EntreContos

Detox Literário.

Mural dos Desejos (João Freitas)

15 de Agosto de 2017

A Mãe permanecia de pé, junto à porta entreaberta do quarto da sua filha Fabiana. Sem as palavras certas para a abordar, contemplava-a no silêncio, sentindo-se culpada pelo facto de Fabiana ser assim, tão fechada em copas no seu mundo.

Viúva e sem mais família, a filha era tudo o que tinha. Fabiana passava as noites no quarto, alumiado somente pela incandescente luz do ecrã de computador que se arrastava pelas paredes do quarto. “Um dia, Fabiana fundir-se-á com aquela luz eternamente”, admitia a Mãe nos seus pensamentos.

Os lisos fios de cabelo de Fabiana, tingidos de rosa, quase cobriam as linhas do seu queixo e os seus rasgados olhos castanhos, sempre humedecidos, pareciam prontos a soltar todas as lágrimas do mundo. Os seus lábios finos de vermelho vivo contrastavam com a sua roupa, invariavelmente escura, pois era no escuro que se sentia confortável. O seu nariz pencudo oferecia uma encantadora desproporcionalidade à sua face.

Fabiana era a “menina estranha” da escola. Quando fora da sala de aula, era essencialmente vista na mais recôndita sombra, sentada no chão, a ler. Evitava a todo o custo cruzar-se com os outros adolescentes que a apelidavam de “Fabiana-papagaio”, aludindo ao seu enorme nariz.

*

Naquela cálida noite estival, Fabiana sentiu-se inusualmente cansada. Após jantar em silêncio, dirigiu-se apressadamente para o quarto, ignorando o computador. Deitou-se, ainda vestida, na sua cama singular e levou-se pelo sono. Sonhou que voava à volta do globo, segurando dois cometas que a impulsionavam a uma velocidade alucinante. Ziguezagueava por entre nuvens que pareciam algodão doce e o sol massajava a sua pele muito branca, fazendo-a sentir-se quente e acomodada, como um feto no aconchego uterino. Aquele sonho simulou a felicidade no seu estado mais puro e cintilante.
Quanto acordou, a sua boca sabia a anteontem. Os rastos de felicidade engenhados no seu sonho, ainda barricados na sua carne, eram átomos instáveis tornados vapor escarlate que expeliam pelos poros da sua pele. Fabiana desejou viver para sempre naquele sonho, mas a realidade era cruelmente pontual.
Ligou o computador e os seus olhos prontamente se habituaram à luminosidade ardente do ecrã. Deu ordem ao motor de busca para pesquisar algum tipo de significado atribuído ao seu sonho. Não que acreditasse nessas lenga-lengas celestiais, mas queria a todo o custo segurar-se ao fiozinho que ainda a ligava à memória do seu sonho. Por entre os inúmeros resultados de pesquisa, houve um que lhe chamou à atenção. «Aprenda a controlar os seus sonhos», era a premissa que aquele site promovia. Fabiana partiu desse ponto para devorar toda a informação possível acerca dos Sonhos Lúcidos e em como obtê-los. As tarefas eram simples: escrever num caderninho os seus sonhos e despertar na quinta hora após adormecer. Os sonhos foram-se tornando progressivamente mais vívidos e as memórias do que sonhara, mais frescas ao amanhecer.

*

Abriu os olhos, ofuscados pelos raios de sol que em fragmentos espreitavam por entre a preciana da sua janela. As paredes do seu quarto mostravam uma cor arroxeada que ia gradualmente aclarando até se tornar rosa e depois laranja. Uma espécie de purpurina brilhante flutuava, tornando o cenário irreal. «Se as tuas próprias mãos se mostrarem distorcidas, então estás a ter um Sonho Lúcido», referia um dos sites que promovem a lucidez no sonho. Ao exibir as mãos à frente dos seus olhos viu os seus dedos dançarem como pequenas serpentes encantadas pela harmoniosa melodia de um flautim. “Estou a sonhar. Este sonho é meu. Quero voar!”

Fabiana abriu a janela do seu quarto e sem hesitar, lançou-se. Viu as casas, os carros e os transeuntes muito pequeninos, como se fossem brinquedos. Agora eram apenas rastos de luz. Voava a uma velocidade estonteante! Sentiu a adrenalina empurrar a goela para o céu da sua boca. A emoção, maior que o seu próprio corpo parecia prestes a explodir.

Voou até Itália e pousou em Roma, sua cidade perdição. Planou sob a Fontana di Trevi, correu pelo telhado da Capela Sistina e rodopiou inúmeras vezes à volta do Coliseu. Roma era linda, magnifica, igualzinha aos inúmeros vídeos de turismo virtual que visualizou na Internet. Pousou junto a uma peculiar carrinha de gelados, adornada com uma ilustração de uma enorme bola de gelado, circundada por diversas pepitas de chocolate, como se a bola de gelado fosse saturno e as pepitas o seu anel.

O vendedor de gelados era rechonchudo, de cara rosada e bigode bem cuidado, curvado nas suas pontas. Vestia uma camisa sem qualquer vinco visível e o seu cabelo negro repousava, como fios de linho, atrás das suas orelhas. O sol brilhava intensamente e os melros cantavam aprazíveis melodias. Não se avistava qualquer nuvem no céu.

– Queria um cone com duas bolas de gelado, uma com sabor a Fior di Latte e a outra com sabor a Stracciatella.

O vendedor atendeu prontamente o pedido de Fabiana. Que aspeto delicioso que aquele gelado tinha e que ânsia de provar pela primeira vez os sabores do verdadeiro gelatto italiano. Porém, ao tentar saboreá-lo, o paladar provou-se um autêntico vazio. Nem o gélido choque com o calor da língua, nem o doce paladar que as bolas de gelado prometiam. O gelado sabia simplesmente a nada.

Fabiana sentiu a sua mão fraquejar e o gelado esparramou-se no chão. Os melros levitavam dos ramos de árvore e desapareciam do horizonte. O céu escurecia, trazendo consigo carregadas nuvens cinza que chuviscavam e trovejavam. Atrás de si, o coliseu derretia como bolas de gelado. As suas mãos serpenteavam efusivamente, como que querendo cravejar os seus olhos. “É tudo um sonho!”. Fabiana sentiu-se ser engolida pelo solo. Gritou mas as suas cordas vocais não respondiam. Quando finalmente ouviu o som dos seus gritos, estava na cama do seu quarto, em total negridão, como era habitual. Até amanhecer, não conseguiu mais pregar olho.

 

*

A caminho da escola, Fabiana cruzou-se com um estranho velho, petrificado a meio do passeio que a fitava intensamente. Vestia um sobretudo de gola alta e um gorro que lhe cobria o crânio. Não fosse o bigode desgrenhado e as rugas na pele, Fabiana poderia jurar que o homem era igual ao vendedor de gelados do seu sonho. Sentiu um arrepio na espinha mas tentou não dar importância ao estranho que permanecia impávido no meio da calçada.

– Os sonhos não são mais que isso, sonhos. Por mais que sejamos donos e senhores deles, nunca passarão disso mesmo. Partidas que a nossa mente nos prega. – Anunciou o velho assim que Fabiana passou por si.

– Desculpe?

– Se desejas voar, viajar e ser feliz, tens que o ser aqui, na realidade. Nos sonhos, tudo o que provares saberá a coisa nenhuma.

– Mas como sabe o senhor acerca dos meus sonhos? – Questionou Fabiana, assustada com as revelações que o velho proferiu.

– Há um lugar escondido na tua mente que te desbloqueia os mais incríveis poderes. Só o encontras dentro dos teus sonhos. Procura o Mural dos Desejos. Os animais reconhecer-te-ão como Deusa e Senhora do seu templo sagrado. Escreve as tuas intenções no Mural e os teus desejos tornar-se-ão realidade.

As palavras do velho fizeram Fabiana tremelicar e os livros que segurava espalharam-se no chão como sequências de dominó. Ao recolhê-los novamente, constatou que a figura do velho desaparecera. As suas palavras, porém, permaneciam assobiantes na sua mente. Quem era aquele homem? E que raio era o Mural dos Desejos? Decerto que devaneios de um velho louco. Tentou não pensar mais no assunto, mas era difícil. Ao jantar, a Mãe puxava conversa com Fabiana que, imersa nos seus pensamentos, respondia com monossilábicas. As palavras do velho bicavam, teimosas, ininterruptamente no seu pensar. Quase que permaneceu acordada a noite toda. Mas eventualmente adormeceu.

*

Sentou-se na cama e olhou para os seus dedos irregulares que denunciavam o sonho. Voou pela janela fora com toda a naturalidade e sobrevoou a cidade como uma vagante gaivota que perdera o seu sentido migratório. A cidade parecia plana e cinzenta, mas um bocado de área destacava-se, brilhando mais intensamente e estremecendo, como um corpo estranho a ser expelido pelos leucócitos de um organismo. Fabiana voou em direção àquele bocado de terra, aterrando ali perto. Deu de caras com um jardim que nunca tivera visto na cidade, enfeitado de diversos arbustos podados em forma de animais. Elefantes, tigres, falcões e outros tantos, fantasiavam aquele esplendoroso jardim. Como que por magia, os animais moviam-se harmoniosamente. Os tigres pareciam bramir mas não emitiam qualquer som. Os elefantes elevavam as suas trombas e os falcões batiam freneticamente as suas asas. No centro do jardim permanecia um límpido mural de tijolos cinzentos que aparentava ter sido acabado de construir. Junto a ele, um banco onde pousavam diversas latas de tinta em spray das mais variadas cores. Fabiana escolheu a cor rosa que lhe fez lembrar o seu tom de cabelo. Recordou as palavras do velho. “Escreve as tuas intenções no Mural e os teus desejos tornar-se-ão realidade.”

Agitou o spray com vigor e escreveu: “Eu quero saber voar.” Assim que terminou, sentiu todo o mundo a ser diluído. O seu corpo, com o mundo, diluía no arrastar.

*

Sentiu, ao acordar, a cabeça mais pesada que o corpo de um elefante. Que estranho sonho fora aquele. Um mural escondido das masmorras dos nossos sonhos mais profundos que realiza os nossos desejos? Evitou pensar mais naquele absurdo.

O relógio apontava as 8:50, que é como quem diz, 10 minutos antes da sua primeira aula começar. Engoliu apressadamente a sua tigela de cereais, colher atrás de colher. Enfiou umas calças quaisquer espalhadas pelo quarto e vestiu a camisola que estava enganchada à maçaneta da porta. Ao correr pela rua fora, sentiu-se ligeiramente a flutuar. Os seus saltos eram cada vez mais longos ao ponto de já nem parecerem humanos. Quase sem dar conta, voava como nos seus sonhos.

Fabiana planava, incrédula. Que Mural dos Desejos era aquele, afinal? Um presentear dos Deuses? O segredo que desbloqueia as verdadeiras capacidades da mente humana, tantas vezes referida como sendo usufruída no seu ínfimo apenas?

Elevou-se ao topo do céu e sentiu o fofo das nuvens acariciar a sua pele. Desceu até Roma, sua cidade perdição. Viu o Coliseu, o Vaticano, o Panteão. Agora sim, não era um sonho, podia mesmo visitar Roma que parecia esbelta, tão esbelta como nos vídeos, papel químico da Roma do seu sonho. Ansiou saborear finalmente o paladar da Stracciatella e do Fior di Latte. Junto ao Coliseu, a mesma carrinha, adornada com a mesma bola de gelado em formato de planeta, circundada pelo anel de saturno feito de pepitas de chocolate.

Reconheceu o mesmo bigode encurvado e o mesmo cabelo impecavelmente penteado. Estremeceu com tamanha coincidência. Sem dar oportunidade a Fabiana de fazer o seu pedido, o vendedor de gelado ofereceu-lhe um cone com duas bolas de gelado. “Fior di Latte e Stracciatella”, disse o homem. Fabiana lambeou uma das bolas de gelado mas não sentiu nada. Nem o resfriar do toque, nem o sabor do doce. Sentiu coisa nenhuma. O sol continuava brilhante e o céu vertia um invejável azular. Os melros permaneciam nos ramos de arvoredo, cantando as suas melodias.

Sentiu as pernas fraquejar e, de joelhos, caiu no chão. De mãos cerradas, tentou gritar, mas a voz não se ouvia. Fitou os seus dedos que balanceavam como gelatina, quase que transparentes ao olhar. Como seria possível estar ainda a sonhar, se há momentos acordou de um sonho? Saltou, berrou, puxou os cabelos, desejou estar acordada, mas nada a arrancou daquele sonho. Estaria condenada a viver dentro de um sonho eternamente?

Resignada, passeou pela Roma que existia na sua imaginação. No final do dia, voou de volta para a cama do seu quarto, morta de sono e de cansaço. Cerrou os olhos até ao infinito e deixou-se arrastar pelo adormecer. No sonho do seu sonho, visitou o Mural dos Desejos. Alcançou o spray mais à mão e abanando-o, aproximou-se daquele amontoar perfeito de tijolos cinza. Os animais de arbusto celebravam a sua presença.

*

17 de Novembro de 2017

A Mãe descansava a cabeça sob o peito de Fabiana. Haviam três meses que a filha, sua única pessoa no mundo, entrara num coma e teimava em não acordar dele. Os médicos batalhavam entre análises intermináveis por um diagnóstico. Era final de tarde e a hora de visitas terminara. A Mãe saiu, lacrimejante, do hospital, e com a sua mente a explodir de tudo, decidiu ir a pé para casa que ficava do outro lado da cidade. Caminhou por ruas e ruelas desconhecidas até dar com um estranho jardim que parecia invisível aos demais transeuntes. Enfeitado de diversos arbustos em forma de animal, o jardim ali espairecia, invencível aos castigos e agressões da cidade. Um dos animais parecia mexer-se levemente, mas era somente a vaga brisa que soprava por entre os seus ramos. Sentado num banco, um estranho velho de gorro e sobretudo de gola alta alimentava um aglomerar de pombos, parecendo ignorar a presença da Mãe de Fabiana. Junto a si, permanecia hirto um estranho muro cinzento com diversas frases grafitavas, de diferentes cores, que cambaleavam umas por cima das outras.

“Eu quero voar.”

“Eu quero fazer amigos.”

“Eu quero respirar no espaço.”

“Eu quero velocidade supersónica.”

A Mãe pareceu sentir o cheiro da filha e a caligrafia das frases era-lhe familiar. Queria jurar que tinham sido escritas por Fabiana, não tivesse a tinta de spray ainda fresca, que soltava rastos de gotícula pela parede abaixo. Sentiu um calafrio arrastar-se por todo o corpo e procurou sair daquele jardim o mais depressa possível. Os animais continuavam imóveis e o estranho velho, impune à envolvente, alimentava os pombos com as suas migalhas de vitalidade.

*

Fabiana, a anos-luz da Terra, sobrevoava Saturno. Como era lindo o planeta, as estrelas que brilhavam na envolvente, as cores que pareciam rasgos de pincel soltos em tela sem arestas, a imensidão do vácuo. Fez dos anéis de Saturno o seu escorrega de brincar e do solo do planeta, o seu templo do silêncio. A quietude fora, no entanto, invadida por um chorar desesperante que se ouvia bem ao longe, a anos-luz daquele lugar. Era o choro da Mãe aclamando por si. “Acorda minha filha!”.

Foi então que compreendeu. Sabia como acordar daquele sonho que teimava arrastar-se pela eternidade. Levitou e voou em direcção à Terra, servindo-se do Sol como compasso.

“Já vou minha mamã! Vou finalmente acordar e abraçar-te até não mais. Vamos a Roma, eu e tu, ver o Coliseu e a Capela. Vamos saborear um cone de gelado, tu de Stracciatella, eu de Fior di Latte. Tu provas do meu e eu provo do teu e juntas provaremos a felicidade. Que como o Fior di Latte, ainda não lhe conheço o sabor. Mas anseio tanto por conhecer, mamã. Até já minha mamã. Espera por mim que vou a caminho.”

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48 comentários em “Mural dos Desejos (João Freitas)

  1. Bianca Amaro
    30 de dezembro de 2017

    Um texto interessante, amo quando tratam sobre questões de sonhos e do inconsciente. É um assunto realmente ótimo para se trabalhar…

    A narrativa é ótima, e o autor ou a autora tem muito talento, pois escolhe as palavras perfeitas e belíssimas para descrever as situações.

    Quanto a gramática, não notei erros graves.

    Já deve estar cansado de ler críticas, então o pouparei disso. Só digo o que muitos outros dizem, que o velho e a mãe poderiam estar melhor trabalhados.

  2. Hércules Barbosa
    30 de dezembro de 2017

    Saudações.

    um conto recheado de fantasia e sonhos. Particularmente me interessou muito o desenrolar da narrativa envolvendo Fabiana (acho que é devido a eu ser casado com uma que é psicóloga…hahahaha). Brincadeiras à parte quero dizer que o trabalho- e Fabiana- nos transporta para o seu mundo de sonhos e lá ela descobre ter super poderes que pode torná-los reais e uma pergunta ficou em minha cabeça. Será que ela voltou do mundo de seus sonhos?
    Poder tornar os sonhos realidade é algo que muitas pessoas gostariam de poder fazer

    Parabéns pelo trabalho e sucesso

  3. Fil Felix
    30 de dezembro de 2017

    Um conto sobre sonhos e seus mistérios, um assunto que gosto muito. Tenho um projeto que chamo de Central dos Sonhos onde escrevo e ilustro sobre isso, um dos pontos que sempre deixa as pessoas curiosas é o que acontece quando nos perdemos nos sonhos, quando morremos. Lá na Central fiz algo semelhante ao que você fez aqui, que é utilizando o coma. Essa parte do conto, sobre Fabiana se perder em si mesma, realizando seus desejos e entrando num looping, achei bem interessante e curti. Gosto dessa coisa mais alucinógena, por assim dizer, sem saber onde começou a realidade e terminou o sonho. Só acho que, pra reforçar a ideia de looping, acabou repetindo muito algumas coisas, como o sorvete. Talvez se expandisse mais a história, com esse grande sonho ou Mural envolvendo outras pessoas, travando a própria mãe, por exemplo, poderia dar mais profundidade. Em relação ao tema, fica a sensação de tudo acontecendo na mente da protagonista.

  4. Higor Benízio
    30 de dezembro de 2017

    Gostei do tom singelo, o texto é bonito e cumpre a tarefa de transportar-nos por aí, voando nos sonhos de Fabiana, e justamente por isso, por se tratar de sonhos, talvez fosse bacana pesar mais a mão nas possibilidades de um sonho, “Viajar” mais, digamos assim, como nos filmes do Hayao Miyazaki.

  5. Pedro Luna
    30 de dezembro de 2017

    Conto bem poético que explorou essa questão onírica. Não sei se encaixa bem ao desafio. Analisando o texto em si, foi uma boa surpresa quando sabemos que a menina está em coma. Muda o que entendemos do texto. Em que espécie de prisão dos sonhos ela vive? A figura do velho, profética, sábia, me pareceu um clichê meio batido, mas tudo bem. Para melhorar, talvez uma participação maior da mãe na história. Ela surge mais no começo e no fim, mas acaba ficando nebulosa a sua participação, logo a emoção no tal “reencontro” esperado no fim fica um pouco prejudicada. Mas é um bom texto.

  6. Marco Aurélio Saraiva
    30 de dezembro de 2017

    =====TRAMA=====

    Tenho sentimentos conflitantes quanto a este conto. Ao mesmo que gostei muito da leitura, a trama tem tantos buracos que fiquei “encucado”. Diferente de alguns contos mais metafóricos, que usam de frases com muitos significados e, por isso, se dão permissão de serem mais “mágicos” e “transcedentais”, aqui o seu conto me parece mais direto. Há um homem – uma entidade? – que brinca com pessoas que sonham em demasia. Talvez ele brincasse, na verdade, com aqueles que se aventuram nos Sonhos Lúcidos? Não sei dizer, mas nem acho que tenha sido este o seu objetivo. Este homem existe, e é só o que o leitor precisava saber.

    Daí, Fabiana se perde em um mundo de sonhos onde acaba conseguindo superpoderes. Entra em coma. Mas, no final, descobre que pode voltar.

    Não sei.. me parece um conto incompleto. Tentando forçar um pouco mais a leitura, consegui chegar a uma interpretação diferente, mas não sei se é forçação de barra:

    Os “sonhos” de Fabiana são suas desventuras sexuais – ela, afinal, está na flor da idade e começando a se envolver com outros garotos. O homem misterioso nos seus sonhos é justamente o Homem como entidade: ela o está descobrindo, e aprendendo que algumas coisas que achava serem deliciosas na verdade não têm gosto algum, e outras coisas que jamais acharia que existiam ela conseguia com este Homem. Afinal, com ele, ela sabia voar. Toda a sua experiência com os sonhos é o seu grito de liberdade; é Fabiana conhecendo não só o Homem, como a si mesma.
    O coma, então, significa aquela fase da vida de todo adolescente quando os pais nada mais são do que um estorvo. O adolescente se afasta (isso é bem exemplificado nas “respostas monossilábicas” durante o jantar), querendo ter a própria vida, sem intrusões dos seus pais. Mas, após algum tempo (anos), o adolescente vira adulto, descobre que, na verdade, umas das poucas pessoas em que pode confiar são os seus pais, lembra-se de como eles a cuidaram, e volta para casa. “Sai do coma”.

    Com esta nova visão o seu conto ficou mais instigante, apesar da abordagem de superpoderes sem bem sutil. Mas não sei se era a sua intenção.

    =====TÉCNICA=====

    Você escreve muito bem. Suas descrições são muito bonitas, e a sua escolha de palavras é excelente. Algumas vezes as suas construções complexas demais acabam por interromper um pouco o fluxo da leitura, mas logo você fisga o leitor novamente. Fabiana é uma corda-guia, carregando o leitor por seus sonhos. Você sabe passar as imagens que ela vê e as emoções que ela sente de forma muito bela.

    Parabéns!

  7. Fabio Baptista
    30 de dezembro de 2017

    Um bom texto, muito bem escrito, com um sotaque lusitano que tenho apreciado cada vez mais. Algumas palavras não sei se estão erradas, tipo “preciana” (por aqui é persiana) e outras é possível deduzir o significado (a mais legal foi “sabia” que entendi sendo usada no sentido de “ter gosto”).

    O conto tem uma pegada de fantasia, com essa questão dos sonhos despertos (já tentei fazer isso uma vez, mas não deu muito certo huahuau) e o tal mural dos desejos, um lugar secreto que à primeira vista parece ser inocente, mas acaba ganhando ares macabros, igual ao vendedor de sorvete.

    A abordagem do tema não coincide 100% com a minha concepção de superpoder.

    O final flerta com o melodrama e faltou pouco para perder a mão, mas eu gostei. Pra falar a verdade, foi o texto do desafio que mais chegou perto de me emocionar.

    Abraço!

  8. Daniel Reis
    30 de dezembro de 2017

    32. Mural dos desejos (Sir Francis Drake):
    A PREMISSA, de voar em sonhos lúcidos, é bastante conhecida da projeciolocia (aqui em Foz temos um centro de estudo do assunto, o CIAEC – Centro Internacional de Altos Estudos da Conscienciologia). Gostei da premissa, da menina que voava – e que escrevia seus poderes
    em coma, o que foi a surpresa. Com sua agradável dicção lusitana, o autor apresentou uma TÉCNICA muito sólida, ainda que em alguns momentos apelando para a emoção em demasia. Mais um conto que tenho pouco a criticar quanto a APRIMORAMENTOS, e bastante a elogiar. Parabéns!

  9. Rafael Penha
    29 de dezembro de 2017

    Olá ,Sir Francis

    1- Tema: Se adequa perfeitamente nos parâmetros do desafio.

    2- Gramática: Achei e leitura interessante e comovente. Há alguns erros em algumas palavras, discordâncias, e repetições de palavras em alguns pontos que incomodam um pouco. Mas nada que estrague a experiência.

    3- Estilo – Um texto bonito e lúdico. Como uma criança a sonhar. A escrita passou bem o sentimento da leitura. A meu ver, algumas palavras pouco usuais foram bem empregadas, outras não.

    4- Roteiro; Narrativa – Um enredo interessante da jovem tentando descobrir seu poder. Acaba sendo um poder dentro de outro, dentro de outro. Controlar sonhos, voar, se aprofundar e perder-se no sonho. Algo tipo ” Inception”. A repetição de gelados me atrapalhou um pouco, achoque ela deu valor demais a isso, e creio que o maior problema foi não ter explorado a relação da mãe coma filha, que justificasse o belo final que teve.

    Um belo conto, original e despretensioso, que nos entrega os sonhos de uma criança e a possibilidade dela se perder neles. Como entusiasta de astronomia, algo que me incomodou muito, foi mencionar que a menina estava a “anos-luz de distancia”, sendo que ela estava em Saturno, que é a muito menos que um ano-luz da Terra. Tem que ter cuidado com essas medidas, ainda mais quando existem chatos como eu, nesse sentido. Mesmo assim, um belo conto.

    Grande abraço!

  10. Ana Maria Monteiro
    29 de dezembro de 2017

    Olá, Sir Francis. Tudo bem? Desejo que esteja a viver um excelente período de festas.
    Começo por lhe apresentar a minha definição de conto: como lhe advém do próprio nome, em primeiro lugar um conto, conta, conta uma história, um momento, o que seja, mas destina-se a entreter e, eventualmente, a fazer pensar – ou não, pode ser simples entretenimento, não pode é ser outra coisa que não algo que conta.
    De igual forma deve prender a atenção, interessar, ser claro e agradar ao receptor. Este último factor é extremamente relativo na escrita onde, contrariamente ao que sucede com a oralidade, em que podemos adequar ao ouvinte o que contamos, ao escrever vamos ser lidos por pessoas que gostam e por outras que não gostam.
    Então, tentarei não levar em conta o aspecto de me agradar ou não.
    Ainda para este desafio, e porque no Entrecontos se trata disso mesmo, considero, além do já referido, a adequação ao tema e também (porque estamos a ser avaliados por colegas e entre iguais e que por isso mesmo são muito mais exigentes do que enquanto apenas simples leitores que todos somos) o cuidado e brio demonstrados pelo autor, fazendo uma revisão mínima do seu trabalho.
    A nota final procurará espelhar a minha percepção de todos os factores que nomeei.

    O seu conto tem muita beleza e aborda um tema bastante interessante. Sonhos lúcidos não são um superpoder, mas uma realidade, percebe-se que pesquisou sobre o tema. Não muito a fundo, ou saberia que Fabiana não tinha como abrir a janela, ela simplesmente sentiria a fechadura mas nada sucederia; tal facto, entretanto, não a impediria de sair voando. No entanto, você acrescentou alguma fantasia aos sonhos lúcidos, dando aso à possível interpretação de um superpoder. Senti falta dum aprofundamento maior nos personagens, mãe e filha, que não chegaram a cativar. Isso não impediu que tenha sentido a atmosfera onírica em que se enquadra como uma viagem. Notei um pouco de excesso na tentativa de poetizar e isso funcionou algumas vezes, mas outras soou forçado. A linguagem é cuidada e selectiva. Pessoalmente, gosto mais de ler uma narrativa “para todas as audiências”; os grandes clássicos habituaram-me a isso e sempre encontrei mais beleza no fluir natural da palavra comum, que na rebuscada. São opções e gostos que não há que discutir. Alguns tempos verbais como “tivera visto” também resultaram de forma estranha que quebrou o bom ritmo de leitura. No geral é um conto muito bem escrito e com beleza, mas onde o factor humano foi afastado por conta do limite de palavras, e também por essas partes algo forçadas em que somos chamados à atenção para a escrita e a capacidade do escritor, desviando-nos da história. Parabéns e boa sorte no desafio.
    Feliz 2018!

  11. Priscila Pereira
    29 de dezembro de 2017

    Superpoder: viver dentro do mundo dos sonhos!

    Ola Sir Francis, seu conto caiu direitinho no meu gosto! Amo o mundo dos sonhos e tudo que se relaciona com eles. A descrição dos sonhos são maravilhosas, Fabiana é uma personagem forte e bem desenvolvida, o conto é bem sentimental, dá pra identificar os sentimentos da filha e da mãe muito bem. O final aberto foi ótimo também, não dá certeza se a Fabiana vai conseguir sair do coma ou não… Ficamos só a imaginar! Gostei bastante! Parabéns e boa sorte!

  12. Felipe Rodrigues
    28 de dezembro de 2017

    O conto é envolvente, tanto no trato com a palavra – grandes descrições e aquelas cores sobrepostas do começo criaram um clímax excelente – como no que se refere à trama. É uma história bonita envolvendo mãe e filha, onde uma parece acessar o sonho da outra através de um elo que não foi quebrado pelas agruras da vida, cheguei até a pensar que o inconsciente da menina criava estruturas no real, no acesso à mãe, mas o conto partiu, ao final para outro tipo de saída, esta mais dramática e que me frustrou um pouco.

  13. Fernando Cyrino.
    27 de dezembro de 2017

    Olá, Sir Francis Drake. Que gostoso viajar nos sonhos da nossa heroína. A menina solitária e que sofria bulling na escola e que escapa pelo superpoder do sonho. Gostei da maneira como você me apresenta a sua história. Você consegue me trazer a imagem do que quer mostrar e este é um belo de um dom. Interessante perceber o português de além mar na sua narrativa. Mesmo assim fiquei em dúvida se usam pressiana, no lugar de persiana. Se tem algo que gostaria de lhe sugerir que prestasse alguma atenção é na repetição das palavras. Dou o exemplo das palavras velho e gelado. Estão várias vezes repetidas e poderia ter investido em sinônimos. Abraços.

  14. Amanda Gomez
    27 de dezembro de 2017

    Olá, Sir Francis!

    Seu texto é muito visual, estou impressiona pela forma, ambientação, as descrições muito nítidas, eu me deixei levar por elas, o que tornou a leitura em si muito prazerosa, fora claro, o enrendo.

    Geralmente eu costumo adivinhas os desfechos e tudo mais, mas no inicio eu deixei passar, ou você escondeu muito bem que e a menina estava em hospital, em coma… a princípio eu entendi que esse coma era figurado, era uma adolescente sequestrada pela tecnologia, pelas tristezas da vida e etc… algo como depressão. E quando entendi que era literal, foi uma pequena mais importante reviravolta.

    As viagens dela nesse mundo dos sonhos, foram de encher os olhos, o sorvete, a ausência de sabor, de sentimentos, de toque… consegui sentir o desespero, a tristeza dela… imagine, só. Consegue ir aonde quiser, materializar o que quiser, mas não consegue sentir coisas simples como o gosto de um sorvete?

    O final, com a mãe vendo o mural dos desejos… esses paralelos, Fabiana querendo acordar, e acordando eternamente. Tudo muito sentimental, tocante.

    Meus parabéns pelo belo trabalho.

    Boa sorte no desafio!

  15. Leo Jardim
    26 de dezembro de 2017

    # Mural dos Desejos (Sir Francis Drake)

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫):

    – é uma história intrigante, mas achei que ficou muita coisa em aberto: quem era o homem de capuz e qual o seu objetivo? O que era sonho e o que era real?
    – tramas ambientadas no mundo dos sonhos quase sempre me deixam um gosto de que não peguei tudo
    – tinha gostado bastante desse fim com ela em coma eterno, num sonho dentro do outro; o fim, com ela ouvido a mãe, tirou um pouco desse impacto angustiante
    – há também um excesso de detalhes que nada agregam à trama, por exemplo: O vendedor de gelados era rechonchudo, de cara rosada e bigode bem cuidado, curvado nas suas pontas
    – afora esses pontos negativos acima, tenho que elogiar a inventividade dos sonhos e de como Fabiana acabou por sucumbir ao vício de sonhar

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫):

    – acho que há um excesso de floreios, deixando a leitura densa e difícil em algumas partes, por exemplo: Os rastos de felicidade engenhados no seu sonho, ainda barricados na sua carne, eram átomos instáveis tornados vapor escarlate que expeliam pelos poros da sua pele
    – apesar disso, é uma escrita de grande qualidade e beleza

    💡 Criatividade (⭐⭐▫):

    – contos oníricos temos aos montes, mas este tem uma boa dose de inventividade

    🎯 Tema (⭐▫):

    – descontei um ponto pois os poderes são usados apenas no mundo dos sonhos

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫):

    – tinha gostado bastante do fim com ela em sono eterno, num sonho dentro do outro; o fim, com ela ouvido a mãe, tirou um pouco desse impacto angustiante

  16. Renata Rothstein
    26 de dezembro de 2017

    Olá, meu querido amigo lusitano Sir Francis Drake,
    Como estás?
    Olha, seu conto me arrebatou. Do início ao fim Fabiana mostrou-se cativante, sua impulsividade de adolescente deu o ponto certo nas suas buscas por aventuras transcendentais.
    Fabiana é vítima de bullying, logo tem, que triste isso, alguns componentes de personalidade que precisarão ser trabalhados, para adequação à própria vida – vida que, logo percebemos, está pouco esvaindo de seu copor em coma.
    A Mãe (gosto dessa maneira portuguesa de grafar a palavra Mãe – com M maiúsculo) é figura de alta comnplexidade, a única que pode entender/captar/implorar e talvez conseguir seu intento, que é o de unir-se à amada filha.
    São muitas as especulações sobre o destino de Fabiana, e até mesmo de sua Mãe.
    Gostaria imenso de ler uma continuação deste maravilhoso conto.
    Parabéns e boa sorte no Desafio,
    Abraços

  17. Andre Brizola
    26 de dezembro de 2017

    Salve, Sir Francis!

    Eu ainda tenho alguns contos para ler, mas devo dizer que o enredo aqui é de longe o mais interessante. Gostei muito mesmo. É inevitável achar que há aí alguma influência de Neil Gaiman, visto seu histórico com o Sandman, o governante do Mundo dos Sonhos, e algumas fábulas urbanas, como Lugar nenhum. Até dei uma rápida olhada nos comentários para ver se mais alguém havia levantado essa hipótese e vi que a Paula Giannini mencionou o filme Máscara do Espelho (Mirrormask, aqui no Brasil virou Máscara da Ilusão). Não por acaso, digo, pois o filme tem estória por Gaiman e um dos inúmeros desenhistas de Sandman, Dave Mckean (também diretor do filme).
    A premissa de conseguir acessar um lugar dentro dos sonhos já me pareceu bem legal. Mas a partir daí encontrar meios para despertar poderes (provavelmente inertes nos seres humanos), ficou genial. Com ou sem consequências, toda essa parte me agradou muito. De alguma forma fiz um paralelo do muro dos desejos com aquelas partes ainda não mapeadas do cérebro humano, como se o contrato firmado com tinta no muro desbloqueasse um poder já existente para Fabiana. É uma interpretação minha, talvez toda torta, mas que achei interessante.
    Mas não posso ficar somente nos elogios. Embora muito criativa, a estória tem alguns pontos em que poderia crescer mais. Acho que a relação entre Fabiana e a Mãe ficou um tanto quanto rasa. E é exatamente essa relação que poderia ter enriquecido ainda mais o conto. Quase como se Fabiana e a Mãe estivessem vindos de estórias diferentes. Faltou um pouco de congruência nas buscas de ambas, na minha visão.
    Mas, no somatório final, eu gostei do conto. Há uma riqueza de detalhes que é positiva, e mesmo a condição de perda da Mãe, com a filha em coma, não gerou algo piegas ou excessivamente dramático. O final aberto foi uma saída interessante para um conto que exigiria explicações mais amplas se fosse continuado, provavelmente saindo do limite do desafio.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  18. Estela Goulart
    26 de dezembro de 2017

    Olá. É um conto bastante criativo. Seria legal se houvesse uma continuação, não é? Esse superpoder pode ser bem mais trabalhado, muitas ideias surgem enquanto lemos. Mesmo assim, está muiro adequado ao tema. Nada que atrapalhasse minha leitura. Parabéns e boa sorte.

    • Estela Goulart
      26 de dezembro de 2017

      Ah, e abordar esse tema dos sonhos também achei bom. Deixa o superpoder acessível a todos nós: a arte de apenas sonhar.

  19. eduardoselga
    26 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a).
    Antes de tudo, interpretações do literário são versões acerca do texto, não necessariamente verdades. Além disso, o fato de não haver a intenção de construir essa ou aquela imagem no conto não significa a inexistência dela.

    Usar a palavra escrita é usar símbolos, dado que as palavras não são as coisas, e sim as representam. Podemos imitar a “verdade”, usando palavras cujas cargas simbólicas não permitem grandes fugas do interpretante; podemos lançar mão de vocábulos bem carregados quanto aos significados neles incorporados e permitir a plurissignificação. Por esse motivo, uma das tarefas iniciais de quem se põe a escrever ficção, antes de preencher a primeira linha, é determinar qual uso fará da força expressiva dos símbolos contidos nas palavras: prioritariamente denotação, conotação ou uma mistura de ambas as instâncias (nesse caso, em qual medida?).

    Digo isso porque embora aja uma dimensão simbólica envolvendo a necessidade de voar da personagem e sua relação com a figura materna que de alguma maneira impede isso, tal dimensão não foi devidamente explorada. Os dois fatores pareceram atuar independentes entre si. Foi, em minha opinião, falha na estrutura narrativa e, fazendo parte desse aspecto, uma escolha vocabular e rítmica que não permitem ao leitor mesmo voo que a personagem experimenta. O conto ficou, em determinadas partes, burocrático, na medida em que as palavras não convidam.

  20. Juliana Calafange
    24 de dezembro de 2017

    Adorei a premissa! Eu tenho cá um rascunho de um conto que trata tema semelhante. Uma menina que gosta tanto de sonhar que um dia acaba dormindo para sempre.Seu conto é lindamente escrito, nota-se o esmero na escolha das palavras e na construção da estrutura.
    O miolo do conto me pareceu um pouco arrastado, a repetição de algumas imagens talvez tenha sido a causa.
    O final em aberto deixa o leitor um pouco aliviado, com a possibilidade da Fabiana voltar do coma. Mas fica aquela pulga atrás da orelha: Será o contrário? Poderia a mãe entrar em coma e ir viver no mundo dos sonhos com a Fabiana?
    Muito bom, parabéns!

  21. Bia Machado
    24 de dezembro de 2017

    – Enredo: 1/1 – Esse é daqueles contos que começo com a sensação de que não vai dar em nada, a sensação de que não vou gostar. Ainda bem que nesse me enganei.
    – Ritmo: 0,8/1 – A narrativa pra mim teve um ritmo muito bom de leitura, como se pudesse ver o que estava acontecendo. Só o finalzinho que achei destoar desse ritmo que o restante do conto teve. A mim ficou confuso o final, há uma dúvida sobre o que realmente aconteceu, mas isso não tira a qualidade do conto.
    – Personagens: 1/1 – A menina e a mãe foram bem utilizadas na trama, sem exageros.
    – Emoção: 1/1 – Gostei muito. Se ele fosse maior, com mais detalhes, gostaria ainda mais.
    – Adequação ao tema: 0,5/0,5 – Para mim está adequado. A menina adquiriu um superpoder que infelizmente causou-lhe isso tudo.
    – Gramática: 0,5/0,5 – Nada que me atrapalhasse a leitura.

    Dica: A única em que posso pensar é trabalhar mais esse universo do conto. É tão lírico! O final poderia ser mais bem elaborado, a fim de diminuir a sensação de incerteza quanto ao que realmente aconteceu e acho que, para que isso aconteça, seria necessário já em partes anteriores sinalizar isso. E se você sinalizou, peço desculpas por não ter compreendido.

    Frase destaque: “Ao exibir as mãos à frente dos seus olhos viu os seus dedos dançarem como pequenas serpentes encantadas pela harmoniosa melodia de um flautim.”

    Obs.: A somatória dos pontos colocados aqui pode não indicar a nota final, visto que após ler tudo, farei uma ponderação entre todos os contos lidos, podendo aumentar ou diminuir essa nota final por conta de estabelecer uma sequência coerente, comparando todos os contos.

  22. Pedro Paulo
    24 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Neste conto, o autor abordou o tema do desafio enquanto nos escrevendo uma história que é lotada de elementos de fantasia, com uma protagonista imersa num mundo irreal no qual o impossível está sempre ao seu alcance. O mérito do autor é que este conseguiu nos enganar, pois enquanto nos conduz, em uma linguagem lírica, nas aventuras surreais de Fabiana, nos deixa ignorantes do custo que tem a vida nos sonhos, abordando as consequências apenas próximo do final.

    Quando nos damos conta que Fabiana está presa no mundo onírico, vi um resquício do desafio terror, uma vez que partilhamos da agonia da garota, encurralada em cantinhos da própria mente. Para atribuir lógica à prisão da personagem, a inclusão do velho misterioso foi muito bem colocada, aparecendo de maneira pontual ao longo da trama, mas contribuindo para explicar o que acontece à Fabiana. Pelo que eu entendi, o personagem está se utilizando do seu poder para manter a menina presa aos sonhos, enquanto absorve a sua vitalidade de alguma maneira. Na verdade, parece que há mais para se entender do poder dele, dado que as pichações da garota se transcrevem na vida real, mas o autor soube priorizar e, portanto, são perguntas que enriquecem a história, ao invés de deixa-la “em falta” com o leitor. A reviravolta que vem quando o portador do superpoder não é a protagonista, mas o antagonista, funcionou muito bem.

    O final é um pouco desapontador. Encaixa-se muito bem no conto, pois faz ligação com os primeiros parágrafos, dando sentido à perspectiva da mãe na história, felizmente não reduzida a apenas um plano de fundo. O problema é que não resolve a história de verdade, deixando em aberto se Fabiana vai conseguir retornar à realidade. Eu prefiro tomar que o final fica aberto, pois implicar que o último parágrafo significou a volta dela ao mundo real parece deixar muito “simples” a maneira como ela sairia da armadilha do velho. Afinal, não teria ela sentido falta de casa antes? Da mãe? A única explicação, percebo agora, é que a ida da mãe ao muro que fica no jardim talvez tenha se feito sentir no mundo dos sonhos, dado que aquele lugar é como uma conexão entre a realidade e Fabiana. De todo modo, o final deixou muito em aberto, de uma maneira que dá mais possibilidades à história, mas não a conclui. Ainda assim, é um bom conto!

  23. Iolandinha Pinheiro
    24 de dezembro de 2017

    Um conto intrigante, original, como uma viagem ao Mundo das Maravilhas. Quando eu era criança (um dia destes) filmes como Alice, e Peter Pan eram perturbadores para mim. Eram filmes que subvertiam a lógica. Eu precisava da lógica para entender a vida e quando eu não a encontrava isso me deixava constrangida, mas, ao mesmo tempo, curiosa, desafiada.

    Seu conto é como usar uma droga que me liberasse das amarras da percepção do real, e me permitisse alterar estados de consciência, como se eu mesma estivesse dentro deste ultramundo colorido e ilógico da menina.

    Achei o texto bastante aberto e muitas coisas ficaram inconclusas na minha cabeça, usualmente eu acharia ruim, mas vejo que a proposta do conto é essa consistência tênue, onde tudo é possível e não há porque estabelecer limites.

    Eu gostei.

    Abraços.

    Iolanda.

  24. Sigridi Borges
    23 de dezembro de 2017

    Olá, Sir Francis Drake!
    Viajei, voei e me encantei com Fabiana.
    Texto muito lúdico.
    Tratar de uma adolescente com problemas de relacionamento é um tema clássico, porém difícil, o que você conseguiu, a meu ver, com tamanha maestria.
    Alguns poucos erros de digitação fizeram com que eu tivesse de voltar na leitura e prestar mais atenção.
    Sou filha de pai português e me recordei de vários termos usados aqui em casa.
    Gostei muito disso.
    Obrigada por escrever.

  25. Mariana
    22 de dezembro de 2017

    Olá

    A grafia lusitana me atrapalhou um pouco no começo, mas foi muito rica ao longo do conto (aprendi novas palavras). A história traz um padrão aqui do desafio, os adolescentes rejeitados, mas sob outra perspectiva: a garota resolve embarcar no mundo de sonhos, mais especificamente na sua Roma dos sonhos. É, encarar a realidade é a triste tarefa dos adultos, da mãe cuidando da filha em coma. Assim, confesso, por pena da mãe não consegui simpatizar com Fabiana e sua alienação. Mas a história é interessante e, se Fabiana voltar, quem sabe poderá se tornar uma personagem mais interessante que uma adolescente reclusa. Parabéns e boa sorte no desafio.

  26. Luis Guilherme
    22 de dezembro de 2017

    Boa tarrrrde, tudo bem por ai?

    Belo conto! A linguagem é absurdamente rica e envolvente, e é o ponto alto do conto. A leitura é super agradável, a ponto de me parecer estar flutuando junto da menina pelo espaço. A leitura teve essa impressão: de um flutuar agradável e tranquilo pelo espaço.

    Você escreve muito bem! Palavras escolhidas a dedo, dando a impressão de um bailar, não sei explicar. Só sei que a leitura foi um deleite do início ao fim, e não dava vontade de terminar.

    O enredo também é bom! Gosto bastante do tema, que foi abordado com habilidade, o que sugere que o autor pesquisou bastante antes de escrever.

    A trama se desenrola bem, a personagem cresce gradativamente, e a descoberta do poder é competente.

    O conto tem um quê lírico agradável.

    A única ressalva que eu faria é o fim, que achei abaixo do restante. Não sei, achei que acabou do nada e não foi condizente com o restante. Mas isso é só uma observação, nada que atrapalhe o todo.

    Enfim, belíssimo conto, uma leitura deliciosa a ponto de me deixar triste pq acabou! Rsrs

    Abraço, boa sorte e parabéns!

  27. Edinaldo Garcia
    22 de dezembro de 2017

    Mural dos Desejos (Sir Francis Drake)

    Trama: Garota descobre como conseguir superpoderes.

    Impressões: A premissa é boa. Sonhos lúcios é algo muito bacana e me lembro de já ter tentado. No entanto, o enredo é frágil e cai em algumas situações estranhas, absurdas até, de viagens cósmicas como quem se desloca para outro estado, ou mesmo elementos únicos do sonho que repentinamente aparecem na vida real sem explicação ou coerência alguma. Os personagens soaram rasos e artificiais demais.

    O final piegas também me desagradou, numa forçada de barra para uma dramaticidade fora do restante da narrativa.

    Linguagem é escrita: Há muitos erros gramaticais e de digitação. Mesóclise no meio de frases além de erro me parece uma tentativa desesperada de erudição. Repetição de palavras também me cansou muito. Excesso de descrição abstratas confusas que não empurravam a trama. Me pareceu que o autor(a) numa tentativa ser poético demais acabou dando ao texto tons diferentes entre um período e outro, (às vezes no mesmo parágrafo) deixando o texto cansativo, truncado e sem fluidez.

    Só alguns exemplos. O texto carece de revisão gramatical
    :
    rasgados olhos – Eu evitaria essa construção para não causar alusão ao racismo com os orientais.
    Quanto acordou – “Quando” erro de digitação.
    rua fora – rua afora
    Haviam três meses – Havia

    É só a minha opinião.

  28. Jorge Santos
    21 de dezembro de 2017

    Olá, Francis. Gostei do seu conto, que parece uma metáfora para o alheamento da realidade que os adolescentes actuais parecem padecer. A libertação pelo sonho foi bem explorada. O final fica em aberto, mas tudo indicia um final feliz. Só a repetição incessante da questão dos sabores do gelado fica estranha. Alguém que pode atravessar o Espaço mas que ficou obcecada por dois sabores de gelados em Roma tira alguma magia ao conto, mais pela repetição usada. Fora isso, o conto é bem escrito e a leitura flui.

  29. angst447
    21 de dezembro de 2017

    Olá, Sir Francis Drake, tudo bem?
    O tema proposto pelo desafio foi abordado com bastante lirismo.
    Não percebi grandes falhas na sua revisão, levando-se em conta o sotaque lusitano e as diferenças entre o português daqui e o português daí. Linguagem suave, mais poesia do que prosa, que pode cansar alguns leitores. Eu mesma costumo cair em um certo exagero ao dosar o tom poético aos meus textos.
    O enredo é interessante, a menina tendo um sonho consciente e parecendo estar em coma. O final é um tantinho puxado no sentimentalismo, mas o bom é que é feliz e quem não aprecia um happy end?
    Boa sorte!

  30. Gustavo Araujo
    20 de dezembro de 2017

    Gostei muito deste conto. É uma viagem onírica em muitos sentidos, com múltiplas alternativas. Um texto em camadas, para ser degustado aos poucos, que oferece diversas interpretações. A garota que aprende a sonhar acordada, a ter o chamado “sonho lúcido”, controlando seus destinos e desígnios, e que depois vê-se prisioneira nesse mundo, todavia a ele se acostumando e até se divertindo, embora não pudesse sentir o gosto do sorvete. Paralelamente, no mundo real, a mãe se desespera porque a filha não mais acorda. Cheguei a pensar, no início do conto, que ela, a mãe, fora mencionada sem maiores propósitos, mas percebi meu erro na parte final do conto, quando as duas se encontram. O que entendi foi que a mãe mesmo conseguiu penetrar esse mundo de sonhos, talvez por ter morrido, e agora está pronta para reencontrar a filha até então perdida. Visto por esse lado, o conto tem um final feliz, um final, aliás, muito competente. O texto passa certo lirismo a todo instante, o que me agrada sobremaneira. Também está escrito de uma maneira singular, que cativa pelo trato elegante do idioma. Os personagens – o que dizer? – são ótimos. Fabiana é cheia de vida e, no fim, dá-se conta do amor que tem pela mãe. Fantástico. Muito bom mesmo. Parabéns e boa sorte no desafio.

  31. Catarina Cunha
    20 de dezembro de 2017

    A prosa lusitana deu aqui um charme especial à narrativa. Em vários momentos fiquei como Fabiana, sem saber se acordada ou sonhando. O truque é bem administrado dentro de um curioso mundo paralelo.
    O (a) autor (a) sabe o que faz e tem controle do ritmo literário.
    Embora bem elaborado, o conto não me emocionou em seu drama familiar. Eu estava gostando da viagem, até pousar no tom piegas do final.

  32. Paula Giannini
    20 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Seu conto me remeteu a um filme de 2005, muito bom por sinal, “A Máscara do Espelho”. Nele, uma menina entra em uma jornada através dos sonhos, a fim de resgatar a mãe.

    Não que a trama do conto aqui apresentado se assemelhe ao filme. Não. Mas é interessante notar como palavras e histórias nos levam a lugares outros, que não apenas o texto lido.

    Gostei muitíssimo da construção onírica dada ao conto, e, ainda mais, da maneira com que, a princípio, o(a) autor(a) se utiliza da própria condução da história, confundindo o leitor. O que é sonho? O que é realidade? Só ao passo que a trama se desenvolve, é que se compreende que a protagonista está, na verdade, presa no próprio sonho.

    Outro ponto interessante a se notar é a construção do pano de fundo psicológico dado ao texto. A personagem adolescente se isola a fim de fugir do relacionamento com a mãe, a fim de fugir de si mesma, depois, refugia-se no sonho, mas, é justamente aquela de quem quer fugir que a resgata de seu aprisionamento. Ou não. Obviamente o final permite interpretações as mais diversas.

    Gostaria de falar aqui, também, da alusão ao sonho consciente. Um tema rico e extremamente instigante. Eu mesma já pesquisei sobre o assunto. Quem nunca teve o desejo de dominar seus sonhos? Bom, fato é que o domínio existe, dizem os especialistas. O máximo onde consegui chegar foi no ato de pensar, “nossa estou sonhando”. Dizem que em sonho não conseguimos ler. Somos todos disléxicos. Pois não é que me peguei conseguindo ler lá no tal sonho… Ou seja, sou uma péssima sonhadora lúcida, ao contrário de sua personagem.

    A cereja do bolo está no fato de a menina não sentir o sabor do sorvete. Ótima pista para “o sonho não acabou”, mas, mais que isso, algo coerente e inteligente por parte do(a) escritor(a). Não se finaliza, em sonhos, experiências desconhecidas. Tanto é que quando sonhamos com a morte, acordamos antes de esta se dar por completo. E mais, a experiência sonhada, por mais interessante que seja, não se iguala ao sabor da vida real, é a mensagem que fica.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  33. Rubem Cabral
    20 de dezembro de 2017

    Olá, Sir Francis Drake.

    Achei o conto muito bonito. Há muito lirismo e boa construção de imagens. Achei também, contudo, que por vezes houve algum exagero poético, o que dificultou a leitura em meio a tantas metáforas e expressões elegantes. Não houve também muita preocupação com repetições, não? A palavra “gelado”, por exemplo, aparece 17 vezes no texto (18, se contarmos o “gelatto”), muitas vezes próxima uma da outra. Há uma imprecisão quando você diz que Fabiana está a anos-luz da Terra, sobrevoando Saturno, que fica a 1,2 mil milhões (bilhões no Brasil) de quilômetros. Um ano-luz tem 9.460.730.472.580,8 km, ou seja, é muito maior.

    O conto conseguiu com sucesso refletir aspectos do sonho. Porém penso que faltou maior desenvolvimento das personagens. Fabiana ou sua mãe não têm lá muita personalidade, e eu sequer construí uma imagem mental delas enquanto lia.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  34. Fheluany Nogueira
    18 de dezembro de 2017

    Superpoder: a capacidade de dominar os sonhos. Esse domínio não ficou bem claro, pois a protagonista se perdeu nos sonhos, não pode ou não quis voltar. No desfecho, o retorno é uma possibilidade.

    Enredo e criatividade: Uma história bonita, talvez realismo fantástico sugerido pela dificuldade de relacionamentos da protagonista que, primeiramente está presa ao computador e depois aos sonhos. O enredo não é novidade, mas está com novos e encantadores trajes.

    Estilo e linguagem bem amarrados, muito ricos, quase poéticos. As imagens criadas, às vezes realista, outras vezes, surreais.Descrições bem feitas. Alguns trechos ficaram confusos e carecem de revisão.

    Gostei da ideia e da execução. Bom trabalho. Parabéns! Abraços.

  35. Antonio Stegues Batista
    18 de dezembro de 2017

    O texto é bom a escrita boa. O português de Portugal foi o que notei primeiro, algumas palavras parecem estranhas, ou erradas, mas é apenas uma diferença de idioma. As frases foram bem construídas, sem exagero, não dá trabalho para entender. Achei uma história bonita. Fabiana deseja ter sonhos lúcidos, mas fica presa num deles. Creio que ela já não sabia o que era sonho e realidade, até que sua mãe, com seu amor de mãe, um superpoder, conseguiu despertá-la daquele coma. Muito bom. Boa sorte.

  36. Regina Ruth Rincon Caires
    18 de dezembro de 2017

    Um belo conto, descrição fantástica. O leitor é conduzido, magnificamente, para a cena da história. A penumbra e a desordem do quarto, o aspecto funesto do ambiente, a beleza estranha de Fabiana, as belezas de Roma, o verde do parque, o “movimento” dos animais, tudo, se o leitor fechar os olhos, sente-se participando da “viagem”. É claro que o texto está crivado de expressões lusitanas, e não poderia ser diferente! O autor é português, ora! Não compreendo tais comentários. E que prazer eu sinto quando leio textos de autores portugueses, e como aprendo com eles. São cuidados, ricos, extremamente bem elaborados. Particularmente, nesta narrativa há poucos erros e já foram citados. Erro de digitação não é erro de linguagem, é pura distração. Quanto ao final aberto, achei espetacular. Será formado pela opinião do leitor. Esta tarefa cabe ao otimista, ou ao pessimista, ou ao sonhador, ou ao realista, ou ao incrédulo… Fica a gosto do freguês. Genial!
    Parabéns, Sir Francis Drake!
    Boa sorte!

  37. Miquéias Dell'Orti
    14 de dezembro de 2017

    Oi,

    Gostei muito da sua história!

    Você me trouxe belas imagens dos sonhos de Fabiana… principalmente em seu primeiro “Sonho Lúcido”, com Roma derretendo diante de seus olhos, como sorvete.

    Sua escrita é muito competente e me prendeu do começo ao fim. 🙂

    Fabiana tem o poder de controlar seus sonhos… posteriormente (e infelizmente) cai dentro de um limbo… sonhos dentro de sonhos… como naquele filme A Origem.

    Encontrei dois pontos… falhas pequenas, quase sem importância, mas que gostaria de pontuar para, se considerá-las pertinentes, melhorar ainda mais seu belo trabalho, caso queira ajustá-lo posteriormente.

    1. No segundo parágrafo existe a repetição da palavra “quarto” num mesmo período que talvez pudesse ser suprimida.

    2. Encontrei um “preciana” que, acredito, tenha sido um erro de digitação.

    Entendi que o velho seria um senhor dos sonhos.. como o Sandman de Neil Gaiman. E que existe sim no mundo real um jardim onde se encontra o mural dos desejos, ele fica em uma espécie de fronteira entre o esse e o mundos dos sonhos.

    Adorei o final… fica aberto ao leitor o sucesso de Fabiana em voltar, já que da primeira vez que acordara naquele além-mundo, não havia despertado de fato. Eu gosto de finais abertos… que fazem a gente pensar nas possibilidades do desfecho sem parecer que ficou faltando algo.

    Parabéns pelo trabalho!

  38. Paulo Ferreira
    14 de dezembro de 2017

    Sem querer ser deselegante, Sir Francis Drake, mas seu conto me cansou. Longo por demais. Texto de difícil compreensão, mesmo levando-se em conta estar descrito no Português Lusitano, mas a escrita é muito pretensiosa no que diz respeito à construção de algumas sentenças tais como: “Quanto acordou, a sua boca sabia a anteontem. Os rastos de felicidade engenhados no seu sonho, (Haja apetite para falar difícil) “Fazendo-a sentir-se quente e acomodada, como um feto no aconchego uterino.” – “Aquele sonho simulou a felicidade no seu estado mais puro e cintilante”. São outras expressões esquisitas. Em vista dessa dificuldade com a escrita, o conto em si não vislumbrou uma boa premissa. A personagem Fabiana, que entre o sonho e a realidade dúbia, se martiriza em constantes sonhos, não personifica uma identidade com o leitor. Espero que outros leitores tenham outras perspectivas diferentes da minha e lhe tragam boa sorte no Desafio.

  39. Neusa Maria Fontolan
    14 de dezembro de 2017

    Um bonito conto sobre a capacidade de dominar os sonhos.
    Deu-me uma certa confusão em alguns trechos, como quando Fabiana encontra o velho de gorro e sobretudo. Ela sonhava ou era real?
    Outra… quando a mãe encontra o mesmo jardim dos sonhos da filha e nele o mural e o velho. Se tudo isso era fruto dos sonhos de Fabiana, como a mãe os encontrou na realidade?
    Mas, pode ser que eu esteja imaginando coisas, ou sonhando.
    Gostei que no final Fabiana resolveu acordar, só assim para ter a maior aventura de todas, “viver”.
    Parabéns e obrigada por escrever.

  40. Ana Carolina Machado
    13 de dezembro de 2017

    Oiii. Achei bem legal o conto. Li ele há uns dias atrás, mas só tive tempo de comentar hoje. Vamos lá. Achei interessante a ideia do mural que realizava os desejos da Fabiana no mundo dos sonhos e a reflexão que ficou que mesmo sendo possível realizar os pedidos ela não sentia o real sabor das coisas, como no caso do sorvete. No final fiquei pensando se a Fabiana realmente acordou, porque aquele velho diz que os animais de arbustos meio que reconheciam ela como rainha, então talvez eles quisessem que ela ficasse, mesmo que pelo que entendi tanto eles como o mural eram partes dela. Mas eu acho que ela acordou sim, talvez o tempo que ela passou naquele sonho sem fim tivesse servido como uma forma dele mudar a forma que ela ver o mundo. Uma preparação para ela encarar a realidade e a aproveitar, porque no fim ela parece disposta a acordar e viver no mundo real com a mãe. Fiquei somente em dúvida quando ao velho que aparecia no sonho e na vida real, se ele era real ou uma parte da mente da menina que ela materalizou. Parabéns!

  41. Evelyn Postali
    11 de dezembro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Ah… Fiquei a me perguntar: Fabiana voltou? Voltou de verdade? Não saber se voltou foi cruel. Vou me encher de pontos positivos e pensar que sim. Gostei do conto. Ele está bem escrito e fala de algo que todos gostariam de poder fazer: voar. Sim. Por mais maluco que seja, algum dia, todos, um a um, desejaram voar. Ou para fugir, ou para vislumbrar um novo horizonte, ou para encontrar um lugar só seu, ou para impor-se ao mundo. Gostei da construção de seus personagens. Todos pontuais e claros.
    Boa sorte no desafio.

  42. Olisomar Pires
    10 de dezembro de 2017

    Pontos positivos: o “sotaque’ de Portugal que me evocam leituras dos clássicos de outrora e que tanto aprecio. A criatividade e beleza da narração.

    Pontos negativos: uma bela história, mas muito aberta. Muitos detalhes foram deixados por conta do leitor. Isso é bom e isso é mau.

    Impressões pessoais: quem nunca sonhou que estava dominando seu sonho? isso sempre acontece e é muito interessante ler sobre o fato, claro que com consequencias menos prazerosas.

    Sugestões: ampliar o papel do velho e da mãe, ou apenas retornar a Fabiana realmente.

    E assim por diante: pareceu-me que o superpoder estava a cargo do velho, nesse caso, atende ao tema.

    • Sir Francis Drake
      11 de dezembro de 2017

      Olá Olisomar Pires,

      Obrigado por ter lido o conto e pelo seu comentário.

      Concordo que muitas pontas soltas terão sido deixadas no conto. Em parte devido ao limite de caracteres, embora eu aprecie que algumas coisas sejam deixadas para a imaginação do leitor. Gosto de contos assim embora entenda que não seja do agrado de todos.

      O velho, mais que um personagem, era um adorno que quis deixar no conto. A ideia era que ele reflectisse o estado de espírito da Fabiana:

      – Novo, bem cuidado, alegre, como era Fabiana nos seus sonhos em Roma
      – Velho, enrugado, desgrenhado como simbolizando o estado de espírito de Fabiana na realidade
      – Ignorando a presença da Mãe, representando o afastamento que Fabiana tem com a Mãe.

      Quanto à relação Mãe-Filha, seria sem dúvida mais explorada num conto sem limite de caracteres.

      Um abraço e boas leituras. 🙂
      SFD

  43. Givago Domingues Thimoti
    10 de dezembro de 2017

    Olá, Sir Francis Drake

    Já deixo adiantado que não tenho intenção alguma de ofender o senhor (ou senhora) com a minha crítica. Caso julgue pesado demais, aproveito e peço perdão ao autor ou autora.

    A história é boa, adequada ao tema (Fabiana tem a habilidade, ainda não muito desenvolvido, de controlar os próprios sonhos e vivê-los lucidamente) mas não me conquistou. Acho que faltou saber mexer com dois pontos fundamentais do texto; o velhinho e a mãe.

    Acredito que o velhinho poderia ter tido uma melhor participação. Como um vilão, creio. Já quanto à mãe, acho que poderia ser explorado melhor a relação entre ela e Fabiana.

    Quanto à gramática, não identifiquei muitos erros. Talvez uma ou duas vírgulas faltando, mas, como as gramáticas brasileira e portuguesas têm diferenças sutis, existe a possibilidade que não seja um erro.

    Enfim, boa sorte no Desafio!

    • Sir Francis Drake
      11 de dezembro de 2017

      Olá, Givago Domingues Thimoti

      Obrigado pelo seu tempo a ler o conto e a comentá-lo. Claro que não fiquei ofendido, foi muito cordial na sua crítica, e as negativas são por vezes a que nos ajudam mais.

      O texto terá ficado no limiar dos 2500 caracteres pelo que faltou margem para explorar a relação entre a mãe e a filha, concordo que teria sido importante.
      Quanto ao velho, sempre terá sido minha intenção mantê-lo como um personagem misterioso e sem grande participação ativa.

      Boa sorte, caso tenha participado no desafio,
      SFD

  44. Angelo Rodrigues
    10 de dezembro de 2017

    Caro Sir Francis Drake,

    Superpoder: acho que ficou bem limítrofe, levitando entre o desejo de realidade (o homem do bigode desarrumado) e o sonho/delírio/coma de Fabiana.

    Conto bem escrito e bem estruturado conta a história de Fabiana, disfuncional, com dificuldades no relacionamento.

    Há passagens bonitas. Uma delas, talvez pouco explorada, seria a possibilidade de trabalhar melhor a ideia de que mãe e filha pudessem vivencia suas presenças naquele espaço/mural, com a mãe presente e a filha em coma, ambas juntas ali, talvez a mãe “vendo” Fabiana escrever uma mensagem a ela no mural.

    Notei algumas formas incomuns de escrita. Vamos a elas (coloco apenas algumas):
    Uso da palavra PRECIANA, quando seria PERSIANA, do francês persianne.
    Enfiou umas calças quaisquer. O uso coloquial de “colocar umas calças”, num texto, creio, deve ser evitado, substituindo por “enfiou uma calça qualquer…”
    Duas vezes aparece o terno FORA, quando o uso exigiria o AFORA: janela fora e porta fora.
    “Haviam três meses…” quando deveria ser “Havia três meses…”

    No mais tudo bem elegante, com palavras um pouco inusuais, pelo menos para os patrícios brasileiros: cálida, estival, ecrã etc.

    Boa sorte no desafio.

    • Sir Francis Drake
      11 de dezembro de 2017

      Olá Angelo Rodrigues,

      Obrigado por ter lido o conto e pelo seu cuidado comentário. Concordo que a relação entre a mãe e a filha tivesse margem para ser trabalhada. O texto terá ficado no limiar dos 2500 caracteres pelo que não havia margem para muito mais. Num texto sem limite, a relação entre ambas teria sido melhor explorada.

      A palavra “preciana” foi obviamente um vergonhoso erro ortográfico. 🙂
      Li três vezes o texto antes de o enviar, e na primeira vez que o li depois de enviar é que detetei. Agradeço os seus reparos, penso que alguns deles estão relacionados com a diferença entre o PT-PT e o PT-BR, outros serão muito úteis para textos futuros!

      Desejo também boa sorte, caso tenha participado,
      SFD

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Publicado às 9 de dezembro de 2017 por em Superpoderes e marcado .