EntreContos

Literatura que desafia.

Sina (Mário Nogueira)

O dono da fazenda, estava bêbado demais para fechar o galinheiro. E também a porteira e a porta do galpão e a do quarto. Tomou de um só gole o último copo de uísque e, cambaleante, atirou-se à cama onde sua mulher já ressonava. Então foi fácil de ir se chegando, um por um, passo a passo até o bando todo adentrar a fazenda depois de atravessar o igarapé com a metade da perna dentro da água, pegando a trilha riscada no terreno cediço e acamado de folhagem.

Há dias o velho Coronel, conforme o bando chamava o chefe, observava o fazendeiro se esbaldar na esbórnia à noite, depois do dia ganho. Não por ele, bem entendido. O homem gostava do mando, mas não da labuta, desprivilegio concedido somente aos empregados. Deixava algum matuto de confiança com a arma pesando na mão, caçando vestígio de onça, raposa, lobo para manter todos afastados da propriedade. O fazendeiro detestava bicho arisco, de estudar terreno, agourando presa, comendo o capital e dando prejuízo. Quisesse manter criação e roçado, cuidasse da ameaça, que na mata a predação sempre vinha. Era botar pé no terreno para adivinhar os sinais nos pios dos pássaros, nos guaribas saltando no quintal da casa, no ticoã anunciando desgraça. Lesse mais o mais sabido que a morte era certa. Cai aqui, levanta ali, sai a bom correr.

O velho Major era bom leitor, lia surucucu armando bote, armação de tempestade, rebuliço de matuto resmungando a cachaça. Não tinha sobrosso por coisa alguma, por isso gozava de alto conceito e confiança. E lá vinha ele com o andar moleirão, carcando o peso no folhiço, guiando todos no meio do buçuzal onde ficavam encobertos por folhas de inajá e imbaúba, sem perigo de tomar afronta ou tiro. O velho javali não ia deixar o couro pepinado de chumbo, nem a si nem aos outros porque era bom guardador. Só queria uma parte do terreno vasto para criar família, encher o bucho dele e da família imensada comendo no desvanecimento das horas e se abrigar do temporal que sempre caía.

Esse veio desarvorado, batendo nas palhas do galinheiro, fustigando telha e árvore, mas o bando se protegeu esperando a estiada, arruando ao vento, aguardando enxurrada passar. Depois que se findou, que tudo se finda, o velho Coronel apontou seu canino retorcido para o alto, investigando o vento, escutando o ronco da barriga, enxergando abastança além do cheiro de flor, folha e raiz. No aperto de buscar fruto, castanha, semente, caracol, minhoca, inseto, ovos e o que mais fosse para curar a fome que atentava. Valia até animal morto para não passar sobrosso. Comida farta na fazendo do Seu Jonas, de porteira sempre aberta feito braço de Cristo. Depois de comerem, o velho javali reuniu o bando na escuridão da noite. Um trovão riscou o ar, assanhando a mata e os animais.

“Camaradas, nossa vida é miserável, trabalhosa e curta, mas nesse canto de mundo vamos nos abancar para criar família e buscar alimento que é tão farto quanto a terra.”

O velho Coronel, desabusado no alto do socavão, falava fungando ar, abrigado nas folhas. Fez um cafuné na esposa ao lado achou que o melhor a fazer era o bando ficar na fazenda onde a comida brotava feito maná. Montariam casa, cria e crosta na superfície conhecida da terra farta de roçado e criação. Que os porcos e qualquer outro bicho se juntassem no adjutório de conseguir terreno. Nunca mais iam se amofinar de carestia. Não ia mais ver animal entanguido e magro, o cuspe amarelo na boca amarga, os dentes cavoucando abrigo. Montariam abrigos e os anos não deixariam esquecer o cheiro da terra. A rapaziada não reclamou, cansados de perambular por aqui e ali, sem porto e sem-terra esperando, só levando vara no lombo pelos descampados.

Os bichos desabusados, correndo aos tombos. Levanta aqui, cai acolá, sem dar conta do rebuliço, só furando mato de noite e roçado de dia, filharada surgindo no socavão, na cobiça de alimento. Em pouco tempo, a pele grossa esticava nas banhas. E logo o bando se imensou nas granjas vizinhas. E nos campos, especulando na terra dos outros. E os matutos não davam conta de afugentar tanto javali, porco e o que mais fosse.  O fazendeiro, itiriçado, chamou a família e pediu conselho, chamou os matutos e pediu tenência, chamou os compadres vizinhos e pediu providência.

– Temos que espertar com esses bichos. Daqui a pouco danam a tomar uísque feito gente.

Os matutos insistiam com a arma pesando no pulso, mas a munição pouca não dava conta de tanto bicho no assentamento. Nunca viram tamanho atrevimento, os sem terra não pareciam arriar. O clima era de pânico e desespero. Então os fazendeiros se reuniram e chamaram o carrasco afamado, de cigarro na boca e viseira na face. Era homem de não ser atormentado nem pelo chuveiro que caía forte. O forasteiro chegou de mala e cuia, perguntou o que ganhava com a desimcumbência. O fazendeiro aperreado já lastimava a má ideia, a boca entortando de raiva. Ofereceu dinheiro e cachaça, que foi logo negada.

– Seu doutô, faço nada com isso não. Aqui só tem mato e meu estômago está mais encolhido que onça.

– O que quer então?

–  Rico tem mais o que discomer.

– Fale logo o que quer!

– Quero o javali mais gordo que minha fome é muita.

– Feito!

O homem abriu a mala e tirou de dentro facão, cartucheira e espingarda, confiante na mira certeira. Saiu bordejando o igarapé até encontrar alguns javalis sem rumo, mariscando peixe na beirada. Foi o que bastou para o carrasco ir deixando pelo caminho a miséria de cor vermelha que toldava tudo, até pranto de bicho. Depois, cortou atalho. Com terra, ninguém brinca. Haviam de aprender. A fêmea do velho Coronel foi a primeira a sofrer, embarrigada, de filhote ainda no ventre. No momento que a lâmina desceu no ar, o velho se findou de fraqueza, escasseado de sentimento e ideia.  Um por um, passo a passo até todo o bando fugir e adentrar o igapó. Foi fácil de se chegar neles, perna na água até o meio, pegando a trilha riscada no terreno cediço, acamado de folhagem e arma pesando no punho.

Com o terçado, o forasteiro furava intestino enquanto inflava os pulmões. Então suspirava e danava em nova investida. Furava fígado, furava coração, furava os olhos no chão encharcado, no cheiro de lama subindo, naquela podridão miserável. O sangue das vítimas respingando na viseira, sem que ele visse direito o que fazia. A manhã mariscada de nuvem e de chuva branca abafava os gritos e os gemidos enquanto os fazendeiros celebravam dentro da casa confortável com copos de uísque. Os bichos que não estavam mortos fugiram para não se findar, com o cuspe amarelo na boca amarga. Quando o forasteiro deu conta, só via o barro encharcado de sangue, o mato afogado, a fazenda em silêncio. Tanto esmorecimento só causava aporrinhação, sem ter bicho que o peitasse e deitasse limite para tanta sangueira. Não havia na natureza animal capaz de o peitar. Se calhar, ainda vem a falação, crescendo de boca em boca, espalhando fama. Serviço limpo, de não sobrar um.

Virou de lado, a fêmea do velho Coronel agonizava. Então o forasteiro deu o último tiro no meio dos olhos e retalhou o corpo com o terçado. Embrulhou tudo em sacos plásticos.  Só então viu o velho javali combalido, afogueado, descaído na enxurrada.

– Bicho maldito, desgraçado, atordoa a qualquer um. Quero ver agora invadir terra dos outros.

Ao longe, os companheiros gemiam, arruando de saudade. O forasteiro colocou os sacos de carne na mala, satisfeito com a fartura de alimento. Não era só na mata que a predação sempre vinha. O velho Coronel, panemado, deixou-se levar, sem apresentar resistência. O forasteiro tirou uma corda e o amarrou na coleira. Podia-se ouvir os pios exaltados dos pássaros, os guaribas irrequietos saltando no quintal, o ticoã melancólico anunciando desgraça. Então, o fazendeiro caiu na esbórnia à noite, depois do dia ganho, enquanto um arruar era ouvido ao longe como um choro de saudade.

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24 comentários em “Sina (Mário Nogueira)

  1. Gilson Raimundo
    23 de maio de 2017

    Uma linguagem bem eficaz para uma prosa entre compadres, algumas repetições talvez para enfatizar alguns tópicos, bem criativo fugindo ao que se esperava e é isso o que mais importa, em alguns trechos achei que poderia ser um texto de metáforas, onde os javalis fossem parte da humanidade, sei não. Um drama misturado com suspense aludindo de forma sutil a imagem proposta. Gostei disso.

  2. Afonso Elva
    23 de maio de 2017

    Um bom conto. Mas como partidário de Machado de Assis que sou, devo dizer que o conto peca pelo excesso. Os quatro primeiros parágrafos já são suficientes para lenvatar a toalha. Mas isso, é claro, é uma questão de gosto. Sempre passei longe de livros como “O Pendulo” do Humbertpo Eco, por exemplo. Tenho a impressão que textos assim são mais uma desmonstração de “alguma coisa”, e, apesar de com certeza eu estar errado, me incomoda.
    Nos mais a história é bacana, gostei de algumas passagens como a descrição do casador matando a gangue de javalis, e das partes em que descreve o bando de animais como se fossem bandidos humanos (trechos em que, sem surpresa, a leitura é mais agradavel, mais acessível, eu diria).
    Algumas repetições de figuras me incomodaram um pouco, como:
    ” pesando no pulso/pesando no punho/pesando na mão”; “sobrosso”; “cediço” dentre outras. Palavras incomuns chamam atenção do leitor, sendo assim, repeti-las num curto espaço de tempo emprobrece o texto!
    Mário, no mais, tudo certo. Boas as sacadas, escrita boa, apesar de eu não gostar muito do estilo, etc. Forte abraço 😉

  3. Iolandinha Pinheiro
    23 de maio de 2017

    Em todo desafio do Entrecontos surge um ou alguns Guimarães Rosa. Sempre fazem sucesso, a linguagem é elogiada, os autores criam palavras novas ( a desta vez foi transformar a palavra “imenso” em verbo. Os textos ficam travados, há um excesso de descrições para que o autor desfile para o leitor a beleza da linguagem, detalhes sobram… Eu não tenho nada contra uma linguagem regionalista, desde que a sua utilização não atrapalhe a fluidez do conto. Veja este trecho:

    “Depois que se findou, que tudo se finda, o velho Coronel apontou seu canino retorcido para o alto, investigando o vento, escutando o ronco da barriga, enxergando abastança além do cheiro de flor, folha e raiz. No aperto de buscar fruto, castanha, semente, caracol, minhoca, inseto, ovos e o que mais fosse para curar a fome que atentava. Valia até animal morto para não passar sobrosso.”

    Esse derrame de informações foi apenas para dizer ao leitor que depois da enxurrada o javali precisava encontrar algo para comer. Eu não quero dizer aqui que não valorizo o serviço de pesquisa não apenas sobre a linguagem regional, como sobre os javalis, seus hábitos alimentares e agudez dos seus sentidos para encontrar comida, mas em que isso acrescenta à trama? Fora enfeitar o conto com belas construções, serve apenas para mostrar o quanto a estória que é contada tem um enredo simples.

    Claro, há muitos pontos positivos no seu texto. Até agora foi o texto que melhor colocou a imagem dentro de um contexto e verossímil. Apesar do enchimento de linguiça, o conto não derrapa em incoerências, e não se reveste de um conteúdo que caberia em um romance, de fato, é um retrato na vida daqueles animais, um retrato dramático de suas lutas contra os fazendeiros, da fome, da luta pela sobrevivência. Nota-se que neste aspecto, o autor fez o dever de casa direitinho.

    Outro ponto que achei legal, foi comparar os animais com o pessoal do movimento sem terra, talvez tenha ficado tão perfeitamente cabível porque os fazendeiros os veem mesmo como bichos, apenas um empecilho para as suas atividade econômicas. Achei inteligente.

    É isso. Parabéns pelo trabalho cuidadoso. Boa sorte no desafio.

  4. Anorkinda Neide
    23 de maio de 2017

    Olá!
    Este é um texto que exige releitura. Não deixa de ser bonito com algum ritmo ma peca um pouco na linguagem excêntrica que por vezes trava o ritmo da leitura.
    Não queria eu pensar q há uma crítica social aí , mas não tem como não perceber que depois da mençao dos ‘sem-terra’ e da descrição da vida torpe do fazendeiro que ganha mas não trabalha, a figura do matador é bastante negativa, aceitando o trabalho praticamente a troco de nada e pior, fazendo a sua paga com as carnes da javalina esposa do Coronal, prenha! é de puxar o asco do leitor…
    Não entendi pq o assassino levou o Coronel acorrentado… fazê-lo prisioneiro? pq companheiro é que não é. pq não o matou? ok, pra ter a imagem do desafio narrada ali, mas ficou sem uma explicação plausível..
    Enfim, o conto não me agarrou mas será avaliado pela originalidade do texto e do estilo.
    Boa sorte, abração

  5. Jowilton Amaral da Costa
    22 de maio de 2017

    Conto muito bom. A narrativa, apesar de peculiar, não me travou a leitura. História bem contada e bem ambientada. Durante a leitura fiquei um tanto confuso de quem era o homem e quem era o javali, acabei achando que a confusão foi proposital, dando semelhanças do humano com o animal. Boa sorte.

  6. Brian Oliveira Lancaster
    22 de maio de 2017

    EGO (Essência, Gosto, Organização)
    E: Interessante a inversão de racionalidade. Tem o clima da foto, apesar de não trazer tantos detalhes. Um texto bem regionalista, que também escolheu pegar apenas uma cena do cotidiano e transpô-la para a tela.
    G: Regionalismos são interessantes e me atraem pelo inusitado. Mas o texto está um pouco sobrecarregado de metáforas, tornando-o arrastado em certas partes. Só ao chegar ao fim é que entendi que os títulos se referiam aos animais. A sutileza na troca de ponto de vista quanto a quem é mais cruel, ganha pontos. Pegar a foto e torná-la cotidiana (interpretei as roupas do homem como extravagância de um viajante) não é uma tarefa fácil.
    O: A primeira frase não precisava de vírgula. Notei isso em outras ali no meio, mas que não chega a atrapalhar a experiência. Entendi que os animais falam “certo” e os humanos tem sotaque caipira. A atmosfera cativa, só precisava de um pouquinho mais de agilidade no contexto.

  7. Rubem Cabral
    22 de maio de 2017

    Olá, Mário.

    Resolvi adotar um padrão de avaliação. Como sugerido pelo EntreContos. Vamos lá:

    Adequação ao tema:
    Aqui não há do que se reclamar. Quando o caçador vai embora temos exatamente a imagem do desafio.

    Qualidade da escrita (gramática, pontuação):
    Aqui há alguns pequenos problemas. A frase de abertura com a vírgula fora do lugar ficou feia, por exemplo. Algumas repetições me incomodaram também
    Contudo, o texto está bem escrito, e foram raras as falhas que notei.

    Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos):
    O estilo regionalista à la Guimarães Rosa ficou muito interessante: algumas palavras me pareceram talvez até inventadas, e notei alguns artigos suprimidos de propósito. Notei também uma homenagem à obra “Animal Farm”: Coronel, Major. Eu tive que reler o início, pois não havia entendido que o bando invasor era de javalis, há alguns momentos em que o conto torna-se difícil, pelo excesso.

    Um ponto que gostei do conto foi o uso do fato de que bandos de javalis, exóticos à nossa fauna e flora, têm realmente causado prejuízos a fazendeiros, como demonstrado no texto.

    Enredo (coerência, criatividade):
    Gostei do conto em linhas gerais. Contudo, um caçador faminto apenas cobrar a carne dos javalis como pagamento – que são caçados como pragas, geralmente, e não por sua carne – pareceu-me mais licença poética do que algo real.

    Obrigado pela leitura e boa sorte no desafio!

  8. Victor Finkler Lachowski
    21 de maio de 2017

    A escolha de palavras foi muito bem feita, sendo esse um ponto altíssimo do conto, a história contada com início, meio e fim bem marcados, gostei de como você encaixou a foto com o conto e você montou uma boa atmosfera.
    Eu entendi sua referência a Orwell, porém acho que você poderia ter tentado inovar, notei alguns erros de pontuação e gramaticais, mas não é nada para se tirar nota. No geral é um conto muito bom e espero que você possa nos presentear com novas obras.

  9. Olisomar Pires
    21 de maio de 2017

    1. Tema: presente com alterações.

    2. Criatividade: Muito boa. Personalizar os javalis ficou ótimo.

    3. Enredo: As partes se conectam e a estória desliza tranquila, bom de se ler.

    Os javalis invasores tombam sob a tarefa do contratado para defesa do direito agredido.

    Há porém uma pequena incoerência. Numa parte do texto se diz que os “matutos” não tinham munição suficiente. Deduz-se que eram várias pessoas e vários fazendeiros com algum poder aquisitivo e não tinham munição ? Aí um só homem tem, sozinho, munição para dar cabo da maioria dos bichos ? E não pede paga, apenas alimento ?

    Sei que nem sempre tudo tem que fazer sentido, só me chamou a atenção.

    Geralmente não busco sentidos ocultos num texto, gosto do texto pela história que conta, claro que algumas nos remetem a outras. Nesse caso lembrei-me da “Revolução dos Bichos” do George Orwell, talvez a frase de um dos personagens dizendo que os bichos acabariam tomando o uísque deles tenha acionado esse gatilho.

    Acho que fica como ponto marcante a sensação que ações tem consequências, sejam de bichos ou de gentes.

    4. Escrita: Bom estilo e bem escrito, não notei erros tão graves a ponto de comprometer o conto.

    5. Impacto: alto.

  10. Vitor De Lerbo
    21 de maio de 2017

    Alguns erros de pontuação acabam se destacando.

    A ambientação é o ponto forte do texto. O local e a matança são praticamente palpáveis para o leitor.

    É um conto simples no quesito criatividade, contando, visceralmente, a história de um extermínio.

    Boa sorte!

  11. Evelyn Postali
    21 de maio de 2017

    Oi, Mário Nogueira,
    Gramática – Não se separa o sujeito do verbo. Cuidado com as vírgulas. Cabe uma revisão no conto, mas não entenda isso como se o conto dependesse disso. Não. Ele está bem escrito, apesar de alguns tropeços. Uma linguagem assim exige do leitor um esforço a mais na tradução das expressões. Não dificultou, mas exigiu um tempo maior de leitura e procura de significado. Isso é bom. Gostei do exercício.
    Criatividade – Eu gostei da história e bateu uma melancolia barata, lá, no final. Porque finais meio assim, me deixam meio sei-lá.
    Adequação ao tema proposto – Eu acho que a adequação ficou até bacana. Não se esperaria um capote e óculos de aviador em meio a um cenário como esse.
    Emoção – A emoção ficou por conta da cena final, da morte bastante gráfica, mas nada que outra leitura, mais leve não resolva.
    Enredo – Começo, meio e fim. Para mim está ok. Está claro o desenrolar da história.
    Boa sorte no desafio!
    Abraços!

  12. Antonio Stegues Batista
    21 de maio de 2017

    O texto tem um bom vocabulário, com leves deslises gramaticais. O enredo é simples, javalis que atormentam fazendeiros como se fossem um bando de criminosos, um caçador é contratado para matá-los, segue-se uma exterminação e é só. O que salva a história é a escrita.

  13. Iris Franco
    20 de maio de 2017

    Oi, tudo bem?

    Vou começar com os pontos positivos. Já leu Guimarães Rosa? Se não, deveria! O estilo da escrita é igualzinho, caramba.

    Pontos negativos, cuidado com a vírgula. Não que eu seja uma especialista no assunto, pois isto é um terreno arenoso para todo mundo. Todavia, logo, na primeira frase cometer um erro com a vírgula pode fazer o leitor torcer o nariz para o texto todo. Não é o meu caso, porque achei o texto bom mesmo, porque lembrou muito, muito, muito, o Guimarães Rosa.

    Meu segundo ponto neste tópico é a questão dos parágrafos. Faltou uma divisão melhor nos parágrafos, isso ajudaria muito no texto.

    Bom, sucesso e boa sorte! 🙂

  14. Neusa Maria Fontolan
    20 de maio de 2017

    Um conto simples e bom, uma ótima trama nos lembrando a dura luta dos sem terra.
    Só faltou uma revisão mais detalhada, acredito que por falta de tempo.
    Foi uma boa história, gostei de ler.

  15. Matheus Pacheco
    20 de maio de 2017

    Eu gostei, achei muito bem trabalhado na parte das descrições e no abate do javali, mas pelo o que eu vi, não fui o único com certas dificuldades de diferenciar os humanos com o javali.
    Tirando isso eu achei muito bom.
    ótimo conto e um abração ao autor.

  16. Ana Monteiro
    20 de maio de 2017

    Olá Mário. sendo eu portuguesa, a linguagem deixou-me a anos-luz. Não entendi metade logo à primeira. Algumas palavras procurei o significado, doutras captei o sentido pelo contexto.
    A nível de comentário vou seguir de próximo a sugestão do Gustavo. Apesar do que referi anteriormente, o texto não deixa de ressaltar algumas possibilidades de melhoria, particularmente com uma revisão final à qual não me parece que tenha dado atenção suficiente, tendo passado um ou outro erro ortográfico (por exemplo: itiriçado, que é palavra que não existe e nem se adequa como neologismo, contrariamente a outras que poderão talvez sê-lo), espaçamentos mal feitos (excesso de espaços entre as palavras), pontuação que causa tropeços na leitura, tudo coisas que poderia resolver com revisão.
    Quanto ao resto, foi bastante criativo e adequado ao tema proposto. O enredo está bem montado. Emoção só senti no final, mas está lá.
    Quanto à pontuação final que atribuirei, terei o cuidado, no seu como em todos os contos, de não permitir que a forma diferente como portugueses e brasileiros usam o idioma, vá interferir.

  17. Roselaine Hahn
    20 de maio de 2017

    Oi Mário, a linguagem do seu conto me remeteu ao desafio do folclore, recém findado, ou será que estou no desafio errado? Confesso que foi uma leitura bastante difícil, li e reli, demorei a entender quem era o javali, ou talvez ainda não tenha entendido, o que não tira o mérito da sua escrita. Dei uma torcida no nariz na vírgula mal colocada no 1o. parágrafo, impressão que se desfez com o desenrolar do conto e a certeza que vc. maneja bem o teclado. A meu ver, o linguajar regionalista tenha atrapalhado um pouco a fluidez e o entendimento da história (na verdade, confesso que eu ainda não superei o trauma do desafio anterior, rsrs). Um bom conto, merece destaque o risco pela linguagem pouco usual. Abçs.

  18. juliana calafange da costa ribeiro
    20 de maio de 2017

    O texto pode ser difícil no começo, mas é tão bem trabalhado, as palavras tão bem encaixadas, uma certa rima e cadência, coisa de profissional. O seu narrador faz a gente grudar no lombo dos bichos, enquanto avançam pela propriedade do idiota bêbado que nem merece a fazenda que tem… Em certa altura me lembrei de A Revolução dos Bichos, do gênio Orwell. Queria que o Coronel e sua turma se rebelassem contra o caçador, que ele terminasse dentro da mala em pedacinhos e não o contrário. Emocionei no final. Um belo conto, parabéns!

  19. Olá, Mário,
    Tudo bem?
    Você conhece o livro “Tempo de Guerra”? Coletânea de contos de Domingos Pellegrini. Pois bem, seu texto me remeteu ao conto “Guerra Civil”, da mesma obra. Se não conhece, leia. Vale a pena.
    Agora vamos ao seu trabalho. A linguagem, vamos chamar de regionalista, se estabelece com grande fluência, especialmente após o segundo parágrafo. Linguagem é algo importante, é a partitura através da qual a música das palavras dentro do conto conduz o leitor pelo universo criado pelo autor. Sua escolha, nesse aspecto, foi muito bem feita e inteligente. Ela transporta o leitor imediatamente para o “clima” de sua história.
    Achei que você estivesse traçando um paralelo entre os donos de propriedade e os sem-terra. Durante a leitura, o termo é utilizado para nominar os Javalis e seu bando, deixando tal paralelo quase claro. Não sei ao certo se foi o que você tentou fazer, pois o Javali nominado coronel acabou me confundindo um pouco. Ainda assim, nota-se no trabalho uma grande vocação “social”.
    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

  20. Marcelo Milani
    20 de maio de 2017

    Olá Mário, confesso que seu conto não é para marinheiro de primeira viajem o que pode limitar o seu perfil de leitor (mas não chega a ser um problema). Precisei pesquisar na internet sobre quem era o ticoã (a ave que chupa a alma dos defuntos), e isso me enriqueceu. Precisei ler duas veze o conto para entender os personagens. E depois que compreendi quem era o velho coronel senti tristeza juntamente com sua esposa gravida. E no final do teu conto pensei. Quem é o bixo aqui, o homem ou o javali? Parabéns ao conto e sucesso!

  21. angst447
    20 de maio de 2017

    Olá, autor, tudo bem?
    Um conto que tive de reler para separar bem o fazendeiro do Coronel, mas valeu a pena.
    O título é bem sucinto, sem dar qualquer pista do que virá.
    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso: homem e javali estão aí.
    A linguagem empregada é bastante particular, lembrou-me de Guimarães Rosa. O problema desse tom regionalista é que nem sempre agrada a todos e, às vezes, pesa na densidade.
    Há algumas repetições de palavras (ou de seu radicais), o que prejudica um pouco a fluidez da leitura, mas coisa pouca. Não sei se há um erro em “imensada”, ou se foi mesmo um neologismo nos moldes G.Rosa.
    Achei o enredo criado bem interessante, uma visão diferente da invasão de terras. Senti pena do javali, no final, viúvo, destituído do poder e capturado pelo seu algoz.
    Boa sorte!

  22. Priscila Pereira
    20 de maio de 2017

    Oi Mário, seu texto tem uma linguagem bem diferente, bem específica, que enriqueceu bastante o texto. A ideia da invasao e de um exterminador foi uma boa saida para fugir do fantastico. Você focou mais na descrição do que no enredo, é uma estória simples, narrada de forma peculiar. Um conto bem interessante de se ler. Boa sorte!

  23. Catarina
    20 de maio de 2017

    As duas primeiras frases travaram o INÍCIO. Essa vírgula na primeira frase é indigesta ao verbo; e a cacofonia provocada pela vizinhança entre as palavras “porteira” e “porta” descompassa a segunda. Cartão de visita prejudicado.

    O estilo é marcante, o vocabulário belo e sorrateiro (perigoso!), com a TRADUÇÃO DA IMAGEM muito bem fixada. Embora haja repetição de palavras desnecessárias ( exemplo: “…cavoucando abrigo. Montariam abrigos…”) e lapsos no significado de outras no contexto (exemplo: “desimcumbência”). Nada que uma revisão cuidadosa não resolva, já que é uma boa história.

    O texto me causou um EFEITO leviatã adormecido. Um monstro com uma roupagem não condizente com sua força.

  24. Milton Meier Junior
    20 de maio de 2017

    Uma linguagem bem regionalista, à qual não sou muito afeito, mas o texto se mantém fluido e de fácil leitura. Em alguns momentos fiquei meio confuso sobre quem era javali e quem era humano.

E Então? O que achou?

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Publicado em 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017.