EntreContos

Literatura que desafia.

O sinistro caso de Carla Parker (Shelley Voorhees)

Foi um incidente incomum por demais. Acharam-na transtornada, de uma excitação frenética, um trem bala em hormônios e adrenalina nas alturas. Quem não a conhecesse diria até que se encontrava “travada”. Mas hipóteses infundadas a parte, não era nada disso não, não era por efeito de drogas estimulantes que se encontrava trêmula, desconexando palavras metralhadas pela língua, gesticulando os vários braços de Shiva que tinha naquele momento.

Os olhos esbugalharam-se, vidrados em espíritos que ninguém enxergava, cambiando de foco a cada segundo, a procura de um mosquito veloz e invisível.

Encontrava-se totalmente nua e trêmula, ainda convalescendo de um estado de choque. Cabelos lisos, mas emaranhados num emplastro rubro escuro, já endurecido. O colo, os seios e os membros superiores reluziam um vermelho vivo fresco, ainda pulsante e não coagulado, o que indicava que o evento ocorrera há poucos minutos. Por outro lado, os quadris, a púbis e os membros inferiores estavam imundos de dejetos, nada que parecessem humanos.

Ela era Carla Parker, a única filha do pastor protestante. Menina tímida, retraída, de costumes comportados, pudica e recatada. Uma educação primorosa aliada a uma inteligência fora do normal. Uns cientistas de uma universidade da região já realizaram na moça os testes de QI que acusaram uma média superior, enquadrando-a na categoria de bem-dotada intelectualmente. E como adorava ler a jovem. Se você a visse de manhã, estaria a devorar um livro, pela tarde já era outro título e à noite um terceiro.

Por todo o salão daquela casa, um número bastante expressivo de corpos e seus pedaços amontoavam-se ao redor da moça. Os policiais paralisaram, pétreos, ante a cena ficcional, embora realisticamente verídica. Verdadeiro chamado de C’thcullu a dilacerar o resto de sanidade mental humana. Correm até boatos de que três patrulheiros pediram demissão naquela mesma noite, só de admirarem aquela cena horripilante e, que um outro, no dia seguinte, deu entrada no sanatório da cidade vizinha, vindo depois a ser aposentado e nunca mais saindo de lá.

Todas as expressões nos rostos pálidos e agonizantes das vítimas e resíduos de espasmos nos corpos mostravam a surpresa e a brutalidade daquela carnificina: faces que guardavam ainda os resquícios da dor e do espanto com que foram atacadas, feridas nas frontes, corpos retalhados e destroçados; caixas torácicas rasgadas, abertas e partidas, com uma facilidade evidenciada pelas marcas de garras deixadas como aviso; uma infinidade de pernas, coxas, braços e antebraços arrancados a dentadas que ainda conseguiam reter em sua condição de membros mortos as contrações musculares doloridas do fim.

Recolheram a adolescente, cobrindo-a com um cobertor e a levaram ao hospital, sob escolta. Deram busca na casa e nas redondezas, não encontrando nada nem ninguém suspeito. O delegado local expediu, via rádio, pedido de reforço às delegacias da circunvizinhança e, de pronto, foi atendido: uma tropa de viaturas e um enorme efetivo policial chegaram à cidade, efetuando buscas, armando barreiras nas vias de acesso ao município, enfim, realizando o possível.

Os médicos da perícia analisaram o ambiente. A contagem de corpos totalizou cento e trinta e três, ou seja, de todas as pessoas que foram ao retiro espiritual naquela casa, somente a senhorita Parker conseguiu sair viva da catástrofe. O que deixou perplexo o pessoal da perícia criminal é que não encontraram nenhum sinal comprobatório da saída do ser praticante de tal ato dali, nenhuma pista de que ele deixou o local, nenhuma pegada em direção às portas ou janelas e nenhum vestígio de parede destroçada ou telhado arrebentado, confundindo a todos. Mas o pior ainda estaria por vir: os peritos também conseguiram detectar o epicentro da maior parte das ações do que atacou a todos, e tudo indicava o local onde a jovem fora encontrada, o que não significava nada, pois ela poderia ter se dirigido para lá quando o fatídico evento terminou. Mas isso já foi o suficiente para que as autoridades locais pedissem a prisão preventiva da moça até que a solução brotasse, de qualquer maneira.

Após ser medicada e limpa, no centro médico da região, a pobre adolescente foi retida na delegacia, numa cela especial. Não chegaram a interrogá-la, pois a jovem se encontrava ainda muito abalada, apesar dos calmantes ministrados no hospital. Era vigiada ininterruptamente por um número consideravelmente grande de agentes, inspetores e policiais. Assustada, não entendendo bem o que ocorrera nem o motivo de seu recolhimento ali, ficava num canto da cela, sentada com os joelhos dobrados, os braços a envolverem-nos e a cabeça repousando nestes, orando bem baixinho, pedindo forças e luz em sua sinuosa e estranha estrada.

Chamaram, então, o pastor. O senhor Parker era, além de pregador, psicólogo. Vinha de uma longa linhagem de homens de fé que habitavam as paragens da costa oeste americana. Esbarrou naquela cidadezinha de interior não por acaso, mas por capricho: queria levar luz onde havia trevas, pois além de excelente pregador, o senhor Parker era um dos melhores exorcistas que existia em toda a América, sendo seu poder conhecido mundialmente, ministrando palestras ecumênicas em todo o globo, tendo sido requisitado em diversas partes do planeta, onde o confronto direto com as forças negativas do mal era inevitável.

Chegando à delegacia, conduziram-no até onde se encontrava a filha. Entrou na cela, sentou-se ao lado dela e a abraçou, carinhosamente, beijando-lhe a cabeça e pedindo que se acalmasse. A menina o abraçou também, chorando copiosamente, soluçando e gemendo feito criança de colo, depois de beber uns goles de água, ofertados pelo pai, suspirou fundo e, finalmente, controlou-se. Foi aí que seu pai fitou-lhe fundo nos olhos e lhe disse:

– Minha filha, meu tesouro, conte-me o que realmente aconteceu lá.

– Ah, meu pai, meu paizinho! Eu…eu não sei….eu não vi nada!

  • Por que você não viu nada? Conte-me exatamente o que aconteceu contigo.

– Eu não sei muito bem… – começou meio confusa – ….estávamos adorando e glorificando o Santo Nome quando desmaiei, apaguei por completo, pai, quando voltei a mim, estava em pé, no mesmo local onde os policiais me encontraram, terrificada, paralisada, olhando toda aquela destruição, aqueles montes de corpos ensanguentados, restos de braços, cabeças, pernas, troncos e eu, toda coberta de sangue. Pai, foi horrível! Eu…eu não sabia se estava morta ou viva…..eu achava que estava no inferno… – e apoiou a cabeça no ombro do pai e intensificou o choro..

O pai, abalado com o relato da filha, mas sem demonstrar, alisou a cabeça de sua criança, orando em pensamento para que tudo terminasse bem. Deu um prazo para que Carla desabafasse todo o medo e angústia em seu peito, depois recomeçou seu interrogatório paterno:

– Mas Carla, não há o menor cabimento de acontecer o que aconteceu do nada, nós dois sabemos disso. Eu te instruí no estudo das escrituras, você sabe tão bem quanto eu que tudo e qualquer coisa embaixo das vistas de Deus têm um motivo para existir ou acontecer e, minha filha, pelo o que eu pude ver lá na casa, aquilo não é obra de gente não! – falou senhor Parker, voz profunda, expressão facial sombriamente compenetrada, segurando agora a filha pelos braços, sem machucá-la.

  • O senhor crê que seja algum aliado do inimigo?

O pastor respondeu afirmativamente com a cabeça, sério e decidido.

– Mas por que eu? Por que, papai? Por que eu sobrevivi? – explodiu num desespero agora maior do que os anteriores. A menção de ser aquele um trabalho do inominável e de ela ter sido poupada, deixaram a pobre profundamente abalada.

– É justamente isso que eu gostaria que você me esclarecesse, filha, o porquê.

– Mas pai, eu já não disse que eu não sei! Eu apaguei naquele retiro, o senhor prestou bem atenção! Eu não presenciei nada! Nada! Na-da!

O pai segurou-a pelo pulso de um dos braços e, sem fazer força, respirou fundo, limpou as lágrimas da filha, ajeitou-lhe os cabelos e, segurando-lhe a ponta do queixo para que o visse frente a frente, falou numa voz calma, branda e suave, tranquilizando-a:

– Meu amor, eu acredito em você. Fique calma, pense e reflita: não houve nada, nem no momento do incidente, nem nesses últimos dias, que fuja do seu normal, da sua rotina cotidiana, que possa ter dado origem a todo esse pesadelo?

A jovem ficou uns instantes ponderando nas palavras do sábio pai, buscando em algum recanto mnemônico a solução para aquele abissal enigma. Chafurdou toda a lama de seu cérebro que obscurecia o surgimento da luz da verdade e da compreensão, limpou todos os recônditos de sua alma, retirando todos os entulhos que impediam o esclarecimento racional. Eis que respondeu, enfim:

– Pai, só se for…. – hesitou receosa da reação do pastor.

– Ande, minha filha, pode confiar no teu pai, não tenha medo, sou teu amigo, se esqueceu? – disse-lhe, sorriso confiante no rosto, numa rara relação pai-e-filha entrecortada por vários elos de amizade recíproca.

– …é que eu achei sua biblioteca, pai. – falou, abaixando a cabeça e calando sua respiração logo em seguida, como quem teme o som do trovão, depois do raio, antevendo uma mudança significativa no rumo daquela conversa tão amistosa.

O senhor Parker não entendeu nada. Deu de ombros, fazendo um muxoxo com a boca, significado de quem não interpretou o enunciado proferido e falou:

– Ué, minha filha, mas a nossa biblioteca nunca foi escondida de ninguém! Esteve sempre lá, para toda a congregação utilizar quando necessário.

A filha levantou a cabeça e, encarando as barras da cela, atrás de seu pai, receando mirar seus olhos, murmurou:

– Não essa, pai…a outra…

Então uma transformação se deu. O senhor Parker, gradualmente, foi apagando o rastro de sorriso do rosto até deixar uma marca nula, um aspecto gélido. Os olhos, embotados agora, nada se assemelhavam aos serenos de um segundo atrás, passou a mão pela face como quem quer, num último ato, reanimá-la do choque, e perguntou, numa voz cavernosa, misto de ódio e medo, chacoalhando a filha com ambas as mãos:

– Como você fez isso?

A filha, encurralada agora, sem mais o apoio e amparo do pai, viu-se em apuros. Tonteou-lhe as ideias, aturdida com a súbita mudança do pai, seu último refúgio, mas prosseguiu seu relato firme, mesmo a voz querendo sair muito aguda de sua garganta, mesmo com um bolo no estômago a dar-lhe ânsias de vômito, mesmo tendo todo o corpo atacado por uma tremedeira emocional visível:

– Foi ao acaso, pai, foi por querer não, eu nunca soube de tal recinto em nossa casa. Certa tarde eu estava jogando badminton no quintal com Suzan Ann, a filha do professor de inglês, quando a peteca caiu, acidentalmente, no seu escritório. Quando fui recuperá-la, esbarrei em algo que abriu uma porta bem estreitinha, ao lado de sua estante. Curiosa, entrei e encontrei uma saletinha repleta de tomos e encadernações de couro antigas e comecei a ler os títulos que me encantaram. Depois de descobrir como entrar naquele cômodo, todos os dias eu ia lá ler aqueles livros medonhos, até ler quase todos.

O que Carla e quase ninguém sabia é que Abel Parker, seu pai, era um estudioso profundo do mal. Para ser um bom combatente das forças inimigas, ele tinha que ser um bom conhecedor delas, por isso ele era o guardião de uma seita milenar de todos os livros profanos a respeito do mal. Em sua biblioteca particular poderiam ser encontrados: os textos apócrifos da Bíblia, o Necronomicon, o Livro de Sabath de Salém, o Livro das Almas Perdidas de Sodoma, o Bestiário das Criaturas Abissais, que dizem, foi leitura de inspiração dos contos de Lovecraft, os Livros Mágicos de Moisés, o Grande Grimório, o Arbatel de Magia Vertervm, o Compositum di Compositis, o Livro Negro de Satã, a Bíblia de Anton Szandor LaVey, o Livro de Sair para a Luz, o Compêndio Maldito de Stanislas de Guaita, o Livro de Toth, os Segredos de Trithemius, o Manuscrito de Woynitch, o Livro que faz Enlouquecer, Excalibur, o Tratado de Stanzas de Dzyan, os Salmos para Despertar Asmodeu e um número bem grande de outros títulos sobre bruxarias, alquimia, demoniologia, arcanjos decadentes, bispos negros e cânticos messiânicos maléficos, com suas capas apavorantes e letras vermelhas, alguns até confeccionados em pele humana.

O senhor Parker, incrédulo, perdeu o rumo de suas ações. Carla, que nunca vira o pai apático daquele jeito, receou o pior, sem saber no que tinha se metido. Ele olhou para os céus, como quem pede perdão e apoio celestial, depois coçou a nuca e juntou as mãos espalmadas em oração, encostando-as na boca. Cabeça baixa, olhos vagos no chão, esperando alguma voz sussurrar-lhe na mente. Alguns segundos depois, endireitou-se. Por fim, perguntou:

  • Quantos deles você leu, menina?

– Eu já te disse  pai, um bom número deles. – respondeu temerosa.

Ao que ele lhe explicou:

– Cada vez que eu vou ler um livro maldito daqueles, preciso de um retiro espiritual de, no mínimo, dois meses, para reforçar minhas defesas etéreas e só posso realizar nova empreitada três meses depois, prazo mínimo para restabelecer as minhas forças psíquicas, mentais e espirituais. Esses períodos de tempo são os recomendáveis por todos os estudiosos de tais obras negras. Se você não obedecer a esse espaço de tempo, sua alma, seu espírito e até seu corpo estarão vulneráveis a todo o tipo de assédio e ataque das forças ocultas, como se o corpo, seus componentes sólidos e etéreos, se tornassem um receptáculo para aquilo que se esconde no limbo, no lodo, no abismo das almas penadas, na fossa de enxofre eterno. Então agora eu já sei o que aconteceu, você tem um cativo dentro de você.

– Ca…cati….cativo? Pelamordedeus, meu pai, o que é isso?

– Algo se esconde dentro de ti, minha filha. E é algo muito poderoso e nada benéfico! Você se tornou, sem querer, em hospedeira de algum espírito maligno, algum corruptor da luz, um ser demoníaco, quem sabe até, um dos generais da horda maldita. – explanou-lhe o sábio pai, profundamente abalado.

Carla Parker chorava arrependida de ter se metido com os assuntos de seu pai. Odiava, revoltada, aquela tarde desgraçada em que encontrou por um acaso a biblioteca secreta dele. Amaldiçoou-se por ser tão enxerida em questões que não lhe diziam respeito e, nesse exato momento, estava a arcar com todo o prejuízo advindo disso tudo. Seu pai segurou firme suas mãos, apertou-as forte, mas delicadamente e saiu da cela, deixando-a desamparada e sozinha a remoer seus últimos atos desastrosos.

Abel Parker foi ter uma conversa com o delegado. Explicou-lhe toda a situação e, antes que este o internasse como louco, usou de seus contatos na ordem secreta para que ele o tivesse por sério e sensato. O delegado recebeu uma dezena de telefonemas, das mais variadas autoridades, dando aval para que fizesse o que o pastor quisesse. Esse resolveu marcar uma sessão de exorcismo com a própria filha. Para tanto pediu a presença de alguns de seus amigos e mestres, de diversas religiões, espalhadas por todo o mundo e a presença maciça do maior número de policiais que o delegado pudesse dispor, embora soubesse que armas não surtiriam efeito algum.

Preparou-se durante dois dias, pois sabia que o hospedeiro de sua filha não demoraria mais do que isso para se manifestar novamente. Entre orações e simbologias arcanas e espirituais, junto de uma congregação de outros estudiosos e religiosos, se preparou para o embate decisivo. Resolveu ter a sessão na própria delegacia, apinhada de policiais, com mais outro tanto esperando do lado de fora e o exército de prontidão nas ruas.

Na hora prevista, deu-se início ao ritual. Uns vinte religiosos se postaram, linearmente, nas laterais da cela de Carla, entoando orações, cânticos e salmos em Latim, Esperanto e outras línguas já falecidas. Seu pai adentrou o recinto orando mais alto, vociferando palavras de ordem e de júbilo a Deus. Outros estudiosos, agarrados a livros, bíblias, pergaminhos e papiros ancestrais gemiam mantras, ladainhas e outras rezas. Atrás dos homens de fé, os homens da lei estavam a postos, todos com seu arsenal devidamente preparado para uma terceira guerra.

Carla olhava apavorada para tudo aquilo. As pernas lhe tremiam incessantemente, o corpo todo convulsionava de medo, chegando ao absurdo de se urinar na frente de todos os presentes. Ela mudava suas vistas ora para seu pai, ali na sua frente, ora para os religiosos que faziam o perímetro da cela, ora para os outros estudiosos e para os policiais.

A um determinado momento, percebeu-se que sua convulsão se tornou mais frenética, sua língua saía da boca e conseguia alcançar seu pescoço, como se fosse um réptil, virou-se de costas e começou, ninguém sabe como, a flutuar, enquanto sacudia-se mais, urrando como se fosse um leão ferido de morte. Seu pai aumentava o poder de suas orações, gesticulando mais, mostrando ao demônio que Deus era mais forte.

Foi então que Carla cessou subitamente suas ações. Ainda flutuando, a jovem quedou-se imóvel, encolhendo-se toda em posição fetal. Seu pai não entendeu nada, sabia que ainda não tinha acabado, estava ciente de que a batalha seria árdua. A moça, como respondendo ao pai, pôs-se de pé lentamente, virou-se na direção dele e voltou a tocar o solo. Sorriu-lhe singelamente, piscando-lhe os olhos alegres. Seu pai, porém, não se iludiu, sabendo ser o inimigo o mestre dos engodos. Ela prostrou-se de joelhos ao chão, mãos ao ventre, como quem está sendo estripada e quer segurar suas próprias vísceras.

No começo, surgiu um par de asas, dilacerando a carne nas costas da jovem. Não um par de asas angelicais, de redenção, de perdão. Eram asas decadentes, forjadas em pele multicor das diversas etnias das vítimas da entidade maléfica. Logo apareceram um par de córneos enrodilhados e uma face indescritível seguidos de dois braços descomunais a impulsionar o resto do repugnante corpo da criatura para fora de seu invólucro humano, que agora jazia oco, uma casca de látex num canto da cela. Arfando muito, o demônio encarou todo o contingente policial ali, em alerta, armas em punho, desespero nos rostos, confusões na mente e vazios na alma. A besta depois olhou na direção dos religiosos e de Abel Parker que em nenhum momento cessaram as orações, deu um potente berro e caiu inerte no chão.

Todos os presentes comemoraram a vitória. Os religiosos e estudiosos usaram evocações especiais para se livrarem da carcaça daquele ser maligno, ao passo que o pastor, em lágrimas, abraçava os restos mortais de sua filha. Enquanto ainda desvanecia-se em choro, o senhor Parker ainda teve um lampejo de luz para perguntar a algum dos estudiosos presentes:

– Conseguiram identificar aquela criatura? – gemeu, com a voz embargada.

– Parece que sim, Abel. Tratava-se de Legião! – respondeu-lhe um dos que estava procurando nos livros sábios a figura da besta.

Ficando em pé, deixando cair levemente a pele seca de sua filha, limpando as lágrimas que começavam a brotar-lhe dos olhos, ainda não digerindo bem a sua perda maior e sentindo agora toda a fadiga física, mental e espiritual que tomavam de assalto todo o seu ser, em todas as esferas, disse:

– Dessa forma, senhores, estamos perdidos. Se aquele demônio for mesmo Legião, toda a existência nesse plano será varrida, pois ele não é apenas um espírito de trevas qualquer, ele é toda uma geração de bestialidades nele, toda a raça de Legião existe em si mesma. Esse demônio que conseguimos eliminar é apenas um deles, os outros, que também são Legião, devem estar por aí. Usaram minha filha como portal interdimensional para que este, que deve ser um batedor, analisando a situação e as condições de perigo por aqui, conseguisse sair e, suponho eu, libertasse todos os outros. Legião é toda uma horda de diabos e demônios, é quase metade de um inferno!

Ouviram, nesse momento, vários outros gritos idênticos aos da criatura, ecoando em todas as direções da cidade. Uivos esses que se repetiriam em toda a extensão da Terra. Um breu total tomou conta de tudo, nem luz natural nem artificial sobreviveu: apenas a escuridão e os que nela rastejam. O pastor apenas fez o sinal da cruz e sussurrou:

– É o começo…

E, assim, o incidente incomum ocorreu uma vez mais, derradeiramente, em escala mundial.

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40 comentários em “O sinistro caso de Carla Parker (Shelley Voorhees)

  1. mariasantino1
    21 de outubro de 2017

    Boa noite, autor (a)!

    Super competente as suas descrições e narrativa. Admiro o vocabulário e precisão gramatical, uma vez que o texto é livre de erros (dentro do meu parco conhecimento). Foi um ótimo recurso iniciar o texto oferecendo uma puta imagem. Infelizmente senti que o conto não conseguiu equilibrar emoção e informação. Não sei se os tomos mencionados são todos verdadeiros (se a existência deles é real), mas não vejo grande importância pormenorizar tanto o conteúdo da biblioteca, e dessa forma, ao menos para mim, essa informação sobra. Os diálogos são frios e em alguns momentos fica evidente que eles servem mais para repassar a informação para o leitor do que para mostrar uma relação amistosa entre duas pessoas já conhecidas.
    Enfim, o conto está bem escrito, porém é rígido e frio quanto às emoções.

    Parabéns pela escrita e pelas imagens oferecidas. Boa sorte neste desafio.

  2. Luiz Henrique
    21 de outubro de 2017

    É um enredo muito bem desenvolvido, como pede o concurso. Dá a dose certa para quem prescreve o remédio. Embora eu não aprecie este tipo de literatura, principalmente quando tratado com tanta veemência. Mas muito bem como ideia. Uma escrita firme, sem atropelos.

  3. Gustavo Araujo
    19 de outubro de 2017

    É um conto competente na medida do que se propõe, mas não apresenta nada de novo, infelizmente. A menina é filha de um pastor e é possuída por um demônio. O pai chama os amigos para exorcizá-la e ela, ou melhor dizendo, o demônio, aflora com todo aquele horror já esperado nas descrições. Tá bem escrito, claro, em linguagem simples e acessível, mas sinceramente não me senti cativado, absorvido, talvez pelo fato de os personagens soarem muito esquemáticos, planos, sem muitas qualidades ou defeitos com os quais eu pudesse me identificar. O final, por favor autor, me desculpe, foi extremamente fraco, quase um Deus-ex (ou Diabo-ex) já que o demônio liberto, em duas linhas, acabou com o mundo inteiro. Curti, não. Em suma, um trabalho irregular, ainda que competente em sua concepção.

  4. Evelyn Postali
    17 de outubro de 2017

    Caro(a) autor(a),
    A história flui. No começo tem aquele suspense todo, mas lá pelo meio, quando se fica sabendo que é preciso um exorcismo, a expectativa cresce e me frustro. Gostei da parte da descrição da biblioteca secreta e das referências de leitura. Porque não há bem terror, ali. Então, o tema fica só no suspense. Talvez precise de uma revisão, mas nada muito grande. Tem ritmo, mas não tem emoção. É um bom conto. Boa sorte no desafio.

  5. Antonio Stegues Batista
    16 de outubro de 2017

    ENREDO: Menina possuída por demônio. Regular. Existem várias histórias com mesmo enredo, inclusive que viraram filmes, como o, O Exorcista, também era padre e psiquiatra. Então, não trás muita novidade. Até o local onde se passa a história ficou péssimo, se fosse adaptação de uma história clássica de terror, seria aceitável.

    PERSONAGENS; Regular, sem muitos detalhes no perfil tanto físico quanto psicológico, a não ser da menina, algumas informações. O pai foi superficial, não desperta simpatia, inclusive seus diálogos são meio sem graça, e seus sentimentos, duvidosos, sem força nas palavras.

    ESCRITA: Regular, simples, sem problemas, a não ser o previsível na história, não trás originalidade nas ideias. Até que as cenas iniciais são boas, mas depois tem um tom até cômico, como nas historias dos filmes do Ultramam lutando contra monstros.

    TERROR: Apenas as cenas iniciais são boas, depois não ha mais nada de terror. Faltou bastante inventividade na história. Boa sorte.

  6. Marco Aurélio Saraiva
    15 de outubro de 2017

    =====ENREDO=====

    Este conto se assemelha muito a filmes de terror “genéricos” que a gente encontra aos montes no Netflix e em outras mídias. Isso não é um comentário depreciativo. Antes, é a definição de um gênero: um conto munido de clichês, que usa deles para desenvolver um enredo que culmina em uma batalha épica contra a encarnação do mal. E, no final, assim como muitos filmes de terror, o bem costuma perder, deixando um gosto agridoce na boca do leitor.

    Você tentou abrir bem os braços e abraçar uma miríade de referências de terror, o que me pareceu um pouco uma tentativa desesperada de fazer o leitor se identificar com o enredo. Referencias a C’tullu, uma dezena de livros mitológicos proibidos, referências bíblicas, etc. O início do conto lembra muito Carrie, a Estranha, e usa do Gore para agredir o leitor (esta parte acredito ter funcionado bem).

    A história é bem definida, mas acredito que seria mais interessante se narrasse a partida de badminton e os acontecimentos a partir dali. Do jeito que foi narrada, além de ser um tanto previsível, o enredo foi ficando cada vez mais inverossímil (como, por exemplo, Abel conseguiu movimentar o exército americano, força policial e pessoas de todo o mundo para aquele evento, em apenas 2 dias?)

    Mas, novamente, esta é a definição de um gênero. O conto pede mais um pouco de suspense, sim, mas acredito que ele agrade bem a um conhecido tipo de público que coloca este tipo de leitura em um patamar bastante elevado.

    NOTA: Esperanto não é uma lingua morta; muito pelo contrário, é falada bastante hoje em dia e é uma tentativa de criar uma “língua unica internacional”.

    =====TÉCNICA=====

    O conto é bem escrito, com algumas passagens geniais, como a que destaquei abaixo:

    “Os olhos esbugalharam-se, vidrados em espíritos que ninguém enxergava, cambiando de foco a cada segundo, a procura de um mosquito veloz e invisível.”

    Não notei grandes falhas. Você parece bem seguro(a) do que está fazendo, com frases sólidas e descrições interessantes. O que incomodou foram os diálogos, que em sua maioria são pouco naturais, como se os personagens fossem atores “B”. Você não precisa, necessariamente, adicionar manias linguisticas ou “sotaques” nos seus diálogos para que eles pareçam naturais, mas a escolha de palavras que você fez tornou-os pouco humanos.

    Outra coisa que incomodou: tudo no conto é muito bem definido. “Devo descansar por 2 meses”, “só posso voltar a ler estes livros depois de 3 meses”, “tudo aconteceu em 2 dias”, “20 homens estavam ao redor da garota”, etc etc. Estas definiçoes parecem ajudar mas na verdade, ao menos para mim, atrapalham. Prefiro ler “muitos homens estavam na sala”, ou “dezenas de homens”. Prefiro ler “preciso descansar por meses para uma nova leitura”. É claro que cada caso é um caso, e alguns trechos podem pedir uma precisão maior.

    Tirando isso, algumas falas estão destacadas de forma estranha. Tentei entender como uma “Mensagem subliminar” mas acho que foi só bug no CTRL C e CTRL V e ignorei, rs rs rs. Existem alguns problemas de pontuação, especialmente nas vírgulas. Mas todos estes detahes são pequenos e de pouca importância.

  7. M. A. Thompson
    15 de outubro de 2017

    Antes de qualquer coisa, obrigado por nos presentear com essa pequena amostra do seu trabalho.

    Gostaria de apresentar o critério de votação que usarei para este Desafio.

    Por ter participado já leva um ponto e mais um ponto por cada item a seguir:

    [ ] Gramática e ortografia aceitáveis?
    [ ] Estrutura narrativa consistente (a história fez sentido)?
    [ ] O terror está presente?
    [ ] Foi um dos contos que mais me agradou?

    Dito isto, vamos a análise:

    O CONTO
    Uma adolescente curiosa tem contato com livros satânicos, é possuída, acontece uma carnificina e no final temos a chegada do Apocalipse.

    O QUE ACHEI
    O início não me prendeu. Se fosse um livro que eu estivesse folheando na livraria talvez não o comprasse.

    Logo na primeira frase:

    “Foi um incidente incomum por demais. Acharam-na transtornada, de uma excitação frenética, um trem bala em hormônios e adrenalina nas alturas.”

    Achei-a inadequada para eu leitor criar uma imagem mental da cena que pretendeu descrever: incidente incomum (incidente já é incomum), transtornada (?), excitação frenética (?), trem bala em hormônios (?), adrenalina nas alturas (?).

    O dicionário de adjetivos trabalhou muito nesse texto, não é mesmo?

    E isso acontece em várias outras partes, com descrições que não são fáceis de imaginar devido a seleção de adjetivos que usou.

    Mas você escreve bem e na sequência da introdução conseguiu me fazer visualizar o cenário pretendido. Porém, ao chegar aqui:

    “imundos de dejetos, nada que parecessem humanos.”

    Como é que dá para saber se parecem humanos ou não? Vou pensar que seriam de outra cor, verdes por exemplo. Mesmo assim foi uma frase que me afastou do texto.

    Sua história segue a linha “algo de muito ruim aconteceu e o único suspeito não está em condições/não quer falar sobre o assunto”, porém, algumas escolhas da narrativa comprometeram a “credibilidade” da história:

    “Era vigiada ininterruptamente por um número consideravelmente grande de agentes, inspetores e policiais.”

    Não me parece crível alguém ser vigiado ininterruptamente por um grande número de pessoas.

    No entanto a história é boa, uma adolescente curiosa tem contato com livros satânicos e acaba possuída pelo demônio.

    Algumas decisões me pareceram estranhas como fazer aparecer asas na personagem e o final, prenunciando o Apocalipse.

    O Apocalipse tem uma dinâmica própria, não dá para ser incluído só para encerrar um conto.

    Seu talento é inegável e acredito que você possa melhorar a sua escrita tornando-a mais verossímil. Por ser o primeiro conto postado, talvez tenha sido escrito sem ter passado por um período de maturação e reescrita.

    GRAMÁTICA E ORTOGRAFIA
    Algumas coisas que os colegas comentaram, mas nada que a(o) perder ponto por isso.

    O TERROR ESTÁ PRESENTE
    Sim.

    Foi um dos que mais me agradou?
    Infelizmente não.

    Boa sorte no Desafio.

  8. iolandinhapinheiro
    14 de outubro de 2017

    Olá, Shelley. Começo a minha avaliação pelo seu conto, já parabenizando o seu esforço de ter trazido o primeiro conto do concurso.

    Pois bem, o seu conto teve logo de início, uma cena gore onde uma moça sai do estado de possessão demoníaca no meio de um mar de corpos sem saber explicar o que aconteceu. Quando o tema é terror, cada autor tem o seu estilo, e desenvolve o texto seguindo uma das várias linhas que o gênero permite, porém é necessário esclarecer que terror não significa unicamente um investimento da trama em sangue, vísceras, ou violência. Nos melhores contos de terror que eu li quase não se vê sangue, porque neles o terror é muito mais uma questão de clima, insinuação, sutileza. Fazer terror é CRIAR MEDO, deixar o leitor apreensivo e envolvido pelo texto. Quando se consegue esta imersão, cada palavra deve ser trabalhada de modo a não deixar o leitor se distrair. O principal erro do seu conto foi distanciar o leitor do clima que vc montou através de descrições completamente desnecessárias à trama, por exemplo, falar que a moça lia um livro pela manhã e outros dois ao longo do dia, isso faria diferença para a história? Bastava ter informado que a moça era uma leitora curiosa e que os livros escolhidos por ela foram o portal para que ela tivesse contato com as forças malignas que a possuíram, entende? Outra coisa a ser avaliada é a utilização da linguagem. Certa vez eu li um conto do amigo Olisomar Pires, no concurso do EC de Folclore e ele utilizou uma linguagem com características do Século XIX que conseguiu inserir o leitor na época em que o conto se desenrolava. A linguagem escolhida permeou todo o conto e funcionou como um atrativo a mais para conquistar a quem acompanhasse a trama. Isso ocorreu pelo domínio que o autor tinha deste tipo de linguagem, o que conferiu autenticidade ao conto. Espalhar palavras rebuscadas ou fazer inversões em frases para tornar o texto mais elegante não funciona, apenas evidencia o esforço que foi feito, sem muito sucesso. É melhor investir numa linguagem mais simples, direta, que leve o leitor a criar uma intimidade com quem conta a história, como crianças ao redor de uma fogueira, contando histórias estranhas e fascinantes.

    Além deste distanciamento do leitor com a sua trama, também achei que os seus personagens não me conquistaram. O tempo inteiro tentei sentir alguma empatia, mas não consegui sentir nada, nem pena, nem raiva, nem identificação com a protagonista ou o pastor. A conversa entre os dois parecia um depoimento em um inquérito, a impessoalidade foi a maior marca dos diálogos.

    A solução final para concluir a história foi introduzir um desfecho distópico que distancia ainda mais a gente da trama central.

    Imagino que outros leitores apreciem os caminhos que vc escolheu para contar a sua história, infelizmente eu não me senti envolvida. Foi uma leitura sem emoções. Recomendo, se ainda for seguir esta linha, que leia um livro chamado A Volta do Parafuso, de Henry James, e tenha contato com uma forma muito interessante e inteligente de escrever terror, onde a sutileza é a tônica do texto.

    Desculpo-me desde já pelas críticas que fiz, e espero que elas sirvam para o aprimoramento de sua escrita.

    Muita sorte.

    Abraços.

  9. K.W König
    10 de outubro de 2017

    O inicio é bom, o massacre deixa o conto interessante, mas, o decorrer da historia vai ficando muito cheio, como se tivesse preocupações em usar palavras bonitas, em algumas partes, falta um pouco de sentido, como o início deixa a entender que As autoridades tratam Carla como uma vítima, mas, a conversa com Abel, pai de Carla. Acontece em uma cela vigiada por “numero considerável de agentes”… Na minha humilde opinião, o roteiro é bom, mas falta talvez, enriquecer de detalhes e criar uma linha do tempo.

    Terror: Quanto a isso, não me provocou medo, nem mesmo uma súbita vontade de olhar pro lado Boa Sorte! Abraço.

  10. Paulo Luís
    8 de outubro de 2017

    É uma escrita pungente, mas como escrita e só, como não sou nada crédulo nestas crendices satânicas, nem coisa nenhumas dessa monta, ou coisa que o valha, não me impressionam, talvez seja mesmo um grande enredo para quem aprecia, pois está superlativamente dentro do exigido pelo desafio proposto.Eu fico por aqui.

  11. Fernando.
    8 de outubro de 2017

    Um conto de terror, sem dúvidas, ou seja, preenche o que se pede no desafio. Um enredo interessante, mas que se perde ao longo da narrativa. A questão, Shelley, é que senti algumas coisas interessantes: o tema da história, a questão religiosa subjacente… outras coisas achei exageradas demais, o que provoca quebra na verossimilhança: a cena do exorcismo na delegacia com tantos policiais e o exército do lado de fora. Outras, não gostei, mas por questões muito pessoais: o excesso de pedaços humanos, achei que não ajudaram em nada a sua história, ao contrário. Também senti alguma dificuldade com questões da escrita em si. Há necessidades de umas revisões. Quem sabe – arrisco com uma hipótese – a ansiedade por postar rapidamente a história e ver que impacto causaria nos leitores, tenha feito com que relevasse esta questão? Meu abraço.

  12. Lolita
    6 de outubro de 2017

    A história – O apocalipse, ou melhor, o começo dele. Esse é um tema mais difícil que parece, exatamente por ser tão falado. A cena final, a dos gritos na cidade, foi interessante.

    A escrita – O conto está sobrecarregado de descrição. Carla, ao ler três livros em um dia, parece uma personagem Mary Sue, tanto que não consegui sentir o seu falecimento (mas gosto de histórias que não poupam personagens). A capacidade do autor em criar quadros é boa, uma limpa no conto e ele ficará muito bom.

    A impressão – Apreciei o trabalho, mas não senti medo. Na verdade, na cena do exorcismo, me assustei foi com os religiosos vociferando – o que aponta o potencial do conto. Um abraço e boa sorte no desafio.

  13. Pedro Paulo
    5 de outubro de 2017

    O início do conto é hábil e acertado, já começando em mostrar o supracitado caso de Carla, a garota no meio da carnificina. Em seguida, a imagem horrenda da menina é contraposta ao seu verdadeiro caráter e assim o(a) autor(a) deixa claro que há algo de errado. Fica tão claro que, quando o narrador começa a contar o que vai acontecendo, já sabemos que ela vai ser presa e que conhecerá algum tipo de provação para eliminar seja lá que mal a acomete.

    Esse é o principal problema do conto. Muito da história é contada e não há nenhum momento em que podemos nos aprofundar na perspectiva de alguma das personagens principais. E só tem duas: Carla e seu pai, Abel. O que há de importante dessas personagens também nos é contado. O narrador nos conta que Abel é psicólogo e pastor e são duas informações que parecem vir apenas para nos deixar claro porque o pai conduz a conversa com tanta segurança e tranquilidade, algo que já fica evidente na própria conversa e dispensava essa explicação. Descrever a impressão de Carla sobre o pai de batina poderia substituir isso.

    A narrativa deixa evidente para onde quer ir e quando a menina revela que se meteu onde não devia, já sabemos o resultado. O narrador já tinha nos contado que Abel também é exorcista, então é óbvio: a menina está possuída. É quando o pior momento desse problema de contar aparece, com Abel explicando à filha sobre os livros secretos, realmente explicando o sistema pelo qual passa para lê-los e deixando claro as consequências. Não é a última vez que um monólogo do tipo ocorre.

    O espaço que sobrou vem para o clímax desse suspense atravancado: o exorcismo. Mas é algo que vem e termina rapidamente. A morte da menina realmente surpreende, mais por ser abrupta do que por perdermos a personagem. Carla teve tão pouco espaço para se expressar e nos fazer conhecê-la que a sua morte pouco importou. A narrativa também faz pouco caso e aí veio outro monólogo de Abel explicando que seria o fim do mundo e o porquê. O caráter expositivo da personagem a prejudica com a superficialidade que as informações dadas nos dão para conhecê-lo. O fim também é direto em confirmar a previsão de Abel: tal como ele disse, o mundo começa a acabar e, no mesmo defeito do resto do conto, é algo que o narrador nos conta, mais do que demonstra, o máximo desse apocalipse que acontece sendo uma escuridão…

    Enfim, é uma premissa clássica, a menina inocente que se vê tomada por demônios e, no tanto de informação que nos é contada, o conto sofre um tanto e o seu ponto climático não ganha tanta atenção e importância quanto deveria. Talvez o conto tivesse mais apelo se tivesse começado já no ato de exorcismo, com os porquês daquilo estar ocorrendo sendo sutilmente jogados pelo narrador.

  14. Angelo Rodrigues
    4 de outubro de 2017

    Oi, Shelley Voorhees,

    não sou craque no assunto terror. Minhas observações serão basicamente intuitivas.
    Gostei do seu conto, melhor dizer de início.
    Faço algumas observações, apenas.

    O conto é pungente e parece repleto de sinais característicos ao tema, sem dúvida. Acredito que você domine bem o tema.
    De alguma forma achei que algumas inserções iniciais, onde a introdução das características da personagem acontecem, estão deslocadas no conjunto dos parágrafos. Nada demais, embora ache que pode ser melhorado.
    A energia textual do início, intensa, aos poucos foi se diluindo a medida que se revelava ao leitor.
    Acho que o tema escolhido – possessão / exorcismo – conspira um pouco contra o conto, uma vez que o tema (não o conto em si) já se mostra um clichê muito forte.
    Reporto isto como um ponto negativo (a escolha), embora veja no texto um bom domínio no trato literário e boa condução da temática.
    Acredito que o tempo e a releitura feita por você, caso queira se aprofundar um pouco mais sobre o conto, conduza a um final diferente, um pouco mais condizente com o desenvolvimento.
    Digo isso basicamente porque, sendo um tema-clichê, uma boa saída seria surpreender o leitor com um contra-clichê, algo diversionista pronto para driblar o próprio tema.
    Imagino que um final surpreendente, outro, que seja, possa melhorar profundamente o texto.

    Boa sorte e grande abraço.

  15. José Leonardo
    3 de outubro de 2017

    Olá, Shelley Voorhees.

    A partir de Carla Parker, de seu exorcismo, temos uma espécie de pandemia de possessões. O texto, porém, acaba aqui – um cliff-hanger de algo que não virá, uma ponte sobre o abismo (salvo se houver continuação pós-EC). Ainda assim, de modo geral, me interessou bastante seu estilo, o tipo descritivo amaneirado para cenários e enredo notavelmente “pesados” – sim, penso não ser necessário um macabrismo nas palavras quando o enredo por si só consegue conduzir o leitor –, levando-me a deduzir que temos cá uma autora disposta a tentar acabrunhar o leitor mesmo sem deixar de “executar” seu estilo. Você também foi sábia o suficiente para ser sucinta no clímax, sem fazer como alguns autores que, desejosos em extrapolar/explorar cenas de horror, enchem tripas com linguiça e com a paciência do leitor. Sua descrição foi prática e pontual.

    Pontuo que estranhei algumas transições de emoção, destacando as cenas em que Clara revela ao pai ter entrado na biblioteca secreta (acredito ser um segredo muito importante para certo alheamento do pai a respeito – não ter passado pela cabeça dele tal hipótese uma vez que o enlouquecer da filha provavelmente o faria lembrar dos “efeitos” dos livros da tal biblioteca) e a do pai segurando o cadáver da filha (todos comemoravam?). Creio que não ficaram a contento, mas é opinião pessoal, ou melhor, impressões de leitura e releitura.

    Parabenizo-a, Shelley, pelo resultado de seu trabalho e ainda mais pela força de seu estilo.

    Abraço fraternal e sucesso neste desafio.

  16. Luis Guilherme
    2 de outubro de 2017

    Olá, amigo, tudo bem?

    Considerando que gosto muito do gênero terror, esse desafio é algo que me toca particularmente, e estou muito ansioso pelas leituras.

    Vamos ao seu conto:

    O conto começa interessante, com um mistério que me gerou curiosidade e expectativa. Uma mina coberta de sangue e fluidos desconhecidos, em meio a centenas de corpos mutilados? Já tem minha atenção!

    Porém, achei que o desenvolvimento não foi à altura do esperado. Não sei precisar exatamente o motivo, mas algo foi se perdendo durante o desenvolvimento e fui perdendo um pouco o interesse.

    Talvez tenha sido o batido tema exorcismo. Prevejo que deva aparecer muito por aqui, e não reclamo disso, mas devido à avalanche de filmes idênticos do gênero que tem saído, acabou ficando um pouco batido, e por isso exige algo que oxigene o tema.

    Dá pra notar que você entende do assunto, até pelas referências usadas, mas achei que faltou clímax. Quando achei que fosse haver, a história acaba de forma meio inconclusiva.

    Porém, tem vários pontos positivos. Gostei da sua habilidade em criar um ambiente de suspense e da ambientação do conto.

    Enfim, é um conto com potencial, mas que achei que careceu de clímax, o que fez com que perdesse força, na minha opinião. Ainda assim, bom trabalho! Parabéns e boa sorte!

  17. Roselaine Hahn
    1 de outubro de 2017

    Caro autor, percebo que vc entende do riscado, do gênero terror, dada a enxurrada de referências no texto. O enredo é muito bom, a ideia do exorcismo também, mas li o seu texto na madrugada, e vou confessar, não perdi o sono, ou seja, acredito que houve muita descrição, e pouca emoção. Os parágrafos longos e descritivos quebraram o suspense, o drama, envolver o leitor no inesperado, o medo, a morte. Sim, a morte é jogada ao leitor como algo banal, como em: “Os médicos da perícia analisaram o ambiente. A contagem de corpos totalizou cento e trinta e três…”, isso foi entregue ao leitor como um dado estatístico, entendes? Não consegui visualizar esses corpos, a agonia que antecedeu a morte. A técnica Mostre, não conte, ajuda muito a desenvolver o texto para que o leitor entre na história como uma espectador dos personagens. Alguns problemas gramaticais e pontuação. Destaco a cena da biblioteca, ponto alto da narrativa. Não desanime, vc. tem faro pro negócio, continue lapidando a pena, que a colheita vem. Abçs, sorte no desafio.

  18. Fheluany Nogueira
    30 de setembro de 2017

    Enredo e criatividade – Relato jornalístico, descrições detalhadas. De início boa dose de suspense, ritmo arrastado depois. Alguns clichês: exorcismo, biblioteca misteriosa; certa previsibilidade após o diálogo entre pai e filha. Interessantes: Legião e apocalipse final.

    Escrita e revisão – Deslizes de pontuação, concordância, regência já citados; bem como redundâncias, construções pleonásticas

    Terror – Apesar de cenas horripilantes bastante explícitas, o conjunto não trouxe grande impacto, ficou morno. Houve certo exagero: o gosto da menina pela leitura resultou no extermínio da humanidade.

    Emoção – Uma técnica vívida, com cenas e cenários bem desenvolvidos, estilo seguro, porém não conseguiu fazer o leitor sentir na pele os sentimentos dos protagonistas, as cenas de terror ficaram mornas. A história prende do início ao fim, no entanto, o fluxo é lento, o texto tem muita informação repetida e os diálogos são fracos. O título lembrou-me Agatha Christie.

  19. Eduardo Selga
    30 de setembro de 2017

    É como se a narrativa ainda não estivesse em sua forma definitiva. Os elementos usados (possessão demoníaca, biblioteca secreta e exorcismo) são muito batidos em contos de terror, o que faz ser necessária uma abordagem original quando o autor resolve caminhar por tais sendas. Isso, no entanto, não aconteceu, resultando num aproveitamento insuficiente de fatores que poderiam render uma narrativa de qualidade superior.

    Vejamos o ponto alto da narrativa, o exorcismo. É o tipo de cena que demanda descrição e/ou a narrativa de seus impactos nos participantes, porém a narrativa apresenta a cena de um modo quase protocolar, renunciando ao impacto que ela poderia ter no construto ficcional.

    O desfecho é interessante por mostrar a vitória de quem normalmente não vence nas ficções, o chamado mal. Porém, seria preciso um melhor tratamento dos antecedentes para que o final pudesse mostrar toda a sua força literária.

    Contribuiu para isso, acredito, o tratamento dado ao pastor. A reação dele, ao saber da possível identidade da criatura que parasitava sua filha, é quase blasé (“Esse demônio que conseguimos eliminar é apenas um deles, os outros, que também são Legião, devem estar por aí”), como um professor dando a mesma aula pela enésima vez (“Dessa forma, senhores, estamos perdidos”). Semelhante reação caberia muito bem se ele fizesse parte das “forças do mal” (e ter uma biblioteca sobre o assunto poderia ser um indício dessa cumplicidade), mas não acredito ter sido essa a intenção autoral.

    Há vários deslizes de regência verbal e nominal, do que cito este exemplo: “chafurdou toda a lama de seu cérebro […]”. O verbo usado, que significa revolver-se na imundície, é transitivo indireto ou pronominal, motivo pelo qual o correto seria “chafurdou-se em toda a lama”. A frase, em seu contexto, porém, não teria muito sentido. Talvez o verbo a ser usado seja outro.

    Em alguns momentos são usados lado a lado sinônimos de valor semântico idêntico (nem todos os sinônimos são assim), o que é uma redundância. Dois exemplos: “[…] falou numa voz calma, BRANDA e SUAVE, tranquilizando-a” e “Meu amor, eu acredito em você. Fique calma, PENSE E REFLITA […]”.

    Também há redundância no seguinte trecho, embora de outra natureza: “[…] pois ele não é apenas um espírito de trevas qualquer […]”. APENAS e QUALQUER, mesmo não sendo sinônimas, remetem ao mesmo campo semântico. Assim, eliminar uma das duas palavras seria bom.

    Falta precisão no uso das palavras, muitas vezes. Isso é muito importante porque as palavras são como projéteis que tivessem vontade própria de atingir esse ou aquele alvo. Se eu penso numa coisa, mas não uso a palavra exata para dizer tal coisa, na verdade eu não digo tal coisa. Temos um exemplo em “O senhor Parker, gradualmente, foi apagando o rastro de sorriso do rosto até deixar uma marca nula, um aspecto gélido. Os olhos, embotados agora, nada se assemelhavam aos serenos de um segundo atrás […]”. Se o personagem desfaz o sorriso GRADUALMENTE, não demora UM SEGUNDO para que os “olhos embotados” tomem conta da face. É muito mais. Claro, vale como força de expressão, mas é impreciso. Se fossem usados termos como UM INSTANTE ATRÁS ou UM MOMENTO ATRÁS teria ficado bem melhor.

  20. Jefferson Lemos
    28 de setembro de 2017

    Olá, tudo bem?

    Primeiramente, parabéns por ser o primeiro a postar, é uma responsabilidade e tanto.
    No entanto, devo dizer que o texto deveria, ao meu ver, ter descansando um pouco mais, como o Fabio disse. A história ficou fraca, sem uma trama intricada para ligar os fatos e causar a tensão necessária que um conto de terror pede. As personagens foram descritas de maneira superficial, com diálogos pouco interessantes e motivações fracas, que não deram o peso que a história pedia.

    O conto, de maneira geral, é bem descritivo, mas em alguns momentos ele se perde e vai se tornando cansativo, como no momento em que você lista todos os livros que existem na biblioteca, a modo de parecer apenas que o autor tem conhecimento sobre essa “magia negra”, mas sem acrescentar em nada na trama.
    Outro ponto negativo importante é a superficialidade com que tudo acontece. Faltou aprofundamento de um maneira geral, deixando o texto caricato em diversas passagens, com situações que, mesmo contadas numa história fantasiosa, não são críveis.

    Você escreve bem, tem um forte poder descritivo, mas talvez devesse ter se aprofundado mais no terror psicológico da trama, que é o que costuma acontecer nesses tipos de histórias com possessões. Não consegui sentir o terror e isso é prejudicial para o conto, levando em consideração que é um desafio de terror.

    No mais, é isso. Não me leve a mal, mas é minha opinião sincera, desconsidere o que não achar pertinente e aproveite o que achar construtivo.

    Boa sorte no desafio!

  21. Edinaldo Garcia
    27 de setembro de 2017

    Escrita: Gostei do estilo dessa narrativa jornalística. Até acho esse jeito de narrar muito complicado para o gênero terror, pois não abre muitas portas para o leitor entrar na intimidade do personagem e assim criar vínculos com eles. Vínculos esses que são essenciais no terror, pois precisamos nos importar com os personagens, porque é desta forma que o terror é produzido. Mas aqui foi bem feitinho, me surpreendeu positivamente.

    Terror: Achei que o texto está dentro do gênero. Não me causou nenhuma sensação de desconforto ou apreensão o que é um ponto ruim, talvez pelos elementos sobrenaturais explícitos na trama sem nenhum pudor e a falta de algo mais psicológico, que mexe com a imaginação. Mas eu entendo que o medo é relativo. O que não é assustador para mim é para o outro.

    Nível de interesse durante a leitura: Digamos que o final salvou essa parte. Pois até pouco mais da metade todos nós (pelo menos eu) sabíamos quem havia feito toda a matança, principalmente quando é revelado que o pai era um exorcista, a não ser que desse uma reviravolta, coisa que não aconteceu. Não ouve muito suspense, mas o final com todos esses elementos grandiosos que a trama ganhou deu a ela novo ânimo a narrativa.

    Língua Portuguesa: Há sim alguns erros gramaticais, mas eu não levo em conta isso desde que não interfira no ritmo da leitura; e realmente não interferiu em nada. O texto está bem escrito e é isso o que importa. Só vou citar alguns aqui para não dizerem que sou bonzinho demais:
    a procura de um mosquito veloz e invisível. – à procura – pois trata-se de conjunção adverbial e não um artigo e um substantivo.
    E como adorava ler a jovem. – o melhor seria uma exclamação e não ponto final.
    sentou-se ao lado dela e a abraçou, carinhosamente, – essas vírgulas truncaram o período, sem necessidade alguma mediante à gramática.
    fitou-lhe – no sentido de olhar “fitar” é verbo transitivo direto. Acredito que “fitou-a” seria o correto.
    Veredito: No misturar dos ingredientes ficou sim um prato gostosinho.

    Só uma observação final (desabafo): Eu particularmente não gosto de textos brasileiros ambientados em outros países e com nenhum personagem do nosso país, mas seu sei que é uma frescura minha e como este texto foi o primeiro que li neste desafio não me incomodou muito, no entanto eu sei que se vierem enxurradas de contos assim vai me estressar um pouco, mas não irei tirar nota de ninguém por isso. Hehehe.

  22. Regina Ruth Rincon Caires
    27 de setembro de 2017

    Texto em que prevalece a descrição. Descrição primorosa. Texto bem tramado, denso, cheio de mistério e que explora a possessão, o exorcismo.
    Alguns errinhos escaparam à revisão, nada que não pode ser solucionado.
    Escrita fluente, detalhada. Inteligente a parte da trama que envolve a biblioteca do terror, louvável a citação de tantas obras.
    Entendo que a narrativa se encaixa no tema proposto, os parágrafos denotam um suspense crescente. O autor possui grande domínio da cadência da escrita, resgata o leitor quando percebe que a narrativa caminha por caminhos mornos.
    Parabéns, Shelley Voorhees!

  23. André Lima
    26 de setembro de 2017

    Bom, vamos lá. Primeiro, devo apontar que há diversos problemas de falta de revisão, algumas vírgulas faltando, algumas vírgulas que deveriam ser pontos e reticências faltando um ponto. Ah! Após as reticências tem que dar espaço!

    Sobre a história: a narrativa é linear demais. Senti falta de alguns elementos. Por exemplo, o conto se passa, quase em totalidade, na conversa entre pai e filha. Ficou monótono. Á narrativa é linear e simples: não há crise, não há nada que prenda o leitor.

    Não entendi a estratégia dos diálogos também. Eles destoavam do narrador e quebravam o clima de terror em diversos pontos. Cito aqui dois: “pelamordedeus”, escrito dessa maneira, soa cômico. “Jogar badminton” também.

    É evidente que o escritor é habilidoso, pelo vasto vocabulário, pela forma como escreve, mas a impressão que deu é de que duas pessoas escreveram o conto, um como narrador e outro nos diálogos.

    Tem coisa boa aí. Eu consigo perceber uma boa técnica no escritor. Faltou, na minha opinião, uma melhor elaboração da ideia.

  24. Evandro Furtado
    26 de setembro de 2017

    O conto começa bem, com imagens bem interessantes. Há, também, logo no início alguns probleminhas com a pontuação, mas isso diminui drasticamente conforme o texto avança. A história segue por um caminho mais explicativo, rompendo com o mistério inicial que dava força ao texto. Isso tira um pouco daquele impacto inicial, mas não torna o texto, necessariamente, ruim. As descrições continuam a ser realizadas durante todo o conto, e isso faz com que a ambientação se torne bastante vívida. Talvez a falha maior do texto seja a história em si, que parece não ter um direcionamento. O final não traz um senso de conclusão e isso decepciona um pouco o leitor.

  25. Rafael Penha
    26 de setembro de 2017

    O conto demonstra uma ótima premissa, mas creio que já demonstra seu maior pecado na primeira cena: Falar demais e sentir de menos.

    PONTOS NEGATIVOS: A descrição ricamente trabalhada demonstra um esmero maior em fazer frases bonitas do que aterrorizar o leitor. Os personagens não foram desenvolvidos o suficiente para que possamos nos importar com eles. Uma barriga muito grande no meio do conto que não leva a história para frente, nem desenvolve os personagens. Muita explicação de coisas que deveriam ser mais sutis e subentendidas, ou mesmo, deixadas em aberto. Clímax rápido e sem emoção.

    PONTOS POSITIVOS: A biblioteca chama atenção como um universo que pode ser melhor explorado. O demônio, apesar da aparição rápida e do exorcismo sem impacto, tem uma descrição bem interessante e inédita. O final apocalíptico me parece ótimo, mas foi ofuscado pela história rasa.

  26. Fabio Baptista
    25 de setembro de 2017

    Gostaria, inicialmente, de parabenizar o autor por ter sido o primeiro a dar a cara a tapa e postar o conto no desafio.

    Seria melhor, no entanto, ter segurado o ímpeto de enviar (sim, eu sei que é difícil rsrs) e deixado o texto “dormir na gaveta”, para revisá-lo com mais calma.

    Não há erros gritantes, mas alguns detalhes escaparam. Assim como na parte técnica, não se pode dizer que esteja mal escrito, mas algumas construções me deixaram um pouco incomodado, por exemplo:

    – Acharam-na transtornada, de uma excitação frenética
    – nada que parecessem humanos
    – vindo depois a ser aposentado e nunca mais saindo de lá
    – forjadas em pele multicor das diversas etnias das vítimas da entidade maléfica
    >>> não há erros, principalmente quando analisados isoladamente. Mas durante a leitura me chamaram a atenção, por destoar, seja por algum elemento estranho (tipo o “de” uma excitação…) ou um tempo verbal que soou descasado.

    – Se você a visse de manhã, estaria a devorar um livro, pela tarde já era outro título e à noite um terceiro.
    >>> tá igual alguns participantes aqui do EC, que leem os contos numa velocidade espantosa! kkkkkkkk

    – Eu não sei muito bem… – começou meio confusa – ….estávamos adorando
    >>> Por que esse excesso de …. ?

    – Certa tarde eu estava jogando badminton
    >>> o uso dessa palavra “badminton” é muito fora da nossa realidade (da minha, pelo menos) e acabou quebrando um pouco o clima

    – Suzan Ann
    >>> mesma coisa do apontamento anterior. Até o momento não vi nenhuma justificativa para não ambientar o conto no Brasil e dar às pessoas nomes convencionais. Nada contra ambientar fora, mas dai seria melhor colocar nomes totalmente estrangeiros, não ficar em cima do muro, meio lá, meio cá.

    – por isso ele era o guardião de uma seita milenar
    >>> não gosto desse tipo de informação que aparece do nada para justificar determinado ponto, ou memso para fazer a história andar. Poderia ter mostrado isso de outra forma, um flashback, talvez… ou então não falado nada sobre seita milenar (vou comentando os trechos assim que os leio, então não sei se a tal ordem aparecerá mais à frente).

    – Eu já te disse pai, um bom número deles. – respondeu temerosa.
    >>> se usou ponto final, o “respondeu” deveria iniciar em maiúscula. Eu usuaria sem:
    >>> Eu já te disse, pai… um bom número deles – respondeu, temerosa.

    – usou de seus contatos na ordem secreta
    >>> a ordem apareceu! rsrs

    A trama também não me cativou. Em nenhum momento causou a apreensão que particularmente estou procurando aqui no desafio. Toda a parte gore do massacre, que poderia ser aterrorizante, foi apenas contada, não mostrada… apenas o relato de um fato consumado do qual o leitor não “participou”. A melhor parte do conto, que mais chegou perto de me assustar, foi a citação dos diversos livros malditos. Mas esses nomes assustam por si só.

    O final foi megalomaníaco demais, apressado, saindo de um caso de possessão para o prelúdio do apocalipse.

    Enfim, não curti.

    Abração!

  27. Andre Brizola
    25 de setembro de 2017

    Contos de terror estão entre minhas coisas preferidas. E é sempre muito legal encontrar as influências que Lovecraft, Ambrose Bierce, Stephen King, Poe, entre outros, em contos novos. É o caso aqui, e isso me diverte. Isso deixa a coisa interessante pra mim.
    Por outro lado, ele gera uma expectativa. Se você pretende citar, reverenciar, ou deixar claro de alguma maneira sua influência de algum autor, é preciso ter em mente que o leitor fará o mesmo. E isso e um risco, pois pode rolar uma comparação. Gostei muito da cena da biblioteca, e ela é muito condizente com aquilo que o Lovecraft sempre fez em sua obra. E não é uma cópia, pois há seu estilo no texto.
    Entretanto, tal nível de descrição nesta cena (e na do evento inicial) nos prepara para níveis ainda maiores de detalhamento em outros pontos chave do enredo. E creio que os diálogos falharam nesse sentido, bom como a cena do exorcismo. Foram curtos, fiquei com a sensação de pressa.
    Outro ponto que me deixou incomodado foi a falha do pai em não perceber os sinais da possessão logo no início. Nós, leitores, já sabemos que se trata de uma possessão quando lemos a descrição do incidente inicial, e esperamos que ele tenha esse tipo de reação também.
    Acredito que para o desafio o enredo teve que ser adequado à proposta no que diz respeito ao tamanho, pois acho que com um desenvolvimento maior em alguns trechos ele ficará realmente arrepiante!

    Esse é meu primeiro comentário no Entre Contos, embora já acompanhe os desafios há algum tempo. Peço perdão se feri algum código de conduta!

  28. Fil Felix
    25 de setembro de 2017

    Bom dia! De início o título e o pseudônimo me lembraram de algumas coisas, como a Laura Palmer de Twin Peaks ou o Jason Voorhess de Sexta-Feira 13, mas foi só impressão. A filha de um pastor recebe um demônio em seu corpo, assassina dezenas de pessoas e passa por um ritual de exorcismo. A história não é necessariamente nova, já no primeiro parágrafo fica um pouco claro que se trata de possessão (por ela revirar os olhos etc) e que também é a responsável pela chacina. Nesse ponto, acho que o formato em que o conto se constrói acaba entregando muito, explicando demais. A cena do Legião eu achei muito boa, bem elaborado criar um demônio multi-cor e feito a partir de outras pessoas, com várias peles, já que o próprio Legião é uma horda. Isso ficou ótimo. Mas logo temos uma explicação longa sobre quem é ele. Entrega muito e não dá espaço pro leitor pensar.

    Uma outra cena semelhante é quando informa que o pai é membro de uma Ordem Religiosa e sobre a Biblioteca. Acaba surgindo muito de supetão e temos um parágrafo enorme citando diversos livros, misturando ficção com realidade, que passa a sensação de fanfic ou de querer emular um Lovecraft (até porque cita o Cthulhu).

    As cenas gore funcionaram, no início e no fim (com o corpo casca) e percebe-se a estruturação do conto, com todo um caminhar pra chegar ao fim, mesmo que deixando um tanto aberto, mas sem cara de que faltou muito ainda ou pouco. Na medida certa. Talvez, tirando um pouco o exagero (dezenas de policiais, exército na rua), ficaria mais realista e suave. Gostei do demônio possuir a menina através do livro. Faz uma boa ponte com a tentação de Eva e Adão, que provaram do fruto do conhecimento e foram banidos do Paraíso. Provando que conhecimento é poder, tanto pro bem quanto pro mal.

  29. Rafael Soler
    25 de setembro de 2017

    Gostei muito do estilo de narrativa, princialmente das descrições, lembrei bastante de Poe enquanto lia.
    Outro ponto positivo é a forma como a história é apresentada ao leitor aos poucos. Isso dá um efeito de desnorteamento no começo que é bem interessante, sem exposições desnecessárias.
    A temática de criatura misteriosa e culto religioso também me agrada muito, então, pessoalmente, gostei dos rumos grandiosos que a história toma à partir de sua metade, coisa que eu não suspeitava que aconteceria no começo.

    Algumas coisas me tiraram do texto em alguns momentos, como o cenário da história. Acho que poderia ser algo mais brasileiro.
    Outro ponto que me incomodou foi – talvez pelo aspecto um pouco requintado de escrita – que alguns diálogos não pareceram naturais nas bocas dos personagens, mas isso pode ter sido feito de forma deliberada.

    No geral, considero esse um bom conto, que pega um plot batido e lhe dá uma nova roupagem.

    😀

  30. Lucas Maziero
    24 de setembro de 2017

    Este conto apresenta várias facetas dentro do gênero terror, digo até que a história tomou rumos exorbitantes. No começo vemos Carla em estado de choque, em meio a uma cena bem gore (confesso que gosto de ver o sangue correr). Em seguida, Carla dialoga com o pai — essa parte merecia mais cuidado, me soou um tanto artificial, como se o pai de nada desconfiasse, pois, mais à frente, o pai diz com convicção que ela tem um cativo dentro de si, e essa constatação já deveria ter lhe ocorrido, devido à tragédia ocorrida envolvendo a filha, sendo ele um especialista em assuntos sobrenaturais. A força deste conto reside mais no começo e na cena descrevendo os livros maléficos — aqui a gente deixa a imaginação correr, pensando em como seria folhar um livro desses e o que encontraríamos em suas páginas. Agora chegamos ao final, que tomou ares apocalípticos. Considero que foi uma cena bem contada a do exorcismo, e de como se revelou que aquele demônio era apenas a ponta do iceberg. Sim, digo que foi bem contada, porém excedeu um pouco nas explicações sobre o que é Legião. No mais, acho que ficou bem essa mistura de gore com sobrenatural, terminando, tudo por causa da curiosidade de Carla pelos livros, numa catástrofe de proporção mundial.

    Parabéns!

  31. Paula Giannini
    24 de setembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Embora os críticos possam torcer o nariz, afinal a filha de um pastor, possuída pelo mal pode parecer algo um tanto quanto clichê, gosto da premissa que, acredito, seja bem interessante e possa render boas cenas. O que, de fato, aconteceu. A possessão é, sem sombra de dúvidas, um dos principais temas representantes do terror. Então, por que não abordá-la em um desafio que trata justamente do gênero?

    Seu conto é bem conduzido e imagino que início, meio e fim, tenham sido planejados, na intenção de conduzir o leitor através da história dessa menina que, possuída pelo mal, abre o portal do inferno deixando livre a entrada daqueles que irão conduzir a humanidade ao apocalipse. Nesse sentido o texto está ok, redondinho e escrito, claramente, por um bom contador(a) de histórias. Mas, (sempre tem a porcaria do mas) (rsrsrs) o que senti, me corrija se estiver errada, é que o autor(a), embora soubesse onde queria chegar, na pressa de entregar logo o trabalho ao desafio, talvez tenha se precipitado ao dar seu conto por terminado.

    De uma forma ou de outra, cenas muito interessantes foram criadas. Gostei demais da ideia da biblioteca do mal com todos os seus clássicos, ícones do imaginário de terror, com suas capas de pele humana e tudo o mais. Esse trecho, em especial, demostra o cuidado e a pesquisa do autor.

    Outro ponto forte está no fato de o mal “entrar” na menina através das portas da leitura. Isso cria uma espécie de segunda camada, sugerindo ao leitor que, também através do presente texto, poderá o maligno se manifestar. Além de se tratar, claro, de um desafio entre escritores e leitores.

    Parabéns.

    Desejo-lhe boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  32. angst447
    24 de setembro de 2017

    T (tema) – O conto está dentro do tema proposto pelo desafio.

    E (estilo) – Estilo de narrativa jornalística. Muitas descrições: algumas funcionaram bem (no início), outras nem tanto.

    R (revisão) – Alguns erros passaram, como por exemplo:
    era um dos melhores exorcistas que existia > que existiam
    já realizaram na moça > já haviam realizado na moça
    realisticamente verídica > pleonasmo muito forçado

    R (ritmo) – A narrativa até que flui bem, mas há uma certa “enrolação” da metade para o fim que faz a leitura ralentar e derrapar. Talvez, uma enxugada no texto resolva esse ponto.

    O (óbvio ou não) – O começo do conto revelou um tom de suspense que me agradou bastante. No entanto, o diálogo entre pai e filha tornou a situação muito clara, sem deixar muito espaço para a imaginação do leitor. Enfatizo que o final ficou bom, com a insinuação de um apocalipse.

    R (restou) – A sensação de que o autor gosta do tema e já ensaiou algumas incursões neste meio aterrorizante.

    Boa sorte!

  33. Pedro Teixeira
    24 de setembro de 2017

    O texto está bem revisado e traz boas ideias. Infelizmente, acho que o ritmo tem problemas: em alguns momentos é muito rápido, como na cena de exorcismo, em outros é muito lento, como no início. Há algumas redundâncias(Forças negativas do mal) e frases um pouco exageradas (chafurdou toda a lama do cérebro). No geral me parece uma boa trama, com elementos que podem render um bocado, mas no qual a abordagem foi superficial, sobretudo em relação aos personagens.

  34. Nelson Freiria
    24 de setembro de 2017

    Muitos parágrafos ficaram pesados na descrição. Ao final do terceiro parágrafo fiquei meio confuso sobre o que, afinal, não era humano. Nunca vi a grafia de “C’thcullu” dessa maneira antes, mas isso não importa, entretanto, essa menção acabou por retirar um pouco da graça de querer explorar o que havia de horripilante naquele cenário, fazendo a história entregar alguns pontos rapidamente, como no caso dos policiais citados logo em seguida.

    Algumas mudanças verbais me deixaram desconfortável. Senti falta do uso de sinônimos em palavras iguais em mesmo parágrafo ou próximas, como no caso de “pregador” e “trêmula”. Outra repetição que poderia ter sido evitada era a das partes de corporais. Com apenas uma descrição, o leitor era mais do que capaz de compreender o que aconteceu ali. E nesse caso, seria mais aterrorizante saber o estado desses corpos, do que saber que são pernas, braços, antebraços, joelhos, nádegas, orelhas, mãos, etc.

    Acredito que, com o tempo que ainda há para as submissões, o texto poderia ter se beneficiado de uma revisão que tornaria a leitura mais prazerosa, evitando algumas construções, como “forças negativas do mal” e “voz calma,branda e suave”, que acabaram por atrapalhar o desenvolvimento da tensão no conto. Já sobre alguns diálogos marcados com marcadores de itens ao invés de travessão, e alguns errinhos ali e aqui, não me incomodaram, pois foi possível captar o conteúdo.

    Muitos diálogos não me soaram naturais, o que torna os personagens pouco convincentes, já que a maior parte da personalidade da menina é construída através deles, e parte da personalidade do pai…

    Eu gostei do final ser um prenúncio do fim da humanidade, porém a forma como ele se deu, acabou sendo rápida demais, principalmente no conflito entre os religiosos e o demônio.

    A frase final poderia ser eliminada sem afetar o texto, pois o parágrafo anterior já havia deixado claro o que aconteceria.

  35. Olisomar Pires
    24 de setembro de 2017

    Impacto ao eu-leitor: médio.

    Narrativa/enredo: as passagens se conectam com facilidade até por ser em estrutura linear. O enredo não é novo, mas sempre funciona: possessão demoníaca com vítimas ensanguentadas.

    Escrita: Simples, direta. Há certa fluidez.Como já anotado, existem pequenos erros não agravadores da leitura.

    Construção: Há momentos bons, especialmente nas citações ao mestre Lovecraft. Não houve empatia com os personagens, a construção estilo jornalístico não conquistou.

    É isso.

  36. werneck2017
    24 de setembro de 2017

    Olá, Shelley!

    Eu gostei muito do começo do conto: do mistério em torno do evento dantesco que nos incita a curiosidade a respeito de como se criou e do porquê a moça ter sido poupada, da biblioteca escondida e tudo o mais. No entanto, senti uma conexão com os personagens. O relato sobre o que o pai sente não causou empatia, não compartilhamos com ele de suas aflições. O final me pareceu também apressado e insosso. Não causa uma reflexão mais profunda. Há erros também na escrita com relação à crase e tudo o mais, nada que uma revisão não dê jeito. As referência foram jogadas, surgindo como informação a mais. Toda vez que se tem informação em abundância, fosse para o fluxo emocional. Enfim, uma premissa vale ser reformulada para criar um laço maior com o leitor e com um final mais bem trabalhado.

    • werneck2017
      24 de setembro de 2017

      Corrigindo: não senti uma conexão maior com os personagens…

  37. Ana Maria Monteiro
    24 de setembro de 2017

    Oi Carla.

    Aqui estou eu, uma não consumidora de terror a comentar o primeiro conto deste desafio. Talvez que este meu distanciamento e ausência de conhecimento em relação ao género possam ter algum valor.
    Antes de partir para o conto, referirei superficialmente a qualidade da escrita, que me pareceu um pouco atabalhoada e onde encontrei algumas discordâncias verbais que, essas sim, me perturbaram um pouco. E vi, logo de caras no primeiro conto, o que imagino será um dos problemas do desafio: uma descrição que poderia surtir efeito “vista”, mas que, lida, não ganha qualquer carga de terror.
    Existe sempre uma diferença enorme entre o que é escrito para ser lido e o que é produzido para ser visto e, no domínio da leitura, este conto peca por falta de impacto: não cria medo, receio da frase seguinte, do que virá a seguir. Também não é criado um elo de ligação empática entre os personagens e o leitor, pelo que o seu destino nos é indiferente.
    Acredito ser bem mais difícil escrever terror que colocá-lo no ecrã. Para não ir mais longe, esta mesma história, se vista, seria muito mais impactante. Ainda que, nessa situação, carecesse de bastante mais trama para poder ir além duma curta de 5 minutos.
    Já está escrita e publicada, não justifica muitos conselhos, caso contrário, dir-lhe-ia que voltasse a ela e criasse laços com o leitor. Laços que nos transportassem para junto do pai ou da filha e nos fizessem sofrer juntamente com eles. De igual forma, para pape ou ecrã, o final ficou a dever: excessivamente rápido e sem carga dramática – ao atingir toda a humanidade, não atinge ninguém.
    Fica a minha impressão de não leitora de terror ou qualquer espécie de ficção.
    Boa sorte no desafio e parabéns pela participação e prontidão no envio.

  38. Zé Ronaldo
    24 de setembro de 2017

    Cara, é o seguinte: o texto tem coisas bacaninhas, gostei pacas da introdução, deu vontade de continuar lendo (apesar de você usar muito termo batido e clichê), mas depois a trama fica estática, como se agrilhoassem a ela uma bola de ferro, saca. A parte da biblioteca foi maneira e aquele bando de nome de livro achei bem maneiro também, mas só, velhinho. Tu deste um fim tão rápido à solução do problema, que pareceu novela que tem que acabar rápido porque não tá dando ibope. A ideia é duca, só tem que ser melhor explorada.

  39. Bia Machado
    24 de setembro de 2017

    DESENVOLVIMENTO: Um texto meio que corrido, ao qual faltou a emoção para realmente poder me fazer sentir como se lesse algo sobrenatural ao estilo de Lovecraft. A citação a um dos mitos desse autor (escrita de forma incorreta, inclusive), não surtiu muito efeito. Não sei se foi essa a ideia também.

    PERSONAGENS: Não percebi um cuidado maior em sua composição. As falas não possuem força, não consegui me envolver com a jovem e muito menos consegui ter repulsa pelo pai da menina.

    GOSTEI: da ousadia de ter iniciado o desafio.

    Mas…

    O QUE PODIA SER MELHOR: o desenvolvimento, com mais emoção e uma tentativa mais cuidada em relação à trama, explorando melhor o tema do desafio.

    DEU VONTADE: de ver o foco do texto mais na biblioteca do que no tal ritual.

    NÍVEL PESSOAL DE TERROR COM RELAÇÃO A ESSE CONTO: Inexistente.

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Informação

Publicado em 23 de setembro de 2017 por em Terror.