento perfeito. O segundo, veio depois. Você conseguiu desenvolver um personagem real dentro de uma história possível, com um final igualmente bom.
    Parabéns! E boa sorte no desafio. Abraços!

  17. Rafael Penha
    24 de agosto de 2018

    Olé, Elemento!

    Conto intimista, passando toda a vida do personagem até o derradeiro Clímax. Acho que por pouco não se encaixa no tema, visto que alienígena mesmo foi só um pano muito de fundo para contar uma história conturbada entre pai e filho.

    PONTOS POSITIVOS: A gramática está perfeita na minha opinião, sem erros que me chamassem a atenção. A forma narrada também está excelente, um relato fiel e verossímil de uma vida que pode realmente ser a vida de tantas pessoas no mundo real. Um clímax abrupto e inesperado com um final misterioso que instiga a mente.

    PONTOS NEGATIVOS: Creio sentir pouco desenvolvimento do pai do protagonista. É certo que foi a visão do rapaz, mas senti falta de conhecer um pouco melhor a mente do velho e o porque de sua fixação por alienígenas. Ademais, a meu ver, o conto bate na trave para se enquadrar no tema. Fora o alienquebrado na sala e a cena do clímax, a palavra alienígena parece ter tido mais força do que o personagem ou a idéia alienígena.

    Um excelente relato, mas como já disse, não senti o tema do desafio ser realmente explorado, mas apenas sutilmente arranhado.

    Um abraço.

  18. Thiago Lopes
    23 de agosto de 2018

    Seu conto é o meu favorito até agora. Gosto quando se usa criatividade para usar o tema apenas como um ponto de partida para narrar algo. Fugiu dos clichês das histórias de alienígenas e, embora o conto tenha umas sobras, podendo ser cortado ema algumas partes, a narração deu conta de contar, prender o leitor, e ainda suprimir os diálogos, que, quando mal usados, só cansam a leitura, ainda mais se não levam pra lugar nenhum. Só o finalzinho achei que poderia sair, mas o fato de estar se dirigindo a uma segunda pessoa deu um bom tom ao texto.

  19. Pedro Paulo
    22 de agosto de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados.

    Mais um conto que traz uma maneira inteligente de tratar o tema, centralizando os alienígenas na trama, mas fazendo isso a partir da relação do protagonista com os extraterrestres e, portanto, escrevendo uma história que se preocupa mais em nos apresentar a personagem do que abordar o tema diretamente. A narrativa segue ágil, sabendo nos contar a origem do protagonista de maneira rápida, mas escolhendo os momentos certos para descrever em maiores detalhes. Esse estilo me envolveu com o protagonista e me fez sentir por ele nos momentos mais cruciais, especialmente no incidente da sala, em que ele é socado. A reviravolta também funciona muito bem e dá razão às diversas vezes em que o narrador excede o enredo para se referir às personagens exteriores, dando a entender de que não está contando isso somente para o leitor, mas para outras pessoas dentro da própria história. Isso mostra que o autor atentou aos detalhes, cuidando de fazer essas referências antes para dar mais consistência ao final, que não só revela o fato de ser um interrogatório, mas também dá fim ao conflito central da história: a relação entre o narrador e o pai. Mais do que isso, conclui a trama com três resoluções: ele e o pai; alienígenas; e para quem ele estaria contando essa história. Parabenizo também pela concisão, dado que é um conto curto.

  20. Sarah Nascimento
    20 de agosto de 2018

    Olá! Meus primeiros comentários sobre seu conto são: uaaau! Maravilhoso!
    Você mostrou como a obsessão do João afetava o filho, como ele transferiu toda a atenção e afeto para os aliens em vez de pensar um pouco no garoto e cuidar melhor dele.
    Uma parte que demonstrou isso muito bem foi o soco que o menino levou após destruir aquele boneco de Júpter.
    Muito legal também colocar a pequena pausa ao pedir um pouco de água e depois um pequeno intervalo, essas partes fazem a gente lembrar que ele está contando a história para outras pessoas, quer dizer, outros seres.
    O final me surpreendeu bastante! E esse relacionamento de pai e filho me lembrou o filme “querido John”, ainda mais quando citou que o rapaz da sua história queria seguir na vida militar.
    Agora estou me perguntando o que tem nessa sala de tão terrível… como será a prisão dos aliens?
    Conto maravilhoso. E o único ponto negativo que eu gostaria de citar é a parte em que ele menciona a conversa com a assistente social.
    Nesse trecho a palavra “agradável” se refere a voz da mulher, certo? É que no modo que tá escrito eu pensei que ele estava achando agradável a situação lastimável em que se encontravam as contas e a casa do João. Voltei esse trechinho pra ver se tinha entendido direito.
    Parabéns pelo conto!

  21. Bruna Francielle
    20 de agosto de 2018

    TEMA: Sim

    CRIATIVIDADE: (SPOILER) Sim. Usar o tema alienígenas em uma desculpa pelo assassinato do pai foi uma boa sacada. No fim, ainda nos perguntamos se o narrador não é louco ele mesmo.

    INTERESSE PELA HISTÓRIA Médio.

    ERROS APARENTES: Não percebi nenhum.

    PONTOS POSITIVOS: Ausência de erros de digitação.
    Bom português do autor, o suficiente para ler a história sem entraves.
    Capacidade de conduzir a história deixando “miolos de pão” pelo caminho para incentivar o leitor a continuar lendo a fim de descobrir do que se trata o “mistério”.

    PONTOS NEGATIVOS: Talvez uma enrolação excessiva na história. Detalhes desnecessários. Ao mesmo tempo, parecem ter faltado mais informações. Impressão de que o conto ficou um pouco incompleto. Mas talvez essa impressão seja devido ao final aberto.

    FRASE DE DESTAQUE: “Meu pai, um viajante estelar que trajava moletom e tênis.”

  22. Wilson Barros
    20 de agosto de 2018

    O conto mantém um clima de humor trágico pemanente, graças aos detalhes inusitados de tempos em tempos, como a réplica do habitante de Jupiter, o lado bom dos “términos” com as namoradas, um viajante espacial de moletom… Isso torna o conto bastante agradável de ler e capta a atenção do leitor, como um clima Lovecraftiano às avessas. O conto é curto e poderia continuar por pelo menos o dobro do tamanho sem cansar o leitor. Tenho a impressão que alguém vai invocar o célebre “show, don’t tell” devido à ausência de diálogos. Mas na opinião tudo aqui é show, como o perdão do trocadilho. Quase tudo é mostrado, é ação, e quase nada é “dissertado”. A minha opinião é a mesma do Felipe Dintel, o do livro “Como Melhorar um texto Literário”.
    Cito alguns erros por que podem resultar em futuros defeitos do autor. Eu suprimiria o primeiro “Eu”, pois o verbo odiar está no pretérito perfeito. E também “Ia A convenções”. “Escutar ela” é “escutá-la”. “A sereia DE quem não vislumbrei a beleza” é a concordância nominal correta. Malcheiroso escreve-se assim, como maltrapilho, malcriado, maldito, malpassado, malmequer. Pequeninas observações, como o intuito de ajudar. O conto é muito bom, parabéns.

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Informação

Publicado em 19 de agosto de 2018 por em Alienígenas.