EntreContos

Detox Literário.

Polaris (Fermi)

Nas últimas décadas, conseguimos avanços relevantes no cálculo dos parâmetros restantes da equação de Drake. A incógnita restante está relacionada a nossa capacidade de encontrar novas civilizações. O tempo de esperar contatos passou, é nosso dever com o progresso da Terra procura-los ativamente. Pode ser uma grande ilusão considerar que teremos sucesso. Mas considere a dimensão do universo e me diga que é impossível. Me diga que nós humanos estamos completamente sozinhos. Mesmo com as piores probabilidades se ainda houver uma chance, por menor que seja, valerá a pena.

– Major Boaventura, 5 horas antes do lançamento da missão Conquer 1

***

Garoo se esgueirava apressadamente entre a multidão tentando não ferir a cordialidade costumeira entre seus pares. Se, por um instante, deixasse de avistar apenas seu objetivo perceberia que falhara miseravelmente. A reprovação por seus atos era tangível nos seus sentidos aguçados mas era completamente ignorada frente a percepção dos primeiros feixes de luz colorida despontando no céu. Se perdesse a aurora mais uma vez Maxxi encontraria uma forma bastante criativa para terminar com sua vida. Ou, pior, com o relacionamento.

Intimamente considerava aquele ritual arcaico e incivilizado. Não era hipócrita ao ponto de não reconhecer que uma vez acreditou naquilo. Seus sonhos infantis eram povoados por naves mirabolantes que navegam a aurora rumo a mundos desconhecidos. Ora, escolhera a ciência como profissão por conta dessa ilusão! Agora, a crença que a aurora era algum caminho mágico que os Deuses nos deram para desbravar o universo lhe causava repulsa. “ É apenas energia” repetia mentalmente. E ainda assim estava ali. Aquilo era importante para Maxxi e isso bastava.

Os devaneios foram substituídos pela sensação de alívio quando finalmente avistara Maxxi e seu sorriso. Havia perdão. Enquanto os outros observavam o céu cheios de esperança e fé, seguia lentamente na direção daquele bálsamo. Sob o efeito hipnótico que Maxxi exercia, foi incapaz de perceber a mudança brusca de comportamento da multidão.

Talvez tenham sido os gritos. Talvez foi o rastro de fogo e fumaça rasgando a aurora que chamou sua atenção. O transe finalmente fora sobrepujado pelo trabalho analítico de sua mente. A entrada de objetos na pesada atmosfera do planeta era cada vez mais rara. Naquela região, o último havia sido encontrado quando ainda acreditava nas lendas. Sua presença, assim como de todos os cientistas, seria imediatamente requisitada no Instituto de Pesquisa Intergaláctica. Considerava milhões de possibilidades ao passo que controlava a expectativa de estudar o fenômeno. Ali, no meio da multidão apavorada, tomou uma decisão e começou a se afastar de Maxxi.

***

As superfícies do laboratório eram frias e assépticas. A área onde o estudo seria realizado foi isolada por vidro e contava com dezenas de equipamentos e braços robóticos. Não podiam correr o risco de contaminar o espécime, mas também não sabiam se ele oferecia algum risco por isso o isolamento. Fora da cela transparente havia apenas Garoo com a vestimenta de proteção.

O Instituto decidira que, a princípio, apenas um cientista efetuaria o estudo. Era um privilégio ser responsável por analisar o primeiro espécime extra galáctico. E Garoo conhecia o procedimento de cor: verificar padrões de energia, radiação, elementos constituintes, nível de inteligência entre inúmeros testes. Tentava afastar qualquer expectativa, mas algo no seu subconsciente teimava em insistir na esperança que o espécime estivesse vivo.

O ruído baixo e constante do veículo automatizado quebrou o silêncio do local. Como previsto, o espécime chegara só e Garoo utilizou os braços robóticos para transferi-lo para a mesa de trabalho. O corpo da criatura tinha coloração cinza com simetria bilateral e a cabeça redonda, aparentemente mais rígida que o resto do corpo, possuía uma face branca e outra preta. A constituição externa aparentava ser um composto sintético onde, numa observação mais próxima, partes metálicas se destacavam. Após a breve contemplação do espécime, Garoo entregou-se com empolgação à sua tarefa. Com o dispositivo móvel, controlava os equipamentos e sondas para realização dos testes. Seria um trabalho delicado e demorado.

***

A aparição de um espécime não era algo que Herc gostaria de lidar no estado atual de sua carreira. Uma aparição durante a aurora com todos os olhares crédulos voltados aos céus era pior ainda. Um pesadelo em todos os sentidos pois não podia simplesmente esconder aquilo. E, para seu azar, ainda teria que lidar com Maxxi.

Com um pequeno esforço mental encontrou o caminho para os arquivos que há muito ignorava. Tudo começou com os estranhos sinais captados pelas antenas orbitais. A princípio, cientistas associavam os sinais aos sons do universo, formação de estrelas ou nuvens de elementos. No entanto haviam padrões que não eram formados naturalmente em nenhum lugar do universo conhecido. Alguém escolheu as frequências baseado em lógica e isso não poderia ser ignorado. Aquele som foi certamente produzido e transmitido por alguma civilização.

Quando Herc teve acesso aos dados considerou que o conteúdo não importava. Era uma ameaça. A ameaça de uma civilização mais avançada capaz de enviar uma mensagem íntegra através do universo. O próximo passo seria enviar exploradores. E o que eles fariam ao encontrar um planeta que não era capaz de se defender? A verdade era que mesmo com os avanços tecnológicos a mensagem nunca foi decifrada e, apesar de toda comoção gerada nos círculos de crédulos, fora esquecida pela população.

Herc se dirigiu ao laboratório ainda pensando nas implicações daquela descoberta.

– Alguma novidade?

– Sim, gostaria de um relatório? – Garoo respondeu com atenção ainda voltada a tarefa que executava.

– Prossiga.

– O espécime encontrado possui uma couraça externa sintética protetora. O material coletado da parte interna mostra que a couraça também possui a função de manter a atmosfera em uma composição fixa díspar a nossa. Já comecei a produzir uma atmosfera sintética para extrair a parte orgânica com segurança.

– Alguma evidência de vida?

– O material externo causa interferência nas medidas elétricas, mas a mudança constante na composição da atmosfera interna evidencia algum tipo de respiração. Então diria que sim, existe grande chance do espécime estar vivo.

Herc observava aquela grande massa na mesa com atenção. Provavelmente se empolgaria com a possibilidade de encontrar vida fora da galáxia se fosse mais novo ou tivesse menos responsabilidades. O tempo passara e aquilo era um problema. Deveria confrontá-lo como tal.

– Garoo, te escolhi para este trabalho por conta do seu ceticismo e objetividade. Estou lhe avisando, não deixe a crendice de Maxxi influenciar suas decisões.

***

Do lado de fora, as crianças brincavam se escondendo entre a vegetação e lançando pequenos frutos que espirravam sucos coloridos quando alcançavam os alvos. A área verde com espécimes originais era rara nesta parte da cidade o que tornava comum a cena nos jardins da sede diplomática do governo. Risadas e gritinhos de satisfação ignorantes das decisões que eram tomadas no prédio tomavam o ambiente.

Dentro, Maxxi se concentrava na redação final do acordo que garantiria o direito de escolhas daquela geração. Bem, de boa parte dela. As negociações foram intricadas e o resultado não comtemplava sua vontade integralmente mas era um avanço. A sociedade se encaminhava rapidamente na direção do totalitarismo como nas eras passadas e ameaçava a liberdade daquelas crianças. Qualquer garantia era uma vitória.

Seu trabalho era cansativo. Lidar com burocratas que a todo momento tentavam diminuir sua competência por causa da fé desgastava seu espírito, mas a recompensa sempre chegava. Maxxi se orgulhava da extensa teia de contatos que conseguira estabelecer em todo governo. Através dela soube que o incidente que testemunhara era mais que um simples meteoro. Era um sinal e uma oportunidade. Finalmente tinham uma pista de como desbravar o universo. Por isso considerava que os favores que cobrou para ser responsável pela diplomacia no caso foram baratos.

A investigação científica estava a cargo de Garoo, o que não facilitaria seu trabalho. Sabia que seu relacionamento nunca influenciaria no trabalho no Instituto. Mas, se por um lado não ajudaria, também não atrapalharia. Não podia dizer o mesmo de todos os outros funcionários do Instituto. Teria um desafio à altura de suas habilidades e não se surpreendeu com a breve ligação de Herc, chefe de Garoo. O jogo começara.

– Saudações, Maxxi.

– Saudações, Herc.

– Soube que você trabalhará conosco no caso do espécime.- fez uma pequena pausa – Mesmo que ainda não haja necessidade de diplomacia.

– O espécime está morto?

– Ainda não confirmamos.

– Então, a diplomacia continuará em atenção até que a morte seja confirmada. Mesmo que não lhe agrade, nem você nem Garoo possuem autorização de tentar se comunicar com o espécime. Não me desafie.

– Ainda tenho dúvidas se o que te move é fé ou ambição – Herc riu sarcasticamente – Informarei imediatamente quando tivermos a confirmação.

***

A atmosfera dentro da couraça era composta por gases de ocorrência natural no planeta e, portanto, simples de reproduzir. Resolvida a questão do ar, Garoo prosseguiu com a retirada da couraça a fim de revelar a aparência real do espécime. O corpo parecia frágil, incapaz de sustentar o próprio peso. A pele era branca e translúcida o suficiente para revelar vasos esverdeados. A região central do corpo subia e descia compassadamente acompanhando as mudanças sutis na composição da atmosfera sintética. Certamente aquela era localização do órgão de respiração.

Semelhanças e diferenças intrigavam Garoo. Seria o corpo daquela criatura mais eficaz em armazenar e utilizar energia? Seria aquela apenas uma variedade mais avançada de sua própria espécie separada da civilização apenas por eras e mais eras de evolução?

Apesar da curiosa aparência física, o espécime não demostrava qualquer capacidade cognitiva. Estava vivo, mas não podia atestar sua inteligência. Garoo lembrou das primeiras tentativas na exploração do espaço. Era impossível afirmar como um ser vivo reagiria às condições diferenciais de gravidade, temperatura ou radiação. Então, enviaram espécies dotadas de um mínimo de inteligência porém abaixo da escala evolutiva considerada racional. O aprendizado propiciou um salto enorme na segurança e tecnologia de naves e equipamentos orbitais. Mas aqueles seres eram inúteis para transmitir conhecimento.

Sem muito mais o que perscrutar sobre a inteligência do espécime, Garoo seguiu com outros testes. A sensibilidade da pele era notável e o corpo também reagia com variações suaves de temperatura. Observava atenciosamente a mudança da coloração de algumas regiões causada pela diminuição da temperatura. Um mecanismo de defesa curioso que prima manter a temperatura em algumas regiões mais importantes para a manutenção da vida.

Pequenos eletrodos foram posicionados naquelas regiões mais protegidas. Garoo dividia atenção entre a resposta dos sensores e a jaula de vidro. O corpo absorvia e transmitia os impulsos elétricos com facilidade. Conforme o teste prosseguia, notava como as diferentes frequências começavam a alterar os impulsos elétricos gerados pelo próprio corpo. Inicialmente eram pequenas perturbações até se transformarem em algo físico. Ainda avaliava se era seguro seguir com aquilo quando a criatura abriu os olhos e emitiu um som. Expressava dor.

A carga elétrica foi interrompida enquanto Garoo pegava o comunicador.

– Herc, o espécime está ativo e responsivo.

– Reportarei a Maxxi. Prossiga com os testes.

***

Maxxi encontrou o espécime na jaula de vidro gesticulando e emitindo alguns ruídos estranhos. Sua pele brilhava coberta por um líquido transparente.

– Ele sente dor? – perguntou.

– Acredito que sim – respondeu Garoo com olhar fixo nos monitores.

– Tente não machucá-lo.

– Machucá-lo?- Herc falou com escárnio – Isso é um objeto de estudo, uma cobaia. Não trate-o como igual.

O embate de ideologias era inevitável. Herc se apegava ao racionalismo para justificar suas ações, mas estas eram movidas pelo temor das intenções daquela criatura. Enquanto Maxxi acreditava que o espécime era uma chave que abriria os caminhos para a exploração do universo como nas lendas que acreditara desde criança.

– Quero falar com ele. – declarou Maxxi ignorando as ressalvas de Herc.

Garoo apontou para o pequeno comunicador fixado em uma das paredes de vidro. Maxxi apertou o botão e saudou a criatura. O som de sua voz provocou uma reação imediata do espécime. A criatura tremia e tentava proteger a cabeça. Movimentava-se tropegamente na cela enquanto os sensores assinalavam mudanças no padrão respiratório. Sua pele reagia de maneira similar à diminuição da temperatura do ambiente. Era incrível como o som representava uma agressão tão violenta.

– Presumo que ele se comunique em frequências e intensidades diferentes.

Garoo programou rapidamente o emissor de frequências e reconfigurou os sensores para evitar interferência. Começou o procedimento com olhar fixo nas leituras. Evitava propositalmente a cela onde o espécime sofria enquanto não encontrava o ajuste ideal para comunicação. Mais afastados, Maxxi e Herc observavam as reações animalescas da criatura enquanto retomavam a discussão sobre os riscos ou benefícios que o espécime traria para a civilização.

– Ele é incapaz de se comunicar! Apenas rosna e se balança como uma espécie inferior.

– Ele chegou aqui enquanto nós ainda estamos presos neste planeta.

***

A superfície do lago refletia a mistura de cores que tomavam o céu. Precisava de uma pausa e Garoo preferia assim, olhar para o chão para encarar a realidade concreta a qual se deparava. A decisão que tomara era difícil e pouco racional. Arriscava perder sua carreira e seu relacionamento mas o conflito filosófico entre Herc e Maxxi era cansativo e duvidava que pudessem enxergar além do que acreditavam. Era seu dever proteger o espécime dos exageros de ambos.

Quando entrou no laboratório, Herc e Maxxi ainda discutiam sobre o futuro do espécime. Garoo os ignorou e alcançou a estação de trabalho. Verificou os sinais vitais e sentiu-se ainda mais cansado. O espécime enfraquecera muito após os últimos testes. Em pouco tempo não haveria mais motivo para a discórdia, projetava pessimista. Observou atentamente o espécime. Não se movia, não tentava se comunicar. Parecia ter desistido. Apenas permanecia parado e atento aos movimentos fora de sua cela.

– Vocês precisam deixar o laboratório. – o pedido de Garoo foi sumariamente ignorado enquanto seus companheiros continuavam a discussão.

Garoo deixou ser tomado por impaciência e bateu firmemente na mesa.

– Vocês precisam deixar o laboratório. Imediatamente.

Herc e Maxxi olharam sobressaltados. Transparecer emoções era incomum para Garoo.

– Garoo, pense bem. – Herc se aproximou de Garro enquanto apontava para a cela – Não podemos confiar o futuro do planeta em falsas esperanças. Ele é um risco.

Maxxi compreendia Garro. Também queria proteger o espécime, mas precisava provar que ele era útil ou estaria fadado a ser uma ameaça incompreendida. Numa última tentativa desesperada, apertou o botão do comunicador e começou a reproduzir da melhor maneira possível o som que tinha sido captado por seus antepassados. Os sinais vitais da criatura se alteraram e um líquido correu por seu rosto enquanto cantarolava junto a Maxxi: jai guru deva.

***

– Não importa Herc. É nossa responsabilidade aprender e transmitir tudo o que o universo nos ensina.

– Aja com sensatez Maxxi. Você não consegue enxergar o perigo? Nunca conseguimos desvendar a mensagem, ao menos sabemos se é a mesma civilização.

A discussão foi interrompida com a chegada de Garoo.

– Agradeço pela iniciativa Maxxi. Obtive alguns avanços nas frequências mentais mas o tempo está acabando. Acho que ele está morrendo.

Maxxi considerou as possibilidades. Era deveras perigoso, mas não podia perder a chance de estabelecer contato com outra civilização.

– Eu quero levá-lo ao parque de monitoramento.

– Como? Herc duvidara do nível de loucura que aquela situação alcançava.

– É a única maneira. O que sua morte contribuirá para nosso futuro? Precisamos nos comunicar.

– A decisão não é sua. – Herc interrompeu abruptamente.

Garoo ouvia a discussão em silêncio. Sabia que chegaria neste ponto. Esse era o motivo do aviso sobre Maxxi. Como cientista responsável era sua atribuição decidir quais testes realizar com o espécime. Uma vez decidido, ninguém questionaria sua autoridade.

***

Seus captores o levaram a uma sala com vários instrumentos com símbolos estranhos. Pela janela panorâmica via um campo largo sem montanhas ou quaisquer outro tipo de ocorrência no solo a não ser as construções arranjadas de forma linear. Grandes cúpulas côncavas se agrupavam em cinco formando uma espécie de uma flor metálica estranha que supunha ser receptores ou, se tivesse alguma sorte, transmissores.

Conectaram fios no capacete improvisado que vestia e o incentivaram a apertar os pequenos botões. Após algumas tentativas concluiu que se tratava de um equipamento de rádio rudimentar semelhante ao que sua própria civilização utilizara para enviar sinais nos primórdios da exploração espacial. Pretendiam que ele os ensinasse a se comunicar. Considerou a possibilidade com cautela visto que não tinha tempo para revelar as intenções de seus captores..

Podia sentir a força abandonando seu corpo e então percebeu que decisão não era sua. Lhe restava uma última missão. Precisava avisá-los. Precisava enviar uma mensagem. Um sinal binário funcionaria. Aquele equipamento serviria. Se prendia a pequenas esperanças enquanto trabalhava na configuração. A música que ouvira era a chave de sua localização. Esperava que eles fossem capazes de segui-la. Tossiu e junto ao ar expelido por seus pulmões reconheceu o gosto salgado de sangue. Apenas mais alguns minutos. Antes que percebessem o que fazia, antes do último suspiro, teve êxito em enviar uma mensagem:

SUCESSO-CONQUER-3

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Sobre Fabio Baptista

27 comentários em “Polaris (Fermi)

  1. Victor O. de Faria
    19 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: Outro texto que aposta na inversão, mas é bem-sucedido. O inicio é interessante e cativa a atenção. A abordagem é suave e cadenciada, deixando o texto limpo. Já no terceiro parágrafo comecei a desconfiar de que “algo estava errado”, mas essa sensação foi o que me manteve preso à leitura. O autor até tenta burlar o óbvio desviando a atenção para armaduras e sintéticos, mas quem sempre lê coisas do gênero já está acostumado a essas ferramentas narrativas. A lenda foi um acréscimo interessante ao se fugir dos clichês. Mas, como um todo, o conto foi bem executado e satisfatório.
    T: Bem revisado, sem grandes floreios, porém muito eficiente.

  2. Fabio Baptista
    15 de setembro de 2018

    Minhas anotações durante a leitura:

    – Se, por um instante, deixasse de avistar apenas seu objetivo perceberia que falhara miseravelmente
    >>> Li algumas vezes essa frase e não consegui entender

    – eram povoados por naves mirabolantes que navegam
    >>> melhor evitar essas misturas de tempo verbal nas frases

    – comtemplava
    >>> contemplava

    – ao menos sabemos se é a mesma civilização
    >>> não seria “nem mesmo”

    – Lhe restava uma última missão
    >>> Restava-lhe uma última missão

    ———————–

    Impessões finais:

    A técnica empregada é boa, um estilo cadenciado, puxando mais para a FC clássica. Poucos problemas de revisão, mas infelizmente a leitura não fluiu muito bem para mim. Algumas frases ficaram mais complexas do que precisariam ser (exemplo acima) e os nomes e eventos também não ajudaram e o conto não conseguiu me prender em quase nenhum momento.
    O que entendi da história (depois vou ler os comentários dos colegas para tentar ir além): um humano chegou ao planeta (plot do humano fazendo papel de alienígena) e caiu na mão dos cientistas de lá, que tiveram alguns conflitos ideológicos/políticos sobre como tratar e como fazer uso da cobaia. A última parte é no pnto de vista do humano, enviando uma mensagem para Terra e sinalizando “pode vir, galera, vamos colonizar esse planeta!”.
    Não é uma trama ruim, mas talvez o jeito mais formal de contar a história tenha me afastado dos personagens e acabei não me conectando a ninguém. As questões ideológicas (tipo como tratar a cobaia depois de descobrir que ela sente dor) também foram abordadas de modo superficial, sem despertar grandes reflexões.

    Infelizmente não me agradou.

    Abraço.

  3. Fil Felix
    11 de setembro de 2018

    Bom, acho que com a ajuda dos outros comentários, consegui compreender melhor o conto. Apesar de ser em outro planeta, lida com a mesma situação de ter um contato com uma vida alienígena (nesse caso, o astronauta). De como vamos lidar com ela. Temos o embate filosófico dos dois protagonistas, que aparentemente possuem uma relação. Também não há muitos indícios de sexo ou gênero, então fica a critério do leitor imaginar esses detalhes. Gostei do visual, da mitologia em torno da aurora neste planeta, das referências científicas. Mas senti que algo ficou meio fora do lugar, como se a narrativa quebrada não ajudasse tanto assim, no sentido de fragmentar o texto pro leitor se localizar melhor. Senti falta de uma ambientação melhor explorada, pra podermos imaginar esse planeta, esse povo e sua cultura e, assim, poder se identificar com ela.

  4. Miquéias Dell'Orti
    10 de setembro de 2018

    Oie,

    Começando pelo título, Across the universe foi a primeira música enviada ao espaço pela Nasa. Bem legal essa inserção e explica sua escolha, que faz referência com a transmissão que a galera de Polaris ouvia.

    O pseudônimo faz alusão ao paradoxo de Fermi, que tem relação com a equação de Drake, citada no primeiro parágrafo, do qual somos informados que, ao lançamento da primeira Conquer, apenas uma incógnita ainda era desconhecida.

    Tudo isso dá muito corpo à narrativa que, aparentemente confusa, tem uma construção muito interessante. Você insere na trama esses diversos aspectos e consegue compor uma congruência com toda a história. Foi muito criativo.

    Gostei das explicações detalhadas sobre os procedimentos, sobre os detalhes da “criatura”. Achei particularmente legal a cena da primeira comunicação, em que eles descobrem que a “criatura” ouve as coisas em outras frequências, dada sua aflição quando Maxxi tentou se comunicar com ela.

    Como pontos de atenção (se é que posso chamá-los assim) achei que as ações de Herc e Maxxi durante a primeira ligação soaram estranhas. Herc, que é quem faz a ligação, a faz sem objetivo algum e a conversa entre os dois me pareceu meio deslocada. Ele(a) é passivo(a) a conversa inteira e dá uma risada (sarcástica?) para depois desligar. Sei lá… não achei que contribuiu para a trama.

    Outro ponto é quando Garoo avisa Herc do “espécime” e ele simplesmente vai lá e reporta ao Maxxi na maior, tipo “ah, beleza então, vou reportar aqui pra esse cara que vai contra todos os meus ideais e pode por a perder a coisa toda se continuar metendo o bedelho”. Se Herc é tão com uma pulga atrás da orelha por causa das motivações de Maxxi (pelo menos foi isso que me pareceu), porque abre tão fácil a informação pra ele?

    Bem, acho que é isso. Apesar de parecer que enchi de pitaco nesse comentário, a real é que gostei muito da sua história. Não desista dela rs.

    Parabéns!

  5. Emanuel Maurin
    8 de setembro de 2018

    O Lançamento da missão Conquer, logo no começo tive que deduzir que tipo de missão era essa. Não me localizei na história. Acho que você deveria ter explicado que Garoo estava se esgueirando para ver partir de algum lugar, ou era a chegada? O que rasgava a aurora? Qual planeta? Também não foi explicado de onde veio a espécie, pelo menos eu não entendi de onde ela veio. Outra coisa que não entendi foi quando disse: ”Após algumas tentativas concluiu que se tratava de um equipamento de rádio rudimentar semelhante ao que sua própria civilização utilizara para enviar sinais nos “primórdios” da exploração espacial.” No meu ver um rádio não emite sinal primórdio, ele emite ondas. O texto teve algumas partes que tive de deduzir, mas no geral você é criativo e gostei do resultado como um todo.

    • Emanuel Maurin
      8 de setembro de 2018

      Me perdoe, ao reler meu comentário cometi um erro, quanto a emissão de rádio, desculpe.

  6. Anderson Roberto do Rosario
    7 de setembro de 2018

    Um conto coerente, satisfatório até. Mas no meu entendimento faltou explorar mais outros personagens e ambientação. Tudo ficou focado nos dois cientistas e suas divergências de ideias. No mais uma boa história, bem escrita e descrita. Boa sorte no desafio.

  7. iolandinhapinheiro
    6 de setembro de 2018

    Querido autor, vamos começar pelas partes boas: fora pequenos erros já apontados pela Fátima, o seu conto está perfeitamente escrito e enriquecido por uma linguagem que passeia pelo científico sem, no entanto, ficar inacessível em momento algum, e isso é muito, muito bom.

    O início do conto tem lá seus percalços, porque ele só vai ganhar todo o sentido depois que chegarmos ao fim do conto e entendermos a missão do astronauta capturado.

    Também saquei logo que o conto se passava num outro planeta e que os personagens cientistas eram não humanos, mas isso não foi problema para mim. O conto é um pouco chato no início e um pouco sem sentido, mas quando se estabelece o contato entre as duas espécies ele fica muito interessante e a fluidez é alcançada sem que a percamos de novo. O final dá aquela sensação de fichas caídas fazendo um link adorável com o início. E isso me ganhou totalmente.

    Nem sei se entendi direito, mas no meu entender, o ataque sofrido pela população daquele planeta fazia parte da missão planejadas pelos humanos que esperavam um sinal do astronauta capturado. Se eu não compreendi me perdoe, mas dentro do que eu entendi eu gostei muito.

    É isso, amigo, parabenizo-o grandemente.

  8. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    3 de setembro de 2018

    Esse texto tem dois erros, que já foram bem apontados, mas eu gostaria de comentá-los a meu modo.

    O ritmo “arrastado” que alguns notaram se deve ao fato de você optar por retalhar a narrativa e incluir flash-backs culturais. Essa escolha não funcionou: os flashbacks entregaram, logo no primeiro parágrafo, que tínhamos protagonistas ETs e você não tinha plot twist na história. A falta do plot twist não é, em si, o defeito. Nem toda história tem que ter isso, inclusive já está ficando irritante TODA HISTÓRIA TER (a minha inclusive). O problema é que você parece querer construir o conto para um, e ele não está lá. Isso transparece como uma falha.

    Eu discordo, porém, de algumas críticas que lhe foram feitas. Uma história com alienígenas não precisa necessariamente ser ficção científica e nem “conter ciência”. Contrariando o que pensa a maioria, eu não acho alienígenas muito diferentes de fantasmas ou de elfos, são apenas uma personificação do “outro” com o qual a humanidade tem de agir. Lembremos Clarke: “uma tecnologia bastante mais avançada é indistinguível de magia”. Os próprios textos de Lovecraft citados são mais fantasia sobre a ciência do que propriamente FC. A maior parte da FC não tem quase nenhuma base científica, apenas um “enfoque na ciência” em substituição ao folclore ou à religião.

    Também não acho, como sempre comento quando participo, que erros formais de pequena monta (gramática, ortografia, digitação) devam ser considerados para tirar ponto de um autor. A função do autor não é ser bom datilógrafo e nem seguir a norma culta servilmente, a função do autor é, primeiro, imaginar, segundo, criar histórias interessantes e, terceiro, escrever de modo que dê prazer de ler. Seu conto foi prazeroso de ler e, apesar de algumas falhas, está bem melhor, em minha opinião, do que outros que foram mais elogiados que o seu.

  9. Fheluany Nogueira
    1 de setembro de 2018

    Todos procurando a mesma coisa: contato extra-terrestre. Gostei dos nomes “Polaris”, a estrela mais brilhante da Ursa Menor, vem sendo usada para nortear os navegantes.; “Conquer” (conquista) para o projeto de pesquisa de vida no Universo; do uso da Equação de Drake que é usada para estimar o número de civilizações extraterrestres, com que haveria chances de estabelecer comunicação – o que é lido nas entrelinhas é muito significativo e são detalhes que dão certa credibilidade à trama, tornando-a mais verossímil.

    O conto tem uma dose de filosofia ao mostrar as visões diferentes dos cientistas e o confronto com o desconhecido. As dicas são para maior trato de sentimentos dos personagens e para a revisão gramatical de pontuação e algumas construções, por exemplo, o emprego do verbo haver, impessoal (haviam padrões) e colocação dos pronomes átonos no início de frases (Lhe restava uma última missão \ Se prendia a pequenas).

    São deslizes que não prejudicaram o todo , um trabalho muito bom.

    Parabéns. Abraço.

  10. Antonio Stegues Batista
    30 de agosto de 2018

    Então, um conto cheio de frases bacanas, termos científicos de acordo com a realidade humana (!), no entanto a história se passa em outro planeta. Quer dizer, a ciência é a mesma, o protocolo e os embates de opinião são os mesmos, diante do desconhecido. Pelos nomes dos personagens logo após a introdução, saquei que o espécime era humano, por conta também, que o processo de encontro seria o mesmo, se fosse o contrário. Mas sei que é muito difícil escrever algo diferente do ponto de vista “deles”. Para melhor compreensão, criamos então, elementos equivalentes ao humano. No final, o astronauta, sentindo que sua vida se extinguia, reuniu forças para mandar uma última mensagem para a base; Sucesso! Que significa, sim não estamos sós no universo. Boa sorte.

  11. Evandro Furtado
    28 de agosto de 2018

    Pontos Negativos

    – O andamento da história, em alguns momentos, é um pouco lento;

    Pontos Positivos

    – A linguagem adotada e seu uso são primorosos, tanto em relação ao vocabulário utilizado, quanto à estrutura frasática;
    – As descrições respeitam muito bem o gênero no qual se foi trabalhado, optando por um trabalho descritivo que contribui muito para a construção do cenário;
    – A história tem uma dramaticidade muito crua e pura. O sinal final mandando é um sacrifício, não de vida, mas de morte. O nome Conquer tem muito a se fazer refletir. O melhor está além do conto. É o que vem depois, suas possibilidades. O trabalho com o não dito é excelente.

    Balanço Final: Very Good

  12. Evelyn Postali
    26 de agosto de 2018

    Por mais que tenham escrito sobre isso – não deixe que o convençam de que o tema é batido – esse é um dos temas que mais gosto. Humanos sendo avaliados por extraterrestres. Já que a grande maioria do que li até agora em livros, ou vi através de filmes, apresenta o contrário. Gostei de sua história. Não é ágil, mas tampouco lenta. Está de bom tamanho para mim. Gostei de como você desenvolveu a história. É um roteiro bastante bom para mim.
    Eu também achei pertinente todas as informações que você colocou sobre a parte científica, muito embora eu não considere isso como fator essencial em um desafio cujas regras não dizem nada sobre isso. Acredito que tenham questões maiores para discutir, nesse caso, como um ser humano poderia agir dentro da situação que se apresentava. É estranho e desestimulante pensar que somente nós podemos ser visitados, que não podemos construir uma espaçonave capaz de visitar o espaço além do conhecido e encontrar outras raças.
    Então, é isso. Boa sorte no desafio. Abraços!

  13. Caio Freitas
    26 de agosto de 2018

    Oi Fermi. Achei seu conto um pouco arrastado. Em nenhum momento me senti curioso sobre o que ia acontecer depois, assim como, no final não ficou muito claro para mim qual mensagem você tentou passar. Achei que seria algo relacionado à dualidade Maxxi-Herc, mas isso também não veio, com certeza devido à restrição no tamanho do conto. No mais, boa sorte.

  14. Higor Benízio
    23 de agosto de 2018

    O conto ficou meio cansativo, tem algumas potencias interessantes, mas não as realiza. O tempo todo o narrador, por exemplo, enfoca que existe um confronto ideológico entre Maxxi e Herc, mas em momento algum isto é aprofundado, e poderiam surgir diálogos bons daí. O autor(a) perde um tempo excessivo em descrições que parecem pura burocracia, e os personagens não geram qualquer empatia. Quando parece que a coisa vai engatar, o conto acaba. Era a hora das emoções virem a superfície, e nada outra vez. Um conto estéril, resumindo. No mais, exitem momentos em que a repetição excessiva de “era” incomoda muito, vale enxugar.

  15. Pedro Paulo
    22 de agosto de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados.

    O conto se situa no tema, em uma premissa que inverte a situação do contato com o extraplanetário. Não é o primeiro autor a abordar a temática desta forma, mas é interessante visualizar que o conto “Alienado”, por exemplo, trata da exposição dos humanos ao grande público, conscientemente colocando em segundo plano a perspectiva científica sobre o alienígena, enquanto aqui ocorre o oposto, justamente ao colocar o ser humano, mais uma vez um espécime que inquieta as personagens, na mesa de experimentos. No entanto, o melhor do conto é o fato de que não coloca os experimentos e o sofrimento na centralidade da história, ao invés disso optando por mostrar as perspectivas das personagens, aqui evidentemente díspares, criando o principal conflito do enredo: as visões do que a chegada daquele humano representa para o mundo deles e as expectativas envolvidas nisso. Acho que soube “posicionar” as personagens muito bem, apesar de alguns momentos que em minha opinião poderiam ter sido retirados, pois pareceram só maneiras de reiterar o posicionamento de cada personagem, como quando se referiu a Garoo, dizendo que “era seu dever proteger o espécime dos exageros de ambos” ou no momento em que escreveu “o embate de ideologias era inevitável. Here se apegava ao racionalismo para justificar suas ações”. Para mim, os próprios diálogos e conflitos internos das personagens já tinham esclarecido os antagonismos de cada um. Mas saindo desses aspectos para avaliar o conto como um todo, reconheço agilidade em habilidade por ter feito o enredo fluir rapidamente enquanto determinando quem são as personagens e o plano de fundo do próprio mundo deles, assim nos fazendo entender a importância da nova descoberta. O final é outra coisa interessante, pois enfim somos transferidos ao ponto de vista do humano e temos a chance de ver suas intenções. Ficamos angustiados com a possibilidade de ficarmos sem saber, uma vez que ele estava claramente morrendo, mas então, nas últimas palavras a revelação, inclusive fazendo a conexão com o primeiro trecho do conto. A escolha da palavra se mostrou corretíssima: CONQUER. Nenhuma das personagens sabe, só especulam, mas nós terminamos sabendo que o pior de tudo os espera e que o futuro deles pode ser terrível. Chego a dizer que é um final infeliz e bem entregue. Parabéns e boa sorte!

  16. Bruna Francielle
    21 de agosto de 2018

    TEMA: Sim

    CRIATIVIDADE: (Spoiler) Um pouco antes da última parte saquei que o espécime era um humano, devido aos nomes estranhos das ‘pessoas’ que estavam lidando com ele. A reviravolta final não foi suficientemente diferente ou original para ser considerada criativa. Essa mesma ideia deverá aparecer em outros contos.

    INTERESSE PELA HISTÓRIA Baixo.

    ERROS APARENTES:
    Construção estranha de frases. Exemplo: . A reprovação por seus atos era tangível nos seus sentidos aguçados mas era completamente ignorada frente a percepção dos primeiros feixes de luz colorida despontando no céu. (Frase muito longa e sem pontuação.)

    PONTOS POSITIVOS: Aparente pesquisa em relação aos nomes oficiais das coisas que queria descrever. Ex.: “equação de Drake”, “simetria bilateral”.
    Interessante embate dos personagens Maxxi e Herc. Foi a parte menos enfadonha do conto.

    PONTOS NEGATIVOS: INVEROSSIMILÂNCIA: 1) Garoo é descrito como apaixonado, que iria a um lugar que não gostava para não perder o amor de Maxxi. No entanto, sua atitude seguinte é completamente oposta ao que havia sido descrito, com ele indo embora sem falar com Maxxi. Dificilmente um apaixonado faria isso.
    2) Dificilmente se um et aparecesse, um unico cientista ficaria responsavel por sua investigação.
    Descuido. O nome de Garoo foi escrito errado pelo menos 2x.
    Falta de clareza: Tive que ler a última parte 2x pra entender direito. E outras partes também.
    FRASE DE DESTAQUE: ” Antes que percebessem o que fazia, antes do último suspiro, teve êxito em enviar uma mensagem: SUCESSO-CONQUER-3″

    • Fermi
      22 de agosto de 2018

      Olá Bruna.

      Optei por algumas “construções de frases estranhas” propositalmente. Principalmente no início do conto pois queria que o leitor tivesse justamente a sensação de estranheza para perceber que algo não era normal ali. Se fosse um texto mais longo, poderia utilizar termos diferentes e explicar ao longo do texto. Também escolhi um estilo de narrativa um pouco diferente para cada personagem para refletir suas personalidades.

      Garoo (sim, passou pela revisão) não é um sujeito apaixonado. É cético, racional e um tanto viciado em trabalho. Acabei cortando uma sentença na cena que você notou o comportamento contraditório de Garoo que provavelmente ilustraria a natureza racional do relacionamento. Foi uma escolha que fiz pois achei a informação gratuita e incompleta na forma que estava escrita e não teria espaço para aprofundar muito a dinâmica da relação no limite do texto. Fez falta! De qualquer maneira, penso que se a relação deles fosse puramente sentimental, Maxxi teria uma baita irritação após aquela cena. (Alias, percebeu que não uso muito de emoções humanas ou mesmo de gênero quando trato dos personagens de Polaris?)

      Quanto a questão científica, trabalho com pesquisa e não é comum mas é possível trabalhar só em um projeto. Eu já trabalhei em uma pesquisa apenas com um coordenador e um pesquisador que não entravam no laboratório, ou seja, apenas 3 pessoas. Como era uma área isolada de risco biológico, o laboratório era só meu. Agora, isso aconteceria aqui na Terra se tratando de um alienígena? Provavelmente não. Mas Garro e cia não estão na Terra então usei licença poética para passar o peso da responsabilidade que recaia sobre Garoo.

      PS: Notei como o comentário ficou enorme. Me empolgo nas discussões!

  17. Sarah Nascimento
    21 de agosto de 2018

    Olá! Legal o seu conto. Achei interessante essa divisão das cenas que você fez colocando momentos do dia do Garoo e o que ele pensava e sentia naquela hora. Outra coisa que me chamou a atenção foram os nomes dos personagens, ficaram bem diferentes. Eu tenho um pouco de dificuldade para dar nomes aos meus personagens, pois só penso em nomes comuns, ou quando tento inventar, fica muito estranho. Então parabéns, os nomes ficaram ótimos.
    Algo que não ficou muito claro quando eu estava lendo, era o motivo do Garoo querer que os outros saíssem do laboratório. O que ele queria? Cuidar da criatura até ela morrer? Fazer mais testes? O que era exatamente?
    O início do seu conto me fez pensar sobre criaturas diferentes e o modo de estudar elas. Deve ser uma coisa bem desagradável e assustadora ficar numa sala cheia de máquinas ou monitores sendo observado por um ser que é desconhecido. Enfim, foi só uma coisa que pensei. Não estou fazendo uma crítica nem nada disso.
    O final do conto ficou bem legal, eu achei que o alienígena não ia conseguir ficar vivo pelo tempo suficiente. O clima no final do conto dá um gostinho de quero mais! A gente fica curioso pra saber o que aconteceu depois.

    • Fermi
      22 de agosto de 2018

      Olá Sarah.
      Pode não parecer, mas também sofro para nomear meus personagens.
      Garoo era responsável por aquela criatura. Herc e Maxxi estavam ali para impor suas perspectivas e influenciar suas decisões. Para Garoo ambos representavam um desvio da linha puramente racional e científica que pretendia seguir. Espero que tenha ficado mais claro.
      Particularmente gosto de contos que deixam aquela sensação de quero mais no final. Fico feliz que tenha causado essa reação em você.

  18. Rafael Penha
    20 de agosto de 2018

    Olá, Fermi!

    O conto iniciou um pouco chato para mim. Um excesso de adjetivos e uns dois parágrafos meio prolixos a meu ver. Entretanto, com o enredo tomando lugar da exibição de palavras, a história passou a me prender e pude apreciá-la com prazer.

    PONTOS POSITIVOS:
    A descrição da aurora como algo divino e cultuado me pareceu bem interessante, sem explicações demais, como uma ficção científica deve ser. A descrição da parte técnica me pareceu muito boa, tendo em vista que se tratou de estudos científicos dentro de um laboratório. Demonstra zelo e pesquisa por parte do autor. O mistério do que é o alienígena é instigante e o final em arco, satisfatório.

    PONTOS NEGATIVOS:
    Percebi alguns erros de pontuação no início, talvez pelo excesso de adjetivos que acabavam me tirando do enredo e me fazendo prestar mais atenção à gramática. No decorrer do conto, a história se acentua e os erros, ainda que raros, não me distraiam mais. Também achei a história pouco original, apesar de bem elaborada.

    Um conto bem escrito, com um enredo já batido, porém, ainda interessante.

    Grande abraço

    • Fermi
      22 de agosto de 2018

      Olá Rafael.

      O início também não é minha parte favorita do conto. Como comentei para Bruna quis causar sentimento de estranheza naquela cena. Acertada ou não, foi uma escolha consciente.
      Nós humanos não somos tão cordiais assim quando estamos em multidões. Rs. Agradeço os comentários.

  19. Wilson Barros
    20 de agosto de 2018

    A Ficção Científica tem que fazer jus ao nome e conter ciência. Realmente, nem todo mundo gosta, mas se você quiser escrever FC o jeito é ter ciência. O tema “alienígenas” é praticamente sinônimo de ficção científica. Alguns contos de terror de Lovecraft, por exemplo, contém aliens, como “Um sussurro nas trevas”, “A sombra lançada no tempo”, “A cor que veio do espaço”. Por isso todos se referem a Lovecraft como um “escritor que misturava terror com ficção científica”. Assim, acho que o tema deste desafio poderia ser descrito como “ficção científica contendo alienígenas”. Por isso, achei muito pertinente, em um desafio sobre alienígenas, o autor citar a equação de drake, que estima o número de civilizações alienígenas da galáxia com as quais poderemos estabelecer contato. Grande lembrança.
    O conto aqui repete uma ideia característica da maioria do desafio: os alienígenas são maus. Mais uma vez o terrestre é tratado como um animal, ninguém se importa se ele vai viver ou não, e se alguém é contra ainda leva um carão. Não estou fazendo uma crítica do conto, só dizendo que se houver vida inteligente e especializada fora da terra, provavelmente não vai ser ruim desse jeito.
    Aqui vemos um recurso estilístico muito bem usado pelo autor: a circularidade. Começa com algo que é referenciado no final, fechando o conto. Até onde eu sei, quem é boa nisso é a Martha Medeiros.
    A linguagem do autor é bem trabalhada, tendendo algumas vezes para o insólito, como o próprio parágrafo inicial. Muito interessante que a mensagem interestelar tenha sido o “jai guru” de que Lennon se apropriou na música “Across the Universe”. Em suma, um conto bem elaborado com uma linguagem rica em ourivesarias.

    • Fermi
      22 de agosto de 2018

      Olá Wilson.

      Tomei conhecimento da tal rejeição do público quanto a ficção científica. Por isso mesmo quis deixar bem claro que o conto era uma fc – sem disfarces. Prefiro sinceridade a enganar o leitor.

      Não considero os alienígenas de Polaris maus. Vou propor um exercício. Imagina um cientista humano. O trabalho dele se resume a: contaminar cobaias com bactéria, provocar alguns estímulos, tratar com medicamento ou placebo, observar as reações, sacrificar e autopsiar as cobaias. Ao longo dos anos, o trabalho do cientista ajuda a descobrir a cura de uma doença que mata milhões. As ações podem ser cruéis, mas o cientista é inerentemente mau? É um dilema tanto da ciência quanto do progresso.
      Os dois pontos principais que considerei quando estava elaborando o enredo foram:
      – Se há vida alienígena, eles são necessariamente mais inteligentes que os humanos?
      – Se nos depararmos com um alienígena mais inteligente, quanto nosso medo pelo desconhecido nos limitará em aprender com ele?

      • Wilson Barros
        23 de agosto de 2018

        O uso de cobaias é algo controverso; alguns são a favor, outros contra. As confusões com sociedades protetoras dos animais são constantes. Recentemente tivemos várias invasões em laboratórios para libertar animais que supostamente estavam passando por sofrimentos indizíveis; tudo isso é argumentado e reargumentado por dois lados.

        Mas aqui está se falando de seres inteligentes. Somente nazistas usam seres humanos como cobaias. Seres de outro planeta que encontrassem vida inteligente no universo e trancassem em um laboratório, ou em uma jaula, para estudá-los e fazer experimentos seriam piores que nazistas, pois estariam cometendo um crime não apenas contra um mundo alienígena, mas contra o seu próprio e contra o Universo inteiro.

        Espero que se um dia nos depararmos com vida de outros planetas não cometamos os mesmos erros que já ocorreram quando civilizações encontraram com outras desconhecidas, no nosso próprio mundo.

  20. Priscila Pereira
    18 de agosto de 2018

    Olá Fermi, tudo bem?
    Eu tive uma ideia parecida com a sua, se entendi bem, o alienígena na verdade é um humano que foi pego em outro planeta, né?
    Olha, FC não é minha praia e achei seu conto com muita explicações técnicas, isso tirou um pouco da agilidade e fluidez. Achei interessante e queria saber mais sobre esse planeta e seus relacionamentos, me pareceu que os pares eram formados por mais do que a livre escolha, queria saber mais mesmo. Não notei falhas na revisão e o enredo é satisfatório. Bom trabalho!
    Até mais!

    • Fermi
      22 de agosto de 2018

      Olá Priscila.

      Tentei dosar um pouco da ciência para o conto ser um pouco mais palatável aos que não gostam de fc. É uma pena que ainda tenha sido muito para você.
      Sim, seu entendimento foi perfeito. O espécime era um astronauta de uma missão exploratória que foi parar naquele planeta.
      Quis escrever mais sobre a civilização e o próprio embate de visões de Herc e Maxxi mas acabei escrevendo mais que o planejado.

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Informação

Publicado em 18 de agosto de 2018 por em Alienígenas.