EntreContos

Literatura que desafia.

Os Visitantes (Ana Lisa (em teu redor))

Nasci e cresci aqui, em “Águas Santas”. Nunca de cá saí, nem para estudar – temos escolas até ao final do secundário e tirar curso superior foi ideia de que cedo desisti.

É uma cidade pequena, com pouco mais de 6000 habitantes, mas num país do tamanho do nosso, qualquer lugarejo pode ser cidade. Claro que nos conhecemos todos uns aos outros – até aos internados, boa parte deles pessoas agradáveis e que poderiam perfeitamente passar despercebidas em qualquer outro local de maior dimensão.

E como permanentes, além dos locais, há os “doidos” de todo o tipo; muitos, considerados inofensivos, circulam livremente pelas ruas da cidade oferecendo-nos espetáculos bastante variados.  

É que temos o hospital – o “melhor” hospital psiquiátrico do país.

O que significa que é também o principal empregador e único pólo de atração. Neste sítio inóspito, apenas recebemos a visita das nossas próprias famílias e daquelas de alguns dos doentes, pois na sua maioria são aqui depositados e prontamente esquecidos.

Estamos bem equipados – possuímos até um centro de exposições, biblioteca e cineteatro que passa os filmes em estreia na capital e onde se deslocam regularmente as melhores companhias de teatro (e as piores também). O acesso é feito por uma boa estrada, embora repleta de curvas; estamos num vale rodeado de montanhas escarpadas por todos os lados e torna-se necessário contorná-las até cá chegar.

À nossa volta avistam-se apenas pedras, algumas árvores e o hospital – tenebroso. Ou talvez não. Sou eu que o vejo assim porque sei muito sobre o que lá se passa – ou passava. É onde os meus pais trabalham, a minha mãe é auxiliar, o meu pai “vigilante”, assim uma espécie de guarda prisional. Apesar de que eles pouco falam do trabalho ou sobre qualquer outro assunto. Tal como a maioria dos habitantes de cá, são pouco faladores. Talvez isso se deva ao isolamento físico em que vivemos (só físico, somos civilizados, temos telefones, televisão, internet…) e ao clima rigoroso – gelado no inverno, sufocante no verão e sem meias-estações.

O meu conhecimento sobre as práticas no hospital vem de outras fontes, corroborado pelos factos que observei. Já vi muitos chegarem aqui nos mais diversos estados de loucura, aparente ou não, transformando-se rapidamente em verdadeiros zombies – também esses circulam pela cidade, inofensivos, o olhar vazio perdido no nada, o passo arrastado, parecendo almas penadas e difíceis de distinguir das verdadeiras (que também por cá temos dessas – é outro assunto de que não se fala). E há aqueles que chegam e não voltam a ser vistos.

No início disse que decidi cedo não estudar além do secundário, mas não expliquei o porquê. Eis, em parte, os meus motivos: aqui só se estuda para ser médico. Que sejam médicos do hospital é o sonho dos pais e o desejo dos filhos. Os médicos são as pessoas mais respeitadas e reverenciadas da terra, bastante mais até que o próprio padre que, coitado, vai debitando os seus sermões para meia dúzia de espetadores, na sua maioria loucos. As pessoas de cá são pouco religiosas, o que é estranho pois não há quem não acredite no demónio e, desculpem-me se estou enganada, mas parece-me difícil acreditar numa entidade e não na outra. E ainda se me afigura mais improvável acreditar no Diabo e dispensar a invocação da proteção divina. Mas eu não creio numa coisa nem noutra. Já vi que o mal é algo muito, muito humano. E nunca quis ser médica.

Sou padeira. Trabalho de noite e durmo de dia. Gosto. A padaria cheira a pão quente, é reconfortante; às sete da manhã abro as portas e fico até às onze, dou os bons-dias a quase toda a cidade, consigo puxar conversa com os menos calados, distribuo sorrisos por todos – gosto de nós, deste meu povo de que faço parte, tal como as imensas pedras mudas que nos rodeiam.

Quando era pequena, o meu avô foi um grande companheiro. Veio viver connosco quando internaram a avó e ficou até pouco depois da suposta morte dela, quando desapareceu misteriosamente, um mistério que se mantém e que aos poucos deixou de ser falado e investigado. Eu tinha amigos, claro, mas ele era especial. Também trabalhou no hospital até que se reformou mas, ainda que bastante conversador, esse era um assunto de que não falava: “Não tenho o mínimo orgulho no meu trabalho lá. Ainda bem que não é o que queres para ti.”

Homem simples e analfabeto, como ainda o são grande parte dos mais velhos, nunca me olhou como criança. Sempre me viu a mim, tal e qual quem era, quem fui sendo em cada momento do meu desenvolvimento. Tratava-me com o mesmo respeito que a qualquer outra pessoa, não me dizia (como os meus pais faziam) que este ou aquele assunto não era para a minha idade; quando muito, havia coisas que contornava com uma maravilhosa técnica pessoal que usava para conseguir mudar de tema sem que eu me apercebesse. Além disso era bem-disposto e alegre – o oposto de quase toda a gente. E nunca o vi ou ouvi criticar quem quer que fosse. Era humano, simplesmente, e sabia que todos o éramos. Gostávamos das mesmas coisas: caminhadas, escaladas, passeios, animais, comer fruta ao ar livre.

Na nossa região existe uma grande variedade de animais semi-selvagens, incluindo algumas espécies de morcegos e doutros mamíferos e aves mais ou menos comuns e bem cedo aprendi a distinguir as variedades duns e doutros pelas suas características. Aprendi também, na medida do possível, a relacionar-me com eles e, sobretudo, a respeitá-los. Nas longas caminhadas e escaladas que fazíamos, entre brincadeiras e histórias que gostava de contar-me, ele ia apontando os que eu ainda não conhecia, falando dos seus hábitos e comportamentos. Era impressionante a quantidade de conhecimentos que tinha sobre tudo quanto se relacionasse com a vida animal e vegetal. Tornei-me uma verdadeira especialista na fauna e geografia locais e devo conhecer quase todos os pequenos planaltos, relevos, socalcos, depressões e grutas da região. Digo quase porque existe pelo menos uma gruta que não conheço. Essa, cuja memória não me abandona e onde o meu avô se recusou a entrar sem querer dar-me explicações. “Aí, não!”

Foram em vão os meus pedidos, ele não quis entrar nem falar do assunto e não voltámos a subir aquela colina. Esse domingo de passeio terminou mais cedo que de costume, o avô ficou taciturno e um pouco impaciente até, coisa que nunca lhe tinha visto. Declarou-se cansado e regressámos a casa antes da hora habitual. Recolheu ao quarto e nem saiu para jantar alegando sentir-se indisposto. Nunca aceitou sequer discutir o assunto. “Não quero falar disso. Estás proibida de lá ir.”

Fosse porque sempre fui obediente, fosse por medo irracional, o certo é que nunca lá entrei. Mas isso não significa que ela não tenha vindo até mim. Ela e os seus habitantes.

O hospital é uma construção imensa e imponente, incrustado no meio da pedra, num plano um pouco superior ao da cidade. À chegada somos agradavelmente surpreendidos por uma zona exterior ajardinada, com espaços para descanso e de lazer, algumas árvores (poucas, pois não há muito por onde ganhar raízes) e relva artificial, de boa qualidade, o que significa que aparenta ser verdadeira. Respira-se calma. Os doentes circulam por ali, na sua maioria sozinhos, alguns sentados a ler, outros fumando um cigarro ou falando com os seus botões. A atmosfera impactante que oferece à distância dilui-se num ambiente que convida à calma e meditação. É tranquilizante.

Dentro das instalações, a coisa muda um pouco de figura, sente-se de imediato a atmosfera hospitalar, o que é natural, convenhamos. O que não é nada natural é o que se passa na zona designada por “Ala D”, essa a que apenas alguns têm acesso. Não a minha mãe, não o meu pai, ninguém que eu conheça atualmente – mas testemunhei parte do que lá sucedia.

Foi neste hospital que internaram a minha avó. Vi-a muitas vezes, mas não posso dizer que a conheci. Ainda era pequena quando isso sucedeu. Diziam que sofria de histeria (nunca percebi o que isso fosse), na prática era arrebatada por ataques de pânico. É, pelo menos, do que me recordo. Em noites de mau tempo, tempestade, chuva e ventania tornava-se incontrolável: acordava aos gritos, falava “deles”, trancava portas e janelas, debatia-se quando tentavam acalmá-la, ficava completamente fora de si. Numa terra que todos acreditam estar amaldiçoada e ser habitada por “almas do outro mundo”, este tipo de comportamento era comum, talvez não tão acentuado quanto o dela, mas comum. O pior foi quando, após uma dessas noites, não recuperou o juízo e continuou a piorar cada vez mais, tendo chegado a pegar fogo à própria casa no intuito de “expurgar os demónios”. O pequeno incêndio foi prontamente extinto e nem causou grandes estragos, a sua principal consequência foi o internamento da minha avó.

Os médicos afirmaram ter tentado de tudo, sem resultados. Semanas após a sua entrada, foi transferida para a “Ala D”. Não voltámos a vê-la. Foi-nos dito que se suicidou; terá aproveitado um momento de descuido e uma das janelas gradeadas estar aberta para dela se atirar. A queda de quatro andares sobre o terreno de pedra fê-la, literalmente, em papas. Esse facto, aliado ao avançado estado de decomposição em que o cadáver se encontrava (era comum a eletricidade falhar – algo que continua a suceder com frequência) e ao de estar morta há mais de uma semana quando por fim o médico legista liberou o corpo (havia bastantes suicídios na época), impediu que o seu caixão fosse aberto. Não vi a minha avó morta, nenhum de nós viu, nem mesmo o filho ou o marido.

O que é facto é que o seu corpo não desceu à terra.

Chamo-me Ana Lisa, por razões familiares que desconheço, mas penso que o nome me marcou um desígnio – e assim, eu sou aquela pessoa que analisa tudo. Apesar de muito novinha, ou talvez por isso mesmo, o meu espírito arriscou especulações em torno da possibilidade de não estarem a contar-nos a verdade toda.  

Os sonhos começaram pouco depois. Ou pesadelos, dependendo do ponto de vista.

Acordo a meio da noite rodeada de criaturas que me envolvem. Procuro acender a luz da cabeceira, mas sinto o meu dedo atravessar o interruptor. A escuridão é total. As criaturas emitem sons guturais. Agitam-se, voam, não têm asas mas voam. Tento pedir auxílio, a voz não me sai. Levanto-me em direção à porta – desapareceu. A janela. Onde fica a janela? Não consigo orientar-me. Percorro as paredes às apalpadelas, tropeçando em tudo e maldizendo a minha desarrumação. Sinto a sua respiração. No pescoço. Na nuca. Em todo o corpo. A janela também não existe. Estou encurralada. Os sons continuam, percebo o que me parecem ser sílabas, talvez palavras. Tudo é confuso. Tento regressar à cama, esconder-me debaixo dos cobertores. Onde está? Os meus olhos habituam-se à escuridão. Distingo formas. São seres horripilantes, verdadeiras aberrações da natureza, saídos diretamente do laboratório dum qualquer Dr. Frankenstein. Algo me bate na cabeça, tombo sem cair. “Aquilo” que me tocou entra num pânico maior que o meu, agitando-se em desespero por todo o quarto, aparentemente também procurando saída. Os outros seguem-lhe o exemplo, é um caos de movimento e som. Consigo regressar à cama. Tapo-me. Continuo a escutá-los, agora mais calmos. Espreito. Estão pendurados de cabeça para baixo nas traves do teto do quarto. Entre observamo-nos, curiosos. São humanos, são morcegos, são mistura das duas coisas. Agitam-se quando me movimento. Acalmam-se se ficar parada. Fico quieta. Prendo a respiração. O sentimento de claustrofobia desperta-me.

Os sonhos repetem-se noite após noite. Vão evoluindo. As criaturas também me receiam. A sua capacidade de comunicação é limitada, querem estabelecer contacto mas não conseguem. Todos aprendemos a ficar quietos e em silêncio, eles pendurados e eu deitada. Acabei por habituar-me a dormir assim.

Estar acordada era mais difícil, a lógica do pensamento racional e desperto impunha-se; recordava-me de tudo e alimentava inúmeros receios e pavores. Que queriam de mim? E se me atacassem? E se fossem vampiros? E se me sugassem o sangue? E se EU me transformasse num ser daqueles?

Os dias eram uma tortura. Emagrecia a olhos vistos. Os resultados na escola pioraram consideravelmente. Não conseguia concentrar-me. Nunca comentei os sonhos com ninguém, receava que me internassem. As noites tornaram-se agradáveis; ou tinha um sono sem sonhos ou era visitada sem perigo por criaturas que se me tornaram familiares.

 

Havia ali coisa! Tinha que descobrir. Não conseguiria fazê-lo sozinha, precisava de um cúmplice. A escolha era óbvia, só poderia ser o meu melhor amigo; a grande dificuldade residia agora em convencê-lo. E não foi tarefa fácil conseguir que o Diogo me acompanhasse ao cemitério numa noite de tempestade (as únicas em que não estava lá ninguém a praticar bruxarias e rituais diversos) e profanar uma sepultura. Mas sempre fui teimosa, determinada e persuasiva e ele era um menino dócil e tinha uma paixão infantil por mim. Quando compreendeu que levaria a ideia avante com ou sem a sua ajuda, faltou-lhe a coragem de me deixar ir sozinha. E fomos juntos.

Claro que foi arrepiante. Mas o pior, embora esperado, foi deparar com um caixão vazio. Regressámos a casa quase pela manhã, extenuados por tamanha emoção e pelo tanto cavar e voltar a tapar. O Diogo andou estranho por uns dias, receei que adoecesse, mas na realidade não tinha sucedido nada além da escavação e abertura duma enorme caixa de madeira vazia em meio a uma noite de temporal – talvez por isso recompôs-se em pouco tempo.

Meu querido amigo! Pensava ele que tudo tinha terminado, quando, para mim, apenas agora começava. A minha avó não estava enterrada! Não estava morta! Precisava entrar na “Ala D”, investigar e descobrir a verdade. Sobre ela e sobre tudo o que me atormentava – de dia como de noite.

Compreendi que era necessário dar tempo ao Diogo antes de o confrontar com nova empreitada; esta, no mundo dos vivos, bastante mais arriscada. Teria de ser numa noite como a da ida ao cemitério; noite, por ser o momento em que os funcionários estariam reduzidos ao mínimo, e tempestuosa para não sermos vistos na rua. Além disso, qualquer ruído ou movimento suspeito nosso dentro do hospital seria atribuído às almas amaldiçoadas e o pessoal de serviço esconder-se-ia em vez de averiguar o que se passava. Restava-me esperar. Conhecia bem o interior do hospital e sabia chegar à “Ala D”; uma vez aí, logo veria como fazer para transpor aquela entrada aparentemente inacessível.

Cerca de um mês após a incursão ao cemitério, voltei à carga com o Diogo. E de novo consegui convencê-lo (o meu primeiro beijo).

A desejada e temida noite chegou poucos dias depois, dias que me pareceram uma eternidade. Encontrámo-nos na esquina da nossa rua, cerca das onze da noite. A cidade aparentava estar adormecida; mera aparência, dentro de portas todos tremiam apavorados. Eu também tremia, mas de excitação. Já o Diogo afirmou ser de frio, mas não garanto nada.

O vento forte arrastava consigo as folhas soltas do outono desenhando danças macabras que, refletidas nas paredes, semelhavam os meus visitantes. Era um vento quente e estranho, carregado de ruídos e silvos que nos envolviam os corpos num toque indefinível, alternando entre carícias suaves e fustigadelas. A natureza aparentava ganhar vida própria durante todo o caminho, primeiro através da cidade fantasma e depois enquanto subíamos a pequena colina que ia dar ao hospital. Confesso que senti medo – e excitação. Toda eu era pura adrenalina, nunca vivera uma experiência assim. O Diogo também não, não fosse a escuridão e seria capaz de jurar que a sua pele ganhara um tom esverdeado. Olhava em todas as direções, certo de que seria atacado por algum dos inumeráveis seres malditos que povoavam a imaginação coletiva local. Comigo foi sucedendo o contrário: ganhava confiança à medida que avançávamos e sentia-me acompanhada, sim, mas protegida. Os primeiros trovões a ressoar rasgando o céu funcionaram como um lenitivo, canalizaram a adrenalina e senti-me em comunhão com os elementos – em conjunto, formávamos uma estranha orquestra de que eu era apenas mais um instrumento. O Diogo mantinha-se calado, mergulhado num medo quase palpável que lhe tolhia os movimentos. Caminhávamos em silêncio. Não estávamos sós. Seguíamos acompanhados, tive essa certeza, soube-a como se sabe uma verdade. Mas nada havia de ameaçador na presença invisível dos que nos acompanhavam, estavam connosco para nos proteger e não o contrário.

O inexplicável tem essa mesma característica que o define. E manifestou-se na nossa aventura. Tudo estava a ser – excessivamente fácil. Não nos deparámos com ninguém nos corredores do hospital, mas isso já era de esperar. A grande e agradável surpresa foi encontrar a chave de acesso à “Ala D”, colocada na fechadura. O seu castanho dourado brilhava ao de leve na semiobscuridade aparentando chamar-nos. Nessa altura até o Diogo esqueceu o medo e avançámos resolutos.

A visão, ao entrar, reportou-me diretamente aos filmes e documentários sobre o holocausto e os campos de concentração: estávamos numa câmara de horrores inimagináveis e dificilmente descritíveis. Sabia que o hospital era de construção antiga, mas bem conservado em todo o seu exterior e inúmeras vezes renovado por dentro. Desconhecia no entanto, que nele existissem partes nunca modernizadas ou sequer recuperadas. A visão era aterradora. Um corredor imenso entendia-se diante de nós, dele nascendo outros corredores laterais, esses preenchidos por jaulas (não posso dar-lhes outro nome, nem mesmo o de celas, dado o seu exíguo tamanho).

No corredor principal, iluminado apenas pela luz noturna que entrava por uma janela gradeada muito ao fundo, viam-se macas velhíssimas, cadeiras estranhas, objetos semelhantes a capacetes cheios de apêndices e fios, algemas, maquinetas e aparatos diversos de aparência velha e inofensiva mas cujas finalidades facilmente se adivinhavam aterradoras, coisas que até hoje não sei nomear ou descrever. O silêncio era quase absoluto, atravessado apenas pelos sons da tempestade no exterior e alguns grunhidos, roncos soltos, que não se diriam humanos, mas que o eram.

Diogo, um passo atrás de mim, puxou-me a manga, fazendo-me sinal para que saíssemos dali – não conseguia falar, ou não se atrevia, não sei. Estava pálido, duma brancura que espelhava a luz ténue vinda de lá do fundo. Vi-lhe a sombra das grades desenhada no rosto – impressão minha, que por esta altura já me encontrava bem menos entusiasmada que minutos atrás. Dispus-me a fazer-lhe a vontade. Não me sentia com coragem de seguir mais além, naquele momento optei por desistir de desvendar o segredo da morte da minha avó e do que se passava na misteriosa “Ala D”. Tarde demais! A porta por onde entráramos fechou-se sobre si mesma inexplicavelmente.

Entreolhámo-nos aterrados. Diogo ganhou a coragem que me faltava no momento e adiantou-se. Ouvi um ruído abafado, um baque dando ideia que algo tivesse tombado sem estrépito. Os meus sentidos estavam em alerta. Os sonhos recorrentes dos últimos tempos haviam-me desenvolvido faculdades que agora se revelavam úteis; conseguia sentir os movimentos e perscrutar o escuro com alguma nitidez. Não me atrevi a chamar o Diogo. Aventurei-me pelo corredor que supus ser o que ele tinha tomado – encontrei-o desmaiado. Melhor assim. Acomodei-o dando uso a uma das bizarras cadeiras e continuei. Senti-me emitir ruídos inaudíveis que me saíam da boca ou pelo nariz, nem sei, e me eram devolvidos em eco proporcionando-me um sentido de orientação diferente que permitia evitar até os obstáculos que não chegava a descortinar.

Apercebi-me das criaturas enjauladas, algumas semelhantes às que me visitavam nos sonhos. Verdadeiras monstruosidades ao olhar, mantinham-se calmas, talvez por efeito de sedação, uma vez que o seu aspeto era terrífico: faltava-lhes partes do corpo, ou tinham-nas a mais, algumas pareciam mantas de retalhos. O meu movimento começava a agitá-las. Sentia o perigo rondar-me. Seriam aquelas grades suficientes para me proteger da sua fúria?

Percebi que a única saída daquele local era pela porta que se fechara. Teria que aguardar até ser dia. O medo abandonara-me, mas preferia manter distância dos habitantes das jaulas. Diogo preocupava-me, era um menino simples, sem qualquer preparação para uma situação como esta para que eu o arrastara e de que agora me culpava. Deveria ter vindo sozinha.

Percorri os corredores em silêncio, não querendo perturbar a letargia aparente dos “internos”. Estava exausta, sabia que não iria sair dali antes que alguém entrasse pela porta. Junto a uma parede vi um colchão velho com molas soltas e ar de abrigar toda a sorte de piolhos, percevejos e aracnídeos. Nem todas as especulações possíveis evitaram que me deitasse nele. Adormeci instantaneamente.

Um imenso alarido despertou-me. Era já dia. Três homens, dois deles segurando um Diogo aterrorizado que se debatia como um demónio, olhavam-me como quem observa um extraterrestre. O ar era cortado por gritos, gemidos, urros, uivos, sons provenientes das jaulas, onde a agitação parecia não ter limites. As criaturas tentavam furiosamente libertar-se. Olhavam-nos com seus olhos demoníacos, tresloucados. Os que tinham mãos abanavam as grades, os outros atiravam-se de encontro a elas. Queriam atacar-nos. O frenesim de uns aumentava o de outros, estava com muito medo. Matar-nos-iam decerto se conseguissem libertar-se. Preferi nem imaginar como o fariam. Os três homens murmuraram entre si com alguma dificuldade pois continuavam a tentar dominar o Diogo. O consenso foi rápido. O homem que tinha as mãos livres segurou-me pelo braço forçando-me a levantar. Não ofereci resistência, só queria sair dali. Vendo-me dócil, Diogo acalmou, deixou de oferecer resistência.

Fomos conduzidos com discrição até ao último andar. Aí, numa espécie de antecâmera moderna, luxuosa e confortável, ordenaram-nos que nos sentássemos. Só se via o elevador por onde viéramos, a sala em que nos encontrávamos e uma porta majestosa. Obedecemos, ambos privados de vontade própria. Um deles ficou junto de nós e os outros dois entraram na divisão. Regressaram logo de seguida. Obedecemos ao seu sinal para que os seguíssemos. E foi assim que entrámos no gabinete do diretor, um homem de sorriso afável e olhar frio, que nos recebeu levantando-se e vindo ao nosso encontro, ao mesmo tempo que dispensava a presença dos três homens que se entreolharam receosos mas de imediato acataram a ordem.

O diretor regressou ao seu lugar, atrás duma imponente secretária, sentou-se em silêncio e examinou-nos demoradamente com um olhar avaliador. Pude também observá-lo; reparei nas suas mãos longas mas fortes que contrastavam com a aparência do seu corpo franzino; no seu aspeto cuidado, todos os detalhes pensados no sentido de projetar a imagem que pretendia; não consegui compreender se os óculos redondos que usava eram resultantes de necessidade ou se faziam parte da “farda”. Tamborilou com os dedos sobre a madeira da mesa produzindo um som inquietante. O Diogo estava num frenesim, remexia-se nervosamente, as mãos seguravam os braços da cadeira com uma força denotada pelo embranquecimento dos nós dos dedos, as pernas balançavam em pequena amplitude a uma velocidade vertiginosa – branco como a cal, todo ele transparecia pânico. Eu continuava presa duma estranha tranquilidade, como se nada daquilo tivesse relação comigo.

Por fim, o diretor presenteou-nos com o seu sorriso só de boca e começou a falar. Apresentou-se-nos: “Alfredo Waldmann”, (sobrenome que lhe vinha de uma sombria ascendência alemã) e quis saber como e porquê tínhamos ido à “Ala D”.

O Diogo não estava capaz de dizer nada e entendi que o esclarecimento era da minha responsabilidade, e fui eu a falar – contei tudo: desde a misteriosa morte da minha avó, a gruta, as dúvidas e suspeitas que alimentava, os meus sonhos, a inquietação em que vivia quando acordada, até o desaparecimento do avô, enfim, tudo mesmo.

Achei que as minhas explicações não faziam grande sentido, mas o diretor, escutava-me fascinado, parecia exultante, nem pestanejava.

“Interessante!”, “Impressionante!”, Ia pontuando o meu relato aqui e ali.

Quando me calei, arrependida por ter falado tanto, dirigiu-se a Diogo: — E tu? Qual o teu papel nesta história?

Ele tentou falar, mas continuava paralisado pelo medo. Interrompi: — É meu amigo. Pedi-lhe que me acompanhasse.

— E que viste aqui em baixo?

— N…nada. Desm..aiei. Nada.

— És um bom amigo, rapaz, sim senhor. – Diogo respirou aliviado.

O diretor tocou uma discreta campainha a um lado da secretária e quase instantaneamente os três homens materializaram-se ali. “Podem levá-lo!”

Tive o pressentimento, e não me enganei, de que não voltaria a ver o meu amigo.

— Não sei quem era a tua avó. Temos muitos pacientes. Mas posso esclarecer-te quanto às tuas dúvidas. Sei que és de confiança. Aliás, és a materialização do meu sonho, daquilo para que trabalho, do que investigo desde sempre. E sem qualquer intervenção clínica!

Eu estava estarrecida. O Dr. Waldmann conversou comigo por algumas horas que me pareceram minutos. Fiquei a saber o que se passava no hospital. Lobotomias? Choques elétricos? Ali seriam, quando muito, brincadeiras de criança. As experiências iam bem além dessas práticas.

— Sabemos que o cérebro comanda todas as funções do corpo. Imagina até que ponto seria útil o intercâmbio de processos, se também o corpo “ensinasse” e comandasse o cérebro. Libertar a cognição das paredes encefálicas e possibilitar que todo o corpo seja o seu domínio de aprendizagem e não apenas de manifestação. Imagina onde poderíamos chegar!

Compreendi que, apesar de ele tentar usar uma linguagem simples, havia partes que me escapavam, mesmo assim consegui um bom entendimento geral sobre as “medicinas paralelas” que praticavam. Percebi também que todas as suas horrendas experiências (e as dos seus antecessores) visavam, tratar a saúde mental dos doentes, é certo, mas sobretudo atingir um patamar de comunicação entre o corpo e a mente que permitisse um verdadeiro aprimoramento das capacidades humanas.

— Estamos perto! Sei disso. Infelizmente há sempre qualquer coisa que corre mal. É certo que muitos morrem. – Compôs um falso ar de comiseração, as mãos de dedos entrelaçados, suspirou antes de continuar — Outros “aprendem” mas perdem faculdades importantes, não sendo socialmente reintegráveis; esses vão para a gruta. É onde está a tua avó, com certeza. Não te preocupes, vão dotados de capacidade de sobrevivência e ficam bem.

Tudo começava a tornar-se-me claro. Inclusivamente a certeza de que me encontrava perante o mais louco dos megalómanos.

— Mas tu… tu és a prova de que é possível. Tens a noção de que adquiriste as capacidades dos seres que te visitam em sonhos, certo? Sabes que consegues voar…

Não, eu não sabia. Mas, pensando bem, sim… fizera-o momentaneamente ainda na noite anterior e usara a ecolocalização com tanta naturalidade que nem me apercebera. Também pude notar que, apesar de comer pouco, se me tornara indiferente o que comesse; se me servissem ervas, insetos, plantas, comê-los-ia com a mesma naturalidade e satisfação que a um bom bife com batatas fritas.

Ele seguia com as suas explicações e conjeturas. O exacerbamento arrebatava-o. À hora do almoço mandou que os seus lacaios nos trouxessem umas sandes e comeu as suas sem parar de falar. O entusiasmo apoderara-se dele, ia de delírio em delírio numa espiral que não parava de crescer face à antevisão da glória, do poder e da concretização do sonho.

— Compreendes que não poderei devolver-te à tua vida. O teu desígnio é mais alto: A ciência precisa de ti. O mundo precisa de ti! Do teu estudo nascerá enfim a raça humana elevada ao seu expoente máximo. Serás a primeira da nossa nova espécie, a percursora.

Por esta altura eu só já pensava em como sair dali. O homem podia até ter alguma razão, mas era doido varrido. E eu não seria – recusava-me em absoluto a sê-lo – a sua cobaia perfeita. Mas escutava-o com grande interesse. Deu-me informações bastante valiosas. Captei melhor a minha realidade e potencialidades. Tive tempo para medir as hipóteses de fuga. Além disso, as horas passavam… a noite aproximava-se… e prometia intempérie…

Os três gorilas tinham desaparecido do mapa, dispensados perto de final da tarde e substituídos por outros que nem tomaram conhecimento da minha presença, ocupados que estavam com as tarefas no andar de baixo. E eu, uma garota inofensiva e aluna atenta, não representava qualquer ameaça para o diretor.

Só encontrei uma forma de garantir a minha liberdade futura e sair dali sem ser vista: O Dr. Waldmann tinha de morrer – a bem de todos.

A janela da sala não tinha grades, obviamente. A altura de cinco andares não foi suficiente para assustar-me, sabia que estava acompanhada e, caso tivesse dificuldade, os meus amigos invisíveis ajudar-me-iam na descida. O voo foi lento, planado. A sensação de liberdade, incomparável. Teriam sido momentos perfeitos, não fosse ter deixado o meu amigo entregue a um destino em que preferia não pensar e o desagradável paladar a sangue quente ainda na boca. Não apreciei nada. Mas é certo que só o fiz por falta de melhor alternativa.

E estes foram os outros motivos que me levaram a decidir definitivamente não estudar medicina.

Sou feliz, acreditem. Estou sempre acompanhada. Os meus amigos deixaram de povoar-me os sonhos e passam as noites comigo na padaria; agrada-lhes a calma e o aconchego, aquele calor. Eu gosto de lhes sentir a presença e a tranquilidade que me transmitem e acredito (quero acreditar) que a minha avó e o Diogo, talvez (quem sabe?) o meu avô, também estão ali comigo. Quando abro as portas de manhã eles partem, regressam à gruta e eu ao mundo exterior.

Disse-o antes: distribuo pão pelos clientes com um sorriso, dou os bons-dias a quase toda a cidade. Gosto de nós, deste meu povo de que faço parte, tal como as imensas pedras mudas que nos rodeiam.

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41 comentários em “Os Visitantes (Ana Lisa (em teu redor))

  1. Luiz Henrique
    20 de outubro de 2017

    Boa narrativa, embora um tanto cansativa, mas em virtude da exigência do concurso, acredito. O enredo é muito bem desenvolvido. Com o enfoque dado pelo prisma da ciência. Senti alguns problemas na escrita, mas por conta do português de Portugal, onde vemos alguns termos diferenciados dos brasileiros, e também algumas particularidades, como “era doido varrido” um termo típico da nossa forma de dizer nosso português. Um conto muito bom, acima da média.

  2. Marco Aurélio Saraiva
    17 de outubro de 2017

    ====TRAMA====

    Bem original, e muito bem construída. A ambientação foi incrível! Não deixou nada a desejar. Ana Lisa é uma personagem muito bem montada, cativante, e cuja evolução o leitor acompanha aos poucos, mesmo tendo um vislumbre inicial dela já no seu auge no início da narrativa.

    Gostei muito do desfecho. Esta reviravolta no final foi inesperada e me fez sorrir. Descobri o porquê dela ser padeira: ela vive durante a noite, afinal. Vampira / Morcega, não sei precisar, mas é única. A morte do grande vilão foi um clímax muito bem-vindo, mesmo que Diogo jamais tenha sido visto novamente. Um final “feliz”, finalmente, entre tantos contos com final obscuro / melancólico.

    Gostei muito da falta de precisão na sua narrativa. É isso que cativa em um conto de terror: não saber do que se trata o perigo, não saber de onde vem o ataque, não ter certeza de toda a capacidade do mal que se põe diante do personagem. Neste caso, a própria Ana Lisa é também uma criatura, e não se sabe ao certo todos os seus poderes. Isto dá margem ao leitor imaginar os limites deste mal ou bem.

    Porém, algumas coisas que não ficaram precisas atrapalharam um pouco a leitura. A linha temporal é meio difícil de “pescar” no seu conto. Ana Lisa começa a narrativa adulta e então relembra a sua infância em “trechos” que viajam no tempo. No meio do texto, eu não estava certo de onde na linha temporal eu me encontrava. Voltei, me encontrei e segui em frente, mas só o fato de eu necessitar fazer este retrabalho já é um ponto negativo.

    Senti um pouco de falta também do desenvolvimento do grande vilão da história, que é o diretor do sanatório. A conversa entre ele e Ana foi corrida, mais narrada do que mostrada. Talvez um pouco da ambientação do conto (que, em certos momentos, me pareceu extensa além do necessário) poderia ser sacrificada para trabalhar melhor esse personagem que me parece memorável.

    De qualquer forma, uma excelente trama, muito original, bem trabalhada, com personagens cativantes, um clímax, um final bom… um contaço!

    ====TÉCNICA====

    Você escreve bem demais. Lê-lo é um deleite. Suas frases são curtas, sucintas e sempre dizem que precisam dizer – às vezes mais, nunca menos. A introdução a Ana Lisa foi perfeita!

    “Chamo-me Ana Lisa, por razões familiares que desconheço, mas penso que o nome me marcou um desígnio – e assim, eu sou aquela pessoa que analisa tudo.”

    Alguns detalhes linguísticos me incomodaram mas eu acredito serem peculiaridades do português lusitano. Por exemplo, Diogo foi referenciado muitas vezes por “O Diogo”. Este artigo é bem desnecessário, mas, novamente, não sei se é uma peculiaridade regional. De qualquer forma, estas coisas em nada atrapalharam a leitura.

    Há também algumas escorregadas na pontuação e poucas falhas de revisão (como, por exemplo, o trecho: “Por esta altura eu só já pensava em como sair dali…” onde “só” e “já” estão competindo na frase), mas o conto está praticamente impecável. Sua técnica é excelente. Sua leitura é leve, fluida e muito agradável.

    Parabéns mesmo!

  3. Evelyn Postali
    17 de outubro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Gostei muito do conto. Porque hospitais psiquiátricos têm aquele toque de terror já embutidos no nome. E experiências com pacientes, embora tenha já um clichê aí, depende muito de quem conta. Acho que você desenvolveu muito bem a história e a leitura foi correndo sem problemas. Gostei da personagem. Ela é bem real para mim. O terror existe, mas em algumas partes as descrições ficaram demais e quase perdi o interesse. Pode enxugar o texto. Boa sorte no desafio.

  4. werneck2017
    14 de outubro de 2017

    Olá,

    Outro texto lusitano que causou ótima impressão pela coerência, maestria na sequência dos eventos e pela margem de interpretações no final. As reflexões surgem sobre se ela está realmente viva ou não, qual o real destino impingido à avó? Está num limbo espiritual ou num lugar físico? Confesso que esperava maiores explicações sobre a morte do diretor e quanto às questões levantadas, mas nada que tire o virtuosismo de sua escrita impecável.
    Aliás, no meu entendimento, chamo a atenção para o que em Português brasileiro seria um erro:

    e quis saber como e porquê tínhamos ido à “Ala D” > e quis saber como e por que tínhamos ido à “Ala D”.

    Todavia, não tenho elementos para analisar a frase à luz do Português de Portugal.

    No mais, excelente. Boa sorte no desafio!

  5. Lolita
    13 de outubro de 2017

    A história – Uma menina e o seu amigo pretendem descobrir o paradeiro da avó dela e se deparam com fatos macabros. Hospícios são lugares aterrorizantes, as experiências médicas que ocorreram nessas instituições povoam a nossa imaginação como o que de pior um ser humano pode fazer. Logo, a história é interessante, prende a atenção do leitor com êxito. Confesso que os poderes da garota me fizeram lembrar dos X-Men, mas nada que prejudicasse o conto.

    A escrita – É madura, não percebi erros que comprometessem a leitura. Admito que a primeira parte foi excessivamente longa, estava curiosa para saber o que haveria no hospício. Outra questão foi a passividade da garota com o fim do amigo, gostaria que o pobrezinho tivesse um final feliz. Mas se a minha interpretação está correta, ela não teve destino muito melhor. Entendi que ela tentou escapar, mas ficou presa no hospício e agora imagina estar na cidade… Enfim, um conto que possibilita a imaginação do leitor é uma boa construção textual.

    A impressão – O autor alcançou o que foi pretendido e, provavelmente, desenvolverá ainda mais esse texto. Parabéns e boa sorte no desafio.

  6. Lucas Maziero
    12 de outubro de 2017

    Um conto bem escrito e cheio de descrições, o que é algo que me agrada. Pintar o cenário de uma forma rica é tão importante quanto os diálogos, a trama, enfim, tudo é importante para a construção do conto, embora haja uns que digam que descrição cansa o texto, que a parta dos diálogos não agradou, enfim, por aí se vê que é mesmo mera questão de gosto, e nada mais.

    O conto me prendeu, me deixei levar pelo barco, e gostei de ter acompanhado essa história. No entanto há partes em que o nexo é quebrado de forma ou proposital ou ingênua, ou, ainda, para que a sequência possa dar certo, e nesse caso, se for o caso, é o que mais me incomoda. Vamos lá:

    1) A suposta morte da avó e o desaparecimento do avô:

    “É certo que muitos morrem. – Compôs um falso ar de comiseração, as mãos de dedos entrelaçados, suspirou antes de continuar — Outros “aprendem” mas perdem faculdades importantes, não sendo socialmente reintegráveis; esses vão para a gruta. É onde está a tua avó, com certeza. Não te preocupes, vão dotados de capacidade de sobrevivência e ficam bem.”

    O diretor, aos olhos de Ana Lisa, era “o mais louco dos megalómanos”, “um doido varrido”.

    Era então um doutor com certa humanidade, para permitir que os reintegráveis pudessem viver em algum lugar.

    2) Em contrapartida, sendo ele um monstro que pratica experiências horrendas, nos passa a impressão de ser um homem tarimbado, e portanto difícil de ser enganado. Mas o que foi que aconteceu? Foi enganado pela menina! Sabendo ele que ela era especial, já de pronto não deveria tomar medidas de a prender ali, para não perder esse precioso trunfo?

    3) Ademais, tanta coragem, tansa insistência para desvendar o mistério dos avôs e ficar presa lá dentro do hospício? Pois foi uma estratégia para poder dar andamento à história, o que ficou um pouco forçado.

    Ao meu ver, melhorando esses 3 aspectos, o conto seria perfeito.

    Mas, perfeito ou não, curti a leitura, é um bom conto.

    O final me deixou na dúvida, se os seres são frutos de sua imaginação, e portanto Ana Lisa seria mais um louca, uma louca com poderes, numa cidade quase que cheia de loucos, ou ela realmente os via, eram seres que não nos foram explicados, não sabemos do que são feitos.

    Parabéns!

  7. Rose Hahn
    11 de outubro de 2017

    Caro autor, uma escrita muito madura, sem dúvidas, diria, irretocável. A menção a ala D remeteu-me ao Ensaio sobre a Cegueira, obra-prima lusitana. Quanto ao conto achei a narrativa muito densa, exímia descrição das ambientações e emoções, até em excesso, principalmente na 1a. parte com as referências a cidade e seus habitantes, o que tirou um pouco a agilidade da trama, mas bem recuperado na metade em diante, com o ritmo mais vertiginoso. Achei digno de nota: “Eu também tremia, mas de excitação. Já o Diogo afirmou ser de frio, mas não garanto nada”. Parabéns pela escrita e pelo conto, sucesso no desafio.

  8. Fheluany Nogueira
    9 de outubro de 2017

    Enredo e criatividade – Um conto que traz uma atmosfera ao mesmo tempo aterrorizante e agradável de ler. Os horrores do manicômio e as formas de tratamento dos doentes são quase clichê em tramas de terror, aqui ganharam roupagem nova com os poderes psíquicos da protagonista e a invasão do local para tentar resgatar a avó. Ambientação bem construída, ritmo bom e situações verossímeis.

    Terror e emoção – Suspense, sustos, reviravoltas, tudo em dose certa. Eu não conseguiria dormir ali dentro como a padeira o fez… A convivência feliz do bem e mal, no desfecho, quebrou bastante o impacto.

    Escrita e revisão – Vou me acostumando com o sotaque além-mar. Texto bem escrito e estruturado.

    Nota: Pseudônimo criativo.

  9. Evandro Furtado
    8 de outubro de 2017

    O conto apresenta alguns problemas na sintaxe desde o início, seja com a pontuação, com conectivos ou mesmo com a repetição de palavras. Nesse caso específico, a variante da língua não justifica o problema já que outros textos no mesmo caso, já apresentaram no desafio sem esses problemas. A outra questão, e creio que ela esteja, de certa forma, conectada ao problema citado anteriormente, é a trama inconsistente. A narrativa se detém em fatores não tão importantes assim e peca naquilo que realmente poderia conceder valor ao texto. Em vez de divagações sem sentido, a história poderia se deter sobre descrições precisas para desenvolver melhor a ambientação e os personagens. No final, a história se faz entender, mas não cria, no leitor, a empatia necessária.

    • Ana Lisa
      8 de outubro de 2017

      Caro Evandro, Ana Lisa agradece a sua leitura, lamentando as sua palavras. Uma vez que diz que o conto apresenta problemas de sintaxe, gostaria de o convidar a que os aponte. E já agora, também a questão de repetição de palavras, desde que essa repetição não faça sentido. Creio que, enquanto comentaristas, quando apontamos falhas, devemos fundamentá-las. Boa sorte no desafio.

      • Evandro Furtado
        9 de outubro de 2017

        Trocas de pontuação, por exemplo, como vírgulas no lugar de pontos e vice-versa. Além disso, a utilização de traços em excesso no conto me incomodou, também.

    • Ana Lisa
      10 de outubro de 2017

      https://polldaddy.com/js/rating/rating.jsBom, Evandro. Pedi-lhe que fundamentasse e o que você fez foi dar opinião. É livre de ter opiniões. Só que opinar é diferente de afirmar e você primeiro afirmou. Ao fundamentar, não apenas o fez baseado em opiniões, como nem sequer ofereceu exemplos. Não merece mais discussão. Gostaria, ainda assim, de recordar-lhe que o EntreContos tem por objectivo principal levar a que os diversos autores se leiam e critiquem no sentido de contribuir para melhorar a performance pessoal de cada um. Percebo que você que não está aqui para isso. Não, pelo menos, no aspeto de dar. Dizer mal não é nada. É vazio. E pode ser prejudicial para o autor (não falo de mim, mas apenas por acaso, uma vez que lhe seria indiferente, visto que não sabe quem sou). Espero, ao menos, que já que não tem para dar, saiba fazer bom uso do que recebe de todos nós. Como disse, o assunto não merece mais discussão e agradeço que fiquemos por aqui. Boa sorte no desafio.

  10. Fernando.
    8 de outubro de 2017

    Olá, Ana Lisa, que interessante perceber os contos portugueses no desafio. E vocês vão se tornando mais ousados, não tentando disfarçar esse sotaque tão gostoso e que me faz lembrar os portugueses da minha infância a conversarem entre si. O seu conto está muito bem narrado. Você tem domínio da escrita, sabe desenvolver a história de maneira a me envolver nela. Méritos seus. Achei alguns parágrafos um pouco detalhados demais, mas creio tratar-se de idiossincrasia minha, um cara pouco afeito à linguagem dos contos de terror. Gostei da descrição do hospital, dentro dele da famigerada Ala D e, principalmente a maneira como você me descreve o povo da cidade, uma gente calada, uma gente que fala pouco. E isto, sua história vai corroborar, porque são pessoas que carregam terríveis segredos, eis que o hospital e a cidade se confundem. Parabéns, querida Ana Lisa (que nome esse seu) pela sua narrativa, ela me gerou tensão, ou seja, cumpriu bem o papel a que se destinava.

  11. Luis Guilherme
    7 de outubro de 2017

    Olá, Ana, tudo bem?

    Esse desafio me toca particularmente, um vez que amo o gênero. Portanto, estou lendo com bastante expectativa os contos.

    Dito isto, vamos ao seu:

    É uma belo história, gostei bastante do enredo, é super bem escrito e tem uma boa linguagem, fluida e prazerosa.

    Não tenho certeza que classificaria como terro. Senti mais uma espécie de aventura com um pouco de suspense.

    Existe um mistério legal que é criado em torno do hospital e tudo. Achei que o momento dos pesadelos fosse ser a carga de terror do conto, porém, quando as criaturas começam a se revelar amigas da protagonista, acaba perdendo a sensação de medo que começava a ser gerada.

    Note que não estou criticando a qualidade do conto, e só questionando modos como o terror poderia ter aparecido mais pulsante.

    Dito isto, reforço que a história é muito boa. É curiosa e me deixou preso na leitura. Você tem uma qualidade muito grande na escrita, parabéns!

    Um outro porém que coloco ´o desfecho, que achei rápido e fácil demais, e nessa parte acho que o conto perdeu um pouquinho. Ela escapa muito fácil, mas o que mais me incomodou foi ela continuar vivendo uma vida comum, na mesma cidade, e não ser perseguida depois de ter descoberto tanta coisa. Achei que ficou um pouco estranha essa parte.

    Enfim, um belo conto, gostei bastante, mas acho que a ausência de um terror mais carregado e o final meio fácil demais acabaram não sendo compatíveis com a qualidade do restante.

    Parabéns e boa sorte!

  12. Ana Maria Monteiro
    7 de outubro de 2017

    Olá, Ana Lisa. Ontem terminei o dia a comentar o primeiro conto que encontrei duma portuguesa e hoje inicio com outra. Parece que os portugueses estão a vencer a timidez e a fazer-se presentes.
    Gostei do conto de ontem e gostei deste. Engraçado como balançam entre si para extremos opostos. Enquanto um se revelou completamente atual e objetivo, este apresenta as características opostas; intemporal e subjetivo.
    Aqui não somos espetadores, – estamos dentro ou nem entramos. Eu entrei.
    O que fica bem claro é que nada é o que parece, não, pelo menos, em ´Águas Santas (e não, também, se analisarmos em nosso redor – embora menos “fantástico”, talvez) onde tudo aparenta normalidade e depois… bem, depois é o que se lê: um hospital que esconde práticas aterradoras sob um manto de modernidade; uma cidade pacata que fica possessa de superstições em noites de tempestade; um avô todo “camarada” que omite um passado de que não se orgulha e desaparece sem deixar rasto; uma padeira simpática que, ao que tudo indica, é metade humana, metade morcego… que mais? o resto que lá está e o que não sei, mas gostaria de saber. Como gostei que não me mostrasse tudo, que deixasse à minha imaginação a possibilidade de especular sobre todas as possibilidades sugeridas.
    A língua está bem tratada e o enredo desenvolvido com segurança, fluindo através de caminhos inesperados e criando interesse quanto ao que se seguirá.
    Não senti terror, mas isso, vou levar o desafio a repeti-lo, não sentiria em caso algum. Vi a intenção e considero-o dentro do tema proposto.
    Obrigada por participar. Parabéns e boa sorte no desafio.

  13. Angelo Rodrigues
    6 de outubro de 2017

    Olá, Ana Lisa,

    Gostei muito do seu conto. E quando se gosta de um conto como o seu, o resultado é quase a ausência do que dizer. Bem escrito, bem estruturado, com pegada correta.
    Aproveito a oportunidade para fazer algumas considerações acerca da Literatura de Terror. Pura digressão:
    O conto “abstrato” oferece ao leitor uma espécie de válvula de escape contida numa bem definida circunscrição de limites e expectativas. Nele transitam as distorções do olhar, as inculcações e as obsessões da mente, os sonhos e os pesadelos noturnos, as desordens do espírito e os medos irracionais de toda ordem.
    Essa imposição em estabelecer limites de mútua aceitação — entre o escritor e leitor — passa a representar um ambiente de conforto para ambos e flui possibilidades de dualismos — desejo/satisfação, medo/deleite, fantasia/prazer, horror/êxtase —, ferramentas do escritor e do leitor em seus lados de interesse.
    Tudo se evidencia quando vemos que a evolução em direção à modernidade, que fez reduzir ao extremo o ambiente humano desconhecido a que todos se submetem, também deixou permanecer o sentimento de espanto frente a circunstâncias por vezes corriqueiras e de explicação racional plausível.
    Tzvetan Todorov aborda com mais propriedade o assunto quando diz que o fantástico é a hesitação experimentada por um ser que só conhece as leis naturais, face a um acontecimento em aparência sobrenatural. Isso necessariamente nos remete a entender que esse ser tanto pode estar contido no escritor quanto no leitor, analisada a escrita ou a leitura, sabido que as coisas do mundo se configuram como as vemos e não como se quer que elas sejam: a cada um sempre coube moldar o mundo segundo a sua compreensão, desejo ou loucura.
    A literatura abstrata está diretamente associada à capacidade de o leitor se distanciar do mundo absoluto, telúrico, e permitir a si a aceitação das possibilidades obliquas dos fatos, seja pelo puro desejo da experiência, seja pelo desejo de viver a experiência como forma de expiação. Em ambas as circunstâncias o leitor deverá ter um senso de abstração capaz de o distanciar de qualquer natural evidenciação explicativa. Só haverá o sonho se também houver a capacidade de sonhar, e isso manterá unido o escritor ao leitor, ambos sobre o mesmo vetor criativo. Não haverá escritor abstrato se não houver capacidade de abstração no leitor.
    Escrever e ler um conto abstrato submete tanto o escritor quanto o leitor aos engenhos da mente num acordo de trocas mirabolantes. Para o escritor, pode ser uma forma de exorcizar suas más fantasias, de expor seus engenhos intelectuais ou dar conta de assolamentos que sua mente conflituosa ou dissociativa lhe impõe de forma permanente ou transitória. Há títeres dessa literatura que se mostraram fielmente desequilibrados mentais, o que nos reforça a tese e não desmerece as regras, se contrárias forem. Não é sem razão que quase todos os escritores, em maior ou menor escala, terminaram por escrever um ou outro trabalho dessa natureza. E isso só nos mostra que a todos cabe um pouco de loucura ou secretos ritos dissociativos em relação ao mundo real. Nessa linha temos textos como O sonho de um homem ridículo de Fiódor Dostoiévski, uma belíssima viagem fora da curva de sua obra, ou Le fantastique et le quotidien, de Ahmad Al-Qalyoûbi que traça uma curva perfeita sobre o círculo que lhe abriga e à sua obra. Não deixo de fora a Mitologia de Lovecraft: embora de extrema racionalidade quando a demonstra em Supernatural Horror in Literature — um ponto fora da curva de seu universo —, sua fusão mental com o cosmicismo de sua própria obra, fez com que, com o passar do tempo, seus textos se avolumassem em complexidade e adquirissem uma desproporcional quantidade de palavras para construir ideias que beiram a verbosidade. Adereços que adjetivam débeis substantivos são inúteis ao texto, tanto quanto uma horda incontrolável de substantivos que arruínam uma boa prosa por engolfar o pobre leitor em um mundo de palavras, ainda que conexas.
    Pela proximidade com Lovecraft, imponho a presença de Robert H. Howard por determinar o seu próprio fim e, já um pouco distante, a enorme fieira de suicídios que permeou a vida e a história de Horácio Quiroga e, por último, de forma direta, a ação de Ambrose Bierce sobre si mesmo ao se meter no México e desaparecer, sabendo que, talvez, sozinho, estaria mal acompanhado. Cito alguns poucos extremos na arte de lidar com o abstrato. Poderíamos citar outros, ad infinitum.
    Creio que você, cara Lisa, tenha localizado bastante bem o seu conto nos conceitos que resenhei acima.
    É isso.
    Parabéns pelo conto. Sinto-me mal em continuar quando coloco questões ridículas.
    – Waldmann. Acho que ficou solto no texto quando dito que pertencia a uma SOMBRIA ascendência alemã. Procurei e só encontrei médicos, físicos, cantoras e um oficial alemão, que nada me fez crer tivesse parte com o Demo.
    – “a percursora”, quando, creio, deveria ser “a precursora”. São parônimos suscetíveis a erros de digitação.
    – “a porta por onde entráramos fechou-se sobre si mesma INEXPLICAVELMENTE.” Se algo num conto de Terror (abstrato) pode ser inexplicável, outras coisas precisam ser explicáveis. Creio que “a porta… fechou-se”. Talvez violentamente, repentinamente, etc.

    Parabéns pelo conto, cara Lisa, obrigado por nos deixar conhecê-lo.

    • Ana Lisa
      6 de outubro de 2017

      Ana Lisa agradece “assolapada” o seu profundo e apurado comentário, ainda que um pouco sem saber se você (com alguma razão, diga-se em abono da verdade) a apelidou, ou não, de semi-louca. A sua leitura, extremamente atenta, detetou a “percursora” (Ana Lisa range os dentes com raiva de si mesma, satisfeita, ainda assim, por que lhe tenha passado o outro deslize da revisão – e não, não digo qual é; passou, passou). E, em meio a tanto inexplicável, porquê chamar dessa forma o encerramento da porta? talvez porque a história é contada na primeira pessoa e ela, a protagonista, não chegou a encontrar um motivo para esse facto – algo que não ocorre com nenhuma outra situação. O autor/a não deve ter conseguido, ele/a próprio/a, encontrar dentro de si uma explicação para tal e então socorre-se desse “inexplicavelmente” esquecendo, por momentos, que o leitor não sabe tudo o que lhe povoa o imaginário enquanto escreve; ou seja, conseguiria explicar como ocorre tudo o que acontece no conto menos esse facto que teria de atribuir à inexplicabilidade que justifica tudo quanto sucede com aquilo que, mesmo não compreendendo, nos é patente que sucede. Claro que não pensei nisto enquanto escrevia mas, perante o seu comentário, interroguei-me e encontrei a explicação (porque tudo tem explicação, nada sucede por acaso, nós é que podemos não entender).
      Uma vez mais, agradeço muito a sua leitura e comentário que me fez pensar e interrogar-me (adoro fazê-lo).

  14. paulolus
    5 de outubro de 2017

    Um texto bem escrito, embora pouco cansativo em virtude de muitas idas e voltas, mas isso devido, acredito, da necessidade de se atingir à extensão do conto em seu regulamento. Muito interessante a ideia de dá ao terror uma temática pela perspectiva da ciência. A escrita tem sim o “Q” do português de Portugal, mas algumas citações me soaram estranhos; termos como: “puxou-me a manga” (da camisa) – “mas era doido varrido”. É comum na escrita lusitana? Ou seria a tentação de abrasileirar a pronúncia?

    • Ana Lisa
      5 de outubro de 2017

      Ana Lisa agradece a leitura e comentário, Paululus. Sim, o português de Portugal é muito mais formal, mas “puxou-me a manga” é usado, “me puxou a manga” é que seria abrisileirar; e “doido varrido” é expressão muito comum, assim como “passado dos carretos”, “tem um parafuso a menos”, “não joga com o baralho todo”, todas elas usadas com maior ou menor carga para dizer que alguém é completamente fora da realidade.

  15. Regina Ruth Rincon Caires
    3 de outubro de 2017

    Belo texto, enriquecido com maravilhas do português lusitano. O autor tem pleno domínio da linguagem. Conto de estrutura bem elaborada, a narrativa causa certo impacto e o conteúdo cumpre o tema do desafio.
    Acho que o autor precisou recorrer a muitas voltas para que o relato atingisse o mínimo de palavras que era exigido no desafio. Há pessoas que falam mais com menos palavras e forçar um estilo dá um leve desnorteio.
    Boa sorte! Parabéns, Ana Lisa!

    • Ana Lisa
      5 de outubro de 2017

      Ana Lisa agradece a sua leitura e comentários cuidados, mas esclarece que as voltas não tiveram o intento de atingir o mínimo de palavras, mas antes o de não ultrapassar o máximo, uma vez que, na realidade, elas são muito mais numerosas na história que idealizou, considerando assim um elogio o facto da leitora nem se ter apercebido da extensão do texto (5000 palavras a muito custo encarceradas numa história que multiplica várias vezes este número).

      • Regina Ruth Rincon Caires
        7 de outubro de 2017

        É verdade, não contei as palavras, mas senti muitas voltas… É só isso.

  16. angst447
    3 de outubro de 2017

    T (tema) – O conto está dentro do tema proposto pelo desafio. Terror com T maiúsculo.

    E (estilo) – Temos aqui um conto com sotaque lusitano. Charme define! O estilo é clássico, boas descrições, texto com vocação para romance.

    R (revisão) – Existem algumas diferenças entre o português de Portugal e o português “brasileiro”.De qualquer forma, não percebi erros aqui. A questão da crase em “desceu a terra” é complexa. Pela regra, não haveria mesmo a necessidade do acento gráfico. No entanto, entendo que existe a intenção de evitar ideia dúbia. Desceu a terra = desceu para a terra ou desceu (colocou) a terra? Talvez para diferenciar, a crase funcione bem aí. De qualquer modo, isso em nada prejudicou a leitura.

    R (ritmo) – O ritmo do conto no geral é lento, talvez cuidadoso para manter o leitor bem informado quanto a trama. Se fosse uma peça de música, eu diria que a narrativa “ralenta” em algumas passagens. O final ganhou um dinamismo maior.

    O (óbvio ou não) – Não achei o terror óbvio, mas também não me surpreendi com o desenrolar da trama. O suspense funciona bem, mas sem grande pânico (ainda bem!)

    R (restou) – A certeza de que o(a) autor(a) tem pleno domínio da escrita e conduz o processo criativo com maestria. Também fiquei com gostinho da mistura nazistas/ suas experiências cruéis e algo baseado em Frankenstein.

    Boa sorte!

  17. Antonio Stegues Batista
    2 de outubro de 2017

    ENREDO: Menina investiga a morte da avó num hospital psiquiátrico, onde o diretor faz experiências com os internos. Existem muitas historias parecidas, mas o que salva o enredo, ou o que o diferencia, é que a menina tem poderes psíquicos. Gostei.

    PERSONAGENS; Com conteúdo, críveis, a menina bem marcante. Só não entendi porque ela se tornou padeira. Não queria ser médica, poderia ser outra coisa, mas preferiu fazer pão. Será que isso já é outra história?

    ESCRITA: Muito boa, boas descrições de personagens, situações e ambientes. Frases bem construídas, sem exageros, bom desenvolvimento de ideias.

    TERROR: Foi médio, acho que na medida certa, quando nos faz imaginar como seriam aqueles internos trancados em jaulas.

    • Ana Lisa
      5 de outubro de 2017

      Ana Lisa agradece a sua leitura e comentário. Ana Lisa integrou e desenvolveu muitas das caraterísticas comuns entre a espécie dos morcegos; então tem alguns problemas com a claridade diurna. Cedo optou por usar óculos escuros e prefere, naturalmente, viver de noite e dormir de dia. A versão completa da história não caberia no desafio. Em todo o caso, ser padeira é uma profissão como outra qualquer.

  18. Paula Giannini
    2 de outubro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Seu conto rende um romance, mas, pelo que li acima, você já sabe disso.

    É interessante notar como clínicas psiquiátricas nos remetem ao terror. Os tratamentos empregados nesses locais, ao menos em nosso imaginário, beiram (se é que de fato não o são) a tortura. Você, no entanto, foi um pouco além, criando uma situação onde experiências são feitas tendo seres humanos como cobaias.

    Infelizmente, a arte imita a vida em muitas situações e, tais experimentos, de fato ocorreram (se é que ainda não ocorrem) em diversos e tristes momentos de nossa história. A posição de uma cobaia é, em todo caso, triste e desesperadora, seja ela com humanos, seja com animais. É triste servir de matéria prima para a dor, sob o pretexto de criação de um bem maior, no caso de seu texto, para o aprimoramento da raça humana.

    Assim como para o Eduardo, tais experiências me remeteram imediatamente ao nazismo e seus médicos/assassinos, no entanto, tal prática parece ser anterior a este triste episódio da humanidade. Ao que parece, houve médicos, nos primórdios dos estudos de anatomia, que “compravam” indigentes para poder, com eles, proceder a seus estudos.

    Sobre o texto em si, está, sem sombra de dúvidas, muito bem escrito. A narrativa flui muito bem e os detalhes, ao menos para mim, descortinam um(a) escritor(a) que tem, claramente, um plano de escrita.

    O ponto alto é a construção da personagem central. Ao passo que ela é uma boa menina e quer descobrir um passado que sente já conhecer em seu íntimo, o chamado do mal também a possui. Desse modo, ela tem em si, como todos nós, os dois lados da moeda.

    Talvez, de fato, a cena da morte do diretor, pudesse ter sido melhor explorada, visto que o(a) autor(a) se detém cuidadosamente sobre vários outros detalhes da trama e este seria o ápice da presente narrativa. Talvez, em seu romance, vejamos essa cena, bem como alguma pista sobre o real destino do amigo da personagem. Creio que o final tenha sido algo abrupto devido ao limite de palavras que o desafio nos impõe. Dessa forma, o(a) escritor(a), precisa fazer escolhas sobre as partes que quer mostrar ou ocultar.

    Danadinho esse Diogo, passeando em vários contos por aqui. 😉

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  19. Eduardo Selga
    2 de outubro de 2017

    Lembra muito as experiências “médicas” de campos de concentração nazista o que o personagem Alfredo Waldmann “(sobrenome que lhe vinha de uma sombria ascendência alemã)” pratica com as doentes da ala secreta do hospital. À época judeus e ciganos eram transformados em cobaias humanas de certos médicos a serviço da Alemanha nazista em experimentos. Ainda que não tenha sido a intenção autoral, o fato de o personagem usar “óculos redondos” pode ser uma referência ao médico Carl Clauberg, um dos que cometiam esse tipo de barbárie. Lembrando que o delírio nazista acreditava em “raça superior”, é sintomática a seguinte passagem do conto: “do teu estudo nascerá enfim a raça humana elevada ao seu expoente máximo”.

    Há uma característica na narrativa do sonho que merece destaque especial: enquanto todo o conto é narrado no pretérito, o sonho se passa no presente, o que sugere que ele ainda ocorre com a narradora. Nesse sentido, e considerando que a narradora-personagem se acostuma às criaturas sonhadas, o parágrafo final, repetição de trecho situado na primeira porção do conto, sugere que a identidade dela com as criaturas é grande. “Gosto de nós, deste meu povo de que faço parte […]”. A princípio, a interpretação óbvia se mostra: ” meu povo” é a população. Contudo, talvez seja preciso ler além da obviedade, e aí “meu povo” adquire outro sentido.

    Ao usar o presente, a concretude emprestada à narrativa de algo cuja natureza é onírica, faz outra questão mostrar-se: a cena narrada seria de fato sonho? Não poderia ser realidade, mas de natureza diversa da concretude? A cena narrada pode existir de fato, mas numa dimensão distinta do normal e que a narradora-personagem consegue enxergar.

    Há uma particularidade que em minha opinião reforça a ideia de que o “sonho” pode não sê-lo: A narradora-personagem assume as capacidades das criaturas que lhe frequentam o universo onírico, ou se manifestam numa realidade que ela consegue captar. Capacidades como voar e a orientação de modo parecido com os morcegos. Contudo, qual a relação entre os supostos sonhos com as criaturas alteradas por intervenção clínica e a aquisição de novas habilidades por parte da narradora-personagem? Apenas a presença onírica não faria isso. Agora, a presença física de matéria de natureza sutil, quase espiritual ou mesmo espiritual, talvez o fizesse, considerando a hipótese do médico de o corpo comandar o cérebro.

    Também é relevante observar que no interior da ala D ela sente a presença invisível e protetora das criaturas do suposto sonho, mas nisso nada havia de ameaçador. Bem ao contrário. Ora, qual a natureza dessa presença se ainda não havia chegado às jaulas?

    Muito bem construídos, os personagens. Ao menos a mim não causou aquela sensação de que o(a) autor(a) caprichou no protagonista em detrimento dos outros. Isso robustece a narrativa. Também não se tratam de meros títeres a serviço de um enredo: eles têm vida. Particularmente a protagonista apresenta ao menos uma nuance que talvez fuja à primeira percepção: ela é bem cruel. Nem apenas por ela ter matado o médico a dentadas (uma situação implícita): ela manipula o personagem Diogo a seu bel-prazer, aproveitando-se de que “[…]era um menino dócil e tinha uma paixão infantil […]” por ela, e não sente real pesar por seu desaparecimento.

  20. Nelson Freiria
    1 de outubro de 2017

    Li o título. Li o pseudônimo: Analisa teu redor. Olhei para os lados e não havia nada. Obrigado, de nada.

    O ritmo inicial é bem lento e o conto quase chega ao limite de palavras. Há mto desenvolvimento sobre a personagem e ambiente antes msm de qualquer ação na história, se isso tivesse sido mais equilibrado, acho que o conto prenderia mais o leitor, pois é difícil manter o interesse com tanta descrição da paisagem natural, mineral, flora e fauna + funcionamento da cidade, rotina da personagem, até finalmente chegarmos ao seu passado, que enfim acrescenta pinceladas de suspense a trama.

    Como ficamos sabendo bastante da cidade de início, não senti que essa primeira apresentação deu indícios de que a população era tão “satânica” ao ponto de frequentar o cemitério toda noite, salvo em temporais, como descrito nessa passagem: “(as únicas em que não estava lá ninguém a praticar bruxarias e rituais diversos)”. Se isso era comum, a narradora não nos conta até tal passagem. Na verdade, fiquei com a impressão contrária, de um lugar pacato, sem mtas bruxarias, satanismos, ou culto a presidentes vampiros, dentre outras coisas tenebrosas.

    Gostei do elemento especulativo apresentado através do diretor Alfredo. Aliás, estava esperando que esse recurso fosse mais utilizado no desafio, mas me pareceu que o pessoal não gosta mto de usar, ou evita para não ter o trabalho de elaborar algo convincente e que ao mesmo tempo aterrorize dada a situação.

    Vou ser sucinto ao dizer: era possível escrever esse mesmo conto com menos palavras. Perceber isso durante a leitura de um conto com tanto potencial, é uma pena. Mas no geral o conto me agradou.

    O português me pareceu mto bem revisado. Talvez com um pouco mais de trabalho, dava para enxugar as palavras que o deixaram o conto um pouco lento. Já quanto ao terror, achei adequado, algo assim meio filme do Del Toro, aquele terror que não dá medo, mas que não é somente suspense. O final ficou mto camarada com as criaturas, queria tê-las visto fazendo maldades por aí, hehe.

  21. Edinaldo Garcia
    1 de outubro de 2017

    Escrita: Muito boa. Toda ambientação muito bem feita. As imagens saltam aos olhos numa leitura bem fluida e agradável. Personagens carismáticos. Mais um conto cuja personagem principal é uma mulher. Eu percebo nesses desafios, não só aqui até porque este é o primeiro que estou verdadeiramente participando, seja numa submissão para antologia enfim, sempre que há limite máximo de caracteres eu vejo muitos romances prensados. Neste desafio já vi pelo menos dois sem contar este. Sua estória é ótima. Adorei ler, e até queria ler mais coisas nesse universo criado por você. Não sei se valeria a pena para você perder um enredo tão vasto, que daria um excelente romance para participar do desafio. Posso estar sendo injusto.

    Terror: Excelente. Muito bem construído. Os mistérios vão instigando. Confesso que no começo eu pensei que não iria dar certo tantos elementos para uma narrativa, de certa forma, curta; em meio a grutas misteriosas, assombrações, cemitérios usados para bruxaria, hospital psiquiátrico com ala sinistra, sumiço do avô, morte e enterro estranho da avó, eu pensei: “isso tudo não vai se encaixar de forma convincente num conto com cinco mil palavras”. E para a minha alegria, se encaixou magistralmente.

    Língua Portuguesa: Ótima. Adoro português de Portugal. Responda-me uma coisa; essas palavras têm mesmo essas grafias:

    connosco
    voltámos
    regressámos
    entrámos

    Burrice minha de cada dia!

    Aqui são errinhos mínimos. Não tiro pontos por isso, não sou gramático nem tenho preciosismo por ela; tiveram contos com muitos erros que eu não vou tirar por se tratarem de erros pequenos e não interferir na fluidez da leitura e ainda há os regionalismos, liberdade poética, criação de palavras enfim:

    desceu à terra – terra quando se trata de terra firme, em oposição à água ou ao mar não se usa crase.

    Um corredor imenso “entendia-se” diante de nós – Um corredor imenso “estendia-se” diante de nós (aqui foi digitação mesmo, ou eu não entendi o sentido).

    Aqui uma observação do enredo:

    Ela tremia de frio segundo o Diogo, mas o narrador diz que havia um vento quente (?)

    Veredito: Excelente. Arroz de marisco num sábado à noite.

    • Ana Lisa
      1 de outubro de 2017

      Que comentário agradável, Edinaldo. Ana Lisa Agradece. Respondendo àss suas perguntas: sim, essa é a nossa grafia em todas elas. E “Desceu à terra” é mesmo acentuado na nossa grafia, se escrevêssemos “desceu a terra” interpretaríamos como tendo sido a terra a descer e não algo até ela, entende? Então é mesmo assim (pelo menos em português de Portugal). O diabo do “entendia-se” é que foi mesmo digitação (e revi “n” vezes).
      Por fim,o vento alternava entre suave e acariciador (quente) e fustigador (frio). Quanto ao mais, está certo: Digamos que leu a sinopse de um pequeno romance (bastante alterada e adaptada ao tamanho – e ao tema, pois não será de terror) que vai ficar pronto daqui por uns meses. Se quiser, poderá lê-lo e visitar todo esse universo depois. Podemos falar disso no final do desafio quando as identidades puderem ser reveladas. Um abraço.
      PS: Arroz de marisco num sábado à noite é algo que me agrada bastante.

      • Edinaldo Garcia
        2 de outubro de 2017

        Olá, Ana Lisa! Gostaria sim de manter contato ao final do desafio. Quero mais textos seus. Grande escritora.
        Interessante sua observação sobre a crase, mas olha o que diz a norma culta:

        […] Casos especiais:
        2) Crase antes de terra.

        A palavra terra, no sentido de chão firme, tomada em oposição a mar ou ar, se não vier determinada, não aceita o artigo e não ocorre a crase. Ex:

        Já chegaram a terra.

        (preposição sem artigo)

        Se, entretanto, vier determinada, aceita o artigo e ocorre a crase. Ex:

        Já chegaram à terra dos antepassados.

        (preposição + artigo)

        (adjunto adnominal)

        A questão do desceram a terra, o certo, segundo a norma rígida seria: A terra desceu. Sujeito (artigo mais substantivo mais verbo no pretérito perfeito), claro que há a poética e trata-se de uma figura de linguagem chamada Hipérbato / Inversão: São como cristais as palavras. (Na ordem direta seria: As palavras são como cristais.)

        Como já disse nada que tire o brilho da obra.

    • Ana Lisa
      5 de outubro de 2017

      Edinaldo, apesar das suas explicações, garanto-lhe que o correto é “descer à terra”. Sim, como diz, é “chegar a terra” se vem do ar ou do mar. Mas quando um corpo é sepultado, ele desce “à terra” que o recebe. Desconheço o nome das regras que se aplicam ou não, mas aconselho a que tire essa dúvida com um professor de Português, de preferência universitário.

      • Edinaldo Garcia
        5 de outubro de 2017

        O problema é que eu sou professor. Era pelo menos. Não universitário. Professor, não dono da gramática. Essas regras eu não inventei. Ah essa gramática maldita! Causando discórdia. Às vezes também existe essa regra aí em Portugal. Eu pesquisei aqui num poema de Camões – Os Lusíadas e notei que ele empregou as duas formas.

  22. Pedro Teixeira
    1 de outubro de 2017

    Olá, Ana! O conto traz uma ideia pra lá de interessante, e uma boa escrita. Acho que em alguns momentos a trama dá voltas demais, tornando a narrativa um pouco cansativa. Enquanto algumas descrições e cenas são muito detalhadas, outras são rápidas demais, como a da fuga, como se tudo fosse o resumo de uma obra maior. Também não vi muito sentido no fato de a menina narrar tudo o que tinha se passado, de não sentir nenhum temor e desconfiança em relação ao diretor, considerando o que havia acontecido. Por outro lado, o enredo é bastante criativo, com esse conceito de ampliação da mente e experiências horripilantes no hospital. Enfim, um trabalho interessante, mas que poderia ter rendido muito mais.

  23. Zé Ronaldo
    1 de outubro de 2017

    Maravilha de conto! Com que perfeição e maestria esse texto é conduzido e nós, leitores/cordeiros, nos deixamos guiar pelas mãos desse autor/pastor!
    O enredo é magnífico: um hospital manicomial, uma cidade cercada por grutas- sumiço de pessoa-criaturas bestiais, mais terror do que isso, impossível!
    A personagem-narradora é vigorosa, tem uma força sobrenatural (e o tem mesmo! Hahahaha), é marcante e cativa o leitor, quando pontua sua relação com o avô. Torcemos por ela do início ao fim, a empatia é imensa.
    O que está por trás, escondido no final do texto, também é interessantíssimo: quedamos, assim, com criaturas que, (e aqui faço o único porém sobre esse conto maravilhoso) não necessariamente, precisavam ser vampiras, como nos é confirmado quando da fuga da Ana (por sinal achei de uma criatividade fenomenal Ana Lisa analisar tudo, gostei bem do jogo de palavras!).
    Enfim, é isso: um texto maravilhoso de um(a) artista maravilhosa(o).

  24. Rafael Soler
    1 de outubro de 2017

    Hospitais são sempre uma boa pedida para ambientações de tramas de terror, sendo um cenário muito bem empregado no conto.
    Além da ambientação, gostei bastante da narrativa e do modo de escrita, só me incomodaram algumas aspas empregadas de uma forma esquisita.
    A personagem principal também foi bem construída e o crescimento da história foi bem satisfatório.

    Durante a leitura, achei que a trama deu voltas desnecessárias em alguns pontos, o que atrapalhou um puco o andamento da história, mas nada muti grave.

    🙂

  25. Andre Brizola
    1 de outubro de 2017

    Salve, Ana!

    Hospitais de todo tipo são cenários perfeitos para contos de terror. Estava esperando a hora que aparecesse o primeiro, e fiquei satisfeito como você o utilizou. Ficou tudo muito bem ambientado.
    Há uma tensão, um suspense, desde o momento que a gruta é citada. E achei esse recurso muito legal. Mas gostaria que isso fosse um pouco mais explorado no começo. Não é um problema, mas no momento em que ela é proibida de ir até lá é exatamente isso que eu gostaria que ela fizesse. Mas eu entendo, eu entendo. Era uma peça chave na solução do problema mais pra frente e não poderia ser descoberta cedo.
    Gostei do conto!

    É isso! Boa sorte no desafio!

  26. Olisomar Pires
    30 de setembro de 2017

    Impacto sobre o eu-leitor: médio.

    Narrativa/enredo: jovem com certos poderes busca explicação para desaparecimento da avó e encontra experiências sádicas sob disfarce de ciência.

    Escrita: boa. Não detectei erros graves.

    Construção: primeiro parágrafo possui muitas rimas, o que causa estranheza. Os imediatamente seguintes tratam da ambientação e acho que se prolongaram em demasia. Na verdade, me pareceu que os lances do enredo foram bem poucos: sonhos, invasão e fuga. Todo o restante veio para florear essa simplicidade.

    O conto possui um belo gancho, apenas me soou romantizado em excesso.

  27. Fabio Baptista
    30 de setembro de 2017

    Mais um conto com o sempre bem-vindo sotaque lusitano! Esse porém, infelizmente não me agradou tanto quanto o anterior. Já estou acostumado com o jeito da narrativa e já quase não estranho as pequenas diferenças na grafia de certas palavras (connosco, conjeturas, etc.). Nesse ponto gramatical, aliás, o conto está impecável, bem como na adequação ao tema.

    O que me desagradou aqui foram as voltas que o enredo dá até pouco mais da metade, com muitas intercalações de cenários, dando a impressão de que ficou muito picotado. A premissa de um hospital psiquiátrico com um “lugar secreto”, ao mesmo tempo que é bem batida, é ótima, pois desperta a curiosidade de imediato. A suposta morte da avó contribuiu bastante para esse plot, mas então surgem os sonhos e as criaturas que espreitam e não sabemos se se trata de algo espiritual, se não são apenas sonhos, se é uma mistura dos dois… isso tirou um pouco do foco.

    A invasão ao hospital é boa, a tensão da furtividade foi bem construída, a protagonista e o personagem Diogo (por coincidência mesmo nome de um personagem no conto anterior) tem ações bastante críveis, até o momento em que ela dorme… pô… dormir ali no meio do inferno?

    Enfim, daí vem a captura, a revelação do vilão e dos superpoderes, a conclusão que o homem deve ser morto e… um parágrafo de fuga onde não se menciona qualquer ataque ao diretor. Eu li três vezes para ver se não tinha perdido nada! Aquele momento pedia um pouco (ou talvez um muito) de gore!

    O “epílogo” com as criaturas invisíveis participando do dia a dia ficou bem água com açúcar. De um modo geral, acho que essas criaturas atrapalharam o conto. Provavelmente teria ficado melhor sem elas, focando nos horrores do hospital e na tentativa de resgatar a avó.

    Abração!

    • Ana Lisa
      30 de setembro de 2017

      Oi Fábio. Agradeço a sua leitura. No parágrafo da fuga tem o desagradável paladar a sangue na boca… pensei que, reforçado pelas deixas anteriores (poderes adquiridos, qualquer tipo de alimento…), fosse suficiente para entender a forma como o diretor foi eliminado. Um abraço.

      • Fabio Baptista
        30 de setembro de 2017

        Oi, Ana! Sim, fica subentendido. Mas era o clímax, pôxa vida… queríamos “ver” o miserável se afogando no próprio sangue com a garganta dilacerada! rsrs

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Informação

Publicado em 29 de setembro de 2017 por em Terror.