EntreContos

Detox Literário.

Escombros de Nota (Rafael Sollberg)

Existe uma necessidade imperativa em situar o leitor. Qualquer best-seller começa com uma descrição entediante do clima ou paisagem. Algo como; “O maldito Sol está lá, fazendo o que sempre faz. Iluminando sem distinção todos os santos e canalhas. Cumprindo apenas seu papel cósmico e enfadonho de perpetuar vida escrota nesse planeta espetacular. Não há nada de mágico, somente a mesma merda clara e quente desde os primórdios. Portanto, cada aplauso e comentário sobre a magnificência do astro rei apenas desperta meu tédio, sede e náusea. Desperta minha figura esquálida e craquelada que insiste em existir apesar de todas as advertências e adversidades.”.

Quarta-feira 07/03/2018 – 07h30min

 

É preciso apresentar o personagem principal, dar um apanhado holístico para ir revelando sua pesnona ao longo das linhas. “Macho gama, com complexo de alfa, três metros e cinquenta de altura, dezessete quilos em cada cabeça. Olhos loiros e cabelos mareados. 10 dedos mindinhos. Esqueleto de chumbinho, destemido como uma azêmola esfaimada. Num universo invertido ser virtuoso atolado em vícios. Defensor ferrenho da não-violência armada. Emaranhado étnico/ético, pai adotivo de ideais imigrantes não legendados. Cor de pele camuflada,  sem farda ou medalhas. Musa fitness politicamente desorientada pelo seu enorme coração. Eclético é sua resposta padrão para todos os questionários. Moderno em arcaísmo contemporâneo. Em suma, um ente de luz.”

Sexta-feira 09/03/2018 – 20h22min

 

O mundo comum traduzido em “quarto-cela de paredes depenadas sem cicatrização, de uma metrópole-morta-que-ainda-não-se-deu-conta, onde  formigas olham com desprezo para o alto antes das pisadas auômatas, e rezam para uma praga bíblica restauradora. Vida na qual tudo é possível e nada há. Local exato de passagem de aproximadamente 200 pessoas entre 13:00 -13:30, maior concentração de jovens e idosos. Não é possível abaixar o som como num filme do Michael Bay”.

Domingo 11/03/2018 – mod: 23h13min

 

Para facilitar a conexão – buscando empatia tal qual um imperativo categórico – humanizar com um lembrança é pedra fundamental, pois “Quando minha avó morreu, uma Tia veio me consolar no funeral; ‘Não se preocupe’ disse, enquanto mordia uma maçã predestinada a quebrar dentaduras, ‘ela vai estar sempre ao seu lado, olhando por você’. Fiquei meses pensando nisso, tornando-me cada vez mais um adolescente sexualmente reprimido. Bastava entrar no banheiro, abaixar a calça, que automaticamente via a imagem da velha sentada na privada, balançando a cabeça com desdém. Não conseguia mais trapacear no banco imobiliário, colar nas provas e pular as roletas nos ônibus. Inegável que teve grande importância na minha vida e escolhas, afinal por sua causa me tornei Ateu, ainda que pouco convicto. Por isso quando escuto alguém dizendo que Deus está em todos os lugares, vigiando tudo, fico com extrema inveja do bastardo com o maior catálogo de pornô do planeta… ao vivo!”

Terça-feira 13/03/2018 – 22h42min

 

O ordinário também pode ser cativante, mas é preciso visualizar a mente da criatura, questionamentos e objetivos; “Em casa de anão tem papaiz?” Agora sou doador do Greepeace. Hoje ela finalmente me reconheceu. Pelo que entendi, cansou de trabalhar para o sistema e virou voluntária em tempo integral (já estava cansado de fazer cartões daquela maldita loja) Em protesto, escolheu o mesmo Shopping. Sem demora, perguntou se gostaria de contribuir para sua causa. A voz, perfeita e invisível, garantia força de sentença para qualquer frase pronunciada. Os gestos charmosos regendo como um maestro meus olhos de fantoche. Foi bom respirar toda a atenção daqueles segundos cronometrados. O silêncio dela ressonando em minhas células frenéticas, oxigênio tilintando nos vasos comprimidos. Nós dois por um instante.”.

Sexta-feira 16/03/2018 – 12h11min

 

O alivio cômico é um ornitorrinco desengonçado andando pela floresta, levando alegria para o caos mortal da cadeia alimentar. Pausa para lembrar que a imbecilidade é atávica. “Se fosse um terrorista (frouxo) de Hollywood pintaria os fios da bomba com cores trocadas, desse jeito nenhum policial conseguiria desarmá-las. Quando a tática virasse regra, daltônicos não seriam mais impedidos de seguir seu sonho. Até os cachorros de visão monocromática treinados para detectar explosivos poderiam se arriscar no novo oficio. De volta as trevas, restaurando o poder da sorte.”

Segunda-feira 19/03/2018 – 13h34min

 

O tempo é uma construção pouco compreendida. A confusão e a desordem suas principais características. Apenas tome cuidado com a beleza inebriante do anacronismo.  “Em sua infância Churchill teve uma professora que o avaliou ‘não possui nenhuma ambição’, enquanto sua colega advertiu ‘possivelmente a criança mais malvada do mundo’. Certamente uma delas morreria de remorso nas décadas seguintes. A natureza do momento é perfídia e não há ninguém que sobreviva incólume; eu, você, senhoras, um estadista, ou soldados em Dardanelos.”.  

Quarta-feira 21/03/2018 – 17h20min

 

Na hora em que o conflito se apresenta e o herói vai ao chão, a vida te encaixota, Helena ou não. “Juro que saí de casa pensando em salvar o planeta, mas quando cheguei lá percebi imediatamente que a necrose apocalíptica do meu mundo era irreversível. Os dois, com seus ridículos coletes verdes cheios de broches, “dançando” em sua própria atmosfera, desprezando o inferno neurastênico do ambiente hostil. Cena digna de um filme escroto do Wim Wenders. Ela, dolorosamente magnífica. Ele, a reunião de clichês de todos os livros estúpidos, um personagem que “dá de ombros”, “franze o cenho” e “gira nos calcanhares”. Num claro sadismo do destino olharam em sincronia – com o inverso proporcional ao respeito – pena em cada piscadela forçada. Deveria ter levantado o dedo do meio, em uma linguagem que não poderiam ignorar, ao invés de ter tirado uma foto apressada pela ira. As pessoas acham que salvar o mundo distante é moralmente mais nobre e gratificante do que sorrir e estender a mão ao próximo, bem próximo.”.

Sexta-feira 23/03/2018 – 20h20min

 

A repercussão do embate perdido é de extrema relevância para desmistificar seu Deus protagonista. A crueldade do jantar que precede a morte, antes da ressureição. “A vantagem da visão etílica é perceber além dos gestos. O câmbio de olhares dissimulados que não podem ser interrompidos pelo racional. Vontade presa no gargalo da garganta esperando a máquina de débito. Fingimento oportuno no resguardo do idiota esperançoso. Moeda lançada na mesa torcendo pelo lado que jamais irá sair. Provocação desnecessária do sujeito que sempre rebateu martelos e nunca usou carrancas em seus navios maltrapilhos. Temente que passa agora a corda no pescoço. Não existe banda. O ar-condicionado cria cicatrizes. O tempo gasto dói, equívocos descompensados. Meu beijo, Judas? Estórias e histórias, tanto faz, coração esburacado não reconhece diferença.. Lágrimas vão cair  por ter feito tudo certo. O pranto pela falta de ousadia, ‘covarde’ gritarão seus fantasmas.

‘Verdade’ retrucará do alto da bebedeira. Verdade… o fim é sempre belo. É sempre o “fim”.

 

Sexta-feira 23/03/2018 – 23h59min

 

O inicio da reviravolta deve ser emblemático, visual e moral, visando mostrar que ainda corre sangue nas veias entupidas do agente. O ar só termina quando você respira, enfim. “Abri a foto. Lancei meu celular na parede e, diferentemente do que pensam os escritores pouco originais, não explodiu em pequenos fragmentos formando uma nuvem cinza. Só perdeu o desafio de maneira digna e pouco dolorosa, caindo no tapete com um pequeno corte na testa, separado do coração. Dormiu até a manhã seguinte. Fiquei acordado, regurgitando ódio na boca dos meus demônios, alimentando o que há de pior em mim.”

Sábado 24/03/2018 – 23h03min

 

Uma época feliz coloca o personagem sobre nova perspectiva. O diálogo serve para dar agilidade ao texto e voz vibrante para o rosto opaco;

“O amor é bem complexo.”

“Complexo é montar um armário da Casa&Vídeo!”

“Pra isso existe manual, já para a vida…”

“Nunca ouviu falar em autoajuda ou quiz das revistas de moda? “

“Você entendeu o que quis dizer.”

“Não entendi. A verdade é mais fácil compreender Schopenhauer do que você. Chope? “

“Tá me chamando de idiota?”

“Ao contrário, estou atestando minha idiotice.”

“Por que sempre faz isso”

“O quê?”

“Subverte nossas conversas.”

“Sei lá, por que o céu é vermelho?”

“Não é vermelho!”

“Então, deve ser por isso. “

 “Idiota!”

“Concordo, estamos falando a mesma língua, cerveja ou chope?”

 “Esperanto!”

“Cerveja importada não!”

“Foi a língua criada para ser universal, não deu certo.”

“Não tinha álcool, repare que os bêbados do mundo inteiro falam o mesmo idioma.”

“Bêbados quase não falam.”

“Não precisamos, temos transmissão de pensamento.”

“Você não é bêbado.”

“Ninguém é perfeito. Mas não fico aqui apontando seus defeitos.”

 “Defeitos?”

“Não gostar de Família Soprano.”

“Não curto histórias de máfia.”

 “Pintar as unhas de vermelho.”

“A cor do céu…”

“Como alguém pode não gostar de zumbis?”

“Como alguém pode?”

“Nunca viu Chaves? Nunca deve se responder uma pergunta com outra.”

“Não sabia que Chaves era tão complexo. “

“Você enxerga complexidade em tudo! Cerva, chope?”

 “Sangria!”

“Desculpe, devia ter percebido quando me xingou de…”

“Idiota!”

“Estamos em loop?”

“Deja-vu.”

“Pior filme do Denzel.”

“Dia de Treinamento.”

“Acho que precisamos sair com outras pessoas.”

“A convivência sempre cobra seu preço. Chope, querido?

“Vamos pra casa. Um vinho, assistindo Walking Dead.”

 “Sex and the city!”

“House of Cards e não se fala mais nisso.”

“Muito complexa.”

“Mamma mia!”

“Falei, assistindo muito Sopranos.”

 “Breaking Bad, fechado?”

“Fechado! Mas não esquece de parar no supermercado pra comprar  cerveja.”

2002

 

O plano para a solução não pode ficar explicito, uma lista de supermercado com

“Molho de Tomate

Pimenta do Reino

Nitrato de Potássio

Enxofre

Bolas de Gude”

já é muita informação. “Cientistas descobriram o quinto estado da matéria, tal de Polarons de Rydberg. Na minha infância eram apenas liquido, sólido e gasoso. Depois do sucesso dos Caça-fantasmas surgiu o plasma. Essa nova descoberta é uma merda, mas em hipótese alguma vai frustrar meus planos de criação. Neutrinos escapando por todas as fendas, acelerando partículas em meu próprio Big Bang. Foda-se! Sei que pode ser traumático, mas não é possível ser tão seletivo com estopins. Como disse um jovem ativista estadunidense chamado Mário; ‘às vezes é preciso se lançar nos trilhos para parar o maquinário’”.

Segunda-feira 26/03/2018 – mod.20h22min

 

A certeza é a única constante que acompanha os imbecis. Portanto, a dúvida, que é maior invenção do autor, não é crível. Muito melhor reforçar a convicção. “Agora, quando escuto jovens casais fazendo planos de fuga nas mesas da praça de alimentação dum shopping condescendente, só consigo pensar em Marte ou Morte. Não reviro os olhos para não cansar a vista, mas meu estômago se revira em uma contrapartida irracional e biologicamente masoquista. Nosso perfeito corpo adora esse tipo de compensação, propositada ou não. As doenças autoimunes, bem como a porra do Sol, exatamente na nossa cara para comprovar essa e outras teorias, ‘porque eu prefiro ser… um sociopata que governa ratos nas tubulações dos imóveis condenados, do que ter àquela velha confusão formada sobre tudo”.

Sexta-feira 30/03/2018 – 18h17min

 

O melhor final aberto é o fechado. Leitores criando narrativas em lacuna já preenchidas. A verdade é que o não dito quase sempre acontece. O epilogo antes do fim não dá margem para nada, exceto para as imagens do sangue e corpos voando na praça de alimentação: “Sinto dizer, mas o infinito é finito. Tentar se afastar é um despropósito – demasiadamente infantil. Não adianta repousar sua cabeça encharcada sobre a mesa travestida de travesseiro. Tanto faz pingar os olhos ou lábios. Sorrir como um calhorda oco ou prantear o canto do cometa. Pouco interessa se você conseguiu pousar uma mosca em um projétil em movimento ou prendeu uma aranha num copo de cachaça. Fato é que você é perecível e, em breve, suas ideias (e ideais) também serão. Ao menos, terás uma recepção de gala pelos órfãos, revestidos por exoesqueletos. Um belo epitáfio de traças. O reconhecimento póstumo para quem não possui qualquer descendente, uma piada cruel.

O problema não é o fim. A questão é a continuação apesar do final. Pois nessa festa, serás sempre o convidado em coma alcoólico que desaba antes do ‘parabéns’. É, mas não existe glicose para o além, nem ressaca pós buraco-negro. Só existe ausência. Absoluta e irrestrita. E esse inevitável vai chegar – como três reis magos golpeando o seu peito enfermo – será sempre reconfortante saber que até o infinito tem um fim.

Sexta-feira 06/04/2018 – 24h00min

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41 comentários em “Escombros de Nota (Rafael Sollberg)

  1. Amanda Dumani
    27 de abril de 2018

    Texto bastante longo e talvez por isso algumas passagens são bem mais fracas que outras. Pode ser sua intenção. Variar a escrita como se varia o humor ou a inspiração. O problema é que em um conto longo e segmentado isto mais atrapalha do que ajuda. Como pontos positivos: adequação ao tema e frases de efeito bem construídas.

  2. Matheus Pacheco
    27 de abril de 2018

    Olha, não achei ruim, a unica coisa que me incomodou um pouquinho foi o jeito que foi escrito, não me pareceu muito um experimento como alguns posteriores, pareceu muito mais uma história usada para “testar” a habilidade…
    Digo que nesse desafio eu estou julgando muito mais a forma que o conteúdo, e por mais que eu tenha gostado da história a forma não me cativou…
    ótimo conto, abração ao escritor

  3. M. A. Thompson
    27 de abril de 2018

    Olá autor(a), parabéns pelo seu conto.

    O problema do experimentalismo é que não podemos contar com a expertise adquirida com as narrativas mais ortodoxas, menos e não experimentais.

    O seu conto por exemplo, só consigo descrever como de um escritor mal humorado escrevendo bilhetes para si mesmo, sem um fio condutor que mostrasse algo com começo, meio e fim. Aliás, isso aconteceu com diversos contos desse desafio, em minha opinião é claro.

    A palavra “pesnona” não encontrei, seria persona? Greenpeace também foi grafado errado.

    Boa sorte no desafio!

  4. Gustavo Aquino Dos Reis
    27 de abril de 2018

    Gostei da escrita, um enredo que navega pelo mar revolto que é a arte de escrever. Amo referência e a tua obra é prenhe delas.
    Eu só achei que faltou mais corpo nessa narrativa. Algo que me impactasse. Porém, em nada tira o brilho do teu trabalho.

    Parabéns.

  5. Thata Pereira
    26 de abril de 2018

    Um ótimo texto para fechar o desafio. Ainda mais para mim, que li tudo debaixo para cima, então esse foi o último. Gostei particularmente da frase “O melhor final aberto é o fechado”.

    Eu só achei ele muito longo, acho que não precisava tanto. Não sei se a data começa no dia que o desafio abriu. É? Mesmo assim, acho que cortaria uma coisa entre um parágrafo e outro, porque alguns trechos acabam ficando mais atrativos que o outro (apesar da escolha deles ser bem particular para os leitores).

    Adoro contos/textos que fazem críticas a contos/textos.

    Boa sorte!!

  6. Luis Guilherme Banzi Florido
    26 de abril de 2018

    Boa noiteee! Td bem?

    Ufa, haja experimentalismo no seu conto. Gostei do formato do conto, pelo visto anotações de um escritor meio mal humorado, cansado dos cliches do processo criativo e reflexivo. Talvez alcoolizado, em alguns momentos, o que explicaria a maluquice em que o conto se transforma, às vezes.

    Senti falta de um enredo mais elaborado. Ou talvez eu não tenha captado um. Me pareceu que o conto se baseia mais no formato e estetica, mas acabou ficando um pouco cansativo, pra mim.

    Ainda assim, tem momentos muito bons, como aquele do dialogo, a melhor parte, pra mim.

    Enfim, um conto bem maluco, fechando bem um desafio com tantas doideiras. Gostei, mas achei que se arrastou e ficou muito longo.

    Parabens e boa sorte!

  7. Daniel Reis
    26 de abril de 2018

    Gostei muito da temática (o processo de criação) e do formato, como anotações em determinados momentos, até chegar ao deadline. Somente, e a meu ver, os maneirismos bukowiskianos e a falta de um fio condutor narrativo prejudicaram um pouco a compreensão do universo do escritor a esmo. Boa sorte no desafio.

  8. Luís Amorim
    26 de abril de 2018

    Texto excessivamente longo, com algumas partes bem escritas, outras pecam quanto a mim pelo calão utilizado. Mas essencialmente sinto aqui a falta de um enredo com uma trama, reviravoltas inesperadas, algo que surpreenda.

  9. Catarina Cunha
    26 de abril de 2018

    Frase chave do fim do mundo: “ “Juro que saí de casa pensando em salvar o planeta, mas quando cheguei lá percebi imediatamente que a necrose apocalíptica do meu mundo era irreversível.”

    Este é o último conto deste surpreendente desafio. Encontrei ótimos experimentos na forma, vocabulário, estrutura, trama, imagem e idiomas. Mas nenhum foi tão ousado e carnal como este.

    Aqui vi as entranhas do escritor expostas na vitrine da internet. Um fluxo de consciência descompromissado com o leitor, mas extremamente competente em sua execução.

    Nada falta, nada sobra, tudo se completa nesse infinito fim.

    Magnífico.

  10. Evandro Furtado
    26 de abril de 2018

    Um bom conto pra encerrar o desafio. Quase um ensaio sobre o ato de escrever, faz alegorias com a vida e com a criação do universo, o que é algo, de fato, bastante original. O escritor é mesmo um deus, entediado demais com o seu mundo que passa a criar outros para se distrair.

  11. Priscila Pereira
    25 de abril de 2018

    Olá Sr,
    Aposto que o seu texto tem inúmeras interpretações… Eis a minha: esse é o bloco de notas de um pretenso escritor com hiperatividade de pensamento. Kkk
    Ele escreve todas as frases de efeito e qualquer ideia que possa ser aproveitada em seu romance que pretende ser fora do comum e livre de clichês.
    Bem, pode ser isso, pode não ser. Se puder esclarecer no final do desafio eu agradeceria.
    Parabéns e boa sorte!

  12. Amanda Gomez
    25 de abril de 2018

    Olá!

    O texto é muito interessante e bem estruturado… de inicio imaginamos que estamos em um processo de criação do escritor, mas logo percebemos que vai muito além disso. O personagem, um sociopata, narra sua vida e sua intenções como uma história, um roteiro de filme manjado. E é assim como tudo funciona, as tragédias sempre tem um estopim, sempre tem sinais, sempre seguem uma linha que todo mundo já conhece, é como um dejavú.

    O personagem aqui, marca seus passos e planos como um autor amador escrevendo mais um clichê, a vida é um grande clichê… pelo menos a forma como a gente está acostumando a vivê-la. Achei interessante a forma como ele se desenha, em um trecho diz como deve ser a personalidade do protagonista e este deveria ser ordinário, mas cativante.

    O texto todo apresenta muitas frases de efeito que funcionam muito bem com o leitor, se fosse em um livro eu teria marcado com vários post it.

    O experimentalismo não está na forma, nem no enredo está na construção das ideias, mesmo sutil está presente.

    Parabéns pelo texto, boa sorte no desafio!

  13. André Lima
    25 de abril de 2018

    É interessante, beira o non-sense, tem uma estrutura maluca, mas muito contemporânea.Trata, também, de meta-linguagem. Seria um narrador bêbado a nos narrar a história?

    É bem escrito, mas longo demais. A experiência é interessante, mas não conseguiu me agradar muito por conta do ritmo arrastado.

    Considero um bom trabalho, porém.

    Parabéns pelo conto (?) e boa sorte no desafio!

  14. Rubem Cabral
    24 de abril de 2018

    Olá, Mr. Shit Ruler.

    Gostei do texto (não ouso chamar de conto). De início pensei que acompanharia a criação de um texto, desde a abertura a falar do clima, a apresentação do cenário, dos personagens, mas o texto tomou algum desvio em certo ponto. Achei divertida tanta rabugice, tanto pessimismo e cinismo. Os diálogos ficaram engraçados e a conclusão muito boa. Vi um ou outro erro de acentuação ou pontuação, mas foram coisas pequenas; o texto está bem escrito e tem referências “a tordo e a direito”.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  15. Paula Giannini
    22 de abril de 2018

    Olá auto(a),

    Tudo bem?

    Este é o último conto que leio no desafio. Um certame que, para mim, teve um gosto especial na leitura. A cada novo conto, explorei novas formas de se contar uma história e só tenho a agradecer a todos os autores que participaram e me ensinaram tanto.

    Aqui, neste trabalho, deparei-me com notas ordenadas por um autor-personagem (não sei ao certo o quanto há de auto ficção em seu trabalho) muito organizado e consciente de seu ofício. É o ato da criação observada do ponto de vista cerebral, com o passo a passo daquilo que um bom conto (ou mesmo romance) deve conter, desde a abertura e apresentação dos personagens, até o seu final.

    Interessante notar, no entanto, que, embora as notas mostrem este viés da criação enquanto teoria, vemos no conteúdo de cada uma delas, um(a) autor(a) apaixonado(a) e cheio(a) de questionamentos e nuances, entregando-se à criação com paixão, ironia e até autocrítica. Não sei o quanto há de auto ficção, aí, repito, porém, certamente, há muito de cada um de nós em cada um de nossos trabalhos e acredito que, de um modo ou outro, deu para se entrever um pouco do processo de trabalho na bela verve do(a) próprio(a) autor(a).

    Sua verve é ótima no que toca as notas, na organização das tais teorias e os diálogos denunciam seu talento de um(a) provável roteirista. Com um dos pontos altos no momento em forma dramática, com falas que, ao passo que discorrem sobre um determinado assunto, intercalam comentários aleatórias assim como é em qualquer conversa trivial na vida. Muito bom.

    O questionamento que fica, na cabeça dessa autora-leitora aqui, é o quanto a aquisição de conhecimentos e teorias são capazes de influenciar nossos trabalhos de modo a produzir uma espécie de ruído nos textos? Quanto mais sabemos mais nos criticamos? Até que ponto conseguimos manter nosso escritor intuitivo diante de tantas normas pré-concebidas e estabelecidas para aquilo que se pode considerar uma boa literatura.

    O final é um primor. O momento quando o(a) escritor(a) entrega sua criação ao leitor. Ela já não é dele. É como diria Clarisse Lispector, algo morto para o(a) criador(a) e o leitor que interprete e faça com aquilo o que bem quiser.

    Desafio encerrado com chave de ouro.

    Parabéns.

    Sucesso no certame.

    Beijos
    Paula Giannini

  16. Ana Carolina Machado
    21 de abril de 2018

    Oiii, achei o conto criativo, principalmente na forma em que a história foi narrada por meio das notas, também gostei das breves reflexões sobre a estrutura dos textos que aparece no começo das notas, sendo que dessas a que mais gostei foi a que falou sobre o final em aberto que juntou bem com o final. Gostei daquele diálogo em que os personagens citam séries única observação que faço sobre ele é que faltou citar Game of thrones, brincadeira rsrs, Got é minha série favorita tinha que falar dela. Parabéns. Abraços.

  17. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Mr. Shit!

    Um bom conto experimental, bastante adequado a nossa realidade cada vez mais imediatista de ter em mãos ferramentas para registros curtos e, não necessariamente, coerentes. Ainda bem que, pelo menos, a coerência, esse anacronismo, você ainda manteve. Mas não deixa de ser curioso o fato de que a ideia da coletânea de textos curtos tenha deixado o conto tão grande (com certeza um dos maiores do desafio).
    Não vou reclamar sobre o enredo, pois acredito que há sim uma sequência lógica de eventos que envolve sobretudo a linha de pensamento do personagem. Que no meu entendimento está a escrever, ou a se preparar para escrever algo (a julgar pelas datas, esse algo era justamente o objeto do desafio do EC). Essa metalinguagem ficou interessante, bastante mal humorada e cínica.
    Por outro lado, o tamanho do texto me cansou. O tom em clima de reclamação é pesado e foi me afetando aos poucos. A conversa de 2002 também me pareceu fora de contexto. Posso não ter pescado seu sentido no conto, mas achei que destoou do restante e pra mim soa desnecessária.
    Mas, como disse no início, é um bom conto.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  18. Evelyn Postali
    21 de abril de 2018

    E danem-se as regras de escrita, afinal, é experimental. Não. Não é possível afirmar que você não as usou. As regras de escritas estão aí, todas aplicadas nesse texto. Porque está bem escrito. Eu o considero como um relato. Apesar de ter um diálogo (?) ele não me pareceu pertencer ao todo da história. Senti muita desconexão entre as partes. Mas, afinal, o que eu queria? É experimental e sendo experimental está dentro do desafio. Eu tive muita dificuldade em ler, mas essa questão é minha. Senti que poderia haver um começo, meio e fim, apesar de tudo. Eu busquei por essas relações apesar de tudo. Se eu gostei? Em parte. Acho que pela falta de encantamento, talvez, mas é um conto bem escrito, dentro do desafio e me fez pensar em nuitas passagens. Então, é válido. Muito válido.

  19. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Olá, autor. Surpreendente, esse seu texto. É um conto multidimensional, complexo, escrito numa linguagem irrepreensível, com indicação do momento de escrita, que aumenta a ligação com o leitor e que termina no final do prazo de entrega dos contos deste desafio – o que, a ser verdade, implicaria a sua desqualificação, porque era impossível terminar o texto, sem revisão, em poucos segundos. Estamos, portanto, perante um texto onde o escritor tentou, propositadamente, enganar o leitor – o que, na realidade, é algo assumido em literatura, desde o início dos tempos.

  20. iolandinhapinheiro
    20 de abril de 2018

    Olá, autor!

    Finalmente cheguei ao último conto do desafio e não sei o que dizer. Eu esperava ler um conto, mas o que encontrei foram roteiros sobre a arte da escrita em reflexões de alguém que ainda não tem o texto pronto, apenas ideias, contornos do que virá a seguir. Fiquei sentindo falta de uma história, um personagem para me apegar, emoções, e penso que, talvez o personagem seja exatamente o escritor com os seus conflitos e divagações.

    Não há dúvidas de que vc escreve muito bem, há inúmeras passagens esculpidas com a destreza de um escritor maduro, que atestam o indiscutível valor literário do seu texto, mas ainda assim eu estava esperando uma história, uma vida alheia para embalar meu dia.

    Claro, minha opinião vai se perder no meio de tantos comentaristas embevecidos com o seu texto. O experimentalismo existe e não apenas como um aspecto do conto, mas domina toda a sua extensão. Talvez aí resida o problema. Não me senti convidada a mergulhar na sua trama (nem há exatamente uma trama).

    Como falei no primeiro parágrafo do comentário, nem sei o que dizer, então desejo boa sorte e sucesso no desafio. Abraços.

  21. Bianca Machado
    18 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————
    .

    Um conto intenso, insano, foi assim que senti minha leitura do seu texto, autor/autora. Sei que não entendi várias coisas, mas do que entendi eu gostei. Um
    ponto negativo: o tamanho, em alguns pontos senti um cansaço, provavelmente nas
    partes em que não entendi muito bem. Mas é experimental ao extremo e, além de
    tudo, bem escrito. Essa citação da Helena encaixotada foi ótima, boa sacada.

    Parabéns!

  22. angst447
    18 de abril de 2018

    O conto termina com a data do prazo final para o envio dos textos. Bem sacado isso.
    Há muitas referências que apontam para um escritor muito influenciado pelo excesso de informações, o que deve ser muito angustiante.
    A leitura já terminou e eu ainda estou com aquele “a vida te encaixota, Helena ou não”, ecoando lembranças de um dos filmes mais tenebrosos que eu já vi.
    O conto está muito bem escrito, ostentando muita criatividade e experimentalismo. A ideia de trazer anotações via celular como forma de um processo criativo foi bem bacana.
    Gostaria que fosse um pouco mais curto para que eu não me perdesse no labirinto das suas palavras.
    Só senti falta de uma crase em “de vola às trevas”.
    Não é um conto para qualquer leitor, pois implica uma compreensão mais profunda e causa uma certa colisão de ideias. Mas isso é mais um mérito da sua criação.
    Boa sorte!

  23. Fabio Baptista
    18 de abril de 2018

    Como eu sempre digo: the best for last. Mentira, quem diz isso é o Billie Joe antes de tocar Good Riddance, mas talvez ele diria se tivesse participado do desafio também.

    Experimental, insano e bem escrito ao extremo. Várias passagens divertidas como um filme da Marvel (isso é um elogio! Eu adoro os filmes da Marvel!), tiradas inteligentes, frases de efeito, todos os ingredientes que tornam uma leitura agradável. Talvez (essa é a parte em que preciso ser chato para não pensarem que fui abduzido e trocado por um robô, tipo aconteceu com o Zuckerberg) o conto tenha se alongado um pouco além da conta, perdendo um pouco de seu impacto. Sim, eu leria com prazer um livro inteiro nesse estilo, mas, para o desafio, talvez fosse melhor uma leve enxugada.

    Destaque também para o experimentalismo “real” de enviar o conto no limite do prazo, casando com a última nota.

    Excelsior!

    Abraço.

  24. Sabrina Dalbelo
    18 de abril de 2018

    Olá,
    É um relato experimental bastante rico de conteúdo, conceitos e formas.
    Dentro de nosso desafio, encaixa-se perfeitamente ao proposto, ainda que – acaso fosse retirado de tal contexto – talvez corresse o risco de ficar vago demais.
    Mas isso não importa. Estamos aqui, de mente aberta, vendo escritores com um vocabulário vasto e bem aplicado, como tu, esbanjando experimentalismo.
    E é dentro do tema que eu acredito no conteúdo das notas.
    Falo em acreditar por uma questão bem pessoal, com apoio nas minhas notas, que estão mais para palavras soltas.
    Parabéns.

  25. Anderson Henrique
    17 de abril de 2018

    Costumo dizer que dá pra sacar nas primeiras linhas se o autor tem estrada e sabe o que está fazendo. Foi a impressão que tive ao iniciar o texto: tá confuso, mas esse cara não tá fazendo isso gratuitamente, deixe-me ler com atenção e ver aonde ele vai nos levar. Gostei do formato em pequenas notas (que imagino terem sido registradas em um celular). Gostei também do tom pessimista e trágico do protagonista que está o tempo todo refletindo sobre a grande obra que vai escrever, que precisa ser isso e aquilo para dar conta do sucesso daquela empreitada. O diálogo é muito, muito bom. É um texto quebra-cabeça, que exige que o leitor faça os remendos, preenche as lacunas. Foi uma viagem muito interessante. Parabéns.

  26. Higor Benízio
    13 de abril de 2018

    A ideia de escrever um conto através de notas de celular, ao meu ver, já seria experimentalismo o suficiente. Não precisa encher o texto com frases e parágrafos malucos que só fazem cansar o leitor. Talvez se tivesse apostado em notas mais verossímeis, que realmente retratassem uma vida comum por notas de celular, o texto seria bom.

  27. Ricardo Gnecco Falco
    11 de abril de 2018

    PONTOS POSITIVOS = O experimentalismo. Temos aqui um texto que pode ser tudo: incompreendido, confuso, absurdo, insano, sem enredo, pessimista… Mas, de uma coisa ele definitivamente não carece. E esta coisa é exatamente o experimentalismo. O autor ousou e, abusando ou não, experimentou. E por isso só já merece os parabéns.

    PONTOS NEGATIVOS = Talvez, justamente, o excesso de experimentalismo. O pecado aqui foi a ‘gula’; o desejo voraz de escrever com base apenas no tema, sem deixar espaço para a sobremesa que é exatamente a responsável por açucarar o sabor de uma boa leitura; de preparar a mente no leitor para uma digestão capaz de saciá-lo, de deixa-lo – ao final – satisfeito com a refeição feita.

    IMPRESSÕES PESSOAIS = O autor escreve (muito) bem. É, provavelmente, um existencialista nato. A visão pessimista de seu alter ego pode até enganar, mas no fundo a essência das canetadas sobre o papel impiedosamente rabiscado revela (pelo menos para este leitor aqui) alguém muito inteligente, sensível, porém lógico acima de tudo. E esta altivez é, ao meu ver, resultado de uma difícil constatação… A de que somos, todos, apenas micróbios flutuando em um universo até que finito, porém loooongo em demasia. Improfícuos micróbios humanos que, como no caso de todos por aqui neste certame, ousamos escrever a este respeito. Ou seria um desrespeito…?

    SUGESTÕES PERTINENTES = Passar a escrever textos “Hot” para publicar em ‘editoras’ famosas, tornando-se rico e celebrado entre os micróbios-celebridades e amebas-leitoras. Em outras palavras, ser ‘feliz’.

    Boa sorte no Desafio!

  28. Paulo Luís Ferreira
    10 de abril de 2018

    Assim como flashes da vida, – ou coisas da vida – cotidiana o enredo procura fazer esses recortes à moda dos diários, conforme as datas citadas na base dos parágrafos, – provável horário em que o autor se dedicou a digitação de suas ideias, culminando com o último minuto do presente certame para envio do trabalho, uma ideia especialmente criativa, e porque não, experimental, pois por pouco não ficou de fora; ks, ks, ks… – talvez por isso tão díspar e multifacetada à temática do enredo. Mas que deflagra situações, – questionamentos – por demais pertinentes aquilo que o autor quer formular como suas intenções. Entretanto a narrativa atropela o raciocínio lógico de nós, (Eu) de parca compreensão para o entendimento objetivo do que esteja realmente querendo dizer. – e ao mesmo tempo dizendo muito –. Ficando “nós” na trivial admiração pela bela escrita, repleta de ricos vocábulos, e suas antíteses. Contribuindo assim, em muito para a tão bem posta performance literária. Justificando o título, como bem diz: está “cagando regras” para os maus entendedores. A estes, às batatas, e ou, bulhufas!… Pois cabe a nós aprender a ver, (ler) habituarmos a mente à calma, à paciência, deixar que as coisas se aproximem de nós ao seu tempo; precisamos, pois, aprender a facilitar o juízo, concatenar o pensamento dando percepção às dificuldades da compreensão a partir de todas as perspectivas.

  29. jowilton
    9 de abril de 2018

    Eu achei muito bom. A escrita é fervorosa, tem paixão e chicoteia o leitor. Mesmo não entendendo certas passagens filosóficas, gostei bastante.Talvez, por isso, não tenha achado excelente.Ninguém gosta de ter a impressão que não é tão inteligente assim. Não é mesmo? Kkkkkkkkk Sem dúvida bsstante experimental e muito bem escrito. Aqueles diálogos no meio do texto têm assinatura. Ótima técnica, boa criatividade e alto impacto. Boa sorte no desafio.

  30. Mariana
    9 de abril de 2018

    As pessoas acham que salvar o mundo distante é moralmente mais nobre e gratificante do que sorrir e estender a mão ao próximo, bem próximo.

    Eis uma verdade. Um texto construído utilizando muito da metalinguagem, sobre as reflexões do autor durante o processo. Um outro trabalho já tinha apresentado esse recurso, mas aqui o mesmo é levado ao extremo. Nesse sentido, a quantidade de elementos absurdos me desgastou (é comum forçar a barra nesse sentido, quando pensamos em experimentalismo) – autor, nada mais estranho que a normalidade. O final apresenta uma relação, a partir das referências do casal. Pop. Apesar de um enredo confuso, gostei do conto.Uma revisão, atenuando essas tintas surreais, e teremos um texto digno de David Lynch.

    Ps: Peguei a referência do Encaixotando Helena.

    Parabéns e boa sorte no desafio

  31. Antonio Stegues Batista
    9 de abril de 2018

    O autor fez um experimental até no pseudônimo. A proposta é mostrar o processo criativo na literatura. Parece que o horário é o do momento em que cada paragrafo foi escrito e não de um diário, acho que há um problema de concordância aqui. O conto principia, é claro e lógico, no prólogo, na apresentação do ambiente. No universo do protagonista parece que existem apenas dois tipos de pessoas,” os santos e os canalhas”. O sujeito é declaradamente pessimista mal humorado, pois do ponto de vista dele, a Vida é uma droga, não vale nada. Parece que ele é um dos canalhas. Fora dessas considerações, a narrativa é cheia de parábolas, frases com sentidos figurativos, aliás, duplo sentido, sendo algumas enigmáticas entendidas apenas pelo autor da ideia. Acho que houve um excesso de rebuscamento que prejudicou exatamente ela, a ideia. Boa sorte.

  32. José Américo de Moura
    8 de abril de 2018

    Esse sim é tão experimental que não deu para acompanhar. O autor conhece muito e escreve muito bem, mas é muito complicado de entender, me desculpe e boa sorte, você com certeza será um dos finalistas.

  33. Cirineu Pereira
    8 de abril de 2018

    Experimental? Sem dúvidas.
    Conto? Não em meu entendimento. Falta enredo.
    Uma aposta arriscada e, ao meu ver, frustrada.

  34. Ana Maria Monteiro
    8 de abril de 2018

    Olá Mr. Shit. pelo que consegui compreender (e não foi fácil) você fez um diário do processo criativo.
    Em minha opinião ficou demasiado experimental.
    Tal facto não retira o mérito à escrita, à ideia, ao autor (que tão bem escreve) e muito menos à participação num desafio em que o tema era experimentalismo.
    Li duas vezes, uma ontem e outra hoje. Ontem pensei que estaria com problemas de entendimento; hoje talvez se mantenham porque não compreendi bem.
    No entanto, o seu final é magnífico e destaco tudo quanto vem em seguida. Bom demais!
    “Tanto faz pingar os olhos ou lábios. Sorrir como um calhorda oco ou prantear o canto do cometa. … Fato é que você é perecível e, em breve, suas ideias (e ideais) também serão. … A questão é a continuação apesar do final. Pois nessa festa, serás sempre o convidado em coma alcoólico que desaba antes do ‘parabéns’. É, mas não existe glicose para o além, nem ressaca pós buraco-negro. Só existe ausência. Absoluta e irrestrita. E esse inevitável vai chegar – como três reis magos golpeando o seu peito enfermo – será sempre reconfortante saber que até o infinito tem um fim.”
    O texto está recheado de algumas pérolas, mas falta-lhe certa dose de coerência. Enfim, devo convir que nem sempre somos coerentes – no processo criativo, nas decisões, na vivência de cada dia, em tudo.
    Mas gostei e atende perfeitamente ao tema.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  35. Fheluany Nogueira
    8 de abril de 2018

    Entendi que as notas, aqui, se referem ao funcionamento das peças estruturais para uma escrita eficaz: o remetente (Shit Ruler, por isso são escombros), o leitor, o código, a mensagem e o veículo. Há uma referência clara, ainda, sobre os elementos da narrativa: argumento, personagens, narrador (Gostei muito do trecho sobre onisciência.), espaço, tempo, conflito, reviravolta, protagonista, diálogos (bem interessantes e irônicos), verossimilhança e credibilidade, continuidade e o epílogo. São interessantes reflexões metalinguísticas, com uma pitada de filosofia niilista existencialista, com visão cética e radical em relação às interpretações da realidade. Portanto, o conto traz um assunto sério, mas apresentado em formato divertido e aparentemente desconexo. Gostei. Bom trabalho experimental. Parabéns pela ideia e execução. Abraço.

  36. Renata Rothstein
    7 de abril de 2018

    Olá, Mr. Shut Ruler,
    Muito bom e embora inicialmente um tanto confuso (precisei ler duas vezes, com atenção), cheguei à conclusão de que tudo gira em torno desse nosso momento – momento que na verdade não está, é.
    Você escreve muito bem e mesmo com a rapidez da narrativa e aparente mudança de assuntos, a reflexão é profunda, e inevitável.
    Vi apenas um “pesnona”, que seria persona, nada mais.
    Não me envolvi a ponto de dizer Uau!, adorei, mas você está de parabéns pelo conto, pelo dia em que foi enviado (inclusive acredito que sua inspiração veio daí, do shit ruler, será?), enfim, parabéns e muito boa sorte!

  37. Rose Hahn
    7 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé, a do “joelhaço”:
    . Escrita: Bagual (tradução: porreta);
    . Enredo: Não entendi bulhufas, o que é positivo, dado o tema proposto;
    . Adequação ao tema: Sem pé, nem cabeça, vai pras “cabeças” do Top10;
    . Emoção: Risinhos lacônicos em “Em suma, um ente de luz.”
    . Criatividade: Muita, Stephen Hawking ficaria orgulhoso.

    . Nota: Mais do que vc. imagina.

  38. Angelo Rodrigues
    7 de abril de 2018

    Caro Shit Ruler,

    gostei do seu conto. Uma saraivada de opiniões, uma pulverizada de conceitos, tal como fosse o conto uma bombinha de laquê mantendo o cabelo fino do leitor em pé.
    Tive que ler com cuidado, frase por frase, dado que elas, como uma vassourada na poeira, soltava fragmentos pra todos os lados que não queria perder.

    Puro diversionismo e descompromisso com a comum lógica narrativa.
    Há aqui no desafio um outro conto que põe o leitor dentro de um balde e o chacoalha, e foi assim que me senti lendo seu conto, como lá também me senti. Isso não é mal, mas tem seus riscos. Mal não é o confuso, mas a ausência de regras na confusão. Ambos fazem o mesmo. Ambos têm o mérito por tomar tal caminho e produzir uma narrativa interessante.
    Ler de baixo pra cima, de cima pra baixo, em outra língua, em números estranhos etc. Todos, por mais absurdos que possam parecer, acabaram por seguir o seu próprio trilho lógico, sua regra interna e, por conseguinte, o deslinde que pacifica o leitor. O seu, ao contrário, teve fibra, desregulou a narrativa e manteve o balde chacoalhando.
    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  39. werneck2017
    7 de abril de 2018

    Olá,

    Somos todos idiotas esperançosos, não é? De um dia melhor, um dia feliz em um planeta que não se destrua a si mesmo. Do que eu apreendo, trata-se de um escritor tentando construir um texto à medida que seu processo criativo lhe lança dúvidas existenciais. O texto é bem escrito e se adequa perfeitamente ao tema, mas não houve conexão comigo enquanto leitora da narrativa. Faltou o elo da empatia, sabe? Aquele tchan que te tira do outro lado da tela e te imerge no contexto da trama. No mais, boa sorte no desafio.

  40. Regina Ruth Rincon Caires
    7 de abril de 2018

    Que reflexão! Que luta, meu companheirinho! Você realmente EXPERIMENTOU!!! Cara, como você escreve bem!

    Fiquei atenta aos horários colocados ao final de cada trecho. Foi fundamental para o entendimento do texto, para tentar dar uma nova edificação aos “destroços”. Experimental… Que belo trabalho…

    A DR (antiga) complicada que mostra que tudo chega a um lugar comum: A NADA…

    Narrar para dar encaixe. A apresentação inicial, entediada: “Não há nada de mágico, somente a mesma merda clara e quente desde os primórdios”. Realmente, depois de vivido sem muito sucesso, pormenores perdem a magia. Descrever a personagem de maneira detalhada acaba sempre numa “gente estranha”. A ambientação esquálida mostra a pouca importância: “…e rezam para uma praga bíblica restauradora. Vida na qual tudo é possível e nada há”. E tudo tem uma causa, a origem fica lá, armazenada em algum canto das ideias e, como fantasmas, fazem sombras por toda vida: “Bastava entrar no banheiro, abaixar a calça, que automaticamente via a imagem da velha sentada na privada, balançando a cabeça com desdém”. Cansado, “o ordinário pode ser cativante”. “Pausa para lembrar que a imbecilidade é atávica”. Sobre o tempo: “A natureza do momento é perfídia e não há ninguém que sobreviva incólume:…”. Quando a vida te encaixota: “Deveria ter levantado o dedo do meio, em uma linguagem que não poderiam ignorar, ao invés de ter tirado uma foto apressada pela ira. As pessoas acham que salvar o mundo distante é moralmente mais nobre e gratificante do que sorrir e estender a mão ao próximo, bem próximo.”. Na luta perdida: “Vontade presa no gargalo da garganta esperando a máquina de débito. Fingimento oportuno no resguardo do idiota esperançoso. Moeda lançada na mesa torcendo pelo lado que jamais irá sair.”. “O ar só termina quando você respira…”. Não há nexo, não há explicação: “… ‘às vezes é preciso se lançar nos trilhos para parar o maquinário’”. Nada é certo, nada é exato, lógico: “ ‘porque eu prefiro ser… um sociopata que governa ratos nas tubulações dos imóveis condenados, do que ter àquela velha confusão formada sobre tudo…”.

    Acho que estou sendo um dos: “Leitores criando narrativas em lacuna já preenchidas.”

    Fica claro o desfecho: “O epílogo antes do fim não dá margem para nada, exceto para as imagens do sangue e corpos voando na praça de alimentação:…”

    A efemeridade: “O reconhecimento póstumo para quem não possui qualquer descendente, uma piada cruel.”

    Depois,: “Só existe ausência. Absoluta e irrestrita. E esse inevitável vai chegar – como três reis magos golpeando o seu peito enfermo – será sempre reconfortante saber que até o infinito tem um fim.”

    É, meu caro Mr. Shit Ruler, devo ter viajado muito, mas, juro, não fumei o “cigarrinho do capeta”! Entrei no “barato” da sua escrita linda. Você é um baita escritor, faz o que quer com as palavras e com as ideias.

    Parabéns! Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  41. Fernando Cyrino.
    7 de abril de 2018

    Meu caro Shit Ruler, pois é, cá estou eu com o último conto do desafio e lhe confesso, amigo, que estou me sentindo um tanto perdido em meio a este seu diário. Sim, o contexto é interessante e algumas reflexões, eu lhe conto, que as achei ricas e me pegaram de jeito, tipo: “até o infinito tem fim”. Também quando me apresenta questões éticas como em: “As pessoas acham que salvar o mundo distante é moralmente mais nobre e gratificante do que sorrir e estender a mão ao próximo, bem próximo.”. Mas te digo que mais que um conto, uma história com um enredo, uma trama sendo desenhada, deparei-me com excertos de reflexões. Será este então o experimento? Sim, no meu modo de ver a literatura achei essa sua narrativa meio que solta demais e senti que essa soltura experimental, vista em excesso para o meu jeito de perceber as coisas, foi que me gerou a confusão. Em meio a isto tudo, ainda me aparece o diálogo e aí foi que senti que tudo se tornou mais solto ainda. Uma boa ideia, um bom projeto, mas que na prática, para o meu modo de apreciar a arte, não ficou tão a contento. Peço desculpas pelo meu parco entendimento da sua obra. Receba o meu abraço fraterno.

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Informação

Publicado às 7 de abril de 2018 por em Experimental e marcado .