EntreContos

Literatura que desafia.

O ceifador dos inocentes (Tropeço)

A garrafa de whisky sobre a escrivaninha, é quem é capaz de lhe trazer o sono, já eram semanas insones desde a separação. No escuro Arnaldo revê mais uma vez na tela do seu monitor algumas fotos antes de adormecer na cadeira e a solidão ecoa pelos amplos cômodos da mansão.

No meio da madrugada ele desperta com tilintar agudo de um chocalho. Ainda sonolento ele se depara com uma imagem sinistra e em um movimento brusco tenta se levantar mas cai no chão. Por um instante pensa estar delirando, mas quando a sombra selvagem salta sobre o seu corpo, o faz perceber quanto é real. Estendido ao chão enquanto sente o sopro quente e mórbido do monstro em sua face, Arnaldo com os olhos serrados aguarda o ataque mortal. Então ele toma coragem, abrindo os olhos e vê a sinistra figura de um homem que continha por uma corrente o animal.

Antes que pudesse dizer alguma coisa, em um instante o javali o ataca novamente desta vez desfere a bocada mortal dilacerando seu pescoço.

Depois de algum tempo, o javali se alimenta das entranhas do corpo sem vida, enquanto o seu senhor traga o whisky esquecido sobre a mesa.

O estranho embala cuidadosamente a genital decepada de Arnaldo em um saco plástico colocando dentro de uma mala.

– Vamos meu amigo, já é hora de partir. A lista de pedófilos ainda é grande…

Eles saem e desaparecendo no meio da escuridão.

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8 comentários em “O ceifador dos inocentes (Tropeço)

  1. Vitor De Lerbo
    25 de maio de 2017

    Um conto bruto e direto como seus personagens.

    O ceifador de inocentes, na verdade, pode ser mesmo o Arnaldo. Seu assassino, sim, é o ceifador de culpados.

    Uma revisão faria bem ao texto.

    Boa sorte!

  2. Priscila Pereira
    23 de maio de 2017

    Oi Tropeço, seu conto é compacto, direto e com uma estória forte. Eu gostei. Só não entendi esse título… no meu ver está errado, seria bem melhor O Vingador dos inocentes. Boa sorte!!

  3. Ana Monteiro
    23 de maio de 2017

    Olá Tropeço. O seu conto é muito pequeno, mas seria suficiente para o que pretende transmitir. Não gosto muito de “mensagens” nem “vingadores morais”, mas isso é problema meu e não seu e não vai ser por aí que a sua pontuação ficará a perder. O título induz a pensar o oposto do que é, num jogo de palavras bem conseguido. Tem alguns tropeços ao longo da história (o seu pseudónimo foi uma forma de assumir que não reviu o texto?). Mas voltando à crítica e aos padrões de avaliação: a parte da gramática já arrumei. Demonstra criatividade. Adequa-se ao tema proposto na medida em que o justiceiro veste a pele da foto e usa um javali como ajudante, ou seja, poderia usar quaisquer outros personagens para esta história sem lhe retirar ou acrescentar valor, mas adequa-se e não há nada a criticar nisso. O enredo é curto, claro, como o texto, mas denota emoção. Boa sorte!

  4. Milton Meier Junior
    23 de maio de 2017

    Pelo tamanho do conto, antes de o ler, devo admitir que fiquei bastante cético, mas no final não precisou de mais nada mesmo. Um grande pequeno conto, com um final surpreendente. parabéns!

  5. Lucas F. Maziero (@lfmlucas)
    21 de maio de 2017

    Olha, a ideia deste conto pedia uma narração maior, para melhor desenvolvimento. É uma ideia boa.

    O autor poderia prestar mais atenção às vírgulas, como por exemplo (em minha opinião, ficaria melhor estruturado alguns parágrafos, assim):

    “A garrafa de whisky, sobre a escrivaninha, é quem é capaz de lhe trazer o sono. Já eram semanas insones desde a separação. No escuro, Arnaldo revê, mais uma vez na tela do seu monitor, algumas fotos antes de adormecer na cadeira, e a solidão ecoa pelos amplos cômodos da mansão.”

    “Antes que pudesse dizer alguma coisa, em um instante o javali o ataca novamente, desta vez desfere a bocada mortal, dilacerando seu pescoço.”

    Não estou aqui à cata de erros, e pode muito bem ser que eu esteja equivocado no que acho certo. Mas creio ter podido lhe ajudar um pouco.

    Parabéns!

  6. Iris Franco
    21 de maio de 2017

    Oi, tudo bem?

    Seu conto mostrou que tamanho não é documento! Uow, um grande plot twist!

    Não notei muitos erros de gramática, só no final o uso do “desaparecendo”. Mas achei o conto genial, fiquei mesmo embasbacada.

    Chamou a atenção do começo ao fim, parabéns!

  7. Ricardo Gnecco Falco
    20 de maio de 2017

    Olá autor/autora! 🙂
    Obrigado por me presentear com a sua criação, permitindo-me ampliar meus horizontes literários e, assim, favorecendo meu próprio crescimento enquanto criativa criatura criadora! Gratidão eterna! 😉
    Seguindo a sugestão de nosso Anfitrião, moderador/administrador deste Certame, avaliarei seu trabalho — e todos os demais — conforme o mesmo padrão, que segue abaixo, ao final.
    Desde já, desejo-lhe boa sorte no Desafio e um longo e próspero caminhar nesta prazerosa ‘labuta’ que é a arte da escrita!

    Grande abraço,

    Paz e Bem!

    ********************************************************
    Avaliação da Obra:

    – GRAMÁTICA
    Não percebi muitos erros gritantes. Uma boa revisão, em especial tratando da questão da utilização das vírgulas, deixaria o texto redondinho.

    – CRIATIVIDADE
    Muito boa. Embora curta, a história imaginada pelo/a autor/a provavelmente não precisaria de muito mais para passar o recado pretendido. Um tipo de “justiceiro” que utiliza seu domínio sobre um predador (o famoso javali!) para arrancar deste planeta a escória da humanidade; no caso, representado pela figura de um pedófilo. Bem bolado. Só fiquei curioso para saber o motivo do tal justiceiro guardar as “relíquias” de suas vítimas dentro da mala…

    – ADEQUAÇÃO AO TEMA PROPOSTO
    100% adequado ao tema. Consegui visualizar por completo os elementos da foto que figura como tema deste Desafio.

    – EMOÇÃO
    A emoção inicial, quando ainda não sabemos do que se trata, nos leva a sentir pena e até torcer pela vítima que, ao ser revelada suas ações, nos remete a outro sentimento, agora de satisfação. “Bem-feito”! 😉

    – ENREDO
    O tamanho aqui não foi documento. Ou melhor… Enfim… 🙂

    ******************************************************

  8. angst447
    20 de maio de 2017

    Olá, autor sucinto. Escreveu seu conto em um tropeço só?
    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso. O conto traz o homem, a mala e o javali.
    O título trouxe um pouco de confusão – “ceifador de inocentes” me fez pensar primeiro em um assassino de crianças. No entanto, acredito que a sua intenção tenha sido de passar a ideia de um Justiceiro, alguém que ceifava a vida dos pedófilos, vingando-se pelas crianças. Uma certa ambiguidade é sempre bem-vinda.
    Percebi uma economia de vírgulas. Cuidado, ou fará o leitor perder o fôlego se não lhe der uma pausa para respirar.
    Que pena que tropeçou na última frase do conto:
    – Eles saem e desaparecendo no meio da escuridão.
    Acredito que mudou de ideia no último instante e não percebeu que precisa modificar mais alguma coisa.”Eles saem, desaparecendo no meio da escuridão.” ou “Eles saem e desaparecem na escuridão.”
    Gostei da pequena história contada e me surpreendi com o final. Justiça pelas próprias mãos, ou melhor, pelo próprio javali.
    Boa sorte!

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Informação

Publicado em 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017.