EntreContos

Literatura que desafia.

Com esse nome não pode (Talita Vasconcelos)

Quer saber como testar a paciência da sua nova diarista? Comece implicando com o nome dela!

_Oi, foi daqui que pediram uma diarista? – perguntou a moça, assim que abri a porta.

Primeira etapa essencial quando se entrevista uma pessoa que vai trabalhar na sua casa: dê uma boa olhada na figura! Uma análise completa, porém rápida, senão o momento pode ser mal interpretado pela candidata.

Era uma moça de uns vinte e poucos anos, morena, cabelo liso aparentemente natural (que ódio!), brilhando como se acabasse de passar por um banho de petróleo (mais ódio!). Estava vestindo um jeans desbotado, e uma regata amarela muito simples, com a alça do sutiã branco à mostra. No rosto apenas rímel e batom cor de vinho (o tom mais perigoso do mundo quando se trata de uma mulher de pele morena – ÓDIO MORTAL!).

Resumindo: tinha cara de periguete!

Essa primeira etapa sempre é realizada por mim, e é, talvez, a mais importante de todas, porque não é muito recomendável ter em casa uma mulher que possa ser cobiçada pelos seus namorados ou peguetes.

Respirei fundo, convencendo-me a não reprová-la ali na porta. “Emanuelly, é muito feio julgar as pessoas pela aparência!”, eu disse a mim mesma em pensamento.

_É aqui, sim – respondi. – Pode entrar.

Mal a moça passou pela porta, Cristiana, minha colega de apartamento pediu suas referências, antes mesmo de perguntar o nome da criatura. A entrevista era função dela. E ao conferir as cartas, franziu o cenho, confusa com uma informação básica:

_Aqui diz que o seu nome é Ingrid…

_Sim – disse a moça, parecendo não compreender a estranheza.

_Não, seu nome não pode ser Ingrid – protestou Cristiana.

_Por que não? – indagou a moça, confusa.

_Porque Ingrid é nome de patricinha – respondeu Cristiana, como se essa fosse uma informação tão elementar e óbvia quanto “o céu é azul”!

_Ingrid não é nome de patricinha – rebateu a moça, ofendida. – Ingrid é um nome lindo!

_Exatamente – concordou Cristiana. – Ingrid é um nome lindo. Nome de filha de empresário, ou de protagonista de novela, de artista…

_O que você está insinuando? – perguntou a moça, agora muito ofendida.

_Nada. Apenas estou observando que seu nome não condiz com a sua profissão.

Cristiana disse isso com tanta naturalidade que parecia uma verdade incontestável. Não fosse pelos dois dedos apoiados no queixo, que evidenciavam a brincadeira, até eu teria acreditado que ela deliberadamente estava discriminando a moça.

Como eu sei que minha amiga é extremamente excêntrica quando se trata de pregar peças nas pessoas, decidi não interferir. Afinal, colocar a candidata sob pressão pode ser uma boa tática na entrevista. Dependendo de sua reação, descobrimos exatamente com quem estamos lidando.

_Isso é preconceito – acusou Ingrid.

_Não, querida, isso é bom senso – corrigiu Cristiana, sustentando firme a expressão séria.

_Bom senso, por quê? – indagou a moça, começando a ruborizar de irritação. – Só porque eu sou diarista eu não posso me chamar Ingrid?

_Isso é uma regra básica! – assentiu Cristiana. – Se você tem nome de gente chique, você não pode ser ralé. – Cristiana às vezes me trinca de vergonha quando não pesa as palavras em suas brincadeiras. Desculpem, ela não tem filtro, mas garanto que é gente boa! – Você pode ser modelo, secretária executiva… Pode até ser vendedora de butique. Mas diarista, não pode!

_Rá! – bufou a moça. – Quer dizer que toda diarista tem a obrigação de se chamar Aparecida, Maria da Glória, Luzinete, Penha ou Jurema?

_Pode ser Valdereide também – Cristiana deu de ombros. – Creusa, Ritinha, Francisca… Luzia, então, é o que mais tem!

_Você não pode estar falando sério… – considerou Ingrid, encarando Cristiana com raiva.

_Meu amor, deixa eu te explicar uma coisa – disse Cristiana, ajeitando-se no sofá, e encarando seriamente a moça. – Uma coisa que, aliás, deviam ter explicado para a sua mãe antes de ela te registrar! Existe uma coisa chamada nomenclatura hierárquica… Já ouviu falar?

A moça fez que não, confusa, mas sem desmanchar a tromba.

_Funciona assim – prosseguiu Cristiana. – Se a renda do casal é salário mínimo, pode registrar a filha com os nomes mais comuns: Maria, Creusa, Joana, Janete, Antônia, Francisca, Jurema… Rosa, Margarida, porque pobre gosta de botar nome de flor na criança, né! Nome de flor e de joia: Pérola, Esmeralda, Safira… Deve ser para lembrar que o único jeito de pobre ter uma pedra dessas em casa é botando o nome na criança! Então, até pode, porque a criança já vai se acostumando à realidade, que é escola pública, emprego de balconista de loja de R$1,99, diarista, cobradora de lotação… Porque, não vamos ser hipócritas, ninguém vai para frente com um nome desses…

_Olha, dona… – interrompeu Ingrid, mas Cristiana não permitiu que ela falasse.

_Fica quieta, eu ainda não terminei! Se a renda do casal for dois salários mínimos, até pode registrar a filha como Vitória, Carolina, Bruna, Camila… Entendeu? Já dá para ousar um pouco mais. Agora um nome como o seu, minha querida… Ingrid, só de cinco salários para cima! Porque a pessoa já cresce com aquela esperança de ser modelo, de ser artista… Porque Ingrid é um nome que atrai dinheiro; a verdade é essa: nome sofisticado atrai dinheiro! A pessoa lê um nome desses, já pensa que a dona é uma pessoa bacana, né, alguém que estudou nos melhores colégios, que morou a vida toda nos Jardins, que comeu Kinder Ovo a vida inteira… Porque a pessoa tem que ser milionária hoje em dia para ter esse tipo de iguaria em casa, né?!  É para poucos! A criança ganha um Kinder Ovo de aniversário da madrinha rica, o pai não deixa a criança comer, vende o Kinder Ovo e compra uma casa em Cidade Tiradentes! E com o troco, de repente, para a criança não ficar chorando, ele compra um brigadeiro na padaria para dar no lugar.

_Escuta aqui… – começou Ingrid, irritada, mas não necessariamente exaltada.

Mas Cristiana novamente não se deixou interromper:

_Se eu fosse você mentiria o nome na hora de se apresentar como diarista. Entendeu? Para não passar vergonha. Porque você não usa um nome de guerra? Pode até ser um desses nomes americanizados que estão usando bastante hoje em dia; aquelas invenções de João Grilo, tipo Nathanny, ou Tatiellen, ou Renatally… Tudo com letra repetida, porque pobre adora uma letra repetida e um “y”. Já notou? Quando você vê alguém com um nome desses, não precisa nem a pessoa ser entrevistada pelo censo, porque automaticamente você deduz que a renda familiar é de novecentos reais! É uma família de dezessete pessoas, morando em três cômodos, em Conjunto Habitacional, que vive de salário mínimo e bolsa família…

_Você está passando dos limites! – gritou Ingrid, agora extremamente furiosa.

_Demorou para perceber! – devolveu Cristiana.

E ambas estalamos em gostosa gargalhada. Aliás, foi um alívio finalmente poder rir.

_Quer dizer que isso tudo era brincadeira? – queixou-se Ingrid, sem achar tanta graça.

_Claro, né, querida! – assentiu Cristiana. – Onde você já viu “nomenclatura hierárquica”?

Então a garota também começou a rir.

_Eu queria, aliás, ter filmado a sua cara enquanto eu falava – confessou Cristiana. – Teve um momento que eu pensei que você fosse me dar uma voadora!

_Eu vi – admiti, rindo. – Foi quando você falou da letra repetida. Eu ia até sair de perto, para não apanhar junto…

_Vocês são loucas, não é? – indagou Ingrid, embarcando na brincadeira.

_Não – respondeu Cristiana, apontando para mim –, ela é escritora e eu sou desocupada, mesmo! E gosto de dar ideia para gente maluca. Pelo olhar dela, qualquer dia desses, você vai ler essa história num livro ou ver numa cena de teatro.

Profecia cumprida, Cristiana!

_Agora vamos falar de uma coisa séria – dirigi-me à Ingrid. – Esse seu batom…

Ela me olhou com uma expressão desconfiada, como se quisesse perguntar se era outra brincadeira.

_Nunca mais quero te ver usando isso!

Ela franziu o cenho.

_Não precisa jogar fora – expliquei. – Só não use quando vier trabalhar aqui.

Bem… Depois da entrevista séria, deixamos a Ingrid fazer o trabalho dela. Afinal, só conhecemos realmente uma diarista depois de pelo menos um dia de trabalho. E embora eu ainda ache perigoso ter uma diarista com cara de garota propaganda de cerveja, contanto que ela seja competente, está tudo certo.

Mas, por questão de segurança, não vou me atrever a pedir nem um copo d’água que seja a essa mulher nem tão cedo – porque, diferentemente da minha colega de apartamento, eu conheço os perigos de irritar alguém que mexe com a minha comida. Vai que…

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27 comentários em “Com esse nome não pode (Talita Vasconcelos)

  1. Rose Hahn
    26 de agosto de 2017

    Ola Verônica, gostei do seu conto, apesar de não valer a minha opinião, não é o meu grupo de votação, e a essa altura do campeonato, vc. já deve estar sabendo que o seu conto não se classificou. Achei a narrativa bem contada e bem estruturada. O seu texto me pareceu um crítica disfarçada de comédia, ao preconceito, ao buylling. Só que ir por essa wibe ´é arriscado, pode ser interpretado exatamente ao contrário; talvez os desclassificados da 1a fase comprovem isso, pois é o 4o conto que leio com essa pegada, e nenhum se classificou. Putz, dançou. Vc escreve bem, os diálogos bem montados, e gostei do absurdo da situação criada pelas amigas com a pobre da Ingrid. Ops, não posso chamá-la de pobre, vai que a patrulha…..Abçs.

  2. Amanda Gomez
    25 de agosto de 2017

    Olá,

    É um conto bem humorado, está nítido isso, mas também é um pouco estranho…digo é legal, tem umas coisas bem engraçadas, mas parece que trata-se de uma piada longa, na verdade é quase isso, trata-se de uma pegadinha com a personagem.

    Isso não é ruim, longe disso, eu gostei e me divertir com os diálogos, mas fiquei com essa sensação de que não não passou de uma piada. =/ Sendo assim, com essa interpretação, eu senti também que a ”moral da história” a’ ápice dessa dela, perdeu o fôlego nos últimos parágrafos. Achei que aconteceria algo mais.. não sei ao certo o que estava esperando.

    É um bom conto, uma ideal legal, com uma execução idem, salvo algumas ressalvas que já citei.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  3. Fernando.
    21 de agosto de 2017

    Que delícia de conto, dona Verônica Lira (será que este nome pode?) Uma história leve, inventiva e muito bem escrita. Os diálogos estão muito bem construídos. A sua história me alegrou a tarde. Sim, você me propiciou boas risadas com essa hierarquia dos nomes. Uma comédia pra lá de gostosa. O que mais dizer? Ah, já sei… Parabéns. Grande abraço.

  4. Catarina Cunha
    19 de agosto de 2017

    A fórmula aqui desandou. Não tem nada a ver com politicamente incorreto, pois defendo a liberdade de expressão. A dose de preconceito social de todos os personagens sem nenhum contraponto ou embate, tirou toda a graça.

    Auge: “_Nada. Apenas estou observando que seu nome não condiz com a sua profissão.” – o começo de um antipático exercício de humilhação e sadismo.

    Sugestão:

    Dar vida, fala e reação à Ingrid. Ela ficou imobilizada. Poderia ter criando uma briga gerando o clímax que não houve.

  5. Bia Machado
    18 de agosto de 2017

    Desenvolvimento da narrativa – 2/3 – Não me agradou essa situação. Não querendo ser moralista, claro que não, apenas não consegui ver graça nisso. Até me lembrou um pouco o Sai de Baixo e o Caco Antibes (desenterrei agora), principalmente aquela parte das características de nome de pobre. Até achei criativa aquela coisa de autor entrando na história, mas…

    Personagens – 1,5/3 – Pra mim foram meio forçadas. Não me passou naturalidade. Como se fossem duas atrizes em cena, sem muita química.

    Gosto – 0,5/1 – Gostei de algumas poucas partes, mas não foi um saldo muito positivo.

    Adequação ao tema – 1/1 – Sim, tem humor, mas pra mim não funcionou.

    Revisão – 1/1 – Nada que me chamasse a atenção.

    Participação – 1/1 – Boa sorte!

    Aviso quanto às notas dadas aqui em cada item: até a postagem da minha avaliação de todos os contos os valores podem ser mudados. Ao final, comparo um conto a outro lido para ver se é preciso aumentar ou diminuir um pouco a nota, se dois contos merecem mesmo a mesma nota ou não.

  6. Luis Guilherme
    17 de agosto de 2017

    Boa noitee, td bem?

    Olha, nao quero ser moralista nem nd, mas nao gostei mto do conteudo do conto. Claro que voce tava abordando a situaçao de forma comica, e nao to diZendo q vc pense daquele modo nem nada, mas nao acho esse tipo de história engraçada. Nao consigo achar graça, mas aí eh uma questao particular.

    O conto ta bem escrito, e vc claramente tem mta habilidade na escrita. Gramaticalmente ta muito bom, o enredo ta bem fechado.

    Enfim, eh uma questao de conceito particular mesmo, e infelizmente nao me tocou enquanto leitor, principalmente no quesito humor, tema do desafio.

    Ainda assim boa sorte e parabéns!

  7. Pedro Luna
    17 de agosto de 2017

    Hum, um conto meio controverso. Digo isso porque adorei o trecho da nomenclatura. Achei criativo e agrada justamente pelo absurdo. No entanto, o resto não teve tanta qualidade a meu ver. A trama é meio boba. O que ajuda é a escrita, clara e limpa, nos dá a chance de visualizar perfeitamente as cenas e as personagens falando. Porém, repito, como trama, não empolgou. Existe uma crítica social por trás a respeito do trato patrão empregado, sistema de classes, tudo bem bacana, e por isso vou lembrar do texto. Mas como leitura prazerosa, ficou um pouco a desejar.

    Na minha opinião, esse seria um ótimo texto para o teatro. Um texto para ser interpretado. Daria vigor ao absurdo da situação ao vermos as expressões dos personagens durante a conversa sobre os nomes. Como conto, ficou um pouco abaixo do que poderia ser.

  8. Alex Alexandre da Rosa
    17 de agosto de 2017

    Olá autor(a)
    Muito bom os diálogos e um pouco polêmicos rsrs bem trabalhado. faltou mais comédia e você já entregou que era brincadeira no começo. poderia ter deixado para o final. Parabéns

  9. Priscila Pereira
    17 de agosto de 2017

    Oi Verônica.
    Este comentário não serve como avaliação, é só a minha opinião sobre o seu texto.
    Gostei bastante, muito divertido e bem escrito. Achei criativo, um humor leve e despretensioso. Tem cara de crônica. Parabéns e boa sorte!!

  10. Davenir Viganon
    17 de agosto de 2017

    Achei o conto, com cara de esquete do Zorra Total das antigas, muito dependente da virada no final que não aliviou em nada o aspecto triste da situação. Continuam sendo patroinhas abusando da sua situação. A Ingrid, no fim das contas foi apenas um objeto de estudo e divertimento de duas otárias entediadas, as personagens podem ter rido, mas eu não. Achei o resultado final fraco.

  11. Wilson Barros Júnior
    15 de agosto de 2017

    Bom, o conto parece a pegadinha do Mução, ou melhor, do Tonho dos Couros, porque o radialista potiguar não fala no final que é uma pegadinha, ao contrário do seu colega paraibano. A graça, claro é irritar as pessoas com apelidos, etc., mas principalmente a reação. Por isso acho que para completar a comédia deveria ter mais confusão, como nas pegadinhas, a diarista fazendo o maior barraco, berrando palavrões, xingando, como acontece no programa do Mução. Fica como sugestão. Também achei que a história do batom é meio, bem… Proibir uma diarista de usar batom, hoje em dia… Mas não vi nada de muito politicamente incorreto, como tenho quase certeza que alguém vai dizer, ou já disse. A ideia foi boa, com certeza. Aliás, a comédia, as piadas tendem a ser irreverentes. Onde já s e viu fazer humor com coisas certinhas, direitinhas? Fico pensando o que alguns comentaristas aqui diriam da “Gaiola das Loucas” e dos “Trapalhões”.

  12. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    15 de agosto de 2017

    Não sei o que pensar desse trabalho…

    Li, reli e prefiro não me ater no que está por trás da obra. Creio que é uma discussão complexa demais.

    Em suma, o conto tem uma escrita muito boa. A história ficou fraca e caricata, girando em torno de duas amigas que “brincam” com uma recém-chegada diarista. E juro que não entendi o objetivo do conto.

    Boa sorte.

  13. Cilas Medi
    15 de agosto de 2017

    Olá Verônica,
    …a não reprová-la ali = … a não a reprovar ali
    Eu achei uma grande brincadeira com um assunto que poderia ser sério – comédia deve ser encarada seriamente – e me vi na condição desagradável de dizer que foi mesmo uma imensa bobagem o que acabei de ler. Graça e risos foi exclusividade dos personagens. Outro que alguns consideram indevido é estabelecer a grafia de _ (o famoso underline ou subtraço) para identificar diálogo.

  14. Pedro Paulo
    15 de agosto de 2017

    A narrativa segue uma suposta entrevista de emprego entremeada pela perspectiva da protagonista, que assiste à colega de quarto conduzir um aborrecedor monólogo sobre o nome da menina que veio para trabalhar. Dessa maneira, o conto é ágil em nos colocar dentro da situação e nos explicar o que está acontecendo, tanto colocando a perspectiva da protagonista, que é sim permeada por preconceitos, como também nos informando que se trata de uma brincadeira das duas amigas, algo que no final é complementado pela revelação da protagonista ser escritora, em uma boa virada metalinguística.

    Quanto à comédia, estereótipos já foram explorados em outros contos e aqui vê-se a mesma ideia, mas não de uma forma boa ou criativa. Sabemos que essa vai ser a perspectiva logo no começo e, quando isso é trazido com mais força no discurso da Cristiana, é mais chato do que engraçado. Devo ressaltar que no quesito do humor, o que levo em conta é a expectativa como o autor a manipula: o timing. Dito isso, prossigo explicando que conheço bem os arquétipos da pobreza, no caso do conto relacionado ao nome, e a Cristiana só fez listá-lo numa extensa justificativa que enquanto prosseguimos, torna-se cansativa, uma vez que é um discurso previsível. Talvez eu pudesse ter sido surpreendido por ser uma brincadeira, mas isso já é dito mais cedo no conto e a grande expectativa que tive foi para que Cristiana acabasse com aquilo logo. Ao final, a menina é contratada e a protagonista a aceita, ainda com algumas ressalvas que apareceram logo no início, em um breve momento cômico que não serve para representar o humor no conto.

  15. Fheluany Nogueira
    14 de agosto de 2017

    Pseudônimo interessante, pois Verônica Lira tem um site com programas do tipo “Descubra os 5 Passos Fundamentais, Que Poucas Pessoas Conhecem, Para Transformar a Sua Casa em um Ambiente Muito Agradável” e o conto traz este assunto à baila – como administrar a casa, como escolher empregados.

    Comédia leve, uma brincadeira confessada e prevista pela narradora, um título chamativo e trechos com ironia bastante chavão, como a patroa não aceitar que a funcionária seja mais bonita do que ela, temer que cuspa em sua comida, etc, mas bem desenvolvido. Leitura divertida e prazerosa, sem problemas gramaticais ou estruturais.

    Parabéns pela participação. Abraços

  16. Elisa Ribeiro
    13 de agosto de 2017

    Olá Autor,

    Ufa! Ainda bem que era uma brincadeira da Cristiana. De qualquer forma foi um baita assédio com a Ingrid.

    Você fez graça em cima de preconceitos sociais do pior tipo e depois nos aliviou, e à personagem, dizendo que tudo havia sido brincadeira. Sua estratégia me lembrou aquela das histórias sobrenaturais com final do tipo “foi tudo um sonho”.

    Resumindo, achei desagradavelmente preconceituoso. A única salvação seria uma inversão no final, onde a Ingrid fizesse alguma maldadezinha com as patroas sem noção. Infelizmente não foi essa a sua opção.

    Parabéns pela participação.

  17. Antonio Stegues Batista
    13 de agosto de 2017

    O conto foi bem escrito, com boas frases, um argumento regular, mas não achei muito engraçado, não, a mulher brincar, fazendo alusões com o nome da diarista. No final tudo foi uma brincadeira pra não dizer sem graça, um pouco divertido, em duplo sentido. A narradora, é professora, acho que Verônica e a autora também são, Se isso soou como uma piada, não foi minha intensão.

  18. Jorge Santos
    13 de agosto de 2017

    Sátira bem construída à volta dos preconceitos da classe rica. Boa adequação ao tem. Bom ritmo. O final poderia ser melhorado.

  19. Brian Oliveira Lancaster
    11 de agosto de 2017

    JACU (Jeito, Adequação, Carisma, Unidade)
    J: Tem seu bom humor, mas beira o limiar de um texto “semi-panfletário”. Algumas coisas são comuns aos brasileiros e à “piada interna” que é esse país, mas acho que exagerou um pouquinho em certas partes. Diverte? Sim, mas deixa um enorme peso na consciência de quem lê. E não acho que ela reagiria tão bem depois de saber que era uma brincadeira – essa parte ficou meio surreal, pois não houve um contraponto. No final, todas se deram bem e ficaram super-amigas. – 7,0
    A: Essa questão depende muito. Há coisas que o Caco Antibes falaria no ‘Sai de Baixo’, por exemplo, que realmente são o que são, pois trata de costumes. Assim como no dito programa, algumas coisas têm graça, outras não, quando afeta diretamente a pessoa. Se você dissesse que todo mundo usava Bombril na antena da TV, não atinge alguém diretamente e, mesmo assim, provoca sorrisos. O que quero dizer é que o texto tem seu bom humor, mas precisaria ser um pouquinho mais dosado. – 8,0
    C: Tem seu charme e no final, acabei odiando a personalidade das contratantes – talvez fosse esse o objetivo. Na verdade, elas é que eram as patricinhas e chatas. Se o objetivo era incomodar, incomodou, pode ter certeza. Cada um traz sua experiência consigo ao avaliar uma história e isso é inevitável, por mais que o autor esperneie e faça beicinho depois. Vai ser alvo de críticas? Vai, mas é o preço que o escritor paga. Depois do texto gerado no mundo, a cria ganha vida própria e o autor perde o controle sobre ela. – 7,0
    U: Apesar do travessão estar num formato estranho, a escrita flui muito bem e os diálogos convencem. – 9,0
    [7,7]

  20. Ricardo Gnecco Falco
    10 de agosto de 2017

    Olá autor(a)! Tudo bem?
    Estou aqui agora, logo após ter me deleitado com a leitura de sua obra, exercendo a função não mais de leitor, mas sim de julgador de seu texto. Por isso, para ser justo com você (e com os/as demais), darei notas para todos os trabalhos com base nos MESMOS quesitos, que estão listados abaixo. Desejo-lhe boa sorte do Desafio e lhe agradeço pela oportunidade de conhecer sua criação! Um forte abraço,
    Paz e Bem! 🙂

    —–

    1) Está BEM ESCRITO? (0/3) –> 2,5

    Sim, está. Uma virgula que poderia ter sido colocada aqui, outra acolá… Mas nada que atrapalhe (nem de longe!) a leitura gostosa deste trabalho. Falando em atrapalhar a leitura, talvez a questão do uso de travessões (os de verdade!) pudesse deixar esse fluir ainda mais delicioso! 😉 E, sobre o que eu mais gostei de sua escrita, autora, saiba que foi o fato de você ter escrito na segunda pessoa. Ou melhor dizendo, focando no leitor a sua narrativa; escrevendo diretamente para ele. Ou, melhor ainda… “Dialogando” com ele (comigo?). Ficou muito bem feito e você conseguiu atingir o objetivo com isso. Parabéns!

    2) A história é CRIATIVA? (0/3) –> 2,5

    Sim, é. E o mais interessante não é nem a história (geral) narrada, mas sim a história (“real”) escondida ali no meio. Ou seja… Poderia dizer que este conto trata-se da história de uma entrevista de emprego onde as contratantes, duas amigas, aplicaram uma brincadeira bem engendrada sobre uma candidata ao referido trabalho. Mas — e foi aqui que o coelho resolveu saltar — poderia dizer, igualmente, que esta história conta sobre o momento do “insight” de uma autora/atriz, da concepção criativa, por parte de uma artista, de um mote ou tema para a construção de uma futura obra, escrita e/ou encenada. Trata-se de uma metalinguagem própria, ou — me arrisco com o neologismo — uma “auto-metalinguagem”; um ‘molho especial’ que, ao meu ver, trouxe um sabor muito mais saboroso a uma, por si só, já suculenta refeição. Uma comida bem gostosa, e que foi muito bem servida. Parabéns!

    3) O humor é INTELIGENTE? (0/3) –> 2,5

    Sim; inteligente e sutil.

    4) Eu dei RISADA? (0/1) –> 0,5

    Não, mas saboreei cada um dos fartos pratos “graciosamente” apresentados! 😉

    ——-
    8
    ——-
    OBS: Se as notas por mim expressas aqui somarem um valor DIFERENTE (para mais ou para menos) da que será, ao final de todas as leituras, postada no respectivo campo de avaliação geral do site (onde estarão listados todos os contos concorrentes deste grupo e suas respectivas notas finais, e que terão valor oficial), o fato se deverá, provavelmente, por eu ter mexido na nota previamente colocada aqui na avaliação inicial, com base na amplitude de conhecimento obtida após término de todas as leituras, podendo portanto ocorrer uma mudança de paradigma em meu padrão avaliativo inicial.

  21. Givago Domingues Thimoti
    10 de agosto de 2017

    Adequação ao tema proposto: Baixo.
    Criatividade: Média.
    Emoção: A ironia da comédia até está ali, mas eu não sinto que foi uma comédia e, sim, mais um conjunto de disparates.
    Enredo: Fraco. A história de duas colegas de apartamento que testam a empregada, “criticando” o nome da secretária do lar. A motivação disso, em minha opinião, é que elas se sentiram “ameaçadas” pela empregada. Se o foco foi escrever esse sentimento, poderia ter sido usado uma outra história.
    Para mim, o texto todo foi abaixo da média.
    Gramática: Exceto os underlines (_) usados como travessão, não notei nenhum erro.

    PS: Perdoe-me se a crítica não foi tão construtiva quanto se espera.

  22. werneck2017
    10 de agosto de 2017

    Olá, verônica!

    Adorei seu texto. Muito criativo, muito bem escrito com um enredo cativante. Os parágrafos são bem construídos, com coesão, coerência e a estória está super adequada ao gênero da comédia com um humor certeiro.
    Minha observação é apenas no parágrafo final em que o ‘nem’ se repete muito numa sentença que já é negativa:

    não vou me atrever a pedir nem um copo d’água que seja a essa mulher nem tão cedo

    Onde eu tiraria o ultimo nem.
    Minha nota é 9,8.

  23. Bruna Francielle
    9 de agosto de 2017

    tema: adequado

    pontos fortes: Merece uns pontos por ter feito um conto meio politicamente incorreto, apesar de eu não ter achado a situação muito engraçada, as personagens se divertiram. Foi bem fácil e rápido de ler, boa escrita, não reparei nenhum erro de português.

    pontos fracos: Achei meio estranho no final a Ingrid ter sido contratada, sendo que desagradava pelo batom e ficou nervosa pela brincadeira da outra.

  24. Eduardo Selga
    9 de agosto de 2017

    Entre nós é comum a entendimento, nem sempre consciente, de que há uma relação de causa e efeito entre as palavras e as coisas, ao invés de serem meras representações dessas coisas. Assim sendo, se Benedita é um nome tradicionalmente dado a meninas pobres, por questões históricas e religiosas, é porque “logicamente”, há nesse nome alguma combinação fonética mágica que faz com que as pessoas registradas com ele sejam fadadas à pobreza.

    Do mesmo modo, se Neymar chegou aonde chegou é porque ele é especial. Portanto, seu nome também o é. Assim, na classe social baixa, onde essa falsa relação causa-efeito salta mais aos olhos, grassam os Neymares.

    Uma ressalva: o imaginário popular supõe (e esse conto reforça muito fortemente a ideia) que apenas a classe pobre batiza seus filhos em função dessa concepção equivocada e mística a respeito dos nomes próprios, mas as camadas melhor postadas também o fazem. Henrique, por exemplo, comum lá em cima, é nome de alguns reis da Inglaterra.

    Esse conto morde e assopra. Primeiro, por meio da personagem Cristiana, ele reproduz dois preconceitos sociais fortes entre nós: desconsiderar uma pessoa por ela parecer pobre (chamada no conto de “periguete”, um eufemismo para ocultar “piranha”), e o enquadramento da pessoa em determinada classe social a partir do nome de registro. Porém, a narração se dá de modo que o leitor fica sabendo que Cristiana é uma moça brincalhona, o que minimiza o fato de Ingrid sentir-se ofendida com os comentários claramente preconceituosos. Preconceito “de brincadeirinha”, é claro.

    Isso reflete uma estratégia social em que somos mestres: discriminar o considerado diferente com um tom jocoso, como se nada fosse. Assim ainda é (a máscara está caindo) com o racismo, com preconceito em relação aos nordestinos etc.

    Há ainda um discurso depreciador da mulher.

    Acredito que seja de domínio comum o fato de que a figura feminina muitas vezes na história dos povos, muito em função do Cristianismo, esteve associada ao pecado, às pragas e outros malefícios. Ainda hoje, no imaginário, essa ideia subsiste. É a bruxa da Idade Média, transposta para qualquer mulher que consideremos contrária às nossas vontades; é o clichê, nas telenovelas, da “cobra” que faz tudo para eliminar a outra, a concorrente, a rival.

    No conto, os trechos finais “mas, por questão de segurança, não vou me atrever a pedir nem um copo d’água que seja a essa mulher nem tão cedo[…]” e “[…]eu conheço os perigos de irritar alguém que mexe com a minha comida. Vai que…” remetem à bruxa, à imagem negativa da mulher em relação a ela mesma.

    Contudo, a presença no conto de todas as posturas anotadas anteriormente pode ser vista pelo leitor como um modo estético de denunciá-las, tomando por base o princípio de que ao exibir ao leitor os preconceitos está feita a denúncia. É verdade, mas tal atitude só se concretizará, majoritariamente, em quem já se coloca contra tais comportamentos no dia a dia. Nos demais, funcionará como reforço dos preconceitos.

  25. Gustavo Araujo
    6 de agosto de 2017

    Um conto de humor adolescente, simples, fácil de ler e que ainda assim se desenvolve em camadas. Está bem escrito, mas se mostra telegráfico e, em alguns pontos, soa teatral. Dá para ver, entretanto, que a pessoa que escreveu sabe o que está fazendo, que entende da linguagem e que sabe provocar o leitor, ora deixando-o indignado, ora permitindo-lhe entrever a estratégia do argumento para testar a Ingrid. Não é um conto que encha os olhos ou que faça rir de modo incontrolável. Antes, parece embutir certa crítica social travestida de comédia, levando quem lê a questionar os próprios conceitos, algo que em qualquer modalidade literária, não deixa de ser elogiável.

  26. Olisomar Pires
    6 de agosto de 2017

    Texto bem escrito. Não notei erros graves ou que impactassem a fluidez da leitura.

    A idéia do conto é recorrente, muito usada em programas de humor, antigamente mais, hoje menos em função da praga do politicamente correto.

    É divertido dentro do que se propõe.

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 1 e marcado .