EntreContos

Detox Literário.

Nara (Nostardamos)

O jeito sério vinha desde o nascimento, muito embora ninguém pudesse afirmar. As pálpebras mal se mexiam e duas pedras luminosas castanhas mergulhavam no outro. Sabia do passado e projetava as ações no presente e vislumbrava o futuro. Era sua sina. Fardo.

Esquisita, como seus primos postiços a chamavam, ou outro adjetivo maldoso como toda a criança ‘diferente’ carrega ao longo da infância indefesa. Crianças, por mais que queiramos encobrir com nossos discursos justificados, sabem ser cruéis com outras quando não há similaridade. E não havia criança igual a ela, nenhuma tão introspectiva e intrigante.

Encontrada em uma encruzilhada no interior de Borda da Mata, dentro de uma caixa de papelão, enrolada em um cobertor puído, a criança sobreviveu por um milagre. Assim disseram as freiras da ordem de São José, de Pouso Alegre. Levada por elas, a criança foi batizada e cresceu junto da irmandade, um grupo respeitado na região. Resgatada do Orfanato do Coração Venturoso, cresceu como filha única na família modesta de Marleuze Montes e João Silvério Jobim, o casal que a acolheu quando já aprendia o bê-á-bá na escola do internato. Cheia de cuidados e carinhos, mas igualmente cheia de deveres, esse ficou sendo seu nome, no final: Nara Montes Jobim.

─ Você é nossa boa sorte.

─ Ele disse que eu sou adotada.

─ O destino a colocou em nosso caminho, Nara. Nós amamos você.

─ Eu sei, papai.

─ Esqueça os disparates das outras crianças. Elas pouco sabem da vida. Pode fazer isso?

─ Claro, mamãe.

Marleuze e João faziam tudo por ela e o amor acabou vencendo as grandes diferenças físicas que os separavam.

Adjacente à seriedade muda, cresceram a introspecção e um conhecimento peculiar, o qual não encontrava listado nas enciclopédias, ou livros de pesquisa da biblioteca do pai. Mergulhava dentro de si, buscando um conhecimento que, os ‘de fora’ jamais alcançariam. Pensamentos e sentimentos analisados, mesmo na tenra idade, naquela ingênua visão do cotidiano.

Nos primeiros anos, forçava a leitura das imagens vindas à mente ao se deparar com novos amigos.

— Você não vem brincar?

— Não! É perigoso. Você vai cair.

— Deixa de ser medrosa. Vem! Vamos subir e alcançar o galho para balançar.

O garoto a chamava, mas ela não conseguia ver senão a imprudência do menino, vencendo a subida pelas irregularidades, saltando do muro e agarrando-se ao ramo mais espesso. Via tudo de forma estanque. As mãos soltando, não conseguindo segurar-se ao galho e despencando, num baque surdo sobre a terra coberta pelas das folhas da mangueira. A mãe, de olhos esbugalhados, gritando alto por socorro, enquanto erguia o pequeno do chão, cercada pela vizinhança. Nara, imóvel, perto do parque, esperava pelo tempo vir e tudo acontecer.

— Não sobe aí, Gui!

— Medrosa!

Não se moveu do lugar. Olhou para os acontecimentos como quem relê a história de um livro, conhecedora do roteiro.

Parada, presenciou a concretização de tudo. Apenas os sons eram piores. Os gritos amplificados da mãe de Guilherme fizeram-na tremer de uma maneira muito diferente. Aquilo era a realidade.

*  *  *

Os lampejos vieram mais intensos com a idade, carregados de gente e acontecimentos e, por mais que se esforçasse em não querer vê-las, voltavam insistentes e mostravam a reserva destinada a cada conhecido, amigo ou familiar a cruzar seu caminho em determinado momento.

─ Tia Júlia está doente.

─ Por que está dizendo isso, Nara?

─ Ela me parece doente.

─ Não diga uma bobagem dessas.

Carregar a certeza da morte todos conseguiam, afinal. Vislumbrar a more, no entanto, era tarefa árdua. Trabalhou com afinco para isso. Com o tempo, aprendeu a ler o mundo e aceitar a carga imposta. As lições religiosas davam-lhe suporte. A vida lhe dera aquela atribuição e esforçava-se no entendimento. Não questionava mais e passou a deixar acontecer, como se fosse algo natural, próprio dela.

A adolescência passava com rapidez. Chegar ao final do Ensino Médio fora uma trajetória solitária, mas ao longo da puberdade aprendeu a ler o mundo em sigilo ainda maior, e em todos os movimentos e flashes imagéticos.

As percepções de Nara lembravam o resultado das fotografias ou desenhos em um daqueles instrumentos antigos de girar, cujo nome driblava a língua. Mostrado pelo Sr. Procópio, homem de muitas letras e diretor da escola politécnica, aquele mecanismo continha o princípio da gravação das imagens pela persistência na retina. Ela parava, fixa em alguém, e as imagens saltavam, dançando à sua frente, num filme mudo e tenebroso. Ação e reação de um personagem do mundo real. O presente sendo lançado pelas decisões e o futuro, mostrado logo a seguir, em uma sequência de desastres mortais.

— Fenacistoscópio… — Eduardo, a paixão platônica de sua vida, pronunciou a palavra, intrigado com a construção.

— Sim! O princípio do cinema — concluiu Procópio, atuando naquele dia como professor substituto.

Enquanto o catedrático falava, admirava o jovem pelo qual o coração falava mais alto. Quase dezoito anos e paixões ausentes a não ser por ele.

Mantinha aquele sentimento contido desde a primeira vez que o avistara, dois anos atrás, junto dos colegas de classe. Rapaz vindo do interior. Tímido, mas de caráter firme, não participava das brincadeiras mal intencionadas do grupo.

Naquela aula da metade do semestre viu Eduardo em grande resolução, como em uma tela de cinema, em outro lugar e tempo. Uma discussão, ele segurando uma chave, o cronômetro marcando, Paulo e Fernando, outros rapazes do grupo, acompanhando-o. Depois, ele dentro de um automóvel em grande velocidade, em uma rodovia qualquer. A corrida, a curva e mais uma reta. Ele, dentro do veículo a rodopiar no ar, batendo contra um barranco e deslizar faiscante sobre a pista.

Nara sobressaltou-se com a visão do professor, encarando-a. A turma toda a rir da cena.

— Está sonhando acordada, senhorita?

— Desculpe, professor.

— Como eu dizia…

As explicações sobre a matéria continuaram ecoando pela sala. Apenas Nara não conseguia mais acompanhar a dissertação. Pensava em Eduardo e nas visões. Pensou na injustiça da vida e ponderou, dessa vez, alertar o rapaz. Talvez Maria Eulália, amiga do colega, pudesse ajudar. Maria Eulália era uma amiga especial, a única.

*  *  *

Diante de Nara, encontrava-se uma melhor amiga muito mais incrédula do que compreensiva. Depois de contar sobre a ‘visão’, recebeu o silêncio e um olhar de estranhamento. A amiga sequer piscava, incapaz de aceitar aquilo como algo verdadeiro.

— Diga alguma coisa, Lalaia. — A preocupação já batia na garganta de Nara. — Você é minha amiga. Nunca contei isso para ninguém.

A moça fechou a boca e estreitou os ombros.

— Quer que eu diga o quê? — Ela continuava parada, em frente de Nara, no meio do pátio da escola. — Isso é…

— Loucura. Eu sei. Mas não é a primeira vez. E é a pura verdade.

— Quer que eu acredite que consegue prever o futuro das pessoas só olhando para elas?

— Só olhando para as pessoas? Não. Não é bem assim.

— Então, explica como acontece. Porque até onde eu sei, o Eduardo está bem aí — apontou o dedo em direção do garoto. — Ele não me parece doente ou…

— Eu não o vi doente. Eu o vi envolvido em um acidente. É bem diferente. E eu não sei como acontece. Apenas, acontece. Não é sempre e não é com todo mundo.

— Eu não acredito nessa história de premonição. Isso é coisa de filme, sabia? Sem falar do perigo.

— Perigo de que jeito?

— Você pode acabar em um hospício, em alguma instituição psiquiátrica, igual ao meu tio. Presa para sempre. Eles vão colocar uma camisa de força em você e nunca mais vai sair. Pare de inventar essas coisas! — A amiga adolescente abria a embalagem e oferecia parte do lanche para Nara. — Essa coisa de enxergar os mortos, não é normal.

— Eu não enxergo os mortos. Não é isso.

— De qualquer maneira, não dê chance ao azar. — A amiga a cortou, enfática.

A possibilidade de ser considerada maluca fez Nara estancar. Sequer considerou, em algum momento, ser trancafiada em alguma cela para loucos. Ela não era maluca. As visões eram reais.

— Talvez tenha razão – concluiu. — Talvez eu tenha sonhado acordada.

— Eu tenho razão. Quem acreditaria nisso, afinal? — E ainda acrescentou: — Pare de falar essas coisas. Você já tem poucos amigos e eu não gostaria de ser chamada de maluca por tabela.

A conversa terminou ali, no intervalo, entre as aulas, dissipada por risos e conversas amenas e troca de olhares com os colegas de turma, numa paquera de pouco resultado para Nara.

Enquanto a manhã findava, os pensamentos se voltavam para como as pessoas teimavam em considerar o mundo como um lugar lógico, estanque, fechado para outras possibilidades. Nada de visões, nada de premonições, nada de coisas do mundo fantástico ou do sobrenatural. Existia um porquê de tudo existir.

*  *  *

Como ignorar o coração? Perguntava-se enquanto seguia para casa. Como deixar Eduardo seguir para um destino cruel? As dúvidas faziam a cabeça doer. Respirava ofegante e segurava os livros apertados no peito. As palavras de Maria Eulália ecoando a cada passada.

Mas era Eduardo na visão. Era aquele garoto que a olhava de forma discreta e cujas palavras saiam tímidas quando junto das meninas.

Pensou nos ensinamentos das freiras. Pensou em Marleuze e João. O que diriam seus pais dessa história toda? Como explicar para eles o que acontecia com ela? E o hospício? Será que ela seria arrancada de sua vida mesmo dizendo a verdade?

Aquilo poderia ser considerado um superpoder nos quadrinhos, mas naquele momento, a agonia martelava a palavra infortúnio. Sentia-se desgraçada por carregar aquele fardo que mal dominava ou sabia como teria fim. Se é que teria um fim.

O rosto de Eduardo emergiu às avessas. A saliva escasseou. Sequer as pessoas apressadas fizeram-na se mover do lugar. Estancou lá, no meio da calçada, por alguns minutos, decidindo a próxima ação.

Jamais uma decisão fora tão difícil.

Não poderia esperar mais. Tomou a direção contrária e seguiu apressada. Sabia da espera de Eduardo pelo ônibus escolar em frente à escola. Ao avistá-lo sozinho, agradeceu aos céus. Talvez conseguisse se explicar e evitar uma tragédia.

O rapaz sorriu ao vê-la e Nara não hesitou um segundo. Despejou as palavras sem preocupação, contando sobre as visões e, em específico, sobre as visões a respeito dele. Viu o semblante de Eduardo mudar aos poucos, à medida que a revelação acontecia.

Não o deixou falar e a última frase, soltou-a decidida.

— Só peço para não entrar naquele carro.

Deu meia volta e correu.

*  *  *

À noite, após o jantar com os pais, as visões da manhã a assombraram. Ainda sentia-se chocada com a reação da amiga e com a advertência de ser considerada maluca. Ela não desejava, em hipótese alguma, ser acusada injustamente.

Também dançavam à frente imagens de um Eduardo pasmado e, com total certeza, incrédulo. Era preciso enterrar o assunto para sempre e jamais mencionar as visões ao recordar a expressão no rosto daquele por quem se sentia atraída.

Carecia de uma boa noite de sono, porque tudo estaria diferente pela manhã. Suspeitava do afastamento de Eduardo. Talvez ele passasse a considerá-la esquisita, assim como alguns outros da turma. E Maria Eulália…

— Nara!

Ouviu a voz do lado de fora.

— Nara!

Largou o livro que mal conseguiu ler sobre a cama e correu para a janela.

— Desce! — Maria Eulália berrava do lado de fora do portão. — Desce!

Vestiu-se o mais rápido possível e desceu as escadas. Olhou para o relógio. Era tarde da noite, mas àquela altura, movidos pelos gritos da amiga, os pais já estavam de pé também. Passou pela mãe com um aceno rápido. Correu até a garota e abriu o portão para encontrar a amiga em prantos.

— Aconteceu um… Um acidente… Um acidente! — Ela repetia a mesma coisa. Tremia, e o choro fluía sem embaraço.

Nara a acolheu, levando-a para dentro.

— Do que está falando?

— A sua visão…

— Que visão? — perguntou a mãe, direcionando o olhar.

— Não é nada, mãe. Foi um sonho. — Enquanto a desculpa sobreveio, a palidez brotou no rosto de Nara como as cebolas cresciam na horta cultivada pela mãe. Sentiu as pernas oscilarem e um calor anormal subir pelo tronco. — Só um sonho ruim.

— Eles perderam o controle do carro e agora…

— Querido, pegue um copo com água e açúcar — Marleuze dava as ordens. Ela fez a amiga sentar-se. Nara agachou-se ao lado dela, segurando-lhe as mãos.

— Eles m-morreram… — O choro vertia. Só os soluços cabiam naquela sala. — Eles… Todos morreram.

— Todos quem?

— Davi… Fernando… — A cada nome uma interrupção na fala na tentativa de conter o pranto. — Felipe…

— Como? Quando? — Nara não se conteve. Queria saber.

João Silvério trouxe o copo com água doce.

— Eles apostaram uma corrida. Eles…

Os pais de Nara mal respiravam.

— Eles derraparam na altura da encruzilhada… — Falava ao poucos, limpando as lágrimas das bochechas. — Depois da curva grande…

— E o Eduardo?

— Ele não estava junto. Ele não quis participar.

Nara emudeceu.

*  *  *

As aulas foram suspensas. O luto se abateu sobre os colegas e amigos. A cidade vestiu as cores da tristeza.

Nara acompanhou cortejo de longe. Maria Eulália caminhava junto dos pais, inconsolável. Ao passar, não conseguiu sustentar o olhar.

Pais, parentes e amigos serpenteavam pelas ruas, da quadra da escola até o cemitério. Apenas o barulho das passadas contra o calçamento adornava a manhã daquela quarta-feira, como se fosse um fundo musical para a dor.

Assim que os carros pararam nos portões, Eduardo colocou-se ao seu lado. Quieto, segurou-a firme pela mão. Em silêncio, aguardaram a retirada dos caixões, levados para direções diferentes, dividindo o séquito fúnebre.

Nara aceitou o gesto. Ter Eduardo por perto significava muito.

Enquanto observava a entrada das pessoas, pensava na grande responsabilidade que tinha e em como aquele dom inexplicável implicava na vida das outras pessoas. Talvez não fosse justo escolher. Ela poderia ter sido menos egoísta.

Nesse momento, Eduardo falou.

— Na última hora, eu me lembrei de você. Não quis encarar o desafio. Aquela disputa era uma bobagem

Seus olhares se cruzaram.

Mesmo sabendo que Eduardo estava inteiro, três vidas haviam se perdido. Interferir no destino implicava em um preço e ela não sabia se conseguiria suportar o peso das escolhas. A vida parecia testar sua capacidade a toda hora.

─ Todos temos escolhas, afinal. Você escolheu bem. ─ Ela segurou mais firme na mão dele.

Eduardo esboçou um sorriso tímido.

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33 comentários em “Nara (Nostardamos)

  1. Estela Goulart
    16 de dezembro de 2017

    Olá, Nostardamos. Gostei bastante do conto, achei o tema bastante criativo, as descrições detalhadas. Consegui criar as imagens na mente, tudo fluiu no enredo. Ah, e o tema foi bem explorado. Só não entendi quando Nara teve a visão sobre Eduardo: achei que as visões dela fossem sobre o futuro bem mais distante, mas então notei que ele teria um acidente logo depois e que estava tudo certo. Fiquei confusa nessa parte, mas acho que foi só eu. Mesmo assim está bom. Parabéns e boa sorte.

  2. Givago Domingues Thimoti
    16 de dezembro de 2017

    Olá, Nara!

    Tudo bem?

    Já diziam que o futuro a Deus pertence. Creio que não seria muito fácil para um ser humano aguentar o fardo de premonições ou visões. Acredito que você conseguiu passar, com sucesso, o peso que Nara precisa carregar em seus ombros.

    A escrita é fluída e muito boa, interessante. Entretanto, confesso que não entendi muito bem uma frase: “As pálpebras mal se mexiam e duas pedras luminosas castanhas mergulhavam no outro.” Que outro? Enfim, perdoe-me a ignorância.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no Desafio!

    PS: Espero que Eduardo e Nara fiquem juntos!

  3. Fheluany Nogueira
    16 de dezembro de 2017

    Superpoder: a premonição.

    Enredo e criatividade: A trama é claramente inspirada em Hécate, o arquétipo mais incompreendido da mitologia grega que representa o lado feminino ligado ao destino. Se é uma história já bastante explorada, aqui recebeu um trato cativante, com final feliz.

    Estilo e linguagem: Texto simples, bem organizado, bem conduzido, gramática e vocabulário impecável. Temos um escritor experiente que soube lidar com o assunto, passando credibilidade no “dom-fardo”.

    Apreciação:
    Gostei da técnica como a ideia foi trabalhada. Parabéns! É um dos meus favoritos. Abraços.

  4. Catarina
    13 de dezembro de 2017

    O tema não é novo, já bastante explorado pelo cinema teen americano. O conto me passou uma impressão de ser linear, sem maiores acontecimentos. Mas não é verdade, acontece um monte de coisa. É que o estilo contido me passa essa impressão. Tem seu charme, mesmo faltando um salzinho. Talvez se explorasse mais a relação, de Hécate com a personalidade de Nara, desse uma temperada aí e inovasse em algo.

    • N
      13 de dezembro de 2017

      Amei seu comentário! Ele me coloca em uma direção que não tinha pensado. Agradeço a leitura! Abraço!

  5. Luis Guilherme
    12 de dezembro de 2017

    Boa taarrde! Td bem?

    Gostei! Um belo conto, bem escrito, bem estruturado, gramática muito boa, boa tecnica. Enfim, mto bem escrito.

    O enredo eu tbm adorei. Nao chega a ser inovador, mas tem um enredo bem construído, que mantem a atencao e gera curiosidade. Achri a personagem bem construida, o qye colabora com a imersão na leitura.

    Nota-se qur você eh experiente na escrita. Voce sabe conduzir a história de uma maneira super agradável.

    Gostei da abordagem dubia do superpoder: um dom e um fardo.

    O fardo foi bem explorado, e deu um quê de realidade ao conto. Eh possível sentir a angústia da personagem.

    O fim tbm eh bom. Enfim, gostei como um todo. Parabens pelo belíssimo trabalho.

    Abraco e boa sorte!

    • N
      13 de dezembro de 2017

      Agradeço a leitura e comentário. Ao findar o desafio, trabalharei no conto para deixá-lo melhor. Abraço!

  6. Miquéias Dell'Orti
    11 de dezembro de 2017

    Oi,

    Gostei da leitura. Escrita fluida, texto gostoso de ler.

    Nara vislumbra os momentos que antecedem a morte das pessoas. É como uma telepata, que vê o futuro, mas só o ato final, quando ele se encerra. Muito legal essa premissa. Um poder bem bacana.

    A alusão ao filme premonição ficou bem marcante, mais ainda com a citação do próprio (que, acredito, foi proposital e justamente por causa disso), mas mesmo assim não diminuiu meu gosto pela leitura.

    O tio de Eulália é citado, mas não sabemos o que acontece com o cara… só que ele vê mortos por aí (elo menos foi minha interpretação nas entrelinhas)… será um personagem que pode aparecer em uma continuação? Hein? Hein? Kkkk

    De verdade, achei Maria Eulália uma chata egoísta rs. De uma incredulidade que deu raiva, o que é bom, sinal que o personagem marcou.

    Curti o final mais ou menos feliz (afinal, três pessoas morreram)… com o universo de premonição na cabeça, eu estava com medo de que no final Eduardo fosse atropelado por um caminhão pipa quando atravessasse a rua, ou sei lá. Felizmente, isso não aconteceu 🙂

    Parabéns pelo trabalho!

    • N
      13 de dezembro de 2017

      Agradeço a leitura e comentário. Anotado aqui, sobre o tio de Eulália. Talvez seja uma ponta a ser trabalhada melhor. Abraço!

  7. Rubem Cabral
    11 de dezembro de 2017

    Olá, Nostardamos.

    Gostei do conto: tem um enredo simples, mas funcionou bem. Nara tem o poder de prever eventos por acontecer e ao menos uma vez usa o poder para salvar quem ela gosta. Penso que o texto renderia mais com um limite mais generoso de palavras. A infância, os pais, poderiam trazer mais informações interessantes, assim como a origem da menina, que poderia esconder algum mistério.

    Quanto à escrita, ela é correta e sem muitos floreios.

    Abraços e boa sorte no desafio.

    • N
      13 de dezembro de 2017

      Agradeço a leitura e comentário. Ao findar o desafio, retomarei algumas questões apontadas para deixá-lo melhor e, quem sabe, construirei melhor a relação de Hécate com Nara. Sugestão da colega Catarina Cunha. Acredito que deva acrescentar um tom mais tenso e uma ligação mais consistente com a mitologia.

  8. Regina Ruth Rincon Caires
    10 de dezembro de 2017

    História excelente. O autor lidou muito bem com a premonição, com a angústia de quem convive com este superpoder. Imagino que deve ser uma vida massacrante, uma preocupação constante com as escolhas. Deve prevenir/evitar os males? Enfrentar a desconfiança das pessoas? Sentir-se culpada por não ter evitado?

    O conto apresenta uma boa trama, construção perfeita. O texto traz descrições primorosas, com personagens bem construídas. A narrativa é fluente, interessante, prende a atenção do leitor. Carece de uma leve revisão.

    Parabéns, Nostardamos!

    Boa sorte!

    • N
      10 de dezembro de 2017

      Agradeço a leitura e comentário. Sim. Farei revisão após o desafio, assim como trabalhar melhor a relação de Nara com Hécate, o que a princípio era para ser o ponto de referência da história toda. Agradeço. Abraço!

  9. Paula Giannini
    10 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    “Batidas na porta da frente, é o tempo…”

    Seu conto, me remeteu imediatamente à música cantada por Nara Leão acerca do tempo e de como ela o dribla…

    “Ele ri… Me vigia querendo aprender, como morro de amor, para tentar reviver…”

    Então, talvez devido aos nomes que nos levam imediatamente para ícones da MPB, imaginei a personagem da música, como sua protagonista, anos mais tarde, observando de fora aquilo que sabe sobre o tempo e suas escolhas.

    O(a) autor(a) nos traz uma trama refletindo sobre a vantagem ou não de se saber do futuro, em especial, as coisas ruins que este nos reserva e aos que nos cercam. Em determinado ponto o(a) autor(a) nos diz que a realidade é pior que suas visões, que sua imaginação. Os sons são reais, os sentimentos também. Assim, a protagonista convive durante toda a vida com a dor e a delícia de ser o que é. Mais dor que delícia, afinal, parece que a morte sonda a garota.

    Quando a narrativa teve início, logo imaginei que em um determinado momento o(a) escritor(a) precisaria colocar o protagonismo nas mãos de Nara, forçando-a à busca de uma solução. No caso, tentando salvar alguém já previamente condenado à morte. E assim a trama segue e Nara deixa de ser mera expectadora para virar, ainda que com medo, agente. Algo certamente previsível, mas, completamente coerente com aquilo que é contado. A meu ver, não poderia ser diferente.

    Ao tomar a esperada atitude, no entanto, a protagonista descobre que seu destino de vislumbrar a morte não pode ser alterado com tanta facilidade. Ao salvar aquele que ama, acaba esquecendo ou matando outros, talvez não tão inocentes, mas outros. Algo como um castigo. Assim, um superpoder é um dom, mas também maldição. Um clássico dilema dos heróis e, talvez, também dos humanos “normais”.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

    • N
      10 de dezembro de 2017

      Agradeço o comentário. Lembrei-me de Nara Leão, sim. Voz incrível. Mas essa Nara tem a ver com Hécate, a senhora dos destinos. E eu não trabalhei muito bem as referências, confesso. Talvez, ao término do desafio, possa estender a história e as relações que pensei para a personagem. Mais uma vez, agradeço. Abraço!

  10. Neusa Maria Fontolan
    9 de dezembro de 2017

    Gostei, muito bom.
    Nara passou a vida tendo visões de futuros acidentes graves. Isso só de colocar os olhos na pessoa, se fosse acontecer algo grave ela veria como se fosse um filme.
    Conseguiu salvar Eduardo com seu aviso, mas teme que isso traga consequências. Sente culpa por não ter salvo os outros rapazes. E será que eles acreditariam nela?
    Parabéns e obrigada por escrever.

    • N
      10 de dezembro de 2017

      Agradeço o comentário. Possivelmente trabalharei com mais afinco para que a ligação de Nara com Hécate seja mais visível. Assim, poderei melhorar e estender toda a trama. Abraço!

  11. Antonio Stegues Batista
    9 de dezembro de 2017

    O texto tem alguns probleminhas de palavras a mais e digitação “pelas das folhas”, “more” (morte). A história de Nara, que vê o futuro e o seu dilema em ser o que é, vidente. Não é um enredo original, existem muitas histórias iguais, inclusive de Terror, Premonição, etc e tal. Não me deixou surpreso e o final foi morno, sem grandes mistérios. Boa sorte,

  12. Pedro Paulo
    9 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Vou começar com algo que não tem muito a ver com o conto em si, tendo sido uma coincidência agradável. Comecei a ler o seu conto ao som dos (the) Smiths. Em algum ponto da leitura, mais próximo da concretização da visão do acidente, estava tocando “That Joke Isn’t Funny Anymore” (Aquela piada já não é mais engraçada), na qual o refrão é a repetição: “eu já vi isso acontecer na vida de outras pessoas e agora está acontecendo na minha”. Achei que casou muito bem com o enredo e deixou a leitura mais legal. Mas, enfim, vamos à minha impressão.

    A narrativa é motivada pelo dom da personagem e pela maneira como este poder pesa na vida de Nara, a protagonista. Os reveses da premonição já são bem representados nas histórias em que este poder consta presente, com as dificuldades das personagens de alterarem o futuro – nunca mudado da maneira que imaginaram – e os próprios dilemas que vêm nessa capacidade de intervir no jeito que as coisas deveriam ser. Portanto, quando o primeiro parágrafo inicia já qualificando o poder de Nara como um fardo, já há uma trama tradicional esperada, nos fazendo esperar algo da autora, que ela nos surpreenda com um rumo diferente. Não é o que acontece.

    De fato, este conto é escrito bem de acordo com a trama apresentada acima, com as mesmas motivações e contradições comuns a histórias de premonição. Gostei da maneira como o poder foi primeiramente retratado para nós, com a queda da árvore. Não achei uma maneira inventiva de nos demonstrar, mas ao final da cena vemos Nara ficar brevemente confusa entre saber se o que ela está vendo é real ou se já aconteceu, acordada pelos gritos da mãe do menino, muito reais para virem de sonhos. A partir daí, eu tive esperança de que o conto trataria disto, dos efeitos da premonição na psique de Nara, talvez em uma dificuldade de separar presente e futuro, uma vez que as coisas sempre “já teriam acontecido” para ela. Claro, a autora não deixou de pontuar o impacto social do poder na vida de Nara, colocando-a como uma menina solitária, alheia às convenções da adolescência. Mas este não é o foco da história e ela acaba seguindo um caminho bem convencional, com as desventuras dela tentando alterar o futuro de alguém que gosta e, depois, feita a mudança, arcando com as consequências e o peso das mortes que mesmo assim ocorreram (eu preferi entender que Eduardo estaria liderando a corrida e foi o primeiro a cair, evitando a morte dos outros, que teriam parado).

    Houve alguns parágrafos com pontos que poderiam ser vírgulas e, tal como o último a comentar, a comparação da palidez às cebolas da horta me soou meio forçada, algo que poderia ter sido escrito de outra maneira. Mas no geral a escrita é boa e ágil em nos articular informações e ações, colocando a história para frente sem perder tema. O que faltou aqui foi uma forma mais criativa de abordar o tema (não o de superpoderes, mas o dom que Nara tem), atentando às estratégias narrativas que sempre são utilizadas nas histórias de premonição.

    • N
      10 de dezembro de 2017

      Agradeço o comentário. Gostei da referência com o (the) Smiths. A questão da premonição era para estar ligada mais com a mitologia, com Hécate, senhora dos destinos e das encruzilhadas, mas deixei de lado essas referências para retomar depois do desafio. Agradeço mais uma vez o comentário e os apontamentos. Abraço!

  13. paulolus
    8 de dezembro de 2017

    O tema de mentes premonitórias, já foi muito decantado em prosas e versos, e contada sem um quê a mais vai sempre cair na vala dos comuns. O enredo é atropelado por tantos pormenores que não ajudam em nada à narrativa. “a palidez brotou no rosto de Nara como as cebolas cresciam na horta cultivada pela mãe.” É o tipo da frase que não surte efeito. A escrita apesar de boa em seu todo, porém, com alguns atropelos gramaticais e vários descuidos de digitação. “pelas das folhas – Vislumbrar a more”. Mas nada que uma boa revisão não sane. Entretanto o autor conduziu muito bem sua ideia até o fim.

  14. Priscila Pereira
    8 de dezembro de 2017

    Super poder: prever o futuro

    Oi Nostradamus, eu gostei do seu conto!
    O primeiro parágrafo está muito estranho, eu aconselho a rever e deixar mais claro. Achei que o conto seria chato e arrastado, mas para minha e sua felicidade, eu estava errada! Gostei da estória, do jeito que você contou, explicou muito bem como as visões funcionavam e os sentimentos da protagonista. Todos os personagens estão bem delineados, e a estória está bem arrematada. O começo é que está meio travado, mas depois flui bem. Parabéns e boa sorte!!

    • N
      10 de dezembro de 2017

      Agradeço o comentário. Por favor, agradeço se indicar o que está travado no começo. Abraço!

      • Priscila Pereira
        10 de dezembro de 2017

        Essa frase:” As pálpebras mal se mexiam e duas pedras luminosas castanhas mergulhavam no outro.” No outro o que? Não entendi esse pedaço.

      • N
        10 de dezembro de 2017

        No outro ser humano à sua frente.

  15. Angelo Rodrigues
    8 de dezembro de 2017

    Cara Nara,

    Superpoder de fazer a leitura futura do mal.

    gostei do seu conto. Simples e bem contada, a história flui bem legal.

    Não há nada de novo na estrutura construtiva do conto, atravessando diversos clichês com tranquilidade, se tornar a história insuficiente e comum.

    Por óbvio, algumas observações?

    Quem precisa de uma amiga com a Lalaia? Deus do céu! Vade retro Satana!

    Quem quer um marido como Eduardo, que sabendo / prevendo os riscos que não quis correr, calou o bico e deixou os amigos se espatifarem?

    Temos aqui um monte de coisas que explicam o humano.

    Achei um pouco excessiva a construção da gênese da Nara, transitando por nomes e sobrenomes, instituições e lugares que explicam mas não fazer andar a trama, ou fazem sem que seja preciso tanta proliferação de minúcias. Achei que não precisava de tanto, dado que o texto fluiria bem sem isso.

    Também a criação de uma gênese desvalida da garota não “colou” esse fato às supercapacidades que tinha. Algo como “a coitadinha achada numa caixa de papelão numa encruzilhada se compensou com superpoderes”. O texto também seria bom sem esse caráter um pouco comum demais.

    Notei também uma proliferação de nomes e, um deles, gerou uma cacofonia / aliteração, com fenasatoscópio administrado pelo Procópio. Não precisava ou foi uma forma de brincar com o texto.

    Alguns erros construtivos que talvez lhe possam ajudar?
    “…estancou lá, no meio … “, seria estacou, tornou-se estaca, ficou parada…
    “…um copo de água e açúcar…”, seria um copo de água com açúcar…
    “…cobertas pelas das folhas…”, seria coberta pelas folhas, apenas.

    Houve outros, mas fica pra outra revisão.

    Boa sorte com o certame

    • N
      10 de dezembro de 2017

      Agradeço a leitura e comentário. Por favor, indique o que é excesso na introdução. Ela deveria ter conduzido para a mitologia. Hécate, a senhora das encruzilhadas e caminhos. De qualquer forma, agradeço. Abraço!

  16. Olisomar Pires
    6 de dezembro de 2017

    Pontos positivos: apesar do enredo relativamente simples, a personagem principal conquista o leitor com seus anseios, receios e descoberta do mundo. A condução foi bem realizada numa forma suave, gostosa de ler.

    `Pontos negativos: não há como não lembrar do filme “Premonição’ e fiquei esperando a morte vir cobrar a fatura do Eduardo.

    Impressões pessoais; texto que lança, em sua aparente simplicidade, a complexa questão da responsabilidade pelos atos e escolhas que cometemos todos os dias. Uma boa reflexão e sem toda aquela carga de intelectualidade meio chata.

    Sugestões pertinentes: matar a Eulália. Essa moça ainda vai estragar tudo.

    E assim por diante: bom texto. Autor consciente na escolha das palavras (não sei o que isso quer dizer, mas sempre fica bom nos comentários). Sério agora: escrita muito boa e despretensiosa como tem que ser, pelo menos para meu gosto.

    Parabéns.

    • N
      10 de dezembro de 2017

      Agradeço o comentário. Confesso que lembrei de Premonição, mas as questões da mitologia envolvendo Hécate estavam mais afloradas. Abraço!

  17. Mariana
    6 de dezembro de 2017

    Nossa, mas quando estava engrenando acabou!

    Gostei da leitura ( Crianças, por mais que queiramos encobrir com nossos discursos justificados, sabem ser cruéis com outras quando não há similaridade. E não havia criança igual a ela, nenhuma tão introspectiva e intrigante. – uma grande verdade aqui) e da forma como prever o futuro foi apresentado. Simpatizei com Nara e Eduardo, a história prendeu a atenção. Não sei se foi o limite de palavras, mas o final não me pareceu um final: ficou ponta soltas, ganchos para a segunda temporada. Enfim, um bom conto. Parabéns e boa sorte no desafio.

    • N
      10 de dezembro de 2017

      Agradeço o comentário. Por favor, indique as pontas soltas. Agradeço. Abraço!

  18. Bianca Amaro
    6 de dezembro de 2017

    Olá autor(a), tudo bem? Parabéns pela história.
    Foi um texto interessante, trabalhou muito bem a questão dos superpoderes.
    Uma trama interessante, mostrando como pode ser dificil portar poderes de saber a morte das pessoas.
    Começou de um modo que provava que as visões eram corretas, mostrando a morte daquele garotinho. Foi interessante mostrar e explicar os poderes com exemplos de situações vividas pela personagem. O jeito que fala sobre o seu nascimento também foi interessante.
    Uma boa trama. A personagem se envolve em um dilema. E escolhe salvar a vida do garoto. Porém vê que deveria ter pensado em avisar os outros garotos, e vemos a questão da culpa. O que sempre acontece com os super herois (ou qualquer pessoas com poderes) dos filmes.
    O nome da personagem ficou bom também. É um nome interessante e misterioso, gostei. E o nome dela ser o título do texto foi legal também.
    A narração foi ótima, marcante e com um bom uso da linguagem.
    Mais uma vez, parabéns pelo texto, e boa sorte!

    • N
      10 de dezembro de 2017

      Agradeço o comentário. O título era para ser A sombra de Hécate, mas Nara é mais direto. Abraço!

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Informação

Publicado em 6 de dezembro de 2017 por em Superpoderes.