EntreContos

Detox Literário.

O Odu de Marte (Davenir Viganon)

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I

Acordou naquela manhã desejando a Terra intensamente, como em todas manhãs que lembrava. Os campos verdes, o cheiro de terra molhada e o ar puro prometidos nos anúncios e vividos nas simulações eram o único momento de frescor de seu dia. Esses se prolongavam nos seus sonhos e por isso Diallo odiava acordar e descobrir o quão longe estava do planeta azul. Enclausurado em uma das cúpulas geodésicas de Marte. Acordou e tomou um café, para tirar a preguiça do corpo. Sentia-se velho, apesar de ter apenas 25 anos.

Pingou o lubrificante nos olhos e ligou suas lentes televisivas. Viu algumas propagandas desinteressantes, apenas para gerar um bônus que trocava por descontos nas simulações na Glassview, onde viajava virtualmente para a Terra. Mas sua realidade era ser um assalariado de merda e respirar o ar granulado daquele lugar, enchendo as narinas de poeira vermelha. A única coisa abundante em Marte.

Saiu de casa caminhando. A mente viajava no planeta azul, fugindo da paisagem triste da periferia da cidade de Tharsis-Vale. Não suportava a vista do céu de dentro das cúpulas. As placas transparentes castigadas por tempestades de areia, acumulando pequenos aranhões. O resultado era um céu sempre embaçado, cujo sol não passava de um borrão amarelo pálido, e a areia acumulada nas ranhuras dava a impressão de que a cúpula fora recém-desenterrada das profundezas do planeta. Um imenso esquife onde toda a cidade parecia habitar em meia vida.

A viagem de trem era tão tediosa quando uma viagem de trem poderia ser. Atravessou a rede secundária de filtros no Centro da cidade. A tontura diminuiu quando respirou o ar duplamente filtrado disponibilizado nessa área. Ficou um pouco mais alerta, mas seus pés doíam de tanto ficar em pé. No fim da linha, o imenso logo da Vallis Marineris recepcionava diariamente seus colaboradores: um círculo vermelho num fundo azul e um homem segurando uma bandeira branca. Não sabia se o branco representava a humanidade ou a empresa. Talvez não haja diferença, pensou, a vida de todos dependia da companhia gestora da cúpula geodésica que sustentava a vida na cidade.

Entrou nas instalações de mineração da Vallis, onde colocou seu traje pressurizado para o trabalho externo. O visor do capacete, acionado assim que iniciava seu turno, exibiu marcações luminosas indicando os caminhos, projetadas nas paredes, até então vazias. Ignorou os cartazes institucionais e seguiu as setas até o veículo de transporte.

O veículo foi pouco exigido pela gravidade baixa de Marte, mas cada centelha de energia era contabilizada pelo computador-gerente da empresa. Diallo viu, das janelas circulares, uma linha tracejada marcando o itinerário e um pequeno cronômetro em contagem decrescente, marcando os minutos para chegar ao destino.

– Que cara é essa, meu?

Diallo virou-se e viu a ficha surgir ao lado do capacete de seu primo Tiago identificando-o. Ele tinha a mesma idade e se passariam por irmãos facilmente.

– Nada. – Respondeu, ainda sonolento.

– Nada?

– É, nada! – Apontou para o deserto. – Nada acontece.

– Se acontecesse alguma coisa, é certo que seria algo ruim, não é?

– Ao menos nisso concordamos. Sabe tão bem quanto eu que essa coisa de terraformar Marte não deu certo.

– Mas isso nossos pais já sabiam quando vieram para cá.

– Sempre tem que lembrar do meu pai?

– Não coloca palavras na minha boca, irmão! Estou falando de Marte, de ficar aqui e sobreviver. – Respondeu erguendo as mãos espalmadas.

– E eu de ir embora daqui!

– Esquece a Terra. Não tem nada lá para nós.

– Não tem nada para a gente aqui, isso sim!

– Tudo que a gente tem está aqui, irmão! Nossa vida, nossa família e – Aproximou-se sondando o olhar esquivo de Diallo – Nossa fé. Você ainda tem fé?

– Está bem, Tiago! – Disse sem querer entrar nesse assunto.

– Você bem que podia ir esse sábado na Mãe Bibica. Ela sempre pergunta por ti.

– Não prometo nada, mas manda um beijo para ela. – Não queria brigar com o primo. Pois fazia mais de um ano que não ia num culto no terreiro da tia, e quando ia, não participava muito. Nunca havia dito, mas suas ações falavam por si: depois da morte de seu pai, abandonou a fé, como se nunca a tivesse antes.

Voltou a olhar pela janela.

 

II

Não pegou o trem de sempre ao fim do expediente. Resolveu circular pelo Centro. Foi a avenida principal, onde fervilhavam as lojinhas. Letreiros luminosos brilhavam diretamente dos olhos dos transeuntes. Todas as reações dos usuários de lentevisão em Marte eram colhidas, processadas e revertidas em propagandas personalizadas. Nenhum sonho, ou desejo, parecia mais um segredo. O de Diallo com certeza não era. Recebia um bombardeio de cartazes oferecendo simulações com a Terra passivamente. Minutos grátis e promoções de diferentes serviços chegavam a todo instante.

O simulador da Glassview, com óculos de realidade virtual, era o serviço mais barato. Usava frequentemente pagando com os créditos colhidos com as propagandas que via em casa. Contudo, já estava se cansando desse simulador. Imaginou ser o motivo dos descontos oferecidos neste mês.

Comprar uma passagem para a Terra também estava fora de cogitação. O preço era equivalente a seis meses ininterruptos na Glassview. Bufou ao ver o anúncio de seu sonho ficar tão difícil de realizar. Resolveu pegar o caminho de volta, desistindo da sessão na Glassview. Nem o cartaz que apareceu novamente, oferecendo um desconto de 10% o fez voltar atrás. Então, viu um pequeno anúncio pendurado numa das paredes desgastadas próximo à estação de trem: Mãe Bibica de Oxum: prevendo o futuro e arrumando o passado, marque seu horário.

Pensou ser um sinal de que deveria ver a tia, longe das cerimônias para conversar melhor. No mesmo segundo, um novo anúncio apareceu ao seu lado. A simulação da Glassview, baixara mais 10%. Ignorou e seguiu o anúncio da Mãe Bibica. Com um movimento de mão o pequeno anúncio cresceu.

– Jogos de búzios e trabalhos. Consulta grátis. – Disse no áudio, uma voz familiar acompanhada do toque de tambores.

Clicou para contratar o serviço e o aplicativo revelou o endereço e o itinerário até ela.

Entrou no terreiro, na verdade, uma cabine “tamanho família”. A decoração dava os tons sagrados com suas velas elétricas, vasilhas de barro vermelho e hologramas decorados.

– Meu filho! – O sorriso convidativo da Mãe Bibica quebrava qualquer gelo.

– Oi tia. Vim conversar e saber meu futuro.

– Você não precisa clicar no anúncio. – Sua tia estava com quarenta anos mas aparentava ser mais jovem.

– Força do hábito.

– Venha beber alguma coisa.

– Tia, eu quero consultar Ifá. – Disse receoso.

O sorriso de Bibica ficou menos largo mas concordou silenciosamente. Ligou seu tabuleiro eletrônico e o holograma fez surgir o merindilogun, um dos meios de adivinhação yorubá. Posicionou quatro velas elétricas ao redor e orientou Diallo a conectar seu sistema de lentes no oráculo para que a consulta ao Ifá desse início. Acessou os menus e aceitou o pedido de conexão do tabuleiro. Bibica, com um suave movimento, fez surgir os 16 búzios. Segurou-os nas mãos e os jogou, como se fossem reais. Restava a iyalorixá ler o destino através da forma que búzios caíram: viu um búzio aberto e quinze fechados. Deu Okaran, o odu regido por Exu e, por consequência, momentos difíceis e conflitos estavam próximos. Diallo que conhecia o significado daquela configuração de búzios, nem sequer pronunciou o nome daquele odu, para não piorar as coisas. Mãe Bibica foi direto ao assunto:

– É esse seu desejo de ir para a Terra Diallo. Você agora sabe que se levar isso adiante, algo de ruim pode acontecer com você. Fico muito preocupada, mas nem tudo está perdido. Agora que você sabe do perigo, meu filho, vou indicar o ebó certinho para você.

Ficou aliviado em não ter que gastar com todos os ingredientes. Bastava usar um colar que emitiria projeções holográficas com instruções de todos os objetos e alimentos enlatados que poderiam substituir os frescos.

– Tão real que todos os orixás aceitam. – Disse Mãe Bibica.

– Entendi. O que mais preciso fazer, tia?

– Por hora, coloque o colar holográfico e não tire. Para não correr o risco de perder.

Concordou com tudo e saiu. Caminhou algumas quadras rumo à estação de trem. Os anúncios da Glassview não estavam mais com os preços promocionais. As passagens para Terra, no entanto, baixaram 5%. Os cartazes começaram a se multiplicar em sua frente. Suas lentes acusaram um princípio de superaquecimento. Procurou um canto qualquer para pingar o lubrificante nas lentes que também as refrescavam. As propagandas em excesso pesavam na memória esquentando levemente os componentes neurais. O ar ralo e seco também não ajudava. Decidiu ir para casa de uma vez. Deixou as lentes em modo de economia de energia e, sem pensar nos créditos que deixaria de ganhar pelas propagandas ativas na memória, dormiu no trem.

 

III

Diallo teve sonhos intranquilos. A Terra linda e verde não estava neles desta vez. Foi acordado em meio a lembranças da infância e de seu pai.

– Acorda cara! Acorda! A gente precisa ir! – Tiago sacudia e puxava o lençol sobre o primo.

– Tiago? Que isso?

Estava em casa.

– Foi o combinado, irmão. Te pegar aqui e fugir. Vamos! Antes que a Segurança da Vallis nos encontre.

– Mas o que você fez?

Tiago respirou fundo. – Você está de brincadeira comigo? Esqueceu de tudo agora?!

– Do quê?

– Liga tuas lentes!

Diallo foi ao banheiro lubrificar suas lentes enquanto tentava lembra-se como chegou em casa. Tiago o seguiu e parou na porta.

– Acessa as notícias. – Ordenou. – Procura pelo noticiário das dez da noite de ontem e joga a imagem na parede.

Com um movimento de mão a imagem que Diallo viu nas lentes foi projetada na parede vazia.

O ataque a sede da Vallis Marineris deixou doze mortos, sendo oito na explosão da bomba e mais quatro que, a princípio sobreviveram a explosão, mas foram executados a sangue frio pelos terroristas. – As imagens mostravam apenas fumaça e a fachada de um prédio destruído.

– O que você tem a ver com isso Tiago?

– Nós temos a ver com isso… – Disse Tiago, enfatizando o “nós”, e apontou para a projeção. – Você planejou tudo.

– Não! Isso é coisa que meu pai faria e ele está morto.

Tiago segurou Diallo pelo pescoço e o encostou na parede.

– Você precisa voltar Diallo. O Diallo que quer mudar Marte e não o quer lamber a bota da Terra e da Vallis! – Cerrou os dentes ao falar da Vallis.

Diallo se irritou com a última frase e tentou se soltar sem sucesso.

– Eu não sou como meu pai. Eu não abandonei ninguém. Vai embora daqui.

– Não! Ele não abandonou a gente. Você é que nos abandonou. A quanto tempo não vai ver a minha mãe, heim?

– Eu fui ver ontem mesmo.

E Tiago o soltou.

– Então é isso. – Segurou a cabeça de Diallo e apertou-a com as pontas dos dedos. Olhava para o topo do crânio como se ele não tivesse olhos. – Então ele já está aí em algum lugar. Precisamos dele, Diallo.

– Não tem ninguém aqui dentro. Você está ficando maluco.

– Maluco? Eu? Olha para a parede?

Diallo voltou a atenção as notícias e viu seu rosto na televisão.

…um dos terroristas não foi identificado com precisão. Estava protegido por camuflagem de dados. Nem a Vallis Marineris nem a administração de Tharsis-Vale quiseram confirmar oficialmente, mas a suspeita é que seja Aloísio de Ogum, líder de uma facção extremista que desejava destituir a empresa gestora da cidade. Eles abalaram as fundações da cúpula na década passada com uma série de ataques. Acreditava-se que ele estava morto, mas ao que parece…

Você cresceu e está cada vez mais parecido com ele, então eles devem achar que você era mesmo seu pai. – Parou um instante. – E uma ameaça maior rende mais notícia, também tem isso… eles não são imbecis. Irmão, precisa fugir comigo. Agora!

– Você está me usando?

– Olha, eu notei que você estava diferente, mas se estava disposto a lutar e terminar o que teu pai começou, pouco me importa!

– Não sou marionete…

Três toques vigorosos na porta o interromperam.

– SS. Abra a porta! – A voz exalava autoridade do Serviço de Segurança.

– Puta que pariu, irmão. Demoramos demais.

– O que a gente faz? – Estava tomado de pavor.

Tiago fez sinal de silêncio e tirou duas pistolas da mochila. Passou uma para ele e, segurando outra arma, sinalizou que ia se esconder no banheiro. Em seguida passou o indicador pelo pescoço. Queria emboscar o homem da SS.

Diallo escondeu a arma na calça e abriu a porta. Um homem branco entrou como quem entra em um lugar familiar.

– Rob, já estava acordado? – Disse enquanto entrava.

Vestia um uniforme cinza e usava um capacete que cobria também os olhos deixando visível a boca sorridente. Tratou-o como se há muito se conhecessem.

– Como foi a adaptação a esse corpo de preto que te designaram? Acham que você é Diallo ou Aloísio agora? – Disse cheio de divertimento e desdém sem tirar o sorriso da boca.

Diallo tentou se controlar mas seu nervosismo ficou bastante visível.

– O que foi, Rob? – Perguntou sentando-se no sofá.

– Só estou cansado e levando a vida.

A expressão do homem se fechou.

– Ouça bem Rob: sabemos que ainda acha que é Diallo! Podemos levá-lo para o QG e resolver seu problema. Devolver suas memórias originais e voltar para a Terra. Seu trabalho acabou.

– Eu ainda não sei. – Disse qualquer coisa enquanto a mente digeria as informações.

– Estou oferecendo a chance de vir por vontade própria. – Disse sombrio.

Antes que respondesse o impacto da bala estilhaçara o capacete do homem da SS, e o que tinha dentro espalhou-se pelo pequeno sofá. Tiago e Diallo, ficaram alguns longos segundos olhando o agente morto.

– Esse capacete não era de combate. – Disse Tiago cutucando o corpo com a ponta da arma. – Gente importante.

– Não faz diferença. Eu não quero ficar aqui.

– Nem eu. Vamos na mãe.

– No que ela pode ajudar?

– Tem ideia melhor?

 

IV

– Então, Diallo, seu pai me disse que partiria em uma missão e que era praticamente impossível que voltasse. Deixou este equipamento – Mãe Bibica apontou para o projetor – e me ensinou a usar. Ele é capaz de fazer uma cópia de todas as suas memórias e apagá-las também. Aloísio deixou as dele aqui. Ficou cinco horas deitado até guardar todos os dados depois apagou quase tudo. Deixou o essencial para fazer a missão e partiu. Ele sabia que era mais valioso vivo e que, talvez, pudessem capturá-lo para roubar suas memórias e as usar contra a guerrilha. Ele estava certo com relação a primeira parte. Capturaram seu pai e foram mais longe, sequestraram você também Diallo. Sua mãe…

– Eu sei que ela morreu mas eu não consigo lembrar. – Diallo lamentou-se.

– Encontramos você quase um ano depois, jogado na rua.

– Como eu estava? – Diallo ouvia absorto.

– Você estava amnésico. Limparam suas memórias completamente. Até palavras de nossa língua você não sabia mais.

– Mas depois eu recobrei a memória. – Disse Diallo.

– Eu enxertei alguns fragmentos, meus, do seu pai, de Tiago até de sua mãe. Acompanhei teu sofrimento esse tempo todo. Vi com aflição, esse vazio e essa vontade de ir a Terra. Tentei mantê-lo aqui na nossa terra. Eu estava desesperada. Ontem, coloquei algumas memórias do seu pai na sua mente, usando o colar holográfico. Pensei que assim poderia mudar sua ideia e ficar em Marte.

Diallo concluiu que foi isso que o fez participar do ataque a bomba e também, que não tivesse lembrança disso. Eram os planos de guerrilha de seu pai que colocou em prática.

– O que vamos fazer, mãe? – Perguntou Tiago.

– Completar a transferência de memória de Aloísio em Diallo. – Mãe Bibica olhou no fundo dos olhos de Diallo. – Se ele aceitar.

– O que vai acontecer comigo? – Perguntou, mas fazia ideia do que isso implicava.

– Diallo escuta: se houver uma chance de encontrar todas as suas lembranças, seu pai irá trazê-las de volta.

– E devolver meu corpo.

– Ele é seu pai, Diallo. Nunca te abandonou. – Tiago era quem falava agora. – Mas se continuar a existir duas personalidades em você, talvez não seja possível separá-las de novo.

Diallo, depois de um minuto que pareceu congelar no tempo, aceitou o plano. Deitou-se ao lado do holograma e sentiu suas poucas memórias desaparecerem.

Então apagou.

 

V

– Quando ele vai acordar mãe? – Perguntou impaciente o filho de Mãe Bibica, cinco horas depois.

– Paciência, filho. Essas coisas demoram. Por precaução, não tira o colar que dei a ele. Já consegui bloquear o sinal que esse “Rob” mandava do cérebro até o QG da Vallis. Era assim que eles nos vigiavam.

Revoltava-o até os ossos ver o corpo de Aloísio clonado se fazendo passar pelo filho. Estava infiltrado na família a procura de mais guerrilheiros. Bibica viu o olhar de raiva do filho.

– Rob não está mais naquele corpo, mas aqui. – Mostrou uma caixa de metal pequena. – A SS ainda acha que o verdadeiro Diallo está morto, senão não teriam feito um clone de Aloísio, mas seu, e feito seu pai acreditar que era você. Seu disfarce continua funcionando, filho.

– Não quero viver escondido para sempre, mãe.

– Não será para sempre, filho.

Os olhos do corpo abriram-se. O sorriso não deixava dúvidas, não era mais o espião mas de Aloísio de Ogum.

Ogunhê! Te trouxemos de volta pai.

Diallo, que viveu metade da vida sem o pai e vendo outro com seu próprio nome, encara o pai com o olhar firme.

Mãe Bibica, como boa filha de Oxum, apenas sorriu.

 

* * *

Merindilogun = Na língua yorubá, literalmente significa “dezesseis”, nome dado a um dos sistemas adivinhatórios, utilizando dezesseis búzios.

Odu = Na cultura yorubá, nome dado ao conhecimento vindo dos orixás, que é interpretado pela configuração de búzios abertos e fechados, após terem sido jogados em uma peneira ou em uma espécie de tabuleiro de madeira.

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74 comentários em “O Odu de Marte (Davenir Viganon)

  1. Leonardo Jardim
    16 de dezembro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫): bastante elaborada, mas achei o final confuso e brusco. Poderia ter investido um pouquinho mais em esclarecimentos antes ou depois da reviravolta, pois demorei bastante para sacar que o cara na verdade era o pai dele e tal. É, porém, uma trama muito inteligente, devo dizer.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa, não vi defeitos graves (apenas alguns de pontuação e tempo verbal). Narra com profissionalismo e constrói ótimos diálogos e personagens.

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): muito criativo. Adorei a forma como usou elementos comuns em outros sci-fi e construiu um mundo totalmente novo. A parte tecnológica ficou muito boa.

    🎯 Tema (⭐⭐): considerei adequado, como uma boa história cyberpunk .

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o texto me prendeu, principalmente nas descrições das tecnologias, as religiões, a rotina. Fiquei totalmente imerso na narrativa. O final confuso não empolgou muito, se tivesse sido um pouquinho mais bem trabalhado, teria sido de explodir cabeças…

    ⚠️ Nota: 9,0

  2. Pedro Luna
    16 de dezembro de 2016

    Meu amigo, depois de ler esse conto até fiquei em dúvida se eu sou eu ou se minhas memórias são de outras pessoa. KKK. Bom, o texto é bem louco e como só no final é explicado a doação de memórias do pai, e demais personagens, para a mente do protagonista, ficamos confusos durante a maior parte do tempo, o que deixou a leitura meio chata. Mas vem as explicações, e por mais mirabolantes que sejam, elas funcionam. Então é isso, uma trama movimentada e criativa, mas um texto confuso em várias partes, se piscar perdeu. No geral, achei uma leitura mediana.

    • Davenir Viganon
      17 de dezembro de 2016

      Três coisas:
      – Veio, tu nunca entende meus contos (a trama é intrincada mesmo).
      – Ainda não sei como um conto metade meu, metade seu ficou bom daquele jeito kkkk.
      – “mediana” doeu, mas vai sarar.

      Abraço!

  3. Bia Machado
    16 de dezembro de 2016

    Eu gostaria muito de gostar totalmente desse texto. Porque é um tema do qual gosto muito, essa questão de memórias, me remete muito a Dick, e como não, se tem até Vallis no meio do texto? Quando esse conto foi postado eu li quase inteiro, mas foi uma leitura meio arrastada. Agora também foi um tanto assim, mas o ritmo melhorou e eu consegui visualizar melhor as personagens e também a situação. Há algumas coisas para arrumar em uma revisão, que o pessoal deve ter apontado, já. Algumas repetições de palavras muito próximas, também. Descontei um pouco na questão do enredo por acreditar que ele podia ter sido construído de uma forma não melhor, mas diferente. Mas será que podia mesmo? Será que deveria mesmo? De qualquer forma, achei muito bacana essa mistura de tecnologia e de cultura afro em Marte que você fez aqui. Parabéns.

    • Davenir Viganon
      17 de dezembro de 2016

      “Vallis” foi referencia do PKD mesmo e com “Vallis Marineris” é uma planície de Marte… simplesmente não resisti, tive de fazer essa referência. O final realmente o final ficou apertado e podia ter podado no início.
      Pode não gostar totalmente do meu texto sempre que quiser. Nota 9 tá ótimo. 🙂
      Obrigado.

      • Bianca Machado
        18 de dezembro de 2016

        Gostei muito, mas não totalmente. O 9 é por tantos pontos positivos, tanta coisa bacana, as coisas de que não gostei não podem sobressair, na minha opinião, senão de nada vale o restante.

  4. Leandro B.
    16 de dezembro de 2016

    Oi, Diallo.

    Olha, achei o conto bem escrito, mas com uma ruptura muito forte entre a primeira e a segunda parte. Na primeira, achei o ritmo um pouco lento, que talvez agrade quem gosta mais de sci fi, já que, acredito, o ritmo é consequência das explicações tecnológicas.

    A segunda parte é mais dinâmica, mas achei tudo um pouco confuso. Muitas revelações, uma atrás da outra, uma negando a outra… Sei lá. Tive a impressão de que você precisava de mais espaço para prepara-las.

    O que mais gostei na história foi a utilização do candomblé em um espaço futurista. Foi bem realizada e pareceu bem pesquisada.

    Parabens pelo texto.

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      A questão do ritmo, acelerado demais no final, acabou atrapalhando a apreciação dos leitores. Agora com os comentários isso ficou claro para mim. Não consegui lidar com o espaço disponível, apesar dele ser o suficiente para contar essa estória.
      Obrigado pela análise!

  5. Thiago de Melo
    16 de dezembro de 2016

    5. O Odu de Marte (Diallo): Nota 8,5

    Olá amigo Diallo,
    Cara, que viagem esse seu texto. Muito bem escrito e estruturado. E eu ainda me lembro que você foi um dos primeiros a mandar o texto. Impressionante como você conseguiu construir essa história em tão pouco tempo.
    Gostei do marasmo de viver em marte e do desejo de Diallo de voltar para a terra. Gostei muito da adaptação da religião de base africana que você levou para o futuro e para Marte. Acredito profundamente na liberdade de crença e no direito de se professar qualquer fé. Nesse contexto, as velas eletrônicas, o colar de hologramas e os búzios digitais foram excelentes escolhas.
    Contudo, algumas partes do seu texto me deixaram um pouco confuso. Até a parte em que Diallo acorda sobressaltado no dia seguinte eu estava acompanhando bem, mas daih ele tinha, da noite para o dia, explodido tudo, matado um monte de gente. De repente, chega um agente dizendo que ele na verdade é um tal de Rob, depois tem a ideia de que, na verdade, foram as memórias do pai que fizeram ele se comportar como se fosse o pai. E por aí vai… Essa parte me deixou bastante confuso e precisei reler alguns pedaços para me situar (e ainda assim foi complicado).
    Essa frase aqui, por exemplo, ficou bem complicada: “ Rob não está mais naquele corpo, mas aqui. – Mostrou uma caixa de metal pequena. – A SS ainda acha que o verdadeiro Diallo está morto, senão não teriam feito um clone de Aloísio, mas seu, e feito seu pai acreditar que era você. Seu disfarce continua funcionando, filho”.
    De qualquer forma, parabéns pelo texto e boa sorte no desafio.
    Abraço

    • Davenir Viganon
      17 de dezembro de 2016

      Oi, Thiago.
      Tentei mandar o conto bem cedinho para não pegar o leitor cansado de maratona, quando chega no último conto. Acho que funcionou em parte. Tentei colocar as revelações nos diálogos para que não ficasse tão corrido, mas acabou ficando corrido igual kkkk

  6. Renato Silva
    16 de dezembro de 2016

    Olá.

    O conto ficou legal e bem original, misturando elementos das religiões africanas com alta tecnologia e colonização de Marte. O cenário ficou bem descrito, boa construção de diálogos e personagens. Gostei do link explicando o que é terraformação e aquele glossário para os termos utilizados no conto. Me lembrou muito o filme “O vingador do futuro”, com Arnold Scwarzenneger.

    Boa sorte.

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Meu conto tem referência consciente do conto que baseou esse filme, “Recordamos para você por um peço razoável”. Talvez tenha ficado parecido demais. Obrigado pelo comentário.

  7. Wender Lemes
    15 de dezembro de 2016

    Olá! Dividi meus comentários em três tópicos principais: estrutura (ortografia, enredo), criatividade (tanto técnica, quanto temática) e carisma (identificação com o texto):

    Estrutura: razoável, com o cotidiano de um personagem misterioso em uma sociedade Cyberpunk marciana se desenrolando vagarosamente para culminar em um único plot twist ao final. Em relação à revisão ortográfica, não está perfeita, mas há poucos detalhes, que não afetam tanto a leitura (tão quando/tão quanto etc.).

    Criatividade: é o ponto forte do conto, considero muito criativa a inserção do lado cultural em um ambiente tão distinto, assim como a relação mantida entre religião e conflito. A virada final revelando que Thiago era o verdadeiro Diallo e que o protagonista era o clone de seu pai foi uma boa ideia também.

    Carisma: apesar de ser um conto bem elaborado, o enredo todo baseado nessa única reviravolta ao fim acabou sendo prejudicial, ao menos na minha leitura. Senti que o final não fez jus a tanta expectativa criada.

    Parabéns e boa sorte.

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Vou repensar muito esse final, antes de reescrevê-lo. Já anotei esse ponto que tu notou. Obrigado pela análise.

  8. Luis Guilherme
    15 de dezembro de 2016

    Boa tarde, querido(a) amigo(a) escritor(a)!
    Primeiramente, parabéns pela participação no desafio e pelo esforço. Bom, vamos ao conto, né?
    Em primeiro lugar, adorei o peso cultural e religioso que deu ao conto! Tá carregado de referências.
    Gostei bastante da linguagem e da condução da história, apesar de ter ficado com certas dúvidas no fim e de não ter certeza de ter entendido totalmente a historia, do meio pro fim.
    Gostei muito de algumas técnicas usadas, como a inserção de um hiperlink (!!!) no meio do texto. É corajoso e ousado, e pra mim funcionou. Senti um quê de black mirror no conto. Uma certa referência àquele episodio em que a galera fica o dia todo pedalando umas bicicletas ergométricas pra ganhar credito pra consumir coisas inúteis, sabe?
    Gostei também da “cybertização” (cabei de inventá) da religião, que o conto traz. Ficou bem legal.
    Enfim, apesar de ter me confundido um pouco, gostei bastante do conto. Parabéns!

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Eu assisti esse episódio do Black Mirror, o das bicicletas é o “15 milhões de méritos”, que tem as propagandas pagas mas eu estava pensando em outros vídeos que pesquisei sobre a “internet das coisas” e em outro episódio “The Entire History of You” em que os personagens usam lentes o tempo todo.

      Quanto as pessoas religiosas utilizarem a tecnologia do seu tempo, eu acho uma especulação bem plausível, ainda que não seja tão comum na FC, principalmente nas estórias mais antigas e, finalmente, sobre a confusão: assumo a culpa por ter deixado o final muito apressado e pouco palatável.

  9. Jowilton Amaral da Costa
    15 de dezembro de 2016

    Rapaz, o conto tem tanta reviravolta que acabou confundindo a minha cabeça, muita informação, e olha que minha cabeça é grande, sou cearense, kkkkkkkk. Mas, enfim, o que entendi é que o Diallo era um clone do Aloísio de Ogum, que é pai do verdadeiro Diallo, que está vivendo no corpo de Tiago. Mas, os policiais da SS pensavam que Diallo, ainda estava com o ship de memória de um tal de Rob, que servia como um espião para a SS a fim de informar todos os movimentos da família de Aloísio para as autoridades. Só que, o tal de Rob,, também já havia sido capturado, sem que a SS soubesse. Putz, que doideira. Acho que entendi e acho que até que gostei. Boa sorte no desafio.

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Assumo a culpa pelo final confuso. Precisaria de mais umas 200-500 palavras para explicar e devia tê-las tirado do início. Enfim. Já que o negócio te confundiu, ao menos não te deixou irritado kkkk

  10. mariasantino1
    15 de dezembro de 2016

    Bom dia!

    Legal vc trazer algo diferente para o desafio, porque seu conto é meio axépunk. Gostei bastante, sobretudo quando a Mão Bibica fala e todo lance de orixás e tudo mais. É uma tentativa de incutir a cultura afro na sfi-ci e eu apreciei. Acho que precisa de uma atenção redobrada por parte do leitor, porque os termos afro + a tecnologia acaba deixando o leitor mais leigo como eu, no vácuo, com a sensação de que perdeu algo, e por esse motivo não pude absorver todos os detalhas, mas entendi a trama (meio Coração Satânico, né?), curti as imagens e o personagem principal. Só a minha inserção no seu universo é que ficou meio-a-meio.

    Boa sorte no desafio.

    Nota: 9

    • mariasantino1
      17 de dezembro de 2016

      Mãe* Bibica

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Gostei do termo “Axépunk”, pois Axé é a energia, o mana, ao qual os deuses são feitos. A trama ficou confusa e isso foi culpa minha.
      Obrigado pelo comentário!

  11. cilasmedi
    13 de dezembro de 2016

    Um bom conto, uma aventura rápida e, com quase certeza, amparada e baseada no filme de Arnold Schwarzenegger, o Vingador do Futuro. Nenhum demérito, porque, apesar dessa referência, possui um roteiro dinâmico e surpreende no final. Nota 7,0.

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Realmente bebi muito da fonte original do filme, o conto: “Recordamos para você por um preço razoável”.
      Grato pela leitura.

  12. Daniel Reis
    13 de dezembro de 2016

    Prezado autor Diallo, seguem minhas impressões:
    PREMISSA: uma mistura muito criativa do universo punk e FC misturado com as religiões afro-brasileiras.
    DESENVOLVIMENTO: a luta da facção extremista remete, a meu ver, à cultura de resistência, como alegoria, enquanto que os passos dos personagens são seguidos na leitura, ainda que hesitantemente, por quem não tem um conhecimento como eu de toda a cosmogonia. A transmigração proposta, a meu ver, ainda ficou confusa, não sei se ele é ele mesmo ou seu pai, no fim das contas.
    RESULTADO: o que resta é uma história marcante, ainda que nebulosa em alguns pontos do desenvolvimento, a meu ver.

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Foi bem observado da tua parte a inserção da facção extremista. Eu queria que acontecesse esse estranhamento mesmo em relação a uma cosmogonia diferente da cristã, a qual nos familiarizamos mais rápido, apesar das notas no fim. Ela está na formação dos personagens e no destino de Diallo. Pena que eu não consegui deixar a estória clara o suficiente e acabei prejudicando a parte boa do estranhamento.
      Obrigado pela análise.

  13. Ricardo de Lohem
    13 de dezembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Um rico Macumbapunk, ambientado em Marte. Mãe Bibica, a Mãe de Santo que usa búzios virtuais, foi uma ótima ideia. Vi um problema muito frequente em escritores atuais: a falta de vírgula no vocativo. “– Quando ele vai acordar mãe?” O correto seria: “– Quando ele vai acordar, mãe?” “– Diallo escuta:” o certo: “– Diallo, escuta:” Esse é um problema que podemos considerar grave porque pode potencialmente alterar o sentido da frase. O tradicional clichê dos revolucionários combatendo um regime opressor foi bastante cansativo, mas em compensação eu gostei das confusões envolvendo troca de memória e identidade. Enfim, foi um Macumbapunk muito divertido de ler, gostei, desejo para você muito Boa Sorte!

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Vou levar esse apontamento da vírgula para a próxima versão do conto.
      O sentido dos “revolucionários” é alegorizar a resistência da cultura (que inclui a religião) africana na diáspora, pois devido ao processo colonial elas quase sempre encontram um terreno áspero para persistir, assim como em Marte no conto.
      Fico satisfeito que a estória te agradou.

  14. rsollberg
    12 de dezembro de 2016

    O Odu de Marte (Diallo)

    Caro (a), Diallo.

    Carholes, criatividade 10. Surpreendente como o autor conseguiu aproveitar todos os aspectos do sincretismo e criar uma trama complexa.
    Adorei a mistura da tecnologia avançada com os rituais religiosos.

    Creio que do meio pro final faltou um cuidado para desenrolar a trama, provavelmente em razão do limite de palavras. Os capítulos IV e V ficaram um pouco confusos, tentando trazer explicações apenas nos diálogos. Essa frase demonstra bem isso; “O sorriso não deixava dúvidas, não era mais o espião mas de Aloísio de Ogum.”

    Senti falta de algumas vírgulas e achei que “Glassview” poderia ser suprimido algumas vezes sem qualquer prejuízo para a compreensão do texto. Por fim, aponto algumas coisas que chamaram minha atenção;
    “A viagem de trem era tão tediosa quando (quanto) uma viagem de trem poderia ser.” – A frase é ótima.
    “Por hora” – por ora.

    De qualquer modo, um dos contos mais criativos que li nos últimos anos, parabéns e boa sorte.

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Realmente as duas partes finais ficaram atropeladas. Tentei contar usando diálogos, para fugir apenas do “contar e não mostrar”, acho que não foi uma boa escolha.
      A repetição do “Glasview” foi proposital, para emular a repetição das propagandas. Não sei se surtiu o efeito, pois só você mencionou essa parte.
      Acho que depois da bula de remédio, me restou o 2º lugar em criatividade, isso sem contar o teu conto.

  15. Amanda Gomez
    8 de dezembro de 2016

    Olá, Diallo!

    Um conto em que o autor tomou cuidado de pensar em todos os detalhes da temática. É cheio de informações detalhistas, o que me ajudou a entrar na história com mais facilidade.

    O conto está redondinho, um começo introdutório, no meio vamos sendo apresentados as várias questões e problemas, e no fim o autor consegue montar o enredo, deixando pouca coisa a margem.

    Gostei do personagem, mas não tanto como gostaria, ele não me convenceu em alguns aspectos. Achei interessante a história se passa em marte, já com pelo menos duas gerações vivendo lá, senti falta de algo que mostrasse o que é a terra realmente neste mundo. É mesmo o lugar dos sonhos? ou tudo não passa de ilusão.

    Lendo o conto é meio impossível não lembrar de Black Mirror, não sei até que ponto o ator se inspirou em alguns episódios para compor o enredo, e se de fato se inspirou, vai saber né? Me lembrou também um livro que li recentemente, Fúria vermelha, tem uma temática bem parecida. Não falo isso como uma crítica, apenas estou informando as minhas sensações quanto a leitura.

    O conto me agradou, achei original algumas coisas, como a ‘’macumba’’ rs, A própria tecnologia que nos remete a algo bem atual, como as malditas propagandas e afins. Enfim, um conto bem construído e pensado, detalhista e criativo ao seu modo.

    A questão do pai e filho, do passado, passou meio batido por mim, mas acho que foi culpa só minha. O conto é longo, e eu dei uma parada algumas vezes, pra não me perder.

    Parabéns, boa sorte!

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Com exceção do “Fúria Vermelha” que não conheço. As influências são essas mesmo e mais um conto do Philip K. Dick. Fico feliz que você conseguiu aproveitar a estória apesar dos defeitos de ritmo e da trama.
      Obrigado.

  16. vitormcleite
    8 de dezembro de 2016

    A ideia parecia interessante, mas, na minha opinião, perdeste a mão ao desenvolver o conto. Desenvolveste uma história que só tinha a limpeza da memória de resto não me pareceu muito presente o tema do desafio, embora isso não seja importante na minha avaliação. Pareceu-me ver uma pequena falha na revisão “lembra-se” em lugar de “lembrar-se” mas nada de mais.

  17. Gustavo Castro Araujo
    7 de dezembro de 2016

    O conto ganha pontos – e também se destaca – por harmonizar aspectos que normalmente se repelem: ciência e religião (ainda mais quando se trata de religião afro). Aqui a cultura yorubá é elemento essencial da trama, ao lado do contexto de FC criado. Temos uma trama costurada à la Total Recall – com implantes de memórias -, mas polvilhada com aspectos culturais-religiosos tipicamente afro-brasileiros. Pelo que entendi, aqui aplica-se o velho chavão “ninguém é o que parece”, já que todos haviam sido pessoas diferentes daquelas que se tornaram, devido a implantes e manipulações. A ideia é ótima, mas receio que o espaço para arrematá-la (refiro-me ao Capítulo V) ficou demasiado pequeno. Observe que o contexto inicialmente criado possui vasta abordagem, descrições interessantes e imersivas, além de personagens bem delineados. Porém, ao se aproximar do fim, quando se mostram necessárias as elucidações, o que vem é uma torrente que deixa os leitores zonzos. Seria interessante que esse final fosse reescrito, dando ao leitor tempo para raciocinar – claro, numa revisão sem os limites do desafio. Em suma, o conto é bom, mas com um final um tanto atropelado.

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Olá chefia. Vou fazer exatamente o que você sugeriu. Não só por você ter dito, mas foi o defeito mais evidente do conto, aquele final.
      Obrigado pela análise.

  18. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    1 de dezembro de 2016

    Olá, Diallo,

    Tudo bem?

    Achei muito criativa sua abordagem do tema. A questão religiosa, a troca de mentes, de corpos e tudo o mais…

    Interessante também a alusão ao “corpo espiritual”, através da ideia da transferência de personalidade e do fluxo de pensamento dos personagens.

    Um texto maduro, com autor, claramente, sabendo onde queria chegar.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  19. Eduardo Selga
    29 de novembro de 2016

    O mundo tecnológico em que estamos cada vez mais imersos, e a respeito do qual temos a percepção, real ou induzida, de que é um processo irreversível, convive hoje com manifestações culturais vinculadas à ancestralidade, como, em nosso caso, as religiões de matriz africana. Esse convívio não é nada amigável, pois se tratam de lógicas bem distintas e, em larga medida, excludentes entre si.

    Pois bem. Esse conto, em que pese algumas falhas, a respeito das quais falarei adiante, nos diz dessa coexistência, e o faz de um modo curioso: ao mesmo tempo em que a prática divinatória da mãe de santo, e a própria ambientação na qual ela se dá, é costurada por tecnologia (“a decoração dava os tons sagrados com suas velas elétricas, vasilhas de barro vermelho e hologramas decorados”), a filha de Oxum combate a estrutura social em que ela e sua religião se inserem.

    Porque nenhum texto ficcional existe por si mesmo, ele necessariamente é fruto de inter-relações e de várias forças que atuam em sua construção, se relacionarmos a trama com a sociedade brasileira, o conto dá o que pensar. Nele temos um dos vieses culturais de uma sociedade trabalhando explicitamente no sentido político. Talvez falte essa disposição às manifestações culturais brasileiras postas à margem pelo establishment, ou seja, assumir seu protagonismo enquanto agentes sociais. Como o faz, por exemplo, certo ramo do evangelismo neopentecostal.

    Os orixás são arquétipos no sentido psicológico, ou seja, modelos do inconsciente coletivo da humanidade e que estão presentes em manifestações simbólicas dos povos, como a religião. A Oxum é um dos arquétipos do aspecto feminino da espécie humana, ligado à sensibilidade amorosa, ao carinho, e tudo do que daí decorre. No conto, o(a) autor(a) construiu a personagem bem dentro desse arquétipo, como podemos ver nos em “meu filho! – O sorriso convidativo […] quebrava qualquer gelo” e, principalmente, em “Mãe Bibica, como boa filha de Oxum, apenas sorriu”.

    Apesar disso, e felizmente, não há o estereótipo fácil da “macumbeira”. É importante ressaltar, inclusive, que macumba não é religião nem seita, é apenas um nome pejorativo e genérico dentro do qual se pretende designar todas as religiões afro-brasileiras, sobretudo a umbanda e o candomblé. Retomando a linha de raciocínio, no modo como ela se comporta ao jogar os búzios holográficos não se incluem caras e bocas ou palavras “mágicas”, o que configuraria o estereótipo. Esse tratamento respeitoso com a religiosidade afro-brasileira, por intermédio da personagem, é elemento importante na construção narrativa, e até para o desafio como um todo, pois até aqui tenho visto pouca originalidade e muito clichê.

    Não apenas Mãe Bibica é personagem bem construído: todos os outros também o são, com destaque para Diallo. Assim como no caso da filha de Oxum, o(a) autor(a) teve cuidado em fazer com que ele parecesse humano, não apenas fosse a representação textual de uma pessoa. E essa “verdade” se dá pela eloquência com que os sentimentos de frustração, tristeza e tédio nele se manifestam.

    Li e reli o conto, principalmente os dois últimos capítulos, mas a confusão permanece. Não consegui ter certeza se o personagem Rob estava no corpo de Diallo e se a consciência de Aluísio retorna para o Rob ou se para o Diallo. Acredito que a trama precisaria de maior espaço para clarificar esses aspectos, ao menos para mim.

    Outros problemas na tessitura.

    Em “que cara é essa, meu?” foi utilizado um termo tipicamente paulista (“meu”) e, noutro ponto, a gíria “cara”. Como a trama se passa noutro planeta, supostamente numa época posterior à que vivemos, e como a gíria e outros coloquialismos não pautam o texto, entendo haver inadequação deles.

    Há um grande problema no uso das vírgulas, principalmente no caso envolvendo o vocativo nas frases. Algumas situações: “é esse seu desejo de ir para a Terra Diallo” (vírgula após a palavra Terra); “acorda cara!” (vírgula após o verbo); “o que você tem a ver com isso Tiago?” (vírgula antes do substantivo próprio); “vi com aflição, esse vazio e essa vontade de ir a Terra” (aqui, das duas uma: ou não usa a vírgula ou se usa duas vezes, uma onde foi usada e outra após o verbo VER. Além disso, há crase antes de TERRA). Também não foi usada a crase em “nem eu. Vamos na mãe” (deveria ser À MÃE). Outro problema é a pontuação em “maluco? Eu? Olha para a parede?”, pois não cabe a interrogação no fim dessa frase. Na verdade, seria exclamação.

    Coesão textual: os erros apontados acima prejudicaram.

    Coerência narrativa: como disse, achei a porção final confusa.

    Personagens: muito bons, o ponto alto do conto.

    Enredo: bom, apesar da confusão que eu vi.

    Linguagem: muito boa, exceto por algumas inadequações.

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Olá. Gostei de você ter captado as relações com a cultura iorubá na construção dos personagens e notado o meu cuidado em não cair nos estereótipos fáceis que ceram as religiões de matriz africana no Brasil. Ela está presente também na escolha do cenário: Marte é Ogum.
      A parte final está realmente confusa, e acabou atrapalhando a apreciação do conto.
      Obrigado pela análise.

  20. Waldo Gomes
    28 de novembro de 2016

    Bom conto de macumba-punk como disse um colega no Face.

    Bem escrito, com boas descrições e atmosfera.

    A trama, apesar de rápida, é bem apresentada. Sem furos que eu tenha notado.

    Parabéns ao autor 9a)

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Fico feliz que tenha gostado.
      p.s. “Macumba” não, por favor kkkk.

  21. angst447
    28 de novembro de 2016

    Olá, autor! (Que julgo ser o Fil Félix)

    Antes de mais nada, devo esclarecer que não levarei em conta a adequação ou não do conto ao tema proposto pelo desafio. Não me sinto capacitada para isso.

    A presença de diálogos deu uma agilizada na leitura. A narrativa trava em alguns momentos, mas nada que nos faça desistir de prosseguir nesta viagem – aliás, acho que o tema central aqui foi mesmo viajar em todos os sentidos.

    Gostei dessa mistura entre os elementos futuristas e as raízes culturais – a tradição dos orixás.

    A troca de corpos, de chips, de personalidades, sei lá o que, confundiu um pouco meu raciocínio. Terei de ler pela terceira vez para captar melhor.

    Alguns probleminhas de revisão:
    – A viagem de trem era tão tediosa quando uma viagem > A viagem de trem era tão tediosa QUANTO uma viagem …
    – mas seus pés doíam de tanto ficar em pé. (repetição pés/pé)
    – oferecidos neste mês.> o problema aqui é com NESTE – que se usa para algo próximo do emissor – talvez fosse mais adequado usar NAQUELE mês.
    – Mas se continuar a existir duas personalidades > Mas se CONTINUAREM a existir duas personalidades…
    Há alguns problemas de pontuação, também, sobretudo no emprego de vírgulas.

    No geral, o conto está bem escrito e me pareceu desenvolver uma ideia bem original.

    Boa sorte!

  22. Anorkinda Neide
    27 de novembro de 2016

    Filho, o q q voce fez aqui? q show! hehe adoro quebra-cabeças! Se eu tivesse comentado logo na primeira leitura eu diria q gostei do conto da linguagem e dos personagens e q qd eu estava perfeitamente adaptada ao personagem este se transformou d e um jeito q me deu um nó em minha cacholinha.
    Mas dae reli com toda calma e vagareza q meus neuroninhos exigem para poderem trabalhar com alguma eficácia…
    E eis que entendi!
    a SS fez um clone do Aloisio e este vivia ‘pensando’ q era o Diallo, seu filho, mas quem era o Diallo, na verdade, era o primo e a Bibica era a mae do Diallo e esposa do Aloisio.
    Enfim, nao da pra explicar direito, mas eu entendi, juro! huaihiua
    Parabens pelo quebra-cabeça, eu gostei bastante, mesmo.
    abração

    • Davenir Viganon
      17 de dezembro de 2016

      Anokinda, você acertou é isso mesmo kkkkk. Quero te agradecer pela releitura e pela disposição em montar o “quebra-cabeça”.

  23. Fil
    27 de novembro de 2016

    GERAL

    O conto tem uma boa atmosfera e me parece que bebe de diversas fontes. Gostei de como atualizou a cultura dos orixás à essa nova era. O jogo de búzios virtual, principalmente, foi o que mais me chamou atenção. Apesar das conchas serem virtuais, a interpretação ainda é “quase” que na raça. Olhando pra hoje, já temos algo semelhante como o mapa astral, onde com alguns cliques você descobre todo ele e já passa a achar que é o mais entendido da astrologia. Não duvido que no futuro acontecerá o mesmo seja com os búzios ou tarô, até mesmo com as oferendas.

    O X DA QUESTÃO

    Há bastante ficção e o pouco da marginalidade que aparece ficou interessante. Impossível não associar com o recente fenômeno do Black Mirror e a lente digital. Influência ou inspiração, a cena onde joga a memória pra parede ficou muito semelhante com a série. O “policial” que aparece, com o capacete que só mostra a boca, é bem parecido também com o Juíz Dredd. Nesses pontos, acho que poderia ter tido um pouco mais de ousadia. Percebi algumas falhas na revisão, principalmente nas vírgulas, e o final me deu um nozinho, preciso reler.

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      O Juiz Dredd, veio sem querer, mas faz todo sentido. O que você apontou vai de encontro ao que os outros esmiuçaram em relação a confusão na trama e revisão.
      Obrigado.

  24. Pedro Teixeira
    27 de novembro de 2016

    Olá, autor! Um bom conto, tem uma escrita muito segura e com bastante personalidade. Lembra um pouco as tramas de Philip K. Dick, com os implantes de memória, além do episódio “Um Milhão de Méritos”, de Black Mirror, mas feito de maneira inteligente. A trama de início deu um nó na minha cabeça, mas na segunda leitura consegui pegar direitinho. Me pareceu adequado ao tema, dentro do pós-cyberpunk, e a revisão é impecável. Apesar de todas essas qualidades, acabou me parecendo mais um recorde de uma narrativa maior, e o final acaba não tendo impacto suficiente. Mas no geral o conjunto me agradou.

    • Davenir Viganon
      17 de dezembro de 2016

      Você acertou em cheio na influência do PKD. (paro de ler esse cara ou não? kkkk)
      E, sim, é parte de algo maior. Devia ter usado mais a tesoura.

  25. Priscila Pereira
    26 de novembro de 2016

    Oi Diallo, eu gostei da ideia do seu conto, mas acho que ficou confuso o jeito que você conduziu a história. Não tenho certeza se entendi tudo ( mas a culpa é minha mesmo, sou muito leiga nesse tema). Não consegui simpatizar com os personagens… é uma pena. Boa sorte!

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Não é culpa sua não. (Talvez seria se fosse só você kkkkk) mas por maioria de votos, o final ficou confuso e a culpa é minha mesmo. Na próxima espero que você goste.

  26. Zé Ronaldo
    26 de novembro de 2016

    Como esse texto me lembrou o “Total recall”, o primeiro do Schwarzenegger. Cara, lembrou muito, a ideia das mentes apagadas, uma dentro da outra, mas aí você nos surpreende no final, pois acabou enganando todo mundo (pelo menos a mim).
    As personagens são marcantes, principalmente a tia e o sobrinho, características muito bem trabalhadas.
    Como eu gostei da inserção dos elementos afros no texto! Isso dá um tom mais nacional além de ser um conhecimento extra para leigos como eu. Gostei muito disso!

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Oh veio. Obrigado pelas palavras e fico feliz que você curtiu.
      Eu me inspirei no conto que originou o filme: “Podemos lembrar para você por um preço razoável.”
      VALEU!

  27. Bruna Francielle
    25 de novembro de 2016

    Tema: apesar de não parecer haver uma “Low life” de fato no conto – mesmo que isso não seja obrigatório, mas foi citado “periferia” e “gente importante” que dava a entender que eles viviam em um lugar mais pobre, porém não vi essa dificuldade de viver ali, pareciam cidadãos normais sem problemas para sobreviver – houve um embate contra uma empresa e foi criado um mundo tecnológico. Acho que está dentro do tema!

    Pontos fortes: O mundo criado. Os detalhes, descrições funcionaram bem, possibilitando imaginar mais ou menos como é este mundo que o autor criou. Eu imaginei algo cheio de cores, no meio de um lugar ofuscado que seria a superfície de Marte. Isso de haver coisas como buzios incluídos neste mundo tecnologico ficou bem diferente e interessante. A narrativa está razoavelmente fluída, dá pra ler sem problemas.

    Pontos fracos: Não deu para não fazer uma associação com um episódio do Black Mirror… Em relação as propagandas que dão bonus, apesar de eu não compreender exatamente porque propagandas dariam bonus. Faltou vírgula nas sentenças com nomes próprios.. tais como: “– É esse seu desejo de ir para a Terra Diallo.” — ” (…) para a Terra, Diallo.”
    Acho que houve uma certa confusão no fim… Pelo que eu entendi, Tiago era na verdade, Diallo, e Diallo era um clone de Aloisio.. mas a “Mãe Bibica” não seria tia de Dialo e não mãe? Ou era a mãe mesmo? E o que houve com o verdadeiro Tiago, ou ele nunca existiu? Algumas perguntas ficaram no ar.

    • Davenir Viganon
      17 de dezembro de 2016

      Olá. O “low life” aparece na poeira e a qualidade do ar dentro das cúpulas de Marte e no processo de terraformação que naquele mundo, já deveria ter terminado e todos poderiam respirar fora da cúpula. A areia como elemento de precariedade da vida poderia ter aparecido mais.
      O final ficou difícil de entender, admito. Você tá no caminho certo. Tiago é mesmo uma identidade falsa e os parentescos com essa identidade eram falsos também.

  28. Zé Ronaldo
    24 de novembro de 2016

    Muito interessante mesmo….bacana demais a visão da religiosidade no universo punk….gostado demais!!!

  29. Marco Aurélio Saraiva
    24 de novembro de 2016

    ETA! Coisa boa isso aqui! Diferente, eletrizante e… confuso pra cacete! Hahahahaha!

    Gostei da ambientação, dos personagens e do enredo em geral. O “Plot twist” no final foi incrível! A história é um tanto empolgante, mesmo com o início melancólico. O escritor tem claro dominío do português, escrevendo de forma confiante e cheia de personalidade. Enxerguei poucos erros ou trechos que incomodaram, mas nem me dei ao trabalho de anotar por aqui, já que não foram tão impactantes.

    O cenário e bem interessante. A tecnologia é factível e soa um tanto real. A distopia corporativista foi descrita de tal forma que me senti andando por aquela cúpula ao lado de Diallo. A decadência óbvia na areia que toma conta dos céus e ofusca o sol dá um toque “punk” muito legal. Gostei muito da leitura, apesar de ter que voltar umas duas vezes em alguns trechos pra entender o que estava acontecendo.

    Parabéns!

    PS: Ilustração sob encomenda? =)

    • Marco Aurélio Saraiva
      24 de novembro de 2016

      Aliás, gostei também de como a atmosfera melancólica no início do conto era referente a um personagem que não era quem achávamos que era (o tal Rob), enquanto que a confusão que se segue condiz com a confusão que o próprio Aloísio / Diallo teria com o emaranhado de memórias implantadas.

      Bem elaborado!

      • Davenir Viganon
        17 de dezembro de 2016

        Gostei que tu mencionou a areia. Talvez eu devesse ter mencionado mais a areia que entra nas roupas e incomodas constantemente os personagens, pois é justamente isso que eu quis passar com ela. A decadência e a tecnologia “high tech, low life” andando lado a lado, como diz o lema cyberpunk.

        p.s. Bacana a imagem, né? Tinha feito uma montagem meia-boca mas quando esbarrei nesse blog. Vi que tinha tudo a ver com o conto.
        http://www.macosxtips.co.uk/geeklets/collections/my-hud-vision-/

  30. catarinacunha2015
    24 de novembro de 2016

    Grata surpresa ver um conto de ficção científica retratando um povo de fé (acho) no Candomblé e não da Umbanda (única religião criada no Brasil). Normalmente FC é agnóstica. O título já remete ao credo do predestinado; o que ficou bem punk na ambientação futurística. A trama envolve ação, mas confesso que fiquei boiando no citoplasma. Tive a impressão que não houve domínio do limite de palavras para dar mais ênfase às revelações finais. As notas explicativas retratam a necessidade do autor em ser entendido. Sempre digo que quem precisa explicar é por que não conseguiu demonstrar. A ideia é maravilhosa, mas precisa ser mais processada para ser digerida.

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Tua análise foi bastante precisa. Você boiou por inabilidade minha com o limite de palavras. Devia ter retirado as notas explicativas e deixar o estranhamento com o leitor.
      Obrigado pela análise. Foi muito mais do que eu fiz por você no teu conto. Te peço desculpas por isso.

  31. Rubem Cabral
    19 de novembro de 2016

    Olá, Diallo.

    Gostei do conto, em partes. A ideia de misturar candomblé e cyberpunk foi bastante original. Contudo, talvez pelo cenário escolhido (Marte) e um dos temas principais da sua história (a manipulação de memórias e personalidades), achei muito semelhante ao “Total Recall”, embora tenha gostado do final diferenciado.

    Há algumas coisas por acertar no texto, em especial algumas vírgulas.

    Bom conto. Nota 7.5.

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      A inspiração foi consciente no conto que baseou o filme. inclusive na primeira frase dos contos. Mas quando escolhi Marte, foi pela alegoria com a cosmogonia Ioruba Marte/Ogum e a personalidade do Tiago.

  32. Fheluany Nogueira
    18 de novembro de 2016

    TRAMA boa, com uma construção interessante. O autor é criativo, um candomblé em Marte, com almas trocando de corpos, questões familiares e políticas a serem resolvidas e mais uma série de detalhes? Enfim, uma narrativa de ação tão ágil que se tornou confusa em algumas partes, mas histórias de espionagem são assim mesmo. No todo é um conto muito bom. A ESCRITA não apresenta problemas. Parabéns pela participação. Abraços.

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Contos de espionagem são assim, mas tenho de admitir que tem problemas na parte final e acabou ficando bem confuso para o leitor.
      Obrigado pela leitura.

  33. Sick Mind
    17 de novembro de 2016

    Gostei do conto, bem escrito e trouxe a cultura yorubá para a história. Não é um texto muito original, mas funcionou bem como releitura de O Vingador do Futuro (Total Recall), de Philip K. Dick.

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Quem já leu muito cyberpunk já sabe que o conto não é original e vale mais pela mistura com a religião. A influência foi consciente no conto que originou esse filme.
      Obrigado pela leitura.

  34. Fabio Baptista
    16 de novembro de 2016

    Candomblé-punk!

    Eu gostei da originalidade e achei bastante criativo esse cenário marciano, utilizando efeitos futurísticos para simular búzios, por exemplo. É algo que dá o que pensar sobre como será encarada a fé, seja nas entidades mencionadas ou qualquer outra, quando a tecnologia der um “upgrade”.

    A técnica está boa, só pecando em alguns detalhes:

    – pequenos aranhões
    >>> arranhões

    – Foi a avenida principal
    >>> à

    – Tia, eu quero consultar Ifá. – Disse receoso.
    >>> Tia, eu quero consultar Ifá – disse, receoso.
    >>> (na minha opinião, ficaria melhor assim… mas aqui é mais gosto que outra coisa, ok?)

    – O que você tem a ver com isso Tiago
    >>> O que você tem a ver com isso, Tiago

    – Quando ele vai acordar mãe
    >>> Quando ele vai acordar, mãe

    Infelizmente, essa técnica não jogou junto com a trama. Apesar das situações isoladas serem narradas com clareza, o todo ficou confuso (pelo menos para mim). Eu li duas vezes o texto e mesmo assim me senti sobrecarregado de informações que acabaram não criando muito vínculo ou empatia por ninguém ali.

    Acredito que o espaço foi curto para tanta coisa e a história se perdeu sem um fio condutor.

    NOTA: 7,5

    • Davenir Viganon
      21 de dezembro de 2016

      Concordo com a análise e valeu pelos toques de revisão. Como diz aquele personagem do Pica-pau que constrói um foguete e não consegue pegar ele: “De volta a fase de planejamento”

  35. Brian Oliveira Lancaster
    16 de novembro de 2016

    TREM (Temática, Reação, Estrutura, Maneirismos)
    T: Conceito bem interessante, pegando algumas coisas de O Vingador do Futuro e adaptando à uma cultura diferente. Tem bastante estética aí, mas não sei se poderia ser considerado Cyberpunk por inteiro. Mas como tudo gira em torno de lentes e corporações, se encaixa. – 8,5
    R: Gostei pelo fator inusitado, e a troca de pontos de vistas próximo ao fim. Tem algumas coisas clichês, mas que passam despercebidas. O enredo é interessante, apesar de não tão profundo como pedia. No entanto, a parte da revolução e noticiários, pareceu um escopo grande demais para tão pouco espaço – não deu tempo de assimilar tudo, permanecendo uma sensação de pressa. O final em aberto combinou bem. – 8,5
    E: Desenvolver em capítulos foi uma escolha acertada, mas, como gosto pessoal, preferia que se mantivesse mais intimista como visto no início. Assim, não haveria atropelo de informações. – 8,0
    M: A escrita é convincente, leve, com termos desconhecidos não tão carregados, o que foi muito bom. É possível entender tudo o que se passa na mente do protagonista. – 8,0
    [8,3]

  36. Tatiane Mara
    15 de novembro de 2016

    Que bagunça divertida, espiritismo Hi-tech ficou jóia. Bem escrito, com fluidez tranquila, exceto em duas ou três partes que pesaram um pouco. Acho que se tivesse escolhido outro planeta não daria margem pra comparações visuais que vem automaticamente em função da vasta literatura envolvida.

    É isso.

    • Davenir Viganon
      17 de dezembro de 2016

      Já esperava as comparações mas fazer o que se sou mais um apaixonado por Marte. 🙂

  37. olisomar pires
    15 de novembro de 2016

    Bem escrito, as descrições iniciais situaram bem as cenas. Pensei que seguiria na linha do filme com Arnold “swhasdsssjsneger,” mas houve uma mudança criativa. Ficou legal a camuflagem religiosa. Um bom conto.

  38. Cilas Medi
    15 de novembro de 2016

    Leitura fácil e até atraente, mas não gostei pelo fato de forte influência do Vingador do Futuro (Arnold) e a presença da liturgia Yorubá, agora eletrônica e sem um sentido original. Nota 7,0.

  39. Evandro Furtado
    15 de novembro de 2016

    Gênero – Good

    Traz certos elementos de cyberpunk, apesar da ambientação não ser perfeito. Creio que o background poderia ter sido melhor desenvolvido, explicando melhor esse mundo.

    Narrativa – Good

    Bastante decente, não se arrisca com floreios e tampouco comete deslizes grandes. Algumas questões de revisão, mas nada que prejudique a leitura.

    Personagens – Good

    Bem diferenciados entre si, possuem características próprias e papeis bem definidos. Assim como o mundo no qual habitam, seu passado poderia ser melhor desenvolvido também.

    Trama – Good

    Se por um lado, a reviravolta final não causa o efeito esperado, por outro, gostei bastante da inserção de uma cultura de raízes africanas na trama, algo ousado que não se vê com frequência.

    Balanceamento – Average

    Um conto bastante decente que, no entanto, não se arrisca tanto, prendendo-se às amarras do gênero.

    Resultado Final – Average

  40. Evelyn Postali
    15 de novembro de 2016

    Oi, Diallo,
    Eu gostei como misturou as coisas nessa história. Jogo de búzios, orixás, tabuleiro eletrônico, holograma, Marte! Confesso que não tirei o olho do texto até o fim. Queria saber para onde tudo caminhava. Não é algo que se leia muito. Ficou uma mistura estranha e, ao mesmo tempo, cativante. Mas nem tudo se encaixou muito bem com o meu entendimento. Eu me confundi em duas passagens. Voltei para ler outra vez. Mas a culpada não é sua escrita. Gostei muito dos diálogos, dos personagens da Mãe Bibica e Diallo e da primeira parte, onde você descreve a viagem dele até o trabalho.
    Parabéns ao autor.

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Informação

Publicado às 14 de novembro de 2016 por em X-Punk e marcado .