EntreContos

Detox Literário.

História de Altaprata, contada por dois gaiatos, um poeta, mediadores do Clã do Aço e alguns trechos de Constituição (Tobias Bessa)

I

A rua era tão estreita que, cada um estando em uma calçada, seus pés ainda se tocavam. Um deles guardava um pequeno tambor entre as pernas e o outro tinha o violão bem posicionado em seu colo. De onde estavam, enxergavam o palácio. Enquanto passava o cantil para o outro, o do tambor apontou com o queixo para lá, já começando o batuque. Encerrando uma golada e fazendo careta, o outro ainda riu, os dedos trazendo a melodia das cordas. Foi só melodia antes de um deles ter uma ideia:

─ Ô, Jorginho, tô aqui pra avisar: vi o Rei e o Médio de conversa!

─ Mas ora, meu caro amigo, que ousadia é essa?

Deram vez aos instrumentos. Ajustavam a melodia enquanto uns moleques descalços se aproximavam com curiosidade.

─ Vou dizer o que ouvi, pode ser?

─ Tudo que tu diz, consigo ver!

─ Mas ora, bem, tá bem. Era mais ou menos assim: o Médio falava, o Rei pulava. O Médio falava, o Rei dançava!

─ Mas nossa Jorginho, calúnia tamanha!

─ Te juro, meu amigo, e tem mais façanha. O Médio dizia: “anda, sou eu quem manda!”

Chegavam mais curiosos, como se estivessem tentando ouvir direito. Uns animavam a cantoria batendo palmas enquanto outros continham a risada, olhares lá e acolá, procurando alguém que pudesse estar ouvindo. Os gaiatos não. Eles só atentavam ao ritmo, talvez nem se dessem conta da pequena multidão que se formava. Cantavam:

─ O Médio dizia: anda, sou eu quem manda! Anda, sou em quem manda!

 

A seguir, trecho da constituição do Reino de Altaprata, como se lia em 3433.

CAPÍTULO I – DO PODER EXECUTIVO

Seção I – Do Monarca de Altaprata, do Parlamento e do Médio

Art. 76. O Poder Executivo é exercido pelo Monarca, auxiliado pelos Parlamentares

Art. 77. A sucessão do Monarca ocorre hereditariamente, de pai ou de mãe para filha ou filho, respeitada a linha de sucessão determinada pelo Monarca.

§ 1º Para que assuma a Coroa, o pretendente deve ter no mínimo 18 anos de idade, cabendo ao 1º Ministro a atuação enquanto Chefe de Estado até que o sucessor escolhido complete a idade.

§ 2º A sucessão é o primeiro momento em que se abre para desafios. Para tanto, o desafiante deve ter a idade mínima supracitada e integrar alguma das famílias sacralizadas nesta constituição.

§ 3º O período para formalização do desafio é de quinze dias depois de anunciada a sucessão.

§ 4º A resolução do desafio é decidida por combate, em uma luta justa que cada desafiante conte com as armas de sua escolha e assistência de escudeiros normatizados. O modo de enfrentamento deve seguir o sistema de combate concordado pelas duas partes ou pelos parlamentares em caso de indefinição.

. . .

Seção II – Das atribuições do Monarca de Altaprata

Art. 84. Compete privativamente ao Monarca de Altaprata: (EC nº 06/0418);

I – exercer, com o auxílio dos Parlamentares, a direção superior da administração nacional;

II – iniciar o processo legislativo na forma e nos casos previstos nesta Constituição;

. . .

XXVI – garantir total neutralidade na batalha que a cada geração decidirá a identidade do novo Médio;

XXVII – representar o Governo dos Homens perante o representante máximo do Governo da Quintessência, o Médio;

XXVIII – dispor todo apoio possível ao Médio em caso de ameaça interdimensional;

XXIX – acolher em seu conselho a presença do Médio, de caráter consultiva;

. . .

Seção III – Da responsabilidade do Monarca

Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Monarca de Altaprata que atentem contra a Constituição do Reino e, especialmente, contra:

I – a existência do Reino;

II – o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;

. . .

XII – a paz e entre o Governo dos Homens e o Governo da Quintessência;

XIII – a neutralidade na batalha que decidirá a identidade do novo Médio;

. . .

II

A Nova Guarda Real tinha sido ordenada a perseguir todos aqueles que fossem conhecidos por contrariar a Nova Coroa. Não eram poucos e se pronunciavam em vários cantos, de modo que os soldados estivessem espalhados por toda Altaprata, berrando nomes e expondo cartazes quando os tinham preparados. Muitos condenados foram capturados em fuga, enquanto outros não se deram o trabalho de fugir, ansiosos ou até pacientes na espera os grilhões que aguardavam os desafiantes da Nova Coroa. Aqueles dois soldados constituíam o segundo grupo, dos que não levaram muito trabalho na captura.

Adentro de um apartamento insalubre da Baixa Capital, surrada uma prostituta prepotente que se interpôs entre eles e a porta, encontravam-se agora perante o cadáver do poeta, fios brilhosos de sangue a escorrer pelos pulsos mutilados. Embora o homem estivesse largado na poltrona, o pescoço molenga deixando a cabeça cair para trás, o indicador e o polegar da mão direita se pressionavam impedindo um pequenino papel de cair. O soldado que notou teve até que fazer um esforcinho para pegar o papel. O outro fingiu não estar interessado, observando pelo canto de olho a leitura do colega. Ao terminar, ele nem esboçou emoção.

─ Besteira, como tudo que esse cara falava.

─ Não sei, ele me parecia bem inteligente.

─ Gente inteligente não teria contrariado a nova Médio. Era claro que ela queria a Coroa pra si.

─ Ele falava umas coisas que tinham sentido… ─ olhando para o chão, não encontrou o complemento que queria ─ mas é, dava pra ver que não era uma boa ideia ficar batendo boca em praça. Tá aí o resultado. A Médio matou o Rei e agora tá matando quem quer que diga um “a”.

─ Esse aí nem esperou matarem, foi logo cortando os pulsos, né. Talvez tenha sido melhor. A ordem é para levar, não matar e isto quer dizer que podem fazer o que quiserem com ele.

O colega lhe entregou o papel e foi mais para perto do corpo. Enquanto ele inspecionava o cadáver, aproveitou para ler. Era um poema.

 

Não há idiota que interrogue um morto

Nem há muito brilho praquele que morre

Mas mesmo o cadáver não se deixa absorto

Enquanto é o sangue do seu país que escorre

Coroas seriam meros arcos de ouro, símbolos?

Não, jamais. São mais. São grandes. São vínculos.

Reinam sobre o povo, para o povo. É o Governo dos Homens.

Não da Quintessência, dos Homens. E outro rumo é só deletério.

Então o que acham que eu diria sobre o governo de uma Médio?

Num movimento rápido de quem esconde, o soldado guardou o poema no bolso.

 

A seguir, trecho da Constituição do Reino de Altaprata, como se lia em 3477

CAPÍTULO I – DO PODER EXECUTIVO

Seção I – Do Monarca de Altaprata e do Parlamento

Art. 53. O Poder Executivo é exercido pelo Monarca, auxiliado pelos Parlamentares.

Art. 54. O Monarca será sempre o Médio, de modo que o seu poder emane diretamente da Lei Natural.

§ 1º A Coroa é passada, portanto, ao sobrevivente do combate que de geração em geração decide a identidade do próximo Médio.

§ 2º Por motivo de imperar a Lei Natural, exclui-se a possibilidade de uma linha de sucessão, além de uma idade mínima para a incumbência do Monarca.

. . .

Seção II – Das atribuições do Monarca de Altaprata

Art. 69. Compete privativamente ao Monarca de Altaprata:

I – exercer, com o auxílio dos Parlamentares, a direção superior da administração nacional;

II – iniciar o processo legislativo na forma e nos casos previstos nesta Constituição;

. . .

VII – agir enquanto Chefe de Estado e Chefe de Governo;

XV – governar os assuntos pertinentes à Quintessência e aos Homens em um só plano de governo, com participação ativa dos Parlamentares, criando uma política única para o Reino de Altaprata;

XVI – chefiar os exércitos dos Homens e da Quintessência, respeitadas as políticas dos clãs para a formação de um único Exército Real;

. . .

III

─ É uma declaração de guerra contra a Quintessência!

Com isso, a porta que ela empurrou bateu na parede, num impacto tão sonoro que se viu surpreendido duas vezes. Reparou que ela estava armada, embora a espada ainda repousasse na bainha. O maior desafio, contudo, estava em seu olhar. Com certa idade e anos à frente do clã, Aldair acumulava sabedoria o suficiente para reconhecer que aquela mulher, soldada exemplar, guerreira temível e mediadora poderosa, não tinha ido até o seu quarto só para conversar. Não deixou seu temor resvalar em sua voz.

─ O Médio não é a Quintessência. Sua morte não implica na mesma consequência para os clãs.

Ela deu um passo à frente, um passo pesado.

Claro que não. Não aos clãs que se juntarem ao novo Rei. Todos os clãs devem se ajoelhar à Coroa, agora!

─ Sim.

A surpresa dela doeu em si. Odiava estar fazendo aquilo com uma irmã de guerra. Nós somos do Clã do Aço… nós. Todos nós. Mas Aldair jazia impassível.

─ Você quer… dobrar o joelho?

─ Não podemos lutar contra a Coroa e contra os outros clãs… seria uma guerra dentro da própria Quintessência e nós perderíamos.

─ Eles mataram o Médio!

─ E um outro sucederá dentro da Lei Natural.

A mera firmeza em sua voz, elevando-o para além de suavidade de antes, não só a silenciou como a fez recuar um pouco. Aquela era a voz de alguém que podia se fazer escutar por através de milhares de homens, vivos e mortos.

─ A Lei Natural não protegeu o Médio agora, como todos pensávamos que faria…  e você também sabe, Comandante. ─ e a mão repousou no punho da espada ─ Nós somos o Clã do Aço, nossa natureza é a guerra e somos todos soldados. A hora é de luta, eu não estou sozinha e, caso não nos siga guerra adentro, tiraremos o Comando do senhor.

Aldair sabia desde antes daquela conversa que ela não estava sozinha e que um levante dentro do próprio clã aconteceria a depender de como se encerrasse aquela conversa. Portanto, depois daquela noite, ela foi designada como General da linha de frente, ordenando combate contra a Coroa e os clãs aliados, encurralada e massacrada enquanto esperava por reforços. Aldair nunca planejou ajudá-la. A derrota dela só serviu como exemplo ao restante do clã, dando a ele a confiança do restante dos soldados para liderá-los em fuga, para longe do alcance do novo Reino dos Homens. Na História, o Comandante Aldair teria vários nomes, mas, no geral, chamavam-no assim: Aldair, o Covarde.

O Clã do Aço sobreviveu, sem ajoelhar, até os dias de hoje.

 

A seguir, trecho da Constituição do Reino de Altaprata, como se lê em 3612

TÍTULO I – DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

Art. 1º O Reino de Altaprata, formado por uma união indissolúvel das Vilas e Condados, constitui-se em um Estado Monárquico e tem como fundamentos:

I – a soberania;

. . .

Parágrafo único: Todo o poder emana da Coroa, que o exerce por meio do Rei ou da Rainha, Chefe do Governo e Chefe do Estado por meio da linha de sucessão ou por desafio, sempre representante de família sacralizada nos termos desta constituição.

. . .

Art. 3º São objetivos fundamentais do Reino de Altaprata:

I – construir uma sociedade livre e justa;

II – administrar, por meio dos os dispositivos colocados nesta constituição, os domínios dos Homens e da Quintessência;

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26 comentários em “História de Altaprata, contada por dois gaiatos, um poeta, mediadores do Clã do Aço e alguns trechos de Constituição (Tobias Bessa)

  1. Ana Carolina Machado
    21 de abril de 2018

    Oiiii. Achei interessante a construção do conto e a forma de narrativa escolhida, mas acho que as partes que citam a constituição poderiam ter sido menores e poderia ter focado um pouco mais nos dois gaiatos no começo ou naquela cena do poeta, porque pelo que entendi um dos soldados, o que guardou o poema, talvez tenha passado a questionar o regime também. Parabéns e abraços!

  2. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    História de Altaprata

    Salve, Tobias!

    Eu acredito que o conto se enquadre no desafio por apresentar uma estrutura diferente da normal, por propor a história de um país (ou reino, condado, império, não sei precisar o que é Altaprata) contata de diversas formas, incluindo aí sua constituição.
    Mas, devo dizer, fiquei razoavelmente confuso com a estrutura apresentada. O texto não é simples, a forma fria e seca dos trechos da constituição aumentam a dificuldade da leitura e, no final, o entendimento é comprometido. E um entendimento comprometido por causa da estrutura do texto, no meu entender, é um problema. Ou do leitor, ou do conto. Acho que isso poderia ter sido minimizado com alguns recursos até utilizados aqui, como o trecho inicial.
    Cito os diálogos como pontos positivos. Foram as brechas de “ar” dentro da trama. Poderiam ter aparecido em maior quantidade, pois foram bem construídos (mesmo com tão pouco acesso aos personagens). Um pouco de explicação sobre alguns termos bastante utilizados (médio, quintessência) também teriam sido bem vindos.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  3. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Este texto é uma critica política. Passado no futuro, num país que regressou à monarquia mas que está longe de obter a estabilidade. Parece uma sátira à situação política brasileira, onde não se consegue chegar a uma solução estável qualquer que seja a orientação política do governo. Gostei da forma como foi escrito, com a utilização dos decretos. A passagem do tempo é dada pela data do decreto, e o texto lê-se bem, sem se dar por ela. Nota-se que o texto deveria e merecia ser maior. Quanto ao carácter experimental do mesmo, fiquei com algumas dúvidas.

  4. Paula Giannini
    20 de abril de 2018

    Olá autor(a),

    Tudo bem?

    O conto aqui apresentado é um esqueleto pronto para um romance de bastante fôlego. O(a) autor(a) criou um universo coerente com sua criação, e, com tal riqueza de detalhes que o reino chega a possuir constituição, leis próprias e suas devidas alterações com o passar do tempo e a mudança da sociedade.

    Interessante perceber que, embora toda a atmosfera do texto pareça remeter à Idade Média, o tempo (século ou milênio) em que o conto se situa está determinado em um futuro muito distante, criando assim, uma espécie de distopia utópica (se é que isso possa existir), visto que o que o Reino de Altaprata, a despeito das guerras, propõe em sua constituição como fundamento de sua existência, a obrigatoriedade da justiça e a da liberdade. Ambas, inclusive, juntas, ao menos teoricamente, levariam à paz.

    “Art. 3º São objetivos fundamentais do Reino de Altaprata:
    I – construir uma sociedade livre e justa;”

    O trabalho, com fôlego para romance, como já disse acima, também me parece caber muito bem em um game, filme, seriado e outras plataformas, demonstrando uma grande capacidade criativa e de planejamento por parte do(a) autor(a) que, certamente tem mais material e já deve possuir tais ideias maturando há algum tempo.

    Parabéns por seu trabalho.

    Sucesso no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  5. iolandinhapinheiro
    20 de abril de 2018

    Olá, autor!

    Vi o símbolo de parágrafo como imagem do seu texto mas só fui compreender onde ele entrava quando me deparei com a transcrição da Carta Magna de Alaprata para a gente ler.

    Eu estava adorando a sua rua estreita, os seus músicos, a população se aglomerando ao redor dos dois, tudo feito de maneira extremamente plástica, de modo que eu imaginei até as roupas medievais, vermelhas, com mangas bufantes. as pedras da rua, os circunstantes…

    Eu estava nessa vibe maravilhosa e aí POWWWW! Vc me atropela com artigos, parágrafos, alíneas, incisos… Poxa! Que corte! Já estava bem experimental, por que colocar um peso na leveza perfeita?

    Depois desta pancada o conto, mesmo voltando para a narração da história, já havia perdido a essência de sua sedução. Rompeu-se o encanto, o liame que juntava obra e leitor.

    Eu realmente queria ter gostado mais, até porque eu adoro a Idade Média e já havia me preparado completamente para o deleite, que não veio.

    Desejo muita sorte e felicidade. Um abração.

  6. Sabrina Dalbelo
    18 de abril de 2018

    Olá,
    Eis uma boa aventura épica narrada sob o ponto de vista do regime e da forma de governo vigente.
    E está aí o experimentalismo, lindo, bem posto, a partir da interpretação da Carta Magna em vigor no país, a depender do resultado das lutas sociais (ao menos, foi assim que entendi).
    Particularmente, simpatizei com a participação vitoriosa feminina. Demorou cerca de 200 anos, mas, um dia, no reino de Altaprata, se via possível, além de Rei, uma Rainha!
    Como sugestão, uma revisão da necessidade de algumas passagens porque corre o risco de, talvez pelos termos jurídicos, o conto ter ficado um pouco confuso.
    E parabéns!

  7. Evelyn Postali
    18 de abril de 2018

    Eu gostei muito do título – só por ele já imaginava uma história mirabolante, hilária, até – e de uma forma geral da história, apesar de sentir dificuldade de entendimento – confesso que não sei bem se entendi o objetivo. Enfim… Comecei a ler atraída pelo título e depois da primeira parte, veio um baque. O começo da história foi bacana, mas a questão da forma, fez com que tudo se dispersasse e meu interesse na se perdesse um pouco. A escrita não é nos faz deslizar pelo texto, mas não é ruim, não. Talvez se você enxugar um pouco e inserir os personagens do começo deixe o texto mais ágil. Achei boa a parte onde há diálogos.

  8. Priscila Pereira
    18 de abril de 2018

    Oi Tobias,
    Acho que entendi tudo… Kkk
    Gostei da história de Altaprata, daria um ótimo romance medieval, com a luta dos clãs, a Quintessência e o reino dos homens tentando viver em harmonia. Batalhas, portas mortos, desafio de Médios… Pense nisso e quando escrever me chama pra ler😉
    Parabéns e boa sorte!!

    • Priscila Pereira
      18 de abril de 2018

      poetas mortos kkkk

  9. Cirineu Pereira
    15 de abril de 2018

    De forma geral, esse tipo de contexto não me atrai, esperava que o caráter experimental supostamente adicionado ao conto compensasse, porém não. Inserir trechos da referida constituição no conto não ajudou, pelo contrário, tornou-o chato e não considerei isso como um traço de experimentalismo. O enredo também é bastante confuso, segmentado e supérfluo, realmente não me cativou.

  10. Higor Benizio
    14 de abril de 2018

    Artigos sao naturalmente chatos de se ler, colocar isso no conto foi um tiro no pé, ainda mais quando se opta, como acontece aqui, por uma narrativa que exigi uma atenção um pouco maior. O conto está cansativo e obscuro. Recomendo ao autor (a) que dê uma boa enxugada, inserindo no começo do conto, gatilhos mais atraentes, seja por enredo, seja por personagens.

  11. Ricardo Gnecco Falco
    11 de abril de 2018

    PONTOS POSITIVOS = A mistura ousada de um tom medieval com o que me soou parecido com a literatura de Cordel. Achei bem interessante este experimento e, portanto, considero o trabalho bem dentro do tema pedido pelo presente Desafio. Parabéns pela ousadia de experimentar!

    PONTOS NEGATIVOS = Uma certa generosidade com relação a utilização dos limites de palavras para os trabalhos deste Certame. Penso que houve um exagero por parte do autor no que tange a quantidade de texto desenvolvido.

    IMPRESSÕES PESSOAIS = Gostei da utilização dos tempos Futuro e Passado, do tom medieval e futurístico do trabalho e até mesmo da formatação do mesmo (que, como disse, me fez lembrar da literatura de Cordel); porém… Achei que o autor foi prolixo em demasia e acabou alongando-se sem necessidade, principalmente na concepção e abordagem dos dispositivos legais referentes aos decretos e leis apresentados.

    SUGESTÕES PERTINENTES = Uma pequena ‘enxugada’ no texto, que retirasse os excessos que nada somam ao entendimento da proposta do autor para a obra, representaria um bom ganho para a qualidade deste trabalho. No mais…

    Boa sorte no Desafio!

  12. Jowilton Amaral da Costa
    10 de abril de 2018

    Eu achei que não iria gostar, quando passei os olhos no texto pela primeira vez. Principalmente quando vi as constituições, aquele formato de texto me dá arrepios. kkkkkkkkk Acabei me enganando, gostei do conto. Está bem escrito e tem um climão medieval bem legal. Boa criatividade, bom impacto, boa técnica.

  13. José Américo de Moura
    9 de abril de 2018

    Uma história interessante de um reino não tão distantes, eu viajei e vi castelos medievais, armaduras lutas de espadas, florestas e pontes de madeira sobre rios, reis e rainha. Muito bom, só não consegui entender os anos futuristas com enredo do passado.
    Parabéns e boa sorte.

  14. Paulo Luís Ferreira
    9 de abril de 2018

    É um texto por demais complexo de difícil compreensão. Afinal de contas o que você, autor, está querendo dizer com essa profusão de palavras, palavras não, mas as ideias jogadas sem um enredo, aparentemente, sem propósito, o qual parece ter sentido somente para o autor, porque para o leitor pouco ou quase nada atinge, haja vista a grita dos outros tantos colegas comentaristas, o que não é pra menos, pois realmente é tudo muito ininteligível. Muita argumentação para pouco dizer. Sinceramente eu nem me dei ao trabalho de ir e voltar ao texto, como outros tantos comentaristas fizeram, eu, imediatamente, já me julguei incompetente para tão incompreensível leitura. Entretanto acredito que esteja a altura do desafio, se o intuito foi complicar conseguiu plenamente. Mas, um ponto positivo: gostei muito do título, pois gosto desses títulos pomposos. Mas, contudo se tivesse seguido essa risca…

    • Tobias Bessa
      10 de abril de 2018

      Boa tarde, Paulo!

      Não me habilito a julgar a sua competência enquanto leitor e nem a de ninguém. De fato, tratando-se de uma história fantasiosa e havendo mais de um termo que só eu sei o verdadeiro sentido, é totalmente compreensível que os leitores se sintam perdidos e, consequentemente, percam o interesse.

      Agradeço pelo seu comentário, pois ele constitui um feedback positivo que é comum nos desafios do EC, ainda mais útil em um desafio experimental. Ademais, devo contrariá-lo em alguns pontos: o formato não tem, de modo algum, o intuito de complicar a leitura, como o senhor afirmou acima. Sou do clube que credita a competência do escritor à simplificação do texto para o seu melhor entendimento. E outra coisa que devo apontar. Como gostou do título, devo corrigi-lo, pois o conto tem tudo que ali consta citado e intenta (aparentemente sem sucesso) uma trama cronológica com início, meio e fim. A maneira como progride o enredo (que o senhor apontou inexistente) foi percebida por alguns dos leitores.

      Espero que os outros contos não experimentem o mesmo imediatismo dado aqui.

  15. Antonio Stegues Batista
    9 de abril de 2018

    Um reino fictício, bem estruturado nas suas leis, mas faltou uma história interessante. Apenas alguns trechos resumidos. Acho que faltou muita coisa para que a história ficasse legal. O experimental ficou no aspecto das leis se sobrepondo à história de um reino, que acabou sendo mínima. Acho que num texto maior, com mais detalhes, mais ações, a história ficaria melhor. Boa sorte.

  16. Ana Maria Monteiro
    8 de abril de 2018

    Olá, Tobias. Li este conto duas vezes e só percebi mesmo que ele é isso mesmo que diz no título.
    A história está extremamente confusa (penso que houve algum exagero no experimentalismo) e é necessária demasiada atenção, uma atenção que, porque não chega a prender, também não se consegue fixar.
    O conto está bem escrito, o que é sempre positivo. Experimental é, sem espaço para dúvidas.
    Mas peço desculpa, não consegui apreendê-lo no seu todo.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  17. Renata Rothstein
    8 de abril de 2018

    Oi, Tobias,
    tudo bem?
    espero que sim, porque eu, rapaz….confesso que estou meio que atacada de um ataque inesperado de labirintite rsrs.
    olha, seu conto é, sem dúvida, experimental, é bem escrito, vi um “nos os” que qualquer revisão resolve, vi uma história fantástica e curiosa em que precisei fazer anotações, mas mesmo assim vi sentido não – falha minha, eu sei.
    Você manda muito na escrita, nessa de ir e vir, tocar em assuntos que, vistos a fundo, cabem de forma não clara no conto, mas imensamente presentes, na atualidade.
    Os nomes, para mim, destoaram, aí lembrei – é experimental – e fizeram maior sentido.
    Muitos parabéns e boa sorte!

  18. Rose Hahn
    7 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé, a técnica do “joelhaço”:
    . Escrita: Cfe. inciso 1o. da TJ, enquadrei como carecendo de estruturação das ideias.
    . Enredo: Não entendi bulhufas, perdi o sentido de direção;
    . Adequação ao tema: Está adequado, só faltou umas jurisprudências.
    . Emoção: Lembrei da nossa Constituição Federal, é de chorar, né?
    . Criatividade: Artigos e poesia, a intenção foi boa.

    . Nota: Menos do que vc merece, pela criatividade e participação. Abçs.

  19. Angelo Rodrigues
    7 de abril de 2018

    Caro Tobias,

    Acho que seu conto tem força. Mas tem problemas.
    A leitura faz permanecer a ideia de que devo constantemente retornar para saber o que pensar naquele momento. A introdução da Constituição em três momentos distintos, com tanta diferença de anos, me fez, todo o tempo, achar que não estava compreendendo o texto por conta das mudanças de regras constitucionais, levando-me a compará-la todo o tempo.
    Se posso indicar algo, seria criar um esqueleto central de narrativa apondo elementos alegóricos e personagens bem amarrados a esse esqueleto.
    A escolha dos nomes também não me pareceram muito adequados, dados que não consegui me fixar exatamente no significado deles.
    Dois amigos conversam, um deles se chama Jorginho. Uma história é contada de forma oral (ao que me pareceu) e ganhou, no trajeto, caput, parágrafos e alíneas constitucionais. Tudo bem… mas me deixou confuso.
    Boa sorte no desafio.

  20. Fheluany Nogueira
    7 de abril de 2018

    Uma premissa interessante, a escrita está esmerada, a linguagem, o estilo adequados ao assunto; pena que os personagens iniciais, os dois cantadores, sumiram da história. Imaginei que o texto fosse se desenvolver como um daqueles desafios em que ocorre uma disputa poética travada entre dois menestréis, sob forma de um diálogo cantado, baseada na improvisação, a cantoria do repente, tão popular em muitas regiões do país. Aqui temos um excesso de detalhes, blocos de informação despejados no leitor que tornaram a leitura meio cansativa como a de uma enciclopédia. Tudo levado ao exagero, até o título.

    O texto, com certeza, é experimental. Parabéns pelo trabalho, boa sorte. Abraço.

  21. Regina Ruth Rincon Caires
    7 de abril de 2018

    Texto difícil para a minha limitada compreensão. Menino, que coincidência! Eu estava lendo a sua narrativa e, de longe, ouvia o discurso de despedida do Lula, no palanque. Já imaginou o nó nas ideias?!

    Li, reli, “treli”. Não ficou mais fácil. É um enredo complicado, entendi muito pouco. Trata-se de uma história “de mentirinha”, fantasiosa. É uma leitura para ser encarada como uma brincadeira do “faz-de-conta”, a imaginação tem que seguir junto com a narrativa. Não consegui acompanhar. Fiquei perdida em todas as leituras que fiz. Tenho limitações.

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  22. werneck2017
    7 de abril de 2018

    Olá,

    O texto é bem escrito e , certamente, ele se adequa ao tema experimental do desafio. No entanto, o texto me perdeu como leitor, não consegui me inserir na história, apesar do conflito iminente e eminente. Não houve conexão. Um história se conecta aos elementos humanos/humanizados do protagonista. No mais, boa sorte no desafio.

  23. Fabio Baptista
    7 de abril de 2018

    A fantasia costuma caminhar numa linha tênue, onde precisamos apresentar um novo mundo ao leitor sem escorregar para o infodump, inserir novos elementos, como o sistema político, sem tornar a trama confusa, com aquela impressão de que a cada parágrafo alguma coisa cai de para-quedas o que, quase sempre, deixa o leitor perdido.

    É difícil obter esse equilíbrio e, normalmente, é preciso uma quantidade muito grande de palavras para isso. Pra encurtar a história, fiquei com a impressão de que esse conto, apesar da boa ideia e da boa escrita, sofreu com esse problema.

    Até a primeira apresentação dos termos da constituição, eu estava empolgado com o que poderia vir, achando muito boa a sacada (assim imaginei que seria e foi mesmo) de ir adaptando os termos conforme desenrolavam-se os eventos no reino. Mas tudo acabou se desenvolvendo de modo muito obscuro, me tirando da trama. E quando o leitor não consegue mergulhar no mundo fantástico, nada funciona muito bem.

    Mas, de todo modo, é um conto de boa escrita, onde o experimental se faz presente.

    Abraço!

  24. Fernando Cyrino.
    7 de abril de 2018

    Meu caro Tobias Bessa, seu conto me remeteu às lindas Crônicas de Nárnia e ao Senhor dos Anéis. Talvez tenham sido essas as suas inspirações. Achei sua escrita bonita. Sem dúvidas que você tem um domínio muito bacana da língua portuguesa. Quanto à história em si, achei-a um tanto truncada. Sim, é experimental, o que para melhor entendê-la, além das releituras, tive que retornar a alguns eventos buscando uma melhor compreensão. Mesmo assim, ainda pairam dúvidas e confusões na minha mente. Achei tudo um tanto quanto truncado. No começo tive a impressão que os menestréis (Jorginho e seu companheiro, os dois com violão e tambor, é que contariam a história), mas eles desaparecem em seguida. As mudanças que vão acontecendo na constituição em suas variadas versões ao longo do tempo, não geraram no meu modo de ver o resultado que você esperava. Quem sabe se você tivesse focado mais nas guerras sucessórias e na fuga de Altair tudo não teria ficado mais claro e mais bonito? Bem, quem sabe aqui também não se trata do comentário de um leitor que devia ser mais inteligente e perceber que histórias assim necessitam de outros referenciais (que ele não possui) para serem melhor entendidas? Assim, logo chegarão os leitores que tudo compreenderão e consequentemente terão maiores alegrias com essa sua narrativa, amigo. Achei também que alguns detalhes andam pedindo uma última revisão. Receba o meu abraço fraterno.

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Publicado em 6 de abril de 2018 por em Experimental.