EntreContos

Literatura que desafia.

Eu e os Outros (Keren Sá Tenaz)

Nasci com uma benção que, para alguns, é uma maldição. Sou médium vidente. Vejo e converso com mortos o tempo todo. Muito parecido com a personagem Cole do filme O Sexto Sentido de 1999, com a diferença de que o meu problema é real e os meus mortos não vão desaparecer após a exibição do filme.

O que passo a narrar são histórias contadas pelos mortos que algum dia se encontraram comigo ou comigo conviveram enquanto ainda eram vivos. Os nomes foram trocados para evitar constrangimentos. Afinal, os mortos se foram, mas as famílias estão por aí e podem não gostar de ler certas revelações.

O que vocês vão perceber nessas histórias é que os mortos são como eu e você. Continuam levando suas vidas na outra vida. E quando encontram alguém que os veja e com quem possam conversar, não perdem tempo. Se deixar não param de falar. Chegam a ser perturbadores com a insistência de se fazerem ouvir. Acho que é isso o que assusta as pessoas.

Os mortos, na verdade, não estão mortos. Não estão vivos como a gente, mas estão vivos de alguma maneira e caminhando por aí. E por aqui também.

Agora mesmo, enquanto escrevo, meu avô Odahil está aqui comigo, tomando vinho, comendo queijo cortado na ponta da faca, e recordando fatos da década de 1950. Finjo estar gostando por educação, mas nem tudo o que ele fala eu entendo. Algumas falas mais parecem gritos e sussurros, não algo inteligível.

Quando consigo ouvi-lo e entende-lo, ele conta histórias da nossa família. E foi por ele que soube de algo que aconteceu com Afonso, algo que ninguém da família havia me dito antes.

Afonso morava na Ilha do Governador, um bairro do Rio de Janeiro. Ele sempre teve medo de entrar na água e um certo dia decidiu perder esse medo e enfrentar o mar. Fez anos de natação para quê? Para chegar na praia e ficar na areia? Não era justo. Decidiu entrar no mar e calar a boca dos que o chamavam de mariquinha e covarde. Mirou uma boia se sinalização que flutuava nas águas e traçou como objetivo ir até lá e voltar.

O nervosismo era evidente. Seria a primeira vez que entraria no mar com a água acima da linha da cintura.

A água estava um pouco mais fria do que o normal para as praias da Ilha. Mas Afonso já estava decidido e não seria a baixa temperatura da água que o faria desistir.

Saiu de casa como um covarde e só voltaria redimido.

—Vou até a boia e volto. — Ele disse.

Se avisasse ninguém acreditaria:

—O Afonso? Entrando no mar? Não acredito.

Por esse motivo não contou a ninguém. E também para o caso de não conseguir ou desistir no meio do caminho. Era ele, o mar e a boia de sinalização que o aguardava, como quem diz:

—Vem. Vem. Vem. — A cada movimento das ondas.

Depois das primeiras braçadas e já sem o apoio da areia nos pés, percebeu variações na corrente marinha. Ora quente. Ora fria. Dava a impressão de ter um rio frio passando dentro do mar morno.

Continuou nadando em direção a boia certo de que nada poderia dar errado. Afinal, a boia estava tão próxima e só mais algumas braçadas o separavam da volta da vitória.

Um pouco de câimbra o incomodou e foi quando decidiu fazer uma pequena pausa e aproveitar para apreciar o momento.

Ao olhar para a areia da praia a partir da água do mar, percebeu que estava mais distante do que pensara. Também percebeu que a boia não estava assim tão próxima quanto parecia. O nervosismo antecedeu ao pânico e ele achou que o melhor a fazer era voltar.

O problema é que aquele nervosismo não o ajudava. A cada braçada ele parecia estar indo mais para dentro do mar, não para perto da praia. A panturrilha começou a doer e ao avistar uma pequena água viva esqueceu todas as aulas de natação e começou a gritar e a pedir ajuda.

A cada aceno em direção à praia Afonso afundava e engolia água do mar. Parecia que a água viva estava ainda mais viva, só aguardando para mordiscá-lo.

As narinas começaram a arder. Os pulmões pareciam querer estourar. Quanto mais se debatia, mais para o fundo ida. Ao gritar, mais água salgada engolia.

Quando pensou não ter mais esperanças, ao olhar para o céu, já afundando, avistou uma gaivota branca, contrastando com um céu azul lindo, quase sem nuvens.

Aquela visão trouxe uma paz, uma tranquilidade. O suficiente para ele retomar a coragem, controlar a respiração e nadar até a areia da praia.

Lá chegando começou a chorar copiosamente sentado na areia. Agradeceu a Deus por não ter morrido. Foi quando percebeu um grupo trazendo um corpo para a praia, de alguém que havia se afogado. —Que sorte que não fui eu — pensou. Mas ao se aproximar para ver quem era, reconheceu seu próprio corpo, já sem vida.

Eu e Afonso somos amigos até hoje. Sua morte não o impediu de continuar vivendo do seu jeito e ele continua na Ilha do Governador, assombrando os desavisados e circulando pelas areias da praia. Ele gosta de catar conchinhas e jogá-las ao mar. Às vezes, quando vejo as conchas se mexerem, já sei que é ele.

Os mortos que me procuram vêm de todos os lugares. Maria, por exemplo, era casada e o marido a traia. Embora nunca tivesse visto a traição, ela desconfiava. E, quando mulher desconfia, sempre existe alguma coisa.

O marido saia para trabalhar todos os dias e folgava as sextas-feiras, quando bebia e chorava aos prantos sem sequer se importar com ela dentro de casa. Maria não entendia a dor do marido e chorava junto, trazendo tristeza até para os cachorros da vizinhança que começavam a uivar como se tivessem ensaiado.

Uma vez ou outra ele saia, provavelmente para se encontrar com a outra e ainda tinha a cara de pau de beijar a foto do casamento.

Para evitar brigas e nem dar motivo para a separação, ela preferia ficar quieta. Não comentava com a família sobre o comportamento do marido e nem da certeza que tinha da traição.

A relação não andava bem fazia algum tempo. Ela dizia toda carinhosa:

—Volta logo? Sinto a sua falta.

Ele não dava a mínima. Só parou de beber quando começou a sair melhor arrumado todas as sextas-feiras, não apenas uma sexta ou outra como fazia. Colocava a melhor roupa, o perfume presente dela e que ela gostava, engraxava os sapatos.

Em uma dessas sextas-feiras o telefone tocou. Escondida ela pode ouvir a voz da mulher marcando o encontro para às 17:50 horas na Rua Cardeal Arcoverde, entre os bairros de Pinheiros e Vila Madalena.

—Tá combinado? Te espero na entrada, no mesmo lugar de sempre. — A traição se confirmara. Marcaram na porta de algum motel e Maria agora queria ver a cara da bandida. Da destruidora de lares. Daquela que poderia acabar com o que restou do casamento.

Às 17 horas tentou pegar um táxi. Nenhum parava. Naquele tempo não tinha Uber e como o táxi não parava entrou no primeiro ônibus para o Centro.

Ao subir no coletivo percebeu que não trouxera a carteira e nem dinheiro, mas com o empurra-empurra, quando se deu conta, já havia passado pela roleta.

—Alguém deve ter pago — pensou.

Uns quarenta minutos depois, já passando das 17 horas, Maria finalmente chegou ao endereço combinado.

O número, 52, era o número do cemitério. E ao olhar para a alameda principal reconheceu o marido de costas, de mãos dadas com a outra.

—Que lugar para marcar encontro? Deve ser para não ser flagrado por algum conhecido. Essa desgraçada deve ser casada também.

O ciúme subiu-lhe a cabeça e Maria entrou disposta a fazer a maior cena. O casamento já estava ruim mesmo. Se fosse para se separar, que se separassem. Daquele jeito, sendo ignorada pelo marido e agora sabendo que os encontros eram no cemitério, o melhor a fazer era chutar o balde.

Munida de uma coragem que nunca teve, ao se aproximar do casal, já ensaiando mentalmente dizer umas verdades, ofensas e palavrões, teve que parar, quando percebeu que o casal estava diante da sua sepultura. A foto e o epitáfio não deixavam dúvidas: Maria havia morrido há algum tempo, em uma sexta-feira.

Muitos dos mortos que me procuram contam histórias parecidas. Que não sabiam que estavam mortos e só bem depois e que se deram conta disso.

Eu mesmo quando converso com alguém preciso ter cuidado para não fazer confusão. É porque tem vivo que parece morto. E tem morto que parece vivo.

Um caso interessante me foi relatado por Bruno, que trabalhava em um posto de gasolina situado a Rua Mariz e Barros na Tijuca, bairro do Rio de Janeiro.

Inconformado por ter sido mandado embora, decidiu assaltar o posto. Ele sabia que era errado. Nunca tinha feito nada parecido. Mas a demissão por justa causa o deixou extremamente irritado. O assalto seria uma forma de vingança e também de reaver os direitos trabalhistas perdidos.

Na verdade, quem deu a ideia foi o Bira. Um vizinho da família. Disse que posto de gasolina era fácil de assaltar. Que sempre tem dinheiro em caixa. Que costuma estar localizado em área de fácil acesso para a fuga. Blá blá blá blá e acabou convencendo o Bruno a fazer o assalto.

Bruno me confidenciou que em sua família nunca teve bandido. Na verdade, se lembrou de um primo, mas como era um primo distante, achou que não contava como família. Ele seria o primeiro e esperava se dar bem. Também seria a primeira e última vez. No fundo ele não se achava um assaltante. Tudo o que ele queria era se vingar do ex-patrão e também voltar para casa com algum dinheiro, é claro.

No dia combinado, Bruno conseguiu uma arma emprestada com o Bira com o compromisso de dividir com ele parte do dinheiro do assalto.

Por volta das 22 horas ficou na esquina observando a movimentação no posto. E pelo que viu o assalto valeria a pena. Ele só precisava ficar de olho em quem enchesse o tanque e pagasse em dinheiro para anunciar o assalto antes que o frentista guardasse as notas no cofre da empresa. Por já ter trabalhado lá ele estava a par dos detalhes.

O momento chegou, Bruno atravessou a rua, dirigiu-se ao frentista e anunciou:

—É um assalto. — Mal terminou de anunciar já ouviu tiros em sua direção. Com medo largou a arma e saiu correndo.

Da mesma forma que ele observava o posto, o segurança do posto, escondido, o estava observando.

Ao correr sentiu ser atingido. Caiu. Não sentia as pernas. Ouvia o ruído dos passos. Era o pessoal do posto se aproximando.

Em meio a dor e a vergonha, um rosto conhecido lhe estendeu a mão. Olhou e viu que era o primo, aquele que era bandido.

—Primo? Você não morreu cara?

—Morri e você também.

E foi assim que Bruno ficou sabendo da própria morte. Por um primo que o havia precedido na jornada para o Além.

Sobre esse primo tenho uma história curiosa. José morava no interior da Paraíba, no município de Bichabal.

Em um desses verões atípicos, mais quentes do que o normal, José foi tomar banho de rio com uma das primas.

Todos sabíamos que José pegava as primas nos banhos de rio.

—No interior é assim mesmo — o povo dizia.

Foi numa dessas, com José transando com a prima no rio, que sentiu uma forte dor no ânus e soltou um forte grito.

—Aííííííí.

—O que houve José? — Perguntou-lhe a prima.

—Alguma coisa entrou no meu rabo.

A situação parecia complicada, porque até sangue já se via na água.

Tirado às pressas do rio, demoraram um pouco para encontrar ajuda e um transporte que pudesse leva-lo ao posto de saúde. Na época não havia a UPA – Unidade de Pronto Atendimento, nem nada parecido.

A suspeita era de que um candiru o tivesse penetrado. Candiru é um peixe com o estranho hábito de entrar no ânus e na uretra dos homens, mas é um peixe comum na região do Tocantins, não no Nordeste.

Chegando ao posto de saúde José estava pálido, mas pelo menos não reclamava da dor e o sangramento havia cessado.

Feitos os exames a enfermeira não constatou qualquer lesão. Sugeriu que poderia ter sido uma explosão de gases intestinais, uma história tão absurda que acabou convencendo a família de que era isso mesmo.

O mais importante é que José não sentia dor, seu ânus parecia intacto e o maior problema seriam as piadinhas do pessoal de Bichabal. Em cidade pequena sabe-se tudo sobre todos.

O curioso é que após o incidente a personalidade do José mudou. Quem percebeu isso foi a tia. José era um vagabundo, mentiroso, preguiço e acostumado a aplicar pequenos golpes. Mas após a mordiscada no ânus tornou-se um sujeito calmo, quieto e tranquilo.

Algo que chamou a atenção era que José tornou-se um pau mandado. E a tia aproveitou a nova fase.

Colocava o José para varrer a casa, lavar a roupa, roçar o capim, limpar o quintal. Tudo o que José nunca fez, agora fazia sem reclamar.

Era só pegá-lo pelo braço, demonstrar como fazer e pouco depois ele estava fazendo, o que quer que o mandassem.

Até o sexo ficou assim. José tinha um caso com a vizinha. E numa dessas ausências da tia, a vizinha foi lá na casa e fizeram sexo como nunca fizeram: do jeito dela.

Uma semana depois a situação começou a ficar preocupante. A perda de peso era visível. José estava parecendo uma pessoa lobotomizada. Não falava com ninguém. Só ficava sentado ou na rede. Até alguém o pegar pelo braço, demonstrar alguma tarefa e deixar ele fazer. E se não voltasse para busca-lo ele ficava na tarefa indefinidamente.

Na segunda semana, com a saúde visivelmente ainda mais fragilizada, com excessiva magreza, José desmaiou enquanto varria e limpava o quintal, em mais uma das tarefas impostas pela tia.

Dessa vez não iriam para o posto de saúde local. Preferiram leva-lo para o hospital mais próximo, que nem era na Paraíba, era em Piranhas, no estado de Alagoas.

Chegando lá, após horas de espera, na fila, um novo desmaio foi seguido de falta de ar.

Levado às pressas para o plantão fizeram uma traqueostomia e o local ficou empesteado com um cheiro de peixe podre.

Sinais vitais ausentes, deram-no como morto exatamente às 17:50 horas. Na autópsia descobriram alojado no reto, um candiru de quase vinte centímetros.

Essa história me foi contada pelo Bruno, que soube dela pelo próprio José, o primo distante que ele reencontrou após o assalto malsucedido.

Às vezes as histórias vêm de pessoas mais próximas ainda. Gisele por exemplo, casou-se com um rapaz que morria de medo de ser enterrado vivo.

Esse medo surgiu na infância, após ele assistir em um programa dominical, reportagem sobre catalepsia.

A catalepsia é uma condição rara. A pessoa fica rígida como se estivesse morta. A respiração é quase imperceptível. Não tem cura nem diagnóstico e quem tem isso realmente corre o risco de acordar quando já estiver dentro do caixão, como aconteceu com o ator Sérgio Cardoso na década de 1970.

A propósito, até a expressão salvo pelo gongo vem desse medo de ser enterrado vivo. Deixavam uma corda amarrada a um sino com a ponta dentro do caixão. Se acontecesse de o morto acordar vivo, era só ele puxar a corda para ser salvo pelo gongo, literalmente.

Esse era o medo do marido da Gisele. De ter catalepsia patológica e acordar dentro de um caixão.

Por isso ele a fez jurar que ela não deixaria que o enterrassem antes de pelo menos três dias, para ter certeza de que ele estava morto.

Alguns anos se passaram após a promessa. Até que em um sábado de bebedeira e comilança o marido enfartou e morreu ali mesmo, sobre a mesa, na presença dos comensais.

Foi o Dr. Iguatemi, um médico amigo da família que o diagnosticou e assinou o óbito. Dali era ligar para a funerária e providenciar o caixão.

Sem querer acreditar que perdera o marido e pensando na promessa que fez, Gisele levou o marido para dentro, o colocou sobre a cama coberto com um lençol limpo e decidiu aguardar os três dias pedidos.

Os amigos foram avisados e ninguém se meteu a avisar as autoridades sobre Gisele estar guardando defunto dentro de casa. Até porque ele talvez não estivesse morto. Poderia ser a tal catalepsia que ele tanto temia. Pelo sim, pelo não, esperar os três dias foi uma decisão de consenso.

No segundo dia do suposto óbito, o mal cheiro dentro de casa era insuportável. As moscas pareceram dobrar de tamanho a ponto de alguns confundirem varejeiras com ameixas no prato de pudim.

Muito chorosa, Gisele aceitou o destino do marido; não havia dúvidas da sua morte.

Com o atestado de óbito em mãos pegou o telefone e ligou para a funerária. O telefone estava ocupado e enquanto aguardava decidiu dar uma última olhada no defunto do marido. Foi quando ouviu uma voz rouca, saída do fundo da garganta do morto:

—Eu pedi para você aguardar três dias.

É provável que Gisele também seja médium. Só não é como eu, médium vidente. Acredito que ela consiga ouvir e falar com os mortos, mas as pessoas têm medo de serem internadas como loucas e não gostam de comentar sobre isso. Ou talvez Gisele só consiga se comunicar com o marido, dada a ligação que tinham.

Penso que os vivos deveriam conviver em paz com os mortos. As pessoas têm preconceito e tenho presenciado isso em diversas ocasiões.

Naquele dia, ouvir chamar meu nome foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida: era a culminância do curso de Comunicação Social da Universidade de Nilópolis. Agora eu era jornalista, pronto para correr atrás do primeiro furo e ser tão famoso quanto meu ídolo de infância, Amaral Netto, o Repórter, cuja proposta era explorar territórios, paisagens, costumes e tradições brasileiras desconhecidos pelo grande público.

Mas não foi bem assim que as coisas aconteceram. O máximo que consegui e só o consegui por causa do conhecimento da família, foi uma vaga no Jornal de Nilópolis, dirigido pelo saudoso Ney, grande amigo nosso e por conta dessa amizade me deixou trabalhar lá.

O primeiro — e único — trabalho jornalístico que consegui foi cobrir a morte de um marginal, um favelado com nome de artista americano: Benjamin Mortton, assassinado no sábado e velado na madrugada de domingo.

O nome — segundo a genitora do malandro — era uma homenagem a Tim Burton. Mas a velha analfabeta não soube pronunciar direito e entenderam Benjamin Mortton, com dois tês sabe-se lá por qual capricho do tabelião.

É isso mesmo seu Ney? Fazer a cobertura do velório? Não tem uma pauta melhor não? Alguma coisa investigativa? Com tanta roubalheira em Nilópolis eu pensei que seria melhor aproveitado.

Não Moreno. O que tem é isso aí. O pilantra lá no caixão infernizava a vida dos moradores. Quanto mais gente souber que o desgraçado morreu maior será a sensação de justiça feita.

Sem outra opção lá fui eu para o cemitério de Olinda fazer companhia ao defunto. A ideia era conversar com o máximo de pessoas, ver quem estava no velório, descobrir tudo de ruim que o maldito fez e escrever uma matéria do tipo ”já foi tarde”.

Na época não havia a bandidagem que tem hoje no cemitério de Olinda. Muitos casais com pouca grana pulavam o muro dos fundos do cemitério, que é mais baixo, e transavam em cima das sepulturas. Eu mesmo frequentava aquelas bandas, primeiro com a Vera, depois com a Adriana. A Vera se matou e a Adriana morreu devido a uma complicação com um aborto mal feito. É o que dá se meter com gente maluca.

Pois bem, mal cheguei à capela e as solteiras já puseram o olho em mim. Imediatamente pensei que a noite não seria tão ruim. Talvez rolasse um sexo para animar. O enterro estava marcado para a manhã do domingo, teríamos tempo de sobra. Só faltava descobrir quem ia abrir as pernas e quem ficaria só de conversa. Se errasse o alvo ficaria na seca, como já ocorrera em outras ocasiões. A pior coisa é você achar que a mulher vai dar e descobrir que quem ia dar era a outra: a irmã, a prima, a amiga feia, menos ela, a escolhida.

Eis que, de repente, ouvimos um grito abafado. O caixão estava com a tampa abaixada e trancado e o grito vinha mesmo de dentro do caixão:

—Ahhhhhhhhhhhhhh!

Ao nos aproximarmos ouvimos ruídos de unhas arranhando a tampa do caixão por dentro, seguido de um grito ainda mais horrendo, que nos deixou apavorados:

——Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Não sei quanto aos outros, mas eu fiquei morrendo de medo, minha respiração parou. De novo o grito e dessa vez a certeza de que era do cara que morreu assassinado. O morto estava gritando desesperado de dentro do caixão. Era como se recusasse a própria morte.

O funcionário da capela, tremendo igual a vara verde, destrancou o caixão e imediatamente o cara morto empurrou a tampa para fora. A pouca luz do local iluminou a face putrefata, com tons de cinza chumbo e verde musgo, mas nem deu para olhar os detalhes daquela visão macabra. O morto se levantou, olhou ao redor e isso foi o suficiente para começar um alvoroço, com o morto levantando atordoado e pondo todo mundo para correr apavorado.

A rua que vai dar no cemitério de Olinda é uma ladeira. As pessoas caíram e tropeçaram durante a fuga transloucada.

Teve até quem tentasse conversar com o defunto, fazendo ele entender que morreu. Mas que nada. O sujeito estava decidido a se livrar do abraço da terra forte e do caixão que o aguardava.

Saiu correndo junto com o povo, todo mundo desesperado, até que meia dúzia de corajosos decidiram pôr um fim naquela situação e saíram perseguindo o atormentado.

Apesar de o céu estar limpo, a falta da lua fazia as nuvens terem uma aparência estranha. Uma delas era de uma cruz com alguém ajoelhado, como se fizesse uma prece.

Eu, que até aquele momento estava paralisado de medo, também tomei coragem e fui junto com a turba tentar alcançar o Mortton. O caixão havia caído, era até bonito, emadeirado. Lembro de ter tido um pensamento estranho, de querer ir em um desses quando fosse a minha vez.

O morto seguia correndo e quando alcancei o grupo, parecia que o medo deu lugar a revolta. Quem de início correu dele, agora perseguia o miserável.

Finalmente conseguiram alcança-lo. Trouxeram-no até seu caixão emadeirado. O sujeito estava alucinado e ninguém conseguia convence-lo a entrar no caixão. E antes que ele fugisse de novo um grupo de fortões mais corajosos pegaram-no pelos pés e braços e com muita luta o enfiaram dentro do caixão, que foi lacrado.

A cova já estava aberta e todos concordaram que não dava para esperar até de manhã. Decidiram enterrá-lo naquela hora mesmo, para acabar com a situação que estava aterrorizando os presentes.

Quem não gostou disso foi o morto, que deu um trabalhão para ser posto dentro do caixão e continuou revoltado enquanto descia à sepultura, onde foi enterrado.

A lição que fica é que, quando se morre, o fim é embaixo da terra. Não adianta levantar para nos servir porque as pessoas acham que o lugar de morto não é aqui.

Não preciso dizer que o Ney não publicou a reportagem.

Fico até um pouco emocionado quando falo de Nilópolis. Apesar de não ser minha cidade natal, passei ali bons e maus momentos.

Na juventude, cansado de uma vida sem dinheiro e de poucas realizações, procurei um pai de santo famoso, o Sr. Djalma de Lalu, para ver se ele me ajudava com seus trabalhos espirituais a ter mais sucesso e dinheiro, a conquistar meus objetivos, a levar mais e mais mulheres para a cama.

Ele explicou que o meu problema era uma praga de mãe difícil de tirar. Propôs como solução que eu fizesse um pacto com o diabo.

Na hora eu recusei e só não o ofendi em respeito à idade, a religião e ao que ele poderia fazer comigo, talvez lançar-me um feitiço.

O problema é que aquela ideia não saia da minha cabeça e conversando com um morto amigo meu, Seu Orlando, parente do Djalma, ele incentivou que eu também fizesse. Confidenciou que ele mesmo já havia feito o tal pacto e como eu podia ver, nada de mal havia ocorrido com ele, nem antes, nem no post mortem.

Vendo que Orlando fez o pacto com o diabo e estava morrendo bem, tomei coragem e decidi também fazer.

Retornei à casa do Djalma de Lalu e lá fui orientado sobre não ter relações sexuais durante sete dias, usar roupas brancas — pensei que seriam pretas — e providenciar alguns ingredientes, como farinha de mesa, azeite de dendê, pombo branco, uma adaga bem afiada e outras coisas do tipo.

Era o mês de agosto e tudo ficou marcado para uma sexta-feira, dia 13, na entrada da conhecida Mata do Governo, que fica no bairro Cabral, em Nilópolis, onde morávamos.

Por volta da meia noite o Sr. Djalma arrumou os apetrechos em um enorme alguidar, matou o pombo, do qual tive que beber o sangue e, enquanto falava palavras estranhas, das quais não recordo e nem compreendo, furou meu dedão com a adaga e cruzou a oferenda com sangue. Essa marca no dedão tenho até hoje, como prova do ocorrido.

Pensei que em seguida veria um demônio, um homem de preto ou uma espécie de sátiro do qual deveria beijar o ânus. Que nada.

Após o ritual me senti tão pobre e fracassado quanto antes. Entramos no carro e, apesar de o Sr. Djalma pedir para eu não olhar para trás, consegui ver pelo retrovisor o exato momento em que um bode preto saiu do matagal e começou a se refastelar com a oferenda.

Até hoje não sei bem se o pacto valeu, se deu certo ou não. Meu sucesso é relativo e pelo tempo que se passou eu já deveria estar milionário ou pelo menos rico. Infelizmente não adianta perguntar aos meus amigos mortos, pois sobre isso eles não falam.

E quanto a você? Não quer me contar alguma coisa interessante do tempo em que estava vivo(a)?

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62 comentários em “Eu e os Outros (Keren Sá Tenaz)

  1. Gustavo Araujo
    19 de outubro de 2017

    É um conto agradável de ler, com um certo tom de crônica, de causos, talvez por conta da linguagem fácil, simples, sem rebuscamento. Micro contos dentro de um só conto. Não há uma linha comum entre eles, a não ser o narrador que diz tê-los ouvido de alguém que já morreu. Gostei em particular daquele em que o rapaz vai ao rio e é invadido por um peixe. Essa leveza se constitui na qualidade maior da narrativa, mas também se apresenta como bloqueio, já que impede a construção de frases e sentenças mais elaboradas, daquelas que causam enlevo e certa admiração. De todo modo, é um conto que entretém muito bem e que certamente será bem avaliado por conta dessa simplicidade.

    • Keren Sá Tenaz
      20 de outubro de 2017

      Obrigada por seus valiosos comentários, sinceramente não esperava. Aliás, o comentário por si só já é um exemplo de texto bem elaborado.

  2. iolandinhapinheiro
    18 de outubro de 2017

    Eita que eu adorei o teu conto. Foi uma delícia ler teus episódios com os mortos, só não curti o do candiru, porque a enfermeira não detectou o animal, então achei incoerente. Se este teu conto fosse do desafio de comédia teria meu dez, mas terror mesmo não vi nenhum, ainda assim adorei as histórias tipo ” A Morte Como Ela É” hahaha. Também amei o nome “Querem Satanás”, e o nome do bandido Benjamim Mortton. Aliás, a cena com o Mortton foi a melhor, ever. Haha. Vc é um pândego.

    Meu filho dê uma olhada na diferença do emprego das palavras “mau e mal”, ok. Havia outros erros mas me distraí tanto rindo do seu conto que esqueci deles.

    Acho que vou te dar uma boa nota, até porque tô nem aí se o conto não tem “belas construções”. Conto bom é o que me envolve e me deixa feliz por ter lido, e neste quesito o seu único pecado foi não ter me causado medo.

    Seja feliz. Beijos.

    • Keren Sá Tenaz
      18 de outubro de 2017

      Obrigada por seus valiosos comentários. Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso. Escrevendo e aprendendo. A propósito, dei esse vacilo do mau/mal, né? Tipo, que bem que você está bom? Que mancada. kkkkk Se eu te fiz rir, você me fez sorrir com esse rostinho lindo. Abçs.

      • iolandinhapinheiro
        19 de outubro de 2017

        =) Depois deste negócio de rostinho lindo, fica difícil não te dar uma nota boa. Golpe baixo.

  3. Evelyn Postali
    17 de outubro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Essa maneira de narrar é boa. Gostei de como inseriu as histórias dentro da narração. A leitura se tornou agradável porque a escrita ajuda. É simples, mas não simplória. Isso só ajudou a querer saber mais das histórias do médium. De terror, eu acho que não teve muito, assim. Sei lá. Não deu para sentir aquele medão esperado. Então, boa sorte no desafio.

    • Keren Sá Tenaz
      17 de outubro de 2017

      Não deixe que seu comentário a impeça de dar pelo menos um 4. Abçs.

  4. M. A. Thompson
    15 de outubro de 2017

    Antes de qualquer coisa, obrigado por nos presentear com essa pequena amostra do seu trabalho.

    Gostaria de apresentar o critério de votação que usarei no Desafio “Terror”.

    Por ter participado já leva um ponto e mais um ponto por cada item a seguir:

    [ ] Gramática e ortografia aceitáveis?
    [ ] Estrutura narrativa consistente (a história fez sentido)?
    [ ] O terror está presente?
    [ ] Foi um dos contos que mais me agradou?

    Dito isto, vamos a análise:

    O CONTO
    Um vidente conta diversos causos envolvendo os mortos que ele conheceu.

    O QUE ACHEI
    A impressão é que não havia uma história só que atendesse o número de palavras estipulado para o Desafio e o(a) autor(a) reuniu vários contos menores.

    O problema desse conto, como já comentaram os demais colegas, é que a narrativa esbarra o tempo todo no nonsense, querendo nos convencer que é normal guardar defunto em casa, alma de morto comer queijo, etc. Mas lembra a fórmula usada na série “Alfred Hitchcock Apresenta” e “Contos da Cripta”, quando o apresentador sarcasticamente apresenta os contos que virão.

    Acredito que a narrativa como se fosse algo “normal”, sem a preocupação de causar medo ou espanto no leitor, tenha contribuído para os colegas não terem visto o “terror” das histórias.

    No conto do José por exemplo, em que aparentemente o candiru assumiu o controle do corpo do rapaz, é terror puro. Mas, como já disse, a forma de contar, em vez de causar medo fez foi rir.

    GRAMÁTICA E ORTOGRAFIA
    Os colegas já esmiuçaram todos os deslizes presentes no texto.

    O Terror está presente?
    Sim, mas não da forma como eu esperava.

    Foi um dos que mais me agradou?
    Me agradou sim, só não foi o que mais me agradou.

    Boa sorte no Desafio.

    • Keren Sá Tenaz
      17 de outubro de 2017

      Não deixe que seu comentário o impeça de dar pelo menos um 4. Abçs.

  5. Ordep Sotam
    14 de outubro de 2017

    Pelo começo imagina-se que o conto tome um rumo interessante, mas logo, em virtude das quantidades de episódios, deixa a leitura pouco cansativa. Afora isso o tema satisfaz, visto ser a ideia do tema bastante original, sem cair no clichê do susto pelo susto, como é comum nesse tipo de literatura. As pinceladas de humor ajudam bastante o enredo. Cometeu alguns deslizes gramaticais, mas nada que uma releitura não resolva.

    • Keren Sá Tenaz
      14 de outubro de 2017

      Não deixe que o seu comentário o impeça de dar pelo menos um 4. Abçs.

  6. K.W König
    13 de outubro de 2017

    Enredo: Muito bom, haha tratasse de um médium vidente que repassa diversas historias que ouviu dos mortos, o personagem parece ter se acostumado com as conversas e faz um compilado de algumas histórias.

    Tema: Não foi terror, mas foi bem divertido. O autor trata de forma leve o conto o que faz com que você continue a ler a próxima prosa…

    Considerações: Haha a do peixe é tenso, parabéns, na minha opinião não esta no tema mas foi bom ler. Boa Sorte.

  7. Keren Sá Tenaz
    13 de outubro de 2017

    Obrigada por seus valiosos comentários. Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso. Escrevendo e aprendendo. Abçs.

  8. werneck2017
    13 de outubro de 2017

    Olá,

    Começo dizendo que sua escrita é fluida e de fácil entendimento, gostoso de ler, porém vi inconsistências , reflexo da falta de pesquisa. Além dos já citados, o candiru é um peixe pequeno que se aloja no canal da urina, pelo pênis e vagina, atraído justamente pela urina do sujeito em rios e lagos da região amazônica.
    Dito isso, o conto (que na verdade é uma somatória de vários contos) tem um humor gostoso, mas não adequado ao tema proposto e que, ao longo da leitura, vai se tornando cansativo pela repetição.
    Aproveito para chamar a atenção para outros erros:
    Por volta da meia noite o Sr. Djalma arrumou > Por volta da meia noite, o Sr. Djalma arrumou
    que o medo deu lugar a revolta > que o medo deu lugar à revolta
    . E pelo que viu o assalto valeria a pena > . E, pelo que viu, o assalto valeria a pena
    posto de gasolina situado a Rua Mariz > posto de gasolina situado à Rua Mariz

    Escondida ela pode ouvir a voz > Escondida, ela pode ouvir a voz
    O suficiente para ele retomar a coragem > O suficiente para ele retomar à coragem
    Continuou nadando em direção a boia > Continuou nadando em direção à boia

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Obrigada por suas valiosas contribuições. Esse candiru do conto deve ser uma variação nordestina, pois se alojou no reto do José e tinha vinte centímetros. Deve ser este o motivo pelo qual assumiu o controle do sistema nervoso dele. 🙂

      Quanto ao gênero, terror é, o estilo narrativo é que pode ter causado essa outra impressão.

  9. Lolita
    11 de outubro de 2017

    A história – Um vidente narra casos insólitos do outro mundo. Me senti assistindo um relato dado em uma espécie de programa do Jô, com risadas da plateia e tudo.

    A escrita – O estilo é fragmentado em pequenos contos, o que é interessante e torna a leitura bem fácil de seguir. Os casos são engraçados e a linguagem coloquial ajuda na pegada humorística (“Quem de início correu dele, agora perseguia o miserável.” sim, eu li como o meme).

    A impressão – Um conto bastante divertido, mas que passou longe do susto ou de más sensações. A forma como brincou com clichês do gênero foi muito bem sacada. Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Obrigada por seus valiosos comentários. Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso. Escrevendo e aprendendo. Abçs.

  10. Roselaine Hahn
    9 de outubro de 2017

    Caro autor, um ótimo conto, caso estivesse no desafio Comédia. Muito boa a ideia do enredo, do médium vidente, porém esperava algo de suspense na linha do Sexto Sentido, como referido por vc., mas a pegada da narrativa foi cômica, dei muitas risadas, daí quando chegou o horror, como na cena do caixão, a coisa toda já estava engatilhada, não deu medinho. Vc escreve bem, sem dúvida, poucos erros, como “o perfume presente dela e que ela gostava”, no caso, “presente dela” teria que ser entre vírgulas, para maior clareza. Num conto, tudo deve ter uma finalidade, um engajamento na história, em “Às 17 horas tentou pegar um táxi. Nenhum parava. Naquele tempo não tinha Uber e como o táxi não parava entrou no primeiro ônibus para o Centro. Ao subir no coletivo percebeu que não trouxera a carteira e nem dinheiro, mas com o empurra-empurra, quando se deu conta, já havia passado pela roleta.—Alguém deve ter pago — pensou”. Esse parágrafo poderia ser suprimido, pois não contribuí para a narrativa. A ideia da contação de causos foi muito criativo, faltou apenas o quesito terror para o seu texto brilhar. A sua escrita merece um novo desafio, é muito madura, e isso, pra mim, é o que fica da sua participação nesse desafio. Abçs.

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Obrigada por seus valiosos comentários. Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso. Escrevendo e aprendendo. Abçs.

  11. Lucas Maziero
    8 de outubro de 2017

    É o que sempre digo: uma história de terror sempre tem um pouco de bom humor, e aqui, nesse conto 10 em 1, os causos são divertidos e ao mesmo tempo inquietantes. Gostei mais do conto do peixe entrando por vias incongruentes (hahaha). É bem hilário e sobrenatural, até mais sobrenatural que o pacto com o coisa ruim.

    O defunto que saiu correndo do túmulo foi uma pérola, e estou achando que ele estava é vivo, e não morto e o queriam vê-lo assim.

    Enfim, é um conto diferente este, e por isso, e por não ter caído na banalidade, mas permanecido dentro de limites aceitáveis, é que gostei dele. O terror aqui não se encontra no medo infundado, nem no suspense, mas sim na inquietude, no bizarro narrado de forma descontraída.

    Parabéns!

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Obrigada por seus valiosos comentários. Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso para a maioria aqui. Escrevendo e aprendendo. Abçs.

  12. Fernando.
    8 de outubro de 2017

    Olá, Keren Sá Tenaz, fico aqui pensando sobre o seu conto e me vejo em meio a uma tremenda de uma dúvida. Trata-se mesmo de um conto, de vários contos costurados numa grande narração, ou de deliciosas crônicas? De toda forma e como fico com a definição de Mário de Andrade que dizia ser “conto tudo aquilo que o autor disser que é conto”. Então, passo a considerar como conto o seu Eu e os outros. Agora, cadê o terror? Eu ri muito mais do que fiquei com medo. Sim, seu conto, na minha opinião (e repare que entendo quase nada de terror) é uma deliciosa comédia, curti muito mesmo a leitura. Teria nota máxima se fosse esse o tema. Parabéns por sua capacidade de me divertir. Lamento não dar nota melhor. Abraços de paz.

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Tudo bem, se der um 4 já está de bom tamanho. 🙂

  13. Angelo Rodrigues
    6 de outubro de 2017

    Olá, cara Karen,

    Gostei do seu conto. Fluido e bem estruturado. Gostoso de ler.
    Minha primeira observação, entretanto, é de que me pareceu desfocado do objetivo do propósito: Terror.
    Quanto ao conto em si, faço algumas observações:
    – Ao iniciar com uma pegada cômica, imaginei que seria dirigido ao terror, mais tarde, mas isso não aconteceu.
    – Bem legal o lance do cara reconhecendo o próprio corpo morto saindo do mar.
    – Idem para a esposa se vendo enterrada.
    – Idem para o cara do posto de gasolina.
    – Já a história do candiru, ainda que boa, por tratar de elementos não alegóricos como as outras anteriores, careceu de verossimilhança, parecendo obliqua em relação às outras, puramente fantasiosas. Que candiru era aquele? Que mal o possuía? A morte no mar, no posto de gasolina ou a simples morte da esposa não carecem de explicação. Aquilo era um fato, gratuito e pronto. Já o candiru… por quê? A inserção deste elemento acaba criando um problema na construção da verossimilhança.
    – Gostei da permanente busca de criar familiaridades com citações de nomes de pessoas, locais, cidades, criando um nível bom de verossimilhança.
    – Como você desenhou o conto como uma sucessão de causos, o conto careceu de camadas e sub-camadas na trama. Não há plots acessórios, subliminares ou correlatos, tornando a narrativa linear. Isto não é mal, mas acaba funcionando como se você só precisasse perceber o conto alguns dedos acima da linha de leitura para compreendê-lo, sem levar a um envolvimento global da leitura. Volto a falar, isso não é mal, é característica, na linha, inclusive de relatos como Decamerão, Canterbury, ainda que condensado.
    – Gostei da leitura, mas achei-o deslocado do propósito.

    Boa sorte e obrigado por compartilhar conosco o seu conto.

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Obrigada por seus valiosos e generosos comentários. Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso. Escrevendo e aprendendo. Abçs.

  14. Luis Guilherme
    5 de outubro de 2017

    Boa tarde, amigo, tudo bem por aí?

    Esse desafio tem um gostinho especial pra mim, amante do gênero, portanto, tô bem ansioso pra ler os contos.

    Dito isto, vamos pro seu conto:

    Olha, sendo sincero, acho que você usou esse conto no desafio errado. No desafio anterior – comédia -, teria sido perfeito, e com ctza minha nota seria bem mais.

    Pq digo isso? Pq adorei seu conto, mas acho que não tem muito de terror. O conto é bem engraçado, e eu dei várias, especialmente na parte que tava uma galera correndo atrás do Mortton que tava morto.. hahahahaha

    Não consigo nem enquadrar em terrir, pois acho que pra terrir, tem que ter um mínimo de elementos de terror.

    Note: não tô reclamando do conto de forma alguma, já que gostei bastante dele. Só quis ressaltar que minha nota seria bem maior em um desafio comédia. Ou seja, pra efeitos práticos, o comentário não muda em nada: ótimo conto. Mas em termos técnicos, a nota sofre um pouco.

    Pra mim, o importante é a experiência a o efeito que o conto causa nas pessoas, então nisso você atingiu o objetivo.

    Parabéns e boa sorte!

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Esse Mortton é de matar. kkkkkk

  15. Fheluany Nogueira
    4 de outubro de 2017

    Enredo e criatividade – Recurso criativo para atingir o número de palavras proposto, este do médium contando vários “causos”: tafofobia, pacto com o diabo, não se saber morto… A história ficou interessante, com esses vários elementos.

    Terror e emoção – bem sutil, a narrativa também está mais para o humor. Boa homenagem aos filmes a que faz referência, mas, em relação a eles, faltou drama, suspense e conexão entre as várias historietas.

    Escrita e revisão – Linguagem coloquial, ritmo ágil, leitura fluida, apesar de meio cansativa no final. Deslizes gramaticais e de pontuação, pouco graves.

    Gostei do conjunto do texto, em especial, da última frase. Abraços.

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Obrigada por seus valiosos comentários. Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso. Escrevendo e aprendendo. Abçs.

  16. Ana Maria Monteiro
    4 de outubro de 2017

    Olá Sá Tenaz. Esse nome vem de tenacidade ou dar-se-á o caso de Satanás ser mais um dos seus primos dispersos aí por esses mundos?
    Bem, eu li vários contos pequenos, mas nenhum micro. Imagino que você não teve propriamente uma ideia para um conto de terror (pela forma de escrever você sente-se muito mais à vontade em comédia, participou?) e então imaginou um médium e suas possíveis histórias, no geral bastante divertidas. O que me parece é que, particularmente uma das duas primeiras, poderia ter servido o propósito do desafio, se apresentada em maior detalhe e com alguns toques de terror.
    Nem lhe digo que faça isso,pois decerto não costuma escrever dentro deste género, mas experimente imaginar o conto a nascer e desenvolver-se todo a partir duma delas. Com toda a certeza não teria tantos comentaristas tão divertidos e a dizer que está no desafio errado.
    Não falarei da revisão e da quantidade de crases em falta, essa sim assustadora – pois todos já o fizeram.
    O conto está bom, bem escrito, imaginativo. Francamente gostei.
    Parabéns por ter participado no desafio. Não creio que vá ficar no Top 10, em virtude de tão boa disposição, mas certamente não será dos últimos.
    Como dar uma nota má? É difícil, particularmente quando este conto acaba por funcionar como um oásis em meio a tanto horror.
    Boa sorte.

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Tenaz ou Tanaz, eis a questão. Realmente na faltou de um conto só com o número de palavras. O jeito foi juntar alguns que estavam guardados e rezar para ninguém perceber. 🙂

      Obrigada por seus valiosos e generosos comentários. Participei do Desafio comédia e nem fui para a segunda fase. A coisa tá feia por aqui. kkkkkkk Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso para a maioria. Escrevendo e aprendendo. Abçs.

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Também posso dizer assim: Tenaz ou Tanaz, depende do que eles querem. kkkkk

  17. Evandro Furtado
    4 de outubro de 2017

    A ideia de fazer uma compilação de histórias é muito boa e funcionou comigo. Essas histórias são interessantes e, inclusive, divertidas. Isso não tira, no entanto, o terror delas. Me peguei de volta no início dos anos 2000, assistindo o programa do Gilberto Barros onde ele visitava casas assombradas acompanhado por videntes. Ah, e claro, lembrei das histórias do Gil Gomes. Bons tempos da televisão brasileira. A forma como você balanceia a história, inserido, mesmo, elementos de comédia, faz com que o texto longo se torne curto e de fácil leitura. Kudos pra você.

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Gil Gomes está fazendo comercial de TV, está muito diferente em nada lembrando os bons tempos. Ele está um terror. Já conto era para ser sobre morrer, não de morrer de rir. kkkkkk

  18. paulolus
    1 de outubro de 2017

    O conto começa prenunciando algo bom, mas logo se perde com os tan-tos episódios descritos tornando um pouco cansativo, no entanto, (aqui peço vênia, pois não assisti ao filme citado, aliás, eu nem sou adepto ao tema terror, nem um pouco) o enredo me agradou muito exatamente por fugir do clichê da assombração para esse gênero de literatura. Os to-ques de humor temperam bem o texto, assim como algumas tiradas do tipo “salvo pelo gongo”. Por outro lado peca nos poucos diálogos que, ao meu ver, impróprio às intenções do texto. Há também alguns erros de português, nada que uma releitura atenta não resolva.

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Obrigada por seus valiosos comentários. Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso para a maioria aqui. Escrevendo e aprendendo. Abçs.

  19. Paula Giannini
    1 de outubro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Você construiu um conto baseado em lendas urbanas contemporâneas. “Pequenas histórias de caráter fabuloso ou sensacionalista, amplamente divulgadas de forma oral, por e-mails ou pela imprensa e que constituem um tipo de folclore moderno.”

    Gosto de lendas urbanas, já, inclusive, montei um espetáculo em 2007, cujo título e tema eram justamente essas histórias que povoam o imaginário popular, no caso, principalmente o urbano. Com texto e direção de Amauri Ernani, o espetáculo atraía bastante público, não à toa. Esse tipo de narrativa costuma instigar o leitor/espectador, pois, além de ser terror, também tem aquele toque de “real” que causa estranhamento e interesse.

    Através desse ponto de vista do fantástico/real, você nos trouxe um texto cujo foco narrativo se dá através da visão de um medium. Dessa forma, o autor não estabelece para o leitor que seu conteúdo se trata de lendas urbanas, visto que assume o papel do medium na primeira pessoa, no caso, o contador de tais relatos, dando “credibilidade” a eles.

    Esse é, para mim, o ponto alto do texto. O modo como você escolheu para focar sua narrativa. Não por construí-la na primeira pessoas, mas por dar uma nova roupagem àquilo que costumamos chamar de “causos”.

    O conto é gostoso de ler, flui bem e, costurado em uma espécie de coletânea de microcontos, consegue manter o interesse vivo no leitor, sem perder de vista o fio condutor, ou seja, o personagem principal, homenagem ao filme “Sexto Sentido”. Do qual, aliás, gosto muito.

    O título nos traz, ainda, uma referência a outro filme igualmente bom. “Os Outros”.

    Outro ponto do qual gostei, foi o finalzinho, quando o autor(a) sugere que o leitor é uma alma do outro mundo para contar suas histórias, ou, indo um pouco além, sendo o leitor vivo, quem está morto é o narrador, costurando, dessa forma, sua homenagem a “Os Outros”.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

    • Keren Sá Tenaz
      18 de outubro de 2017

      Obrigada por seus valiosos e generosos comentários. Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso para a maioria. São análises com a qualidade da sua que nos motiva a participar de todos os Desafios. Escrevendo e aprendendo. Abçs.

  20. Regina Ruth Rincon Caires
    1 de outubro de 2017

    São vários textos, várias histórias. Vieram, em minha lembrança, os “causos” contados lá no sítio, nas noites de velório, de festas. Os adultos se juntavam no terreiro, ao luar, e desfiavam rosários de histórias sobrenaturais. Eu, criança, sempre espreitando, ouvia tudo e depois me lascava de medo.
    Interessante a narrativa toda seccionada. Misturou tudo: medo, suspense, terror e um pouco de comédia. Alguma coisinha a ser arrumada em uma rápida revisão gramatical.
    Escrita fluente, simples, prazerosa. Prende o leitor, principalmente quando vai chegando ao final.
    Parabéns, Keren Sá Tenaz!

  21. angst447
    30 de setembro de 2017

    T (tema) – O conto está dentro do tema proposto pelo desafio? Tem um quê de comédia, suspense, mas vou considerar como terrorzinho básico.

    E (estilo) – Estilo vou-contar-uns-causos, linguagem informal e pegada leve para um conto de horror. O(a) autor(a) parece tender para a criação de textos que prendem atenção mais pelo humor do que pelo terror.

    R (revisão) – Alguns erros passaram pela sua peneira, os outros comentaristas já elucidaram essa questão: rever principalmente acentuação e pontuação. Nada de muito grave.

    R (ritmo) – Bom ritmo, ainda mais quando o texto apresenta-se dividido em microcontos. A tática funcionou bem para deixar a leitura mais fácil e fluída.

    O (óbvio ou não) – Nada de óbvio, mas também nenhuma grande surpresa aterrorizante. Leitura agradável, sem entraves, sem me sentir medo real.

    R (restou) – Admiração pela ousadia de trazer um conjunto de pequenos contos para cumprir o desafio. Gratidão por nos oferecer um refresco no meio de tantos horrores. 🙂

    Boa sorte!

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Obrigada por seus valiosos e generosos comentários. Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso para a maioria aqui. Escrevendo e aprendendo. Abçs.

  22. Antonio Stegues Batista
    30 de setembro de 2017

    ENREDO: Homem que se comunica com mortos e conta suas mortes bizarras. Seria legal se fosse um drama como no filme, O Sexto Sentido, mas o autor optou por um Terror suave, um humor-negro, com situações cômicas.

    PERSONAGENS: Pitorescos, engraçados. Não achei ruins.

    ESCRITA: Escrita simples, sem preocupação com a estética, com o floreio vocabular. Com alguns errinhos, sem muito problemas

    TERROR: Pouco, quase nada. Não senti medo em momento algum, ao contrário, me diverti lendo. As situações são mais absurdas e cômicas, do que terroríficas. Pois é, infelizmente o Tema Comédia já passou.

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Que isso não o impeça de dar pelo menos 4. 🙂

  23. Pedro Teixeira
    30 de setembro de 2017

    Um conto divertido, com certo jeitão de crônica. Me pareceu mais uma comédia do que terror, em alguns momentos entrando no terreno do nonsense, como no trecho sobre o pacto com o diabo. No que se refere à técnica, se não chega a ser brilhante, também não compromete, com boas construções e agilidade na narrativa.

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Obrigada por seus valiosos comentários. Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso para a maioria aqui. Escrevendo e aprendendo. Abçs.

  24. Rafael Soler
    30 de setembro de 2017

    Uma história ágil e de fácil leitura. Gostei da divisão em contos menores e da forma como o texto é tratado com um toque de humor.

    Notei alguns erros de gramática durante a leitura que poderiam ter sido corrigidos na revisão, nada muito grave, mas alguns me tiraram da história.
    Embora tenha gostado da narrativa em histórias curtas, senti que a última parte poderia ter amarrado melhor as anteriores, para servir de coluna vertebral para os micro contos.

    Resumindo: gostei do texto, principalmente pelo ótimo ritmo, mas acho que deixou a desejar na questão da interligação das tramas apresentadas.

    🙂

  25. Eduardo Selga
    29 de setembro de 2017

    Como terror, é um bom conto de humor sem grande brilho em sua construção. O tom coloquial e a agilidade do texto conseguem angariar facilmente a simpatia do leitor, mas há algumas inconsistências. Por exemplo, “Preferiram leva-lo para o hospital mais próximo, que nem era na Paraíba, era em Piranhas, no estado de Alagoas”. Acontece que entre um estado e outro existe Pernambuco. O ´personagem viajou muito para ser “o hospital mais próximo”.

    Muitos problemas no uso da vírgula, como em “[…] percebeu variações na corrente marinha. Ora quente. Ora fria”. Para expressar a ideia de alternância deveria ser ORA QUENTE, ORA FRIA; no trecho “Continuou nadando em direção a boia certo de que nada poderia dar errado […]” faltou vírgula após a palavra BOIA, além da crase antes da mesma palavra.

    No trecho “Que lugar para marcar encontro?” a interrogação é equivocada, pois não se trata de uma pergunta e sim de estranheza. Deveria ser exclamação ou a mescla de exclamação com reticências.

    • Keren Sá Tenaz
      18 de outubro de 2017

      Obrigada por seus valiosos e generosos comentários. Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso. Escrevendo e aprendendo. A propósito, inicialmente pensei em reescrever o conto e ajustar essa distância até o posto de saúde em outro estado, mas depois pensei que isso dá um charme a mais ao conto. rs rs Abçs.

  26. Olisomar Pires
    28 de setembro de 2017

    Impacto sobre o eu-leitor: baixo, médio.

    Narrativa/enredo: o personagem-narrador alega conversar com mortos e conta histórias dessa convivência.

    Escrita: boa, leve, fluida.

    Construção: é um bom texto cômico. Foi divertido ler, o autor está de parabéns, mas analisando para o desafio em questão não vejo muita vida.

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Obrigada por seus valiosos comentários. Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso. Escrevendo e aprendendo. Abçs.

  27. Edinaldo Garcia
    28 de setembro de 2017

    Escrita: Goste bastante do estilo da narrativa. É uma prosa leve, de leitura agradável. Acho sim que terror e humor podem andar juntos tendo picos para ambos. Trata-se de um texto espírita e, embora eu não compartilhe da mesma, isso não influencia em nada a minha opinião. Há romances espíritas muito bons.

    Terror: Há terror sim, talvez não o tempo todo e em todas as estórias. Eu mesmo, por exemplo, nunca vou nadar em nenhum rio em Tocantins. Assustador! O relato da Maria é tão bem construído que soa como lenda urbana. O nadador que vê o próprio corpo ficou legal o final, embora não há terror neste relato. O morto que foge do caixão foi genial; acredito que o sujeitinho não era querido por ninguém, hein? hehe. Morto ele fazia mais gente feliz. hehehe. Achei interessante a do pacto com o diabo, soou cético, acho até que tivemos uma aulinha de doutrina espírita.

    Nível de interesse durante a leitura: Senti total imersão na estória/estórias. Todos os relatos bem contados. Linguajar simples e pegado na medida certa, num tom de que estamos ouvindo realmente o relato.

    Língua Portuguesa: Ótima. Há um “entende-lo”, no lugar de “entendê-lo”; e um “Eu e Afonso”, que seria “Afonso e Eu”. É eu sei que foi viadagem minha mesmo.

    Veredito: Arroz com feijão, tudo bem temperadinho, e um bifão suculento.

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Obrigada por seus valiosos comentários. Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso para a maioria aqui. Escrevendo e aprendendo. Abçs.

  28. André Lima
    28 de setembro de 2017

    Ideia ousada a de subdividir o conto em microcontos, mas o tema geral, a coluna vertebral do conto, não é uma ideia autêntica, ela foi emprestada do filme O Sexto Sentido.
    Por mais que a ideia tenha sido interessante, a linguagem não foi a adequada. Arte é experimentação de linguagem, ideias por si só não bastam, ou seja, é preciso saber transmitir.

    Será mesmo que essa linguagem, recheada de informalidades, é a mais adequada para um conto de terror? Para mim, não. Não me causou terror algum. Em alguns trechos eu me caguei de rir, isso sim. O objetivo não foi alcançado.

    Algumas informações contrastam com o clima do terror, cito aqui duas: “Naquele tempo não tinha Uber e como o táxi não parava entrou no primeiro ônibus para o Centro.” (Frase totalmente descartável) e quando fala sobre as “UPA’s” (acho que só existem no Rio).

    E o trecho do peixe entrando no rabo eu me recuso a comentar.

    No geral, a ideia é boa, mas a linguagem foi inadequada.

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Obrigada por seus valiosos comentários. Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso. A propósito, ter um peixe entrando no rabo deveria ser aterrorizante, mas já que você se recusa a comentar… 🙂 Abçs.

  29. Andre Brizola
    28 de setembro de 2017

    Salve, Keren!

    É bem divertido, de fato! Mas aí acaba sendo esse um problema num desafio de contos de terror. A história de José, sozinha, contada do ponto de vista dele, morto, poderia ser algo muito aterrorizante, por exemplo. Mas aqui, reunida com todas as outras, acaba sendo uma coletânea de “causos do medium”, que mesmo que apresentasse terror em um deles, não o enquadraria necessariamente no gênero.
    Normalmente não me incomodo com a qualidade gramatical do texto, mas a falta de vírgula em alguns pontos me deixou incomodado. Como em “— Não Moreno”, por exemplo. Faltou revisão mesmo.

    É isso! Boa sorte no desafio!

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Obrigada por seus valiosos comentários. Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso. Escrevendo e aprendendo. Abçs.

  30. Fabio Baptista
    28 de setembro de 2017

    Olá, autor(a)

    Eu gostei do seu conto, foi uma leitura rápida, sem entraves, que me trouxe entretenimento e curiosidade. O recurso de subdividir em pequenos contos é arriscado, mas aqui funcionou bem, porque as hisórias são boas e conseguem manter a atenção sem deixar a peteca cair.

    Infelizmente a pegada ficou mais para Zibia Gaspareto do que terror. A única coisa que passou perto de despertar algum medo foi a imagem (que não conta na avaliação). Pensei que no final, com a questão do pacto (aliás… bem sem sentido essa decisão de fazer o tal pacto) o terror bateria mais forte e toda a leveza anterior serviria como uma armadilha para o leitor relaxar e ser pego de surpresa… mas também não rolou.

    – bem depois e que se deram
    >>> é

    – e o maior problema seriam as piadinhas do pessoal de Bichabal
    >>> ter dor no ânus nessa cidade não parece ser um grande problema… kkkkkkkkkk

    – Candiru
    >>> fui pesquisar e a wikipedia trouxe essa pérola: “Ele é muito temido pelos nativos da região do Tocantins. O peixe que tem perfil aerodinâmico de um supositório”

    – UPA / A catalepsia é uma condição rara
    >>> essas explicações do narrador foram desnecessárias.

    – salvo pelo gongo
    >>> pensava que era por causa da luta de boxe!

    – A pior coisa é você achar que a mulher vai dar e descobrir que quem ia dar era a outra: a irmã, a prima, a amiga feia, menos ela, a escolhida.
    >>> só li verdades! hahhahuaa

    Abração!

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Obrigada por seus valiosos comentários. Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso. Escrevendo e aprendendo. Abçs.

  31. Nelson Freiria
    28 de setembro de 2017

    A comparação inicial parece querer sobrepor o conto ao filme, sinceramente, não me agradou essa escolha, ela simplifica um tanto as coisas que deveríamos sentir ao ler o conto.

    O avô do narrador está morto, mas bebe vinho e come queijo? aheahauha interessante, então, ou existe alimento no plano espiritual, ou os espíritos podem comer os alimentos do plano físico. Essa passagem é confusa.

    Temo aqui um verdadeiro justicieiro: “O assalto seria uma forma de vingança e também de reaver os direitos trabalhistas perdidos.”

    O conto tem um clima bem light, ele se acerca do tema, mas não induz o leitor a sentir medo, ou tensão, apenas conta histórias baseadas na morte de outras pessoas, que não aterrorizam nem mesmo o narrador que nos conta tais histórias.

    Alguns detalhes dessas histórias soam inverossímeis justamente para demonstrar que se tratam de espíritos, mas isso também acarreta alguns “furos” que poderiam ser consertados para causar o mesmo efeito do filme O Sexto Sentido, mas isso não acontece.

    4412 palavras, 30 minutos para ler e comentar, mas ler esse diálogo não tem preço:

    “—Aííííííí.

    —O que houve José? — Perguntou-lhe a prima.

    —Alguma coisa entrou no meu rabo.”

    Momentos como esse jogaram o conto completamente para fora do tema proposto pelo desafio, se o texto não se enquadra na proposta… Enfim, ele teria sido um bom conto para o desafio anterior.

    • Keren Sá Tenaz
      13 de outubro de 2017

      Assim como o vidente do filme o Sexto Sentido, meu narrador também vê mortos o tempo todo e até conversa com eles. Fora isso não há qualquer obrigação ou indução de ser um cover do Sexto Sentido. Essa conclusão foi sua. Em ralação aos mortos comerem e beberem, deve ser assim, se não fosse não colocariam despacho em encruzilhada (no Brasil) ou comida para os antepassados (na Ásia e Oceania). Obrigada por seus valiosos comentários. Não era para ser comédia, mas me parece que o estilo narrativo fez parecer isso. Escrevendo e aprendendo. Abçs.

  32. Zé Ronaldo
    28 de setembro de 2017

    Cara, foi um dos melhores contos de se ler por conta dessa subdivisão em microcontos. Leitura fácil e deliciosa. Muito bem pensada a ideia da trama. Gostei muito da criatividade das histórias narradas.
    O final foi muito inteligente e interessante, trazendo o leitor para dentro do texto e o transformando em personagem. Mais interessante ainda é, indiretamente, dizer que o leitor está morto. Isso foi genial, Quanto ao aspecto ortográfico, cara, há um monte de verbo pronominal foi acentuado (alcança-lo, leva-lo etc) e vi um erro de concordância também “(…) um grupo de fortões mais corajosos pegaram-no (…)”.
    Outro problema bem grave, meu amigo, é que teu conto não gera terror nenhum, a não ser pelo conto do morto que se levanta do caixão, mas as outras historietas não apavoram, nem aterrorizam.
    Apesar de tudo, eu gostei do texto, como um todo, se não se levar em conta o aspecto aterrorizante que é inexistente no texto.

    • Fernando.
      13 de outubro de 2017

      eita, é bem mais do que isto. Fica tranquilo. kkkk

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Informação

Publicado em 27 de setembro de 2017 por em Terror.