EntreContos

Detox Literário.

A divina rotina (Davenir Viganon)

I

Divino acordou com uma puta dor de cabeça. Não se lembrava de nada do dia anterior, com a exceção de que estava morto. Levantou, se arrumou no automático e correu para pegar a condução. Chegou perto do barqueiro e recebeu um “Bom dia” cheio de cansaço e, logo depois, notou que este usava um uniforme de cobrador de ônibus.

– Bom dia. – Respondeu aturdido. – Sempre achei que Caronte fosse assustador.

– Caronte foi para rua semana passada.

– Sério?! Mas por quê?

– Olha, eu sou novo neste emprego. Não posso me arriscar com fofocas, mas acho que tem algo a ver com essa reforma trabalhista. Caronte resolveu negociar com o patrão e… – Concluiu com o gesto universal de “se fodeu”.

– Você conseguiu um emprego, ao menos.

– Terceirizado. Uma merda, mas é o que tem. Aliás, a passagem, por favor.

– Aqui estão as duas moedas.

– A passagem subiu, são três moedas agora. Não viu a placa?

– Puta que pariu – Divino retrucou baixinho enquanto via a placa remendada com o valor atualizado. Vasculhou os bolsos e constatou. – Só tenho duas. Como eu ia saber que aumentou? Eu não morro todo dia.

– Já ouvi isso antes, o último pessoal que se juntou para reclamar do aumento está num rio de fogo ou de gelo, sei lá. Dessa vez passa. – Indicou a roleta pela qual poderia passar por baixo. – Aproveita que ainda não instalaram uma câmera aqui.

Divino passou desajeitadamente por baixo da roleta sujando-se um pouco.

– Eu fico com essas duas moedas. – Disse o cobrador.

II

Desceu na única parada que havia para descer, logo após cruzar a marginal do rio Estígio. Entrou no portão da sem dar muita atenção para o dizer entalhado em pedra:

“Deixai toda a esperança, ó vós que contratareis.”

Divino não tinha dinheiro para o Uber e teve de caminhar por áreas perigosas no inferno, com vales periféricos e asfalto quente até chegar a uma construção fria e repleta de traços retos. Entrou no salão onde seria avaliado. Pegou uma ficha na recepção e aguardou na sala de espera que estava repleta. Todos olhavam atentamente para a única televisão que havia. Estava ligada no Encontro com Fátima Bernardes.

Divino se desesperou, não sabia se estava atrasado ou muito atrasado. Não encontrou nenhum relógio. Achou uma cadeira vazia e sentou.

– Falta muito para acabar o programa? – Perguntou para um sujeito de aparência cansada.

– Nunca acaba. – Respondeu sem desviar o olhar.

– Nem tem aquele jornal que passa depois?

– Não tem jornal.

– Puta que pariu.

Olhou o número de sua ficha: 34.672.409.749. Depois estreitou o olhar e leu a ficha do homem: 38. Por fim, leu o próximo número no mostrador luminoso, 34.672.409.748. Divino esperou um pouco para ver a velocidade da fila. Depois de duas horas ficou apreensivo, pois como o homem dissera, o programa não havia acabado e, a pior parte, os intervalos comerciais eram apenas de produtos anunciados pela Fátima Bernardes. Então, um som suave o despertou da apatia. O número 34.672.409.749 surgiu no mostrador. Todos olharam para suas fichas e soltaram um suspiro e voltaram a atenção ao programa. Divino foi ao balcão e entregou a ficha para a moça.

– Por aqui senhor. – Apontou de forma impessoal.

– E aqueles, serão atendidos quando? – Divino quis saber.

– Aqui é o onde os que furaram a fila em vida são condenados a esperar numa fila eternamente.

– Mas eu não fui designado para cá.

– Nós aproveitamos a estrutura e colocamos a recepção aqui também.

Admirado com a criatividade que os administradores do inferno, Divino concordou com a cabeça e entrou na sala. Tratava-se de uma sala espaçosa, onde havia uma mesa, três entrevistadores e uma cadeira onde as três figuras de aspecto enérgico podiam vê-lo de corpo inteiro.

–- Bom dia, meu nome é…

– Sabemos quem é. Não vamos perder tempo, por favor. Você quer um emprego, não é? – Disse o entrevistador do meio.

–- Sim, eu…

– Isso foi uma pergunta retórica. Responda apenas perguntas não-retóricas. – Disse o da esquerda e continuou. – Então, você trabalhava em um escritório não é?

Acenou com a cabeça.

– Sabemos que você é muito afeito ao trabalho criativo. Não gosta de  repetições e gosta de viajar. Há um lugar por aqui onde podemos encaixá-lo. Está interessado na vaga?

– Sim, eu gostaria muito…

– Responda apenas a perguntas não-retóricas. – Disse o entrevistador da direita. Caso queria revisar seu contrato, pode voltar aqui e renegociar conosco. Saia por essa porta e encontrará sua estação de trabalho.

III

Não sabia quanto tempo passou desde que o trabalho começou. O treinamento foi uma nuvem distante mas o trabalho era muito fácil. Bastava transcrever relatórios manuscritos para um arquivo informatizado. Levantava-se apenas para deixar o relatório já transcrito numa bandeja e retirar outro para colocar no sistema. Os primeiros foram fáceis e os seguintes também. Os textos eram completamente diferentes um do outro mas pareciam todos iguais, sem sabor, sem estilo, completamente dentro da adequação que o sistema exigia.

Divino ficou horas e mais horas teclando. Olhou poucas vezes para o lado. Até quis puxar assunto, mas seus colegas não pareciam ser de muito papo. O da direita, um sujeito com um bigodinho pontudo, chamado Salvador, digitava sem desviar o olhar. Logo a frente, havia um ruivo sem uma das orelhas, o Vincente. Não viu ninguém com cara de brasileiro a sua frente. Resolveu parar e ir tomar um café. Saiu pelas mesas cheias de rostos procurando uma parede onde pudesse encontrar um cantinho do café, mas as mesas não acabavam.

– Porra, não tem café nessa merda! Quero café! – Gritou em desespero.

– E ai peixe, novo aqui? – A voz com sotaque carioca veio da mesa logo atrás.

– Romário? Você morreu?

– Todo mundo morre, peixe.

– Caralho, a quanto tempo estou nesse emprego? Acho que perdi umas férias aqui?

– Ninguém tira férias aqui, peixe. Aliás não fala muito, não. Aqui é onde quem fez arte na vida é condenado a ficar calado e trabalhando eternamente.

– Então o Pelé, Zico, Garrincha devem estar todos aqui também.

– Sim estão, menos o Pelé. Pelé calado é um poeta.

– Vocês não podem conversar aqui. – Um homem com cara de chefe, jeito de chefe e que só podia ser chefe interrompeu a conversa. – Nem aqui e nem em nenhum outro lugar.

– Foi mal peixe, digo, chefe. – O baixinho abaixou a cabeça e voltou a trabalhar.

–- Eu já não aguento mais isso, não tem nem como fazer uma pausa para o café?

– Gostaria de rever seu contrato? – O Chefe perguntou com um leve sorriso no canto da boca.

– Sim! – Respondeu Divino, petulante. – Quero ver essa história de não ter férias e de não ter café.

IV

Minutos depois estava novamente na frente dos avaliadores que lhe contrataram.

– Então você quer rever seu contrato?

– Sim, eu gostaria.

– Responda apenas a perguntas não-retóricas. – Asseverou o da direita. – Como dizia, você quer rever o contrato. Você tem duas opções.

O entrevistador do meio levantou-se e aproximou-se da cadeira. Divino viu uma placa de identificação em seu terno que dizia Radamanthys. Quando Radamanthys parou na sua frente mostrou os dois punhos fechado, abriu a mão direita e disse:

– Tome a pílula azul e você voltará a sua vida normal de trabalho e não sentirá necessidade de reclamar. – Abriu a mão esquerda. – Tome a pílula vermelha e você poderá continuar a ser questionador e insolente mas vai para um lugar pior que seu posto antigo. – Sorriu ao terminar de falar.

Divino não pensou duas vezes e tomou a pílula vermelha, pois era a que devia ter gosto de morango. Contudo, a sonolência fez seus olhos ficarem pesados e dormiu sem lembrar do gosto da bala.

– Esse aqui escolheu a vermelha. – Disse Radamanthys, um dos três recrutadores do RH do inferno.

– Vindo de sua mão, tanto faz. – Refletiu seu colega Aiacos. – Elas fazem o sujeito ficar muito doido de droga e acordar no portão do inferno.

– O que você usou nessa pílula, água do rio Lete? – Pergunta Minos, chefe dos recrutadores, que se aproximou para ver Divino desacordado.

– Sim a água do Rio Lete, colhida do purgatório e faz quem a bebe esquecer de tudo. – Informou Radamanthys, orgulhoso da ideia. – Eu misturei com LSD.

– Ele vai chegar atrasado de novo amanhã e com uma puta dor de cabeça. – Constatou Minos, o terceiro dos recrutadores.

– Vai, mas podemos descontar do salário dele amanhã e já que você lembrou disso, vou deixar o pagamento de hoje no bolso dele. – Radamanthys pegou três moedas e colocou no bolso de Divino. – Ah, já ia esquecendo. – Tirou uma das moedas. – Ele chegou atrasado hoje.

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53 comentários em “A divina rotina (Davenir Viganon)

  1. Renata Rothstein
    1 de setembro de 2017

    Oi, Divino!
    Olha, achei seu conto um tanto confuso, precisei reler, mas está bem escrito, só chamaria atenção na frase “a quanto tempo…”, o correto é “há quanto tempo”.
    Achei genial a água do Rio Lete com LSD rsrs, enfim, no final gostei demais, e minha nota é 9,7.
    Parabéns!

  2. Wender Lemes
    1 de setembro de 2017

    Olá! Primeiramente, obrigado por investir seu tempo nessa empreitada que compartilhamos. Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto.

    ****

    Aspectos técnicos: assim como a lamúria dos trabalhadores do inferno, a narrativa baseia-se em um ciclo fadado a se repetir eternamente – assim, quando chega ao final, explica os motivos que levaram o protagonista a ter aquele dia e sugere que as mesmas situações continuarão a acontecer no dia seguinte. É um formato de narrativa que coopera com o que está sendo descrito. Da parte ortográfica, ainda que não sejam deslizes muito incômodos, aparecem com certa regularidade pelo conto – uma revisão mais apurada valorizaria a escrita, nesse sentido.

    Aspectos subjetivos: o conto por ser visto quase como uma salada de frutas de referências, misturando o clássico dos gregos ao contemporâneo brasileiro, por exemplo. Talvez, por serem coisas tão distantes entre si, tenha faltado um pouquinho mais de liga na mistura, garantindo que as referências não ficassem dispersas.

    Compreensão geral: o conto é bom, faz belas críticas ao momento atual do Brasil através da analogia do trabalhador no inferno. Poderia ser ainda melhor com um pouquinho mais de zelo na revisão e no encadeamento das ideias. Criatividade não falta.

    Parabéns e boa sorte.

  3. Thiago de Melo
    1 de setembro de 2017

    Amigo Divino,

    Mas que inferno esse inferno dos infernos hein! Puta merda… Cara, ficar assistindo Fátima Bernardes eternamente e com propagandas dela também???? Que mente doentia seria capaz de ter uma ideia dessas???? Você nem deveria escrever esse tipo de coisa, vai que o tinhoso resolve aproveitar as suas ideias!? Hahahahaha
    Muito legal o texto. Achei que você conseguiu criar uma sucursal do inferno muito bem bolada. E achei que o arremate final, com toda a história se repetindo eternamente ficou bem legal também! A participação do Romário foi a mais legal pra mim hehehehe.
    Um bom texto. Parabéns!

  4. Pedro Paulo
    1 de setembro de 2017

    O conto traz a representação mais exata do que seria o inferno dos artistas. E, enquanto isso, presta uma sátira à mitologia grega enquanto conduzindo a trama e nos apresentando ao personagem, que durante uma boa parte da história não sabe para onde está indo, algo que acresce expectativa e curiosidade à leitura, elementos importantíssimos para a comédia, esta presente durante todo o texto, tanto no elemento satírico como na criatividade nessa reinvenção do inferno clássico. Uma fila eterna assistindo à Fátima Bernardes parece ser outra representação muito boa do inferno dos furões de fila. Muito bom.

  5. Fabio Baptista
    1 de setembro de 2017

    ***********************
    * (G)raça
    ***********************

    Conto bem-humorado do início ao fim, com um ótimo índice de acerto nas piadas.

    – Concluiu com o gesto universal de “se fodeu”
    >>> kkkkkkkk

    – Eu fico com essas duas moedas. – Disse o cobrador.
    >>> Inferno brasileiro rsrs

    – Estava ligada no Encontro com Fátima Bernardes.
    >>> kkkk

    – Pelé calado é um poeta
    >>> boa! kkkk

    – Responda apenas a perguntas não-retóricas.
    >>> a repetição aqui acabou funcionando kkkk

    – pois era a que devia ter gosto de morango
    >>> estava zuando sobre isso esses dias, tipo… “como Matrix poderia ter acabado”.

    – fazem o sujeito ficar muito doido de droga
    >>> huahua

    ***********************
    * (I)nteresse
    ***********************

    Conseguiu prender muito bem minha atenção, quase o tempo todo. Só ali a parte do Romário que ficou um pouco abaixo.

    ***********************
    * (R)oteiro
    ***********************

    O inferno é a repetição!

    Parecia que era apenas mais um (bom) conto com eventos aleatórios acontecendo, mas o final revelou que havia sim uma trama ali.
    Acabou me surpreendendo, o que é bem difícil de acontecer.

    ***********************
    * (A)mbientação
    ***********************
    A caracterização do inferno, sobretudo na sala de espera, ficou ótima.

    Já os personagens foram o ponto fraco do conto… faltou um pouco de personalidade ao protagonista e nenhum coadjuvante se destaca – eu teria tirado o Romário, aquela parte ali foi o ponto baixo do conto, apesar da boa piada com Pelé.

    ***********************
    * (F)orma
    ***********************
    A escrita é despojada e casa bem com o clima do conto. Mas fica a impressão de que está em processo de amadurecimento.

    – Entrou no portão da sem dar muita atenção
    >>> da ???

    – Aqui é o onde os que furaram
    >>> sobrou esse “o”

    – a quanto tempo estou nesse emprego
    >>> há

    ***********************
    * (A)dequação
    ***********************
    Total

    NOTA: 8,5

  6. Bia Machado
    1 de setembro de 2017

    Desenvolvimento da narrativa – 3/3 – Que delícia! Como é bom ler um conto, se divertir com ele e chegar ao final com gostinho de quero mais.
    Personagens – 3/3 – Adorei! Cada qual do seu jeito, me fizeram rir imaginando as cenas.
    Gosto – 1/1 – Gostei bastante! Acho que ri de cada situação aí, rsss…
    Adequação ao tema – 1/1 – Total!
    Revisão – 1/1 – Peguei umas duas partes onde a frase dá uma rimada… Mas nada que tenha me atrapalhado, longe disso.
    Participação – 1/1 – Parabéns!!!

    Aviso quanto às notas dadas aqui em cada item: até a postagem da minha avaliação de todos os contos os valores podem ser mudados. Ao final, comparo um conto a outro lido para ver se é preciso aumentar ou diminuir um pouco a nota, se dois contos merecem mesmo a mesma nota ou não.

  7. Leo Jardim
    31 de agosto de 2017

    A divina rotina (Divino)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫): ficou muito legal e inteligente o loop no fim. Gostei muito também da forma atualizada como foi apresentado o mundo dos mortos da mitologia grega.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): narrativa boa e bastante fluida. Porém alguns erros de pontuação e uns diálogos explicativos atrapalharam um pouco. Coisa pouca.

    ▪ Por aqui *vírgula* senhor

    ▪ você trabalhava em um escritório *vírgula* não é

    ▪ Disse o entrevistador da direita. *travessão* Caso *queria* revisar seu contrato (queira)

    ▪ Sim a água do Rio Lete, colhida do purgatório e faz quem a bebe esquecer de tudo (esse diálogo ficou explicativo, não era natural ele falar isso para o colega)

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): não é a primeira vez que vejo releituras do mundo dos mortos, nem loop de morte, mas da forma como foi feita, achei muito criativo.

    🎯 Tema (⭐⭐): texto divertido.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫): um conto divertido, que não me fez gargalhar, mas arrancou algumas risadas. Tem na ironia o ponto forte. A inteligência do loop final aumentou muito o impacto. Gosto bastante desse artifício, que, quando funciona, me ganha de imediato.

    🤡 #euRi:

    ▪ notou que este usava um uniforme de cobrador de ônibus 🙂

    ▪ Caronte resolveu negociar com o patrão e… – Concluiu com o gesto universal de “se fodeu” 😄

    ▪ marginal do rio Estígio 🙂

    ▪ Estava ligada no Encontro com Fátima Bernardes 😄

    ▪ bigodinho pontudo, chamado Salvador 🙂

    ▪ Sim estão, menos o Pelé. Pelé calado é um poeta 😁

    ⚠️ Nota 9,0

  8. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    31 de agosto de 2017

    Assim como o Literassex, achei esse trabalho irretocável. Gostei muito, muito mesmo. O enredo, as referências mitológicas, tudo. Me pegou em cheio esse trabalho. Parabéns.

  9. Catarina Cunha
    29 de agosto de 2017

    10! Nota 10!

  10. Jorge Santos
    28 de agosto de 2017

    Mais um conto post—mortem, que serve como crítica inteligente à rotina do dia—a—dia. Está bem escrito e o tema está presente.

  11. Jorge Santos
    28 de agosto de 2017

    Mais um conto post—mortem, que serve como crítica inteligente à rotina do dia—a—dia. Está bem escrito e o tema presente.

  12. Amanda Gomez
    27 de agosto de 2017

    Olá, Divino.

    Gostei do seu conto, achei uma forma interessante de demonstrar um pouco das suas opiniões, alguma ficaram bem sutis, quase subliminares.

    Achei legal esse ” universo” criado, a questão da rotina, das escolhas, parece uma sátira seu conto. Não me passou despercebido algumas cutucadinhas na questão de esquerda, direita..e outras coisinhas que ficaram implícitas pra mim.

    A estrutura do texto ficou boa também. O humor está presente em todo o texto, o que achei bacana pq alguns textos estão utilizando-o nos parágrafos finas, meio que pra ludibriar o leitor que aquele conto é uma comédia.

    Enfim, não tem muito mais do que dize, esse inferno parece horrível, sobretudo na parte do programa Encontro passando eternamente, que tortura! kk É muito real, pois nas filas de espera em muitos lugares é isso que tem pra assistir, você foi esperto em usar essas referências. Aliás, usou várias.

    Parabéns, Boa sorte no desafio!

  13. Fheluany Nogueira
    26 de agosto de 2017

    O conto pareceu-me uma paródia do “Auto da Barca do Inferno”, na introdução; depois deslanchou para uma sátira, política, sobre o desemprego com a crise no país, sobre programas de tevê e outros assuntos pertinentes na atualidade. Achei fortuitas as cenas em que foram incluídos os jogadores de futebol e as drogas alucinógenas. Pequenos deslizes gramaticais não prejudicaram o ritmo e fluência da leitura e compreensão do texto.

    Bom trabalho. Abraços.

  14. Brian Oliveira Lancaster
    24 de agosto de 2017

    JACU (Jeito, Adequação, Carisma, Unidade)
    J: Esperava um final bem morno, mas fui surpreendido. Excelente conclusão. Tem um toque de fantasia que caiu muito bem. O looping foi a cereja do bolo. – 9,0
    A: Bem-humorado devido às situações um tanto surreais, literalmente. A veia fantástica demorou a aparecer nesse desafio, mas você a trouxe com maestria. A imagem não condiz tanto com a história, mas a piadinha da Fátima até foi engraçada. Não gerar gargalhadas, mas diverte e muito. – 9,0
    C: O personagem principal não tem tanto carisma, pois pouco sabemos da vida dele. Os coadjuvantes conseguem ser mais engraçados por serem conhecidos (os “reais” e do ramo fantástico). Está bem descrito, mas faltou algo mais para criar conexão com o protagonista. No máximo bateu uma pena ao fim. – 7,5
    U: Alguns errinhos que não chegam a atrapalhar a experiência (como um “que” à mais). – 8,0
    [8,3]

  15. Eduardo Selga
    23 de agosto de 2017

    O conto aproveita personagens da mitologia grega, como Caronte, Radamanthys, Aiacos e Minos, para fazer referência a no mínimo dois aspectos atuais, ao menos no Brasil: a pauperização do trabalho e o efeito alienante da programação televisiva. O primeiro caso é evidente desde o início, com a demissão do personagem Caronte em função de nossa “reforma” trabalhista (na verdade, um desmonte). Considerando que Caronte na mitologia é o barqueiro que leva as almas dos mortos para o Inferno (Hades, em grego) e que o Rio Lete que aparece no conto pertence ao espaço infernal, é possível fazer a associação Brasil-Inferno.

    Ao desenvolver o enredo com tais personagens, o(a) autor(a) tenta fazer uma paródia com os versos de Dante na Divina Comédia, “Deixai toda esperança, ó vós que entrais”, escrevendo “Deixai toda a esperança, ó vós que contratareis”. No entanto, há um problema lógico: a mensagem dos versos originais destinam-se a quem entra no Hades, por isso no texto parodístico não caberia “contratareis”, pois quem está entrando no Inferno não contrata: ele é contratado.

    Outra incoerência está no fato de, sabendo o protagonista que ele já falecera (“não se lembrava de nada do dia anterior, com a exceção de que estava morto”), estar à busca de emprego, pelo que se depreende do diálogo entre ele e o entrevistador.

    O trabalho alienante da mídia também se mostra de modo claro, por meio do diálogo em que ficamos sabendo que o programa da Fátima Bernardes “nunca acaba” (ninguém merece…) e que não há telejornal. Ou seja, a “vida” é um show eterno.

    De tudo isso resulta humor, mas é preciso contar com a condescendência do leitor para as contradições apontadas e para algumas falhas de revisão e gramaticais, como em “entrou no portão da sem dar muita atenção para o dizer entalhado em pedra” (DA SEM?); “O treinamento foi uma nuvem distante mas o trabalho era muito fácil” ( FOI UMA ou seria FOI NUMA, ou ainda FOI EM UMA?); “Por aqui senhor” (falta VÍRGULA após AQUI).

    Um aspecto positivo foi o uso da circularidade, na construção da estrutura. Porém, as falhas apontadas fizeram perder um pouco o impacto dela, ao final.

    • Davenir Viganon
      2 de setembro de 2017

      Eu tinha certeza que tu ia perceber o porque do jornal nunca passar no inferno. 🙂

  16. Catarina
    23 de agosto de 2017

    O texto é muito bom, ironia fina e calculada com uma boa pitada de crítica social; estilo que tenho forte atração . Mas o melhor mesmo foi o fim com loop infinito.
    Gostei da homenagem à Matrix e ao Pacote de Maldades do Temer.

    Auge: “Não se lembrava de nada do dia anterior, com a exceção de que estava morto. Levantou, se arrumou no automático e correu para pegar a condução.” – Esse começo foi impactante. Faz a gente se perguntar: Como assim? Kkkk

    Sugestão:

    Colocar em 1ª pessoa. Tive uma sensação estranha com essa 3ª pessoa: “– Divino retrucou…”. Divino não é o pseudônimo do (a) autor (a) e por consequência o narrador? Sei lá. Fiquei confusa. Ou esperar que o pseudônimo for substituído pelo nome do (a) autor (a) essa confusão passará batida.

  17. Pedro Luna
    22 de agosto de 2017

    Interessante esse texto. Ele tem uma pegada absurda mas se comporta como se tudo estivesse normal. Chama a atenção o sujeito estar morto e não estar preocupado com isso, aliás, continua vivendo e se preocupando com detalhes da “vida”. Depois as banalidades continuam, aparece o Romário..kkk, uma surpresa, e ainda rola uma conexão, um loop, do fim com o início. Pô, bom trabalho. Achei que ia ser um texto bem simples, mas ele tem vários detalhezinhos bacanas.

    Na parte engraçada, bom, não é um texto que se dedica a isso, mas não precisava. Ele tem um tom leve e irônico que cabe no desafio e a piada do programa da Fátima Bernardes que nunca acaba, já por si só merece destaque. Bom conto.

  18. Regina Ruth Rincon Caires
    22 de agosto de 2017

    Outro texto que brinca com a rotina. Cheio de sutilezas, de deboches, tudo bem costurado. A leveza cômica da “passagem”, a sala de espera dos eternos esperadores, a descrição dos famosos na nova morada, enfim, tudo na narrativa é leve, interessante, prende a atenção do leitor. Alguns tropeços na revisão, mas nada que comprometa o conto. Parabéns, Divino!

  19. Anderson Henrique
    22 de agosto de 2017

    Puta texto! Começa em altíssimo nível. A imagem do Caronte demitido, substituído por um terceirizado é espetacular. “Eu não morro todo dia.” é uma frase ótima! E a ideia de que um dos círculos do inferno é uma sala de espera em que passa Encontro ininterruptamente? É um lugar que me faz considerar pedir perdão pelos meus pecados. Tudo muito acertado: o Cérbero está personificado em três funcionários do RH, Romário é um dos funcionários de uma empresa burocrática e não tem café no inferno, claro. A conclusão é excepcional e consegue piorar o inferno. Perfeito. Pra ficar melhor, só faltou colocar o cara em um certame de comédia do EC, obrigado a reler e dar nota a todos os contos desclassificados na primeira etapa. Achei o conto 10 desse desafio. Parabéns.

  20. Gustavo Araujo
    21 de agosto de 2017

    Gostei do conto! Muito criativo, fluido, fácil de ler e repleto de boas tiradas. Uma comédia raiz, para usar um termo destes tempos. A ideia de retratar o inferno como o reino da burocracia pode até não ser inédita, mas aqui foi construída com maestria. Fátima Bernardes no ar eternamente realmente é uma visão de causar arrepios. Nem Dante poderia conceber algo tão perturbador haha E o Romário? Putz, ri bastante, peixe. Ficou ótima a intervenção dele. Quanto à história em si, percebi tratar-se de um looping, com o protagonista sempre chegando à condução sem uma das três moedas necessárias. Frustração é para todo o sempre nesse hades bem concebido. Senti falta do diabo em pessoa (Lulu), papel para o qual, nessa toada, não faltariam candidatos. Enfim, um conto engraçado, que faz rir de fato (como poucos, na verdade, neste certame) e que se destaca pela inventividade do autor. Há um ou outro errinho de digitação, mas no geral está acima da média dos demais participantes. Parabéns ao autor!

  21. werneck2017
    21 de agosto de 2017

    Olá, Divino. Um texto muito gostoso e divertido de ler Coerente, coeso, parágrafos bem interligados, criativo. O enredo também é bem trabalhado, atingindo o clímax e o desfecho final que produz o efeito desejado no leitor, sempre interessado na estória que o prende desde o início. Minha observação é quanto a alguns erros, que podem ser resolvidos com revisão. Cito, por exemplo:
    os dois punhos fechado > os dois punhos fechados
    Caralho, a quanto tempo > Caralho, há quanto tempo
    Vincente > Vicente
    cara de brasileiro a sua frente. > cara de brasileiro à sua frente.
    Admirado com a criatividade que os administradores do inferno, Divino concordou com > Admirado com a criatividade que os administradores do inferno tinham/apresentavam, possuíam etc, Divino concordou com

  22. iolandinhapinheiro
    21 de agosto de 2017

    Avaliação

    Técnica: o autor usa a técnica da ironia para provocar humor, trazendo situações corriqueiras do dia a dia de um brasileiro para uma espécie de Tártaro muito parecido com uma repartição pública com todas as suas mazelas. A escrita é segura, o texto é coerente, e bastante linear. Não encontrei falhas que me incomodassem.

    Fluidez: o texto corre sem problemas e mantém o leitor interessado.

    Graça: ri bastante em algumas partes: o encontro com o Romário, o programa da Fátima Bernardes passando infinitamente, a maneira de impor castigo fazendo com que as pessoas façam trabalhos repetitivos e sem objetivo ficou muito legal e garantiu um humor fino e gostoso.

    Boa sorte.

  23. Fernando.
    21 de agosto de 2017

    meu caro Divino, que bela comédia você me proporcionou. Excelente seu texto, criativo, rico nas suas referências, e realmente muito engraçado. Ri bastante aqui. Um conto bem elaborado, bem produzido e que ficou muito legal. Você leva jeito para a coisa. Um ou dois detalhes de revisão que não tiram, em definitivo, o brilho desse seu conto. Parabéns. Grande abraço.

  24. Luis Guilherme
    20 de agosto de 2017

    Boa taarrrde!!

    Releitura de clássico é sempre uma boa pedida, né?

    Gostei!

    O texto é divertido naturalmente, flui bem, e tem um bom enredo, especialmente o desfecho, que fecha muito bem a historia toda.

    Adorei a cena da sala de espera.. fatima bernardes por tds eternidade ngm merece, é muito pior doq eu imaginava que fosse o inferno.. hauuhahua

    A aparição do baixinho também foi muito bem colocada.

    Tem alguns errinhos de revisão, mas nd comprometedor.

    Enfim, uma bela releitura, divertida, com boas referências, boas sacadas, um otimo enredo bem fechado e uma cena excelente (da fatima).

    Parabéns e boa sorte!

  25. Olisomar Pires
    20 de agosto de 2017

    Escrita: muito boa, a leitura segue sem problemas.

    Enredo: alma é remetido par ao inferno e se depara com uma organização administrativa aos moldes tradicionais.

    Grau de divertimento: médio. O texto é bom, divertido até, mas a originalidade do argumento ou o desenrolar dos eventos não é o forte dele.

  26. Cilas Medi
    19 de agosto de 2017

    Olá Divino
    Tem dificuldade com a vírgula mesmo diante de uma regra simples: antes do, mas?
    nuvem distante mas o trabalho = nuvem distante, mas o trabalho…
    um do outro mas pareciam todos iguais = um do outro, mas pareciam todos iguais

    Criativo, um bom conto, simples, direto e um morto ranzinza. Não há muito a se esclarecer ou pontuar sobre ser ou não comédia. Sorrisinho aqui ou ali, uma citação conhecida do Romário e é só. Cumpriu parcialmente o desafio.

  27. Marco Aurélio Saraiva
    18 de agosto de 2017

    O conto todo é uma grande crítica à nossa rotina de acordar-trabalhar-dormir, sempre olhando na direção do horizonte, esperando as férias chegarem. 1 mês de descanso, 11 meses de trabalho, sendo que 5 desses, no Brasil, só para pagar impostos.

    O conto também está recheado de críticas um tanto diretas à reforma trabalhista. Estas críticas são o conteúdo principal do conto, que é permeado por piadas e um tom cômico o tempo inteiro. Sim, a comédia está aí, um tanto criativa até. Eu, sendo bastante parcial, achei a comédia um tanto forçada, mas talvez seja pelo fato de ela não ser voltada para o meu gosto.

    Sua técnica é boa, mas pode melhorar com uma revisão mais minuciosa. Encontrei alguns travessões duplos, e alguns diálogos com travessão faltando, além de alguns problemas de pontuação e sintaxe. Nada extremo, mas quando em quantidade acaba atrapalhando o fluxo da leitura.

    Gostei da sua ideia de usar o inferno para retratar a vida do trabalhador médio brasileiro. Os demônios são sempre os chefes… o que torna o seu conto um tanto parcial, pendendo muito para uma opinião política específica, o que acaba me distanciando ainda mais dele.

    De qualquer forma, um bom conto, bem escrito, que pede um pouco de revisão e carece também de menos crítica e mais sorrisos.

    Abraço!

  28. Rafael Luiz
    17 de agosto de 2017

    Texto um pouco confuso, talvez até propositalmente. Apesar de uma história bem humorada, são raros os momentos engraçados. Diálogo bem feito, mas a mitologia me pareceu jogada, sem qualquer importância.

  29. Daniel Reis
    17 de agosto de 2017

    Prezado (a) Divino (Divino sabe, divino entende… só os velhos fãs de Chico Anysio entenderão…)
    Segue a avaliação do seu conto, em escala 5 estrelas:
    TEOR DE HUMOR: ****1/2
    Excelente teor de humor, com tiradas ao mesmo tempo eruditas e bastante acessíveis a todos os públicos.
    PREMISSA:*****
    Excepcional, apesar de não totalmente original – e quem disse que não se pode fazer bem e de outra forma algo que já foi feito? Sem falar nos elementos de atualidade da história…
    TÉCNICA: *****
    O(A) Autor(a) domina como poucos a construção dos diálogos, tempo de comédia, desenvolvimento e desenlace da história. Está de parabéns!
    EFEITO GERAL: ****1/2
    Uma divina comédia moderna, com estrutura em loop contínuo. Parabéns, um trabalho primoroso de conceito e construção!

  30. Paulo Luís
    15 de agosto de 2017

    Situações muito forçadas e não definidas. A ideia é interessante, mas não se desenvolve a contento. Nota 4

  31. M. A. Thompson
    14 de agosto de 2017

    Olá Divino parabéns pelo seu conto A Divina Rotina.

    É uma comédia agradável de ler mas fiquei confuso com a procura do emprego. Esta parte não ficou bem clara. Ele morreu, foi para o inferno e foi procurar emprego??

    “– Sabemos quem é. Não vamos perder tempo, por favor. Você quer um emprego, não é? – Disse o entrevistador do meio.”

    Faltou esclarecer essa busca pelo emprego, que é o mote do conto.

    Essa frase não se encaixa:

    “O treinamento foi uma nuvem distante mas o trabalho era muito fácil.”

    Treinamento numa nuvem? Não parece combinar com o inferno. E faltou um n(uma).

    Achei os palavrões desnecessários.

    Também reparei no uso equivocado de algumas virgulas e pequenos deslizes na acentuação, como nessa frase que deveria ser interrogativa ou interrogativa exclamativa:

    “– Então o Pelé, Zico, Garrincha devem estar todos aqui também.”

    Mais uma frase desnecessária porque é confusa e recorrente no texto:

    “– Responda apenas a perguntas não-retóricas.”

    Outro equívoco com a pontuação:

    “– O que você usou nessa pílula, água do rio Lete?”

    Quando escrevemos precisamos seguir um padrão ou Rio Lete ou rio Lete:

    “– Sim a água do Rio Lete,”

    Minhas considerações finais são as seguintes. Foi um conto bem bolado, comédia, parodiando A Divina Comédia e incluindo a cena clássica do Matrix. Pecou na revisão ortográfica gramatical. Achei os palavrões desnecessários. Poderia ser um bom conto para despertar nos mais jovens o interesse pela literatura citada, mas com os palavrões essa possibilidade cai por terra. E faltou explicar essa história de procurar emprego no inferno.

    Boa sorte no Desafio!

  32. Evandro Furtado
    13 de agosto de 2017

    Olá, caro(a) autor(a)

    Vou tentar explicar como será meu método de avaliação para esse desafio. Dos dez pontos, eu confiro 2,5 para três categorias: elementos de gênero, conteúdo e forma. No primeiro, eu considero o gênero literário adotado e como você se apropriou de elementos inerentes e alheios a ele, de forma a compor seu texto. O conteúdo se refere ao cerne do conto, o que você trabalha nele, qual é o tema trabalhado. Na forma eu avalio conceitos linguísticos e estéticos. Em cada categoria, você começa com 2 pontos e vai ganhando ou perdendo a partir da leitura. Assim, são seis pontos com os quais você começa, e, a não ser que seu texto tenha problemas que considero que possam prejudicar o resultado, vai ficar com eles até o final. É claro que, uma das categorias pode se destacar positivamente de tal forma que ela pode “roubar” pontos de outras e aumentar sua nota final. Como eu sou bonzinho, o reverso não acontece. Mas, você me pergunta: não tá faltando 2,5 pontos aí? Sim. E esses dois eu atribuo para aquele “feeling” final, a forma como eu vejo o texto ao fim da leitura. Nos comentários, eu apontarei apenas problemas e virtudes, assim, se não comentar alguma categoria, significa que ela ficou naquela média dos dois pontos, ok?

    Achei uma releitura interessante, usando a ideia do inferno com muito bom gosto. Achei, também, a trama bastante inteligente e bem amarrada, com início e fim bem definidos e, ainda assim, interconectados.

  33. Bar Mitzvá
    9 de agosto de 2017

    Eu fiquei abismado com a condenação da fila de espera diante de um interminável ‘Encontro com Fátima Bernardes’. Dante Alighieri que se cuide.

    Gosto de sátiras, elas exercitam uma crítica que acho bastante saudável na literatura. Eu sou da opinião de que os autores devem ser livres para colocar suas visões políticas, mesmo quando panfletários.

    A formatação do texto, não se se foi algum erro do autor ou durante a passagem para o site do EC, mas essa meia risca seguida de hífen, ficou estranho demais. E num erro de digitação durante o último diálogo dos entrevistadores, faltou uma meia risca (na parte II do conto).

    O que, na minha opinião, faltou para esse texto ficar redondinho, foi demonstrar como o protagonista se percebe pertencer ao mundo dos mortos ao acordar. Retirar esse adjetivo “enérgico”, que em nada acrescentou ao conto. E evitar a repetição do nome de Radamanthys, após Divino ler o nome na placa, no mesmo parágrafo.

    As referências espalhadas pelo conto me agradaram bastante, gostaria de ter feito algo no estilo. Só não entendi uma coisa, porque atletas são considerados artistas, ao invés de esportistas? Afinal, não são a mesma coisa, ao menos na minha concepção.

    • Davenir Viganon
      2 de setembro de 2017

      “porque atletas são considerados artistas, ao invés de esportistas?”: Pessoalmente acho que tem um pouco de arte para além da prática física, além do mais “futebol arte” é uma ideia muito brasileira, achei apropriado para este brasil/inferno que apresentei no conto. Valeu pelo comentário, um abraço!

      • Nelson Freiria
        2 de setembro de 2017

        Haha, eu sabia que meu preconceito “futebolístico” não me deixaria compreender com totalidade essa parte. Parabéns pela sua colocação, Davenir, foi merecido configurar entre os melhores!

      • Gustavo Araujo
        2 de setembro de 2017

        Sick Mind dando as caras, sem sua identidade secreta! Ora, viva!!

      • Nelson Freiria
        3 de setembro de 2017

        Hahaha, fui descoberto!

  34. Fil Felix
    8 de agosto de 2017

    É um conto com ideias bastante interessantes, mas que sofreram na execução. Um Inferno com ares de crônica, programas matinais repetitivos, senhas infinitas, personagens abrasileirados, críticas e ironias sociais, além do toque de ciclo vicioso ao final. Tudo bem legal, detalhe para o inferno dos que furam fila e a velha história de que artista não trabalha, é vagabundo. Mas o desenvolvimento tem alguns pontos a melhorar, como erros de gramática e construções meio incompletas (“sala de espera que estava repleta”, repleta de quê?). O excesso de referências deixou caricato e não de uma boa maneira, como o meme do “Café”, a fila estilo Fantasmas se Divertem e o “Peixe” do Romário, que mais pareceu um sósia. Acho que seria mais interessante, aproveitando a onda de crítica, em ter abrasileirado tudo: sem citar o Caronte, tirar os rios e o inferno grego, dando nomes de ruas ou estados brasileiros, a nossa identificação seria maior e melhor.

  35. Victor Finkler Lachowski
    7 de agosto de 2017

    Me desculpe a expressão, mas é um puta conto!
    Uma narrativa super sarcástica e horrível que retrata um escárnio (no melhor e pior sentidos da palavra) ao cotidiano e a forma com a qual as pessoas vivem. Uma crítica a humanidade muito bem trabalhada e tragicamente cômica.
    Boa estrutura, a leitura é fácil e prática, além de uma escrita agradável.
    Muito obrigado pelo conto e boa sorte no desafio,
    Abraços.

  36. Rsollberg
    7 de agosto de 2017

    Hahahahaha
    5

    Um dos principais elementos da comédia é a crítica corto-contundente, social, moral, filosófica, política, o que justamente as pessoas no grupo aparentemente não estão dando muito valor. Aqui, na presente obra, está bem presente e bem explorada. já no primeiro parágrafo e só melhora até o final.
    A zombaria ao redor da famigerada reforma trabalhista é oportuna e bem elaborada. Traz os elementos verdadeiros e reais para um contexto surreal, onde o governo/céu aplica a punição sempre pensando na máquina. Os artistas são explorados e punidos com um sistema que o obriga a deixar de lado o seu caráter inventivo. Os personagens são bem construídos no curto espaço, e ai o autor foi muito bem vez que escolheu figuras consagradas ou referências, não perdendo tempo em seu desenvolvimento pormenorizado, e criando rapidamente uma conexão com o leitor.
    Os diálogos foram muito bem aproveitados, rápidos e sagazes, combinando sobremaneira com o tema do desafio.

    Por fim, que inferno Dantesco onde o programa da Fátima Bernardes passa de forma ininterrupta em danação eterna. Mas a grande sacada mesmo foi criticar abertamente, e desavergonhadamente, esse tal poder de negociação do trabalhador, uma piada infernal e de péssimo gosto. Ou alguém já viu livre negociação vertical??? Nem aqui, nem no céu!!

    Parabéns

  37. Vitor De Lerbo
    6 de agosto de 2017

    O conto é criativo e tem algumas frases ótimas. A ideia de usar elementos terrestres no inferno gera divertimento. A parte das perguntas não-retóricas é uma gag divertida.

    Diversos erros de português acabam tirando um pouco a atenção do leitor do texto.

    Um ponto pessoal: quando leio textos sobre pessoas que estão no inferno, automaticamente me pergunto porque elas estão lá. De repente seria legal dar algum indício do porquê o Divino não foi pro céu. Só sabemos que ele gosta de trabalho criativo e curte viajar, o que, eu espero, não seja motivo para ir pro inferno.

    Boa sorte!

  38. Rubem Cabral
    6 de agosto de 2017

    Olá, Divino.

    Seu conto é muito bom. Foi o primeiro que me fez rir. A escrita precisa de algum polimento, tem alguns erros bobos feito “os dois punhos fechado”, mas está bem escrito em linhas gerais.

    Achei o enredo bem criativo e algumas tiradas, feito o encontro com o Romário, muito boas. O final, ao insinuar um loop usando as famosas águas de Lete, foi muito bem bolado. Se o que você criou não for o Inferno, não sei mais o que é.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  39. Ana Maria Monteiro
    6 de agosto de 2017

    Olá colega de escritas. O meu comentário será breve e sucinto. Se após o término do desafio, pretender que entre em detalhes, fico à disposição. Os meus critérios, além do facto de você ter participado (que valorizo com pontuação igual para todos) basear-se-ão nos seguintes aspetos: Escrita, ortografia e revisão; Enredo e criatividade; Adequação ao tema e, por fim e porque sou humana, o quanto gostei enquanto leitora. Parabéns e boa sorte no desafio.

    Então vamos lá: A sua escrita tem rédea, você domina o que faz, mas infelizmente, deixou passar alguns erros e pelo menos uma frase não muito estruturada; creio poder chamar-lhe de comédia, embora pudesse ter puxado mais por ela sem sair da história; a experiência enquanto leitora foi leve e agradável, tendo apenas enredado naquela frase iniciada e não terminada, logo no início.

  40. André Felipe
    5 de agosto de 2017

    Gostei muito do conto. É muito criativo e original. Muito bom o jeito como usou os elementos da mitologia de uma forma tão natural e descontraída. Infelizmente constatei alguns erros por falta de atenção, o que uma revisão a mais daria jeito. Considerei adequado ao tema por se tratar de uma sátira e pelo bom uso do sarcasmo. Apesar de que nas pontuais vezes em que tentou extrair graça nos diálogos, falhou pra mim. O desfecho me surpreendeu positivamente; muito criativo e sagaz. Enfim, como disse, eu gostei muito; o texto fluiu, não fiquei olhando quanto ainda faltava pra terminar.

  41. Roselaine Hahn
    5 de agosto de 2017

    Olá Divino, um conto engraçado, com certeza. A parte da Fátima Bernardes foi o ponto alto. Acho que na frase: “Admirado com a criatividade que os administradores do inferno..”, seria “Admirado com a criatividade dos administradores do inferno..”. A parte narrativa me prendeu mais, achei mais criativa; os diálogos da parte IV, a parte final, tiraram um pouco o brilho da história, ficou um tanto burocrática, aliás, como deve ser o inferno. No mais, um enredo engraçado, boa história.Abçs.

  42. angst447
    5 de agosto de 2017

    Olá, autor(a). Tudo bem?
    O conto tem um bom tamanho, ritmo agradável, agilizado pelos diálogos (adoro!) e consegue prender a atenção sem apelar muito.
    O tema comédia foi abordado com leveza e de forma bem divertida. Pobre Divino, entrou em um loop dos infernos.
    Alguns detalhes escaparam na hora da revisão. Acho que não houve muito tempo para uma segunda revisada,não é mesmo?
    Entrou no portão da sem dar > faltou alguma coisa aqui. Entrou PELO portão da …?
    O treinamento foi uma nuvem distante > foi EM uma/numa nuvem distante
    Logo a frente > logo à frente
    a quanto tempo estou > Há quanto tempo estou….
    os dois punhos fechado > os dois punhos FECHADOS
    Gostei. O conto me fez sorrir e distraiu minha mente.
    Boa sorte!

    • Davenir Viganon
      2 de setembro de 2017

      Ah você me entendeu, no que consta a revisão né!? Enfim, sempre encaro o dilema: mando assim ou não mando? kkkkkk

  43. Paula Giannini
    5 de agosto de 2017

    Olá, Divino,

    Tudo bem?

    Seu conto é muito bem elaborado, fechando um ciclo perfeito do trabalho como um todo. Aqui, temos o título aludindo à “Divina Comédia”, deparamo-nos com um substituto de Caronte, como um cobrador de passagens de ônibus (que por sinal aumentou), e, somos lançados às abomináveis e infernais repartições públicas, com suas filas e regras e aborrecidos personagens tão insatisfeitos por estar ali, quanto aqueles que ali aguardam a fim de ser atendidos.

    A imagem dos ciclos infernais, com seus purgatórios e expiações em tal contexto é muito boa. Você conseguiu me transportar para uma dessas terríveis salas empoeiradas e de tom ocre, com pessoas mau humoradas e sem tempo para ouvir as perguntas de quem ali chega, e, tampouco interessadas em lhes escutar as respostas.

    Eis que o autor, além usar as repartições públicas como metáfora para o inferno, ainda compara o ciclo ao qual o personagem é lançado às escolhas na Matrix. Quem de nós brasileiros (e creio que portugueses também), não se sente na Matrix diante das insanas e sem sentido regras do sistema burocrático de nossos países? Eu sim. E a cada dia mais.

    O conto rende um romance e dos bons. Pensou nisso? Eu sim. Lembrou-me Kafka em “O Castelo” e Saramago em “Todos os Nomes”.

    Parabéns por seu trabalho.

    Desejo-lhe muito sucesso no certame.

    Beijos

    Paula Giannini

  44. Priscila Pereira
    5 de agosto de 2017

    Oi Divino, vamos avaliar o seu texto?
    Participação: Parabéns! – 02
    Revisão: Encontrei essa frase: “Entrou no portão da sem dar muita atenção para o dizer entalhado em pedra:” Está faltando uma palavra depois do “da” ou ele está sobrando aí. Não notei mais nada relevante. – 1,9
    Coerência: Tem começo, meio e fim definidos. Dá pra entender perfeitamente.-02
    Adequação ao tema: É um texto bem humorado, nada além disso. – 01
    Gosto pessoal: Então, achei interessante a ideia, mas pra falar a verdade não me fez rir. Você deve odiar a Fátima Bernardes, me diverti só imaginando isso. Mas já conta né… – 01
    Total: 7,9
    Boa sorte!

  45. Juliana Calafange
    5 de agosto de 2017

    Divino, gostei muito do seu conto. Foi uma paródia gostosa e divertida. Mas acho que faltou um pouco de foco narrativo. Penso que vc se perdeu um pouco a partir do final da parte dois, foi quando o texto ficou um pouco cansativo. Nesse meião eu fiquei na dúvida se vc queria falar da demoníaca reforma trabalhista brasileira, da exploração diabólica do trabalhador, da terrível rotina diária das pessoas, ou de quão infernal é assistir o programa da Fátima Bernardes. Mas no final, vc arremata muito bem com a coisa da pílula do esquecimento e das moedas. Então minha única sugestão é que reveja um pouco o miolo do conto, talvez dando uma enxugada pensando mais no foco da sua história. Ah! Tem uns errinhos de revisão, mas nada que comprometa! Parabéns!!

  46. Olisomar Pires
    5 de agosto de 2017

    Texto sobre a vida pós-morte em paródia. Uma das partes lembra muito um episódio da série Supernatural, inclusive a piadinha com os números da fila de espera, aliás essa é uma cena recorrente nesses quadros.

    É bem escrito, não notei erros graves que travassem a leitura.

    Mérito por encaixar Romário no inferno e deixar Pelé no céu.

    O conto é composto por esquetes cômicos, são engraçados, apesar de previsíveis.

    É isso.

  47. Lucas Maziero
    5 de agosto de 2017

    Achei bem divertido o conto, principalmente a parte onde os mortos tem de ficar aguardando e, como tortura, assistindo o programa da Fátima (rsrs). É claro que não se pode deixar de lembrar do filme Beetlejuice, onde os mortos aguardam com senha e tudo. O conto é uma releitura um tanto cativante da mitologia grega o inferno, e muito bem-humorada. Como não podia deixar de ser, ficou legal essa repetição no final, esse tormento de ter que refazer as mesmas coisas eternamente.

    Opinião geral: Gostei.
    Gramática: Alguns deslizes, na falta de vírgulas, na estrutuda dos diálogos e em algumas concordâncias.
    Narrativa: Leve.
    Criatividade: Boa, soube reiventar a mitologia grega do inferno de forma divertida.
    Comédia: Boa, sorri am algumas passagens.
    Nota: 8

    P.S.: A imagem ficou demais (hehehe).

    Parabéns!

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 3, Comédia Finalistas e marcado .