EntreContos

Literatura que desafia.

A lagartixa – Conto (Paula Giannini)

Não pode deixar de se sentir culpada com a lagartixa esmagada na fresta. Morava ali sozinha e, obviamente, era a única a fechar e abrir portas. Há anos não recebia visitas. A mãe morrera quando era ainda muito jovem. E a vida do pai ela acompanhava pelos noticiários da TV.

Sempre foi assim.

Para ela, cada vida importava como se fosse a sua. Gatos, formigas, aranhas, mariposas.  Até as baratas, às quais aprendera culturalmente a temer, saíam de seu apartamento vivas. Capturava-as em um vidro e soltava no vão do lixo de seu andar. Eram muitos metros em queda livre até chegar aos dejetos dos outros vizinhos, lá em baixo. Mas o asqueroso inseto não devia se importar com isso. Baratas, aprendera ainda menina, sobreviviam a tudo. Eram capazes de viver 30 dias – decapitadas – sem que a minúscula cabeça lhes fizesse falta.

– Elas herdarão a Terra após a hecatombe. – A voz de barítono do pai soava sempre autoritária. Para ele, a hecatombe era tão certa quanto o dia que vem após a longa noite de insônia.

A lagartixa grudara na parede. Certamente estava lá há dias. E fora pega de surpresa pela morte, enquanto espreitava a vida de alguma barata. O prédio estava infestado. Mas se recusava a abrir a porta ao moço da dedetização, assim como o pai agora fazia com ela.

Não o culpava.

Político com a imagem intocada até um mês atrás, filho de militares do mais alto escalão, deve ter sido difícil para ele aceitar suas escolhas como mulher. A última vez que haviam se falado, olhos nos olhos, foi no enterro da mãe. Entre dor e desespero, sem derramar uma única lágrima, ele deixara claro. Suas relações, a partir daquele dia, não passariam de encontros formais, sempre e apenas, quando fosse estritamente necessário.

E se despediram ali mesmo, na porta do cemitério, com um aperto de mãos e alguns trocados para a condução. O polpudo cheque ao portador deveria ser usado para financiar os estudos. Mas ela não poderia perder a oportunidade que faculdade alguma lhe daria.

A de se transformar em si mesma.

Antes de subir no taxi, desviou para não pisar no inseto. O cemitério também estava repleto de baratas.

Sempre foi assim.

– Quando eu crescer quero ser igual à minha mãe. – Era o que dizia a todos que perguntavam, assim, como quem não quer nada, o que queria ser quando crescesse.

Queria ser mãe.

Muito.

Desesperadamente.

No mais fundo recôndito de sua alma, ela sentia que nascera para a maternidade. Era essa sua vocação no mundo. E marejava os olhos ao acompanhar, de longe, o ritual de mulheres e seus rebentos. A troca de fraldas, mamadeiras, os pequenos de mãos dadas ao atravessar a rua. A cumplicidade amiga durante toda uma vida, ela idealizava.  

Acordou de seus devaneios com a campainha.

O porteiro trazia a correspondência. Em meio a contas vencidas e propagandas de políticos, uma carta do juizado.

Sentou-se tomada pela vertigem.

E se lhe negassem o pedido mais uma vez?

Essa já era a última instância e nada mais poderia ser feito, explicou o advogado. O nome do pai chamava muita atenção.  Atrairia publicidade. E isso podia ser realmente muito ruim. Mas também poderia ser bom. Quem seria capaz de prever a próxima jogada da oposição em tempos tão conturbados.

A imagem do pai na tela chamou sua atenção.

Envelhecera muito desde a última vez e a calva lhe emprestava um ar ainda mais assustador.

A hecatombe deveria estar próxima.

Ao menos para ela.

Pegou o controle remoto.

A notícia estava em todos os canais.

O pai, com uma vida até então supostamente imaculada, estava envolvido até os ossos com a lavagem de dinheiro das últimas eleições presidenciais.  O escândalo respingara em todo o partido. E ele parecia estar molhado há muito tempo.

– Senador! Uma palavra. – A repórter, repelida pelo segurança, queria saber mais.

Falava-se em contas na Suíça, em esquemas milionários de corrupção e mentiras. Uma vida de luxo e excêntricas aquisições, tudo pago com os saques aos cofres públicos. Até a operação de troca de sexo do filho havia sido patrocinada com o dinheiro do esquema.

Maurício era filho único.

Puxou a lagartixa pelo rabo.

O corpo aderira ao batente, quase incorporando-se à madeira, fazendo com que o membro se desgrudasse do tronco do pequeno animal. Se estivesse viva, se regeneraria, como a perna de uma barata. Só a morte pouparia a pobre da eterna calda a se arrastar pelo mundo. Era preciso morrer para não presenciar a contorção involuntária do rabo. Vivo, repugnante e latente

Sempre foi assim.

Desde que se conhecia por gente.

Aos dois anos colocara os lacinhos da prima em seus cabelos. Recusava-se a cortar os cachos longos, que aos poucos se transformavam em uma vasta cabeleira. E se jogava dramática no chão, a fim de não migrar para a fila no lado dos meninos.

Era uma menina.

O pai, pensando tratar-se apenas de uma fase, levou-o a psicólogos. Os melhores que seu cargo podia comprar em uma Via Crucis de opiniões e bizarros mal-entendidos. Seu nome não era Maurício. Tampouco suportava ser chamado de príncipe da mamãe.

Era uma princesinha.

Será que ninguém a enxergava?

A mãe sim.

Preferia uma filha feliz, a um filho frustrado por toda vida. Era como se adivinhasse a própria morte, precoce e súbita. E tratava de limpar as feridas, tentando ela, também, metamorfosear-se em uma nova pessoa.

– Alguém errou, mamãe. Alguém trocou minha alma lá no céu e me aprisionou nesse corpo de menino.

– Cada um enxerga o mundo à sua maneira… – Ela tentava socorrer.

A dor do filho devia ferir demasiado a si mesma. E a separação do homem que amara desde menina foi o que julgou ser o melhor a se fazer. O filho precisava de suporte e o marido não conseguia lidar com a situação.

Sempre foi assim.

E aos 15, Maurício se apaixonou pelo melhor amigo.

– Isso é para você aprender, sua bicha!

Ele não era gay.

Não era.

Sentia-se genuinamente uma menina.  

Mas o candidato a primeiro namorado, não tinha idade suficiente para compreender a diferença. E assustou-se terrivelmente ao notar o volume involuntário na calça do amigo ao se declarar.

Maldito rabo de lagartixa.

E nesse dia perdeu de uma só vez o amor e o amigo. O soco, certeiro, quebrou o osso da face. Nada que um bom cirurgião não pudesse consertar.

– Por que é que não consertam a mim, papai?

O pai também sofria com o erro da natureza, e ao que chamava de “maluquice do filho único’. Pediu discrição ao hospital, deixando uma generosa colaboração, além da astronômica conta, paga à vista e em espécie na recepção.

Junto com a alta, recebeu a notícia da morte da mãe.

Sempre foi assim.

Sobre a mesa, a carta a desafiava.

Nada na vida lhe custara mais. A operação para corrigir o engano de Deus havia sido algo fácil, uma plástica corretiva e sem maiores tons dramáticos. Apenas recuperava sua verdadeira natureza. Seu eu, que só viria a ser oficialmente aceito, dois anos depois. E somente após completar a maioridade, em uma desgastante luta travada com a justiça, passou a se chamar Gisele.

A sexualidade dos outros parece ser tônica na preocupação com a vida alheia.  Se um dia chegasse à faculdade, seria esse seu TCC.

Mas a desumana batalha que vivia agora, a fim de adotar uma menina cujas chances de ser escolhida na longa fila do sistema de adoção brasileiro era quase nula, a estava consumindo lentamente.

Colocou a lagartixa em uma caixa de fósforos. Em algumas culturas, o rabo deveria ser enterrado junto ao resto, a fim de, em uma outra vida, ser restabelecido a seu local de direito. Não dessa vez. A pobre deveria ter livre arbítrio sobre a forma do próprio corpo.

– É preciso morrer para renascer. – Pensou descartando o inútil apêndice na privada.

Acendeu a vela diária em frente ao retrato da mãe. Não era a primeira caixa de fósforos a jazer ao seu lado. Era uma pena. As baratas agora fariam a festa. Talvez devesse dar uma chance ao dedetizador já que a morte não poupa ninguém. Assim como, agora lhe parecia, tampouco a vida.

Sempre foi assim.

O som do lado de fora chamou sua atenção. Na rua, em frente ao prédio, uma pequena multidão de repórteres e manifestantes se acumulava. De onde vinha toda aquela gente? Sobre o asfalto, dois homens de terno preto, pintavam uma espécie de cartaz.

Não à Abominação. Se lia em vermelho.

Mais adiante, um animado grupo empunhava uma bandeira onde se via uma barata multicolorida sorrindo ao tom do orgulho gay.

Gisele custou a perceber a bíblia nas mãos dos homens de preto. Seus ternos surrados pareciam forjados para alguém consideravelmente menor. Quase podia sentir o cheiro de mofo e creme para pentear o cabelo.

Custou também a entender os estranhos gritos da turba.

– Liberdade para as baratas! – Berravam, desafinadas, as figuras multicoloridas. Meninos-menina, meninas-menino, cujas vozes tentavam superar os brados de homens e mulheres fedendo a naftalina.

Assim como a custo, espremendo os olhos a fim de compreender o burburinho dos jornalistas sobre o carro que estacionara logo à frente, vislumbrou o motivo da hecatombe anunciada.

O Senador, em pessoa, descia teatralmente de um inesperado modelo popular. À paisana e inconfundíveis, não pôde deixar de notar os seguranças infiltrados em ambos os lados.

Baratas.

Era assim que a imprensa chamava os envolvidos no escandaloso desvio no qual o pai havia se enfiado. A estratégia de desfilar uma vida forjada ao mais puro estilo da classe trabalhadora era o motivo do apelido. O Senador e seus asseclas passaram a usar roupas baratas, carros baratos… Comiam em restaurantes baratos.

Só agora Gisele entendia o golpe de mestre do calejado político.  

Entre um maldito e outro, enquanto frequentava a classe operária assiduamente, apertando algumas mãos em seu curral, alguém cismara em entender que o pagamento da transformação de gênero da filha, se configurava em nada mais que um emblemático ato em prol do movimento GLBT.

Sempre foi assim.

O pai se saía bem de toda e qualquer situação. Mas o xeque-mate se daria ao deixar do edifício de Gisele, abraçado àquela a quem negligenciara durante toda a vida.  

O elevador apitou ao atingir o décimo segundo andar. E ela já estava com a mão na maçaneta no momento em que a campainha tocou. Mas fingiu surpresa e demorou-se um pouco antes de abrir. Não poderia privar-se de uma pequena e boba vingança.

–  O café está muito bom, Gisele. – A conversa saía difícil, dura, enferrujada.

O diálogo é algo a ser construído, não há como se conquistar de uma hora para outra. Mas o hábil orador sabia muito bem a que viera. E com a voz calma e segura, pronunciou pela primeira vez o nome da única filha.

Os olhos de Gisele marejaram e o Senador, finalmente, chegou ao ponto. O motivo da visita era a proposta de um acordo de paz. Queria recuperar os laços perdidos. Sabia que não seria fácil, mas como prova de seu arrependimento, gostaria de ajudar no processo de adoção daquela que chamou de…

– Minha neta.

Sempre foi assim.

Gisele ouvia impassível tudo o quanto o pai dizia. E por um instante lembrou do amor infantil que Maurício sentia por aquele homem quando pequeno. Admiração e temor andaram de mãos dadas durante toda a sua primeira infância.

A mãe certamente sorriria aliviada ao assistir à cena.

– E então?  O que me diz?

Não poderia aceitar a estratégica oferta de ajuda. As eleições se avizinhavam e auxiliar o político a matar dois coelhos com uma só cajadada não estava em seus planos.

Hoje não.

Tampouco, no entanto, podia recusar o pedido de perdão daquele estranho. Algo de verdade deveria haver no mais oculto recanto de sua culpa, e, em algum lugar, lá no fundo, talvez ainda existisse o homem a quem aprendera a chamar de pai.

– Pequenas mortes cotidianas subtraem algo de nós em todos os dias de nossas vidas. – Foi tudo o que conseguiu dizer antes de fechar a porta.

Perderia o direito à maternidade, mas não podia se perder de si mesma.

Sempre, sempre foi assim.

Já amanhecia, quando a multidão se dissipou. Abriu a porta para o exterminador de insetos e, sem deixar de sentir remorso, saiu com uma pequena mala. Precisaria ficar todo o dia fora.

É impossível passar por esse mundo sem sujar as mãos.

– A senhora deixou cair. – O pensamento foi interrompido pelo rapaz devidamente paramentado para o extermínio.

Apanhou a carta ainda fechada e assustou-se com a quantidade de baratas na colônia que criara na lixeira do edifício. O melhor a se fazer era encarar o resultado de uma vez. Jogar a carta fora não resolveria o seu problema. E sentou-se na mureta sentindo-se como a mãe que aguarda, olhando o palitinho do exame de gravidez.

Abriu a carta.

Entre formalidades e assinaturas o veredicto.

Deferido.

Finalmente.

Misto de comoção e euforia, tomada pela urgência de preparar a vida para o maior de todos os seus sonhos, não percebeu o rapaz que se aproximava. Com o celular em punho e já gravando para não perder nada, o jornalista foi rápido no gatilho.

– Uma palavra de apoio aos Baratas?

– Não.

– E por quê?

Pensou por um minuto.

Não conseguia deixar de se sentir grata ao pai, mesmo sabendo que na decisão do juiz, não pesara sequer um fio de cabelo do Senador. Mesmo porque este não moveria uma única palha sem que lhe fosse conveniente. Mas o amor tem dessas coisas, e nos prega peças, enganando nossos cérebros e confundido nossos corações desavisados.

Não havia o que devesse ser explicado. A verdade estava lá, para todos que a quisessem ver.  

Sempre foi assim. E não poderia deixar de ser.

– Cada um acredita naquilo que quer acreditar.

– Como assim? – O repórter insistia na declaração.   

Foi então que Gisele, sorrindo, disse assim meio sem pensar, a primeira coisa que lhe veio.

 – A liberdade é para as lagartixas.  

No dia seguinte, lagartixas pintadas nas cores GLBT estamparam muros, jornais, páginas da internet.

Cada um enxerga o mundo da maneira que quer…

Sempre foi assim.

Gisele não pode deixar de notar, em algumas das lagartixas multicolores, santinhos do pai, que já se precipitavam em aparecer.   

***

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6 comentários em “A lagartixa – Conto (Paula Giannini)

  1. Ana Maria Monteiro
    8 de setembro de 2017

    Olá Paula. Que belo conto e bem construído. Vai criando caminhos e com eles pontas diversas que se cruzam e ligam num entrançado perfeito. Começamos por pensar na própria vida, na nossa relação com os animais não domésticos (nem sempre boa). identifiquei-me bastante com essa personagem que faz de tudo para não matar, excepto, talvez na desinfestação. Eu chamaria o desinfestador, sim, mas não sem antes ter aberto todas as saídas e “rezado” para que partissem de livre vontade. Mas eis que se revela a questão sexual de forma absolutamente inesperada. E a adopção, ainda antes, mas que só mais tarde se define. E a relação com o pai que se vai revelando aos poucos e compreendendo. Um olhar compreensivo sobre os próprios sentimentos de cada um deles quanto à sexualidade do filho que deveria ter nascido filha. Como se não bastasse tanto sumo, você ainda toca na política. E a visita do pai. E a filha que quer acreditar que o homem que ama e sempre amou, é movido também por amor, não apenas interesse. E talvez seja verdade, não chegamos a saber. “Cada um enxerga o mundo da maneira que quer…” e como consegue. Sem pontas soltas, o seu conto deixa-nos a liberdade de o olhar como quisermos. De julgar, ou não, quem e como entendermos. Gostei muito, Paula. Um grande abraço.

    • Paula Giannini
      13 de setembro de 2017

      Querida Ana,
      Obrigada pela leitura generosa.
      Sou admiradora de seus contos, portanto, sua crítica vale muito para mim.
      De fato, o olhar sem julgamentos é um exercício diário a ser praticado. Difícil falar nesses assuntos sem cair no maniqueísmo. Foi o que busquei por aqui.
      Beijos
      Paula Giannini

  2. Regina Lopes Maciel
    7 de setembro de 2017

    Engraçado como um mesmo texto provoca sensações diferentes em cada pessoa. É positiva a abordagem de temas atuais, mas achei que a história se arrasta, sem que isto sirva para explorar de forma mais intensa ou reflexiva os temas. Tive que reler várias vezes,de forma mais lenta, porque achava confusa a passagem de uma cena para outra ( lagartixa, devaneios, porteiro, tv, pai,rua, etc). Até entendo que esta construção ilustre a “simultaneidade” das coisas no dia a dia, mas para mim ficou confuso (mas pode haver algo meu aqui, porque ainda tenho dificuldade em ler no computador). Ao contrário do outro comentário que aparece aqui no site, achei que a repetição exagerada do “sempre foi assim”, acabou por fazer com que perdesse a sua força (que até existia no início).

    • Paula Giannini
      13 de setembro de 2017

      Querida Regina,
      Obrigada por ler e comentar.
      De fato, o belo e a arte são questões de ponto de vista.
      Abraços.
      Paula Giannini

  3. Juliana Calafange
    6 de setembro de 2017

    Muito bom, Paula! Emocionante na medida certa. Mesmo com aquela passagem nojenta sobre as baratas decapitadas, o conto trata dos sentimentos humanos de maneira muito singela. O modo como vc dá cadência ao texto, pontuando-o com “sempre foi assim”, “Baratas”, “Hoje não”, vai construindo a emoção dentro de nós, a cada pausa, um sentimento diferente, o coração bate num ritmo, o nó na garganta se aperta ou se afrouxa. Linda mensagem. Parabéns!

    • Paula Giannini
      13 de setembro de 2017

      Oi, Juliana,
      Obrigada pela leitura carinhosa.
      Também tenho pavor a baratas, por isso as utilizei. rsrsrs
      Beijos
      Paula Giannini

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Publicado às 6 de setembro de 2017 por em Contos Off-Desafio e marcado .