EntreContos

Literatura que desafia.

Avalac (Afonso Elva)

E quando acaricio a cabeça do meu cão, sei que ele não exige que eu faça sentido ou me explique.”

Clarice Lispector

 

1

 

Charlotte ajudava a mãe com a areia.

 Uma brisa preguiçosa soprava carregando sacolas e notas antigas que já não valiam nenhum centavo. O mundo estava morto. Ou, no mínimo, em coma profundo. Um velho cagando nas próprias calças, sem poder contar com a ajuda das enfermeiras. Rezaria por uma pane nos aparelhos se pudesse, mas sua cabeça não funciona mais. Nada funciona. Tudo que resta é um arrastar-se lento, infernal, a última falha antes do grande colapso. Peço desculpas Sra. Planeta Azul, mas seu marido não tem muito tempo…

 — Vamos filha, encha a sacola.

 Charlotte pegava algumas porções de terra e ia jogando no saco. Todos esperavam que fosse terra boa dessa vez, as últimas tempestades não trouxeram nada além de morte.

  Prédios altos esticavam-se ao redor, em direção ao céu cinzento. Em algum lugar, uma placa dizia: POSTO ALI, SEU AMIGO DE TODAS AS HORAS! A poeira cobria tudo, desde a lanchonete até as bombas de gasolina, inclusive o letreiro. Sofia, mãe da garotinha que enchia o saco com areia, sabia que aquelas bombas estavam secas há muito tempo. Nenhuma gasolina sairia dali, muito menos álcool ou diesel.

 — Já está bom meu amor, podemos voltar.

 Sofia segurava a sacola numa das mãos, a outra puxava a criança.

 — Mamãe, vamos ter milho até o Natal?

 — Eu não sei baixinha, ninguém sabe…

 Não muito longe de onde estavam, Charlotte avistou um pequeno monólito negro no horizonte. A visão foi suficiente para encher seu coração com aquele ocasional e infantil desespero, que só passa após um alto e belo “Olha lá mãe, tem alguma coisa ali!!”.

 Quando os olhos da menina encontraram os de Sofia, as palavras desapareceram no ar. Sabia que não encontraria nada além de um “Vamos mocinha, se acha que viram a gente, precisamos correr!”. A dureza do entendimento já seria o suficiente para um adulto, em Charlotte, causava danos irreversíveis.

 Em outro planeta, em algum outro tempo, onde os homens de poder tinham um pouco mais de prudência, menininhas brigavam pela prioridade em alimentar um grande pombo acinzentado, gordo como uma galinha de granja. Migalhas voavam enquanto a ave mancava entre uma bicada e outra contra o concreto da calçada. Migalhas alheias ao sofrimento de Charlotte. Migalhas que ela poderia comer.

 

2

 

Avalac guardou a luneta num dos bolsos improvisados do sobretudo marrom. Olhava Timão com pena. Viajar com o javali era garantia de pelo menos alguma companhia, além de um belo pedaço ambulante de carne que não precisava de geladeira. Riu ao pensar que Timão poderia virar cozido caso tudo piorasse ainda mais, mesmo sabendo que dificilmente comeria o animal. Tinham alguma conexão, criada ao longo de muitos arrotos, puns e risadas embaladas pelo som de tempestades de areia.

 — Nada demais meu caro Timão, só uma mulher e uma criança catando terra — disse Avalac, recebendo um Ronc distraído como resposta. Era como se o javali dissesse “Pois é meu rapaz, que merda eu posso fazer?”.

 — Merda nenhuma.

 O vento anunciava que mais poeira viria em algumas horas. Se os dados de Deus mostrassem o 12, o granizo não viria de brinde, caso um belo 7 caísse na mesa, não precisaria fazer alarde, seriam só os raios de sempre, e a tão conhecida poeirinha. Quem quer arriscar um dobro ou nada? Melhor não, não contra Deus.

 Avalac precisava encontrar um lugar seguro para passar a noite, que cairia em pouco tempo. Sua mente buscava uma solução, mas logo voltou a questão que a ocupara nos últimos meses.

 É impressionante como nossos neurônios tem vontade própria. Todos sabem que momentos de extrema concentração podem levar a nada mais, nada menos, que uma musiquinha de comercial de detergente. Algo como “Passou, limpou! Limpou, passou!!”, a tortura começa e nunca tem fim, só uma trégua, aos quarenta e cinco do segundo tempo, quando o juiz já não sabe mais o que está fazendo.

 Afinal de contas, Timão era o javali ou o suricato? Não conseguia lembrar de jeito nenhum. Sabia que existia um desenho, tinha certeza. Algo sobre um leãozinho que perdeu os pais e foi criado por algum Hakuna Matata, ou qualquer coisa perto disso. A imagem do seu pijama azul chegava nítida como o gosto do achocolatado pela manhã. Assistia o programa das nove todos os dias, roubando alguns segundos celebres na poltrona do pai, esperando com ansiedade pelo… Leão Rei? Difícil dizer, e também não importava muito. Seria Timão, um bom nome. Timão, um javali gente fina, pensou divertido. Compraria uma coleira caso encontrasse algum Pet Shop aberto.

 — Mandaria polir seus cascos!

 O javali fingiu que não ouviu, e foi farejar perto de uma grande placa enferrujada, onde o antigo limite de velocidade (60 KM) tinha ficado quase invisível sob a pichação, que dizia em letras sem nenhuma técnica:

 

Quem peidou na farofa? Se souber do FDP, ligue para o Disque Denúncia!

 

 — Vai ligar Timão?  — Avalac não conseguiu segurar o riso. — Eu estou sem créditos!

  Ronc, Ronc, concordou o javali, num tom de “Os meus também acabaram, campeão!”

 

3

 

O lobo mal assoprava, assoprava, mas a casa não caía. O assovio do vento entrava por algumas fendas nas paredes da estrutura. A fogueira queimava bem no centro do que um dia teria sido um ginásio para alunos de classe média alta. Marcas de partidas de futsal e badmintom ainda podiam ser vistas pelo chão, como se fossem rastros deixados por fantasmas. Seres que existiram há muito tempo, tanto quanto Avalac podia lembrar. Olhou suas mãos limpas e agradeceu pela sorte que teve.

 Uma hora atrás, ainda com os óculos que usava para proteger os olhos da poeira, teve de começar a rotineira busca por coisas que poderiam ter alguma utilidade. Vasculhou os armários do vestiário masculino, onde encontrou toalhas limpas e seis latas de desodorante ainda cheias. Cheirar bem, ao contrário do que muitos poderiam pensar, era necessário, apesar de não ser uma prioridade. Feder atraí seres vivos, e seres vivos dão trabalho. Feder diminui o ânimo, e sem ânimo a caminhada é quase impossível. Feder faz as pessoas acharem que você come pessoas, e pessoas não gostam nada disso. Melhor levar o produto, aproveitar a promoção. O patrão ficou louco, pegue tudo que conseguir carregar, falou baixinho para si mesmo.

 O breve sopro de humor foi o suficiente, e seu coração, pelo menos por um tempo, ficou um pouco mais leve.

 Terminado o lado dos meninos, precisava checar o outro, o destinado as meninas.

  O vestiário feminino cheirava muito melhor — o que sempre foi verdade, desde o início dos tempos. A quantidade de embalagens de shampoo chamou sua atenção. Espalhavam-se pelos quatro cantos, cobrindo a maior parte do chão, como num jogo de campo minado, só que as bombas não estavam escondidas. Pegou dois deles e colocou na bolsa. Tudo bem, caso encontrasse água nas torneiras, tomaria seu belo e merecido banho.

 Um rangido agudo preencheu o lugar quando Avalac girou a torneira. Logo após os longos arrotos do cano de metal, e a quantidade impressionante de ferrugem que cuspiu, viu o brilho prateado da água fluir com força. “Seu bilhete está premiado senhor, parabéns!”.

 Uma antiga música floresceu em sua mente, embalada pelo som suave do líquido descendo pelo ralo. Primeiro lenta, depois no ritmo certo, do jeito que o ratinho de toalha cantava, no mesmo tom.

 

“Banho é bom.

Banho é bom.

Banho é muito bom!”

 

4

 

Timão coçava atrás da orelha esquerda, e fazia cara de quem estava satisfeito com a fogueira. Tudo parece quentinho por aqui, diziam os olhos amendoados do animal.

 Brilhando entre tons de amarelo e laranja, devido ao fogo bom, a grande mala de Avalac chamava atenção naquele estranho ginásio abandonado. Não era de forma nenhuma um lugar para malas como aquela. Grande, pesada, uma coisa enorme que qualquer um poderia encontrar na casa do seu avô, ou do seu pai — depende do dia em que você nasceu.

 Todo tipo de coisa se amontoava dentro do malão. Latas de milho dividiam espaço com cobertores velhos e pares de sapato esfarrapados. O único dos objetos que parecia estar em bom estado era um grande caderno de capa azul, que Avalac pegou enquanto tirava uma caneta do bolso.

 — Pensa em dois nomes bons, Timão — disse Avalac, puxando conversa com o javali. — Nome de mulher.

 O animal imediatamente admitiu um tom reflexivo. Encarava o horizonte com o olhar vazio, de quem está pensando em grandes questões. O olhar de gente importante, ocupada, e que não tem tempo para perder com bobagens como bocejos. Afinal, quantas são as dimensões? Qual o tamanho do tamanho? Dá onde veio a palavra “chinelo”? E, pelo amor de Deus, por que ela quer dizer quase o mesmo que “sandália”? Stephen Hawking teria inveja daquela expressão.

 Ao final de dez segundos, o porco selvagem soltou um pum leve como um brisa. O gás saiu inodoro, chiando baixo, tranquilo, pedindo licença com educação. Se porcos assoviassem, seria um assovio.

 — Sof… Sofia! Boa Timão, você é mestre nisso!

 A caneta então deslizou pelas linhas do caderno, preenchendo uma folha amarelada entre pequenas pausas na escrita. O raro sorriso de Avalac fez uma breve visita ao seu rosto, fazendo suas bochechas se moverem como engrenagens antigas e enferrujadas. Timão quase ouviu o ranger do mecanismo.

 — Chamei a garotinha de Charlotte, o que acha? — Timão não precisou responder, Avalac fez isso por ele. — Concordo, é um bom nome. Um ótimo nome, na verdade.

 Sabe Timão?  Às vezes fico pensando se alguém vai ler isso. Essas coisas que eu escrevo, podem ser o único registro escrito da raça humana, como um documento, um achado arqueológico, está me entendendo? Posso me tornar uma espécie de autor referência para a biblioteca dos homenzinhos verdes de Júpiter. Ou, se preferir, o próximo Buda, com direto a estátua e tudo mais. Consigo até imaginar os monstrinhos de Marte colocando latas de milho aos pés da minha imagem esculpida em mármore branco. Fazendo suas preces ao grande Avalac, e seu fiel discípulo, Timão, o javali da sorte.

 Quando eu tinha dezesseis anos, fiquei viciado numa série de livros. Você com certeza não conhece, se chama “A Torre Negra”. Dentro da minha cabeça, tudo aquilo era tão real quanto minha própria vida. Depositei nos livros a mesma fé que os cristãos depositam na Bíblia.

 Entende agora o que estou dizendo?

 Ah, vamos Timão! Preste atenção!

 Os livros contam a história de um sujeito chamado Roland. Um pistoleiro descendente de uma linhagem extinta, o último sobre a terra.  No fim, ele encontra seu destino na busca pela Torre Negra.

 A imagem de Roland, cansado e moribundo, caminhando sobre um mundo morto e devastado, me encantava. Ficava extasiado! Como uma garotinha num show de música pop.

 As palavras de Avalac soavam como uma canção de ninar para o javali, que pegara no sono logo no início. Ouviu alguma coisa sobre Marte, ou Júpiter, não tinha certeza. E depois tudo era escuridão. Sonhos com caçambas de lixo cada vez mais recheadas coloriam sua mente.

 Avalac então ouviu um ronco, e teve certeza de que seu companheiro estava dormindo. Sentiu os olhos arderem, e as lágrimas quentes deslizaram pelo rosto cansado. Ninguém dava a mínima, muito menos a porra do porco. O mundo se transformara numa linda puta, daquelas que não muda seu ar de deboche por mais que o contratante meta. Logo o prazer perde o sentido, e tudo que importa é tirar aquele sorriso da cara dela.  

 O mundo sorria para Avalac, do mesmo jeito que a prostituta. Mostrando seus grandes dentes, rindo dos seus esforços. Partindo seu coração apaixonado. Deixando bem claro que ele era apenas mais um tentado gozar na vagina mais triste de todas. Um ninguém, um zé ruela.

  — Eu sou a porra do Roland agora, está feliz? — Soltou um riso triste, quase um soluço. — Só que a minha torre está no meu bolso, a grande torre de merda! A torre da sobrevivência.

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18 comentários em “Avalac (Afonso Elva)

  1. Leo Jardim
    25 de maio de 2017

    Avalac (Afonso Elva)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): a ambientação em um mundo pós apocalíptico ficou boa e o perfilhamento do Avalac bem construído, mas faltou acontecer alguma coisa que destacasse, faltou uma trama. Esses mini capítulos que não acrescentam muita coisa são ótimos em romances ou textos longos, em contos curtos eles sobram.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): o autor tem domínio da técnica narrativa e apresenta cenas e personagens muito bem. Faltou concisão e corrigir alguns erros ortográficos:

    ▪ Eu não sei *vírgula* baixinha
    ▪ Nada demais *vírgula* meu caro Timão
    ▪ Vai ligar *vírgula* Timão?

    ▪ A dureza do entendimento já seria o suficiente para um adulto *ponto* Em Charlotte, causava danos irreversíveis.

    ▪ Feder *atraí* seres vivos (atrai)

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): o texto apresenta um mundo pós apocalípticos meio genético, sem explicar muito, mas os personagens são bons.

    🎯 Tema (⭐⭐): Avalac e Timão (legal ele ter errado o nome, que no desenho chamava-se Pumba)

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): o texto termina numa reflexão interessante, mas sem grandes conflitos ou clímax. Isso esfria bastante o impacto.

  2. Jowilton Amaral da Costa
    25 de maio de 2017

    : Um bom conto. Está bem escrito. No início achei que seria uma história meio bobinha e tal. A história esquenta do meio para o fim e o autor capricha no uso de figuras de linguagem e tiradas sarcásticas. A melancolia no final do texto caiu com uma cereja no bolo. Boa sorte.

  3. Vitor De Lerbo
    25 de maio de 2017

    As referências a elementos dos anos 90 trazem nostalgia a quem foi criança nesse período.

    Conto interessante, gostei principalmente das partes em que estamos dentro da cabeça do javali. E o Avalac é um cara bem gente boa.

    Fica a questão se a mãe e a filha realmente existem ou se o que lemos no capítulo 1 é apenas uma história imaginada por Avalac. Prefiro a segunda opção, faz mais sentido pra esse mundo pós apocalíptico que o novo Roland esteja levemente louco.

    Uma grande aventura ou reviravolta traria mais brilho à trama. Gosto do estilo beat, mas por termos um limite pequeno de palavras, não há muito tempo para conquistar o leitor.

    Texto bem escrito, mas uma revisão evitaria alguns errinhos.

    Boa sorte!

  4. Andreza Araujo
    24 de maio de 2017

    Adorei esse clima de fim de mundo, o fato do personagem ser, a princípio, o único sobrevivente do planeta. Interessante notar como ele faz para não enlouquecer. Primeiro, ele tem a companhia do nosso ilustre javali, segundo, ele escreve sobre personagens que estariam vivendo aquela mesma situação, mas com uma ponta de esperança. A mesma esperança que ele tem, eu diria.

    Fiquei na dúvida sobre o que seria o objeto que ele chama de torre negra, seria a caneta com a qual escreve? Só consegui pensar nisso, não sei se o autor quis dizer outra coisa hahaha O texto é certamente bem elaborado, a melhor parte é quando percebemos que o prelúdio é apenas uma história do nosso amigo solitário, e que as meninas jamais irão se encontrar com ele.

    • Afonso Elva
      24 de maio de 2017

      Gostei de você de pensado numa caneta Andreza, na verdade, achei genial 🙂 Como eu disse em um outro comentário aqui, o texto é seu desde o momento em que começa a ler, então não tem nada de certo ou errado ;), tudo é possível e tudo é verdade. Obrigado novamente por ler, e emprestar seu tempo e dedicação. Forte abraço!

  5. angst447
    24 de maio de 2017

    Olá, autor, tudo bem?
    O título não promete absolutamente nada. Um nome estranho que ainda fiquei tentando embaralhar as sílabas e deu em nada – só cavala.
    O tema proposto pelo desafio está aí não tão explícito, mas está aí. De carne e osso, só mesmo o javali.
    Alguns lapsos escaparam na hora da revisão:
    neurônios tem vontade > neurônios têm vontade
    Dá onde veio > da onde veio
    O lobo mal assoprava > O lobo mau assoprava ou o lobo assoprava mal?
    com direto a estátua> com direito a estátua
    O ritmo do conto é bom, embora em alguns momentos dê uma ralentada. Recordar a musiquinha do banho foi bacana.
    Boa sorte!

    • Afonso Elva
      24 de maio de 2017

      Novamente, desculpe pelos deslizes na revisão, fico grato pelas observações. Forte abraço angst447, e muito obrigado pelo seu tempo e dedicação! 🙂

    • angst447
      24 de maio de 2017

      Obs.: A forma “daonde” não existe e sua utilização é incorreta.

      Se houver a ideia de procedência, utilize “de onde”

  6. Afonso Elva
    24 de maio de 2017

    Muito obrigado pelo tempo e dedicação de todos vocês, fico muito grato! Não vou comentar alguns pontos sobre o enredo, porque acho que a história assume uma forma diferente dentro de cada um, logo, ela sempre é muito mais do leitor do que minha, e essa é a beleza da coisa 😉
    Agora, essa de lobo “mal”, pegou mal à beça… Peço sinceras desculpas, não deixei o texto descansar algumas semanas antes de revisar, e isso é ruim, porque acabamos meio que “lendo com a memória”.
    Muito obrigado outra vez, fiquem com Deus
    Forte Abraço 😉

  7. Neusa Maria Fontolan
    24 de maio de 2017

    Foi uma boa leitura, porém eu fiquei esperando que ele se aproximasse da mulher e da menina com a intenção de se ajudarem,em um mundo pós-apocalíptico, penso que isso seria razoável. Talvez seja o caso de você aumentar essa história, pense nisso.
    Um bom conto, meus parabéns.

  8. Priscila Pereira
    24 de maio de 2017

    Oi Afonso, achei seu conto triste… será que foi só eu?? Vi em Avalac alguém que faz graça, que parece um rebelde sem causa, só para poder aguentar a depressão e a angustia de “viver” nesse mundo, ele me pareceu desiludido, triste.Ótimo conto, cheio de referencias legais… amei a musiquinha do banho… Parabéns e boa sorte!!

  9. Evelyn Postali
    23 de maio de 2017

    Oi, Afonso Elva,
    Gramática – Só uns errinhos. Não muitos, mas o mau-mal ficou bem visível para mim. Então, corrige aí e passa mais uma lida no resto. 😉
    Criatividade – Uma história dentro de uma história. Gosto disso. E a questão de ser possível vivermos um apocalipse nos faz perceber que não temos nada senão uns aos outros – fato que desestabiliza minha fé na humanidade nesses dias, visto a enorme desatenção que temos para com os nossos iguais, que são todos, mas teimamos em pensar que uns têm mais valor que outros. Há algumas lições no seu conto e elas devem ser aproveitadas.
    Adequação ao tema proposto – Para mim, está totalmente adequado.
    Emoção – Aquela frase de Clarice Lispector fala ao meu coração, mas sua história também me emocionou. Gostei do que li. Amizade é um bem precioso e muitos animais conhecem o significado dela muito mais do que aqueles humanos que nos rodeiam.
    Enredo – Começo, meio e fim não lineares e eu amei.
    Parabéns pelo conto!
    Boa sorte no desafio.
    Abraços!

  10. Luis Guilherme
    23 de maio de 2017

    Boa tarde, afonso, tudo bão?

    Cara, adorei teu conto! Pq? Vamos lá:

    – Gostei do uso de metáforas, como no caso: “O lobo mal assoprava, assoprava, mas a casa não caía. O assovio do vento entrava por algumas fendas nas paredes da estrutura.” Excelente! (só uma obs: lobo mau)

    – Os diálogos são muito bons!

    – O cenário e o contexto catastrófico foram muito bem construídos;

    – A linguagem é divertida e gostosa. Adoro quando existe uma certa informalidade e indecência por trás da escrita habilidosa, não sei se me entende.

    Enfim, gostei bastante de tudo. Acho que a gramática, com alguns poréns, está quase impecável.

    Parabéns e boa sorte!

  11. Olá, Afonso,
    Tudo bem?
    Fico pensando em qual a fórmula para se escrever um conto bom. Qual o segredo? A resposta é que, não há um modelo a se seguir. Seu conto, ao menos para mim, tem esse mistério que faz com que fiquemos grudados a uma narrativa.
    Você iniciou com um recorde de Clarisse Lispector. Uma citação que adoro e que, talvez prenunciasse a amizade entre um homem e seu animal de estimação. A narrativa, no entanto, embora trate desse relacionamento de forma muito cativante, vai além do anunciado.
    A narrativa propriamente dita tem início com uma história que, a princípio nos parece deslocada do todo. Quase no final, no entanto, descobrimos que o tal parágrafo deslocado é na verdade um texto que está sendo criado dentro do conto. Uma história que poderá um dia ser lida, ou não. Escritos destinados a homens do futuro, depois do fim de tudo.
    Quem são esses leitores afinal?
    Somos nós.
    Aqueles que o leem agora, não após o apocalipse dos tempos, mas após a morte de um mundo que você revive a cada minuto do conto. O mundo do personagem com suas alusões, o tempo todo, aos anos 80. Um mundo onde ele, protagonista, viveu e foi feliz. Um “mundo que já acabou”. O mesmo deverá sentir, talvez, quem viveu em uma determinada época que já se foi. Não à toa os velhos dizem: No meu tempo… Acho que estou começando a sentir isso e por este motivo gostei tanto de seus texto.
    Parabéns. Você fez um belíssimo trabalho com o seu Javali.
    Beijos
    Paula Giannini

  12. Ana Monteiro
    23 de maio de 2017

    Olá Afonso. Não li “A Torre Negra” e penso que essa leitura me teria permitido penetrar melhor o seu texto. Foi uma leitura fluída (excepto em alguns momentos em que falhas na revisão não permitiram essa fluidez) e agradável. Existe um contraste muito evidenciado entre o cenário pós-apocalíptico e uma relação de afecto que une um ser vivo a outro. E esse contraste sabe bem, como um oásis no deserto – aliás essa relação é um pouco isso mesmo. O conto está adequado ao tema e é bastante criativo. Gostei particularmente do primeiro parágrafo da parte 2, que revela aquele pequeno registo de malvadez impossível tão comum em nós, humanos (semelhante ao que sucede quando só se consegue ter pensamentos banais em momentos de catástrofe). A cena nos balneários também está muito boa. Bem mais profundo do que possa aparentar, seria pedir demasiado que, em tão pouco espaço, tivesse ainda grande quantidade de enredo. No geral está muito bom. Parabéns e boa sorte.

  13. Fabio Baptista
    23 de maio de 2017

    O conto consegue entreter e isso é um ponto positivo. A relação de Avalac (se há alguma referência nesse nome, não captei) com Timão (desse eu não gostei, porque me lembra o Corinthians kkkk) é bem divertida e não soa forçada.

    A escrita é ok, sem grandes tropeços e dando agilidade à narrativa. A ambientação “pós-apocalíptica” é bem construída e a cena dos vestiários, com a elucubração sobre feder é muito boa.

    Senti falta de um pouco mais de enredo, porém. Acabou ficando só uma descrição do cotidiano da dupla, sem um fio condutor que pudesse prender a atenção, causar expectativa e tal. Não li a obra referenciada, talvez isso tenha contribuído para esse sentimento.

    – O lobo mal assoprava
    >>> mau

    – O animal imediatamente admitiu um tom reflexivo
    >>> adquiriu?

    – com direto a estátua
    >>> direito

    Abraço!

  14. Milton Meier Junior
    22 de maio de 2017

    Bom conto, bem engraçado e de fácil leitura. Carece uma revisão melhor, mas nada que atrapalhe o encadeamento da narrativa. Nunca li a Torre Negra, portanto me faltam referências nesse quesito. Não obstante, uma boa diversão. Parabéns!

  15. Lucas F. Maziero (@lfmlucas)
    21 de maio de 2017

    Eis tudo ou quase tudo que posso dizer sobre este conto: me diverti pra caramba lendo-o! E esse, creio, é tudo que um conto precisa, distrair, entreter.

    Lembra muito o estilo fanfarrão de Stephen King, cheio de referências, figuras hilariantes, palavrões na medida certa… Enfim, confirmei quando alcancei o parágrafo em referência à Torre Negra.

    Um bom conto! E as últimas palavras deu um fechamento redondinho a ele. Tomara que alguém encontre o que Avalac carrega em seu bolso!

    Parabéns!

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Publicado em 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017.