EntreContos

Literatura que desafia.

Ensinadela (Higor Benizio)

Sempre me surpreendi com o nível da estupidez juvenil, e parece que a coisa só piorou nos últimos anos. Esses dias, Pedro, meu filho, apareceu em casa cheio de onda. Dizendo que sua alimentação tinha que ser cem por cento orgânica. Não mereço isso. Foram anos de Hipoglos e fraldas Pampers, anos. E o moleque quer dar uma de Dalai Lama agora. O “Senhor só come orgânicos”. Eu queria saber que porra de comida não é orgânica.

 Seria bom descobrir também pra quê serve uma aula de ioga que custa R$ 400,00 reais por mês. Posso muito bem sentar no chão da minha própria casa, que é de graça. Além do mais, se esticar não é para macho. Elas que precisam abrir o caminho, não nós. Se você é homem, quanto mais duro melhor. Flexibilidade é coisa de viado.

 Outra asneira do matuto é essa conversa fiada de aquecimento global. O cidadão acha que andar dez minutos de bike até a faculdade faz dele o próprio Jesus Cristo.  Esses frescos que vivem de bolsa do CNPQ deviam arrumar o que fazer, e Janete também. A desgraçada enfiou na cabeça da minha mulher que liberar o brioco dá câncer. Como eu fico? Desse jeito que o casamento dela acabou, e agora quer jogar o meu na vala também.

 A verdade é que eu dei mole. Não iniciei o garoto nas formas de ser macho. Nunca frequentei uma universidade, logo, desconhecia seu poder de “afrescuramento”. Nem posso culpar minha esposa. A tarefa de ensinar a ser homem é, e sempre foi, minha.  Então, nas férias do meio do ano, resolvi que dedicaria meu tempo ao ensino das artes heterossexuais.

 O primeiro passo seria um breve questionário, uma conversa franca, só para medir o déficit de testosterona. Era necessário conhecer muito bem o tamanho do estrago que o BBB 17, e o YouTube, tinham causado às bolas do meu guri.

 Depois de deixar a Dona Encrenca na Marisa — porque a C&A não lembra mais das cheinhas —, chamei o cidadão para a primeira prova.

 Sentamos num boteco perto do shopping, que costumo frequentar. Pedi dois chopes ao meu amigo Zé, e tirei o bloquinho de papel do bolso.

  — Vai beber dois, pai?

  — Vou beber uns cinco, e você também. Sua mãe vai comprar sapato hoje… Já viu né?

 Não existe nada mais complexo no universo do que os pés femininos. Eles não obedecem a nenhuma lei natural, e podem doer a qualquer momento. São como uma bomba relógio — o ISIS não recruta mulheres por causa disso. Nunca existirão os sapatos ideais, muito menos o sutiã perfeito.

 Toda mulher tem uma caixinha de BAND-AID na bolsa. Mas na hora que a bolha no calcanhar dela estourar, não vai ser esse que ela vai usar. A Dona Encrenca gosta de fingir que se esqueceu dos que tem na nécessaire, só para poder passar na farmácia e cheirar tudo que o seu nariz aguentar. Elas gostam de cheirar. Se você não é casado, mas pretende casar, habitue-se a cheirar bem. Na maioria das vezes, feder é pior do que ser pobre, ou ter pau pequeno. Uma bonitinha qualquer pode adorar seu carro, achar seu rostinho uma fofura, pode até se solidarizar com suas causas utópicas e te dar por pena. Mas experimente deitar na cama sem tomar banho para ver o que acontece.  

 — Não tomo fermentados. Engorda!

 — Entendi. Aí vai a primeira lição do dia: Homem não toma. Tomar é coisa de viado. Homem bebe.

 — Primeira lição é?

 Zé é o típico homem com H, do tipo que atende minhas ligações assim: Pode falar, seu merda! Uma singela conversa fiada seria um bom começo, um exemplo prático. Melhor que o questionário que levei no bloquinho.

 Desde o inicio dos tempos, os homens machos ao redor do planeta aprendem a jogar conversa fora. É uma lei natural do cosmos. Meninos de sete anos já praticam a velha tradição, enquanto inventam milhões de caôs sobre como empinam pipa com cerol, ou apontam a ponta do pião no esmeril do pai. Tudo regado a suco de caju e cream cracker.

  Um bom papo furado, ou uma saudável conversa fiada, devem seguir dez mandamentos simples. Lições básicas propostas por Jesus antes de transformar água em cerveja — sim, cerveja. E dar início ao que foi, há mais de dois mil anos, a maior mesa de bar da história da humanidade. Chegando a envolver mais de quinhentos marmanjos em aproximadamente cinco mil conversas sem importância nenhuma.

 Seguem os mandamentos (se você é macho de verdade, pode pular):

  1º — Não fofocarás. Fofoca é coisa de mulher.

  2º — Sempre pegarás a mesa da calçada. Para ver a mulherada passar.

  3º — Terás no mínimo uma moeda de cobre (R$ 20,00 reais, em conversão livre). Para ajudar no  racha.

  4º — Nunca, em hipótese alguma, encherás seu copo sem encher os dos amigos.

  5º — Beberá de tudo que tenha álcool, menos vinho. Vinho é coisa de viado.

  6º — Nenhuma mentira absurda será questionada. Dirás apenas: Puta merda!

  7º — Falarás de todas as mulheres, menos da sua e as dos seus amigos.

  8º — Nunca terminarás um assunto, emendarás em outro. De preferência mais inútil que o anterior.

 9º — Não levantarás para fazer xixi. Homem não faz xixi, homem mija.

 10º — Discutirás, e discordarás, apenas se o assunto for futebol. Se você não conhece futebol, é porque morde fronha.

 Pronto, esse é o mínimo. Antes de sair por aí achando que sabe fumar, com o cheiro daquela amostra grátis que sua namorada ganhou na Boticário, certifique-se de ter todos os mandamentos de cór e salteado.

 Zé colocou a cerveja na mesa, como de costume.

  — Ô Zé — comecei a lição do dia.

  — Diga.

  — Estava falando com meu filho aqui — Pedro só observava —, que você é um cara superinteligente, coisa de outro mundo mesmo.

 — Num sei, talvez.

 — É sim, mais um pouco de estudo e você seria um suíno!

 O bambi arregalou os olhos, esperando confusão. Zé, macaco velho, respondeu:

 — Tá doido Jorge! Fiz só a quinta série, tenho estudo pra isso não! Se bem que meu pai quase foi prefeito, já te contei essa?

  — Já, mas fala aí.  O garoto não ouviu.

 Olhei Pedro nos olhos, aquela cara de bunda mole nem esboçou um sorriso.

  — Ainda me lembro do discurso dele: Povo de Pinheirinho!

  — Essa é boa rapaz, presta atenção —  falei para o padawan.

  — Eu tô aqui nesse palanque, com um ovo só!  Foi só o que comi no café da manhã!  Prometo que vou abrir as novas, e tapar os buracos das velhas! Nossas estradas precisam de mais cuidado!

   Pedro nem tocou no copo.

   — Todo mundo aplaudia meu pai, precisavam ver: Pras mulher desamparada, sem esposo, vou dar o pau!  E o arame, pra cercar seus terrenos!

 Eu já estava com o “risador” aberto, mas o fraldinha suja… Nada. Mantinha aquela cara de atacante palerma, que corre na área como se tivesse um saco de cimento nas costas.

  — Aí, no final, ele dizia assim: Pra votar é muito fácil, quando vê minha foto atrás da cabine, mete o dedo no botão!

  — Gente, como assim? — disse a gazela, como se as palavras “dedo” e “botão”, pronunciadas na mesma frase, aumentassem a emissão de carbono no planeta.

  — Deixa Zé, os jovens dessa geração só gostam de… Enfim. E a Carlinha, pegou?

 Oitavo mandamento.

 — Ah… Carlinha não quer saber de mim não…

 — Como assim? Mostrou o jerimum antes de fazer o jabá?

 — Nada. Cheguei, me apresentei, na moral.

 — Ué? E não rolou?

 — Não. Falei pra ela que eu sou trabalhador e tal…

 — E aí?

 — Fale que aguento três sacos de cimento nas costas, e emboço oito paredes num dia!

 — Ai meus Deus… Zé do céu…

 — E carrego vinte pratos na bandeja duma vez só!

 — Tá de sacanagem!

 — E ela? — manifestou-se o pequeno pônei, doido para fazer a revolução do proletariado.

 — Ela disse que não precisava dum pedreiro.

 — E você, respondeu o quê? — Zé me olhou com cara de quem diz: O que eu falo para o rapaz? Eu só fiz sinal para que continuasse.

 — Ué, garoto, num é óbvio? Disse que sou garçom também!

 — Só você mesmo, Zé… —  pisquei.

 — Nada, o Gilberto também é!

 — O quê? — perguntou o fresco.

 — Garçom e pedreiro!

 Só não caguei de rir porque não tinha merda pronta. Pedro assoprou a franja da testa, do jeito que a mãe dele faz quando quer me dizer: Hoje vamos só dormir, na paz do Senhor.

 — Conversa fiada!

 — Claro que não! Ô Gilberto!

 — Oi!

 — Tu num é pedreiro também?

 — Sou, por quê? É serviço?

 — Não, só verdade mesmo…

 De repente, como se aquele pinguinho de cerveja conseguisse me deixar zumba, vi minha mulher atravessar a rua acompanhada de uma das Altas Elfas de Valfenda. Carne vermelha da boa, pensei, com direito a camisa do PSOL e tudo mais. Andavam que nem duas amigas do retiro da igreja.

 Aproximaram-se rápido, com um quê de ansiedade nos movimentos. Minha mulher já apontava o indicador na minha direção, enquanto a loirinha concordava daquele jeito besta e exagerado, igual esse pessoal que faz workshop de budismo no fim de semana.  

— Amor, queria te apresentar a Eloá!

 Quando minha esposa pronunciou o nome da cidadã, refleti: Aí meu Deus, ela ganhou um passeio pra Sana em alguma promoção da Azaleia.

 Zé sambou fora.

 — Muito prazer Sr. Jorge, sou a namorada do Pedro!

 Nessa hora esqueci todos os protocolos. Não podia ser verdade.  A tábua de Pedro, ao que aquele mulherão indicava, não levava prego. O moleque só precisava de alguns ajustes mais finos. Umas tapas na orelha, coisa pouca. Talvez assistir uns filmes do Clint Eastwood…

 A felicidade de ser pai, e não chorar no chuveiro invadiu meu coração. O bundão vinha passando o churros na loirinha, bem debaixo do meu nariz. Como diria meu velho: Quem come quieto, come duas vezes.

 Estava mais feliz do que filhote de labrador. Abanando o rabo por qualquer bobagem. Não latia nem para Janete.

 Mas minha alegria durou pouco. Na verdade, acabou na noite em que minha esposa me mostrou uma loiraça de biquíni no celular.  Faustão anunciava as Vídeo Cassetadas.

 — Conhece? — perguntou, com o celular na minha cara.

 — Não.

 — Thalita Zampirolli!

 — Hum… Bonita ela – fiz pouco caso, a Dona Encrenca ainda não tinha feito a janta.

 — Né? É homem!

 Onde esse mundo vai parar…?

 — Puta merda.

…………………………………..

Post atualizado em 04/09/2017

Anúncios

28 comentários em “Ensinadela (Higor Benizio)

  1. Amanda Gomez
    1 de setembro de 2017

    Olá, 171 !

    Acho que você está encrencado, até imagino o tanto de comentário negativos que recebera hehe.

    Eu estou meio surpresa, pq eu particularmente gostei do seu conto, do tom que você usou, de alguns fatos inquestionáveis que apontou, a forma real como expôs esses personagens.Eu gostei muito do começo, achei que estava indo tudo muito bem, engraçado, irônico, sarcástico,tudo na medida certa… mas depois dos mandamento eu acho que o texto se perdeu.. houve momentos em que eu não sabia quem estava falando, sobre quem estavam falando, fico confuso…

    Acho que se tivesse continuado com o lance do ‘ ensinamento” ficaria melhor, mas ai começaram a falar de outras coisas, outras pessoas, enfim… fiquei um pouco frustrada com essa resolução…o final, acabou não me dizendo muita coisa.

    Enfim, é isso autor. Gostei e não gostei rs…mas tem humor, sim!

  2. Rose Hahn
    26 de agosto de 2017

    Olá 171, escolha arriscada a sua. Vc. botou todo o politicamente incorreto pra fora,
    e foi tiro pra tudo o quanto é lado: gays, mulheres, pedreiros, homens Alfa, budistas. Enfim, se o leitor não for da patrulha do espaço, o seu texto pode ser considerado uma comédia escrachada e uma boa zoção aos tipinhos preconceituosos. Ocorre que estou lendo na 2a fase, ou seja, o seu conto não se classificou. O risco era alto, dançou. Nesse tipo de narrativa, alguns leitores podem associar a panfletagem do personagem ao autor. Quanto a gramática não encontrei maiores problemas, apenas a concordância verbal na frase “…Meninos de sete anos já praticam a velha tradição, enquanto inventam milhões de caôs sobre como empinaram pipa com cerou, ou apontaram a ponta do pião no esmeril do pai, ou seja, empinam e apontam. É isso, nos vemos no próximo desafio, abçs.

  3. Fernando.
    21 de agosto de 2017

    olá, 171, caramba, esse seu papel de machão está complicado nesses dias em que se investe tanto no politicamente correto. Gostei do seu conto, me fez dar umas risadas, mesmo naqueles pontos politicamente mais incorretos. Bacana ficaram seus dez mandamentos. Achei que ficou meio solta a chegada da namorada do filhote. Não teria sido mais lógico que ele mesmo a apresentasse ao nosso protagonista? Cá fiquei eu a pensar sobre isto. Há também, amigo 171 (epa!) uns erros meio estranhos ao longo do texto. Se pudesse lhe dar alguma dica, ou palpite lhe diria para investir em uma revisão. Sim, eu sei, já fez várias, mas creia-me, o conto exige mais uma. Grande abraço.

  4. Catarina Cunha
    20 de agosto de 2017

    Nota 9,8

  5. Bia Machado
    18 de agosto de 2017

    Desenvolvimento da narrativa – 2/3 – Alterna momentos em que é até interessante, mas em outras dá até nervoso de ler a opinião do pai. Ninguém merece. Como rir de um ser desses?
    Personagens – 1,5/3 – Não me cativaram, sinto muito. O pai me soou até antipático ao extremo.
    Gosto – 0,5/1 – No meio termo. Fossem melhor dosadas as conjecturas, talvez, talvez…
    Adequação ao tema – 1/1 – É, tentou, sim. Comigo não funcionou, porém, mas certamente outros conseguiram ver a graça na narrativa.
    Revisão – 0,5/1 – Deixou passar umas coisas básicas… “Frauda”?
    Participação – 1/1 – Valeu a tentativa.

    Aviso quanto às notas dadas aqui em cada item: até a postagem da minha avaliação de todos os contos os valores podem ser mudados. Ao final, comparo um conto a outro lido para ver se é preciso aumentar ou diminuir um pouco a nota, se dois contos merecem mesmo a mesma nota ou não.

  6. Pedro Luna
    17 de agosto de 2017

    Rapaz, eu ri demais com a história do prefeito. Hahahaha. É isso, o conto me fez rir. Ele é exageradamente exagerado, retratando com fidelidade o personagem machistão, e retratando alguns aspectos da natureza do homem, que a meu ver não se enquadram em machismo, apesar de alguns torcerem a cara. O que posso dizer é isso, apesar do caráter absurdo do texto, existe verdade nele. Aliás, o lance de recusar a Ioga por querer fazer tudo no chão da própria casa foi o mesmo que me disse um conhecido. Ou seja, dá para ver nesse personagem pensamentos que ocorrem a muitas pessoas, embora, digo mais uma vez, aqui tenha o efeito exagerado da comicidade. Ele é escroto, e se é para rir do escroto, que seja com seu conto.

    Mas nada disso importaria se fosse uma bomba má escrita e feita só para chocar. Mas não. É uma boa sátira, certamente vai ofender alguém, mas é uma sátira boa sim. E bem escrita.

    Eu gostei do texto. Abraço

    • Pedro Luna
      17 de agosto de 2017

      ” Eu tô aqui nesse palanque, com um ovo só! Foi só o que comi no café da manhã! ”

      Hahaha, vou rir disso a noite toda

  7. Alex Alexandre da Rosa
    17 de agosto de 2017

    Olá autor(a)
    Texto bem elaborado, com varias doses de comédia numa sátira do machismo. polemico diria, corajoso postar este texto hoje em dia kkk.. mas conduziu bem o personagem( na sua intenção).

  8. Priscila Pereira
    17 de agosto de 2017

    Oi 171.
    Este comentário não serve como avaliação, é só minha opinião sobre o seu texto!
    Eu revirei os olhos de indignação em praticamente todas as frases do conto. Um aff enorme pra você!!!

  9. Catarina Cunha
    17 de agosto de 2017

    Todas as frases são primorosamente engraçadas. Um politicamente incorreto muito bem escrito, quase uma crônica de nosso cotidiano.

    Auge: “Sempre me surpreendi com o nível da estupidez juvenil, e parece que a coisa só piorou nos últimos anos.” – Uma frase sublime de abertura. Mas nada nos prepara para o que está por vir.

    Sugestão:

    Deixar claro quem era a Thalita Zampirolli. Pedro? Eloá? Ou nenhum dos dois? Fiquei no vácuo. Ou fez com que o pai suspeitasse de Eloá? Se a intensão for a última alternativa não ficou claro, mas seria o meu final preferido.

  10. Luis Guilherme
    17 de agosto de 2017

    Boa tarrrde, ce ta bao?

    Olha, cara, vou ser sincero. Não vou entrar no politicamente correto, pq claramente vc tá satirizando o pensamento do cara, mas achei o texto muito cheio de clichês. Clichês demais pra dar certo, sabe? Não sei.

    COmo disse, nao vou te acusar de nada, pq entendi que você tá colocando a situação como algo tosco, mas não achei que o texto ficou engraçado.

    A construção do texto tá boa, a linguagem é boa também, o desenrolar do enredo é bem estruturado. Mas o conteúdo em si do conto não me pegou. Provavelmente questão de gosto pessoal, então não é culpa sua, claro.

    Acho que trabalhar com estereótipos é meio perigoso, pois ficar no limiar entre engraçado e meio repetitivo.

    Enfim, tem muita qualidade na escrita, e os diálogos são bem construídos, mas não me conquistou enquanto leitor, principalmente por faltar o elemento mais importante nesse desafio, que é o humor.

    Boa sorte e parabéns pelo trabalho!

  11. Davenir Viganon
    17 de agosto de 2017

    O narrador machão, fazendo referência Nerd “padawan” e “Altas elfas de Valfenda” ficou deslocada, pois Star Wars e Senhor dos Anéis seriam coisas de viado para um frequentador de bar que só sabe jogar sinuca e o jogo do cinto e não sabe ligar um XBOX. Enfim, não curti o personagem que toma conta do conto todo pois foi uma exaltação acrítica com pouca profundidade e a estória é, no geral, fraca. OBS: Fiz uma pesquisa para saber quem é a tal Thalita Zampirolli, pegaria.

  12. Wilson Barros Júnior
    15 de agosto de 2017

    Cara, esse conto é uma comédia. Já prevejo comentários, chamando de humor preconceituoso… esse desafio foi muito importante para analisar certas coisas… A questão é que o humor é feito em cima disso: piadas de louras, de loucos, de bichas (não de gays), de portugueses, de machismo… Se abolir o politicamente correto, o irreverente, o insano, não vai sobrar humor.
    “Elas que precisam abrir o caminho, não nós”, haha, comédia filosófica…
    “Não iniciei o garoto nas formas de ser macho”, isso é sério, haha…
    “resolvi que dedicaria meu tempo ao ensino das artes heterossexuais”, muito bem…
    “5º mandamento: Vinho é coisa de viado” – fizeste bem em falar isso longe da terrível presença de Conan, o bárbaro.
    De có e salteado – acho que é “de cor”, de coração.
    No mais, um conto bem estilizado e realmente dentro do tema. Para a próxima fase!

  13. Cilas Medi
    15 de agosto de 2017

    Olá 171,
    …tinha que ser cem por cento orgânica. = …tinha que ser cem por cento orgânico.
    Fraudas = fraldas.
    …empinaram pipa com “cerou” = …empinaram pipa com “cerol”
    Inicio = início.
    O segundo parágrafo é de uma total falta de respeito a qualquer coletividade e o texto segue assim, com pretensão de fazer graça na escatológica fórmula de explorar a minoria gay. Cada um é cada um e esse um que escreve agora, tem, como referência, o respeito, mesmo em uma confraria onde é livre para ser o que é. Um escritor pode tudo? Talvez. No meu caso sigo pautando pela excelência na escrita. Quero deixar claro que sou fã do Costinha, da Dercy Gonçalves e do Ary Toledo, mestres nessa arte do esculacho e esculhambação. Com arte.

  14. Pedro Paulo
    15 de agosto de 2017

    Quando me vi seguindo a perspectiva de um machista no trabalho de “reeducar” o seu filho, lembrei-me de outro conto que foi conduzido justamente na premissa do preconceito, no caso, com pobres. Não gostei desse outro conto, uma vez que dentro dessa ideia, a leitura foi previsível e tive que esperar pelo seu fim, ao invés de chegar logo nele. No entanto, este aqui não tem o mesmo problema, ainda bem.

    Para se salvar do caminho previsível, o(a) autor(a) escreveu o conto realmente acompanhando o jeito específico com o qual o protagonista vê o mundo, mas, indo além disso, incluindo brincadeiras e exageros que elevam essa ótica arcaica ao absurdo, como no caso dos 10 mandamentos que existem para que um homem possa ser macho e sua versão do papel de Jesus na escrita desse código maluco. Com isso e com as frustrações que acometem o protagonista em seu desafio de “ensinar” ao seu filho, o humor se distribui muito bem por todo o conto, também presente nas comparações criativas do sujeito.

  15. Antonio Stegues Batista
    14 de agosto de 2017

    Tem gente que acha que dizer palavrão é engraçado, que fazer os outros de ridículo é engraçado. O texto está bem escrito, sem erro. Ri bastante com aqueles mandamentos, típico de machões, aqueles frequentadores de bar, bêbados, fanfarrões, de calça fedendo a mijo. Achei uma comédia regular, um enredo onde o pai machão acha que o filho não é e no fim não era mesmo. Só não sei se ele achou graça nisso.

  16. Eduardo Selga
    14 de agosto de 2017

    Vou me concentrar apenas nas questões gramaticais.

    Em “seria bom descobrir também, pra quê serve uma aula de ioga […]” A VÍRGULA não cabe.

    O correto é CEROL, não CEROU.

    Em “falarás de todas as mulheres, menos da sua e dos seus amigos” o correto seria MENOS DA SUA E AS DOS SEUS AMIGOS.

    Escreve-se DE COR, não DE CÓ.

    Em “[…]e embolso oito paredes num dia!” o correto é EMBOÇO, pois EMBOLSO é do verbo EMBOLSAR (colocar no bolso).

    Em “Se aproximaram rápido […]” o correto é APROXIMARAM-SE porque pronome oblíquo não inicia frase.

  17. Brian Oliveira Lancaster
    14 de agosto de 2017

    JACU (Jeito, Adequação, Carisma, Unidade)
    J: Tem seu ar cômico, com jogadinhas de frases impagáveis. Mas, como aconteceu com outro aqui, está um tanto exagerado. Dava para maneirar um pouco nas ofensas e ainda assim ser engraçado. Digo o mesmo que disse no outro: o problema é atingir alguém. Quando é uma piada geral, não específica, funciona (como as frases malucas de deputado do barman). – 7,0
    A: Tem partes engraçadas, outras um tanto exageradas. Quase descambou para o panfletário. Tem bom humor? Tem. Precisa ser dosado? Precisa. – 7,0
    C: O pai do garoto parece ser bem o tipo “comum” visto em filmes de periferia, mas não deixa de ser um estereótipo. Acabei achando mais interessante o dono do bar. O texto só ganha mais pontos porque tem sacadas ótimas, na parte em que não ofende ninguém (como a da Marisa). – 8,0
    U: Nada me incomodou quanto à escrita. Está bem dividido e contém bastante ironia e sarcasmo. – 9,0
    [7,7]

  18. Elisa Ribeiro
    13 de agosto de 2017

    Olá Autor,

    Politicamente incorretíssimo, mas me divertiu.

    Não há nada de muito original nessa situação de pai preocupado com a masculinidade do filho, mas a forma como você inseriu aspectos bem contemporâneos ao conflito, certamente fará com que muitos pais de adolescentes se identifiquem com a sua história.

    Tem várias piadinhas sem graça, mas acho que essa era sua intenção. Transformar em comédia o repertório ridículo dos machos alfa.

    A ambientação e os personagens são o ponto alto. Em especial no bar, me senti uma frequentadora, sentada ao lado dos personagens.

    Gostei do final que você deu à história, mas acho que podia ter pegado mais pesado. Tipo uma cena em que o marido chavecasse de fato um trans.

    Parabéns pelo trabalho!

  19. Jorge Santos
    13 de agosto de 2017

    O inicio do texto tem a estrutura típica do stand up. A partir do meio já parece ter o formato de conto. Profundamente sexista, incorre frequentemente no exagero. O Isis não tem qualquer problema em contratar mulheres, por exemplo. Tem erros gramaticais, mas a narrativa tem um bom ritmo.

  20. Fheluany Nogueira
    11 de agosto de 2017

    Esqueci de comentar sobre o pseudônimo, que considerei bastante sagaz. 171 é um código que faz referência ao artigo nº 171 do Código Penal Brasileiro, referente ao ato de estelionato, ou seja, enganar outras pessoas para conseguir benefícios próprios. O caso do filho?

  21. Fheluany Nogueira
    11 de agosto de 2017

    O texto é uma comédia de bordões, com frases de efeito repetidas, saídas da boca do povo e que têm a previsibilidade como trunfo. Desde que o pai comentou que daria lições de macho para o filho, deduzi qual seria o desfecho. Mas, pensando no “politicamente correto”, para fazer humor, foi usada uma dose de constrangimento e preconceito contra o “não-macho”, contra a mulher gordinha e outras situações do dia a dia.

    Tratando-se de foco narrativo de primeira pessoa, é admissível a linguagem em nível popular, que contraria muitas regras gramaticais como a colocação pronominal, a uniformidade de tratamento, certas contrações, por exemplo. No todo é um bom trabalho, bem estruturado e que provocou algumas risadas.

    Parabéns pela participação. Abraços.

  22. Gustavo Araujo
    10 de agosto de 2017

    O conto está bem escrito, fluido, dentro da proposta. Vê-se que o autor tentou emular um típico homem-assim-auto-proclamado, com todos os clichês que essa condição importa. De fato, o protagonista se orgulha de sua macheza e faz questão de expressá-la por meio de um decálogo. Mais do que isso, desespera-se por temer que o filho não siga seus passos, confessando ao leitor seus medos e frustrações, num diálogo direto, como numa conversa de bar. Fato é que para mim essa caracterização do homem macho “orgulho de ser hétero” pareceu um tanto forçada. Entendi que a intenção do autor foi provocar o leitor, causar-lhe um efeito reverso, usando uma ironia embutida, como quem diz, nas entrelinhas “vejam como esse protagonista é um idiota”. Esse exagero na caracterização terminou tirando a força das piadas e, em vez de fazer rir, o conto terminou por causar desconforto. Essa foi a impressão que tive: apesar de bem escrito, o texto não se refere a comédia, não tem a leveza de um texto de humor; antes trata-se de uma crítica mordaz ao machismo e à estreiteza de raciocínio do homem médio brasileiro. Por esse aspecto – da crítica – eu daria dez ao trabalho, mas como a proposta era escrever um texto de (bom) humor, não serei capaz de fazê-lo.

  23. werneck2017
    9 de agosto de 2017

    Olá,
    O texto é bem criativo e bem humorado. O leitor logo embarca na estória do protagonista e se deixa levar até o desfecho final. A visão machista está bem definida no padreiro que quer ensinar ao filho sua visão de mundo. A utilização da linguagem informal está de acordo com o protagonista bronco, o texto tem coesão e coerência, parágrafos bem construídos.
    O texto se utiliza de elementos da sátira e comédia bem utilizados, metáfora bem feitas.
    O enredo é bem construído e o leitor é sensibilizado pelas peripécias do protagonista.
    Minha nota é 9,5.

  24. Ricardo Gnecco Falco
    7 de agosto de 2017

    Olá autor(a)! Tudo bem?
    Estou aqui agora, logo após ter me deleitado com a leitura de sua obra, exercendo a função não mais de leitor, mas sim de julgador de seu texto. Por isso, para ser justo com você (e com os/as demais), darei notas para todos os trabalhos com base nos MESMOS quesitos, que estão listados abaixo. Desejo-lhe boa sorte do Desafio e lhe agradeço pela oportunidade de conhecer sua criação! Um forte abraço,
    Paz e Bem! 🙂

    —–

    1) Está BEM ESCRITO? (0/3) –> 2

    Sim, sem muitos entraves. Um “cerou” aqui, outro errinho de pontuação acolá… Um pouquinho extenso demais, porém nada que causasse enfado. Já o final achei corrido, talvez por conta do limite imposto pelo Desafio.

    2) A história é CRIATIVA? (0/3) –> 1,5

    Não achei criativa. Escrever sobre o cotidiano requer uma pegada mais direta e o/a autor/a (aposto em uma autora) optou por um certo distanciamento das personagens apresentadas. O pai até que deu para causar uma certa repulsa, ou identificação (vai saber…) no leitor, o que é sempre muito bom, mas tanto a mãe quanto o filho… Ficaram muito distanciados pelo narrador da história. O tema “papai-acha-que-o-filhote-usa-melissinha-e-vai-força-lo-a-usar-kichute” também não é lá muito interessante, principalmente em pleno século XXI. Talvez uma inversão de valores ou algo do gênero deixasse a história um pouco mais interessante. Mas este ponto é muito pessoal…

    3) O humor é INTELIGENTE? (0/3) –> 1,5

    Também achei que este ponto acabou herdando muito do ponto anterior, devido ao tema escolhido pelo/a autor/a. Mas a comédia existe e tenho certeza que outros leitores acharão engraçada a história.

    4) Eu dei RISADA? (0/1) –> 0

    Não.

    ——-
    5
    ——-
    OBS: Se as notas por mim expressas aqui somarem um valor DIFERENTE (para mais ou para menos) da que será, ao final de todas as leituras, postada no respectivo campo de avaliação geral do site (onde estarão listados todos os contos concorrentes deste grupo e suas respectivas notas finais, e que terão valor oficial), o fato se deverá, provavelmente, por eu ter mexido na nota previamente colocada aqui na avaliação inicial, com base na amplitude de conhecimento obtida após término de todas as leituras, podendo portanto ocorrer uma mudança de paradigma em meu padrão avaliativo inicial.

  25. Olisomar Pires
    6 de agosto de 2017

    O texto fala das apreensões de um pai em relação à “macheza” do filho.

    Bem escrito e com boas sacadas, bastante divertido.

    O enredo é simples e perpassa pontos comumente abordados em crônicas, filmes, livros ou conversas milenares nas rodas masculinas, geralmente causando grandes gargalhadas.

    Conto bom, mas o final a foto do travesti famoso estragou a coisa.

    Não poderia ser a namorada do garoto. Por que tirou a alegria do sujeito ?

  26. Givago Domingues Thimoti
    6 de agosto de 2017

    Adequação ao tema proposto: Adequado
    Criatividade: Baixa para média. O confronto entre pai e filho poderia ter sido melhor explorado
    Emoção: Não achei muito engraçado.
    Enredo: O enredo está bem desenvolvido. Ainda assim, achei muito fraco. Como citei acima, eu estava esperando um conto mais ou menos assim: choque entre gerações. Acredito que o autor poderia ter feito algo mais cômico com o tema. Ficou muito comédia pastelão
    Gramática: Notei apenas um erro, que seria corrigido com uma revisão:
    – “cerou” está errado. O correto é “cerol”

  27. Bruna Francielle
    5 de agosto de 2017

    Tema: adequado

    Pontos fortes: Gostei da reviravolta da reviravolta no fim, realmente hoje em dia muitos são enganados por transexuais que parecem mulheres mesmo. Nossa, mas até eu não gostei desse Pedro, rapaz enjoado. Conseguiu construir bons personagens, apesar que o Pedro ficou um pouco apagado na história, se ele tivesse tido mais diálogos poderia ter ficado mais irritante, rsrs. A bem da verdade, nenhum dos personagens me agradou, no sentido de eu ter simpatizado com o personagem, e isso foi uma coisa boa no seu conto, pois significa que você conseguiu fazer o leitor, ou leitora no caso, ter reações sobre seu personagem de gostar ou não gostar. E é legal quando você consegue fazer o leitor detestar seu personagem. A história foi fácil de ler, apresentando fluidez.

    Pontos fracos: Não acredito que todos homens héteros ajam assim como o personagem principal, é possível porém que alguns sejam assim. Se isso era para ser um esteriótipo porém, ficou muito forçado e irreal. Infelizmente, também, não achei muita graça na história, apesar de considerar uma espécie de comédia.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 1 e marcado .