EntreContos

Literatura que desafia.

Avalac (Higor Benizio)

E quando acaricio a cabeça do meu cão, sei que ele não exige que eu faça sentido ou me explique.”

Clarice Lispector

 

1

 

Charlotte ajudava a mãe com a areia.

 Uma brisa preguiçosa soprava carregando sacolas e notas antigas que já não valiam nenhum centavo. O mundo estava morto. Ou, no mínimo, em coma profundo. Um velho cagando nas próprias calças, sem poder contar com a ajuda das enfermeiras. Rezaria por uma pane nos aparelhos se pudesse, mas sua cabeça não funciona mais. Nada funciona. Tudo que resta é um arrastar-se lento, infernal, a última falha antes do grande colapso. Peço desculpas Sra. Planeta Azul, mas seu marido não tem muito tempo…

 — Vamos filha, encha a sacola.

 Charlotte pegava algumas porções de terra e ia jogando no saco. Todos esperavam que fosse terra boa dessa vez, as últimas tempestades não trouxeram nada além de morte.

  Prédios altos esticavam-se ao redor, em direção ao céu cinzento. Em algum lugar, uma placa dizia: POSTO ALI, SEU AMIGO DE TODAS AS HORAS! A poeira cobria tudo, desde a lanchonete até as bombas de gasolina, inclusive o letreiro. Sofia, mãe da garotinha que enchia o saco com areia, sabia que aquelas bombas estavam secas há muito tempo. Nenhuma gasolina sairia dali, muito menos álcool ou diesel.

 — Já está bom meu amor, podemos voltar.

 Sofia segurava a sacola numa das mãos, a outra puxava a criança.

 — Mamãe, vamos ter milho até o Natal?

 — Eu não sei baixinha, ninguém sabe…

 Não muito longe de onde estavam, Charlotte avistou um pequeno monólito negro no horizonte. A visão foi suficiente para encher seu coração com aquele ocasional e infantil desespero, que só passa após um alto e belo “Olha lá mãe, tem alguma coisa ali!!”.

 Quando os olhos da menina encontraram os de Sofia, as palavras desapareceram no ar. Sabia que não encontraria nada além de um “Vamos mocinha, se acha que viram a gente, precisamos correr!”. A dureza do entendimento já seria o suficiente para um adulto, em Charlotte, causava danos irreversíveis.

 Em outro planeta, em algum outro tempo, onde os homens de poder tinham um pouco mais de prudência, menininhas brigavam pela prioridade em alimentar um grande pombo acinzentado, gordo como uma galinha de granja. Migalhas voavam enquanto a ave mancava entre uma bicada e outra contra o concreto da calçada. Migalhas alheias ao sofrimento de Charlotte. Migalhas que ela poderia comer.

 

2

 

Avalac guardou a luneta num dos bolsos improvisados do sobretudo marrom. Olhava Timão com pena. Viajar com o javali era garantia de pelo menos alguma companhia, além de um belo pedaço ambulante de carne que não precisava de geladeira. Riu ao pensar que Timão poderia virar cozido caso tudo piorasse ainda mais, mesmo sabendo que dificilmente comeria o animal. Tinham alguma conexão, criada ao longo de muitos arrotos, puns e risadas embaladas pelo som de tempestades de areia.

 — Nada demais meu caro Timão, só uma mulher e uma criança catando terra — disse Avalac, recebendo um Ronc distraído como resposta. Era como se o javali dissesse “Pois é meu rapaz, que merda eu posso fazer?”.

 — Merda nenhuma.

 O vento anunciava que mais poeira viria em algumas horas. Se os dados de Deus mostrassem o 12, o granizo não viria de brinde, caso um belo 7 caísse na mesa, não precisaria fazer alarde, seriam só os raios de sempre, e a tão conhecida poeirinha. Quem quer arriscar um dobro ou nada? Melhor não, não contra Deus.

 Avalac precisava encontrar um lugar seguro para passar a noite, que cairia em pouco tempo. Sua mente buscava uma solução, mas logo voltou a questão que a ocupara nos últimos meses.

 É impressionante como nossos neurônios tem vontade própria. Todos sabem que momentos de extrema concentração podem levar a nada mais, nada menos, que uma musiquinha de comercial de detergente. Algo como “Passou, limpou! Limpou, passou!!”, a tortura começa e nunca tem fim, só uma trégua, aos quarenta e cinco do segundo tempo, quando o juiz já não sabe mais o que está fazendo.

 Afinal de contas, Timão era o javali ou o suricato? Não conseguia lembrar de jeito nenhum. Sabia que existia um desenho, tinha certeza. Algo sobre um leãozinho que perdeu os pais e foi criado por algum Hakuna Matata, ou qualquer coisa perto disso. A imagem do seu pijama azul chegava nítida como o gosto do achocolatado pela manhã. Assistia o programa das nove todos os dias, roubando alguns segundos celebres na poltrona do pai, esperando com ansiedade pelo… Leão Rei? Difícil dizer, e também não importava muito. Seria Timão, um bom nome. Timão, um javali gente fina, pensou divertido. Compraria uma coleira caso encontrasse algum Pet Shop aberto.

 — Mandaria polir seus cascos!

 O javali fingiu que não ouviu, e foi farejar perto de uma grande placa enferrujada, onde o antigo limite de velocidade (60 KM) tinha ficado quase invisível sob a pichação, que dizia em letras sem nenhuma técnica:

 

Quem peidou na farofa? Se souber do FDP, ligue para o Disque Denúncia!

 

 — Vai ligar Timão?  — Avalac não conseguiu segurar o riso. — Eu estou sem créditos!

  Ronc, Ronc, concordou o javali, num tom de “Os meus também acabaram, campeão!”

 

3

 

O lobo mal assoprava, assoprava, mas a casa não caía. O assovio do vento entrava por algumas fendas nas paredes da estrutura. A fogueira queimava bem no centro do que um dia teria sido um ginásio para alunos de classe média alta. Marcas de partidas de futsal e badmintom ainda podiam ser vistas pelo chão, como se fossem rastros deixados por fantasmas. Seres que existiram há muito tempo, tanto quanto Avalac podia lembrar. Olhou suas mãos limpas e agradeceu pela sorte que teve.

 Uma hora atrás, ainda com os óculos que usava para proteger os olhos da poeira, teve de começar a rotineira busca por coisas que poderiam ter alguma utilidade. Vasculhou os armários do vestiário masculino, onde encontrou toalhas limpas e seis latas de desodorante ainda cheias. Cheirar bem, ao contrário do que muitos poderiam pensar, era necessário, apesar de não ser uma prioridade. Feder atraí seres vivos, e seres vivos dão trabalho. Feder diminui o ânimo, e sem ânimo a caminhada é quase impossível. Feder faz as pessoas acharem que você come pessoas, e pessoas não gostam nada disso. Melhor levar o produto, aproveitar a promoção. O patrão ficou louco, pegue tudo que conseguir carregar, falou baixinho para si mesmo.

 O breve sopro de humor foi o suficiente, e seu coração, pelo menos por um tempo, ficou um pouco mais leve.

 Terminado o lado dos meninos, precisava checar o outro, o destinado as meninas.

  O vestiário feminino cheirava muito melhor — o que sempre foi verdade, desde o início dos tempos. A quantidade de embalagens de shampoo chamou sua atenção. Espalhavam-se pelos quatro cantos, cobrindo a maior parte do chão, como num jogo de campo minado, só que as bombas não estavam escondidas. Pegou dois deles e colocou na bolsa. Tudo bem, caso encontrasse água nas torneiras, tomaria seu belo e merecido banho.

 Um rangido agudo preencheu o lugar quando Avalac girou a torneira. Logo após os longos arrotos do cano de metal, e a quantidade impressionante de ferrugem que cuspiu, viu o brilho prateado da água fluir com força. “Seu bilhete está premiado senhor, parabéns!”.

 Uma antiga música floresceu em sua mente, embalada pelo som suave do líquido descendo pelo ralo. Primeiro lenta, depois no ritmo certo, do jeito que o ratinho de toalha cantava, no mesmo tom.

 

“Banho é bom.

Banho é bom.

Banho é muito bom!”

 

4

 

Timão coçava atrás da orelha esquerda, e fazia cara de quem estava satisfeito com a fogueira. Tudo parece quentinho por aqui, diziam os olhos amendoados do animal.

 Brilhando entre tons de amarelo e laranja, devido ao fogo bom, a grande mala de Avalac chamava atenção naquele estranho ginásio abandonado. Não era de forma nenhuma um lugar para malas como aquela. Grande, pesada, uma coisa enorme que qualquer um poderia encontrar na casa do seu avô, ou do seu pai — depende do dia em que você nasceu.

 Todo tipo de coisa se amontoava dentro do malão. Latas de milho dividiam espaço com cobertores velhos e pares de sapato esfarrapados. O único dos objetos que parecia estar em bom estado era um grande caderno de capa azul, que Avalac pegou enquanto tirava uma caneta do bolso.

 — Pensa em dois nomes bons, Timão — disse Avalac, puxando conversa com o javali. — Nome de mulher.

 O animal imediatamente admitiu um tom reflexivo. Encarava o horizonte com o olhar vazio, de quem está pensando em grandes questões. O olhar de gente importante, ocupada, e que não tem tempo para perder com bobagens como bocejos. Afinal, quantas são as dimensões? Qual o tamanho do tamanho? Dá onde veio a palavra “chinelo”? E, pelo amor de Deus, por que ela quer dizer quase o mesmo que “sandália”? Stephen Hawking teria inveja daquela expressão.

 Ao final de dez segundos, o porco selvagem soltou um pum leve como um brisa. O gás saiu inodoro, chiando baixo, tranquilo, pedindo licença com educação. Se porcos assoviassem, seria um assovio.

 — Sof… Sofia! Boa Timão, você é mestre nisso!

 A caneta então deslizou pelas linhas do caderno, preenchendo uma folha amarelada entre pequenas pausas na escrita. O raro sorriso de Avalac fez uma breve visita ao seu rosto, fazendo suas bochechas se moverem como engrenagens antigas e enferrujadas. Timão quase ouviu o ranger do mecanismo.

 — Chamei a garotinha de Charlotte, o que acha? — Timão não precisou responder, Avalac fez isso por ele. — Concordo, é um bom nome. Um ótimo nome, na verdade.

 Sabe Timão?  Às vezes fico pensando se alguém vai ler isso. Essas coisas que eu escrevo, podem ser o único registro escrito da raça humana, como um documento, um achado arqueológico, está me entendendo? Posso me tornar uma espécie de autor referência para a biblioteca dos homenzinhos verdes de Júpiter. Ou, se preferir, o próximo Buda, com direto a estátua e tudo mais. Consigo até imaginar os monstrinhos de Marte colocando latas de milho aos pés da minha imagem esculpida em mármore branco. Fazendo suas preces ao grande Avalac, e seu fiel discípulo, Timão, o javali da sorte.

 Quando eu tinha dezesseis anos, fiquei viciado numa série de livros. Você com certeza não conhece, se chama “A Torre Negra”. Dentro da minha cabeça, tudo aquilo era tão real quanto minha própria vida. Depositei nos livros a mesma fé que os cristãos depositam na Bíblia.

 Entende agora o que estou dizendo?

 Ah, vamos Timão! Preste atenção!

 Os livros contam a história de um sujeito chamado Roland. Um pistoleiro descendente de uma linhagem extinta, o último sobre a terra.  No fim, ele encontra seu destino na busca pela Torre Negra.

 A imagem de Roland, cansado e moribundo, caminhando sobre um mundo morto e devastado, me encantava. Ficava extasiado! Como uma garotinha num show de música pop.

 As palavras de Avalac soavam como uma canção de ninar para o javali, que pegara no sono logo no início. Ouviu alguma coisa sobre Marte, ou Júpiter, não tinha certeza. E depois tudo era escuridão. Sonhos com caçambas de lixo cada vez mais recheadas coloriam sua mente.

 Avalac então ouviu um ronco, e teve certeza de que seu companheiro estava dormindo. Sentiu os olhos arderem, e as lágrimas quentes deslizaram pelo rosto cansado. Ninguém dava a mínima, muito menos a porra do porco. O mundo se transformara numa linda puta, daquelas que não muda seu ar de deboche por mais que o contratante meta. Logo o prazer perde o sentido, e tudo que importa é tirar aquele sorriso da cara dela.  

 O mundo sorria para Avalac, do mesmo jeito que a prostituta. Mostrando seus grandes dentes, rindo dos seus esforços. Partindo seu coração apaixonado. Deixando bem claro que ele era apenas mais um tentado gozar na vagina mais triste de todas. Um ninguém, um zé ruela.

  — Eu sou a porra do Roland agora, está feliz? — Soltou um riso triste, quase um soluço. — Só que a minha torre está no meu bolso, a grande torre de merda! A torre da sobrevivência.

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57 comentários em “Avalac (Higor Benizio)

  1. Wilson Barros
    22 de junho de 2017

    O começo tem aquelas metáforas marcantes, que começaram com Bukowski, tipo “o amor é um cão dos diabos.” O autor poderia passar perfeitamente por Stephen King, o estilo é idêntico, as mesmas placas, as mesmas construções frasais em itálico… Muito bem escrito e criativo.

  2. Thiago de Melo
    22 de junho de 2017

    Amigo Afonso,
    Primeiramente, parabéns pelo texto. Gostei da atmosfera pós-apocalíptica.
    Contudo, fiquei um pouco em dúvida quanto ao início do texto. Não entendi muito bem a cena da menina e da mãe. Elas estão ali para mostrar como o mundo está devastado e até terra é difícil de arrumar? Pergunto isso porque a narrativa acompanhou as duas, com falas e sentimentos, no início do texto, para depois, de repente, mudar de lugar, sem mais nem menos, e começar a acompanhar as falas e sentimentos de um outro personagem, que acabou sendo o personagem principal da história. Isso me deixou um pouco confuso. Cheguei até a pensar que a cena inicial poderia ser uma visão do personagem principal, que depois ele iria escrever no caderninho.
    Bem, fora essa dúvida inicial, gostei do texto. Apesar do pouco espaço de palavras, você conseguiu me cativar com seu personagem. Ele tem personalidade, pensamentos mais profundos, tenta manter o espírito elevado, mesmo diante de tanta desolação. Gosto disso.
    Em função desse contexto, desolado, o texto é um pouco lento. Não que isso seja um problema. Acredito que estamos, como li em algum lugar, “sufocados pela trama”. As histórias de hoje em dia demandam muita ação, intriga, conflito, etc. Nesse ambiente, histórias como Ulysses e tantas outras jamais seriam publicadas hoje em dia. Então, como consequência de a sua história não ter tantos conflitos, ela ficou um pouco lenta de ler, mas achei legal mesmo assim. A profundidade está lá, e acho que isso é o mais importante, pelo menos para mim.
    Parabéns!

  3. Felipe Moreira
    21 de junho de 2017

    Difícil de acreditar que um conto neste teor pós apocalíptico seja também divertido, engraçado. Tem umas sacadas muito criativas e bem aplicadas. Influenciado por outras leituras, talvez tenha esperado um desfecho diferente, mais pesado, porém eu gostei. Achei bem competente num todo. Sobretudo pela criatividade em função do tema sugerido.

    Parabéns e boa sorte.

  4. Marcelo Milani
    20 de junho de 2017

    Quer dizer que o porco peidou e AVALAC entendeu Sofia kkk. O mundo em decadência ficou bem descrito e eu quis saber mais. A imersão do personagem e a amizade com o porco ficaram boa. As vezes o porco parecia a bola do filme do naufrago com os diálogos kkk. Só achei falta de ação e de um final que foi previsível. Mas foi um bom conto.

  5. Fil Felix
    20 de junho de 2017

    É um conto curto, mas bastante rico em seu contexto. Cria um futuro caótico, com tudo devastado e a presença, quase fantástica, de dois sobreviventes. O destaque fica para as várias referências, desde os programas infantis à outras obras. Há a história dentro da história, surgindo nas anotações e que vai se quebrando nos “capítulos”, além de incluir informações da Torre Negra, que vão criando camadas. Só acho que poderia ter sido mais discreta, fica bem evidente a inspiração. O linguajar é bem pesado, digamos assim, então estranhei usar a palavra “pum” em vez de “peido”. Algumas descrições, como Deus brincando de RPG, foram bem narradas!

  6. Raian Moreira
    19 de junho de 2017

    Conto divertido e emocionante, roteiro original de grande valor, parabéns.
    As últimas palavras deu um fechamento perfeito para o texto. Tomara que alguém encontre o que Avalac carrega em seu bolso! hehehe
    Os diálogos são uma arte a parte, tenho que aprender com você rsrs.
    Só não saquei o que houve com charlote e a mãe, misterios…
    Viagem total, destaque para pessoas que não se encontram em lugar nenhum, perdidas em suas vidas de ir e vir sem o destino traçado. Perfeito !

  7. Matheus Pacheco
    19 de junho de 2017

    Vou dizer novamente que a minha meta é fazer comentários que realmente acrescentem, como quase o de todo mundo do site…Mas vamo que vamo.
    Eu gostei do texto, ele é leve e deixa a gente entretido nele.
    Sendo que até me fez pensar em qual era o Timão e o Pumba.
    Abração ao autor.

  8. Sabrina Dalbelo
    18 de junho de 2017

    Olá autor(a),

    É um conto bom, narrado sob o ponto de vista de um sobrevivente que é escritor e que (provavelmente) tem como companhia um javali, com quem ele conversa, ou finge conversar. O mundo como conhecemos hoje já era. Foi assim que vi.
    É muito criativo, é futurista, é distópico, é pós-apocalíptico.
    No início eu não estava entendendo exatamente, confesso. Talvez pudesse ter mais elementos sobre o contexto, sob o ponto de vista de Avalac, para eu não precisar procurar as personagens secundárias, citadas no início, durante o texto. Foi depois que eu descobri que elas eram apenas fruto da imaginação / escrita de Avalac.
    Está bem escrito e merece os parabéns!

  9. Givago Domingues Thimoti
    15 de junho de 2017

    Adequação ao tema proposto: Muito bem adequado
    Criatividade: Média para boa
    Emoção: O impacto foi médio. Acho que a falta de uma trama, propriamente dita, dificultou um pouco a minha imersão no texto.
    Enredo: Vou ser um pouco repetitivo. Senti a falta de uma trama. Me perdoe se eu soar grosso ou intrometido, mas, ao meu ver, foi só uma apresentação de um mundo pós-apocalíptico. Faltou um romance ou uma ação
    Gramática: Os erros seriam corrigidos por uma revisão.

    Parabéns pela técnica!

  10. Evandro Furtado
    15 de junho de 2017

    Olá, autor. Sigamos com a avaliação. Trarei três aspectos que considero essenciais para o conto: Elementos de gênero (em que gênero literário o conto de encaixa e como ele trabalha/transgride/satiriza ele), Conteúdo (a história em si e como ela é construída) e Forma (a narrativa, a linguagem utilizada).

    EG: A ambientação Mad Max é muito boa, com essas referências inseridas no meio do conto ajudando a compor o cenário.

    C: A história é um pouco simplista considerando o interessante cenário. Esse é mais um daqueles contos que se beneficiaria de outro meio. Fosse desenvolvido em um romance, poderia ter muito mais profundidade. A história da mãe e filha no começo, por exemplo, em um romance poderia intercalar com a história de Avalac, dirigindo para um encontro entre eles e, a partir daí, o autor poderia criar um conflito pelo qual todo mundo passasse.

    F: A narrativa é consistente, com algumas figuras de linguagem bem elaboradas. Os diálogos também são bem construídos.

  11. Wender Lemes
    14 de junho de 2017

    Olá! Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto. Tentarei comentar sem conferir antes a opinião dos colegas, mantendo meu feedback o mais natural possível. Peço desculpas prévias se acabar “chovendo no molhado” em algum ponto.

    ****

    Aspectos técnicos: um conto bem organizado em termos de enredo, lotado de referências. Me encantou essa maneira de narrar. A sensação de que algum detalhe me escapava perdurou durante todo o conto.

    Aspectos subjetivos: o autor nos leva a explorar o psicológico de seu protagonista por vielas muito pessoais, sua relação com Timão constrói o apelo emocional do conto. Achei bastante criativa a ambientação e o modo como a explora. Entre as referências menos explícitas (ou reais), tive vagas lembranças de Interestelar e de 2001 – Uma Odisseia no Espaço (Interestelar já faz referências a 2001, então é quase Inception de referências… meu Deus, onde vamos parar?).

    Compreensão geral: esse conto me fez viajar bastante. Da perspectiva das duas personagens iniciais, o monólito em que se encontra Avalac ergue-se como uma torre negra, um ícone misterioso a ser temido. Dela, o protagonista também as observa. A Torre Negra é o objetivo da vida de Roland, algo que valeria qualquer sacrifício (até de um amigo muito próximo). Aqui, a Torre Negra de Avalac é sua própria sobrevivência. Nada garante que nosso amigo Timão um dia não venha a ser sacrificado em prol desse objetivo, não é? Que bom que não chegamos a esse ponto.

    Parabéns e boa sorte!

    P.S.: um devaneio a mais: “Avalac” é o contrário de “Calava”. Da mesma forma, o protagonista é o oposto de “calar”, é ele quem dá voz ao mundo através de sua caneta. Na verdade, Avalac tem grandes chances de não significar nada em especial, então podemos desconsiderar minha suposição.

  12. Cilas Medi
    13 de junho de 2017

    Um conto destacando pessoas que não se encontram em lugar nenhum, perdidas em suas vidas de ir e vir sem o destino traçado. É essa a minha impressão de um conto sem um fim definido, deixando solta para a imaginação do leitor. Caso haja um roteiro, ficou por definir o motivo.

  13. maziveblog
    13 de junho de 2017

    Caro autor,
    O que aconteceu com Charlotte e a mãe? Elas aparecem no início da história e depois somem. Qual é a função das duas no conto?
    “Lobo mal” é um erro imperdoável.

  14. Marco Aurélio Saraiva
    12 de junho de 2017

    ===TRAMA===

    Uma crônica no fim do mundo. Interessante e original (apesar da referência óbvia à Torre Negra, que é de se entender).
    Gostei do texto por possuir todas as reflexões e descrições do dia-a-dia de um homem que vive sozinho no fim dos tempos. Gosto de ver essa descendente até a insanidade, o homem passa a imaginar que o javali realmente o respondia. Também gosto de ver a resiliência humana, narrada de forma muito boa aqui: por mais que a vida em solidão seja assustadora e terrível, o homem continua lutando, talvez agarrado à esperança vã de que encontraria algo melhor no final.

    Não há “trama” em si, mas as reflexões que o texto desperta são muito boas. Foi uma leitura interessante.

    O problema destes textos é que, pela ausência de trama, não há um “final” propriamente dito. Fica aquela impressão de que o autor cansou ou então parou de escrever por ter chegado no limite de palavras. Aqui a sensação é parecida, mas você consegue dar um tom de ápice nos parágrafos finais, com o personagem chegando, finalmente, à conclusão de que havia se tornado o personagem que admirava no livro do Stephen King.

    E que isso era uma merda.

    PS: gostei de entender, no final, que os nomes da mulher e da filha não eram exatamente Charlotte e Sofia. Estes eram os nomes que ELE havia dado a ela, ou seja, mesmo que não parecesse, desde o início o conto era narrado do ponto de vista DELE. Genial!

    ===TÉCNICA===

    Excelente. Não vi problemas na sua escrita, de forma alguma.

    Gostei da sua abordagem com alguns devaneios que quase quebram a quarta parede, onde o narrador fala com o próprio planeta terra, ou faz alusões atípicas em narrativas como essa. Muitos deles soam como devaneios de um louco, o que brinca com a loucura solitária do personagem.

    Por fim, também gostei dos momentos de nostalgia. Eles enfatizam bem a vida solitária, onde nos prendemos às nossa memórias, que já escapma da mente do personagem, deixando-o confuso.

    Parabéns!

    ===SALDO===

    Um dos melhores do certame!

  15. M. A. Thompson
    11 de junho de 2017

    Olá!

    Usarei o padrão de avaliação sugerido pelo EntreContos, assim garanto o mesmo critério para todos:

    * Adequação ao tema: boa.

    * Qualidade da escrita (gramática, pontuação): nada que eu tenha identificado ou que comprometa a leitura.

    * Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos): muito bom.

    * Enredo (coerência, criatividade): muito bom, pena que li o comentário do colega sobre um possível texto escrito a moda de SK. Mas não o desmerece, de forma alguma.

    De modo geral foi um bom e bem escrito conto e valeu a leitura.

    Parabéns e boa sorte no Desafio!

  16. Gustavo Araujo
    10 de junho de 2017

    Achei o conto muito bem escrito, apoiado numa prosa fluida e que desperta o interesse. A ideia de que o homem do javali seja um escritor num mundo devastado pós-apocalíptico – dando vida a uma mãe e a uma filha – pode não ser lá muito original, mas foi desenvolvida com muita competência. Um ou outro erro de escaparam da revisão, mas nada que comprometa a essência. Eu poderia dizer que a homenagem a Stephen King ficou exagerada, com as citações nominais à obra dele, mas o que me incomodou de verdade foi a falta de uma conclusão, de um enredo mais encorpado. Apesar da escrita excelente – de certa forma emulando bem o citado autor americano – o que temos no geral é a demonstração de alguém que no meio da destruição escreve sobre outras pessoas. É o retrato de um momento, algo estático, sem movimento. Um quadro bem executado, mas que poderia ter rendido um filme ainda melhor. Nesse contexto, o javali foi completamente irrelevante, salvando-se, contudo, as alusões ao Rei Leão. Enfim, um conto que desperta emoções distintas, dependendo do ponto de vista. Não tenho dúvidas quanto à qualidade da escrita, mas o (des)propósito da história me deixou um tantinho decepcionado por saber que seria possível ir bem além.

  17. Sick Mind
    9 de junho de 2017

    Bem, vamos lá. Logo de cara achei o estilo de escrita parecido com o de Stephen King. Mas nesse momento pensei “Deve ser a leitura que fiz recentemente de O Vento Pela Fechadura, que está me fazendo ver Stephen King em tudo”. Então, dei um tempo e quando voltei a ler, o estilo de SK continuava lá. Pensei em parar de novo, mas me esforcei para continuar, aí eu engrenei e fui até o final.
    Eu li toda a séria d’A Torre Negra, mas com o passar dos anos, foi algo que envelheceu mto mal para mim. Eu descobri que não gosto mais de SK, da mesma maneira que deixar de gostar de mtas coisas a medida que envelheci e amadureci. Então, ler algo tão próximo a escrita de King me incomodou profundamente em alguns momentos, principalmente naquelas passagens que são comuns em A Torre Negra. E posso exemplificá-las: as placas que sempre tem algo a mais a dizer, a quantidade de peidos em momentos inesperados, a maneira de colocar os comentários pelo texto, a maneira de misturar linguagem coloquial a mundos devastados, a forma como ele enrola para entregar elementos na trama e também como descreve certos detalhes…
    Mas acredite, eu consigo superar meus problemas pessoais com a escrita de King para analisar um conto, porém o conto não foi somente inspirado em A Torre Negra, ela copiou mtos elementos, como os que citei. Sendo assim, a impressão que tenho é que se fosse um concurso para simular a escrita de King, Avalac venceria.
    Mesmo sem originalidade, o autor(a) conseguiu escrever com bastante profundidade. Eu gostei de como a imagem tema do concurso foi sendo entregue pouco a pouco. Alguns erros pelo texto, mas nada demais. Tem algumas frases de efeito que foram bem construídas. Eu gostei do tom de desesperança. Mas bem q o autor(a) poderia ter deixando as referências diretas ao nome de Roland e da Torre Negra ocultas, pois assim o leitor ficaria tentando adivinhar que obra foi essa que o dominou na adolescência.

  18. Iris Franco
    8 de junho de 2017

    Oi Avalac, tudo certinho?

    O seu conto está muito bem escrito.

    Mas, acho que tem alguns erros de coesão, coerência.

    Use mais as conjunções para “amarrar” melhor os parágrafos. Acredito que melhoraria bastante a qualidade do seu texto, que está ótimo, mas dá para ficar melhor.

    Olha, eu não gostei muito do conto, achei que muita coisa poderia ter sido eliminada. Ficou um ritmo meio “arrastado”, longo.

    O seu jeito de escrever lembra muito o do Tolkien.

    Sintetizando, seu texto tem um público alvo e você precisa utilizar mais as conjunções.

    Bom, é isso aí…boa sorte!

  19. Rubem Cabral
    7 de junho de 2017

    Olá, Afonso Elva.

    Resolvi adotar um padrão de avaliação. Como sugerido pelo EntreContos. Vamos lá:

    Adequação ao tema:
    O conto tem todos os elementos da imagem-tema: homem encasacado, mala, javali.

    Qualidade da escrita (gramática, pontuação):
    O conto está bem escrito, em linhas gerais. Há algumas vírgulas comidas e alguns erros de digitação que escaparam à revisão.

    Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos):
    O conto é bem desenvolvido e a escrita é boa, Os personagens estão bem construídos. Os diálogos estão bons também. Algumas expressões soaram divertidas e criativas.

    Enredo (coerência, criatividade):
    O enredo é interessante, inclusive pela metalinguagem: o fato do Avalac escrever histórias também. O ritmo é um tanto lento, acontece pouca coisa nesse mundo apocalíptico, é quase um relato da rotina do sobrevivente.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  20. Victor Finkler Lachowski
    5 de junho de 2017

    Olá autor.
    O conto foi bem escrito, porém, erros de gramática são comuns, atrapalham a leitura, foi só falta de revisão mesmo, acontece.
    A história foi bem inspirada na Torre Negra, talvez até demais, por mais que seja uma saga maravilhosa, várias linhas poderiam ter sido aproveitadas investindo no universo dos personagens ou em uma trama mais elaborada. Você lê e parece que não aconteceu nada.
    O grande ponto positivo é a escrita, muito bem escrito, e inspirado da maneira correta por Stephen King, realço sua escrita autor, muito bem trabalhada, narrativa que conduz bem a história e prende o leitor.
    Boa sorte no desafio,
    Abraços.

  21. Brian Oliveira Lancaster
    5 de junho de 2017

    EGO (Essência, Gosto, Organização)
    E: Esse texto traz um misto de sensações interessantes. O cenário desolado colabora para isso. Senti uma mistura do filme O Livro de Eli com alguma fábula contemporânea. A parceria dos dois cativa. A divisão em partes foi bastante acertada, apesar de achar a 1ª meio deslocada do restante. Tem sentido ao chegarmos ao final, mas ainda assim fica meio “voando” aquele cenário.
    G: Entendi as referências, e apesar de nunca ter lido o livro, sei do que se trata. Só acho que devia ser uma homenagem mais sutil. Do jeito que está, há uma grande placa no meio da história dizendo “leia esse livro” que me tirou do contexto temporariamente. Quanto ao restante, achei a atmosfera excelente, apesar do narrador se intrometer de vez em quando com uma onisciência inesperada.
    O: Bem escrito, cuidadoso, cheio de nuances. Cativa pelo clima de “propenso escritor perdido no pós-apocalipse com uma amizade estranha”.

  22. Fernando Cyrino
    3 de junho de 2017

    Um conto interessante e que me apresenta aspectos ricos. Um enredo forte e bem concatenado, apesar de que de vez em quando fui sentindo como que uns soluços na narrativa. A história termina bem. Lamentei que não tenha havido um maior cuidado com a revisão. Nesse sentido ficou-me a impressão de que lhe tenha faltado tempo e nessa parte, infelizmente, o seu conto ficou a dever. Abraços .

  23. Gilson Raimundo
    1 de junho de 2017

    Um conto cheio de passagens impactantes que no conjunto não teve tanto brilho (para mim como leitor), digo por não ter encontrado nele um clímax e nem um confronto plausível além da busca pela sobrevivência. Poetizando o conto como foi feito pelo autor, senti como se um casal fosse para um motel e ficassem apenas nas torridas preliminares sem consumação.

  24. Catarina
    1 de junho de 2017

    Não curto citações no INÍCIO de textos porque costuma dar a direção do conto. Dito e feito, mas neste caso ficou elegante; Clarice é Clarice. A TRADUÇÃO DA IMAGEM é densa e muito bem estruturada, sendo a base da trama simples e bem executada. Tem gordura solta na primeira parte para um conto curto ( a novela da catação de areia das mulheres ficou um começo fraco), mas depois fica perfeito. A relação entre os dois (Avalac e Timão) gerou um EFEITO melancólico difícil de ser traduzido.

  25. Fheluany Nogueira
    31 de maio de 2017

    Um escritor em um mundo pós-apocalítico. História interessante, bem adequada à imagem-tema, muitas referências, recursos narrativos instigantes e uma boa reflexão. Os estados mentais do personagem e o saudosismo revestiram a trama de emoção e de otimismo dentro da devastação. Leitura agradável que consegue entreter.

    Por acaso “Avalac” seria anagrama de “cavalo(a)”?

    Parabéns pela participação. Abraços.

  26. Iolandinha Pinheiro
    30 de maio de 2017


    https://polldaddy.com/js/rating/rating.jsLembrei um pouco do filme o Livro de Eli, não pelo enredo, mas pela solidão num mundo que acabou. Gostei de como vc escreve, os cenários falam com a gente e as referência acontecem o tempo todo, indo para a superfície das lembranças do protagonista. Mas o que eu mais curti foi a sua maneira de ambientar e contar um mundo diferente sem recorrer à explicações tediosas. O leitor (eu) ia descobrindo este novo mundo à medida em que os fatos na vida do narrador e seu javali filosófico iam andando pela cidade. Também gostei do truque no começo do conto, de colocar as personagens dos escritos dele como se fossem reais. A vida dele era uma desgraça mesmo, coitado. Enfim, seu nível de escrita é muito bom e a sua nota será condizente com a qualidade apresentada. Abraços e sorte.

  27. Antonio Stegues Batista
    30 de maio de 2017

    O conto tem uma boa narrativa, sentidos das frases, as analogias e os personagens ficaram criveis, cada um com sua personalidade, claro, um humano, um dos poucos num mundo pós apocalítico e um javali como companheiro. Muito bom enredo, a nostalgia em meio ao caos, a esperança e o instinto de sobrevivência. Como não li o livro de Stephen King, nem assisti ao filme,não entendi muito bem o sentido do final, com referência à A Torre Negra.

  28. Ricardo Gnecco Falco
    30 de maio de 2017

    Olá autor/autora! 🙂
    Obrigado por me presentear com a sua criação,
    permitindo-me ampliar meus horizontes literários e,
    assim, favorecendo meu próprio crescimento enquanto
    criativa criatura criadora! Gratidão! 😉
    Seguindo a sugestão de nosso Anfitrião, moderador e
    administrador deste Certame, avaliarei seu trabalho — e
    todos os demais — conforme o mesmo padrão, que segue
    abaixo, ao final.
    Desde já, desejo-lhe boa sorte no Desafio e um longo e
    próspero caminhar nesta prazerosa ‘labuta’ que é a arte
    da escrita!

    Grande abraço,

    Paz e Bem!

    *************************************************
    Avaliação da Obra:

    – GRAMÁTICA
    O/a autor/a escreve muito bem, porém creio que tenha sido um pouco relapso na revisão de seu trabalho. Muitos erros passaram e deram alguns entraves na leitura; sendo o principal deles uma confusão com os nomes de duas personagens (Sofia e Charlote), que trouxeram uma ambiguidade certamente não desejada pelo/a autor/a e não bem vista pelo leitor. Vou registrar aqui alguns dos lapsos encontrados, onde a leitura ficou com gargalo, para o/a autor/a corrigi-los posteriormente: “…nossos neurônios tem vontade própria…” , “…roubando alguns segundos celebres na poltrona…” , “…O lobo mal assoprava, assoprava, mas a casa não caía.” , “…Feder atraí seres vivos…” , “…como um brisa.” , “…daquelas que não muda seu ar de deboche…” , “…ele era apenas mais um tentado gozar na vagina…”.

    – CRIATIVIDADE
    Boa. Cenários apocalípticos não faltaram a este Certame (na verdade, acho que jamais faltarão a nenhum Certame por aqui, pois a galera parece curtir mesmo), mas este em especial ficou com uma boa pegada. Deu vontade de continuar a ler a história, mesmo com os vários lapsos de revisão.

    – ADEQUAÇÃO AO TEMA PROPOSTO
    100%. Temos javali, trajes, mala… E até o fim do mundo.

    – EMOÇÃO
    Na medida certa. O/a autor/a soube trazer o leitor para dentro da história. O tom saudosista e os conflitos mentais do protagonista para manter-se são e motivado a continuar seguindo em frente foi muito bem aplicado no trabalho. Parabéns.

    – ENREDO
    Chavão; clássico, porém eficientemente concretizado pelo/a autor/a. Um dos últimos sobreviventes do planeta caminha pela devastação do mesmo em busca de sentido para continuar vivendo daquele jeito, naquele lugar, por sabe-se lá quanto mais tempo.

    *************************************************

  29. Elisa Ribeiro
    28 de maio de 2017

    Olá autor. O que me encantou no seu conto foram as cenas do javali. Colocá-lo como animal de estimação que, juntamente com a escrita, atenua a solidão do personagem, embora seja um golpe baixo, manipulativo, funcionou comigo. Já não digo o mesmo sobre as referências, muitas delas não muito familiares para mim. A modalidade de discurso em monólogo interior associada à quase imobilidade de ação, também não funcionaram muito bem comigo. Questão de gosto. Logo no começo do conto estranhei certa desarmonia nos tempos verbais, mas como o restante do conto está muito bem escrito, considero que foi uma escolha de estilo do autor. De fora minha ranzinzice, um bom conto que certamente agradará a maioria dos leitores. Boa sorte! Abraço.

  30. Olisomar Pires
    27 de maio de 2017

    1. Tema: boa adequação.

    2. Criatividade: boa. Sujeito e seu javali sobrevivem num mundo esgotado, fazendo-se companhia.

    3. Enredo: Não existe propriamente uma trama. É mais uma apresentação dos personagens. Há ou haverá grande aproveitamento do material para um conto maior ou quem sabe um romance de ficção.

    O personagem Avalac é bastante simpático e foi muito bem construído. Suas tiradas de humor ajudaram bastante nessa empatia.

    Em particular não apreciei o nome do javali, ficou meio caricato (suricato) demais.

    4. Escrita: Sem grandes erros. Uma leitura leve e tranquila.

    5. Impacto: médio.

    Por não haver uma estória explícita, vemos apenas um personagem solitário que luta contra não se sabe bem o quê.

    Bom texto, divertido.

  31. juliana calafange da costa ribeiro
    27 de maio de 2017

    Afonso, gostei muito do seu conto. Vc escreve muito bem, sua técnica mantém a gente preso à história, que é instigante desde o começo. Não pesquei as referências literárias, acho q não é “da minha época”, mas isso não fez muita falta e eu acompanhei a história muito bem. Adorei os detalhes de humor, Sofia em primeiro lugar! Confesso que esperava um final mais impactante, mas não cheguei a me decepcionar. A referência que vc faz ao futuro em “Às vezes fico pensando se alguém vai ler isso. Essas coisas que eu escrevo, podem ser o único registro escrito da raça humana, como um documento, um achado arqueológico, está me entendendo? Posso me tornar uma espécie de autor referência para a biblioteca dos homenzinhos verdes de Júpiter”, acabou me remetendo a um outro desafio de imagem que tivemos aqui, o da Biblioteca. Fiquei pensando que esse seu conto complementaria um outro inspirado naquela imagem… Alguém aqui comentou sobre as duas formas que o protagonista encontra pra não enlouquecer nesse mundo pós-apocalíptico: escrever e fazer amizade com um animal. Eu concordo absolutamente com esse comentário e acho que foi isso que ajudou a humanizar o seu personagem. Parabéns!

  32. Roselaine Hahn
    27 de maio de 2017

    Olá Afonso, não li a Torre Negra, o que prejudicou, de minha parte, o melhor entendimento do texto, mas que não interferiu na apreciação da narrativa. Gostei da sua escrita, dos diálogos e da interação de Avalac com Timão, impagáveis. A sua voz me remeteu ao Mochileiro das Galáxias, que eu sou fanzona, várias referências ao estilo de Douglas Adams. Uma correção: Na frase em que citas Hakuna Matata como sendo algo ou alguém que criou o leãozinho. Na verdade a expressão Hakuna Matata é muito utilizada em países como a Tanzânia e o Quênia, e é usada com o sentido de “ok “e “sem problemas”. “Hakuna” significa não há e “matata” significa problemas. Então, o seu conto não tem problemas, algumas revisões de concordâncias e Go ahead! Abçs.

  33. Mariana
    27 de maio de 2017

    O uso de Roland e da Torre Negra – estou lendo a juventude do Pistoleiro e seu amor por Susan – foi adoravelmente eficaz. Sem fingimentos, me apaixonei pelo conto. A descrição desse mundo está ótima, o apocalipse é uma tempestade murcha de areia e não uma ópera grandiosa. Adorei a leitura mesmo, me tirou sorrisos nessa tarde chuvosa.

  34. Jorge Santos
    27 de maio de 2017

    Não fossem as falhas gramaticais, e Avalac seria quase perfeito. É uma construção complexa, com um conto inserido dentro de outro conto como se de uma matrioska se tratasse. Passa-se num cenário pós-apocalíptico onde um homem, Avalac, tendo por única companhia um javali de nome Timão. Mudaria apenas a conclusão, demasiadamente simples, na minha opinião. A linguagem é simples e eficaz. Já agora, que diz se eu ler o texto à minha filha? Ela chama-se Sofia… é… acho que lhe vou pedir uma opinião para melhorar este comentário.

  35. Anorkinda Neide
    27 de maio de 2017

    Olá!
    Teu conto é bonito e emocionante e nos conecta, uma vez que somos todos escritores por aqui, acho que escreveríamos contos ou poemas se estivéssemos sozinhos no mundo, é uma saída saudável…rsrs
    Engraçado que nao costumo gostar de monólogos de uma pessoa ensandecida dando voz a um animal ou objeto, mas… quando bem feito tudo fica bom, né mesmo?
    Ficou!
    Parabéns, pra não dizer que só falei de flores, não gostei da metáfora da prostituta, muito ‘macho podre’ isso…kkk
    Abração e boa sorte ae

  36. Leo Jardim
    25 de maio de 2017

    Avalac (Afonso Elva)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): a ambientação em um mundo pós apocalíptico ficou boa e o perfilhamento do Avalac bem construído, mas faltou acontecer alguma coisa que destacasse, faltou uma trama. Esses mini capítulos que não acrescentam muita coisa são ótimos em romances ou textos longos, em contos curtos eles sobram.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): o autor tem domínio da técnica narrativa e apresenta cenas e personagens muito bem. Faltou concisão e corrigir alguns erros ortográficos:

    ▪ Eu não sei *vírgula* baixinha
    ▪ Nada demais *vírgula* meu caro Timão
    ▪ Vai ligar *vírgula* Timão?

    ▪ A dureza do entendimento já seria o suficiente para um adulto *ponto* Em Charlotte, causava danos irreversíveis.

    ▪ Feder *atraí* seres vivos (atrai)

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): o texto apresenta um mundo pós apocalípticos meio genético, sem explicar muito, mas os personagens são bons.

    🎯 Tema (⭐⭐): Avalac e Timão (legal ele ter errado o nome, que no desenho chamava-se Pumba)

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): o texto termina numa reflexão interessante, mas sem grandes conflitos ou clímax. Isso esfria bastante o impacto.

  37. Jowilton Amaral da Costa
    25 de maio de 2017

    : Um bom conto. Está bem escrito. No início achei que seria uma história meio bobinha e tal. A história esquenta do meio para o fim e o autor capricha no uso de figuras de linguagem e tiradas sarcásticas. A melancolia no final do texto caiu com uma cereja no bolo. Boa sorte.

  38. Vitor De Lerbo
    25 de maio de 2017

    As referências a elementos dos anos 90 trazem nostalgia a quem foi criança nesse período.

    Conto interessante, gostei principalmente das partes em que estamos dentro da cabeça do javali. E o Avalac é um cara bem gente boa.

    Fica a questão se a mãe e a filha realmente existem ou se o que lemos no capítulo 1 é apenas uma história imaginada por Avalac. Prefiro a segunda opção, faz mais sentido pra esse mundo pós apocalíptico que o novo Roland esteja levemente louco.

    Uma grande aventura ou reviravolta traria mais brilho à trama. Gosto do estilo beat, mas por termos um limite pequeno de palavras, não há muito tempo para conquistar o leitor.

    Texto bem escrito, mas uma revisão evitaria alguns errinhos.

    Boa sorte!

  39. Andreza Araujo
    24 de maio de 2017

    Adorei esse clima de fim de mundo, o fato do personagem ser, a princípio, o único sobrevivente do planeta. Interessante notar como ele faz para não enlouquecer. Primeiro, ele tem a companhia do nosso ilustre javali, segundo, ele escreve sobre personagens que estariam vivendo aquela mesma situação, mas com uma ponta de esperança. A mesma esperança que ele tem, eu diria.

    Fiquei na dúvida sobre o que seria o objeto que ele chama de torre negra, seria a caneta com a qual escreve? Só consegui pensar nisso, não sei se o autor quis dizer outra coisa hahaha O texto é certamente bem elaborado, a melhor parte é quando percebemos que o prelúdio é apenas uma história do nosso amigo solitário, e que as meninas jamais irão se encontrar com ele.

    • Afonso Elva
      24 de maio de 2017

      Gostei de você de pensado numa caneta Andreza, na verdade, achei genial 🙂 Como eu disse em um outro comentário aqui, o texto é seu desde o momento em que começa a ler, então não tem nada de certo ou errado ;), tudo é possível e tudo é verdade. Obrigado novamente por ler, e emprestar seu tempo e dedicação. Forte abraço!

  40. angst447
    24 de maio de 2017

    Olá, autor, tudo bem?
    O título não promete absolutamente nada. Um nome estranho que ainda fiquei tentando embaralhar as sílabas e deu em nada – só cavala.
    O tema proposto pelo desafio está aí não tão explícito, mas está aí. De carne e osso, só mesmo o javali.
    Alguns lapsos escaparam na hora da revisão:
    neurônios tem vontade > neurônios têm vontade
    Dá onde veio > da onde veio
    O lobo mal assoprava > O lobo mau assoprava ou o lobo assoprava mal?
    com direto a estátua> com direito a estátua
    O ritmo do conto é bom, embora em alguns momentos dê uma ralentada. Recordar a musiquinha do banho foi bacana.
    Boa sorte!

    • Afonso Elva
      24 de maio de 2017

      Novamente, desculpe pelos deslizes na revisão, fico grato pelas observações. Forte abraço angst447, e muito obrigado pelo seu tempo e dedicação! 🙂

    • angst447
      24 de maio de 2017

      Obs.: A forma “daonde” não existe e sua utilização é incorreta.

      Se houver a ideia de procedência, utilize “de onde”

  41. Afonso Elva
    24 de maio de 2017

    Muito obrigado pelo tempo e dedicação de todos vocês, fico muito grato! Não vou comentar alguns pontos sobre o enredo, porque acho que a história assume uma forma diferente dentro de cada um, logo, ela sempre é muito mais do leitor do que minha, e essa é a beleza da coisa 😉
    Agora, essa de lobo “mal”, pegou mal à beça… Peço sinceras desculpas, não deixei o texto descansar algumas semanas antes de revisar, e isso é ruim, porque acabamos meio que “lendo com a memória”.
    Muito obrigado outra vez, fiquem com Deus
    Forte Abraço 😉

  42. Neusa Maria Fontolan
    24 de maio de 2017

    Foi uma boa leitura, porém eu fiquei esperando que ele se aproximasse da mulher e da menina com a intenção de se ajudarem,em um mundo pós-apocalíptico, penso que isso seria razoável. Talvez seja o caso de você aumentar essa história, pense nisso.
    Um bom conto, meus parabéns.

  43. Priscila Pereira
    24 de maio de 2017

    Oi Afonso, achei seu conto triste… será que foi só eu?? Vi em Avalac alguém que faz graça, que parece um rebelde sem causa, só para poder aguentar a depressão e a angustia de “viver” nesse mundo, ele me pareceu desiludido, triste.Ótimo conto, cheio de referencias legais… amei a musiquinha do banho… Parabéns e boa sorte!!

  44. Evelyn Postali
    23 de maio de 2017

    Oi, Afonso Elva,
    Gramática – Só uns errinhos. Não muitos, mas o mau-mal ficou bem visível para mim. Então, corrige aí e passa mais uma lida no resto. 😉
    Criatividade – Uma história dentro de uma história. Gosto disso. E a questão de ser possível vivermos um apocalipse nos faz perceber que não temos nada senão uns aos outros – fato que desestabiliza minha fé na humanidade nesses dias, visto a enorme desatenção que temos para com os nossos iguais, que são todos, mas teimamos em pensar que uns têm mais valor que outros. Há algumas lições no seu conto e elas devem ser aproveitadas.
    Adequação ao tema proposto – Para mim, está totalmente adequado.
    Emoção – Aquela frase de Clarice Lispector fala ao meu coração, mas sua história também me emocionou. Gostei do que li. Amizade é um bem precioso e muitos animais conhecem o significado dela muito mais do que aqueles humanos que nos rodeiam.
    Enredo – Começo, meio e fim não lineares e eu amei.
    Parabéns pelo conto!
    Boa sorte no desafio.
    Abraços!

  45. Luis Guilherme
    23 de maio de 2017

    Boa tarde, afonso, tudo bão?

    Cara, adorei teu conto! Pq? Vamos lá:

    – Gostei do uso de metáforas, como no caso: “O lobo mal assoprava, assoprava, mas a casa não caía. O assovio do vento entrava por algumas fendas nas paredes da estrutura.” Excelente! (só uma obs: lobo mau)

    – Os diálogos são muito bons!

    – O cenário e o contexto catastrófico foram muito bem construídos;

    – A linguagem é divertida e gostosa. Adoro quando existe uma certa informalidade e indecência por trás da escrita habilidosa, não sei se me entende.

    Enfim, gostei bastante de tudo. Acho que a gramática, com alguns poréns, está quase impecável.

    Parabéns e boa sorte!

  46. Olá, Afonso,
    Tudo bem?
    Fico pensando em qual a fórmula para se escrever um conto bom. Qual o segredo? A resposta é que, não há um modelo a se seguir. Seu conto, ao menos para mim, tem esse mistério que faz com que fiquemos grudados a uma narrativa.
    Você iniciou com um recorde de Clarisse Lispector. Uma citação que adoro e que, talvez prenunciasse a amizade entre um homem e seu animal de estimação. A narrativa, no entanto, embora trate desse relacionamento de forma muito cativante, vai além do anunciado.
    A narrativa propriamente dita tem início com uma história que, a princípio nos parece deslocada do todo. Quase no final, no entanto, descobrimos que o tal parágrafo deslocado é na verdade um texto que está sendo criado dentro do conto. Uma história que poderá um dia ser lida, ou não. Escritos destinados a homens do futuro, depois do fim de tudo.
    Quem são esses leitores afinal?
    Somos nós.
    Aqueles que o leem agora, não após o apocalipse dos tempos, mas após a morte de um mundo que você revive a cada minuto do conto. O mundo do personagem com suas alusões, o tempo todo, aos anos 80. Um mundo onde ele, protagonista, viveu e foi feliz. Um “mundo que já acabou”. O mesmo deverá sentir, talvez, quem viveu em uma determinada época que já se foi. Não à toa os velhos dizem: No meu tempo… Acho que estou começando a sentir isso e por este motivo gostei tanto de seus texto.
    Parabéns. Você fez um belíssimo trabalho com o seu Javali.
    Beijos
    Paula Giannini

  47. Ana Monteiro
    23 de maio de 2017

    Olá Afonso. Não li “A Torre Negra” e penso que essa leitura me teria permitido penetrar melhor o seu texto. Foi uma leitura fluída (excepto em alguns momentos em que falhas na revisão não permitiram essa fluidez) e agradável. Existe um contraste muito evidenciado entre o cenário pós-apocalíptico e uma relação de afecto que une um ser vivo a outro. E esse contraste sabe bem, como um oásis no deserto – aliás essa relação é um pouco isso mesmo. O conto está adequado ao tema e é bastante criativo. Gostei particularmente do primeiro parágrafo da parte 2, que revela aquele pequeno registo de malvadez impossível tão comum em nós, humanos (semelhante ao que sucede quando só se consegue ter pensamentos banais em momentos de catástrofe). A cena nos balneários também está muito boa. Bem mais profundo do que possa aparentar, seria pedir demasiado que, em tão pouco espaço, tivesse ainda grande quantidade de enredo. No geral está muito bom. Parabéns e boa sorte.

  48. Fabio Baptista
    23 de maio de 2017

    O conto consegue entreter e isso é um ponto positivo. A relação de Avalac (se há alguma referência nesse nome, não captei) com Timão (desse eu não gostei, porque me lembra o Corinthians kkkk) é bem divertida e não soa forçada.

    A escrita é ok, sem grandes tropeços e dando agilidade à narrativa. A ambientação “pós-apocalíptica” é bem construída e a cena dos vestiários, com a elucubração sobre feder é muito boa.

    Senti falta de um pouco mais de enredo, porém. Acabou ficando só uma descrição do cotidiano da dupla, sem um fio condutor que pudesse prender a atenção, causar expectativa e tal. Não li a obra referenciada, talvez isso tenha contribuído para esse sentimento.

    – O lobo mal assoprava
    >>> mau

    – O animal imediatamente admitiu um tom reflexivo
    >>> adquiriu?

    – com direto a estátua
    >>> direito

    Abraço!

  49. Milton Meier Junior
    22 de maio de 2017

    Bom conto, bem engraçado e de fácil leitura. Carece uma revisão melhor, mas nada que atrapalhe o encadeamento da narrativa. Nunca li a Torre Negra, portanto me faltam referências nesse quesito. Não obstante, uma boa diversão. Parabéns!

  50. Lucas F. Maziero (@lfmlucas)
    21 de maio de 2017

    Eis tudo ou quase tudo que posso dizer sobre este conto: me diverti pra caramba lendo-o! E esse, creio, é tudo que um conto precisa, distrair, entreter.

    Lembra muito o estilo fanfarrão de Stephen King, cheio de referências, figuras hilariantes, palavrões na medida certa… Enfim, confirmei quando alcancei o parágrafo em referência à Torre Negra.

    Um bom conto! E as últimas palavras deu um fechamento redondinho a ele. Tomara que alguém encontre o que Avalac carrega em seu bolso!

    Parabéns!

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Publicado às 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017 e marcado .