EntreContos

Detox Literário.

Beterrabas (José Leonardo)

Banana Cabana St. John USVI Full Moon

Descemos ao trabalho. Topografia extremamente ruim, madrugada, mas enfrentamos porque urgia. Só sentíamos a poeira nas narinas, não ante os olhos, que quase nada tateavam. Eu tinha de ensinar o novato; muito bem, que fosse assim, terreno ruim e tudo.

“Acho que pisei em uma”, ele disse.

“Tudo bem. Vê as folhas do talo? Puxe devagar, que o resto vem.”

Ele assentiu. As horas correram e colhemos muitas dezenas.

“Mas tão pequenas, tão roxinhas, mal madurando!”, meu companheiro lamentava.

“Quieto! É nosso dever.”

Terminamos de ensacar cuidadosamente. Concentramo-nos e, com o sol entrando em Aleppo, batemos nossas asas.  

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88 comentários em “Beterrabas (José Leonardo)

  1. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Não entendi quem são os personagens, mas não ficou ruim não. Boa sorte.

  2. Felipe Teodoro
    27 de janeiro de 2017

    Olá!

    Extremamente bem conduzido, tocante e com excelentes imagens. É o tipo de conto que surpreende no fim e exige uma segunda leitura, só para sentir ainda mais as sensações que o autor provavelmente intencionou. Eu gostei muito, principalmente pela capacidade de sintetizar tanta emoção.

    É um conto triste, bem feito, escrito com segurança. Estou terminado as leituras do desafio em grande estilo. Meus sinceros parabéns ao autor!

  3. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Conto bastante criativo e escrito com maestria. A descrição e o título dá a entender que são simples agricultores, mas a surpresa final só deixa o texto ainda mais bonito.

  4. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    Este é mesmo bom, sem nada para queixar, apenas para chorar,ou quase chorar de emoção com a leitura. Abraço, Pórcia.

  5. rsollberg
    27 de janeiro de 2017

    Provavelmente o conto mais bonito do desafio.
    Uma história que faz a gente querer acreditar na ficção, morar nesse mundo onde o autor se faz Dele! A analogia foi perfeita, beterrabas imaturas e jovens com tanta vida pela frente, sentimos dó ao visualizar a imagem. Microconto que soube transmitir com rara felicidade essa explosão de sensações.
    Certamente estará no meu top 3
    Parabéns!

  6. Estela Menezes
    27 de janeiro de 2017

    Confesso que, para entender o sentido do conto, levei bem mais que os 5 segundos que o Thiago de Melo mencionou… E só confirmei as minhas “suspeitas” quando fui aos comentários… Daí que comecei a tentar entender os motivos para a dificuldade, que, aliás, não foi só minha… Algumas explicações me ocorreram: alguém observou que “o suspense foi mantido até o fim”; pareceu-me, entretanto, mais um enigma que um suspense… E a própria palavra Aleppo, ao final, não esclarece completamente todas as hipóteses… Acho também que, se desejamos criar um duplo sentido, é preciso que as palavras utilizadas já contenham em si esse mesmo duplo sentido, o que não percebi ter ocorrido aqui: “Beterrabas” e “Crianças mortas”? “Colher almas puxando pelas folhas do talo”? “Almas roxinhas sendo ensacadas”? Enfim, claro que as imagens são criativas, mas pareceu-me que nada no texto, mesmo ao final, ajudava a decifrar efetivamente a charada… Talvez valha a pena considerar a sugestão que algum comentarista ofereceu, de que o autor só mencionasse uma colheita, mas sem especificar o que estaria sendo colhido… De qualquer modo, uma concepção original, o texto muito bem desenvolvido e atual e a narrativa primorosa, sem faltas ou excessos, indicam um invejável domínio da técnica. Para mim, está entre os melhores textos do desafio.

  7. Lee Rodrigues
    27 de janeiro de 2017

    Pórcia, você apertou meu coração, terminei com aquele suspiro triste de quem entendeu mas gostaria de estar enganada.

    “Mas tão pequenas, tão roxinhas, mal madurando!” 😢

    A leveza da narrativa equilibra o peso do subtexto, o que, apesar da beleza, não impede o nó na garganta.

  8. Gustavo Aquino Dos Reis
    27 de janeiro de 2017

    O conto é bom e carrega em si um mistério de quem são os personagens.

    A escrita também é competente e agradável de ler.

    No entanto, analisando bem essa obra, ela confere muito mais empatia por conta dos acontecimentos recentes na cidade de Aleppo. Se o conto não tivesse colocado esse fator, com certeza, perderia a potência.

    Tudo isso para dizer que é um texto de peso, mas que toca muito mais pela tragédia em Aleppo do que por qualquer outra coisa.

    Tem cara de ser do xará.

  9. Thiago de Melo
    27 de janeiro de 2017

    Amiga Por ia,

    Que lindo o seu conto.

    Terminei de ler e por uns 5 segundos eu não tinha entendido nada. De repente, tudo se encaixou e eu arregalei os olhos dizendo: Noooooossssaaa!
    Foi muito bom viver esse momento de revelação literária. Obrigado!

    Achei, no entanto, que essa frase aqui complicou um pouco: “Vê as folhas do talo? Puxe devagar, que o resto vem.”. acho que a metáfora é apresentada pelo narrador. O personagem poderia falar alguma coisa para despistar,mas não achei que folhas e talos têm muita relação com almas.

    Mesmo assim, seu conto é muito bom! Parabéns.

  10. Vanessa Oliveira
    26 de janeiro de 2017

    Não sei se entendi. Reli, li os comentários, e só fui entender depois de ler um de alguém ai, não lembro qual. E achei bem bonito, pensando pela perspectiva de morte buscando crianças. O título confunde a gente, porque já pensamos nas beterrabas, e com o bater de asas imaginei pássaros. Enfim, gostei, apesar da confusão. Boa sorte!

  11. Davenir Viganon
    26 de janeiro de 2017

    Texto na superfície é bonito e o subtexto forte e triste. Aleppo e as asas, revelam o contexto atual, uma visão bem diferente das guerras colhendo vidas sem estarem maduras. Muito bom conto!

  12. Cilas Medi
    26 de janeiro de 2017

    Quem são os personagens? Pisam e tem asas? Um misto de homem-pássaro? Enfim, saber ler não quer dizer que tenhamos obrigatoriedade de entender o que o autor tentou fazer. Metáforas sempre são confusas a não ser que tenhamos conhecimento prévio ao que se refere.

  13. Thata Pereira
    26 de janeiro de 2017

    Mesmo tendo contexto para entender a história (sempre acompanho tudo que posso sobre Aleppo), precisei dos comentários e isso, infelizmente, quebrou o encanto do conto para mim. Sei que se tivesse entendido seria um dos meus preferidos, histórias sobre guerras me afetam muito.

    Mesmo entendendo onde o conto se passava e tudo que está ocorrendo por lá, não consegui associar beterrabas com as crianças mortas. Infelizmente. Talvez se o autor tivesse feito referência à colheita, mas não tivesse determinado o que estava sendo colhido… mas vejo que muitos gostaram e, pelo que parece, entenderam, então desconsidere.

    Boa sorte!

  14. Glória W. de Oliveira Souza
    26 de janeiro de 2017

    Difícil comentário. Parece-me encontro de agricultores as escondidas, mas a palavra Aleppo fez desmoronar a imagem que vinha construindo. Li e reli. Mas continuei na ignorância. E creio que assim continuarei. Enquanto gênero conto, dentro dos parâmetros convencionais, não identifico elementos de apresentação, desenvolvimento e conclusão que possam direcionar o leitor para um final impactante.

  15. Srgio Ferrari
    26 de janeiro de 2017

    Gostei bastante. Mas falei “mal madurando” em voz alta e descobri que ninguém falaria assim e anjos certamente falariam com mais peculiaridade essa concepção……fora isso, perfeito, parabéns.

  16. Rubem Cabral
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Pórcia.

    Ótimo conto. A ideia de anjos “colhendo” crianças mortas no conflito é muito triste e bonita. O texto consegue esconder o que precisa ser escondido e apenas pelo tempo necessário, sem deixar o final enigmático ou algo do tipo.

    Nota: 9.5

  17. Vitor De Lerbo
    26 de janeiro de 2017

    Só após terminarmos o conto percebemos como as analogias são bem feitas. A releitura é ainda mais prazerosa por isso.
    Muito bem construído, atual, e faz a crítica de maneira sutil.
    Parabéns e boa sorte!

  18. Anderson Henrique
    26 de janeiro de 2017

    Camadas. E você as desenrola com o nome de uma cidade e um bater de asas. Quem fez sabia o que tava sabendo. Contaço!

  19. Matheus Pacheco
    25 de janeiro de 2017

    A principio que não havia entendido o tom do texto até me recordar sobre a cidade de Aleppo, antes de cair na realidade o conto para mim era sobre aves que vinham colher beterrabas na terra, mas depois percebi sobre uma profundidade um pouco maior que eu imaginava (na verdade bem maior).
    Um abração e um excelente conto.
    Dessa vez não serei eu que fiz o pior comentário do desafio.

  20. Leandro B.
    25 de janeiro de 2017

    Oi, Porcia.

    Acho que foi o conto mais atual que li, se não levar em conta as questões humanas que perpassam o tempo. Enfim, foi o texto mais contemporâneo.

    A escrita foi leve e a revelação ao final foi bastante competente… mas não curti muito o uso das beterrabas para simbolizar a vida das crianças. Há algum simbolismo em torno da raiz e da vida que eu desconheça?

    .
    .
    .

    Aliás, acabei de reler. O texto em si não faz menção a beterrabas, somos induzidos pelo titulo. Acho que o titulo me desagradou, mas é um ótimo trabalho.

  21. Simoni Dário
    25 de janeiro de 2017

    Boa tarde.
    Adoro metáforas e, embora tenha levado um momento para compreendê-las no conto, fui surpreendida. Um bom conto, forte e profundo.
    Bom desafio!

  22. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá Pórcia,

    Tudo bem?

    Seu conto me impactou e muito. No início eu pensei: “Nossa, não acredito que ela(e) está descrevendo a colheita de beterrabas”. E então, você dá um cheque mate primoroso em seu leitor, com uma só palavra “Aleppo”. Isso demonstra seu talento, sua maturidade, sua segurança ao escrever, sua habilidade com as palavras. Muito bom.

    Quanto às beterrabas como pequenos corações colhidos antes da hora, não sei se encontro imagem melhor dentro do desafio. Seu conto dói, além de encantar com a delicadeza das palavras.

    Sei que houve algo de “Beterraba” entre os vencedores do ano passado. Não sei até que ponto este aqui se comunica com o anterior. Não quis ler o outro, para não me influenciar. Agora vou.

    Parabéns por sua verve.

    Boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  23. Miquéias Dell'Orti
    25 de janeiro de 2017

    Cara,

    Simplesmente excelentes as alegorias que você usou para retratar as crianças de Aleppo. Os anjos colhendo “beterrabas” jovens, novas, que causam até certa indignação e lamento do anjo novato.

    Um tema atualíssimo e que me deixa bastante triste.

    Existe uma frase, que agora não me recordo de quem seja, que diz:
    “O ser humano eleva o fantástico, desconhecido e nebuloso, para negar a realidade, cruel e doentia.”

    Mas não acho que essa máxima se aplica, por exemplo, a textos como esse, que usam alegorias não para negar, mas para nos colocar mais próximos ainda dessa realidade que é sim cruel e doentia como diz a frase.

    Parabéns.

  24. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    As crianças-beterraba e os anjos aprendizes. Hum, sei não. Fiquei triste com essa história. Para mim, o que acontece em Aleppo é uma terra arrasada, não um cultivo, como na história aqui. Na parte técnica, o uso do narrador, a meu ver, impediu que o personagem dele se desenvolvesse, pois seu ponto de vista prevaleceu. É um exemplo de texto que eu gostaria de ver transcrito com narrador onisciente. Boa sorte!

  25. Gustavo Castro Araujo
    25 de janeiro de 2017

    Excelente! Atual, bem construído, mantendo o suspense até o último parágrafo. Confesso que não esperava por esse arremate – imaginava dois garotos brincando de alguma coisa, mas não dois garotos numa expedição por alimentos em Aleppo. Naturalmente, as entrelinhas do conto incomodam – não sabemos quem são, de onde vêm, para onde vão. Se vão. A situação na Síria daria azo a um artigo científico, mas não creio que seja o caso aqui. O conto se sustenta sozinho na medida em que aproveita a (suposta) ingenuidade de dois meninos e os atira sem dó nem piedade em um dos locais mais tenebrosos do planeta. Há espaço para fraternidade no inferno – aliás, dizem que é o local onde é melhor forjada. Parabéns pelo conto.

  26. Pedro Luna
    25 de janeiro de 2017

    “Mas tão pequenas, tão roxinhas, mal madurando!”

    Para mim, essa passagem fez total diferença no conto. Primeiro porque emociona aos nos remeter a vidas que ainda estavam em formação, e que precisam ser interrompidas. É exatamente isso uma situação de guerra.

    A resposta do outro: quieto, é nosso dever, só mostra a irracionalidade de tudo. Perguntas não são bem vindas. Só vá lá e cumpra o seu papel. O dia vai nascer e ao final dele, estaremos aqui de novo.

    Gostei do conto.

  27. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    Demorei um pouco para pegar o sentido do conto, mas no fim acabei gostando bastante. Da narrativa, principalmente: a ambientação inóspita foi muito bem feita. Me fez esperar uma coisa, e no fim era outra, algo que eu não antevi (o que é outro mérito).

  28. Poly
    24 de janeiro de 2017

    Texto interessante, em que só se compreende o total sentido ao final. Gostei da temática e da escrita. Não tenho certeza se compreendi a totalidade, algumas coisas ficaram obscuras para mim, como o porquê da atividade ser um dever e que tipo de novato o menino é. Mas de forma geral gostei bastante.

  29. Amanda Gomez
    24 de janeiro de 2017

    Olá, Pórcia.

    Aí vem as palavras finais e tudo se transforma…

    Gostei muito do que li aqui, sensibilidade em nos mostrar algo muito real, recente, ainda sangrando.

    A metáfora com as beterrabas ficou inesperada e muito eficaz – um solo vermelho de sangue onde anjos(?) vêem recolher os frutos que ainda estavam madurado, não era a hora, mas era preciso.

    Achei todo o contexto bastante comovente, não é piegas, ou sensacionalista, é uma forma singela e amarga de contar uma história real.

    E a rotina de colher beterrabas antes do tempo continua, e infelizmente vai persistir por um tempo que não sabemos ainda.

    Parabéns!

    Boa sorte no desfio.

  30. vitormcleite
    24 de janeiro de 2017

    Gostei mas o recurso às beterrabas tirou-me todo o impacte que o texto poderia ter. Penso que devemos ter cuidado na escolha de todos os elementos, bem como os nomes de personagens, e as beterrabas… não percebo qual a importância para aqui. Desculpa problema meu.

  31. elicio santos
    24 de janeiro de 2017

    Muito criativo. O título e a narrativa despistam o leitor até o desfecho, completamente imprevisto e de cunho provocante, forte, reflexivo. Gostei!

  32. Sabrina Dalbelo
    24 de janeiro de 2017

    Nossa que bonito!
    Os anjos da morte, um experiente, outro novato, buscando almas em Aleppo.
    Metalinguística muito bem apurada. Domínio na escrita.
    Sensibilidade.
    Um conto sobre a morte que não é triste, é sereno.
    Parabéns!

  33. Mariana
    24 de janeiro de 2017

    O texto me fez pensar se é certo o artista descrever com tanta beleza algo tão bruto. Fiquei divagando se obras assim não nos causam um amortecimento, um conformismo com as tragédias. Interessante, muito interessante…
    Enfim, o texto faz pensar e isso é sempre positivo. Está escrito com primor, as frases são bonitas, delicadas… Por isso as reflexões já colocadas. Meus parabéns.

  34. Luiz Eduardo
    24 de janeiro de 2017

    Parabéns, vocÊ construiu uma narrativa instigante e uma metáfora muito inteligente, apesar de triste. Boa sorte!

  35. Juliano Gadêlha
    24 de janeiro de 2017

    Bom texto. O nome é uma pegadinha do Mallandro, e eu fiquei buscando o sentido dele até a surpresa no final. Falar sobre a morte e sobre a Morte (o ceifador) tem sido comum nesse desafio. Aqui até que houve um enfoque um pouco diferente. Um bom conto, parabéns!

  36. Lohan Lage
    23 de janeiro de 2017

    Oi, Pórcia,
    Que metáfora, tão bem alinhada ao contexto social que vive-se hoje; o do massacre gratuito, da dor e das tantas crianças que têm suas vidas ceifadas.

    Parabéns 🙂

  37. Tiago Volpato
    23 de janeiro de 2017

    Muito bom o texto. Traz uma mensagem que se torna mais corriqueira nos nossos dias. O texto é muito bem escrito e muito bem desenvolvido. Parabéns.

  38. Luis Guilherme
    22 de janeiro de 2017

    Hmm, intressante!

    Demorei um tempão pra entender do que se tratavam as beterrabas.
    Gosto quando um conto trás à tona o contexto social.

    Super bem trabalhadas as metáforas. Limpar o terreno pro massacre do dia seguinte, e tal.

    Interessante que num mesmo desafio, temos dois contos sobre beterraba.. hahaha

    Parabéns pela profundidade do conto!

  39. Antonio Stegues Batista
    22 de janeiro de 2017

    “Descemos ao trabalho”.Se forem espíritos, só pode ser do céu para recolher almas das criancinhas mortas pela guerra em Alepo, Síria. A lógica diz que é isso mesmo. É uma metáfora, mostrando a crueldade da guerra. Um bom texto, boas frases revelando indiretamente o ambiente caótico de destruição.

  40. Thayná Afonso
    22 de janeiro de 2017

    Gostei muito do uso de metáforas e da narrativa. O conto foi muito bem executado e causou impacto. Parabéns!

  41. Patricia Marguê Cana Verde Silva
    22 de janeiro de 2017

    Um texto que compõe uma inteligente metáfora com a atualidade. Exige conhecimento sociopolítico do leitor para que o mesmo entenda a descrição cenográfica. A deixa… anjos ou vampiros no final também é boa. Boa sorte!

  42. Jan Santos
    22 de janeiro de 2017

    Gosto muito dessa tendência de trazer fantasia à problemáticas como a que vc se propôs a escrever, embora muita gente venha estranhando isso nos demais contos. Parabéns pela sacada, n tenho dúvidas de que poderia desenvolver em uma história maior.

  43. Tatiane Mara
    22 de janeiro de 2017

    Olá…

    texto interessante sobre colheita de almas.

    Boas imagens, infelizmente me pareceu forçado demais para causar impacto, o que não aconteceu comigo.

    boa sorte

  44. Edson Carvalho dos Santos Filho
    22 de janeiro de 2017

    Texto poético fazendo alusão à questão da Síria. Interessante. Algumas repetições de palavras que poderiam ter sido evitadas, mas bem construído.

  45. waldo gomes
    21 de janeiro de 2017

    Muito boa a idéia e a coisa da colheita.

    Entretanto a execução da idéia pecou um tanto, principalmente no primeiro parágrafo: ruim e ruim, seguidos… “Eu tinha de ensinar o novato”, o quê ? Ensinar ao novato, seria melhor ou mais correto ?

    Mas é bonito. Vou roubar a idéia para uma poesia.

  46. Eduardo Selga
    20 de janeiro de 2017

    Aleppo, na Síria, hoje, é palco de uma guerra muito covarde porque vitima basicamente a população civil. Nesse processo, os mais frágeis evidentemente são os mais atingidos. Como as crianças.

    O instinto de sobrevivência nos conduz a dois atos possíveis: enfrentar ou fugir. O primeiro caso só é possível se houver alguma chance de vitória. Do contrário, é buscar abrigo. Refúgio. Abandonar a pátria, onde há ligações afetivas muito fortes, para tentar não morrer noutro país, um lugar de cultura absolutamente diferente e, por isso, hostil Ainda deve estar vívida em todos nós a imagem do menino sírio morto na praia, na tentativa de travessia.

    Acredito que o conto tenha se valido de metáforas para se referir a essa realidade, a extração forçada. As beterrabas diminutas seriam as crianças, mas também, por metonímia, todo o povo sírio, que não consegue desenvolver-se em paz em função da guerra. As beterrabas seriam, além das crianças, os frutos atrofiados da terra síria.

    Quando o narrador-personagem determina que sejam extraídas as beterrabas a partir do talo, é metáfora do trauma dos exilados sírios. Eles são retirados de sua terra. Dentes arrancados sem anestesia.

    Quem o faz, no conto? O texto, para mim, não deixa dúvidas quanto à sua natureza: são entidades espirituais. Mas, e já que gostamos tanto de um maniqueísmo, de qual lado da força?

    Ambas as possibilidades estão postas. O senso comum tende a associar ao bem as entidades espirituais, quando não está evidente a sua “cara”, como é o caso. Então, o receptor textual irá, de um modo geral, considerar anjos os personagens do conto, e não se pode dizer que esse leitor esteja errado, na medida em que a ambiguidade permite essa interpretação. Seriam anjos celestes a salvar crianças e o povo sírio, levando-os para outra terra, o que pode ser outro país ou algum canto do Céu. Nesse sentido, “[…] o sol entrando em Aleppo […]” seria como as trombetas anunciando um novo mundo.

    Não nos esqueçamos que anjos do mal, se eles existem, fogem da luz, diz o senso comum. Por isso, o sol é o aviso de que o tempo para o cumprimento da tarefa está esgotado. E se forem a representação do mal, as crianças-povo estão sendo levadas para onde?

    Lembro-me de uma música do Legião Urbana que diz: “o senhor da guerra não gosta de crianças”.

  47. Sidney Muniz
    20 de janeiro de 2017

    B om, o texto é bem escrito, quanto a gramática.

    E surpreende no quesito mistério, pois trás um suspense que instiga a buscar o final.

    T ambém achei interessante a forma como a narrativa se desenvolde no primeiro páragrafo meio travada, acredito que intencionalmente.

    E m relação a surpresa final, a revelação me agradou.

    R estava a mim tentar compreender de fato onde o autor(a) autora quer nos levar, entretanto talvez por incompetência, leseira e principalmente por burrice mesmo minha, não consegui captar a mensagem.

    R ecorri aos comentários, mas confesso que ainda assim não consegui, mesmo que existam teorias interessantes.

    A guardarei ansioso o final do desafio para procurar entender melhor, e que sabe se o autor puder nos dar sua visão acerca de sua obra.

    Bom, em minha avaliação é um bom conto, mas me senti meio perdido infelizmente e desconectado com o desfecho.

    Ainda assim lhe dou os parabéns!

    Sorte para você!

  48. Tiago Menezes
    20 de janeiro de 2017

    Olá Pórcia. Achei o conto muito interessante. Creio que os personagens principais são anjos que vieram buscar os corpos das crianças (beterrabas) mortas na guerra. É o dever deles, obviamente. Muito legal a maneira como abordou o tema, bem criativa. Parabéns.

  49. Guilherme de Oliveira Paes
    18 de janeiro de 2017

    Acho que há alguns problemas, como uma aparente contradição no uso do figurativo em “olhos tateando”; ou talvez apenas não funcione bem, caso haja alguma justificativa poética. Gostei muito da condução da história, cria um clima de tensão e mistério. Acho que faltaram elementos que deixassem o final mais compreensível ou acessível, de modo geral, aos leitores. Bom conto.

  50. Fil Felix
    18 de janeiro de 2017

    Não é dos meus preferidos. A construção é interessante, deixando no ar a identidade das personagens (anjos) e o que vieram buscar na Terra, literalmente retirando da terra. Fica nas entrelinhas os corpos que estão retirando (crianças, adultos?), imaginei que fossem fetos ou algo do gênero, mas alguns pontos na estrutura não me ajudaram muito: o título já faz com que associamos a colheita à beterraba; e no momento que estão retirando, fala-se de talo e folhas. Poderia ter sido outras características, pra que continuasse no ar (assim como os anjos) o que estavam retirando.

  51. catarinacunha2015
    18 de janeiro de 2017

    MERGULHO: Sabe aquelas poças que se formam na praia depois de uma ressaca e as crianças ficam brincando? O texto se comporta assim, inocente que esconde uma origem trágica.
    IMPACTO: Levei um “pedala Robinho” de assustar coruja. Ainda não me recuperei. Até então já estava implicando com o título que entregava a trama, mas entendi que foi pura sacanagem de tubérculo.

  52. Renato Silva
    18 de janeiro de 2017

    Esse é um daqueles textos que parecem sem sentido de tão corriqueiros, mas que fecham com uma frase surpreendente. Eu realmente adorei essa analogia feita entre os corpos das crianças sem vida com as beterrabas, daquele vermelho intenso, quase roxo. Criou em minha mente uma cena triste, mas ao mesmo tempo de grande beleza, visualizando as estrelas enquanto os anjos recolhem as almas das vítimas da guerra na Síria. O bater das asas na última frase fecha perfeitamente o texto. Ah, sim, também achei bacana o modo humanizado desses anjos, pois um deles ainda é um aprendiz, inexperiente.

    Gramaticalmente, está tudo ok. Tudo ficou bem sintetizado, não sobrando palavras desnecessárias.

    Boa sorte.

  53. Victor F. Miranda
    17 de janeiro de 2017

    Acho que você conseguiu passar a sensibilidade que queria. Está bem escrito, e, apesar do tom esperançoso, causa desconfiança. Gostei.

  54. Fernando Cyrino
    16 de janeiro de 2017

    Olha, um conto interessante, mas que achei que peca pela sua construção. Há repetições de palavras no primeiro parágrafo e o achei meio fraco para sustentar o enredo da história. Nele há algo que gostei bastante: a aliteração dos olhos que tateiam. Bacana isto, parabéns. Abraços de sucesso.

  55. José Leonardo
    16 de janeiro de 2017

    Olá, Pórcia.

    Você construiu um ambiente curioso, que passa subitamente, no surgir da última linha, de uma simples colheita (num horário diferente) para um cenário de guerra. Não sei se o efeito desejado aconteceu, uma vez que a passagem da denotação para a metáfora (na mente do leitor, que imaginava o primeiro cenário que descrevi) foi bem brusco.

    De qualquer modo, foi bem interessante a alegoria das beterrabas sendo retiradas com os corpos das crianças sendo removidos (pelos cabelos?).

    Boa sorte neste desafio.

  56. ROSELAINE HAHN
    16 de janeiro de 2017

    Acabei de comentar outro conto Master Chef e eis que me vejo aqui novamente, entre beterrabas, metáforas de anjos e almas. Um conto lírico, tocante, melancólico. Parabéns pela sensibilidade.

  57. juliana calafange da costa ribeiro
    16 de janeiro de 2017

    Olha só, se não fosse o título eu não pensaria em beterrabas. Se o foco do conto não eram exatamente beterrabas, não precisava estar lá no título. Acho q isso acaba confundindo o leitor. A analogia com os anjos não fica tão clara, eu acho que por causa das beterrabas no título. Mas o conto é muito bom, trabalho de um escritor maduro e sensível. Parabéns!

  58. Ceres Marcon
    16 de janeiro de 2017

    Um conto que surpreende, porque não sabemos que tipo de criaturas estão presentes. O trabalho é a colheita, não se sabe de quê.
    Gostei da construção. Há simplicidade nas frases.
    Parabéns!

  59. andré souto
    15 de janeiro de 2017

    Metáforas a parte, um conto belo e bem construído,enfocando uma temática atual.Linguagem bem trabalhada.Parabéns.

  60. Olisomar Pires
    15 de janeiro de 2017

    Bom conto.

    Tema: colheita de alimento nos arredores de Aleppo, cidade em guerra.

    Bem escrito, mas o primeiro parágrafo é muito ruim, destoa do restante totalmente. Poderia ser melhor trabalhado: o adjetivo “ruim” apareceu duas vezes, as construções “que quase” e “só sentíamos” incomodam os ouvidos.

    Acho que poderia até ser eliminado esse início.

    Mas a idéia do conto é muito boa, muitos dirão ver alegorias e anjos e crianças mortas, o que, talvez, não esteja errado, eu prefiro a estória por si só, desde que seja bem narrada.

    Os detalhes do primeiro parágrafo citados atrapalham bastante a avaliação imediata positiva do conto. Lamento.

  61. Iolandinha Pinheiro
    14 de janeiro de 2017

    O conto traça um paralelo entre as beterrabas e as crianças mortas na guerra. Não entendi porque a escolha deste vegetal para representar as almas infantis, mas com certeza, existe um motivo. Outra coisa que me intrigou: se os coletores eram anjos, e se os anjos têm asas, coisa que, inclusive, é confirmada no final do conto (eles vão embora voando), porque eles se importariam se a topografia do terreno (na verdade o relevo) era íngreme ou plana? Para quem voa isso não faria muita diferença. O conto é belo, a comparação é interessante, e o evento (morte das crianças) é real e tocante, mas não vi nada de surpreendente ou misterioso para ser decifrado no conto. A gente consegue matar a charada no momento em que o autor cita Aleppo, e isso tira o elemento complicador do conto, deixando a solução muito à vista dos leitores. Enfim, parabéns pelo trabalho. Sorte no Desafio.

  62. Wender Lemes
    14 de janeiro de 2017

    Olá! Parabéns pela sensibilidade que consegue transferir ao leitor. Esse texto é dotado de um caráter estranho: por um lado, mascara o lado visceral de uma tragédia, suaviza os tons de sangue; por outro, leva o sentimento a um nível muito mais profundo. A brutalidade dos noticiários, sólida como é, bate e espalha nos calos que a gente cria, mas a visão sensível acha seus atalhos e nos atinge.
    Parabéns, mais uma vez, e boa sorte!

  63. Virgílio Gabriel
    14 de janeiro de 2017

    Hmmm, não acho que o leitor deve ser punido quando não pega a referencia, todavia, para MINHA sorte, eu já li sobre Aleppo. Assim, pude desvendar, ou quase isso, sobre esse belo conto. O drama dessa cidade fica bem claro com o rapaz que matou o embaixador russo, vociferando que era por Aleppo. Muitas crianças morreram, em uma guerra que sequer era delas. Em meu ver, o conto retrata anjos vindo buscar as crianças. O anjo aprendiz questiona porque tão cedo, mas é assim mesmo. Parabéns pela história, linda. Boa sorte!

  64. Anorkinda Neide
    14 de janeiro de 2017

    Muito tocante, profundo, de uma leitura que enleva, como um poema, mas não sendo um. Frases bonita, bem postas e servidas ao leitor com amor. Dá pra sentir, sim.. o amor do autor pela arte que tão bem manuseia.
    deixa eu parar pq me empolguei demais. 🙂
    De quando a arte vai espalhando um bálsamos nas feridas das almas tocadas pelas noticias da guerra, todos nós que aqui estamos lendo este conto e que precisamos catarsear o sentimento de impotência diante das atrocidades.
    obrigada

  65. Leo Jardim
    14 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): fiquei confuso com o final. Eram algum tipo de aves colhendo beterrabas ou alguma metáfora que não peguei? Qual a relação da guerra em Aleppo? Seriam eles, anjos recolhendo as almas das crianças mortas? 😥

    📝 Técnica (⭐⭐▫): boa, não vi nenhum problema.

    💡 Criatividade (⭐⭐): apesar de apostar no legume da moda no desafio (hehe), achei criativo.

    ✂ Concisão (⭐▫): talvez tenha cortado demais, pois faltou algo pro final encaixar melhor.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫): me fez pensar, mas não consegui encaixar todas as peças expostas.

  66. Andreza Araujo
    14 de janeiro de 2017

    Arrebatador. Li outras vezes por simples prazer, e também para pegar mais dicas sobre o que seriam as criaturas. Logo no início, diz “descemos ao trabalho”, o que sugere que os seres alados seriam anjos, conforme minha interpretação de seu conto. Imagino que as folhas do talo poderiam ser os cabelos, ou então uma parte da alma. Inclusive, percebe-se claramente que há crianças sendo “colhidas” e que o conto trata de um local em guerra (o nome do local está escrito, então é impossível não saber do que se trata). Outra interpretação poderia sugerir que são criaturas colhendo corpos (ao invés de anjos colhendo almas), mas não vejo motivação para isto no seu conto, prefiro a interpretação dos anjos. É criativo e tocante. Belíssimo texto. Fez um verdadeiro milagre com tão poucas palavras.

  67. Jowilton Amaral da Costa
    14 de janeiro de 2017

    Um bom conto. Boa surpresa. Deu uma amenizada na tragédia com o uso de beterrabas -, mais um legume concorrendo, acho que sei de quem é -, e anjos, se assim forem, apesar de não acreditar neles. Boa sorte.

  68. Sandra A. Datti
    13 de janeiro de 2017

    Tum! Esse vai entrar na minha lista. Como comportar uma história inteira como essa, de forma tão tocante, dentro de um espaço tão curto!

    E uma escrita simples, bem desenvolvida nos dá carona a uma bela (e triste) metáfora do ser, da vida e da morte…
    (e novamente a história das asas! ) Daquilo que transcende o humano e que lhe dá destino… (ensacadores de almas? Lembrou-me o trabalhador rude, portuário, a carregar seu sacos de grãos)

    Ainda no início das leituras, mas minha preferida até o momento,

    Parabéns, Pórcia

  69. mariasantino1
    13 de janeiro de 2017

    Oi, tudo bem?

    Putz! Não sei o que comentar aqui. Primeiro fui pedir ajuda dos universitários (do Google, é claro) e encontrei referência a esposa de um dos assassinos de Júlio César que morreu ingerindo brasa (carvão). Bem, suponho que não tenha muito a ver com o conto. Dai pesquisei mais um pouco e encontrei uma referência a um satélite natural de Urano, que por sua vez homenageia a personagem do Mercador de Veneza (do Shakespeare). Na boa, sei nada com nenhuma coisa, mas a minha teoria é a seguinte: ALERTA DE POSSÍVEL SPOILER
    Os seres alados são anjos que descem a cidade de Aleppo e tudo tem a ver com o bombardeio ao hospital e suas vítimas. Dessa forma, a frase >>> “Mas tão pequenas, tão roxinhas, mal madurando!”, se refere a vida ceifada precocemente. Caso eu tenha passado ao menos perto, digo que o título confunde pra caramba, uma vez que se pode imaginar outras coisas que não beterrabas nesse conto aí. Mas as beterrabas são vermelhinhas e tal, parece sangue… Ainda assim, acho mesmo que um outro título cairia melhor.

    Voltarei aqui para ler uma possível explicação da pessoa que escreveu este conto, no momento, pela minha incapacidade de absorção de sentidos, desejo boa sorte no desafio e deixo um abraço.

  70. brás cubas
    13 de janeiro de 2017

    Precisei de um tempo para digerir este microconto. Muito sensível e impactante. Está entre os melhores que li até agora. A parte do bater de asas foi especialmente emocionante. Parabéns pelo alto nível.

  71. Andre Luiz
    13 de janeiro de 2017

    Eu adorei a forma como você conduziu a alegoria da colheita de almas durante o conto inteiro, principalmente na parte inicial quando nós leitores pensávamos que eram meros agricultores de beterrabas. Você soube casar o assunto à analogia que pretendia fazer, e fez com muita destreza.

    -Originalidade(9,0): Eu achei muito boa sua ligação do real com o imaginário, o poético, de muita delicadeza. Apesar de eu já ter lido diversos textos de colheitas de almas, nunca havia lido desta forma.

    -Construção(Uso do limite de contos para formar um enredo)(9,0): Você soube usar o limite com maestria e construiu uma história completa dentro do contexto. Fiquei muito curioso para saber o que veio antes e depois desta colheita rsrsrs

    -Apego(8,0): Eu gosto bastante da questão morte e pós-vida, do etéreo como um todo. Seu conto me fez relembrar os velhos tempos de escrita e isso me deixou muito feliz.

    Parabéns pelo conto!

  72. Fheluany Nogueira
    13 de janeiro de 2017

    Linguagem sintética, objetiva até aparecer a palavra “asas” e somente então, com esta amarrada à “Aleppo”, a alegoria se mentaliza – anjos e/ou demônios resgatando os resultados da guerra. E, outras leituras são possíveis. Linguagem perfeita, trabalho gratificante. Parabéns e abraços.

  73. Bianca Machado
    13 de janeiro de 2017

    Lindo! Jamais associaria beterrabas dessa forma como fez. A fala “Mas tão pequenas, tão roxinhas, mal madurando!” dá um aperto no coração, para depois, ao saber quem são as personagens, trazer um certo alento, como se enfim tudo finalmente ficaria bem. Parabéns! Realmente, a elaboração ficou muito boa! Um dos meus preferidos, por enquanto. Obrigada pela leitura. 😉

  74. angst447
    13 de janeiro de 2017

    Beterrabas colhidas por seres alados. Anjos, pássaros ou criaturas fantásticas? Há uma relação interessante feita entre a terra (de onde são retiradas as beterrabas) e o céu (na menção às asas). O contraste do material, primitivo e telúrico (beterrabas enterradas) e a partida para o espaço (quando abrem as asas).
    A missão deles era essa – recolher beterrabas – e o que estas representariam?
    E temos uma sinestesia em “não ante os olhos, que quase nada tateavam.”Bacana.
    Muito bem escrito, com poucas palavras, escreveu uma história inteira. Talvez eu não tenha entendido a mensagem pretendida, mas valeu.
    Boa sorte!

  75. Tom Lima
    13 de janeiro de 2017

    Não entendi o conto na primeira leitura. Só depois pode aparecer o sentido de anjos colhendo almas no em meio à guerra. Mas por não ter entendido de primeira, acho, não me tocou.
    Uma boa execução, mas que não me despertou sentimentos.

    Abraços.

  76. Priscila Pereira
    13 de janeiro de 2017

    Oi Pórcia… colhendo beterrabas em Aleppo…muito bom como o sentido do texto é entregue só no finalzinho mesmo, mudando todo o sentido que já tínhamos imaginado. Seriam anjos recolhendo as almas?? Parabéns!! Muito bom mesmo. Boa sorte!!

  77. Douglas Moreira Costa
    13 de janeiro de 2017

    Eu adorei o fato da sua ultima frase transformar totalmente todos os outros parágrafos. São tantas as formas de interpretação desse conto que eu não sei qual gosto mais. Mas acho que fico com a ideia de que são anjos recolhendo pequenas almas e levando elas pra um lugar distante daquele conflito geopolítico absurdo. Tem muita alma seu conto, e muito a se refletir sobre o cenário político, que inclusive me faz perceber que Maquiavel teve sucesso em separar a moral da política, afinal eles estão colhendo beterrabas que mal amadureceram.
    Gostei muito, com poucas palavras me fez perceber tanto. Muito obrigado.

  78. Evandro Furtado
    13 de janeiro de 2017

    A narrativa peca em sua construção em certos momentos ao se tornar informal demais. Por outro lado, o conteúdo é trabalhado de forma excelente considerando o espaço curto. O autor é capaz de criar uma trama interessante e bem estruturada no espaço que lhe foi concedido. O aspecto metafórico, que concede ao texto múltiplas camadas, também é interessante. As asas podem significar muitas coisas: que os personagens são, de fato, pássaros; que não há limites para a humanidade, e que ela pode “voar” para onde quiser; que os personagens morreram e seguem ao céu… Enfim, as ideias são múltiplas.

    Resultado – Good

  79. Lídia Duarte Costa
    13 de janeiro de 2017

    Não sei o que comentar! Que texto… Parabéns.
    Você só tinha 99 palavras e olha só o que foi capaz de fazer!
    As análises sucintas sobre o tempo e o espaço são capazes de situar o leitor e ainda se fazem necessárias para entender a metáfora expressa pelas beterrabas; fazem parte da chave para compreender a obra, e essa só se completa apenas na última palavra do texto: asas.
    Além disso, por meio dos personagens mostrou dois olhares sobre o conflito que ultrapassam a ideia de comandante e subordinado: o primeiro tem uma visão mais utilitária, o segundo, mais humanista. Existe limite no qual, se perpassado, uma pessoa deixa de ser vista como um ser humano, dotado de alma, vontades, sonhos, e se torna apenas um instrumento de guerra?
    Eu poderia ficar horas escrevendo sobre o assunto… muito obrigada pela reflexão!

    Boa sorte 😉

  80. Marco Aurélio Saraiva
    13 de janeiro de 2017

    Foda.

    Explodiu a minha cabeça. É incrível a confusão de sentimentos criada por tão poucas palavras. Você condensou muito bem a tragédia de Alepo nestas linhas. Inclusive, a descrição da topografia no início do texto ganha outra vida após chegar ao seu fim, incitando nova leitura.

    PARABÉNS! Abriu o desafio com pé na porta!

    • Marco Aurélio Saraiva
      13 de janeiro de 2017

      Aliás, a observação das “beterrabas” que “eram tão pequenas e roxinhas, mal madurando” causa uma dor no coração que não esperava sentir =/

  81. Brian Oliveira Lancaster
    13 de janeiro de 2017

    GOD (Gosto, Originalidade, Desenvolvimento)
    G: Um texto aparentemente simples, mas que esconde um contexto histórico nas entrelinhas. O final deixa isso bem claro, apesar de ficar aquela dúvida sobre o que eram realmente as criaturas-personagens. – 8,0
    O: Textos micro tem, quase que obrigatoriamente, dar uma reviravolta ou compensar o leitor ao final. Não é regra, mas percebi isso aqui. O problema, a meu ver, é que não havia nenhuma pista do que estava por vir. Ainda estou tentando entender se eram pássaros, eram zumbis, eram pessoas modificadas geneticamente ou algo do tipo. A menção à cidade me fez pensar na terceira opção. – 8,0
    D: Bastante tranquilo, quase um conto “normal”. A simplicidade ajuda muito na construção do cenário. – 8,5
    Fator “Oh my”: Infelizmente, faltou algo que me “arrebatasse”.

  82. Jefferson Lemos
    13 de janeiro de 2017

    Gostei bastante.

    Essa mistura do banal, do trabalho comum de colher as beterrabas que se mescla com o divino e a ceifa de almas, dá um impacto muito forte e bem vindo, no final. Um jogo de palavras muito bom, e um conto bem escrito.

    Parabéns e boa sorte!

  83. Bruna Francielle
    13 de janeiro de 2017

    Entendi , “assim assim” que se tratava de coletadores não de beterrabas, mas de almas de pessoas mortas, e que havia muitas crianças no meio, um deles lamenta!
    Achei uma boa analogia com a situação de Aleppo nos últimos tempos.
    Foi uma analogia sutil.. que não estava muito a mostra
    Falou apenas das mortes, e não dos causadores dessa mortes (pelo menos, pelo que entendi)

  84. Evelyn Postali
    13 de janeiro de 2017

    Creio que não se plantam beterrabas em Aleppo. Não mais. Uma boa reflexão sobre o poder.

    • Evelyn Postali
      13 de janeiro de 2017

      Sobre o poder que alguns pensam que têm – e por vezes têm – sobre a vida e a morte. É dramático e tenso, apesar de, no primeiro momento, parecer irônico, engraçado.

  85. Fabio Baptista
    13 de janeiro de 2017

    Sem erros gramaticais.

    Traz o impacto da revelação final, que, na verdade, não é bem uma revelação… é algo que deixa aquela dúvida gostosa sobre o que é Aleppo e, principalmente, sobre qual era a natureza dos personagens, afinal. Gostei.

    Abraço!

  86. Zé Ronaldo
    13 de janeiro de 2017

    Sublime a forma como se comparou a prática de se colher beterrabas com almas. Micro aberto, exige bem do leitor. A informação do bater de asas deixa a dúvida que o leitor leva para si: anjos ou demônios? Perfeito!

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Informação

Publicado às 12 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .