EntreContos

Literatura que desafia.

Quando a noite chega (Alone Canvas)

(…)

    Até a Idade Média, o mal estava sob controle: dentes de alho, água benta e um elementar crucifixo eram o bastante para nocautear um vampiro – ainda que existissem métodos menos convencionais: os romenos acreditavam, por exemplo, que sábado era um bom dia para caçar mortos-vivos. Havia também o recurso dramático da estaca e do martelo – mas esse exigia pontaria e estômago forte.

    Mas isso foi num outro tempo e numa outra época…

 

               *** *** *** *** *** *** ***

   Distrito de Remember – Maine: EUA

 

O sol de fim de tarde estava pálido como uma folha de papel em branco, e o horizonte se mostrava demasiadamente frio para aquela época do ano. Tudo se encontrava no mais absoluto silêncio.

E essa calmaria forçada era assustadora!

Principalmente para Patrick, que se encontrava parado na frente de uma loja de conveniências, acompanhado de seu cão e parceiro de infortúnios – um pastor alemão chamado Thor. O rapaz estava decidindo se entraria no estabelecimento. Os tempos eram outros, nos últimos três anos, as coisas mudaram drasticamente.

Essa indecisão estava durando 20 minutos!

Patrick era um rapaz na casa dos vinte e poucos anos, alto e de pele clara. Ele  tinha cabelos ondulados, cor de ouro, que eram ocultados por um boné – e a única coisa visível eram os grandes olhos castanhos vibrantes, duas bolas de bilhar.

Ele vestia uma calça jeans já desgastada, botas de caminhada e um casaco de algodão que o mantinha aquecido do frio.

Thor encarava o dono, impaciente – movendo a cabeça em todas as direções – enquanto abanava a cauda.  Talvez se ele pudesse falar, diria: O que você está esperando seu grande idiota? Daqui a pouco vai escurecer e eles vão aparecer. E você não vai querer ficar aqui quando isso acontecer.

Patrick olhou para o animal. Parecia entender o que Thor estava tentando  lhe dizer com o olhar.

– Eu já sei, amigão. – disse o rapaz, acariciando a cabeça do bicho. – Vamos às compras, garotão.

Os dois atravessaram a rua e entraram na loja de conveniências. Lá dentro, tudo estava assustadoramente quieto. Os únicos sons ouvidos eram as batidas dos corações de Patrick e Thor – que pareciam que iriam saltar dos seus peitos há qualquer momento.

A loja não era muito grande, por isso enxergava-se da entrada quase tudo. As prateleiras estavam praticamente vazias e empoeiradas, dando a certeza de que o local não recebia visitantes há muito tempo.

 Patrick não podia esconder sua frustração diante do acontecido. Mas não se deixou abater pela situação, ele já estava preparado para aquele tipo de coisa, era algo comum naqueles dias apocalípticos.

– É garotão, hoje vamos ter uma feira mirrada.

O cão apenas olhou para o dono, parecendo já entender toda a situação.

O rapaz pegou um carrinho e começou a circular pelas seções que ainda exibiam alguns itens indispensáveis para se viver num mundo como aquele,  pós- industrial e devastado. Ele foi jogando no carrinho tudo o que encontrava pela frente – cereais, biscoitos, leite, água potável, carne enlatada, macarrão instantâneo e chocolate. Em seguida, pulou pra seção do lado.

Ferramentas!

Pouca coisa restou no local, alguns rolos de arame farpado, um cortador de grama, uma tesoura de jardinagem e alguns pregos e parafusos. Mesmo não sabendo muito bem para que toda aquela tralha iria servir, Patrick achou melhor levá-los.

O rapaz olhou a parede e concentrou no relógio pendurado nela. As horas haviam passado muito rápido, e ele não tinha se dado conta disso. O sol já estava se pondo e logo seria noite. E não era seguro andar pelas ruas quando a noite chegava – não agora – não com eles.

Esse era o horário que as criaturas saiam para caçar. Alguns no começo diziam que se tratava de vampiros, outros afirmavam que eram seres do espaço, extraterrestres que se alimentavam de sangue. No início de animais – depois de seres humanos.

                                ***

Tudo começou com ataques furtivos na calada da noite, onde pequenos animais foram mortos de forma grotesca e bizarra. O sangue das vítimas era drenado de forma que não restasse uma única gota no corpo. Os primeiros casos foram registrados nas Américas Central e do Sul. Depois no México, Estados Unidos e Canadá.

Um mês depois, Europa, África e Ásia.

Mas o que viria depois seria bem pior!

O que havia começado com ataques a animais, não demorou muito para evoluir para seres humanos. O apetite por sangue daquelas criaturas era insaciável, e elas sempre queriam mais.

Pouco mais de um ano depois dos primeiros casos de ataques, metade do mundo conhecido havia sucumbido. Governos ruíram e potências se viram neutralizadas diante de um novo mal até então desconhecido.

E pouco restou da raça humana!

Três anos depois, o planeta era um lugar morto e devastado – dominado por uma raça de criaturas parecidas com cães do mato – mas com uma aparência bizarra e assustadora, que se alimentam de sangue, e que  ninguém sabe de onde vieram e nem como surgiram.  

                              ***

Patrick e seu cão deixaram a loja de conveniências empurrando o carrinho de compras. O sol ainda brilhava timidamente no céu, ofuscado por nuvens de chuva. O ar estava mais gelado naquele fim de tarde, e o corpo do rapaz foi nocauteado por uma brisa fria que o fez bater os queixos. Ele não imaginava que a temperatura fosse baixar tanto nessa época do ano, período em que o calor é demasiadamente alto na cidade.

Patrick puxou o casaco e fechou o zíper até cobrir o pescoço. Ele não viu quando três sombras surgiram atrás dele, foi Thor quem deu o alerta, rosnando e ficando em posição de ataque. Mas já era tarde, a dupla estava cercada por  três homens e sob à mira de armas.

O trio de homens eram altos e fortes, tinham à aparência ameaçadora – e estavam fortemente armados. Um deles, um negro com cara de poucos amigos, chamado Albert Welling – cabeça raspada e puxando de uma perna se aproximou de Patrick.

– Isso aí é nosso, garoto. – disse ele.

Patrick segurou o carrinho de compras com firmeza.

– Cara, isso aqui é meu. Eu peguei lá dentro, se quiser pode ir lá pegar pra vocês, ainda tem comida suficiente lá. – o garoto tentava passar um ar de confiança e segurança, mas por dentro estava tremendo de medo.

O negro apertou os dedos das mãos em volta de sua arma, uma metralhadora semiautomática. E depois encarou o rapaz por um tempo.

Patrick corou o rosto!

O corpo dele de repente, ficou mais frio que o normal.

– Vamos pegar, sim, tudo o que tem lá dentro. E mais o seu carrinho também. – anunciou o careca. – Você vai ser um bom garoto e nos entregar seu carrinho, não é mesmo?

O rapaz ficou mudo por um tempo – e seu corpo estava completamente imóvel.

Thor voltou a rosnar para os três homens, dessa vez mostrando os caninos. Eles apenas encaravam o animal.

Patrick tocou na cabeça do bicho, se agachando ao lado do cão.

– Calma, garotão. Fica quieto.

O animal obedeceu, se acalmando.

– Tudo bem, – disse Patrick, jogando o carrinho na direção dos três, – podem ficar com ele.

O sol se escondeu no céu cinzento do crepúsculo.

O dia estava acabando.

 E a noite estava chegando!

Um som familiar para todos começou a ser soprado pelo vento frio na direção em que estavam. Era um barulho perturbador e inquietante, semelhante ao som de milhares de gafanhotos se preparando para invadir uma plantação.

O sangue de Patrick esfriou nas veias mais do que o vento gelado trazido pela noite, enquanto seu cão se encolheu todo ao lado dele, soltando um grunhido amedrontado.

Os três homens se entre olharam.

– Vamos nessa, rapazes. – anunciou o negro. – E eu sugiro que você e o seu cão façam o mesmo, acho que não vão querer estar aqui quando aquelas coisas aparecerem.

“Aquelas coisas” – Patrick sentiu um calafrio por toda a base da espinha até o alto da cabeça, quando ouviu o final daquela frase.

Os homens entraram num furgão estacionado na rua e o veículo cantou pneus, desaparecendo na esquina atrás dos dois.

O rapaz olhou em todas as direções e percebeu que estavam muito longe de casa. Não iria dar tempo de chegar até lá. Com certeza ele e Thor iriam virar  jantar de criaturas do espaço antes mesmo de cruzarem à próxima esquina.

De repente, sombras assustadoras emergiram das trevas. Muitas delas de uma vez e de todas as direções e lugares. Patrick nunca tinha visto aquelas coisas tão de perto assim. Elas eram horrendas.

Assustadoras e indescritíveis quando vistas tão próximas.

Thor se encolheu mais ainda ao lado de Patrick, diante do perigo iminente. O animal estava totalmente amedrontado. Enquanto aquelas coisas andavam de um lado para o outro. Elas apenas observavam a dupla do outro lado da rua. Pareciam que estavam estudando o melhor momento parar o ataque – ou então brincando com os nervos das vítimas antes do bote fatal.   

Extremamente magras e encurvadas, as criaturas tinham pequenos olhos negros e vibrantes, que se moviam em todas as direções muito rapidamente, parecendo uma bússola quebrada. A pele era acinzentada e enrugada, e os dentes eram pontiagudos e projetados para fora da boca – e os formados do rosto e focinho lembravam realmente um cão do mato ou um coiote, só que eram mais alongados e cadavéricos. As patas, tanto traseiras quanto dianteiras possuíam dedos enormes e unhas igualmente enormes e afiadas.

Patrick não conseguia contar quantas daquelas aberrações tinha por perto. Eram muitas e de todos os tamanhos. Deveriam estar se procriando.

De repente, elas pararam de andar e ficaram imóveis olhando na direção da dupla.

O rapaz engoliu em seco e seu sangue gelou de medo.

Thor se encolheu mais ainda, quase desaparecendo para dentro do chão.

As criaturas serraram os dentes e se prepararam para o ataque. Suas bocas salivavam de excitação e seus pequenos olhos brilhavam de expectativa.

Patrick olhou para a loja de conveniências, era o lugar mais próximo para onde podia correr e ele teria que arriscar tudo nesse plano meio louco e suicida. Se desce certo, ele e seu cão estariam salvos – o máximo que poderia acontecer era eles dois serem o jantar daquelas bestas bebedouras de sangue lá fora.

Ao mesmo tempo que os dois correram para dentro da loja, as criaturas iniciaram o ataque. Elas saíram em disparada atrás deles, se batendo umas nas outras e caindo estateladas no chão, igual frutas maduras – dando oportunidade da dupla escapar.

Os dois seguiram por uma seção do meio, derrubando as prateleiras e atrasando o avanço dos monstros. As criaturas já se achavam lá dentro, e o lugar estava sitiado. Patrick e Thor pararam no final da seção, do lado de um corredor que levava até uma câmara frigorífica.

O rapaz forçou à porta da sala fria afim de abri-la. Mas a mesma de encontrava emperrada.

As criaturas estavam mais próximas – famintas e vorazes.  

Patrick se desesperava!

Ele finalmente conseguiu abrir à porta e saltar pra dentro junto com Thor, no exato momento da morte quase certa.

Dentro da câmara frigorífica, o mundo era frio e escuro. Apesar do tempo, da extinção da metade da vida na Terra e do colapso das grandes potências, alguns lugares ainda permaneciam iguais de quando o mundo acabou. Eram como pinturas congeladas no tempo, nada experimentaram na morte.

E aquela câmara frigorífica era um exemplo disso – ela ainda era fria e mórbida. Uma urna gelada.

Patrick e seu cachorro estavam congelando lá dentro, ele não podia acreditar que aquele lugar ainda pudesse está  ativo. Quase todo o planeta estava vivendo agora na escuridão total. Eram poucos os lugares que se davam ao luxo de terem água potável e energia elétrica.

As aberrações lá fora tentavam de todas as formas entrar na câmara fria, arranhavam as paredes e a porta, numa tentativa débil de forçar passagem.

De repente, o som de tiros soou no ar. E durou alguns minutos.

Depois, veio um silêncio mortal!

A porta da câmara frigorífica começou a ser forçada com violência – até que se abriu!

                               ***

Era um final de tarde, exatos três anos antes. O sol brilhava envergonhado no céu azul cintilante, quase pondo-se. Albert Welling, um homem na casa dos quarenta anos, aparência rústica e andar firme, estava vagueando pelo pasto de sua fazendo recolhendo os animais – umas poucas ovelhas e umas cinco cabeças de gado. Ele vivia com sua esposa Abigail, numa pequena cidade rural chamada Uberville, no Wyoming.

Quando o sol desapareceu atrás das montanhas e o crepúsculo chegou, tingindo o céu com um laranja avermelhado, ele não veio sozinho, mas trouxe um mal junto. Albert e a esposa estavam jantando, quando um estranho ruído os alarmou. Primeiro, foi o som dos animais agitados no celeiro – depois um barulho nunca antes ouvido no lugar.

Albert se levantou e olhou pela janela. Lá fora, o vento estava parado e uma névoa cobria o pasto. Apesar de toda a  escuridão do lado de fora, o homem viu quando sombras se arrastavam furtivamente por dentro da névoa branca. Ele pegou sua arma, uma espingarda que estava pendurada atrás da porta da cozinha e saiu.

Abigail levantou da mesa e foi atrás do marido. Ela estava nervosa e não conseguia esconder o medo que sentia daquela situação. Ela era alguns anos mais jovem que o marido, e apesar de estarem casados há mais de duas décadas nunca tiveram filhos.

Quando saiu fora da casa, Albert sentiu uma atmosfera de medo no ar. No céu, apenas as estrelas brilhavam. No chão, a neblina serpenteava como se fosse um corpo presente, algo que tivesse vontade própria. As sombras haviam desaparecido. Albert correu para o celeiro onde os animais estavam.  

Para o seu espanto e horror, todos haviam sido mortos, de maneira hedionda e bizarra – com duas perfurações no pescoço. Abigail chegou logo atrás, e também ficou chocada com o que estava vendo.

Na aurora do dia seguinte, a propriedade do casal Welling era o centro das atenções para policiais, jornalistas e curiosos de plantão – e o assunto número um na pequena Uberville. O mistério dos animais que tiveram o sangue drenado por alguma espécie de ser vampiro desconhecido – ou até mesmo por extraterrestres ganhou fama e notoriedade instantâneas. Mas o mistério não era exclusividade do lugar. Muitos outros lugares também tinham suas histórias de “chupa-cabras” para contar.

                               ***

No terceiro ano do fim do mundo, metade da vida na Terra havia sido extinta, tanto de humanos quanto de animais e plantas. As pessoas já estavam conscientizadas de que não eram mais uma raça hegemônica.

 Patrick abriu à porta do porão lentamente, certificando-se de que lá fora não existia nenhum perigo lhe esperando – e de que os primeiros raios de sol da manhã haviam  preenchido todos os cômodos da casa. O seu fiel companheiro, o pastor alemão Thor, esticava o pescoço para olhar também. Convencidos de que estavam seguros, os dois saíram pra fora do esconderijo. Aquele porão mal refrigerado estava sendo o lar da dupla desde que eles perderam família e amigos, e se viram obrigados à matar um leão por dia para  manterem-se vivos.

Eles sabiam que as criaturas eram vulneráveis à luz do sol e que só saiam a noite para caçar. Então, aproveitavam o dia para procurar comida.

Naquela manhã, Patrick e Thor iriam sair para fazer mais um tour pela cidade em busca de alimentos. Apesar de ser um local pequeno, o Distrito de Remember ainda concentrava lugares praticamente inexplorados para a dupla de aventureiros.

Passeando pela vizinhança, Patrick sentiu os olhos lacrimejando quando se  lembrou dos pais e dos irmãos que perdeu, dos amigos que se foram, dos vizinhos que nunca mais vai ver – e de Lisa, seu primeiro e derradeiro amor.

Ele ainda lembra bem do dia em que se encheu de coragem para pedi-la para irem ao baile da escola juntos. Tudo foi há três anos, eles estudavam juntos e iriam se formar no fim daquele mesmo ano. Mas os planos seriam bruscamente alterados alguns meses depois. Patrick encontrou Lisa sentava sozinha na arquibancada do ginásio da escola.

Ela estava especialmente linda naquele dia. Usava uma calça jeans esverdeada, uma camisa branca de algodão e um casaco. Os cabelos estavam presos num rabo de cavalo e ela usava pouca maquiagem, o que lhe dava uma beleza natural irresistível.

O rapaz criou coragem e começou a conversar com a garota. No começo ele se mostrava nervoso e perdido nas palavras, mas depois ganhou autoconfiança e foi se soltando. Quando viu já estava íntimo de Lisa.  

A garota se levantou e deu às costas para Patrick. Ele ficou movimentando os pés pros lados e gesticulando com a boca, até que criou coragem e chamou Lisa para ir com ele ao baile da escola.

O baile terminou nunca acontecendo. Os dois ainda namoraram por um tempo, até que os pais do garoto resolveram ir embora de Remember logo após os primeiros incidentes com os animais. Mas a fuga também nunca aconteceu, e Patrick terminou sozinho junto com seu cão Thor.

                                ***

Quando à porta do frigorífico se abriu, Patrick e Thor estavam num canto abraçados, tremendo de frio e a respiração de ambos era ofegante. O rapaz e o cão foram puxados para fora do lugar pelos três homens, que pouco tempo antes tentaram lhe roubar.  

– Essa foi por pouco, garoto. – disse o negro de cabeça raspada, Albert, dando uma risada, sendo seguido pelos outros dois homens.

Patrick mal podia acreditar que estava vivo – e menos ainda que tinha sido aqueles caras que tinham salvo sua vida e do seu cachorro. Ele os agradeceu e tentou se colocar de pé, mas estava muito fraco pra isso, e foi amparado por um dos homens.

– Relaxa, garoto. Nós vamos ajudar você e o seu cão.

– Obrigado, de novo!

Patrick estava sentindo o corpo paralisado devido ao tempo que ficou exposto ao frio da câmara frigorífica, mas conseguia andar. Thor no entanto  precisou ser levado nos braços. O chão da loja de conveniências estava vermelho do sangue das criaturas mortas, parecia um rio – seus corpos jaziam  espalhados por todos os lados – empilhados uns sobre os outros. Patrick olhava para toda aquela carnificina com o estômago embrulhado. Ele colocou as mãos na boca e fechou os olhos.

Do lado de fora da loja, um vento frio acompanhado de um leve sereno deixava a noite ainda mais gelada. Não tinha sinal de criaturas por perto, mas isso não significava que elas não estavam lá – na espreita – aguardando só o momento certo de atacar. Todos entraram no furgão e saíram do local.

O sereno logo aumentou de intensidade e se transformou numa chuva forte, com raios e trovoadas que cortavam a cidade de uma extremidade à outra. Albert  estava dirigindo o furgão. Ele olhava uma foto da esposa Abigail, colada no parabrisas do veículo e seus olhos de repente, ficaram úmidos. O cara era meio carrancudo e de poucas palavras – mas no fundo tinha um bom coração.

Os seus companheiros eram Nestor e Rick. Os dois tinham a mesma faixa de idade, trinta e poucos anos. O trio morava em Uberville quando tudo aconteceu. Com o tempo, depois de perderem suas famílias e amigos, os três se uniram, tornando-se andarilhos, indo de cidade em cidade, cruzando estados de uma ponta à outra do país.

Por fim, chegando no Maine!

A visibilidade estava ruim e Albert pegava leve no acelerador. Eles não sabiam, mas estavam sendo seguidos desde que deixaram a loja de conveniências para trás. As criaturas andavam e se escondiam nas sombras, sempre alertas e sentindo o cheiro de sangue pulsando.

Patrick e Thor já estavam bem melhores quando chegaram ao esconderijo do trio. O local era um velho galpão no subúrbio da cidade, afastado de tudo. A iluminação era precária e o cheiro de mofo e comida estragada era forte. Abrigados do frio e da chuva, depois do jantar todos se recolheram. Os lugares de dormir era em cima de colchões,  forrados com papelões – muitos cheirando a urina de rato – e espalhados pelos cantos. Patrick e Thor permaneceram juntos, e logo pegaram no sono, vencidos pelo cansaço.

A noite de descanso no entanto foi interrompida bruscamente por passos sorrateiros, que vinham do lado de fora. O trio de homens logo se colocou de pé, posicionados com suas armas, como se estivessem indo para uma guerra. Patrick e seu cão ficaram no colchão, mas alertas.

De repente, os passos pararam e tudo ficou quieto – por um tempo. Quando se deram conta do que estava acontecendo, já era tarde demais e o lugar já havia sido invadido. Nestor foi pego de surpresa e não ouve tempo de esboçar nenhuma reação. Uma legião daquelas criaturas caíram sobre ele, famintas por sangue.

Albert e Rick abriram fogo contra os invasores, e o galpão ficou iluminado por rajadas de balas, como um jogo de luzes, que cortavam o ar em todas as direções. Patrick e Thor ainda estavam no colchão, encolhidos de medo. Mas o rapaz precisava fazer alguma coisa pra sair daquele lugar, pois se continuasse ali, parado, com certeza ele e seu cão iriam morrer.

Ele começou a se arrastar até o fundo do galpão. Sua esperança era de que lá tivesse alguma porta de emergência ou algum lugar que pudesse se abrigar com Thor. Enquanto isso, do outro lado do galpão, as balas ainda cantavam no ar – aumentando o número de criaturas mortas no chão. Mas a munição estava chegando ao fim, e logo aquele cenário de vitória seria transformado drasticamente.

Patrick se trancou no banheiro junto com Thor – do lado de fora criaturas tentavam adentrar o lugar. O rapaz encontou uma janela que tava para fora daquele pesadelo. Ela tinha o tamanho perfeito para ele e seu cão.

De volta ao campo de batalha, Albert e Rick estavam sem munição, e apesar de terem matado uma boa quantidade das criaturas, ainda tinha muitas delas. Os dois amigos se entre olharam. Era um olhar de cumplicidade. A dupla jogou as armas no chão, sacaram dois facões e saíram correndo para o andar de cima, em busca de um lugar seguro.

Mas as criaturas eram determinadas e bem organizadas – e perseguiam o alvo até a exaustão. Albert acabou prendendo sua perna defeituosa em um dos degrau da escada e ela ficou pendurada. Rick estava no alto e terminou voltando pra ajudar o amigo, mesmo sob os protestos desse. Enquanto algumas criaturas estavam subindo às escadas, outras saltavam em baixo tentando agarrar a perna de Albert.

No banheiro, Patrick conseguiu passar Thor pela janela. Do lado de fora as coisas pareciam calmas, não tinha nenhuma fera bebedoura de sangue por perto. O rapaz se pendurou na janela, quando sentiu à porta do banheiro se romper e o lugar ser invadido por várias daquelas aberrações, que num salto preciso se lançaram contra ele.

Com o susto e o impacto do choque com as criaturas, Patrick foi lançado pra fora de uma só vez, caindo no chão e ficando meio atordoado com a queda. Quando ele recobrou o sentido, percebeu que estava em perigo. Uma daquelas coisas estava indo pra cima dele, ela exibia presas mortais e passeava com a língua sobre a bocarra. Quando o monstro se jogou contra Patrick, Thor saltou sobre a criatura e uma luta sangrenta teve início.

Albert e Rick estavam presos numa sala no andar superior do galpão, e cercados por criaturas do lado de fora. Eles tinham feito uma barricada na porta, mas sabiam que aquilo não iria deter aquelas coisas por muito tempo. Eles ainda tinham uma  arma com uma bala. Os dois se olharam como se estivessem decidindo quem teria a sorte de usar aquela belezinha no final. A pressão na porta estava ficando mais intensa e a barricada estava cedendo.

Patrick ouviu o barulho do tiro dentro do galpão e depois o silêncio. O rapaz começou a se arrastar até Thor, que estava caído no chão banhado de sangue e com o corpo cheio de ferimentos profundos. A criatura jazia ao seu lado com o pescoço dilacerado. Patrick colocou o fiel companheiro no colo e ficou acariciando o pelo do animal, até não sentir mais seu coração batendo. As lágrimas escorriam dos seus olhos como uma cachoeira, ele havia perdido o último membro de sua família e agora estava definitivamente sozinho de verdade.

 Os primeiros raios de sol bateram no rosto de Patrick, secando as lágrimas dos seus olhos. Ele ainda estava acariciando Thor, quando viu duas silhuetas saindo pela porta do galpão. Eram Albert e Rick, ambos estavam bem cansados,  eles carregavam os  facões sujos de sangue e traziam nas mãos a cabeça decapitada de uma criatura como uma espécie de troféu.

No final daquela mesma manhã, Patrick estava enterrando o último membro de sua família, seu amigo e companheiro de muitas aventuras perigosas, Thor!

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23 comentários em “Quando a noite chega (Alone Canvas)

  1. Rose Hahn
    20 de outubro de 2017

    Alone, impossível não lembrar de Stephen King com a referência a Maine, bela sacada. Buenas, os colegas já citaram várias e boas dicas para a reconstrução do seu texto. Não se avexe, é assim mesmo. Talvez vc. esteja arriscando os primeiros passos na escrita, e vc. arriscou, parabéns! Muitos nem arriscam. Segundo passo: Não desista. Escreva, escreva e escreva. É assim como todo o mundo, comigo não foi diferente, e nem está sendo. Algumas coisas que aprendi e que pode ajudar na sua caminhada: Uso de metáforas. Elas mexem com os sentidos do leitor, a audição, a visão, o paladar,…mas cuidado, use com moderação, pois pode ter efeito contrário, como em: “O sol de fim de tarde estava pálido como uma folha de papel em branco”, é algo que soa batido, uma comparação que já não aguça os sentidos. Também evite entregar de cara a descrição dos personagens, isso deixa o leitor preguiçoso, vá inserindo ao longo da trama, em doses homeopáticas. E mostre, não conte: “Eram Albert e Rick, ambos estavam bem cansados”, mostre como eles estavam cansados, deixe o leitor cansado, no bom sentido, viajando no imaginário dos seus personagens. A verossimilhança: seja coerente na narrativa, entregue o que prometeu ao longo da trama. Veja em “Principalmente para Patrick, que se encontrava parado na frente de uma loja de conveniências”, Mais adiante :” Os dois atravessaram a rua e entraram na loja de conveniências”. Eles estavam em frente à loja ou do outro lado da rua, entende? O leitor vai construindo na mente a história do autor, e isso confunde a cabeça de quem lê, fazendo com que se tenha que voltar na história, daí não fluí a narrativa. Também as palavras devem ser lapidadas para atenderem ao texto de acordo com o gênero pretendido. Veja em ‘O máximo que poderia acontecer era eles dois serem o jantar daquelas bestas bebedouras de sangue lá fora” e “frutas maduras”, “Do lado de fora as coisas pareciam calmas”. Essas descrições apareceram no auge do ataque das criaturas, mas quebraram o terror, a tensão, são muito levezinhas, boazinhas, com até uma dose de humor, no caso do jantar, e não combinaram com a sensação de terror que acontecia na cena. Então essas foram as minhas considerações, espero ter contribuído e continue afiando a escrita, nos vemos no próximo desafio, abçs.

  2. Evelyn Postali
    18 de outubro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Está dentro do tema, mas não provocou muito medo. Essa emoção ficou de lado. A história, se eu não tivesse parado na leitura por causa de algumas construções, é razoável e teria causado maior efeito se pudesse ter sido escrita de forma diferente, talvez. Precisa de uma revisão. Boa sorte no desafio.

  3. werneck2017
    16 de outubro de 2017

    Olá,

    Vejo que os colegas já fizeram as considerações mais relevantes. Um escritor precisa ler muito e reescrever mais ainda. Construir dez textos para aproveitar um (evidente, trata-se aqui de um número genérico). Acrescento para tomar cuidado com os cacoetes literários, às vezes pleonasmos viciosos do tipo:
    O dia estava acabando. E a noite estava chegando! – Uma coisa já implica a outra. Não há necessidade das duas.

    diante de um novo mal até então desconhecido. – se é novo, já é desconhecido

    Os únicos sons ouvidos – se são sons, evidente que serão ouvidos

    Há também outros tipos de erros, como:

    saltar dos seus peitos há qualquer momento > saltar dos seus peitos a qualquer momento.
    O rapaz olhou a parede e concentrou no relógio pendurado nela > O rapaz olhou a parede e se concentrou no relógio pendurado (se ele está olhando a parede, focando o relógio, ele só pode estar pendurado nela
    No início de animais – depois de seres humanos> No início, de animais – depois, de seres humanos
    Pouco mais de um ano depois dos primeiros casos de ataques > Pouco mais de um ano depois dos primeiros casos (o leitor, graças ao comentário anterior, já sabe que se trata de ataques

    No mais, bonita homenagem à Eu sou a lenda

    Boa sorte no desafio!

  4. Evandro Furtado
    16 de outubro de 2017

    O conto começa parecido demais com a versão cinematográfica de Eu Sou a Lenda que assustou, mas depois, afasta-se suficientemente disso pra que se torne original. Gostei particularmente da ideia de usar os chupa-cabras, nunca vi isso ser feito anteriormente. A história também é interessante, com os personagens sendo desenvolvidos aos poucos – os flashbacks, que normalmente irritam, nesse caso funcionaram muito bem. O final, no entanto, me incomodou. Me pareceu sem propósito. Não há uma conclusão efetiva. Não há um tema perpassado pelo texto que seja explorado. Me parece, simplesmente, um final solto, que espera algum tipo de complemento.

  5. Lucas Maziero
    13 de outubro de 2017

    O estilo me pareceu um tanto imaturo, alguns erros encontrados e muitas repetições de denominativos, como por exemplo criaturas que bebem sangue. Já sabemos que elas bebem sangue.

    O conto começou instigante, prometeu alguma coisa sinistra, e até que acabou cumprindo, mas de forma a não criar grande impacto.

    Há um trecho, não tão grande, é certo, mas que me parece não acrescentar nada na trama, que é o relato de Albert e seus animais, e as rememorações de Patrick. Não chegou a cansar, não, porém desviou a atenção para algo não muito interessante.

    Na câmara frigorífica, se não havia eletricidade, ela mais funcionaria como um compartimento hermético e portanto com uma temperatura amena, até quente, dependendo de quanto tempo Patrick ficou lá dentro. Mas é algo de somenos importância, algo que me incomodou.

    O final ficou meio comovente, a perda de seu cão e o que mais estava por vir? Ficamos por ali, esperando um desfecho concludente. Acabaram com aquelas criaturas mas logo viriam mais. E daí?

    No mais, não vou negar que tive um certo entretenimento, não li com enfado. Uma reestruturação na história, uma reescrita, levando em conta esses pontos que mencionei, talvez tornem o conto… não vou dizer melhor, quem sou eu! Porém é isso, a história não me cativou como eu esperava.

    Parabéns!

  6. Fheluany Nogueira
    12 de outubro de 2017

    Alone é o personagem principal de um anime/mangá. Ele vivia em um orfanato com muita companhia, apesar do significado da palavra. E, tinha um dom maravilhoso: desenhar. Assim acontece com o autor — desenha com as palavras. Você tem o dom, precisa desenvolvê-lo, estudar, planejar. Ler, ler muito. Escrever e reescrever.

    Todos os comentários sobre seu texto já foram feitos, não serei repetitiva. Escrever uma distopia é difícil até para os mais experientes e você o fez.

    Parabéns. Abraços.

  7. Luis Guilherme
    9 de outubro de 2017

    Boa noite, amigo, tudo bem?

    Como os colegas ja comentaram muitos pontos a considerar no conto, eu nao quero ser repetitivo.

    Notei que voce tem muitas ideias e eh bem criativo. Acho que eh uma questao de organizar isso de forma mais estruturada, pois senti que muitas das ideias acabaram se perdendo no turbilhao de acontecimentos, deixando o texto muito apressado, sabe?

    Mas o mais interessante eh q vi muito potencial! Percebi varias referencias, como eu sou a lenda (belissimo filme), king (maine eh a cara dele, neh?), entre outros.

    Eu, particularmente, adoro historias pós-apocalipticas, mas ainda nao tive a ousadia de escrever uma, pois eh realmente dificil fugir dos cliches do tema. Voce ousou e mostrou que tem potencial pra isso.

    Siga nesse caminho! E gostaria de ler mais coisas suas do género, pois nao posso ver um mundo devastado que ja brilham os olhos.. Hahaha

    Eh isso, muito potencial, muitas ideias, mas pouca organização. Isso eh facil resolver, dificil eh qdo nao existe criatividade. Siga por esse caminho e com ctza ficará melhor a cada novo conto.

    Parabens e boa sorte!

  8. Lolita
    8 de outubro de 2017

    Olá. Meu comentário aqui vai ser um pouco diferente, já que os colegas apontaram tudo o que eu teria para dizer. Bem, parabéns pela coragem e continue escrevendo. Leia muito (para além do George Martin), assista muitos filmes e séries (para além de Supernatural) e continue escrevendo. Todo diamante precisa ser lapidado. Parabéns e boa sorte no desafio

  9. Paula Giannini
    8 de outubro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Então é uma homenagem a “Eu sou a lenda”. Gosto da ambientação, gosto do clima e da premissa.

    Obviamente, já li os comentários dos colegas. Espero que entenda que, aqui, estamos todos para aprender. Eu, você e todos os demais. Acredito que você seja jovem e que este seja seu primeiro desafio conosco. Por que acho isso? Pelo seu modo de escrever, ainda novo para mim e, pelo visto, para muitos.

    Então, como a ideia é aprender, vou lhe contar algo que aprendi com um bom professor que tive. David Mendes, no núcleo de dramaturgia da RPC TV. Rede Globo Paraná. O núcleo era de roteiro, mas a observação também vale para contos, peças de teatro, romances, enfim.

    Bem, o mestre dizia que os escritores precisam ter cuidado com algo que ele chamava de “contaminação”. E o que seria a tal contaminação? Bem, segundo ele, trazemos em nós, impresso, tudo o que assistimos e lemos. E, como somos bombardeados por filmes do tipo Blockbuster (não que não possam ser bons) e novelas de televisão, desde a infância, acabamos, subconscientemente, acessando diálogos e narrativas, dentro de um padrão pronto que está lá, guardado dentro de nós. Por isso, se queremos escrever, precisamos ler muito e incansavelmente. Livros. Romances, contos, crônicas, poesia. É essa a “contaminação” que devemos buscar. Mesmo que a ideia seja, no futuro, se tornar um roteirista.

    Bem, acho que já me alonguei demais. O fato é que você, claramente, tem muito talento. Mas precisa praticar, como todos nós.

    E, uma dica para os futuros desafios. A revisão é uma das partes mais importantes do trabalho. Quem lerá seu conto, ao menos por aqui, serão escritores. Pessoas que gostam dos pingos nos is e os acentos e verbos nos devidos lugares. E, acredite, mesmo com muita revisão, eles acham erros que passam. Não se como. Mas passam. 😉

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Mais que isso, desejo que continue nos trazendo seus contos.

    Beijos
    Paula Giannini

  10. Rafael Soler
    8 de outubro de 2017

    Interessante a ideia de um pós-apocalipse com esses chupa-cabras infernais. A forma não linear da história também me agradou.

    Senti uma certa falta de técnica na hora de narrar e estruturar a trama, muitas pontas ficaram soltas de uma forma que mais pareceram buracos.
    Outro ponto negativo foi a gramática, o texto precisa de uma boa revisão.
    E acho que a história poderia se passar no Brasil, não entendi o motivo de ser nos EUA.

    O texto tem potencial, mas precisa ser retrabalhado para ficar mais redondo.

  11. Fernando.
    8 de outubro de 2017

    Meu querido Alone, puxa, que admirável essa sua capacidade de contar uma história. Fico, cá com os meus botões, a refletir sobre de onde tenha tirado as suas inspirações? De livros de bolso americanos, de filmes? Bem, parabéns pela sua ousadia. Sinto tratar-se aqui de um jovem a escrever e é bacana demais perceber isto. Talvez, imbuído da aflição de enviar logo a história, tenha deixado de lado uma última leitura na história. Epa, quem sabe uma leitura somente ainda se configuraria como insuficiente. Há pontas que precisam ser melhor amarradas, há repetições que me passaram a impressão de estarem postas para completar o número de palavras mínimo exigido e há palavras que precisam de revisão. O enredo também ficou com uma obviedade que me gerou incômodo, sabe? Sugiro reescrever a história. Abraços de parabéns pela sua ousadia.

  12. Ana Maria Monteiro
    8 de outubro de 2017

    Olá, Alone. O seu conto situa-se fora da minha linha de conforto enquanto leitora, uma vez que não leio este género de histórias e nem vejo a imensa quantidade de filmes que se produzem com estes ingredientes.
    Não vou comentar a sua eventual juventude nem maturidade versus imaturidade.
    Tampouco irei deter-me na situação das crases e das confusões com o verbo haver (aliás, em muito menor quantidade, noto a primeira como uma constante na escrita dos brasileiros e penso que isso está diretamente relacionado com a vossa pronúncia em que vocês sempre pronunciam os “A” abertos, podendo facilmente cair nisso, que ocorre, de os escreverem tal qual falam).
    No seu conto falta um pormenor muito importante: explicar como Patrick sobreviveu por três anos a todo esse flagelo que tão drasticamente arrasou metade da humanidade. E mais: talvez se a história fosse centrada nessa sobrevivência, ela resultasse muito melhor.
    Assim entra em paradoxo porque você também não fez por menos, não restringiu o âmbito dos acontecimentos a uma localidade, região ou até um país; não, você decidiu que a catástrofe era a nível mundial. Ora, num cenário tão abrangente, as criaturas teriam que ser muito mais “sólidas” do que se revelam e a sobrevivência uma verdadeira epopeia reservada aos “duros” e não a meninos adolescentes que por amigos e parceiros dispõem apenas do fiel amigo canino.
    Então esta história, independentemente do tema do desafio,o que precisa, além da revisão, é de que lhe sejam acrescentados os elementos que permitam torná-la verosímil, nem que sejam elementos simples, mas que possam justificar a sobrevivência do protagonista.
    Parabéns pela participação. Desojo-lhe boa sorte no desafio.

  13. Antonio Stegues Batista
    7 de outubro de 2017

    ENREDO: Num mundo tomado por criaturas sedentas de sangue, um rapaz e seu cão tentam se manter vivos. O argumento não é original, existem muitas histórias parecidas.

    PERSONAGENS: Bem delineados, Albert e seus companheiros, perfeitos, mas achei Patrick medroso demais.

    ESCRITA: Regular. Tem muitos erros, como por exemplo: “Serraram os dentes”. Serrar é com serrote o certo é cerrar; cerraram (fecharam, trincaram os dentes).
    “se desce para chegar do outro lado” Desce do verbo descer. O certo é desse, do verbo dar. “ouve”, faltou um h, “houve”, do verbo haver e assim por diante. Algumas frases estão legais, outras não. Creio que o autor é jovem e fã de Stephen King que mora no Maine e tem algumas histórias ambientadas naquele estado. Aconselho ler bastante e também praticar a escrita regularmente. Existem muitas formas de dizer as coisas, de compor as frases. Veja sempre qual a mais perfeita. As frases são feitas com palavras, algumas são mais bonitas e adequadas do que outras.

    TERROR: Criou uma certa tensão, suspense, mas não terror. Faltou melhores descrições e ideias terroríficas. Boa sorte.

  14. Nelson Freiria
    7 de outubro de 2017

    Achei muito estranho essa coisa de ir escrevendo o texto e, de repente, pular uma linha e adicionar uma frase seguida de uma exclamação. Aliás a exclamação apareceu 13 vezes no texto…

    O primeiro parágrafo insinua-se como um trecho retirado de algum outro material ficcional, é isso? Que obra seria essa? Ela realmente existe? Prefácios ou textos que prenunciam parte da trama, caem bem em histórias mais longas, onde a presença dos personagens, origem e destinos podem ser mais bem trabalhados ao desenrolar dos fatos, sem se preocupar em entregar um pouco do jogo já de cara.

    Não captei a necessidade de situar a história em solo norte americano, nomes americanos, estilo de vida americano, e etc. Não julgo o(a) autor(a) por fazê-lo, porém me senti distanciado da realidade de Patrick.

    Faltou (e em alguns casos sobrou) algumas vírgulas e acentos, além de erros de concordância e digitação. A maioria dos itens que Patrick pega na loja não aguentam 3 anos, tempo mínimo indicado desde que o mundo sucumbiu. Tem mtas redundâncias nas descrições, como o sol que é dito duas vezes estar ‘fraco’, os homens armados e perigosos, o ato de correr dos cachorros selvagens, o ato de ‘sair para fora’ de casa, os detalhes da quantidade de anos e redução dos número de humanos no planeta, e por aí vai…
    Outros problemas notáveis são: o “assalto” da gangue não dura mais do que 2 diálogos, ou seja, nem que Patrick não tivesse sido “assaltado”, ele não conseguiria ir a lugar algum antes do crepúsculo, ainda mais empurrando um carrinho barulhento cheio de tranqueiras. Patrick deveria ter ouvido a van dos assaltantes se aproximar, pois é afirmado mais de uma vez o silêncio absoluto que reinava no ambiente exterior e interior, se não ele, então o cão ouviria. Já é estranho uma loja de conveniência ter uma uma câmara fria, o fato dela ser o único ambiente com eletricidade ali perto, é ainda mais. Nada é explicado de como a vegetação foi reduzida a metade. As criaturas se demonstraram somente cachorros selvagens por final, morrendo facilmente por balas e facões, o que faz com que a história perca todo o sentido, pois qualquer exército poderia deter o avanço dessas criaturas facilmente.

    Em “Assustadoras e indescritíveis quando vistas tão próximas.”, acredito que o narrador quis dizer que as criaturas eram tão assustadoras de perto, que ficava difícil descrevê-las, porém a primeira coisa que ele [narrador] faz após essa observação, é descrever as criaturas.

    Apesar dos pesares, sugiro ao autor(a) dar um tempo e depois recomeçar esse texto, pois me pareceu uma primeira caminhada pela jornada da escrita, o que deve ser sempre incentivado, mas apenas o tempo e a prática trará os melhoramentos que o texto precisa.

  15. Pedro Teixeira
    7 de outubro de 2017

    Olá, Alone!
    Olha, dá pra perceber que você tem potencial, por algumas cenas muito bem narradas, especialmente aquela do avanço da neblina. No entanto, o enredo apresentado aqui é muito batido, e previsível. As descrições do passado do personagem são trechos que acabam sobrando, em parte por repetirem explicações que já haviam sido dadas, e acabam quebrando a expectativa do desenrolar da trama. Outros elementos quebram o suspense, como anunciar que eles estavam sendo seguidos pelas criaturas.
    A aparente facilidade com que os protagonistas eliminam as criaturas também acaba diluindo a sensação de terror, e depõe contra a verossimilhança do conto. Afinal, criaturas tão ferozes e perigosas deveriam ser capazes de fazer um estrago maior.
    Enfim, o negócio é escrever e ler muito, porque é possível ver que você tem talento. Aproveite as dicas dos colegas, o Entrecontos é um espaço muito bom para que todos aprendamos.
    Abraço!

  16. Angelo Rodrigues
    7 de outubro de 2017

    Caríssimo Alone Canvas,

    Acho que você precisa voltar ao texto, fazer uma boa leitura e ajustar a redação, enredo e construção das personagens.
    Você busca um clima noir, isso é bom, com uma narrativa lenta, recursiva e de tons expressionistas, tais como “olhos como bolas de bilhar”, “sol branco como papel”, “batidas do coração que chegam a ser ouvidas ao longe.” Mas isso não pode ser tudo.
    Há problemas sérios de revisão. Cito alguns:
    – o trio de homens eram fortes…
    – O dia estava acabando. E a noite estava chegando!
    – os três homens se entre olharam.
    – os três homens que iriam roubar tudo, sobreviventes de um holocausto, de repente partem num furgão como três mocinhas medrosas?
    – notei muitos momentos em que faltaram expressões conectivas entre ideias e frases, tais como “o animal estava totalmente amedrontado. Enquanto aquelas coisas andavam de um lado para o outro.”, “Eram muitas e de todos os tamanhos. Deveriam estar se procriando.”

    Capriche mais, leia, releia e leia de novo. Escrever é reescrever quantas vezes for possível antes de o texto sair das mãos do escritor. Ainda assim, sempre escapam coisas.

    Obrigado por nos deixar conhecer seu conto.

  17. paulolus
    6 de outubro de 2017

    Um enredo óbvio ambientado em um cenário típico dos filmes B hollywoodianos. A descrição das figuras, então é de arrepiar qualquer desenho animado. Digno clichê desses tais filmes. Até que a escrita é bem desenvolvida em sua forma linear, mas o ponto de vista com que foi focado o tema não ajuda.

  18. Andre Brizola
    5 de outubro de 2017

    Salve, Alone!

    De cara, sem ir muito além no texto, eu já fiquei razoavelmente incomodado com a semelhança da ambientação e do início do enredo com o Eu Sou A Lenda. Não sei se foi uma fonte de inspiração muito forte, ou se era uma reverência ao texto original. De qualquer maneira, seria muito difícil de conseguir o impacto que Eu Sou A Lenda oferece ao leitor (o filme é divertido, mas não supera o original).
    Vários trechos me deixaram confuso, mas nada me deixou mais com a pulga atrás da orelha do que a facilidade com que os três companheiros/ladrões exterminam uma quantidade sem fim de monstros. Criaturas tão fáceis de eliminar teriam sido realmente a causa da semi-extinção dos humanos?

    É isso! Boa sorte no desafio!

  19. Eduardo Selga
    5 de outubro de 2017

    Jovem autor,

    Pode-se dizer que há dois tipos de analistas de textos literários, se quisermos reduzir demasiadamente algo tão complexo: os que consideram ser o mais importante a “estória em si”, o enredo, e os que valorizam o uso literário da linguagem. Para os primeiros, o importante é “visualizar” a cena, fazer o leitor sentir-se dentro dela. Literatura seria, portanto, uma experiência sensorial, como o LSD. O leitor precisa ser “possuído” por uma emoção tão intensa quanto se tivesse numa sala de cinema.

    Isso, para mim, soa quase infantil. Não pertenço a esse grupo. Entendo ser a literatura fundamentalmente trabalho estético com a palavra, visando a produzir imagens que saiam do cotidiano. Não necessariamente produzir cenas com esse perfil, e sim imagens. Não é uma atividade pragmática e utilitária, com a qual eu deva conquistar o meu cliente (ou melhor, o meu leitor), de modo a entretê-lo. A literatura tem que incomodar o senso comum. E muito.

    A escolha estética adotada aqui revela uma caraterística comum no Brasil, entre as gerações mais novas de autores de ficção: os EUA como cenário. Pela insistência com que isso ocorre, parece que o citado país funciona como um universo mítico, como o foi a Grécia Antiga para a Renascença. Ao invés de sátiros, cowboys; ao invés de centauros, carrões em alta velocidade. Mas um universo mítico com uma característica bem diferente: ele tem uma violência espetaculosa.

    Este conto é mais um desse tipo. De vez em quando surge um exemplar dele nos Desafios.

    Seria interessante se o jovem autor buscasse sair desse universo, pois ele é muito pequeno, e caracterizado pela repetição. Parece um universo de videotape. Esse universo ficcional é uma roça, é preciso ir a espaços mais abertos. a América Latina, o Brasil, a África, o Oriente Médio e a periferia da Europa também são espaços que contém em si sementes de boa ficção. Mais que outros exemplos de espaços retirados do concreto, seria muito bom criar ficcionalidades com espaços universais e/ou psíquicos, a exemplo de vários contos que temos aqui. Veja, não estou querendo censurar a sagrada liberdade do autor, mas é preciso enxergar além do espetáculo e da narrativa visual.

    O que foi narrado aqui já o foi inúmeras vezes (principalmente em roteiros de filme), de modo essencialmente igual.

  20. Regina Ruth Rincon Caires
    5 de outubro de 2017

    Achei muito interessante a ideia, o enredo, a construção da história. No todo, tem lógica, tem sequência. Quanto à escrita, fica nítido que o autor é um contista que começa a trilhar o seu caminho, e com muita vontade. Há erros de linguagem, uso confuso da crase, repetição de palavras, mas é normal. Tudo isso pode ser sanado com uma revisão detalhada e orientada, procurando, o autor, entender o motivo da correção, aprender a maneira correta. Escrever é uma soma de aprendizado, estamos a caminho. É um conto de terror, exigência do desafio, é criativo. O autor tem imaginação fértil, requisito necessário para a boa escrita, basta seguir a estrada, ler bastante, absorver a técnica. A parte da correção, de aprender a maneira correta de escrever, do bom uso da gramática, tudo pode parecer maçante, mas é necessário. Depois, vira cachaça… Vamos juntos, caminhemos…
    Parabéns, Alone Canvas! (você não está sozinho!)

  21. Edinaldo Garcia
    4 de outubro de 2017

    Escrita: Ainda há muito o que aprender. O autor me pareceu estar começando agora sua caminhada literária, e tem condições de vir a ser um bom escritor. Talvez precise ter mais paciência na revisão, ter pessoas próximas que ajude nisso, ter amizade com escritores. Pela imagem eu esperava uma boa estória, mas não o foi, o enredo semelhante Eu Sou a Lenda não trouxe nada de novo, a não ser a parte do chupa-cabra. Gostei dessa conexão. Há muitas falhas no enredo:

    O rapaz e o cão foram puxados para fora do lugar pelos três homens, que pouco tempo antes tentaram lhe roubar. – tentaram ou roubaram?

    Não entendi o motivo de ele relutar a entrar na loja de conveniência.

    O porquê de ter sido roubado, afinal os homens não pegaram o que estava na loja, apanharam o carrinho e foram embora. E porque não ofereceram ajuda já naquele momento?

    Essa agora vai ser a observação mais frescurenta que você vai ver aqui: O personagem principal tem vinte e poucos anos e três anos antes ele iria se formar na escola? Deveria ser um péssimo aluno, pois geralmente as pessoas se formam no ensino médio com 17 anos.

    Outra coisa: como um personagem tão fraco como o Patrick conseguiu sobreviver por três anos?

    Terror: Achei sim que foi um conto de terror. Faltou técnica e criatividade.

    Nível de interesse durante a leitura: Com tanta lacuna foi doído chegar até o final. O que é muito triste pois tinha tudo para ser um excelente texto. Sabe ambientar, tem bom gosto. Continue escrevendo que seu potencial é enorme.

    Língua Portuguesa: Como já disse não sou obcecado pela gramática, mas seu texto perde uns pontinhos. A falta de revisão prejudicou a leitura. Eu não costumo ler os comentários, acho muito chato, mas quando o texto apresenta muitos erros de Língua Portuguesa eu leio alguns para não ser repetitivo. Eu vi o comentário do Fábio e vou colocar algumas observação a mais:

    Thor encarava o dono, impaciente – essa vírgula separando o adjetivo não existe, sem contar que o período ficou confuso: quem estava impaciente?

    encolheu mais ainda ao lado

    se batendo umas nas outras e caindo estateladas no chão, igual frutas maduras – iguais a frutas maduras.

    Mas a mesma de encontrava emperrada. – se encontrava

    os dois saíram pra fora do esconderijo – Eu não vejo problema nessa construção. Eu teria escrito “abandonou o esconderijo” ou “simplesmente saiu do esconderijo” agora “saiu para fora” eu tenho certeza que vai ter gente fresca aqui que vai colocar defeito.

    saiam a noite para caçar – à noite (advérbio de tempo; locução adverbial prepositiva feminina bla bla bla lembrei agora do período infernal que fui professor de português)

    O rapaz encontou uma janela que tava para fora daquele pesadelo – “encontrou” e “dava”

    subindo às escadas – subindo as escadas

    Veredito: Ficou bom não. Se você está começando agora, parabéns. Esses desafios são bons para termos nossos textos analisados por quem está no ramo, deve ser muito engrandecedor, eu mesmo estou aqui pela primeira vez, pois fiquei muito tempo sem escrever e estou voltando agora, e esse desfio me deu ânimo e a oportunidade de fazer algumas experiências sobre um livro que estou escrevendo.

  22. Olisomar Pires
    3 de outubro de 2017

    Impacto sobre o eu-leitor: baixo.

    Narrativa/enredo: aventura num mundo dominado por criaturas assassinas.

    Escrita: muitos erros ou equívocos dificultaram a leitura. Travessões, crases, ortografia. Há certos exageros estilísticos que “cansam” o texto.

    Construção: a idéia é recorrente e já foi explorada n vezes. Infelizmente a forma como foi apresentada não é contagiante.Alguns clichês também não ajudaram, apesar de não serem proibidos.

    Nota-se criatividade ainda que o resultado impresso não tenha ficado muito bom, agora é questão de escrever sempre e mais, ler muito e apreender o significado do valor da revisão, seguindo o conselho do escritor Marques Rebello: escrever é cortar.

    É isso.

  23. Fabio Baptista
    3 de outubro de 2017

    O texto revela um autor com potencial, mas com técnica ainda imatura.

    Foram muitos erros gramaticais (simples de se ajustar) e um excesso enorme de “contar” sem “mostrar”. Isso tira bastante a emoção do texto, não faz o leitor sentir apego aos personagens, nem imergir nas cenas como se estivesse lá tentando escapar dos monstros. Vemos apenas um relato distante, como uma notícia de jornal. Algo que ajuda bastante nesse sentido são os diálogos e aqui eles foram bem escassos.

    – Eu já sei, amigão. – disse o rapaz
    >>> Falando em diálogo: quando coloca o ponto, o “disse” tem que começar maiúsculo. Eu simplesmente tiraria o ponto.

    – essa calmaria forçada era assustadora!
    – durando 20 minutos!
    – Ferramentas!
    – seria bem pior!
    – pouco restou da raça humana!
    – Patrick corou o rosto!
    – E a noite estava chegando!
    – Patrick se desesperava!
    – veio um silêncio mortal!
    – até que se abriu!
    – chegando no Maine!
    – companheiro de muitas aventuras perigosas, Thor!

    >>> cara, no final eu não aguentava mais essas exclamações! kkkkkkkk

    – momento parar o ataque
    >>> para

    – se desce certo
    >>> desse

    – forçou à porta
    – às escadas
    >>> essa crase apareceu várias vezes. Um truque para eliminar 90% das dúvidas com crase: substitua o substantivo por um similar masculino. Tipo “porta” por “portão”. Se o “a” virar “ao”, tem crase. Se virar “o”, não tem.

    Forçou o portão = Forçou a porta
    Caminhou em direção ao portão = Caminhou em direção à porta

    – afim de
    >>> a fim

    – pudesse está
    >>> estar

    – o sol brilhava
    >>> isso é bem clichê e aparece mais de uma vez

    – sua fazendo
    >>> fazenda

    – não ouve tempo
    >>> houve

    – entre olharam
    >>> entreolharam

    A trama é bem estilo “Eu Sou a Lenda” e não traz muita surpresa. Minha dúvida era só se o cachorro morreria ou se seria transformado num vampiro. Mas o problema mesmo foi o jeito de contar. O trecho de Lisa, por exemplo, do jeito que foi colocado, acabou sendo totalmente descartável. Poderia ter um diálogo do protagonista com a moça, algo que trouxesse o leitor para perto e causasse empatia. Do jeito que foi, ficou “tá, o cara tinha uma namorada…”.

    Enfim… não está de todo ruim, a narrativa é clara o tempo todo e isso é um fator bem positivo. Mas precisa praticar mais. Assim como todo mundo aqui no grupo, eu inclusive.

    Abração!

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Informação

Publicado em 3 de outubro de 2017 por em Terror.