EntreContos

Literatura que desafia.

Segredos Venenosos (Sigmund)

I

No verão de mil novecentos e noventa e sete, Clarisse, aos onze anos de idade, finalmente sentiu a falta do pai. Não havia sentido antes, pois tio Antônio havia ocupado o local da figura paterna, mas naquela noite, próxima à oficina, agachada na mata, rezando para não ser encontrada, temeu enquanto ouvia o vento silvar e balançar as árvores; sentiu falta de uma proteção de fato paterna, de sangue, proteção esta que tio nenhum era capaz de oferecer.

Clarisse não se recordava de seu pai. Foi-se muito cedo, quando a filha tinha apenas dois meses, foi vítima comum da violência urbana do Rio de Janeiro. O inspetor de polícia Anselmo da Costa foi alvejado duas vezes, um tiro atingiu sua lombar e o outro, o da sentença máxima, o perfurou a nuca, o que o fez bater no chão já sem vida. Se não fosse tão jovem, Clarisse lembraria com clareza dos rostos abatidos se preparando para o funeral e das tentativas lúdicas de distorção da realidade.

— Seu papai viajou. disseram para um bebê que nada compreendia. Talvez… Talvez retorne um dia.

E foi na mesma semana que Rosemary e sua filha se mudaram para Angra dos Reis, na mata, próximo à rodovia federal. A mulher e a filha chegaram sozinhas na propriedade de Antônio. Rosemary nunca havia visitado o irmão, mas observou sem muita atenção o que a rodeava. Viu o matagal, as árvores altas, a casinha pequena e, após fazer a varredura com os olhos, recebeu um abraço… O simbólico abraço apertado de Rosemary e Antônio, o abraço no instante seguinte que a mulher soltou a mala no chão de terra e desabou a chorar. Após isso, Antônio, o sujeito quase careca, de trinta e sete anos, sobrepeso, tocou o rosto do bebê e sussurrou:

— Aqui é sua nova casa, querida. Seja bem-vinda.

A menina cresceu normalmente na casa de Antônio. Teve uma infância pobre como todos que moravam na mata (Como era conhecida aquela região de Angra dos Reis). A mãe, vez ou outra, ia até a cidade para fazer alguns trabalhos como diarista, mas a medida em que a menina crescia, em vez de seguir o curso natural das coisas, parecia que a depressão abraçava cada vez mais Rosemary. Será que não havia superado a morte do marido? De certa forma, o rosto melancólico e a preguiça patológica começaram a impedi-la de trabalhar. Dependiam, portanto, do sucesso da pesca de Antônio que, àquela altura, já possuía dois barcos de pesca. Antônio as vezes passava a semana fora, retornando apenas aos sábados, mas havia semanas que retornava dia sim, dia não. Seu retorno era motivo de alegria para Clarisse, pois a agitação do tio afastava a aura melancólica que se apoderava da casa.

Na medida em que a menina crescia, as dúvidas acerca de seu pai biológico naturalmente surgiam. A mãe nunca adotou uma postura super-protetiva, de sorte que a verdade sempre fora dita para sua filha. “Seu pai foi executado por um bandido”, disse certa vez, “era um grande homem e cumpria muito bem o seu papel como policial, mas infelizmente coisas horríveis acontecem. Por isso viemos morar com tio Antônio. O Rio não é seguro, minha filha, e aqui temos todo o suporte do seu tio. Eu entendo que andar alguns quilômetros para ir à escola seja ruim, mas aqui me sinto segura. Você compreende, não é?”. E a menina tinha uma compreensão limitada pela idade, evidentemente. Fantasiava de vez em quando em como seria o Rio de Janeiro, a aparência de seu pai, a profissão… Até que certa vez sua mãe lhe mostrou uma foto, rasgada pela metade, a única que havia sobrado de Anselmo. E a menina pôde ver, maravilhada, o belo homem que era seu pai. Ele estava ali, em suas mãos, na foto rasgada, ao lado de Rosemary. Clarisse gostaria de carregar aquela foto como um amuleto, mas a mãe a retirou das mãos da menina logo em seguida, com a justificativa de que olhar demais para o passado nos fazia esquecer do futuro.

E Clarisse era uma menina ainda mais linda que seu pai. Era admirada constantemente por Antônio que a comparava com a beleza do Vulcão Osorno (Que havia visitado quando era jovem) dos Lagos Andinos chilenos. Sua pele branca o lembrava do manto de neve e da vista estonteante que um jovem nascido no país tropical jamais sonharia em ver; os cabelos curtos davam uma impressão de fragilidade, mas, tal como Osorno, a fragilidade era apenas aparente, pois Antônio sabia da força oculta que Clarisse carregava.

— É incrível como você fica mais bela a cada dia que passa. disse certa noite, quando Clarisse tinha dez anos. Vai se tornar uma mulher tão bela quanto sua mãe.

A menina balançava levemente as pernas na cadeira da cozinha.

— Obrigada, pai. ela se desconsertou com as palavras que escaparam da boca.

— Não precisa se preocupar, Clarisse. Você pode me chamar de pai, se quiser.

Mas a menina não queria. Mesmo que Antônio fosse sua referência paterna, Clarisse achava que seria um desrespeito à memória de seu pai biológico se lhe fosse retirado esse título.

— Posso te contar uma coisa? perguntou. Mas você não pode dizer a ninguém.

— Um segredo, é?

— Sim… a menina observava os próprios dedos. Eu não acho minha mãe bonita.

O tio não conseguiu conter a gargalhada. Enquanto afagava os cabelos de Clarisse, disse:

— Sua mãe não está nas melhores condições. Ela era linda quando mais jovem, mas está doente agora… Você sabe… Por tudo que aconteceu.

— Meu pai, certo?

O tio assentiu. Após alguns segundos, ele quebrou o silêncio:

— Você sente falta dele?

A menina refletiu.

— Não. Eu não consigo me lembrar dele… Eu sei apenas o que vocês me dizem. É esquisito. Eu não lembro de nada, apenas de…   Clarisse se afastou do tio enquanto olhava para os pés. Deixa pra lá, é bobeira…

— Não, diga. Eu não vou achar bobeira. Prometo.

— Eu acho que… Clarisse relutava com as palavras. Me lembro do toque dele… De suas mãos me segurando. Eu consigo me lembrar da sensação…

Antônio a observava com atenção.

— Isso… Isso é incrível, Clarisse.

Clarisse nunca soube se a lembrança era de fato real ou apenas fruto da imaginação. O pai sempre fora uma figura mística para ela, sempre esteve presente em seu imaginário, embora a falta real não fosse de fato sentida. A frieza com que lidava com a situação era um pouco assustadora, mas era apenas um mecanismo de defesa, uma armadilha psíquica que estava pronta para se desarmar em algum momento inoportuno. Ela vivenciava experiências oníricas fascinantes, muito por conta do trauma familiar vivido, acreditavam. Seus sonhos eram sempre muito reais, com sensações amplificadas, intensas. Ora gozava de felicidade extrema ou de um excelente sabor de um sorvete de morango, ora de um terror absoluto, de um medo imperativo. De todos os sonhos labirínticos que experimentava, um pesadelo recorrente era o mais enigmático e assustador. Acontecia sempre da mesma maneira: ela acordava, no sonho, se sentava na cama e via, na penumbra de seu quarto, um menino sentado de costas ao pé da cama. O menino era iluminado apenas por um rastro de luz que saía da janela do quarto. O menino sussurrava algo inaudível, abafado e Clarisse sentia seu corpo quase paralisado. Sentia medo do menino, mas fazia um esforço homérico para tentar esticar os braços e virá-lo para finalmente ver seu rosto e conseguir entender o que ele dizia, mas seu corpo não respondia. Então um calafrio se seguia de um peso no peito e de sensações de cócegas torturantes nas axilas, o medo crescia na medida em que seus olhos iam fechando e as cócegas aumentavam… Até que se despertava com o coração acelerado e nenhum menino no pé da cama. Esse pesadelo a acompanhou durante toda a infância. Havia épocas em que o tinha todas as noites, mas também havia épocas em que se passavam semanas sem tê-lo. Mesmo quando seu quarto fora construído, o pesadelo a acompanhou, mudando agora o cenário. Antes, ela despertava (em sonho) no quarto que dividia com sua mãe, mas agora o cenário era seu próprio quarto.

O quarto foi construído por João Damasceno quando Clarisse tinha oito anos. João era o vizinho mais próximo da propriedade de Antônio. Era alto e esquelético, ostentava um bigode e andava sempre de boné. Era sempre visto de calças jeans, sandálias e camisas velhas. O pobre João, embora fosse extremamente magro, era muito prestativo. Semianalfabeto, era expert em eletricidade e trabalhou também como pedreiro, chegou a ser chefe de almoxarifado em uma obra em Angra dos Reis. Casou-se com uma amazonense que conheceu na época que trabalhou em uma obra em Iranduba, cidade próxima a Manaus. Trouxe-a ao Rio de Janeiro quando a obra acabou e construiu sua casa na mata de Angra no terreno que foi herdado de seu falecido pai. “Quem compra terra, não erra”, dizia o falecido, cujos investimentos eram feitos todos em terras, desde terrenos em Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro até um terreninho em Silva Jardim. João, filho único, cansou-se de trabalhar com construções e decidiu vender os terrenos e repousar em Angra, fazendo alguns bicos como eletricista e mecânico de automóveis. Antônio então resolveu contratar os serviços de João. Em troca de alguns trocados, João Damasceno aceitou construir o quarto de Clarisse e reformar o banheiro. Clarisse se lembra de diariamente observar admirada o trabalho do homem. Fez até um novo amigo, Ícaro, o filho-único que Damasceno vez ou outra levava para a casa de Antônio.

— Você tem uma oficina grande aqui, Toni. disse João, sujo de cimento, em um dos dias em que trabalhou na obra do quarto.

— É grande mesmo. É o espaço em que meu pai costumava trabalhar.

— Cê não pensa em trabalhar? Podemos fazer uma parceria. Eu te ensino algumas coisas, se você não souber. Botamos umas placas na rodovia, ocê divulga na cidade quando for vender e a gente faz um dinheirinho.

— É de se pensar…   respondeu Antônio.

Mas o negócio não chegou a passar da primeira semana. Por um motivo desconhecido por Clarisse, João e Antônio brigaram e romperam relações. “Coisa de adultos” disse certa vez para Ícaro, o menino que parecia um indiozinho. A briga dos adultos parecia irracional para a menina. Como na vez em que voltou para a casa no verão de noventa e sete após passar o dia brincando com ele.

— Onde você estava? perguntou tio Antônio.

— Na casa do Ícaro.

Antônio remendava a rede de pesca enquanto mexeu a cabeça em desaprovação.

— Eu não vou te proibir de brincar com Ícaro, pois isso seria ilógico e você daria um jeito de me desobedecer, mas eu não gostaria que você criasse laços com aquela gente.

— Por quê?

— Porque são mentirosos. o tio levantou da poltrona com a rede nas mãos. Olhava com autoridade.   Você não deve acreditar nunca no que João diz. Ele me enganou. Tampouco deve acreditar no filho dele. Você me entendeu? A mentira é como um veneno no corpo da gente. Ela vai se espalhando até o dia em que nos consome. E aquela família é uma família de mentirosos.

Clarisse assentiu, temendo porque se lembrou de que já havia mentido antes.

Naquele mesmo verão, durante as férias escolares, Clarisse foi depositar um desenho que havia feito para a mãe e, ao repousar papel e caneta em cima do gaveteiro, a caneta rolou e caiu atrás dele. A menina arrastou o pesado móvel antigo sozinha, enquanto sua mãe se banhava. Por fim, conseguiu encontrar a caneta no meio da poeira acumulada, mas lá encontrou também uma fotografia com o verso marcado a caneta com a data 24/12/1985, dez dias após seu aniversário. Ao virar a fotografia, reconheceu, em preto e branco, seu pai ao lado de sua mãe, um bebê, que julgou ser a si mesma, no colo da mãe e… um menino? O menino estava ali, sorrindo, na frente do pai… Sua expressão era diferente, ela se lembrava de já ter visto alguém parecido, com expressão tão familiar. E então se recordou de sua professora e seu filho que tinha síndrome de… Como era mesmo? Síndrome de Down. Sim, o menino que estava na foto era, certamente, um down. Um menino sorridente olhando para ela, com a mão de Anselmo repousando em seu ombro. Quem diabos seria esse menino? Clarisse ouviu um barulho no banheiro. Era sua mãe. Rapidamente empurrou o pesado gaveteiro para sua posição original, guardou a fotografia e saiu do quarto.

 

II

Clarisse passou a noite pensando naquela fotografia. Foi uma descoberta quase tão impactante quanto a vez que, a procura da foto rasgada, vasculhou as coisas da mãe e encontrou o atestado de óbito do pai. Extremamente impressionada com a narrativa da causa mortis, Clarisse passou a sonhar com Anselmo novamente, mas não aquele pai alegre e belo da fotografia, mas sim o homem estraçalhado pela bala, com sangue nas costas e com o crânio partido pelo projétil. Era constante que acordasse em sonho e visse seu pai ao seu lado, com o cérebro escorrendo pela nuca e um olhar vazio; e no pé da cama o menino… Seria o menino da fotografia encontrada?

Quando tio Antônio estacionou sua kombi após um longo dia de trabalho, Clarisse decidiu sanar suas dúvidas.

— Onde você encontrou isso? o tio segurava a fotografia e olhava fixamente para a sobrinha.

— No quarto da mamãe, atrás do gaveteiro velho.

Antônio rasgou a fotografia e guardou os destroços no bolso da camisa, a menina parecia não entender.

— Olhe para mim. disse seriamente à sobrinha. Nunca, em hipótese alguma, me pergunte novamente sobre isso. Você me entendeu?

— Eu só queria saber…

— Cale a boca! Antônio segurava com força o braço da menina, o olhar ameaçador era apavorante. Estou falando sério. Nunca mais pergunte sobre essa pessoa, não comente com ninguém sobre essa fotografia, essa pessoa nos causou muito sofrimento. Se você falar alguma palavra sobre ele, eu juro que terei que te enfiar a porrada até você virar a porra de uma aleijada. Você me entendeu?

Clarisse nunca havia visto o tio tão transtornado e ameaçador. Cada palavra a fazia tremer da cabeça aos pés, de modo que, em meio a tanto medo, não conseguiu se controlar e se urinou. O tio, ao ver a cena, a soltou.

— Acho que você me entendeu. a menina ainda olhava como se estivesse catatônica. Oh, Clarisse… Me desculpe… Clarisse começou a chorar e tremer enquanto o tio a abraçava, protegendo-a do homem que fora alguns segundos antes. Eu apenas… Eu apenas quero te proteger e proteger a sua mãe… Me perdoe por ter sido tão duro. Mas esse é nosso segredo, está bem? Você não deve contar para ninguém. É nosso segredo. Agora vá se lavar.

Mais tarde, a menina foi se deitar ainda perturbada pelo acesso furioso do tio. Quando o medo deu lugar à sensação irresistível do sono, adormeceu. E sonhou. Novamente em seu sonho recorrente, em seu pesadelo que a atormentava por anos, quando abriu os olhos e viu o rosto mutilado de seu pai olhando o vazio, deitado ao seu lado, o sangue escorrendo pela nuca, sentou-se na cama. E lá estava o menino de costas, iluminado com dificuldade, sentado no pé da cama. Se o visse trezentas vezes, trezentas vezes teria o mesmo arrepio incontrolável e o mesmo impulso insensato de vira-lo para descobrir o seu rosto. Foi aproximando a palma esquerda do ombro do menino, ainda com dificuldade. Mas dessa vez, a paralisia não ocorria totalmente, de modo que a menina prosseguia por onde jamais havia prosseguido antes e, quando tocou o ombro frio do menino, o óbvio ocorreu e, ao vira-lo lentamente, foi-se revelado o rosto familiar, o mesmo do retrato encontrado, o medo daquele menino especial, com um sorriso abobado e um olhar pungente, crescia, o corpo sufocava na visão daquele ser incauto, com aquela aparência tão típica, de olhos oblíquos. Ele não tentava mais falar, apenas a observava com um sorriso bobo ou lúgubre, não sabendo ao certo.

E Clarisse despertou com o coração acelerado, como sempre. Abriu os olhos devagar, ainda sentindo resquícios das sensações do sonho. Quis acender a luz, pois estava com medo. Mas quando sentou-se na cama, o viu. Viu a silhueta do menino de pé ao lado da cama, o rosto lutando contra os mantos das trevas para ser visto. O grito de terror se sufocou com o medo paralisante e Clarisse só pôde se deitar novamente, cobrir a cabeça com o lençol e ficar em posição fetal. Ouvia os barulhos da noite e ainda era capaz de sentir a presença do menino. Passou a noite sem ter coragem de olhar novamente, preferindo ignorar se era apenas uma manifestação onírica, mas sabia, no fundo, da realidade daquele fato. Quando já era dia, ouviu o barulho do motor da kombi e conseguiu, finalmente, olhar para fora do cobertor. O menino já não estava lá.

Essa experiência se repetiu por todas as noites seguintes. Quando ia se deitar, Clarisse o via e o sentia, sempre ao lado da cama. Quando se virava, sentia-o próximo à sua nuca, como a bala que estraçalhou a cabeça do pai. Sentia, deitada em sua cama, a mão do menino quase tocando seu corpo, o sorriso bobo, a presença fúnebre. Em momentos de coragem, o olhava por entre a conversa e via a boca se movendo, mas sem emitir som algum que ela pudesse captar. Acostumou-se com a rotina e acabava por ser vencida pelo cansaço, adormecendo e tendo sonhos confusos, como o que se via uma porta nunca antes vista. Por medo da reação do tio, mantinha tudo em segredo. O sofrimento calado fez com que ela caísse em uma melancolia similar a da mãe. Apenas duas semanas depois se sentiu apta para comentar sobre.

Não havia encontrado Ícaro nesse meio tempo. Quando finalmente arranjou forças para sair de casa, encontrou-se com o garoto no meio do caminho entre as casas. Sentaram-se em uma pedra e ficaram observando o nada por longos minutos. Havia algo em Ícaro, um conflito psíquico perceptível, um enigma intrigante por dentro daqueles olhos castanhos.

— Você tem segredos? perguntou Ícaro, quebrando o silêncio. Estava com saudades da amiga.

Como ele poderia imaginar o que Clarisse estava sentindo?

— Tenho. Alguns.

— Eu também…  – o menino estava com um olhar angustiado.   Se você me contar um segredo, eu te conto um.

Clarisse pensou. Queria, mas não sabia se devia contar tudo que estava passando.

— Você primeiro. – sugeriu.

Após refletir um pouco, Ícaro contou:

— Eu mexo na espingarda de caça do meu pai de vez em quando, mesmo ele me proibindo de fazer isso.

Clarisse sorriu ainda triste.

— Sua vez. – Ícaro ordenou.

— Acho… Acho que estou enlouquecendo…  – a menina sentiu uma pontada no coração.  – Estou vendo algumas coisas a noite, antes de dormir. Acho também que tive um irmão que morreu, assim como meu pai, mas por algum motivo minha família me esconde isso.  – ela se arrependeu de ter compartilhado.  – Sua vez de novo.

Ele olhava para o chão quando uma lágrima tímida escorreu pela maçã do rosto. A voz trêmula dizia:

— Eu tenho… Um segredo… Que adoraria dizer… – o choro irrompeu com uma dor real que Clarisse podia facilmente captar. – Mas que não consigo…

Clarisse já tinha segredos demais para lidar. Não insistiu e ambos mergulharam em minutos de silêncio quebrados por soluços de choro.

 

III

Durante as outras noites, o sonho confuso se repetia com mais frequência, até a noite em que ela facilmente visualizou a porta, o menino e a oficina do tio. Entendeu aquilo como um sinal, como uma comunicação. Decidida, foi em busca de respostas na manhã seguinte. Saiu do quarto e foi em direção à oficina ainda pensativa. Ao entrar, atravessou a porta ao final da parte principal, nunca havia ido tão longe. No corredor que se sucedia, viu um banheiro a direita e um quartinho cheio de tralhas e estantes. Entrou no quartinho malcheiroso – o cheiro não era identificável – e pôde contemplar a porta, ao lado de uma das estantes. Era ela, sem dúvidas. Como poderia ter sonhado sem nunca antes ter visto a mesma? Era idêntica à do sonho, com as mesmas marcas, a mesma cor. Sua mão tocou a maçaneta, o coração batendo acelerado. O que será que encontraria do outro lado? Quando a maçaneta foi girada, a frustração veio. Estava trancada.

— O que está fazendo?

Clarisse gritou com o susto levado, virou-se rapidamente e viu sua mãe. Rosemary segurou o braço da filha e a arrastou para fora da oficina. “Venha, antes que seu tio te veja aqui”. A garota tentava se soltar, sem sucesso.

— Me solte, mãe. Me solte!

— O que você queria ali?

— Apenas… Apenas ver o que tinha naquela porta.

— Não… – o olhar da mãe era um misto de terror e súplica. – Você está proibida de se aproximar daquela porta.

— Por quê? Estou cansada disso, o que há naquela…

— Eu não sei! – Rosemary segurava as mãos da filha com força, os olhos se enchiam de lágrimas. – Por Deus, eu realmente não sei. Eu apenas posso imaginar. Entenda… Há um segredo lá dentro, uma coisa horrível. Você não quer ver, você não pode ver. Me prometa que não vai voltar lá.

— Não! – a menina se desvencilhou da mãe. – Estou cansada de segredos. Eu… Eu descobri sobre… Sobre o menino com síndrome de down.

A expressão da mãe mudou de medo e súplica para medo e surpresa.

— Como…

— Eu encontrei uma foto antiga. Meu tio rasgou a foto e disse que era segredo. Quem é esse menino?

A mãe parecia relutar, mas algo fez com que se rendesse.

— Está bem, você quer saber… Esse menino era seu irmão. Seu irmão mais velho. Ele morreu em um acidente de carro algumas semanas depois de virmos morar aqui.

— Eu não entendo. Por que isso seria um segredo?

Rosemary chorava e balançava a cabeça.

— Porque seu tio estava dirigindo. A lembrança causa sofrimento a ele… Acho que ele… Acho que ele se culpa. E eu quis te poupar também. Já não é horrível ter perdido o pai?

— E o que essa história tem a ver com a porta?

— Não há nada a ver com a porta.

— É o corpo do meu irmão que está lá dentro?

Rosemary parecia não acreditar no que ouviu. Furiosamente golpeou o rosto da filha com as costas da mão.

— Não diga coisas desse tipo. Eu não sei o que há naquela porta, mas você tem que me prometer que esquecerá de tudo isso. Vamos tentar viver uma vida normal, é tudo que peço. Você me promete?

— Prometo, mamãe.

Mas ela estava mentindo. Precisava exorcizar os fantasmas, precisava encontrar as respostas e reconstruir o seu passado. Ela tinha uma forte intuição de que encontraria o corpo do irmão ou qualquer outra coisa relacionada a ele, mas já estava preparada psicologicamente para o que quer que fosse – nada se comparava à angústia que estava sentindo. Observou que o tio sempre deixava um molho de chaves pendurado na cozinha, entre as chaves estava a da porta principal da oficina. Provavelmente a outra chave da porta enigmática estaria lá. Ela estava decidida: iria abrir aquela porta durante a madrugada.

 

IV

Clarisse obviamente não conseguiu dormir naquela noite. Não foi visitada pelo fantasma do seu irmão, fato que não a surpreendeu. Aguardou ansiosamente que a madrugada se estendesse. Quando olhou pela janela e ouviu apenas o som dos grilos, percebeu que era o momento. Foi sorrateira até a cozinha; passou com cuidado pelo quarto da mãe, mas… As chaves não estavam lá. Deviam estar! Ela viu o tio repousando as chaves no pequeno gancho da cozinha, mais cedo. A porta da cozinha estava aberta e Clarisse decidiu prosseguir até a oficina mesmo assim.

Foi andando cautelosamente pelo caminho escuro, sempre observando por cima dos ombros para se certificar de que não estava sendo seguida novamente. Ao se aproximar da oficina, ouviu o som de uma voz abafada, lá dentro. Alguém estava lá. Meu tio? Pensou. Não quis ser vista, por isso foi até a parede lateral e subiu nos caixotes para conseguir observar pela janelinha. Era bem pequena, mas ela conseguia, aos poucos, decifrar o que enxergava. A oficina estava iluminada por uma fraca luz de vela. Colocou as duas mãos em suas têmporas e tocou o nariz no vidro para enxergar melhor. Havia um menino ali, parado, em pé, no centro da oficina, a expressão catatônica de rendimento, um adulto ainda falava, mas Clarisse não conseguia entender… O menino estava… Nu? Sim, Clarisse pôde ver, estava nu, estatelado, entregue… É o Ícaro. Ela o reconheceu e teve, no mesmo momento, uma injeção de adrenalina em seu corpo. Já temia pelo que se sucederia. O homem que o rodeava se abaixou e finalmente Clarisse pôde ver o rosto de tio Antônio. E pôde acompanhar a viagem de sua mão impura percorrendo o todo o corpo do menino, pôde ouvir o sussurro e ver os beijos imundos no pescoço de Ícaro. Quando ela já estava fechando os olhos em repulsa, Antônio parou. Saiu de cena como se fosse buscar algo. Ela estava tremendo. Sabia que Ícaro a tinha visto, mas o menino permanecia imóvel, a respiração rápida. Clarisse não sabia se deveria bater no vidro, correr, entrar na oficina, ajudar Ícaro… Estava com medo, muito medo. E se meu tio me viu? E se…

— Ah, Clarisse… – a voz do tio a perfurou como uma faca gelada. Ela se virou e o viu. Ele segurou em seu calcanhar com uma mão e ostentava um facão de em outra. – A que ponto chegamos.

A menina se virou para a janela e Ícaro já não estava mais lá. Quando tentou se desvencilhar, Antônio a puxou com toda a força. Ela bateu o rosto no caixote, quebrou um dente, rolou pelo chão e sua perna, girando, conseguiu sair do aperto da mão do tio. Com alguma força sobrenatural, ela conseguiu se levantar rapidamente e correu em direção a mata, correu com todas as forças, quase tropeçando. Ouvia a corrida do tio em seu encalço e a voz irônica:

— Clarisse, minha flor, não te farei mal algum.

Ziguezagueando rapidamente pela mata, Clarisse chegou próximo a pedra onde conversara com Ícaro e, cansada, se escondeu ali. Percebeu que a boca estava sangrando. Rezou, como se tivesse em mãos a foto do pai. O que Anselmo faria naquela noite para protegê-la? Por que fora tão desgraçada pela vida?

— Tudo bem, Clarisse…  – ouviu ao longe, após alguns minutos de oração. – Você descobriu um segredinho meu. Deve estar com medo. Olha, eu prometo que não farei nada igual com você. Eu não gosto… de… meninas… Se você prometer guardar segredo, eu nem precisarei matá-la.

O silêncio veio perturbador. Papai, me ajude.

— Aí está você. – o homem saiu da mata com o facão. – Não corra, querida. Minha flor, você está sangrando… – o tio se aproximava enquanto a menina, encostada na pedra, se levantava calmamente. – Oh, querida… Me desculpe por tudo… Talvez… Eu tenha que impedir que você conte meu segredo.

Clarisse desistiu. Estava encurralada, a faca se aproximava. Seria morta como seu irmão foi.

— Se encontre com seu papai.

Um estrondo foi ouvido, o que fez Clarisse gritar. O tio caiu de joelhos, largou o facão. Quando bateu o corpo no chão, Clarisse pôde ver um homem, não muito distante, iluminado pela lua crescente, apontando seu rifle de caça. Pai? Pensou rapidamente. Mas era João Damasceno. A fumaça ainda saía do cano do rifle. Clarisse caiu ao pé da pedra, exausta, chorando baixo. João aproximou-se devagar.

— Está tudo bem ago…

Mas a menina se desvencilhou da tentativa de abraço. Ele a entendeu. Olhou para Antônio e a poça de sangue que se formou. Um tiro certeiro, bem no coração. Pisou no rosto do homem e o virou para olhar em seus olhos.

— Filho da puta… – disse com uma repulsa que jamais havia sentido. – O que você fez com meu filho?

E João o viu também, parado na mata, fantasmagórico, com um sorriso bobo e uma expressão de alívio. Percebendo que Clarisse também o via, acreditou. A aparição ainda tentava dizer algo, mas desapareceu lentamente.

 

V

A polícia civil do estado do Rio de Janeiro interrogou Rosemary após descobrir, no quartinho da oficina, o corpo apodrecido do irmão de Clarisse.

— O desgraçado o matou quando este o descobriu abusando de uma criança. – disse o investigador Moura ao seu delegado. – Desde então mantinha seu corpo preso na oficina, após forjar a morte por acidente de carro, e mantinha relações sexuais com o cadáver.

— Então Rosemary sabia de tudo?

— Sim. – o investigador respondeu. – Ela se matou hoje. Ingeriu doses enormes de rodenticida.

E o caso ficou nacionalmente conhecido como “caso Clarisse”, por ter sido a única sobrevivente das atrocidades do tio. Clarisse, hoje, conseguiu finalmente perdoar a mãe, quando conseguiu enxergá-la como vítima da violência cruel do próprio irmão. Tornou-se promotora de justiça, um caso exemplar de superação. Ao fundar a ONG de proteção e apoio psicológico a abusados sexuais, pôde finalmente falar abertamente sobre as experiências horrendas que havia passado. Seu tio estava certo, afinal, Clarisse havia mesmo se tornado uma linda mulher. Mas ele estava errado em uma coisa que havia dito havia menina um tempo.

Ao se libertar das amarras da culpa, da dor, da saudade, dos horrores que viu, Clarisse, após anos de apoio de sua tia Rita (A mulher que ficou com sua guarda), percebeu uma questão basilar, uma descoberta que adoraria compartilhar com o mundo… E com João e Ícaro. Por onde será que andariam aqueles dois? Será que Ícaro conseguiu suportar? E a família? Ela nunca havia agradecido João por aquele dia… Talvez um dia voltasse à mata de Angra dos Reis, torcendo para encontrar a família Damasceno. E aí sim ela poderia tocar o rosto de Ícaro e lhe dizer – Deus, como ela queria lhe dizer –  “não, Ícaro, não são as mentiras que são como um veneno no corpo da gente, que vão se espalhando até o dia em que nos consome…

 

… são os segredos”.

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39 comentários em “Segredos Venenosos (Sigmund)

  1. Gustavo Araujo
    19 de outubro de 2017

    A maior vantagem de um desafio generoso quanto ao limite de palavras é topar com autores que sabem envolver o leitor com enredos em múltiplas camadas. Com 5k de limite é possível desenvolver uma trama inteligente, muitas vezes com subtramas ou mesmo histórias paralelas, enriquecendo a experiência de quem lê. Não há nada melhor do que perceber um autor que sabe como arquitetar uma narrativa de modo inteligente, prendendo o leitor, oferecendo-lhe diversas interpretações possíveis, mantendo o suspense e, então, de repente, o laça, causando-lhe uma espécie de mini-epifania. É esse o caso aqui. A história de Clarisse soa dolorosamente real, verossímil apesar dos aspectos fantásticos que a pontuam. Não há como não se afeiçoar a ela, torcer por ela, temer por ela, especialmente quando percebemos o tipo de universo em que ela está inserida. Os demais personagens – a mãe e o tio – e mesmo o pai já falecido foram bem construídos, tornando a trama ainda mais rica. Na minha opinião, o mistério se sobrepõe ao terror (ou ao horror), ainda que haja trechos com visões de fantasmas e tudo mais. Mas o onírico cede lugar ao suspense, como já disse, porque queremos saber, enfim, se ela vai escapar ou não, o que de fato há atrás daquela maldita porta e assim por diante… Nesse sentido, a pedofilia acaba sendo mais um fator de ojeriza do que de terror na acepção clássica do termo. Não que isso prejudique a experiência da leitura, mas, creio, não se trata, absolutamente de um conto que cause medo, mas sim, que nos deixa com o coração na mão e com os nervos à flor da pele, rs. Pois bem, apesar de ter gostado bastante, há alguns aspectos que eu gostaria de apontar como oportunidade de melhoria. Primeiro são os diálogos. Para mim alguns soaram um tanto teatrais, artificiais. Nessas horas, o melhor é escrever realmente como se fala, sob o risco de termos conversas que lembram mais uma petição jurídica. Outra questão foi o final. Para mim, totalmente desnecessário dizer o que aconteceu com a Clarisse depois de quase-trauma, que ela se tornou membro de ONG, e assim por diante. O conto é todo focado num contexto X; daí, depois de superado, o melhor é terminar. FIM. Dizer o que houve depois me parece demais deslocado, tipo conto de fadas: e então viveu feliz para sempre. Achei desnecessário. De qualquer forma, parabenizo o autor pelo ótimo conto.

  2. M. A. Thompson
    18 de outubro de 2017

    Antes de qualquer coisa, obrigado por nos presentear com essa pequena amostra do seu trabalho.

    Gostaria de apresentar o critério de votação que usarei no Desafio “Terror”.

    Por ter participado já leva um ponto e mais um ponto por cada item a seguir:

    [ ] Gramática e ortografia aceitáveis?
    [ ] Estrutura narrativa consistente (a história fez sentido)?
    [ ] O terror está presente?
    [ ] Foi um dos contos que mais me agradou?

    Dito isto, vamos a análise:

    O CONTO
    O segundo sobre pedofilia que li até o momento. Um mistério ronda a família, fantasmas ou aparições tentam avisar, no final o mistério é esclarecido.

    O QUE ACHEI
    Bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque você escreve de uma forma que nos convida a continuar lendo. Ruim porque achei algumas decisões equivocadas, como a quantidade de palavras, o uso da palavra rodenticida no lugar de raticida que é mais comum, o excesso de explicações e detalhes desnecessários e alguns trechos com dupla interpretação. Vi que em alguns comentários você precisou explicar o conto. Em minha opinião se um conto precisa ser explicado ou o vocabulário e as ideias estão além do leitor (o que não foi o caso) ou o conto não estava lapidado o suficiente.

    GRAMÁTICA E ORTOGRAFIA
    Pequenos deslizes que não comprometeram em nada a narrativa.

    O Terror está presente?
    Passou longe. Está mais para o gênero Policial. A assombração ficou em segundo plano em função da prática delituosa do tio e a solução do mundo real mesmo.

    Foi um dos que mais me agradou?
    Foi e não foi. Foi pela história, desconsiderando a gordura que veio junto, mas não foi como gênero Terror.

    Boa sorte no Desafio.

  3. iolandinhapinheiro
    17 de outubro de 2017

    Então. Gostei da sua maneira de escrever e do mistério que foi criado e que foi sendo desvendado “pari passu” pelo leitor e por Clarisse. Algumas coisas eu achei confusas ou incoerentes. A menina, quando olhou pela fechadura, via o Ícaro que era filho do João, ou via o corpo morto de seu irmã com Síndrome de Down? O João e o Antonio brigaram mas o Antonio ainda tinha acesso ao Ícaro? A mãe da menina sabia dos abusos sofridos pelo filho pelo tio, mas parece ter se incomodado mais em manter o segredo do que com o que o irmão fazia, e ainda deixava a filha a mercê da maldade do irmão, é isso?

    Em alguns momentos achei que o conto contou as coisas muito lentamente, daquele tipo de texto que se vc pular algumas linhas não vai perder o fio da meada. O final, no meu entender, só serviu para quebrar o excelente clima de suspense que vc criou na sua história, Além de dispensável só atrapalhou.

    Então, vc escreve muito bem, palmas para isso. Acho que se não existisse a obrigatoriedade de ter 3000 palavras no mínimo, seu conto teria sido feito com mais agilidade.

    Se vc puder explicar este trecho aqui, eu ficaria muito agradecida:

    “A polícia civil do estado do Rio de Janeiro interrogou Rosemary após descobrir, no quartinho da oficina, o corpo apodrecido do irmão de Clarisse.

    — O desgraçado o matou quando este o descobriu abusando de uma criança. – disse o investigador Moura ao seu delegado. – Desde então mantinha seu corpo preso na oficina, após forjar a morte por acidente de carro, e mantinha relações sexuais com o cadáver.”

    O desgraçado era quem? O tio? O menino com Down pegou o tio abusando de outra criança? O tio mantinha relações sexuais com o cadáver do sobrinho? E que cadáver é esse que fica anos numa oficina e não se desfaz todo? Desculpe por levantar estas questões, mas é porque este trecho ficou bem confuso para mim.

    Parabéns pela escrita deliciosa. Sorte no desafio.

    • Sigmund
      17 de outubro de 2017

      Olá, Iolandinha! Muito obrigado pelo comentário! Eu adoraria ter mais de 5 mil palavras para poder responder todas essas questões no próprio conto (Usei exatamente 5 mil palavras), mas estrategicamente falando, pensei que não seria danoso deixar da forma que está, pois essas perguntas poderiam ser respondidas pelo próprio leitor, ao meu ver. Mas vou tentar esclarecer ao máximo suas questões:

      1) A menina, quando olhou pela fechadura, via o Ícaro que era filho do João, ou via o corpo morto de seu irmã com Síndrome de Down?

      RESPOSTA: Não há cena de fechadura. Talvez você esteja se referindo à cena em que ela olha dentro da oficina. Se for, ela olha Ícaro sendo abusado pelo tio dela.

      2) O João e o Antonio brigaram mas o Antonio ainda tinha acesso ao Ícaro?

      RESPOSTA: O texto não é claro sobre como Antônio tinha acesso à Ícaro para abusá-lo. Mas o texto diz que Ícaro tinha um “segredo” que não conseguia contar a ninguém. Há muitas formas de imaginar como Antônio conseguia se encontrar às escondidas com Ícaro. Eu apostaria em uma ameaça, na dominação psicológica que o agressor tinha sobre o agredido, fazendo com que saísse escondido nas madrugadas para ser “abusado”, por medo. É uma das possibilidades.

      3) A mãe da menina sabia dos abusos sofridos pelo filho pelo tio, mas parece ter se incomodado mais em manter o segredo do que com o que o irmão fazia, e ainda deixava a filha a mercê da maldade do irmão, é isso?

      RESPOSTA: Basicamente. O que o texto nos mostra é uma mulher doente, depressiva, melancólica, almejando ter uma vida normal, mas sem forças. O texto sugere que ela suspeitava que o irmão havia assassinado seu filho, mas que ela pedia aos céus para que isso não fosse verdade.

      4) O desgraçado era quem? O tio? O menino com Down pegou o tio abusando de outra criança? O tio mantinha relações sexuais com o cadáver do sobrinho? E que cadáver é esse que fica anos numa oficina e não se desfaz todo?

      RESPOSTA: Sim, o “desgraçado” era o tio. E sim para sua segunda pergunta também.
      Cadáveres não se “desfazem” todo. Eles não desaparecem por completo, não viram pó. Mesmo sem nenhuma artificialidade (O texto não menciona, mas também não exclui alguma ação para preservar um pouco mais o cadáver) o cadáver ainda se mantém com seus ossos naturalmente. Os necrófilos sabem bem aproveitar os restos mortais de um ser humano.

      Agradeço por todas as críticas e espero ter sanado suas dúvidas! Abraços!

      • iolandinhapinheiro
        17 de outubro de 2017

        Cadáveres passam por processos de decomposição que vão depender de fatores de tempo e climáticos/ambientais que determinarão de que tipo a decomposição será. Usualmente, quando enterrados, esta começa a partir das próprias bactérias que já vivem no organismo humano e o processo continua através de outras que estão chegam para o banquete. O resultado, normalmente são ossos e um líquido conhecido como necrochorume. Nada na natureza simplesmente some. Enfim. Obrigada pelos esclarecimentos, vc escreve muito bem. Sorte no desafio. Beijos.

  4. Evelyn Postali
    17 de outubro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Muita tensão e suspense. O sobrenatural presente deu um plus na coisa toda e eu gostei. Dois temas tenebrosos – pedofilia e necrofilia. Acho que está de bom tamanho para causar desconforto. Pode fazer uma revisão geral nele, mas a leitura fluiu bem e fui até o fim sem percalços. Gostei da personagem e de como as coisas foram acontecendo. Boa sorte no desafio.

  5. Fil Felix
    14 de outubro de 2017

    Olá! Indo na sequência, talvez seja o primeiro conto que realmente deu uma cutucada nos nervos e me deixou um pouco com medo. É um ótimo conto, que busca no formato dos clássicos pra construir sua trama, seu suspense. Há referências mais e menos óbvias, como a Rosemary e o seu bebê (bebês, nesse caso), mostrando também que o autor provavelmente seja um grande fã dos slasher movies. Mesmo não tendo um psicopata serial killer, as sequências finais, a perseguição com o facão, são bem clássicos.

    Há vários pontos perturbadores que ajudam a criar essa atmosfera aterrorizante. Como a pedofilia, a necrofilia, a mãe meio que sabendo de tudo e evitando falar pra filha, o quartinho secreto. Também é o segundo conto, indo na sequência, que trata de pedofilia, como curiosidade. O pesadelo, com o menino nos pés da cama, foi o que mais me assustou porque me lembra de Ju-On, há uma cena com o menino Toshio que é bem parecida e que me deixou sem dormir por dias, na minha adolescência.

    Só não curti o final. Até onde fecha a história, deixando redondinha, falando sobre a mãe que sabia de tudo, estava okay. Mas quando entra a parte “e então superou tudo e ficou bem sucedida”, aí ficou com cara muito moralista. Um panfleto de que podemos mudar, independente do que nos aconteceu no passado, mas de maneira muito explícita. Mesmo assim, leitura muito boa, tranquila e fluida!

    • Fil Felix
      14 de outubro de 2017

      Ah, uma outra coisa interessante é a utilização dos sonhos, mais provavelmente da paralisia do sono, quando ela desperta mas ainda se confunde com o que sonhou. E o irmão com Down que, assim como no Ju-On (e em demais histórias que tratam de espíritos) tenta retornar pra exigir uma vingança, um alívio próprio.

  6. Ordep Sotam
    14 de outubro de 2017

    O enredo é claudicante no sentido de a escrita é muito coloquial, já que se trata de uma obra literária. Fosse uma escrita mais enxuta ganharia muito em qualidade. Entretanto o tema é digno de cinema, pois cenas horripilantes são o que não falta. O que elege o autor a promissor contista de terror.

  7. K.W König
    13 de outubro de 2017

    Enredo: Um bom conto, uma garota que perdeu o pai e vai morar com o tio, que mais tarde é descoberto como um psicopata praticante de pedofilia e necrofilia. Previsível que João salvaria a garota, mas, aconteceu no momento certo.

    Tema: Apesar de ser mais suspense, a aparição do irmão da garota da um tom sombrio. De fato, dos contos que li até agora foi o que mais se aproximou de me arrepiar.

    Considerações: Vi nos comentários alguns falando do final, mas, pela realidade acontece aquele fim, uma mulher que sofre alguma violência pode muito bem lutar contra isso. Então não vejo problema, foi o melhor que li até o momento. Parabéns, boa sorte!

  8. Lolita
    10 de outubro de 2017

    A história – após uma tragédia familiar, mãe e filha se mudam para a propriedade do tio para tentarem reconstruir suas vidas. Ledo engano, as coisas nunca são como parecem. Entendi a escolha do autor com o final de Clarisse, mas ela particularmente não me agradou.

    A escrita – O estilo me agradou e as camadas dos personagens funcionam. Ocorrem algumas informações sobressalentes (a construção de João Damasceno, por exemplo), mas nada que prejudique a leitura.

    A impressão – Considerei esse um bom suspense. Parabéns e boa sorte no desafio.

  9. Fernando.
    8 de outubro de 2017

    Olá, Sigmund. Cá estou eu às voltas com a sua história. Realmente o que me traz são segredos pra lá de venenosos. Você tem um bom domínio da escrita. Uma maneira de me envolver na trama que logo denota ser alguém que escreve apurando a técnica. Tem um bom ritmo, mas algumas palavras ficaram repetidas e isto quebra um pouco o ritmo. O conto vai bem até um certo ponto, mas o final não ficou à altura do que você estava desenvolvendo. Achei o fundo moral um tanto quanto forçado, sabe, mas aqui se trata de uma opinião de alguém que não tem experiência e muito menos é aficionado de histórias de terror. Meu abraço.

  10. Roselaine Hahn
    8 de outubro de 2017

    Olá Sigmund (Freud?), um bom conto, vários personagens que foram bem direcionados na trama, o que achei mais forte foi o enredo em si, vários ganchos pra tocar o terror, como a morte do pai, o irmãozinho Down, a pedofilia, o filho do João, a morte da mãe, enfim, prato cheio de suspense. Algumas considerações: a 1a. frase tinha tudo para ser perfeita. “No verão de mil novecentos e noventa e sete, Clarisse, aos onze anos de idade, finalmente sentiu a falta do pai”. Na sequencia, o “não havia sentido pois o tio Antonio…”, quebrou a expectativa que o leitor poderia ter criado com essa ótima frase. Acho que ficaria muito bem sem, pois o tio Antonio apareceu na sequencia, e a cena da perseguição dele à Clarisse, ao final, fecharia com chave de ouro, mas tudo bem, a graça é essa, estamos aqui para o laboratório da escrita. Em “Clarisse não se recordava de seu pai. Foi-se muito cedo, quando a filha tinha apenas dois meses”, causou-me estranhamento essa frase, pois deu a entender que a filha era de Clarisse, acredito que ficaria mais claro se dissesse “Foi-se muito cedo, quando ela tinha apenas dois meses”. Algumas revisões necessárias de concordância e repetições, já foram citadas aqui, e ressalto também as adjetivações. É isso, sorte no desafio, abçs.

  11. Angelo Rodrigues
    5 de outubro de 2017

    Olá, Sigmund,

    Bom ritmo, bom domínio sobre a história. O conto se desenrola bem, do princípio ao fim. Alguns pontos que me chamaram a atenção:
    – “embora fosse… magro, era muito prestativo.” São condição não excludentes, sem necessidade do “embora”. Pode-se ser magro e prestativo a um só tempo.
    – “herdado de seu falecido pai.” Herdado do pai seria o bastante, dado que uma condição implica em outra.
    – A construção do quarto de Clarissa por João Damaceno é precedida por um longo relato acerca de fatos da vida de João. Acho que o texto ficou gordo demais sem um bom motivo para estar ali. Tem pouca relevância no contexto.
    – Surpreendeu-me o relato ser dirigido a uma cena de pedofilia. Não esperava. Talvez por questões meramente pessoais, não acho que os horrores da vida devam ser encarados como Horrores literários. O terror, o horror em suas variantes, devem expressar O MAL, O DANO, etc, mas não os fenômenos “naturais”, da vida. Isso não é um horror, é um crime.
    – Abuso de um menino com Síndrome de Down? Não sei… Pode ser, mas sob o ponto de vista literário, prefiro encarar isso com crime apenas e não como “sinais” de terror ou horror. Quero ver O MAL ABSTRATO. Mas é só minha opinião.
    – Clarisse virou uma moça boazinha. Oh, não! Acho que Clarisse deveria enlouquecer e matar todo mundo. Acho que o final acabou por dar explicações demais, comportado demais.

    Boa sorte e grande abraço.

  12. Luis Guilherme
    4 de outubro de 2017

    Olá, amigo, tudo bem?

    Como tenho dito, amo terror, então esse desafio é especial pra mim.
    Dito isto, vamos ao seu conto:

    Olha, o conto é muito bom! A escrita é leve e habilidosa, o enredo flui naturalmente e gera expectativa e curiosidade, e tem uma dose legal de mistério. Me prendeu bastante do início ai fim. Conforme lia, comecei a pensar que o conto estava mais pra mistério com um pouco de suspense, do que terror em si. Porém, a reta final ganha em terror, valorizando o todo (valorizando se levarmos em consideração o tema do desafio, pois em questão de valor estético e de enredo, já estava excelente).

    A história ganha bastante por gerar curiosidade, levantando vários mistérios. Porém, achei que foi um pouco previsível, usando elementos bem comuns do terror, como o fantasma do irmão que quer ser libertado, o abuso sexual que acabou ficando meio previsível logo no começo, quando ele fala que ela é bonita e tal (apesar de, no fim, descobrirmos que o negócio dele não é com meninas, porém, ainda assim, não gerou a gerar uma mudança a ponto de ser considerada reviravolta), entre outros fatores que acabaram tirando um pouco da surpresa.

    Mas o que mais me incomodou foram os dois últimos parágrafos. Achei a superação um pouco forçada, e sem dúvida o conto terminaria melhor sem ela, talvez num tom um pouco mais sinistro, não sei. Mas isso é minha opinião.

    Ainda assim, apesar dos apontamentos, devo ressaltar que seu conto é muito bom. Sua escrita é segura e sem dúvida de alto nível.

    Parabéns e boa sorte!

  13. mariasantino1
    2 de outubro de 2017

    Boa noite, Autor(a)!

    Gostei da sua escrita e de como você conseguiu descrever tudo com clareza. Endureci os nervos quando você falou do menino no quartinho da oficina (o Ícaro). Há sensações, há descrições de sentimentos e acho isso muito importante para criar vínculo com os personagens e seus dramas. Infelizmente o final frustou um pouco as expectativas e soou didático, como se você quisesse dar uma lição de moral. O lance de necrofilia me soou forçado e lamentei a quase nulidade da mãe para o desenrolar da trama. Se me permite, o fato de a mãe saber que o filho era vítima de abuso que perduravam mesmo após a morte dele é algo importante que merecia um maior destaque e até alguma reação para ressaltar mais o mistério.
    Encontrei diversas repetições de palavras em um curto espaço que poderiam ser substituídas por sinônimos para deixar tudo mais fluido, e também percebi alguns deslizes na digitação, mas estes não interferem em nada na compreensão.

    É isso! Parabéns e boa sorte.

  14. Fheluany Nogueira
    2 de outubro de 2017

    Enredo e criatividade – O título e o pseudônimo induziram a imaginar o abuso sexual e consequências, mas o que veio foi matança de policiais, pedofilia, necrofilia. Não entendi como uma família (aparentemente bem resolvida) deixou o filho especial com o tio, na mata. Por que manter a vida do menino em segredo da própria irmã? Para mim foi uma ponta solta. E o cheiro do corpo em putrefação?

    Escrita e revisão – Texto bem estruturado, leitura prazerosa apesar do ritmo meio arrastado e informações desnecessárias ao conjunto. Insignificantes deslizes, como falta de vírgulas ou crases (“Antônio as vezes passava”) ou repetições semânticas (“RETORNANDO apenas aos sábados, mas havia semanas que RETORNAVA dia sim, dia não. Seu RETORNO era…”)

    Terror e emoção – Boa dose de suspense, muita maldade e o fantasma do irmão que levou a garota a xeretar até descobrir tudo. Não senti muito medo, somente pensei que a menina seria a vítima.

    Bom trabalho. Abraços.

  15. Lucas Maziero
    1 de outubro de 2017

    Logo no começo, e ao longo de toda a narrativa, o conto nos oferece um bom suspense, nos deixando com muitas perguntas, o que funciona como um incentivo a mais para continuar com a leitura, e só no final o verdadeiro terror nos é apresentado. Se disse só no final, é pelo fato de que Clarisse não sentia a falta do pai até aquele momento, e a morte deste não representou grande impacto, ao que parece, à menina.

    Uma ideia muito boa, a deste conto. Pouco tempo após a morte do marido, a mãe de Clarisse foi morar com o irmão, no intuito de a partir dali se curar da tragédia e sentir-se segura. Porém, ledo engano. Como uma desgraça nunca vem só, e o fim de uma é começo de outra ainda maior, a vida dessas duas pessoas será balançada mais uma vez por horríveis episódios.

    Só uma ação me incomodou, pelo fato de ser pouco plausível, que não é outra coisa senão o acidente de carro envolvendo o tio e o irmão especial. Vejamos: a polícia não faria um inquérito, o corpo não haveria de ser encontrado e por sua vez enterrado nalgum cemitério? A não ser que, pelo transtorno em que se encontrava Rosemary, e pelo lugar ser meio que isolado da urbanidade, o tio deva ter cuidado de tudo e ela, por sua vez, deu-se por satisfeita. Mas nada disso foi dito, por isso a falta de plausibilidade.

    A inserção do fantasma do irmão especial foi uma boa, dando um clima sombrio ao que parecia ser um lugar calmo e acolhedor.

    O final ficou muito bom, aconteceu o terror que esperávamos, o tio Antônio teve a sua paga, embora não fosse a que eu queria para ele, deveria ter sofrido, e ainda fechou com uma sensação de pesar mesclado com resignação, pois a menina tornou-se uma mulher forte e humanitária.

    Parabéns!

  16. Evandro Furtado
    1 de outubro de 2017

    Eu estava preparado para dar nota máxima para o conto, mas o final veio e, realmente, atrapalhou as coisas pra mim. Como assim “perdoou a mãe porque ela era vítima de abuso”? Bullshit! Não quero finais moralistas e edificantes. Quero a dor real e dura da vida. Até ali, a ambientação era perfeita. O desenvolvimento de trama preciso, com o suspense constante e os mistérios – ou segredos – sendo revelados pouco a pouco. O clímax é de tirar o ar e a resolução muito boa. Aí vem o momento história de vida exemplar Domingo Legal e, por muito pouco, não vai tudo pelo cano.

  17. Ana Maria Monteiro
    29 de setembro de 2017

    Olá Sigmund.

    O seu conto começa e embala tão bem que nem nos apercebemos de que em momento algum chega a ser explicado o primeiro parágrafo. Porque estava ali a menina? Que momento foi esse? O que fez dele aterrador? E no entanto, não nos apercebemos a não ser a uma segunda leitura. Isto é bem demonstrativo do seu talento enquanto autor. Por outro lado, fiquei com a ideia que você não terá ainda muita experiência na escrita. Se isto se confirmar, podemos ter a certeza de estar a ler um dos trabalhos iniciais de alguém que decerto virá a revelar-se como um/a grande escritor/a. Caso esteja enganada e você seja experiente, é um pouco decepcionante deparar com algumas falhas comuns em autores menos experimentados. Não falo das crases em falta que outros já referiram (contei 11, salvo erro), mas de certo tipo de repetições e algumas explicações a mais. Dou-lhe exemplos. Nesta frase: “tinha síndrome de… Como era mesmo? Síndrome de Down.”, teria resultado melhor não dar a resposta, ainda para mais quando a constata e lhe dá nome de novo, logo de seguida; E nesta: “Dependiam, portanto, do sucesso da pesca de Antônio que, àquela altura, já possuía dois barcos de pesca”, se tivesse terminado a frase na palavra “dois” ficaria muito melhor e evitaria a repetição; de igual modo aqui: “E aquela família é uma família de mentirosos.”, se retirasse a primeira palavra “família” ganhava em qualidade sem perder em sentido; mesmo esta; “prosseguia por onde jamais havia prosseguido”, o mesmo verbo logo ali, poeque não “por jamais se atrevera”, ou algo desse tipo?.
    Não me leve a mal, o meu único intuito é ser útil, até porque acho que você revela imenso talento e isso motiva ainda mais a tentar dar uma ajuda no que pode ser melhorado.
    Notei algumas inconsistências. Por exemplo, quando o tio diz “Você não deve acreditar nunca no que João diz”, somos mais tarde levados a pensar que essa foi uma deixa indicativa de que João saberia do sucedido com o irmão de Clarice ou com o próprio filho. Mas se assim é, não se entende porque razão o tio não matou João.
    A nível de revisão acho que nesta frase: “foi-se revelado o rosto familiar”, faltou a letra “n” no verbo, que seria,isso sim, revelando.
    E houve outra que ficou muito confusa,foi esta: “havia dito havia menina um tempo.”
    Após algumas necessárias “enxugadelas”, acredito que ficamos perante um dos melhores contos e autores do desafio, senão mesmo o melhor.
    Muitos parabéns!

  18. Paula Giannini
    28 de setembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Mais que sobre pedofilia (o que por si só já é terrível), seu conto toca também em algo que causa igual horror, a necrofilia. E o pior, a necrofilia com o corpo de uma criança. Ou, ainda mais sórdido, o corpo de uma criança portadora de síndrome de down.

    Achei interessante notar como o aumento no limite de palavras no desafio, aumentou, igualmente, a necessidade de inserção de novos núcleos dentre das narrativas.

    Aqui, por exemplo, encontramos vários focos narrativos: conhecemos a história do primeiro núcleo familiar – pai(morto)-mãe-filha -, de um novo núcleo que se forma com a presença do tio, de um núcleo apresentado através dos sonhos da menina com seu irmão intuído ou fantasma, bem como de um núcleo de amizade entre menina-Ícaro-pai (de Ícaro).

    O que quer dizer com isso? Seu conto deixa evidente a capacidade/talento do(a) autor(a) para o romance. A presente história poderia se desenvolver para tal formato, em uma narrativa de fôlego mais longo, já que, nas entrelinhas, ainda há muito pano pra a manga.

    O ponto alto, ao menos para mim, foi o momento que o tio abraça a sobrinha, desculpando-se pela pessoa que foi há alguns minutos. Esse detalhe guarda em si toda a característica de um abusador dentro da família. É justamente a pessoa que mais deveria amar a criança, a que lhe causa maior dor.

    Devo dizer, ainda, que a construção dos personagens é muito bem realizada. Assim notamos, só para citar um exemplo, a omissão da mãe diante do que ocorre naquela casa, pelo simples fato de o narrador descrever sua atual aparência, outrora tão bela e jovial. Algo não vai bem. É o que o leitor pensa na hora.

    Sobre o terror em si, o(a) escritor(a) manteve o suspense presente durante toda a trama, conduzindo o leitor consigo, instigando-o com a curiosidade.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  19. Andre Brizola
    28 de setembro de 2017

    Salve, Sigmund!

    Em primeiro lugar, devo dizer que é o conto que mais me agradou até agora. Acho que você utilizou todo o espaço possível de maneira adequada, criando não só uma situação verossímil, mas também personagens longe de qualquer estereótipo. O conto já seria assustador sem os elementos sobrenaturais, mas acredito que eles são adornos criativos, que acrescentam tensão à uma situação já bastante tensa.
    Alguém comentou sobre a semelhança com filmes de terror do oriente, e eu também tive essa impressão. Mas gostei do cuidado com possíveis exageros “fantasmagóricos”. Tudo muito elegante.
    Sou um leitor assíduo de autores do gênero, e embora goste muito de contos, acredito que é nas grandes criações que eles se superam. E o tamanho de seu conto foi na pinta (provavelmente até teve que editar bastante pra chegar abaixo das 5 mil palavras, né). Muito bom mesmo!

    É isso! Boa sorte no desafio!

  20. Daniel Santos
    28 de setembro de 2017

    Extraordinário, impactante, incrível…
    Esses são os adjetivos que achei para esse conto que tem um estilo de narrativa muito próximo ao de Stephen King.
    A forma como é contada, os detalhes do passado dos personagens, tudo isso enriquece a trama e dá mais vida às peças essenciais. João é um personagem que pouco aparece, mas nos cativa, pois temos afinidade com ele, sabemos seu passado.
    A narrativa do pesadelo é ameaçadora, digna de um excelente conto de terror. Como crítica negativa, eu aponto apenas um pequeno detalhe: o autor preferiu utilizar mais parágrafos no início e deu uma corridinha no final, talvez fosse mais interessante inverter isso.
    Mas o conto está impecável! Parabéns ao autor!

  21. Edinaldo Garcia
    28 de setembro de 2017

    Escrita: Muito boa. Qualidade literária perfeita.

    Enredo: Gostei bastante da abordagem, do ritmo, dos mistérios que vão se formando fazendo uma sopa confusa na mente do leitor (gosto disso), adoro narrativas misteriosas bagunçadas que na metade para frente tudo vai ser encaixando.

    Terror: Excelente. Em alguns momentos vai suave e em outros cria uma forte tensão no leitor (pelo menos em mim o efeito foi esse), principalmente quando o tipo percebe a garota está à janela. Cena bastante tensa. muito bom.

    Nível de interesse durante a leitura: Também gostei muito. Eu até previa que havia alguém junto ao tio naquele quarto, mas jamais imaginei que seria algo relacionado a pedofilia. É o segundo conto que li tratando desse tema aqui no desafio. E o mais legal é que no decorrer do enredo há dicas para isso. Sensacional!

    Língua Portuguesa: Excelente. Qualidade literária perfeita. Há dois momentos que senti falta de uma crase antes de conjunções adverbiais – à direita e à noite eu acho que foram esses, não me lembro onde está, porque nem dei importância; a leitura estava boa demais para me preocupar com essas frescurinhas.

    Veredito: Conto excelente. Torta de chocolate amargo com recheio de morango.

  22. Pedro Teixeira
    28 de setembro de 2017

    Gostei do conto. A narração é competente, e produz algumas construções notáveis. Acho que em certos momentos sobrou informação, há dados que são dispensáveis para o desenrolar da estória e tornaram alguns momentos um pouco cansativos. Mas a boa qualidade da escrita e o mistério mantém o interesse na leitura até o fim.
    Há uma verossimilhança que aumenta a tensão e expectativa da leitura.
    Porém, não vi muito sentido no fato de a morte do irmão ter sido forjada pelo tio para depois levar o corpo para a oficina, primeiro pelo fato de que o cadáver já estaria decomposto. Segundo, porque é de se presumir que ele teria que violar o túmulo para retirar o cadáver de lá, o que não é dito na trama em momento algum.Talvez fizesse mais sentido se ele tivesse fotos e videos na oficina.
    Enfim, no geral um bom conto.

  23. Eduardo Selga
    28 de setembro de 2017

    A pedofilia e a necrofilia são argumentos que têm potencial para redundarem em narrativas bem interessantes. Particularmente a segunda perversão sexual, em se tratando de terror. No entanto, “Segredos venenosos”, ao adotar um ritmo demasiado lento em função de elementos pouco úteis à harmonia do construto narrativo, acaba por diluir o impacto de ambos os elementos. Por exemplo, assim que o personagem João Damasceno nos é apresentado, há certas informações sobre ele que reputo desnecessárias ao eixo da narrativa, na medida em que ele é secundário.

    Por outro lado, as repetições do sonho com o menino é estratégia necessária à produção de suspense, e acredito que uma “capina” no texto abriria espaço para que as cenas dos sonhos pudessem ser melhor exploradas.

    A terceira pessoa é uma escolha que estabelece uma distância entre o objeto narrado e os personagens. Em narrativas nas quais o “sentimento” e a “intimidade” do personagem é importante como recurso dramático, como é habitual no terror, a terceira pessoa costuma não ser muito usada, em detrimento da primeira, que provoca essa aproximação. E a aproximação do objeto narrado com o personagem é fundamental, no terror, para que o leitor sinta o medo ou a suspensão junto com o personagem ou narrador-personagem.

    A primeira pessoa não é uma obrigatoriedade no terror, mas o uso da terceira tende a dificultar a empatia. Por isso acho que este conto teria ficado melhor se a menina fosse a narradora.

    Gostaria de parabenizar o(a) autor(a) pela bela imagem alcançada em “[…] o tio a abraçava, protegendo-a do homem que fora alguns segundos antes”. Infelizmente, foi um momento raro em toda a narrativa, centrada não na construção de uma linguagem literária, e sim em contar uma estória. É algo muito comum na contemporaneidade esse pensamento pragmático da literatura, que a torna, muitas vezes, sem vida.

    No trecho “em momentos de coragem, o olhava por entre a conversa e via a boca se movendo” tenho a impressão que a palavra não seria CONVERSA, mas foi digitada erradamente.

  24. Nelson Freiria
    27 de setembro de 2017

    É dito que Clarisse vivia experiências oníricas fascinantes, mas não é dito nem demonstrado como as outras pessoas sabiam disso. Claro que dá para imaginar, mas achei essa passagem estranha. Nesse mesmo parágrafo, há um pouco de infodump. Em seguida, as informações da vida de João não fazem diferença nenhuma para o desenvolvimento do enredo. Se o tio da garota passa dia sim, dia não fora de casa e, as vezes, a semana toda, ela poderia ter sido um pouco mais esperta na hora de ir atrás de abrir a porta da oficina.
    Mas minha queixa mesmo é com o narrador, ele sabe demais, diz demais, demonstra pouco, as vezes é profundo e detalhista demais também.

    O tempo todo, o conto tem uma pesada atmosfera em volta de Clarisse e o autor(a) conseguiu ser delicado ao escolher as palavras, mantendo tudo bem ambientado para o leitor acompanhar uma criança. Achei isso incrível, pois geralmente me chateio com a pirralhada nas histórias, mas não nesse conto.
    O sobrenatural que permeia a história ficou bem legal, gostei das cenas do espírito em volta da cama, lembrou-me até daqueles filmes japoneses.

    Não sei se era necessário contar tanta coisa sobre Clarisse ao fim do conto…

  25. Zé Ronaldo
    27 de setembro de 2017

    Muito bom mesmo o texto, tem um que de “Jane Eire”, da Brönte e um pouco de “A outra volta do parafuso”, de Henry James, onde o fantasmagórico, o gótico, se confundem com o real, como quando das aparições do menino. Isso foi, realmente, trabalho de escritor de primeira linha, muito bom mesmo.
    Há um crescendo no tocante ao suspense da trama, muito bem engendrada, por sinal, que tira o fôlego do leitor e o deixa sem saber da sua conclusão, eu mesmo pensei ene possibilidades e nenhuma foi o que realmente aconteceu. Muito bom isso também!
    Os diálogos são bem concretos, a fim de dar base e solidez ao texto. Abro, aqui, um parênteses de porém: com relação à menina, achei od diálogos adultos demais para ela, criança de dez anos não raciocina nem se reporta daquela maneira, muito adulta demais. Para mim, foi onde pecaste.
    No geral, o conto é muito bom, prende a atenção do leitor e espanta no final. Parabéns!

  26. Fabio Baptista
    27 de setembro de 2017

    A técnica é muito boa, profissional eu diria, embora o autor tenha empregado um ritmo demasiadamente cadenciado em alguns pontos, acrescentando detalhes que não agregaram muito (tipo o background de João Damasceno) e alguns rodeios que tornaram a leitura mais morosa do que deveria.

    Só notei um “ela tinha” (cacofonia) e um havia perdido em “que havia dito havia menina um tempo”, já no final. Finalizando a parte técnica, me incomodaram também duas intervenções do narrador no sentido “seria o irmão com síndrome de Down?” (sobre o menino sentado à beira da cama)… eram situações que o leitor teria descoberto por si próprio. Eu sei que estava no POV da menina, mas mesmo assim a intervenção soou desnecessária, do tipo que subestima a capacidade de entendimento do leitor.

    A trama é bem interessante, consegue prender a atenção o tempo todo, sempre com um novo mistério e uma nova peça do quebra-cabeça aparecendo. Aqui, no entanto, também achei que houve certo exagero. Em determinado momento ficamos com muitos mistérios em mãos: o mistério do pai, do irmão, do vizinho, do menino fantasma, da foto, do armário. Essa parte do armário também me soou bem estranha… e a decomposição do corpo? Talvez se o cara guardasse uma coleção de vídeos de pedofilia o efeito seria o mesmo e ficaria mais verossímil.

    Outra coisa foi a questão do tamanho da casa: algumas coisas levam a crer (pelo menos eu fui levado a crer) que a casa é pequena (localização, o fato do cara ser pescador, etc.), mas em outras oportunidades parece que é enorme (tipo aquele desenho do laboratório de Dexter) e tipo… João Damasceno não teria percebido a ausência do filho?

    O suspense criado com a figura fantasmagórica é bacana, mas o terror que impacta mesmo é o da maldade humana. Gostei dessa abordagem.

    Bom conto no geral.

    Abração!

    • Fabio Baptista
      29 de setembro de 2017

      Ah, esqueci de comentar: o nome Rosemary foi uma boa sacada (pela qualidade do texto, tenho quase certeza que foi proposital rsrs) porque leva o leitor a elaborar teorias baseadas no famoso “O bebê…”, adicionando mais uma camada de suspense.

      • Sigmund
        30 de setembro de 2017

        Obrigado pelas críticas, Fabio.

        Além do nome Rosemary, “Clarisse” também foi retirado do clássico O Silêncio dos Inocentes, o maior filme de suspense da história.

  27. angst447
    27 de setembro de 2017

    T (tema) – O conto está dentro do tema proposto pelo desafio. O terror está aí com sangue, morte, nojo, maldade, fantasminha camarada e tudo.

    E (estilo) – A narrativa revela domínio das palavras. O narrador conduz o leitor facilmente com o seu clima de suspense/terror. Mais imagens do que descrições arrastadas, diálogos pontuais, final melancólico, mas funcional. Diria que o(a) autor(a) tem vocação para romancista. E… veja como um alto elogio, hein … me fez lembrar dos livros do Carlos Zafon. ❤

    R (revisão) – Alguns erros passaram, como já foi apontado pelos colegas. Do que mais gosto nos comentários abertos é que não preciso ficar repetindo os mesmos pontos. Nada grave também que mereça derramamento de sangue. Foi a pressa, aposto. Te entendo!

    R (ritmo) – Bom, mas poderia acelerar um pouquinho em algumas passagens. Implicância minha mesmo.

    O (óbvio ou não) – Terror óbvio?Não achei… Não fiquei com medo, mas triste. E desconfiei logo desse titio aí, viu?

    R (restou) – A impressão de que o(a) autor(a) sabe muito bem o que está fazendo e escolheu um caminho perigoso para trazer o terror aqui.

    Boa sorte!

  28. werneck2017
    27 de setembro de 2017

    Olá!

    Uma narrativa que cativa logo o leitor pela curiosidade sobre os fatos/pistas que vão sendo deixados a conta-gotas ao longo do texto. Há uma reviravolta sobre o caráter dos personagens Antônio e João, que só agrega. Um drama familiar que pode ser reproduzido pelos rincões do país e do mundo. Há erros, no entanto, que tomo a liberdade de reproduzir para que você possa corrigir posteriormente:

    Clarisse chegou próximo a pedra > Clarisse chegou próximo à pedra
    correu em direção a mata > correu em direção à mata
    viu um banheiro a direita > viu um banheiro à direita
    vendo algumas coisas a noite > vendo algumas coisas à noite,
    melancolia similar a da mãe > melancolia similar à da mãe
    ao vira-lo lentamente, foi-se revelado o > ao virá-lo lentamente, foi-se revelado o
    a procura da foto rasgada > à procura da foto rasgada
    Antônio as vezes passava a semana fora > Antônio, às vezes, passava a semana fora
    mas a medida em que a menina crescia > mas à medida em que a menina crescia

    • Sigmund
      27 de setembro de 2017

      Obrigado, Werneck, por todos os erros de revisão apontados! Fui fazer a revisão pelo celular e acabei me confundindo com os arquivos do wordonline, fato que me desestimulou e me fez pensar em excluir o conto do desafio!

      Espero que os erros bobos não tirem o brilho do conto que me diverti imensamente em escrever!

      Agradeço pela crítica.

  29. Rafael Soler
    27 de setembro de 2017

    Muito bom o texto. Adorei como a história foi escrita em proporções pequenas – um horroroso drama familiar em uma cidade do interior do Brasil – e como os personagens foram bem desenvolvidos.
    Outro ponto interessante é a constrição do mistério que envolve o lugar e como os personagens enganam o leitor quanto a sua índole.

    Acho que o ritmo poderia ser um pouco mais dinâmico, pois no início do texto, pessoalmente, não me senti fisgado pela história. É claro que depois fiquei bem interessado, mas considero que um leitor mais preguiçoso possa não se sentir muito estimulado a seguir em frente.

    No geral, é um texto muito bom, mas acho que poderia ter uma melhoria no ritmo.

    🙂

  30. Antonio Stegues Batista
    27 de setembro de 2017

    Enredo: Menina traumatizada pela morte do pai, se acentua com os problemas da mãe e passa a ter sonhos premonitórios. Descobre que teve um irmão, que o tio é pedófilo. Vário aspectos tenebrosos de uma trama familiar. Gostei, foi bem construída, convincente. No final foi uma surpresa, ao saber que João era do bem e Antonio, do mal.

    Personagens: A menina foi um personagem verossímil, com sua emoções bem fortes, marcantes e o resto dos personagens também foram bem construídos

    Escrita; Muito boa, boas frases, sem ser enfadonhas as informações, que criaram o ambiente, o clima de mistério e suspense. A escrita combinou com a personagem.

    Terror: Achei um clima mais de horror, (medo) do que de terror, (pavor).

  31. Regina Ruth Rincon Caires
    27 de setembro de 2017

    Que lindeza de texto! Emotivo, substancioso, emocionalmente denso. Escrita fluente, trama perfeita. Texto que convida à reflexão. Apesar do horror, mostra uma história que pode ser vivida em qualquer canto. Estrutura lógica. A narrativa segue um fluxo interessante, faz com que cada parágrafo seja esperado com ansiedade, traz aquela vontade de saber o desfecho.
    Texto muito bom.
    Parabéns, Sigmund!

  32. Olisomar Pires
    26 de setembro de 2017

    Impacto sobre o eu-leitor: baixo.

    Narrativa/enredo: drama familiar envolvendo perda do pai, dificuldades financeiras, pedofilia e visões inexplicáveis.

    Escrita: Razoável, notei apenas a palavras “desconsertou” em flagrante delito.

    O estilo, todavia, é prolixo. Voltas e mais voltas, informações que poderiam ser descartadas. 4.999 palavras que caberiam em 3.000, acho. Mas isso é decisão do autor e este optou por preencher todos os cantos. Os parágrafos imensos, mesmo quando bem conduzidos, nos predispõem ao desânimo.

    Construção: A estória tem inicio, meio e fim e seguem bem naquilo proposto. Todavia, destacaram-se no segundo parágrafo a repetição do “foi … foi… foi…”, parece simples mas acende um sinal amarelo para o autor-leitor. Há outras ocorrências no decorrer do texto. Uma revisão criteriosa seria bem vinda para a reconstrução de algumas orações e mesmo parágrafos inteiros.

    • paulolus
      28 de setembro de 2017

      2) O conto impressiona pelo teor dramático que emprega ao enredo, pedofilia, necrofilia, quarto secreto, cadáver apodrecido, mata, facão etc. Digno de um grande filme de terror. Entretanto peca no quesito linguagem. O tom, muitas vezes, coloquial empobrece a narrativa. Muita explicação para questões não pertinente a trama. (O quarto foi construído por João Damasceno quando Clarisse tinha oito anos. João era o vizinho mais próximo da propriedade de Antônio…) No meu entender, desnecessário. (era expert) não condiz com a linguagem empregada. (Casou-se com uma amazonense que conheceu na época que trabalhou em uma obra em Iranduba, cidade próxima a Manaus. Trouxe-a ao Rio de Janeiro quando a obra acabou e construiu sua casa na mata de Angra no terreno que foi herdado de seu falecido pai. “Quem compra terra, não erra…)”. Prolixo demais. Dá a sensação de enchimento de linguiça para completar o mínimo de 3000 palavras, proposto pelo desafio, o que não justifica, pois o texto está próximo das 5000 palavras. Enfim, são reparos dignos de cuidados, o que fará do autor um promissor contista de terror.

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Informação

Publicado em 26 de setembro de 2017 por em Terror.