EntreContos

Literatura que desafia.

Corações cansados não sonham com Chernobyl (Laura Palmer)

Era inacreditável paras as autoridades, duas mil almas regressaram à Rosa Branca no décimo terceiro aniversário do Rompimento do Reator I. Desde então, passaram-se quinze anos e, apesar dos altos níveis de radiação, centenas de fantasmas continuam habitando o local. Eugene, o caçador de tralhas, é um deles. Velho cinzento, a sua especialidade sempre foi, mesmo antes do que aconteceu, desencavar coisas e reciclá-las. Cabeça de Ferro, um ruivo e idoso javali, o acompanha no trabalho. Anteriormente, outros porcos ocuparam essa mesma posição, mas somente o esperto animal conseguiu extrair do dono algo parecido com afeto.

Preso por uma corrente de metal, o seu focinho é treinado para farejar longas distâncias. No entanto, a aptidão de Cabeça de Ferro que conquistou Eugene foi a sua eficácia em reconhecer os artigos que a radioatividade estragou por completo, principalmente os comestíveis. Não importa se é um rabanete, uma lata de lentilhas ou um suculento coelho. Se estiver contaminado, o pedaço oferecido é recusado pelo javali. Ele joga as quatro patas no chão e balança o torso, como se tentasse avisar do perigo que seria ingerir a guloseima. Ao contrário, se a comida pode ser consumida, ele trinca os dentes e os delicados olhos relampejam de desejo. Engole os nacos que lhe cabem em uma só tacada, visivelmente saciado.

Homem e besta são acostumados a buscarem itens e mantimentos até o anoitecer. Assim, quando finda o dia, a dupla volta para a pequena casa de paredes azuis e espera o nascer do sol, que iluminará novamente as vielas e recantos da Rosa. Por temor de que sequestrem o seu companheiro durante as madrugadas escuras, todas as noites Eugene prepara uma cama para o bicho entre os panos, potes, metais e livros que acumula:

— Boa noite, Porco! Dorme bem!

Repete a frase como uma sincera oração, já que não existe mais mãe que lhe obrigue a reza da Ave-Maria e do Pai Nosso. Em contrapartida, ganha os grunhidos da fera que domesticou. Roncos que são, para ele, como uma garantia de que haverá novamente a alvorada e, com ela, a descoberta de novas quinquilharias a serem aproveitadas. Cerra a vista e descansa embalado pelo som animalesco que vêm da sala.

Enquanto os dois repousam, é pertinente comentar que, no transcorrer do que a história registrou como o Retorno, inúmeras pessoas se apropriaram das mansões esquecidas na Parte Alta da cidade. Logo, a região próspera da Rosa Branca e, ironicamente, a primeira a ser atingida pelo Rompimento, transformou-se em um melancólico convite ao desfrute de riquezas e confortos… Regalias que, se não fosse o vazamento na usina, seriam inalcançáveis para os indivíduos que voltaram. Por isso, o nosso protagonista humano despreza os demais “retornantes”.

Criando uma redoma de solidão dentro de terreno já tão ermo, o Caçador evita dialogar com o grupo que acusa de farsantes e covardes. Afirma que, quando furou o bloqueio e rumou para o seu lar, estava sendo corajoso e abraçando a sua antiga vida com todas as qualidades e defeitos dela. Da mesma forma, os vizinhos não gostam da figura atarracada, com o casaco recendendo a urina, suor e mofo. Normalmente, o ignoram ou destilam maldades como “lá vai o doido, o insuportável dos tarecos”, quando ele aparece com a esquisita bolsa de ofício e o monstro encoleirado. Mas agora chega de sussurros sobre as animosidades alheias, ambos estão prestes a acordar.

Os olhos abrem com o peso morno da luz e a poeira dançante no ar, por alguns momentos, é atordoante. Cabeça de Ferro está com fome, o seu senhor – ou seria o contrário nessa relação? – tonto de sono. Restos de pão e conhaque resolvem os problemas e o passo deles é miúdo e ligeiro no frio cortante da manhã. Há coisas a trazer, endereços para revirar… A Escola Municipal Central, que deixou de ser liceu por falta de crianças a serem ensinadas, é a direção da vez. Quem sabe com o que toparão por lá?

O romanesco portão da Amarelinha, como a estrutura educacional era apelidada pelos que nela circulavam, range e bate-se cadenciadamente por causa das correntes de ar que se arrastam:

— Ô Cabeça, a mãe dizia que o vento é conversa de falecido. Sabe, deve ter um monte de fantasmas ai dentro. Deixa eu me preparar e entramos no três. Um, dois e três…

Frustrando expectativas, o velho e o porco não esbarram em um mísero espectro durante as horas em que circulam pelos corredores e salas vazias do colégio. De qualquer modo, a perspicácia de veterano faz Eugene sair no lucro com a missão: dois cadernos de caligrafia com metade das folhas preenchidas por uma letra infantil, uma enciclopédia e uma coletânea de poemas, o que parece ter sido uma lancheira e uma caixa com lápis, canetas e gizes de cera. Os inhames e as batatas dos canteiros internos serão o cardápio da semana. Feliz, a mala das tralhas tilinta com o balanço das novas aquisições.

Ao saírem da instituição, uma sombra aguarda junto ao portão escancarado. O Caçador não o conhece, não é um dos almofadinhas que ficam no Alto e é muito novo e bem-apessoado para ser um dos ciganos do Leste. A impressão que o desconhecido passa é a de que brotou da terra, assim como os tubérculos que alimentarão o javali que, alheio ao visitante, começava a reclamar de fome. O ineditismo da situação assusta Eugene, que estaca perante a criatura que cabe nas medidas do filho que nunca teve. O moço, adivinhando o medo, acena e sorri tentando ser simpático.

Jovem e bonito. Baixo, magro, pele lisa, cabelo comprido e uma cicatriz no queixo. Usa calça jeans, camisa de flanela colorida e uma jaqueta azul que lembra o uniforme da aeronáutica, mas que está conservada demais para pertencer a um soldado de verdade. A fala, rápida e formal, escorre pelos lábios carnudos:

— Olá, boa tarde! Calma, não se assuste senhor, por favor, eu não sou capaz de fazer mal. Me chamo Johann, venho de fora, lá da capital, e quero escrever uma tese sobre a saga do Retorno. Estou caminhando já faz algum tempo, tentando entender o local e quem ainda está por aqui. Por sorte, presenciei a curiosa passagem do cavalheiro, muito bonita a sua mascote. Dessa forma, pelo bem da história nacional, o senhor me concederia uma entrevista?

Sim, gostaria de falar. Dizer como se sente, contar das inúmeras tormentas que atravessou. A ideia de ser compreendido pelo mundo, quem sabe até amado, era doce e agradável como perfume de mulher. Todavia, o absurdo do momento, a indecorosa juventude da jaqueta, o estômago do seu parceiro gritando, o assovio do vento sem trégua e, ai, a inabilidade da solidão… Um redemoinho de emoções o tonteando, sumir dali seria agradável. Desse modo, em segundos mais demorados que milênios, Eugene opta pela proteção da fuga e do silêncio.

Puxa a corrente de Cabeça para perto de si, balançando a cabeça em vigorosa negativa. Olha de soslaio para Johann e balbucia num quase dialeto que não tem nada o que dizer, que não entende e nem se interessa pelas coisas de fora. O universitário aceita a recusa com doçura e se afasta para  dar passagem, tudo se sucede bem. Até que a carga de 150 mil volts que recebe pelas costas faz o Caçador desmaiar.

Escuridão.

O velho acorda no que parece um frigorífico. As paredes estão escandalosamente brancas, exceto por um filete de sangue que pinga do teto. Eugene segue as gotas com o olhar e o que ele vê no centro da sala o golpeia: somente o crânio de Cabeça de Ferro, o seu amado menino, pendurado como um macabro lustre. Não tem tempo para reagir, pois aquela aparição simpática da Amarelinha está na sua frente de novo, porém o sorriso agora é demoníaco:

—Você é meu, seu bosta. Vai pagar tudo o que fez.

Tentou lembrar, mas não conseguiu. Eram muito os pecados. Então, rezou.

Anúncios

20 comentários em “Corações cansados não sonham com Chernobyl (Laura Palmer)

  1. Gilson Raimundo
    25 de maio de 2017

    O conto se desenvolve simples e de leitura rápida, apesar de um título bem atrativo o conto não traz nada marcante, um cenário caótico muito explorado em histórias apocalípticas (este é real) com um personagem principal bem usual (O Livro de Eli), os fatos corriqueiros vão se desenrolando deixando o conto passar despercebido até seu fim dramático que com certeza deu uma grande sobrevida para a história. O conto será lembrado pelo título e pela morte do Cabeça.

  2. angst447
    24 de maio de 2017

    Olá, autor, tudo bem?
    O título do conto já elucida parte do enredo, o que no caso é bom. Já ficamos com a lembrança do caso Chernobyl na cabeça e assim podemos entrar na leitura mais inteirados sobre o assunto.
    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso. Javali – Cabeça de Ferro – e todo o climão da imagem como referência.
    Percebe-se a habilidade notável com as palavras e o trabalho atencioso com as imagens descritas.
    Apesar de ficar curiosa quanto aos pecados cometidos por Eugene, considero desnecessária uma explicação sobre eles.
    Bom ritmo, boa caracterização do ambiente e dos personagens, leitura fluida.
    Boa sorte!

  3. Roselaine Hahn
    24 de maio de 2017

    Olá autora, a criatividade começa bombando já pelo título, vc. conseguiu criar a ambientação de um mundo decadente, pós explosão nuclear ou algo parecido, a história me prendeu do começo ao fim, algumas frases impactantes, como a indecorosa juventude da jaqueta. Apenas sugeriria a inclusão de um parágrafo sobre os pecados de Eugene, não entendi a aparição da simpática amarelinha, e acho que David Lynch não perguntaria “quem matou Eugene” e sim “por que mataram Eugene”. No mais, escrita fluida e bem trabalhada, tem potencial para voos maiores. Abçs.

  4. Catarina
    24 de maio de 2017

    O INÍCIO foi hábil. Fez da primeira frase apenas a continuação do feliz título e da ilustração. Coisa de gente grande.
    TRADUÇÃO DA IMAGEM apaixonante. Eugene e Cabeça de Ferro são personagens sólidos e muito bem inseridos no contexto da trama. Gosto de finais surpreendentes, mas este causou um EFEITO rebordosa. Abriu várias pontas aparentemente aleatórias ou para escrever uma continuação. Acho que um desfecho mais apurado, ou mesmo um ponto final depois de “Escuridão”, devolveria a excelência do começo do conto.

  5. Brian Oliveira Lancaster
    23 de maio de 2017

    EGO (Essência, Gosto, Organização)
    E: Texto que opta pela abordagem clássica da foto: radioatividade. A atmosfera é muito bem construída, transmitindo a sensação constante de solidão. Apesar do tema optar por dar o foco à reconstrução, o cenário decadente é o que se destaca.
    G: Personagens sozinhos, com seus pets em cenários desolados, sempre chamam a atenção. Lembrou um pouco do filme Eu sou a lenda, só que muito mais cotidiano. Dá para sentir a angústia do homem, mesmo sem ele dizer uma palavra. A reviravolta caiu bem. Mas o gancho para uma história oculta do homem ficou sobrando. Acho que poderia deixar apenas a sensação de “vingança” do rapaz (ou então mencionar no início que o homem tinha algo a ver com isso, ou trabalhado nisso). Ficou um tanto gratuito. Mas o javali tem um bom destaque como ajudante/servo.
    O: Há certa indecisão quanto aos tempos verbais (ora presente, ora passado), mas não chega a atrapalhar a experiência. As sensações se sobressaem, com certeza.

  6. Antonio Stegues Batista
    22 de maio de 2017

    Laura, seu conto é bem escrito, boa narrativa, descrição do ambiente, está adequado ao tema, mas o enredo é fraco.Os personagens estão bem desenvolvidos, o protagonista com seu porco detector de radiação, em busca de alimentos, uma rotina necessária até o dia em que alguém chega para se vingar. Faltou falar do passado do homem, poderia ter continuado com ele se lembrando do que tinha feito, quando constatou que havia chegado seu fim.

  7. Olisomar Pires
    22 de maio de 2017

    1. Tema: Adequação presente;

    2. Criatividade: Muito boa. Sujeito e seu javali vivem em área contaminada, sobrevivendo do que encontram.

    3. Enredo: As partes se conectam muito tranquilamente. A leitura é fluida e contagiante. Gostei do recurso do narrador conversar com o leitor um momento.

    As personagens foram bem trabalhadas e nos causa afeição, no que, considero, foi o lance primordial do texto: colocar alguém que não gosta o suficiente do velho para matá-lo.

    A cena do javali morto ficou muito boa.

    4. Escrita: Muito boa e firme. Notei um pequenino erro na primeira frase (…paras as autoridades…).

    5. Impacto: alto.

    O final surpreende e dá o tom do suspense.

    Somente o adjetivo (bosta) usado contra o velho me pareceu deslocado da imagem do agressor, talvez “verme”, “calhorda”, “monstro”, dessem mais credibilidade, enfim… só uma opinião.

    Boa sorte.

  8. Jowilton Amaral da Costa
    22 de maio de 2017

    Um bom conto. Bem narrado, prende a atenção e tem um fim inesperado. Quando terminou fiquei um pouco desapontado, por conta de ficar bastante curioso sobre os pecados do velho e de quem seria o algoz do javali, mas, acabei entendendo o que o autor quis fazer. Boa sorte.

  9. Vitor De Lerbo
    22 de maio de 2017

    O texto está muito bem escrito, a ambientação é ótima e a trama vem vindo com força.

    No final, fiquei perdido. Procurei no texto elementos que indicassem os tantos pecados do Caçador, mas não consegui encontrar. Só posso imaginar.

    Eu gosto da surpresa gerada pelo jovem psicopata bonitão (e da cena da cabeça do javali cortada), mas, da maneira que o final foi construído, ele parece meio aleatório.

    Boa sorte!

  10. Evelyn Postali
    22 de maio de 2017

    Oi, Laura Palmer,
    Gramática – Não percebi erros que atrapalhassem a leitura.
    Criatividade – Bem criativo, eu achei. Eu gostei do cenário que construiu e também dos personagens. Todos eles bem palpáveis.
    Adequação ao tema proposto – Está adequado.
    Emoção – É a segunda ou terceira morte de javali que me emociona completamente. De todo modo, esse é o clímax da história. A cabeça do javali pendurada. Senti duplamente porque até aí, a história se desenrola bem. Depois, ela meio que decepciona porque me deixa no vácuo.
    Enredo – Começo, meio e quase um fim. Está vago e aberto. Talvez você deva desenvolver a partir do que faz e escrever um final mais completo, explicando o que deixou no ar ou sequer mencionou.
    Boa sorte no desafio!
    Abraços!

  11. Neusa Maria Fontolan
    21 de maio de 2017

    O conto me segurou na, boa, leitura até a decepção que me abateu no final.
    Com certeza você escreve muito bem, mas tinha, ainda, muito espaço para desenvolver um final bem melhor, já que seu conto não chega a 1.350 palavras.
    Desejo boa sorte no desafio

  12. Iris Franco
    21 de maio de 2017

    Olá Laura Palmer, decidiu sair de Twin Peaks e visitar o Brasil?

    Não sou fã de textos com grandes narrações, mas o seu é muito bom. Eu adorei o final, foi bem inesperado.

    Poxa, você podia desenvolver mais a história, fazer um livro de mistério, ia ser bem legal.

    Seu estilo lemba muito o de Tess Gerritsen, quando peguei o livro dela não conseguia parar de ler! Muito bom! Até tem um seriado dos livros dela, mas não faz jus a escrita.

    Achei todo o texto bem trabalhado e amei o final, foi algo inesperado, amei.

  13. juliana calafange da costa ribeiro
    21 de maio de 2017

    Laura, muito criativo o seu texto. Usar Chernobyl como cenário eu jamais teria imaginado. Também é legal como vc descreve as pessoas que voltaram como “fantasmas”. O duplo sentido colabora com o clima da história. Imagino quanto um javali pode valer num lugar como aquele. Só estranhei o frigorífico, coisa q exige um alto consumo de energia. Acho que não precisava, aquela cena podia ser num galpão abandonado qualquer. Causaria o mesmo impacto, sem o “clichê” do frigorífico. Todo mundo tem um passado. E ao longo do seu conto a gente nem se interessa pelo passado do Caçador, pois estamos ao lado dele, torcendo pra ele sobreviver e encontrar comida. Mas no final a gente fica imaginando: “quem vê cara não vê coração”, o q diabos esse velho já fez na vida?… rs Muito bom seu conto, parabéns!

  14. Olá, Laura,
    Tudo bem?
    Gostei muito das escolhas que você fez para construir o seu texto.
    A narrativa, no tempo presente, faz o leitor ter a impressão de estar lendo o conto no momento exato em que a ação se desenrola. Essa sensação é intensificada pela fala do narrador mencionando que precisa para de falar mal da vida alheia, já que seus personagens estão prestes a acordar. Gostei muitíssimo desse detalhe, que mostra uma escrita habilidosa e sagaz.
    Li seu conto duas vezes, para ver se você havia plantado pistas sobre os tais pecados que o velho paga ao ser sequestrado por um psicopata. Algo que houvesse passado batido na primeira leitura. Talvez ele já estivesse morto. Talvez pagasse por ter feito mal ao bicho, ao rapaz, à cidade, sei lá. A nova leitura, nesse sentido, no entanto, foi em vão. Não encontrei nada que justificasse o final abrupto e um tantinho deslocado do restante.
    A segunda leitura, porém, me fez gostar ainda mais de sua verve. Você sabe tecer as palavras e criar tensão e poesia em seu enredo. Por este motivo, o não entendimento do final, ao menos para mim, não faz tanta diferença. Em um bom texto o “caminho” é a melhor parte e a viagem com você foi muito boa.
    Não sei se você sabe, mas já escrevi um pouquinho sobre esse mesmo velho vagando por Chernobyl em um desafio anterior aqui do site, em parceria com o Gustavo Araújo. Era o desafio de duplas. No meu caso, o velho era quase um figurante da história, mas passava pela mesma escola e no meu conto ele tinha um cachorro. (rsrsrsrs)
    Fiquei com o gostinho de quero mais.
    Parabéns e boa sorte no certame.
    Beijos
    Paula Giannini

  15. Luis Guilherme
    21 de maio de 2017

    Olá, Laura, tudo bão?

    Gostei bastante da condução do seu conto, é fluida e agradável, exceto o primeiro parágrafo, que me soou meio confuso.

    A construção do enredo é bem feita, e a sensação de abandono e solidão é bem passada.

    Porém, o final me frustrou um pouco. Achei que do nada você quis concluir e terminou deixando mais dúvidas que conclusões. Sou adepto de textos abertos e que não dão tudo mastigado, mas quando tem uma construção pra isso. No caso, ficou só um buraco, mesmo.

    Achei bem forte a cena da cabeça do javali, esse foi talvez o ponto alto.

    À partir dali, com um pouco de capricho, a obra teria sido excelente! Uma pena.

    Mas claro que isso não estraga a boa impressão do todo. Gostei e me entreteve.

    Parabéns e boa sorte!

  16. Lucas F. Maziero (@lfmlucas)
    21 de maio de 2017

    Sem dúvida, um conto criativo. Poderia ter sido melhor desenvolvido, creio que ainda restavam algumas palavras para isso. No quesito gramática, está bom. Quanto a coerência: Num local com um acidente radioativo, espera-se que nenhum alimento esteja livre de radiação. E quanto aos 150 mil volts… Se o velho levasse uma descarga desse naipe, mesmo que a corrente elétrica fosse pequena, ele não chegaria ao final do conto. Mas não podemos ser rigorosos quanto a isso, não se pode querer que a ficção seja fiel à realidade.

    Quanto ao desfecho, ficou um tanto obscuro, mas vamos considerar que depois do caos promovido pelo Reator I, as pessoas tenham esquecido de alguns fatos e os pecados já não podiam mais passar impunes.

    Parabéns!

  17. Milton Meier Junior
    21 de maio de 2017

    Ótimo conto, muito bem escrito, texto fluido e praticamente impecável. Mas o final…

  18. Matheus Pacheco
    21 de maio de 2017

    Eu só não consegui entender o final do conto, o que tem haver o psicopata com toda a história?
    Não foi muito bem terminada, mas foi excelentemente bem desenvolvida até o final. Sendo que a solidão nesse sentido foi muito bem posta nas linhas.
    Um Bom conto e um abração ao escritor.

  19. Ana Monteiro
    21 de maio de 2017

    Olá Laura. Magistral quase até ao fim. Um fim que desilude quem foi lendo e sendo preparado para muito mais. Não encontrei críticas a fazer a nível de revisão excepto, talvez uma “pelo som animalesco que vêm da sala”, não será “vem”? De resto, demonstra um domínio narrativo a roçar a perfeição. É um texto que se lê sem tropeços, que vai criando lenta e inexoravelmente os personagens dentro do leitor, sem falhas ou imprecisões. Nem sei dizer-lhe se é o final que desilude ou o súbito salto para esse desfecho. Falta uma ponte, num conto onde não falta nada para ser tudo. Quase perfeito. Muito bom. Parabéns!

  20. Priscila Pereira
    20 de maio de 2017

    Oi Laura, eu gostei muito do seu texto, está admuravelmente bem escrito. Gostei demais do narrador que tem vontade própria as vezes, irei copiar… kkk O personagem principal está muito bem caracterizado e bem construído, tudo estava perfeito… até o final… que final foi esse?? Parece que você o colocou aí porque se perdeu no limite e quando percebeu resolveu uma forma simples de acabar a estória… 😦
    Tirando isso… ótimo texto! Parabéns!!

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado em 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017.