EntreContos

Detox Literário.

Adulta (Higor Benizio)

O toque da seda atrai,
A cor,
O cheiro,
O som,
O jeito engraçado de seduzir o vento.

 Naquela hora, e só, ela desmanchava como se água a levasse aos pedaços. O fogo queimava devagar, não criava e nem carbonizava nada, apenas subsistia. Seus pés tocavam a terra, mas já não sentia o chão. O vento, frio, evaporava devagar o suor quente do seu rosto.

Entendo,
Importa mais de onde veio,
A árvore,
O inseto,
A fonte,
Seu horizonte.

 Daí parte a incoerência. Os elementos que deveriam lhe dar vida, acabavam por sugá-la sem piedade.

Ou nos erguem,
Ou derrubam.

 Mesmo assim estava de pé. Dançava num sonho ébrio. Erguendo os braços como quem roga redenção aos céus. Alegre e viva, segundo os olhos de qualquer um, não poderia possuir problemas, muito menos tristezas. Nada, absolutamente nada, derrubaria aquele semblante vívido, acolhedor.

Conte com a sorte,
Garoto,
Cuide do jardim.

 Disfarçadamente, sua sombra chorava junto ao chão. Solitária e tímida. Ora projetava-se na parede e, neste momento, era fácil ver as gotas que se quebravam ao redor.

 Chuva?

 Não naquela noite. O céu estava aberto, e os olhos da mulher, repletos de estrelas, inclusive, cadentes.

Borboletas são assim,
Teimosas,
De vida curta,
Feitas de seda.

 

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42 comentários em “Adulta (Higor Benizio)

  1. M. A. Thompson
    27 de abril de 2018

    Olá autor(a).

    Um dos mais curtos e talvez mais difíceis de encontrar a mensagem que o autor quis passar.

    Quem faz o quê pra quê como quando onde e porquê?

    Quase uma poesia narrada e o experimentalismo pode ser visto com o formato usado na composição.

    Boa sorte no desafio!

  2. Amanda Dumani
    27 de abril de 2018

    Sem dúvida é o conto com as metáforas que mais gostei. É sensível e poético. A minha interpretação é de uma mulher deprimida. Que luta para manter as aparências, mas tudo que ela se esforça para preservar é aquilo que a está destruindo. Como já foi mencionado em outros comentários, é um texto muito fluido. Se o tema fosse água, diria que você captou perfeitamente a maneira que a substância se move e se molda. E, apesar de querer ler mais, achei a extensão boa.

  3. Matheus Pacheco
    27 de abril de 2018

    Primeiramente eu devo me desculpar pela pressa que este comentário está sendo escrito, correndo riscos de má interpretação dos contos ou erros gramaticais..
    O seu conto me passou a nitida impressão que a zona de conforto do escritor foi deixada de lado, o seu texto me manifestou uma impressão simbolista, estou certo?
    Ou algo um pouco mais melancólico?
    Desculpe novamente e abração

  4. Anderson Henrique
    27 de abril de 2018

    Um texto singelo, muito bonito, agradável de se ler. Cada palavra está bem colocada, impecável. As imagens são ótimas. Penso, porém, se o texto não está um pouco fora neste desafio. Gostei, foi um deleite ler, mas creio que existem textos que arriscaram com mais força e tem mais a cara deste desafio. Obrigado pelo texto.

  5. Daniel Reis
    26 de abril de 2018

    Ah, coração de poeta! Que bonito o seu texto, ainda que com baixos teores de experimentação. No seu caso, a forma esteve a serviço do conteúdo, e funcionou adequadamente. Devo confessar, com uma ponta de inveja, que estava num caminho parecido, com as citações à direita, mas não consegui amarrar minha ideia. A sua ficou bem melhor! Parabéns!

  6. Gustavo Aquino Dos Reis
    25 de abril de 2018

    Adulta

    Amo prosas poéticas. Fico em um estado de completa admiração, observando cada palavra, cada sentença, cada desvão da obra. O seu conto canta, tal qual um cordel. Gostei. Só acho que você deveria (e quem sou eu para achar o que cada um deve fazer com o seu rebento) ter aproveitado mais o limite de palavras.

    No mais, parabéns.

  7. jowilton
    24 de abril de 2018

    Gostei. Uma escrita competente e poética. Acho que fala das fades da vida, de dias tristes, mas qie nos apresentamos felizes aos olhos dos outros. Dias em que nos sentimos lagarta. embora sejamos vistos como borboleta(ui). Este trecho foi o que me fez pensar assim: “Alegre e viva, segundo os olhos de qualquer um, não poderia possuir problemas, muito menos tristesas”. Boa sorte no desafio.

  8. Renata Afonso
    23 de abril de 2018

    Oi, Helena!
    tudo bem?
    Bom, estou aqui relendo seu conto – prosa poética – e posso refletir melhor sobre essa beleza de experimento que vc nos proporcionou….primeiramente, a imagem fala por si, o que até me dá pistas da autoria (e do talento), e em cada linha é “cantada”, de forma sensível e ao mesmo tempo extremamente direta o “crescer”, o ser adulta na vida de uma mulher:
    “Mesmo assim estava de pé. Dançava num sonho ébrio. Erguendo os braços como quem roga redenção aos céus. Alegre e viva, segundo os olhos de qualquer um, não poderia possuir problemas, muito menos tristezas. Nada, absolutamente nada, derrubaria aquele semblante vívido, acolhedor.”
    Sim, quantas vezes ser adulta implica justamente no resistir, ainda que dobrando-se ante situações….
    Vc me fez refletir, gostei do seu conto-poema
    Parabéns!

  9. Amanda Gomez
    22 de abril de 2018

    Olá,

    Engraçado… o seu texto me pareceu algo líquido, tanto que se derrama pelas palavras. Veio essa imagem na minha mente, de água de nascente escorrendo em busca do rio.. do mar.

    Admiro que consegue escrever tão pouco e ao mesmo tempo dizer tanto, são belas construções o enredo está por trás, mesmo que sutil, cabe ao leitor permitir-se decifrá-lo. Entendi a metáfora da borboleta, pode ser de uma mulher em busca do seu eu… autoconhecimento… pode ser várias coisas.

    Parabéns pelo trabalho, boa sorte no desafio!

  10. Ana Carolina Machado
    21 de abril de 2018

    Oiiii. Achei o conto muito lindo, ele todo é muito poético. Gostei dos versos no final que falam da borboleta, entendi como uma metáfora para o fato dela ter amadurecido como uma borboleta que sai do casulo pronta para o voo. Parabéns. Abraços.

  11. Bianca Machado
    21 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos
    dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————

    Um conto poético e repleto de metáforas. Comecei a ler e quando vi, tinha acabado,
    isso me surpreendeu. Eu curto contos breves, mas talvez esse precisasse de um pouco mais de texto, não sei, foi a impressão que me deu. Atende ao desafio, mas de forma bem leve, nada de ousadia, mas ficou interessante. Muito bom!

  12. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Helena!

    Eu imaginava que ia encontrar textos nesse desafio que proporiam esse exercício de trafegar entre a prosa e a poesia. Mas acredito que até agora o seu me pareceu o mais difícil, já que ele investe muito mais na poesia do que na prosa. E, perdão por isso, não sou muito fã de poesia, por isso não sei bem como analisar o conto.
    Esteticamente me parece muito bonito, e me traz uma sensação bucólica. Não sei se há realmente um entendimento único, mas o final parece indicar a relação entre uma borboleta e o jardim. Mas é o que eu disse, não compreendo a poesia muito bem. Perdão por isso.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  13. Luis Guilherme Banzi Florido
    21 de abril de 2018

    Boa tarde! Td bem?

    O conto, espécie de prosa poética, é belo e sutil. As construções sao muito boas, com leveza e sensibilidade. Me parece tratar o amadurecimento (adulta) da personagem frente à perda e à dor.

    Não sei se classifico como experimental, afinal prosas poéticas não sao incomuns. Mas isso não é uma crítica, apenas uma opinião.

    Achei que careceu um pouco duma trama mais complexa e elaborada.

    Enfim, um belo trabalho, sutil e carregadora de sentimentos. Parabéns e boa sorte!

  14. Catarina Cunha
    21 de abril de 2018

    Frase chave: “ Disfarçadamente, sua sombra chorava junto ao chão.”

    Uma prosa poética de grande apelo emocional sem ser piegas. O experimento está na profunda subjetividade dos significados.

    A técnica empregada traz leveza aparentemente despretensiosa; só que não. Cada metáfora ali tem um vulcão.

    Senti falta de mais trama, mas está valendo!

  15. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Texto curto, numa linguagem poética livre de qualquer condicionalismo de estilo. São múltiplos os sentidos que lhe estão subjacentes. Vejo uma mulher e a sua ligação a uma natureza em risco. Posso estar enganado, mas é esse risco que torna textos como estes singulares – até podemos estar enganados na sua análise, mas não nos importamos porque a sua leitura foi bastante recompensadora. No mesmo registo, recomendo a leitura dos textos do poeta português Herberto Helder. Encontrei algumas semelhanças, o que comprova a qualidade deste texto.

  16. Thata Pereira
    20 de abril de 2018

    Para ler esse conto é preciso estar aberto. Não há uma construção linear, mas metáforas. Eu adoro esse tipo de escrita e essa leitura. O conto é curtinho e é bom para aqueles que não sentem afeição pelo estilo. Achei lindíssimas as construções.

    O legal de um conto metafórico como o seu é que podemos ter diversas reações e interpretações. Eu acho isso fantástico. É bom quando o leitor entende o que nós queremos passar, mas observar as mudanças de pensamento é ler o leitor.

    Não sei se teve essas divergências aqui, ainda. Vou ler os comentários para saber.

    Boa sorte!!

  17. Rsollberg
    19 de abril de 2018

    Fala, Helena!

    Seu conto tem uma pegada poética, trazendo imersão nesse ambiente bucólico.
    A mãe (nunca por acaso) natureza tão caridosa e solidária, observando tudo. A mistura das duas dinâmicas conseguiu criar certa sinestesia. Outrossim, creio que esse conteúdo mais lacónico serve justamente para gerar reflexão na cabeça dos leitores. Cada um enxergando com seu próprio ponto de vista, usando o que possui e entende para preencher a história e decifrar o significado. Algumas frase, no meu modo de ver, criam propositalmente sentidos dúbios, ou seja, uma nova camada, uma máxima que serve para o natural e para as relações humanas, exemplo: ” Daí parte a incoerência. Os elementos que deveriam lhe dar vida, acabavam por sugá-la sem piedade.” Essa dualidade de visão acompanha toda a narrativa, o dito e o entendido, no meu sentir;o grande mérito do conto.

    A escrita é segura e competente, sabe ser ligeira para não tornar a coisa toda enfadonha (uma armadilha em alguns casos).
    A imagem, muito bem escolhida, não sei pq me remete ao Mother ainda fresco em minha memória. O pseudónimo casou bem, ainda que prefira a Mulher Mais Bonita da Cidade do que A mulher mais bela do mundo. Sei lá, sou mais Bukowski que Homero!

    Parabéns e volte sempre!

  18. Rose Hahn
    19 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária do “joelhaço” desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé:

    . Escrita: Poética;
    . Enredo: Sensorial, um contoema;
    . Adequação ao tema: Em parte, mais pela experiência sensorial;
    . Emoção: “Os elementos que deveriam lhe dar vida, acabavam por sugá-la sem piedade”.
    . Criatividade: Há espaço no ar para voos mais altos. E o seu texto trás a mais bela imagem do desafio.

    . Nota: Que bico de sinuca, caro autor. Num sei….

  19. Luís Amorim
    18 de abril de 2018

    Um texto bonito com uso de prosa e poesia, o que não sendo inédito não é assim tão comum. Uma bela imagem de início bem florida a antecipar o conjunto de metáforas que vieram a seguir.

  20. Rubem Cabral
    17 de abril de 2018

    Olá, Helena.

    É um “contoema” bonito, mas de trama etérea demais, ao menos para mim. Pareceu-me falar da morte de alguém e de resiliência, se entendi direito.

    Como experimental, penso que só tangenciou de leve o tema; construções mistas de prosa e poesia não são incomuns.

    Abraços e boa sorte no desafio,

  21. Cirineu Pereira
    15 de abril de 2018

    Um tanto hermético, experimental na forma, no entanto, falta enredo, falta drama, falta o conflito. É um belo texto, mas ao meu ver não atende aos preceitos do desafio, ou seja, eu não classificaria como um conto e assim o desclassificaria.

  22. iolandinhapinheiro
    15 de abril de 2018

    Um texto curto e delicado, lindo e efêmero como a curta vida de uma borboleta. A história usa uma borboleta enfrentando os elementos (sol, vento, chuva) como uma comparação com os sentimentos de uma pessoa que se sente impotente diante das vicissitudes da vida.

    Não classificaria como experimental, mas talvez seja um autor experimentando aquilo que nunca fez antes, escrever uma prosa poética. Talvez tenha sido descuido meu que não percebi o experimentalismo disfarçado entre as letras do seu belo conto, vai saber ?

    Um texto onde a estética e a emoção são os principais atrativos. Não vi problemas gramaticais Parabéns e sorte no desafio.

  23. Mariana
    13 de abril de 2018

    Um lindo poema, sobre o ser mulher e se reconstruir a cada dia. A imagem é bonita, casando com a beleza e elegância do texto. No entanto, não percebi inovação na forma. É um belo texto, parabéns e boa sorte no desafio.

  24. Ana Maria Monteiro
    5 de abril de 2018

    olá, Helena. Que lindo texto! Nem vou comentar, pois deixou-me mais uma sensação que palavras que se possam encaixar. A poesia tem esse carácter e é motivo por que uns adoram e outros detestam. Ainda assim, o que achei mais “experimental”, foi ter experimentado poesia e prosa poética neste desafio. mas não vou descontar por aí, nem a si nem a ninguém. Até porque, neste caso, experimentei, e acredito que você também.
    Destaco uma frase que me remeteu (sei lá por qual estranho caminho) directamente para “A Tabacaria” de Fernando Pessoa: “Conte com a sorte, Garoto, Cuide do jardim.”
    Ele diz, a certo momento: “Come chocolates, pequena; Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.”
    Senti-me a ler a mesma mensagem, dada de forma diferente. E é bem verdadeira.
    O seu texto/poema é lindíssimo e está construído com uma suavidade e beleza tão diáfanas quanto o bater de asas de uma borboleta.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  25. Paula Giannini
    4 de abril de 2018

    Olá autor(a),

    Tudo bem?

    Prosa poética, ou poesia em forma de prosa? Ambas. Um texto lindo, delicado, na medida.

    Dentro do casulo, a lagarta se liquefaz para virar borboleta. Não é uma mutação de partes crescendo e se modificando. Não. Ela realmente se desfaz, para se refazer, para se tornar aquilo à que veio ao mundo, borboleta. Assim, para mim, o texto é uma metáfora sobre a passagem da menina para a mulher. Ou, da mulher para ela mesma, em uma espécie de ritual para tomar posse de si mesma.

    Muito, muito belo.

    Parabéns pelo trabalho.

    Boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  26. Evandro Furtado
    2 de abril de 2018

    Apesar de uma escrita espetacular, sinto que a história levou a lugar nenhum. Enquanto ambientação, achei fantástica, mas senti a necessidade de expansão. E não foi por falta de espaço. O autor, por algum motivo, resolveu deter-se, não ampliou. De início, achei que poderia ser uma metáfora para a vida da mulher (Eva, Helena de Tróia?), e pode até ser, mas faltou ampliar. Creio que o grande pecado aqui tenha sido, justamente, a economia.

  27. Fabio Baptista
    29 de março de 2018

    Honestamente, eu não tenho muito tato para poesia. Não vou dizer que não gostei, é um texto bem curto, as ´palavras passam rápido e há beleza em algumas construções. Mas eu não consigo viajar muito em delírios sensoriais (seja lá o que for isso) e tal, então minha apreciação do trabalho fica um tanto limitada.

    Mas, independente dos meus gostos, acho que está bem escrito e atende bem à proposta do desafio.

    Abraço!

  28. werneck2017
    28 de março de 2018

    Olá, Helena.

    Trata-se de um texto poético de rara beleza e sensibilidade. Sentimentos que permeiam a vida das mulheres, frágeis, sonhadoras, que abarcam o céu e o inferno.Experimental? Eu diria que não inovou na forma. De resto, perfeito.

  29. Fil Felix
    25 de março de 2018

    Boa tarde! Um conto-poema que caminha pelas sensações, do que uma história propriamente dita. Acho que a experiência está aí, em mesclar ambos, apelar pro sensorial do leitor, que precisa se abrir e sentir. Como o processo de metamorfose. Achei o início do texto muito bonito, até mais que o final. Porque no fim temos a batida do juiz: borboleta. Enquanto que no início podemos viajar pelas palavras, imaginar até o bicho da seda.

  30. Regina Ruth Rincon Caires
    25 de março de 2018

    O texto é um “poema”. Bem escrito, melancólico, fala da dor do crescer. Reflexão paradoxal entre o ser tão frágil e a fortaleza que se deve estampar. Esmorecer, jamais… Aparência e realidade, dores silenciosas.

    Construção perfeita, diagramação muito bem cuidada. Ilustração que traz a magia, enigmática. Alegras os olhos.

    Parabéns, Helena!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  31. Priscila Pereira
    24 de março de 2018

    Olá Helena,
    Um belíssimo texto de prosa poética você nos trouxe!! Me levou a tentar decifrar, mesmo podendo não ser decifrável. Todo o texto é extremamente bem escrito e pensado. Instiga a imaginação e a curiosidade. As últimas frases são maravilhosas… Me fez pensar nos universos que existem detrás dos olhos e nas almas de todas as pessoas.
    Parabéns e boa sorte!

  32. Ricardo Gnecco Falco
    23 de março de 2018

    PONTOS POSITIVOS = O uso da Poesia como instrumento experimental.

    PONTOS NEGATIVOS = Apenas o uso da Poesia, como instrumental do experimento.

    IMPRESÕES PESSOAIS = Gostei da obra. Gostei da sinestesia; do antagonismo de seus significados (como em: “O vento, frio, evaporava devagar o suor quente do seu rosto.”). Gostei da formatação da(s) prosa(s) reflexiva(s) — alinhada(s) à direita — e intercalada(s) com o(s) texto(s) explicativo(s).

    SUGESTÕES PERTINENTES = Uma ousadia que vá além do uso poético das palavras; quem sabe(?) inclusive ‘despoetificando’ a própria poesia… (Viagem?) Mas, tá valendo! Parabéns pela sensibilidade.

    E boa sorte no Desafio!

  33. Evelyn Postali
    23 de março de 2018

    Um poema. Definitivamente. Eu vi, na parte final, um salgueiro chorão. Aqui: “Disfarçadamente, sua sombra chorava junto ao chão. Solitária e tímida. Ora projetava-se na parede e, neste momento, era fácil ver as gotas que se quebravam ao redor.” Não me pergunte o motivo, a interpretação é livre nesse conto, mas as palavras me remeteram a ele, ao salgueiro, porque na queda, como lágrima, toca o chão e ao mesmo tempo a alma. Lembrei-me do salgueiro chorão porque ele representa algo incrível – a imortalidade. Ele se contrapõe com a fluidez e leveza da borboleta. Junte a isso a efemeridade das borboletas e você terá imagens maravilhosas para compor outras imagens e outros poemas. Seu texto é delicado e profundo.

  34. José Américo de Moura
    22 de março de 2018

    A borboleta batendo suas asas feitas de seda, pousando suavemente sobre as flores de um jardim. Foi assim que eu voei junto com esse conto poético e delicado, tão delicado que deve ter sico composto por uma mulher pensei eu antes de olhar para cima e ver que o ultimo comentarista a chamava de Helena.

    Parabéns pelo belo conto.

  35. Fernando Cyrino.
    20 de março de 2018

    Olá, Helena, cá com os meus botões, ao me debruçar sobre o seu conto me pego a refletir: será mesmo um conto ou estou diante de um belo de um poema? Bem, trata-se sem dúvida de uma prosa poética, ou de um poema proseado, talvez. Tudo muito bonito. Que sensibilidade, que lindeza o que você me traz. Esse último verso é deslumbrante:
    “Chuva?
    Não naquela noite. O céu estava aberto, e os olhos da mulher, repletos de estrelas, inclusive, cadentes.”
    Abraços,

  36. angst447
    20 de março de 2018

    Um conto que me pareceu um instante fotografado. A poesia de uma vida efêmera retratada, meio a versos e experimentos com as palavras. O tamanho da narrativa é convidativo, atrai logo de imediato. Vislumbrei um momento de prazer como leitora e percebi ao final que estava certa. Mesmo assim, não é um conto simples, básico, requer uma segunda ou ainda uma terceira leitura. Parabéns pela ousadia de se mostrar muito em tão pouco espaço.

  37. Sabrina Dalbelo
    19 de março de 2018

    Ohhh que texto lindo.
    Eu o li e reli acreditando que cada palavra grafada tem um significado único e especial. Cada uma foi bem pensada. E por isso não se precisa escrever muito. O tempo de uma borboleta é curto, afinal. É único e esplendoroso, mas curto.
    Parabéns, foi emocionante.

  38. Paulo Luís Ferreira
    19 de março de 2018

    Mais um belo conto que explora a prosa poética, inclinando-se mais para a poesia que para a prosa. Com uma mensagem sublime e muito bonita. Embora tenha sentido falta de mais conteúdo para formação de um enredo.

  39. Antonio Stegues Batista
    19 de março de 2018

    Um texto bonito, sugere imagens e emoções. Experimental sem dúvida. É poesia, texto poético, mas me parece fragmento de uma história contada por metáforas. Não vou analisar a história, todo conto tem uma, mas vou me deter no poema e dizer que Helena tem belas ideias, bom gosto, escreve bem. Até o nome Helena, evoca Helena de Troia e sugere fortes emoções, guerras, intrigas, amor e ódio. Boa sorte.

  40. André Lima
    18 de março de 2018

    O texto está bem escrito e com uma forma bem bacana. A estética é importante no experimental, e o texto é bonito, é admirável de ver. Fico me imaginando esse trabalho em um livro, o quão bonita seria essa formatação.

    A beleza também está presente no conteúdo. Em minha interpretação, o texto fala sobre o quão difícil é, na vida adulta, ter que camuflar os problemas, fingir estar bem, manter um semblante tranquilo enquanto por dentro se está em uma guerra, em uma melancolia. Aliás, o texto é bem arrastado, melancólico.

    Eu gostei, no fim das contas, embora tenha faltado a caracterização como um conto. Me parece mais uma prosa poética. Isso, certamente, é o único “toque” que posso dar.

    O texto é bastante experimental, tanto na estética extremamente contemporânea, quanto no conteúdo.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio!

  41. Fheluany Nogueira
    18 de março de 2018

    Bom trabalho. Texto curto, seguro, bem ritmado, leitura prazerosa, mescla poesia e prosa tratando da necessária troca dos sonhos pela realidade, ao atingir a idade adulta, os contrastes do mundo. Parabéns pela experiência. Sorte no Desafio. Abraço.

  42. Angelo Rodrigues
    18 de março de 2018

    Cara Helena,

    um texto bem legal. Na verdade o vi como uma poesia, parte em prosa.

    Quando vi a fotografia que ilustra seu texto, corri ao livro Faeries, de Brian Froud e Alan Lee. Pensei: conheço esta foto, não a foto em si, mas o desenho aquarelado que a inspirou. Não deu outra.

    Foto e texto se ajustam perfeitamente. E acho que poderia compôr, também, do livro de Froud e Lee pela magia que dele transborda.

    Bem legal. Sugiro ajustes construtivos.

    Como toda literatura é uma forma de experiência, então vamos nessa.

    Boa sorte no desafio.

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Publicado às 18 de março de 2018 por em Experimental e marcado .